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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 
 
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Psicologia da Educação 
De acordo com Antunes (2007 apud BARBOSA 2012 p. 163 – 173) a Psicologia Educacional pode ser 
descrita como uma subárea da psicologia que é considerada uma área de conhecimento a qual enten-
demos como corpus sistemático e organizado de saberes científicos, produzidos de acordo com pro-
cedimentos definidos, referentes à determinados fenômenos ou conjunto de fenômenos constituintes 
da realidade, fundamentado em questões ontológicas, epistemológicas, metodológicas e éticas deter-
minadas. É importante considerarmos as diversas concepções, abordagens e teorias que constituem 
esta área de conhecimento. 
Assim podemos afirmar que a Psicologia da Educação ou Psicologia Educacional é uma subárea de 
conhecimento, que tem como vocação a produção de saberes relativos aos fenômenos psicológicos 
constituinte do processo educativo. 
Diferentemente da Psicologia da Educação/Educacional, a Psicologia Escolar é definida pelo âmbito 
profissional com um campo de ação determinado, ou seja, é a escola e as relações que aí se estabe-
lecem; baseia sua atuação nos fundamentos teóricos adquiridos através da Psicologia da Educação e 
por outras subáreas da psicologia necessárias para o desenvolvimento das atividades (ANTUNES 
2007, apud BARBOSA, 2012 p. 163 – 173). 
O autor nos diz ainda que a Psicologia Educacional e a Psicologia da Escolar estão intimamente rela-
cionadas, mas não são iguais, não podendo reduzir-se uma à outra, pois cada uma possui sua autono-
mia. A primeira é a área do conhecimento que tem como objetivo compreender os fenômenos psicoló-
gicos envolvidos no processo educativo. A outra é considerada um campo de atuação profissional, 
sendo possível realização de intervenções no espaço escolar ou a ele relacionado. 
Segundo Santrock (2010, p. 2) “a psicologia é o estudo científico do comportamento e dos processos 
mentais. A Psicologia Educacional é o ramo da psicologia dedicado à compreensão do ensino e da 
aprendizagem no ambiente educacional”. 
Temos então uma área muito abrangente que quando descrita em seus mínimos detalhes pode nos 
render um livro com milhares de páginas. 
Mesmo com esta íntima relação entre psicologia e educação Bock (2003, p. 78) afirma que nem sempre 
foi assim: 
Enquanto a concepção dominante, na educação ocidental, foi a chamada Escola Tradicional, não houve 
necessidade de uma Psicologia para acompanhar a prática educativa. A Psicologia só se tornou ne-
cessária quando o Movimento da Escola Nova revolucionou a educação e construiu demandas espe-
cíficas para a psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. 
A autora explica que a Educação Tradicional compreende experiências e concepções pedagógicas que 
a caracterizam e de certa forma orientaram a educação desde o século XVIII até o século XX. Proces-
sos educativos que tiveram espaço principalmente nas escolas religiosas. 
Esta concepção tradicional pensou na educação como um trabalho de desenraizamento do mal natural 
do ser humano. Acreditava-se que o homem nascia dotado de uma natureza humana dupla: uma parte 
era corrompida pelo pecado original e a outra era considerada essencial, consideravelmente boa e 
construtiva. 
 
À educação cabia somente desenvolver a parte boa do ser humano, impedindo que a parte corrompida 
se manifestasse nas pessoas, e para isso utilizou-se o instrumento básico do saber. O conhecimento 
era visto como único instrumento capaz de dar ao homem o autocontrole necessário para aquilo que é 
ruim no homem fosse controlado. 
A Pedagogia da Escola tradicional já recebia o aluno como um ser humano corrompido. Suas ações no 
ambiente escolar de certa forma demonstravam isto: alunos inquietos, ora curiosos, ora destrutivos, 
indisciplinados, se deixados sozinhos, sem regras e sem vigilância. 
Perversos, com hábitos inaceitáveis como pegar as coisas dos outros indevidamente, masturbar-se, 
não respeitarem os mais velhos e autoridades, não cumprir com as tarefas e responsabilidades. 
