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15fe892cb67af79e51a996796de356e7Manual do Formando - Modulo 2

Documento do Módulo 2 do Curso de Técnico de Ação Educativa sobre o perfil profissional. Apresenta objetivo geral e específicos, conteúdo (ética e deontologia, modelos pedagógicos, trabalho em equipe, funções), lista de deveres profissionais, compromissos, contatos e carga de 10 horas.

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INSTITUTO NORFORMA 
Curso de Técnico de Ação Educativa 
Módulo 2 - Perfil do Técnico de Ação Educativa 
 
 
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Objetivo Geral do Módulo 
Pretende-se que os formandos sejam capazes de conhecer o perfil de 
competências de um Técnico de Ação Educativa. 
 
Objetivos Específicos do Módulo 
 Reconhecer as exigências éticas associadas à atividade profissional 
no trabalho com crianças e jovens. 
 Identificar deveres éticos dos profissionais de educação 
 Reconhecer a importância do trabalho em equipa 
 Reconhecer as funções de um Técnico de Ação Educativa nos 
diferentes contextos 
 Conhecer os principais modelos pedagógicos em Portugal 
 Identificar os objetivos do trabalho em equipa 
 
 
 
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Conteúdo do Módulo 
 Ética e Deontologia Profissional 
 Modelos Pedagógicos em Educação 
 Trabalho em Equipa 
 Funções do Técnico de Ação Educativa 
 
Contactos da Formadora do Módulo 
Catarina Magalhães 
catariina2@gmail.com 
 
Deverá dedicar 10 horas para estudo deste módulo. 
 
 
 
 
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Ética e deontologia profissional no trabalho com crianças e jovens 
Pensar em Educação implica pensar eticamente, sobre os princípios, as regras e até 
as formas de comportamento, daí a importância da deontologia, que se afigura como 
um conjunto de deveres e regras de natureza ética de uma classe profissional, é por 
isso, uma moral unicamente profissional. 
A palavra ética deriva do grego e diz respeito ao conjunto de regras de conduta de 
um indivíduo ou de um grupo. A palavra moral deriva do latim e representa o 
conjunto de princípios e valores de conduta do homem. As suas palavras remetem 
para a ideia de costumes, para o modo de ser, de estar e de agir que caracteriza o 
comportamento dos indivíduos. 
As leis morais funcionam como guias para pautar a ação, não podem servir para 
controlar ou punir o ser humano. As normas servem para orientar caminhos e para 
sustentar decisões. 
Quem trabalha com crianças confronta-se diariamente com situações e problemas 
que necessitam de uma resposta sustentada em competências técnicas e científicas, 
mas também éticas, pois a ação educativa desenvolve-se num contexto de específico 
em que se torna muito difícil separar a ética do saber profissional. 
A Ética e a prática profissional de todos os intervenientes no processo educativo estão 
pautados por diversos deveres, alguns dos quais já tinham sido referidos no módulo 
anterior. 
 dever de isenção - consiste em não retirar vantagens das funções que exerce; 
 dever de imparcialidade - consiste em desempenhar as funções de forma 
transparente e distanciar-se de interesses com que seja confrontado; 
 dever de informação - consiste em prestar às famílias todas as informações que 
lhe sejam solicitadas; 
 
 
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 dever de zelo - consiste em conhecer e aplicar as normas legais e as instruções 
dos seus superiores, bem como exercer as funções de acordo com os objetivos 
que tenham sido fixados e utilizando as competências que tenham sido 
consideradas adequadas; 
 dever de obediência - consiste em acatar e cumprir as ordens dos superiores 
hierárquicos, dadas em objeto de serviço e com a forma legal; 
 dever de correção - consiste em tratar com respeito todos os intervenientes no 
processo educativo e respeitar todas diferenças religiosas, culturais e 
socioeconómicas das crianças e das suas famílias; 
 dever de respeitar os interesses das crianças – salvaguardando sempre a sua 
segurança e integridade; 
 dever de colaboração com as famílias - na procura de soluções e na transmissão 
de mensagens urgentes; 
 dever de assiduidade e de pontualidade - consistem em comparecer ao serviço 
regular e continuamente e nas horas que estejam designadas. 
 dever de sigilo profissional - impedimento de partilhar informações 
confidenciais sobre os alunos e as suas famílias com indivíduos externos à escola; 
 devem participar às entidades competentes situações de negligência e maus 
tratos - sempre que os mesmos possam ser devidamente comprovados e 
fundamentados. 
 
 
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O respeito por todos os intervenientes no processo educativo, assim como a 
responsabilidade de trabalhar em Educação e com menores implicam um 
compromisso ético: 
 Compromisso para com as crianças e jovens – pois do seu trabalho depende, em 
grande medida, o sucesso educativo e emocional das crianças com quem 
trabalha; 
 Compromisso para com as famílias – no trato com respeito e numa atuação 
regida por comportamentos positivos e que promovam o vínculo da família com 
a escola; 
 Compromisso para com a equipa – não só ao nível da transparência e atuação, 
como também no empenho no exercício de funções. Uma equipa é eficaz 
quando trabalham todos para o mesmo objetivo; 
 Compromisso para com a entidade empregadora – respeitando ordens 
hierárquicas, cumprindo as suas funções com dedicação e participando em 
ações de formação promovidas pela entidade; 
 Compromisso para com a comunidade e com a sociedade em geral – pilares 
essenciais numa escola que se quer integrada na comunidade. 
Todos os agentes de educação devem reger-se por atitudes e comportamentos 
positivos tanto com membros da equipa, com o corpo docente e com as crianças, só 
com uma comunicação positiva é possível criar um ambiente saudável e de vínculo 
afetivo. Este seu comportamento deve ter como preocupação a resolução de 
conflitos de forma também positiva, para que o ambiente de trabalho seja agradável 
e para que possam proporcionar às crianças um ambiente seguro e de confiança. 
 
