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geral@norforma.pt www.norforma.pt INSTITUTO NORFORMA Curso de Técnico de Ação Educativa Módulo 2 - Perfil do Técnico de Ação Educativa geral@norforma.pt www.norforma.pt Objetivo Geral do Módulo Pretende-se que os formandos sejam capazes de conhecer o perfil de competências de um Técnico de Ação Educativa. Objetivos Específicos do Módulo Reconhecer as exigências éticas associadas à atividade profissional no trabalho com crianças e jovens. Identificar deveres éticos dos profissionais de educação Reconhecer a importância do trabalho em equipa Reconhecer as funções de um Técnico de Ação Educativa nos diferentes contextos Conhecer os principais modelos pedagógicos em Portugal Identificar os objetivos do trabalho em equipa geral@norforma.pt www.norforma.pt Conteúdo do Módulo Ética e Deontologia Profissional Modelos Pedagógicos em Educação Trabalho em Equipa Funções do Técnico de Ação Educativa Contactos da Formadora do Módulo Catarina Magalhães catariina2@gmail.com Deverá dedicar 10 horas para estudo deste módulo. geral@norforma.pt www.norforma.pt Ética e deontologia profissional no trabalho com crianças e jovens Pensar em Educação implica pensar eticamente, sobre os princípios, as regras e até as formas de comportamento, daí a importância da deontologia, que se afigura como um conjunto de deveres e regras de natureza ética de uma classe profissional, é por isso, uma moral unicamente profissional. A palavra ética deriva do grego e diz respeito ao conjunto de regras de conduta de um indivíduo ou de um grupo. A palavra moral deriva do latim e representa o conjunto de princípios e valores de conduta do homem. As suas palavras remetem para a ideia de costumes, para o modo de ser, de estar e de agir que caracteriza o comportamento dos indivíduos. As leis morais funcionam como guias para pautar a ação, não podem servir para controlar ou punir o ser humano. As normas servem para orientar caminhos e para sustentar decisões. Quem trabalha com crianças confronta-se diariamente com situações e problemas que necessitam de uma resposta sustentada em competências técnicas e científicas, mas também éticas, pois a ação educativa desenvolve-se num contexto de específico em que se torna muito difícil separar a ética do saber profissional. A Ética e a prática profissional de todos os intervenientes no processo educativo estão pautados por diversos deveres, alguns dos quais já tinham sido referidos no módulo anterior. dever de isenção - consiste em não retirar vantagens das funções que exerce; dever de imparcialidade - consiste em desempenhar as funções de forma transparente e distanciar-se de interesses com que seja confrontado; dever de informação - consiste em prestar às famílias todas as informações que lhe sejam solicitadas; geral@norforma.pt www.norforma.pt dever de zelo - consiste em conhecer e aplicar as normas legais e as instruções dos seus superiores, bem como exercer as funções de acordo com os objetivos que tenham sido fixados e utilizando as competências que tenham sido consideradas adequadas; dever de obediência - consiste em acatar e cumprir as ordens dos superiores hierárquicos, dadas em objeto de serviço e com a forma legal; dever de correção - consiste em tratar com respeito todos os intervenientes no processo educativo e respeitar todas diferenças religiosas, culturais e socioeconómicas das crianças e das suas famílias; dever de respeitar os interesses das crianças – salvaguardando sempre a sua segurança e integridade; dever de colaboração com as famílias - na procura de soluções e na transmissão de mensagens urgentes; dever de assiduidade e de pontualidade - consistem em comparecer ao serviço regular e continuamente e nas horas que estejam designadas. dever de sigilo profissional - impedimento de partilhar informações confidenciais sobre os alunos e as suas famílias com indivíduos externos à escola; devem participar às entidades competentes situações de negligência e maus tratos - sempre que os mesmos possam ser devidamente comprovados e fundamentados. geral@norforma.pt www.norforma.pt O respeito por todos os intervenientes no processo educativo, assim como a responsabilidade de trabalhar em Educação e com menores implicam um compromisso ético: Compromisso para com as crianças e jovens – pois do seu trabalho depende, em grande medida, o sucesso educativo e emocional das crianças com quem trabalha; Compromisso para com as famílias – no trato com respeito e numa atuação regida por comportamentos positivos e que promovam o vínculo da família com a escola; Compromisso para com a equipa – não só ao nível da transparência e atuação, como também no empenho no exercício de funções. Uma equipa é eficaz quando trabalham todos para o mesmo objetivo; Compromisso para com a entidade empregadora – respeitando ordens hierárquicas, cumprindo as suas funções com dedicação e participando em ações de formação promovidas pela entidade; Compromisso para com a comunidade e com a sociedade em geral – pilares essenciais numa escola que se quer integrada na comunidade. Todos os agentes de educação devem reger-se por atitudes e comportamentos positivos tanto com membros da equipa, com o corpo docente e com as crianças, só com uma comunicação positiva é possível criar um ambiente saudável e de vínculo afetivo. Este seu comportamento deve ter como preocupação a resolução de conflitos de forma também positiva, para que o ambiente de trabalho seja agradável e para que possam proporcionar às crianças um ambiente seguro e de confiança. geral@norforma.pt www.norforma.pt Modelos pedagógicos em educação Segundo Zabalza, currículo é o “conjunto de pressupostos de partida, das metas que se deseja alcançar e dos passos