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Estes alunos deveriam ser expostos a um modelo de aperfeiçoamento humano para poderem desen-
volver sua parte da natureza humana essencial. Este modelo era desenvolvido pelos professores e 
alguém escolhido para dar nome à escola e que deveria ser cultuado e seus feitos deveriam ser divul-
gados aos alunos para que eles conhecessem e soubessem sempre que modelo a seguir. Por isso, as 
escolas públicas sempre levam o nome de alguém (geralmente de um homem) considerado aprimorado 
pela cultura (BOCK, 2003). 
Esta escola era regida ainda por outros princípios, conforme nos cita Bock (2003): disciplinas e regras 
rígidas para que os alunos pudessem ir corrigindo seus desvios. Princípios e códigos morais eram 
estabelecidos, impostos, divulgados e repetidos exaustivamente. Deveriam a ser aprendidos a qualquer 
custo, e para garantir que os resultados fossem alcançados, eram contratados vigilantes disciplinares 
como agentes educacionais da escola. 
Para que a Psicologia? Na verdade, não havia necessidade alguma de qualquer conhecimento sobre 
o ser humano e seu desenvolvimento, de modo que já se sabia tudo sobre a natureza corrompida e 
também já se sabia de seu potencial para criar, cooperar, ser honesto, desenvolver relações estáveis 
e saudáveis, respeitar a autoridade, ser intelectualmente aprimorado e ser dotado de coerência. 
O campo da Psicologia Educacional foi criado por grandes estudiosos e pioneiros da Psicologia no final 
do século IX. Os três principais pioneiros de destaque no início da história da Psicologia Educacional 
são Willian James, John Dewey e Edward Lee Thorndike. James lançou um livro intitulado Principles 
of Psychology e ministrou diversas palestras através de uma série intitulada Talks to Teacher, em que 
discutia as aplicações da psicologia na educação de crianças, argumentando que os experimentos 
laboratoriais em psicologia muitas vezes não conseguem nos dizer, de maneira eficiente, como ensinar 
as crianças. 
Enfatizou ainda a importância de se observar o processo de ensino/aprendizagem em sala de aula para 
aprimorar a educação, trazendo como recomendação que os professores iniciem as aulas em um ponto 
além do nível de conhecimento e compreensão da criança a fim de desenvolver a mente delas (SAN-
TROCK, 2010). 
De acordo com Santrock (2010), John Dewey por sua vez tornou-se a força motriz da aplicação na 
prática da psicologia. Estabeleceu o primeiro e mais importante laboratório de Psicologia Educacional 
nos EUA, mas precisamente na Universidade de Chicago no ano de 1894, continuando seu trabalho 
inovador na Universidade de Colúmbia. 
Muitas ideias importantes partiram deste teórico, nos mostrando que a criança é um ser em constante 
e ativa aprendizagem. É importante destacar que antes de Dewey, as pessoas acreditavam que as 
crianças deviam permanecer sentadas e em silêncio de modo que aprendiam passivamente e de uma 
maneira mecânica, em contraste a esta crença ele trouxe que as crianças aprendem realizando. 
 
O teórico nos traz ainda mais uma contribuição, afirmando que a educação deve focar a criança em 
sua totalidade enfatizando também a adaptação da criança ao ambiente, elas devem ser educadas de 
modo que possam ser estimuladas a pensar e também a se adaptar ao seu ambiente fora da escola, 
as crianças devem aprender a serem mais autônomas e solucionadoras de problemas de maneira re-
flexiva. 
Para Dewey toda criança merece ter uma educação de qualidade sem diferenciação de classe, raça 
ou sexo, ele lutou para que todas as crianças de uma maneira geral tivessem uma educação compe-
tente. 