 
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Modelos pedagógicos em educação 
Segundo Zabalza, currículo é o “conjunto de pressupostos de partida, das metas que 
se deseja alcançar e dos passos que se dão para as alcançar; é o conjunto de 
conhecimentos, habilidades, atitudes, etc. que são considerados importantes para 
serem trabalhados na escola ano após ano. E, supostamente, é a razão de ser de 
cada uma dessas opções.” 
Toda a equipa pedagógica deverá pautar-se por uma participação no processo 
educativo bem fundamentada e refletida para que o seu objetivo principal, uma 
aprendizagem ativa e significativa das crianças, não seja comprometido. 
À disposição dos profissionais de Educação estão diversos modelos curriculares. 
Por modelo curricular entende-se: […] uma representação ideal de premissas 
teóricas, políticas e administrativas e componentes pedagógicas de um programa 
destinado a obter um determinado resultado educativo. Deriva de teorias que 
explicam como as crianças se desenvolvem e aprendem, de noções sobre a melhor 
forma de organizar os recursos e oportunidades de aprendizagem para as crianças 
e de juízos de valor acerca do que é importante que as crianças saibam.” (Spodek e 
Brown, 2002) 
Com a crescente importância da Educação Pré-Escolar para o sucesso pessoal e 
escolar das crianças e, consequentemente para a melhoria do sistema educativo, é 
função do Estado promover uma definição destas aprendizagens, a chamada 
definição curricular. Nesta definição, têm especial importância os modelos 
curriculares, uma vez que: “incorporam uma visão integradora dos fins da educação 
e das fontes de currículo, dos objetivos e dos métodos de ensino, dos métodos e da 
organização do espaço e do tempo escolar. Consubstanciam uma visão sistémica 
da educação para a cidadania e da prática da sala de aula, dos princípios 
curriculares e da formação contínua de profissionais congruentes com esses 
princípios. Assim, os modelos curriculares são um poderoso instrumento de medição 
da teoria e da prática.” 
 
 
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Os modeloscurriculares apresentam-se como sendo um suporte teórico da ação do 
educador e, este tem a autonomia para adotar qual o modelo que mais se adequa a 
si e à sua prática. O que muitas vezes acontece é que a ação educativa dos 
educadores não se enquadra em apenas um modelo, utilizando um pouco de todos. 
“A prática tradicional de jardim de infância é um pot-pourri, uma mistura de várias 
práticas, sem a existência de linhas condutoras bem diferenciadas, o que origina, na 
maior parte das vezes, uma não consciência dos referenciais teóricos que 
implicitamente influenciam a sua prática pedagógica.” 
Atualmente em Portugal é possível identificar alguns modelos curriculares presentes 
no dia a dia de cada sala, tanto em Educação Pré-Escolar como no 1º e 2º ciclo do 
Ensino Básico, salientam-se a Pedagogia de Projeto, o Movimento da Escola 
Moderna (MEM), o modelo High/Scope, o método de Montessori, o Método João de 
Deus, o método de Reggio Emilia e o modelo Waldorf. Todos estes modelos 
pedagógicos referem a criança como sendo o centro da educação e que tem um 
papel ativo na construção da sua aprendizagem. Ao educador cabe a 
responsabilidade de observar os interesses e necessidades de cada criança e preparar 
espaços, rotinas e apoiar projetos que respondam a essas mesmas observações. 
 
 
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Pedagogia de Projeto 
A metodologia de projeto surgiu em 1918 através de Kilpatrick e está inserida numa 
perspetiva construtivista. 
“O projeto é uma investigação em profundidade de um assunto sobre o qual valha 
a pena aprender. A investigação é em geral realizada por um pequeno grupo de 
crianças de uma sala de aula, às vezes pela turma inteira e, ocasionalmente, por 
uma criança apenas. A principal característica de um projeto é que ele é um esforço 
de pesquisa deliberadamente centrado em encontrar respostas para as questões 
levantadas pelas crianças, pelo seu professor, ou pelo professor que estiver 
trabalhando com as crianças.” (HELM, BENEKE, 2005) 
O adulto tem um papel orientador e relacional e é visto como gestor do processo no 
sentido em que deve distinguir os interesses reais do grupo, das suas curiosidades 
momentâneas para que possa apoiar o desenvolvimento de projetos relevantes. 
Um trabalho de projeto deve passar por quatro fases: definição do problema, 
planificação e lançamento do trabalho, execução e, por último, avaliação e 
divulgação. 
Não há uma definição temporal para projeto, uma vez que este pode durar o ano 
inteiro, ou apenas uns dias, do mesmo modo, não tem que ser realizado por todo o 
grupo, podendo até ter só a participação de um número restrito de crianças. O 
importante é que o tópico escolhido seja do interesse das crianças, para que estas se 
sintam envolvidas e motivadas ao longo da sua realização. 
Esta pedagogia implica flexibilidade, mudanças e reformulações ao longo do 
processo. 
Para que os saberes construídos pelo grupo que participou na realização do projeto, 
possam contribuir para o desenvolvimento e aprendizagem de todo o grupo, é 
importante que esses saberes possam ser partilhados e comunicados com as 
crianças que não participaram diretamente no projeto. 
 
 
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Este modelo, as crianças desenvolvem autonomia e capacidade de decisão, 
adquirem hábitos de pensamentos e atitudes, tais como a reflexão e a persistência. 
Permite ainda que as crianças aprendam a partir de erros e dúvidas, ao mesmo 
tempo que aprendem a gerir sentimentos de frustração e contradição. 
 
