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Pós-Graduação_Transtornos da Aprendizagem_Transtornos da Aprendizagem

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Transtornos da 
Aprendizagem
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
Transtornos da Aprendizagem
 Desenvolvimento
 Características
 Transtorno da Leitura 
 Transtorno da Matemática
 Transtorno da Expressão Escrita
 Critérios Diagnósticos
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Transtornos Motores
 Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação
 Desenvolvimento
 Características
 Critérios Diagnósticos
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Transtornos Motores
 Transtorno do Movimento Estereotipado
 Desenvolvimento
 Características
 Critérios Diagnósticos
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
6
21
28
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
Transtornos de Tique
 Desenvolvimento 
 Características
 Critérios Diagnósticos
 Transtorno de Tourette
 Transtorno de Tique Motor ou Vocal Persistente (Crônico) 
 Transtorno de Tique Transitório
	 	 Transtorno	de	Tique	Não	Especificado
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Referências 
33
41
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
@faculdadelibano_
1
Transtornos da 
Aprendizagem
Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
Transtornos da Aprendizagem
Objetivos
Ao	término	deste	capítulo,	você	será	capaz	de	compreender	e	identificar	
os aspectos diagnósticos e as características dos transtornos da 
aprendizagem. Essa competência é fundamental para a realização de 
diagnósticos diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar?
Desenvolvimento
Os transtornos da aprendizagem têm início na idade escolar, especialmente no período 
de alfabetização da criança. As crianças que o desenvolvem podem ter precursores 
no	período	pré-escolar,	como	atrasos	na	linguagem,	dificuldades	de	rimar	e	contar,	e	
dificuldades	em	habilidades	motoras	finas.	Também	podem	ser	observadas	fala	muito	
infantilizada	(como	bebê),	pronúncia	errada	de	palavras,	dificuldade	de	associar	o	nome	
das	letras	e	o	som,	dificuldade	de	reconhecer	a	letra	do	próprio	nome.	As	crianças	podem	
apresentar	dificuldade	em	silabar	as	palavras	(por	exemplo,	sa-pa-to)	e	dificuldade	em	
reconhecer	rimas	(por	exemplo,	gato,	rato,	pato).
Já	 no	 ensino	 fundamental,	 as	 crianças	 apresentam	 dificuldades	 maiores	 e	 mais	
complexas.	 Demonstram	 dificuldade	 em	 decodificar	 as	 palavras	 com	 fluência,	
compreender	 dados	 matemáticos,	 fazem	 leitura	 em	 voz	 alta	 lentificada	 e	 imprecisa,	
além	 de	 apresentarem	 dificuldade	 em	 colocar	 números	 e	 letras	 em	 sequência.	 Os	
erros	de	leitura	podem	estar	conectados	à	falha	na	codificação	som-letra.	Crianças	no	
ensino fundamental II podem pular a leitura de palavras longas, confundir palavras com 
Importante
Os	transtornos	da	aprendizagem	envolvem	prejuízos	nas	habilidades	de	
leitura, de matemática e de escrita.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
sons	semelhantes,	apresentar	dificuldades	na	recordação	de	datas,	nomes,	números	de	
telefone,	apresentar	ortografia	ruim,	e	podem	tentar	acertar	uma	palavra	lendo	somente	
a primeira parte.
Os	 adolescentes,	 embora	 possam	 já	 ter	 decodificado	 a	 palavra,	 mantêm	 uma	
leitura	 lenta	e	trabalhosa,	com	problemas	na	expressão	escrita.	Em	geral,	os	erros	na	
adolescência são os mesmos na vida adulta. Com frequência, podem precisar reler o 
material para compreender o que está escrito e ter problemas na inferência. Podem 
evitar atividades que exijam leitura e matemática, e utilizam estratégias alternativas 
para	essas	dificuldades.
As manifestações do transtorno podem se alterar no decorrer da vida, e os indivíduos 
podem	criar	estratégias	para	compensar	as	dificuldades.	Em	todas	as	fases,	é	comum	
que	 o	 indivíduo	 fuja	 ou	 evite	 circunstâncias	 que	 exijam	 habilidades	 acadêmicas.	 Os	
casos de ansiedade, depressão e ataques de pânicos são comuns em indivíduos com 
transtornos de aprendizagem.
Características
Os transtornos de aprendizagem possuem etiologias genética, epigenética e ambiental 
que	 influenciam	 o	 processamento	 de	 informações	 verbais	 e	 não	 verbais.	 A	 principal	
característica	do	transtorno	é	a	dificuldade	persistente	e	não	transitória	em	aprender	
as	habilidades	acadêmicas.	Geralmente,	essa	dificuldade	é	evidenciada	no	 início	da	
escolarização formal.
As	habilidades	acadêmicas	compreendem	a	capacidade	de	leitura	fluente	de	palavras	
isoladas,	 a	 compreensão	 da	 leitura,	 o	 processo	 de	 escrita	 e	 ortografia,	 os	 cálculos	
matemáticos e o raciocínio numérico.
Nota
Os transtornos de aprendizagem não possuem uma causaúnica, embora 
sejam	observados	déficits	neurológicos.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
Essas	habilidades	são	diferentes	de	processos	como	o	andar	e	o	falar,	que	são	marcos	do	
desenvolvimento.	As	habilidades	acadêmicas	precisam	ser	ensinadas	e	aprendidas,	e	os	
transtornos	de	aprendizagem	influenciam	diretamente	a	capacidade	de	aprendizagem	
dessas	habilidades.
As	dificuldades	no	transtorno	da	aprendizagem	compreendem	processos	da	leitura	e	
da	 escrita	 que	 envolvem	 o	 uso	 de	 estratégias	 fonológicas	 e	 ortográficas,	 sendo	 que	
algumas	 crianças	 podem	 ter	 grandes	 dificuldades	 com	 os	 aspectos	 fonológicos,	
enquanto	outras	podem	ter	tais	limitações	quanto	aos	aspectos	ortográficos.	E	também	
em processos matemáticos, que envolvem o conceito de numeração e de raciocínio 
lógico.
As	dificuldades	advindas	dos	transtornos	de			aprendizagem	não	ocorrem	por	falta	de	
estimulação, oportunidade de educação ou inadequação escolar, são advindas de 
alterações	neurobiológicas	que	tornam	as	dificuldades	persistentes	e	não	transitórias.	
As	 evidências	 das	 dificuldades	 acadêmicas	 devem	 ser	 documentadas	 por	 meio	 de	
avaliações	multiprofissionais,	registros	e	avaliações	escolares.	A	avaliação	deve	resultar	
de	teste	de	desempenho	acadêmico	administrado	individualmente,	psicometricamente	
apropriado e culturalmente adequado e padronizado. 
Vale	 ressaltar	 que	 as	 habilidades	 acadêmicas	 se	 constituem	 num	 continuum	 no	
decorrer do desenvolvimento, portanto, para maior certeza diagnóstica é preferível o 
desempenho	em	baixos	escores	em	um	ou	mais	testes	padronizados.