 
Thorndike, outro percursor da Psicologia Educacional enfocou a avaliação e a mediação e promoveu 
os princípios básicos e científicos da aprendizagem. Argumentou que uma das tarefas mais importantes 
da escola é a de desenvolver as habilidades de raciocínio das crianças, se diferenciando ao fazer es-
tudoscientíficos aprofundados e precisos sobre o ensino e aprendizagem (BEATTY, 1998 apud SAN-
TROCK 2010, p. 3). 
Promoveu também a ideia de que a Psicologia Educacional deve ter uma base científica e deve enfocar 
principalmente a mediação. (O’DONNEL e LEVIN 2001 apud SANTROCK 2010, p.3). Discutindo sobre 
o início da Psicologia da Educação, nos deparamos com as diversas transformações que ocorreram no 
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mundo através dos anos. Segundo Bock (2003, p. 81) “as grandes guerras trouxeram uma valorização 
da infância, tomada como o futuro. 
A escola também respondeu a estas novas ideias com a proposta da Pedagogia da Escola Nova, que 
se pôs no avesso às ideias da Escola Tradicional”. A criança passou a ser vista como naturalmente 
boa. Sua natureza humana era dividida em duas: a parte boa, que vinha desde o nascimento e a outra 
corruptível. A escola passou a ter a responsabilidade de manter a criança na bondade e na esponta-
neidade que a caracterizavam. 
A escola passou a ser espaço de liberdade e comunicação, lugar onde a criança poderia manifestar 
sua afetividade expressa como carinho ou agressividade; sua criatividade expressa como construção 
ou destruição; sua liberdade expressa como obediência ou rebeldia. Todas as atitudes infantis foram 
tomadas de maneira naturais, como boas e desejáveis. 
Mas é importante destacar que a escola se manteve atenta e vigilante no que diz respeito ao desen-
volvimento psíquico da criança. Os chamados vigilantes disciplinados foram substituídos por vigilantes 
do desenvolvimento pedagogos e psicólogos. As regras foram extintas, permaneciam somente aquelas 
construídas pela equipe da escola. Nenhuma preocupação com a disciplina, pois na bagunça se visu-
alizava o interesse pelo saber, pela construção coletiva, pela troca (BOCK 2003). 
No que se refere à comunicação na Escola Nova esta era prioridade. O professor foi colocado em uma 
posição modesta sem grande influência, afinal era um representante dos adultos, visto sempre como 
um mundo corrompido. 
O professor passou então a ter a função de organizador das condições de aprendizagem, devendo 
prover materiais e situações que propiciem o aprendizado. As técnicas pedagógicas se tornaram ativas. 
Alunos em atividades constantes, vivendo a satisfação do aprendizado e da descoberta (BOCK 2003). 
 
Bock (2003) considera que as escolas já não faziam culto à grandes homens e, portanto, mudaram 
seus nomes aproveitando ideias ou símbolos de grupalização, troca, descobertas, jogos ou termos que 
fizessem referência à infância. 
A cultura, como saber, continuou a ser instrumento básico de trabalho, mas agora o mais importante 
era estimular perguntas e não mais formular respostas que na verdade não respondiam nenhuma de-
las, como na Escola Tradicional. Curiosidade, interesse, motivação, experiência, eram palavras muito 
importantes no vocabulário da Escola Nova. 
Educação: 
Um Grande Desafio para o Psicólogo e a Psicologia 
Psicologia Escolar? Psicologia Educacional? Psicologia da Educação? Psicologia na Educação? 
Estas várias denominações indicam diversas e variadas relações entre a Psicologia, a Educação e a 
Escola. 
Tradicionalmente, o que temos verificado através dos livros, manuais ou das práticas educacionais que 
são realizadas nas escolas, a vinculação da Psicologia e da Educação tem privilegiado o interesse pela 
aprendizagem e ensino, ou seja, a Psicologia tem oferecido importante contribuição à Educação por 
meio de parte do conhecimento produzido de teorias psicológicas a respeito do desenvolvimento hu-
mano, da aprendizagem humana, teorias de grupos, etc. 
Quem não conhece as importantes contribuições que autores tais como Piaget, Vygotsky, Freud e ou-
tros trouxeram para os trabalhos das escolas? 
