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2 
 
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Direito Constitucional e Direitos Humanos 
Direito Civil e Processual Civil 
Direito Tributário e Financeiro 
Direito Penal e Processual Penal 
Direito Empresarial 
Direito Digital 
Direito Eleitoral 
Direito do Consumidor 
Estatuto da Criança e Adolescente 
 
Cronograma 
O curso será composto: 
 116 dias de metas, contendo metas completas, de legislação e de revisão; 
 Pdf´s de Revisão (RPP) atualizados até a data da prova objetiva; 
 Pdf´s completos para alguns temas centrais; 
 Dúvidas via Fórum; 
 Dicas de preparação via WhatsApp. 
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Calendário 
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4 
 
SUMÁRIO: 
1. PROCESSO LEGISLATIVO .......................................................................................................... 5 
1.1 Meta 1 ............................................................................................................................... 5 
1.2. Material de apoio: Processo Legislativo ........................................................................... 20 
1.2.1. Conceito .................................................................................................................. 20 
1.2.2. Classificação ............................................................................................................ 20 
1.2.3. Processo Legislativo Ordinário ................................................................................. 21 
1.2.3.1. Fase introdutória .............................................................................................. 22 
1.2.3.2. Fase constitutiva .............................................................................................. 37 
1.2.3.3. Fase complementar .......................................................................................... 43 
1.2.4 Procedimento Legislativo Sumário ............................................................................ 45 
1.2.5. Lei ordinária e lei complementar ............................................................................. 47 
1.2.6. Processos Legislativos Especiais ............................................................................... 48 
1.2.6.1. Emendas à Constituição ................................................................................... 48 
1.2.6.2. Medidas Provisórias ......................................................................................... 51 
1.2.6.3. Leis delegadas .................................................................................................. 65 
1.2.6.4. Decretos legislativos......................................................................................... 66 
1.2.6.5. Resoluções ....................................................................................................... 67 
1.2.7. Processo legislativo nos Estados-membros e Municípios ......................................... 68 
1.2.8. Controle judicial do processo legislativo .................................................................. 69 
2. ATOS ADMINISTRATIVOS ....................................................................................................... 71 
2.1. Meta 2 ............................................................................................................................ 71 
2.2 Material de revisão (RPP): Atos Administrativos ............................................................... 85 
3. AMOSTRA CDC ESQUEMATIZADO........................................................................................ 103 
4. AMOSTRA ECA ESQUEMATIZADO ........................................................................................ 111 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
1. PROCESSO LEGISLATIVO 
 
1.1 Meta 1 
 
PODER LEGISLATIVO: 
PROCESSO LEGISLATIVO 
PONTO DO EDITAL: 
 
7. Poder Legislativo. (...) Processo legislativo. Iniciativa das leis. Emendas parlamentares. Discussão e 
votação. Sanção e veto. Promulgação e Publicação. Espécies legislativas: emendas constitucionais, leis 
complementares, leis ordinárias, leis delegadas, decretos legislativos e resoluções. Medidas Provisórias. 
Processo legislativo. 
 
ATUALIZADO ATÉ NOVEMBRO/2023. 
PASSO A PASSO 
 Ler o assunto pelo material do curso. 
 Ler os seguintes artigos da Constituição Federal: 59 a 69. 
Ler o compilado jurisprudencial abaixo. 
 Fazer 30 questões sobre o assunto no site www.qconcursos.com, utilizando o seguinte filtro: 
BANCA FGV 
DISCIPLINA DIREITO CONSTITUCIONAL 
ASSUNTO 15 PROCESSO LEGISLATIVO 
NÍVEL SUPERIOR 
MODALIDADE MÚLTIPLA-ESCOLHA 
 
O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE O ASSUNTO 
a) Noções Gerais: O processo legislativo é o procedimento adotado para elaboração das seguintes 
espécies normativas: 
1. Emendas à Constituição. 
2. Leis Complementares. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm
http://www.qconcursos.com/
 
 
 
 
 
6 
3. Leis Ordinárias. 
4. Leis Delegadas. 
5. Medidas Provisórias. 
6. Decretos Legislativos. 
7. Resoluções. 
 
b) Emendas Constitucionais: 
LEGITIMIDADE 
OU 
LIMITAÇÃO 
FORMAL 
 1/3, no mínimo, dos membros da Câmara ou do Senado. 
Presidente da República. 
Mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, 
manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. 
PROCESSAMENTO 
OU 
LIMITAÇÃO 
FORMAL 
Votação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos. 
Aprovação, em ambos os turnos, por três quintos dos votos dos respectivos 
membros. 
Promulgação pelas Mesas da Câmara e do Senado, com o respectivo número 
de ordem. 
CLÁUSULA 
PÉTREAS OU 
LIMITAÇÃO 
MATERIAL 
Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: 
I - forma federativa de Estado; 
II - voto direto, secreto, universal e periódico; 
III - separação dos Poderes; 
IV - direitos e garantias individuais. 
LIMITAÇÃO 
CIRCUNSTANCIAL 
A CF não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado 
de defesa ou de estado de sítio. 
Observação: A Emenda Constitucional pode tramitar durante tais 
circunstâncias. O que não pode ocorrer é a emenda à CF. 
Grave: Tramitação da emenda é possível. Efetivação da emenda não é possível. 
IRREPETIBILIDADE 
ABSOLUTA 
A proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não poderá ser 
objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. 
Observação: A irrepetibilidade das emendas e das medidasSignifica dizer que, se o projeto receber parecer negativo da CCJ, será ele rejeitado e arquivado, 
salvo provimento de recurso a ser apreciado preliminarmente pelo Plenário, nos termos regimentais. 
 
Deliberação plenária: 
Na Casa Legislativa, o projeto em votação será aprovado por maioria simples ou relativa (art. 47), se se 
tratar de lei ordinária, ou por maioria absoluta, caso se trate de lei complementar, seguindo o trâmite a 
seguir examinado. 
Na casa iniciadora, o projeto poderá ser aprovado ou rejeitado. Caso ocorra sua aprovação, será 
encaminhado à outra casa para revisão. Se rejeitado, será arquivado, aplicando-lhe o princípio da 
irrepetibilidade. 
 
Mas o que é o princípio da irrepetibilidade? 
Uma vez rejeitada, a respectiva matéria somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma 
sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do 
Congresso Nacional (art. 67). 
Na Casa Revisora, após a tramitação regimental, uma destas três hipóteses pode ocorrer: o projeto ser 
aprovado como foi recebido da Casa iniciadora, ser aprovado com emendas ou ser rejeitado. 
Na hipótese de aprovação sem emendas, o projeto será encaminhado ao Chefe do Executivo para sanção 
ou veto. 
Na hipótese de rejeição, o projeto será arquivado, sendo aplicado o princípio da irrepetibilidade. 
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo 
projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer 
das Casas do Congresso Nacional. 
 
Como caiu em prova: 
 
 
 
 
 
39 
CESPE/CEBRASPE, PROCURADOR DE CONTAS-BA, 2010: Se um projeto de lei for rejeitado em uma das 
casas do Congresso Nacional, a matéria dele constante somente poderá ser objeto de novo projeto, no 
mesmo ano legislativo, mediante proposta de dois terços dos membros de qualquer das casas legislativas. 
Errado. 
 
IMPORTANTE! Essa irrepetibilidade do art. 67 da CF é RELATIVA, haja vista que, como visto, a matéria 
poderá constituir objeto de novo projeto (mediante proposta da maioria absoluta). 
Na hipótese de aprovação com emendas, o projeto voltará à Casa iniciadora, para que esta aprecie 
exclusivamente as emendas. Se as emendas forem aceitas, o projeto com as emendas aprovadas é 
enviado ao Chefe do Executivo, para sanção ou veto. Se rejeitadas, o projeto é enviado sem as emendas 
para a sanção ou veto do Chefe do Executivo. 
Há nítida predominância da casa iniciadora sobre os trabalhos da Casa revisora. 
Em qualquer hipótese, recebido o projeto pelo Chefe do Executivo, ele poderá adotar uma destas três 
medidas: sancioná-lo EXPRESSAMENTE, sancioná-lo TACITAMENTE ou vetá-lo. 
 
Qual o prazo para sanção expressa? 
Quinze dias ÚTEIS, contados da data do recebimento. 
 
O que ocorre com o fim do prazo sem manifestação expressa do Presidente? 
Ultrapassado os quinze dias úteis sem a manifestação expressa do Presidente da República, ocorrerá a 
sanção tácita. Nessa hipótese, o Presidente da República disporá do prazo de 48 horas para promulgar 
a lei resultante da ação tácita. 
 
E se o Presidente não promulgar em 48 horas? 
Caberá ao Presidente do Senado, em igual prazo, a promulgar. Se este não o fizer no prazo estabelecido, 
caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo (art. 66, §7º). 
 
Caso de veto expresso: 
Caso o Presidente da República vete o projeto dentro do prazo constitucional deve comunicar ao 
Presidente do Senado Federal no prazo de 48 horas os motivos do veto (art. 66, §1º). 
O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só 
podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em escrutínio aberto. 
 
 
 
 
 
40 
CF, art. 66, (...) 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu 
recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e 
Senadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 76, de 2013) 
(...) 
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do dia da 
sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final. 
 
Caso o veto seja mantido, o projeto será arquivado, aplicando-se lhe o princípio da irrepetibilidade. 
 
Aprovação definitiva pelas comissões: 
A CF outorga competência as comissões para discutir e votar o projeto de lei que dispensar, na forma do 
regimento, a competência do plenário, SALVO se houver recurso de um décimo dos membros da Casa, 
o que obrigará que o projeto seja levado a plenário (art. 58, §2º, I). 
 
Sanção: 
Sanção é a concordância do Chefe do Poder Executivo com o projeto de lei aprovado pelo Legislativo. 
A sanção incide sobre o projeto de lei, dando origem ao nascimento da lei, resultado da conjugação das 
vontades dos Poderes Legislativo e Executivo. É ato de competência privativa do Chefe do Poder 
Executivo, NÃO existindo hipótese de sanção por parte do Legislativo. 
A sanção pode ser expressa (aquiescência formal no prazo de 15 dias ÚTEIS) ou tácita (se o PR ficar silente 
deixando escorrer esse prazo). 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, MPE-ES, 2010: A ausência de sanção pelo chefe do Poder Executivo no prazo 
constitucional de quinze dias em projeto de lei encaminhado pelo Poder Legislativo faz caducar o projeto, 
por não existir forma silente de sanção. 
Errado. 
 
 
 
Existe a possibilidade lei sem sanção? 
 
 
 
 
 
41 
Em tese SIM. Ocorre quando há rejeição do veto presidencial pelo CN. Nesse caso, não cabe falar em 
sanção; a matéria é diretamente encaminhada para promulgação e publicação. 
 
Art. 66, § 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, 
nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, 
caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo. 
 
Atos do processo legislativo que não precisam de sanção do Presidente: 
Destaque-se que os outros atos integrantes do nosso processo legislativo – que não sejam leis ordinárias 
e complementares – prescindem de sanção, a exemplo das emendas constitucionais, leis delegadas, 
decretos legislativos e resoluções. 
 
Veto: 
Consiste em manifestação de discordância do Chefe do Executivo com o projeto de lei aprovado pelo 
Poder Legislativo. Trata-se de um ato formal, sempre escrito, e obrigatoriamente motivado. O veto deve 
ser exercido no mesmo prazo de sanção, isto é, 15 dias úteis. 
 
A prerrogativa do poder de veto presidencial somente pode ser exercida dentro do prazo 
expressamente previsto na Constituição, não se admitindo exercê-la após a sua expiração. 
No caso concreto, apenas no dia imediatamente seguinte à expiração do prazo (16º dia), a Presidência da 
República providenciou a publicação de edição extra do Diário Oficial da União para a divulgação de novo 
texto legal com a aposição adicional de veto a dispositivo que havia sido sancionado anteriormente. 
Esse tipo de procedimento não se coaduna com a Constituição Federal, de modo que, ultrapassado o 
período do art. 66, § 1º, da CF/88, o texto do projeto de lei é, necessariamente, sancionado (art. 66, § 3º) 
e o poder de veto não pode mais ser exercido. Portanto, a manutenção de veto extemporâneo na forma 
do art. 66, § 4º, da CF/88 não retira a sua inconstitucionalidade, pois o ato apreciado pelo Congresso 
Nacional sequer poderia ter sido praticado. Nessa hipótese, caso o Legislativo deseje encerrar a vigência 
de dispositivo legal por ele aprovado, deve retirá-lo da ordem jurídica por meio da sua revogação. 
STF. Plenário. ADPF 893/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado 
em 20.6.2022 (Info 1059). 
 
Existe veto tácito? 
 
 
 
 
 
42 
NÃO. Cuidado para não confundir a CF trata da sanção tácita. Agora, o veto é um ato expresso, e deve 
sempre resultar de manifestaçãoefetiva do Presidente da República. Em outras palavras, não existe veto 
tácito, por decurso de prazo, entre nós; o silêncio implica sanção tácita. 
 
É possível a retratação do veto após o envio para a Casa Legislativa? 
NÃO. Uma vez formalizado e comunicado ao Presidente do Senado Federal, não pode o Chefe do Poder 
Executivo desistir do veto, ou pretender alguma forma de alterá-lo, isto é, o veto é um ato irretratável. 
 
Tipos de vetos: 
O veto poderá resultar de um juízo de reprovação concernente à compatibilidade entre a lei e a 
Constituição ou de um juízo negativo do conteúdo da lei quanto a sua conveniência aos interesses da 
coletividade, ou à oportunidade de sua edição, por parte do Presidente da República. No primeiro caso 
(inconstitucionalidade) estamos diante do veto jurídico, no segundo (contrariedade ao interesse 
público), do veto político. 
Ao vetar o projeto por inconstitucionalidade, o Presidente da República desempenha o papel de defensor 
da CF, exercendo controle PREVENTIVO de constitucionalidade. 
 
Pode haver veto parcial? 
SIM, consoante teor do art. 66, §2º, da CF. Contudo, destaca-se que o poder de veto parcial do Presidente 
da República não é absoluto ou ilimitado. Sofre ele uma relevante restrição constitucional: somente 
poderá abranger texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. O veto parcial não pode 
desnaturar o projeto de lei, tornando ilógico os dispositivos remanescentes ou incompleto o seu 
conjunto; tampouco pode modificar o espírito do documento aprovado pelo parlamento. 
 
Art. 66, § 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de 
alínea. 
 
No Brasil, o veto parcial não impede que a parte não vetada do projeto (e, portanto, sancionada) seja 
promulgada e publicada de imediato, independentemente da apreciação do veto pelo Legislativo. 
IMPORTANTE! O veto pode incidir sobre o texto apresentado pelo próprio Chefe do Executivo, mesmo 
que ele não tenha sofrido qualquer modificação durante a tramitação do projeto no Congresso Nacional. 
 
 
 
 
 
 
43 
O Congresso Nacional pode rejeitar apenas parte do veto presidencial? 
Sim. Segundo Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, não há vedação constitucional à rejeição parcial do 
veto, podendo o Congresso Nacional rejeitar apenas parte do veto imposto pelo Presidente da República 
(superação parcial de veto). 
 
Admite-se controle judicial sobre o veto do Presidente? 
O veto constitui ATO POLÍTICO do Chefe do Poder Executivo. Desse modo, NÃO SE ADMITE O CONTROLE 
JUDICIAL DAS RAZÕES DO VETO, em homenagem ao postulado da separação de poderes (essa restrição 
vale tanto para o veto político como para o veto jurídico). 
 
Tramitação de projeto por meio de sistema de deliberação remota: 
A tramitação de projeto de lei por meio de sistema de deliberação remota não viola as normas do 
processo legislativo. Isso porque o fato de as sessões deliberativas do Senado Federal e da Câmara dos 
Deputados terem acontecido por meio virtual não afasta a participação e o acompanhamento da 
população em geral. Ambas as Casas Legislativas fornecem meios de comunicação de amplo e fácil acesso, 
em tempo real, em relação ao exercício da atividade legislativa. Ademais, a circunstância de se estar 
diante de uma pandemia, cujo vírus se revelou altamente contagioso, justifica a prudente opção do 
Congresso Nacional em prosseguir com suas atividades por meio eletrônico. 
STF. Plenário. ADI 6442/DF, ADI 6447/DF, ADI 6450/DF e ADI 6525/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 13.3.2021 (Info 1009). 
 
1.2.3.3. Fase complementar 
A fase complementar compreende a promulgação e a publicação da lei. Estas não integram propriamente 
o processo de elaboração da lei, porque incidem sobre atos que já são leis, desde a sanção ou superação 
do veto. 
 
Promulgação: 
A promulgação é ato solene que atesta a EXISTÊNCIA da lei, inovando a ordem jurídica. A promulgação 
incide sobre a lei pronta, com o objetivo de atestar a sua existência, de declarar a sua potencialidade 
para produzir efeitos. 
Em suma: a lei nasce com a sanção, mas tem a sua existência declarada pela promulgação. 
 
 
 
 
 
44 
No caso de sanção expressa pelo Presidente da República, a sanção e a promulgação ocorrem ao mesmo 
tempo. Trata-se de dois atos juridicamente distintos que se perfazem em um mesmo momento. 
Há no nosso processo legislativo, casos em que a promulgação é ato de competência originária do Poder 
legislativo. Ex. As emendas constitucionais, por exemplo, serão promulgadas pela mesa da Câmara e do 
senado. Outros exemplos são os decretos legislativos e as resoluções. 
LEMBRAR! Sanção nunca poderá ser feita pelo Legislativo, apenas a promulgação, em alguns casos. 
 
Publicação: 
A publicação não é, propriamente, fase de formação da lei, mas sim pressuposto para sua eficácia. A 
publicação é a exigência necessária para a entrada em vigor da lei, para a produção de seus efeitos. 
Atualmente, realiza-se pela inserção da Lei no Diário Oficial. 
 
PROMULGAÇÃO PUBLICAÇÃO 
Atesta, autentica a existência de um ato 
normativo válido, executável e obrigatório 
(a lei nasce com a sanção). 
Comunica essa existência aos sujeitos a que esse ato 
normativo se dirige (eficácia). 
 
É possível republicar uma lei já sancionada, promulgada e publicada para incluir novos vetos? 
NÃO. É inadmissível “novo veto” em lei já promulgada e publicada. 
Manifestada a aquiescência do Poder Executivo com projeto de lei, pela aposição de sanção, evidencia-
se a ocorrência de preclusão entre as etapas do processo legislativo, sendo incabível eventual 
retratação.STF. Plenário. ADPF 714/DF, ADPF 715/DF e ADPF 718/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 
em 13.2.2021 (Info 1005). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
1.2.4 Procedimento Legislativo Sumário 
Em termos constitucionais, o processo legislativo sumário não apresenta uma diferenciação de 
procedimentos em relação ao processo ordinário antes analisado. O que o diferencia do processo 
legislativo ordinário é, tão somente, a existência de prazos constitucionalmente fixados para que as Casas 
do Congresso Nacional deliberem sobre o projeto apresentado. 
No Brasil, o processo legislativo sumário ou de urgência está disciplinado no art. 64, §1º, da CF, que 
estabelece que o presidente da república poderá solicitar urgência para a apreciação de projetos de sua 
iniciativa. 
 
É necessário que seja de iniciativa privativa do Presidente? 
NÃO. A CF fala somente em iniciativa, sem restrição. 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, TCE-BA, 2010: O presidente da República só pode solicitar urgência para apreciação 
de projetos de sua iniciativa, seja privativa, seja concorrente. 
Certo. 
 
Pressupostos para instalação do processo legislativo sumário: 
Projeto de lei apresentado pelo Chefe do Executivo (não é necessário que a matéria seja de sua iniciativa 
privativa, basta que o projeto seja por ele apresentado); 
SOLICITAÇÃO DE URGÊNCIA pelo Chefe do Executivo. 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, ANTAQ, 2014: A Constituição autoriza o presidente da República, o STF, os tribunais 
superiores e o Procurador-Geral da República a solicitar, ao Congresso Nacional, regime de urgência para 
apreciação de projetos de sua iniciativa. 
Errado. 
 
Solicitada a urgência pelo Chefe do Executivo, se a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se 
manifestarem sobre a proposição, cada qual, sucessivamente, em até 45 dias, sobrestar-se-ão todas as 
demais deliberações legislativas da respectiva Casa (trancamento de pauta), com exceção das que 
tenham prazo constitucionalmente determinado, até que se ultime a votação. 
 
 
 
 
 
 
46 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, TJDFT, 2013: O presidente da República pode solicitar urgência para a apreciação de 
projetos de sua iniciativa, hipótese em que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal terão, 
sucessivamente,quarenta e cinco dias para se manifestar sobre a proposição, sob pena de trancamento 
da pauta, salvo no que diz respeito às deliberações com prazo constitucional determinado. 
Certo. 
 
Caso o Senado Federal emende o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados, esta Casa deverá 
apreciar as emendas no prazo máximo de 10 dias, sob pena de ocorrência do sobrestamento das demais 
deliberações legislativas, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado (art. 64, §2º). 
Ou seja, totalizando dá 100 dias de tramitação, no máximo. Acreditem, isso já foi objeto de questão 
objetiva de concurso, em que se afirmava que o trâmite do processo legislativo sumário era de no máximo 
100 dias. Portanto, é importante saber os prazos separados (45 + 45 +10 – caso haja emenda) e somados 
(90 dias sem emenda, e 100 dias com emenda). 
 
Recentemente o STF decidiu que a adoção do rito de urgência em proposições legislativas é matéria 
interna corporis. No caso, foram ajuizadas ADPFs em razão da tramitação legislativa ter sido muito rápida 
(em 04 dias). 
A adoção do rito de urgência em proposições legislativas é prerrogativa regimental atribuída à 
respectiva Casa Legislativa e consiste em matéria “interna corporis”, de modo que não cabe ao Poder 
Judiciário qualquer interferência, sob pena de violação ao princípio de separação dos Poderes (art. 2º, 
CF/88). STF. Plenário. ADPF 971/SP, ADPF 987/SP e ADPF 992/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 
29/05/2023 (Info 1096). 
 
O processo legislativo sumário aplica-se a projetos de códigos? 
NÃO. A CF determina que o processo legislativo sumário (ou de urgência) NÃO pode ser aplicado aos 
projetos de códigos. 
 
 
 
 
 
 
47 
1.2.5. Lei ordinária e lei complementar 
A lei ordinária (LO) é ato legislativo típico, primário e geral. 
A lei complementar (LC) tem a mesma iniciativa da lei ordinária, mas sua aprovação dar-se-á por maioria 
absoluta, ao contrário da lei ordinária, que é aprovada por maioria simples ou relativa. 
Os demais procedimentos da LC sujeitam-se as mesmas regras constitucionais do processo legislativo 
comum, aplicável as leis ordinárias. 
A própria CF estabelece os temas cujo regramento deve ser feito por LC. São duas, portanto, as diferenças 
entre lei complementar e lei ordinária: a) a LC disciplina matérias especificamente a ela reservadas pela 
CF; b) o quórum de aprovação. 
Assim, a lei ordinária que disponha sobre matéria reservada a LC estará usurpando competência fixada 
na CF, incidindo no vício de inconstitucionalidade. De igual modo, os tratados internacionais que se 
tenham incorporado ao nosso ordenamento jurídico com o status de lei ordinária não podem disciplinar 
matéria reservada constitucionalmente a LC. 
 
LEMBRAR! LO anterior a CF que regulamenta matéria reservada a LC, desde que em vigor no momento 
de promulgação da nova CF e materialmente compatível com ela, foram recepcionadas com o status de 
lei complementar. Trata-se do juízo de recepção da norma pré-constitucional, exemplo: CTN. 
 
Constituição estadual pode exigir lei complementar para tratar de matérias distintas das que a 
Constituição Federal exigiu lei complementar? 
NÃO. O STF em julgado recente definiu que a Constituição estadual só pode exigir lei complementar para 
tratar das matérias que a Constituição Federal também exigiu lei complementar. 
 
A Constituição Estadual não pode ampliar as hipóteses de reserva de lei complementar, ou seja, não pode 
criar outras hipóteses em que é exigida lei complementar, além daquelas que já são previstas na 
Constituição Federal. 
Se a Constituição Estadual amplia o rol de matérias que deve ser tratada por meio de lei complementar, 
isso restringe indevidamente o “arranjo democrático-representativo desenhado pela Constituição 
Federal”. 
Caso concreto: STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da CE/SC que exigia a edição de lei 
complementar para dispor sobre: a) regime jurídico único dos servidores estaduais; b) organização da 
Polícia Militar; c) organização do sistema estadual de educação e d) plebiscito e referendo. Esses 
 
 
 
 
 
48 
dispositivos foram declarados inconstitucionais porque a CF/88 não exige lei complementar para 
disciplinar tais assuntos. 
STF. Plenário. ADI 5003/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 5/12/2019 (Info 962). 
 
Existe hierarquia entre LO e LC? 
NÃO. Inclusive, entende o STF que LO pode revogar LC que trata de matéria ordinária, justamente por 
inexistir hierarquia entre lei complementar e lei ordinária. Precedentes: RE 457.884-AgR, Rel. Min. 
Sepúlveda Pertence, j. 21.02.2006, DJ de 17.03.2006; RE 419.629, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 
23.05.2006, DJ de 30.06.2006; AI 637.299-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, j. 18.09.2007, DJ de 05.10.2007. 
Cf., também, Inf. 459/STF. 
Segundo o STF, quando ocorre conflito aparente entre uma LO e uma LC, este NÃO se resolve por critérios 
hierárquicos, mas sim constitucionais, tendo em conta a materialidade própria a cada uma dessas 
espécies normativas. 
É dizer, se uma LO pretende alterar uma LC que tenha regulado matéria constitucionalmente reservada 
à LC, será inválida a LO, mas NÃO por ter desrespeitado uma pretensa hierarquia da LC, e sim por haver 
invadido matéria constitucionalmente reservada à LC. 
Diversamente, se uma LC disciplinou matéria que não estava constitucionalmente reservada à LC, isto é, 
poderia ser simplesmente tratada por meio de LO, essa LC será considerada, materialmente LO, e poderá 
ser alterada ou revogada por qualquer LO. 
 
A votação e aprovação de lei complementar em contexto a exigir apenas o rito de lei ordinária não 
configura vício formal, porquanto é satisfeito, e suplantado, o requisito da maioria simples. A lei 
complementar inexigível deve ser tratada como lei ordinária. 
[ADI 2.926, rel. min. Nunes Marques, j. 18-3-2023, P, DJE de 22-5-2023.] 
 
1.2.6. Processos Legislativos Especiais 
Os processos legislativos especiais são aqueles aplicáveis à elaboração das demais espécies legislativas, 
que fogem às regras fixadas para o processo legislativo das leis ordinárias e complementares. 
 
