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25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 1/12 Lição 04 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras Composição dos Alimentos Começar a aula 1. Açucares e alimentos açucarados 1.1 Conceito e Classificação Para entendermos os açúcares, seu uso e classificação, é importante, antes, entendermos brevemente sua inserção em um cenário bioquímico mais abrangente, o dos carboidratos. Isso porque os açúcares são carboidratos. Os carboidratos, também conhecidos como glicídios, são compostos orgânicos constituídos por carbono, hidrogênio e oxigênio. Sua principal função é o fornecimento de energia para o organismo e podem ser divididos em classes de acordo com seu tamanho molecular em monossacarídeos, dissacarídeos, oligossacarídeos e polissacarídeos. Os monossacarídeos (mono = um; sacarídeos = carboidratos) são estruturas mais simples e não podem ser hidrolisados (quebrados) em partículas menores, sendo denominados monômeros. Por isso, são também conhecidos como “açúcares simples”. Os principais representantes dos monossacarídeos são: glicose, frutose e galactose. A glicose é amplamente distribuída na natureza, seja na sua forma livre ou compondo outros carboidratos, como sacarose, amido e celulose. A frutose é o açúcar predominante nas frutas e também pode ser encontrado no mel. A galactose raramente é encontrada livre na natureza, a não ser em produtos lácteos fermentados ou, atualmente, no leite sem lactose. 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 2/12 Os dissacarídeos (di = dois; sacarídeos = carboidratos) representam a união de dois monossacarídeos, passíveis, portanto, de sofrerem hidrólise. Os principais exemplos são maltose (formada por duas glicoses), lactose (formada pela união entre uma molécula de glicose e outra de galactose) e a sacarose (formada por uma molécula de glicose e uma molécula de frutose). Esta última, sacarose, é o açúcar comum ou açúcar de mesa. A lactose é encontrada no leite e a maltose é obtida pela digestão do amido no organismo, sendo chamada de “açúcar do malte”. Os oligossacarídeos (oligo = pouco; sacarídeos = carboidratos) são aqueles carboidratos que possuem entre 3 e 10 monossacarídeos, sendo que alguns autores consideram até 20 monômeros. Representando essa categoria temos os maltooligossacarídeos, especialmente representados pela maltodextrina, e os oligossacarídeos não digeríveis, representados pela rafinose, e estaquiose e frutoolifossacarídeo (FOS). Os polissacarídeos (poli = muito; sacarídeos = carboidratos) são carboidratos de cadeia longa. Entre eles, o principal é o amido, que é formado por cadeias de amilose (linear) e amilopectina (ramificada), e que pode ou não ser modificado. O amido é o principal carboidrato fornecedor de energia da dieta humana. Além do amido, temos também o glicogênio, principal fonte de reserva energética nas células animais e bactérias; e os polissacarídeos não digeríveis, especialmente a celulose, a pectina e a hemicelulose. Mesmo não sendo digeridos, esses carboidratos possuem função fundamental de fibra alimentar e são responsáveis pela saúde intestinal. Portanto, podemos concluir que os açúcares são carboidratos na sua forma mais simples. De acordo com a definição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, é considerado “açúcar” a sacarose obtida a partir do caldo da cana-de-açúcar ou da beterraba, sendo também considerados “açúcares” todos os monossacarídeos e dissacarídeos. Contudo, a designação do açúcar deve ser feita pelo nome do mono ou dissacarídeo utilizado, com exceção da sacarose, que deve ser designada simplesmente como “açúcar”. Outra classificação dos açúcares é feita sob a perspectiva da saúde humana. Neste caso, dividimos os açúcares como intrínsecos, ou seja, incorporados nas estruturas de frutas e outros vegetais, e adicionados, quando os adicionamos em alimentos e bebidas. Componentes do amido: amilose e amilopectina. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/08/aula_comali_top4_img01.jpg 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 3/12 1.2 Tipos de açúcares e alimentos açucarados 1.2.1 Sacarose: Como já salientamos, a sacarose é popularmente chamada de açúcar ou açúcar de mesa. É o mais popular e mais largamente utilizado adoçante no mundo. Há diferentes níveis de pureza da sacarose, gerando uma diversidade de formas disponíveis no mercado. Açúcar mascavo ou rapadura: possui coloração que varia de marrom claro a escuro. Não sofre qualquer transformação após ser obtido pela desidratação (remoção de água) do caldo de cana. Possui um grau de pureza reduzido quando comparado ao açúcar refinado (ou seja, menor teor de sacarose), pois possui também outros nutrientes como ferro, cálcio, potássio, lipídeos e maior teor de umidade. Açúcar demerara: é um tipo de açúcar que não passa pelo processo de clarificação (remoção de parte dos minerais e lipídeos) e apresenta cristais grandes, que não são lavados durante o processo de centrifugação, ficando recobertos por uma camada de mel. Seu processamento nas refinarias dá origem ao açúcar cristal. Veja como é importante essa última classificação! Entender que existem açúcares intrínsecos em determinados alimentos é importante para podermos perceber o excesso de açúcar em determinados alimentos industrializados que são divulgados (sem enganarem o consumidor) como “sem adição de açúcar”. Realmente esses alimentos não são adicionados de açúcar, mas isso não significa que não possam ser ricos em açucares. Por exemplo, uma “papinha” de bebê industrializada pode ser vendida sem adição de açúcar. Mas o fabricante pode colocar suco e polpa de maça como ingrediente principal, gerando excesso de açúcar intrínseco (neste caso, a frutose). Este excesso pode ser tão prejudicial quanto se consumíssemos açúcar adicionado em excesso. 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 4/12 Açúcar cristal: é a sacarose purificada e cristalizada, sendo o tipo mais utilizado para consumo humano. É obtida principalmente da cana-de-açúcar, passando por diversas etapas até a obtenção de um produto final branco, seco, formado de cristais pequenos e altamente solúveis em água. Ao final, são obtidos cristais de açúcar com grau de pureza que pode chegar a 99,8% de sacarose e 0,2% de umidade. Açúcar refinado: são grãos brancos e muito finos, resultado do reprocessamento do açúcar cristal. Açúcar de confeiteiro: são grãos de açúcar ainda mais finos que o açúcar refinado, semelhante a um talco. Pode conter adição de amido para evitar absorção de umidade. 1.2.2 Mel: Produzido pelas abelhas, a partir do néctar das flores, sendo adicionado por esses animais a enzima invertase que quebra a sacarose do néctar em frutose e glicose livres. Apresenta aproximadamente 40% de seu peso em frutose, 35% em glicose e em torno de 2% de sacarose. 1.2.3 Frutose: Trata-se de um monossacarídeo presente principalmente em frutas (forma livre) ou na sacarose (cana-de-açúcar, por exemplo). Atualmente, é comum o isolamento e comercialização como componente de produtos alimentícios para fins especiais, como adoçantes. É cerca de 1,7 vez mais doce que a sacarose e, desta forma, apesar de gerar a mesma quantidade de energia (4 kcal/g) que o açúcar, pode ser consumida em menor quantidade, visto seu elevado poder de doçura. 1.2.4 Xarope de Glicose: É uma solução aquosa concentrada e purificada de sacarídeos, obtida por hidrólise do amido. 1.2.5Melado: Composto por sacarose, frutose e outros nutrientes, como ferro, potássio, cálcio e magnésio, é obtido a partir da fervura do caldo de cana, apresentando uma concentração de 30% de água e aproximadamente 70% de açúcares. Vale ressaltar, portanto, que o considerável teor de nutrientes do melado (5,4 mg Fe/100 g; 102 mg Ca/100 g, por exemplo) não pode ser utilizado como argumento para se estimular o consumo elevado deste alimento açucarado pela população. PARA REFLETIR Pessoas com diabetes podem usar esses dois tipos de açúcar: demerara e mascavo? NÃO. A prática é comum: muitas pessoas com diabetes acreditam que podem consumir açúcar mascavo ou demerara por acharem que eles são diferentes de açúcar. Mas, como vimos, eles são formas diferentes de um mesmo componente: a sacarose. Desta forma, o uso destes açúcares NÃO É RECOMENDADO para diabéticos. 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 5/12 Independente de tais características, seu teor de açúcar simples é elevado e as consequências negativas desse fator na dieta humana podem ser desastrosos, especialmente pelo aumento considerável do risco de diabetes. 