Movimento da Escola Moderna (MEM) 
O Movimento da Escola Moderna (MEM) foi fundado em Portugal em 1966 e 
desenvolve-se como sendo uma pedagogia ativa onde a comunicação e a escuta são 
elementos essenciais. 
O MEM é constituído por núcleos regionais de profissionais que em grupo promovem 
a sua autoformação, para eles, escola é “um espaço de iniciação às práticas de 
cooperação e de solidariedade de uma vida democrática”. Este modelo apresenta 
três finalidades formativas: iniciação às práticas democráticas, reinstituição dos 
valores e significações sociais e a reconstrução cooperada da cultura. 
Os grupos de crianças em Jardim de infância são organizados em diferentes níveis 
etários para promover a heterogeneidade de forma a fomentar a entreajuda e a 
colaboração entre todas as crianças. 
O espaço da sala, nestes jardins de infância, está dividido em seis áreas de atividades: 
biblioteca, oficina de escrita, laboratório de ciências, carpintaria e construções, 
atividades plásticas e outras expressões artísticas e ainda um espaço de brinquedos, 
jogos e faz-de-conta. Cada uma destas áreas tem como objetivo reproduzir uma 
oficina de trabalho semelhante à dos adultos. 
Nesta metodologia, os interesses e as motivações das crianças são a base para a 
elaboração de projetos. Todas as atividades são organizadas de uma forma bem 
definida e compartimentada ao longo do dia, surgindo normalmente, nove tempos 
distintos desde o acolhimento até ao balanço do dia em conselho de turma. 
 
 
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Este conselho de turma, também designado de “Diário de turma” serve para fazer um 
balanço semanal do grupo e ainda a avaliação e planificação da semana seguinte. 
Este diário é uma folha exposta na parede da sala dividida em quatro colunas: gostei, 
não gostei, fizemos e queremos/desejamos. Nas duas primeiras colunas, é registado 
o que cada um considera positivo ou negativo, na coluna “fizemos” registam as 
atividades mais significativas e a última coluna permite planear as próximas 
atividades. 
O educador apoia de uma forma discreta as atividades desenvolvidas nas oficinas, é 
um promotor da organização participada que tem como principal objetivo incentivar 
a expressão livre das suas crianças e promover o seu espírito crítico. Através da 
participação das crianças na planificação das atividades, o educador contribui para a 
autonomia e responsabilização de cada uma das suas crianças. 
 
Modelo High/Scope 
“Na abordagem que a High/Scope propõe para a educação no início da infância, os 
adultos e as crianças partilham o controlo. Reconhecemos que o poder para 
aprender reside na criança, o que justifica o foco nas práticas de aprendizagem 
através da ação. Quando aceitamos que a aprendizagem vem de dentro, atingimos 
um balanço crítico na educação das crianças. O papel do adulto é apoiar e guiar as 
crianças através das aventuras e das experiências que integram a aprendizagem 
pela ação.” (David P. Weikart, 1995) 
Esta abordagem foi fundada por David P. Weikart em 1970, no seguimento de alguns 
trabalhos desenvolvidos no âmbito do seu interesse pela aprendizagem através da 
ação e na forma como se processa o desenvolvimento cognitivo. 
 
 
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O modelo High/Scope é um modelo construtivista baseado na teoria de 
desenvolvimento de Piaget que aposta na aprendizagem pela ação, a criança 
aprende, fazendo. É através da aprendizagem pela ação, ao viver experiências diretas 
e imediatas e retirar delas significado através da reflexão que as crianças pequenas 
constroem o conhecimento que as ajuda a dar sentido ao mundo. 
Este poder da aprendizagem ativa vem da iniciativa pessoal, uma vez que as crianças 
atuam segundo o seu desejo inato de explorar e colocar questões sobre tudo o que 
lhes provoca curiosidade. As crianças envolvem-se em “experiências-chave” que são 
interações criativas e permanentes com pessoas, materiais e ideias que promovem o 
crescimento intelectual, emocional, social e físico. 
Esta aprendizagem pela ação é o núcleo central de todo o processo e depende das 
interações positivas entre os adultos e as crianças, sendo que o adulto tem um papel 
fundamental no processo pois ouve a criança e procura ajudar e apoiar todas as suas 
descobertas e brincadeiras, desta forma, permite à criança expressar com liberdade 
econfiança os seus pensamentos e sentimentos. 
Todos os educadores e professores que trabalham com este modelo têm como 
função incentivar a ação, partindo do princípio de que a experiência promove o 
desenvolvimento cognitivo. 
Os princípios básicos deste modelo e que orientam a prática diária destes 
profissionais, inscreve-se no diagrama denominado “roda de aprendizagem pré-
escolar High/Scope”. 
 
 
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A “Roda da Aprendizagem” Pré-Escolar High/Scope 
 
 
Aprendizagem pela ação 
iniciativa 
experiências-chave 
Interação adulto-
criança 
Ambiente de 
aprendizagem 
Rotina diária Avaliação 
 Estratégias de 
interação; 
 Encorajamento; 
 Abordagem de 
Resolução de 
Problemas face ao 
Conflito. 
 Áreas; 
 Materiais; 
 Armazenamento. 
 
 Planear-Fazer-
Rever; 
 Tempo em 
Pequeno Grupo; 
 Tempo em Grande 
Grupo. 
 Trabalho em 
Equipa; 
 Registos 
ilustrativos diários; 
 Planeamento 
diário; 
 Avaliação da 
criança; 
Aprendizagem 
pela ação
Interação 
adulto-criança
Ambiente de 
aprendizagem
Rotina diária
Avaliação
 
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Método João de Deus 
O modelo pedagógico fundado por João de Deus, está muito focado na 
aprendizagem da fala através da leitura e já existe em Portugal desde 1911. 
João de Deus afirmou, em 1876, que no método por ele criado, a primeira condição 
para ensinar era o estudo da fala. 
Apresenta uma disciplina muito rigorosa e um ensino exigente que estimula as 
capacidades cognitivas das crianças, incentivando à sua autocorreção. 
Nesta metodologia, parte-se sempre do mais simples para o mais complexo. Esta 
ordem visa o favorecimento do êxito na aprendizagem da leitura, de forma a que os 
conceitos anteriormente integrados sirvam de patamar aos que se seguem. 
A Cartilha Maternal foi publicada em 1876 e é, ainda hoje, a metodologia utilizada para 
fazer a iniciação precoce à leitura e à escrita. 
O modelo João de Deus é “centrado na preparação académica da criança, este 
modelo propõe para a educadora um papel ativo e diretivo; a criança cumpre um 
plano de atividades bastante estruturado com horário preestabelecido, sendo 
habituais atividades como a pintura, a iniciação à escrita, à leitura e à aritmética.” 
A formação das educadoras neste modelo é assegurada pela própria escola. 
 