1.2.6.1. Emendas à Constituição 
O processo legislativo de aprovação de uma emenda à Constituição está estabelecido no art. 60 da CF, e 
compreende, em síntese, as seguintes fases: 
 
 
 
 
 
49 
1ª – Apresentação de uma proposta de emenda, por iniciativa de um dos legitimados (art. 60, I a III); 
2ª – Discussão e votação em cada Casa do Congresso Nacional, em DOIS TURNOS, considerando-se 
aprovada quando obtiver, em ambos, TRÊS QUINTOS dos votos dos membros de cada uma delas (art. 60, 
§2º); 
 
A Constituição estadual pode prever quórum diverso de 3/5 dos membros do Poder Legislativo para 
aprovação de emendas constitucionais? 
NÃO. É inconstitucional norma de Constituição estadual que preveja quórum diverso de 3/5 dos 
membros do Poder Legislativo para aprovação de emendas constitucionais 
A Constituição do Estado de Rondônia estabeleceu que, para a aprovação de emendas à Constituição 
estadual seria necessário o voto de 2/3 dos Deputados Estaduais. 
Ocorre que a Constituição Federal diz que, para uma emenda alterar seu texto, é necessário o voto de 
3/5 dos Deputados Federais e Senadores (art. 60, § 2º). 
Logo, a CE/RO não seguiu o modelo previsto na Constituição Federal. 
As regras básicas do processo legislativo previstas na Constituição Federal são de observância obrigatória 
pelos Estados-membros por força do princípio da simetria (art. 25 da CF/88 c/c o art. 11 do ADCT). 
STF. Plenário. ADI 6453/RO, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11.2.2022 (Info 1043). 
 
A Constituição fixou intervalo mínimo entre um turno e outro de votação de emendas constitucionais? 
NÃO. Cite-se do STF: 
“A Constituição Federal de 1988 NÃO fixou um intervalo temporal mínimo entre os dois turnos de 
votação para fins de aprovação de emendas à Constituição (CF, art. 60, § 2º), de sorte que inexiste 
parâmetroobjetivo que oriente o exame judicial do grau de solidez da vontade política de reformar a Lei 
Maior. A interferência judicial no âmago do processo político, verdadeiro locus da atuação típica dos 
agentes do Poder Legislativo, tem de gozar de lastro forte e categórico no que prevê o texto da CF.” (ADI 
4.425, rel. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgamento em 14-3-2013, Plenário, DJEde 19-12-2013.) 
 
3ª – Sendo aprovada, será PROMULGADA pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, 
com o respectivo número de ordem (art. 60, §3º). 
4ª – Caso a proposta seja REJEITADA ou havida por prejudicada, será arquivada, não podendo a matéria 
dela constante ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (art. 60, §5º). 
http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=5067184
http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=5067184
 
 
 
 
 
50 
 
 “Cláusulas pétreas” 
O poder constituinte originário estabeleceu limitações circunstanciais e materiais ao processo legislativo 
de Emenda Constitucional, ou seja, são situações em que restou vedada a alteração do texto original. 
As limitações circunstanciais estão previstas no art. 60, § 1º, da CF, o qual preceitua que a Constituição 
Federal não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio. 
Por outro lado, as limitações materiais são as popularmente conhecidas “cláusulas pétreas”, ou seja, 
trata-se de “núcleo intangível”, previsto no artigo 60, § 4º, da CF, transcrito no abaixo: 
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: 
I - a forma federativa de Estado; 
II - o voto direto, secreto, universal e periódico; 
III - a separação dos Poderes; 
IV - os direitos e garantias individuais. 
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto 
de nova proposta na mesma sessão legislativa. 
 
As “cláusulas pétreas” visam garantir a estabilidade das opções feitas pelo poder constituinte originário, 
assegurando a imutabilidade de certos valores. 
 
LIMITAÇÕES FORMAIS Art. 60, I, II, III e §2º, 3º e 5º 
Regras de iniciativa, quórum de 
aprovação, promulgação e 
irrepetibilidade de EC rejeitada 
LIMITAÇÕES 
CIRCUNSTANCIAIS 
Art. 60, §1º 
Vedação à alteração em situações de 
anormalidade: intervenção federal, 
Estado de sítio e de defesa 
LIMITAÇÕES 
MATERIAIS 
Art. 60, §4º Cláusulas Pétreas 
LIMITAÇÕES 
TEMPORAIS 
Sem previsão na CF/88 
Trata de Previsão de prazo no qual fica 
vedado EC 
 
Por outro lado, também existem as limitações implícitas no texto constitucional. 
 
 
 
 
 
51 
Sobre o tema, Gilmar Mendes ensina que “as limitações materiais ao poder de reforma não estão 
exaustivamente enumeradas no art. 60, § 4º, da Carta da República. O que se puder afirmar como ínsito 
a identidade básica da Constituição ideada pelo constituinte originário deve ser tido como limitação ao 
poder de emenda, mesmo que não haja sido explicitado no dispositivo”5. 
Pedro Lenza, por sua vez, faz menção ao que cita Michel Temer sobre o tema “as implícitas são as que 
dizem respeito à forma de criação de norma constitucional bem como as que impedem a pura e simples 
supressão dos dispositivos atinentes à intocabilidade dos temas já elencados (art. 60, § 4º, da CF)”. 
 
Em síntese, a doutrina costuma citar três “cláusulas pétreas” implícitas: 
1) A limitação ao poder de reforma do artigo 60, § 4º, da Constituição Federal. 
2) A titularidade do Poder Constituinte Originário e Derivado Reformador. 
3) Sistema presidencialista e forma republicana (sobre essa, há divergência doutrinária) 
 
1.2.6.2. Medidas Provisórias 
As medidas provisórias são atos normativos primários, provisórios e sob condição resolutiva, de caráter 
excepcional no quadro da separação dos poderes, editados pelo Presidente da República e situado no 
nosso processo de elaboração legislativa do lado da lei. 
Estabelece o art. 62 da CF: 
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, 
com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. 
 
Apreciação judicial dos pressupostos constitucionais: 
Segundo o STF, a aferição dos pressupostos de relevância e urgência tem caráter político, ficando sua 
apreciação, em princípio, por conta do Chefe do Executivo (no momento da adoção da medida) e do 
Poder Legislativo (no momento da apreciação da medida). 
Os conceitos de relevância e de urgência a que se refere o art. 62 da CF, como pressupostos para a edição 
de medidas provisórias, admitem o excepcional controle judiciário. 
 
A jurisprudência deste Supremo Tribunal admite o controle de constitucionalidade de medida provisória 
quando se comprove desvio de finalidade ou abuso da competência normativa do Chefe do Executivo, 
 
5 In Curso de Direito Constitucional, 10ª ed., São Paulo: Saraiva, 2015, pág. 133. 
 
 
 
 
 
52 
pela ausência dos requisitos constitucionais de relevância e urgência. Na espécie, o Presidente da 
República valeu-se de medida provisória para desconstituir o que deliberado pelo Congresso Nacional e 
reafirmado na derrubada dos vetos presidenciais às normas alteradas pela Medida Provisória n. 
1.135/2022. [ADI 7.232-MC-Ref, rel. min. Cármen Lúcia, j. 10-11-2022, P, DJE de 10-1-2023.] 
 
Ademais, a lei de conversão NÃO convalida os vícios existentes na medida provisória, concernentes à 
eventual inobservância dos requisitos de urgência e relevância, isto é, tais vícios poderão ser objeto de 
exame pelo Poder Judiciário mesmo depois da conversão da medida provisória em lei. 
 
(...) 2. A inconstitucionalidade formal de medida provisória não se convalida com a sua conversão em lei, 
razão pela qual, conquanto haja perda de objeto relativamente à inconstitucionalidade material, 
remanesce o interesse de agir no que tange à inconstitucionalidade formal (STF. Plenário. ADI 5599/DF, 
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23.10.2020) 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, Procurador da Fazenda Nacional, 2023: Os requisitos constitucionais legitimadores da 
edição de medidas provisórias, vertidos nos conceitos jurídicos indeterminados da relevância e da 
urgência, submetem-se, apenas em caráter excepcional, ao crivo do Poder Judiciário, em obediência à 
separação dos Poderes. 
Certo 
CESPE/CEBRASPE, Advogado da União, 2023: Os pressupostos da relevância e da urgência para a edição 
de medidas provisórias constituem elementos de natureza política, não se submetendo ao controle 
judicial. 
Errado 
 
Limitações materiais 
Existem limitações constitucionais à sua edição, a seguir examinadas: 
Art. 62, 
§1º É VEDADA a edição de medida provisória sobre matéria: 
I - relativa a: 
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; 
b) direito penal, processual penal e processual civil; 
 
 
 
 
 
53 
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; 
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, 
ressalvado o previsto no art. 167, § 3º (crédito extraordinário); 
II - que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; 
III - reservada a lei complementar; 
IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do 
Presidente da República. 
 
É vedada a edição de medida provisória tratando sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado 
pelo Congresso Nacional e que está pendente de sanção ou veto. Isso é proibido pelo art. 62, § 1º, IV, da 
CF/88. 
Assim, se o Presidente da República estiver com um projeto de lei aprovado pelo Congresso na sua “mesa” 
para análise de sanção ou veto, ele não poderá editar uma MP sobre o mesmo assunto.Por outro lado, nada impede que o Presidente sancione ou vete esse projeto e, no mesmo dia, edite uma 
medida provisória tratando sobre o mesmo tema. Neste caso, não haverá afronta ao art. 62, § 1º, IV, da 
CF/88. 
STF. Plenário. ADI 2601/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19.8.2021 (Info 1026). 
 
Além dessas vedações, outros dispositivos constitucionais estabelecem restrições à adoção de medida 
provisória: 
Art. 25 (...) 
§ 2º - Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás 
canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentaçãos 
Art. 246. É vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja 
redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre 1º de janeiro de 1995 até a 
promulgação desta emenda, inclusive. 
Art. 73 da ADCT- Na regulação do Fundo Social de Emergência não poderá ser utilizado o instrumento 
previsto no inciso V do Art. 59 da Constituição. 
 
Há limitação em matéria orçamentária? 
 
 
 
 
 
54 
SIM. Em se tratando de matéria orçamentária, só é permitida a adoção de medida provisória (MP a partir 
de agora) para a abertura de crédito extraordinário, para atender as despesas imprevisíveis e urgentes, 
como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. 
 
ATENÇÃO! Os direitos individuais e o direito tributário NÃO foram incluídos entre as matérias 
insuscetíveis de serem tratadas por meio de MP. 
 
E em relação à matéria tributária, é possível a edição de MP? 
SIM. Entende o STF que a medida provisória é aplicável à matéria tributária, desde que preenchidos os 
requisitos constitucionais de relevância e urgência. 
 
(...) já se acha assentado no STF o entendimento de ser legítima a disciplina de matéria de natureza 
tributária por meio de medida provisória, instrumento a que a Constituição confere força de lei (cf. ADI 
1.417 MC).(STF, ADI 1.667 MC, rel. min. Ilmar Galvão, j. 25.9.1997, P, DJ de 21.11.1997) 
 
“Embora não haja disposição constitucional expressa nesse sentido, é certo que as matérias de 
competência privativa do Congresso Nacional (art. 49), da Câmara dos Deputados (art. 51) e do Senado 
Federal (art. 52) também não podem ser disciplinadas por medidas provisórias, pois todas elas são 
disciplinadas por atos próprios das respectivas Casas Legislativas (decreto legislativo, no caso do art. 49; 
resolução nos casos dos arts. 51 e 52)” (Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo). 
 
É possível edição de MP em matéria ambiental? 
Em regra, SIM. Veja que não consta vedação expressa, pelo art. 62, §1º, da CF, à utilização de MP em 
matéria ambiental. Contudo, recentemente, o STF decidiu que somente é possível edição de MP para 
normas benéficas ao meio ambiente. 
Por unanimidade, o Plenário do STF, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4717, 
decidiu que é inconstitucional a diminuição, por meio de medida provisória, de espaços territoriais 
especialmente protegidos. 
Segundo decido, a proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à edição de medida 
provisória, ainda que não conste expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da 
CF. 
 
 
 
 
 
55 
Entendeu o STF, que normas que importem diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado só 
podem ser editadas por meio de lei formal, com amplo debate parlamentar e participação da sociedade 
civil e dos órgãos e instituições de proteção ambiental, como forma de assegurar o direito de todos ao 
meio ambiente ecologicamente equilibrado. A adoção de medida provisória nessas hipóteses possui 
evidente potencial de causar prejuízos irreversíveis ao meio ambiente na eventualidade de não ser 
convertida em lei. 
Quanto ao aspecto formal, o Tribunal reafirmou a possibilidade, ainda que em caráter excepcional, de 
declaração de inconstitucionalidade de medidas provisórias quando se afigure evidente o abuso do poder 
de legislar pelo Chefe do Executivo, em razão da indubitável ausência dos requisitos constitucionais de 
relevância e urgência. Asseverou que não ficou demonstrado, de forma satisfatória, a presença dos 
mencionados requisitos. STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/4/2018 (Info 
896). 
 
Procedimento legislativo: 
Em caso de urgência e relevância, adotada a medida provisória pelo Presidente da República, esta deve 
ser submetida, de imediato, ao Congresso Nacional, que terá o PRAZO de 60 dias (prorrogável por mais 
60 dias) para apreciá-la, não correndo esses prazos durante os períodos de recesso do Congresso 
Nacional. 
No Congresso Nacional as medidas provisórias serão apreciadas por uma comissão mista (meramente 
opinativo); que apresentará um parecer favorável ou desfavorável à sua conversão em lei. 
Emitido o parecer, o plenário das Casas Legislativas, iniciando-se pela Câmara dos Deputados, examinará 
a medida provisória e: 
 Na hipótese de ela ser integralmente CONVERTIDA em lei, o Presidente da Mesa do Congresso 
Nacional a promulgará, remetendo-a para publicação (observa-se que, nesse caso, não haverá 
possibilidade de sanção ou veto por parte do Presidente da República, uma vez que a medida provisória 
foi aprovada exatamente nos termos por ele propostos); 
 Se for integralmente REJEITADA (ou perder sua eficácia por decurso do prazo, em decorrência da não 
apreciação pelo Congresso Nacional no prazo constitucionalmente estabelecido), a medida provisória 
será arquivada; o Congresso Nacional baixará ato declarando-a insubsistente e deverá disciplinar, por 
meio de decreto legislativo, no prazo de 60 dias contados da rejeição ou da perda de eficácia por decurso 
de prazo, as relações jurídicas dela decorrentes; caso o Congresso Nacional não edite o decreto 
 
 
 
 
 
56 
legislativo no prazo de 60 dias, as relações jurídicas surgidas no período permanecerão regidas pela 
MP. 
 Caso SEJAM INTRODUZIDAS MODIFICAÇÕES no texto adotado pelo Presidente da República 
(conversão parcial), a MP será transformada em “projeto de lei de conversão”, e o texto aprovado no 
Legislativo será encaminhado ao Presidente da República, para que o SANCIONE ou VETE (a partir da 
transformação da medida provisória em “projeto de lei de conversão”, este segue idêntico trâmite aos 
projetos de lei em geral; aos dispositivos eventualmente rejeitados aplica-se o descrito na letra “b”, 
acima). 
 
Na hipótese de conversão parcial da MP, será necessária a ulterior manifestação do PR. 
 
LEMBRAR! Se ocorrer a conversão integral da MP em lei, sem a introdução de modificações no CN, não 
há retorno para o chefe do Executivo, para a sanção ou veto. 
 
MP 
INTEGRALMENTE 
CONVERTIDA EM 
LEI 
Não há sanção Promulgada pela mesa do Congresso 
Nacional 
MP REJEITADA Será arquivada (e não pode ser 
proposta na mesma sessão legislativa) 
Congresso Nacional pode editar decreto 
legislativo para reger as relações 
jurídicas existentes durante a vigência da 
MP 
MP APROVADA 
COM 
MODIFICAÇÕES 
Segue para sanção ou veto do 
presidente da república 
 
 
Efeitos da medida provisória sobre a lei pretérita: 
Com a publicação de determinada medida provisória, a lei ordinária então em vigor com ela 
incompatível NÃO SERÁ, DE IMEDIATO, REVOGADA. Essa lei terá apenas a sua EFICÁCIA SUSPENSA 
(permanecerá no ordenamento jurídico, mas sem produzir efeitos), enquanto se aguarda o desfecho da 
apreciação da medida provisória pelo Congresso Nacional. 
 
 
 
 
 
57 
Ao final, se o Congresso Nacional rejeitar a medida provisória, a lei ordinária que teve a sua eficácia 
suspensa voltará automaticamente a produzir efeitos; caso a medida provisória seja convertida em lei, 
esta nova lei (resultante da conversão da medida provisória), aí sim, revogará a lei anterior. 
 
Prazo de eficácia: 
As medidas provisórias têm eficácia pelo prazo de 60 dias, prorrogável uma única vez por igual período, 
seo prazo não for suficiente. A prorrogação dá-se automaticamente. Não há necessidade de ato do 
executivo requerendo a prorrogação de prazo. 
Esses prazos não correm durante os períodos de recesso do Congresso Nacional (18 de julho a 31 de julho 
e 23 de dezembro a 1º de fevereiro). 
 
Desnecessidade de convocação extraordinária 
Havendo medidas provisórias em vigor na data de convocação extraordinária do Congresso Nacional, 
serão elas automaticamente incluídas na pauta de convocação (art. 57, §8º). 
Portanto, temos o seguinte: a edição de medida provisória nos períodos de recesso legislativo não obriga, 
necessariamente, a convocação extraordinária do congresso nacional; porém, caso o Congresso 
Nacional seja convocado extraordinariamente, nas hipóteses previstas constitucionalmente (art. 57, §6º), 
as medidas provisórias em vigor na respectiva data serão automaticamente incluídas na pauta de 
convocação. 
 
Trancamento de pauta: 
Se a medida provisória não for apreciada em até 45 dias contados de sua publicação, entrará em REGIME 
DE URGÊNCIA, subsequentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, 
até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando 
(art. 62, §6º). 
 
IMPORTANTE! Atenção ao termo expresso da lei “todas as demais deliberações legislativas da Casa”. Isso 
porque, em julgado de 2017, o STF entendeu que, apesar de o dispositivo usar esse termo amplo, na 
verdade, ficam sobrestadas APENAS as votações de PROJETOS DE LEIS ORDINÁRIAS que versem sobre 
temas que POSSAM SER TRATADOS POR MEDIDA PROVISÓRIA6, ficando EXCLUÍDAS, em consequência 
 
6 Segundo o § 1º do art. 62 da CF/88, é vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: 
I – relativa a: 
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; 
 
 
 
 
 
58 
do bloqueio, as propostas de Emenda à Constituição, os projetos de lei ordinária que veiculem temas 
pré-excluídos do âmbito de incidência das medidas provisórias. STF. Plenário.MS 27931/DF, Rel. Min. 
Celso de Mello, julgado em 29.6.2017 (Info 870). 
 
ATENÇÃO! Constata-se que a CF estabelece dois prazos em relação ao processo legislativo da Medida 
Provisória, que não podem ser confundidos: a) prazo para apreciação da medida provisória (conversão 
em lei ou rejeição); b) prazo para trancamento da pauta da Casa Legislativa em que estiver tramitando. 
 
O prazo para apreciação da MP é de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, não computados o período de 
recesso do CN. 
O prazo para o trancamento da pauta é de 45 dias corridos, contados da edição da MP, não computados 
o período de recesso do CN. 
 
Trancamento subsequente de pauta: 
A partir da edição da MP, começa a contagem do prazo, improrrogável, de 45 dias para sua apreciação, 
sob pena de trancamento de pauta. 
Se o trancamento ocorrer na Câmara dos Deputados, depois de ela votar a MP (destrancando a sua 
pauta), a matéria seguirá para o Senado Federal, para que esta Casa a aprecie, hipótese em que a MP já 
chegará ao Senado Federal trancando a sua pauta de votação, vale dizer, não haverá contagem de um 
novo prazo de 45 dias no Senado Federal. 
Casa haja emendas no Senado, ultrapassado o prazo de 45 dias, a matéria retornará para a Câmara, para 
apreciação das emendas, hipótese em que, novamente, trancará automaticamente a pauta dessa Casa. 
 
Perda de eficácia: 
Caso não sejam convertidas em lei no prazo constitucionalmente estabelecido, as medidas provisórias 
perderão sua eficácia desde a edição (ex tunc), devendo o Congresso Nacional disciplinar, por meio de 
 
b) direito penal, processual penal e processual civil; 
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; 
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto 
no art. 167, § 3º; 
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; 
III – reservada a lei complementar; 
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da 
República. 
 
 
 
 
 
59 
DECRETO LEGISLATIVO, no prazo de 60 dias contados da rejeição ou da perda de eficácia por decurso de 
prazo, as relações jurídicas dela decorrentes. 
Se o Congresso Nacional NÃO editar o decreto legislativo no prazo de 60 dias, as relações jurídicas 
constituídas e decorrentes de atos praticados durante a vigência da MP permanecerão por ela regidas 
(art. 62, §11). 
Nessa situação, teremos uma MP não convertida em lei regulando, em caráter definitivo, com força de 
lei, as relações jurídicas consolidadas no período em que esteve vigente. 
 
IMPORTANTE! O decreto legislativo do CN não disciplinará “o período de vigência da MP”, mas sim, “as 
relações jurídicas que se constituíram no período da vigência da MP”. 
As demais relações, caso ainda não tenham se aperfeiçoado, serão regidas pela legislação pretérita, que, 
com o expurgo retroativo da MP, voltou a produzir eficácia no período. 
Frise-se, apenas as relações jurídicas CONSTITUÍDAS nesse período é que permanecerão regidas pela MP 
no caso de omissão do CN. 
Essa distinção assume relevo, pois, com a rejeição da MP, ela desaparece, sempre, retroativamente, 
desde a sua edição. Logo, não poderá ser gerada, ulteriormente, nenhuma relação jurídica com 
fundamento no seu texto, mesmo que a relação jurídica que se pretendesse ver surgida posteriormente 
a rejeição de MP dissesse respeito a uma situação ocorrida na época em que ela esteve vigente. 
 
Apreciação plenária: 
As medidas provisórias serão apreciadas pelo plenário das duas Casas do Congresso Nacional, 
separadamente, iniciando-se a votação na Câmara dos Deputados. 
Porém, antes da apreciação em separado pelas Casas Legislativas, caberá a COMISSÃO MISTA de 
deputados e senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer favorável ou 
desfavorável à sua conversão em lei (CF, art. 62, § 5º). O parecer prévio da comissão mista é 
meramente OPINATIVO, mas essa fase – emissão do parecer por comissão mista de deputados e 
senadores antes do exame, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casa do Congresso 
Nacional – é de observância obrigatória no processo constitucional de conversão de medida provisória 
em lei ordinária. Assim, a substituição do exame da comissão mista por mero parecer do relator implica 
flagrante inconstitucionalidade formal. 
 
 
 
 
 
 
60 
"Ação direta de inconstitucionalidade. Lei federal 11.516/2007. Criação do Instituto Chico Mendes de 
Conservação da Biodiversidade. (...) Não emissão de parecer pela Comissão Mista Parlamentar. (...) As 
comissões mistas e a magnitude das funções das mesmas no processo de conversão de medidas 
provisórias decorrem da necessidade, imposta pela Constituição, de assegurar uma reflexão mais 
detida sobre o ato normativo primário emanado pelo Executivo, evitando que a apreciação pelo 
Plenário seja feita de maneira inopinada, percebendo-se, assim, que o parecer desse colegiado 
representa, em vez de formalidade desimportante, uma garantia de que o Legislativo fiscalize o 
exercício atípico da função legiferante pelo Executivo. O art. 6º da Resolução 1 de 2002 do Congresso 
Nacional, que permite a emissão do parecer por meio de relator nomeado pela Comissão Mista, 
diretamente ao Plenário da Câmara dos Deputados, é inconstitucional." (ADI 4.029, rel. min. Luiz Fux, 
julgamento em 8-3-2012, Plenário, DJE de 27-6-2012.) 
 
É o que dispõe o § 5º do art. 62 da CF: 
“§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias 
dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais”.A votação da medida provisória será iniciada, obrigatoriamente, pela Câmara dos Deputados (Casa 
iniciadora obrigatória). 
O exame quanto à presença dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência para a adoção 
da MP passa a ser matéria preliminar de apreciação obrigatória pelas Casas antes do exame do mérito da 
MP. Em caso de ausência dos pressupostos, sequer apreciarão o mérito, dando-se por ilegítima a adoção 
da MP, que será rejeitada. 
 
Conversão parcial: 
Estabelece o art. 62, §12 da CF: 
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-
se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto 
 
Esse dispositivo cuida da hipótese de conversão parcial de medida provisória pelo Congresso Nacional, 
quando a medida provisória adotada pelo Presidente da República é convertida em “projeto de lei de 
conversão”, em razão de alterações no seu texto original no momento de apreciação pelo Congresso 
Nacional. Nessa hipótese, assegura o texto constitucional que, uma vez aprovado (pelo Poder Legislativo) 
http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=2227089
 
 
 
 
 
61 
o projeto de lei de conversão, a medida provisória manter-se-á integralmente em vigor até que seja 
sancionado ou vetado (pelo Chefe do Poder Executivo) o projeto de lei de conversão. 
Anote-se que, nessa hipótese, como haverá necessidade de sanção ou veto do presidente da república, 
poderá ser ultrapassado o prazo limite de validade da medida provisória (60 dias + 60 dias, 
desconsiderados os períodos de recesso parlamentar) sem que sua eficácia seja prejudicada. Enquanto o 
projeto de lei de conversão estiver pendente da sanção ou do veto, o texto original da MP manter-se-á 
integralmente em vigor, ainda que expirado o prazo constitucionalmente fixado para a apreciação dessa 
espécie normativa (60 + 60, desconsiderados o período de recesso). 
 
Reedição: 
É vedada a reedição, na mesma SESSÃO LEGISLATIVA (a sessão legislativa ordinária é o período de 
atividade normal do Congresso a cada ano, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de 
dezembro), de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por 
decurso de prazo (art. 62, §10) – assim como projeto de EC (princípio da irrepetibilidade absoluta). 
A CF permite a reedição de MP que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso 
de prazo somente em SESSÃO LEGISLATIVA DISTINTA. 
Nesse sentido, O STF declarou inconstitucional dispositivo da MP 886/2019, que transferia para o 
Ministério da Agricultura a competência para realizar a demarcação de terras indígenas. Essa disposição 
foi declarada inconstitucional porque o Congresso Nacional já havia rejeitado uma outra proposta, com 
esse mesmo teor, prevista em outra medida provisória (MP 870), editada no mesmo ano/sessão 
legislativa (2019). 
Assim, o STF entendeu que houve a reedição, na mesma sessão legislativa, de proposta que já havia sido 
rejeitada pelo Congresso Nacional, o que violou o § 10 do art. 62 da CF/887. 
 
Medida provisória e impostos: 
A CF possui regra específica sobre a produção de efeitos da medida provisória que institua ou majore 
impostos: ela só poderá produzir efeitos no exercício financeiro seguinte se for convertida em lei até o 
último dia do ano em que foi editada (art. 62, §2º). A regra aplica-se aos IMPOSTOS em geral, 
EXCETUADOS, unicamente, o de importação (II), o de exportação (IE), o imposto sobre produtos 
 
7 STF. Plenário.ADI 6062 MC-Ref/DF, ADI 6172 MC-Ref/DF, ADI 6173 MC-Ref/DF, ADI 6174 MC-Ref/DF, Rel. Min. Roberto 
Barroso, julgados em 1º/8/2019 (Info 946). 
 
 
 
 
 
62 
industrializados (IPI), o imposto sobre operações financeiras (IOF) e eventual imposto extraordinário de 
guerra (IEG). 
Essa norma amplia a garantia de não surpresa dos contribuintes, reforçando o princípio da anterioridade 
tributária (art. 150, III, “b”), que proíbe, como regra, que uma lei que institua ou aumente tributos em 
geral produza efeitos no mesmo ano de sua publicação. 
Ressalte-se que a restrição relativa à necessidade da conversão em lei no exercício da edição da medida 
provisória aplica-se EXCLUSIVAMENTE AOS IMPOSTOS, de forma que, no tocante às demais espécies 
tributárias, a regra da anterioridade deve ser observada, tomando como referência a data da 
publicação da MP e não de sua conversão em lei. 
 
