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1 2 Prezados(a), você está interessado(a) em estudar para o cargo de Procurador da ALETO, porém, não sabe por onde começar ou por qual material estudar? O Ponto a Ponto tem um método de estudo e materiais consagrados no mercado de Advocacia Pública, com milhares de aprovações desde 2018. Esse gama de conteúdo pode ser o diferencial para sua aprovação e lhe ajudar nessa preparação até a prova. Preparamos uma gestão de estudo bem completa para esse certame da Procurador Legislativo do Tocantins, com cronogramas de metas semanais até a véspera da Prova. 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Conceito .................................................................................................................. 20 1.2.2. Classificação ............................................................................................................ 20 1.2.3. Processo Legislativo Ordinário ................................................................................. 21 1.2.3.1. Fase introdutória .............................................................................................. 22 1.2.3.2. Fase constitutiva .............................................................................................. 37 1.2.3.3. Fase complementar .......................................................................................... 43 1.2.4 Procedimento Legislativo Sumário ............................................................................ 45 1.2.5. Lei ordinária e lei complementar ............................................................................. 47 1.2.6. Processos Legislativos Especiais ............................................................................... 48 1.2.6.1. Emendas à Constituição ................................................................................... 48 1.2.6.2. Medidas Provisórias ......................................................................................... 51 1.2.6.3. Leis delegadas .................................................................................................. 65 1.2.6.4. Decretos legislativos......................................................................................... 66 1.2.6.5. Resoluções ....................................................................................................... 67 1.2.7. Processo legislativo nos Estados-membros e Municípios ......................................... 68 1.2.8. Controle judicial do processo legislativo .................................................................. 69 2. ATOS ADMINISTRATIVOS ....................................................................................................... 71 2.1. Meta 2 ............................................................................................................................ 71 2.2 Material de revisão (RPP): Atos Administrativos ............................................................... 85 3. AMOSTRA CDC ESQUEMATIZADO........................................................................................ 103 4. AMOSTRA ECA ESQUEMATIZADO ........................................................................................ 111 5 1. PROCESSO LEGISLATIVO 1.1 Meta 1 PODER LEGISLATIVO: PROCESSO LEGISLATIVO PONTO DO EDITAL: 7. Poder Legislativo. (...) Processo legislativo. Iniciativa das leis. Emendas parlamentares. Discussão e votação. Sanção e veto. Promulgação e Publicação. Espécies legislativas: emendas constitucionais, leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, decretos legislativos e resoluções. Medidas Provisórias. Processo legislativo. ATUALIZADO ATÉ NOVEMBRO/2023. PASSO A PASSO Ler o assunto pelo material do curso. Ler os seguintes artigos da Constituição Federal: 59 a 69. Ler o compilado jurisprudencial abaixo. Fazer 30 questões sobre o assunto no site www.qconcursos.com, utilizando o seguinte filtro: BANCA FGV DISCIPLINA DIREITO CONSTITUCIONAL ASSUNTO 15 PROCESSO LEGISLATIVO NÍVEL SUPERIOR MODALIDADE MÚLTIPLA-ESCOLHA O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE O ASSUNTO a) Noções Gerais: O processo legislativo é o procedimento adotado para elaboração das seguintes espécies normativas: 1. Emendas à Constituição. 2. Leis Complementares. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm http://www.qconcursos.com/ 6 3. Leis Ordinárias. 4. Leis Delegadas. 5. Medidas Provisórias. 6. Decretos Legislativos. 7. Resoluções. b) Emendas Constitucionais: LEGITIMIDADE OU LIMITAÇÃO FORMAL 1/3, no mínimo, dos membros da Câmara ou do Senado. Presidente da República. Mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. PROCESSAMENTO OU LIMITAÇÃO FORMAL Votação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos. Aprovação, em ambos os turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros. Promulgação pelas Mesas da Câmara e do Senado, com o respectivo número de ordem. CLÁUSULA PÉTREAS OU LIMITAÇÃO MATERIAL Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - forma federativa de Estado; II - voto direto, secreto, universal e periódico; III - separação dos Poderes; IV - direitos e garantias individuais. LIMITAÇÃO CIRCUNSTANCIAL A CF não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. Observação: A Emenda Constitucional pode tramitar durante tais circunstâncias. O que não pode ocorrer é a emenda à CF. Grave: Tramitação da emenda é possível. Efetivação da emenda não é possível. IRREPETIBILIDADE ABSOLUTA A proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não poderá ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. Observação: A irrepetibilidade das emendas e das medidasSignifica dizer que, se o projeto receber parecer negativo da CCJ, será ele rejeitado e arquivado, salvo provimento de recurso a ser apreciado preliminarmente pelo Plenário, nos termos regimentais. Deliberação plenária: Na Casa Legislativa, o projeto em votação será aprovado por maioria simples ou relativa (art. 47), se se tratar de lei ordinária, ou por maioria absoluta, caso se trate de lei complementar, seguindo o trâmite a seguir examinado. Na casa iniciadora, o projeto poderá ser aprovado ou rejeitado. Caso ocorra sua aprovação, será encaminhado à outra casa para revisão. Se rejeitado, será arquivado, aplicando-lhe o princípio da irrepetibilidade. Mas o que é o princípio da irrepetibilidade? Uma vez rejeitada, a respectiva matéria somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional (art. 67). Na Casa Revisora, após a tramitação regimental, uma destas três hipóteses pode ocorrer: o projeto ser aprovado como foi recebido da Casa iniciadora, ser aprovado com emendas ou ser rejeitado. Na hipótese de aprovação sem emendas, o projeto será encaminhado ao Chefe do Executivo para sanção ou veto. Na hipótese de rejeição, o projeto será arquivado, sendo aplicado o princípio da irrepetibilidade. Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. Como caiu em prova: 39 CESPE/CEBRASPE, PROCURADOR DE CONTAS-BA, 2010: Se um projeto de lei for rejeitado em uma das casas do Congresso Nacional, a matéria dele constante somente poderá ser objeto de novo projeto, no mesmo ano legislativo, mediante proposta de dois terços dos membros de qualquer das casas legislativas. Errado. IMPORTANTE! Essa irrepetibilidade do art. 67 da CF é RELATIVA, haja vista que, como visto, a matéria poderá constituir objeto de novo projeto (mediante proposta da maioria absoluta). Na hipótese de aprovação com emendas, o projeto voltará à Casa iniciadora, para que esta aprecie exclusivamente as emendas. Se as emendas forem aceitas, o projeto com as emendas aprovadas é enviado ao Chefe do Executivo, para sanção ou veto. Se rejeitadas, o projeto é enviado sem as emendas para a sanção ou veto do Chefe do Executivo. Há nítida predominância da casa iniciadora sobre os trabalhos da Casa revisora. Em qualquer hipótese, recebido o projeto pelo Chefe do Executivo, ele poderá adotar uma destas três medidas: sancioná-lo EXPRESSAMENTE, sancioná-lo TACITAMENTE ou vetá-lo. Qual o prazo para sanção expressa? Quinze dias ÚTEIS, contados da data do recebimento. O que ocorre com o fim do prazo sem manifestação expressa do Presidente? Ultrapassado os quinze dias úteis sem a manifestação expressa do Presidente da República, ocorrerá a sanção tácita. Nessa hipótese, o Presidente da República disporá do prazo de 48 horas para promulgar a lei resultante da ação tácita. E se o Presidente não promulgar em 48 horas? Caberá ao Presidente do Senado, em igual prazo, a promulgar. Se este não o fizer no prazo estabelecido, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo (art. 66, §7º). Caso de veto expresso: Caso o Presidente da República vete o projeto dentro do prazo constitucional deve comunicar ao Presidente do Senado Federal no prazo de 48 horas os motivos do veto (art. 66, §1º). O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em escrutínio aberto. 40 CF, art. 66, (...) 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 76, de 2013) (...) § 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final. Caso o veto seja mantido, o projeto será arquivado, aplicando-se lhe o princípio da irrepetibilidade. Aprovação definitiva pelas comissões: A CF outorga competência as comissões para discutir e votar o projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do plenário, SALVO se houver recurso de um décimo dos membros da Casa, o que obrigará que o projeto seja levado a plenário (art. 58, §2º, I). Sanção: Sanção é a concordância do Chefe do Poder Executivo com o projeto de lei aprovado pelo Legislativo. A sanção incide sobre o projeto de lei, dando origem ao nascimento da lei, resultado da conjugação das vontades dos Poderes Legislativo e Executivo. É ato de competência privativa do Chefe do Poder Executivo, NÃO existindo hipótese de sanção por parte do Legislativo. A sanção pode ser expressa (aquiescência formal no prazo de 15 dias ÚTEIS) ou tácita (se o PR ficar silente deixando escorrer esse prazo). Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, MPE-ES, 2010: A ausência de sanção pelo chefe do Poder Executivo no prazo constitucional de quinze dias em projeto de lei encaminhado pelo Poder Legislativo faz caducar o projeto, por não existir forma silente de sanção. Errado. Existe a possibilidade lei sem sanção? 41 Em tese SIM. Ocorre quando há rejeição do veto presidencial pelo CN. Nesse caso, não cabe falar em sanção; a matéria é diretamente encaminhada para promulgação e publicação. Art. 66, § 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo. Atos do processo legislativo que não precisam de sanção do Presidente: Destaque-se que os outros atos integrantes do nosso processo legislativo – que não sejam leis ordinárias e complementares – prescindem de sanção, a exemplo das emendas constitucionais, leis delegadas, decretos legislativos e resoluções. Veto: Consiste em manifestação de discordância do Chefe do Executivo com o projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo. Trata-se de um ato formal, sempre escrito, e obrigatoriamente motivado. O veto deve ser exercido no mesmo prazo de sanção, isto é, 15 dias úteis. A prerrogativa do poder de veto presidencial somente pode ser exercida dentro do prazo expressamente previsto na Constituição, não se admitindo exercê-la após a sua expiração. No caso concreto, apenas no dia imediatamente seguinte à expiração do prazo (16º dia), a Presidência da República providenciou a publicação de edição extra do Diário Oficial da União para a divulgação de novo texto legal com a aposição adicional de veto a dispositivo que havia sido sancionado anteriormente. Esse tipo de procedimento não se coaduna com a Constituição Federal, de modo que, ultrapassado o período do art. 66, § 1º, da CF/88, o texto do projeto de lei é, necessariamente, sancionado (art. 66, § 3º) e o poder de veto não pode mais ser exercido. Portanto, a manutenção de veto extemporâneo na forma do art. 66, § 4º, da CF/88 não retira a sua inconstitucionalidade, pois o ato apreciado pelo Congresso Nacional sequer poderia ter sido praticado. Nessa hipótese, caso o Legislativo deseje encerrar a vigência de dispositivo legal por ele aprovado, deve retirá-lo da ordem jurídica por meio da sua revogação. STF. Plenário. ADPF 893/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 20.6.2022 (Info 1059). Existe veto tácito? 42 NÃO. Cuidado para não confundir a CF trata da sanção tácita. Agora, o veto é um ato expresso, e deve sempre resultar de manifestaçãoefetiva do Presidente da República. Em outras palavras, não existe veto tácito, por decurso de prazo, entre nós; o silêncio implica sanção tácita. É possível a retratação do veto após o envio para a Casa Legislativa? NÃO. Uma vez formalizado e comunicado ao Presidente do Senado Federal, não pode o Chefe do Poder Executivo desistir do veto, ou pretender alguma forma de alterá-lo, isto é, o veto é um ato irretratável. Tipos de vetos: O veto poderá resultar de um juízo de reprovação concernente à compatibilidade entre a lei e a Constituição ou de um juízo negativo do conteúdo da lei quanto a sua conveniência aos interesses da coletividade, ou à oportunidade de sua edição, por parte do Presidente da República. No primeiro caso (inconstitucionalidade) estamos diante do veto jurídico, no segundo (contrariedade ao interesse público), do veto político. Ao vetar o projeto por inconstitucionalidade, o Presidente da República desempenha o papel de defensor da CF, exercendo controle PREVENTIVO de constitucionalidade. Pode haver veto parcial? SIM, consoante teor do art. 66, §2º, da CF. Contudo, destaca-se que o poder de veto parcial do Presidente da República não é absoluto ou ilimitado. Sofre ele uma relevante restrição constitucional: somente poderá abranger texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. O veto parcial não pode desnaturar o projeto de lei, tornando ilógico os dispositivos remanescentes ou incompleto o seu conjunto; tampouco pode modificar o espírito do documento aprovado pelo parlamento. Art. 66, § 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. No Brasil, o veto parcial não impede que a parte não vetada do projeto (e, portanto, sancionada) seja promulgada e publicada de imediato, independentemente da apreciação do veto pelo Legislativo. IMPORTANTE! O veto pode incidir sobre o texto apresentado pelo próprio Chefe do Executivo, mesmo que ele não tenha sofrido qualquer modificação durante a tramitação do projeto no Congresso Nacional. 43 O Congresso Nacional pode rejeitar apenas parte do veto presidencial? Sim. Segundo Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, não há vedação constitucional à rejeição parcial do veto, podendo o Congresso Nacional rejeitar apenas parte do veto imposto pelo Presidente da República (superação parcial de veto). Admite-se controle judicial sobre o veto do Presidente? O veto constitui ATO POLÍTICO do Chefe do Poder Executivo. Desse modo, NÃO SE ADMITE O CONTROLE JUDICIAL DAS RAZÕES DO VETO, em homenagem ao postulado da separação de poderes (essa restrição vale tanto para o veto político como para o veto jurídico). Tramitação de projeto por meio de sistema de deliberação remota: A tramitação de projeto de lei por meio de sistema de deliberação remota não viola as normas do processo legislativo. Isso porque o fato de as sessões deliberativas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados terem acontecido por meio virtual não afasta a participação e o acompanhamento da população em geral. Ambas as Casas Legislativas fornecem meios de comunicação de amplo e fácil acesso, em tempo real, em relação ao exercício da atividade legislativa. Ademais, a circunstância de se estar diante de uma pandemia, cujo vírus se revelou altamente contagioso, justifica a prudente opção do Congresso Nacional em prosseguir com suas atividades por meio eletrônico. STF. Plenário. ADI 6442/DF, ADI 6447/DF, ADI 6450/DF e ADI 6525/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13.3.2021 (Info 1009). 1.2.3.3. Fase complementar A fase complementar compreende a promulgação e a publicação da lei. Estas não integram propriamente o processo de elaboração da lei, porque incidem sobre atos que já são leis, desde a sanção ou superação do veto. Promulgação: A promulgação é ato solene que atesta a EXISTÊNCIA da lei, inovando a ordem jurídica. A promulgação incide sobre a lei pronta, com o objetivo de atestar a sua existência, de declarar a sua potencialidade para produzir efeitos. Em suma: a lei nasce com a sanção, mas tem a sua existência declarada pela promulgação. 44 No caso de sanção expressa pelo Presidente da República, a sanção e a promulgação ocorrem ao mesmo tempo. Trata-se de dois atos juridicamente distintos que se perfazem em um mesmo momento. Há no nosso processo legislativo, casos em que a promulgação é ato de competência originária do Poder legislativo. Ex. As emendas constitucionais, por exemplo, serão promulgadas pela mesa da Câmara e do senado. Outros exemplos são os decretos legislativos e as resoluções. LEMBRAR! Sanção nunca poderá ser feita pelo Legislativo, apenas a promulgação, em alguns casos. Publicação: A publicação não é, propriamente, fase de formação da lei, mas sim pressuposto para sua eficácia. A publicação é a exigência necessária para a entrada em vigor da lei, para a produção de seus efeitos. Atualmente, realiza-se pela inserção da Lei no Diário Oficial. PROMULGAÇÃO PUBLICAÇÃO Atesta, autentica a existência de um ato normativo válido, executável e obrigatório (a lei nasce com a sanção). Comunica essa existência aos sujeitos a que esse ato normativo se dirige (eficácia). É possível republicar uma lei já sancionada, promulgada e publicada para incluir novos vetos? NÃO. É inadmissível “novo veto” em lei já promulgada e publicada. Manifestada a aquiescência do Poder Executivo com projeto de lei, pela aposição de sanção, evidencia- se a ocorrência de preclusão entre as etapas do processo legislativo, sendo incabível eventual retratação.STF. Plenário. ADPF 714/DF, ADPF 715/DF e ADPF 718/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13.2.2021 (Info 1005). 45 1.2.4 Procedimento Legislativo Sumário Em termos constitucionais, o processo legislativo sumário não apresenta uma diferenciação de procedimentos em relação ao processo ordinário antes analisado. O que o diferencia do processo legislativo ordinário é, tão somente, a existência de prazos constitucionalmente fixados para que as Casas do Congresso Nacional deliberem sobre o projeto apresentado. No Brasil, o processo legislativo sumário ou de urgência está disciplinado no art. 64, §1º, da CF, que estabelece que o presidente da república poderá solicitar urgência para a apreciação de projetos de sua iniciativa. É necessário que seja de iniciativa privativa do Presidente? NÃO. A CF fala somente em iniciativa, sem restrição. Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, TCE-BA, 2010: O presidente da República só pode solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa, seja privativa, seja concorrente. Certo. Pressupostos para instalação do processo legislativo sumário: Projeto de lei apresentado pelo Chefe do Executivo (não é necessário que a matéria seja de sua iniciativa privativa, basta que o projeto seja por ele apresentado); SOLICITAÇÃO DE URGÊNCIA pelo Chefe do Executivo. Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, ANTAQ, 2014: A Constituição autoriza o presidente da República, o STF, os tribunais superiores e o Procurador-Geral da República a solicitar, ao Congresso Nacional, regime de urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa. Errado. Solicitada a urgência pelo Chefe do Executivo, se a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição, cada qual, sucessivamente, em até 45 dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa (trancamento de pauta), com exceção das que tenham prazo constitucionalmente determinado, até que se ultime a votação. 46 Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, TJDFT, 2013: O presidente da República pode solicitar urgência para a apreciação de projetos de sua iniciativa, hipótese em que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal terão, sucessivamente,quarenta e cinco dias para se manifestar sobre a proposição, sob pena de trancamento da pauta, salvo no que diz respeito às deliberações com prazo constitucional determinado. Certo. Caso o Senado Federal emende o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados, esta Casa deverá apreciar as emendas no prazo máximo de 10 dias, sob pena de ocorrência do sobrestamento das demais deliberações legislativas, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado (art. 64, §2º). Ou seja, totalizando dá 100 dias de tramitação, no máximo. Acreditem, isso já foi objeto de questão objetiva de concurso, em que se afirmava que o trâmite do processo legislativo sumário era de no máximo 100 dias. Portanto, é importante saber os prazos separados (45 + 45 +10 – caso haja emenda) e somados (90 dias sem emenda, e 100 dias com emenda). Recentemente o STF decidiu que a adoção do rito de urgência em proposições legislativas é matéria interna corporis. No caso, foram ajuizadas ADPFs em razão da tramitação legislativa ter sido muito rápida (em 04 dias). A adoção do rito de urgência em proposições legislativas é prerrogativa regimental atribuída à respectiva Casa Legislativa e consiste em matéria “interna corporis”, de modo que não cabe ao Poder Judiciário qualquer interferência, sob pena de violação ao princípio de separação dos Poderes (art. 2º, CF/88). STF. Plenário. ADPF 971/SP, ADPF 987/SP e ADPF 992/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 29/05/2023 (Info 1096). O processo legislativo sumário aplica-se a projetos de códigos? NÃO. A CF determina que o processo legislativo sumário (ou de urgência) NÃO pode ser aplicado aos projetos de códigos. 47 1.2.5. Lei ordinária e lei complementar A lei ordinária (LO) é ato legislativo típico, primário e geral. A lei complementar (LC) tem a mesma iniciativa da lei ordinária, mas sua aprovação dar-se-á por maioria absoluta, ao contrário da lei ordinária, que é aprovada por maioria simples ou relativa. Os demais procedimentos da LC sujeitam-se as mesmas regras constitucionais do processo legislativo comum, aplicável as leis ordinárias. A própria CF estabelece os temas cujo regramento deve ser feito por LC. São duas, portanto, as diferenças entre lei complementar e lei ordinária: a) a LC disciplina matérias especificamente a ela reservadas pela CF; b) o quórum de aprovação. Assim, a lei ordinária que disponha sobre matéria reservada a LC estará usurpando competência fixada na CF, incidindo no vício de inconstitucionalidade. De igual modo, os tratados internacionais que se tenham incorporado ao nosso ordenamento jurídico com o status de lei ordinária não podem disciplinar matéria reservada constitucionalmente a LC. LEMBRAR! LO anterior a CF que regulamenta matéria reservada a LC, desde que em vigor no momento de promulgação da nova CF e materialmente compatível com ela, foram recepcionadas com o status de lei complementar. Trata-se do juízo de recepção da norma pré-constitucional, exemplo: CTN. Constituição estadual pode exigir lei complementar para tratar de matérias distintas das que a Constituição Federal exigiu lei complementar? NÃO. O STF em julgado recente definiu que a Constituição estadual só pode exigir lei complementar para tratar das matérias que a Constituição Federal também exigiu lei complementar. A Constituição Estadual não pode ampliar as hipóteses de reserva de lei complementar, ou seja, não pode criar outras hipóteses em que é exigida lei complementar, além daquelas que já são previstas na Constituição Federal. Se a Constituição Estadual amplia o rol de matérias que deve ser tratada por meio de lei complementar, isso restringe indevidamente o “arranjo democrático-representativo desenhado pela Constituição Federal”. Caso concreto: STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da CE/SC que exigia a edição de lei complementar para dispor sobre: a) regime jurídico único dos servidores estaduais; b) organização da Polícia Militar; c) organização do sistema estadual de educação e d) plebiscito e referendo. Esses 48 dispositivos foram declarados inconstitucionais porque a CF/88 não exige lei complementar para disciplinar tais assuntos. STF. Plenário. ADI 5003/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 5/12/2019 (Info 962). Existe hierarquia entre LO e LC? NÃO. Inclusive, entende o STF que LO pode revogar LC que trata de matéria ordinária, justamente por inexistir hierarquia entre lei complementar e lei ordinária. Precedentes: RE 457.884-AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 21.02.2006, DJ de 17.03.2006; RE 419.629, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 23.05.2006, DJ de 30.06.2006; AI 637.299-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, j. 18.09.2007, DJ de 05.10.2007. Cf., também, Inf. 459/STF. Segundo o STF, quando ocorre conflito aparente entre uma LO e uma LC, este NÃO se resolve por critérios hierárquicos, mas sim constitucionais, tendo em conta a materialidade própria a cada uma dessas espécies normativas. É dizer, se uma LO pretende alterar uma LC que tenha regulado matéria constitucionalmente reservada à LC, será inválida a LO, mas NÃO por ter desrespeitado uma pretensa hierarquia da LC, e sim por haver invadido matéria constitucionalmente reservada à LC. Diversamente, se uma LC disciplinou matéria que não estava constitucionalmente reservada à LC, isto é, poderia ser simplesmente tratada por meio de LO, essa LC será considerada, materialmente LO, e poderá ser alterada ou revogada por qualquer LO. A votação e aprovação de lei complementar em contexto a exigir apenas o rito de lei ordinária não configura vício formal, porquanto é satisfeito, e suplantado, o requisito da maioria simples. A lei complementar inexigível deve ser tratada como lei ordinária. [ADI 2.926, rel. min. Nunes Marques, j. 18-3-2023, P, DJE de 22-5-2023.] 1.2.6. Processos Legislativos Especiais Os processos legislativos especiais são aqueles aplicáveis à elaboração das demais espécies legislativas, que fogem às regras fixadas para o processo legislativo das leis ordinárias e complementares. 