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TUBERCULOSE Rodovia MG 338 - km 12 - Colônia Rodrigo Silva Barbacena/MG - CEP: 36.201-143 - CX Postal 266 – (32) 3339 - 4920 1 SUMÁRIO Introdução 2 Agente etiológico 2 Modo de Transmissão 2 Epidemiologia 3 Prevenção 5 Diagnóstico bacteriológico 5 Tratamento 7 Referencial bibliográfico 9 2 2 INTRODUÇÃO A tuberculose trata-se de uma doença infecciosa e transmissível, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que afeta prioritariamente os pulmões podendo acometer diversos órgãos e sistemas. A infecção pulmonar é a de maior relevância à saúde pública responsável pela transmissão da doença.1 No Brasil, a tuberculose é um grave problema em saúde pública, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil novos. O Brasil ocupa o 17º lugar entre 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo. A distribuição dos casos está concentrada em 315 dos 5.564 municípios do País. É importante destacar que anualmente morrem 4,5 mil pessoas por tuberculose, doença curável e evitável. Em 2008, a tuberculose foi a quarta maior causa de morte por doenças infeccionas e a primeira de mortes dos pacientes com HIV.1,3 3 AGENTE ETIOLÓGICO A doença é causada por uma bactéria denominada Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, em homenagem ao seu descobridor Robert Koch (1843-1910), médico patologista e bacteriologista alemão. A tuberculose é causada por qualquer uma das sete espécies a seguir: M. bovis, M. africanum, M. canetti, M. microti, M. pinnipedii, M. caprae com tudo, a espécie mais importante pelo ponto de vista sanitário é M. tuberculosis.1,6 O gênero Mycobacterium é constituído por espécies do complexo M. tuberculosis, M leprae e outras denominadas micobactérias não causadores de tuberculose. A espécie M. tuberculosis é o principal agente da tuberculose humana, M. bovis, que causa a doença em bovinos, no homem e em vários mamíferos, M. africanum, agente etiológico da tuberculose humana na África, e M. caprae e M. pinnipedii que causam infecção em caprinos, e em leões marinhos e no homem.5 4 MODO DE TRANSMISSÃO A tuberculose é uma patologia com transmissão aérea, ou seja, ao falar, espirrar e, principalmente tossir, os doentes portadores da tuberculose lançam no ar partículas com bacilos, denominados bacilíferas.1 Estes responsáveis pela manutenção da cadeia de transmissão.3 3 A transmissão da doença é plena enquanto o paciente eliminar bacilos. Com o início do tratamento terapêutico, a transmissão decai gradativamente e, em geral, após 15 dias de tratamento chega a níveis insignificantes.1 5 EPIDEMIOLOGIA Em 2013, forma registrados 73.692 novos casos de tuberculose conforme gráfico 1, e diagnosticados 503 casos de multidrogarresistente.2 Figura 1: Números de casos de tuberculose em todas as formas. Brasil, 2009-2013 Figura 2: Taxa de incidência de tuberculose todas as formas. Brasil, 2009-2013 Em 2013, foram registrados 4.577 óbitos por tuberculose, com taxa de mortalidade de 2,3 óbitos /100 mil habitantes (Gráficos 3 e 4). 2 4 Figura 3: Número de óbitos por tuberculose. Brasil, 20019-2013 Figura 4: Taxa de mortalidade por tuberculose. Brasil, 2009-2013 Em 2013, o percentual de realização de cultura de escarros entre os novos casos de tuberculose foi de 23,4, enquanto de retratamento foi de 40,3% (gráfico 6). Do total de novos casos, 70% tiveram testagem realizada para HIV, sendo que 14,5% (gráfico 7). A cura entre os casos novos foi de 67,7% e a de casos de retratamento 46,6% (gráfico 5).2 Figura 5: Percentual de cura entre os casos de tuberculose. Brasil, 2009-2013 5 Figura 6: percentual de cultura entre os casos de retratamento da tuberculose. Brasil, 2009-2013 Figura 7: percentual de testagem para HIV entre os novos casos de tuberculose. Brasil, 2009-2013. 6 PREVENÇÃO Em 1908, os cientistas Albert Calmette e Camille Guérin isolaram uma cepa do bacilo da tuberculose para produzir culturas vivas atenuadas a serem usadas como vacina. A cepa recebeu o nome de bacilo Camette-Guérin, dando origem à BCG sendo aplicada pela primeira vez em crianças em 1921.2 Para prevenir a doença é necessário imunizar as crianças obrigatoriamente no primeiro ano de vida até no máximo quatro anos, com a vacina BCG. Crianças soropositivas ou recém-nascidos que apresentam sinais ou sintomas de HIV não devem receber a doença.2 A vacina não protege indivíduos já infectados pelo Mycobacterium tuberculosis mas oferece proteção aos não infectados contra as formas mais graves, como meningoencefalite tuberculosa e a tuberculose miliar na população menor de 5 anos.4 Para prevenir as pessoas devem evitar aglomerações, particularmente em ambientes fechados, mal ventilados e sem iluminação. Não há transmissão por objetos