que se dão para as alcançar; é o conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes, etc. que são considerados importantes para serem trabalhados na escola ano após ano. E, supostamente, é a razão de ser de cada uma dessas opções.” Toda a equipa pedagógica deverá pautar-se por uma participação no processo educativo bem fundamentada e refletida para que o seu objetivo principal, uma aprendizagem ativa e significativa das crianças, não seja comprometido. À disposição dos profissionais de Educação estão diversos modelos curriculares. Por modelo curricular entende-se: […] uma representação ideal de premissas teóricas, políticas e administrativas e componentes pedagógicas de um programa destinado a obter um determinado resultado educativo. Deriva de teorias que explicam como as crianças se desenvolvem e aprendem, de noções sobre a melhor forma de organizar os recursos e oportunidades de aprendizagem para as crianças e de juízos de valor acerca do que é importante que as crianças saibam.” (Spodek e Brown, 2002) Com a crescente importância da Educação Pré-Escolar para o sucesso pessoal e escolar das crianças e, consequentemente para a melhoria do sistema educativo, é função do Estado promover uma definição destas aprendizagens, a chamada definição curricular. Nesta definição, têm especial importância os modelos curriculares, uma vez que: “incorporam uma visão integradora dos fins da educação e das fontes de currículo, dos objetivos e dos métodos de ensino, dos métodos e da organização do espaço e do tempo escolar. Consubstanciam uma visão sistémica da educação para a cidadania e da prática da sala de aula, dos princípios curriculares e da formação contínua de profissionais congruentes com esses princípios. Assim, os modelos curriculares são um poderoso instrumento de medição da teoria e da prática.” geral@norforma.pt www.norforma.pt Os modeloscurriculares apresentam-se como sendo um suporte teórico da ação do educador e, este tem a autonomia para adotar qual o modelo que mais se adequa a si e à sua prática. O que muitas vezes acontece é que a ação educativa dos educadores não se enquadra em apenas um modelo, utilizando um pouco de todos. “A prática tradicional de jardim de infância é um pot-pourri, uma mistura de várias práticas, sem a existência de linhas condutoras bem diferenciadas, o que origina, na maior parte das vezes, uma não consciência dos referenciais teóricos que implicitamente influenciam a sua prática pedagógica.” Atualmente em Portugal é possível identificar alguns modelos curriculares presentes no dia a dia de cada sala, tanto em Educação Pré-Escolar como no 1º e 2º ciclo do Ensino Básico, salientam-se a Pedagogia de Projeto, o Movimento da Escola Moderna (MEM), o modelo High/Scope, o método de Montessori, o Método João de Deus, o método de Reggio Emilia e o modelo Waldorf. Todos estes modelos pedagógicos referem a criança como sendo o centro da educação e que tem um papel ativo na construção da sua aprendizagem. Ao educador cabe a responsabilidade de observar os interesses e necessidades de cada criança e preparar espaços, rotinas e apoiar projetos que respondam a essas mesmas observações. geral@norforma.pt www.norforma.pt Pedagogia de Projeto A metodologia de projeto surgiu em 1918 através de Kilpatrick e está inserida numa perspetiva construtivista. “O projeto é uma investigação em profundidade de um assunto sobre o qual valha a pena aprender. A investigação é em geral realizada por um pequeno grupo de crianças de uma sala de aula, às vezes pela turma inteira e, ocasionalmente, por uma criança apenas. A principal característica de um projeto é que ele é um esforço de pesquisa deliberadamente centrado em encontrar respostas para as questões levantadas pelas crianças, pelo seu professor, ou pelo professor que estiver trabalhando com as crianças.” (HELM, BENEKE, 2005) O adulto tem um papel orientador e relacional e é visto como gestor do processo no sentido em que deve distinguir os interesses reais do grupo, das suas curiosidades momentâneas para que possa apoiar o desenvolvimento de projetos relevantes. Um trabalho de projeto deve passar por quatro fases: definição do problema, planificação e lançamento do trabalho, execução e, por último, avaliação e divulgação. Não há uma definição temporal para projeto, uma vez que este pode durar o ano inteiro, ou apenas uns dias, do mesmo modo, não tem que ser realizado por todo o grupo, podendo até ter só a participação de um número restrito de crianças. O importante é que o tópico escolhido seja do interesse das crianças, para que estas se sintam envolvidas e motivadas ao longo da sua realização. Esta pedagogia implica flexibilidade, mudanças e reformulações ao longo do processo. Para que os saberes construídos pelo grupo que participou na realização do projeto, possam contribuir para o desenvolvimento e aprendizagem de todo o grupo, é importante que esses saberes possam ser partilhados e comunicados com as crianças que não participaram diretamente no projeto. geral@norforma.pt www.norforma.pt Este modelo, as crianças desenvolvem autonomia e capacidade de decisão, adquirem hábitos de pensamentos e atitudes, tais como a reflexão e a persistência. Permite ainda que as crianças aprendam a partir de erros e dúvidas, ao mesmo tempo que aprendem a gerir sentimentos de frustração e contradição. Movimento da Escola Moderna (MEM) O Movimento da Escola Moderna (MEM) foi fundado em Portugal em 1966 e desenvolve-se como sendo uma pedagogia ativa onde a comunicação e a escuta são elementos essenciais. O MEM é constituído por núcleos regionais de profissionais que em grupo promovem a sua autoformação, para eles, escola é “um espaço de iniciação às práticas de cooperação e de