1.2.6.1. Emendas à Constituição O processo legislativo de aprovação de uma emenda à Constituição está estabelecido no art. 60 da CF, e compreende, em síntese, as seguintes fases: 49 1ª – Apresentação de uma proposta de emenda, por iniciativa de um dos legitimados (art. 60, I a III); 2ª – Discussão e votação em cada Casa do Congresso Nacional, em DOIS TURNOS, considerando-se aprovada quando obtiver, em ambos, TRÊS QUINTOS dos votos dos membros de cada uma delas (art. 60, §2º); A Constituição estadual pode prever quórum diverso de 3/5 dos membros do Poder Legislativo para aprovação de emendas constitucionais? NÃO. É inconstitucional norma de Constituição estadual que preveja quórum diverso de 3/5 dos membros do Poder Legislativo para aprovação de emendas constitucionais A Constituição do Estado de Rondônia estabeleceu que, para a aprovação de emendas à Constituição estadual seria necessário o voto de 2/3 dos Deputados Estaduais. Ocorre que a Constituição Federal diz que, para uma emenda alterar seu texto, é necessário o voto de 3/5 dos Deputados Federais e Senadores (art. 60, § 2º). Logo, a CE/RO não seguiu o modelo previsto na Constituição Federal. As regras básicas do processo legislativo previstas na Constituição Federal são de observância obrigatória pelos Estados-membros por força do princípio da simetria (art. 25 da CF/88 c/c o art. 11 do ADCT). STF. Plenário. ADI 6453/RO, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11.2.2022 (Info 1043). A Constituição fixou intervalo mínimo entre um turno e outro de votação de emendas constitucionais? NÃO. Cite-se do STF: “A Constituição Federal de 1988 NÃO fixou um intervalo temporal mínimo entre os dois turnos de votação para fins de aprovação de emendas à Constituição (CF, art. 60, § 2º), de sorte que inexiste parâmetroobjetivo que oriente o exame judicial do grau de solidez da vontade política de reformar a Lei Maior. A interferência judicial no âmago do processo político, verdadeiro locus da atuação típica dos agentes do Poder Legislativo, tem de gozar de lastro forte e categórico no que prevê o texto da CF.” (ADI 4.425, rel. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgamento em 14-3-2013, Plenário, DJEde 19-12-2013.) 3ª – Sendo aprovada, será PROMULGADA pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem (art. 60, §3º). 4ª – Caso a proposta seja REJEITADA ou havida por prejudicada, será arquivada, não podendo a matéria dela constante ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (art. 60, §5º). http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=5067184 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=5067184 50 “Cláusulas pétreas” O poder constituinte originário estabeleceu limitações circunstanciais e materiais ao processo legislativo de Emenda Constitucional, ou seja, são situações em que restou vedada a alteração do texto original. As limitações circunstanciais estão previstas no art. 60, § 1º, da CF, o qual preceitua que a Constituição Federal não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio. Por outro lado, as limitações materiais são as popularmente conhecidas “cláusulas pétreas”, ou seja, trata-se de “núcleo intangível”, previsto no artigo 60, § 4º, da CF, transcrito no abaixo: § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais. § 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. As “cláusulas pétreas” visam garantir a estabilidade das opções feitas pelo poder constituinte originário, assegurando a imutabilidade de certos valores. LIMITAÇÕES FORMAIS Art. 60, I, II, III e §2º, 3º e 5º Regras de iniciativa, quórum de aprovação, promulgação e irrepetibilidade de EC rejeitada LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS Art. 60, §1º Vedação à alteração em situações de anormalidade: intervenção federal, Estado de sítio e de defesa LIMITAÇÕES MATERIAIS Art. 60, §4º Cláusulas Pétreas LIMITAÇÕES TEMPORAIS Sem previsão na CF/88 Trata de Previsão de prazo no qual fica vedado EC Por outro lado, também existem as limitações implícitas no texto constitucional. 51 Sobre o tema, Gilmar Mendes ensina que “as limitações materiais ao poder de reforma não estão exaustivamente enumeradas no art. 60, § 4º, da Carta da República. O que se puder afirmar como ínsito a identidade básica da Constituição ideada pelo constituinte originário deve ser tido como limitação ao poder de emenda, mesmo que não haja sido explicitado no dispositivo”5. Pedro Lenza, por sua vez, faz menção ao que cita Michel Temer sobre o tema “as implícitas são as que dizem respeito à forma de criação de norma constitucional bem como as que impedem a pura e simples supressão dos dispositivos atinentes à intocabilidade dos temas já elencados (art. 60, § 4º, da CF)”. Em síntese, a doutrina costuma citar três “cláusulas pétreas” implícitas: 1) A limitação ao poder de reforma do artigo 60, § 4º, da Constituição Federal. 2) A titularidade do Poder Constituinte Originário e Derivado Reformador. 3) Sistema presidencialista e forma republicana (sobre essa, há divergência doutrinária) 1.2.6.2. Medidas Provisórias As medidas provisórias são atos normativos primários, provisórios e sob condição resolutiva, de caráter excepcional no quadro da separação dos poderes, editados pelo Presidente da República e situado no nosso processo de elaboração legislativa do lado da lei. Estabelece o art. 62 da CF: Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. Apreciação judicial dos pressupostos constitucionais: Segundo o STF, a aferição dos pressupostos de relevância e urgência tem caráter político, ficando sua apreciação, em princípio, por conta do Chefe do Executivo (no momento da adoção da medida) e do Poder Legislativo (no momento da apreciação da medida). Os conceitos de relevância e de urgência a que se refere o art. 62 da CF, como pressupostos para a edição de medidas provisórias, admitem o excepcional controle judiciário. A jurisprudência deste Supremo Tribunal admite o controle de constitucionalidade de medida provisória quando se comprove desvio de finalidade ou abuso da competência normativa do Chefe do Executivo, 5 In Curso de Direito Constitucional, 10ª ed., São Paulo: Saraiva, 2015, pág. 133. 52 pela ausência dos requisitos constitucionais de relevância e urgência. Na espécie, o Presidente da República valeu-se de medida provisória para desconstituir o que deliberado pelo Congresso Nacional e reafirmado na derrubada dos vetos presidenciais às normas alteradas pela Medida Provisória n. 1.135/2022. [ADI 7.232-MC-Ref, rel. min. Cármen Lúcia, j. 10-11-2022, P, DJE de 10-1-2023.] Ademais, a lei de conversão NÃO convalida os vícios existentes na medida provisória, concernentes à eventual inobservância dos requisitos de urgência e relevância, isto é, tais vícios poderão ser objeto de exame pelo Poder Judiciário mesmo depois da conversão da medida provisória em lei. (...) 2. A inconstitucionalidade formal de medida provisória não se convalida com a sua conversão em lei, razão pela qual, conquanto haja perda de objeto relativamente à inconstitucionalidade material, remanesce o interesse de agir no que tange à inconstitucionalidade formal (STF. Plenário. ADI 5599/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23.10.2020) Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, Procurador da Fazenda Nacional, 2023: Os requisitos constitucionais legitimadores da edição de medidas provisórias, vertidos nos conceitos jurídicos indeterminados da relevância e da urgência, submetem-se, apenas em caráter excepcional, ao crivo do Poder Judiciário, em obediência à separação dos Poderes. Certo CESPE/CEBRASPE, Advogado da União, 2023: Os pressupostos da relevância e da urgência para a edição de medidas provisórias constituem elementos de natureza política, não se submetendo ao controle judicial. Errado Limitações materiais Existem limitações constitucionais à sua edição, a seguir examinadas: Art. 62, §1º É VEDADA a edição de medida provisória sobre matéria: I - relativa a: a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; b) direito penal, processual penal e processual civil; 53 c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º (crédito extraordinário); II - que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; III - reservada a lei complementar; IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. É vedada a edição de medida provisória tratando sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e que está pendente de sanção ou veto. Isso é proibido pelo art. 62, § 1º, IV, da CF/88. Assim, se o Presidente da República estiver com um projeto de lei aprovado pelo Congresso na sua “mesa” para análise de sanção ou veto, ele não poderá editar uma MP sobre o mesmo assunto.Por outro lado, nada impede que o Presidente sancione ou vete esse projeto e, no mesmo dia, edite uma medida provisória tratando sobre o mesmo tema. Neste caso, não haverá afronta ao art. 62, § 1º, IV, da CF/88. STF. Plenário. ADI 2601/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19.8.2021 (Info 1026). Além dessas vedações, outros dispositivos constitucionais estabelecem restrições à adoção de medida provisória: Art. 25 (...) § 2º - Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentaçãos Art. 246. É vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre 1º de janeiro de 1995 até a promulgação desta emenda, inclusive. Art. 73 da ADCT- Na regulação do Fundo Social de Emergência não poderá ser utilizado o instrumento previsto no inciso V do Art. 59 da Constituição. Há limitação em matéria orçamentária? 54 SIM. Em se tratando de matéria orçamentária, só é permitida a adoção de medida provisória (MP a partir de agora) para a abertura de crédito extraordinário, para atender as despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. ATENÇÃO! Os direitos individuais e o direito tributário NÃO foram incluídos entre as matérias insuscetíveis de serem tratadas por meio de MP. E em relação à matéria tributária, é possível a edição de MP? SIM. Entende o STF que a medida provisória é aplicável à matéria tributária, desde que preenchidos os requisitos constitucionais de relevância e urgência. (...) já se acha assentado no STF o entendimento de ser legítima a disciplina de matéria de natureza tributária por meio de medida provisória, instrumento a que a Constituição confere força de lei (cf. ADI 1.417 MC).(STF, ADI 1.667 MC, rel. min. Ilmar Galvão, j. 25.9.1997, P, DJ de 21.11.1997) “Embora não haja disposição constitucional expressa nesse sentido, é certo que as matérias de competência privativa do Congresso Nacional (art. 49), da Câmara dos Deputados (art. 51) e do Senado Federal (art. 52) também não podem ser disciplinadas por medidas provisórias, pois todas elas são disciplinadas por atos próprios das respectivas Casas Legislativas (decreto legislativo, no caso do art. 49; resolução nos casos dos arts. 51 e 52)” (Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo). É possível edição de MP em matéria ambiental? Em regra, SIM. Veja que não consta vedação expressa, pelo art. 62, §1º, da CF, à utilização de MP em matéria ambiental. Contudo, recentemente, o STF decidiu que somente é possível edição de MP para normas benéficas ao meio ambiente. Por unanimidade, o Plenário do STF, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4717, decidiu que é inconstitucional a diminuição, por meio de medida provisória, de espaços territoriais especialmente protegidos. Segundo decido, a proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à edição de medida provisória, ainda que não conste expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF. 55 Entendeu o STF, que normas que importem diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado só podem ser editadas por meio de lei formal, com amplo debate parlamentar e participação da sociedade civil e dos órgãos e instituições de proteção ambiental, como forma de assegurar o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. A adoção de medida provisória nessas hipóteses possui evidente potencial de causar prejuízos irreversíveis ao meio ambiente na eventualidade de não ser convertida em lei. Quanto ao aspecto formal, o Tribunal reafirmou a possibilidade, ainda que em caráter excepcional, de declaração de inconstitucionalidade de medidas provisórias quando se afigure evidente o abuso do poder de legislar pelo Chefe do Executivo, em razão da indubitável ausência dos requisitos constitucionais de relevância e urgência. Asseverou que não ficou demonstrado, de forma satisfatória, a presença dos mencionados requisitos. STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/4/2018 (Info 896). Procedimento legislativo: Em caso de urgência e relevância, adotada a medida provisória pelo Presidente da República, esta deve ser submetida, de imediato, ao Congresso Nacional, que terá o PRAZO de 60 dias (prorrogável por mais 60 dias) para apreciá-la, não correndo esses prazos durante os períodos de recesso do Congresso Nacional. No Congresso Nacional as medidas provisórias serão apreciadas por uma comissão mista (meramente opinativo); que apresentará um parecer favorável ou desfavorável à sua conversão em lei. Emitido o parecer, o plenário das Casas Legislativas, iniciando-se pela Câmara dos Deputados, examinará a medida provisória e: Na hipótese de ela ser integralmente CONVERTIDA em lei, o Presidente da Mesa do Congresso Nacional a promulgará, remetendo-a para publicação (observa-se que, nesse caso, não haverá possibilidade de sanção ou veto por parte do Presidente da República, uma vez que a medida provisória foi aprovada exatamente nos termos por ele propostos); Se for integralmente REJEITADA (ou perder sua eficácia por decurso do prazo, em decorrência da não apreciação pelo Congresso Nacional no prazo constitucionalmente estabelecido), a medida provisória será arquivada; o Congresso Nacional baixará ato declarando-a insubsistente e deverá disciplinar, por meio de decreto legislativo, no prazo de 60 dias contados da rejeição ou da perda de eficácia por decurso de prazo, as relações jurídicas dela decorrentes; caso o Congresso Nacional não edite o decreto 56 legislativo no prazo de 60 dias, as relações jurídicas surgidas no período permanecerão regidas pela MP. Caso SEJAM INTRODUZIDAS MODIFICAÇÕES no texto adotado pelo Presidente da República (conversão parcial), a MP será transformada em “projeto de lei de conversão”, e o texto aprovado no Legislativo será encaminhado ao Presidente da República, para que o SANCIONE ou VETE (a partir da transformação da medida provisória em “projeto de lei de conversão”, este segue idêntico trâmite aos projetos de lei em geral; aos dispositivos eventualmente rejeitados aplica-se o descrito na letra “b”, acima). Na hipótese de conversão parcial da MP, será necessária a ulterior manifestação do PR. LEMBRAR! Se ocorrer a conversão integral da MP em lei, sem a introdução de modificações no CN, não há retorno para o chefe do Executivo, para a sanção ou veto. MP INTEGRALMENTE CONVERTIDA EM LEI Não há sanção Promulgada pela mesa do Congresso Nacional MP REJEITADA Será arquivada (e não pode ser proposta na mesma sessão legislativa) Congresso Nacional pode editar decreto legislativo para reger as relações jurídicas existentes durante a vigência da MP MP APROVADA COM MODIFICAÇÕES Segue para sanção ou veto do presidente da república Efeitos da medida provisória sobre a lei pretérita: Com a publicação de determinada medida provisória, a lei ordinária então em vigor com ela incompatível NÃO SERÁ, DE IMEDIATO, REVOGADA. Essa lei terá apenas a sua EFICÁCIA SUSPENSA (permanecerá no ordenamento jurídico, mas sem produzir efeitos), enquanto se aguarda o desfecho da apreciação da medida provisória pelo Congresso Nacional. 57 Ao final, se o Congresso Nacional rejeitar a medida provisória, a lei ordinária que teve a sua eficácia suspensa voltará automaticamente a produzir efeitos; caso a medida provisória seja convertida em lei, esta nova lei (resultante da conversão da medida provisória), aí sim, revogará a lei anterior. Prazo de eficácia: As medidas provisórias têm eficácia pelo prazo de 60 dias, prorrogável uma única vez por igual período, seo prazo não for suficiente. A prorrogação dá-se automaticamente. Não há necessidade de ato do executivo requerendo a prorrogação de prazo. Esses prazos não correm durante os períodos de recesso do Congresso Nacional (18 de julho a 31 de julho e 23 de dezembro a 1º de fevereiro). Desnecessidade de convocação extraordinária Havendo medidas provisórias em vigor na data de convocação extraordinária do Congresso Nacional, serão elas automaticamente incluídas na pauta de convocação (art. 57, §8º). Portanto, temos o seguinte: a edição de medida provisória nos períodos de recesso legislativo não obriga, necessariamente, a convocação extraordinária do congresso nacional; porém, caso o Congresso Nacional seja convocado extraordinariamente, nas hipóteses previstas constitucionalmente (art. 57, §6º), as medidas provisórias em vigor na respectiva data serão automaticamente incluídas na pauta de convocação. Trancamento de pauta: Se a medida provisória não for apreciada em até 45 dias contados de sua publicação, entrará em REGIME DE URGÊNCIA, subsequentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando (art. 62, §6º). IMPORTANTE! Atenção ao termo expresso da lei “todas as demais deliberações legislativas da Casa”. Isso porque, em julgado de 2017, o STF entendeu que, apesar de o dispositivo usar esse termo amplo, na verdade, ficam sobrestadas APENAS as votações de PROJETOS DE LEIS ORDINÁRIAS que versem sobre temas que POSSAM SER TRATADOS POR MEDIDA PROVISÓRIA6, ficando EXCLUÍDAS, em consequência 6 Segundo o § 1º do art. 62 da CF/88, é vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I – relativa a: a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; 58 do bloqueio, as propostas de Emenda à Constituição, os projetos de lei ordinária que veiculem temas pré-excluídos do âmbito de incidência das medidas provisórias. STF. Plenário.MS 27931/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 29.6.2017 (Info 870). ATENÇÃO! Constata-se que a CF estabelece dois prazos em relação ao processo legislativo da Medida Provisória, que não podem ser confundidos: a) prazo para apreciação da medida provisória (conversão em lei ou rejeição); b) prazo para trancamento da pauta da Casa Legislativa em que estiver tramitando. O prazo para apreciação da MP é de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, não computados o período de recesso do CN. O prazo para o trancamento da pauta é de 45 dias corridos, contados da edição da MP, não computados o período de recesso do CN. Trancamento subsequente de pauta: A partir da edição da MP, começa a contagem do prazo, improrrogável, de 45 dias para sua apreciação, sob pena de trancamento de pauta. Se o trancamento ocorrer na Câmara dos Deputados, depois de ela votar a MP (destrancando a sua pauta), a matéria seguirá para o Senado Federal, para que esta Casa a aprecie, hipótese em que a MP já chegará ao Senado Federal trancando a sua pauta de votação, vale dizer, não haverá contagem de um novo prazo de 45 dias no Senado Federal. Casa haja emendas no Senado, ultrapassado o prazo de 45 dias, a matéria retornará para a Câmara, para apreciação das emendas, hipótese em que, novamente, trancará automaticamente a pauta dessa Casa. Perda de eficácia: Caso não sejam convertidas em lei no prazo constitucionalmente estabelecido, as medidas provisórias perderão sua eficácia desde a edição (ex tunc), devendo o Congresso Nacional disciplinar, por meio de b) direito penal, processual penal e processual civil; c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; III – reservada a lei complementar; IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. 59 DECRETO LEGISLATIVO, no prazo de 60 dias contados da rejeição ou da perda de eficácia por decurso de prazo, as relações jurídicas dela decorrentes. Se o Congresso Nacional NÃO editar o decreto legislativo no prazo de 60 dias, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante a vigência da MP permanecerão por ela regidas (art. 62, §11). Nessa situação, teremos uma MP não convertida em lei regulando, em caráter definitivo, com força de lei, as relações jurídicas consolidadas no período em que esteve vigente. IMPORTANTE! O decreto legislativo do CN não disciplinará “o período de vigência da MP”, mas sim, “as relações jurídicas que se constituíram no período da vigência da MP”. As demais relações, caso ainda não tenham se aperfeiçoado, serão regidas pela legislação pretérita, que, com o expurgo retroativo da MP, voltou a produzir eficácia no período. Frise-se, apenas as relações jurídicas CONSTITUÍDAS nesse período é que permanecerão regidas pela MP no caso de omissão do CN. Essa distinção assume relevo, pois, com a rejeição da MP, ela desaparece, sempre, retroativamente, desde a sua edição. Logo, não poderá ser gerada, ulteriormente, nenhuma relação jurídica com fundamento no seu texto, mesmo que a relação jurídica que se pretendesse ver surgida posteriormente a rejeição de MP dissesse respeito a uma situação ocorrida na época em que ela esteve vigente. Apreciação plenária: As medidas provisórias serão apreciadas pelo plenário das duas Casas do Congresso Nacional, separadamente, iniciando-se a votação na Câmara dos Deputados. Porém, antes da apreciação em separado pelas Casas Legislativas, caberá a COMISSÃO MISTA de deputados e senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer favorável ou desfavorável à sua conversão em lei (CF, art. 62, § 5º). O parecer prévio da comissão mista é meramente OPINATIVO, mas essa fase – emissão do parecer por comissão mista de deputados e senadores antes do exame, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casa do Congresso Nacional – é de observância obrigatória no processo constitucional de conversão de medida provisória em lei ordinária. Assim, a substituição do exame da comissão mista por mero parecer do relator implica flagrante inconstitucionalidade formal. 60 "Ação direta de inconstitucionalidade. Lei federal 11.516/2007. Criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. (...) Não emissão de parecer pela Comissão Mista Parlamentar. (...) As comissões mistas e a magnitude das funções das mesmas no processo de conversão de medidas provisórias decorrem da necessidade, imposta pela Constituição, de assegurar uma reflexão mais detida sobre o ato normativo primário emanado pelo Executivo, evitando que a apreciação pelo Plenário seja feita de maneira inopinada, percebendo-se, assim, que o parecer desse colegiado representa, em vez de formalidade desimportante, uma garantia de que o Legislativo fiscalize o exercício atípico da função legiferante pelo Executivo. O art. 6º da Resolução 1 de 2002 do Congresso Nacional, que permite a emissão do parecer por meio de relator nomeado pela Comissão Mista, diretamente ao Plenário da Câmara dos Deputados, é inconstitucional." (ADI 4.029, rel. min. Luiz Fux, julgamento em 8-3-2012, Plenário, DJE de 27-6-2012.) É o que dispõe o § 5º do art. 62 da CF: “§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais”.A votação da medida provisória será iniciada, obrigatoriamente, pela Câmara dos Deputados (Casa iniciadora obrigatória). O exame quanto à presença dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência para a adoção da MP passa a ser matéria preliminar de apreciação obrigatória pelas Casas antes do exame do mérito da MP. Em caso de ausência dos pressupostos, sequer apreciarão o mérito, dando-se por ilegítima a adoção da MP, que será rejeitada. Conversão parcial: Estabelece o art. 62, §12 da CF: § 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter- se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto Esse dispositivo cuida da hipótese de conversão parcial de medida provisória pelo Congresso Nacional, quando a medida provisória adotada pelo Presidente da República é convertida em “projeto de lei de conversão”, em razão de alterações no seu texto original no momento de apreciação pelo Congresso Nacional. Nessa hipótese, assegura o texto constitucional que, uma vez aprovado (pelo Poder Legislativo) http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=2227089 61 o projeto de lei de conversão, a medida provisória manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado (pelo Chefe do Poder Executivo) o projeto de lei de conversão. Anote-se que, nessa hipótese, como haverá necessidade de sanção ou veto do presidente da república, poderá ser ultrapassado o prazo limite de validade da medida provisória (60 dias + 60 dias, desconsiderados os períodos de recesso parlamentar) sem que sua eficácia seja prejudicada. Enquanto o projeto de lei de conversão estiver pendente da sanção ou do veto, o texto original da MP manter-se-á integralmente em vigor, ainda que expirado o prazo constitucionalmente fixado para a apreciação dessa espécie normativa (60 + 60, desconsiderados o período de recesso). Reedição: É vedada a reedição, na mesma SESSÃO LEGISLATIVA (a sessão legislativa ordinária é o período de atividade normal do Congresso a cada ano, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro), de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo (art. 62, §10) – assim como projeto de EC (princípio da irrepetibilidade absoluta). A CF permite a reedição de MP que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo somente em SESSÃO LEGISLATIVA DISTINTA. Nesse sentido, O STF declarou inconstitucional dispositivo da MP 886/2019, que transferia para o Ministério da Agricultura a competência para realizar a demarcação de terras indígenas. Essa disposição foi declarada inconstitucional porque o Congresso Nacional já havia rejeitado uma outra proposta, com esse mesmo teor, prevista em outra medida provisória (MP 870), editada no mesmo ano/sessão legislativa (2019). Assim, o STF entendeu que houve a reedição, na mesma sessão legislativa, de proposta que já havia sido rejeitada pelo Congresso Nacional, o que violou o § 10 do art. 62 da CF/887. Medida provisória e impostos: A CF possui regra específica sobre a produção de efeitos da medida provisória que institua ou majore impostos: ela só poderá produzir efeitos no exercício financeiro seguinte se for convertida em lei até o último dia do ano em que foi editada (art. 62, §2º). A regra aplica-se aos IMPOSTOS em geral, EXCETUADOS, unicamente, o de importação (II), o de exportação (IE), o imposto sobre produtos 7 STF. Plenário.ADI 6062 MC-Ref/DF, ADI 6172 MC-Ref/DF, ADI 6173 MC-Ref/DF, ADI 6174 MC-Ref/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 1º/8/2019 (Info 946). 