Regra da anterioridade nonagesimal e lei de conversão da MP8 
Nos casos em que a majoração de alíquota tenha sido estabelecida somente na lei de conversão, o 
termo inicial da contagem da regra da anterioridade nonagesimal é a data da conversão da medida 
provisória em lei. STF. Plenário. RE 568503/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 12/2/2014 (Info 735). 
 
Medida provisórias anteriores à EC 32/2001: 
Estabelece o art. 2º da EC 32/2001: 
Art. 2º As medidas provisórias editadas em data anterior à da publicação desta emenda continuam em 
vigor até que medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do 
Congresso Nacional. 
 
ATENÇÃO! Constata-se que essas medidas provisórias editadas em data anterior à publicação da EC 
32/2001, tornaram-se, INDEPENDENTEMENTE de qualquer outro ato, espécies normativas com 
vigência indeterminada, com força de lei, até que medida provisória ulterior as revogue expressamente 
ou até que o Congresso Nacional as aprecie (ou, ainda, até que sejam revogadas por alguma lei ou 
emenda constitucional a elas superveniente). 
 
Impossibilidade de Retirada: 
As medidas provisórias, com a sua publicação no Diário Oficial, subtraem-se ao poder de disposição do 
Presidente da República e ganham, em consequência, autonomia jurídica absoluta, desvinculando-se da 
autoridade que as instituiu. 
 
8 CAVALCANTE. Márcio André Lopes. Dizer o direito. Extraído do sítio: http://www.dizerodireito.com.br/ 
 
 
 
 
 
63 
IMPORTANTE! Assim, NÃO SE ADMITE QUE SEJA RETIRADA do Congresso Nacional medida provisória 
ao qual foi remetida para o efeito de ser, ou não, convertida em lei. 
 
Possibilidade de Revogação: 
Embora a medida provisória submetida ao Congresso Nacional não possa ser retirada pelo Chefe do 
Executivo, PODE ELA SER REVOGADA POR OUTRA MEDIDA PROVISÓRIA. 
Em tal hipótese – quando a medida provisória ainda pendente de apreciação pelo Congresso Nacional é 
revogada por outra – ficará suspensa a eficácia daquela que foi objeto de revogação, até que haja 
pronunciamento do Poder Legislativo sobre a medida provisória revogadora. Posteriormente, na 
apreciação da medida provisória revogadora, se esta for convertida em lei, tornará definitiva a revogação; 
se não o for, retomará os seus efeitos a medida provisória que houvera sido objeto de revogação pelo 
período que ainda lhe restava para vigorar. 
Entretanto, importante destacar que a matéria constante de medida provisória revogada não pode ser 
reeditada, em nova medida provisória, na mesma sessão legislativa. Nesse caso, se o Presidente da 
República quiser tratar na mesma sessão ordinária da matéria que constava da MP por ele revogada, 
deverá ser utilizado o projeto de lei. 
 
Vedação ao contrabando legislativo9: 
Durante a tramitação de uma medida provisória no Congresso Nacional, os parlamentares poderão 
apresentar emendas? 
SIM, no entanto, tais emendas deverão ter relação de pertinência temática com a medida provisória que 
está sendo apreciada. Assim, a emenda apresentada deverá ter relação com o assunto tratado na medida 
provisória. 
Desse modo, é incompatível com a Constituição a apresentação de emendas sem relação de pertinência 
temática com medida provisória submetida à sua apreciação. 
A inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto diferente do que é tratado na medida provisória 
quetramita no Congresso Nacional é chamada de "contrabando legislativo", sendo uma prática vedada. 
O STF declarou que o contrabando legislativo é proibido pela CF/88, como vimos acima. No entanto, a 
Corte afirmou que esse entendimento só deverá valer para as próximas medidas provisórias que forem 
convertidas em lei. Assim, ficou decidido que o STF irá comunicar ao Poder Legislativo esse seu novo 
 
9 CAVALCANTE. Márcio André Lopes. Dizer o direito. Extraído do sítio: http://www.dizerodireito.com.br/ 
 
 
 
 
 
64 
posicionamento e as emendas que forem aprovadas a partir de então e que não tiverem relação com o 
assunto da MP serão declaradas inconstitucionais. 
É como se o STF tivesse dado uma chance ao Congresso Nacional e, ao mesmo tempo, um alerta: o que 
já foi aprovado não será declarado inconstitucional, porém não faça mais isso. 
STF. Plenário. ADI 5127/DF, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 
15/10/2015 (Info 803). 
 
O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de conversão de medida provisória quando a emenda 
estiver associada ao tema e à finalidade original da medida provisória. 
É constitucional o art. 6º da Lei 14.131/2021, que simplificou o processo de concessão de benefício de 
auxílio por incapacidade temporária. 
STF. Plenário. ADI 6928/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22.11.2021 (Info 1038). 
 
MP versus lei delegada: 
O Presidente da República dispõe de competência para a instituição de dois atos normativos de natureza 
primaria e geral: a MP e a lei delegada. 
A lei delegada depende de delegação do Congresso Nacional, por meio de resolução (68, § 2º, da CF); a 
MP independe de autorização legislativa. Esta, por outro lado, só pode ser adotada se presente os 
pressupostos constitucionais de relevância e urgência; a lei delegada não deve obediência a tais 
pressupostos. 
A eficácia da MP é temporária. A vigência da lei delegada, salvo disposição em contrário no seu texto, não 
está sujeita a limite temporal. 
As vedações a edição de MP não são exatamente as mesmas impostas a lei delegada. 
 
Medida provisória nos estados-membros: 
Os estados-membros podem adotar medidas provisórias, desde que essa espécie normativa esteja 
expressamente prevista na constituição estadual e nos mesmos moldes impostos pela CF (caso de 
relevância e urgência, observados os princípios e limitações impostas pela CF), tendo em vista a 
necessidade de observância simétrica do processo legislativo federal. 
 
Como caiu em prova: 
 
 
 
 
 
65 
CESPE/CEBRASPE, 2023, PGE-RR: Em relação ao processo legislativo estadual e à ação declaratória de 
constitucionalidade, julgue o próximo item. 
Governadores somente podem editar medida provisória se houver previsão na Constituição estadual. 
CERTO 
 
E no caso dos municípios? 
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo entendem que seria também legítimo aos municípios instituírem a 
espécie legislativa medida provisória, desde que prevista na sua Lei Orgânica e, na sua adoção, fossem 
fielmente observados os limites estabelecidos pela CF. 
 
1.2.6.3. Leis delegadas 
As leis delegadas são elaboradas pelo Presidente da República, que solicitará a competente delegação ao 
Congresso Nacional (art. 68). 
O campo de atuação da lei delegada sofre algumas restrições: 
 
§ 1º - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de 
competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei 
complementar, nem a legislação sobre: 
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; 
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; 
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. 
 
O processo de elaboração de lei delegada é desencadeado por meio da solicitação de autorização pelo 
Presidente da República ao Congresso Nacional para a edição de lei sobre determinada matéria. Efetivada 
a solicitação pelo Chefe do Executivo, o Congresso Nacional a examinará e, sendo aprovada, terá a forma 
de resolução, que especificará o conteúdo e os termos para o exercício da delegação concedida. 
 
O que ocorre se o ato delegatório foi genérico? 
Será flagrantemente inconstitucional um ato de delegação genérico, vago, impreciso, que passe ao PR 
um verdadeiro “cheque em branco” em termos de competência legislativa. 
 
 
 
 
 
 
 
66 
A delegação pode ser típica ou atípica: 
Na delegação TÍPICA (que é a regra, presumível nesse tipo de ato) o Congresso Nacional CONCEDE os 
plenos poderes para que o Presidente da República elabore, promulgue e publique a lei delegada, SEM 
participação ulterior do Poder Legislativo. 
Entretanto, a resolução poderá determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, caso em 
que teremos a denominada delegação ATÍPICA. Nesse caso, o Presidente da República elaborará o 
projeto de lei delegada e o submeterá à apreciação do Congresso Nacional, que sobre ele deliberará, em 
votação única, vedada qualquer emenda (somente poderá aprovar ou rejeitar, integralmente, o projeto 
elaborado pelo Presidente da República). 
Caso o projeto seja aprovado, a lei delegada será encaminhada ao Presidente da República, para que a 
promulgue e publique. Se ocorrer rejeição integral do projeto de lei delegada, este será arquivado, 
somente podendo ser reapresentado, na mesma sessão legislativa, por solicitação da maioria absoluta 
dos membros de uma das Casas do Congresso Nacional (art. 67). 
 
A delegação vincula o Presidente da República? 
NÃO. A delegação não vincula o Presidente da República, que, mesmo diante dela, poderá não editar lei 
delegada alguma, vale dizer, mesmo havendo solicitado a delegação e obtido a resolução do Congresso 
Nacional o Presidente da República pode abster-se de elaborar a lei delegada. 
Por outro lado, o ato de delegação do Congresso Nacional não impede que o Legislativo venha a cuidar 
da matéria, mediante lei, diante da omissão do Presidente da República em editar a lei delegada. Mesmo 
durante o prazo concedido ao Presidente da República para a edição da lei delegada, o Congresso 
Nacional pode disciplinar a matéria objeto da delegação, mediante lei ordinária. 
Da mesma forma, não há impedimento para que o Congresso Nacional, antes de encerrado o prazo fixado 
na resolução, revogue a delegação. 
O Congresso Nacional pode, ainda, sustar os atos do Poder Executivo que exorbitem os limites da 
delegação legislativa (veto legislativo – art. 49, V). O ato do CN que sustar os efeitos da lei delegada está 
sujeito a controle de constitucionalidade pelo STF. 
 
1.2.6.4. Decretos legislativos 
Os decretos legislativos são atos do Congresso Nacional destinados ao tratamento de matérias de sua 
competência exclusiva, para as quais a CF dispensa a sanção presidencial. 
 
 
 
 
 
67 
Na CF/1988, o campo do decreto legislativo é o das matérias mencionadas no art. 49. Fora esse artigo, e 
ressalvado o campo específico da lei, a espécie cabível é a resolução, especialmente nos casos 
especificados nos arts. 51 e 52 da CF. 
Entre as funções do decreto legislativo, destacam-se a aprovação definitiva dos tratados, acordos e atos 
internacionais celebrados pela República Federativa do Brasil (art. 49, I) e a regulação dos efeitos de 
medida provisória não convertida em lei pelo Congresso Nacional (art. 62, §3º). 
Cabe destacar, ainda, que o processo legislativo do decreto legislativo, como ato privativo do Congresso 
Nacional, envolve obrigatoriamente a atuação das duas Casas do Congresso Nacional, e que, ademais, 
não haverá participação do Chefe do Executivo para o fim de sanção, veto ou promulgação. 
 
Como caiu em prova: 
VUNESP, PGM SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, 2019 (Adaptada): As matérias de competência exclusiva do 
Congresso Nacional, sendo dispensada a intervençãodo Poder Executivo, muito menos a do Poder 
Judiciário, são materializadas por decreto legislativo. 
Certo. 
 
1.2.6.5. Resoluções 
As resoluções são deliberações que uma das Casas do Congresso Nacional, ou o próprio Congresso 
Nacional toma, fora do processo de elaboração das leis e sem ser lei. 
São atos utilizados pelas Casas Legislativas, separadamente, ou pelo Congresso Nacional, para dispor 
sobre assuntos políticos e administrativos de sua competência que não estejam sujeitos à reserva de lei. 
No processo legislativo das resoluções não há participação do Chefe do Poder Executivo. 
As matérias que recebem tratamento por meio de resolução são, basicamente, aquelas constantes dos 
arts. 51 e 52 da CF. 
Entretanto, a CF requer a edição de resolução, também, em outros dispositivos, a exemplo de regra, 
constante do seu art. 52, X, que confere competência para suspensão da execução de lei declarada 
inconstitucional pelo STF, atribuição esta exercida por meio de resolução do Senado Federal. 
LEMBRAR! As resoluções podem ser expedidas pela Câmara, Senado ou CN. Os decretos legislativos são 
atos exclusivos do CN. 
A promulgação da resolução será efetivada pelo presidente da respectiva Casa. 
Não haverá participação do chefe do Executivo para o fim de sanção, veto ou promulgação. 
 
 
 
 
 
 
68 
1.2.7. Processo legislativo nos Estados-membros e Municípios 
 
As regras básicas do processo legislativo previsto na CF são de OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA no âmbito 
dos estados membros, DF e municípios. Nesse sentido, cite-se do STF: 
Processo legislativo dos Estados-membros: absorção compulsória das linhas básicas do modelo 
constitucional federal entre elas, as decorrentes das normas de reserva de iniciativa das leis, dada a 
implicação com o princípio fundamental da separação e independência dos poderes: jurisprudência 
consolidada do Supremo Tribunal. [ADI 637, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 25-8-2004, P, DJ de 1º-10-
2004.] 
[...] A jurisprudência desta Casa de Justiça sedimentou o entendimento de ser a cláusula da reserva de 
iniciativa, inserta no § 1º do art. 61 da CF de 1988, corolário do princípio da separação dos Poderes. Por 
isso mesmo, de compulsória observância pelos Estados, inclusive no exercício do poder reformador que 
lhes assiste (cf. ADI 250, rel. min. Ilmar Galvão; ADI 843, rel. min. Ilmar Galvão; ADI 227, rel. min. Maurício 
Corrêa; ADI 774, rel. min. Sepúlveda Pertence; e ADI 665, rel. min. Sydney Sanches, entre outras). [ADI 
3.061, rel. min. Ayres Britto, j. 5-4-2006, P, DJ de 9-6-2006.] = ADI 1.521, rel. min. Ricardo Lewandowski, 
j. 19-6-2013, P, DJE de 13-8-2013 
Dentre as regras básicas do processo legislativo federal, de observância compulsória pelos Estados, por 
sua implicação com o princípio fundamental da separação e independência dos Poderes, encontram-
se as previstas nas alíneas a e c do art. 61, § 1º, II, da CF, que determinam a iniciativa reservada do chefe 
do Poder Executivo na elaboração de leis que disponham sobre o regime jurídico e o provimento de 
cargos dos servidores públicos civis e militares. Precedentes: ADI 774, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 
26-2-1999; ADI 2.856, rel. min. Gilmar Mendes, j. 10-2-2011, P, DJE de 1º-3-2011 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, DPE-PI, 2009: Conforme a jurisprudência do STF, os estados-membros, em razão de 
sua autonomia político-administrativa, não estão obrigados a seguir compulsoriamente as regras básicas 
do processo legislativo federal, como, por exemplo, aquelas que dizem respeito à iniciativa reservada de 
lei ou aos limites do poder de emenda parlamentar. 
Errado. 
 
 
 
 
 
 
 
69 
1.2.8. Controle judicial do processo legislativo 
O processo de formação das leis ou de elaboração de emendas à Constituição revela-se suscetível de 
controle incidental pelo Poder Judiciário, sempre que houver possibilidade de lesão à ordem jurídico-
constitucional. 
 
Por qual via? 
O controle judicial do processo legislativo SOMENTE é possível na VIA INCIDENTAL, exercido por meio da 
IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. Não se admite esse controle mediante ADI, visto que o 
ajuizamento desta ação pressupõe uma norma pronta e acabada, já publicada, inserida no ordenamento 
jurídico. 
 
Legitimação: 
A legitimação para dar início ao controle judicial do processo legislativo é restrita: somente os 
congressistas da Casa Legislativa em que estiver tramitando a proposta poderão impetrar o mandado 
de segurança, porquanto o direito líquido e certo a ser defendido no MS será o direito dele, congressista, 
de não participar de uma deliberação que afronte flagrantemente a Constituição. 
Em se tratando de processo legislativo federal, o controle será exercido originariamente perante o STF, 
pois cabe a esta Corte apreciar, originariamente, os atos emanados dos órgãos das Casas do Congresso 
Nacional. 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, PGE-SE, 2017: Embora o sistema brasileiro não admita o controle jurisdicional da 
constitucionalidade material dos projetos de lei, a jurisprudência do STF reconhece, excepcionalmente, 
que tem legitimidade para impetrar mandado de segurança o parlamentar, para impugnar 
inconstitucionalidade formal no processo legislativo ou proposição tendente a abolir cláusulas pétreas. 
Certo. 
 
Perda do objeto: 
A aprovação da proposta em discussão retira do congressista a legitimidade para continuar no feito, e 
o STF extinguirá, sem análise do mérito, o processo de MS (perda superveniente da legitimidade ativa 
do congressista). 
 
 
 
 
 
70 
O STF entende, de igual forma, que a perda mandato parlamentar também tem como consequência a 
extinção do processo de mandado de segurança. A atualidade do exercício do mandato parlamentar 
configura, nesse contexto, situação legitimante e necessária, tanto para a instauração quanto para o 
prosseguimento da causa perante o STF (MS 27.971, Rel. Min. Celso de Mello, decisão monocrática, J. 
1.º.07.2011, DJE de 1.º.08.2011). 
 
IMPORTANTE! O STF tem deixado assente que o controle judicial não alcança a interpretação de norma 
meramente regimental, que não possua qualquer projeção específica no plano do direito constitucional 
positivo (atos interna corporis), em respeito ao postulado da separação dos poderes. 
 
NESSE SENTIDO: 
A previsão regimental de um regime de urgência que reduza as formalidades processuais em casos 
específicos, reconhecidos pela maioria legislativa, não ofende o devido processo legislativo. 
A adoção do rito de urgência em proposições legislativas é matéria genuinamente interna corporis, não 
cabendo ao STF adentrar tal seara. Precedente. 
Quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é 
defeso ao poder judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do 
alcance de normas meramente regimentais das casas legislativas. 
STF. plenário. ADI 6968/DF, rel. min. Edson Fachin, julgado em 20.4.2022 (INFO 1051). 
 
É possível que o STF, ao julgar MS impetrado por parlamentar, exerça controle de constitucionalidade 
de projeto que tramita no congresso nacional e o declare inconstitucional, determinando seu 
arquivamento? 
Em regra, não. Existem duas exceções nas quais o STF pode determinar o arquivamento da propositura: 
a) proposta de emenda constitucional que viole cláusula pétrea; 
b) proposta de emenda constitucional ou projeto de lei cuja tramitação esteja ocorrendo com violação a 
regras constitucionais sobre o processo legislativo. 
STF. PLENÁRIO. MS 32033/DF, REL ORIG. MIN. GILMAR MENDES, RED. P/ O ACÓRDÃO MIN. TEORI 
ZAVASCKI, 20.6.2013 (INFO 711). (DIZER O DIREITO) 
 
 
 
 
 
 
 
71 
2. ATOS ADMINISTRATIVOS 
 
2.1. Meta 2 
 
ATOS ADMINISTRATIVOS 
PONTO DO EDITAL: 
 
1. Estado, Poderes e Funções. (...) Atos Administrativos: conceito, elementos, atributos, 
classificação, vícios e invalidação. Atos Discricionáriose Vinculados. Teoria dos Motivos 
Determinantes. Prescrição. 
 
ATUALIZADO ATÉ NOVEMBRO/2023. 
PASSO A PASSO 
 Ler ATOS ADMINISTRATIVOS pelo material do curso. 
 Ler os seguintes artigos: 50, 53 a 55 da Lei nº 9.784/99. 
 Ler o compilado jurisprudencial abaixo. 
 Fazer 30 questões sobre o assunto no site www.qconcursos.com, utilizando o seguinte filtro: 
BANCA FGV 
DISCIPLINA DIREITO ADMINISTRATIVO 
ASSUNTO 5 ATOS ADMINISTRATIVOS 
NÍVEL SUPERIOR 
MODALIDADE MÚLTIPLA-ESCOLHA 
 
O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE O ASSUNTO 
a) Fatos da Administração Pública: Atos da Administração Pública e Fatos Administrativos. 
Ato da Administração: é gênero, do qual são espécies atos administrativos propriamente ditos e 
atos de direito privados praticados pela Administração. 
 
Atos Administrativos: São atos jurídicos praticados pela Administração Pública, por intermédio de 
um agente público ou de um agente privado investido de prerrogativas públicas, sob o regime jurídico 
de direito público e com o objetivo a satisfação do interesse público. Em suma, é toda manifestação 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9784.htm
http://www.qconcursos.com/
 
 
 
 
 
72 
unilateral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato 
adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos ou impor obrigações aos 
administrados ou a si própria. 
 
Fato Administrativo: são condutas materiais da Administração que podem ou não ser precedidas 
da prática de um ato administrativo ou eventos da natureza que produzem efeitos jurídicos na seara 
administrativa. Exemplo: morte de um servidor. 
 
RISCO DE PEGADINHA: 
Há atos administrativos praticados fora dos domínios da Administração Pública, como ocorre com 
aqueles expedidos por concessionários e permissionários. Assim sendo, guarde isso: 
1. Nem todo ato jurídico praticado pela Administração é ato administrativo. 
2. Nem todo ato administrativo é praticado pela Administração. 
 
b) Elementos do Ato Administrativo: 
ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO 
COMPETÊNCIA 
• É o conjunto de atribuições conferidas pelo ordenamento jurídico às pessoas 
jurídicas, órgãos e agentes públicos, com o objetivo de possibilitar o desempenho 
de suas atividades. 
 
• A competência pública é obrigatória, irrenunciável, intransferível, imodificável 
e imprescritível. 
 
• Delegação de competência: 
A Lei n. 9.784/99 admite a delegação independentemente de subordinação 
hierárquica. 
O que se delega é apenas o exercício da competência, visto que a titularidade da 
competência é intransferível. 
 
 
 
 
 
73 
O ato de delegação não retira a atribuição da autoridade delegante, que continua 
competente cumulativamente com a autoridade delegada para o exercício da 
função. 
Segundo a Lei n. 9.784/99, não podem ser objeto de delegação: 
(i) a competência para editar atos normativos; 
(ii) a competência para decidir recursos administrativos; e 
(iii) as matérias de competência exclusiva do órgão ou entidade. 
Decore: CE NO RA 
 
• Avocação de competência: 
É medida excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados. 
Depende de permissivo legal. 
Consiste na possibilidade de o superior hierárquico assumir temporariamente o 
exercício de competências atribuídas a um órgão ou agente hierarquicamente 
inferior. 
A avocação pressupõe subordinação hierárquica. 
 
• Usurpação de função: uma pessoa exerce atribuições de um agente público, 
sem que tenha essa qualidade. É crime. É ato inexistente. 
 
• Funcionário de fato: um servidor, irregularmente investido no cargo, emprego 
ou função, pratica um ato. É o caso, por exemplo, do servidor que tomou posse 
sem que tivesse a escolaridade mínima exigida pelo edital do concurso e pela lei 
do cargo. É ato nulo. Todavia, para os terceiros de boa-fé, os atos devem ser 
mantidos em razão da teoria da aparência. 
FINALIDADE 
• Mediata x Imediata: A finalidade geral ou mediata é a satisfação do interesse 
público e a finalidade específica ou imediata é o resultado específico que deve ser 
alcançado com a prática do ato. 
 
• Abuso de poder: Excesso de poder (vício de competência) e desvio de poder 
(vício de finalidade). 
 
 
 
 
 
74 
MOTIVO 
• São os pressupostos de fato e de direito que determinam ou autorizam a prática 
do ato administrativo. 
 
• É diferente da motivação. A falta de motivação, quando a lei exige, é defeito de 
forma do ato, pois motivação é formalidade do ato administrativo. 
 
• Teoria dos motivos determinantes: Ainda que a lei não imponha a motivação, 
caso o ato administrativo seja motivado, a sua validade estará condicionada à 
efetiva existência e à veracidade dos motivos declarados. Essa teoria está 
fundamentada na ideia de que o motivo do ato administrativo deve sempre 
guardar compatibilidade com a situação de fato que gerou a manifestação de 
vontade da Administração. 
OBJETO 
• É o efeito jurídico imediato produzido pelo ato administrativo. 
 
• É a alteração da situação jurídica que o ato administrativo se propõe a realizar. 
FORMA 
• Abrange não apenas o modo de exteriorização do ato, mas também todas as 
formalidades que devem ser observadas em sua prática. 
 
• Em regra, a forma é escrita. 
 
Motivação “aliunde”: ocorre todas as vezes que a motivação do ato remete à motivação de ato 
anterior que o ensejou. Exemplo: anular um contrato com base na motivação esposada em 
determinado parecer. 
 
 O móvel é a vontade pessoal, psíquica, não real como prevê o item, que move o agente público na 
elaboração dos atos administrativos. A distinção do móvel para o motivo é evidente, visto que neste 
há a explicitação real da situação que justifica a edição do ato, ao passo que o móvel é motivação 
pessoal, que nem sempre se coaduna com o real desiderato do ato administrativo. 
 
c) Atributos dos Atos Administrativos: 
 
 
 
 
 
75 
ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
PRESUNÇÃO DE 
LEGITIMIDADE 
• Todos os atos detêm tal presunção. 
 
• É presunção relativa. 
 
• Diferencia-se de PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Isso porque a 
presunção de legitimidade diz respeito à VALIDADE do ato. 
 
• A presunção de veracidade diz respeito à VERDADE DOS FATOS 
deduzidos pela Administração. 
IMPERATIVIDADE 
• Decorre do poder extroverso. É a qualidade dos atos administrativos 
de se imporem a terceiros, independentemente de sua aquiescência. 
AUTOEXECUTORIEDADE 
• É o atributo mais importante dos atos administrativos, vez que 
permite que a Administração Pública realize a execução material de 
seus atos ou da legislação. 
 
• A autoexecutoriedade difere da exigibilidade à medida que esta 
aplica uma punição ao particular (exemplo: multa de trânsito), mas 
não desconstitui materialmente a irregularidade (o carro continua 
parado no local proibido), representando uma coerção indireta. 
 
• Os atos executórios são os previstos em lei e os emergenciais. 
TIPICIDADE 
• Deriva da legalidade e da segurança jurídica. O ato deve obedecer a 
figuras previamente definidas pela lei. 
 
• Visa a proteger os administrados. 
 
 Todos os atos administrativos detêm a presunção de legitimidade/veracidade e a tipicidade. Nem 
todos os atos administrativos possuem os outros dois atributos. 
Decore: Os elementos cujo nome começam com consoantes estão presentes em todos os atos 
administrativos. Os elementos cujo nome começam com vogais não. 
 
 
 
 
 
76 
 
d) Existência, Validade e Eficácia: 
O plano da existência ou da perfeição indicam o cumprimento do ciclo de formação do ato. 
 
 O plano da validade envolve a conformidade com os requisitos estabelecidos pelo ordenamento 
jurídico para a correta prática do ato administrativo. 
 
 O plano da eficácia está relacionado com a aptidão do ato para produzir efeitos jurídicos. 
 
e) Classificação dos Atos Administrativos: 
DESTINATÁRIOS 
GERAIS 
Os atosprovisórias é 
absoluta. Todavia, a irrepetibilidade das leis é relativa. 
 
 
 
 
 
7 
 
RISCO DE PEGADINHA: A regra da irrepetibilidade e as espécies legislativas: 
 
1.Emenda Constitucional: irrepetibilidade absoluta 
Art. 60, § 5º. A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não 
pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. 
 
2.Medida Provisória: irrepetibilidade absoluta 
Art. 62, §10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido 
rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. 
 
3. Leis: irrepetibilidade relativa 
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo 
projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de 
qualquer das Casas do Congresso Nacional. 
 
