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Transtornos da Aprendizagem Sumário CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO Transtornos da Aprendizagem Desenvolvimento Características Transtorno da Leitura Transtorno da Matemática Transtorno da Expressão Escrita Critérios Diagnósticos Diagnóstico Diferencial e Comorbidades Transtornos Motores Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação Desenvolvimento Características Critérios Diagnósticos Diagnóstico Diferencial e Comorbidades Transtornos Motores Transtorno do Movimento Estereotipado Desenvolvimento Características Critérios Diagnósticos Diagnóstico Diferencial e Comorbidades 6 21 28 Sumário CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO Transtornos de Tique Desenvolvimento Características Critérios Diagnósticos Transtorno de Tourette Transtorno de Tique Motor ou Vocal Persistente (Crônico) Transtorno de Tique Transitório Transtorno de Tique Não Especificado Diagnóstico Diferencial e Comorbidades Referências 33 41 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. @faculdadelibano_ 1 Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 Transtornos da Aprendizagem Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender e identificar os aspectos diagnósticos e as características dos transtornos da aprendizagem. Essa competência é fundamental para a realização de diagnósticos diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar? Desenvolvimento Os transtornos da aprendizagem têm início na idade escolar, especialmente no período de alfabetização da criança. As crianças que o desenvolvem podem ter precursores no período pré-escolar, como atrasos na linguagem, dificuldades de rimar e contar, e dificuldades em habilidades motoras finas. Também podem ser observadas fala muito infantilizada (como bebê), pronúncia errada de palavras, dificuldade de associar o nome das letras e o som, dificuldade de reconhecer a letra do próprio nome. As crianças podem apresentar dificuldade em silabar as palavras (por exemplo, sa-pa-to) e dificuldade em reconhecer rimas (por exemplo, gato, rato, pato). Já no ensino fundamental, as crianças apresentam dificuldades maiores e mais complexas. Demonstram dificuldade em decodificar as palavras com fluência, compreender dados matemáticos, fazem leitura em voz alta lentificada e imprecisa, além de apresentarem dificuldade em colocar números e letras em sequência. Os erros de leitura podem estar conectados à falha na codificação som-letra. Crianças no ensino fundamental II podem pular a leitura de palavras longas, confundir palavras com Importante Os transtornos da aprendizagem envolvem prejuízos nas habilidades de leitura, de matemática e de escrita. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 sons semelhantes, apresentar dificuldades na recordação de datas, nomes, números de telefone, apresentar ortografia ruim, e podem tentar acertar uma palavra lendo somente a primeira parte. Os adolescentes, embora possam já ter decodificado a palavra, mantêm uma leitura lenta e trabalhosa, com problemas na expressão escrita. Em geral, os erros na adolescência são os mesmos na vida adulta. Com frequência, podem precisar reler o material para compreender o que está escrito e ter problemas na inferência. Podem evitar atividades que exijam leitura e matemática, e utilizam estratégias alternativas para essas dificuldades. As manifestações do transtorno podem se alterar no decorrer da vida, e os indivíduos podem criar estratégias para compensar as dificuldades. Em todas as fases, é comum que o indivíduo fuja ou evite circunstâncias que exijam habilidades acadêmicas. Os casos de ansiedade, depressão e ataques de pânicos são comuns em indivíduos com transtornos de aprendizagem. Características Os transtornos de aprendizagem possuem etiologias genética, epigenética e ambiental que influenciam o processamento de informações verbais e não verbais. A principal característica do transtorno é a dificuldade persistente e não transitória em aprender as habilidades acadêmicas. Geralmente, essa dificuldade é evidenciada no início da escolarização formal. As habilidades acadêmicas compreendem a capacidade de leitura fluente de palavras isoladas, a compreensão da leitura, o processo de escrita e ortografia, os cálculos matemáticos e o raciocínio numérico. Nota Os transtornos de aprendizagem não possuem uma causaúnica, embora sejam observados déficits neurológicos. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 Essas habilidades são diferentes de processos como o andar e o falar, que são marcos do desenvolvimento. As habilidades acadêmicas precisam ser ensinadas e aprendidas, e os transtornos de aprendizagem influenciam diretamente a capacidade de aprendizagem dessas habilidades. As dificuldades no transtorno da aprendizagem compreendem processos da leitura e da escrita que envolvem o uso de estratégias fonológicas e ortográficas, sendo que algumas crianças podem ter grandes dificuldades com os aspectos fonológicos, enquanto outras podem ter tais limitações quanto aos aspectos ortográficos. E também em processos matemáticos, que envolvem o conceito de numeração e de raciocínio lógico. As dificuldades advindas dos transtornos de aprendizagem não ocorrem por falta de estimulação, oportunidade de educação ou inadequação escolar, são advindas de alterações neurobiológicas que tornam as dificuldades persistentes e não transitórias. As evidências das dificuldades acadêmicas devem ser documentadas por meio de avaliações multiprofissionais, registros e avaliações escolares. A avaliação deve resultar de teste de desempenho acadêmico administrado individualmente, psicometricamente apropriado e culturalmente adequado e padronizado. Vale ressaltar que as habilidades acadêmicas se constituem num continuum no decorrer do desenvolvimento, portanto, para maior certeza diagnóstica é preferível o desempenho em baixos escores em um ou mais testes padronizados. Importante Alguns fatores potenciais pós-natais, como a exposição a toxinas ambientais, infecções do sistema nervoso central, neoplasias e seus tratamentos, trauma, desnutrição e isolamento ou privação social grave, são causas possíveis para a presença de transtornos de aprendizagem. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 As dificuldades acadêmicas ocorrem já nos primeiros anos escolares; em alguns casos, podem ocorrer tardiamente, quando as demandas de aprendizagem se tornam complexas. As dificuldades de aprendizagem não ocorrem por diagnóstico de deficiência intelectual. Isso significa que as crianças com transtornos de aprendizagem apresentam funcionamento intelectual dentro da média. E pode ocorrer ainda em crianças com habilidades intelectuais superiores,que em geral se utilizam de estratégias compensatórias nos métodos avaliativos e nas tarefas. Além disso, os transtornos de aprendizagem não são atribuídos a condições externas, como fatores socioeconômicos, falta de estimulação e de relação aluno-professor, bem como advir de algum transtorno neurológico, motor ou sensorial. Os transtornos de aprendizagem devem se limitar às habilidades de domínio acadêmico, como leitura, cálculos numéricos e escrita. Vamos aprofundar sobre as características de cada uma dessas habilidades. Transtorno da Leitura Comumente conhecido como Dislexia, possui origem neurobiológica e é caracterizado pela dificuldade em compreender e ler palavras escritas. Nota A presença de dificuldade de aprendizagem não é necessariamente a garantia de um diagnóstico de transtorno de aprendizagem. Você Sabia? A maioria das crianças com diagnóstico de transtorno de aprendizagem necessita de intervenção psicopedagógica e/ou fonoaudiológica e continua participando das aulas convencionais oferecidas pela escola! Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 A leitura é um dos processos mais complexos da aprendizagem e compreende a discriminação visual de símbolos (grafemas) por meio da decodificação realizada por meio da atenção seletiva. Posteriormente, são selecionados e identificados os equivalentes auditivos (fonemas) por meio da análise e transdução, da síntese e comparação, para então se edificar a busca da significação e avaliar os níveis de compreensão. A codificação dos estímulos é executada na área de Broca (responsável pela articulação de sons), as alterações nesse sistema que envolvam a leitura podem acarretar o transtorno de aprendizagem, especificamente, a dislexia. FIGURA 1 Áreas cerebrais envolvidas no processo de leitura FONTE Oliveira (2017). Nota Em alguns casos, o tratamento farmacológico associado ao atendimento psicopedagógico pode ser dirigido por um psiquiatra, um neurologista ou um pediatra. O termo dislexia foi utilizado pela primeira vez em 1872 e foi relatado como uma dificuldade ou uma incapacidade de leitura. Foi observado que crianças com dificuldade na leitura apresentavam distorções perceptivas que afetavam a memória visual das Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 palavras. Essas distorções não eram advindas de problemas visuais, mas, sim, do processamento e funcionamento da área de linguagem no cérebro. Diversos autores relataram características comuns em pacientes com dislexia, como inversões e imagens espelhadas de letras e palavras. A dislexia compreende a disfunção em dois circuitos importantes: um circuito dorsal, fonológico-articulatório, que é implementado por conexões entre o córtex temporal posterior e as áreas pré-frontais ventrolaterais; e um circuito ventral, que permite o acesso lexical direto por meio de uma estação no giro fusiforme. No decorrer da história, a dislexia obteve diversas classificações. Para Coltheart (2000), a dislexia poderia ser classificada em: dislexia fonológica, que possui dificuldades na via indireta de acesso fonológico; dislexia superficial, que possui dificuldade na via direta de acesso, ou seja, com déficit na nomeação rápida; e dislexia mista, que apresenta déficits duplos. Por outro lado, Boder (1973) considera a dislexia quanto a três aspectos: dislexia disfonética, que possui déficits na análise e na síntese de palavras; dislexia diseidética, na qual ocorre déficit tanto do reconhecimento de letras como de palavras, como uma impossibilidade de Gestalt visual; e dislexia mista, que combina as duas formas acima. Vamos aprofundar e exemplificar esta última classificação de Bolder? Na dislexia disfonética, a criança apresenta dificuldade para operar na rota fonológica. Isso significa que a criança apresenta um déficit no conversor do sistema fonema-grafema, ou no momento de juntar os sons de uma palavra. Importante A escola possui o papel essencial de promover campanhas e desenvolver estratégias que possibilitem a integração dos alunos com transtornos de aprendizagem. O isolamento da criança pode intensificar o seu quadro devido à desmotivação em aprender. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 A leitura de palavras desconhecidas ou pseudopalavras é prejudicada e a criança faz tentativas de adivinhar o restante das palavras. Por exemplo, lê ‘contar’ em vez de ‘comprar’. Comete erros de inversão, omissão ou agregação de fonemas ou sílabas, como ler ‘lata’ em vez de ‘alta’. As crianças com prejuízo na rota fonológica apresentam dificuldade em memória de trabalho e de consciência fonológica. Na dislexia diseidética, a criança possui dificuldade de acesso à rota lexical, ou seja, a leitura de palavras irregulares é prejudicada. Nesse caso, os disléxicos fazem leituras de forma lentificada, decompõem a palavra em partes e têm dificuldade de ver a palavra como um todo. Na dislexia mista, a criança comete erros de ambas as formas, pois possui déficit tanto na rota fonológica quanto lexical. A dislexia mista é considerada mais grave e exige maior esforço da criança e mais recursos terapêuticos. A avaliação para o diagnóstico da dislexia ocorre de diversas formas e pode ser realizada por fonoaudiólogo, psicopedagogo ou neuropsicólogo. É avaliado o conhecimento em leitura, escrita, habilidades metafonológicas e consciência fonoarticulatória. Nos testes de leitura, é necessário identificar a decodificação de sílabas complexas, palavras regulares, palavras irregulares e pseudopalavras, leitura silenciosa e oral. Na avaliação da escrita, verifica-se a elaboração de ditado e produção textual, com ênfase na coerência, na coesão, nos erros ortográficos, na pontuação e na concordância verbal. Nota Crianças com diagnóstico de transtorno de aprendizagem usualmente apresentam uma velocidade de processamento lenta. Você Sabia? Os transtornos de aprendizagem afetam cerca de 6% das crianças em idade escolar em todo o mundo. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 Os testes de consciência fonológica observam a habilidade de segmentação, identificação, omissão, acréscimo, transposição de fonemas e sílabas. Transtorno da Matemática A discalculia é uma alteração específica em habilidades matemáticas. O déficit é mais voltado às habilidades básicas concretas de adição, subtração, multiplicação e divisão do que às habilidades abstratas requeridas em álgebra ou cálculo. A realização de operações matemáticas exige uma interação complexa de diversas funções cerebrais, como percepção, sequenciação, classificação, discriminação visuoespacial, memória de trabalho, memória de curto e de longo prazo, atenção e raciocínio sintáxico. O desenvolvimento de habilidades matemáticas ocorre por meio de uma sequência ordenada de conceitos, como conceito numérico, contagem, aritmética, associatividade e complementaridade. O conceito numérico exige a compreensão de correspondência um a um, o conceito de que um conjunto de coisas possui uma representação numérica, compreensão de números não visuais (por exemplo, três badaladas do sino da igreja). A habilidade de contagem é, inicialmente, compreendida pela criança como uma palavra só (por exemplo, umdoistrêsquatrocinco), posteriormente, é percebida a Nota Discalculia é uma deficiência de aprendizagem específica em matemática. Importante A presença do diagnóstico de discalculia foi associada à síndrome do alcoolismo fetal, à prematuridade e ao baixo peso ao nascer. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 correspondência de cada palavra. A criança então faz a contagem em ordem estável, ou seja, o dois vem depois do um, e desenvolve o princípio cardinal, de que o último número da contagemrepresenta a quantidade total. A criança também passa por um processo de Subitinzing, que é definido como a capacidade de responder rapidamente a uma pequena quantidade de números, geralmente quatro. Esse processo facilita e minimiza a necessidade de contagem. O desenvolvimento da aritmética se dá por meio da apresentação de duas cenas com quantidades diferentes de objetos. Assim, a criança utilizará o princípio cardinal para contar até o maior número da primeira cena, e depois da segunda cena. Esse processo começa a desencadear a relação necessária para realização de contas. A criança também aprende do número menor para o maior, por exemplo, 3X6=18 (3+3+3+3+3+3), depois ela reorganiza os números para priorizar (6+6+6). Ainda no desenvolvimento matemático, Piaget relata que a criança só aprende as contas a partir do momento que entende a relação entre elas. Isso inclui a complementaridade das contas de adição, subtração, divisão e multiplicação. Os transtornos de aprendizagem estão inteiramente ligados ao desenvolvimento das funções cognitivas, isso porque seu aparato é interdependente. Por exemplo, a resolução mental de cálculos mais complexos ou usando o sistema visual arábico exige memória de trabalho, o conhecimento procedural e semântico. A resolução de problemas aritméticos verbalmente formulados demanda compreensão textual, inferências quanto ao melhor modelo mental que representa quantitativamente o problema e a adoção de estratégias de solução desses problemas, e o funcionamento executivo que conduzam à solução correta. Você Sabia? Indivíduos com discalculia apresentam alterações e diferenças em funções e estruturas cerebrais. As áreas cerebrais alteradas estão envolvidas com habilidades de aprendizagem fundamentais, como memória e planejamento. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 A discalculia é, então, a falha no processamento e na aquisição das informações numéricas. A criança apresenta desenvolvimento intelectual normal e tem oportunidade escolar e motivação necessária, mesmo assim desenvolve a discalculia. Transtorno da Expressão Escrita O transtorno da expressão escrita é caracterizado pela dificuldade em habilidades escritas, como ortografia, organização e estrutura de frases e de textos, regras gramaticais e morfossintáticas. A criança pode apresentar uma organização pobre de parágrafos, falta de clareza, erros gramaticais e de pontuação, dificuldades no processamento fonológico e ortográfico, caligrafia irregular. Como o transtorno da expressão escrita possui comprometimentos no processamento fonológico, é comum as crianças apresentarem diagnósticos do transtorno de leitura e de escrita juntos, considerando que os dois transtornos compartilham sistemas e áreas cerebrais. No entanto, a dificuldade somente em expressão escrita pode ocorrer e, nesse caso, é usualmente subdividida em disortografia e disgrafia. Vamos explicar cada um! A disortografia refere-se às dificuldades na formulação e codificação da escrita e são processos subjacentes à produção textual e aos erros ortográficos. A leitura de textos é preservada, porém, ocorre prejuízo na capacidade de compor textos e frases, com erros ortográficos e gramaticais, de pontuação e falta de organização de parágrafos. Você Sabia? Trabalhar com atividades lúdicas, incentivar a brincadeira, o jogo e a música auxiliam a criança com transtorno de aprendizagem. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 A disgrafia refere-se à alteração motora no ato de escrever, que afeta a qualidade de escrita da criança. Frequentemente, as crianças apresentam postura caligráfica incorreta, dificuldades de segurar o lápis ou seguram de forma inadequada, as letras são sobrepostas ou ilegíveis, o tamanho das letras é desorganizado, e possuem dificuldade em escrever dentro da linha (com inclinações e falta de orientação espacial). Critérios Diagnósticos Os transtornos de aprendizagem são diagnosticados quando há a presença de ao menos um sintoma persistente a seguir, por no mínimo seis meses. O diagnóstico também é realizado após tentativas de intervenções dirigidas a essa dificuldade. • Leitura de palavras de forma imprecisa ou de forma lenta e com esforço. • Dificuldade para compreender o sentido do que é lido. • Dificuldades para ortografar (escrever ortograficamente correto). • Dificuldades com a expressão escrita (comete erros de gramática, pontuação, não expressa ideias escritas com clareza). • Dificuldades para dominar o senso numérico, fatos numéricos ou cálculo (dificuldade na compreensão de magnitude, quantidade, realiza contas nos dedos, troca operações). • Dificuldades no raciocínio (não compreende conceitos, fatos ou operações matemáticas para solucionar problemas). Saiba Mais Caso queira se aprofundar em disortografia, leia: BARBEIRO, L. Aprendizagem da ortografia princípios, dificuldades e problemas. Porto: Edições Asa, 2007. Importante A maioria dos transtornos de aprendizagem é complexa ou mista, com déficits em mais de um sistema. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 A presença de um dos sintomas descritos precisa interferir no desempenho acadêmico, profissional ou nas atividades de vida diária do indivíduo. Também precisam ser quantificadas por meio de testes de desempenho padronizados. As dificuldades podem se iniciar nos primeiros anos escolares, ou posteriormente. A manifestação da dificuldade irá depender da demanda exigida e do arcabouço cognitivo da criança. O diagnóstico do prejuízo na leitura exige a dificuldade registrada na leitura de palavras, na velocidade ou fluência, e na compreensão da leitura. Já o diagnóstico do prejuízo na expressão escrita é realizado por meio da documentação de dificuldades na precisão ortográfica, na gramática e na pontuação, bem como na clareza e organização escrita. O prejuízo na habilidade matemática é documentado pela dificuldade em senso numérico, na memorização de fatos numéricos, na imprecisão de cálculos e no raciocínio matemático. Você Sabia? A dislexia acomete de 0,5 a 17% da população mundial e está fortemente associada a alterações cromossômicas hereditárias. Importante Os pais possuem um papel importante no incentivo e estímulo das crianças disléxicas. Atividades como caça-palavras, pescaria de letras e palavras-cruzadas são muito aconselháveis! Os níveis de dificuldade precisam ser especificados no diagnóstico do transtorno. No nível leve, a criança apresenta prejuízo em um ou dois domínios acadêmicos, mas permite o uso de estratégias de compensação e adaptações por meio de apoio escolar. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 No nível moderado, a criança apresenta uma dificuldade acentuada em um ou mais domínios acadêmicos. Essas dificuldades tornam improvável a proficiência da criança sem intervenções intensivas e especializadas. Adaptações curriculares e materiais de apoio são necessários na escola. No nível grave, a criança apresenta prejuízo em vários domínios acadêmicos e necessita de intervenções especializadas e individualizadas durante a maior parte da vida escolar. Mesmo com as adaptações curriculares, é possível que a criança não seja capaz de completar as atividades de forma eficiente. Diagnóstico Diferencial e Comorbidades Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados nos transtornos da aprendizagem são: diferenciação de dificuldades de aprendizagem, DI, Problemas sensoriais e TDAH. Vamos especificar cada um! O diagnóstico diferencial nos transtornos de aprendizagem envolve a diferenciação entre dificuldades de aprendizagem, devido a fatores externos, como a falta de oportunidade escolar, a relação professor-aluno, a educação escolar insatisfatória ou a aprendizagem em uma segunda língua e a presençade um transtorno de aprendizagem. Os transtornos da aprendizagem persistem mesmo na ausência de fatores externos. Exemplo: Na dislexia, os sons semelhantes são confundidos (T/D, P/B, F/V), há inversões silábicas ou de letras (sapato/satapo), supressões (branco/banco), espelho (sol/los, bola/alob), repetição (bananana) e divisão inadequada de sílabas (eugos-todomeu- pai). Você Sabia? Crianças e adultos com dislexia possuem maior dificuldade em aprender a olhar as horas em relógios de ponteiros. O ideal é ensinar no relógio digital. Transtornos da Aprendizagem Transtornos da Aprendizagem Capítulo 1 A deficiência intelectual é um diagnóstico diferencial e precisa ser investigado por meio de avaliação neuropsicológica, uma vez que uma criança com DI irá apresentar dificuldades de aprendizagem. Nos transtornos de aprendizagem, o escore de Quociente de Inteligência da criança é classificado mediano, ou seja, dentro da normalidade. Diferente do diagnóstico de DI. Problemas sensoriais também precisam ser investigados para o correto diagnóstico nos transtornos de aprendizagem. Crianças com dificuldades neurosensoriais (por exemplo, lesão cerebral e deficiência auditiva ou visual) apresentam a dificuldade de aprendizagem decorrente nos achados neurológicos sensoriais. Outros transtornos do neurodesenvolvimento precisam ser investigados como TDAH. A comorbidade entre os dois transtornos é alta e o critério diagnóstico precisa ser preenchido corretamente para ambos os casos. Resumindo E então? Vamos revisar e ter certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo? Você deve ter aprendido que os transtornos de aprendizagem são complexos e envolvem inúmeros fatores e funções cerebrais. Os transtornos de aprendizagem são subdivididos em: transtorno de leitura, transtorno da matemática e transtorno da expressão escrita. Esses três transtornos devem ter seu início no período do desenvolvimento e não podem ser melhor explicados por outras alterações neurológicas ou sensoriais. O transtorno da leitura é também conhecido como dislexia e apresenta alterações no acesso à rota fonológica e/ou léxica. O transtorno da matemática envolve inúmeras dificuldades em conceitos numéricos. E o transtorno da expressão escrita é conhecido por disgrafia, que se caracteriza pela dificuldade na expressão motora da escrita; ou disortografia que é caracterizada pela dificuldade em escrever ortograficamente correto. Os principais diagnósticos diferenciais dos transtornos de aprendizagem são: diferenciação de dificuldades de aprendizagem, deficiência intelectual, problemas sensoriais e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. @faculdadelibano_ 2 Transtornos Motores Transtornos da Aprendizagem Capítulo 2 Transtornos Motores Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender e identificar os aspectos diagnósticos e as características dos transtornos motores. Essa competência é fundamental para a realização de diagnósticos diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar?! Os transtornos motores são um conjunto de transtornos definidos pelo prejuízo na habilidade motora. Nesta unidade, iremos subdividi-los em: transtorno do desenvolvimento da coordenação e transtorno do movimento estereotipado. Embora o transtorno do tique seja um transtorno motor, por motivos didáticos iremos apresentá- lo separadamente em outro capítulo. Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação Desenvolvimento O início transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC) ocorre na primeira infância e pode perdurar até a adolescência. Os atrasos nos marcos do desenvolvimento motor geralmente são o primeiro sinal, mas o transtorno pode ser identificado somente quando a criança apresenta dificuldades na realização de tarefas diárias, como segurar o garfo, amarrar os sapatos, colocar uma blusa. Na segunda e terceira infância, a criança pode apresentar dificuldades em escrever à mão, jogar bola, montar quebra-cabeças e realizar tarefas que exijam sequenciação, como organizar seus materiais escolares. Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2 Na vida adulta, o prejuízo motor pode acarretar dificuldades na aquisição de tarefas automáticas como dirigir ou usar ferramentas. E também alterar a velocidade de movimentos como da escrita. Isso pode acarretar lentidão nas tarefas simples como escrever à mão. Características O transtorno do desenvolvimento da coordenação é caracterizado pelo prejuízo nas habilidades de coordenação motora grossa ou fina e pode ser conhecido ou nomeado como dispraxia da infância, transtorno do desenvolvimento específico da função motora e síndrome da criança desajeitada. As crianças com TDC podem apresentar atrasos no desenvolvimento motor, como engatinhar, sentar, andar; ou podem apresentar o desenvolvimento neuropsicomotor típico, mas ter a execução de movimentos de forma lenta, estranha ou menos precisa. As crianças apresentam dificuldades em subir escadas, pedalar, abotoar camisas, usar zíper e fechos. Você Sabia? O transtorno do desenvolvimento da coordenação acomete de 5% a 6% das crianças em idade escolar e tende a ocorrer mais frequentemente em meninos. Você Sabia? Os sinais associados ao TDC são desajeitamento e inconsistência no desempenho de tarefas, coordenação motora pobre, problemas de ritmo, declínio do desempenho com a repetição, tensão corporal e excesso de atividade muscular na execução de tarefas motoras. Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2 O transtorno é diagnosticado apenas se o prejuízo nas habilidades motoras interferir no desempenho e nas atividades diárias, escolares, profissionais ou sociais. Além disso, é necessária a realização de exame físico, relatórios escolares e avaliação multiprofissional com testes padronizados. O início dos sintomas ocorre tipicamente no período do desenvolvimento. Entretanto, o diagnóstico antes dos cinco anos de idade é instável, pois a criança pode apresentar variação na aquisição das habilidades motoras ou as causas do atraso no desenvolvimento motor não estarem totalmente manifestadas. As características específicas do transtorno estão vinculadas a um processo que requer maior grau de coordenação e interação entre os segmentos corporais. Em vista dessas dificuldades, a necessidade de intervenção precoce no processo de ensino- aprendizagem pode evitar problemas futuros como dificuldades escolares e baixa autoestima devido à exclusão que essas crianças podem sofrer. A avaliação para a identificação dos sintomas do transtorno do desenvolvimento da coordenação não é normatizada, ou seja, não existe um protocolo específico a ser seguido. Vários testes motores têm sido utilizados para a identificação do TDC, mas têm aplicação restrita no Brasil, devido à ausência de normas para a criança brasileira. Dessa forma, mais pesquisas precisam ser realizadas, a fim de padronizar testes psicomotores para a população brasileira. Nota A criança com transtorno do desenvolvimento da coordenação tem dificuldade para aprender novas habilidades motoras. Importante A criança com transtorno do desenvolvimento da coordenação pode ter mais dificuldade com atividades que requeiram mudança constante na posição corporal, ou quando ela tem de se adaptar a mudanças ao seu redor, como em jogos coletivos. Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2 Critérios Diagnósticos O diagnóstico do transtorno do desenvolvimento da coordenação envolve os seguintes critérios: • A aquisição e execução de habilidades motoras coordenadas estão substancialmente abaixo do esperado, considerando-se a idade cronológica do indivíduo e a oportunidade de aprender e usar a habilidade. As dificuldades manifestam-se pela falta de jeito, de lentidãoou de imprecisão. • Os déficits interferem significativamente nas atividades cotidianas, causando impacto no desempenho escolar, profissional e no lazer. • O início se dá no período do desenvolvimento. • Os déficits nas habilidades motoras não são mais bem explicados por deficiência intelectual ou por deficiência visual, e não são atribuíveis a alguma condição neurológica que afete os movimentos (paralisia cerebral, distrofia muscular, doença degenerativa). Diagnóstico Diferencial e Comorbidades Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno do desenvolvimento da coordenação são: verificação de prejuízos motores devido a outras condições médicas, deficiência intelectual, TDAH, TEA e síndrome de hipermobilidade articular. Vamos especificar cada um! Os problemas de coordenação motora podem estar associados a diversas condições neurológicas, sensoriais e neuromusculares, como paralisia cerebral, lesões do cerebelo e deficiência visual. Você Sabia? A criança com TDC pode ter dificuldades na organização de sua carteira, sua mesa, seu armário, dever de casa ou mesmo do espaço na página. Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2 No caso de diagnóstico de DI, as competências motoras podem estar prejudicadas, porém, se as dificuldades motoras exacerbarem o esperado na DI e as características se enquadrarem nos critérios de transtorno do desenvolvimento da coordenação, então pode ser estabelecida uma comorbidade. As crianças com TDAH podem apresentar comportamentos “estabanados” e sofrer diversas quedas, esbarrar em objetos ou deixá- los cair no chão com frequência. É preciso uma observação atenta para identificar a falta de habilidade motora por conta da distração e impulsividade típicas do TDAH. Se não ocorrer, um diagnóstico comórbido pode ser realizado. No TEA é comum que as crianças não apresentem interesse por atividades motoras complexas, e esse desinteresse pode influenciar as atividades e as habilidades motoras. Entretanto, não é um reflexo da competência motora central. A comorbidade entre TEA e o transtorno do desenvolvimento da coordenação é comum. As crianças com síndrome da hipermobilidade articular apresentam, frequentemente, hiperextensão das articulações e podem apresentar os sintomas similares ao transtorno do desenvolvimento da coordenação. Nota A criança com transtorno do desenvolvimento da coordenação é comumente rotulada de desengonçada, atrapalhada ou desajeitada. Saiba Mais Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o artigo Crianças com dificuldades motoras: questões para a conceituação do Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação, acessando o link: https://bit. ly/33w1xfl Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 2 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os transtornos motores apresentam diversas facetas e, neste capítulo, você viu o transtorno do desenvolvimento da coordenação. O transtorno do desenvolvimento da coordenação é caracterizado pela dificuldade na aquisição e na execução de movimentos coordenados. Essa dificuldade causa prejuízos sociais, escolares e profissionais no indivíduo. Os principais diagnósticos diferenciais do transtorno do desenvolvimento da coordenação são: verificação de prejuízos motores devido a outras condições médicas, deficiência intelectual, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, transtorno do espectro autista e síndrome de hipermobilidade articular. @faculdadelibano_ 3 Transtornos Motores Transtornos da Aprendizagem Capítulo 3 Transtornos Motores Objetivos Nesta unidade você aprenderá o que é o transtorno do movimento, suas características e critérios diagnósticos, entre outros pontos correlatos. E então? Vamos lá? Transtorno do Movimento Estereotipado Desenvolvimento A presença de movimentos estereotipados simples é comum na infância, especialmente nos primeiros anos de vida, e pode estar associada à aquisição do domínio motor. Em geral, as crianças que apresentam desenvolvimento neuropsicomotor típico não carregam os movimentos estereotipados no decorrer do desenvolvimento; já as estereotipias complexas podem se iniciar tardiamente. Características O transtorno do movimento estereotipado é caracterizado basicamente pela presença de um comportamento motor repetitivo, direcionado e sem propósito claro. Os movimentos mais comuns são os ritmados da cabeça, das mãos ou do corpo. Em crianças com o neurodesenvolvimento típico, os movimentos repetitivos podem ser interrompidos ao direcionar a atenção da criança ou distraí-la; as crianças também podem apresentar tentativas de contenção, como sentar sobre as mãos ou enrolar as mãos nas roupas. Já Você Sabia? Estereotipia origina-se de dois vocábulos gregos (steros=sólido ou firme e typos= molde ou modelo). Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 3 em crianças com o transtorno do movimento estereotipado esses comportamentos de contenção ou de distração são difíceis de serem respondidos. Os comportamentos repetitivos mais comuns são: balançar o corpo, fazer movimentos de abano, rotação das mãos, agitar ou tremular os dedos, sacudir ou abanar os braços, e acenar com a cabeça. Algumas crianças podem apresentar comportamentos autolesivos como bater a cabeça, dar tapas no rosto, cutucar os olhos e morder. A frequência das ocorrências dos comportamentos repetitivos pode depender e variar muito de criança para criança, com intervalos de semanas ou várias ocorrências durante um dia. E o comportamento pode ocorrer em diversos contextos (quando alegre, ansiosa, triste). É importante ressaltar que o critério diagnóstico exige que os movimentos não tenham propósito. Entretanto, é comum as crianças apresentarem os comportamentos como forma de reduzir a ansiedade em resposta a eventos estressores. Nota O tratamento farmacológico e psicoterapêutico se faz necessário em muitas ocasiões como consequência das repercussões dos movimentos estereotipados na saúde da criança. Nota Os movimentos estereotipados mais comuns podem ser: acenos com as mãos, balançar o corpo, brincar com as mãos, bulir com os dedos, rodopiar objetos, bater a cabeça, morder-se ou golpear partes do próprio corpo. Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 3 Critérios Diagnósticos O diagnóstico do transtorno do movimento estereotipado envolve os seguintes critérios: • Comportamento motor repetitivo, aparentemente direcionado e sem propósito. • O comportamento motor repetitivo interfere em atividades sociais, acadêmicas ou outras, podendo resultar em autolesão. • O início se dá precocemente no período do desenvolvimento. • O comportamento motor repetitivo não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou à condição neurológica. O diagnóstico deve especificar se o comportamento repetitivo é autolesivo ou não. Nota A criança eventualmente tenta conter o comportamento estereotipado mantendo as mãos dentro da camisa, na calça ou nos bolsos. Diagnóstico Diferencial e Comorbidades Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno do movimento estereotipado são: o próprio desenvolvimento típico, TEA, transtorno de tique, transtorno obsessivo-compulsivo, e outras condições neurológicas. Vamos especificar cada um! No desenvolvimento típico, é comum que as crianças apresentem movimentos estereotipados simples que desaparecem no decorrer da idade. As estereotipias mais complexas