solidariedade de uma vida democrática”. Este modelo apresenta três finalidades formativas: iniciação às práticas democráticas, reinstituição dos valores e significações sociais e a reconstrução cooperada da cultura. Os grupos de crianças em Jardim de infância são organizados em diferentes níveis etários para promover a heterogeneidade de forma a fomentar a entreajuda e a colaboração entre todas as crianças. O espaço da sala, nestes jardins de infância, está dividido em seis áreas de atividades: biblioteca, oficina de escrita, laboratório de ciências, carpintaria e construções, atividades plásticas e outras expressões artísticas e ainda um espaço de brinquedos, jogos e faz-de-conta. Cada uma destas áreas tem como objetivo reproduzir uma oficina de trabalho semelhante à dos adultos. Nesta metodologia, os interesses e as motivações das crianças são a base para a elaboração de projetos. Todas as atividades são organizadas de uma forma bem definida e compartimentada ao longo do dia, surgindo normalmente, nove tempos distintos desde o acolhimento até ao balanço do dia em conselho de turma. geral@norforma.pt www.norforma.pt Este conselho de turma, também designado de “Diário de turma” serve para fazer um balanço semanal do grupo e ainda a avaliação e planificação da semana seguinte. Este diário é uma folha exposta na parede da sala dividida em quatro colunas: gostei, não gostei, fizemos e queremos/desejamos. Nas duas primeiras colunas, é registado o que cada um considera positivo ou negativo, na coluna “fizemos” registam as atividades mais significativas e a última coluna permite planear as próximas atividades. O educador apoia de uma forma discreta as atividades desenvolvidas nas oficinas, é um promotor da organização participada que tem como principal objetivo incentivar a expressão livre das suas crianças e promover o seu espírito crítico. Através da participação das crianças na planificação das atividades, o educador contribui para a autonomia e responsabilização de cada uma das suas crianças. Modelo High/Scope “Na abordagem que a High/Scope propõe para a educação no início da infância, os adultos e as crianças partilham o controlo. Reconhecemos que o poder para aprender reside na criança, o que justifica o foco nas práticas de aprendizagem através da ação. Quando aceitamos que a aprendizagem vem de dentro, atingimos um balanço crítico na educação das crianças. O papel do adulto é apoiar e guiar as crianças através das aventuras e das experiências que integram a aprendizagem pela ação.” (David P. Weikart, 1995) Esta abordagem foi fundada por David P. Weikart em 1970, no seguimento de alguns trabalhos desenvolvidos no âmbito do seu interesse pela aprendizagem através da ação e na forma como se processa o desenvolvimento cognitivo. geral@norforma.pt www.norforma.pt O modelo High/Scope é um modelo construtivista baseado na teoria de desenvolvimento de Piaget que aposta na aprendizagem pela ação, a criança aprende, fazendo. É através da aprendizagem pela ação, ao viver experiências diretas e imediatas e retirar delas significado através da reflexão que as crianças pequenas constroem o conhecimento que as ajuda a dar sentido ao mundo. Este poder da aprendizagem ativa vem da iniciativa pessoal, uma vez que as crianças atuam segundo o seu desejo inato de explorar e colocar questões sobre tudo o que lhes provoca curiosidade. As crianças envolvem-se em “experiências-chave” que são interações criativas e permanentes com pessoas, materiais e ideias que promovem o crescimento intelectual, emocional, social e físico. Esta aprendizagem pela ação é o núcleo central de todo o processo e depende das interações positivas entre os adultos e as crianças, sendo que o adulto tem um papel fundamental no processo pois ouve a criança e procura ajudar e apoiar todas as suas descobertas e brincadeiras, desta forma, permite à criança expressar com liberdade econfiança os seus pensamentos e sentimentos. Todos os educadores e professores que trabalham com este modelo têm como função incentivar a ação, partindo do princípio de que a experiência promove o desenvolvimento cognitivo. Os princípios básicos deste modelo e que orientam a prática diária destes profissionais, inscreve-se no diagrama denominado “roda de aprendizagem pré- escolar High/Scope”. geral@norforma.pt www.norforma.pt A “Roda da Aprendizagem” Pré-Escolar High/Scope Aprendizagem pela ação iniciativa experiências-chave Interação adulto- criança Ambiente de aprendizagem Rotina diária Avaliação Estratégias de interação; Encorajamento; Abordagem de Resolução de Problemas face ao Conflito. Áreas; Materiais; Armazenamento. Planear-Fazer- Rever; Tempo em Pequeno Grupo; Tempo em Grande Grupo. Trabalho em Equipa; Registos ilustrativos diários; Planeamento diário; Avaliação da criança; Aprendizagem pela ação Interação adulto-criança Ambiente de aprendizagem Rotina diária Avaliação geral@norforma.pt www.norforma.pt Método João de Deus O modelo pedagógico fundado por João de Deus, está muito focado na aprendizagem da fala através da leitura e já existe em Portugal desde 1911. João de Deus afirmou, em 1876, que no método por ele criado, a primeira condição para ensinar era o estudo da fala. Apresenta uma disciplina muito rigorosa e um ensino exigente que estimula as capacidades cognitivas das crianças, incentivando à sua autocorreção. Nesta metodologia, parte-se sempre do mais simples para o mais complexo. Esta ordem visa o favorecimento do êxito na aprendizagem da leitura, de forma a que os conceitos anteriormente integrados sirvam de patamar aos que se seguem. A Cartilha Maternal foi publicada em 1876 e é, ainda hoje, a metodologia utilizada para fazer a iniciação precoce à leitura e à escrita. O modelo João de Deus