Porém, Psicologia não diz respeito apenas a um ramo específico de conhecimento humano. Há pouco 
mais de 40 anos, tornou-se uma atividade profissional devidamente regulamentada, atualmente, a Psi-
cologia é ciência e profissão. O que gostaríamos de focalizar é a relação da Psicologia enquanto pro-
fissão com a Educação. 
Quais os pontos comuns entre a psicologia e a educação? Por outro lado, qual é a especificidade da 
atuação do psicólogo na educação? 
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Quando falamos em educação estamos pensando em educação escolar, ou seja, a educação que se 
realiza nas escolas de um sistema de ensino, ainda que saibamos que os processos formativos ocorram 
também em outros contextos tais como, na família, no trabalho, na cultura e suas manifestações, na 
igreja e assim por diante. 
Citando a educação escolar, parece-nos importante trazer algumas idéias contidas na LDB, Lei nº. 
9.394, de 20.12.96. 
O Art. 2º diz que educação é dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos 
ideais de solidariedade humana tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo 
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Diz também, que o acesso ao ensino 
fundamental é direito público subjetivo." (Art. 5º). 
Fica aqui muito claramente indicada a importante função social da educação através da escola junto à 
população tendo em vista a finalidade a que se propõe. Neste sentido coloca-se a educação como um 
dos direitos sociais mais fundamentais e de responsabilidade do Estado que através de sua política 
deve prover as condições para que a educação ocorra no sentido de seus objetivos. 
Então todo o trabalho educativo que se realiza através da escola tem como base e ponto de partida a 
compreensão da escola enquanto um dos requisitos primordiais de formação da cidadania de todos os 
brasileiros. 
Portanto, todos os profissionais que estiverem participando direta ou indiretamente de um trabalho 
educacional escolar têm que ter a consciência desta importante função social da escola. Porém, não 
basta apenas estar esclarecido, é preciso ir além, ou seja, refletir a respeito do que entendemos por 
educação. Temos que nos colocar importantes perguntais tais como: 
Quê educação queremos? Para quem? Por quê? 
A resposta é clara e precisa: uma educação compromissada com a maioria da população, uma escola 
pública de qualidade e uma adequada política educacional tendo em vista os mínimos direitos sociais 
de todo cidadão brasileiro. 
Poderíamos dizer como Paulo Freire, o grande educador brasileiro que todos conhecem que a educa-
ção através de uma relação dialógica visa o desenvolvimento de uma consciência crítica do educando 
e como tal sempre é política. 
Como os demais profissionais da escola, o psicólogo não é um mero técnico em educação. Ainda que 
detenha conhecimentos teóricos/técnicos especializados é fundamental que se conceba também como 
educador, na dimensão política que toda educação se reveste, então, isto significa dizer que implica 
assumir e desenvolver posições claras em seu trabalho tanto em relação à educação como também, 
no que tem de específico em sua tarefa na educação. 
Pensamos de um ponto comum a ser construído pelos psicólogos e educadores: o posicionamento 
ético, político e de compromisso social no trabalho desenvolvido nas escolas. 
Já que estamos circunscrevendo nosso interesse à educação escolar, poderíamos nos referir à cha-
mada Psicologia Escolar/Educacional, ou seja, uma área da psicologia aplicada, que tem trazido muitas 
reflexões e polêmicas tanto em relação à suas práticas quanto à formação de seus profissionais psicó-
logos como ficou demonstrado pelo estudo realizado envolvendo 102 trabalhos publicados nos Anais 
dos quatro Congressos Nacionais de Psicologia Escolar, promovido pela ABRAPEE (Associação Bra-
sileira de Psicologia Escolar e Educacional) – período de 1991 a 1998. 
No referido artigo, os autores citam uma pesquisa realizada por Gomes (1994) a respeito da atuação 
do psicólogo nesta área no Brasil e que: 
“não foi possível traçar um perfil deste profissional de acordo com as diversasescolas teóricas e que 
existe uma distância entre o papel atribuído ao psicólogo no campo teórico e as demandas que se 
espera que este atenda no cotidiano da escola.” 