Modelo de Reggio Emilia 
Este modelo surgiu na cidade de Reggio Emilia, no Norte de Itália, com o objetivo de 
ajudar crianças pequenas depois da Segunda Grande Guerra. O jornalista Malaguzzi 
interessou-se pelo projeto e após fazer formação em educação passou a liderá-lo. 
A filosofia de Reggio Emilia acredita que a criança tem um papel ativo na construção 
do seu conhecimento e que o objetivo do ensino é providenciar condições de 
aprendizagem. São promovidas as relações, as interações e as comunicações e todo 
o conhecimento emerge de uma construção pessoal e social onde a criança participa 
ativamente na sua socialização co-construída com o grupo de pares. 
 
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O conhecimento é originado na criança e enquadrado pelo professor, sendo um 
“currículo negociado”, não existem metas específicas para cada atividade, são 
formuladas hipóteses do que pode acontecer e os objetivos para cada atividade são 
flexíveis e adaptados aos interesses e necessidades emergentes de cada grupo de 
crianças. 
O professor facilita e estimula o diálogo, a co-ação e a co-construção dos 
conhecimentos entre as crianças, muitas vezes partem da análise que fazem ao 
desenvolvimento e à participação das crianças para promover mais e melhores 
oportunidades de aprendizagem. 
“À medida que os projetos vão surgindo, os adultos dão sugestões e introduzem 
novos elementos sempre que for apropriado, mas são as crianças que decidem e 
escolhem os passos a seguir.” 
Também nesta pedagogia, as crianças trabalham e aprendem muito em grupo e em 
projetos, todas as crianças devem participar em pelo menos um projeto por ano e os 
temas devem resultar de interesses genuínos das crianças, orientados pelos adultos 
quando querem redirecionar os interesses ou para que estes correspondam a 
objetivos curriculares. 
A abordagem Reggio Emilia prevê a integração das artes gráficas no 
desenvolvimento cognitivo, linguístico e social. A simples apresentação de conceitos 
e hipóteses em múltiplas formas de representação vai ser essencial para a 
compreensão da experiência. 
 
 
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Método de Montessori 
Maria Montessori foi uma pedagoga italiana nascida em 1870 que se interessou pelo 
desenvolvimento da criança, observando como esta desenvolve a sua personalidade, 
através das aprendizagens adquiridas pela interação com o mundo à sua volta, 
compreendeu que a criança tinha um papel ativo na sua aprendizagem, e que, de 
forma espontânea, a aprendizagem era adquirida à medida que a criança escolhia e 
manipulava os materiais didáticos de autocorreção que ela própria desenvolveu. 
Montessori defende que não é o professor que ensina a criança, mas a criança que 
ensina o professor, a criança é vista como o centro do universo educativo. 
A educação não é o que o educador dá, mas sim um processo natural realizado 
espontaneamente pelo indivíduo, não por ouvir palavras, mas por acumular 
experiências sobre o meio ambiente. 
As crianças precisam de se adaptar ao seu ambiente, razão pela qual Montessori 
considerou fundamental a construção de um ambiente favorável, tanto físico como 
espiritual, para que as crianças possam fazer sentido do mundo que as rodeia. 
O educador é um facilitador, sendo uma das suas funções, a preparação do ambiente 
e dos materiais de forma a que estimulem a atividade cultural. Este adulto deve estar 
atento à criança, ajudando apenas quando necessário e não sendo um obstáculo à 
aprendizagem. 
Este método está orientado para dar respostas mais científicas ou matemáticas e 
defende que não é necessário a existência de reforço positivo ou punição para 
motivar as crianças, uma vez que estas têm liberdade de circular livremente pelo 
espaço, escolhendo a atividade que querem fazer de forma autónoma. 
Os grupos devem ser grupos mistos, isto é, contemplarem diferentes idades para que 
haja uma entreajuda entre os seus elementos, fomentando assim a colaboração 
entre todos. Nesta metodologia, o ritmo de aprendizagem é definido pela própria 
criança e dispõe do tempo necessário para completar as suas tarefas. 
 
 
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Os materiais que estão à disposição das crianças devem ser didáticos, de tamanho 
apropriado, reais e de autocorreção para que a criança consiga apreender os 
conceitos de forma individual e autónoma. Todo o ambiente educativo deve ser 
preparado de forma meticulosa e com uma razão específica. 
Esta metodologia está assente em oito princípios básicos: 
1. Mente absorvente das crianças - as crianças têm a capacidade inata de receber, 
processar e armazenar nas suas células cerebrais sem qualquer esforço, tudo o 
que vem do ambiente circundante; 
2. Área de aprendizagem - os espaços são divididos em diferentes áreas, que 
correspondem às cinco áreas-chave de aprendizagem: Vida prática, Sensorial, 
Linguagem, Matemáticas e Cultura; 
3. Períodos sensíveis - períodos em que a criança demonstra um interesse especial 
ou está entusiasmada por aprender uma determinada área, são também 
considerados de “janelas de aprendizagem”; 
4. Normalização - este é o processo em que a criança atinge gradualmente a 
ordem, autodisciplina e socialização, ou seja, a capacidade de apreciar, respeitar 
e cooperar com os outros. 
5. Ambiente preparado - ambiente em que a criança se desenvolve, tanto o espaço 
físico como as pessoas com quem a criança interage, as atividades e orientações 
que são estabelecidas nesse espaço; 
6. Respeito pelo ritmo de aprendizagem da criança - cadacriança tem um ritmo 
diferente e o adulto deve respeitá-lo, evitando intervir e não fazer coisas no lugar 
da criança, pois isso dificulta a aprendizagem e provoca um sentimento de 
inferioridade e frustração na criança; 
7. O papel do adulto - a sua função é guiar a criança, deixando a criança definir o 
ritmo guiado pelos seus interesses e favorecendo tanto a autonomia física da 
criança como o seu pensamento; 
8. Materiais Montessori - ferramentas para manipulação e experimentação 
sensorial pela criança, a fim de desenvolver o conhecimento e o pensamento 
abstrato. 
 