62 industrializados (IPI), o imposto sobre operações financeiras (IOF) e eventual imposto extraordinário de guerra (IEG). Essa norma amplia a garantia de não surpresa dos contribuintes, reforçando o princípio da anterioridade tributária (art. 150, III, “b”), que proíbe, como regra, que uma lei que institua ou aumente tributos em geral produza efeitos no mesmo ano de sua publicação. Ressalte-se que a restrição relativa à necessidade da conversão em lei no exercício da edição da medida provisória aplica-se EXCLUSIVAMENTE AOS IMPOSTOS, de forma que, no tocante às demais espécies tributárias, a regra da anterioridade deve ser observada, tomando como referência a data da publicação da MP e não de sua conversão em lei. Regra da anterioridade nonagesimal e lei de conversão da MP8 Nos casos em que a majoração de alíquota tenha sido estabelecida somente na lei de conversão, o termo inicial da contagem da regra da anterioridade nonagesimal é a data da conversão da medida provisória em lei. STF. Plenário. RE 568503/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 12/2/2014 (Info 735). Medida provisórias anteriores à EC 32/2001: Estabelece o art. 2º da EC 32/2001: Art. 2º As medidas provisórias editadas em data anterior à da publicação desta emenda continuam em vigor até que medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do Congresso Nacional. ATENÇÃO! Constata-se que essas medidas provisórias editadas em data anterior à publicação da EC 32/2001, tornaram-se, INDEPENDENTEMENTE de qualquer outro ato, espécies normativas com vigência indeterminada, com força de lei, até que medida provisória ulterior as revogue expressamente ou até que o Congresso Nacional as aprecie (ou, ainda, até que sejam revogadas por alguma lei ou emenda constitucional a elas superveniente). Impossibilidade de Retirada: As medidas provisórias, com a sua publicação no Diário Oficial, subtraem-se ao poder de disposição do Presidente da República e ganham, em consequência, autonomia jurídica absoluta, desvinculando-se da autoridade que as instituiu. 8 CAVALCANTE. Márcio André Lopes. Dizer o direito. Extraído do sítio: http://www.dizerodireito.com.br/ 63 IMPORTANTE! Assim, NÃO SE ADMITE QUE SEJA RETIRADA do Congresso Nacional medida provisória ao qual foi remetida para o efeito de ser, ou não, convertida em lei. Possibilidade de Revogação: Embora a medida provisória submetida ao Congresso Nacional não possa ser retirada pelo Chefe do Executivo, PODE ELA SER REVOGADA POR OUTRA MEDIDA PROVISÓRIA. Em tal hipótese – quando a medida provisória ainda pendente de apreciação pelo Congresso Nacional é revogada por outra – ficará suspensa a eficácia daquela que foi objeto de revogação, até que haja pronunciamento do Poder Legislativo sobre a medida provisória revogadora. Posteriormente, na apreciação da medida provisória revogadora, se esta for convertida em lei, tornará definitiva a revogação; se não o for, retomará os seus efeitos a medida provisória que houvera sido objeto de revogação pelo período que ainda lhe restava para vigorar. Entretanto, importante destacar que a matéria constante de medida provisória revogada não pode ser reeditada, em nova medida provisória, na mesma sessão legislativa. Nesse caso, se o Presidente da República quiser tratar na mesma sessão ordinária da matéria que constava da MP por ele revogada, deverá ser utilizado o projeto de lei. Vedação ao contrabando legislativo9: Durante a tramitação de uma medida provisória no Congresso Nacional, os parlamentares poderão apresentar emendas? SIM, no entanto, tais emendas deverão ter relação de pertinência temática com a medida provisória que está sendo apreciada. Assim, a emenda apresentada deverá ter relação com o assunto tratado na medida provisória. Desse modo, é incompatível com a Constituição a apresentação de emendas sem relação de pertinência temática com medida provisória submetida à sua apreciação. A inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto diferente do que é tratado na medida provisória quetramita no Congresso Nacional é chamada de "contrabando legislativo", sendo uma prática vedada. O STF declarou que o contrabando legislativo é proibido pela CF/88, como vimos acima. No entanto, a Corte afirmou que esse entendimento só deverá valer para as próximas medidas provisórias que forem convertidas em lei. Assim, ficou decidido que o STF irá comunicar ao Poder Legislativo esse seu novo 9 CAVALCANTE. Márcio André Lopes. Dizer o direito. Extraído do sítio: http://www.dizerodireito.com.br/ 64 posicionamento e as emendas que forem aprovadas a partir de então e que não tiverem relação com o assunto da MP serão declaradas inconstitucionais. É como se o STF tivesse dado uma chance ao Congresso Nacional e, ao mesmo tempo, um alerta: o que já foi aprovado não será declarado inconstitucional, porém não faça mais isso. STF. Plenário. ADI 5127/DF, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 15/10/2015 (Info 803). O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de conversão de medida provisória quando a emenda estiver associada ao tema e à finalidade original da medida provisória. É constitucional o art. 6º da Lei 14.131/2021, que simplificou o processo de concessão de benefício de auxílio por incapacidade temporária. STF. Plenário. ADI 6928/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22.11.2021 (Info 1038). MP versus lei delegada: O Presidente da República dispõe de competência para a instituição de dois atos normativos de natureza primaria e geral: a MP e a lei delegada. A lei delegada depende de delegação do Congresso Nacional, por meio de resolução (68, § 2º, da CF); a MP independe de autorização legislativa. Esta, por outro lado, só pode ser adotada se presente os pressupostos constitucionais de relevância e urgência; a lei delegada não deve obediência a tais pressupostos. A eficácia da MP é temporária. A vigência da lei delegada, salvo disposição em contrário no seu texto, não está sujeita a limite temporal. As vedações a edição de MP não são exatamente as mesmas impostas a lei delegada. Medida provisória nos estados-membros: Os estados-membros podem adotar medidas provisórias, desde que essa espécie normativa esteja expressamente prevista na constituição estadual e nos mesmos moldes impostos pela CF (caso de relevância e urgência, observados os princípios e limitações impostas pela CF), tendo em vista a necessidade de observância simétrica do processo legislativo federal. Como caiu em prova: 65 CESPE/CEBRASPE, 2023, PGE-RR: Em relação ao processo legislativo estadual e à ação declaratória de constitucionalidade, julgue o próximo item. Governadores somente podem editar medida provisória se houver previsão na Constituição estadual. CERTO E no caso dos municípios? Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo entendem que seria também legítimo aos municípios instituírem a espécie legislativa medida provisória, desde que prevista na sua Lei Orgânica e, na sua adoção, fossem fielmente observados os limites estabelecidos pela CF. 1.2.6.3. Leis delegadas As leis delegadas são elaboradas pelo Presidente da República, que solicitará a competente delegação ao Congresso Nacional (art. 68). O campo de atuação da lei delegada sofre algumas restrições: § 1º - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. O processo de elaboração de lei delegada é desencadeado por meio da solicitação de autorização pelo Presidente da República ao Congresso Nacional para a edição de lei sobre determinada matéria. Efetivada a solicitação pelo Chefe do Executivo, o Congresso Nacional a examinará e, sendo aprovada, terá a forma de resolução, que especificará o conteúdo e os termos para o exercício da delegação concedida. O que ocorre se o ato delegatório foi genérico? Será flagrantemente inconstitucional um ato de delegação genérico, vago, impreciso, que passe ao PR um verdadeiro “cheque em branco” em termos de competência legislativa. 66 A delegação pode ser típica ou atípica: Na delegação TÍPICA (que é a regra, presumível nesse tipo de ato) o Congresso Nacional CONCEDE os plenos poderes para que o Presidente da República elabore, promulgue e publique a lei delegada, SEM participação ulterior do Poder Legislativo. Entretanto, a resolução poderá determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, caso em que teremos a denominada delegação ATÍPICA. Nesse caso, o Presidente da República elaborará o projeto de lei delegada e o submeterá à apreciação do Congresso Nacional, que sobre ele deliberará, em votação única, vedada qualquer emenda (somente poderá aprovar ou rejeitar, integralmente, o projeto elaborado pelo Presidente da República). Caso o projeto seja aprovado, a lei delegada será encaminhada ao Presidente da República, para que a promulgue e publique. Se ocorrer rejeição integral do projeto de lei delegada, este será arquivado, somente podendo ser reapresentado, na mesma sessão legislativa, por solicitação da maioria absoluta dos membros de uma das Casas do Congresso Nacional (art. 67). A delegação vincula o Presidente da República? NÃO. A delegação não vincula o Presidente da República, que, mesmo diante dela, poderá não editar lei delegada alguma, vale dizer, mesmo havendo solicitado a delegação e obtido a resolução do Congresso Nacional o Presidente da República pode abster-se de elaborar a lei delegada. Por outro lado, o ato de delegação do Congresso Nacional não impede que o Legislativo venha a cuidar da matéria, mediante lei, diante da omissão do Presidente da República em editar a lei delegada. Mesmo durante o prazo concedido ao Presidente da República para a edição da lei delegada, o Congresso Nacional pode disciplinar a matéria objeto da delegação, mediante lei ordinária. Da mesma forma, não há impedimento para que o Congresso Nacional, antes de encerrado o prazo fixado na resolução, revogue a delegação. O Congresso Nacional pode, ainda, sustar os atos do Poder Executivo que exorbitem os limites da delegação legislativa (veto legislativo – art. 49, V). O ato do CN que sustar os efeitos da lei delegada está sujeito a controle de constitucionalidade pelo STF. 1.2.6.4. Decretos legislativos Os decretos legislativos são atos do Congresso Nacional destinados ao tratamento de matérias de sua competência exclusiva, para as quais a CF dispensa a sanção presidencial. 67 Na CF/1988, o campo do decreto legislativo é o das matérias mencionadas no art. 49. Fora esse artigo, e ressalvado o campo específico da lei, a espécie cabível é a resolução, especialmente nos casos especificados nos arts. 51 e 52 da CF. Entre as funções do decreto legislativo, destacam-se a aprovação definitiva dos tratados, acordos e atos internacionais celebrados pela República Federativa do Brasil (art. 49, I) e a regulação dos efeitos de medida provisória não convertida em lei pelo Congresso Nacional (art. 62, §3º). Cabe destacar, ainda, que o processo legislativo do decreto legislativo, como ato privativo do Congresso Nacional, envolve obrigatoriamente a atuação das duas Casas do Congresso Nacional, e que, ademais, não haverá participação do Chefe do Executivo para o fim de sanção, veto ou promulgação. Como caiu em prova: VUNESP, PGM SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, 2019 (Adaptada): As matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional, sendo dispensada a intervençãodo Poder Executivo, muito menos a do Poder Judiciário, são materializadas por decreto legislativo. Certo. 1.2.6.5. Resoluções As resoluções são deliberações que uma das Casas do Congresso Nacional, ou o próprio Congresso Nacional toma, fora do processo de elaboração das leis e sem ser lei. São atos utilizados pelas Casas Legislativas, separadamente, ou pelo Congresso Nacional, para dispor sobre assuntos políticos e administrativos de sua competência que não estejam sujeitos à reserva de lei. No processo legislativo das resoluções não há participação do Chefe do Poder Executivo. As matérias que recebem tratamento por meio de resolução são, basicamente, aquelas constantes dos arts. 51 e 52 da CF. Entretanto, a CF requer a edição de resolução, também, em outros dispositivos, a exemplo de regra, constante do seu art. 52, X, que confere competência para suspensão da execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, atribuição esta exercida por meio de resolução do Senado Federal. LEMBRAR! As resoluções podem ser expedidas pela Câmara, Senado ou CN. Os decretos legislativos são atos exclusivos do CN. A promulgação da resolução será efetivada pelo presidente da respectiva Casa. Não haverá participação do chefe do Executivo para o fim de sanção, veto ou promulgação. 68 1.2.7. Processo legislativo nos Estados-membros e Municípios As regras básicas do processo legislativo previsto na CF são de OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA no âmbito dos estados membros, DF e municípios. Nesse sentido, cite-se do STF: Processo legislativo dos Estados-membros: absorção compulsória das linhas básicas do modelo constitucional federal entre elas, as decorrentes das normas de reserva de iniciativa das leis, dada a implicação com o princípio fundamental da separação e independência dos poderes: jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal. [ADI 637, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 25-8-2004, P, DJ de 1º-10- 2004.] [...] A jurisprudência desta Casa de Justiça sedimentou o entendimento de ser a cláusula da reserva de iniciativa, inserta no § 1º do art. 61 da CF de 1988, corolário do princípio da separação dos Poderes. Por isso mesmo, de compulsória observância pelos Estados, inclusive no exercício do poder reformador que lhes assiste (cf. ADI 250, rel. min. Ilmar Galvão; ADI 843, rel. min. Ilmar Galvão; ADI 227, rel. min. Maurício Corrêa; ADI 774, rel. min. Sepúlveda Pertence; e ADI 665, rel. min. Sydney Sanches, entre outras). [ADI 3.061, rel. min. Ayres Britto, j. 5-4-2006, P, DJ de 9-6-2006.] = ADI 1.521, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 19-6-2013, P, DJE de 13-8-2013 Dentre as regras básicas do processo legislativo federal, de observância compulsória pelos Estados, por sua implicação com o princípio fundamental da separação e independência dos Poderes, encontram- se as previstas nas alíneas a e c do art. 61, § 1º, II, da CF, que determinam a iniciativa reservada do chefe do Poder Executivo na elaboração de leis que disponham sobre o regime jurídico e o provimento de cargos dos servidores públicos civis e militares. Precedentes: ADI 774, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 26-2-1999; ADI 2.856, rel. min. Gilmar Mendes, j. 10-2-2011, P, DJE de 1º-3-2011 Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, DPE-PI, 2009: Conforme a jurisprudência do STF, os estados-membros, em razão de sua autonomia político-administrativa, não estão obrigados a seguir compulsoriamente as regras básicas do processo legislativo federal, como, por exemplo, aquelas que dizem respeito à iniciativa reservada de lei ou aos limites do poder de emenda parlamentar. Errado. 69 1.2.8. Controle judicial do processo legislativo O processo de formação das leis ou de elaboração de emendas à Constituição revela-se suscetível de controle incidental pelo Poder Judiciário, sempre que houver possibilidade de lesão à ordem jurídico- constitucional. Por qual via? O controle judicial do processo legislativo SOMENTE é possível na VIA INCIDENTAL, exercido por meio da IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. Não se admite esse controle mediante ADI, visto que o ajuizamento desta ação pressupõe uma norma pronta e acabada, já publicada, inserida no ordenamento jurídico. Legitimação: A legitimação para dar início ao controle judicial do processo legislativo é restrita: somente os congressistas da Casa Legislativa em que estiver tramitando a proposta poderão impetrar o mandado de segurança, porquanto o direito líquido e certo a ser defendido no MS será o direito dele, congressista, de não participar de uma deliberação que afronte flagrantemente a Constituição. Em se tratando de processo legislativo federal, o controle será exercido originariamente perante o STF, pois cabe a esta Corte apreciar, originariamente, os atos emanados dos órgãos das Casas do Congresso Nacional. Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, PGE-SE, 2017: Embora o sistema brasileiro não admita o controle jurisdicional da constitucionalidade material dos projetos de lei, a jurisprudência do STF reconhece, excepcionalmente, que tem legitimidade para impetrar mandado de segurança o parlamentar, para impugnar inconstitucionalidade formal no processo legislativo ou proposição tendente a abolir cláusulas pétreas. Certo. Perda do objeto: A aprovação da proposta em discussão retira do congressista a legitimidade para continuar no feito, e o STF extinguirá, sem análise do mérito, o processo de MS (perda superveniente da legitimidade ativa do congressista). 70 O STF entende, de igual forma, que a perda mandato parlamentar também tem como consequência a extinção do processo de mandado de segurança. A atualidade do exercício do mandato parlamentar configura, nesse contexto, situação legitimante e necessária, tanto para a instauração quanto para o prosseguimento da causa perante o STF (MS 27.971, Rel. Min. Celso de Mello, decisão monocrática, J. 1.º.07.2011, DJE de 1.º.08.2011). IMPORTANTE! O STF tem deixado assente que o controle judicial não alcança a interpretação de norma meramente regimental, que não possua qualquer projeção específica no plano do direito constitucional positivo (atos interna corporis), em respeito ao postulado da separação dos poderes. NESSE SENTIDO: A previsão regimental de um regime de urgência que reduza as formalidades processuais em casos específicos, reconhecidos pela maioria legislativa, não ofende o devido processo legislativo. A adoção do rito de urgência em proposições legislativas é matéria genuinamente interna corporis, não cabendo ao STF adentrar tal seara. Precedente. Quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao poder judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das casas legislativas. STF. plenário. ADI 6968/DF, rel. min. Edson Fachin, julgado em 20.4.2022 (INFO 1051). É possível que o STF, ao julgar MS impetrado por parlamentar, exerça controle de constitucionalidade de projeto que tramita no congresso nacional e o declare inconstitucional, determinando seu arquivamento? Em regra, não. Existem duas exceções nas quais o STF pode determinar o arquivamento da propositura: a) proposta de emenda constitucional que viole cláusula pétrea; b) proposta de emenda constitucional ou projeto de lei cuja tramitação esteja ocorrendo com violação a regras constitucionais sobre o processo legislativo. STF. PLENÁRIO. MS 32033/DF, REL ORIG. MIN. GILMAR MENDES, RED. P/ O ACÓRDÃO MIN. TEORI ZAVASCKI, 20.6.2013 (INFO 711). (DIZER O DIREITO) 71 2. ATOS ADMINISTRATIVOS 2.1. Meta 2 ATOS ADMINISTRATIVOS PONTO DO EDITAL: 1. Estado, Poderes e Funções. (...) Atos Administrativos: conceito, elementos, atributos, classificação, vícios e invalidação. Atos Discricionáriose Vinculados. Teoria dos Motivos Determinantes. Prescrição. ATUALIZADO ATÉ NOVEMBRO/2023. PASSO A PASSO Ler ATOS ADMINISTRATIVOS pelo material do curso. Ler os seguintes artigos: 50, 53 a 55 da Lei nº 9.784/99. Ler o compilado jurisprudencial abaixo. Fazer 30 questões sobre o assunto no site www.qconcursos.com, utilizando o seguinte filtro: BANCA FGV DISCIPLINA DIREITO ADMINISTRATIVO ASSUNTO 5 ATOS ADMINISTRATIVOS NÍVEL SUPERIOR MODALIDADE MÚLTIPLA-ESCOLHA O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE O ASSUNTO a) Fatos da Administração Pública: Atos da Administração Pública e Fatos Administrativos. Ato da Administração: é gênero, do qual são espécies atos administrativos propriamente ditos e atos de direito privados praticados pela Administração. Atos Administrativos: São atos jurídicos praticados pela Administração Pública, por intermédio de um agente público ou de um agente privado investido de prerrogativas públicas, sob o regime jurídico de direito público e com o objetivo a satisfação do interesse público. Em suma, é toda manifestação http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9784.htm http://www.qconcursos.com/ 72 unilateral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos ou impor obrigações aos administrados ou a si própria. Fato Administrativo: são condutas materiais da Administração que podem ou não ser precedidas da prática de um ato administrativo ou eventos da natureza que produzem efeitos jurídicos na seara administrativa. Exemplo: morte de um servidor. RISCO DE PEGADINHA: Há atos administrativos praticados fora dos domínios da Administração Pública, como ocorre com aqueles expedidos por concessionários e permissionários. Assim sendo, guarde isso: 1. Nem todo ato jurídico praticado pela Administração é ato administrativo. 2. Nem todo ato administrativo é praticado pela Administração. b) Elementos do Ato Administrativo: ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO COMPETÊNCIA • É o conjunto de atribuições conferidas pelo ordenamento jurídico às pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos, com o objetivo de possibilitar o desempenho de suas atividades. • A competência pública é obrigatória, irrenunciável, intransferível, imodificável e imprescritível. • Delegação de competência: A Lei n. 9.784/99 admite a delegação independentemente de subordinação hierárquica. O que se delega é apenas o exercício da competência, visto que a titularidade da competência é intransferível. 73 O ato de delegação não retira a atribuição da autoridade delegante, que continua competente cumulativamente com a autoridade delegada para o exercício da função. Segundo a Lei n. 9.784/99, não podem ser objeto de delegação: (i) a competência para editar atos normativos; (ii) a competência para decidir recursos administrativos; e (iii) as matérias de competência exclusiva do órgão ou entidade. Decore: CE NO RA • Avocação de competência: É medida excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados. Depende de permissivo legal. Consiste na possibilidade de o superior hierárquico assumir temporariamente o exercício de competências atribuídas a um órgão ou agente hierarquicamente inferior. A avocação pressupõe subordinação hierárquica. • Usurpação de função: uma pessoa exerce atribuições de um agente público, sem que tenha essa qualidade. É crime. É ato inexistente. • Funcionário de fato: um servidor, irregularmente investido no cargo, emprego ou função, pratica um ato. É o caso, por exemplo, do servidor que tomou posse sem que tivesse a escolaridade mínima exigida pelo edital do concurso e pela lei do cargo. É ato nulo. Todavia, para os terceiros de boa-fé, os atos devem ser mantidos em razão da teoria da aparência. FINALIDADE • Mediata x Imediata: A finalidade geral ou mediata é a satisfação do interesse público e a finalidade específica ou imediata é o resultado específico que deve ser alcançado com a prática do ato. • Abuso de poder: Excesso de poder (vício de competência) e desvio de poder (vício de finalidade). 74 MOTIVO • São os pressupostos de fato e de direito que determinam ou autorizam a prática do ato administrativo. • É diferente da motivação. A falta de motivação, quando a lei exige, é defeito de forma do ato, pois motivação é formalidade do ato administrativo. • Teoria dos motivos determinantes: Ainda que a lei não imponha a motivação, caso o ato administrativo seja motivado, a sua validade estará condicionada à efetiva existência e à veracidade dos motivos declarados. Essa teoria está fundamentada na ideia de que o motivo do ato administrativo deve sempre guardar compatibilidade com a situação de fato que gerou a manifestação de vontade da Administração. OBJETO • É o efeito jurídico imediato produzido pelo ato administrativo. • É a alteração da situação jurídica que o ato administrativo se propõe a realizar. FORMA • Abrange não apenas o modo de exteriorização do ato, mas também todas as formalidades que devem ser observadas em sua prática. • Em regra, a forma é escrita. Motivação “aliunde”: ocorre todas as vezes que a motivação do ato remete à motivação de ato anterior que o ensejou. Exemplo: anular um contrato com base na motivação esposada em determinado parecer. O móvel é a vontade pessoal, psíquica, não real como prevê o item, que move o agente público na elaboração dos atos administrativos. A distinção do móvel para o motivo é evidente, visto que neste há a explicitação real da situação que justifica a edição do ato, ao passo que o móvel é motivação pessoal, que nem sempre se coaduna com o real desiderato do ato administrativo. c) Atributos dos Atos Administrativos: 75 ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE • Todos os atos detêm tal presunção. • É presunção relativa. • Diferencia-se de PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Isso porque a presunção de legitimidade diz respeito à VALIDADE do ato. • A presunção de veracidade diz respeito à VERDADE DOS FATOS deduzidos pela Administração. IMPERATIVIDADE • Decorre do poder extroverso. É a qualidade dos atos administrativos de se imporem a terceiros, independentemente de sua aquiescência. AUTOEXECUTORIEDADE • É o atributo mais importante dos atos administrativos, vez que permite que a Administração Pública realize a execução material de seus atos ou da legislação. • A autoexecutoriedade difere da exigibilidade à medida que esta aplica uma punição ao particular (exemplo: multa de trânsito), mas não desconstitui materialmente a irregularidade (o carro continua parado no local proibido), representando uma coerção indireta. • Os atos executórios são os previstos em lei e os emergenciais. TIPICIDADE • Deriva da legalidade e da segurança jurídica. O ato deve obedecer a figuras previamente definidas pela lei. • Visa a proteger os administrados. Todos os atos administrativos detêm a presunção de legitimidade/veracidade e a tipicidade. Nem todos os atos administrativos possuem os outros dois atributos. Decore: Os elementos cujo nome começam com consoantes estão presentes em todos os atos administrativos. Os elementos cujo nome começam com vogais não. 76 d) Existência, Validade e Eficácia: O plano da existência ou da perfeição indicam o cumprimento do ciclo de formação do ato. O plano da validade envolve a conformidade com os requisitos estabelecidos pelo ordenamento jurídico para a correta prática do ato administrativo. O plano da eficácia está relacionado com a aptidão do ato para produzir efeitos jurídicos. e) Classificação dos Atos Administrativos: DESTINATÁRIOS GERAIS Os atosprovisórias é absoluta. Todavia, a irrepetibilidade das leis é relativa. 