compartilhados.2 6 7 DIAGNÓSTICO BACTERIOLÓGICO A pesquisa bacteriológica é o método de importância tanto para diagnóstico quanto para controle de tratamento.3 O exame microscópio direto ou baciloscopia direta deve ser realizado por laboratórios públicos ou privados por ser um método simples e seguro. A pesquisa do bacilo álcool-ácido resistente – BAAR, pelo método de Ziehl – Nielsen, é a técnica mais utilizada. Na visualização microscopia são observados bastonetes delgados, ligeiramente curvados, granulosos, isolados aos pares ou em grupos e que apresentam-se corados de vermelho em um fundo azul, com coloração de Ziehl-Neelsen. A baciloscopia do escarro permite detectar 60 a 80% dos casos de tuberculose pulmonar.3,4 A cultura é um método de elevada especificidade e sensibilidade no diagnóstico da tuberculose. Nos casos pulmonares com baciloscopia negativa, a cultura do escarro pode aumentar em até 30% o diagnóstico da doença.3 Deve-se colher para amostra o escarro que provém da árvore brônquica, obtida após esforço de tosse e não a que obtém da faringe ou por aspiração de secreção nasal ou amostra com saliva. Outros espécimes clínicos podem ser utilizados para a investigação do Mycobacterium tuberculosis, além do catarro, entre elas: urina, pus, fluídos orgânicos oriundos de lavado gástrico e brônquico, escarro induzido, além de material de biopsia e de ressecção. O volume ideal é de 5 a 10 mL. O material deve ser coletado empotes plásticos: boca larga, descartáveis, transparente e estéril. A identificação do paciente deve ser feita no corpo do pote e nunca na tampa. 3,4 O diagnóstico deve ser feito a partir de, pelo menos, duas amostras de escarro. Será considerado como tuberculose pulmonar positiva o caso que apresentar: ● Duas baciloscopias diretas positivas; ou ● Uma baciloscopia direta positiva e cultura positiva; ou ● Uma baciloscopia direta positiva e imagem radiológica sugestiva de tuberculose; ou ● Duas ou mais baciloscopia negativa, com imagem radiológica sugestiva e achado clínico, solicitando cultura para efetivação do diagnóstico.4 7 Figura 8: Critérios para leitura e interpretação da baciloscopia do escarro, após concentração ou não, corada pelo método de Ziehl-Neelsen A cultura consiste na detecção e no isolamento da micobactéria, bem como na identificação da espécie e/ou complexo isolado, na determinação da sensibilidade do germe aos medicamentos de tuberculose. Os meios de cultura mais comumente utilizados são os sólidos à base de ovo, Lowenstein-Jensen e Ogawa-Kudoh. São vantajosos pois tem custos baixos e apresentam baixo índice de contaminação. A desvantagem é o tempo de detecção do crescimento bacteriano que varia de 14 a 30 dias, podendo se estender por até 8 semanas. Os antimicrobianos testados, em geral, são estreptomicina, isoniazida, rifampicina, etambutol e pirazinamida.3,4 8 TRATAMENTO Devido a taxa de cura inferior 85% e de abandono superior a 5% demonstraram a necessidade de aumentar a qualidade na cobertura do tratamento diretamente observado (TODO) no Brasil. Neste, o profissional de saúde passa a observar a tomada de medicação do paciente desde o início do tratamento.3 Para todo caso de tuberculose (novo ou retratamento) deve-se realizar o TDO, pois é impossível predizer quais casos não aderiram ao tratamento.3 Considerando o comportamento metabólico e localização do bacilo, o esquema terapêutico antituberculose deve atender a três objetivos: ● Ter atividade bactericida precoce: é a capacidade de matar o maior número de bacilos, o mais rápido possível. Em geral, após duas a três semanas de tratamento, a maior parte dos pacientes deixam de ser bacilífero. ● Ser capaz de prevenir a emergência de bacilos resistentes: a forma de evitar bacilos resistentes é a utilização de esquemas terapêuticos com diferentes fármacos antituberculose simultaneamente. 8 Figura 9: Frequência de mutantes resistentes em relação aos principais fármacos utilizados no tratamento da tuberculose. ● Ter atividade esterilizante: capacidade de eliminar todos os bacilos de uma lesão impedindo a recidiva da tuberculose após o tratamento. Em 2009, o Programa Nacional de Controle da Tuberculose prevê a apresentação farmacológica com comprimidos em dose fixas combinadas dos quatros medicamentos: rifampicina (R) 150 mg, isoniazida (H) 75 mg, pirazinamida (Z) 400mg e etambutol (E) 275 mg conforme figura 11. Para crianças abaixo de 10 anos, permanece a recomendação do esquema RHZ conforme figura 12. Figura 10: Esquemas preconizados segundo situação de tratamento do paciente e unidades de atendimento 9 Figura 11: Esquema básico para o tratamento da tuberculose em adultos e adolescentes. Figura 12: esquema básico para o tratamento da tuberculose em crianças (