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Modelo Waldorf 
Esta pedagogia foi fundada por Rudolf Steiner em 1919 e distinguiu-se pelos seus 
ideais e modelos metodológicos revolucionários. A metodologia Waldorf estimula o 
sentir, a imaginação e a criatividade através da leitura de contos e de atividades 
artesanais. A partir destas componentes o objetivo principal desta metodologia de 
ensino é educar e conduzir para que cada aluno, ao seu ritmo, construa um 
pensamento/raciocínio livre e autónomo, para que cada criança consiga desenvolver 
uma personalidade única, equilibrada e integrada socialmente 
A abordagem Waldorf não é focada em livros ou recursos didáticos tradicionais, 
utilizam em alternativa, técnicas e materiais que colocam o aluno em contato com a 
natureza e com atividades do dia a dia. O currículo oferece música, artes, jardinagem, 
técnicas agrícolas e horticultura, entre outras. 
Neste âmbito, é proibida a utilização de qualquer material eletrónico, todo o 
conhecimento deve ser construído através da manipulação de materiais e técnicas 
de origem tradicional e sempre que possível relacionadas com a natureza. 
Os seus principais objetivos são dar liberdade à criança, criar entusiasmo pela 
aprendizagem e respeitar a criança enquanto ser pensante, dando-lhe tempo para 
aprender sem pressas, ao mesmo tempo que se desenvolve fisicamente, 
espiritualmente, intelectualmente e artisticamente. 
Nos jardins de Infância Waldorf, a alimentação é vegetariana e os produtos são 
geralmente biológicos. 
 
 
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Esta pedagogia divide a infância em períodos de 7 anos: 
 Dos 0 aos 7 anos – a criança está aberta ao mundo, tem confiança ilimitada e 
aprende por imitação; 
 Dos 7 aos 14 anos – a criança interage e reage aos estímulos que recebe, 
necessita de explicações conceptuais e revela interesse pela admiração que as 
coisas causam; 
 Dos 14 aos 21 anos - desenvolvimento do lógico, analítico e sintético, 
quer explicações conceituais e intelectuais e quer ser compreendido. 
 
 
 
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Trabalho em Equipa 
 
“Uma organização bem-sucedida, mesmo uma relativamente pequena, é um 
sistema social complexo. Para se conseguir atingir um desempenho excecional é 
preciso mais do que contratar pessoal competente, planificar bem e dar ordens. Em 
empresas com sucesso existe um conjunto complexo de relações interdependentes 
e cooperativas entre o diretor e o seu pessoal, e entre o próprio pessoal.” 
 Rensis Likert, 1967 
 
Considerando as Orientações Curriculares para a Educação de Infância, cada 
estabelecimento educativo tem como responsabilidade favorecer as relações entre 
todos os intervenientes e promover o trabalho em equipa entre os profissionais que 
têm um papel ativo na educação das crianças. Este trabalho colaborativo deve 
promover reuniões com toda a equipa que trabalha com o grupo de crianças, seja 
educador/a, técnico de ação educativa, auxiliar de ação educativa/assistente 
operacional, animadores da componente de apoio à família ou outros profissionais 
como professor de educação especial, sendo, este trabalho indispensável para 
desenvolver uma ação articulada, que se integra na dinâmica global do grupo e no 
trabalho que se está a realizar com cada grupo. 
O trabalho de equipa permite assim apoiar a aprendizagem ativa das crianças, uma 
vez que os membros da equipa partilham o mesmo comprometimento à abordagem 
educacional e trabalham em conjunto para trocar informações fidedignas sobre as 
crianças, planear estratégias curriculares e avaliar a eficácia dessas mesmas 
estratégias. Os membros da equipa devem esforçar-se para compreender o currículo 
e cada criança individualmente, de forma a poderem oferecer um contexto 
consistente com os seus objetivos e modelos na área da educação. 
 
 
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Um trabalho de equipa eficaz pressupõe: 
 Criar um clima de apoio e entreajuda entre adultos por forma a que a aceitação 
e confiança que sentem entre eles se verifique nas interações com as crianças; 
 Reconhecer as necessidades dos adultos em termos de pertença, partilha, 
desempenho, reconhecimento e compreensão do currículo, para que se possam 
concentrar totalmente nos interesses e intenções das crianças; 
 Resulta numa abordagem única para a concretização do currículo, permitindo 
um apoio consistente e apropriado ao grupo de crianças. 
O trabalho em equipa é um processo contínuo de aprendizagem pela ação que 
implica um clima de apoio e de respeito mútuo pelos diversos intervenientes. 
Os adultos devem ser aprendizes ativos que permanentemente constroem uma nova 
compreensão acerca da melhor forma de apoiar o desenvolvimento de cada criança, 
nesse sentido, devem recorrer a princípios, estratégias e às observações individuais 
recolhidas de cada uma das suas crianças, para melhor interpretar o que observam e 
adequar as suas práticas educativas. 
Num trabalho de equipa eficaz todos os membros de equipa partilham o controlo em 
vez de seguir as diretivas de uma só pessoa, todos os elementos partilham a 
responsabilidade de promover o trabalho, estabelecendo objetivos curriculares, 
colocando questões e problemas e ajudando na sua resolução. 
Estes elementos devem também centrar-se nos seus talentos, isto é, na procura de 
uma forma de potenciar as capacidades e interesses uns dos outros e de cada um 
para melhor ajudar as crianças. 
Cada elemento aprecia e respeita as experiências, o entendimento e as crenças dos 
outros. Todos trabalham no sentido de criar confiança mútua e para se conhecerem 
a si próprios e aos seus colaboradores. 
 