Importante
Alguns fatores potenciais pós-natais, como a exposição a toxinas 
ambientais, infecções do sistema nervoso central, neoplasias e seus 
tratamentos, trauma, desnutrição e isolamento ou privação social grave, 
são causas possíveis para a presença de transtornos de aprendizagem.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
As	 dificuldades	 acadêmicas	 ocorrem	 já	 nos	 primeiros	 anos	 escolares;	 em	 alguns	
casos, podem ocorrer tardiamente, quando as demandas de aprendizagem se tornam 
complexas.
As	 dificuldades	 de	 aprendizagem	 não	 ocorrem	 por	 diagnóstico	 de	 deficiência	
intelectual.	Isso	significa	que	as	crianças	com	transtornos	de	aprendizagem	apresentam	
funcionamento intelectual dentro da média. E pode ocorrer ainda em crianças 
com	 habilidades	 intelectuais	 superiores,que	 em	 geral	 se	 utilizam	 de	 estratégias	
compensatórias nos métodos avaliativos e nas tarefas. Além disso, os transtornos de 
aprendizagem não são atribuídos a condições externas, como fatores socioeconômicos, 
falta de estimulação e de relação aluno-professor, bem como advir de algum transtorno 
neurológico, motor ou sensorial. Os transtornos de aprendizagem devem se limitar às 
habilidades	de	domínio	acadêmico,	como	leitura,	cálculos	numéricos	e	escrita.
Vamos	aprofundar	sobre	as	características	de	cada	uma	dessas	habilidades.
Transtorno da Leitura
Comumente	conhecido	como	Dislexia,	possui	origem	neurobiológica	e	é	caracterizado	
pela	dificuldade	em	compreender	e	ler	palavras	escritas.
Nota
A	presença	de	dificuldade	de	aprendizagem	não	é	necessariamente	a	
garantia de um diagnóstico de transtorno de aprendizagem.
Você Sabia?
A maioria das crianças com diagnóstico de transtorno de aprendizagem 
necessita de intervenção psicopedagógica e/ou fonoaudiológica e 
continua participando das aulas convencionais oferecidas pela escola!
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
A leitura é um dos processos mais complexos da aprendizagem e compreende a 
discriminação	 visual	 de	 símbolos	 (grafemas)	 por	 meio	 da	 decodificação	 realizada	
por	 meio	 da	 atenção	 seletiva.	 Posteriormente,	 são	 selecionados	 e	 identificados	 os	
equivalentes auditivos (fonemas) por meio da análise e transdução, da síntese e 
comparação,	 para	 então	 se	 edificar	 a	 busca	 da	 significação	 e	 avaliar	 os	 níveis	 de	
compreensão.	A	codificação	dos	estímulos	é	executada	na	área	de	Broca	(responsável	
pela articulação de sons), as alterações nesse sistema que envolvam a leitura podem 
acarretar	o	transtorno	de	aprendizagem,	especificamente,	a	dislexia.
FIGURA	1
Áreas cerebrais envolvidas 
no processo de leitura
FONTE
Oliveira	(2017).
 
Nota
Em alguns casos, o tratamento farmacológico associado ao atendimento 
psicopedagógico pode ser dirigido por um psiquiatra, um neurologista 
ou um pediatra.
O	 termo	 dislexia	 foi	 utilizado	 pela	 primeira	 vez	 em	 1872	 e	 foi	 relatado	 como	 uma	
dificuldade	ou	uma	incapacidade	de	leitura.	Foi	observado	que	crianças	com	dificuldade	
na leitura apresentavam distorções perceptivas que afetavam a memória visual das 
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
palavras. Essas distorções não eram advindas de problemas visuais, mas, sim, do 
processamento e funcionamento da área de linguagem no cérebro. Diversos autores 
relataram características comuns em pacientes com dislexia, como inversões e imagens 
espelhadas	de	letras	e	palavras.
A dislexia compreende a disfunção em dois circuitos importantes: um circuito dorsal, 
fonológico-articulatório, que é implementado por conexões entre o córtex temporal 
posterior	 e	 as	 áreas	 pré-frontais	 ventrolaterais;	 e	 um	 circuito	 ventral,	 que	 permite	 o	
acesso lexical direto por meio de uma estação no giro fusiforme.
No	decorrer	da	história,	a	dislexia	obteve	diversas	classificações.	Para	Coltheart	(2000),	
a	dislexia	poderia	ser	classificada	em:	dislexia	fonológica,	que	possui	dificuldades	na	via	
indireta	de	acesso	fonológico;	dislexia	superficial,	que	possui	dificuldade	na	via	direta	de	
acesso,	ou	seja,	com	déficit	na	nomeação	rápida;	e	dislexia	mista,	que	apresenta	déficits	
duplos.
Por	 outro	 lado,	 Boder	 (1973)	 considera	 a	 dislexia	 quanto	 a	 três	 aspectos:	 dislexia	
disfonética,	que	possui	déficits	na	análise	e		na	síntese	de	palavras;	dislexia	diseidética,	
na	qual	ocorre	déficit	tanto	do	reconhecimento	de	letras	como	de	palavras,	como	uma	
impossibilidade	de	Gestalt	visual;	e	dislexia	mista,	que	combina	as	duas	formas	acima.
Vamos	 aprofundar	 e	 exemplificar	 esta	 última	 classificação	 de	 Bolder?	 Na	 dislexia	
disfonética,	a	criança	apresenta	dificuldade	para	operar	na	rota	fonológica.	Isso	significa	
que	a	criança	apresenta	um	déficit	no	conversor	do	sistema	fonema-grafema,	ou	no	
momento de juntar os sons de uma palavra.
Importante
A	escola	possui	o	papel	essencial	de	promover	campanhas	e	desenvolver	
estratégias que possibilitem a integração dos alunos com transtornos de 
aprendizagem.	O	isolamento	da	criança	pode	intensificar	o	seu	quadro	
devido à desmotivação em aprender.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
A	 leitura	 de	 palavras	 desconhecidas	 ou	 pseudopalavras	 é	 prejudicada	 e	 a	 criança	
faz	tentativas	de	adivinhar	o	restante	das	palavras.	Por	exemplo,	 lê	‘contar’	em	vez	de	
‘comprar’.	 Comete	 erros	 de	 inversão,	 omissão	 ou	 agregação	 de	 fonemas	 ou	 sílabas,	
como	ler	‘lata’	em	vez	de	‘alta’.	As	crianças	com	prejuízo	na	rota	fonológica	apresentam	
dificuldade	em	memória	de	trabalho	e	de	consciência	fonológica.
Na	dislexia	diseidética,	a	criança	possui	dificuldade	de	acesso	à	rota	lexical,	ou	seja,	a	
leitura de palavras irregulares é prejudicada. Nesse caso, os disléxicos fazem leituras de 
forma	lentificada,	decompõem	a	palavra	em	partes	e	têm	dificuldade	de	ver	a	palavra	
como um todo.
Na	dislexia	mista,	a	criança	comete	erros	de	ambas	as	formas,	pois	possui	déficit	tanto	
na rota fonológica quanto lexical. A dislexia mista é considerada mais grave e exige 
maior esforço da criança e mais recursos terapêuticos.