Como podemos perceber o assunto é complexo inclusive por haver pouco acordo entre os próprios 
profissionais da área. 
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Outro aspecto a ser considerado, refere-se às demandas que lhe são apresentadas pela escola. Tra-
dicionalmente, o psicólogo foi chamado (e ainda o é) a contribuir para auxiliar a justificar e explicar os 
problemas dos alunos, particularmente, os relacionados à aprendizagem e ao fracasso escolar ou ainda 
problemas de comportamento dos alunos. 
Isto equivale a dizer que a visão do psicólogo e da Psicologia associada às patologias psicológicas 
ainda continuam fortemente estabelecidas no imaginário não somente da população em geral, como 
também entre os educadores. Aliás, está continua sendo ainda uma grande demanda dos demais pro-
fissionais de educação. 
Porém, esta forma de conceber o trabalho do psicólogo na educação, com ênfase em sua atuação 
clínica, tem sido objeto de inúmeras críticas, particularmente a partir da década de 80. 
Atualmente, encontramos diversas vozes discordantes desta visão, como a de Contini, conforme po-
demos verificar em suas colocações no artigo: “Discutindo o conceito de promoção de saúde no traba-
lho do psicólogo que atua na educação” 
Novas posições começam a ser apresentadas no sentido de contribuir para o debate para uma nova e 
mais adequada forma de concebermos o trabalho do psicólogo voltado para a educação. 
Além disso, e isto é o mais complicado, conforme já foi dito anteriormente, o psicólogo era visto (e ele 
próprio se via como tal) como um profissional que “trata dos doentes dos nervos”, conforme se expressa 
uma pessoa quando questionada quem era o psicólogo. 
Assim, tirar o foco da doença para a saúde equivale a uma mudança substancial tanto para a prática 
quanto para as concepções do trabalho do psicólogo. 
Então, podemos dizer que ainda que haja o desconhecimento ou até uma dificuldade dos profissionais 
se apresentarem como profissionais de saúde somos integrantes do conjunto de profissionais desta 
área, junto com médicos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, etc. 
Mas o que significa ser um profissional de saúde? E qual é o significado de saúde? 
Segundo Dejours, psiquiatra, psicanalista francês dedicado ao estudo do trabalho e saúde mental do 
trabalhador, desenvolve idéias a respeito da questão da saúde que poderia ser interessante trazer aqui 
para o debate, em seu artigo “Por um novo conceito de saúde. ” 
Deste material, retiraremos algumas idéias tendo em vista o tema em questão. Partindo da crítica à 
definição internacional já consagrada que diz que saúde seria um estado de conforto, de bem-estar 
físico, mental e social, elabora uma conceituação própria. Para este autor: 
“a saúde para cada homem, mulher ou criança é ter meios de traçar um caminho pessoal e original, em 
direção ao bem estar físico, psíquico e social.” 
O que significa ter esses meios e o que é esse bem-estar? 
Bem-estar físico significa que é preciso ter liberdade de regular as variações do organismo, é poder 
deter um corpo que quando precisa descansa, possa fazê-lo, puder repousar, quando precisa comer 
tenho o que e como fazê-lo. Então, saúde significa a liberdade de dar ao corpo aquilo que ele necessita 
cuidar-se quando está doente, comer quando tem fome, repousar quando está cansado ou com sono, 
ou parar de trabalhar quando está gripado e depois poder voltar ao serviço. 
Bem-estar psíquico é simplesmente a “liberdade que deixada ao desejo de cada um na organização de 
sua vida” (Dejour, 1989, p. 11) 
E, finalmente, bem-estar social: 
“é a liberdade de se agir individual e coletivamente sobre a organização do trabalho, ou seja, sobre o 
conteúdo do trabalho, a divisão das tarefas, a divisão dos homens e as relações que mantêm entre si.” 