RISCO DE PEGADINHA: 
1. Prevalece, na doutrina e na jurisprudência, que, para emendar a Constituição Federal, não precisa 
se respeitar a iniciativa privativa do Poder Executivo. Precedente: Info 826. 
2. Todavia, para emendar a Constituição Estadual, é necessário obedecer às matérias que estão 
afetas à iniciativa privativa do Chefe do Executivo. Veja: 
É inconstitucional emenda constitucional que insira na Constituição estadual dispositivo 
determinando a revisão automática da remuneração de servidores públicos estaduais. Isso porque 
tal matéria é prevista no art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88 como sendo de iniciativa privativa do chefe do 
Poder Executivo. Precedente: Info 774 do STF. 
3. E as normas originárias da Constituição Estadual? O entendimento tradicional do STF dizia que o 
Poder Constituinte Derivado Decorrente tinha que observar as regras constitucionais de iniciativa 
privativa para as normas originárias da Constituição Estadual. Todavia, posições mais recentes do STF 
demonstram a mudança de posição. Precedente: Info 768 do STF. 
 
 
 
 
 
8 
 
c) Leis Complementares e Ordinárias: 
Não há hierarquia entre tais espécies legislativas. Cada uma tem seu campo de atuação definido 
pela CF. A CF precisa exigir expressamente lei complementar para que seja necessária edição de lei 
complementar sobre determinado tema. Todavia, quando a CF apenas exigir “lei”, subtende-se que 
a lei deva ser lei ordinária. O campo da lei ordinária é residual. 
 
Caso a CF não exija lei complementar para determinado tema e, ainda assim, edite-se lei 
complementar para tratar de assunto sujeito à lei ordinária, qual é a consequência disso? A lei será 
formalmente complementar, mas, materialmente, ordinária, de modo que uma lei ordinária 
posterior poderá alterar o seu teor. 
 
Por qual razão não há inconstitucionalidade? Porque, para aprovação de lei complementar, o 
quórum é mais exigente do que aquele previsto para lei ordinária. Por outro lado, a edição de lei 
ordinária quando a CF exige lei complementar importa inconstitucionalidade formal. 
 
CRUZADINHA: 
No FENÔMENO DA RECEPÇÃO das normas constitucionais, só se analisa a COMPATIBILIDADE 
MATERIAL perante a nova Constituição. Dessa forma, se determinado ato normativo for 
incompatível do ponto de vista formal com a nova Constituição, ele é recebido com nova roupagem. 
 
Observe que: Se uma norma anterior à nova Constituição for incompatível do ponto de vista formal 
ou material com a CF revogada, ela não poderá ser recepcionada pela nova ordem Constituição com 
nova roupagem. Isso porque a lei nasceu inconstitucional. Veja: 
1. Constituição antiga exige lei complementar para matéria X. 
Matéria X é regulamentada por lei complementar. 
Constituição nova não exige lei complementar para matéria X. 
Tal lei pode ser recebida com nova roupagem: lei ordinária. 
2. Constituição antiga exige lei complementar para matéria X. 
Matéria X é regulamentada por lei ordinária. 
Constituição nova não exige lei complementar para matéria X. 
 
 
 
 
 
9 
Tal lei não pode ser recebida com nova roupagem, porque ela é inconstitucional de acordo com o 
parâmetro da Constituição antiga. 
 
As Constituições Estaduais podem sujeitar outras matérias à lei complementar além daquelas 
previstas na CF? Não. Isso porque o quórum da lei complementar exige mais articulação política, de 
modo que fazer mais exigências de lei complementar do que as contidas na CF em nível estadual 
provoca o um desarranjo democrático-representativo. Precedente: Info 962 do STF. 
 
A IRREPETIBILIDADE DAS LEIS é meramente relativa. Veja: 
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo 
projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da MAIORIA ABSOLUTA DOS MEMBROS 
DE QUALQUER DAS CASAS DO CONGRESSO NACIONAL. 
 
Há matérias de iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo: 
Art. 61. (...) 
§ 1º São de INICIATIVA PRIVATIVA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA as leis que: 
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas; 
II - disponham sobre: 
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento 
de sua remuneração; 
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e 
pessoal da administração dos Territórios; 
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade 
e aposentadoria; 
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para 
a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Territórios; 
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 
84, VI; 
 
 
 
 
 
10 
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, 
remuneração, reforma e transferência para a reserva. 
 
d) Leis Delegadas: 
São elaboradas pelo Presidente da República. O Presidente deve solicitar DELEGAÇÃO ao Congresso 
Nacional, que a fará por meio de RESOLUÇÃO. Decore: delegação por resolução. 
 
A delegação pode ser: 
DELEGAÇÃO 
PRÓPRIA 
O Poder Legislativo autoriza o Presidente a elaborar o projeto, promulgar e 
publicar a lei. 
 
Não passa pela apreciação do Poder Legislativo. 
 
DELEGAÇÃO 
IMPRÓPRIA 
 
O Poder Legislativo autoriza o Presidente a elaborar o projeto, mas o projeto é 
encaminhado ao Congresso para rejeição ou aprovação. 
 
Após isso, o projeto é arquivado ou é encaminhado para o Presidente para 
promulgação e publicação. Veja que, na delegação imprópria, veda-se emenda 
pelo Poder Legislativo: 
Art. 68. (...) 
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso 
Nacional, este a fará em votação única, VEDADA QUALQUER EMENDA. 
 
 
O controle exercido pelo Congresso Nacional sobre a lei delegada é feito por meio de decreto 
legislativo e tem efeitos ex nunc (artigo 49, V, da CF). 
Art. 49. (...) 
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos 
limites de delegação legislativa; 
 
 
 
 
 
 
11 
e) Medidas Provisórias: 
Pressupostos constitucionais: relevância e urgência. 
 
Prazo: 60 dias prorrogáveis por mais 60 dias. 
 
A MP tem sua votação iniciada na Câmara dos Deputados. 
 
Nas convocações extraordinárias do Congresso Nacional, as MPs serão automaticamente incluídas 
na pauta da convocação as medidas provisórias que estejam em vigor. 
 
A IRREPETIBILIDADE DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS é ABSOLUTA, pois é vedada a reedição, na 
mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua 
eficácia por decurso de prazo. 
 
Os Estados e Municípios podem editar medidas provisórias, desde que haja previsão na Constituição 
estadual e na Lei Orgânica. 
 
Medida Provisória não pode versar sobre: 
I – relativa a: 
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidosgerais ou normativos são expedidos sem 
destinatários determinados ou determináveis. Aplicam-
se a todas as pessoas que se coloquem nas situações 
abstratamente previstas no ato. 
INDIVIDUAIS 
Os atos individuais são os que possuem destinatários 
individualizados ou individualizáveis. Os atos individuais 
podem ser singulares ou plúrimos. Os atos individuais 
singulares são aqueles que alcançam um único sujeito 
determinado (ex: nomeação de um único servidor). 
Os atos individuais plúrimos são aqueles que atingem 
uma pluralidade de sujeitos determinados (ex: 
nomeação de uma lista de servidores). 
GRAU DE 
LIBERDADE 
VINCULADOS 
Os atos vinculados são aqueles para cuja prática a 
Administração não possui liberdade de escolha. Os 
elementos vinculados do ato são competência, 
finalidade e forma. 
DISCRICIONÁRIOS 
Os atos discricionários são aqueles para cuja prática a 
Administração goza de certa margem de liberdade para, 
de acordo com critérios de oportunidade e 
conveniência, valorar os motivos e escolher o objeto. 
 
 
 
 
 
77 
PRERROGATIVAS 
DA 
ADMINISTRAÇÃO 
IMPÉRIO 
Os atos de império são aqueles praticados pela 
Administração Pública no uso das prerrogativas 
tipicamente estatais (ex: desapropriação). 
GESTÃO 
Os atos de gestão são aqueles praticados pela 
Administração Pública quando despida das 
prerrogativas tipicamente estatais. 
EXPEDIENTE 
Os atos de expedientes são aqueles que impulsionam a 
rotina interna da repartição sem caráter vinculante e 
sem forma especial. 
MANIFESTAÇÃO 
DE VONTADE 
PARA 
FORMAÇÃO 
SIMPLES 
Os atos administrativos simples são aqueles que 
resultam da declaração de vontade de apenas um órgão 
da Administração Pública. 
COMPLEXOS 
Os atos administrativos complexos são aqueles que 
resultam da manifestação de vontade de mais de um 
órgão, as quais se unem para formar um só ato. 
Exemplo: aposentadoria de servidor público, que só se 
aperfeiçoa após o registro no Tribunal de Contas. 
COMPOSTOS 
Os atos administrativos compostos também resultam 
da vontade de mais de um órgão. Contudo, distinguem-
se dos atos complexos, pois, nos atos compostos, é 
possível identificar a prática de dois atos (um principal 
e um acessório). O ato acessório pode ser pressuposto 
de validade do ato principal ou complementar a ele. 
CICLO DE 
FORMAÇÃO 
PERFEITOS 
Os atos administrativos perfeitos são aqueles que 
completaram o seu ciclo de formação. 
IMPERFEITOS 
Os atos administrativos imperfeitos são aqueles que 
não concluíram o seu ciclo de formação. 
CONFORMIDADE 
COM O 
ORDENAMENTO 
VÁLIDOS 
Os atos administrativos válidos são aqueles produzidos 
em conformidade com as exigências impostas pelo 
ordenamento jurídico. 
 
 
 
 
 
78 
INVÁLIDOS 
Os atos administrativos inválidos são aqueles que, por 
não terem observado as exigências impostas pelo 
ordenamento jurídico, possuem algum vício. 
AGRESSÃO O 
ORDENAMENTO 
IRREGULARES 
Os atos administrativos irregulares são aqueles 
contaminados com pequenos vícios. As meras 
irregularidades não são capazes de lhes retirar a 
validade. 
SANÁVEIS 
Os atos administrativos anuláveis, por fim, são aqueles 
que possuem vícios sanáveis e, portanto, admitem 
convalidação. 
NULOS 
Os atos administrativos nulos compreendem aqueles 
cuja convalidação é impossível, porque contêm vícios 
insanáveis. 
INEXISTENTES 
Os atos administrativos inexistentes são aqueles 
contaminados por vícios da maior gravidade e, 
portanto, não podem ser convalidados. 
EFEITOS 
CONSTITUTIVOS 
Os atos administrativos constitutivos são os que criam, 
modificam ou extinguem uma relação jurídica. 
DECLARATÓRIOS 
Os atos administrativos declaratórios são os que 
reconhecem uma situação jurídica preexistente. 
ENUNCIATIVOS 
Os atos administrativos enunciativos são os que 
atestam uma situação de fato ou de direito. Exemplo 
certidão, atestado, parecer. 
 
f) O Silêncio no Direito Administrativo: 
Natureza jurídica: fato administrativo. 
 
O silêncio administrativo, que consiste na ausência de manifestação da administração pública em 
situações em que ela deveria se pronunciar, somente produzirá efeitos jurídicos se a lei os previr. A 
lei pode atribuir efeitos ao silêncio administrativo, inclusive para deferir pretensão ao administrado. 
 
 
 
 
 
 
79 
 Não é ato administrativo. Impossibilidade de o Judiciário suprir o referido silêncio. 
 
g) Formas de Extinção dos Atos Administrativos: 
CONVALIDAÇÃO 
• O art. 55 da Lei n. 9.784/99 disciplina a convalidação nos seguintes 
termos: “Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao 
interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem 
defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. 
 
• Os defeitos convalidáveis do ato administrativo são: forma, 
competência e objeto quando plural. A situação da pluralidade de objetos 
pode ser vista quando, no mesmo ato, há várias providências 
administrativas. Ex: Promoção de A e B. Caso A não detenha os requisitos 
para promoção, pode-se aproveitar a promoção de B, convalidando o ato 
neste ponto específico. 
 
• Convalidação pode ser de três espécies: 
(i) Ratificação: realizada pela MESMA autoridade. 
(ii) Confirmação: realizada por OUTRA autoridade. 
(iii) Saneamento: casos em que o particular é quem promove a sanatória 
do ato. 
 
• Os efeitos da convalidação retroagem à data do ato convalidado. 
CONVERSÃO • O aproveitamento de ato defeituoso como ato válido de outra categoria. 
REVOGAÇÃO 
• Extinção do ato administrativo perfeito e eficaz, com eficácia EX NUNC, 
por razões de CONVENIÊNCIA E OPORTUNIDADE. 
 
• Compete a mesma autoridade que praticou o ato. 
 
• Não se pode revogar: atos exauridos, preclusos, vinculados, 
enunciativos, etc. 
ANULAÇÃO • Extinção do ato ILEGAL, com eficácia EX TUNC. 
 
 
 
 
 
80 
CASSAÇÃO 
• É a extinção do ato administrativo quando o seu beneficiário deixa de 
cumprir os requisitos que deveria permanecer atendendo, como exigência 
para a manutenção do ato e de seus efeitos. 
CADUCIDADE 
• Uma nova legislação impede a permanência da situação anteriormente 
consentida pelo poder público. 
CONTRAPOSIÇÃO 
• Ocorre quando ato anterior é extinto por ato superveniente cujos efeitos 
são a ele contrapostos. 
 
h) Decadência Administrativa: 
Qual o prazo de que dispõe a administração pública federal para anular um ato administrativo 
ilegal que gere benefícios ao administrado? 
REGRA 5 anos, contados da data em que o ato foi praticado. 
EXCEÇÃO 1 
Em caso de má-fé. 
Se ficar comprovada a má-fé, não há prazo, ou seja, a Administração Pública 
pode anular o ato administrativo mesmo que já tenha se passado mais de 5 
anos. 
EXCEÇÃO 2 
Em caso de afronta direta à Constituição Federal. 
O prazo decadencial de 5 anos do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando 
o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. 
Trata-se de exceção construída pela jurisprudência do STF. (Info 741). 
EXCEÇÃO 3 
Não decai o direito de anular licença ambiental reputada ilegal, pois não há 
direito a poluir o meio ambiente. 
 
COMPILADO JURISPRUDENCIAL 
 Súmula Vinculante n. 3 do STF: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-
se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato 
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de 
concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão. 
Observações sobre a Súmula Vinculante n. 3 
 
 
 
 
 
81 
1. O ato de concessão de aposentadoria é complexo, aperfeiçoando-se somente após a sua 
apreciação pelo Tribunal de Contas da União. Assim, para o exame da legalidade do ato de 
concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão, não há razão para contraditório e ampla 
defesa. Precedente: MS 31.704. 
2. Se o Tribunal de Contas demorar mais de 5 anos dachegada do processo para apreciar a 
legalidade da concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão, tais atos devem ser 
considerados definitivamente registrados, ainda que o Tribunal de Contas não tenha concluído sua 
análise. Precedente: Info 967 do STF. 
3. Se o caso não envolve concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão, e sim da revisão de 
ato administrativo que originou vantagem salarial, o prazo decadencial de 5 anos começa a ser 
contado da prática do ato (e não de eventual decisão do Tribunal de Contas). Precedente: Info 750 
do STF. 
 
Súmula n. 6 do STF: A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria, ou qualquer 
outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por aquele 
tribunal, ressalvada a competência revisora do Judiciário. 
 
 Súmula n. 346 do STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. 
 
 Súmula n. 473 do STF: A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios 
que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de 
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a 
apreciação judicial. 
 
 Súmula n. 510 do STF: Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, 
contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial. 
 
 Súmula n. 633 do STJ: A Lei 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para 
revisão de atos administrativos no âmbito da administração pública federal, pode ser aplicada de 
forma subsidiária aos Estados e municípios se inexistente norma local e específica regulando a 
matéria. 
 
 
 
 
 
82 
 
Enunciado 12 do CJF: A decisão administrativa robótica deve ser suficientemente motivada, sendo 
a sua opacidade motivo de invalida. 
 
Não é possível a condenação de prefeito ao ressarcimento de valores despendidos com a elaboração 
de projeto de lei, mesmo que depois se reconheça que esse projeto era ilegal e que foi praticado com 
desvio de finalidade. Precedente: AREsp 1408660-SP (Info 745). 
 
 Nas hipóteses em que não haja exercício do controle de legalidade por Tribunal de Contas, o prazo 
decadencial quinquenal previsto no art. 54 da Lei nº 9.784/99 transcorre a partir da edição do ato 
pela Administração. Precedente: AgInt no AREsp 1761417-RS (Info 750). 
 
Interposto recurso contra a decisão de primeiro grau administrativo que confirma a pena de multa 
imposta pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP, os juros e a multa 
moratórios fluirão a partir do fim do prazo de trinta dias para o pagamento do débito, contados da 
decisão administrativa definitiva, nos termos da Lei nº 9.847/99. STJ. 1ª Seção.REsp 1830327-SC, Rel. 
Min. Regina Helena Costa, julgado em 08/06/2022 (Tema IAC 11) (Info 740). 
 
 É inconstitucional lei estadual que estabeleça prazo decadencial de 10 (dez) anos para anulação de 
atos administrativos reputados inválidos pela Administração Pública estadual. Em regra, o prazo 
decadencial para que a Administração Pública anule atos administrativos inválidos é de 5 anos, 
aplicável a todos os entes federativos, por força do princípio da isonomia. Precedente: ADI 6019/SP 
(Info 1012). 
 
A notificação por edital no processo administrativo é exceção. Só é possível quando o interessado é 
indeterminado, desconhecido ou com domicílio indefinido. Precedente: Info 716. 
 
Prescreve em dez anos a ação relacionada a obrigação sem prazo em contrato verbal. Precedente: 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.298/MT, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 3/05/2022. 
 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/685d3703a0b1410dc3bf2280eb5a15ec?categoria=2&subcategoria=215&forma-exibicao=apenas-com-informativo&ordenacao=data-julgado&criterio-pesquisa=e
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/685d3703a0b1410dc3bf2280eb5a15ec?categoria=2&subcategoria=215&forma-exibicao=apenas-com-informativo&ordenacao=data-julgado&criterio-pesquisa=e
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/685d3703a0b1410dc3bf2280eb5a15ec?categoria=2&subcategoria=215&forma-exibicao=apenas-com-informativo&ordenacao=data-julgado&criterio-pesquisa=e
 
 
 
 
 
83 
O art. 200 do CC/2002 assegura que o prazo prescricional não comece a fluir antes do trânsito em 
julgado da sentença penal, independentemente do resultado da ação na esfera criminal. Precedente: 
Info 732. 
 
A interrupção da prescrição ocorre somente uma única vez para a mesma relação jurídica, isto é, 
independentemente de seu fundamento. Precedente: Info 727. 
 
 É possível no exame judicial da validade dos atos administrativos, diante da falta de norma 
processual administrativa específica, a utilização dos dispositivos regentes da Lei de Ação Popular. 
Precedente: MS 26.694/DF. 
 
A “teoria do fato consumado" não pode ser aplicada para consolidar remoção de servidor público 
destinada a acompanhamento de cônjuge, em hipótese que não se adequa à legalidade estrita, ainda 
que tal situação haja perdurado por vários anos em virtude de decisão liminar não confirmada por 
ocasião do julgamento de mérito. Precedente: EREsp 1.157.628-RJ ou Info 598 do STJ. 
 
 O vício consistente na falta de motivação de portaria de remoção ex officio de servidor público pode 
ser convalidado, de forma excepcional, mediante a exposição, em momento posterior, dos motivos 
idôneos e preexistentes que foram a razão determinante para a prática do ato, ainda que estes 
tenham sido apresentados apenas nas informações prestadas pela autoridade coatora em mandado 
de segurança impetrado pelo servidor removido. Precedente: AgRg no RMS 40.427-DF ou Info 529 
do STJ. 
 
 Os atos administrativos praticados anteriormente ao advento da Lei n. 9.784/1999 estão sujeitos 
ao prazo decadencial quinquenal, contado, entretanto, da sua entrada em vigor, qual seja 1º/2/1999, 
e não da prática do ato. Precedente citado: Info 508 do STJ. 
 
É necessária a prévia instauração de procedimento administrativo, assegurados o contraditório e a 
ampla defesa, sempre que a Administração, exercendo seu poder de autotutela, 
anula atos administrativos que repercutem na esfera de interesse do administrado. Precedente: RE 
946481. 
 
 
 
 
 
84 
 
 O disposto no art. 54 da Lei 9.784/99 aplica-se às hipóteses de auditorias realizadas pelo TCU em 
âmbito de controle de legalidade administrativa. Precedente: Info 703 do STF. 
 
 O controle de legalidade exercido pelo Poder Judiciário sobre os atos administrativos diz respeito 
ao seu amplo aspecto de obediência aos postulados formais e materiais presentes na Carta Magna, 
sem, contudo, adentrar o mérito administrativo. Precedente: RMS 49202/PR. 
 
O Poder Judiciário não pode fazer a revisão judicial do mérito da decisão administrativa proferida 
pelo CADE. A expertise técnica e a capacidade institucional do CADE em questões de regulação 
econômica exigem que o Poder Judiciário tenha uma postura deferente (postura de respeito) ao 
mérito das decisões proferidas pela Autarquia. Precedente: Info 942 do STF. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
85 
2.2 Material de revisão (RPP): Atos Administrativos 
 
Ato da administração: é gênero, do qual são espécies atos administrativos propriamente ditos e atos de 
direito privados praticados pela Administração. 
 
Atos administrativos: São atos jurídicos praticados pela Administração Pública, por intermédio de um agente 
público ou de um agente privado investido de prerrogativas públicas, sob o regime jurídico de direito público 
e com o objetivo a satisfação do interesse público. Em suma, é toda manifestação unilateral de vontade da 
Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, 
modificar, extinguir e declarar direitos ou impor obrigações aos administrados ou a si própria.Atos administrativos são privativos da Administração Pública formal? 
NÃO. Ato administrativo é a manifestação unilateral de vontade da Administração Pública ou de seus 
delegatários, nesta condição. Com isso temos que o ato administrativo não é privativo da Administração 
formal, ou seja, também os delegatários, nesta condição, também podem editar atos administrativos”. 
 
Fato administrativo: são condutas materiais da Administração que podem ou não ser precedidas da prática 
de um ato administrativo ou eventos da natureza que produzem efeitos jurídicos na seara administrativa. 
Exemplo: morte de um servidor. 
 
Silêncio da Administração: 
Prevalece na doutrina que o silêncio (omissão) da Administração que produza efeitos jurídicos configura FATO 
ADMINISTRATIVO. Assim, quando ocorre a decadência do direito de a administração anular um ato 
administrativo, a inércia, da qual resultou a decadência (efeito jurídico), é um fato administrativo, uma 
omissão da administração que produziu efeitos jurídicos. 
 
Principais classificações: 
Atos vinculados são os que a administração pratica sem margem alguma de liberdade de decisão, pois a lei 
previamente determinou o único comportamento possível a ser obrigatoriamente adotado sempre que se 
configure a situação objetiva descrita em lei. 
Atos discricionários são aqueles que a administração pode praticar com certa liberdade de escolha, nos 
termos e limites da lei, quanto ao seu conteúdo, seu modo de realização, sua oportunidade e sua 
conveniência administrativa. 
 
 
 
 
 
 
86 
Ato individual: pode ser singular, quando tiver um único destinatário. 
Ato Plúrimo: quando tiver diversos destinatários, desde que DETERMINADOS. Ex. a nomeação de aprovados 
em um concurso público (ato plúrimo) e a exoneração de um servidor (ato singular). 
Ato administrativo simples é o que decorre de uma única manifestação de vontade de um único órgão ou 
autoridade. Pode ser unipessoal (ato simples singular) ou colegiado (ato simples colegiado). O ato simples 
está completo com essa única manifestação, não dependendo de manifestação de outro órgão ou autoridade 
para iniciar a produção de seus efeitos. 
Ato administrativo complexo é o que necessita, para sua FORMAÇÃO, da manifestação de vontade de DOIS 
ou MAIS diferentes órgãos ou autoridades. Em outros termos, o ato não pode ser considerado perfeito 
(completo, concluído, formado) com a manifestação de um só órgão ou autoridade. 
Ato administrativo composto é aquele cujo CONTEÚDO resulta da manifestação de um só órgão ou 
autoridade, mas a sua edição ou a produção de seus efeitos depende de um outro ato que o aprove. 
Percebam que a função desse outro ato é meramente instrumental: autorizar a prática do ato principal, ou 
conferir eficácia a este, ou seja, em nada altera o conteúdo do principal. 
Ato válido é o que está em total conformidade com o ordenamento jurídico, com as exigências legais e 
regulamentares impostas para que seja regularmente editado. É o ato que não contém nenhum vício, qualquer 
irregularidade, qualquer ilegalidade. 
Ato nulo é aquele que nasce com vício INSANÁVEL, normalmente resultante de defeito substancial em seus 
elementos constitutivos. A declaração de nulidade, como regra, opera ex tunc. Lembrar, entretanto, de atos 
com eventuais efeitos já produzidos perante terceiros de boa-fé, antes da anulação do ato; esses, serão 
mantidos, com base nos princípios da segurança jurídica, boa-fé, proteção à confiança. 
Ato inexistente é aquele que possui apenas aparência de manifestação de vontade da administração pública, 
mas, em verdade, não se origina de um agente público, mas de alguém que se passa por tal condição, como o 
usurpador de função. 
Ato anulável é o ato que contém vício SANÁVEL e, por isso, poderá ser objeto de convalidação, desde que 
não acarrete lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros. São sanáveis, por exemplo, o vício de 
competência quanto à pessoa, desde que não se trate de competência exclusiva, e o vício de forma, a menos 
que se trate de forma exigida pela lei como condição essencial à validade do ato. 
Ato perfeito é aquele que está pronto, terminado, que já concluiu o seu ciclo, suas etapas de formação. Tem-
se um ato perfeito quando já se esgotaram todas as fases necessárias à sua produção. 
Ato imperfeito é aquele que NÃO completou o seu ciclo de formação. Rigorosamente, o ato imperfeito ainda 
não existe como ato administrativo. 
 
 
 
 
 
87 
Ato eficaz é aquele que já está disponível para a produção de seus efeitos PRÓPRIOS. A produção de efeitos 
não depende de evento posterior, como uma condição suspensiva, um termo inicial ou um ato de controle 
(aprovação, homologação, etc.). 
 
Os efeitos dos atos administrativos podem ser: 
a) efeitos TÍPICOS, também denominados próprios, são os efeitos correspondentes à tipologia específica do 
ato, à sua função típica prevista pela lei. 
b) efeitos ATÍPICOS, também denominados impróprios, são efeitos decorrentes da produção do ato, sem que 
resultem de seu conteúdo específico. 
 
Os efeitos atípicos podem ser de duas ordens: 
Efeitos preliminares ou prodrômicos, que são aqueles verificados enquanto persiste a situação de pendência 
do ato, isto é, durante o período intercorrente, desde a produção do ato até o início de produção de seus 
efeitos típicos. Ocorre nos atos administrativos que dependem de duas manifestações de vontade. Esse efeito 
se configura como o dever da segunda autoridade se manifestar, quando a primeira já o fez. É um efeito 
secundário que vem antes do aperfeiçoamento do ato. 
Efeitos reflexos, por sua vez, são aqueles que também atingem outra relação jurídica, ou seja, atingem 
terceiros não objetivados pelo ato, terceiros que não fazem parte da relação jurídica travada entre a 
Administração e o sujeito passivo do ato, como, por exemplo, o locatário de um imóvel que foi desapropriado. 
 