1.3 Valor nutricional e função na alimentação De uma forma geral, o valor nutricional dos açúcares e alimentos açucarados refere-se ao fornecimento de energia a partir dos carboidratos. Como demonstrado acima, alguns tipos de alimentos açucarados possuem na sua composição outros nutrientes em quantidades moderadas, mas como já foi salientado, o consumo desses alimentos precisa ser limitado devido às consequências negativas que o excesso de açúcar tem na saúde humana. Desta forma, sabendo que cada grama de carboidrato fornece 4 Kcal/g (independente se simples ou complexo), o fornecimento energético dos açúcares e alimentos açucarados dependerá do grau de pureza do produto, de forma que quanto mais açúcares ele tiver, maior sua oferta calórica. A função principal do açúcar na alimentação é a de adoçar alimentos e bebidas, podendo ser utilizado em produtos de panificação, quando, além de adoçar, conferem textura, sabor e viscosidade desejáveis. Por reduzir a atividade de água dos produtos (fator definidor do crescimento bacteriano), o açúcar também é reconhecido como importante conservante dos alimentos. 1.4 Propriedade dos açúcares Os açúcares, como já salientamos, são utilizados para diversas funções na alimentação humana. Tal utilização está relacionada as suas diversas propriedades, que podem conferir características desejáveis preparações. Tais propriedades são diferentes em cada tipo de açúcar e também em diferentes condições de temperatura. Vejamos agora as principais propriedades dos açúcares: 1.4.1 Poder edulcorante: Representa a capacidade que todo o açúcar tem de adoçar os alimentos, variando de açúcar para açúcar, tendo como referência a sacarose (principal adoçante), com poder edulcorante de 100. Os outros açúcares são definidos com menor ou maior poder edulcorante comparado a este ponto de referência da sacarose, conforme imagem abaixo. 1.4.2 Poder de inversão: A inversão é o processo de hidrólise da sacarose, gerando uma mistura estável dos seus dois monossacarídeos formadores: frutose e glicose. Tal hidrólise leva a uma alteração química de isomeria na solução, passando de dextrógira para levógira. Por esse motivo, o produto desta Poder Edulcorante de diferentes açucares. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/08/aula_comali_top4_img02.png 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 6/12 hidrólise é chamado de açúcar invertido. É possível obtermos açúcar invertido de duas formas: hidrólise enzimática, utilizando-se a enzima invertase (como acontece no mel) ou a hidrólise ácida, catalisada por um ácido (como suco de limão ou vinagre). As características principais do açúcar invertido referem-se ao fato de ele ser líquido e ser mais doce, já que há presença de frutose livre nesta solução sacarífera e, como já apresentado, este monossacarídeo possui maior poder edulcorante que a sacarose. Essas são, aliás, as duas finalidades de sua utilização pela indústria, uma vez que o açúcar invertido evita a formação de cristais, por ser líquido, além de retardar o crescimento de leveduras e mofos. Sendo mais doce, a indústria pode também reduzir sua utilização nos produtos. 1.4.3 Poder Redutor: Diz respeito à capacidade que os açúcares têm de reagirem com algumas substâncias, promovendo uma reação de redução nestes compostos. Para possuir tal característica, o açúcar precisa possuir um grupamento carbonila (C=O) livre. Todos os monossacarídeos possuem essa característica e entre os dissacarídeos a lactose apresenta maior poder redutor, seguida da maltose. A sacarose não possui poder redutor, exceto se for hidrolisada. Pausa para uma reflexão... Se o açúcar invertido é resultado da hidrólise da sacarose, gerando glicose e frutose livres, podemos concluir que o mel, conforme apresentado anteriormente, é um açúcar invertido natural. De fato, a abelha lança no néctar das flores uma enzima chamada “invertase” que quebra o açúcar presente no meio, gerando um açúcar invertido: o mel! Além do mel, a formação natural de açúcar invertido pode acontecer em frutas, durante o processo de amadurecimento. Formação do açúcar invertido. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/08/aula_comali_top4_img03.jpg 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 7/12 O poder redutor dos açúcares é elemento chave para propiciar uma importante reação que ocorre em alimentos: a Reação de Maillard. Diferente da caramelização, que necessita apenas de açúcar e calor, para esta reação acontecer, há a necessidade de um açúcar redutor reagindo com um aminoácido, em temperatura aumentada. O grupamento carbonila do carboidrato se liga de forma estável ao grupamento amina do referido aminoácido, formando complexos denominados melanoidinas, que dificilmente se reverte. Do ponto de vista culinário, a reação de Maillard pode ser desejável, uma vez que produz características desejáveis, como acentuação de sabor e coloração desejável, como no chocolate, doce de leite, cafés torrados, produzida por uma tonalidade amarronzada, características da melanoidinas, pigmento característico desta coloração. Do ponto de vista nutricional, a reação de Mailard não é desejável, uma vez que o aminoácido que participa da reação torna-se indisponível para absorção. Quando este aminoácido é essencial, podemos reduzir a qualidade proteica do alimento em questão. Aprofunde um pouco mais seus conhecimentos sobre essa importante reação que envolve os açucares, a Reação de Maillard: Produtos da Reação de Maillard em alimentos: aplicações para a saúde: Clique aqui para acessar. 1.4.4 Solubilidade: Refere-se à capacidade dos açúcares em se dissolverem em água. Todos possuem essa capacidade, sendo maior ou menor de acordo com a temperatura. Por exemplo, a 20 ºC, é possível dissolvermos 204 g de sacarose em 100 ml de água. Para frutose, glicose e lactose, os valores são, respectivamente, 375 g, 107 g e 20 g. 2. Óleos e gorduras 2.1 Conceitos e Classificação Óleos e gorduras são formados predominantemente por lipídios e sua característica mais marcante é que são lipossolúveis, ou seja, insolúveis em água. Na pirâmide dos alimentos, localizam-se no ápice, sugerindo um consumo moderado devido à sua alta densidade calórica. Os óleos são originados principalmente de alimentos de origem vegetal, especialmente de sementes (soja, milho, canola, amendoim, girassol) ou frutos (azeitona, coco, dendê). As gorduras são obtidas, em geral, dealimentos de origem animal (manteiga, creme de leite, banha, toucinho). O principal componente dos óleos e gorduras é o triacilglicerol ou triglicerídeo, composto basicamente por uma molécula de glicerol ligada a três moléculas de ácido graxo. Esta molécula representa cerca de 95% de óleos e gorduras. Os 5% restantes representam a soma de diacilgliceróis, monoacilgliceróis, ácidos graxos livres, ésteres, ceras e outros lipídeos menos comuns. Gorduras de origem animal possuem ainda colesterol. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732011000600010&lng=pt&tlng=pt 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 8/12 Os óleos apresentam ponto de fusão (temperatura em que o óleo passa do estado sólido para líquido) normalmente baixo (por vezes, abaixo de 0 ºC) e por isso, em temperatura ambiente são líquidos. As gorduras, ao contrário, apresentam ponto de fusão normalmente elevado, apresentando-se ainda sólidas em temperatura ambiente. Além disso, cada óleo e gordura possuem seus próprios “ponto de fumaça”. O ponto de fumaça é a temperatura em que o glicerol presente na substância gordurosa começa a se desidratar e se transformar em acroleína, um composto tóxico às mucosas. O ponto de fumaça é reconhecido pela liberação de uma fumaça densa dos óleos e gorduras, sendo importante evitar sua formação, já que não é desejável à saúde humana. No que diz respeito à composição química, os óleos possuem predominância de ácidos graxos insaturados, ou seja, ácidos graxos com presença de duplas ligações entre dois ou mais de seus carbonos e não possuem colesterol na sua estrutura, visto que são de origem vegetal. Quando a cadeia do ácido graxo possui apenas uma dupla ligação, chamamos de monoinsaturado. Quando apresentar duas ou mais ligações, denominamos poliinsaturado. Já as gorduras possuem teores elevados de ácidos graxos saturados, ou seja, predomínio de triacilgliceróis contendo ácidos graxos apenas com ligações simples entre os carbonos da cadeia. Além disso, possuem colesterol, por ser de origem animal. A presença de insaturação