7 RISCO DE PEGADINHA: A regra da irrepetibilidade e as espécies legislativas: 1.Emenda Constitucional: irrepetibilidade absoluta Art. 60, § 5º. A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. 2.Medida Provisória: irrepetibilidade absoluta Art. 62, §10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. 3. Leis: irrepetibilidade relativa Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. RISCO DE PEGADINHA: 1. Prevalece, na doutrina e na jurisprudência, que, para emendar a Constituição Federal, não precisa se respeitar a iniciativa privativa do Poder Executivo. Precedente: Info 826. 2. Todavia, para emendar a Constituição Estadual, é necessário obedecer às matérias que estão afetas à iniciativa privativa do Chefe do Executivo. Veja: É inconstitucional emenda constitucional que insira na Constituição estadual dispositivo determinando a revisão automática da remuneração de servidores públicos estaduais. Isso porque tal matéria é prevista no art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88 como sendo de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo. Precedente: Info 774 do STF. 3. E as normas originárias da Constituição Estadual? O entendimento tradicional do STF dizia que o Poder Constituinte Derivado Decorrente tinha que observar as regras constitucionais de iniciativa privativa para as normas originárias da Constituição Estadual. Todavia, posições mais recentes do STF demonstram a mudança de posição. Precedente: Info 768 do STF. 8 c) Leis Complementares e Ordinárias: Não há hierarquia entre tais espécies legislativas. Cada uma tem seu campo de atuação definido pela CF. A CF precisa exigir expressamente lei complementar para que seja necessária edição de lei complementar sobre determinado tema. Todavia, quando a CF apenas exigir “lei”, subtende-se que a lei deva ser lei ordinária. O campo da lei ordinária é residual. Caso a CF não exija lei complementar para determinado tema e, ainda assim, edite-se lei complementar para tratar de assunto sujeito à lei ordinária, qual é a consequência disso? A lei será formalmente complementar, mas, materialmente, ordinária, de modo que uma lei ordinária posterior poderá alterar o seu teor. Por qual razão não há inconstitucionalidade? Porque, para aprovação de lei complementar, o quórum é mais exigente do que aquele previsto para lei ordinária. Por outro lado, a edição de lei ordinária quando a CF exige lei complementar importa inconstitucionalidade formal. CRUZADINHA: No FENÔMENO DA RECEPÇÃO das normas constitucionais, só se analisa a COMPATIBILIDADE MATERIAL perante a nova Constituição. Dessa forma, se determinado ato normativo for incompatível do ponto de vista formal com a nova Constituição, ele é recebido com nova roupagem. Observe que: Se uma norma anterior à nova Constituição for incompatível do ponto de vista formal ou material com a CF revogada, ela não poderá ser recepcionada pela nova ordem Constituição com nova roupagem. Isso porque a lei nasceu inconstitucional. Veja: 1. Constituição antiga exige lei complementar para matéria X. Matéria X é regulamentada por lei complementar. Constituição nova não exige lei complementar para matéria X. Tal lei pode ser recebida com nova roupagem: lei ordinária. 2. Constituição antiga exige lei complementar para matéria X. Matéria X é regulamentada por lei ordinária. Constituição nova não exige lei complementar para matéria X. 9 Tal lei não pode ser recebida com nova roupagem, porque ela é inconstitucional de acordo com o parâmetro da Constituição antiga. As Constituições Estaduais podem sujeitar outras matérias à lei complementar além daquelas previstas na CF? Não. Isso porque o quórum da lei complementar exige mais articulação política, de modo que fazer mais exigências de lei complementar do que as contidas na CF em nível estadual provoca o um desarranjo democrático-representativo. Precedente: Info 962 do STF. A IRREPETIBILIDADE DAS LEIS é meramente relativa. Veja: Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da MAIORIA ABSOLUTA DOS MEMBROS DE QUALQUER DAS CASAS DO CONGRESSO NACIONAL. Há matérias de iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo: Art. 61. (...) § 1º São de INICIATIVA PRIVATIVA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA as leis que: I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas; II - disponham sobre: a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI; 10 f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva. d) Leis Delegadas: São elaboradas pelo Presidente da República. O Presidente deve solicitar DELEGAÇÃO ao Congresso Nacional, que a fará por meio de RESOLUÇÃO. Decore: delegação por resolução. A delegação pode ser: DELEGAÇÃO PRÓPRIA O Poder Legislativo autoriza o Presidente a elaborar o projeto, promulgar e publicar a lei. Não passa pela apreciação do Poder Legislativo. DELEGAÇÃO IMPRÓPRIA O Poder Legislativo autoriza o Presidente a elaborar o projeto, mas o projeto é encaminhado ao Congresso para rejeição ou aprovação. Após isso, o projeto é arquivado ou é encaminhado para o Presidente para promulgação e publicação. Veja que, na delegação imprópria, veda-se emenda pelo Poder Legislativo: Art. 68. (...) § 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, VEDADA QUALQUER EMENDA. O controle exercido pelo Congresso Nacional sobre a lei delegada é feito por meio de decreto legislativo e tem efeitos ex nunc (artigo 49, V, da CF). Art. 49. (...) V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; 11 e) Medidas Provisórias: Pressupostos constitucionais: relevância e urgência. Prazo: 60 dias prorrogáveis por mais 60 dias. A MP tem sua votação iniciada na Câmara dos Deputados. Nas convocações extraordinárias do Congresso Nacional, as MPs serão automaticamente incluídas na pauta da convocação as medidas provisórias que estejam em vigor. A IRREPETIBILIDADE DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS é ABSOLUTA, pois é vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. Os Estados e Municípios podem editar medidas provisórias, desde que haja previsão na Constituição estadual e na Lei Orgânica. Medida Provisória não pode versar sobre: I – relativa a: a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidosgerais ou normativos são expedidos sem destinatários determinados ou determináveis. Aplicam- se a todas as pessoas que se coloquem nas situações abstratamente previstas no ato. INDIVIDUAIS Os atos individuais são os que possuem destinatários individualizados ou individualizáveis. Os atos individuais podem ser singulares ou plúrimos. Os atos individuais singulares são aqueles que alcançam um único sujeito determinado (ex: nomeação de um único servidor). Os atos individuais plúrimos são aqueles que atingem uma pluralidade de sujeitos determinados (ex: nomeação de uma lista de servidores). GRAU DE LIBERDADE VINCULADOS Os atos vinculados são aqueles para cuja prática a Administração não possui liberdade de escolha. Os elementos vinculados do ato são competência, finalidade e forma. DISCRICIONÁRIOS Os atos discricionários são aqueles para cuja prática a Administração goza de certa margem de liberdade para, de acordo com critérios de oportunidade e conveniência, valorar os motivos e escolher o objeto. 77 PRERROGATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO IMPÉRIO Os atos de império são aqueles praticados pela Administração Pública no uso das prerrogativas tipicamente estatais (ex: desapropriação). GESTÃO Os atos de gestão são aqueles praticados pela Administração Pública quando despida das prerrogativas tipicamente estatais. EXPEDIENTE Os atos de expedientes são aqueles que impulsionam a rotina interna da repartição sem caráter vinculante e sem forma especial. MANIFESTAÇÃO DE VONTADE PARA FORMAÇÃO SIMPLES Os atos administrativos simples são aqueles que resultam da declaração de vontade de apenas um órgão da Administração Pública. COMPLEXOS Os atos administrativos complexos são aqueles que resultam da manifestação de vontade de mais de um órgão, as quais se unem para formar um só ato. Exemplo: aposentadoria de servidor público, que só se aperfeiçoa após o registro no Tribunal de Contas. COMPOSTOS Os atos administrativos compostos também resultam da vontade de mais de um órgão. Contudo, distinguem- se dos atos complexos, pois, nos atos compostos, é possível identificar a prática de dois atos (um principal e um acessório). O ato acessório pode ser pressuposto de validade do ato principal ou complementar a ele. CICLO DE FORMAÇÃO PERFEITOS Os atos administrativos perfeitos são aqueles que completaram o seu ciclo de formação. IMPERFEITOS Os atos administrativos imperfeitos são aqueles que não concluíram o seu ciclo de formação. CONFORMIDADE COM O ORDENAMENTO VÁLIDOS Os atos administrativos válidos são aqueles produzidos em conformidade com as exigências impostas pelo ordenamento jurídico. 78 INVÁLIDOS Os atos administrativos inválidos são aqueles que, por não terem observado as exigências impostas pelo ordenamento jurídico, possuem algum vício. AGRESSÃO O ORDENAMENTO IRREGULARES Os atos administrativos irregulares são aqueles contaminados com pequenos vícios. As meras irregularidades não são capazes de lhes retirar a validade. SANÁVEIS Os atos administrativos anuláveis, por fim, são aqueles que possuem vícios sanáveis e, portanto, admitem convalidação. NULOS Os atos administrativos nulos compreendem aqueles cuja convalidação é impossível, porque contêm vícios insanáveis. INEXISTENTES Os atos administrativos inexistentes são aqueles contaminados por vícios da maior gravidade e, portanto, não podem ser convalidados. EFEITOS CONSTITUTIVOS Os atos administrativos constitutivos são os que criam, modificam ou extinguem uma relação jurídica. DECLARATÓRIOS Os atos administrativos declaratórios são os que reconhecem uma situação jurídica preexistente. ENUNCIATIVOS Os atos administrativos enunciativos são os que atestam uma situação de fato ou de direito. Exemplo certidão, atestado, parecer. f) O Silêncio no Direito Administrativo: Natureza jurídica: fato administrativo. O silêncio administrativo, que consiste na ausência de manifestação da administração pública em situações em que ela deveria se pronunciar, somente produzirá efeitos jurídicos se a lei os previr. A lei pode atribuir efeitos ao silêncio administrativo, inclusive para deferir pretensão ao administrado. 79 Não é ato administrativo. Impossibilidade de o Judiciário suprir o referido silêncio. g) Formas de Extinção dos Atos Administrativos: CONVALIDAÇÃO • O art. 55 da Lei n. 9.784/99 disciplina a convalidação nos seguintes termos: “Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. • Os defeitos convalidáveis do ato administrativo são: forma, competência e objeto quando plural. A situação da pluralidade de objetos pode ser vista quando, no mesmo ato, há várias providências administrativas. Ex: Promoção de A e B. Caso A não detenha os requisitos para promoção, pode-se aproveitar a promoção de B, convalidando o ato neste ponto específico. • Convalidação pode ser de três espécies: (i) Ratificação: realizada pela MESMA autoridade. (ii) Confirmação: realizada por OUTRA autoridade. (iii) Saneamento: casos em que o particular é quem promove a sanatória do ato. • Os efeitos da convalidação retroagem à data do ato convalidado. CONVERSÃO • O aproveitamento de ato defeituoso como ato válido de outra categoria. REVOGAÇÃO • Extinção do ato administrativo perfeito e eficaz, com eficácia EX NUNC, por razões de CONVENIÊNCIA E OPORTUNIDADE. • Compete a mesma autoridade que praticou o ato. • Não se pode revogar: atos exauridos, preclusos, vinculados, enunciativos, etc. ANULAÇÃO • Extinção do ato ILEGAL, com eficácia EX TUNC. 80 CASSAÇÃO • É a extinção do ato administrativo quando o seu beneficiário deixa de cumprir os requisitos que deveria permanecer atendendo, como exigência para a manutenção do ato e de seus efeitos. CADUCIDADE • Uma nova legislação impede a permanência da situação anteriormente consentida pelo poder público. CONTRAPOSIÇÃO • Ocorre quando ato anterior é extinto por ato superveniente cujos efeitos são a ele contrapostos. h) Decadência Administrativa: Qual o prazo de que dispõe a administração pública federal para anular um ato administrativo ilegal que gere benefícios ao administrado? REGRA 5 anos, contados da data em que o ato foi praticado. EXCEÇÃO 1 Em caso de má-fé. Se ficar comprovada a má-fé, não há prazo, ou seja, a Administração Pública pode anular o ato administrativo mesmo que já tenha se passado mais de 5 anos. EXCEÇÃO 2 Em caso de afronta direta à Constituição Federal. O prazo decadencial de 5 anos do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. Trata-se de exceção construída pela jurisprudência do STF. (Info 741). EXCEÇÃO 3 Não decai o direito de anular licença ambiental reputada ilegal, pois não há direito a poluir o meio ambiente. COMPILADO JURISPRUDENCIAL Súmula Vinculante n. 3 do STF: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram- se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão. Observações sobre a Súmula Vinculante n. 3 81 1. O ato de concessão de aposentadoria é complexo, aperfeiçoando-se somente após a sua apreciação pelo Tribunal de Contas da União. Assim, para o exame da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão, não há razão para contraditório e ampla defesa. Precedente: MS 31.704. 2. Se o Tribunal de Contas demorar mais de 5 anos dachegada do processo para apreciar a legalidade da concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão, tais atos devem ser considerados definitivamente registrados, ainda que o Tribunal de Contas não tenha concluído sua análise. Precedente: Info 967 do STF. 3. Se o caso não envolve concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão, e sim da revisão de ato administrativo que originou vantagem salarial, o prazo decadencial de 5 anos começa a ser contado da prática do ato (e não de eventual decisão do Tribunal de Contas). Precedente: Info 750 do STF. Súmula n. 6 do STF: A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria, ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por aquele tribunal, ressalvada a competência revisora do Judiciário. Súmula n. 346 do STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula n. 473 do STF: A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Súmula n. 510 do STF: Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial. Súmula n. 633 do STJ: A Lei 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para revisão de atos administrativos no âmbito da administração pública federal, pode ser aplicada de forma subsidiária aos Estados e municípios se inexistente norma local e específica regulando a matéria. 82 Enunciado 12 do CJF: A decisão administrativa robótica deve ser suficientemente motivada, sendo a sua opacidade motivo de invalida. Não é possível a condenação de prefeito ao ressarcimento de valores despendidos com a elaboração de projeto de lei, mesmo que depois se reconheça que esse projeto era ilegal e que foi praticado com desvio de finalidade. Precedente: AREsp 1408660-SP (Info 745). Nas hipóteses em que não haja exercício do controle de legalidade por Tribunal de Contas, o prazo decadencial quinquenal previsto no art. 54 da Lei nº 9.784/99 transcorre a partir da edição do ato pela Administração. Precedente: AgInt no AREsp 1761417-RS (Info 750). Interposto recurso contra a decisão de primeiro grau administrativo que confirma a pena de multa imposta pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP, os juros e a multa moratórios fluirão a partir do fim do prazo de trinta dias para o pagamento do débito, contados da decisão administrativa definitiva, nos termos da Lei nº 9.847/99. STJ. 1ª Seção.REsp 1830327-SC, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 08/06/2022 (Tema IAC 11) (Info 740). É inconstitucional lei estadual que estabeleça prazo decadencial de 10 (dez) anos para anulação de atos administrativos reputados inválidos pela Administração Pública estadual. Em regra, o prazo decadencial para que a Administração Pública anule atos administrativos inválidos é de 5 anos, aplicável a todos os entes federativos, por força do princípio da isonomia. Precedente: ADI 6019/SP (Info 1012). A notificação por edital no processo administrativo é exceção. Só é possível quando o interessado é indeterminado, desconhecido ou com domicílio indefinido. Precedente: Info 716. Prescreve em dez anos a ação relacionada a obrigação sem prazo em contrato verbal. Precedente: STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.298/MT, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 3/05/2022. https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/685d3703a0b1410dc3bf2280eb5a15ec?categoria=2&subcategoria=215&forma-exibicao=apenas-com-informativo&ordenacao=data-julgado&criterio-pesquisa=e https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/685d3703a0b1410dc3bf2280eb5a15ec?categoria=2&subcategoria=215&forma-exibicao=apenas-com-informativo&ordenacao=data-julgado&criterio-pesquisa=e https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/685d3703a0b1410dc3bf2280eb5a15ec?categoria=2&subcategoria=215&forma-exibicao=apenas-com-informativo&ordenacao=data-julgado&criterio-pesquisa=e 83 O art. 200 do CC/2002 assegura que o prazo prescricional não comece a fluir antes do trânsito em julgado da sentença penal, independentemente do resultado da ação na esfera criminal. Precedente: Info 732. A interrupção da prescrição ocorre somente uma única vez para a mesma relação jurídica, isto é, independentemente de seu fundamento. Precedente: Info 727. É possível no exame judicial da validade dos atos administrativos, diante da falta de norma processual administrativa específica, a utilização dos dispositivos regentes da Lei de Ação Popular. Precedente: MS 26.694/DF. A “teoria do fato consumado" não pode ser aplicada para consolidar remoção de servidor público destinada a acompanhamento de cônjuge, em hipótese que não se adequa à legalidade estrita, ainda que tal situação haja perdurado por vários anos em virtude de decisão liminar não confirmada por ocasião do julgamento de mérito. Precedente: EREsp 1.157.628-RJ ou Info 598 do STJ. O vício consistente na falta de motivação de portaria de remoção ex officio de servidor público pode ser convalidado, de forma excepcional, mediante a exposição, em momento posterior, dos motivos idôneos e preexistentes que foram a razão determinante para a prática do ato, ainda que estes tenham sido apresentados apenas nas informações prestadas pela autoridade coatora em mandado de segurança impetrado pelo servidor removido. Precedente: AgRg no RMS 40.427-DF ou Info 529 do STJ. Os atos administrativos praticados anteriormente ao advento da Lei n. 9.784/1999 estão sujeitos ao prazo decadencial quinquenal, contado, entretanto, da sua entrada em vigor, qual seja 1º/2/1999, e não da prática do ato. Precedente citado: Info 508 do STJ. É necessária a prévia instauração de procedimento administrativo, assegurados o contraditório e a ampla defesa, sempre que a Administração, exercendo seu poder de autotutela, anula atos administrativos que repercutem na esfera de interesse do administrado. Precedente: RE 946481. 84 O disposto no art. 54 da Lei 9.784/99 aplica-se às hipóteses de auditorias realizadas pelo TCU em âmbito de controle de legalidade administrativa. Precedente: Info 703 do STF. O controle de legalidade exercido pelo Poder Judiciário sobre os atos administrativos diz respeito ao seu amplo aspecto de obediência aos postulados formais e materiais presentes na Carta Magna, sem, contudo, adentrar o mérito administrativo. Precedente: RMS 49202/PR. O Poder Judiciário não pode fazer a revisão judicial do mérito da decisão administrativa proferida pelo CADE. A expertise técnica e a capacidade institucional do CADE em questões de regulação econômica exigem que o Poder Judiciário tenha uma postura deferente (postura de respeito) ao mérito das decisões proferidas pela Autarquia. Precedente: Info 942 do STF. 85 2.2 Material de revisão (RPP): Atos Administrativos Ato da administração: é gênero, do qual são espécies atos administrativos propriamente ditos e atos de direito privados praticados pela Administração. Atos administrativos: São atos jurídicos praticados pela Administração Pública, por intermédio de um agente público ou de um agente privado investido de prerrogativas públicas, sob o regime jurídico de direito público e com o objetivo a satisfação do interesse público. Em suma, é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos ou impor obrigações aos administrados ou a si própria.Atos administrativos são privativos da Administração Pública formal? NÃO. Ato administrativo é a manifestação unilateral de vontade da Administração Pública ou de seus delegatários, nesta condição. Com isso temos que o ato administrativo não é privativo da Administração formal, ou seja, também os delegatários, nesta condição, também podem editar atos administrativos”. Fato administrativo: são condutas materiais da Administração que podem ou não ser precedidas da prática de um ato administrativo ou eventos da natureza que produzem efeitos jurídicos na seara administrativa. Exemplo: morte de um servidor. Silêncio da Administração: Prevalece na doutrina que o silêncio (omissão) da Administração que produza efeitos jurídicos configura FATO ADMINISTRATIVO. Assim, quando ocorre a decadência do direito de a administração anular um ato administrativo, a inércia, da qual resultou a decadência (efeito jurídico), é um fato administrativo, uma omissão da administração que produziu efeitos jurídicos. Principais classificações: Atos vinculados são os que a administração pratica sem margem alguma de liberdade de decisão, pois a lei previamente determinou o único comportamento possível a ser obrigatoriamente adotado sempre que se configure a situação objetiva descrita em lei. Atos discricionários são aqueles que a administração pode praticar com certa liberdade de escolha, nos termos e limites da lei, quanto ao seu conteúdo, seu modo de realização, sua oportunidade e sua conveniência administrativa. 86 Ato individual: pode ser singular, quando tiver um único destinatário. Ato Plúrimo: quando tiver diversos destinatários, desde que DETERMINADOS. Ex. a nomeação de aprovados em um concurso público (ato plúrimo) e a exoneração de um servidor (ato singular). Ato administrativo simples é o que decorre de uma única manifestação de vontade de um único órgão ou autoridade. Pode ser unipessoal (ato simples singular) ou colegiado (ato simples colegiado). O ato simples está completo com essa única manifestação, não dependendo de manifestação de outro órgão ou autoridade para iniciar a produção de seus efeitos. Ato administrativo complexo é o que necessita, para sua FORMAÇÃO, da manifestação de vontade de DOIS ou MAIS diferentes órgãos ou autoridades. Em outros termos, o ato não pode ser considerado perfeito (completo, concluído, formado) com a manifestação de um só órgão ou autoridade. Ato administrativo composto é aquele cujo CONTEÚDO resulta da manifestação de um só órgão ou autoridade, mas a sua edição ou a produção de seus efeitos depende de um outro ato que o aprove. Percebam que a função desse outro ato é meramente instrumental: autorizar a prática do ato principal, ou conferir eficácia a este, ou seja, em nada altera o conteúdo do principal. Ato válido é o que está em total conformidade com o ordenamento jurídico, com as exigências legais e regulamentares impostas para que seja regularmente editado. É o ato que não contém nenhum vício, qualquer irregularidade, qualquer ilegalidade. Ato nulo é aquele que nasce com vício INSANÁVEL, normalmente resultante de defeito substancial em seus elementos constitutivos. A declaração de nulidade, como regra, opera ex tunc. Lembrar, entretanto, de atos com eventuais efeitos já produzidos perante terceiros de boa-fé, antes da anulação do ato; esses, serão mantidos, com base nos princípios da segurança jurídica, boa-fé, proteção à confiança. Ato inexistente é aquele que possui apenas aparência de manifestação de vontade da administração pública, mas, em verdade, não se origina de um agente público, mas de alguém que se passa por tal condição, como o usurpador de função. Ato anulável é o ato que contém vício SANÁVEL e, por isso, poderá ser objeto de convalidação, desde que não acarrete lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros. São sanáveis, por exemplo, o vício de competência quanto à pessoa, desde que não se trate de competência exclusiva, e o vício de forma, a menos que se trate de forma exigida pela lei como condição essencial à validade do ato. Ato perfeito é aquele que está pronto, terminado, que já concluiu o seu ciclo, suas etapas de formação. Tem- se um ato perfeito quando já se esgotaram todas as fases necessárias à sua produção. Ato imperfeito é aquele que NÃO completou o seu ciclo de formação. Rigorosamente, o ato imperfeito ainda não existe como ato administrativo. 