Outras classificações: 
 
 
 
GRAU DE 
LIBERDADE 
 
GERAIS 
Os atos gerais ou normativos são expedidos sem destinatários 
determinados ou determináveis. Aplicam-se a todas as pessoas 
que se coloquem nas situações abstratamente previstas no ato. 
 
 
INDIVIDUAIS 
Os atos individuais são os que possuem destinatários 
individualizados ou individualizáveis. Os atos individuais podem 
ser singulares ou plúrimos. Os atos individuais singulares são 
aqueles que alcançam um único sujeito determinado (ex: 
nomeação de um único servidor). 
Os atos individuais plúrimos são aqueles que atingem uma 
pluralidade de sujeitos determinados (ex: nomeação de uma lista 
de servidores). 
 
 
 
 
 
88 
 
PRERROGATIVAS 
DA 
ADMINISTRAÇÃO 
IMPÉRIO Os atos de império são aqueles praticados pela Administração 
Pública no uso das prerrogativas tipicamente estatais (ex: 
desapropriação). 
GESTÃO Os atos de gestão são aqueles praticados pela Administração 
Pública quando despida das prerrogativas tipicamente estatais. 
EXPEDIENTE Os atos de expedientes são aqueles que impulsionam a rotina 
interna da repartição sem caráter vinculante e sem forma especial. 
 
 
 
AGRESSÃO AO 
ORDENAMENTO 
 
IRREGULARES 
Os atos administrativos irregulares são aqueles contaminados com 
pequenos vícios. As meras irregularidades não são capazes de lhes 
retirar a validade. 
 
SANÁVEIS 
Os atos administrativos anuláveis, por fim, são aqueles que 
possuem vícios sanáveis e, portanto, admitem convalidação. 
 
NULOS 
Os atos administrativos nulos compreendem aqueles cuja 
convalidação é impossível, porque contêm vícios insanáveis. 
 
INEXISTENTES 
Os atos administrativos inexistentes são aqueles contaminados 
por vícios da maior gravidade e, portanto, não podem ser 
convalidados. 
 
 
EFEITOS 
 
CONSTITUTIVOS 
Os atos administrativos constitutivos são os que criam, modificam 
ou extinguem uma relação jurídica. 
 
DECLARATÓRIOS 
Os atos administrativos declaratórios são os que reconhecem uma 
situaçãojurídica preexistente. 
 
ENUNCIATIVOS 
Os atos administrativos enunciativos são os que atestam uma 
situação de fato ou de direito. Exemplo certidão, atestado, 
parecer. 
 
ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO 
 
 
 
 
 
 
 
• É o conjunto de atribuições conferidas pelo ordenamento jurídico às pessoas jurídicas, 
órgãos e agentes públicos, com o objetivo de possibilitar o desempenho de suas atividades. 
• A competência pública é obrigatória, irrenunciável, intransferível, imodificável e 
imprescritível. 
 
• Delegação de competência: 
A Lei n. 9.784/99 admite a delegação independentemente de subordinação hierárquica. 
 
 
 
 
 
89 
 
 
 
COMPETÊNCIA 
 
 
O que se delega é apenas o exercício da competência, visto que a titularidade da 
competência é intransferível. 
O ato de delegação não retira a atribuição da autoridade delegante, que continua 
competente cumulativamente com a autoridade delegada para o exercício da função. 
Segundo a Lei n. 9.784/99, não podem ser objeto de delegação: 
(i) a competência para editar atos normativos; 
(ii) a competência para decidir recursos administrativos; e 
(iii) as matérias de competência exclusiva do órgão ou entidade. 
Decore: CE NO RA 
 
• Avocação de competência: 
É medida excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados. 
Depende de permissivo legal. 
Consiste na possibilidade de o superior hierárquico assumir temporariamente o exercício de 
competências atribuídas a um órgão ou agente hierarquicamente inferior. 
A avocação pressupõe subordinação hierárquica. 
 
Vício de competência admite convalidação? 
SIM. O vício de competência (excesso de poder), porém, nem sempre obriga à anulação do 
ato. O vício de competência admite convalidação, SALVO caso se trate de competência em 
razão de matéria ou de competência EXCLUSIVA. 
 
• Usurpação de função: uma pessoa exerce atribuições de um agente público, sem que 
tenha essa qualidade. É crime. É ato inexistente. 
• Funcionário de fato: um servidor, irregularmente investido no cargo, emprego ou função, 
pratica um ato. É o caso, por exemplo, do servidor que tomou posse sem que tivesse a 
escolaridade mínima exigida pelo edital do concurso e pela lei do cargo. É ato nulo. Todavia, 
para os terceiros de boa-fé, os atos devem ser mantidos em razão da teoria da aparência. 
 
 
FINALIDADE 
 
 
• Mediata x Imediata: A finalidade geral ou mediata é a satisfação do interesse público e a 
finalidade específica ou imediata é o resultado específico que deve ser alcançado com a 
prática do ato. A finalidade genérica do ato é o interesse público. No entanto, não basta 
atender à finalidade genérica, uma vez que cada ato administrativo tem uma finalidade 
específica para alcançar esse interesse. Sendo assim, na hipótese de ser violada a finalidade 
 
 
 
 
 
90 
específica, mesmo que o agente esteja buscando o interesse público, há o desvio de 
finalidade. 
• Abuso de poder: Excesso de poder (vício de competência) e desvio de poder (vício de 
finalidade). 
 
 
 
 
MOTIVO 
 
 
• O motivo é a causa imediata do ato administrativo. 
• São os pressupostos de fato e de direito que determinam ou autorizam a prática do ato 
administrativo. 
 
Vício de motivo: 
O vício de motivo sempre acarretará a nulidade do ato. O vício de motivo ocorre nas 
seguintes situações: 
 Motivo inexistente; 
 Motivo falso; 
 Motivo ilegítimo (ou juridicamente inadequado); 
 
• É diferente da motivação. A falta de motivação, quando a lei exige, é defeito de forma do 
ato, pois motivação é formalidade do ato administrativo. 
Na esfera federal, a Lei 9.784/99 dispõe acerca da motivação nos seguintes termos: 
Art. 50. Os atos administrativos DEVERÃO ser motivados, com indicação dos fatos e dos 
fundamentos jurídicos, quando: 
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; 
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; 
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; 
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; 
V - decidam recursos administrativos; 
VI - decorram de reexame de ofício; 
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, 
laudos, propostas e relatórios oficiais; 
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. 
 
Enunciado n. 12 da Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ: A decisão administrativa 
robótica deve ser suficientemente motivada, sendo a sua opacidade motivo de invalidação. 
 
 
 
 
 
 
91 
Motivação “aliunde”: Ocorre todas as vezes que a motivação do ato remete à motivação de 
ato anterior que o ensejou. Exemplo: anular um contrato com base na motivação esposada 
em determinado parecer. 
 
• Teoria dos motivos determinantes: Ainda que a lei não imponha a motivação, caso o ato 
administrativo seja motivado, a sua validade estará condicionada à efetiva existência e à 
veracidade dos motivos declarados. Essa teoria está fundamentada na ideia de que o motivo 
do ato administrativo deve sempre guardar compatibilidade com a situação de fato que 
gerou a manifestação de vontade da Administração. 
 
Motivação e móvel: 
O móvel é a vontade pessoal, psíquica, não real como prevê o item, que move o agente 
público na elaboração dos atos administrativos. A distinção do móvel para o motivo é 
evidente, visto que neste há a explicitação real da situação que justifica a edição do ato, ao 
passo que o móvel é motivação pessoal, que nem sempre se coaduna com o real desiderato 
do ato administrativo. 
 
 
OBJETO 
• É o efeito jurídico imediato produzido pelo ato administrativo. 
• É o próprio conteúdo material do ato administrativo. Ou seja, é a alteração da situação 
jurídica que o ato administrativo se propõe a realizar. Ex.: o objeto do ato de nomeação de 
servidor é a sua admissão nos quadros do serviço público. O objeto do ato de concessão de 
uma licença a própria concessão da licença. 
 
Vício de objeto 
O vício de objeto é insanável, ou seja, invariavelmente acarreta a nulidade do ato. 
 
FORMA 
 
• Abrange não apenas o modo de exteriorização do ato, mas também todas as formalidades 
que devem ser observadas em sua prática, cuja ausência gera vício de legalidade, com sua 
consequente invalidação. 
Prevalece, ainda, na doutrina que a forma dos atos administrativos trata-se de um elemento 
vinculado. 
 
• Em regra, a forma é escrita. 
 
 
 
 
 
 
92 
Formalismo moderado: 
Adota-se, no âmbito do Direito Administrativo, o formalismo moderado. Assim, de acordo 
com o art. 22 da Lei no 9.784/99, “os atos do processo administrativo não dependem de 
forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir”. 
 
Vício de forma e a possibilidade de convalidação: 
Em regra, o vício de forma é passível de convalidação, ou seja, é defeito sanável. 
Exceção: a convalidação NÃO é possível quando a lei estabelece determinada forma como 
essencial à validade do ato, caso em que o ato será nulo se não observada a forma exigida 
pela lei. 
 
A motivação integra o motivo ou a forma? 
FORMA. CUIDADO! Isso cai muito em prova. A motivação – declaração escrita dos motivos 
que ensejaram a prática do ato – integra a FORMA do ato administrativo, e NÃO o motivo 
 
ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
 
 
 
PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE 
• Decorre do princípio da legalidade administrativa. Em virtude de tal 
atributo, os atos administrativos presumem-se editados em 
conformidade com a lei. 
• Todos os atos detêm tal presunção. 
• É presunção relativa. 
• Diferencia-se de PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Isso porque a presunção 
de legitimidade diz respeito à VALIDADE do ato. 
• A presunção de veracidade diz respeito à VERDADE DOS FATOS 
deduzidos pela Administração. 
• As principais consequências do atributo da presunção de legitimidade 
dos atos administrativos são as seguintes: 
- eles produzirão os seus efeitosnormalmente, até que a sua invalidade 
seja reconhecida; e 
- haverá a inversão o ônus da prova (o prejudicado deve produzir as 
provas para demonstrar que o ato administrativo contém vícios). 
 
IMPERATIVIDADE 
• Decorre do poder extroverso. É a qualidade dos atos administrativos de 
se imporem a terceiros, independentemente de sua aquiescência. 
 
 
 
 
 
93 
• traduz a possibilidade de a administração pública, unilateralmente, criar 
obrigações para os administrados, ou impor-lhes restrições. 
 
A imperatividade é atributo de todo ato administrativo? 
NÃO. A imperatividade nem sempre estará presente. Trata-se de atributo 
próprio dos atos administrativos que impõem obrigações ou restrições aos 
administrados. 
 
 
 
 
AUTOEXECUTORIEDADE 
• Atos autoexecutórios são os que podem ser materialmente 
implementados pela Administração, diretamente, inclusive mediante o 
uso da força, se necessária, sem que a Administração precise obter 
autorização judicial prévia. 
• É o atributo mais importante dos atos administrativos, vez que permite 
que a Administração Pública realize a execução material de seus atos ou 
da legislação. 
• A autoexecutoriedade difere da exigibilidade à medida que esta aplica 
uma punição ao particular (exemplo: multa de trânsito), mas não 
desconstitui materialmente a irregularidade (o carro continua parado no 
local proibido), representando uma coerção indireta. 
 
É atributo afeto a todo ato administrativo? 
NÃO. Não é atributo presente em todos os atos administrativos. Os atos 
autoexecutórios mais comuns são os atos de polícia. 
• Os atos executórios são os previstos em lei e os emergenciais. 
 
 
TIPICIDADE 
• Deriva da legalidade e da segurança jurídica. O ato deve obedecer a 
figuras previamente definidas pela lei. 
• Visa a proteger os administrados. 
 
ATENÇÃO! 
1. Todos os atos administrativos detêm a presunção de legitimidade/veracidade e a tipicidade. 
2. Nem todos os atos administrativos possuem os outros dois atributos. 
 
Existência, validade e eficácia: 
1. O plano da existência ou da perfeição indicam o cumprimento do ciclo de formação do ato. 
 
 
 
 
 
94 
2. O plano da validade envolve a conformidade com os requisitos estabelecidos pelo ordenamento jurídico 
para a correta prática do ato administrativo. 
3. O plano da eficácia está relacionado com a aptidão do ato para produzir efeitos jurídicos. 
 
Extinção dos atos administrativos: 
Extinção natural do ato administrativo: Ocorre quando o ato administrativo já produziu seus efeitos ou 
quando ele foi editado com prazo e este expirou. 
Extinção subjetiva: É uma extinção em razão do desaparecimento do beneficiário. 
Extinção objetiva: A extinção ocorre em razão do desaparecimento do objeto do ato, sendo extinto de 
maneira objetiva pelo poder público. 
 
FORMAS DE EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
 
 
 
REVOGAÇÃO 
Revogação é a retirada, do mundo jurídico, de um ato válido, mas que, segundo 
critério discricionário da administração, tornou-se inoportuno ou inconveniente. 
Extinção do ato administrativo perfeito e eficaz, com eficácia EX NUNC, por razões de 
CONVENIÊNCIA E OPORTUNIDADE. 
Compete a mesma autoridade que praticou o ato. 
Não se pode revogar: atos exauridos, preclusos, vinculados, enunciativos, etc. 
 
A revogação deve respeitar os direitos eventualmente adquiridos? 
SIM. Vide o teor da seguinte súmula: 
Súmula n. 473 do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando 
eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou 
revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos 
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
 
ANULAÇÃO A anulação deve ocorrer quando há vício no ato, relativo à legalidade ou legitimidade 
(ofensa à lei ou ao direito como um todo). É sempre um controle de legalidade, nunca 
de mérito. 
 
Extinção do ato ILEGAL, com eficácia EX TUNC. 
 
 
 
 
 
 
95 
Anulação e terceiros de boa-fé: 
Devem, porém, ser resguardados os efeitos já produzidos em relação aos terceiros 
de boa-fé. 
 
Trata-se de um direito adquirido? 
NÃO. Não há direito adquirido à produção de efeito de um ato nulo. O que ocorre é 
que os efeitos já produzidos até a data da anulação, perante terceiros de boa-fé, não 
serão desfeitos. Frise-se, os efeitos serão mantidos, não o ato em si. Ex. Funcionário 
de fato. 
 
Enunciados: 
Súmula n. 346 do STF: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus 
próprios atos. 
Súmula n. 473 do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando 
eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou 
revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos 
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
 
Anulação e contraditório: 
A Administração, à luz do princípio da autotutela, tem o poder de rever e anular seus 
próprios atos, quando detectada a sua ilegalidade, consoante reza a Súmula 473/STF. 
Todavia, quando os referidos atos implicam invasão da esfera jurídica dos interesses 
individuais de seus administrados, é obrigatória a instauração de prévio processo 
administrativo, no qual seja observado o devido processo legal e os corolários da 
ampla defesa e do contraditório (STJ. 1ª Turma. AgInt no AgRg no AREsp 760.681/SC, 
Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 03.06.2019). 
 
ATENÇÃO! Excepcionalmente, essa exigência de processo não se apresenta. Já 
reconheceu o STF que, quando a declaração de nulidade decorre de decisão judicial, 
estando o Administrador em seu estrito cumprimento, não há necessidade de 
instauração de processo. (STF, Rcl 5.819/TO) 
 
Limite temporal: 
 
 
 
 
 
96 
Na esfera federal, o art. 54 da Lei 9.784/99 estabelece em 05 anos o prazo para 
anulação de atos administrativos ilegais, seja qual for o vício, quando os efeitos do 
ato forem favoráveis ao administrado, salvo comprovada má-fé (o ônus da prova, 
nesse caso, é da administração). 
 
Resumindo: 
 Destinatário de boa-fé: Prazo para anular ato ilegal, 5 anos. 
 Destinatário de má-fé: Sem prazo para anular ato ilegal. 
 
E se o ato ilegal tenha sido praticado antes da Lei 9.784/99 como fica o limite 
temporal? 
(...) 1. Caso o ato acoimado de ilegalidade tenha sido praticado ANTES da 
promulgação da Lei n. 9.784/1999, a Administração tem o prazo de cincos anos a 
contar da vigência da aludida norma para anulá-lo; caso tenha sido praticado após a 
edição da mencionada Lei, o prazo quinquenal da Administração contar-se-á da 
prática do ato tido por ilegal, sob pena de decadência, nos termos do art. 54 da Lei n. 
9.784/1999. (...) (AgRg no REsp 1.166.120/SC) 
 
Os Estados e Municípios podem editar lei sobre processo administrativo e prazo 
para anulação? 
SIM. A competência para legislar sobre Direito Administrativo é comum (art. 25, §1º, 
da CF). Cada ente federativo possui autonomia para legislar sobre processo 
administrativo e organização administrativa. 
 
Caso não haja legislação em algum Estado ou Município, o prazo do art. 54 da Lei 
n. 9.784/99 pode ser aplicado por analogia? 
SIM. O STJ aplica por analogia com base nos princípios da razoabilidade e da 
proporcionalidade. 
Súmula n. 633 do STJ: A Lei nº 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo 
decadencial para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração 
Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, 
se inexistente norma local e específica que regule a matéria. 
 
 
 
 
 
 
97 
Em um caso concreto, a Lei do Estado de São Paulo n. 10.177/98, que trata sobre 
processo administrativo, previu um prazo decadencial bem maior, 10 anos. Essa 
previsão é constitucional? 
NÃO. É inconstitucional. 
O prazo quinquenal consolidou-se como marco temporal geral nas relações entre o 
Poder Público e particularese esta Corte somente admite exceções ao princípio da 
isonomia quando houver fundamento razoável baseado na necessidade de remediar 
um desequilíbrio específico entre as partes. 
Se os demais estados da Federação aplicam, indistintamente, o prazo quinquenal para 
anulação de atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis aos 
administrados, seja por previsão em lei própria ou por aplicação analógica do art. 54 
da Lei 9.784/1999, não há fundamento constitucional que justifique a situação 
excepcional de um determinado estado-membro. Logo, impõe-se o tratamento 
igualitário nas relações Estado-cidadão (STF. Plenário. ADI 6019/SP, Rel. Min. Marco 
Aurélio, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12.4.2021 - Info 1012). 
 
Natureza desse prazo: 
Embora haja doutrina em contrário, prevalece o entendimento de que se trata de um 
prazo decadencial. 
 
Esse mesmo prazo se aplica ao caso de revisão do ato? 
NÃO. Segundo STF: “(...) O prazo de cinco anos previsto no art. 54 da Lei 9.784/1999 
não diz respeito à revisão, mas sim à anulação dos atos administrativos de que 
decorram efeitos favoráveis para os destinatários, ressalvados os casos em que for 
comprovada a má-fé (RMS 31.498 AgR, STF – Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Le-
wandowski, julgamento 04.02.2014, DJe 18.02.2014). 
 
Anulação e ato inconstitucional: 
Embora realmente a regra seja a aplicação do art. 54 a atos administrativos de 
qualquer espécie, o STF já decidiu que o art. 54 deve ser afastado quando se trate 
de anular atos que contrariem flagrantemente a CF. 
 
 
 
 
 
 
98 
É possível a anulação do ato de anistia pela Administração Pública, evidenciada a 
violação direta do art. 8º do ADCT, mesmo quando decorrido o prazo decadencial 
contido na Lei 9.784/99: 
No exercício de seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os 
atos de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica relativos à Portaria n. 
1.104/1964, quando se comprovar a ausência de ato com motivação exclusivamente 
política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento administrativo, o devido 
processo legal e a não devolução das verbas já recebidas. 
STF. Plenário. RE 817338/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16.10.2019 
(Repercussão Geral – Tema 839) (Info 956). 
STJ. 1ª Seção. MS 20187-DF, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado 
Do TRF5), julgado em 10.08.2022 (Info 744). 
 
CASSAÇÃO 
É a extinção do ato administrativo quando o seu beneficiário deixa de cumprir os 
requisitos que deveria permanecer atendendo, como exigência para a manutenção 
do ato e de seus efeitos. 
A cassação pressupõe uma ilegalidade superveniente que é atribuída ao 
beneficiário, diferente da caducidade, onde há uma ilegalidade, mas que não é 
atribuída ao particular. 
 
CADUCIDADE 
Em relação ao ato administrativo, caducidade significa a extinção do ato, que se 
tornou incompatível com a nova legislação. Ex.: uma autorização de uso da calçada 
conferida a um restaurante. É dizer, uma nova legislação impede a permanência da 
situação anteriormente consentida pelo poder público. 
Obs.: Não confundir com a caducidade da concessão prevista na Lei 8.987/95. 
 
CONTRAPOSIÇÃO 
Ocorre quando ato anterior é extinto por ato superveniente cujos efeitos são a ele 
contrapostos. 
 
 
FORMAS DE CONVALIDAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
 
 
 
CONVALIDAÇÃO 
O art. 55 da Lei n. 9.784/99 disciplina a convalidação nos seguintes termos: “Em 
decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo 
a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados 
pela própria Administração”. 
 
 
 
 
 
 
99 
Condições: 
a) Defeito sanável; 
b) O ato NÃO acarretar lesão ao interesse público; 
c) O ato NÃO acarretar prejuízo a terceiros. 
d) Decisão discricionária da Administração acerca da conveniência e 
oportunidade de convalidar o ato (em vez de anulá-lo) 
 
A Convalidação pode atingir atos discricionários? 
SIM. A convalidação pode recair sobre atos vinculados ou discricionários, uma vez 
que não se trata de controle de mérito, e sim de legalidade, relativo a vícios sanáveis. 
 
Os defeitos sanáveis são: 
Vícios relativos à competência quanto à pessoa (não quanto à matéria), desde que 
não se trate de competência exclusiva; 
Vício de forma, desde que a lei não considere a forma elemento essencial à validade 
daquele ato. 
 
O ato administrativo de convalidação tem efeitos ex tunc, retroagindo seus efeitos ao 
momento em que foi originariamente praticado o ato convalidado. 
 
Convalidação pode ser de três espécies: 
(i) Ratificação: realizada pela MESMA autoridade. 
(ii) Confirmação: realizada por OUTRA autoridade. 
(iii) Saneamento: casos em que o particular é quem promove a sanatória do ato. 
 
Os efeitos da convalidação retroagem à data do ato convalidado. 
 
É obrigatória a convalidação? 
NÃO. A Lei 9.784/99 trata a convalidação como um ato discricionário: “os atos que 
apresentarem defeitos sanáveis PODERÃO ser convalidados pela própria 
Administração”. Além disso, a Lei trata a convalidação como um ato privativo da 
administração. 
 
 
 
 
 
100 
 
CONVERSÃO 
Na conversão, o ato, na categoria editada, é nulo, e, portanto, de convalidação 
impossível. Contudo, a autoridade percebe a possibilidade de substituí-lo por ato de 
categoria distinta e para a qual a nulidade deixaria de existir. 
Em suma, é o aproveitamento de ato defeituoso como ato válido, só que de outra 
categoria. 
 
Conversão x convalidação: 
Na conversão, pois, o ato, na categoria editada, é nulo, e, portanto, de convalidação 
impossível. Contudo, a autoridade percebe a possibilidade de substituí-lo por ato de 
categoria distinta e para a qual a nulidade deixaria de existir. 
Na convalidação, ademais, o ato anulável passa a ser plenamente válido sem que 
haja desnaturação de sua espécie. 
 
 
Principais diferenças entre a anulação, a revogação e a convalidação de atos administrativos descritas no 
art. 55 da Lei 9.784/99: 
ANULAÇÃO REVOGAÇÃO CONVALIDAÇÃO 
Retirada de atos inválidos, com 
vício, ilegais. 
Retirada de atos válidos, sem 
qualquer vício. 
Correção de atos com vícios 
sanáveis, desde que tais atos não 
tenham acarretado lesão ao 
interesse público nem prejuízo a 
terceiros. 
Opera retroativamente, 
resguardados os direitos já 
produzidos perante terceiros de 
boa-fé. 
Efeitos prospectivos; não é possível 
revogar atos que já tenham gerado 
direito adquirido. 
Opera retroativamente. Corrige o 
ato, tornando regulares os seus 
efeitos, passados e futuros. 
Pode ser efetuada pela 
administração, de ofício ou 
provocada, ou pelo Judiciário, se 
provocado. 
Só pode ser efetuada pela própria 
administração que praticou o ato. 
Só pode ser efetuada pela própria 
administração que praticou o ato. 
Pode incidir sobre atos 
vinculados e discricionários, 
Só incide sobre atos discricionários 
(não existe revogação de ato 
vinculado). 
Pode incidir sobre atos vinculados e 
discricionários. 
 
 
 
 
 
101 
exceto sobre o mérito 
administrativo. 
A anulação de ato com vício 
insanável é um ato vinculado. A 
anulação de ato com vício 
sanável que fosse passível de 
convalidação é um ato 
discricionário. 
A revogação é um ato discricionário. A convalidação é um ato 
discricionário. Em tese, a 
administração pode optar por 
anular o ato, mesmo que ele fosse 
passível de convalidação. 
 
Súmula n. 6 do STF: A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria, ou qualquer outro ato 
aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por aquele tribunal, ressalvada a 
competência revisora do Judiciário. 
Súmula n. 346 do STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. 
Súmula n. 473 do STF: A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os 
tornam ilegais, porque delesnão se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou 
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
Súmula n. 510 do STF: Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe 
o mandado de segurança ou a medida judicial. 
 
Qual o prazo de que dispõe a administração pública federal para anular um ato administrativo ilegal que 
gere benefícios ao administrado? 
REGRA 5 anos, contados da data em que o ato foi praticado. 
EXCEÇÃO 1 
Em caso de má-fé. 
Se ficar comprovada a má-fé, não há prazo, ou seja, a Administração Pública pode anular o 
ato administrativo mesmo que já tenha se passado mais de 5 anos. 
EXCEÇÃO 2 
Em caso de afronta direta à Constituição Federal. 
O prazo decadencial de 5 anos do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser 
anulado afronta diretamente a Constituição Federal. 
Trata-se de exceção construída pela jurisprudência do STF. (Info 741). 
EXCEÇÃO 3 
Não decai o direito de anular licença ambiental reputada ilegal, pois não há direito a poluir o 
meio ambiente. 
 
 
 
 
 
 
102 
Atos com efeitos patrimoniais contínuos: 
Tratando-se de atos que gerem efeitos patrimoniais contínuos como, por exemplo, o pagamento de 
remuneração a servidor, o prazo decadencial conta-se da percepção do primeiro pagamento (art. 54, § 1º, 
do mesmo diploma). 
Lei n. 9.784/99, Artigo 54. O direito da administração de anular os atos administrativos de que decorram 
efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo 
comprovada má-fé. 
§ 1° No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro 
pagamento. 
 
Ato ilegal ampliativo de direitos do administrado: 
 Caso o servidor estivesse recebendo a vantagem econômica em razão de um ato administrativo ilegal, tal ato 
ampliava seus direitos, portanto só pode ser retirado daqui para frente. Estando ele de boa-fé, a anulação 
somente produzirá efeitos para o futuro, tendo eficácia ex nunc. Dessa forma, o servidor vai deixar de receber 
a vantagem, mas não terá que devolver o período recebido. 
 
A “teoria do fato consumado" pode ser aplicada para consolidar remoção de servidor público destinada a 
acompanhamento de cônjuge? 
DEPENDE. A “teoria do fato consumado" NÃO pode ser aplicada para consolidar remoção de servidor público 
destinada a acompanhamento de cônjuge, em hipótese que não se adequa à legalidade estrita, ainda que tal 
situação haja perdurado por vários anos em virtude de decisão liminar não confirmada por ocasião do 
julgamento de mérito. Precedente: EREsp 1.157.628-RJ ou Info 598 do STJ. 
 