 
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Devem reger-se por expectativas de sucesso, evitar rotular os outros e esperar que ao 
trabalharem juntos com persistência venham a ser capazes de oferecer às crianças 
de quem cuidam contextos de aprendizagem de elevada qualidade. O respeito 
mútuo liberta os elementos da equipa do medo de serem julgados e criticados e 
permite-lhes centrarem as suas energias coletivas nas crianças. 
O desenvolvimento de um trabalho em equipa efetivo apresenta inúmeros benefícios 
individuais e para o grupo: 
 Reconhecimento do trabalho desenvolvido pela equipa e o sentido de trabalho 
bem-sucedido, de missão cumprida; 
 Sentimento de pertença a um grupo de indivíduos que pensam de forma 
semelhante; 
 Valorização dos diferentes elementos da equipa, conversando e resolvendo em 
conjunto os problemas; 
 Permite prestar um serviço educativo consistente, porque definem os objetivos 
e planificam em conjunto; 
 Permite partilhar o controlo com as crianças; 
 Os membros da equipa ensinam e aprendem uns com os outros. 
 
“As competências importantes não estão contidas num indivíduo particular, mas são 
facilmente partilhadas e melhoradas num contexto cooperante” 
Rensis Likert 
 
 
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A Constituição da Equipa 
O primeiro passo para um trabalho de equipa eficaz é identificar os parceiros diários 
de aprendizagem e de ensino, sendo fundamental destinar um período de tempo 
diário e sem interrupções para reunir a equipa de apoio. 
Nesta equipa devem ser incluídos, conforme necessário, profissionais de outras áreas 
e ligados à instituição, de quesão exemplo: terapeutas da fala, psicólogos, médicos, 
coordenador da instituição, assistente social, nutricionista, entre outros, para que seja 
possível realizar uma reflexão mais específica sobre determinadas crianças ou até dar 
uma contribuição para o caso a trabalhar, de acordo com a sua área de especialização. 
A colaboração entre o pessoal permanente e o pessoal de apoio assegura que todos 
os adultos estabeleçam contacto com as crianças, trabalhem para o mesmo objetivo 
e sigam estratégias semelhantes para o alcançar. 
 
Estratégias para um Trabalho de Equipa Diário 
É possível referir 4 elementos centrais para desenvolver o trabalho de equipa: 
 Estabelecer relações de apoio entre os adultos, através de: 
o Comunicação aberta – específica, honesta e direta; 
Os adultos devem dizer aquilo que pensam com respeito e cuidado, estando 
as suas palavras, expressões faciais, posições corporais e tons de voz em 
consonância e harmonia; 
o Respeito pelas diferenças individuais – as diferenças individuais enriquecem o 
trabalho a desenvolver com as crianças, pois permitem a diversificação de 
estratégias; 
o Paciência com o processo de trabalho e com a equipa; 
 
 
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 Recolha de informação fidedigna sobre as crianças; 
o Observar as crianças ao longo do dia - através da observação e da interação, 
os adultos aprendem a conhecer as crianças; esta observação diária permite 
perceber quais são os interesses das crianças, o que lhes prende a atenção e o 
que compreendem sobre o mundo; 
Os adultos começam gradualmente a compreender e antecipar como cada 
criança pode agir em situações específicas, guiando-os no planeamento das 
atividades; 
o Realização de anotações breves sobre as observações - permite recordar, 
relatar e apoiar novas propostas e, transmiti-las aos restantes elementos da 
equipa; 
Formas de recolher informações: blocos, tiras de papel, cartões colocados 
estrategicamente em vários locais e fotografias; 
o Evitar os juízos de valor – descrever as ações das crianças objetivamente. 
 
 Tomar decisões em grupo sobre as crianças - Interpretar as observações e 
planificar o que fazer em seguida: 
o Refletir sobre o significado das ações das crianças: partilhar as observações e 
refletir em conjunto sobre aquilo que significam possibilita aos membros da 
equipa definir estratégias para apoiar os interesses e objetivos das crianças; 
o Gerar estratégias de apoio e experimentá-las; 
o Experimentar estratégias e refletir em conjunto sobre como estão a resultar. 
Ao reverem, diariamente, a eficácia das estratégias que desenvolvem, as equipas 
aperfeiçoam os seus planos e geram mais e melhores estratégias para apoiar o 
crescimento e o desenvolvimento das crianças. 
 
 
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 Tomar decisões em equipa sobre o trabalho conjunto: 
o Discutir os papéis e as expectativas dos membros da equipa; 
o Partilhar a responsabilidade pelo funcionamento da equipa; 
o Tomar decisões curriculares enquanto equipa. 
O trabalho em equipa desenvolve a segurança nas relações interpessoais e uma 
maior compreensão da função e da contribuição de cada um para o grupo. A 
colaboração entre os membros da equipa pedagógica baseia-se no estabelecimento 
de relações apoiantes entre adultos, na recolha de informações sobre as crianças e na 
tomada de decisão relativamente à planificação e às estratégias. 
 