A avaliação para o diagnóstico da dislexia ocorre de diversas formas e pode ser realizada 
por	fonoaudiólogo,	psicopedagogo	ou	neuropsicólogo.	É	avaliado	o	conhecimento	em	
leitura,	escrita,	habilidades	metafonológicas	e	consciência	fonoarticulatória.	Nos	testes	
de	 leitura,	 é	 necessário	 identificar	 a	 decodificação	 de	 sílabas	 complexas,	 palavras	
regulares, palavras irregulares e pseudopalavras, leitura silenciosa e oral. Na avaliação 
da	 escrita,	 verifica-se	 a	 elaboração	 de	 ditado	 e	 produção	 textual,	 com	 ênfase	 na	
coerência,	na	coesão,	nos	erros	ortográficos,	na	pontuação	e	na	concordância	verbal.	
Nota
Crianças com diagnóstico de transtorno de aprendizagem usualmente 
apresentam uma velocidade de processamento lenta.
Você Sabia?
Os transtornos de aprendizagem afetam cerca de 6% das crianças em 
idade escolar em todo o mundo.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
Os	 testes	 de	 consciência	 fonológica	 observam	 a	 habilidade	 de	 segmentação,	
identificação,	omissão,	acréscimo,	transposição	de	fonemas	e	sílabas.
Transtorno da Matemática
A	discalculia	é	uma	alteração	específica	em	habilidades	matemáticas.	O	déficit	é	mais	
voltado	às	habilidades	básicas	concretas	de	adição,	subtração,	multiplicação	e	divisão	
do	que	às	habilidades	abstratas	requeridas	em	álgebra	ou	cálculo.
A realização de operações matemáticas exige uma interação complexa de diversas 
funções	 cerebrais,	 como	 percepção,	 sequenciação,	 classificação,	 discriminação	
visuoespacial,	 memória	 de	 trabalho,	 memória	 de	 curto	 e	 de	 longo	 prazo,	 atenção	 e	
raciocínio sintáxico.
O	desenvolvimento	de	habilidades	matemáticas	ocorre	por	meio	de	uma	sequência	
ordenada de conceitos, como conceito numérico, contagem, aritmética, associatividade 
e complementaridade. O conceito numérico exige a compreensão de correspondência 
um a um, o conceito de que um conjunto de coisas possui uma representação numérica, 
compreensão de números não visuais (por exemplo, três badaladas do sino da igreja).
A	 habilidade	 de	 contagem	 é,	 inicialmente,	 compreendida	 pela	 criança	 como	 uma	
palavra só (por exemplo, umdoistrêsquatrocinco), posteriormente, é percebida a 
Nota
Discalculia	 é	 uma	 deficiência	 de	 aprendizagem	 específica	 em	
matemática.
Importante
A presença do diagnóstico de discalculia foi associada à síndrome do 
alcoolismo fetal, à prematuridade e ao baixo peso ao nascer.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
correspondência de cada palavra. A criança então faz a contagem em ordem estável, 
ou seja, o dois vem depois do um, e desenvolve o princípio cardinal, de que o último 
número da contagemrepresenta a quantidade total. A criança também passa por um 
processo	de	Subitinzing,	que	é	definido	como	a	capacidade	de	responder	rapidamente	
a uma pequena quantidade de números, geralmente quatro. Esse processo facilita e 
minimiza a necessidade de contagem.
O desenvolvimento da aritmética se dá por meio da apresentação de duas cenas com 
quantidades diferentes de objetos. Assim, a criança utilizará o princípio cardinal para 
contar até o maior número da primeira cena, e depois da segunda cena. Esse processo 
começa a desencadear a relação necessária para realização de contas. A criança 
também	aprende	do	número	menor	para	o	maior,	por	exemplo,	3X6=18	(3+3+3+3+3+3),	
depois	ela	reorganiza	os	números	para	priorizar	(6+6+6).
Ainda no desenvolvimento matemático, Piaget relata que a criança só aprende as contas 
a partir do momento que entende a relação entre elas. Isso inclui a complementaridade 
das contas de adição, subtração, divisão e multiplicação.
Os transtornos de aprendizagem estão inteiramente ligados ao desenvolvimento das 
funções cognitivas, isso porque seu aparato é interdependente. Por exemplo, a resolução 
mental de cálculos mais complexos ou usando o sistema visual arábico exige memória 
de	trabalho,	o	conhecimento	procedural	e	semântico.
A resolução de problemas aritméticos verbalmente formulados demanda compreensão 
textual,	inferências	quanto	ao	melhor	modelo	mental	que	representa	quantitativamente	
o problema e a adoção de estratégias de solução desses problemas, e o funcionamento 
executivo que conduzam à solução correta.
Você Sabia?
Indivíduos com discalculia apresentam alterações e diferenças em 
funções e estruturas cerebrais. As áreas cerebrais alteradas estão 
envolvidas	 com	 habilidades	 de	 aprendizagem	 fundamentais,	 como	
memória e planejamento.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
A	 discalculia	 é,	 então,	 a	 falha	 no	 processamento	 e	 na	 aquisição	 das	 informações	
numéricas. A criança apresenta desenvolvimento intelectual normal e tem oportunidade 
escolar e motivação necessária, mesmo assim desenvolve a discalculia.
Transtorno da Expressão Escrita
O	 transtorno	 da	 expressão	 escrita	 é	 caracterizado	 pela	 dificuldade	 em	 habilidades	
escritas,	como	ortografia,	organização	e	estrutura	de	frases	e	de	textos,	regras	gramaticais	
e morfossintáticas. A criança pode apresentar uma organização pobre de parágrafos, 
falta	 de	 clareza,	 erros	 gramaticais	 e	 de	 pontuação,	 dificuldades	 no	 processamento	
fonológico	e	ortográfico,	caligrafia	irregular.
Como o transtorno da expressão escrita possui comprometimentos no processamento 
fonológico, é comum as crianças apresentarem diagnósticos do transtorno de leitura e 
de	escrita	juntos,	considerando	que	os	dois	transtornos	compartilham	sistemas	e	áreas	
cerebrais.	No	entanto,	a	dificuldade	somente	em	expressão	escrita	pode	ocorrer	e,	nesse	
caso,	é	usualmente	subdividida	em	disortografia	e	disgrafia.	Vamos	explicar	cada	um!
A	disortografia	refere-se	às	dificuldades	na	formulação	e	codificação	da	escrita	e	são	
processos	subjacentes	à	produção	textual	e	aos	erros	ortográficos.	A	leitura	de	textos	é	
preservada, porém, ocorre prejuízo na capacidade de compor textos e frases, com erros 
ortográficos	e	gramaticais,	de	pontuação	e	falta	de	organização	de	parágrafos.
Você Sabia?
Trabalhar	 com	 atividades	 lúdicas,	 incentivar	 a	 brincadeira,	 o	 jogo	 e	 a	
música auxiliam a criança com transtorno de aprendizagem.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
A	 disgrafia	 refere-se	 à	 alteração	 motora	 no	 ato	 de	 escrever,	 que	 afeta	 a	 qualidade	
de	 escrita	 da	 criança.	 Frequentemente,	 as	 crianças	 apresentam	 postura	 caligráfica	
incorreta,	dificuldades	de	segurar	o	lápis	ou	seguram	de	forma	inadequada,	as	letras	são	
sobrepostas	ou	ilegíveis,	o	tamanho	das	letras	é	desorganizado,	e	possuem	dificuldade	
em	escrever	dentro	da	linha	(com	inclinações	e	falta	de	orientação	espacial).