O vício consistente na falta de motivação de portaria de remoção ex officio de servidor público pode ser 
convalidado? 
SIM. O vício consistente na falta de motivação de portaria de remoção ex officio de servidor público pode ser 
convalidado, de forma excepcional, mediante a exposição, em momento posterior, dos motivos idôneos e 
preexistentes que foram a razão determinante para a prática do ato, ainda que estes tenham sido 
apresentados apenas nas informações prestadas pela autoridade coatora em mandado de segurança 
impetrado pelo servidor removido. Precedente: AgRg no RMS 40.427-DF ou Info 529 do STJ. 
 
 
 
 
 
 
103 
3. AMOSTRA CDC ESQUEMATIZADO 
 
Obs.: Aqui é só uma amostra de parte do material “Ler a Lei” do CDC esquematizado. O material 
completo só no curso. 
 
TÍTULO I 
Dos Direitos do Consumidor 
CAPÍTULO I 
Disposições Gerais 
Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e 
interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art. 48 de 
suas Disposições Transitórias. 
 
Segundo o STJ “as normas de proteção e defesa do consumidor têm índole de ordem pública e interesse 
social. São, portanto indisponíveis e inafastáveis, pois resguardam valores básicos e fundamentais da 
ordem jurídica do Estado Social (...).” (STJ, REsp 586316) 
O fato de a defesa do consumidor ser de ordem pública reflete na possibilidade de o juiz, nas relações 
de consumo, agir de ofício. Ex.: inversão do ônus da prova (art. 6º, inc. VIII), declaração de nulidade de 
cláusula abusiva de ofício (art. 51). 
Atentar para a súmula 381 do STJ, que traz uma exceção: 
 
Súmula n. 381 do STJ: Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade 
das cláusulas. 
 
Art. 2° consumidor é 
- toda pessoa FÍSICA ou JURÍDICA 
- que adquire ou utiliza 
- produto ou serviço 
- como destinatário final. 
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que 
haja intervindo nas relações de consumo. 
 
 
 
 
 
 
104 
MPE/SC (Banca própria, 2014): Consumidor é todo aquele que adquire ou utiliza produto ou serviço 
como destinatário final, não se enquadrando neste conceito as pessoas jurídicas. 
Errado. 
 
Quem é consumidor? 
Consumidor 
“strictu sensu” ou 
“standard” 
É toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como 
destinatário final (art. 2º, caput). 
Consumidor 
equiparado 
A coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas 
relações de consumo (art. 2º, p. único). 
Todas as vítimas de danos ocasionados pelo fornecimento de produto ou serviço 
defeituoso (art. 17) – chamados de bystanders. 
Todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas comerciais 
abusivas (art. 29) 
 
No contrato de compra e venda de insumos agrícolas, o produtor rural não pode ser considerado 
destinatário final, razão pela qual, nesses casos, não incide o Código de Defesa do Consumidor. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 363.209/RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 15.06.2020. 
STJ. 3ª Turma. AgInt no AgInt no AREsp 1509325/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Belizze, julgado em 
20.04.2020. 
 
O conceito de consumidor na doutrina e jurisprudência: 
 
Teoria finalista: 
Os finalistas propõem que a expressão “destinatário final” tenha uma interpretação restrita. Nesse 
sentido, destinatário final (que pode ser tanto uma pessoa jurídica quanto pessoa física) seria aquele 
destinatário fático e econômico do bem ou serviço. 
Assim, para ser consumidor não basta só retirar o produto da cadeia de produção, levando-o para 
escritório ou residência (destinatário fático), tem, também, que pôr um fim na cadeia de produção 
(destinatário econômico). 
 
 
 
 
 
105 
Em outros termos, não pode adquiri-lo para revenda ou para uso profissional, pois o bem seria 
novamente um instrumento de produção. O produto ou serviço deve ter uso estritamente “pessoal”, 
para atender a uma necessidade própria. 
Resumindo, o ciclo econômico encerra na pessoa do consumidor adquirente. 
 
Teoria maximalista: 
Para essa corrente, o art. 2º do CDC deve ter uma interpretação mais extensa possível, com uma 
definição objetiva. 
Destinatário final seria o destinatário fático do produto, aquele que o retira do mercado e utiliza, não 
importa se com fim de lucro ou não. Com a entrada do CC/2002 essa corrente perdeu a sua força. 
 
FINALISTA MAXIMALISTA 
Conceito econômico de consumidor. Conceito jurídico de consumidor. 
Conceito subjetivo. Conceito objetivo. 
Destinatário fático e econômico. Destinatário fático. 
 
O que entendeu a jurisprudência em relação à extensão do conceito de consumidor? 
Interpretando a expressão “destinatário final”, constante do art. 2º do CDC, o STJ aderiu à teoria finalista 
como aquela que indica a melhor diretriz para interpretação do conceito de consumidor. 
Mas calma, o STJ fez uma mitigação a essa teoria, o que a doutrina nominou teoria finalista 
aprofundada, abrandada ou mitigada. Isso porque, admite-se a mitigação da teoria finalista para 
autorizar a incidência do CDC nas hipóteses em quea parte, embora não seja destinatária final do 
produto ou do serviço, apresente-se em situação de vulnerabilidade (STJ, REsp 476428 SC). 
Assim, em determinados casos, a pessoa adquirente de um produto ou serviço pode ser equiparada a 
consumidor, por apresentar vulnerabilidade frente ao fornecedor, que constitui o princípio motor da 
política nacional das relações de consumo. 
 
O que é vulnerabilidade? 
Vulnerabilidade é uma situação permanente ou transitória, individual ou coletiva, que fragiliza, 
enfraquece o sujeito de direitos, desequilibrando a relação de consumo. 
 
Formas de tornar o consumidor vulnerável: 
A doutrina tradicionalmente aponta três tipos de vulnerabilidade 
 
 
 
 
 
106 
a) Técnica: ausência de conhecimento específico acerca do produto ou serviço objeto de consumo. 
b) Jurídica: falta de conhecimento jurídico, contábil ou econômico e de seus reflexos na relação de 
consumo. 
c) Fática: situações em que a insuficiência econômica, física ou até mesmo psicológica do consumidor 
o coloca em pé de desigualdade frente ao fornecedor. 
 
O STJ entende que há uma quarta modalidade intrínseca ao consumidor: a vulnerabilidade 
informacional: dados insuficientes sobre o produto ou serviço capazes de influenciar no processo 
decisório da compra. 
 
MPE-GO (BANCA PRÓPRIA), 2019 - Adaptada: O Superior Tribunal de Justiça não admite a mitigação 
da teoria finalista para autorizar a incidência do Código de Defesa do Consumidor nas hipóteses em 
que a parte (pessoa física ou jurídica), apesar de não ser destinatária final do produto ou serviço, 
apresenta-se em situação de vulnerabilidade. 
Errado. 
CESPE, BRB, 2010: A condição de consumidor exige a destinação final fática e econômica do bem ou do 
serviço, mas a presunção de vulnerabilidade do consumidor dá margem à incidência excepcional do 
Código de Defesa do Consumidor (CDC) às atividades empresariais. Assim, o CDC não incidirá quando o 
fornecedor comprovar a não vulnerabilidade do consumidor pessoa jurídica. 
Certo. 
 
STJ: “A despeito da identificação das espécies de vulnerabilidade, a casuística poderá apresentar novas 
formas de vulnerabilidade aptas a atrair a incidência do CDC à relação de consumo.” (REsp, 1195642) 
 
Resumindo: Desde que comprovada a sua vulnerabilidade, o consumidor intermediário poderá 
recorrer ao CDC em suas relações comerciais. 
 
CESPE, TJ-PA, 2012 -Adapatada: O CDC prevê que se considere consumidor quem adquire produto 
como intermediário do ciclo de produção. 
Errada. 
A questão é errada pois não há menção sobre a vulnerabilidade. O consumidor intermediário somente 
poderá ser considerado consumidor se provar a presença de alguma vulnerabilidade. 
 
 
 
 
 
107 
 
Caso concreto: João ajuizou ação contra o Itaú Unibanco alegando que é acionista investidor da 
instituição financeira e que deveria ter recebido dividendos correspondentes às suas ações 
preferenciais e que eles não foram pagos pelo banco. Afirmou que se trata de relação de consumo e 
que, portanto, deveria ser aplicado o CDC. 
O STJ não concordou com a tese. 
De acordo com a teoria finalista ou subjetiva, adotada pelo STJ, o conceito de consumidor, para efeito 
de incidência das normas protetivas do CDC, leva em consideração a condição de destinatário final do 
produto ou serviço, nos termos do art. 2º do código. 
Assim, segundo a teoria subjetiva ou finalista, destinatário final é aquele que ultima a atividade 
econômica, isto é, que retira de circulação do mercado o bem ou o serviço para consumi-lo, suprindo 
uma necessidade ou satisfação própria. 
O investidor, ao adquirir ações no mercado imobiliário visando o recebimento de lucros e dividendos, 
não está abrangido pela proteção do CDC. 
Na atividade de aquisição de ações não é possível identificar nenhuma prestação de serviço por parte 
da instituição financeira, havendo sim uma relação de cunho puramente societário e empresarial. 
Situação diferente ocorreria se a ação envolvesse o serviço de corretagem de valores e título 
mobiliários. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1685098-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 
julgado em 10.03.2020 (Info 671). 
 
Pessoa jurídica de direito público pode ser considerada consumidora? 
SIM, desde que vulneráveis na relação jurídica (esse é o entendimento do STJ lançado no Resp. 
913711). 
 
CESPE, PGE-BA, 2014: As pessoas jurídicas de direito público podem ser consideradas consumidores, 
desde que presente a vulnerabilidade na relação jurídica. 
Certo. 
 
Art. 3° fornecedor é 
- toda pessoa 
- física ou jurídica, 
 
 
 
 
 
108 
- pública ou privada, 
- nacional ou estrangeira, 
- bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, 
construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou 
prestação de serviços. 
 
VUNESP, PGM Marília, 2017: Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional 
ou estrangeira, excepcionando-se os entes despersonalizados. 
Errado. 
CESPE, DPE-AL, 2017: O conceito de fornecedor não abarca as pessoas jurídicas que atuam sem fins 
lucrativos, com caráter beneficente ou filantrópico, ainda que elas desenvolvam, mediante 
remuneração, atividades no mercado de consumo. 
Errado. 
 
RELAÇÃO DE CONSUMO 
Elementos 
subjetivos 
Consumidor e fornecedor 
Elementos objetivos Produto e serviço 
 
CESPE, DPE-TO, 2013: Produtos e serviços são considerados elementos subjetivos da relação de 
consumo desde que tenham valor econômico. 
Errado. 
 
ATENÇÃO! A habitualidade insere-se tanto no conceito de fornecedor de serviços quanto no de 
produtos, para fins de incidência do CDC. 
Em suma, o critério caracterizador é desenvolver atividades tipicamente profissionais, como a 
comercialização, a produção, a importação de produto, indicando também a necessidade de certa 
habitualidade. Ser um fornecedor não é qualidade ligada ao objetivo de lucro. 
Segundo o STJ, as normas do CDC não se aplicam às relações de compra e venda de objeto totalmente 
diferente daquele que não se reveste da natureza do comércio exercido pelo vendedor (STJ, AGA 
150829/DF). 
 
 
 
 
 
 
109 
O que é fornecedor equiparado? 
O Fornecedor equiparado é o terceiro intermediário ou aquele que auxilia na relação de consumo 
principal, a exemplo dos bancos de dados nos serviços de proteção ao crédito. 
 
§ 1° produto é 
- qualquer bem, 
- móvel ou imóvel, 
material ou imaterial. 
§ 2° serviço é 
- qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, 
- mediante remuneração, 
- inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, 
- SALVO as decorrentes das relações de caráter trabalhista. 
 
VUNESP, PGM VALINHOS, 2019: Produto é qualquer coisa fungível ou infungível, desde que móvel. 
Errado. 
 
O §2º fala em “mediante remuneração”, o que dá a entender que não se encaixa os serviços gratuitos. 
O STJ, interpretando o dispositivo, fez um alerta no sentido de que “o serviço pode ser prestado pelo 
fornecedor mediante uma remuneração INDIRETA (REsp. 566468). Assim, só serão excluídos os serviços 
totalmente gratuitos, aceitando-se tanto a remuneração direta quanto a indireta. 
 
VUNESP, PGM VALINHOS, 2019: Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, 
mediante remuneração ou não. 
Errado. 
 
Alguns importantes entendimentos jurisprudenciais: 
 
1) STJ, Súmula 297: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras. 
2) STJ, Súmula 563: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades ABERTAS de 
previdência complementar, não incidindo nos contratos previdenciários celebrados com entidades 
fechadas. 
 
 
 
 
 
110 
3) O art. 3.º, § 2.º, do CDC exige a remuneração do serviço e, nesse caso, estariam excluídos do conceito 
legal os serviços públicos uti universi ou gerais que não são remunerados individualmentepelo usuário. 
Dessa forma, os serviços públicos que NÃO envolvem remuneração específica do usuário, pois são 
custeados por impostos (ex.: escolas e hospitais públicos), ESTÃO EXCLUÍDOS DO CDC. Nesse sentido, o 
STJ decidiu ser inaplicável o CDC aos serviços de saúde prestados por hospitais públicos, tendo em vista 
a ausência de remuneração específica (STJ, 1ª Turma, REsp 493.181/SP). 
 
PUC-PR, PGE-PR, 2015 -Adaptada: A relação entre paciente e hospital público, financiado por receitas 
tributárias e sem remuneração direta do serviço de saúde prestado pelo hospital, é considerada relação 
de consumo. 
Errado. 
 
 4) STJ decidiu que há relação de consumo entre a seguradora e a concessionária de veículos que firmam 
seguro empresarial visando à proteção do patrimônio desta (destinação pessoal) — ainda que com o 
intuito de resguardar veículos utilizados em sua atividade comercial —, desde que o seguro não integre 
os produtos ou serviços oferecidos por esta. STJ. 3ª Turma. REsp 1352419-SP, Rel. Min. Ricardo Villas 
Bôas Cueva, julgado em 19/8/2014 (Info 548). 
5) A franquia é um contrato empresarial e, em razão de sua natureza, não está sujeito às regras 
protetivas previstas no CDC (STJ. 3ª Turma. REsp 1602076-SP). 
6) Súmula n. 602 do STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável aos empreendimentos 
habitacionais promovidos pelas sociedades cooperativas. 
7) Segundo o STJ aplica-se o CDC às Sociedades e Associações sem fins lucrativos quando fornecem 
produtos ou prestam serviços remunerados (REsp 436815 DF). 
8) Súmula n. 608 do STF: Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, 
salvo os administrados por entidades de autogestão. 
9) A cooperativa de crédito integra o sistema financeiro nacional, estando sujeita às normas do CDC (STJ, 
AgRg no Ag 1224838). 
10) Não se aplica o Código de Defesa do Consumidor à relação contratual entre advogados e clientes, a 
qual é regida pelo Estatuto da Advocacia e da OAB - Lei n. 8.906/94 (AgRg nos EDcl no REsp 1474886/PB). 
 
 
 
 
 
 
111 
4. AMOSTRA ECA ESQUEMATIZADO 
 
Obs.: Aqui é só uma amostra de parte do material “Ler a Lei” do ECA esquematizado. O material 
completo só no curso. 
 
Título I 
Das Disposições Preliminares 
 
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. 
 
Doutrina da proteção integral: 
O ECA claramente adotou a proteção integral à criança e ao adolescente, ou seja, não se limita apenas a 
tratar de medidas repressivas contra seus atos infracionais, mas sim reger a matéria de forma ampla, com 
um conjunto de mecanismos jurídicos voltados à tutela da daquelas. 
O dispositivo citado encontra amparo no art. 227 da CF. 
 
Evolução Histórica: 
1) Fase da indiferença absoluta (até século XIV): não existiam normas relacionadas a criança e 
adolescente; 
2) Fase da mera imputação criminal (até século XIX): as leis tinham o único propósito de coibir a prática 
de ilícitos por aquelas pessoas (Ordenações Afonsinas e Filipinas, Código Criminal do Império de 1830, 
Código Penal de 1890); 
3) Fase tutelar, também denominada de Doutrina da Situação Irregular: conferiu ao mundo adulto 
poderes para promover a integração sociofamiliar da criança, com tutela reflexa de seus interesses 
pessoais (Código Mello Mattos de 1927 e Código de Menores de 1979); 
4) Fase da Proteção Integral: em que as leis reconhecem direito se garantias às crianças e adolescentes, 
considerando-as como pessoas em desenvolvimento. Fase em que se insere o ECA. 
 
VUNESP, TJ-MS/JUIZ, 2015 (Adaptada): Com relação à retrospectiva e evolução históricas do tratamento 
jurídico destinado à criança e ao adolescente no ordenamento pátrio, é correto afirmar que: 
Na fase da absoluta indiferença, não havia leis voltadas aos direitos e deveres de crianças e adolescentes. 
Certo. 
 
 
 
 
 
112 
Na fase da proteção integral, regida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, as leis se limitam ao 
reconhecimento de direitos e garantias de crianças e adolescentes, sem intersecção com o direito amplo 
à infância, porque direito social, amparado pelo artigo 6o da Constituição Federal. 
Errado. 
A fase da mera imputação criminal não se insere na evolução histórica do tratamento jurídico concedido 
à criança e ao adolescente no ordenamento jurídico pátrio porque extraída do direito comparado. 
Errado. 
Na fase da mera imputação criminal, regida pelas Ordenações Afonsinas e Filipinas, pelo Código Criminal 
do Império, de 1830, e pelo Código Penal, de 1890, as leis se limitavam à responsabilização criminal de 
maiores de 16 (dezesseis) anos por prática de ato equiparado a crime. 
Errado. 
FCC, DPE-SP, 2013 (Adaptada): Analisando-se os paradigmas legislativos em matéria de infância e 
juventude, pode-se afirmar que antes da edição do Código de Mello Mattos, em 1927, vigorava o modelo 
penal indiferenciado. 
Certo. 
FCC, AL-PB, 2013 (Adaptada): O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no 8.069/90), ao ser editado, 
alterou substancialmente o paradigma legislativo na área da infância e juventude, implementando a 
doutrina da proteção integral, envolvendo Estado, família e sociedade na proteção dos direitos de 
crianças e adolescentes. 
Certo. 
CESPE/CEBRASPE, DPE-ES, 2012: Foi a partir da Proclamação da República que os menores passaram a 
ser detentores dos direitos fundamentais de liberdade. 
Certo. 
CESPE/CEBRASPE, DPE-ES, 2012: O princípio da absoluta prioridade dos direitos das crianças e dos 
adolescentes foi instituído, pela primeira vez, pela CF. 
Certo. 
 
No Brasil: 
 Código de Mello Matos de 1927: Doutrina da situação irregular (menor era tido como um objeto de 
proteção). 
 
 
 
 
 
113 
 Código de Menores de 1979: Doutrina da situação irregular (menor era tido como um objeto de 
proteção). Não havia distinção entre criança e adolescente, ele era endereçado apenas àqueles tidos 
como “menores em situação irregular”. 
 Constituição de 1988: Doutrina da proteção integral (criança e adolescentes sujeito de direitos). 
 Estatuto da Criança e Adolescente - ECA: Doutrina da proteção integral (criança e adolescentes 
sujeito de direitos). 
 
CUIDADO! A doutrina da situação irregular NÃO vigorou até a entrada em vigor do ECA (1990) e sim até 
a CF de 1988. 
 
Detalhe importante: O primeiro diploma internacional voltado para tutela de crianças e adolescentes foi 
a Convenção para a Repressão do Tráfico de Mulheres e Crianças aprovada em 1921. 
 
FCC, TRT6/JUIZ, 2015 (Adaptada): A proibição do trabalho infantil fundamenta-se no princípio da 
proteção integral da criança e do adolescente que, por sua vez, reconhece que a infância é o período de 
vida destinado a atividades lúdicas, à prática de esportes, à convivência familiar e comunitária, ao acesso 
à educação, neste último caso, estendendo-a à profissionalização e para o aprendizado acadêmico, na 
busca de sua formação humana. Esse entendimento somente se consolidou com o advento da 
Constituição Federal de 88 e do Estatuto da Criança e do Adolescente. 
Certo. 
CESPE/CEBRASPE, TJ-SE/JUIZ, 2014 (Adaptada): O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) adota a 
doutrina da situação irregular, cujos fundamentos são a situação de abandono e o desvio de conduta da 
criança ou do adolescente. 
Errado. 
CESPE/CEBRASPE, TJ-RN/JUIZ, 2013 (Adaptada): No que se refere à proteção dos direitos das crianças e 
adolescentes, no texto da CF, foi conferida, pela primeira vez na história brasileira, prioridade absoluta à 
criança, tendo-se afirmado sua proteção como dever da família, da sociedade e do Estado. 
Certo. 
CESPE/CEBRASPE, DPE-ES, 2012: O antigo Código de Menores estabelecia a distinção entre crianças e 
adolescentes. 
Errado. 
 
 
 
 
 
 
114 
 
Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e 
adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. 
 
Critério adotado: cronológicoabsoluto/critério etário. Em outras palavras, apenas a idade é levada em 
consideração nessa classificação. Eventual aquisição de capacidade civil pela emancipação NÃO tem o 
condão de retirar a condição de adolescente para a garantia de seus direitos. 
 
VUNESP, TJ-SP/JUIZ, 2014 (Adaptada): A proteção integral da criança ou adolescente é devida em função 
de sua faixa etária porque o critério adotado pelo legislador foi o cronológico absoluto. 
Certo. 
 
Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre 
dezoito e vinte e um anos de idade. 
 
Ex.: adolescente com 17 anos e 11 meses que pratica ato infracional grave sujeito à medida de 
internação poderá ficar sujeito ao ECA mesmo após atingida a maioridade penal. 
 
Portanto, o primeiro artigo do ECA já nos informa e explica com clareza para quem é destinada essa 
legislação. 
Crianças: pessoas de até 12 anos de idade incompletos. 
Adolescentes: pessoas que têm entre 12 e 18 anos de idade. 
Casos expressos e excepcionais: pessoas que têm entre 18 e 21 anos de idade. 
 
FCC, MPE-MT, 2019 (Adaptada): A Lei n° 8.069/1990 aplica-se às crianças até 12 anos de idade 
incompletos e adolescentes entre 12 e 18 anos de idade, podendo ser aplicada excepcionalmente às 
pessoas entre 18 e 21 anos de idade. 
Certo. 
VUNESP, TJ-AC/JUIZ, 2019 (Adaptada): O Estatuto da Criança e do Adolescente é orientado pelo princípio 
da proteção integral da criança e do adolescente, que tem como marco legal o artigo 227 da Constituição 
Federal. Sob tal ótica, quanto à técnica empregada pelo diploma menorista para definir criança e 
 
 
 
 
 
115 
adolescente, bem como para considerá-los sujeitos de direitos e obrigações frente à família, à sociedade 
e ao Estado, é correto afirmar que de acordo com o artigo 2°, caput, criança é pessoa com até 12 (doze) 
anos incompletos, e adolescente aquela que tiver entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos, adotando-se 
critério cronológico absoluto. 
Certo. 
TJ-MG/JUIZ (BANCA PRÓPRIA), 2018 (Adaptada): Criança, para os efeitos do ECA, é a pessoa que possui 
até 12 (doze) anos de idade completos. Em situações excepcionais, expressas em lei, o Estatuto poderá 
ser aplicado às pessoas entre 18 (dezoito) anos e 21 (vinte um) anos de idade. 
Errado. 
 
Ponto de conexão: 
ECA, Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, 
excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. 
[...] 
§ 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade. 
Ex.: adotando que já tenha completado 18 anos 
Art. 40. O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver sob 
a guarda ou tutela dos adotantes. 
 
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, 
sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, 
todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, 
espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. 
 
Rol meramente exemplificativo (numerus apertus). 
 
Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem 
discriminação de nascimento, situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, 
deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem, condição econômica, ambiente 
social, região e local de moradia ou outra condição que diferencie as pessoas, as famílias ou a 
comunidade em que vivem. (incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art18
 
 
 
 
 
116 
Artigo trata: 
Princípio da proteção integral; 
Princípio da dignidade; 
Princípio da não discriminação. 
 
FCC, ALESE, 2018 (Adaptada): Determinada comunidade entregou a um parlamentar estadual proposta 
de projeto de lei estabelecendo regramento próprio para a criação de crianças e de adolescentes de 
acordo com os princípios que norteiam a citada comunidade. Nesse cenário, não se pode afastar a 
aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente, uma vez que seu regramento se aplica a todas as 
crianças e adolescentes, independentemente da comunidade em que vivam. 
Certo. 
 
DEVO LEMBRAR! Conforme preconizam os artigos 1º, 3º e 100, parágrafo único, inciso II, todos da Lei 
8.069/90 (ECA), a proteção integral é dirigida a todas as crianças e adolescentes, e não somente em casos 
específicos previstos em lei. 
 
CESPE/CEBRASPE, STJ, 2015: O ECA dispõe sobre a proteção social à criança e ao adolescente e, em casos 
específicos previstos em lei, a proteção integral. 
Errado. 
 
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com 
absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao 
esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência 
familiar e comunitária. 
 
Princípio da prioridade absoluta: 
Trata-se de princípio constitucional estabelecido pelo art. 227 da CF10, com previsão no art. 4º e no art. 
100, parágrafo único, II, da Lei n. 8.069/90. Estabelece primazia em favor das crianças e dos adolescentes 
 
10 Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta 
prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao 
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 
2010) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc65.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc65.htm#art2
 
 
 
 
 
117 
em todas as esferas de interesse. Seja no campo judicial, extrajudicial, administrativo, social ou familiar, 
o interesse infanto-juvenil deve preponderar. Não comporta indagações ou ponderações sobre o 
interesse a tutelar em primeiro lugar, já que a escolha foi realizada pela nação por meio do legislador 
constituinte. 
CUIDADO! O artigo trata de direito à educação, mas não o especifica. Já foi cobrado se o ensino superior 
era um desses deveres. 
 
CESPE/CEBRASPE, TJ-PR/JUIZ, 2019 (Adaptada): A atual doutrina da proteção integral, que rege o direito 
da criança e do adolescente, reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direito, devendo o 
Estado, a família e a sociedade lhes assegurar direitos fundamentais. 
Certo. 
 
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: 
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; 
b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; 
c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; 
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à 
juventude. 
 
CESPE/CEBRASPE, MPE-CE, 2020: De acordo com as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente, 
a garantia da prioridade absoluta compreende a primazia de receber proteção e socorro em quaisquer 
circunstâncias. 
Certo. 
VUNESP, TJ-MT, 2018 (Adaptada): No que se refere à garantia da prioridade absoluta, da forma como 
prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, tem-se que esta compreende: preferência na 
formulação e na execução das políticas sociais públicas. 
Certo. 
VUNESP, DPE-MS, 2012 (Adaptada): São vários os princípios extraídos tanto da Constituição Federal 
quanto do Estatuto da Criança e do Adolescente. Dentre eles se destaca o da garantia prioritária, que 
pode ser definido como a prioridadepolíticos e direito eleitoral; 
b) direito penal, processual penal e processual civil; 
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; 
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, 
ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; 
II – que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo 
financeiro; 
III – reservada a LEI COMPLEMENTAR; 
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou 
veto do Presidente da República. 
 
f) Decreto Legislativo e Resolução: 
 
 
 
 
 
12 
DECRETO LEGISLATIVO RESOLUÇÃO 
Casos de COMPETÊNCIA EXCLUSIVA do 
Congresso Nacional. 
Casos de COMPETÊNCIA PRIVATIVA do Congresso 
Nacional, do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. 
Efeitos externos. Efeitos internos, em regra. 
Sendo de competência exclusiva do 
Congresso Nacional, não há sanção pelo 
Presidente. 
 