é “centrado na preparação académica da criança, este modelo propõe para a educadora um papel ativo e diretivo; a criança cumpre um plano de atividades bastante estruturado com horário preestabelecido, sendo habituais atividades como a pintura, a iniciação à escrita, à leitura e à aritmética.” A formação das educadoras neste modelo é assegurada pela própria escola. Modelo de Reggio Emilia Este modelo surgiu na cidade de Reggio Emilia, no Norte de Itália, com o objetivo de ajudar crianças pequenas depois da Segunda Grande Guerra. O jornalista Malaguzzi interessou-se pelo projeto e após fazer formação em educação passou a liderá-lo. A filosofia de Reggio Emilia acredita que a criança tem um papel ativo na construção do seu conhecimento e que o objetivo do ensino é providenciar condições de aprendizagem. São promovidas as relações, as interações e as comunicações e todo o conhecimento emerge de uma construção pessoal e social onde a criança participa ativamente na sua socialização co-construída com o grupo de pares. geral@norforma.pt www.norforma.pt O conhecimento é originado na criança e enquadrado pelo professor, sendo um “currículo negociado”, não existem metas específicas para cada atividade, são formuladas hipóteses do que pode acontecer e os objetivos para cada atividade são flexíveis e adaptados aos interesses e necessidades emergentes de cada grupo de crianças. O professor facilita e estimula o diálogo, a co-ação e a co-construção dos conhecimentos entre as crianças, muitas vezes partem da análise que fazem ao desenvolvimento e à participação das crianças para promover mais e melhores oportunidades de aprendizagem. “À medida que os projetos vão surgindo, os adultos dão sugestões e introduzem novos elementos sempre que for apropriado, mas são as crianças que decidem e escolhem os passos a seguir.” Também nesta pedagogia, as crianças trabalham e aprendem muito em grupo e em projetos, todas as crianças devem participar em pelo menos um projeto por ano e os temas devem resultar de interesses genuínos das crianças, orientados pelos adultos quando querem redirecionar os interesses ou para que estes correspondam a objetivos curriculares. A abordagem Reggio Emilia prevê a integração das artes gráficas no desenvolvimento cognitivo, linguístico e social. A simples apresentação de conceitos e hipóteses em múltiplas formas de representação vai ser essencial para a compreensão da experiência. geral@norforma.pt www.norforma.pt Método de Montessori Maria Montessori foi uma pedagoga italiana nascida em 1870 que se interessou pelo desenvolvimento da criança, observando como esta desenvolve a sua personalidade, através das aprendizagens adquiridas pela interação com o mundo à sua volta, compreendeu que a criança tinha um papel ativo na sua aprendizagem, e que, de forma espontânea, a aprendizagem era adquirida à medida que a criança escolhia e manipulava os materiais didáticos de autocorreção que ela própria desenvolveu. Montessori defende que não é o professor que ensina a criança, mas a criança que ensina o professor, a criança é vista como o centro do universo educativo. A educação não é o que o educador dá, mas sim um processo natural realizado espontaneamente pelo indivíduo, não por ouvir palavras, mas por acumular experiências sobre o meio ambiente. As crianças precisam de se adaptar ao seu ambiente, razão pela qual Montessori considerou fundamental a construção de um ambiente favorável, tanto físico como espiritual, para que as crianças possam fazer sentido do mundo que as rodeia. O educador é um facilitador, sendo uma das suas funções, a preparação do ambiente e dos materiais de forma a que estimulem a atividade cultural. Este adulto deve estar atento à criança, ajudando apenas quando necessário e não sendo um obstáculo à aprendizagem. Este método está orientado para dar respostas mais científicas ou matemáticas e defende que não é necessário a existência de reforço positivo ou punição para motivar as crianças, uma vez que estas têm liberdade de circular livremente pelo espaço, escolhendo a atividade que querem fazer de forma autónoma. Os grupos devem ser grupos mistos, isto é, contemplarem diferentes idades para que haja uma entreajuda entre os seus elementos, fomentando assim a colaboração entre todos. Nesta metodologia, o ritmo de aprendizagem é definido pela própria criança e dispõe do tempo necessário para completar as suas tarefas. geral@norforma.pt www.norforma.pt Os materiais que estão à disposição das crianças devem ser didáticos, de tamanho apropriado, reais e de autocorreção para que a criança consiga apreender os conceitos de forma individual e autónoma. Todo o ambiente educativo deve ser preparado de forma meticulosa e com uma razão específica. Esta metodologia está assente em oito princípios básicos: 1. Mente absorvente das crianças - as crianças têm a capacidade inata de receber, processar e armazenar nas suas células cerebrais sem qualquer esforço, tudo o que vem do ambiente circundante; 2. Área de aprendizagem - os espaços são divididos em diferentes áreas, que correspondem às cinco áreas-chave de aprendizagem: Vida prática, Sensorial, Linguagem, Matemáticas e Cultura; 3. Períodos sensíveis - períodos em que a criança demonstra um interesse especial ou está entusiasmada por aprender uma determinada área, são também considerados de “janelas de aprendizagem”; 4. Normalização - este é o processo em que a criança atinge gradualmente a ordem, autodisciplina e socialização, ou seja, a capacidade de apreciar, respeitar e cooperar com os outros. 