na cadeia confere ao ácido graxo a característica tornar a substância mais líquida. Isso porque a insaturação gera uma ruptura da linearidade da cadeia carbônica, reduzindo a densidade de moléculas no espaço. As cadeias saturadas, ao contrário, são lineares e, por isso, possuem a capacidade de serem mais justapostas, aumentando sua organização, compactação e, consequentemente, seu ponto de fusão. Os ácidos graxos são denominados ácidos carboxílicos alifáticos, contendo uma cadeia de carbono de tamanho variado e uma extremidade (delta) contendo o grupamento carboxila (-COOH). Característica de sua estabilidade, normalmente os ácidos graxos possuem número par de carbonos e são classificados de acordo com sua quantidade. Quando possuem de 2 a 6 carbonos são denominamos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC). De 8 a 12 carbonos, chamamos de ácido graxo Estrutura de um triacilglicerol. Representação de ácido graxo saturado e ácido graxo insaturado (monoinsaturado). https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/08/aula_comali_top4_img04_.jpg 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 9/12 de cadeia média (AGCM). Os ácidos graxos de cadeia longa (AGCL) possuem de 14 a 24 carbonos. Os AGCC e AGCM normalmente são saturados. Os AGCL podem ser saturados ou insaturados. Veja na tabela abaixo as características dos principais ácidos graxos encontrados na natureza: Nome/Abreviação Nº de Carbonos Nº de Ligações Duplas Óleo ou gordura em que é mais encontrado Butírico – C4:0 4 0 Gordura de leite e derivados Capróico – C6:0 6 0 Gordura de leite e derivados Caprílico – C8:0 8 0 Gordura de leite e derivados Cáprico – C10:0 10 0 Gordura de coco e babaçu Láurico – C12:0 12 0 Gordura de coco Mirístico – C14:0 14 0 Manteiga e gordura de porco Palmítico – C16:0 16 0 Óleo de dendê, banha de sebo, gordura de cacau e gordura do leite Esteárico – C18:0 18 0 Banha, gordura de leite, manteiga de cacau e óleos vegetais Araquídico – C20:0 20 0 Amendoim Palmitoleico – C16:1 Δ9 16 1 Peixe, carne bovina Oleico – C18:1 Δ9 18 1 Oleaginosas, azeite e gorduras animais Vacênico – C18:1 Δ11 18 1 Leite Linoleico – C18:2 Δ9,12 18 2 Óleos vegetais Alfa-linolênico – C18:3 Δ9, 12, 15 18 3 Óleo de soja, canola, linhaça, peixes, crustáceos Eicosanóico – C20:1 Δ9 20 1 Óleo de peixe Araquidônico – C20:4 Δ5, 8, 11, 14 20 4 Amendoim, gema de ovo, fígado e sebo Eicosapentaenoico (EPA) – C20:5 Δ5, 8, 11, 14, 17 20 5 Peixe de mar Docosapentaenoico (DPA) – C22:5 Δ7, 10, 13, 16, 19 22 5 Peixe de mar Docosaexanoico (DHA) – C22:6 Δ4, 7, 10, 13, 16, 19 22 6 Peixe de Mar Fonte: Philippi (2008) 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 10/12 A produção de alguns alimentos gordurosos pode alterar a natureza dos ácidos graxos. A maioria dos ácidos graxos existe em sua forma “cis”, ou seja, os átomos de hidrogênio ligados aos carbonos que sofrem insaturação (dupla ligação) se encontram do mesmo lado na cadeia de carbono. Quando sofrem uma reação chamada “hidrogenação”, há mudança na posição desses hidrogênios, e eles passam a ocupar lados opostos da cadeia, forma denominada “trans”. Essa mudança faz com que a cadeia de carbono se torne mais linear e, consequentemente, o ponto de fusão do produto aumenta e ele se torna mais sólido em temperatura ambiente. É o que acontece com a produção de gordura hidrogenada, por exemplo. Neste processo, o óleo de soja sofre hidrogenação para assumir características visuais e físicas próximas gorduras, sendo muito utilizada pela indústria como ingrediente de vários produtos ou para a produção de margarina, ou seja, obtêm-se um “óleo” sólido à temperatura ambiente e isento de colesterol. Outra reação passível de ser usada em óleos para alterar suas características é a chamada reação de interesterificação ou transesterificação. Neste caso, os ácidos graxos são reposicionados no glicerol dos triglicerídeos, interferindo no seu ponto de fusão, sem, contudo, levar à formação de gorduras “trans”. Cabe ressaltar que tanto os ácidos graxos “trans” quanto os interesterificados são prejudiciais à saúde e devem ser evitados. 