A promulgação é feita pelo Presidente do 
Senado Federal, que o manda publicar. 
A promulgação é feita pela Mesa da Casa Legislativa que 
as expedir. 
 
Se for resolução da CD, é feita pela Mesa da CD. 
 
Se for resolução do SF, é feita pela Mesa do SF. 
 
Agora, quando se tratar de resolução do Congresso 
Nacional, a promulgação é feita pela Mesa do SF. 
 
g) Sanção e Veto: 
Apenas há sanção e veto nas leis complementares e ordinárias. Não há sanção e veto de emenda 
constitucional. 
Art. 66. 
§ 1º Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, INCONSTITUCIONAL 
ou CONTRÁRIO AO INTERESSE PÚBLICO, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de QUINZE DIAS 
ÚTEIS, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de QUARENTA E OITO HORAS, ao 
PRESIDENTE DO SENADO FEDERAL os motivos do veto. 
 
A sanção e veto é de competência privativa do chefe do Poder Executivo. Não há possibilidade de 
delegação nesse caso. Veja: 
CRUZADINHA: 
Há atribuições PRIVATIVAS do Presidente da República que são DELEGÁVEIS aos MINISTROS DE 
ESTADO, PGR e AGU. São elas: 
Art. 84. (...) 
VI - dispor, mediante decreto, sobre: 
 
 
 
 
 
13 
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa 
nem criação ou extinção de órgãos públicos; 
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; 
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei; 
XXV - prover (e extinguir) os cargos públicos federais, na forma da lei. 
 
O silêncio importa sanção. Portanto, EXISTE SANÇÃO TÁCITA. Todavia, NÃO EXISTE VETO TÁTICO. 
 
O veto parcial somente abrange texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. 
 
A sanção de projeto de lei iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo não convalida vício de 
iniciativa. Por essa razão, a Súmula a seguir foi cancelada: 
Súmula 5 do STF: A sanção do projeto supre a falta de iniciativa do Poder Executivo. 
 
Há duas espécies de veto: 
ESPÉCIES DE VETO 
JURÍDICO 
Ocorre quando se veta projeto de lei contrário ao direito. 
Cabe ao Chefe do Poder Executivo esclarecer qual é a contrariedade ao direito. 
POLÍTICO 
Ocorre quando se veta projeto de lei contrário ao interesse público. 
Cabe ao Chefe do Poder Executivo esclarecer qual é a contrariedade ao interesse 
público. 
 
O veto deve ser MOTIVADO. 
 
O veto não é passível de controle de constitucionalidade. Prevalece o entendimento da ADPF 01 – 
Questão de Ordem, na qual se decidiu que as razões do veto, seja ele político ou jurídico, diz respeito 
ao processo legislativo. A apreciação da sua (in)constitucionalidade indicaria violação à tripartição 
dos poderes. 
 
 
 
 
 
 
14 
O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só 
podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. A VOTAÇÃO É 
ABERTA. 
 
COMPILADO JURISPRUDENCIAL 
Súmula vinculante n. 54: A medida provisória não apreciada pelo congresso nacional podia, até a 
Emenda Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, 
mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição. 
 
A Casa Legislativa tem o direito de decidir quando usar o rito de urgência na apreciação dos projetos 
de lei, e o Poder Judiciário não deve interferir nisso por se tratar de matéria interna corporis. 
Precedente: ADPF 971/SP, ADPF 987/SP e ADPF 992/SP, julgados em 29/05/2023 (Info 1096 do STF). 
 
Não é permitida emenda parlamentar em projeto de lei do Executivo se provocar aumento de 
despesa ou não tiver pertinência estrita com a proposta original. Precedente: ADI 6.091/RR, julgado 
em 29/05/2023 (Info 1096 do STF). 
 
Lei de iniciativa parlamentar não pode criar Conselho de Fiscalização Profissional porque se trata de 
uma autarquia federal, que precisa de lei de iniciativa do Chefe do Poder Executivo. Precedente: ADI 
3428/DF, julgado em 01/03/2023 (Info 1084 do STF). 
 
O poder de veto previsto no art. 66, § 1º, da Constituição não pode ser exercido após o decurso do 
prazo constitucional de 15 dias. STF. Plenário. ADPF 893/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do 
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 20/6/2022 (Info 1059). 
 
É constitucional a previsão regimental de rito de urgência para proposições que tramitam na Câmara 
dos Deputados e no Senado Federal, descabendo ao Poder Judiciário examinar concretamente as 
razões que justificam sua adoção. STF. Plenário. ADI 6968/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 
20/4/2022 (Info 1051). 
 
 
 
 
 
 
15 
Não há vício de iniciativa de lei na edição de norma de origem parlamentar que proíba a substituição 
de trabalhador privado em greve por servidor público. Precedente: Info 1049. 
 
As regras do processo legislativo previstas na CF são de observância obrigatória pelos Estados. Desse 
modo, é inconstitucional norma de CE que prevê quórum diferente de 3/5 para emendar à CE. Isso 
porque a CF prevê o quórum de 3/5. Precedente: Info 1043. 
 
As Constituições Estaduais não podem sujeitar outras matérias à lei complementar além daquelas 
previstas na CF. Isso porque o quórum da lei complementar exige mais articulação política, de modo 
que fazer mais exigências de lei complementar do que as contidas na CF em nível estadual provoca 
o um desarranjo democrático-representativo. Precedente: Info 962 do STF. 
 
É possível que Constituição do Estado preveja iniciativa popular para propor emenda à Constituição 
Estadual. A CF não proibiu que isso ocorra. Ademais, a iniciativa popular fortalece os instrumentos 
de participação direta do povo na vida política. Precedente: Info 921 do STF. 
 
O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de conversão de medida provisória quando a 
emenda estiver associada ao tema e à finalidade original da medida provisória. Precedente: Info 
1038. 
 
O artigo 62, § 1º, IV, da CF veda a edição de medidas provisórias sobre matéria já disciplinada em 
projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da 
República. Contudo, se um projeto de lei for sancionado ou vetado pelo Presidente e, no mesmo dia, 
ele editar uma MP sobre a matéria, essa vedação não incide, tendo em vista que não há pendência 
de sanção ou veto. Precedente: Info 1026. 
 
Em respeito ao princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal, 
quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo 
legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação 
do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das Casas Legislativas, por se tratar de 
matéria ‘interna corporis’. Precedente: Info 1021. 
 
 
 
 
 
16 
 
Não é possível republicar uma lei já sancionada, promulgada e publicada para incluir novos vetos,de atendimento da criança e do adolescente em todos os serviços 
prestados pelo Estado. 
Certo. 
 
 
 
 
 
118 
MPE-SC (BANCA PRÓPRIA), 2013: É dever do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a 
efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à 
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária 
da criança e do adolescente, mas, a garantia de prioridade de que fala o artigo 4º do ECA, não inclui a 
preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas. 
Errado. 
 
Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou 
omissão, aos seus direitos fundamentais. 
 
Essa norma vale somente para os pais? 
NÃO. Vale para qualquer pessoa que tenha contato com a criança e adolescente (proteção integral). 
 
Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências 
do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do 
adolescente como pessoas em desenvolvimento. 
 
Critérios de interpretação: 
Fins sociais; 
Exigências do bem comum; 
Direitos e deveres individuais e coletivos; 
Condição peculiar da criança e adolescente como pessoa em desenvolvimento. 
 
FCC, DPE-ES, 2016 (Adaptada): São aspectos que, entre outros, o próprio Estatuto da Criança e do 
Adolescente − ECA expressamente determina sejam observados na interpretação de seus dispositivos: 
Os deveres individuais e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em 
desenvolvimento. 
Certo. 
 
 
	1. PROCESSO LEGISLATIVO
	1.1 Meta 1
	1.2. Material de apoio: Processo Legislativo
	1.2.1. Conceito
	1.2.2. Classificação
	1.2.3. Processo Legislativo Ordinário
	1.2.3.1. Fase introdutória
	1.2.3.2. Fase constitutiva
	1.2.3.3. Fase complementar
	1.2.4 Procedimento Legislativo Sumário
	1.2.5. Lei ordinária e lei complementar
	1.2.6. Processos Legislativos Especiais
	1.2.6.1. Emendas à Constituição
	1.2.6.2. Medidas Provisórias
	1.2.6.3. Leis delegadas
	1.2.6.4. Decretos legislativos
	1.2.6.5. Resoluções
	1.2.7. Processo legislativo nos Estados-membros e Municípios
	1.2.8. Controle judicial do processo legislativo
	2. ATOS ADMINISTRATIVOS
	2.1. Meta 2
	2.2 Material de revisão (RPP): Atos Administrativos
	3. AMOSTRA CDC ESQUEMATIZADO
	4. AMOSTRA ECA ESQUEMATIZADOainda que sob o argumento de que se trata de mera retificação da versão original. Precedente: Info 
1005 do STF. 
 
Se parte de um projeto de lei for vetada pelo Executivo, esse veto irá ser apreciado pelo Legislativo. 
Contudo, o Poder Executivo pode promulgar a parte da lei que foi sancionada. Não há qualquer 
inconstitucionalidade nisso. Precedente: Tema 595. 
 
Lei complementar de iniciativa parlamentar que que contenha regras de caráter nacional sobre a 
aposentadoria de policiais é formalmente constitucional. Isso porque não dispõe sobre servidores da 
União, mas sobre servidores de todos os entes federativos. Além disso, a adoção de requisitos e 
critérios diferenciados em favor dos policiais para a concessão de aposentadoria voluntária é 
materialmente constitucional. Precedente: Info 1027. 
 
Lei de iniciativa parlamentar não pode criar órgão público e tratar sobre organização administrativa. 
Isso porque tal matéria é de iniciativa reservada do chefe do Executivo. Precedente: Info 998. 
 
É constitucional lei de iniciativa parlamentar que cria conselho de representantes da sociedade civil 
com atribuição de fiscalizar ações do Executivo. Precedente: Info 994. 
 
É inconstitucional norma de Constituição Estadual que exija prévia arguição e aprovação da 
Assembleia Legislativa para que o Governador do Estado nomeie os dirigentes das autarquias e 
fundações públicas, os presidentes das empresas de economia mista e assemelhados, os 
interventores de Municípios, bem como os titulares da Defensoria Pública e da Procuradoria-Geral 
do Estado. Precedente: ADI 2167 - Info 980 do STF. 
 
É inconstitucional lei de iniciativa parlamentar que impõe ao DETRAN a publicação de listas de 
veículos sinistrados. Isso porque a lei acaba por criar atribuição a órgão público, que é matéria de 
iniciativa privativa do Chefe do Executivo. Precedente: Info 934 do STF. 
 
 
 
 
 
 
17 
 Lei estadual, de iniciativa parlamentar, que reduza ou isente custas é inconstitucional, porque cabe 
aos órgãos superiores do Poder Judiciário a iniciativa do processo legislativo sobre o tema. 
Precedente: ADI 3629. 
 
A iniciativa de projetos de lei que tratem sobre a organização e o funcionamento dos Tribunais de 
Contas é reservada privativamente ao próprio Tribunal (arts. 73 e 96, II, “b”, da CF/88). É possível que 
haja emendas parlamentares em projetos de lei de iniciativa do Tribunal de Contas, desde que 
respeitados dois requisitos: a) guardem pertinência temática com a proposta original (tratem sobre 
o mesmo assunto); b) não acarretem aumento de despesas. Precedente: Info 818 do STF. 
 
Durante a tramitação de uma medida provisória no Congresso Nacional, os parlamentares poderão 
apresentar emendas, desde que tais emendas tenham pertinência temática com a medida provisória 
que está sendo apreciada. Precedente: Info 803 do STF. 
 
É possível o controle judicial dos pressupostos de relevância e urgência para a edição de medidas 
provisórias, no entanto, esse exame é de domínio estrito, somente havendo a invalidação quando 
demonstrada a inexistência cabal desses requisitos. Precedente: Info 996 do STF. 
 
 É formalmente inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que trata sobre a criação de 
cargos e a estruturação de órgãos da Administração direta e autárquica. A iniciativa para essas 
matérias é reservada ao chefe do Poder Executivo. Precedente: Info 771 do STF. 
 
É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que obrigava que alguns agentes públicos 
estaduais (Magistrados, membros do MP, Deputados, Procuradores do Estado, Defensores Públicos, 
Delegados etc.) apresentassem, anualmente, a declaração de todos os seus bens à ALE. Não pode a 
Assembleia Legislativa outorgar-se a si mesma competência que não encontra previsão na Carta 
Federal. A lei somente seria válida quanto aos servidores do próprio Poder Legislativo que 
administrem ou sejam responsáveis por bens e valores, sendo constitucional que se exija que estes 
apresentem sua declaração de bens à ALE por se tratar de uma forma de controle administrativo 
interno. Precedente: Info 765 do STF. 
 
 
 
 
 
 
18 
É possível que emenda à Constituição Federal proposta por iniciativa parlamentar trate sobre as 
matérias previstas no art. 61, § 1º da CF. Precedente: Info 826 do STF. 
 
 É constitucional lei complementar, de iniciativa parlamentar, que inclui município limítrofe na região 
metropolitana. A iniciativa para esse projeto de lei não é privativa do chefe do Poder Executivo e essa 
inclusão não acarreta aumento de despesa, não violando assim os arts. 61, § 1º e 63, I, da CF/88. 
Precedente: Info 766 do STF. 
 
É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que determinava que todos os órgãos que 
prestassem serviços de atendimento de emergência no Estado deveriam estar unificados em uma 
única central de atendimento telefônico. Precedente: Info 760 do STF. 
 
É inconstitucional lei estadual que estabelece que a remuneração dos Deputados Estaduais será um 
percentual sobre o subsídio dos Deputados Federais. Tal lei viola o princípio da autonomia dos entes 
federativos. Precedente: Info 747 do STF. 
 
A regra da iniciativa privativa do art. 61, § 1º, II, “c” da CF/88 deve ser aplicada no âmbito municipal. 
Precedente: Info 776 do STF. 
 
É possível o controle judicial dos pressupostos de relevância e urgência para a edição de medidas 
provisórias. Entretanto, só há inconstitucionalidade quando for flagrante. Precedente: Info 996. 
 
 Salvo em caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos requisitos 
de relevância e urgência da MP. Precedente: Info 764 do STF. 
 
 É inconstitucional medida provisória ou lei decorrente de conversão de medida provisória cujo 
conteúdo caracterize reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória anterior rejeitada, 
de eficácia exaurida por decurso do prazo ou que ainda não tenha sido apreciada pelo Congresso 
Nacional. A repetição do conteúdo, sem alterações substanciais, configura reedição. Precedente: Info 
935 do STF. 
 
 
 
 
 
 
19 
 O Presidente não pode desistir da MP. Como qualquer outro ato legislativo, a Medida Provisória é 
passível de ab-rogação mediante diploma de igual ou superior hierarquia. A revogação da MP por 
outra MP apenas suspende a eficácia da norma ab-rogada, que voltará a vigorar pelo tempo que lhe 
reste para apreciação, caso caduque ou seja rejeitada a MP ab-rogante. Precedente: ADI 2984. 
 
 O art. 62, § 6º da CF/88 afirma que “se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e 
cinco dias contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada 
uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as 
demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando”. 
Apesar de o dispositivo falar em “todas as demais deliberações”, o STF entende que ficam 
sobrestadas apenas as votações de projetos de leis ordinárias que versem sobre temas que possam 
ser tratados por medida provisória. 
Desse modo, a Câmara ou o Senado poderão votar normalmente propostas de emenda 
constitucional, projetos de lei complementar, projetos de resolução, projetos de decreto legislativo 
e até mesmo projetos de lei ordinária que tratem sobre um dos assuntos do art. 62, § 1º, da CF/88. 
Precedente: Info 870 do STF. 
 
É possível a edição de medidas provisórias tratando sobre matéria ambiental, desde que veiculando 
normas favoráveis ao meio ambiente. Normas que diminuam a proteção ao meio ambiente 
equilibrado só podem ser editadas por meio de lei formal. Dessa forma, é inconstitucional a edição 
de MP tratando de diminuição ou supressão de unidades de conservação, com consequências 
potencialmente danosas e graves ao ecossistema protegido. A proteção ao meio ambiente é um 
limite material implícitoà edição de medida provisória, ainda que não conste expressamente do 
elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF/88. Precedente: Info 896 do STF. 
 
 
 
 
 
 
20 
1.2. Material de apoio: Processo Legislativo 
 
PROCESSO LEGISLATIVO 
Revisado até 01.11.2023 
Base do resumo: 
Márcio André L. Cavalcante (Dizer o Direito) 
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (material base) 
Pedro Lenza 
Marcelo Novelino 
José Afonso da Silva 
 
1.2.1. Conceito 
 
A expressão “processo legislativo” compreende o conjunto de atos (iniciativa, emenda, votação, sanção 
e veto, promulgação e publicação) realizados pelos órgãos competentes na produção das leis e outras 
espécies normativas indicadas diretamente pela CF (normas primárias). 
 
O processo legislativo configura cláusula pétrea? 
NÃO. Embora disciplinado na CF, o processo legislativo das l 
eis NÃO é cláusula pétrea, podendo ser modificado por EC. 
 
Como caiu em prova: 
FCC, ALE-SE, 2018: O processo legislativo das leis previsto na Constituição da República é cláusula pétrea, 
não podendo ser modificado pelo poder reformador. 
Errado. 
 
1.2.2. Classificação 
A doutrina clássica classifica os processos legislativos, quanto às formas de organização política, em: a) 
autocrático; b) direto; c) indireto ou representativo; d) semidireto. 
 
Autocrático: quando as leis são elaboradas pelo próprio governante, ficando excluída a participação dos 
cidadãos, seja de forma direta ou por meio de seus representantes (indireta). 
 
 
 
 
 
21 
Direto: é aquele em que ocorre discussão e votação das leis pelo próprio povo, diretamente. 
Indireto: no processo legislativo indireto ou representativo, os cidadãos escolhem representantes e lhes 
conferem poderes para a elaboração das espécies normativas que o integram, segundo procedimento 
previsto na CF. 
Semidireto: quando a elaboração legislativa exige a concordância da vontade do órgão representativo e, 
também, da vontade do eleitorado, esta manifestada por meio de referendum (ou referendo) popular. 
 
Qual o adotado no Brasil? 
O Brasil adota o processo legislativo indireto ou representativo. 
 
Quanto ao rito e aos prazos, os processos legislativos poderão ser: 
O processo legislativo ORDINÁRIO destina-se à elaboração das leis ordinárias, caracterizando-se pela 
inexistência de prazos rígidos para conclusão das diversas fases que o compõem. 
O processo legislativo SUMÁRIO segue as mesmas fases do processo ordinário, com a única diferença de 
existirem prazos para que o Congresso Nacional delibere sobre o assunto. 
Os processos legislativos ESPECIAIS seguem rito diferente do estabelecido para a elaboração das leis 
ordinárias, como é o caso, na CF/1988, dos processos especiais de elaboração das emendas à 
Constituição, das leis delegadas, das medidas provisórias, etc. 
 
1.2.3. Processo Legislativo Ordinário 
O processo legislativo ordinário é aquele destinado à elaboração de uma lei ordinária. Desdobra-se em 
três fases: fase introdutória, fase constitutiva e fase complementar. 
 
A fase introdutória resume-se à iniciativa de lei, ato que desencadeia o processo de sua formação. 
A fase constitutiva compreende a discussão e votação do projeto de lei nas duas Casas do Congresso 
Nacional, bem como a manifestação do Chefe do Executivo (sanção ou veto) e, se for o caso, a apreciação 
do veto pelo Congresso Nacional. 
A fase complementar abrange a promulgação e a publicação da lei. 
 
 
 
 
 
 
 
22 
1.2.3.1. Fase introdutória 
Como visto, é a fase que dá início ao processo legislativo, por meio da denominada iniciativa de lei. 
 
Quem pode dar início a um projeto de lei? 
CF, Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da 
Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao 
Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na 
forma e nos casos previstos nesta Constituição 
 
Esquematizando: 
 Qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso 
Nacional; 
 Presidente da República; 
 STF; 
 Tribunais Superiores; 
 Procurador-Geral da República; e 
 Cidadãos. 
 
O TCU possui legitimidade para iniciar algum projeto de lei? 
SIM. Embora a CF não contemple o TCU no rol dos legitimados a iniciativa de leis, formou-se o 
entendimento de que este detém a iniciativa de lei que regule seus cargos, funções e serviços, por força 
do art. 73 da CF. É a própria Corte de Contas quem tem competência reservada para deflagrar o processo 
legislativo que trate sobre essa matéria (arts. 73, 75 e 96 da CF/88). STF. Plenário. ADI 3223/SC, Rel. Min. 
Dias Toffoli, julgado em 6/11/2014 (Info 766). 
 
O legitimado que apresentou um projeto de lei pode desistir dele posteriormente? 
Em tese sim, o que implicará a desistência do prosseguimento da apreciação da respectiva matéria. 
Porém, a desistência não é ato unilateral. O requerimento de retirada poderá ser deferido ou indeferido 
pelas Casas Legislativas. 
 
 
 
 
 
 
 
23 
Espécies de iniciativa 
A iniciativa é dita parlamentar quando outorgada aos membros do CN e extraparlamentar quando 
conferida a órgãos e pessoas não integrantes do Congresso Nacional, ex.: Chefe do Executivo, Tribunais 
etc. 
 
Outras classificações: 
Iniciativa geral: quando outorgada a determinada autoridade ou órgão para apresentação de projeto de 
lei sobre matérias diversas, indeterminadas. Essa iniciativa compete ao Presidente (PR), membros do 
Congresso Nacional, comissões das Casas do Congresso e aos cidadãos (iniciativa popular). 
Obs. Na CF/88 ninguém possui iniciativa geral irrestrita. Devem ser respeitadas as hipóteses de iniciativa 
reservada. 
 
Iniciativa restrita: quando outorgada a determinada autoridade ou órgão para a apresentação de projeto 
de lei sobre matérias especificamente apontadas na CF. 
 
Iniciativa reservada (exclusiva ou privativa): quando só determinado órgão ou entidade tem o poder 
de propor leis sobre certa matéria, só podendo o processo legislativo ser deflagrado por eles, sob pena 
de se configurar vício formal de iniciativa, caracterizador da inconstitucionalidade do referido ato 
normativo. 
São exemplos de iniciativa de lei reservada na CF: 
Do Chefe do Executivo previsto no art. 61, § 1º. 
Do STF, para lei complementar do estatuto da magistratura. 
Do PGR, para a criação ou extinção de cargos e serviços auxiliares. 
Art. 96, II, do STF e tribunais superiores. 
Dos Tribunais de Contas, para a criação e extinção de seus cargos e remunerações 
Do Chefe do Executivo, quanto ao PPA, LDO e LOA, nos termos do art. 165, I, II e III 
 
Iniciativa concorrente: quando pertence, simultaneamente, a mais de um legitimado. 
 
Iniciativa vinculada: A iniciativa é vinculada para designar aquelas situações em que o legitimado é 
obrigado a dar início ao processo legislativo, na forma e prazos estabelecidos na CF. Ex. a iniciativa de 
leis orçamentárias. 
 
 
 
 
 
24 
 
Iniciativa e Casa iniciadora: 
A iniciativa de cada parlamentar ou de comissão é exercida perante sua respectiva casa. Assim, a 
apreciação de projetos de lei de iniciativa dos deputados ou de comissão integrante da Câmara dos 
Deputados terá início nessa Casa Legislativa, atuando o Senado Federal como Casa Revisora. Se a iniciativa 
da lei for de Senador ou de comissão do Senado Federal, esta casa iniciará sua apreciação e a revisão 
caberá à Câmara dos Deputados. 
 
E no caso de iniciativa do Presidente da República e outros órgãos extraparlamentares? 
Nesse caso, a iniciativa do Presidente da República, do STF, dos Tribunais Superiores, do Procurador-Geral 
da República e dos cidadãos (iniciativa popular) será exercida perante a Câmara dos Deputados. 
 
Iniciativa de Comissão Mista do Congresso Nacional: 
Caso a iniciativa seja de Comissão Mista do CongressoNacional, o projeto de lei deverá ser apresentado 
alternadamente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, conforme dispositivo do Regimento 
Comum do Congresso Nacional. 
 
Resumindo: ressalvada a iniciativa de senador ou comissão do Senado Federal ou de comissão mista, 
todas as demais iniciativas previstas no art. 61 são exercidas perante a Câmara dos Deputados. 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, PC-DF, 2013: Terá sempre início na Câmara dos Deputados a votação dos projetos de 
lei de iniciativa popular, das medidas provisórias e dos projetos de lei de iniciativa do presidente da 
República, do STF e dos tribunais superiores. 
Certo. 
VUNESP, PGM-Ribeirão Preto/SP, 2019: Ao tratar sobre as espécies normativas do processo legislativo 
brasileiro, a Constituição expressamente consigna que: 
A) as medidas provisórias, de legitimidade do Chefe do Poder Executivo, publicadas em caso de relevância 
e urgência, terão prazo máximo de vigência de 30 (trinta) dias, prorrogáveis por mais 30 (trinta) dias, e 
poderão versar, inclusive, sobre nacionalidade. 
B) são de iniciativa concorrente do Presidente da República e do Congresso Nacional as leis que fixem ou 
modifiquem os efetivos das forças armadas. 
 
 
 
 
 
25 
C) a Constituição poderá ser emenda mediante iniciativa popular, desde que o projeto seja subscrito por, 
no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído em 5 Estados, com não menos do que 3 décimos por 
cento em cada um deles. 
D) as medidas provisórias terão sua votação iniciada no Senado Federal. 
E) a discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal 
Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados. 
Gab.: “E” 
 
Em caso de iniciativa exclusiva, pode o legitimado ser obrigado a deflagar o processo legislativo? 
NÃO. Tratando-se de projeto de lei de iniciativa privativa não pode o Legislativo assinar-lhe prazo para o 
exercício de tal prerrogativa (ADI 546). 
 
A Sanção presidencial convalida vício de iniciativa? 
NÃO. A sanção presidencial não convalida vício de iniciativa. Trata-se de vício formal insanável, incurável. 
 
Iniciativa popular: 
A iniciativa popular é um dos meios de participação direta do cidadão na vida do Estado, nos atos de 
governo (art. 14). Trata-se de uma iniciativa geral (poderá versar sobre qualquer matéria, ressalvadas as 
de iniciativa reservada de outros legitimados). 
Segundo PEDRO LENZA, “o aludido instituto serve apenas para dar o “start”, ou seja, tão só para deflagrar 
o processo legislativo, sendo que o Parlamento poderá rejeitar o projeto de lei ou, ainda, o que é pior, 
emendá-lo, desnaturando a essência do instituto”. 
 
Qualquer um do povo pode dar início a um projeto legislativo? 
NÃO é bem assim. A CF não outorgou a iniciativa popular a qualquer do povo, mas tão somente ao 
cidadão, isto é, ao detentor da denominada capacidade eleitoral ativa (capacidade de votar), possuidor 
do título eleitoral, no pleno gozo dos direitos políticos. 
 