5. Ambiente preparado - ambiente em que a criança se desenvolve, tanto o espaço físico como as pessoas com quem a criança interage, as atividades e orientações que são estabelecidas nesse espaço; 6. Respeito pelo ritmo de aprendizagem da criança - cadacriança tem um ritmo diferente e o adulto deve respeitá-lo, evitando intervir e não fazer coisas no lugar da criança, pois isso dificulta a aprendizagem e provoca um sentimento de inferioridade e frustração na criança; 7. O papel do adulto - a sua função é guiar a criança, deixando a criança definir o ritmo guiado pelos seus interesses e favorecendo tanto a autonomia física da criança como o seu pensamento; 8. Materiais Montessori - ferramentas para manipulação e experimentação sensorial pela criança, a fim de desenvolver o conhecimento e o pensamento abstrato. geral@norforma.pt www.norforma.pt Modelo Waldorf Esta pedagogia foi fundada por Rudolf Steiner em 1919 e distinguiu-se pelos seus ideais e modelos metodológicos revolucionários. A metodologia Waldorf estimula o sentir, a imaginação e a criatividade através da leitura de contos e de atividades artesanais. A partir destas componentes o objetivo principal desta metodologia de ensino é educar e conduzir para que cada aluno, ao seu ritmo, construa um pensamento/raciocínio livre e autónomo, para que cada criança consiga desenvolver uma personalidade única, equilibrada e integrada socialmente A abordagem Waldorf não é focada em livros ou recursos didáticos tradicionais, utilizam em alternativa, técnicas e materiais que colocam o aluno em contato com a natureza e com atividades do dia a dia. O currículo oferece música, artes, jardinagem, técnicas agrícolas e horticultura, entre outras. Neste âmbito, é proibida a utilização de qualquer material eletrónico, todo o conhecimento deve ser construído através da manipulação de materiais e técnicas de origem tradicional e sempre que possível relacionadas com a natureza. Os seus principais objetivos são dar liberdade à criança, criar entusiasmo pela aprendizagem e respeitar a criança enquanto ser pensante, dando-lhe tempo para aprender sem pressas, ao mesmo tempo que se desenvolve fisicamente, espiritualmente, intelectualmente e artisticamente. Nos jardins de Infância Waldorf, a alimentação é vegetariana e os produtos são geralmente biológicos. geral@norforma.pt www.norforma.pt Esta pedagogia divide a infância em períodos de 7 anos: Dos 0 aos 7 anos – a criança está aberta ao mundo, tem confiança ilimitada e aprende por imitação; Dos 7 aos 14 anos – a criança interage e reage aos estímulos que recebe, necessita de explicações conceptuais e revela interesse pela admiração que as coisas causam; Dos 14 aos 21 anos - desenvolvimento do lógico, analítico e sintético, quer explicações conceituais e intelectuais e quer ser compreendido. geral@norforma.pt www.norforma.pt Trabalho em Equipa “Uma organização bem-sucedida, mesmo uma relativamente pequena, é um sistema social complexo. Para se conseguir atingir um desempenho excecional é preciso mais do que contratar pessoal competente, planificar bem e dar ordens. Em empresas com sucesso existe um conjunto complexo de relações interdependentes e cooperativas entre o diretor e o seu pessoal, e entre o próprio pessoal.” Rensis Likert, 1967 Considerando as Orientações Curriculares para a Educação de Infância, cada estabelecimento educativo tem como responsabilidade favorecer as relações entre todos os intervenientes e promover o trabalho em equipa entre os profissionais que têm um papel ativo na educação das crianças. Este trabalho colaborativo deve promover reuniões com toda a equipa que trabalha com o grupo de crianças, seja educador/a, técnico de ação educativa, auxiliar de ação educativa/assistente operacional, animadores da componente de apoio à família ou outros profissionais como professor de educação especial, sendo, este trabalho indispensável para desenvolver uma ação articulada, que se integra na dinâmica global do grupo e no trabalho que se está a realizar com cada grupo. O trabalho de equipa permite assim apoiar a aprendizagem ativa das crianças, uma vez que os membros da equipa partilham o mesmo comprometimento à abordagem educacional e trabalham em conjunto para trocar informações fidedignas sobre as crianças, planear estratégias curriculares e avaliar a eficácia dessas mesmas estratégias. Os membros da equipa devem esforçar-se para compreender o currículo e cada criança individualmente, de forma a poderem oferecer um contexto consistente com os seus objetivos e modelos na área da educação. geral@norforma.pt www.norforma.pt Um trabalho de equipa eficaz pressupõe: Criar um clima de apoio e entreajuda entre adultos por forma a que a aceitação e confiança que sentem entre eles se verifique nas interações com as crianças; Reconhecer as necessidades dos adultos em termos de pertença, partilha, desempenho, reconhecimento e compreensão do currículo, para que se possam concentrar totalmente nos interesses e intenções das crianças; Resulta numa abordagem única para a concretização do currículo, permitindo um apoio consistente e apropriado ao grupo de crianças. O trabalho em equipa é um processo contínuo de aprendizagem pela ação que implica um clima de apoio e de respeito mútuo pelos diversos intervenientes. Os adultos devem ser aprendizes ativos que permanentemente constroem uma nova compreensão acerca da melhor forma de apoiar o desenvolvimento de cada criança, nesse sentido, devem recorrer a princípios, estratégias e às observações individuais recolhidas de cada uma das suas crianças, para melhor interpretar o que observam e adequar as suas práticas educativas. Num trabalho de equipa eficaz todos os membros de equipa partilham o controlo em vez de seguir as diretivas de uma só pessoa, todos os elementos partilham a responsabilidade de promover o trabalho, estabelecendo objetivos curriculares, colocando questões e problemas e