Critérios Diagnósticos
Os	transtornos	de	aprendizagem	são	diagnosticados	quando	há	a	presença	de	ao	menos	
um sintoma persistente a seguir, por no mínimo seis meses. O diagnóstico também é 
realizado	após	tentativas	de	intervenções	dirigidas	a	essa	dificuldade.
• Leitura de palavras de forma imprecisa ou de forma lenta e com esforço.
• Dificuldade	para	compreender	o	sentido	do	que	é	lido.
• Dificuldades	para	ortografar	(escrever	ortograficamente	correto).
• Dificuldades	com	a	expressão	escrita	(comete	erros	de	gramática,	pontuação,	não	
expressa ideias escritas com clareza).
• Dificuldades	para	dominar	o	senso	numérico,	fatos	numéricos	ou	cálculo	(dificuldade	
na compreensão de magnitude, quantidade, realiza contas nos dedos, troca 
operações).
• Dificuldades	 no	 raciocínio	 (não	 compreende	 conceitos,	 fatos	 ou	 operações	
matemáticas para solucionar problemas).
Saiba Mais
Caso	 queira	 se	 aprofundar	 em	 disortografia,	 leia:	 BARBEIRO,	 L.	
Aprendizagem	da	ortografia	princípios,	dificuldades	e	problemas.	Porto:	
Edições	Asa,	2007.
Importante
A maioria dos transtornos de aprendizagem é complexa ou mista, com 
déficits	em	mais	de	um	sistema.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
A	presença	de	um	dos	sintomas	descritos	precisa	interferir	no	desempenho	acadêmico,	
profissional	 ou	 nas	 atividades	 de	 vida	 diária	 do	 indivíduo.	 Também	 precisam	 ser	
quantificadas	por	meio	de	testes	de	desempenho	padronizados.
As	 dificuldades	 podem	 se	 iniciar	 nos	 primeiros	 anos	 escolares,	 ou	 posteriormente.	
A	 manifestação	 da	 dificuldade	 irá	 depender	 da	 demanda	 exigida	 e	 do	 arcabouço	
cognitivo da criança.
O	diagnóstico	do	prejuízo	na	leitura	exige	a	dificuldade	registrada	na	leitura	de	palavras,	
na	velocidade	ou	fluência,	e	na	compreensão	da	leitura.
Já o diagnóstico do prejuízo na expressão escrita é realizado por meio da documentação 
de	dificuldades	na	precisão	ortográfica,	na	gramática	e	na	pontuação,	bem	como	na	
clareza	e	organização	escrita.	O	prejuízo	na	habilidade	matemática	é	documentado	pela	
dificuldade	em	senso	numérico,	na	memorização	de	fatos	numéricos,	na	imprecisão	de	
cálculos e no raciocínio matemático.
Você Sabia?
A	dislexia	acomete	de	0,5	a	17%	da	população	mundial	e	está	fortemente	
associada	a	alterações	cromossômicas	hereditárias.
Importante
Os pais possuem um papel importante no incentivo e estímulo das 
crianças disléxicas. Atividades como caça-palavras, pescaria de letras e 
palavras-cruzadas	são	muito	aconselháveis!
Os	níveis	de	dificuldade	precisam	ser	especificados	no	diagnóstico	do	transtorno.	No	nível	
leve, a criança apresenta prejuízo em um ou dois domínios acadêmicos, mas permite o 
uso de estratégias de compensação e adaptações por meio de apoio escolar.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
No	nível	moderado,	a	criança	apresenta	uma	dificuldade	acentuada	em	um	ou	mais	
domínios	acadêmicos.	Essas	dificuldades	tornam	improvável	a	proficiência	da	criança	
sem intervenções intensivas e especializadas. Adaptações curriculares e materiais de 
apoio são necessários na escola.
No nível grave, a criança apresenta prejuízo em vários domínios acadêmicos e necessita 
de intervenções especializadas e individualizadas durante a maior parte da vida 
escolar. Mesmo com as adaptações curriculares, é possível que a criança não seja 
capaz	de	completar	as	atividades	de	forma	eficiente.
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados nos transtornos da 
aprendizagem	 são:	 diferenciação	 de	 dificuldades	 de	 aprendizagem,	 DI,	 Problemas	
sensoriais	e	TDAH.	Vamos	especificar	cada	um!
O diagnóstico diferencial nos transtornos de aprendizagem envolve a diferenciação entre 
dificuldades	de	aprendizagem,	devido	a	fatores	externos,	como	a	falta	de	oportunidade	
escolar, a relação professor-aluno, a educação escolar insatisfatória ou a aprendizagem 
em uma segunda língua e a presençade um transtorno de aprendizagem. Os transtornos 
da aprendizagem persistem mesmo na ausência de fatores externos.
Exemplo:	Na	dislexia,	os	sons	semelhantes	são	confundidos	(T/D,	P/B,	F/V),	há	inversões	
silábicas	 ou	 de	 letras	 (sapato/satapo),	 supressões	 (branco/banco),	 espelho	 (sol/los,	
bola/alob), repetição (bananana) e divisão inadequada de sílabas (eugos-todomeu-
pai).
Você Sabia?
Crianças	e	adultos	com	dislexia	possuem	maior	dificuldade	em	aprender	
a	olhar	as	horas	em	relógios	de	ponteiros.	O	ideal	é	ensinar	no	relógio	
digital.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1
A	 deficiência	 intelectual	 é	 um	 diagnóstico	 diferencial	 e	 precisa	 ser	 investigado	 por	
meio de avaliação neuropsicológica, uma vez que uma criança com DI irá apresentar 
dificuldades	de	aprendizagem.	Nos	transtornos	de	aprendizagem,	o	escore	de	Quociente	
de	 Inteligência	 da	 criança	 é	 classificado	 mediano,	 ou	 seja,	 dentro	 da	 normalidade.	
Diferente do diagnóstico de DI.
Problemas sensoriais também precisam ser investigados para o correto diagnóstico 
nos	 transtornos	 de	 aprendizagem.	 Crianças	 com	 dificuldades	 neurosensoriais	 (por	
exemplo,	 lesão	cerebral	e	deficiência	auditiva	ou	visual)	apresentam	a	dificuldade	de	
aprendizagem	decorrente	nos	achados	neurológicos	sensoriais.
Outros transtornos do neurodesenvolvimento precisam ser investigados como TDAH. 
A comorbidade entre os dois transtornos é alta e o critério diagnóstico precisa ser 
preenchido	corretamente	para	ambos	os	casos.