Exigência constitucional: 
A CF exige a subscrição do projeto por, no mínimo, 
- 1% do eleitorado nacional, 
- distribuído pelo menos por CINCO estados, 
 
 
 
 
 
26 
- com não menos de TRÊS DÉCIMOS por cento dos eleitores de cada um deles (art. 61, §2º). 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2012: O exercício da iniciativa popular de lei se dá pela 
apresentação, à mesa do Congresso Nacional, de projeto subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado 
nacional, distribuído pelo menos por três décimos dos estados. 
Errado. 
 
No âmbito dos estados-membros e do DF, a CF deixou à lei a tarefa de dispor sobre a iniciativa popular 
no processo legislativo (art. 27, §4º e art. 32, §3º). 
A respeito do processo legislativo municipal, estabeleceu a CF a possibilidade de iniciativa popular de 
projetos de lei de interesse específico no município, da cidade ou de bairros, através da manifestação de, 
pelo menos, 5% do eleitorado (art. 29, XIII). 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, PGE-PB, 2008: Os estados e municípios não têm autorização constitucional para 
aceitarem proposta de lei de origem popular. 
Errado. 
 
Defende a doutrina, que o projeto de lei de iniciativa popular deverá circunscrever-se a um só assunto, e 
NÃO poderá ser rejeitado por vício de forma, cabendo à Câmara dos Deputados, por meio de seu órgão 
competente, providenciar à correção de eventuais impropriedades de técnica legislativa ou de redação. 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, PC-DF, 2013: A iniciativa popular de lei pode ser exercida tanto no que tange às leis 
complementares como às leis ordinárias. 
Certo. 
CESPE/CEBRASPE, DPF, 2013: A iniciativa das leis ordinárias cabe a qualquer membro ou comissão da 
Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, bem como ao presidente da 
República, ao STF, aos tribunais superiores, ao procurador-geral da República e aos cidadãos. No que 
tange às leis complementares, a CF não autoriza a iniciativa popular de lei. 
Errado. 
 
 
 
 
 
27 
 
Iniciativa popular de “PEC” é possível? 
Embora tenha doutrina em sentido contrário, prevalece que NÃO é possível. 
Segundo Lenza, “conquanto desejável, o sistema brasileiro não admitiu expressamente a iniciativa 
popular para propostas de emendas à Constituição (PEC). Ao contrário, de modo expresso, o exercício 
do poder constituinte derivado reformador foi direcionado para o rol de legitimados previsto no art. 60, I, 
II e III, da CF/88, consagrando a denominada iniciativa concorrente.” 
 
Como caiu em prova: 
CESPE/CEBRASPE, MPE-ES, 2010: A CF consagrou, em seu texto, a iniciativa popular, sem restrição de 
matérias, para promover proposta de emenda constitucional. 
Errado. 
 
Constituição estadual pode ser emendada por proposta de iniciativa popular? 
SIM. No recente julgamento da ADI 825 (outubro de 2018), o STF decidiu que é constitucional a previsão 
da Constituição do Estado do Amapá que admite a propositura de emendas constitucionais por meio de 
iniciativa popular. Essa hipótese, admitida em diversas constituições estaduais, não está vedada pelo 
princípio da reserva de iniciativa nem pela simetria das cartas estaduais com a Carta Federal. 
No caso, embora a Constituição Federal não autorize proposta de iniciativa popular para emendas ao 
próprio texto, mas apenas para normas infraconstitucionais, não há impedimento para que as 
constituições estaduais prevejam a possibilidade, ampliando a competência constante da Carta 
Federal. Com a participação direta dos cidadãos na democracia, resta fortalecida a soberania popular 
(STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018). 
 
 
 
Como caiu em prova: 
VUNESP, TJ-RS, 2018: A iniciativa popular no processo de reforma da Constituição Federal de 1988 não é 
prevista expressamente pelo texto constitucional, muito embora seja admitida por alguns autores, com 
fundamento em uma interpretação sistemática da Constituição Federal. 
Certo. 
 
 
 
 
 
 
28 
Cabe iniciativa popular de matérias reservadas à iniciativa exclusiva de outros titulares? 
Segundo Lenza, “de modo geral, NÃO se admite a iniciativa popular para matérias em relação às quais 
a Constituição fixou determinado titular para deflagrar o processo legislativo (iniciativa exclusiva ou 
reservada).” 
José Afonso da Silva, expressamente, ao falar sobre a iniciativa popular, observa que se trata de “... 
iniciativa legislativa que ingressa no campo das iniciativas concorrentes. Não se admite iniciativa 
legislativa popular em matéria reservada à iniciativa exclusiva de outros titulares...”. 
 
Iniciativa privativa do Chefe do Executivo 
O art. 61, §1º, da CF, enumera as matérias cuja iniciativa de lei é privativa do Presidente da República. 
§ 1º - São de INICIATIVA PRIVATIVA do PRESIDENTE DA REPÚBLICA as leis que: 
I - fixem ou modifiquem os efetivosdas Forças Armadas; 
II - disponham sobre: 
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento 
de sua remuneração; 
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal 
da administração dos Territórios; 
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e 
aposentadoria; 
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a 
organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Territórios; 
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, 
VI 
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, 
remuneração, reforma e transferência para a reserva. 
 
Esse dispositivo é de observância obrigatória no Estados, DF e municípios? 
SIM. As matérias cuja discussão legislativa depende de iniciativa privativa do Presidente da República, 
devem sujeitar-se à análoga exigência no âmbito dos estados-membros, do DF e dos municípios. 
 
Restringe, inclusive, a atuação do legislador constituinte estadual? 
 
 
 
 
 
29 
SIM. A iniciativa estabelecida no art. 61, §1º da CF restringe, igualmente, a atuação do legislador 
constituinte estadual e a do legislador da Lei Orgânica do município e do DF. Significa dizer, por exemplo, 
que é inconstitucional a disciplina pela Constituição Estadual de matérias incluídas no processo 
legislativo ordinário, na reserva de iniciativa do Poder Executivo. 
 
1É constitucional lei complementar, de iniciativa parlamentar, que inclui município limítrofe na região 
metropolitana. A iniciativa para esse projeto de lei não é privativa do chefe do Poder Executivo e essa 
inclusão não acarreta aumento de despesa, não violando assim os arts. 61, § 1º e 63, I, da CF/88. STF. 
Plenário. ADI 2803/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6.11.2014 (Info 766). 
 
Constitucionalidade de lei estadual que obriga o Poder Executivo a divulgar dados de contratos e obras 
públicas 
É constitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que obriga o Poder Executivo do referido 
Estado-membro a divulgar, na imprensa oficial e na internet, a relação completa de obras atinentes a 
rodovias, portos e aeroportos (STF. Plenário. ADI 2444/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6.11.2014 - 
Info 766). 
A Corte entendeu que não havia qualquer vício formal ou material na referida lei, considerando que foi 
editada em atenção aos princípios da publicidade e da transparência, tendo por objetivo viabilizar a 
fiscalização das contas públicas. 
 
 
 
 
 
 
INICIATIVA DE LEI QUE DISPONHA SOBRE SERVIDORES PÚBLICOS 
 
A iniciativa de leis que tratam sobre regime jurídico de servidores é do chefe do Poder Executivo 
O STF julgou inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que dispunha sobre a carga horária 
diária e semanal de cirurgiões-dentistas nos centros odontológicos do referido Estado-membro. Houve 
 
1 CAVALCANTE. Márcio André Lopes. Dizer o direito. Extraído do sítio: http://www.dizerodireito.com.br/ 
 
 
 
 
 
30 
inconstitucionalidade formal já que o projeto de lei, que trata sobre servidores públicos, foi iniciado 
por um Deputado Estadual (e não pelo Governador do Estado). O art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88 prevê 
que compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e deveres dos 
servidores públicos. Essa regra também é aplicada no âmbito estadual por força do princípio da 
simetria. O fato de o Governador do Estado ter sancionado o projeto de lei não faz com que o vício de 
iniciativa seja sanado (corrigido). A Súmula 5 do STF há muitos anos foi cancelada (STF. Plenário. ADI 
3627/AP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 6.11.2014 - Info 766). 
 
É inconstitucional Lei Orgânica Municipal que disponha sobre o regime jurídico dos servidores públicos 
(seus direitos e deveres). O art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88 prevê que compete ao Chefe do Poder 
Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e deveres dos servidores públicos e sobre o 
regime jurídico dos militares. Essa regra também é aplicada no âmbito municipal por força do princípio 
da simetria (STF. Plenário. RE 590829/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5.3/2015 - Info 776). 
 
Outros julgados declarados INCONSTITUCIONAIS sobre iniciativa para projetos sobre servidores: 
 
Lei estadual, de iniciativa parlamentar, que concede anistia a servidores públicos punidos em virtude 
de participação em movimentos reivindicatórios. Existe um vício formal. Isso porque a CF/88 prevê que 
compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e deveres dos 
servidores públicos ( art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88) (STF. Plenário. ADI 1440/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, 
julgado em 15/10/2014. Info 763); 
Lei Estadual, de iniciativa parlamentar, que impunha obrigação ao Procurador do Estado de ajuizar ação 
regressiva contra o servidor causador do dano (STF. Plenário. ADI 3564/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado 
em 13/8/2014. Info 754). 
 
Iniciativa de lei que disponha sobre o regime jurídico dos servidores públicos e militares 
É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que disponha sobre o regime jurídico dos 
servidores públicos e dos miliares estaduais (seus direitos e deveres). O art. 61, § 1º, II, “c” e “f”, da 
CF/88 prevê que compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e 
deveres dos servidores públicos e sobre o regime jurídico dos militares. Essa regra também é aplicada 
no âmbito estadual por força do princípio da simetria. O fato de o Governador do Estado sancionar esse 
 
 
 
 
 
31 
projeto de lei não faz com que o vício de iniciativa seja sanado (corrigido). A Súmula 5 do STF há muitos 
anos foi cancelada. STF. Plenário. ADI 3920/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/2/2015 (Info 
773). 
 
INICIATIVA DE LEI QUE DISPONHA SOBRE ATRIBUIÇÕES DOS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que determinava que todos os órgãos que 
prestassem serviços de atendimento de emergência no Estado deveriam estar unificados em uma única 
central de atendimento telefônico, que teria o número 190. Essa lei trata sobre “estruturação e 
atribuições” de órgãos da administração pública, matéria que é de iniciativa privativa do chefe do Poder 
Executivo (art. 61, § 1º, II, “e”, da CF/88). A correta interpretação que deve ser dada ao art. 61, § 1º, II, 
“e” c/c o art. 84, VI, da CF/88 é a de que a iniciativa para leis que disponham sobre “estruturação e 
atribuições” dos órgãos públicos continua sendo do Poder Executivo, não tendo a EC 32/2001 tido a 
intenção de retirar essa iniciativa privativa. Ao contrário, tais matérias tanto são de interesse precípuo 
do Executivo que podem ser tratadas por meio de Decreto. STF. Plenário. ADI 2443/RS, Rel. Marco 
Aurélio, julgado em 25.9.2014 (Info 760). 
 
É formalmente inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que trata sobre a criação de 
cargos e a estruturação de órgãos da Administração direta e autárquica. A iniciativa para essas matérias 
é reservada ao chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, II, “a”, “c” e “e”, da CF/88). STF. Plenário. ADI 
2940/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11.12.2014 (Info 771). 
 
É INCONSTITUCIONAL emenda à Constituição estadual, de iniciativa parlamentar, que disponha sobre 
o Conselho Estadual de Educação. Isso porque compete ao Governador do Estado a iniciativa de lei ou 
emenda constitucional que trate sobre a organização dos órgãos públicos, dentre os quais se inclui o 
referido Conselho. Aplica-se ao processo legislativo estadual, porforça do princípio da simetria, a regra 
prevista no art. 61, § 1º, II, “e”, da CF/88. STF. Plenário. ADI 2654/AL, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 
13.8.2014 (Info 754). 
 
Criação do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Educação Física e disciplina da eleição de seus 
membros efetivos e suplentes. Lei de iniciativa parlamentar. Inconstitucionalidade formal. Os conselhos 
de fiscalização profissional possuem natureza jurídica de autarquia federal, de forma que somente podem 
 
 
 
 
 
32 
ser criados por lei de iniciativa do presidente da república (artigo 61, § 1º, II, a, da constituição federal). 
[ADI 3.428, rel. min. Luiz Fux, j. 1º-3-2023, P, DJE de 24-4-2023.] 
 
Iniciativa dos tribunais do Poder Judiciário: 
Dispõe a CF que é de iniciativa do STF a lei complementar que disporá sobre o Estatuto da Magistratura 
(art. 93). 
Dispôs, ainda, que compete ao STF, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça a iniciativa de lei 
sobre a alteração do número de membros dos tribunais inferiores; a criação e a extinção de cargos e a 
remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhe forem vinculados, bem como a fixação do 
subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver, a criação e 
extinção de tribunais inferiores; a alteração da organização e da divisão judiciária (art. 96, II). 
Cabe ao Tribunal de Justiça a iniciativa da lei de organização judiciária do respectivo estado (art. 125, 
§1º). 
Segundo o STF, a iniciativa legislativa, no que respeita a criação de sistema de conta única de depósitos 
judiciais e extrajudiciais, cabe ao Poder Judiciário, sendo inconstitucional a deflagração do processo 
legislativo pelo chefe do Executivo. 
 
Iniciativa em matéria tributária: 
Estabelece a CF que são de iniciativa do Presidente da República as leis que disponham sobre organização 
administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoa da administração 
dos Territórios (art. 61, §1º, II, “b”). 
 
Então quer dizer que compete somente ao Presidente a iniciativa em matéria tributária? 
Calma, não é bem assim. Cuidado com a interpretação desse dispositivo. Essa pergunta é uma pegadinha 
muito recorrente em prova. Esse dispositivo constitucional, ao se referir à iniciativa privativa do 
Presidente da República em matéria tributária, aplica-se exclusivamente aos tributos que digam 
respeito aos TERRITÓRIOS FEDERAIS. 
Em qualquer outro caso relativo ao Direito Tributário NÃO HÁ INICIATIVA LEGISLATIVA PRIVATIVA. 
 
Iniciativa da lei de organização do Ministério Público: 
A iniciativa de lei complementar de organização do MPU é concorrente entre o Presidente da República 
e o Procurador-Geral da República. 
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2279182
 
 
 
 
 
33 
Na esfera estadual, a iniciativa da lei complementar de organização do MPE é concorrente entre o 
governador de estado e o Procurador-Geral da Justiça. 
No âmbito do DF, considerando que compete à União organizar e manter o MP local, e que o MP do DF 
é um ramo do Ministério Público da União, a iniciativa de lei complementar de organização do MP do DF 
e Territórios, exercida perante o Congresso Nacional, é concorrente entre o Procurador-Geral da 
República e o Presidente da República. 
Cabe destacar, porém, que a concorrência entre o Procurador-Geral e o Chefe do Executivo não se aplica 
aos Ministérios Públicos que atuam junto aos Tribunais de Contas (art. 130). A organização destes deverá 
ser veiculada por meio de lei ordinária de iniciativa privativa do respectivo TRIBUNAL DE CONTAS. 
ATENÇÃO! Não pode se confundir a iniciativa de lei para a organização do MP com a iniciativa de lei para 
dispor sobre a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, a política remuneratória e os 
planos de carreira respectivos (iniciativa privativa do respectivo MP), tampouco com a iniciativa para 
dispor sobre normas gerais para a organização do MP dos Estados, do DF e dos Territórios, que é 
PRIVATIVA do Presidente da República (art. 61, §1º, II). 
 
Iniciativa das leis de organização dos Tribunais de Contas: 
Como visto, o Tribunal de Contas possui iniciativa privativa para as leis que tratam sobre sua organização 
e funcionamento. 
É inconstitucional lei de iniciativa parlamentar que trate sobre os cargos, a organização e o 
funcionamento do Tribunal de Contas. É a própria Corte de Contas quem tem competência reservada 
para deflagrar o processo legislativo que trate sobre essa matéria (arts. 73, 75 e 96 da CF/88). STF. 
Plenário. ADI 3223/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/11/2014 (Info 766). 
 
Essa prerrogativa do TCU contempla, também, o poder de iniciativa da lei de organização do MP que atua 
junto à Corte de Contas. Ademais, por força do art. 75 da CF, a mesma orientação se aplica aos tribunais 
de contas dos estados e do DF, bem como aos tribunais e conselhos de contas dos municípios onde 
houver. 
 
Pode ser fixado prazo para o exercício de iniciativa reservada? 
NÃO. Não pode o poder legislativo fixar prazo para que o detentor de iniciativa reservada apresente 
projeto de lei sobre respectiva matéria, tampouco o Poder Judiciário pode compelir outro Poder ao 
 
 
 
 
 
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exercício de iniciativa reservada, em face do postulado da separação dos poderes. O STF tem declarado 
a inconstitucionalidade de dispositivos nas CE que fixam prazo para o exercício de iniciativa reservada. 
 
Iniciativa privativa e emenda parlamentar: 
Mesmo nas hipóteses de iniciativa reservada a outros Poderes da República, a apresentação de projeto 
de lei pelo seu detentor não impede, como regra, que os congressistas a ele apresentem emendas. 
 
Esse poder de emenda parlamentar a projeto resultando de iniciativa reservada é ilimitado, absoluto? 
NÃO. Da CF extrai-se a seguinte norma: 
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: 
I — nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 
3º e § 4º; 
Obs.: os §§ 3º e 4º tratam sobre os projetos de lei orçamentária e da LDO; nesses dois casos é possível 
que a emenda parlamentar acarrete aumento de despesas. 
 
Outrossim, consoante entendimento do STF (ADI 5087 MC/DF) é possível que haja emendas 
parlamentares em projetos de lei de iniciativa dos Poderes Executivo e Judiciário, desde que cumpram 
dois requisitos: 
NÃO IMPLIQUEM AUMENTO DE DESPESA nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República 
(ressalvadas as emendas aos projetos orçamentários) e nos projetos sobre organização dos serviços 
administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos tribunais federais e do MP; 
Tenham PERTINÊNCIA TEMÁTICA com a matéria tratada no projeto apresentado. 
STF, ADI 4433/SC, Rel. Min. Rosa Weber, julg. em 18.6.2015. 
 
Para o STF, não basta que tratem da mesma matéria, a pertinência temática deve ser estrita: 
 
Embora possível a apresentação de emendas parlamentares a projetos de iniciativa privativa do chefe 
do Poder Executivo, são inconstitucionais os atos normativos resultantes de alterações que promovem 
aumento de despesa (art. 63, I, CF/88), bem como que não guardem estrita pertinência com o objeto 
da proposta original, ainda que digam respeito à mesma matéria. É inconstitucional — por violar a 
competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional (art. 22, XXIV, 
 
 
 
 
 
35 
CF/88) — norma estadual que dispõe sobre o reconhecimento e a validação de títulos acadêmicos obtidos 
no exterior. STF. Plenário. ADI 6.091/RR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 29/05/2023 (Info 1096). 
 
A sanção ao projeto de lei que possuir algum vício convalida o defeito? 
NÃO. É firme o entendimento do STF de que a sanção do projeto de lei NÃO convalida o defeito de 
emenda parlamentar (NEM DE VÍCIO DE INICIATIVA). 
 
É inconstitucional emenda parlamentarque institua gratificação para servidores públicos em projeto 
de lei de iniciativa do Executivo 
O Governador do Estado enviou um projeto de lei para a ALE tratando sobre servidores públicos 
estaduais e, por meio de uma emenda parlamentar, foi inserida determinada gratificação. O STF 
considerou essa previsão inconstitucional por violar o art. 63, I, da CF/88, que também se aplica na 
esfera estadual. STF. Plenário. ADI 4759 MC/BA, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/2/2014. 
 
Inconstitucionalidade de emendas a Constituições Estaduais iniciadas por parlamentares sobre 
matérias do art. 61 § 1º da CF 
É inconstitucional emenda constitucional que insira na CONSTITUIÇÃO ESTADUAL dispositivo 
determinando a revisão automática da remuneração de servidores públicos estaduais. Isso porque tal 
matéria é prevista no art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88 como sendo de iniciativa privativa do chefe do Poder 
Executivo. STF. Plenário. ADI 3848/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/2/2015 (Info 774). 
Dessa forma, o poder das Assembleias Legislativas de emendar Constituições Estaduais não pode avançar 
sobre temas cuja reserva de iniciativa é do Governador do Estado. 
 
ATENÇÃO! Esse entendimento acima exposto também vale para os casos de emenda à Constituição 
Federal? 
NÃO. Não existe iniciativa privativa (reservada) para propositura de emendas à Constituição Federal. 
Segundo o entendimento da doutrina e da maioria dos Ministros do STF, a posição do Supremo que 
proíbe que emendas constitucionais tratem sobre as matérias do art. 61, § 1º da CF SÓ VALE PARA 
EMENDAS À CONSTITUIÇÃO ESTADUAL. Nesse sentido: Daniel Sarmento2 e Pedro Lenza3 . 
Sobre o tema: 
 
2 www.anadef.org.br0042015/Parecer_Autonomia_DPU_Daniel_Sarmento.pdf 
3 www.conjur.com.br/2015-abr-22/pedro-lenza-subordinacao-defensoria-publica-significa-afrontar-constituicao 
http://www.anadef.org.br0042015/Parecer_Autonomia_DPU_Daniel_Sarmento.pdf
http://www.conjur.com.br/2015-abr-22/pedro-lenza-subordinacao-defensoria-publica-significa-afrontar-constituicao
 
 
 
 
 
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Dizer o Direito4: 
É possível que emenda à Constituição Federal proposta por iniciativa parlamentar trate sobre as 
matérias previstas no art. 61, § 1º da CF/88. 
As regras de reserva de iniciativa fixadas no art. 61, § 1º da CF/88 não são aplicáveis ao processo de 
emenda à Constituição Federal, que é disciplinado em seu art. 60. 
Assim, a EC 74/2013, que conferiu autonomia às Defensorias Públicas da União e do Distrito Federal, não 
viola o art. 61, § 1º, II, alínea "c", da CF/88 nem o princípio da separação dos poderes, mesmo tendo sido 
proposta por iniciativa parlamentar. STF. Plenário. ADI 5296 MC/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 
18/5/2016 (Info 826). 
EC 74/2013 não tratou sobre regime jurídico de servidores públicos: 
Vale ressaltar, ainda, que o assunto veiculado na EC 74/2013 não se enquadra no art. 61, § 1º, II, "c", da 
CF/88 considerando que esta emenda não tratou sobre regime jurídico de servidores públicos da União. 
Ela dispôs sobre a Defensoria Pública como instituição, ou seja, sobre sua autonomia. 
Logo, ainda que fosse acolhida a tese central da ADI, mesmo assim não haveria inconstitucionalidade na 
EC 74/2013 por violação ao art. 61, § 1º, II, "c", da CF/88. 
Não houve violação ao princípio da separação dos Poderes: 
A EC 74/2013, mesmo tendo sido proposta por iniciativa parlamentar, não violou o princípio da separação 
dos Poderes. Isso porque não existe, no âmbito no federal, reserva de iniciativa em se tratando de 
emendas constitucionais. O STF entendeu também que a EC 74/2013 não violou os limites materiais do 
art. 60, § 4º, da CF/88. O Tribunal afirmou que, em diversas oportunidades, já analisou a autonomia das 
Defensorias Públicas estaduais introduzida pela EC 45/2004 no § 2º do art. 134 da CF/88 sem que 
houvesse qualquer indício de inconstitucionalidade. Assim, a concessão de autonomia às Defensorias 
Públicas não viola a ordem constitucional. Pelo contrário, essa medida é importante para o 
aperfeiçoamento do próprio sistema democrático. Isso porque a assistência jurídica aos hipossuficientes 
é direito fundamental como forma de amplo acesso à justiça. Além disso, essa arquitetura institucional 
encontra respaldo em práticas recomendadas pela comunidade jurídica internacional, a exemplo do 
estabelecido na Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos. 
No âmbito estadual, a conclusão é a mesma acima exposta? Os Deputados Estaduais podem apresentar 
emendas constitucionais tratando sobre os assuntos previstos no art. 61, § 1º da CF/88? NÃO. O STF 
entende que se houver uma emenda à Constituição ESTADUAL tratando sobre algum dos assuntos 
listados no art. 61, § 1º, da CF/88 (adaptados, por simetria, ao âmbito estadual), essa emenda deve ser 
 
4 CAVALCANTE. Márcio André Lopes. Dizer o direito. Extraído do sítio: http://www.dizerodireito.com.br/ 
 
 
 
 
 
37 
proposta pelo chefe do Poder Executivo. Assim, é incabível que os Deputados Estaduais proponham uma 
emenda constitucional dispondo sobre o regime jurídico dos servidores públicos, por exemplo (art. 61, § 
1º, II, “c”). Se isso fosse permitido, seria uma forma de burlar a regra do art. 61, § 1º, da CF/88. Em suma, 
“matéria restrita à iniciativa do Poder Executivo não pode ser regulada por emenda constitucional de 
origem parlamentar” (STF. Plenário. ADI 2.966, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgado em 06/04/2005). 
Dessa forma, o poder das Assembleias Legislativas de emendar Constituições Estaduais não pode avançar 
sobre temas cuja reserva de iniciativa é do Governador do Estado. 
Por que existe essa diferença de tratamento entre emenda à Constituição Federal e emenda à 
Constituição Estadual? O poder constituinte estadual não é originário. É poder constituído, cercado por 
limites mais rígidos do que o poder constituinte federal. A regra da simetria é um exemplo dessa limitação. 
Por essa razão, as Assembleias Legislativas se submetem a limites mais rigorosos quando pretendem 
emendar as Constituições Estaduais. Assim, se os Deputados Estaduais apresentam emenda à 
Constituição Estadual tratando sobre os assuntos do art. 61, § 1º, da CF/88 eles estão, em última análise, 
violando a própria regra da Constituição Federal. 
 
1.2.3.2. Fase constitutiva 
A fase constitutiva compreende duas atuações distintas: 
 Discussão do projeto de lei nas duas casas do Congresso Nacional; 
 Manifestação do Chefe do Poder Executivo, por meio de SANÇÃO ou VETO, caso o projeto venha a 
ser aprovado nas casas do legislativo; 
 
Caso haja VETO do Chefe do Poder Executivo, tem-se, ainda, a obrigatória apreciação do veto pelo 
Congresso Nacional. 
 
Atuação prévia das comissões: 
Apresentado o projeto de lei ao Congresso Nacional, começa a fase de discussão de suas proposições. Em 
regra, o projeto, tanto na Casa Legislativa iniciadora quanto na Casa Revisora, é submetido à apreciação 
de duas comissões distintas, uma delas encarregada de examinar aspectos materiais (comissão temática 
ou técnica), e a outra incumbida de analisar os aspectos formais, ligados à sua constitucionalidade 
(Comissão de Constituição e Justiça). 
Caberá as comissões temáticas a discussão sobre o conteúdo da proposição, da qual poderá resultar a 
apresentação de emendas ou simplesmente a emissão de um parecer, a favor ou contra a aprovação da 
 
 
 
 
 
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matéria. O parecer das comissões temáticas é meramente opinativo, NÃO obriga a deliberação 
plenária. 
O projeto também passará por um exame de natureza formal, de competência da Comissão de 
Constituição e Justiça (CCJ), em que serão verificados os seus aspectos constitucionais, legais, jurídicos, 
regimentais e de técnica legislativa. 
Ao contrário dos pareceres das comissões temáticas, o parecer da CCJ é terminativo, e não meramente 
opinativo.

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