ajudando na sua resolução. Estes elementos devem também centrar-se nos seus talentos, isto é, na procura de uma forma de potenciar as capacidades e interesses uns dos outros e de cada um para melhor ajudar as crianças. Cada elemento aprecia e respeita as experiências, o entendimento e as crenças dos outros. Todos trabalham no sentido de criar confiança mútua e para se conhecerem a si próprios e aos seus colaboradores. geral@norforma.pt www.norforma.pt Devem reger-se por expectativas de sucesso, evitar rotular os outros e esperar que ao trabalharem juntos com persistência venham a ser capazes de oferecer às crianças de quem cuidam contextos de aprendizagem de elevada qualidade. O respeito mútuo liberta os elementos da equipa do medo de serem julgados e criticados e permite-lhes centrarem as suas energias coletivas nas crianças. O desenvolvimento de um trabalho em equipa efetivo apresenta inúmeros benefícios individuais e para o grupo: Reconhecimento do trabalho desenvolvido pela equipa e o sentido de trabalho bem-sucedido, de missão cumprida; Sentimento de pertença a um grupo de indivíduos que pensam de forma semelhante; Valorização dos diferentes elementos da equipa, conversando e resolvendo em conjunto os problemas; Permite prestar um serviço educativo consistente, porque definem os objetivos e planificam em conjunto; Permite partilhar o controlo com as crianças; Os membros da equipa ensinam e aprendem uns com os outros. “As competências importantes não estão contidas num indivíduo particular, mas são facilmente partilhadas e melhoradas num contexto cooperante” Rensis Likert geral@norforma.pt www.norforma.pt A Constituição da Equipa O primeiro passo para um trabalho de equipa eficaz é identificar os parceiros diários de aprendizagem e de ensino, sendo fundamental destinar um período de tempo diário e sem interrupções para reunir a equipa de apoio. Nesta equipa devem ser incluídos, conforme necessário, profissionais de outras áreas e ligados à instituição, de quesão exemplo: terapeutas da fala, psicólogos, médicos, coordenador da instituição, assistente social, nutricionista, entre outros, para que seja possível realizar uma reflexão mais específica sobre determinadas crianças ou até dar uma contribuição para o caso a trabalhar, de acordo com a sua área de especialização. A colaboração entre o pessoal permanente e o pessoal de apoio assegura que todos os adultos estabeleçam contacto com as crianças, trabalhem para o mesmo objetivo e sigam estratégias semelhantes para o alcançar. Estratégias para um Trabalho de Equipa Diário É possível referir 4 elementos centrais para desenvolver o trabalho de equipa: Estabelecer relações de apoio entre os adultos, através de: o Comunicação aberta – específica, honesta e direta; Os adultos devem dizer aquilo que pensam com respeito e cuidado, estando as suas palavras, expressões faciais, posições corporais e tons de voz em consonância e harmonia; o Respeito pelas diferenças individuais – as diferenças individuais enriquecem o trabalho a desenvolver com as crianças, pois permitem a diversificação de estratégias; o Paciência com o processo de trabalho e com a equipa; geral@norforma.pt www.norforma.pt Recolha de informação fidedigna sobre as crianças; o Observar as crianças ao longo do dia - através da observação e da interação, os adultos aprendem a conhecer as crianças; esta observação diária permite perceber quais são os interesses das crianças, o que lhes prende a atenção e o que compreendem sobre o mundo; Os adultos começam gradualmente a compreender e antecipar como cada criança pode agir em situações específicas, guiando-os no planeamento das atividades; o Realização de anotações breves sobre as observações - permite recordar, relatar e apoiar novas propostas e, transmiti-las aos restantes elementos da equipa; Formas de recolher informações: blocos, tiras de papel, cartões colocados estrategicamente em vários locais e fotografias; o Evitar os juízos de valor – descrever as ações das crianças objetivamente. Tomar decisões em grupo sobre as crianças - Interpretar as observações e planificar o que fazer em seguida: o Refletir sobre o significado das ações das crianças: partilhar as observações e refletir em conjunto sobre aquilo que significam possibilita aos membros da equipa definir estratégias para apoiar os interesses e objetivos das crianças; o Gerar estratégias de apoio e experimentá-las; o Experimentar estratégias e refletir em conjunto sobre como estão a resultar. Ao reverem, diariamente, a eficácia das estratégias que desenvolvem, as equipas aperfeiçoam os seus planos e geram mais e melhores estratégias para apoiar o crescimento e o desenvolvimento das crianças. geral@norforma.pt www.norforma.pt Tomar decisões em equipa sobre o trabalho conjunto: o Discutir os papéis e as expectativas dos membros da equipa; o Partilhar a responsabilidade pelo funcionamento da equipa; o Tomar decisões curriculares enquanto equipa. O trabalho em equipa desenvolve a segurança nas relações interpessoais e uma maior compreensão da função e da contribuição de cada um para o grupo. A colaboração entre os membros da equipa pedagógica baseia-se no estabelecimento de relações apoiantes entre adultos, na recolha de informações sobre as crianças e na tomada de decisão relativamente à planificação e às estratégias. geral@norforma.pt www.norforma.pt O profissional de Ação Educativa Os Técnicos de Ação Educativa são profissionais fundamentais no processo educativo, responsáveis por estabelecer a “ponte” entre a escola, a família e a comunidade em torno do estabelecimento de ensino. Estes profissionais desempenham funções em diferentes contextos educativos que tanto podem ser estabelecimentos de Educação de Infância