Resumindo
E então? Vamos revisar e ter certeza de que você realmente entendeu 
o tema de estudo deste capítulo? Você deve ter aprendido que os 
transtornos de aprendizagem são complexos e envolvem inúmeros 
fatores e funções cerebrais. Os transtornos de aprendizagem são 
subdivididos em: transtorno de leitura, transtorno da matemática 
e transtorno da expressão escrita. Esses três transtornos devem ter 
seu	 início	 no	 período	 do	 desenvolvimento	 e	 não	 podem	 ser	 melhor	
explicados por outras alterações neurológicas ou sensoriais. O transtorno 
da	 leitura	é	 também	conhecido	como	dislexia	e	apresenta	alterações	
no acesso à rota fonológica e/ou léxica. O transtorno da matemática 
envolve	 inúmeras	dificuldades	em	conceitos	numéricos.	E	o	transtorno	
da	expressão	escrita	é	conhecido	por	disgrafia,	que	se	caracteriza	pela	
dificuldade	 na	 expressão	 motora	 da	 escrita;	 ou	 disortografia	 que	 é	
caracterizada	 pela	 dificuldade	 em	 escrever	 ortograficamente	 correto.	
Os principais diagnósticos diferenciais dos transtornos de aprendizagem 
são:	 diferenciação	 de	 dificuldades	 de	 aprendizagem,	 deficiência	
intelectual,	 problemas	 sensoriais	 e	 transtorno	 do	 déficit	 de	 atenção	 e	
hiperatividade.
@faculdadelibano_
2
Transtornos 
Motores
Transtornos da Aprendizagem Capítulo 2
Transtornos Motores
Objetivos
Ao	término	deste	capítulo,	você	será	capaz	de	compreender	e	identificar	
os aspectos diagnósticos e as características dos transtornos motores. 
Essa competência é fundamental para a realização de diagnósticos 
diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar?!
Os	 transtornos	 motores	 são	 um	 conjunto	 de	 transtornos	 definidos	 pelo	 prejuízo	
na	 habilidade	 motora.	 Nesta	 unidade,	 iremos	 subdividi-los	 em:	 transtorno	 do	
desenvolvimento da coordenação e transtorno do movimento estereotipado. Embora o 
transtorno do tique seja um transtorno motor, por motivos didáticos iremos apresentá-
lo separadamente em outro capítulo.
Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação Desenvolvimento
O início transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC) ocorre na primeira 
infância e pode perdurar até a adolescência. Os atrasos nos marcos do desenvolvimento 
motor	geralmente	são	o	primeiro	sinal,	mas	o	transtorno	pode	ser	identificado	somente	
quando	a	criança	apresenta	dificuldades	na	realização	de	tarefas	diárias,	como	segurar	
o garfo, amarrar os sapatos, colocar uma blusa. Na segunda e terceira infância, a criança 
pode	apresentar	dificuldades	em	escrever	à	mão,	jogar	bola,	montar	quebra-cabeças	
e realizar tarefas que exijam sequenciação, como organizar seus materiais escolares.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2
Na	vida	adulta,	o	prejuízo	motor	pode	acarretar	dificuldades	na	aquisição	de	 tarefas	
automáticas como dirigir ou usar ferramentas. E também alterar a velocidade de 
movimentos como da escrita. Isso pode acarretar lentidão nas tarefas simples como 
escrever à mão.
Características
O transtorno do desenvolvimento da coordenação é caracterizado pelo prejuízo nas 
habilidades	de	coordenação	motora	grossa	ou	fina	e	pode	ser	conhecido	ou	nomeado	
como	dispraxia	da	infância,	transtorno	do	desenvolvimento	específico	da	função	motora	
e síndrome da criança desajeitada.
As crianças com TDC podem apresentar atrasos no desenvolvimento motor, como 
engatinhar,	 sentar,	andar;	ou	podem	apresentar	o	desenvolvimento	neuropsicomotor	
típico,	mas	ter	a	execução	de	movimentos	de	forma	lenta,	estranha	ou	menos	precisa.	
As	crianças	apresentam	dificuldades	em	subir	escadas,	pedalar,	abotoar	camisas,	usar	
zíper	e	fechos.
Você Sabia?
O transtorno do desenvolvimento da coordenação acomete de 5% a 6% 
das crianças em idade escolar e tende a ocorrer mais frequentemente 
em meninos.
Você Sabia?
Os sinais associados ao TDC são desajeitamento e inconsistência no 
desempenho	 de	 tarefas,	 coordenação	 motora	 pobre,	 problemas	 de	
ritmo,	 declínio	 do	 desempenho	 com	 a	 repetição,	 tensão	 corporal	 e	
excesso de atividade muscular na execução de tarefas motoras.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2
O	transtorno	é	diagnosticado	apenas	se	o	prejuízo	nas	habilidades	motoras	interferir	no	
desempenho	e	nas	atividades	diárias,	escolares,	profissionais	ou	sociais.	Além	disso,	é	
necessária	a	realização	de	exame	físico,	relatórios	escolares	e	avaliação	multiprofissional	
com testes padronizados.
O início dos sintomas ocorre tipicamente no período do desenvolvimento. Entretanto, 
o diagnóstico antes dos cinco anos de idade é instável, pois a criança pode 
apresentar	variação	na	aquisição	das	habilidades	motoras	ou	as	causas	do	atraso	no	
desenvolvimento motor não estarem totalmente manifestadas.
As	 características	 específicas	 do	 transtorno	 	 estão	 vinculadas	 	 a	 um	 processo	 que	
requer maior grau de coordenação e interação entre os segmentos corporais. Em vista 
dessas	 dificuldades,	 a	 necessidade	 de	 intervenção	 precoce	 no	 processo	 de	 ensino-
aprendizagem	 pode	 evitar	 problemas	 futuros	 como	 dificuldades	 escolares	 e	 baixa	
autoestima devido à exclusão que essas crianças podem sofrer.
A	avaliação	para	a	 identificação	dos	sintomas	do	 transtorno	do	desenvolvimento	da	
coordenação	 não	 é	 normatizada,	 ou	 seja,	 	 não	 existe	 um	 protocolo	 específico	 a	 ser	
seguido.	Vários	testes	motores	têm	sido	utilizados	para	a	identificação	do	TDC,	mas	têm	
aplicação	restrita	no	Brasil,	devido	à	ausência	de	normas	para	a	criança	brasileira.	Dessa	
forma,	mais	pesquisas	precisam	ser	realizadas,	a	fim	de	padronizar	testes	psicomotores	
para a população brasileira.
Nota
A criança com transtorno do desenvolvimento da coordenação tem 
dificuldade	para	aprender	novas	habilidades	motoras.
Importante
A criança com transtorno do desenvolvimento da coordenação pode ter 
mais	dificuldade	com	atividades	que	requeiram	mudança	constante	na	
posição corporal, ou quando ela tem de se adaptar a mudanças ao seu 
redor, como em jogos coletivos.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2
Critérios Diagnósticos
O diagnóstico do transtorno do desenvolvimento da coordenação envolve os seguintes 
critérios:
• A	aquisição	e	execução	de	habilidades		motoras		coordenadas	estão		substancialmente		
abaixo do esperado, considerando-se a idade cronológica do indivíduo e a 
oportunidade	de	aprender	e	usar	a	habilidade.	As	dificuldades	manifestam-se	pela	
falta de jeito, de lentidãoou de imprecisão.
• Os	déficits	interferem	significativamente	nas	atividades	cotidianas,	causando	impacto	
no	desempenho	escolar,	profissional	e	no	lazer.
• O início se dá no período do desenvolvimento.