 
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O profissional de Ação Educativa 
 
Os Técnicos de Ação Educativa são profissionais fundamentais no processo 
educativo, responsáveis por estabelecer a “ponte” entre a escola, a família e a 
comunidade em torno do estabelecimento de ensino. 
Estes profissionais desempenham funções em diferentes contextos educativos que 
tanto podem ser estabelecimentos de Educação de Infância e Creches como Centros 
de Atividades de Tempos Livres ou outras Instituições de Solidariedade Social sendo, 
por isso, necessário adequar as funções do técnico ao contexto em que está inserido. 
Em contexto de creche e de pré-escolar é fundamental que o Educador de Infância e 
o Técnico trabalhem como e em equipa e devem exercer as suas funções numa 
perspetiva de vinculação afetiva, sendo empáticos, tranquilos e carinhosos. 
Na creche compete à equipa educativa as funções de: 
 Estabelecer relações que encorajem a criança a participar de forma ativa e 
comprometida no seu próprio processo de desenvolvimento; 
 Criar um ambiente de segurança, promotor de saúde e do bem-estar físico, 
emocional e socio afetivo da criança; 
 Proporcionar um ambiente físico e afetivo flexível que possa ser constantemente 
readaptado aos interesses e necessidades de cada criança e lhe permita crescer 
confiante e com iniciativa; 
 Estabelecer uma rotina diária consistente que reforce e valorize as continuidades 
com o espaço familiar e doméstico, de modo a tornar possível a previsibilidade 
no quotidiano das crianças; 
 Promover oportunidades para que a criança possa comunicar os seus 
sentimentos e pensamentos; 
 
 
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 Organizar e gerir os espaços, os recursos materiais e o tempo dedicado às 
crianças, de forma a promover: 
o a autonomia, a capacidade de escolha e de tomada de decisão; 
o a expressão e a comunicação; 
o a imaginação; 
o o raciocínio lógico matemático; 
o a curiosidade e o espírito crítico; 
o relações afetivas positivas promotoras de autoestima e autoconfiança; 
o o convívio com outras crianças como forma de integração social. 
 
Na Educação Pré-Escolar, o principal objetivo é estruturar as aprendizagens das 
crianças de forma a promover a sua independência, autonomia e autoestima e, nesse 
sentido, tanto o Educador de Infância, como o Técnico de Ação Educativa, os 
auxiliares ou assistentes operacionais, são responsáveis pelo acompanhamento das 
atividades em sala, tendo como funções: 
 Manter uma interação social positiva com a criança para satisfazer as 
necessidades e interesses de cada uma; 
 Assegurar que as atividades individuais são realizadas em função dos objetivos 
do grupo; 
 Observar atentamente o grupo e intervir de forma a evitar a ocorrência de 
conflitos (por exemplo: ter vários brinquedos iguais); 
 Propor atividades e material de acordo com os interesses de cada criança e os 
objetivos a atingir; 
 Facultar o apoio necessário e sempre que solicitado pelas crianças, explicando 
ou simplificando a atividade; 
 Descrever o que a criança está ou vai fazer e sempre que necessário, explicar as 
regras de segurança da atividade; 
 Colocar e responder a questões; 
 Promover situações de interação com outras crianças e com outros adultos; 
 
 
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 Envolver a criança em situações complexas procedendo à sua simplificação e 
divisão em tarefas mais simples e acessíveis; 
 Promover a aprendizagem de competências específicas sempre que a criança 
demonstre disponibilidade para o fazer; 
 Utilizar as atividades da vida diária e as rotinas de cada criança para promover a 
aquisição de novas competências pessoais e sociais; 
 Participar na atividade em que a criança se encontra envolvida, mas não lhe 
retirando o domínio da situação; 
 Manter um equilíbrio entre as necessidades de exploração independente da 
criança e o apoio que lhe é prestado pelos colaboradores; 
 Respeitar os ritmos de cada criança e não impor a realização de determinada 
atividade; 
 Permitir uma transição entre as tarefas ou atividades de forma suave e 
despreocupada: 
o dando espaço à criança para terminar o que está a fazer; 
o evitando um período de espera entre atividades; 
o prevenindo a ocorrência de situações disruptivas. 
 Possibilitar, de acordo com o desenvolvimento de cada criança: 
o diversas atividades e materiais do seu interesse; 
o períodos de tempo livre, nunca menos de meiahora em cada período do dia 
e sempre que possível no espaço exterior estabelecimento. 
 Explicar os motivos quando é necessário interromper uma atividade ou 
brincadeira; 
 Valorizar o esforço da criança durante a realização da atividade; 
 Disponibilizar tempo suficiente para que as crianças possam: 
o explorar o material e o espaço que as rodeia de forma a compreendê-los; 
o desenvolver a sua imaginação através de experiências linguísticas ricas e 
diversificadas; 
o envolver-se em diálogo com os outros (colaboradores e outras crianças), de 
forma a possibilitar o desenvolvimento das suas capacidades de comunicação 
e enriquecer o seu vocabulário. 
 
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São competências de um Técnico de Ação Educativa: 
 Colaborar na planificação, organização e execução de atividades a desenvolver, 
tendo em consideração o contexto bem como as necessidades educativas e a 
idade das crianças ao seu cuidado; 
 Colaborar com o/a responsável pelas atividades lúdico-pedagógicas no seu 
planeamento e organização, em função das temáticas e dos conteúdos a 
desenvolver; 
 Cuidar de crianças em creches, jardins de infância e estabelecimentos similares; 
 Cuidar de crianças em Atividades de Tempo Livres (ATL); 
 Cuidar de crianças com necessidades específicas de educação, colaborando na 
programação, no desenvolvimento e no acompanhamento das suas atividades 
quotidianas e de tempos livres; 
 Vigiar, acompanhar e apoiar crianças, no desenvolvimento das atividades 
previstas, garantindo e promovendo a sua segurança em todos os momentos; 
 Acompanhar e apoiar crianças no desenvolvimento das atividades de higiene 
pessoal; 
 Organizar refeições, bem como acompanhar e apoiar as crianças durante o 
período de refeições; 
 Assegurar as condições de higiene, segurança e organização do local onde as 
crianças se encontram, bem como dos equipamentos e materiais utilizados; 
 Detetar e reportar superiormente eventuais problemas de saúde e de 
desenvolvimento ou outros respeitantes às rotinas diárias das crianças e jovens; 
 Registar e reportar superiormente ocorrências. 
 