87 Ato eficaz é aquele que já está disponível para a produção de seus efeitos PRÓPRIOS. A produção de efeitos não depende de evento posterior, como uma condição suspensiva, um termo inicial ou um ato de controle (aprovação, homologação, etc.). Os efeitos dos atos administrativos podem ser: a) efeitos TÍPICOS, também denominados próprios, são os efeitos correspondentes à tipologia específica do ato, à sua função típica prevista pela lei. b) efeitos ATÍPICOS, também denominados impróprios, são efeitos decorrentes da produção do ato, sem que resultem de seu conteúdo específico. Os efeitos atípicos podem ser de duas ordens: Efeitos preliminares ou prodrômicos, que são aqueles verificados enquanto persiste a situação de pendência do ato, isto é, durante o período intercorrente, desde a produção do ato até o início de produção de seus efeitos típicos. Ocorre nos atos administrativos que dependem de duas manifestações de vontade. Esse efeito se configura como o dever da segunda autoridade se manifestar, quando a primeira já o fez. É um efeito secundário que vem antes do aperfeiçoamento do ato. Efeitos reflexos, por sua vez, são aqueles que também atingem outra relação jurídica, ou seja, atingem terceiros não objetivados pelo ato, terceiros que não fazem parte da relação jurídica travada entre a Administração e o sujeito passivo do ato, como, por exemplo, o locatário de um imóvel que foi desapropriado. Outras classificações: GRAU DE LIBERDADE GERAIS Os atos gerais ou normativos são expedidos sem destinatários determinados ou determináveis. Aplicam-se a todas as pessoas que se coloquem nas situações abstratamente previstas no ato. INDIVIDUAIS Os atos individuais são os que possuem destinatários individualizados ou individualizáveis. Os atos individuais podem ser singulares ou plúrimos. Os atos individuais singulares são aqueles que alcançam um único sujeito determinado (ex: nomeação de um único servidor). Os atos individuais plúrimos são aqueles que atingem uma pluralidade de sujeitos determinados (ex: nomeação de uma lista de servidores). 88 PRERROGATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO IMPÉRIO Os atos de império são aqueles praticados pela Administração Pública no uso das prerrogativas tipicamente estatais (ex: desapropriação). GESTÃO Os atos de gestão são aqueles praticados pela Administração Pública quando despida das prerrogativas tipicamente estatais. EXPEDIENTE Os atos de expedientes são aqueles que impulsionam a rotina interna da repartição sem caráter vinculante e sem forma especial. AGRESSÃO AO ORDENAMENTO IRREGULARES Os atos administrativos irregulares são aqueles contaminados com pequenos vícios. As meras irregularidades não são capazes de lhes retirar a validade. SANÁVEIS Os atos administrativos anuláveis, por fim, são aqueles que possuem vícios sanáveis e, portanto, admitem convalidação. NULOS Os atos administrativos nulos compreendem aqueles cuja convalidação é impossível, porque contêm vícios insanáveis. INEXISTENTES Os atos administrativos inexistentes são aqueles contaminados por vícios da maior gravidade e, portanto, não podem ser convalidados. EFEITOS CONSTITUTIVOS Os atos administrativos constitutivos são os que criam, modificam ou extinguem uma relação jurídica. DECLARATÓRIOS Os atos administrativos declaratórios são os que reconhecem uma situaçãojurídica preexistente. ENUNCIATIVOS Os atos administrativos enunciativos são os que atestam uma situação de fato ou de direito. Exemplo certidão, atestado, parecer. ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO • É o conjunto de atribuições conferidas pelo ordenamento jurídico às pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos, com o objetivo de possibilitar o desempenho de suas atividades. • A competência pública é obrigatória, irrenunciável, intransferível, imodificável e imprescritível. • Delegação de competência: A Lei n. 9.784/99 admite a delegação independentemente de subordinação hierárquica. 89 COMPETÊNCIA O que se delega é apenas o exercício da competência, visto que a titularidade da competência é intransferível. O ato de delegação não retira a atribuição da autoridade delegante, que continua competente cumulativamente com a autoridade delegada para o exercício da função. Segundo a Lei n. 9.784/99, não podem ser objeto de delegação: (i) a competência para editar atos normativos; (ii) a competência para decidir recursos administrativos; e (iii) as matérias de competência exclusiva do órgão ou entidade. Decore: CE NO RA • Avocação de competência: É medida excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados. Depende de permissivo legal. Consiste na possibilidade de o superior hierárquico assumir temporariamente o exercício de competências atribuídas a um órgão ou agente hierarquicamente inferior. A avocação pressupõe subordinação hierárquica. Vício de competência admite convalidação? SIM. O vício de competência (excesso de poder), porém, nem sempre obriga à anulação do ato. O vício de competência admite convalidação, SALVO caso se trate de competência em razão de matéria ou de competência EXCLUSIVA. • Usurpação de função: uma pessoa exerce atribuições de um agente público, sem que tenha essa qualidade. É crime. É ato inexistente. • Funcionário de fato: um servidor, irregularmente investido no cargo, emprego ou função, pratica um ato. É o caso, por exemplo, do servidor que tomou posse sem que tivesse a escolaridade mínima exigida pelo edital do concurso e pela lei do cargo. É ato nulo. Todavia, para os terceiros de boa-fé, os atos devem ser mantidos em razão da teoria da aparência. FINALIDADE • Mediata x Imediata: A finalidade geral ou mediata é a satisfação do interesse público e a finalidade específica ou imediata é o resultado específico que deve ser alcançado com a prática do ato. A finalidade genérica do ato é o interesse público. No entanto, não basta atender à finalidade genérica, uma vez que cada ato administrativo tem uma finalidade específica para alcançar esse interesse. Sendo assim, na hipótese de ser violada a finalidade 90 específica, mesmo que o agente esteja buscando o interesse público, há o desvio de finalidade. • Abuso de poder: Excesso de poder (vício de competência) e desvio de poder (vício de finalidade). MOTIVO • O motivo é a causa imediata do ato administrativo. • São os pressupostos de fato e de direito que determinam ou autorizam a prática do ato administrativo. Vício de motivo: O vício de motivo sempre acarretará a nulidade do ato. O vício de motivo ocorre nas seguintes situações: Motivo inexistente; Motivo falso; Motivo ilegítimo (ou juridicamente inadequado); • É diferente da motivação. A falta de motivação, quando a lei exige, é defeito de forma do ato, pois motivação é formalidade do ato administrativo. Na esfera federal, a Lei 9.784/99 dispõe acerca da motivação nos seguintes termos: Art. 50. Os atos administrativos DEVERÃO ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V - decidam recursos administrativos; VI - decorram de reexame de ofício; VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. Enunciado n. 12 da Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ: A decisão administrativa robótica deve ser suficientemente motivada, sendo a sua opacidade motivo de invalidação. 91 Motivação “aliunde”: Ocorre todas as vezes que a motivação do ato remete à motivação de ato anterior que o ensejou. Exemplo: anular um contrato com base na motivação esposada em determinado parecer. • Teoria dos motivos determinantes: Ainda que a lei não imponha a motivação, caso o ato administrativo seja motivado, a sua validade estará condicionada à efetiva existência e à veracidade dos motivos declarados. Essa teoria está fundamentada na ideia de que o motivo do ato administrativo deve sempre guardar compatibilidade com a situação de fato que gerou a manifestação de vontade da Administração. Motivação e móvel: O móvel é a vontade pessoal, psíquica, não real como prevê o item, que move o agente público na elaboração dos atos administrativos. A distinção do móvel para o motivo é evidente, visto que neste há a explicitação real da situação que justifica a edição do ato, ao passo que o móvel é motivação pessoal, que nem sempre se coaduna com o real desiderato do ato administrativo. OBJETO • É o efeito jurídico imediato produzido pelo ato administrativo. • É o próprio conteúdo material do ato administrativo. Ou seja, é a alteração da situação jurídica que o ato administrativo se propõe a realizar. Ex.: o objeto do ato de nomeação de servidor é a sua admissão nos quadros do serviço público. O objeto do ato de concessão de uma licença a própria concessão da licença. Vício de objeto O vício de objeto é insanável, ou seja, invariavelmente acarreta a nulidade do ato. FORMA • Abrange não apenas o modo de exteriorização do ato, mas também todas as formalidades que devem ser observadas em sua prática, cuja ausência gera vício de legalidade, com sua consequente invalidação. Prevalece, ainda, na doutrina que a forma dos atos administrativos trata-se de um elemento vinculado. • Em regra, a forma é escrita. 92 Formalismo moderado: Adota-se, no âmbito do Direito Administrativo, o formalismo moderado. Assim, de acordo com o art. 22 da Lei no 9.784/99, “os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir”. Vício de forma e a possibilidade de convalidação: Em regra, o vício de forma é passível de convalidação, ou seja, é defeito sanável. Exceção: a convalidação NÃO é possível quando a lei estabelece determinada forma como essencial à validade do ato, caso em que o ato será nulo se não observada a forma exigida pela lei. A motivação integra o motivo ou a forma? FORMA. CUIDADO! Isso cai muito em prova. A motivação – declaração escrita dos motivos que ensejaram a prática do ato – integra a FORMA do ato administrativo, e NÃO o motivo ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE • Decorre do princípio da legalidade administrativa. Em virtude de tal atributo, os atos administrativos presumem-se editados em conformidade com a lei. • Todos os atos detêm tal presunção. • É presunção relativa. • Diferencia-se de PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Isso porque a presunção de legitimidade diz respeito à VALIDADE do ato. • A presunção de veracidade diz respeito à VERDADE DOS FATOS deduzidos pela Administração. • As principais consequências do atributo da presunção de legitimidade dos atos administrativos são as seguintes: - eles produzirão os seus efeitosnormalmente, até que a sua invalidade seja reconhecida; e - haverá a inversão o ônus da prova (o prejudicado deve produzir as provas para demonstrar que o ato administrativo contém vícios). IMPERATIVIDADE • Decorre do poder extroverso. É a qualidade dos atos administrativos de se imporem a terceiros, independentemente de sua aquiescência. 93 • traduz a possibilidade de a administração pública, unilateralmente, criar obrigações para os administrados, ou impor-lhes restrições. A imperatividade é atributo de todo ato administrativo? NÃO. A imperatividade nem sempre estará presente. Trata-se de atributo próprio dos atos administrativos que impõem obrigações ou restrições aos administrados. AUTOEXECUTORIEDADE • Atos autoexecutórios são os que podem ser materialmente implementados pela Administração, diretamente, inclusive mediante o uso da força, se necessária, sem que a Administração precise obter autorização judicial prévia. • É o atributo mais importante dos atos administrativos, vez que permite que a Administração Pública realize a execução material de seus atos ou da legislação. • A autoexecutoriedade difere da exigibilidade à medida que esta aplica uma punição ao particular (exemplo: multa de trânsito), mas não desconstitui materialmente a irregularidade (o carro continua parado no local proibido), representando uma coerção indireta. É atributo afeto a todo ato administrativo? NÃO. Não é atributo presente em todos os atos administrativos. Os atos autoexecutórios mais comuns são os atos de polícia. • Os atos executórios são os previstos em lei e os emergenciais. TIPICIDADE • Deriva da legalidade e da segurança jurídica. O ato deve obedecer a figuras previamente definidas pela lei. • Visa a proteger os administrados. ATENÇÃO! 1. Todos os atos administrativos detêm a presunção de legitimidade/veracidade e a tipicidade. 2. Nem todos os atos administrativos possuem os outros dois atributos. Existência, validade e eficácia: 1. O plano da existência ou da perfeição indicam o cumprimento do ciclo de formação do ato. 94 2. O plano da validade envolve a conformidade com os requisitos estabelecidos pelo ordenamento jurídico para a correta prática do ato administrativo. 3. O plano da eficácia está relacionado com a aptidão do ato para produzir efeitos jurídicos. Extinção dos atos administrativos: Extinção natural do ato administrativo: Ocorre quando o ato administrativo já produziu seus efeitos ou quando ele foi editado com prazo e este expirou. Extinção subjetiva: É uma extinção em razão do desaparecimento do beneficiário. Extinção objetiva: A extinção ocorre em razão do desaparecimento do objeto do ato, sendo extinto de maneira objetiva pelo poder público. FORMAS DE EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS REVOGAÇÃO Revogação é a retirada, do mundo jurídico, de um ato válido, mas que, segundo critério discricionário da administração, tornou-se inoportuno ou inconveniente. Extinção do ato administrativo perfeito e eficaz, com eficácia EX NUNC, por razões de CONVENIÊNCIA E OPORTUNIDADE. Compete a mesma autoridade que praticou o ato. Não se pode revogar: atos exauridos, preclusos, vinculados, enunciativos, etc. A revogação deve respeitar os direitos eventualmente adquiridos? SIM. Vide o teor da seguinte súmula: Súmula n. 473 do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. ANULAÇÃO A anulação deve ocorrer quando há vício no ato, relativo à legalidade ou legitimidade (ofensa à lei ou ao direito como um todo). É sempre um controle de legalidade, nunca de mérito. Extinção do ato ILEGAL, com eficácia EX TUNC. 95 Anulação e terceiros de boa-fé: Devem, porém, ser resguardados os efeitos já produzidos em relação aos terceiros de boa-fé. Trata-se de um direito adquirido? NÃO. Não há direito adquirido à produção de efeito de um ato nulo. O que ocorre é que os efeitos já produzidos até a data da anulação, perante terceiros de boa-fé, não serão desfeitos. Frise-se, os efeitos serão mantidos, não o ato em si. Ex. Funcionário de fato. Enunciados: Súmula n. 346 do STF: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula n. 473 do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Anulação e contraditório: A Administração, à luz do princípio da autotutela, tem o poder de rever e anular seus próprios atos, quando detectada a sua ilegalidade, consoante reza a Súmula 473/STF. Todavia, quando os referidos atos implicam invasão da esfera jurídica dos interesses individuais de seus administrados, é obrigatória a instauração de prévio processo administrativo, no qual seja observado o devido processo legal e os corolários da ampla defesa e do contraditório (STJ. 1ª Turma. AgInt no AgRg no AREsp 760.681/SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 03.06.2019). ATENÇÃO! Excepcionalmente, essa exigência de processo não se apresenta. Já reconheceu o STF que, quando a declaração de nulidade decorre de decisão judicial, estando o Administrador em seu estrito cumprimento, não há necessidade de instauração de processo. (STF, Rcl 5.819/TO) Limite temporal: 96 Na esfera federal, o art. 54 da Lei 9.784/99 estabelece em 05 anos o prazo para anulação de atos administrativos ilegais, seja qual for o vício, quando os efeitos do ato forem favoráveis ao administrado, salvo comprovada má-fé (o ônus da prova, nesse caso, é da administração). Resumindo: Destinatário de boa-fé: Prazo para anular ato ilegal, 5 anos. Destinatário de má-fé: Sem prazo para anular ato ilegal. E se o ato ilegal tenha sido praticado antes da Lei 9.784/99 como fica o limite temporal? (...) 1. Caso o ato acoimado de ilegalidade tenha sido praticado ANTES da promulgação da Lei n. 9.784/1999, a Administração tem o prazo de cincos anos a contar da vigência da aludida norma para anulá-lo; caso tenha sido praticado após a edição da mencionada Lei, o prazo quinquenal da Administração contar-se-á da prática do ato tido por ilegal, sob pena de decadência, nos termos do art. 54 da Lei n. 9.784/1999. (...) (AgRg no REsp 1.166.120/SC) Os Estados e Municípios podem editar lei sobre processo administrativo e prazo para anulação? SIM. A competência para legislar sobre Direito Administrativo é comum (art. 25, §1º, da CF). Cada ente federativo possui autonomia para legislar sobre processo administrativo e organização administrativa. Caso não haja legislação em algum Estado ou Município, o prazo do art. 54 da Lei n. 9.784/99 pode ser aplicado por analogia? SIM. O STJ aplica por analogia com base nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Súmula n. 633 do STJ: A Lei nº 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria. 97 Em um caso concreto, a Lei do Estado de São Paulo n. 10.177/98, que trata sobre processo administrativo, previu um prazo decadencial bem maior, 10 anos. Essa previsão é constitucional? NÃO. É inconstitucional. O prazo quinquenal consolidou-se como marco temporal geral nas relações entre o Poder Público e particularese esta Corte somente admite exceções ao princípio da isonomia quando houver fundamento razoável baseado na necessidade de remediar um desequilíbrio específico entre as partes. Se os demais estados da Federação aplicam, indistintamente, o prazo quinquenal para anulação de atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis aos administrados, seja por previsão em lei própria ou por aplicação analógica do art. 54 da Lei 9.784/1999, não há fundamento constitucional que justifique a situação excepcional de um determinado estado-membro. Logo, impõe-se o tratamento igualitário nas relações Estado-cidadão (STF. Plenário. ADI 6019/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12.4.2021 - Info 1012). Natureza desse prazo: Embora haja doutrina em contrário, prevalece o entendimento de que se trata de um prazo decadencial. Esse mesmo prazo se aplica ao caso de revisão do ato? NÃO. Segundo STF: “(...) O prazo de cinco anos previsto no art. 54 da Lei 9.784/1999 não diz respeito à revisão, mas sim à anulação dos atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários, ressalvados os casos em que for comprovada a má-fé (RMS 31.498 AgR, STF – Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Le- wandowski, julgamento 04.02.2014, DJe 18.02.2014). Anulação e ato inconstitucional: Embora realmente a regra seja a aplicação do art. 54 a atos administrativos de qualquer espécie, o STF já decidiu que o art. 54 deve ser afastado quando se trate de anular atos que contrariem flagrantemente a CF. 98 É possível a anulação do ato de anistia pela Administração Pública, evidenciada a violação direta do art. 8º do ADCT, mesmo quando decorrido o prazo decadencial contido na Lei 9.784/99: No exercício de seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica relativos à Portaria n. 1.104/1964, quando se comprovar a ausência de ato com motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento administrativo, o devido processo legal e a não devolução das verbas já recebidas. STF. Plenário. RE 817338/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16.10.2019 (Repercussão Geral – Tema 839) (Info 956). STJ. 1ª Seção. MS 20187-DF, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado Do TRF5), julgado em 10.08.2022 (Info 744). CASSAÇÃO É a extinção do ato administrativo quando o seu beneficiário deixa de cumprir os requisitos que deveria permanecer atendendo, como exigência para a manutenção do ato e de seus efeitos. A cassação pressupõe uma ilegalidade superveniente que é atribuída ao beneficiário, diferente da caducidade, onde há uma ilegalidade, mas que não é atribuída ao particular. CADUCIDADE Em relação ao ato administrativo, caducidade significa a extinção do ato, que se tornou incompatível com a nova legislação. Ex.: uma autorização de uso da calçada conferida a um restaurante. É dizer, uma nova legislação impede a permanência da situação anteriormente consentida pelo poder público. Obs.: Não confundir com a caducidade da concessão prevista na Lei 8.987/95. CONTRAPOSIÇÃO Ocorre quando ato anterior é extinto por ato superveniente cujos efeitos são a ele contrapostos. FORMAS DE CONVALIDAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS CONVALIDAÇÃO O art. 55 da Lei n. 9.784/99 disciplina a convalidação nos seguintes termos: “Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. 99 Condições: a) Defeito sanável; b) O ato NÃO acarretar lesão ao interesse público; c) O ato NÃO acarretar prejuízo a terceiros. d) Decisão discricionária da Administração acerca da conveniência e oportunidade de convalidar o ato (em vez de anulá-lo) A Convalidação pode atingir atos discricionários? SIM. A convalidação pode recair sobre atos vinculados ou discricionários, uma vez que não se trata de controle de mérito, e sim de legalidade, relativo a vícios sanáveis. Os defeitos sanáveis são: Vícios relativos à competência quanto à pessoa (não quanto à matéria), desde que não se trate de competência exclusiva; Vício de forma, desde que a lei não considere a forma elemento essencial à validade daquele ato. O ato administrativo de convalidação tem efeitos ex tunc, retroagindo seus efeitos ao momento em que foi originariamente praticado o ato convalidado. Convalidação pode ser de três espécies: (i) Ratificação: realizada pela MESMA autoridade. (ii) Confirmação: realizada por OUTRA autoridade. (iii) Saneamento: casos em que o particular é quem promove a sanatória do ato. Os efeitos da convalidação retroagem à data do ato convalidado. É obrigatória a convalidação? NÃO. A Lei 9.784/99 trata a convalidação como um ato discricionário: “os atos que apresentarem defeitos sanáveis PODERÃO ser convalidados pela própria Administração”. Além disso, a Lei trata a convalidação como um ato privativo da administração. 100 CONVERSÃO Na conversão, o ato, na categoria editada, é nulo, e, portanto, de convalidação impossível. Contudo, a autoridade percebe a possibilidade de substituí-lo por ato de categoria distinta e para a qual a nulidade deixaria de existir. Em suma, é o aproveitamento de ato defeituoso como ato válido, só que de outra categoria. Conversão x convalidação: Na conversão, pois, o ato, na categoria editada, é nulo, e, portanto, de convalidação impossível. Contudo, a autoridade percebe a possibilidade de substituí-lo por ato de categoria distinta e para a qual a nulidade deixaria de existir. Na convalidação, ademais, o ato anulável passa a ser plenamente válido sem que haja desnaturação de sua espécie. Principais diferenças entre a anulação, a revogação e a convalidação de atos administrativos descritas no art. 55 da Lei 9.784/99: ANULAÇÃO REVOGAÇÃO CONVALIDAÇÃO Retirada de atos inválidos, com vício, ilegais. Retirada de atos válidos, sem qualquer vício. Correção de atos com vícios sanáveis, desde que tais atos não tenham acarretado lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros. Opera retroativamente, resguardados os direitos já produzidos perante terceiros de boa-fé. Efeitos prospectivos; não é possível revogar atos que já tenham gerado direito adquirido. Opera retroativamente. Corrige o ato, tornando regulares os seus efeitos, passados e futuros. Pode ser efetuada pela administração, de ofício ou provocada, ou pelo Judiciário, se provocado. Só pode ser efetuada pela própria administração que praticou o ato. Só pode ser efetuada pela própria administração que praticou o ato. Pode incidir sobre atos vinculados e discricionários, Só incide sobre atos discricionários (não existe revogação de ato vinculado). Pode incidir sobre atos vinculados e discricionários. 101 exceto sobre o mérito administrativo. A anulação de ato com vício insanável é um ato vinculado. A anulação de ato com vício sanável que fosse passível de convalidação é um ato discricionário. A revogação é um ato discricionário. A convalidação é um ato discricionário. Em tese, a administração pode optar por anular o ato, mesmo que ele fosse passível de convalidação. Súmula n. 6 do STF: A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria, ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por aquele tribunal, ressalvada a competência revisora do Judiciário. Súmula n. 346 do STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula n. 473 do STF: A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque delesnão se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Súmula n. 510 do STF: Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial. Qual o prazo de que dispõe a administração pública federal para anular um ato administrativo ilegal que gere benefícios ao administrado? REGRA 5 anos, contados da data em que o ato foi praticado. EXCEÇÃO 1 Em caso de má-fé. Se ficar comprovada a má-fé, não há prazo, ou seja, a Administração Pública pode anular o ato administrativo mesmo que já tenha se passado mais de 5 anos. EXCEÇÃO 2 Em caso de afronta direta à Constituição Federal. O prazo decadencial de 5 anos do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. Trata-se de exceção construída pela jurisprudência do STF. (Info 741). EXCEÇÃO 3 Não decai o direito de anular licença ambiental reputada ilegal, pois não há direito a poluir o meio ambiente. 