• Os	déficits	nas	habilidades	motoras	não	são	mais	bem	explicados	por	deficiência	
intelectual	 ou	 por	 deficiência	 visual,	 e	 não	 são	 atribuíveis	 a	 alguma	 condição	
neurológica	que	afete	os	movimentos	(paralisia	cerebral,	distrofia	muscular,	doença	
degenerativa).
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno do 
desenvolvimento	da	coordenação	são:	verificação	de	prejuízos	motores	devido	a	outras	
condições	 médicas,	 deficiência	 intelectual,	 TDAH,	 TEA	 e	 síndrome	 de	 hipermobilidade	
articular.	Vamos	especificar	cada	um!
Os problemas de coordenação motora podem estar associados a diversas condições 
neurológicas, sensoriais e neuromusculares, como paralisia cerebral, lesões do cerebelo 
e	deficiência	visual.
Você Sabia?
A	criança	com	TDC	pode	ter	dificuldades	na	organização	de	sua	carteira,	
sua mesa, seu armário, dever de casa ou mesmo do espaço na página.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2
No caso de diagnóstico de DI, as competências motoras podem estar prejudicadas, 
porém,		se		as		dificuldades		motoras		exacerbarem	o	esperado	na	DI	e	as	características	
se enquadrarem nos critérios de transtorno do desenvolvimento da coordenação, então 
pode ser estabelecida uma comorbidade.
As crianças com TDAH podem apresentar comportamentos “estabanados” e sofrer 
diversas	 quedas,	 esbarrar	 em	 objetos	 ou	 deixá-	 los	 cair	 no	 chão	 com	 frequência.	 É	
preciso	 	 uma	 	 observação	 	 atenta	 para	 identificar	 a	 falta	 de	 habilidade	 motora	 por	
conta da distração e impulsividade típicas do TDAH. Se não ocorrer, um diagnóstico 
comórbido pode ser realizado.
No TEA é comum que as crianças não apresentem interesse por atividades motoras 
complexas,	e	esse	desinteresse	pode	influenciar	as	atividades	e	as	habilidades	motoras.	
Entretanto,	não	é	um	reflexo	da	competência	motora	central.	A	comorbidade	entre	TEA	
e o transtorno do desenvolvimento da coordenação é comum.
As	crianças	com	síndrome	da	hipermobilidade	articular	apresentam,	frequentemente,	
hiperextensão	das	articulações	e	podem	apresentar	os	sintomas	similares	ao	transtorno	
do desenvolvimento da coordenação.
Nota
A criança com transtorno do desenvolvimento da coordenação é 
comumente	rotulada	de	desengonçada,	atrapalhada	ou	desajeitada.
Saiba Mais
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o artigo Crianças com 
dificuldades	 motoras:	 questões	 para	 a	 conceituação	 do	 Transtorno	
do Desenvolvimento da Coordenação, acessando o link: https://bit.
ly/33w1xfl
Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2
Resumindo
E	 então?	 Gostou	 do	 que	 lhe	 mostramos?	 Aprendeu	 mesmo	 tudinho?	
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter 
aprendido que os transtornos motores apresentam diversas facetas e, 
neste capítulo, você viu o transtorno do desenvolvimento da coordenação. 
O transtorno do desenvolvimento da coordenação é caracterizado pela 
dificuldade	na	aquisição	e	na	execução	de	movimentos	coordenados.	
Essa	 dificuldade	 causa	 prejuízos	 sociais,	 escolares	 e	 profissionais	 no	
indivíduo. Os principais diagnósticos diferenciais do transtorno do 
desenvolvimento	da	coordenação	são:	verificação	de	prejuízos	motores	
devido	a	outras	condições	médicas,	deficiência	 intelectual,	 transtorno	
do	déficit	de	atenção	e	hiperatividade,	transtorno	do	espectro	autista	e	
síndrome	de	hipermobilidade	articular.
@faculdadelibano_
3
Transtornos 
Motores
Transtornos da Aprendizagem Capítulo 3
Transtornos Motores
Objetivos
Nesta unidade você aprenderá o que é o transtorno do movimento, suas 
características e critérios diagnósticos, entre outros pontos correlatos. E 
então? Vamos lá?
Transtorno do Movimento Estereotipado
Desenvolvimento
A presença de movimentos estereotipados simples é comum na infância, especialmente 
nos primeiros anos de vida, e pode estar associada à aquisição do domínio motor. 
Em geral, as crianças que apresentam desenvolvimento neuropsicomotor típico 
não	carregam	os	movimentos	estereotipados	no	decorrer	do	desenvolvimento;	 já	as	
estereotipias complexas podem se iniciar tardiamente.
Características
O transtorno do movimento estereotipado é caracterizado basicamente pela presença de 
um comportamento motor repetitivo, direcionado e sem propósito claro. Os movimentos 
mais comuns são os ritmados da cabeça, das mãos ou do corpo. Em crianças com o 
neurodesenvolvimento típico, os movimentos repetitivos podem ser interrompidos ao 
direcionar	a	atenção	da	criança	ou	distraí-la;	as	crianças	também	podem	apresentar	
tentativas de contenção, como sentar sobre as mãos ou enrolar as mãos nas roupas. Já 
Você Sabia?
Estereotipia	origina-se	de	dois	vocábulos	gregos	(steros=sólido	ou	firme	
e	typos=	molde	ou	modelo).
Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 3
em crianças com o transtorno do movimento estereotipado esses comportamentos de 
contenção ou de distração são difíceis de serem respondidos.
 
Os comportamentos repetitivos mais comuns são: balançar o corpo, fazer movimentos 
de abano, rotação das mãos, agitar ou tremular os dedos, sacudir ou abanar os braços, 
e acenar com a cabeça. Algumas crianças podem apresentar comportamentos 
autolesivos	como	bater	a	cabeça,	dar	tapas	no	rosto,	cutucar	os	olhos	e	morder.
A frequência das ocorrências dos comportamentos repetitivos pode depender e variar 
muito de criança para criança, com intervalos de semanas ou várias ocorrências durante 
um dia. E o comportamento pode ocorrer em diversos contextos (quando alegre, ansiosa, 
triste).
É	importante	ressaltar	que	o	critério	diagnóstico	exige	que	os	movimentos	não	tenham	
propósito. Entretanto, é comum as crianças apresentarem os comportamentos como 
forma de reduzir a ansiedade em resposta a eventos estressores.
Nota
O tratamento farmacológico e psicoterapêutico se faz necessário em 
muitas ocasiões como consequência das repercussões dos movimentos 
estereotipados na saúde da criança.
Nota
Os movimentos estereotipados mais comuns podem ser: acenos com 
as mãos, balançar o corpo, brincar com as mãos, bulir com os dedos, 
rodopiar objetos, bater a cabeça, morder-se ou golpear partes do 
próprio corpo.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 3
Critérios Diagnósticos
O diagnóstico do transtorno do movimento estereotipado envolve os seguintes critérios:
• Comportamento motor repetitivo, aparentemente direcionado e sem propósito.
• O comportamento motor repetitivo interfere em atividades sociais, acadêmicas ou 
outras, podendo resultar em autolesão.
• O início se dá precocemente no período do desenvolvimento.
• O	comportamento	motor	repetitivo	não	é	atribuível	aos	efeitos	fisiológicos	de	uma	
substância ou à condição neurológica.