Importa referir que este profissional pode trabalhar em diferentes valências, das quais 
se destacam: Creches, Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar, Centros de 
Atividades de Tempos Livres (ATL), Centros de Férias e de Lazer, Centros de 
Acolhimento Temporário, Lares de Infância e Juventude e ainda exercer a função de 
ama. 
 
 
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Em contexto de Creche e Educação Pré-Escolar, sempre educador ou adulto 
responsável pelo grupo não está em sala, o Técnico de Ação Educativa tem 
conhecimentos e métodos para assegurar a continuidade do trabalho com o grupo 
de crianças. 
Do mesmo modo, nos centros de atividades de tempos livres e de lazer, pode este 
profissional assumir o trabalho com um grupo de crianças. 
No que diz respeito ao trabalho em instituições de ensino públicas, as suas funções 
estão integradas na categoria de Técnico Auxiliar de Educação, enquadradas na 
carreira geral de Assistente Técnico, na qual estão também inseridos os Auxiliares de 
Ação Educativa. Todavia, apesar de as duas categorias estarem inseridas na mesma 
carreira, o índice remuneratório é diferente nas duas categorias. 
 
 
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Procura ativa de emprego 
Após o término da formação, todos os formandos estão aptos para trabalhar como 
Técnicos de Ação Educativa, seja no ensino público ou no ensino privado e em 
qualquer um dos níveis de ensino. 
No que respeita ao Ensino Público, foi já abordado no módulo anterior que todos as 
ofertas de emprego para a função de Técnico de Ação Educativa são publicadas na 
Bolsa de Emprego Público e também em jornais de referência. 
É necessário abrir um procedimento concursal para a entrada de trabalhadores na 
função pública, dessa forma, o candidato deverá preencher uma candidatura 
disponibilizada para o efeito na página da entidade promotora da oferta de emprego. 
Após a submissão da candidatura e de todos os documentos, é necessário prestar 
uma prova de conhecimentos e uma avaliação psicológica, que em alguns casos, 
pode ter o formato de entrevista. A decisão final é comunicada aos candidatos por 
escrito. 
O recrutamento para os estabelecimentos de ensino públicos é competência dos 
municípios que efetuam bolsas de recrutamento e vão utilizando os recursos de 
acordo com as necessidades. 
No que diz respeito às instituições de ensino privadas, a candidatura deve ser feita 
diretamente às instituições, preferencialmente de forma presencial ou enviando o 
seu Curriculum Vitae devidamente atualizado, através do envio de uma candidatura 
espontânea ou por meio de resposta a anúncios de oferta de emprego. Para além 
destas ofertas de emprego serem partilhadas nas páginas de cada instituição, podem 
também ser divulgadas através dos canais de publicitação de ofertas de emprego do 
Centro de Emprego e Formação Profissional, em jornais ou sítios de internet de 
referência, destinados à publicação de ofertas de emprego. 
 
 
 
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Considerações finais 
Como foi possível observar neste módulo, é possível perceber que, as carreiras a que 
dizem respeito as funções de Técnico de Ação Educativa e do Auxiliar de Ação 
Educativa apresentam funções semelhantes, revelando a mesma preocupação em 
contribuir de forma positiva na organização do ambiente educativo, em cuidar, vigiar 
e assegurar o bem-estar das crianças com quem trabalham diariamente. Importa 
referir que o Auxiliar de Ação Educativa tem ainda funções relacionadas com a 
limpeza e conservação dos espaços do estabelecimento de ensino. 
Um dos aspetos fundamentais a ter em conta nesta temática é que todos os 
profissionais envolvidos no processo educativo devem exercer as suas funções numa 
perspetiva de vinculação afetiva, sendo empáticos e carinhosos para com as crianças 
e os adultos com quem trabalham, pois só assim é possível proporcionar à criança 
um ambiente educativo tranquilo, propício à construção de relações afetivas de 
segurança em que a criança se sinta bem e confortável, disponível para aprender. 
Neste importante exercício de funções não docentes é fundamental colocar em 
prática os princípios da ética e deontologia e ainda desenvolver um trabalho de 
equipa eficaz, pois só trabalhando em colaboração é possível ter uma participação 
ativa no processo educativo. 
No que respeita à Educação de Infância e aos restantes técnicos e auxiliares que 
apoiam o grupo de crianças na sala, importa referir que cada Educadora de Infância 
pode ou não seguir um ou vários modelos pedagógicos na sua prática, cabe ao 
Técnico tentar conhecer a metodologia trabalhada para melhor formar e constituir 
esta equipa de trabalho. 
 
 
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Bibliografia 
 
Legislação 
 
 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (1997): Orientações Curriculares para a Educação 
Pré-Escolar, Lisboa: Departamento da Educação Básica; 
 
Bibliografia 
 
 Fachada, M. Odete (2010): Psicologia das Relações Interpessoais, Lisboa: Edições 
Sílabo; 
 Hohmann, Mary e Weikart, David P. (2009): Educar a Criança, Lisboa: Fundação 
Calouste Gulbenkian; 
 HELM, Judy Harris, BENEKE, Sallee (2005), O poder dos projetos – novas 
estratégias e soluções para a educação infantil, Porto Alegre: Editora Artmed; 
 Baptista, Isabel (2001), Dar rosto ao futuro – A educação como compromisso 
ético, Profedições; 
 Serra, Célia (2004), Currículo na Educação Pré-Escolar e Articulação Curricular 
com o 1º Ciclo do Ensino Básico, Coleção Educação, Porto Editora; 
 Maia, João Sampaio (2008), Aprender… Matemática do Jardim de infância à 
escola, Porto Editora

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