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APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO NA JUSTIÇA DO TRABALHO Podemos considerar que o direito do trabalho são normas que regem a relação de trabalho, individuais e coletivas compreendida entre empregado e empregador. Para tanto, é necessário esclarecer que o direito do Trabalho não era reconhecido quando do surgimento das relações de trabalho, tendo em vista que ao surgir essas relações não havia direitos trabalhistas reconhecidos em nosso ordenamento jurídico. As mudanças da vida em sociedade, ou seja, sua evolução é que contribuiu para o surgimento das relações de trabalho. Desse modo, o direito do trabalho como produto do capitalismo, surgiu para controlar esse sistema e erradicar as formas perversas de utilização de força de trabalho. Em síntese, em épocas mais distantes, o que prevalecia era a escravidão, não havia um olhar humanizado tendo em vista que os escravos eram vistos como objetos de trabalho, para tanto, não eram sujeitos de direitos, tão pouco tinham direitos trabalhistas. Estudar o Direito do Trabalho por sua vez é entender que para reconhecer um ramo jurídico que regulasse as relações de trabalho, esse trabalho deve ser livre, daí reside a importância da aplicação dos princípios no mundo jurídico , sobretudo no direito do trabalho, com o objetivo de legitimar a relação entre empregados e empregadores. Esses princípios têm funções práticas, instrutivas, interpretativa e normativa, assim, abaixo os principais princípios do direito do trabalho: PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO Esse princípio tem relação com as lutas sociais através dos quais antecederam o surgimento do Direito do Trabalho, cujo objetivo é tentar igualar as partes da relação contratual trabalhista tendo em vista que o empregado é parte hipossuficiente da demanda. O Direito do Trabalho busca sanar a desigualdade com a função de fornecer garantias ao trabalhador através do princípio da proteção jurídica para aquele que está em posição de inferioridade econômica e, para sua aplicação, ela se divide em três subprincípios: In dubio pro misero ou pro operario - diante de uma dúvida quanto a interpretação de uma norma ou quanto à validade de uma decisão prevalece o lado hipossuficiente, ou seja, o empregado. Vale mencionar que a prova tem prevalência na resolução e aplicação dos direitos, implica dizer que a regra inserida no princípio de proteção impacta também o campo probatório. VÍNCULO DE EMPREGO. ÔNUS DA PROVA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO. REGRA IN DUBIO PRO OPERARIO. DESDOBRAMENTO NO PROCESSO DO TRABALHO. 1. Admitida a prestação de serviços, mas negado o vínculo de emprego, incumbe ao réu o ônus de comprovar que a relação jurídica entre as partes se deu de forma diversa da empregatícia, à luz do que dispõem os arts. 818 da CLT e 373, II, do NCPC, ante a apresentação de fato impeditivo do direito vindicado. 2. O princípio da proteção, princípio-mor orientador do Direito do Trabalho, compreende a regra in dubio pro operario. vale dizer, quando uma norma possa ser entendida de várias formas, deve-se preferir a interpretação mais favorável ao trabalhador, pois ele é o destinatário da tutela legislativa estatal, por ser a parte mais fraca na relação jurídica, ao alienar a sua força de trabalho - sendo que, no caso de dúvida na interpretação da norma, esta deve laborar em favor do empregado. Ao ser transportada para o processo do trabalho, a regra inserida no princípio de proteção impacta também no campo probatório, seja no aspecto da aptidão para a prova, seja quanto a sua valoração. 3. A partir da confirmação da prestação de serviços encontrada na prova testemunhal, a leitura das declarações contidas nos depoimentos se faz à luz do princípio da proteção e da regra in dubio pro operario, porquanto a prova testemunhal para o trabalhador, de um modo geral, é particularmente difícil, de modo que a valoração das declarações contidas nos autos deve ser feita sob essa ótica. 