O	diagnóstico	deve	especificar	se	o	comportamento	repetitivo	é
autolesivo ou não.
Nota
A criança eventualmente tenta conter o comportamento estereotipado 
mantendo as mãos dentro da camisa, na calça ou nos bolsos.
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno do movimento 
estereotipado são: o próprio desenvolvimento típico, TEA, transtorno de tique, transtorno 
obsessivo-compulsivo,	e	outras	condições	neurológicas.	Vamos	especificar	cada	um!
No desenvolvimento típico, é comum que as crianças apresentem movimentos 
estereotipados simples que desaparecem no decorrer da idade. As estereotipias mais 
complexas são menos comuns no desenvolvimento normal e podem ser facilmente 
suprimidas com distratores. Nesses casos, movimentos estereotipados não interferem 
nas atividades de vida diária da criança. Dessa forma, o diagnóstico de transtorno domovimento estereotipado não seria adequado.
Os movimentos estereotipados são uma condição diagnóstica do TEA. No entanto, as 
crianças com transtorno do movimento estereotipado não apresentam prejuízo em 
comunicação social, como no TEA. 
Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 3
As	 estereotipias	 se	 iniciam	 precocemente	 (antes	 dos	 3	 anos	 de	 idade),	 e	 os	 tiques	
apresentam	 início	 tardio,	 em	 média	 aos	 5	 a	 7	 anos.	 Os	 movimentos	 estereotipados	
são	mais	consistentes,	fixos,	 rítmicos	e	prolongados	comparados	aos	 tiques,	que	são	
variáveis, breves e aleatórios. As estereotipias podem envolver movimentos de braço, 
mão,	cabeça	ou	corpo,	já	os	tiques	são	comumente	vistos	nos	olhos,	cabeça	e	ombros.	
Ambos podem ser reduzidos com distração.
No transtorno obsessivo-compulsivo, a criança se sente motivada a realizar um 
comportamento	 repetitivo	 pela	 obsessão	 ou	 pelas	 regras	 rígidas;	 já	 no	 movimento	
estereotipado os comportamentos não apresentam motivação ou propósito.
Outras condições neurológicas e médicas podem apresentar movimentos estereotipados 
e exigem a exclusão diagnóstica, como discinesias, coreia (Huntington), distonia e 
mioclonia.
Importante
Os movimentos estereotipados podem causar danos permanentes e 
incapacitantes que ameaçam a vida do indivíduo por meio de autolesões.
Resumindo
E	 então?	 Gostou	 do	 que	 lhe	 mostramos?	 Aprendeu	 mesmo	 tudinho?	
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que os transtornos motores apresentam diversas facetas 
e, neste capítulo, você viu o transtorno do movimento estereotipado. 
O transtorno do movimento estereotipado envolve a presença de 
comportamento motor repetitivo, aparentemente direcionado e sem 
propósito	que	interfere	na	vida	social,	escolar	ou	profissional	do	indivíduo.	
Os principais diagnósticos diferenciais do transtorno do movimento 
estereotipado são: o próprio desenvolvimento típico, transtorno do 
espectro autista, transtorno de tique, transtorno obsessivo-compulsivo, 
e outras condições neurológicas.
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4
Transtornos 
de Tique
Transtornos da Aprendizagem Capítulo 4
Transtornos de Tique
Objetivos
Ao	término	deste	capítulo,	você	será	capaz	de	compreender	e	identificar	
os aspectos diagnósticos e as características dos transtornos de tique. 
Essa competência é fundamental para a realização de diagnósticos 
diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar?!
Os transtornos do tique podem se manifestar de diversas formas, como transtorno de 
Tourette, transtorno de tique motor ou vocal persistente e transtorno de tique transitório. 
Iremos abordar as diferenças entre eles nos critérios diagnósticos.
Desenvolvimento
Os tiques iniciam-se precocemente, entre 4 e 6 anos, desenvolvem com um pico de 
gravidade	entre	10	e	12	anos	e	diminuem	na	adolescência.	Os	adultos	podem	apresentar	
um	declínio	significativo	na	presença	dos	sintomas.
Os tiques se manifestam de forma similar em todas as faixas etárias, são instáveis, variados 
e alteram os grupos musculares afetados. A partir do desenvolvimento de consciência 
do	 tique,	 a	 criança	 pode	 relatar	 que	 há	 um	 senso	 premonitório,	 uma	 sensação	 que	
antecede o tique, e uma sensação de redução da tensão após o tique.
 
Você Sabia?
Os tiques variam em gravidade, frequência e intensidade!
Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4
Características
O tique é um movimento repentino, rápido, recorrente e não ritmado de caráter motor ou 
vocal. Os tiques podem ter características e intensidades diferentes, podem ser simples 
ou complexos.
Os tiques motores simples possuem durações rápidas, de milissegundos, e são 
caracterizados	 como	 piscar	 os	 olhos,	 encolher	 os	 ombros,	 estender	 as	 extremidades	
do corpo. Os tiques vocálicos simples são usualmente vistos como limpar a garganta, 
fungar, produzir sons, e são causados pela contração do diafragma ou dos músculos 
orofaríngeos.
Os tiques motores complexos duram mais tempo (segundos) e podem incluir a 
combinação de tiques simples. Os tiques vocais complexos incluem a repetição de 
sons e de palavras, ou a repetição da última palavra ou frase ouvida. Os tiques motores 
e	vocais	complexos	podem	parecer	 ter	uma	finalidade,	como	um	gesto	obsceno	ou	
uma imitação de gestos de outra pessoa. E podem envolver a verbalização de palavras 
socialmente inaceitáveis.
Os tiques podem se apresentar de forma variada em um mesmo indivíduo, mas os 
sintomas	 de	 piscar	 os	 olhos	 e	 de	 limpar	 a	 garganta	 são	 frequentemente	 vistos	 na	
população. Todos os sintomas são involuntários, mas podem ser voluntariamente 
suprimidos.
Os transtornos do tique envolvem quatro categorias diagnósticas: transtorno de Tourette, 
transtorno de tique motor ou vocal persistente, transtorno de tique transitório, outro 
transtorno	de	tique	especificado	e	transtorno	de	tique	não	especificado.
Importante
A síndrome de Tourette, o tipo mais grave de tique, ocorre na proporção 
de	3	a	8	para	cada	mil	crianças.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4
Todos as categorias baseiam-se na presença de tiques, na duração, no início e na 
ausência de outra causa.
O transtorno de Tourette é um distúrbio genético, de natureza neuropsiquiátrica, 
caracterizado por fenômenos compulsivos, que, muitas vezes, resultam em uma série 
repentina de múltiplos tiques motores e um ou mais tiques vocais, durante pelo menos um 
ano.	Os	tiques	podem	ser	classificados	como	motores	e	vocais,	subdividindo-se,	ainda,	
em simples e complexos. Os tiques são exacerbados em situações de ansiedade e tensão 
emocional;	atenuados	pelo	repouso	e	por	situações	que	exigem	concentração.	Podem	
ser	suprimidos	pela	vontade	(por	segundos	ou	horas),	logo	seguidos	por	exacerbações	
secundárias. Manifestações como: ecolalia, ecopraxia, coprolalia e copropraxia estão 
presentes em indivíduos com Tourette.