102 Atos com efeitos patrimoniais contínuos: Tratando-se de atos que gerem efeitos patrimoniais contínuos como, por exemplo, o pagamento de remuneração a servidor, o prazo decadencial conta-se da percepção do primeiro pagamento (art. 54, § 1º, do mesmo diploma). Lei n. 9.784/99, Artigo 54. O direito da administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. § 1° No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro pagamento. Ato ilegal ampliativo de direitos do administrado: Caso o servidor estivesse recebendo a vantagem econômica em razão de um ato administrativo ilegal, tal ato ampliava seus direitos, portanto só pode ser retirado daqui para frente. Estando ele de boa-fé, a anulação somente produzirá efeitos para o futuro, tendo eficácia ex nunc. Dessa forma, o servidor vai deixar de receber a vantagem, mas não terá que devolver o período recebido. A “teoria do fato consumado" pode ser aplicada para consolidar remoção de servidor público destinada a acompanhamento de cônjuge? DEPENDE. A “teoria do fato consumado" NÃO pode ser aplicada para consolidar remoção de servidor público destinada a acompanhamento de cônjuge, em hipótese que não se adequa à legalidade estrita, ainda que tal situação haja perdurado por vários anos em virtude de decisão liminar não confirmada por ocasião do julgamento de mérito. Precedente: EREsp 1.157.628-RJ ou Info 598 do STJ. O vício consistente na falta de motivação de portaria de remoção ex officio de servidor público pode ser convalidado? SIM. O vício consistente na falta de motivação de portaria de remoção ex officio de servidor público pode ser convalidado, de forma excepcional, mediante a exposição, em momento posterior, dos motivos idôneos e preexistentes que foram a razão determinante para a prática do ato, ainda que estes tenham sido apresentados apenas nas informações prestadas pela autoridade coatora em mandado de segurança impetrado pelo servidor removido. Precedente: AgRg no RMS 40.427-DF ou Info 529 do STJ. 103 3. AMOSTRA CDC ESQUEMATIZADO Obs.: Aqui é só uma amostra de parte do material “Ler a Lei” do CDC esquematizado. O material completo só no curso. TÍTULO I Dos Direitos do Consumidor CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias. Segundo o STJ “as normas de proteção e defesa do consumidor têm índole de ordem pública e interesse social. São, portanto indisponíveis e inafastáveis, pois resguardam valores básicos e fundamentais da ordem jurídica do Estado Social (...).” (STJ, REsp 586316) O fato de a defesa do consumidor ser de ordem pública reflete na possibilidade de o juiz, nas relações de consumo, agir de ofício. Ex.: inversão do ônus da prova (art. 6º, inc. VIII), declaração de nulidade de cláusula abusiva de ofício (art. 51). Atentar para a súmula 381 do STJ, que traz uma exceção: Súmula n. 381 do STJ: Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas. Art. 2° consumidor é - toda pessoa FÍSICA ou JURÍDICA - que adquire ou utiliza - produto ou serviço - como destinatário final. Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo. 104 MPE/SC (Banca própria, 2014): Consumidor é todo aquele que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final, não se enquadrando neste conceito as pessoas jurídicas. Errado. Quem é consumidor? Consumidor “strictu sensu” ou “standard” É toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final (art. 2º, caput). Consumidor equiparado A coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo (art. 2º, p. único). Todas as vítimas de danos ocasionados pelo fornecimento de produto ou serviço defeituoso (art. 17) – chamados de bystanders. Todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas comerciais abusivas (art. 29) No contrato de compra e venda de insumos agrícolas, o produtor rural não pode ser considerado destinatário final, razão pela qual, nesses casos, não incide o Código de Defesa do Consumidor. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 363.209/RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 15.06.2020. STJ. 3ª Turma. AgInt no AgInt no AREsp 1509325/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Belizze, julgado em 20.04.2020. O conceito de consumidor na doutrina e jurisprudência: Teoria finalista: Os finalistas propõem que a expressão “destinatário final” tenha uma interpretação restrita. Nesse sentido, destinatário final (que pode ser tanto uma pessoa jurídica quanto pessoa física) seria aquele destinatário fático e econômico do bem ou serviço. Assim, para ser consumidor não basta só retirar o produto da cadeia de produção, levando-o para escritório ou residência (destinatário fático), tem, também, que pôr um fim na cadeia de produção (destinatário econômico). 105 Em outros termos, não pode adquiri-lo para revenda ou para uso profissional, pois o bem seria novamente um instrumento de produção. O produto ou serviço deve ter uso estritamente “pessoal”, para atender a uma necessidade própria. Resumindo, o ciclo econômico encerra na pessoa do consumidor adquirente. Teoria maximalista: Para essa corrente, o art. 2º do CDC deve ter uma interpretação mais extensa possível, com uma definição objetiva. Destinatário final seria o destinatário fático do produto, aquele que o retira do mercado e utiliza, não importa se com fim de lucro ou não. Com a entrada do CC/2002 essa corrente perdeu a sua força. FINALISTA MAXIMALISTA Conceito econômico de consumidor. Conceito jurídico de consumidor. Conceito subjetivo. Conceito objetivo. Destinatário fático e econômico. Destinatário fático. O que entendeu a jurisprudência em relação à extensão do conceito de consumidor? Interpretando a expressão “destinatário final”, constante do art. 2º do CDC, o STJ aderiu à teoria finalista como aquela que indica a melhor diretriz para interpretação do conceito de consumidor. Mas calma, o STJ fez uma mitigação a essa teoria, o que a doutrina nominou teoria finalista aprofundada, abrandada ou mitigada. Isso porque, admite-se a mitigação da teoria finalista para autorizar a incidência do CDC nas hipóteses em quea parte, embora não seja destinatária final do produto ou do serviço, apresente-se em situação de vulnerabilidade (STJ, REsp 476428 SC). Assim, em determinados casos, a pessoa adquirente de um produto ou serviço pode ser equiparada a consumidor, por apresentar vulnerabilidade frente ao fornecedor, que constitui o princípio motor da política nacional das relações de consumo. O que é vulnerabilidade? Vulnerabilidade é uma situação permanente ou transitória, individual ou coletiva, que fragiliza, enfraquece o sujeito de direitos, desequilibrando a relação de consumo. Formas de tornar o consumidor vulnerável: A doutrina tradicionalmente aponta três tipos de vulnerabilidade 106 a) Técnica: ausência de conhecimento específico acerca do produto ou serviço objeto de consumo. b) Jurídica: falta de conhecimento jurídico, contábil ou econômico e de seus reflexos na relação de consumo. c) Fática: situações em que a insuficiência econômica, física ou até mesmo psicológica do consumidor o coloca em pé de desigualdade frente ao fornecedor. O STJ entende que há uma quarta modalidade intrínseca ao consumidor: a vulnerabilidade informacional: dados insuficientes sobre o produto ou serviço capazes de influenciar no processo decisório da compra. MPE-GO (BANCA PRÓPRIA), 2019 - Adaptada: O Superior Tribunal de Justiça não admite a mitigação da teoria finalista para autorizar a incidência do Código de Defesa do Consumidor nas hipóteses em que a parte (pessoa física ou jurídica), apesar de não ser destinatária final do produto ou serviço, apresenta-se em situação de vulnerabilidade. Errado. CESPE, BRB, 2010: A condição de consumidor exige a destinação final fática e econômica do bem ou do serviço, mas a presunção de vulnerabilidade do consumidor dá margem à incidência excepcional do Código de Defesa do Consumidor (CDC) às atividades empresariais. Assim, o CDC não incidirá quando o fornecedor comprovar a não vulnerabilidade do consumidor pessoa jurídica. Certo. STJ: “A despeito da identificação das espécies de vulnerabilidade, a casuística poderá apresentar novas formas de vulnerabilidade aptas a atrair a incidência do CDC à relação de consumo.” (REsp, 1195642) Resumindo: Desde que comprovada a sua vulnerabilidade, o consumidor intermediário poderá recorrer ao CDC em suas relações comerciais. CESPE, TJ-PA, 2012 -Adapatada: O CDC prevê que se considere consumidor quem adquire produto como intermediário do ciclo de produção. Errada. A questão é errada pois não há menção sobre a vulnerabilidade. O consumidor intermediário somente poderá ser considerado consumidor se provar a presença de alguma vulnerabilidade. 107 Caso concreto: João ajuizou ação contra o Itaú Unibanco alegando que é acionista investidor da instituição financeira e que deveria ter recebido dividendos correspondentes às suas ações preferenciais e que eles não foram pagos pelo banco. Afirmou que se trata de relação de consumo e que, portanto, deveria ser aplicado o CDC. O STJ não concordou com a tese. De acordo com a teoria finalista ou subjetiva, adotada pelo STJ, o conceito de consumidor, para efeito de incidência das normas protetivas do CDC, leva em consideração a condição de destinatário final do produto ou serviço, nos termos do art. 2º do código. Assim, segundo a teoria subjetiva ou finalista, destinatário final é aquele que ultima a atividade econômica, isto é, que retira de circulação do mercado o bem ou o serviço para consumi-lo, suprindo uma necessidade ou satisfação própria. O investidor, ao adquirir ações no mercado imobiliário visando o recebimento de lucros e dividendos, não está abrangido pela proteção do CDC. Na atividade de aquisição de ações não é possível identificar nenhuma prestação de serviço por parte da instituição financeira, havendo sim uma relação de cunho puramente societário e empresarial. Situação diferente ocorreria se a ação envolvesse o serviço de corretagem de valores e título mobiliários. STJ. 3ª Turma. REsp 1685098-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 10.03.2020 (Info 671). Pessoa jurídica de direito público pode ser considerada consumidora? SIM, desde que vulneráveis na relação jurídica (esse é o entendimento do STJ lançado no Resp. 913711). CESPE, PGE-BA, 2014: As pessoas jurídicas de direito público podem ser consideradas consumidores, desde que presente a vulnerabilidade na relação jurídica. Certo. Art. 3° fornecedor é - toda pessoa - física ou jurídica, 108 - pública ou privada, - nacional ou estrangeira, - bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. VUNESP, PGM Marília, 2017: Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, excepcionando-se os entes despersonalizados. Errado. CESPE, DPE-AL, 2017: O conceito de fornecedor não abarca as pessoas jurídicas que atuam sem fins lucrativos, com caráter beneficente ou filantrópico, ainda que elas desenvolvam, mediante remuneração, atividades no mercado de consumo. Errado. RELAÇÃO DE CONSUMO Elementos subjetivos Consumidor e fornecedor Elementos objetivos Produto e serviço CESPE, DPE-TO, 2013: Produtos e serviços são considerados elementos subjetivos da relação de consumo desde que tenham valor econômico. Errado. ATENÇÃO! A habitualidade insere-se tanto no conceito de fornecedor de serviços quanto no de produtos, para fins de incidência do CDC. Em suma, o critério caracterizador é desenvolver atividades tipicamente profissionais, como a comercialização, a produção, a importação de produto, indicando também a necessidade de certa habitualidade. Ser um fornecedor não é qualidade ligada ao objetivo de lucro. Segundo o STJ, as normas do CDC não se aplicam às relações de compra e venda de objeto totalmente diferente daquele que não se reveste da natureza do comércio exercido pelo vendedor (STJ, AGA 150829/DF). 109 O que é fornecedor equiparado? O Fornecedor equiparado é o terceiro intermediário ou aquele que auxilia na relação de consumo principal, a exemplo dos bancos de dados nos serviços de proteção ao crédito. § 1° produto é - qualquer bem, - móvel ou imóvel, material ou imaterial. § 2° serviço é - qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, - mediante remuneração, - inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, - SALVO as decorrentes das relações de caráter trabalhista. VUNESP, PGM VALINHOS, 2019: Produto é qualquer coisa fungível ou infungível, desde que móvel. Errado. O §2º fala em “mediante remuneração”, o que dá a entender que não se encaixa os serviços gratuitos. O STJ, interpretando o dispositivo, fez um alerta no sentido de que “o serviço pode ser prestado pelo fornecedor mediante uma remuneração INDIRETA (REsp. 566468). Assim, só serão excluídos os serviços totalmente gratuitos, aceitando-se tanto a remuneração direta quanto a indireta. VUNESP, PGM VALINHOS, 2019: Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração ou não. Errado. Alguns importantes entendimentos jurisprudenciais: 1) STJ, Súmula 297: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras. 2) STJ, Súmula 563: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades ABERTAS de previdência complementar, não incidindo nos contratos previdenciários celebrados com entidades fechadas. 110 3) O art. 3.º, § 2.º, do CDC exige a remuneração do serviço e, nesse caso, estariam excluídos do conceito legal os serviços públicos uti universi ou gerais que não são remunerados individualmentepelo usuário. Dessa forma, os serviços públicos que NÃO envolvem remuneração específica do usuário, pois são custeados por impostos (ex.: escolas e hospitais públicos), ESTÃO EXCLUÍDOS DO CDC. Nesse sentido, o STJ decidiu ser inaplicável o CDC aos serviços de saúde prestados por hospitais públicos, tendo em vista a ausência de remuneração específica (STJ, 1ª Turma, REsp 493.181/SP). PUC-PR, PGE-PR, 2015 -Adaptada: A relação entre paciente e hospital público, financiado por receitas tributárias e sem remuneração direta do serviço de saúde prestado pelo hospital, é considerada relação de consumo. Errado. 4) STJ decidiu que há relação de consumo entre a seguradora e a concessionária de veículos que firmam seguro empresarial visando à proteção do patrimônio desta (destinação pessoal) — ainda que com o intuito de resguardar veículos utilizados em sua atividade comercial —, desde que o seguro não integre os produtos ou serviços oferecidos por esta. STJ. 3ª Turma. REsp 1352419-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 19/8/2014 (Info 548). 5) A franquia é um contrato empresarial e, em razão de sua natureza, não está sujeito às regras protetivas previstas no CDC (STJ. 3ª Turma. REsp 1602076-SP). 6) Súmula n. 602 do STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável aos empreendimentos habitacionais promovidos pelas sociedades cooperativas. 7) Segundo o STJ aplica-se o CDC às Sociedades e Associações sem fins lucrativos quando fornecem produtos ou prestam serviços remunerados (REsp 436815 DF). 8) Súmula n. 608 do STF: Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os administrados por entidades de autogestão. 9) A cooperativa de crédito integra o sistema financeiro nacional, estando sujeita às normas do CDC (STJ, AgRg no Ag 1224838). 10) Não se aplica o Código de Defesa do Consumidor à relação contratual entre advogados e clientes, a qual é regida pelo Estatuto da Advocacia e da OAB - Lei n. 8.906/94 (AgRg nos EDcl no REsp 1474886/PB). 111 4. AMOSTRA ECA ESQUEMATIZADO Obs.: Aqui é só uma amostra de parte do material “Ler a Lei” do ECA esquematizado. O material completo só no curso. Título I Das Disposições Preliminares Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. Doutrina da proteção integral: O ECA claramente adotou a proteção integral à criança e ao adolescente, ou seja, não se limita apenas a tratar de medidas repressivas contra seus atos infracionais, mas sim reger a matéria de forma ampla, com um conjunto de mecanismos jurídicos voltados à tutela da daquelas. O dispositivo citado encontra amparo no art. 227 da CF. Evolução Histórica: 1) Fase da indiferença absoluta (até século XIV): não existiam normas relacionadas a criança e adolescente; 2) Fase da mera imputação criminal (até século XIX): as leis tinham o único propósito de coibir a prática de ilícitos por aquelas pessoas (Ordenações Afonsinas e Filipinas, Código Criminal do Império de 1830, Código Penal de 1890); 3) Fase tutelar, também denominada de Doutrina da Situação Irregular: conferiu ao mundo adulto poderes para promover a integração sociofamiliar da criança, com tutela reflexa de seus interesses pessoais (Código Mello Mattos de 1927 e Código de Menores de 1979); 4) Fase da Proteção Integral: em que as leis reconhecem direito se garantias às crianças e adolescentes, considerando-as como pessoas em desenvolvimento. Fase em que se insere o ECA. VUNESP, TJ-MS/JUIZ, 2015 (Adaptada): Com relação à retrospectiva e evolução históricas do tratamento jurídico destinado à criança e ao adolescente no ordenamento pátrio, é correto afirmar que: Na fase da absoluta indiferença, não havia leis voltadas aos direitos e deveres de crianças e adolescentes. Certo. 112 Na fase da proteção integral, regida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, as leis se limitam ao reconhecimento de direitos e garantias de crianças e adolescentes, sem intersecção com o direito amplo à infância, porque direito social, amparado pelo artigo 6o da Constituição Federal. Errado. A fase da mera imputação criminal não se insere na evolução histórica do tratamento jurídico concedido à criança e ao adolescente no ordenamento jurídico pátrio porque extraída do direito comparado. Errado. Na fase da mera imputação criminal, regida pelas Ordenações Afonsinas e Filipinas, pelo Código Criminal do Império, de 1830, e pelo Código Penal, de 1890, as leis se limitavam à responsabilização criminal de maiores de 16 (dezesseis) anos por prática de ato equiparado a crime. Errado. FCC, DPE-SP, 2013 (Adaptada): Analisando-se os paradigmas legislativos em matéria de infância e juventude, pode-se afirmar que antes da edição do Código de Mello Mattos, em 1927, vigorava o modelo penal indiferenciado. Certo. FCC, AL-PB, 2013 (Adaptada): O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no 8.069/90), ao ser editado, alterou substancialmente o paradigma legislativo na área da infância e juventude, implementando a doutrina da proteção integral, envolvendo Estado, família e sociedade na proteção dos direitos de crianças e adolescentes. Certo. CESPE/CEBRASPE, DPE-ES, 2012: Foi a partir da Proclamação da República que os menores passaram a ser detentores dos direitos fundamentais de liberdade. Certo. CESPE/CEBRASPE, DPE-ES, 2012: O princípio da absoluta prioridade dos direitos das crianças e dos adolescentes foi instituído, pela primeira vez, pela CF. Certo. No Brasil: Código de Mello Matos de 1927: Doutrina da situação irregular (menor era tido como um objeto de proteção). 113 Código de Menores de 1979: Doutrina da situação irregular (menor era tido como um objeto de proteção). Não havia distinção entre criança e adolescente, ele era endereçado apenas àqueles tidos como “menores em situação irregular”. Constituição de 1988: Doutrina da proteção integral (criança e adolescentes sujeito de direitos). Estatuto da Criança e Adolescente - ECA: Doutrina da proteção integral (criança e adolescentes sujeito de direitos). CUIDADO! A doutrina da situação irregular NÃO vigorou até a entrada em vigor do ECA (1990) e sim até a CF de 1988. Detalhe importante: O primeiro diploma internacional voltado para tutela de crianças e adolescentes foi a Convenção para a Repressão do Tráfico de Mulheres e Crianças aprovada em 1921. FCC, TRT6/JUIZ, 2015 (Adaptada): A proibição do trabalho infantil fundamenta-se no princípio da proteção integral da criança e do adolescente que, por sua vez, reconhece que a infância é o período de vida destinado a atividades lúdicas, à prática de esportes, à convivência familiar e comunitária, ao acesso à educação, neste último caso, estendendo-a à profissionalização e para o aprendizado acadêmico, na busca de sua formação humana. Esse entendimento somente se consolidou com o advento da Constituição Federal de 88 e do Estatuto da Criança e do Adolescente. Certo. CESPE/CEBRASPE, TJ-SE/JUIZ, 2014 (Adaptada): O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) adota a doutrina da situação irregular, cujos fundamentos são a situação de abandono e o desvio de conduta da criança ou do adolescente. Errado. CESPE/CEBRASPE, TJ-RN/JUIZ, 2013 (Adaptada): No que se refere à proteção dos direitos das crianças e adolescentes, no texto da CF, foi conferida, pela primeira vez na história brasileira, prioridade absoluta à criança, tendo-se afirmado sua proteção como dever da família, da sociedade e do Estado. Certo. CESPE/CEBRASPE, DPE-ES, 2012: O antigo Código de Menores estabelecia a distinção entre crianças e adolescentes. Errado. 114 Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. Critério adotado: cronológicoabsoluto/critério etário. Em outras palavras, apenas a idade é levada em consideração nessa classificação. Eventual aquisição de capacidade civil pela emancipação NÃO tem o condão de retirar a condição de adolescente para a garantia de seus direitos. VUNESP, TJ-SP/JUIZ, 2014 (Adaptada): A proteção integral da criança ou adolescente é devida em função de sua faixa etária porque o critério adotado pelo legislador foi o cronológico absoluto. Certo. Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. Ex.: adolescente com 17 anos e 11 meses que pratica ato infracional grave sujeito à medida de internação poderá ficar sujeito ao ECA mesmo após atingida a maioridade penal. Portanto, o primeiro artigo do ECA já nos informa e explica com clareza para quem é destinada essa legislação. Crianças: pessoas de até 12 anos de idade incompletos. Adolescentes: pessoas que têm entre 12 e 18 anos de idade. Casos expressos e excepcionais: pessoas que têm entre 18 e 21 anos de idade. FCC, MPE-MT, 2019 (Adaptada): A Lei n° 8.069/1990 aplica-se às crianças até 12 anos de idade incompletos e adolescentes entre 12 e 18 anos de idade, podendo ser aplicada excepcionalmente às pessoas entre 18 e 21 anos de idade. Certo. VUNESP, TJ-AC/JUIZ, 2019 (Adaptada): O Estatuto da Criança e do Adolescente é orientado pelo princípio da proteção integral da criança e do adolescente, que tem como marco legal o artigo 227 da Constituição Federal. Sob tal ótica, quanto à técnica empregada pelo diploma menorista para definir criança e 115 adolescente, bem como para considerá-los sujeitos de direitos e obrigações frente à família, à sociedade e ao Estado, é correto afirmar que de acordo com o artigo 2°, caput, criança é pessoa com até 12 (doze) anos incompletos, e adolescente aquela que tiver entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos, adotando-se critério cronológico absoluto. Certo. TJ-MG/JUIZ (BANCA PRÓPRIA), 2018 (Adaptada): Criança, para os efeitos do ECA, é a pessoa que possui até 12 (doze) anos de idade completos. Em situações excepcionais, expressas em lei, o Estatuto poderá ser aplicado às pessoas entre 18 (dezoito) anos e 21 (vinte um) anos de idade. Errado. Ponto de conexão: ECA, Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. [...] § 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade. Ex.: adotando que já tenha completado 18 anos Art. 40. O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver sob a guarda ou tutela dos adotantes. Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Rol meramente exemplificativo (numerus apertus). Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem discriminação de nascimento, situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem, condição econômica, ambiente social, região e local de moradia ou outra condição que diferencie as pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem. (incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art18 116 Artigo trata: Princípio da proteção integral; Princípio da dignidade; Princípio da não discriminação. FCC, ALESE, 2018 (Adaptada): Determinada comunidade entregou a um parlamentar estadual proposta de projeto de lei estabelecendo regramento próprio para a criação de crianças e de adolescentes de acordo com os princípios que norteiam a citada comunidade. Nesse cenário, não se pode afastar a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente, uma vez que seu regramento se aplica a todas as crianças e adolescentes, independentemente da comunidade em que vivam. Certo. DEVO LEMBRAR! Conforme preconizam os artigos 1º, 3º e 100, parágrafo único, inciso II, todos da Lei 8.069/90 (ECA), a proteção integral é dirigida a todas as crianças e adolescentes, e não somente em casos específicos previstos em lei. CESPE/CEBRASPE, STJ, 2015: O ECA dispõe sobre a proteção social à criança e ao adolescente e, em casos específicos previstos em lei, a proteção integral. Errado. Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Princípio da prioridade absoluta: Trata-se de princípio constitucional estabelecido pelo art. 227 da CF10, com previsão no art. 4º e no art. 100, parágrafo único, II, da Lei n. 8.069/90. Estabelece primazia em favor das crianças e dos adolescentes 10 Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc65.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc65.htm#art2 117 em todas as esferas de interesse. Seja no campo judicial, extrajudicial, administrativo, social ou familiar, o interesse infanto-juvenil deve preponderar. Não comporta indagações ou ponderações sobre o interesse a tutelar em primeiro lugar, já que a escolha foi realizada pela nação por meio do legislador constituinte. CUIDADO! O artigo trata de direito à educação, mas não o especifica. Já foi cobrado se o ensino superior era um desses deveres. CESPE/CEBRASPE, TJ-PR/JUIZ, 2019 (Adaptada): A atual doutrina da proteção integral, que rege o direito da criança e do adolescente, reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direito, devendo o Estado, a família e a sociedade lhes assegurar direitos fundamentais. Certo. Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. CESPE/CEBRASPE, MPE-CE, 2020: De acordo com as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente, a garantia da prioridade absoluta compreende a primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias. Certo. VUNESP, TJ-MT, 2018 (Adaptada): No que se refere à garantia da prioridade absoluta, da forma como prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, tem-se que esta compreende: preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas. Certo. VUNESP, DPE-MS, 2012 (Adaptada): São vários os princípios extraídos tanto da Constituição Federal quanto do Estatuto da Criança e do Adolescente. Dentre eles se destaca o da garantia prioritária, que pode ser definido como a prioridadepolíticos e direito eleitoral; b) direito penal, processual penal e processual civil; c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; II – que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; III – reservada a LEI COMPLEMENTAR; IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. f) Decreto Legislativo e Resolução: 12 DECRETO LEGISLATIVO RESOLUÇÃO Casos de COMPETÊNCIA EXCLUSIVA do Congresso Nacional. Casos de COMPETÊNCIA PRIVATIVA do Congresso Nacional, do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Efeitos externos. Efeitos internos, em regra. Sendo de competência exclusiva do Congresso Nacional, não há sanção pelo Presidente. A promulgação é feita pelo Presidente do Senado Federal, que o manda publicar. A promulgação é feita pela Mesa da Casa Legislativa que as expedir. Se for resolução da CD, é feita pela Mesa da CD. Se for resolução do SF, é feita pela Mesa do SF. Agora, quando se tratar de resolução do Congresso Nacional, a promulgação é feita pela Mesa do SF. g) Sanção e Veto: Apenas há sanção e veto nas leis complementares e ordinárias. Não há sanção e veto de emenda constitucional. Art. 66. § 1º Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, INCONSTITUCIONAL ou CONTRÁRIO AO INTERESSE PÚBLICO, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de QUINZE DIAS ÚTEIS, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de QUARENTA E OITO HORAS, ao PRESIDENTE DO SENADO FEDERAL os motivos do veto. A sanção e veto é de competência privativa do chefe do Poder Executivo. Não há possibilidade de delegação nesse caso. Veja: CRUZADINHA: Há atribuições PRIVATIVAS do Presidente da República que são DELEGÁVEIS aos MINISTROS DE ESTADO, PGR e AGU. São elas: Art. 84. (...) VI - dispor, mediante decreto, sobre: 13 a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei; XXV - prover (e extinguir) os cargos públicos federais, na forma da lei. O silêncio importa sanção. Portanto, EXISTE SANÇÃO TÁCITA. Todavia, NÃO EXISTE VETO TÁTICO. O veto parcial somente abrange texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. A sanção de projeto de lei iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo não convalida vício de iniciativa. Por essa razão, a Súmula a seguir foi cancelada: Súmula 5 do STF: A sanção do projeto supre a falta de iniciativa do Poder Executivo. Há duas espécies de veto: ESPÉCIES DE VETO JURÍDICO Ocorre quando se veta projeto de lei contrário ao direito. Cabe ao Chefe do Poder Executivo esclarecer qual é a contrariedade ao direito. POLÍTICO Ocorre quando se veta projeto de lei contrário ao interesse público. Cabe ao Chefe do Poder Executivo esclarecer qual é a contrariedade ao interesse público. O veto deve ser MOTIVADO. O veto não é passível de controle de constitucionalidade. Prevalece o entendimento da ADPF 01 – Questão de Ordem, na qual se decidiu que as razões do veto, seja ele político ou jurídico, diz respeito ao processo legislativo. A apreciação da sua (in)constitucionalidade indicaria violação à tripartição dos poderes. 14 O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. A VOTAÇÃO É ABERTA. COMPILADO JURISPRUDENCIAL Súmula vinculante n. 54: A medida provisória não apreciada pelo congresso nacional podia, até a Emenda Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição. A Casa Legislativa tem o direito de decidir quando usar o rito de urgência na apreciação dos projetos de lei, e o Poder Judiciário não deve interferir nisso por se tratar de matéria interna corporis. Precedente: ADPF 971/SP, ADPF 987/SP e ADPF 992/SP, julgados em 29/05/2023 (Info 1096 do STF). Não é permitida emenda parlamentar em projeto de lei do Executivo se provocar aumento de despesa ou não tiver pertinência estrita com a proposta original. Precedente: ADI 6.091/RR, julgado em 29/05/2023 (Info 1096 do STF). Lei de iniciativa parlamentar não pode criar Conselho de Fiscalização Profissional porque se trata de uma autarquia federal, que precisa de lei de iniciativa do Chefe do Poder Executivo. Precedente: ADI 3428/DF, julgado em 01/03/2023 (Info 1084 do STF). O poder de veto previsto no art. 66, § 1º, da Constituição não pode ser exercido após o decurso do prazo constitucional de 15 dias. STF. Plenário. ADPF 893/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 20/6/2022 (Info 1059). É constitucional a previsão regimental de rito de urgência para proposições que tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, descabendo ao Poder Judiciário examinar concretamente as razões que justificam sua adoção. STF. Plenário. ADI 6968/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 20/4/2022 (Info 1051). 15 Não há vício de iniciativa de lei na edição de norma de origem parlamentar que proíba a substituição de trabalhador privado em greve por servidor público. Precedente: Info 1049. As regras do processo legislativo previstas na CF são de observância obrigatória pelos Estados. Desse modo, é inconstitucional norma de CE que prevê quórum diferente de 3/5 para emendar à CE. Isso porque a CF prevê o quórum de 3/5. Precedente: Info 1043. As Constituições Estaduais não podem sujeitar outras matérias à lei complementar além daquelas previstas na CF. Isso porque o quórum da lei complementar exige mais articulação política, de modo que fazer mais exigências de lei complementar do que as contidas na CF em nível estadual provoca o um desarranjo democrático-representativo. Precedente: Info 962 do STF. É possível que Constituição do Estado preveja iniciativa popular para propor emenda à Constituição Estadual. A CF não proibiu que isso ocorra. Ademais, a iniciativa popular fortalece os instrumentos de participação direta do povo na vida política. Precedente: Info 921 do STF. O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de conversão de medida provisória quando a emenda estiver associada ao tema e à finalidade original da medida provisória. Precedente: Info 1038. O artigo 62, § 1º, IV, da CF veda a edição de medidas provisórias sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. Contudo, se um projeto de lei for sancionado ou vetado pelo Presidente e, no mesmo dia, ele editar uma MP sobre a matéria, essa vedação não incide, tendo em vista que não há pendência de sanção ou veto. Precedente: Info 1026. Em respeito ao princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal, quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das Casas Legislativas, por se tratar de matéria ‘interna corporis’. Precedente: Info 1021. 16 Não é possível republicar uma lei já sancionada, promulgada e publicada para incluir novos vetos,de atendimento da criança e do adolescente em todos os serviços prestados pelo Estado. Certo. 118 MPE-SC (BANCA PRÓPRIA), 2013: É dever do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária da criança e do adolescente, mas, a garantia de prioridade de que fala o artigo 4º do ECA, não inclui a preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas. Errado. Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Essa norma vale somente para os pais? NÃO. Vale para qualquer pessoa que tenha contato com a criança e adolescente (proteção integral). Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. Critérios de interpretação: Fins sociais; Exigências do bem comum; Direitos e deveres individuais e coletivos; Condição peculiar da criança e adolescente como pessoa em desenvolvimento. FCC, DPE-ES, 2016 (Adaptada): São aspectos que, entre outros, o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente − ECA expressamente determina sejam observados na interpretação de seus dispositivos: Os deveres individuais e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. Certo. 1. PROCESSO LEGISLATIVO 1.1 Meta 1 1.2. Material de apoio: Processo Legislativo 1.2.1. Conceito 1.2.2. Classificação 1.2.3. Processo Legislativo Ordinário 1.2.3.1. Fase introdutória 1.2.3.2. Fase constitutiva 1.2.3.3. Fase complementar 1.2.4 Procedimento Legislativo Sumário 1.2.5. Lei ordinária e lei complementar 1.2.6. Processos Legislativos Especiais 1.2.6.1. Emendas à Constituição 1.2.6.2. Medidas Provisórias 1.2.6.3. Leis delegadas 1.2.6.4. Decretos legislativos 1.2.6.5. Resoluções 1.2.7. Processo legislativo nos Estados-membros e Municípios 1.2.8. Controle judicial do processo legislativo 2. ATOS ADMINISTRATIVOS 2.1. Meta 2 2.2 Material de revisão (RPP): Atos Administrativos 3. AMOSTRA CDC ESQUEMATIZADO 4. AMOSTRA ECA ESQUEMATIZADOainda que sob o argumento de que se trata de mera retificação da versão original. Precedente: Info 1005 do STF. Se parte de um projeto de lei for vetada pelo Executivo, esse veto irá ser apreciado pelo Legislativo. Contudo, o Poder Executivo pode promulgar a parte da lei que foi sancionada. Não há qualquer inconstitucionalidade nisso. Precedente: Tema 595. Lei complementar de iniciativa parlamentar que que contenha regras de caráter nacional sobre a aposentadoria de policiais é formalmente constitucional. Isso porque não dispõe sobre servidores da União, mas sobre servidores de todos os entes federativos. Além disso, a adoção de requisitos e critérios diferenciados em favor dos policiais para a concessão de aposentadoria voluntária é materialmente constitucional. Precedente: Info 1027. Lei de iniciativa parlamentar não pode criar órgão público e tratar sobre organização administrativa. Isso porque tal matéria é de iniciativa reservada do chefe do Executivo. Precedente: Info 998. É constitucional lei de iniciativa parlamentar que cria conselho de representantes da sociedade civil com atribuição de fiscalizar ações do Executivo. Precedente: Info 994. É inconstitucional norma de Constituição Estadual que exija prévia arguição e aprovação da Assembleia Legislativa para que o Governador do Estado nomeie os dirigentes das autarquias e fundações públicas, os presidentes das empresas de economia mista e assemelhados, os interventores de Municípios, bem como os titulares da Defensoria Pública e da Procuradoria-Geral do Estado. Precedente: ADI 2167 - Info 980 do STF. É inconstitucional lei de iniciativa parlamentar que impõe ao DETRAN a publicação de listas de veículos sinistrados. Isso porque a lei acaba por criar atribuição a órgão público, que é matéria de iniciativa privativa do Chefe do Executivo. Precedente: Info 934 do STF. 17 Lei estadual, de iniciativa parlamentar, que reduza ou isente custas é inconstitucional, porque cabe aos órgãos superiores do Poder Judiciário a iniciativa do processo legislativo sobre o tema. Precedente: ADI 3629. A iniciativa de projetos de lei que tratem sobre a organização e o funcionamento dos Tribunais de Contas é reservada privativamente ao próprio Tribunal (arts. 73 e 96, II, “b”, da CF/88). É possível que haja emendas parlamentares em projetos de lei de iniciativa do Tribunal de Contas, desde que respeitados dois requisitos: a) guardem pertinência temática com a proposta original (tratem sobre o mesmo assunto); b) não acarretem aumento de despesas. Precedente: Info 818 do STF. Durante a tramitação de uma medida provisória no Congresso Nacional, os parlamentares poderão apresentar emendas, desde que tais emendas tenham pertinência temática com a medida provisória que está sendo apreciada. Precedente: Info 803 do STF. É possível o controle judicial dos pressupostos de relevância e urgência para a edição de medidas provisórias, no entanto, esse exame é de domínio estrito, somente havendo a invalidação quando demonstrada a inexistência cabal desses requisitos. Precedente: Info 996 do STF. É formalmente inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que trata sobre a criação de cargos e a estruturação de órgãos da Administração direta e autárquica. A iniciativa para essas matérias é reservada ao chefe do Poder Executivo. Precedente: Info 771 do STF. É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que obrigava que alguns agentes públicos estaduais (Magistrados, membros do MP, Deputados, Procuradores do Estado, Defensores Públicos, Delegados etc.) apresentassem, anualmente, a declaração de todos os seus bens à ALE. Não pode a Assembleia Legislativa outorgar-se a si mesma competência que não encontra previsão na Carta Federal. A lei somente seria válida quanto aos servidores do próprio Poder Legislativo que administrem ou sejam responsáveis por bens e valores, sendo constitucional que se exija que estes apresentem sua declaração de bens à ALE por se tratar de uma forma de controle administrativo interno. Precedente: Info 765 do STF. 18 É possível que emenda à Constituição Federal proposta por iniciativa parlamentar trate sobre as matérias previstas no art. 61, § 1º da CF. Precedente: Info 826 do STF. É constitucional lei complementar, de iniciativa parlamentar, que inclui município limítrofe na região metropolitana. A iniciativa para esse projeto de lei não é privativa do chefe do Poder Executivo e essa inclusão não acarreta aumento de despesa, não violando assim os arts. 61, § 1º e 63, I, da CF/88. Precedente: Info 766 do STF. É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que determinava que todos os órgãos que prestassem serviços de atendimento de emergência no Estado deveriam estar unificados em uma única central de atendimento telefônico. Precedente: Info 760 do STF. É inconstitucional lei estadual que estabelece que a remuneração dos Deputados Estaduais será um percentual sobre o subsídio dos Deputados Federais. Tal lei viola o princípio da autonomia dos entes federativos. Precedente: Info 747 do STF. A regra da iniciativa privativa do art. 61, § 1º, II, “c” da CF/88 deve ser aplicada no âmbito municipal. Precedente: Info 776 do STF. É possível o controle judicial dos pressupostos de relevância e urgência para a edição de medidas provisórias. Entretanto, só há inconstitucionalidade quando for flagrante. Precedente: Info 996. Salvo em caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos requisitos de relevância e urgência da MP. Precedente: Info 764 do STF. É inconstitucional medida provisória ou lei decorrente de conversão de medida provisória cujo conteúdo caracterize reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória anterior rejeitada, de eficácia exaurida por decurso do prazo ou que ainda não tenha sido apreciada pelo Congresso Nacional. A repetição do conteúdo, sem alterações substanciais, configura reedição. Precedente: Info 935 do STF. 19 O Presidente não pode desistir da MP. Como qualquer outro ato legislativo, a Medida Provisória é passível de ab-rogação mediante diploma de igual ou superior hierarquia. A revogação da MP por outra MP apenas suspende a eficácia da norma ab-rogada, que voltará a vigorar pelo tempo que lhe reste para apreciação, caso caduque ou seja rejeitada a MP ab-rogante. Precedente: ADI 2984. O art. 62, § 6º da CF/88 afirma que “se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando”. Apesar de o dispositivo falar em “todas as demais deliberações”, o STF entende que ficam sobrestadas apenas as votações de projetos de leis ordinárias que versem sobre temas que possam ser tratados por medida provisória. Desse modo, a Câmara ou o Senado poderão votar normalmente propostas de emenda constitucional, projetos de lei complementar, projetos de resolução, projetos de decreto legislativo e até mesmo projetos de lei ordinária que tratem sobre um dos assuntos do art. 62, § 1º, da CF/88. Precedente: Info 870 do STF. É possível a edição de medidas provisórias tratando sobre matéria ambiental, desde que veiculando normas favoráveis ao meio ambiente. Normas que diminuam a proteção ao meio ambiente equilibrado só podem ser editadas por meio de lei formal. Dessa forma, é inconstitucional a edição de MP tratando de diminuição ou supressão de unidades de conservação, com consequências potencialmente danosas e graves ao ecossistema protegido. A proteção ao meio ambiente é um limite material implícitoà edição de medida provisória, ainda que não conste expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF/88. Precedente: Info 896 do STF. 20 1.2. Material de apoio: Processo Legislativo PROCESSO LEGISLATIVO Revisado até 01.11.2023 Base do resumo: Márcio André L. Cavalcante (Dizer o Direito) Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (material base) Pedro Lenza Marcelo Novelino José Afonso da Silva 1.2.1. Conceito A expressão “processo legislativo” compreende o conjunto de atos (iniciativa, emenda, votação, sanção e veto, promulgação e publicação) realizados pelos órgãos competentes na produção das leis e outras espécies normativas indicadas diretamente pela CF (normas primárias). O processo legislativo configura cláusula pétrea? NÃO. Embora disciplinado na CF, o processo legislativo das l eis NÃO é cláusula pétrea, podendo ser modificado por EC. Como caiu em prova: FCC, ALE-SE, 2018: O processo legislativo das leis previsto na Constituição da República é cláusula pétrea, não podendo ser modificado pelo poder reformador. Errado. 1.2.2. Classificação A doutrina clássica classifica os processos legislativos, quanto às formas de organização política, em: a) autocrático; b) direto; c) indireto ou representativo; d) semidireto. Autocrático: quando as leis são elaboradas pelo próprio governante, ficando excluída a participação dos cidadãos, seja de forma direta ou por meio de seus representantes (indireta). 21 Direto: é aquele em que ocorre discussão e votação das leis pelo próprio povo, diretamente. Indireto: no processo legislativo indireto ou representativo, os cidadãos escolhem representantes e lhes conferem poderes para a elaboração das espécies normativas que o integram, segundo procedimento previsto na CF. Semidireto: quando a elaboração legislativa exige a concordância da vontade do órgão representativo e, também, da vontade do eleitorado, esta manifestada por meio de referendum (ou referendo) popular. Qual o adotado no Brasil? O Brasil adota o processo legislativo indireto ou representativo. Quanto ao rito e aos prazos, os processos legislativos poderão ser: O processo legislativo ORDINÁRIO destina-se à elaboração das leis ordinárias, caracterizando-se pela inexistência de prazos rígidos para conclusão das diversas fases que o compõem. O processo legislativo SUMÁRIO segue as mesmas fases do processo ordinário, com a única diferença de existirem prazos para que o Congresso Nacional delibere sobre o assunto. Os processos legislativos ESPECIAIS seguem rito diferente do estabelecido para a elaboração das leis ordinárias, como é o caso, na CF/1988, dos processos especiais de elaboração das emendas à Constituição, das leis delegadas, das medidas provisórias, etc. 1.2.3. Processo Legislativo Ordinário O processo legislativo ordinário é aquele destinado à elaboração de uma lei ordinária. Desdobra-se em três fases: fase introdutória, fase constitutiva e fase complementar. A fase introdutória resume-se à iniciativa de lei, ato que desencadeia o processo de sua formação. A fase constitutiva compreende a discussão e votação do projeto de lei nas duas Casas do Congresso Nacional, bem como a manifestação do Chefe do Executivo (sanção ou veto) e, se for o caso, a apreciação do veto pelo Congresso Nacional. A fase complementar abrange a promulgação e a publicação da lei. 22 1.2.3.1. Fase introdutória Como visto, é a fase que dá início ao processo legislativo, por meio da denominada iniciativa de lei. Quem pode dar início a um projeto de lei? CF, Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição Esquematizando: Qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional; Presidente da República; STF; Tribunais Superiores; Procurador-Geral da República; e Cidadãos. O TCU possui legitimidade para iniciar algum projeto de lei? SIM. Embora a CF não contemple o TCU no rol dos legitimados a iniciativa de leis, formou-se o entendimento de que este detém a iniciativa de lei que regule seus cargos, funções e serviços, por força do art. 73 da CF. É a própria Corte de Contas quem tem competência reservada para deflagrar o processo legislativo que trate sobre essa matéria (arts. 73, 75 e 96 da CF/88). STF. Plenário. ADI 3223/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/11/2014 (Info 766). O legitimado que apresentou um projeto de lei pode desistir dele posteriormente? Em tese sim, o que implicará a desistência do prosseguimento da apreciação da respectiva matéria. Porém, a desistência não é ato unilateral. O requerimento de retirada poderá ser deferido ou indeferido pelas Casas Legislativas. 23 Espécies de iniciativa A iniciativa é dita parlamentar quando outorgada aos membros do CN e extraparlamentar quando conferida a órgãos e pessoas não integrantes do Congresso Nacional, ex.: Chefe do Executivo, Tribunais etc. Outras classificações: Iniciativa geral: quando outorgada a determinada autoridade ou órgão para apresentação de projeto de lei sobre matérias diversas, indeterminadas. Essa iniciativa compete ao Presidente (PR), membros do Congresso Nacional, comissões das Casas do Congresso e aos cidadãos (iniciativa popular). Obs. Na CF/88 ninguém possui iniciativa geral irrestrita. Devem ser respeitadas as hipóteses de iniciativa reservada. Iniciativa restrita: quando outorgada a determinada autoridade ou órgão para a apresentação de projeto de lei sobre matérias especificamente apontadas na CF. Iniciativa reservada (exclusiva ou privativa): quando só determinado órgão ou entidade tem o poder de propor leis sobre certa matéria, só podendo o processo legislativo ser deflagrado por eles, sob pena de se configurar vício formal de iniciativa, caracterizador da inconstitucionalidade do referido ato normativo. São exemplos de iniciativa de lei reservada na CF: Do Chefe do Executivo previsto no art. 61, § 1º. Do STF, para lei complementar do estatuto da magistratura. Do PGR, para a criação ou extinção de cargos e serviços auxiliares. Art. 96, II, do STF e tribunais superiores. Dos Tribunais de Contas, para a criação e extinção de seus cargos e remunerações Do Chefe do Executivo, quanto ao PPA, LDO e LOA, nos termos do art. 165, I, II e III Iniciativa concorrente: quando pertence, simultaneamente, a mais de um legitimado. Iniciativa vinculada: A iniciativa é vinculada para designar aquelas situações em que o legitimado é obrigado a dar início ao processo legislativo, na forma e prazos estabelecidos na CF. Ex. a iniciativa de leis orçamentárias. 24 Iniciativa e Casa iniciadora: A iniciativa de cada parlamentar ou de comissão é exercida perante sua respectiva casa. Assim, a apreciação de projetos de lei de iniciativa dos deputados ou de comissão integrante da Câmara dos Deputados terá início nessa Casa Legislativa, atuando o Senado Federal como Casa Revisora. Se a iniciativa da lei for de Senador ou de comissão do Senado Federal, esta casa iniciará sua apreciação e a revisão caberá à Câmara dos Deputados. E no caso de iniciativa do Presidente da República e outros órgãos extraparlamentares? Nesse caso, a iniciativa do Presidente da República, do STF, dos Tribunais Superiores, do Procurador-Geral da República e dos cidadãos (iniciativa popular) será exercida perante a Câmara dos Deputados. Iniciativa de Comissão Mista do Congresso Nacional: Caso a iniciativa seja de Comissão Mista do CongressoNacional, o projeto de lei deverá ser apresentado alternadamente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, conforme dispositivo do Regimento Comum do Congresso Nacional. Resumindo: ressalvada a iniciativa de senador ou comissão do Senado Federal ou de comissão mista, todas as demais iniciativas previstas no art. 61 são exercidas perante a Câmara dos Deputados. Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, PC-DF, 2013: Terá sempre início na Câmara dos Deputados a votação dos projetos de lei de iniciativa popular, das medidas provisórias e dos projetos de lei de iniciativa do presidente da República, do STF e dos tribunais superiores. Certo. VUNESP, PGM-Ribeirão Preto/SP, 2019: Ao tratar sobre as espécies normativas do processo legislativo brasileiro, a Constituição expressamente consigna que: A) as medidas provisórias, de legitimidade do Chefe do Poder Executivo, publicadas em caso de relevância e urgência, terão prazo máximo de vigência de 30 (trinta) dias, prorrogáveis por mais 30 (trinta) dias, e poderão versar, inclusive, sobre nacionalidade. B) são de iniciativa concorrente do Presidente da República e do Congresso Nacional as leis que fixem ou modifiquem os efetivos das forças armadas. 25 C) a Constituição poderá ser emenda mediante iniciativa popular, desde que o projeto seja subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído em 5 Estados, com não menos do que 3 décimos por cento em cada um deles. D) as medidas provisórias terão sua votação iniciada no Senado Federal. E) a discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados. Gab.: “E” Em caso de iniciativa exclusiva, pode o legitimado ser obrigado a deflagar o processo legislativo? NÃO. Tratando-se de projeto de lei de iniciativa privativa não pode o Legislativo assinar-lhe prazo para o exercício de tal prerrogativa (ADI 546). A Sanção presidencial convalida vício de iniciativa? NÃO. A sanção presidencial não convalida vício de iniciativa. Trata-se de vício formal insanável, incurável. Iniciativa popular: A iniciativa popular é um dos meios de participação direta do cidadão na vida do Estado, nos atos de governo (art. 14). Trata-se de uma iniciativa geral (poderá versar sobre qualquer matéria, ressalvadas as de iniciativa reservada de outros legitimados). Segundo PEDRO LENZA, “o aludido instituto serve apenas para dar o “start”, ou seja, tão só para deflagrar o processo legislativo, sendo que o Parlamento poderá rejeitar o projeto de lei ou, ainda, o que é pior, emendá-lo, desnaturando a essência do instituto”. Qualquer um do povo pode dar início a um projeto legislativo? NÃO é bem assim. A CF não outorgou a iniciativa popular a qualquer do povo, mas tão somente ao cidadão, isto é, ao detentor da denominada capacidade eleitoral ativa (capacidade de votar), possuidor do título eleitoral, no pleno gozo dos direitos políticos. Exigência constitucional: A CF exige a subscrição do projeto por, no mínimo, - 1% do eleitorado nacional, - distribuído pelo menos por CINCO estados, 26 - com não menos de TRÊS DÉCIMOS por cento dos eleitores de cada um deles (art. 61, §2º). Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2012: O exercício da iniciativa popular de lei se dá pela apresentação, à mesa do Congresso Nacional, de projeto subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por três décimos dos estados. Errado. No âmbito dos estados-membros e do DF, a CF deixou à lei a tarefa de dispor sobre a iniciativa popular no processo legislativo (art. 27, §4º e art. 32, §3º). A respeito do processo legislativo municipal, estabeleceu a CF a possibilidade de iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico no município, da cidade ou de bairros, através da manifestação de, pelo menos, 5% do eleitorado (art. 29, XIII). Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, PGE-PB, 2008: Os estados e municípios não têm autorização constitucional para aceitarem proposta de lei de origem popular. Errado. Defende a doutrina, que o projeto de lei de iniciativa popular deverá circunscrever-se a um só assunto, e NÃO poderá ser rejeitado por vício de forma, cabendo à Câmara dos Deputados, por meio de seu órgão competente, providenciar à correção de eventuais impropriedades de técnica legislativa ou de redação. Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, PC-DF, 2013: A iniciativa popular de lei pode ser exercida tanto no que tange às leis complementares como às leis ordinárias. Certo. CESPE/CEBRASPE, DPF, 2013: A iniciativa das leis ordinárias cabe a qualquer membro ou comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, bem como ao presidente da República, ao STF, aos tribunais superiores, ao procurador-geral da República e aos cidadãos. No que tange às leis complementares, a CF não autoriza a iniciativa popular de lei. Errado. 27 Iniciativa popular de “PEC” é possível? Embora tenha doutrina em sentido contrário, prevalece que NÃO é possível. Segundo Lenza, “conquanto desejável, o sistema brasileiro não admitiu expressamente a iniciativa popular para propostas de emendas à Constituição (PEC). Ao contrário, de modo expresso, o exercício do poder constituinte derivado reformador foi direcionado para o rol de legitimados previsto no art. 60, I, II e III, da CF/88, consagrando a denominada iniciativa concorrente.” Como caiu em prova: CESPE/CEBRASPE, MPE-ES, 2010: A CF consagrou, em seu texto, a iniciativa popular, sem restrição de matérias, para promover proposta de emenda constitucional. Errado. Constituição estadual pode ser emendada por proposta de iniciativa popular? SIM. No recente julgamento da ADI 825 (outubro de 2018), o STF decidiu que é constitucional a previsão da Constituição do Estado do Amapá que admite a propositura de emendas constitucionais por meio de iniciativa popular. Essa hipótese, admitida em diversas constituições estaduais, não está vedada pelo princípio da reserva de iniciativa nem pela simetria das cartas estaduais com a Carta Federal. No caso, embora a Constituição Federal não autorize proposta de iniciativa popular para emendas ao próprio texto, mas apenas para normas infraconstitucionais, não há impedimento para que as constituições estaduais prevejam a possibilidade, ampliando a competência constante da Carta Federal. Com a participação direta dos cidadãos na democracia, resta fortalecida a soberania popular (STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018). Como caiu em prova: VUNESP, TJ-RS, 2018: A iniciativa popular no processo de reforma da Constituição Federal de 1988 não é prevista expressamente pelo texto constitucional, muito embora seja admitida por alguns autores, com fundamento em uma interpretação sistemática da Constituição Federal. Certo. 28 Cabe iniciativa popular de matérias reservadas à iniciativa exclusiva de outros titulares? Segundo Lenza, “de modo geral, NÃO se admite a iniciativa popular para matérias em relação às quais a Constituição fixou determinado titular para deflagrar o processo legislativo (iniciativa exclusiva ou reservada).” José Afonso da Silva, expressamente, ao falar sobre a iniciativa popular, observa que se trata de “... iniciativa legislativa que ingressa no campo das iniciativas concorrentes. Não se admite iniciativa legislativa popular em matéria reservada à iniciativa exclusiva de outros titulares...”. Iniciativa privativa do Chefe do Executivo O art. 61, §1º, da CF, enumera as matérias cuja iniciativa de lei é privativa do Presidente da República. § 1º - São de INICIATIVA PRIVATIVA do PRESIDENTE DA REPÚBLICA as leis que: I - fixem ou modifiquem os efetivosdas Forças Armadas; II - disponham sobre: a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva. Esse dispositivo é de observância obrigatória no Estados, DF e municípios? SIM. As matérias cuja discussão legislativa depende de iniciativa privativa do Presidente da República, devem sujeitar-se à análoga exigência no âmbito dos estados-membros, do DF e dos municípios. Restringe, inclusive, a atuação do legislador constituinte estadual? 29 SIM. A iniciativa estabelecida no art. 61, §1º da CF restringe, igualmente, a atuação do legislador constituinte estadual e a do legislador da Lei Orgânica do município e do DF. Significa dizer, por exemplo, que é inconstitucional a disciplina pela Constituição Estadual de matérias incluídas no processo legislativo ordinário, na reserva de iniciativa do Poder Executivo. 1É constitucional lei complementar, de iniciativa parlamentar, que inclui município limítrofe na região metropolitana. A iniciativa para esse projeto de lei não é privativa do chefe do Poder Executivo e essa inclusão não acarreta aumento de despesa, não violando assim os arts. 61, § 1º e 63, I, da CF/88. STF. Plenário. ADI 2803/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6.11.2014 (Info 766). Constitucionalidade de lei estadual que obriga o Poder Executivo a divulgar dados de contratos e obras públicas É constitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que obriga o Poder Executivo do referido Estado-membro a divulgar, na imprensa oficial e na internet, a relação completa de obras atinentes a rodovias, portos e aeroportos (STF. Plenário. ADI 2444/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6.11.2014 - Info 766). A Corte entendeu que não havia qualquer vício formal ou material na referida lei, considerando que foi editada em atenção aos princípios da publicidade e da transparência, tendo por objetivo viabilizar a fiscalização das contas públicas. INICIATIVA DE LEI QUE DISPONHA SOBRE SERVIDORES PÚBLICOS A iniciativa de leis que tratam sobre regime jurídico de servidores é do chefe do Poder Executivo O STF julgou inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que dispunha sobre a carga horária diária e semanal de cirurgiões-dentistas nos centros odontológicos do referido Estado-membro. Houve 1 CAVALCANTE. Márcio André Lopes. Dizer o direito. Extraído do sítio: http://www.dizerodireito.com.br/ 30 inconstitucionalidade formal já que o projeto de lei, que trata sobre servidores públicos, foi iniciado por um Deputado Estadual (e não pelo Governador do Estado). O art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88 prevê que compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e deveres dos servidores públicos. Essa regra também é aplicada no âmbito estadual por força do princípio da simetria. O fato de o Governador do Estado ter sancionado o projeto de lei não faz com que o vício de iniciativa seja sanado (corrigido). A Súmula 5 do STF há muitos anos foi cancelada (STF. Plenário. ADI 3627/AP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 6.11.2014 - Info 766). É inconstitucional Lei Orgânica Municipal que disponha sobre o regime jurídico dos servidores públicos (seus direitos e deveres). O art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88 prevê que compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e deveres dos servidores públicos e sobre o regime jurídico dos militares. Essa regra também é aplicada no âmbito municipal por força do princípio da simetria (STF. Plenário. RE 590829/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5.3/2015 - Info 776). Outros julgados declarados INCONSTITUCIONAIS sobre iniciativa para projetos sobre servidores: Lei estadual, de iniciativa parlamentar, que concede anistia a servidores públicos punidos em virtude de participação em movimentos reivindicatórios. Existe um vício formal. Isso porque a CF/88 prevê que compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e deveres dos servidores públicos ( art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88) (STF. Plenário. ADI 1440/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 15/10/2014. Info 763); Lei Estadual, de iniciativa parlamentar, que impunha obrigação ao Procurador do Estado de ajuizar ação regressiva contra o servidor causador do dano (STF. Plenário. ADI 3564/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13/8/2014. Info 754). Iniciativa de lei que disponha sobre o regime jurídico dos servidores públicos e militares É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que disponha sobre o regime jurídico dos servidores públicos e dos miliares estaduais (seus direitos e deveres). O art. 61, § 1º, II, “c” e “f”, da CF/88 prevê que compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e deveres dos servidores públicos e sobre o regime jurídico dos militares. Essa regra também é aplicada no âmbito estadual por força do princípio da simetria. O fato de o Governador do Estado sancionar esse 31 projeto de lei não faz com que o vício de iniciativa seja sanado (corrigido). A Súmula 5 do STF há muitos anos foi cancelada. STF. Plenário. ADI 3920/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/2/2015 (Info 773). INICIATIVA DE LEI QUE DISPONHA SOBRE ATRIBUIÇÕES DOS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que determinava que todos os órgãos que prestassem serviços de atendimento de emergência no Estado deveriam estar unificados em uma única central de atendimento telefônico, que teria o número 190. Essa lei trata sobre “estruturação e atribuições” de órgãos da administração pública, matéria que é de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, II, “e”, da CF/88). A correta interpretação que deve ser dada ao art. 61, § 1º, II, “e” c/c o art. 84, VI, da CF/88 é a de que a iniciativa para leis que disponham sobre “estruturação e atribuições” dos órgãos públicos continua sendo do Poder Executivo, não tendo a EC 32/2001 tido a intenção de retirar essa iniciativa privativa. Ao contrário, tais matérias tanto são de interesse precípuo do Executivo que podem ser tratadas por meio de Decreto. STF. Plenário. ADI 2443/RS, Rel. Marco Aurélio, julgado em 25.9.2014 (Info 760). É formalmente inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que trata sobre a criação de cargos e a estruturação de órgãos da Administração direta e autárquica. A iniciativa para essas matérias é reservada ao chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, II, “a”, “c” e “e”, da CF/88). STF. Plenário. ADI 2940/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11.12.2014 (Info 771). É INCONSTITUCIONAL emenda à Constituição estadual, de iniciativa parlamentar, que disponha sobre o Conselho Estadual de Educação. Isso porque compete ao Governador do Estado a iniciativa de lei ou emenda constitucional que trate sobre a organização dos órgãos públicos, dentre os quais se inclui o referido Conselho. Aplica-se ao processo legislativo estadual, porforça do princípio da simetria, a regra prevista no art. 61, § 1º, II, “e”, da CF/88. STF. Plenário. ADI 2654/AL, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13.8.2014 (Info 754). Criação do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Educação Física e disciplina da eleição de seus membros efetivos e suplentes. Lei de iniciativa parlamentar. Inconstitucionalidade formal. Os conselhos de fiscalização profissional possuem natureza jurídica de autarquia federal, de forma que somente podem 32 ser criados por lei de iniciativa do presidente da república (artigo 61, § 1º, II, a, da constituição federal). [ADI 3.428, rel. min. Luiz Fux, j. 1º-3-2023, P, DJE de 24-4-2023.] Iniciativa dos tribunais do Poder Judiciário: Dispõe a CF que é de iniciativa do STF a lei complementar que disporá sobre o Estatuto da Magistratura (art. 93). Dispôs, ainda, que compete ao STF, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça a iniciativa de lei sobre a alteração do número de membros dos tribunais inferiores; a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhe forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver, a criação e extinção de tribunais inferiores; a alteração da organização e da divisão judiciária (art. 96, II). Cabe ao Tribunal de Justiça a iniciativa da lei de organização judiciária do respectivo estado (art. 125, §1º). Segundo o STF, a iniciativa legislativa, no que respeita a criação de sistema de conta única de depósitos judiciais e extrajudiciais, cabe ao Poder Judiciário, sendo inconstitucional a deflagração do processo legislativo pelo chefe do Executivo. Iniciativa em matéria tributária: Estabelece a CF que são de iniciativa do Presidente da República as leis que disponham sobre organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoa da administração dos Territórios (art. 61, §1º, II, “b”). Então quer dizer que compete somente ao Presidente a iniciativa em matéria tributária? Calma, não é bem assim. Cuidado com a interpretação desse dispositivo. Essa pergunta é uma pegadinha muito recorrente em prova. Esse dispositivo constitucional, ao se referir à iniciativa privativa do Presidente da República em matéria tributária, aplica-se exclusivamente aos tributos que digam respeito aos TERRITÓRIOS FEDERAIS. Em qualquer outro caso relativo ao Direito Tributário NÃO HÁ INICIATIVA LEGISLATIVA PRIVATIVA. Iniciativa da lei de organização do Ministério Público: A iniciativa de lei complementar de organização do MPU é concorrente entre o Presidente da República e o Procurador-Geral da República. https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2279182 33 Na esfera estadual, a iniciativa da lei complementar de organização do MPE é concorrente entre o governador de estado e o Procurador-Geral da Justiça. No âmbito do DF, considerando que compete à União organizar e manter o MP local, e que o MP do DF é um ramo do Ministério Público da União, a iniciativa de lei complementar de organização do MP do DF e Territórios, exercida perante o Congresso Nacional, é concorrente entre o Procurador-Geral da República e o Presidente da República. Cabe destacar, porém, que a concorrência entre o Procurador-Geral e o Chefe do Executivo não se aplica aos Ministérios Públicos que atuam junto aos Tribunais de Contas (art. 130). A organização destes deverá ser veiculada por meio de lei ordinária de iniciativa privativa do respectivo TRIBUNAL DE CONTAS. ATENÇÃO! Não pode se confundir a iniciativa de lei para a organização do MP com a iniciativa de lei para dispor sobre a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, a política remuneratória e os planos de carreira respectivos (iniciativa privativa do respectivo MP), tampouco com a iniciativa para dispor sobre normas gerais para a organização do MP dos Estados, do DF e dos Territórios, que é PRIVATIVA do Presidente da República (art. 61, §1º, II). Iniciativa das leis de organização dos Tribunais de Contas: Como visto, o Tribunal de Contas possui iniciativa privativa para as leis que tratam sobre sua organização e funcionamento. É inconstitucional lei de iniciativa parlamentar que trate sobre os cargos, a organização e o funcionamento do Tribunal de Contas. É a própria Corte de Contas quem tem competência reservada para deflagrar o processo legislativo que trate sobre essa matéria (arts. 73, 75 e 96 da CF/88). STF. Plenário. ADI 3223/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/11/2014 (Info 766). Essa prerrogativa do TCU contempla, também, o poder de iniciativa da lei de organização do MP que atua junto à Corte de Contas. Ademais, por força do art. 75 da CF, a mesma orientação se aplica aos tribunais de contas dos estados e do DF, bem como aos tribunais e conselhos de contas dos municípios onde houver. Pode ser fixado prazo para o exercício de iniciativa reservada? NÃO. Não pode o poder legislativo fixar prazo para que o detentor de iniciativa reservada apresente projeto de lei sobre respectiva matéria, tampouco o Poder Judiciário pode compelir outro Poder ao 34 exercício de iniciativa reservada, em face do postulado da separação dos poderes. O STF tem declarado a inconstitucionalidade de dispositivos nas CE que fixam prazo para o exercício de iniciativa reservada. Iniciativa privativa e emenda parlamentar: Mesmo nas hipóteses de iniciativa reservada a outros Poderes da República, a apresentação de projeto de lei pelo seu detentor não impede, como regra, que os congressistas a ele apresentem emendas. Esse poder de emenda parlamentar a projeto resultando de iniciativa reservada é ilimitado, absoluto? NÃO. Da CF extrai-se a seguinte norma: Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: I — nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º; Obs.: os §§ 3º e 4º tratam sobre os projetos de lei orçamentária e da LDO; nesses dois casos é possível que a emenda parlamentar acarrete aumento de despesas. Outrossim, consoante entendimento do STF (ADI 5087 MC/DF) é possível que haja emendas parlamentares em projetos de lei de iniciativa dos Poderes Executivo e Judiciário, desde que cumpram dois requisitos: NÃO IMPLIQUEM AUMENTO DE DESPESA nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República (ressalvadas as emendas aos projetos orçamentários) e nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos tribunais federais e do MP; Tenham PERTINÊNCIA TEMÁTICA com a matéria tratada no projeto apresentado. STF, ADI 4433/SC, Rel. Min. Rosa Weber, julg. em 18.6.2015. Para o STF, não basta que tratem da mesma matéria, a pertinência temática deve ser estrita: Embora possível a apresentação de emendas parlamentares a projetos de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo, são inconstitucionais os atos normativos resultantes de alterações que promovem aumento de despesa (art. 63, I, CF/88), bem como que não guardem estrita pertinência com o objeto da proposta original, ainda que digam respeito à mesma matéria. É inconstitucional — por violar a competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional (art. 22, XXIV, 35 CF/88) — norma estadual que dispõe sobre o reconhecimento e a validação de títulos acadêmicos obtidos no exterior. STF. Plenário. ADI 6.091/RR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 29/05/2023 (Info 1096). A sanção ao projeto de lei que possuir algum vício convalida o defeito? NÃO. É firme o entendimento do STF de que a sanção do projeto de lei NÃO convalida o defeito de emenda parlamentar (NEM DE VÍCIO DE INICIATIVA). É inconstitucional emenda parlamentarque institua gratificação para servidores públicos em projeto de lei de iniciativa do Executivo O Governador do Estado enviou um projeto de lei para a ALE tratando sobre servidores públicos estaduais e, por meio de uma emenda parlamentar, foi inserida determinada gratificação. O STF considerou essa previsão inconstitucional por violar o art. 63, I, da CF/88, que também se aplica na esfera estadual. STF. Plenário. ADI 4759 MC/BA, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/2/2014. Inconstitucionalidade de emendas a Constituições Estaduais iniciadas por parlamentares sobre matérias do art. 61 § 1º da CF É inconstitucional emenda constitucional que insira na CONSTITUIÇÃO ESTADUAL dispositivo determinando a revisão automática da remuneração de servidores públicos estaduais. Isso porque tal matéria é prevista no art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88 como sendo de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo. STF. Plenário. ADI 3848/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/2/2015 (Info 774). Dessa forma, o poder das Assembleias Legislativas de emendar Constituições Estaduais não pode avançar sobre temas cuja reserva de iniciativa é do Governador do Estado. ATENÇÃO! Esse entendimento acima exposto também vale para os casos de emenda à Constituição Federal? NÃO. Não existe iniciativa privativa (reservada) para propositura de emendas à Constituição Federal. Segundo o entendimento da doutrina e da maioria dos Ministros do STF, a posição do Supremo que proíbe que emendas constitucionais tratem sobre as matérias do art. 61, § 1º da CF SÓ VALE PARA EMENDAS À CONSTITUIÇÃO ESTADUAL. Nesse sentido: Daniel Sarmento2 e Pedro Lenza3 . Sobre o tema: 2 www.anadef.org.br0042015/Parecer_Autonomia_DPU_Daniel_Sarmento.pdf 3 www.conjur.com.br/2015-abr-22/pedro-lenza-subordinacao-defensoria-publica-significa-afrontar-constituicao http://www.anadef.org.br0042015/Parecer_Autonomia_DPU_Daniel_Sarmento.pdf http://www.conjur.com.br/2015-abr-22/pedro-lenza-subordinacao-defensoria-publica-significa-afrontar-constituicao 36 Dizer o Direito4: É possível que emenda à Constituição Federal proposta por iniciativa parlamentar trate sobre as matérias previstas no art. 61, § 1º da CF/88. As regras de reserva de iniciativa fixadas no art. 61, § 1º da CF/88 não são aplicáveis ao processo de emenda à Constituição Federal, que é disciplinado em seu art. 60. Assim, a EC 74/2013, que conferiu autonomia às Defensorias Públicas da União e do Distrito Federal, não viola o art. 61, § 1º, II, alínea "c", da CF/88 nem o princípio da separação dos poderes, mesmo tendo sido proposta por iniciativa parlamentar. STF. Plenário. ADI 5296 MC/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 18/5/2016 (Info 826). EC 74/2013 não tratou sobre regime jurídico de servidores públicos: Vale ressaltar, ainda, que o assunto veiculado na EC 74/2013 não se enquadra no art. 61, § 1º, II, "c", da CF/88 considerando que esta emenda não tratou sobre regime jurídico de servidores públicos da União. Ela dispôs sobre a Defensoria Pública como instituição, ou seja, sobre sua autonomia. Logo, ainda que fosse acolhida a tese central da ADI, mesmo assim não haveria inconstitucionalidade na EC 74/2013 por violação ao art. 61, § 1º, II, "c", da CF/88. Não houve violação ao princípio da separação dos Poderes: A EC 74/2013, mesmo tendo sido proposta por iniciativa parlamentar, não violou o princípio da separação dos Poderes. Isso porque não existe, no âmbito no federal, reserva de iniciativa em se tratando de emendas constitucionais. O STF entendeu também que a EC 74/2013 não violou os limites materiais do art. 60, § 4º, da CF/88. O Tribunal afirmou que, em diversas oportunidades, já analisou a autonomia das Defensorias Públicas estaduais introduzida pela EC 45/2004 no § 2º do art. 134 da CF/88 sem que houvesse qualquer indício de inconstitucionalidade. Assim, a concessão de autonomia às Defensorias Públicas não viola a ordem constitucional. Pelo contrário, essa medida é importante para o aperfeiçoamento do próprio sistema democrático. Isso porque a assistência jurídica aos hipossuficientes é direito fundamental como forma de amplo acesso à justiça. Além disso, essa arquitetura institucional encontra respaldo em práticas recomendadas pela comunidade jurídica internacional, a exemplo do estabelecido na Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos. No âmbito estadual, a conclusão é a mesma acima exposta? Os Deputados Estaduais podem apresentar emendas constitucionais tratando sobre os assuntos previstos no art. 61, § 1º da CF/88? NÃO. O STF entende que se houver uma emenda à Constituição ESTADUAL tratando sobre algum dos assuntos listados no art. 61, § 1º, da CF/88 (adaptados, por simetria, ao âmbito estadual), essa emenda deve ser 4 CAVALCANTE. Márcio André Lopes. Dizer o direito. Extraído do sítio: http://www.dizerodireito.com.br/ 37 proposta pelo chefe do Poder Executivo. Assim, é incabível que os Deputados Estaduais proponham uma emenda constitucional dispondo sobre o regime jurídico dos servidores públicos, por exemplo (art. 61, § 1º, II, “c”). Se isso fosse permitido, seria uma forma de burlar a regra do art. 61, § 1º, da CF/88. Em suma, “matéria restrita à iniciativa do Poder Executivo não pode ser regulada por emenda constitucional de origem parlamentar” (STF. Plenário. ADI 2.966, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgado em 06/04/2005). Dessa forma, o poder das Assembleias Legislativas de emendar Constituições Estaduais não pode avançar sobre temas cuja reserva de iniciativa é do Governador do Estado. Por que existe essa diferença de tratamento entre emenda à Constituição Federal e emenda à Constituição Estadual? O poder constituinte estadual não é originário. É poder constituído, cercado por limites mais rígidos do que o poder constituinte federal. A regra da simetria é um exemplo dessa limitação. Por essa razão, as Assembleias Legislativas se submetem a limites mais rigorosos quando pretendem emendar as Constituições Estaduais. Assim, se os Deputados Estaduais apresentam emenda à Constituição Estadual tratando sobre os assuntos do art. 61, § 1º, da CF/88 eles estão, em última análise, violando a própria regra da Constituição Federal. 1.2.3.2. Fase constitutiva A fase constitutiva compreende duas atuações distintas: Discussão do projeto de lei nas duas casas do Congresso Nacional; Manifestação do Chefe do Poder Executivo, por meio de SANÇÃO ou VETO, caso o projeto venha a ser aprovado nas casas do legislativo; Caso haja VETO do Chefe do Poder Executivo, tem-se, ainda, a obrigatória apreciação do veto pelo Congresso Nacional. Atuação prévia das comissões: Apresentado o projeto de lei ao Congresso Nacional, começa a fase de discussão de suas proposições. Em regra, o projeto, tanto na Casa Legislativa iniciadora quanto na Casa Revisora, é submetido à apreciação de duas comissões distintas, uma delas encarregada de examinar aspectos materiais (comissão temática ou técnica), e a outra incumbida de analisar os aspectos formais, ligados à sua constitucionalidade (Comissão de Constituição e Justiça). Caberá as comissões temáticas a discussão sobre o conteúdo da proposição, da qual poderá resultar a apresentação de emendas ou simplesmente a emissão de um parecer, a favor ou contra a aprovação da 38 matéria. O parecer das comissões temáticas é meramente opinativo, NÃO obriga a deliberação plenária. O projeto também passará por um exame de natureza formal, de competência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em que serão verificados os seus aspectos constitucionais, legais, jurídicos, regimentais e de técnica legislativa. Ao contrário dos pareceres das comissões temáticas, o parecer da CCJ é terminativo, e não meramente opinativo.