4. Configurado o suporte fático delineado pelos arts. 2º e 3º da CLT, o reconhecimento do vínculo empregatício alegado na inicial é medida que se impõe, devendo os autos retornar à Vara da origem para julgamento das demais pretensões formuladas pelo autor. Todavia, esta Turma Julgadora, por maioria, nesta composição, entendeu pela manutenção da sentença de improcedência. (TRT-4 - ROT: XXXXX20185040008, 8ª Turma, Data de Publicação: 31/08/2020) Norma mais favorável- esse princípio consagra a aplicação mais favorável ao empregado, isso ocorre quando ainda que exista lei específica sobre o assunto em questão sendo a outra norma mais vantajosa, ela deve ser aplicada. Considerando a aplicação da norma mais favorável, há entendimento a partir da reforma trabalhista em novembro de 2017, o legislador especificou no artigo 620 da Consolidação das Leis do Trabalho, optou por estipular que as condições previstas em Acordo Coletivo, em qualquer situação, prevalecerão sobre as normas da Convenção Coletiva de Trabalho, havendo portanto uma relativização desse princípio, a partir da entrada em vigor da Reforma Trabalhista. Da condição mais benéfica - Esse princípio estabelece que em acordo entre empregado e empregador, quando há mudança em cláusula regulares por parte da empresa, tal mudança só terá validade para os empregados admitidos após sua alteração. Contudo, sendo válido os dois regulamentos, fica a critério do trabalhador escolher em qual ele se encaixar; PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE Esse princípio assegura que numa disputa na Justiça do Trabalho, ainda que as empresas contenha papéis e documentos comprobatórios, a verdade com auxílio de testemunhas ou provas serão válidas, sendo pois que os fatos ( verdade real) prevalece sobre a relação formal. Tomamos como exemplo um contrato de trabalho constando que um profissional trabalha 6 horas diárias por dia, porém, a realidade ultrapassa 9 diárias. Esse procedimento também é válido a acontecimentos reais para trabalhos sem existência de contrato formal, desvios de função, comprometimento do trabalho, entre outros. De acordo com o Direito do Trabalho, os fatos são mais importantes do que os ajustes formais. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DA RELAÇÃO DE EMPREGO É o princípio que prioriza os contratos de trabalho por prazo indeterminado, sendo possível em situações específicas a contratação por prazo determinado. Presume-se que o contrato de trabalho terá validade por tempo indeterminado, ou seja, haverá a continuidade da relação de emprego. A exceção à regra são os com tratos por prazo determinado, inclusive o contrato de trabalho do trabalhador com a empresa, proibindo-se, por exemplo, uma sucessão de contratos de trabalho por prazo determinado ( MARTINS, 2010). Nesse sentido, em contratos tradicionais, existe o Princípio da Continuidade da relação de emprego, com uma presunção favorável ao trabalhado. Isso quer dizer que o encerramento deste, juntamente com a motivação, é de responsabilidade da empresa. Súmula 212 do TST diz: “O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despendimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado.” PRINCÍPIO DA IRREDUTIBILIDADE DE SALÁRIO Esse princípio preconiza que o salário do empregado não pode ser reduzido, salvo através de negociação coletiva de trabalho. PRINCÍPIO DA INALTERABILIDADE CONTRATUAL LESIVA Esse princípio tem como base o artigo 468 da CLT “Art. 468 – Nos Contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia”. Insta esclarecer que por intermédio desse princípio o colaborador não pode ser lesado com qualquer alteração contratual, seja de forma direta ou indireta, memso que haja consentimento deste. PRINCÍPIO DA IRRENUNCIABILIDADE O artigo 9º da CLT determina que os documentos utilizados como instrumentos de renúncia a diretos concedidos pela legislação são considerados nulos e não manifestam. Como resultado, seus efeitos também ficam sob a mesma condição. O princípio da irrenunciabilidade vem a partir da ideia de indisponibilidade dos direitos fundamentais. Ou seja, os indivíduos não podem abdicar dos direitos concedidos pelo ordenamento, seja voluntariamente, em caráter amplo e por antecipação. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do exposto, observa-se que os princípios do direito do trabalho destacam-se com as funções específicas de caráter instrutivo, interpretativo e normativo, garantindo ao trabalhador uma proteção por reconhecer o lado menos privilegiado da relação trabalhista. Em respeito aos direitos dos trabalhadores, os princípios tem como objetivo evitar que os direitos do trabalhador seja violado, por meio do qual a lei específica não se sobrepõe a alguma norma que benficia o colaborador, além de evitar prejuízos aos trabalhadores, exigindo que haja in dubio pro operário, considerando sempre a norma favorável ao empregado.