No caso do transtorno de tique motor ou vocal persistente, é necessária somente a 
presença de um tipo de tique, motor ou vocal. Ocorre tanto na infância como na idade 
adulta,	dura	mais	de	um	ano	e	não	flutuam	de	intensidade.
E no transtorno de tique transitório podem estar presentes tiques motores e/ou vocais por 
um	tempo	mínimo	de	um	ano,	são	flutuantes	em	intensidade,	mas	podem	desaparecer	
ou evoluir para os outros transtornos. Aproximadamente 24% das crianças apresentarão 
tique	por	1	mês	no	período	escolar.
No	transtorno	de	tique	especificado	ou	não	especificado,	os	sintomas	são	caracterizados	
como tique, mas são atípicos no período do desenvolvimento ou possuem etiologia 
conhecida.
Todos os tiques precisam apresentar um período de permanência de ao menos um 
ano. Isso porque os tiques variam de frequência e de intensidade, e um indivíduo pode 
passar semanas ou meses sem a presença de sintomas.
 
Nota
O tratamento para os tiques envolve psicoterapia e o tratamento 
farmacológico, quando necessário.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4
Os tiques geralmente iniciam-se em idade precoce (4 a 6 anos) e a frequência diminui 
com o decorrer da idade. O surgimento de sintomas na idade adulta é raro e está 
associado ao uso de substância psicoativas ou lesões cerebrais.
O diagnóstico de um transtorno de tique impede o diagnóstico de outro. Dessa forma, 
uma criança com Tourette não poderá ser diagnosticada com tique motor ou vocal 
persistente.
Critérios Diagnósticos
O diagnóstico do transtorno do tique envolve critérios diferentes de acordo com sua 
apresentação, mas todos ocorrem no período do desenvolvimento e não são atribuíveis 
aos	efeitos	fisiológicos	de	uma	substância	ou	a	outra	condição	médica.
Transtorno de Tourette
• Presença de múltiplos tiques motores e um ou mais tiques vocais em algum 
momento durante o quadro, embora não necessariamente ao mesmo tempo.
• Os tiques podem aumentar e diminuir em frequência,mas persistem por mais de um 
ano desde o início do primeiro tique.
Importante
Os	 tiques	 pioram	 com	 ansiedade,	 excitação	 e	 exaustão,	 e	 melhoram	
durante atividades calmas e focadas.
Você Sabia?
Os tiques acometem mais o sexo masculino do que o feminino, embora 
não existam diferenças de gênero em relação ao tipo de tique, de idade 
do início ou curso.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4
Transtorno de Tique Motor ou Vocal Persistente (Crônico)
• Tiques motores ou vocais únicos ou múltiplos estão presentes durante o quadro, 
embora não ambos.
• Os tiques podem aumentar e diminuir em frequência, mas persistem por mais de um 
ano desde o início do primeiro tique.
Jamais	 foram	 preenchidos	 critérios	 para	 transtorno	 de	 Tourette.	 Nesse	 quadro,	 é	
necessário	especificar	se	o	tique	é	motor	ou	vocal.
Transtorno de Tique Transitório
• Presença	de	tiques	motores	e/ou	vocais,	únicos	ou	múltiplos;
• Os tiques estiveram presentes por pelo menos um ano desde o início do primeiro 
tique.
(Jamais	foram	preenchidos	critérios	para	transtorno	de	Tourette	ou	transtorno	de	tique	
motor ou vocal persistente).
Importante
O	transtorno	de	Tourette	é	erroneamente	conhecido	pelos	xingamentos	
involuntários,	 entretanto	os	 indivíduos	não	ficam	gritando	palavrões	o	
tempo todo.
Importante
O manejo dos tiques em sala de aula é extremamente importante 
para o andamento das atividades em sala e bem-estar da criança. É 
recomendado que os professores não parem as atividades por conta 
dos tiques.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4
Transtorno de Tique Não Especificado
Os	tiques	causam	sofrimento	e	interferem	no	funcionamento	social,	escolar	ou	profissional	
do indivíduo, mas não satisfaz todos os critérios para um transtorno de tique.
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados nos transtornos de tique são: 
movimentos estereotipados, discinesia paroxísticas ou induzidas por substâncias, TOC, 
mioclonia,	distonia	e	coreia.	Vamos	especificar	cada	um!
As discinesias paroxísticas são um grupo de raras desordens caracterizadas por 
movimentos involuntários, unilaterais ou bilaterais, distônicos, do tipo coreico, balístico 
ou misto.
A mioclonia é caracterizada por um movimento unidirecional repentino não ritmado. 
Pode ocorrer durante o sono e piorar devido ao movimento. Difere dos tiques pela 
rapidez, pela impossibilidade de supressão e pela ausência de sensação premonitória.
Os movimentos estereotipados do TOC incluem a necessidade de realizar uma ação 
de modo particular e o impulso de ter de realizar essa ação. Os comportamentos 
direcionados à realização de uma ação associada à falta de controle de impulso estão 
mais relacionados ao TOC do que aos tiques.
No transtorno do movimento estereotipado, as ações são involuntárias, ritmadas, 
repetitivas, previsíveis e param diante de um distrator. Ao contrário dos tiques que 
Você Sabia?
Entre	80	e	90%	dos	pacientes	com	Tourette	apresentam	pelo	menos	uma	
comorbidade neuropsiquiátrica, entre as mais comuns estão TDAH, TOC 
e transtornos de aprendizagem.
Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4
são constantes, com duração prolongada, não apresenta sensação premonitória e 
interrupção com distratores.
Na coreia os movimentos são rápidos, aleatórios, repentinos, imprevisíveis, não 
estereotipados e afetam todo o corpo. Os movimentos, a direção e a distribuição variam 
em cada momento.
As distonias caracterizam-se pela contratura sustentada e simultânea de músculos 
agonistas e antagonistas que resultam em movimentos corporais distorcidos e são 
desencadeados por movimentos voluntários.
Resumindo
Agora que você aprendeu sobre a importância da anamnese infantil 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o 
transtorno de tique é caracterizado pela presença de movimentos 
repentinos, rápidos, recorrentes e não ritmados de caráter motor 
ou	 vocal.	 Os	 transtornos	 do	 tique	 podem	 ser	 subclassificados	 em	
transtorno de Tourette, transtorno de tique motor ou vocal persistente, 
transtorno	de	tique	transitórios	e	transtorno	de	tique	não	especificado.	O	
transtorno mais grave é o de Tourette que acomete as duas formas de 
tiques (motor e vocal), seguidos pelo transtorno de tique motor ou vocal 
persistente		que		acomete		uma		forma	ou	outra	de	tique;	e	o	transtorno	
de tique transitório que, como o próprio nome diz, é transitório e acomete 
um ou mais tipos de tique. Os principais diagnósticos diferenciais a 
serem realizados no tique são: movimentos estereotipados, discinesia 
paroxísticas ou induzidas por substâncias, TOC, mioclonia, distonia e 
coreia.
Transtornos da Aprendizagem
Referências
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02,	ed.	01,	Vol.	16.	pp.	492-521,	Março	de	2017.

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