A noção de saúde é interessante porque também abrangente, no sentido de que só é possível ter saúde 
se tivermos a liberdade de se satisfazer devidamente as necessidades fundamentais do homem, ou de 
agir individual ou coletivamente sobre a organização do trabalho. 
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Esta liberdade está na dependência das condições particulares da vida de cada cidadão, que sabemos 
no mundo capitalista distribuídos de forma desigual e altamente excludente. Assim buscar saúde sig-
nifica também buscar as condições de vida mais dignas para todos, sem as quais não há saúde. 
Então, ser um profissional da área da saúde significa também estar ao lado dos que lutam por melhores 
condições de vida ou de trabalho ou, pelo menos, ter a consciência dos limites do seu trabalho quando 
não há estas condições necessárias à vida humana. 
Assim, por exemplo, uma criança, cuja família não tem estas condições, não se pode atribuir a ela, a 
origem do seu fracasso escolar, muito menos a sua família, ambas igualmente vítimas de uma situação 
social que em si já contém um potencial de prejuízo em termos da saúde de seus membros, conforme 
a noção de saúde que aqui estamos endossando. 
Então, lutar por uma melhoria na saúde implica também em lutar por uma transformação da sociedade, 
esta sim geradora de processos altamente excludente tanto social quanto escolar de amplas parcelas 
da população. Estamos aqui nos referindo à função social do psicólogo na educação. 
Outro aspecto interessante, da conceituação refere-se aos meios de cada um traçar um caminho para 
a obtenção do bem-estar, que é algo a ser obtido ou atingido sendo, portanto, um objetivo. Para tanto, 
torna-se necessário traçar um caminho. 
Esta é a questão principal, quando pensamos na escola e o quanto ela pode ou não contribuir para 
esta possibilidade de saúde vir a se efetivar. Uma escola de boa qualidade pode ser uma das vias, um 
dos caminhos a percorrer. Neste sentido, a luta pela escola pública e de qualidade pode criar as con-
dições, a todos que estão implicados com a educação. 
Saúde e educação fazem um par importante no quadro dos direitos do cidadão, lutar por uma educação 
pública de qualidade implica para os psicólogos também uma luta pela saúde no sentido em que é 
colocado por Dejour. 
Ainda no sentido de um maior esclarecimento, autores como Contini que, por sua vez refere-se a outros, 
posicionam-se dizendo que a atuação do psicólogo na educação tem por objetivo primordial a promo-
ção da saúde, considerando o conceito de saúde como não apenas como ausência de doença, mas 
como também incluindo: 
“vários aspectos que estão presentes na vida do homem, como moradia, lazer, educação, trabalho etc.. 
Será o equilíbrio desses componentes da vida diária que irá formar o grande mosaico da saúde hu-
mana. ” 
A autora considera que, na perspectiva da promoção de saúde, os psicólogos nas instituições educa-
cionais devam pautar sua atuação no sentido do conhecimento da dinâmica institucional, por parte dos 
seus integrantes com a finalidade de favorecer a sua integração, na medida em que os sujeitos possam 
se apropriar destas complexas relações, podendo então “possibilitar a construção de projetos que va-
lorizem as “relações humanas”, entendidas como espaços de medições sociais”. (Contini, 2000, p. 47). 
Contudo, as relações institucionais são extremante complexas e mesmo o psicólogo está implicado 
como um profissional atuante na instituição educacional e neste sentido surge uma importante questão: 
Como o psicólogo pode efetivamente promover a saúde institucional, se ele próprio esta imerso nesta 
complexa realidade institucional? Estaria o psicólogo imune à trama das relações que aí se desen-
volve? Enfim, o que fazer? 
Finalizando, estamos longe trazer respostas para um campo de atuação tão importante, porém ainda 
tão polêmico. 
Propus este artigo muito mais para trazer elementos para uma reflexão conjunta e uma forma de con-
tribuiçãono sentido em ir construindo, partilhando e compartilhando nossos saberes, práticas e pensa-
mentos. 
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