e Creches como Centros de Atividades de Tempos Livres ou outras Instituições de Solidariedade Social sendo, por isso, necessário adequar as funções do técnico ao contexto em que está inserido. Em contexto de creche e de pré-escolar é fundamental que o Educador de Infância e o Técnico trabalhem como e em equipa e devem exercer as suas funções numa perspetiva de vinculação afetiva, sendo empáticos, tranquilos e carinhosos. Na creche compete à equipa educativa as funções de: Estabelecer relações que encorajem a criança a participar de forma ativa e comprometida no seu próprio processo de desenvolvimento; Criar um ambiente de segurança, promotor de saúde e do bem-estar físico, emocional e socio afetivo da criança; Proporcionar um ambiente físico e afetivo flexível que possa ser constantemente readaptado aos interesses e necessidades de cada criança e lhe permita crescer confiante e com iniciativa; Estabelecer uma rotina diária consistente que reforce e valorize as continuidades com o espaço familiar e doméstico, de modo a tornar possível a previsibilidade no quotidiano das crianças; Promover oportunidades para que a criança possa comunicar os seus sentimentos e pensamentos; geral@norforma.pt www.norforma.pt Organizar e gerir os espaços, os recursos materiais e o tempo dedicado às crianças, de forma a promover: o a autonomia, a capacidade de escolha e de tomada de decisão; o a expressão e a comunicação; o a imaginação; o o raciocínio lógico matemático; o a curiosidade e o espírito crítico; o relações afetivas positivas promotoras de autoestima e autoconfiança; o o convívio com outras crianças como forma de integração social. Na Educação Pré-Escolar, o principal objetivo é estruturar as aprendizagens das crianças de forma a promover a sua independência, autonomia e autoestima e, nesse sentido, tanto o Educador de Infância, como o Técnico de Ação Educativa, os auxiliares ou assistentes operacionais, são responsáveis pelo acompanhamento das atividades em sala, tendo como funções: Manter uma interação social positiva com a criança para satisfazer as necessidades e interesses de cada uma; Assegurar que as atividades individuais são realizadas em função dos objetivos do grupo; Observar atentamente o grupo e intervir de forma a evitar a ocorrência de conflitos (por exemplo: ter vários brinquedos iguais); Propor atividades e material de acordo com os interesses de cada criança e os objetivos a atingir; Facultar o apoio necessário e sempre que solicitado pelas crianças, explicando ou simplificando a atividade; Descrever o que a criança está ou vai fazer e sempre que necessário, explicar as regras de segurança da atividade; Colocar e responder a questões; Promover situações de interação com outras crianças e com outros adultos; geral@norforma.pt www.norforma.pt Envolver a criança em situações complexas procedendo à sua simplificação e divisão em tarefas mais simples e acessíveis; Promover a aprendizagem de competências específicas sempre que a criança demonstre disponibilidade para o fazer; Utilizar as atividades da vida diária e as rotinas de cada criança para promover a aquisição de novas competências pessoais e sociais; Participar na atividade em que a criança se encontra envolvida, mas não lhe retirando o domínio da situação; Manter um equilíbrio entre as necessidades de exploração independente da criança e o apoio que lhe é prestado pelos colaboradores; Respeitar os ritmos de cada criança e não impor a realização de determinada atividade; Permitir uma transição entre as tarefas ou atividades de forma suave e despreocupada: o dando espaço à criança para terminar o que está a fazer; o evitando um período de espera entre atividades; o prevenindo a ocorrência de situações disruptivas. Possibilitar, de acordo com o desenvolvimento de cada criança: o diversas atividades e materiais do seu interesse; o períodos de tempo livre, nunca menos de meiahora em cada período do dia e sempre que possível no espaço exterior estabelecimento. Explicar os motivos quando é necessário interromper uma atividade ou brincadeira; Valorizar o esforço da criança durante a realização da atividade; Disponibilizar tempo suficiente para que as crianças possam: o explorar o material e o espaço que as rodeia de forma a compreendê-los; o desenvolver a sua imaginação através de experiências linguísticas ricas e diversificadas; o envolver-se em diálogo com os outros (colaboradores e outras crianças), de forma a possibilitar o desenvolvimento das suas capacidades de comunicação e enriquecer o seu vocabulário. geral@norforma.pt www.norforma.pt São competências de um Técnico de Ação Educativa: Colaborar na planificação, organização e execução de atividades a desenvolver, tendo em consideração o contexto bem como as necessidades educativas e a idade das crianças ao seu cuidado; Colaborar com o/a responsável pelas atividades lúdico-pedagógicas no seu planeamento e organização, em função das temáticas e dos conteúdos a desenvolver; Cuidar de crianças em creches, jardins de infância e estabelecimentos similares; Cuidar de crianças em Atividades de Tempo Livres (ATL); Cuidar de crianças com necessidades específicas de educação, colaborando na programação, no desenvolvimento e no acompanhamento das suas atividades quotidianas e de tempos livres; Vigiar, acompanhar e apoiar crianças, no desenvolvimento das atividades previstas, garantindo e promovendo a sua segurança em todos os momentos; Acompanhar e apoiar crianças no desenvolvimento das atividades de higiene pessoal; Organizar refeições, bem como acompanhar e apoiar as crianças durante o período de refeições; Assegurar as condições de higiene, segurança e organização do local onde as crianças se encontram, bem como dos equipamentos