2.2 Funções em alimentação e nutrição A função nutricional mais evidente dos óleos e gorduras é a oferta calórica. Cada grama de óleo ou gordura oferece 9,0 Kcal. Porém, além do fornecimento de energia, os óleos e gorduras possuem importantes funções, as quais citaremos a seguir: Veiculação de ácidos graxos essenciais: há essencialmente dois ácidos graxos que nosso organismo não consegue sintetizar a partir de outros ácidos graxos e, desta forma, precisamos ingeri-los na dieta. São eles: o ácido linoleico (chamado de ômega 6) e o ácido linolênico (ômega 3). Esses compostos são fundamentais para a produção de outros ácidos graxos insaturados do tipo ômega 6 e 3, além de desempenharem diversas outras funções metabólicas importantes. Veiculação de colesterol: o colesterol é um esterol com diversas funções no organismo, dentre as quais podemos citar a constituição de membranas celulares, composição de sais biliares e precursor de hormônios esteroides e da vitamina D. Presente apenas em gorduras animais. Veiculação de vitaminas lipossolúveis: as vitaminas A, D, E e K são consideradas “lipossolúveis” por serem apolares, como os lipídios. Desta forma, tendem a se localizarem na porção lipídica Estrutura do Colesterol. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/08/aula_comali_top4_img06.png 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gordurashttps://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 11/12 dos alimentos. Desta forma, o consumo regular e adequado de óleos e gorduras garantem também uma maior presença e disponibilidade de vitaminas lipossolúveis. Conferem características desejáveis aos alimentos: óleos e gorduras conferem suculência e sabor aos alimentos, além de estimularem a saciedade e atuarem como protetores naturais dos alimentos ao criarem uma barreira contra umidade. PARA REFLETIR Isso significa que ao optar alimentos com reduzido teor de gordura (como leite desnatado) ou mesmo adotar condutas laxativas, que impeçam a absorção de gorduras, mesmo sem ter indicação para tal, estou também prejudicando o consumo e biodisponibilidade de vitaminas lipossolúveis? 3. Conclusão O consumo de açúcares e alimentos açucarados ou óleos e gorduras em excesso compõem causas importantes das epidemias de obesidade e diabetes que assolam a população atualmente. Porém, tais componentes podem compor uma dieta saudável e equilibrada, fornecendo energia e garantindo o prazer em se alimentar. Neste módulo, pudemos conhecer melhor os conceitos que envolvem esses alimentos, como são classificados, e também como afetam nossa vida diariamente, seja em nossa casa ou nos alimentos que consumimos fora de casa. O nutricionista precisa estar atento a tais componentes na dieta de seus pacientes/clientes, estimulando o equilíbrio e afastando o terrorismo nutricional que permeia estes alimentos. Para isso, precisa conhecer a composição e a melhores formas de utilizar tais itens na promoção da alimentação adequada e saudável. 4. Referências 25/03/2020 Açúcares e Alimentos Açucarados e Óleos e Gorduras https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=acucares-e-alimentos-acucarados-e-oleos-e-gorduras&dcp=composicao-dos-alimentos&topico=4 12/12 BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção Básica. Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. FREIRE, P. C. M.; MANCINI FILHO, J.; FERREIRA, T. A. P. C. Principais alterações físico- químicas em óleos e gorduras submetidos ao processo de fritura por imersão: regulamentação e efeitos na saúde. Revista de Nutrição, v.26, n.3, p. 353-368, 2013. JAPUR, C. C. Óleos e Gorduras. In: JAPUR, C. C.; VIEIRA, M. N. C. M. (coors.). Dietética aplicada na produção de refeições. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. ORNELAS, L. H. Técnica Dietética. 7 ed. São Paulo: Atheneu, 2001. SANTOS, K. M. O.; AQUINO, R. C. Grupo dos óleos e gorduras. In: PHILIPPI, S. T. (org.). Pirâmide dos Alimentos: fundamentos básicos da nutrição. São Paulo: Manole, 2008. SHIBAO, J.; BASTOS, D. H. M. Produtos da reação de Maillard em alimentos: implicações para a saúde. Revista de Nutrição, v.24, n.6, p. 895-904, 2011. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. I Diretriz sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v.100, n.1, supl.3, 2013. YouTube. (2016, Junho, 22). Autoridade Fitness. A Gordura Trans Faz Mais Mal Do Que Você Imagina. 03min44seg. Disponível em: . Acesso em: 02 jul 2018.