e materiais utilizados; Detetar e reportar superiormente eventuais problemas de saúde e de desenvolvimento ou outros respeitantes às rotinas diárias das crianças e jovens; Registar e reportar superiormente ocorrências. Importa referir que este profissional pode trabalhar em diferentes valências, das quais se destacam: Creches, Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar, Centros de Atividades de Tempos Livres (ATL), Centros de Férias e de Lazer, Centros de Acolhimento Temporário, Lares de Infância e Juventude e ainda exercer a função de ama. geral@norforma.pt www.norforma.pt Em contexto de Creche e Educação Pré-Escolar, sempre educador ou adulto responsável pelo grupo não está em sala, o Técnico de Ação Educativa tem conhecimentos e métodos para assegurar a continuidade do trabalho com o grupo de crianças. Do mesmo modo, nos centros de atividades de tempos livres e de lazer, pode este profissional assumir o trabalho com um grupo de crianças. No que diz respeito ao trabalho em instituições de ensino públicas, as suas funções estão integradas na categoria de Técnico Auxiliar de Educação, enquadradas na carreira geral de Assistente Técnico, na qual estão também inseridos os Auxiliares de Ação Educativa. Todavia, apesar de as duas categorias estarem inseridas na mesma carreira, o índice remuneratório é diferente nas duas categorias. geral@norforma.pt www.norforma.pt Procura ativa de emprego Após o término da formação, todos os formandos estão aptos para trabalhar como Técnicos de Ação Educativa, seja no ensino público ou no ensino privado e em qualquer um dos níveis de ensino. No que respeita ao Ensino Público, foi já abordado no módulo anterior que todos as ofertas de emprego para a função de Técnico de Ação Educativa são publicadas na Bolsa de Emprego Público e também em jornais de referência. É necessário abrir um procedimento concursal para a entrada de trabalhadores na função pública, dessa forma, o candidato deverá preencher uma candidatura disponibilizada para o efeito na página da entidade promotora da oferta de emprego. Após a submissão da candidatura e de todos os documentos, é necessário prestar uma prova de conhecimentos e uma avaliação psicológica, que em alguns casos, pode ter o formato de entrevista. A decisão final é comunicada aos candidatos por escrito. O recrutamento para os estabelecimentos de ensino públicos é competência dos municípios que efetuam bolsas de recrutamento e vão utilizando os recursos de acordo com as necessidades. No que diz respeito às instituições de ensino privadas, a candidatura deve ser feita diretamente às instituições, preferencialmente de forma presencial ou enviando o seu Curriculum Vitae devidamente atualizado, através do envio de uma candidatura espontânea ou por meio de resposta a anúncios de oferta de emprego. Para além destas ofertas de emprego serem partilhadas nas páginas de cada instituição, podem também ser divulgadas através dos canais de publicitação de ofertas de emprego do Centro de Emprego e Formação Profissional, em jornais ou sítios de internet de referência, destinados à publicação de ofertas de emprego. geral@norforma.pt www.norforma.pt Considerações finais Como foi possível observar neste módulo, é possível perceber que, as carreiras a que dizem respeito as funções de Técnico de Ação Educativa e do Auxiliar de Ação Educativa apresentam funções semelhantes, revelando a mesma preocupação em contribuir de forma positiva na organização do ambiente educativo, em cuidar, vigiar e assegurar o bem-estar das crianças com quem trabalham diariamente. Importa referir que o Auxiliar de Ação Educativa tem ainda funções relacionadas com a limpeza e conservação dos espaços do estabelecimento de ensino. Um dos aspetos fundamentais a ter em conta nesta temática é que todos os profissionais envolvidos no processo educativo devem exercer as suas funções numa perspetiva de vinculação afetiva, sendo empáticos e carinhosos para com as crianças e os adultos com quem trabalham, pois só assim é possível proporcionar à criança um ambiente educativo tranquilo, propício à construção de relações afetivas de segurança em que a criança se sinta bem e confortável, disponível para aprender. Neste importante exercício de funções não docentes é fundamental colocar em prática os princípios da ética e deontologia e ainda desenvolver um trabalho de equipa eficaz, pois só trabalhando em colaboração é possível ter uma participação ativa no processo educativo. No que respeita à Educação de Infância e aos restantes técnicos e auxiliares que apoiam o grupo de crianças na sala, importa referir que cada Educadora de Infância pode ou não seguir um ou vários modelos pedagógicos na sua prática, cabe ao Técnico tentar conhecer a metodologia trabalhada para melhor formar e constituir esta equipa de trabalho. geral@norforma.pt www.norforma.pt Bibliografia Legislação MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (1997): Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, Lisboa: Departamento da Educação Básica; Bibliografia Fachada, M. Odete (2010): Psicologia das Relações Interpessoais, Lisboa: Edições Sílabo; Hohmann, Mary e Weikart, David P. (2009): Educar a Criança, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian; HELM, Judy Harris, BENEKE, Sallee (2005), O poder dos projetos – novas estratégias e soluções para a educação infantil, Porto Alegre: Editora Artmed; Baptista, Isabel (2001), Dar rosto ao futuro – A educação como compromisso ético, Profedições; Serra, Célia (2004), Currículo na Educação Pré-Escolar e Articulação Curricular com o 1º Ciclo do Ensino Básico, Coleção Educação, Porto Editora; Maia, João Sampaio (2008), Aprender… Matemática do Jardim de infância à escola, Porto Editora