são menos comuns no desenvolvimento normal e podem ser facilmente suprimidas com distratores. Nesses casos, movimentos estereotipados não interferem nas atividades de vida diária da criança. Dessa forma, o diagnóstico de transtorno domovimento estereotipado não seria adequado. Os movimentos estereotipados são uma condição diagnóstica do TEA. No entanto, as crianças com transtorno do movimento estereotipado não apresentam prejuízo em comunicação social, como no TEA. Transtornos da Aprendizagem Transtornos Motores Capítulo 3 As estereotipias se iniciam precocemente (antes dos 3 anos de idade), e os tiques apresentam início tardio, em média aos 5 a 7 anos. Os movimentos estereotipados são mais consistentes, fixos, rítmicos e prolongados comparados aos tiques, que são variáveis, breves e aleatórios. As estereotipias podem envolver movimentos de braço, mão, cabeça ou corpo, já os tiques são comumente vistos nos olhos, cabeça e ombros. Ambos podem ser reduzidos com distração. No transtorno obsessivo-compulsivo, a criança se sente motivada a realizar um comportamento repetitivo pela obsessão ou pelas regras rígidas; já no movimento estereotipado os comportamentos não apresentam motivação ou propósito. Outras condições neurológicas e médicas podem apresentar movimentos estereotipados e exigem a exclusão diagnóstica, como discinesias, coreia (Huntington), distonia e mioclonia. Importante Os movimentos estereotipados podem causar danos permanentes e incapacitantes que ameaçam a vida do indivíduo por meio de autolesões. Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os transtornos motores apresentam diversas facetas e, neste capítulo, você viu o transtorno do movimento estereotipado. O transtorno do movimento estereotipado envolve a presença de comportamento motor repetitivo, aparentemente direcionado e sem propósito que interfere na vida social, escolar ou profissional do indivíduo. Os principais diagnósticos diferenciais do transtorno do movimento estereotipado são: o próprio desenvolvimento típico, transtorno do espectro autista, transtorno de tique, transtorno obsessivo-compulsivo, e outras condições neurológicas. @faculdadelibano_ 4 Transtornos de Tique Transtornos da Aprendizagem Capítulo 4 Transtornos de Tique Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender e identificar os aspectos diagnósticos e as características dos transtornos de tique. Essa competência é fundamental para a realização de diagnósticos diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar?! Os transtornos do tique podem se manifestar de diversas formas, como transtorno de Tourette, transtorno de tique motor ou vocal persistente e transtorno de tique transitório. Iremos abordar as diferenças entre eles nos critérios diagnósticos. Desenvolvimento Os tiques iniciam-se precocemente, entre 4 e 6 anos, desenvolvem com um pico de gravidade entre 10 e 12 anos e diminuem na adolescência. Os adultos podem apresentar um declínio significativo na presença dos sintomas. Os tiques se manifestam de forma similar em todas as faixas etárias, são instáveis, variados e alteram os grupos musculares afetados. A partir do desenvolvimento de consciência do tique, a criança pode relatar que há um senso premonitório, uma sensação que antecede o tique, e uma sensação de redução da tensão após o tique. Você Sabia? Os tiques variam em gravidade, frequência e intensidade! Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4 Características O tique é um movimento repentino, rápido, recorrente e não ritmado de caráter motor ou vocal. Os tiques podem ter características e intensidades diferentes, podem ser simples ou complexos. Os tiques motores simples possuem durações rápidas, de milissegundos, e são caracterizados como piscar os olhos, encolher os ombros, estender as extremidades do corpo. Os tiques vocálicos simples são usualmente vistos como limpar a garganta, fungar, produzir sons, e são causados pela contração do diafragma ou dos músculos orofaríngeos. Os tiques motores complexos duram mais tempo (segundos) e podem incluir a combinação de tiques simples. Os tiques vocais complexos incluem a repetição de sons e de palavras, ou a repetição da última palavra ou frase ouvida. Os tiques motores e vocais complexos podem parecer ter uma finalidade, como um gesto obsceno ou uma imitação de gestos de outra pessoa. E podem envolver a verbalização de palavras socialmente inaceitáveis. Os tiques podem se apresentar de forma variada em um mesmo indivíduo, mas os sintomas de piscar os olhos e de limpar a garganta são frequentemente vistos na população. Todos os sintomas são involuntários, mas podem ser voluntariamente suprimidos. Os transtornos do tique envolvem quatro categorias diagnósticas: transtorno de Tourette, transtorno de tique motor ou vocal persistente, transtorno de tique transitório, outro transtorno de tique especificado e transtorno de tique não especificado. Importante A síndrome de Tourette, o tipo mais grave de tique, ocorre na proporção de 3 a 8 para cada mil crianças. Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4 Todos as categorias baseiam-se na presença de tiques, na duração, no início e na ausência de outra causa. O transtorno de Tourette é um distúrbio genético, de natureza neuropsiquiátrica, caracterizado por fenômenos compulsivos, que, muitas vezes, resultam em uma série repentina de múltiplos tiques motores e um ou mais tiques vocais, durante pelo menos um ano. Os tiques podem ser classificados como motores e vocais, subdividindo-se, ainda, em simples e complexos. Os tiques são exacerbados em situações de ansiedade e tensão emocional; atenuados pelo repouso e por situações que exigem concentração. Podem ser suprimidos pela vontade (por segundos ou horas), logo seguidos por exacerbações secundárias. Manifestações como: ecolalia, ecopraxia, coprolalia e copropraxia estão presentes em indivíduos com Tourette. No caso do transtorno de tique motor ou vocal persistente, é necessária somente a presença de um tipo de tique, motor ou vocal. Ocorre tanto na infância como na idade adulta, dura mais de um ano e não flutuam de intensidade. E no transtorno de tique transitório podem estar presentes tiques motores e/ou vocais por um tempo mínimo de um ano, são flutuantes em intensidade, mas podem desaparecer ou evoluir para os outros transtornos. Aproximadamente 24% das crianças apresentarão tique por 1 mês no período escolar. No transtorno de tique especificado ou não especificado, os sintomas são caracterizados como tique, mas são atípicos no período do desenvolvimento ou possuem etiologia conhecida. Todos os tiques precisam apresentar um período de permanência de ao menos um ano. Isso porque os tiques variam de frequência e de intensidade, e um indivíduo pode passar semanas ou meses sem a presença de sintomas. Nota O tratamento para os tiques envolve psicoterapia e o tratamento farmacológico, quando necessário. Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4 Os tiques geralmente iniciam-se em idade precoce (4 a 6 anos) e a frequência diminui com o decorrer da idade. O surgimento de sintomas na idade adulta é raro e está associado ao uso de substância psicoativas ou lesões cerebrais. O diagnóstico de um transtorno de tique impede o diagnóstico de outro. Dessa forma, uma criança com Tourette não poderá ser diagnosticada com tique motor ou vocal persistente. Critérios Diagnósticos O diagnóstico do transtorno do tique envolve critérios diferentes de acordo com sua apresentação, mas todos ocorrem no período do desenvolvimento e não são atribuíveis aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica. Transtorno de Tourette • Presença de múltiplos tiques motores e um ou mais tiques vocais em algum momento durante o quadro, embora não necessariamente ao mesmo tempo. • Os tiques podem aumentar e diminuir em frequência,mas persistem por mais de um ano desde o início do primeiro tique. Importante Os tiques pioram com ansiedade, excitação e exaustão, e melhoram durante atividades calmas e focadas. Você Sabia? Os tiques acometem mais o sexo masculino do que o feminino, embora não existam diferenças de gênero em relação ao tipo de tique, de idade do início ou curso. Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4 Transtorno de Tique Motor ou Vocal Persistente (Crônico) • Tiques motores ou vocais únicos ou múltiplos estão presentes durante o quadro, embora não ambos. • Os tiques podem aumentar e diminuir em frequência, mas persistem por mais de um ano desde o início do primeiro tique. Jamais foram preenchidos critérios para transtorno de Tourette. Nesse quadro, é necessário especificar se o tique é motor ou vocal. Transtorno de Tique Transitório • Presença de tiques motores e/ou vocais, únicos ou múltiplos; • Os tiques estiveram presentes por pelo menos um ano desde o início do primeiro tique. (Jamais foram preenchidos critérios para transtorno de Tourette ou transtorno de tique motor ou vocal persistente). Importante O transtorno de Tourette é erroneamente conhecido pelos xingamentos involuntários, entretanto os indivíduos não ficam gritando palavrões o tempo todo. Importante O manejo dos tiques em sala de aula é extremamente importante para o andamento das atividades em sala e bem-estar da criança. É recomendado que os professores não parem as atividades por conta dos tiques. Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4 Transtorno de Tique Não Especificado Os tiques causam sofrimento e interferem no funcionamento social, escolar ou profissional do indivíduo, mas não satisfaz todos os critérios para um transtorno de tique. Diagnóstico Diferencial e Comorbidades Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados nos transtornos de tique são: movimentos estereotipados, discinesia paroxísticas ou induzidas por substâncias, TOC, mioclonia, distonia e coreia. Vamos especificar cada um! As discinesias paroxísticas são um grupo de raras desordens caracterizadas por movimentos involuntários, unilaterais ou bilaterais, distônicos, do tipo coreico, balístico ou misto. A mioclonia é caracterizada por um movimento unidirecional repentino não ritmado. Pode ocorrer durante o sono e piorar devido ao movimento. Difere dos tiques pela rapidez, pela impossibilidade de supressão e pela ausência de sensação premonitória. Os movimentos estereotipados do TOC incluem a necessidade de realizar uma ação de modo particular e o impulso de ter de realizar essa ação. Os comportamentos direcionados à realização de uma ação associada à falta de controle de impulso estão mais relacionados ao TOC do que aos tiques. No transtorno do movimento estereotipado, as ações são involuntárias, ritmadas, repetitivas, previsíveis e param diante de um distrator. Ao contrário dos tiques que Você Sabia? Entre 80 e 90% dos pacientes com Tourette apresentam pelo menos uma comorbidade neuropsiquiátrica, entre as mais comuns estão TDAH, TOC e transtornos de aprendizagem. Transtornos da Aprendizagem Transtornos de Tique Capítulo 4 são constantes, com duração prolongada, não apresenta sensação premonitória e interrupção com distratores. Na coreia os movimentos são rápidos, aleatórios, repentinos, imprevisíveis, não estereotipados e afetam todo o corpo. Os movimentos, a direção e a distribuição variam em cada momento. As distonias caracterizam-se pela contratura sustentada e simultânea de músculos agonistas e antagonistas que resultam em movimentos corporais distorcidos e são desencadeados por movimentos voluntários. Resumindo Agora que você aprendeu sobre a importância da anamnese infantil vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o transtorno de tique é caracterizado pela presença de movimentos repentinos, rápidos, recorrentes e não ritmados de caráter motor ou vocal. Os transtornos do tique podem ser subclassificados em transtorno de Tourette, transtorno de tique motor ou vocal persistente, transtorno de tique transitórios e transtorno de tique não especificado. O transtorno mais grave é o de Tourette que acomete as duas formas de tiques (motor e vocal), seguidos pelo transtorno de tique motor ou vocal persistente que acomete uma forma ou outra de tique; e o transtorno de tique transitório que, como o próprio nome diz, é transitório e acomete um ou mais tipos de tique. Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no tique são: movimentos estereotipados, discinesia paroxísticas ou induzidas por substâncias, TOC, mioclonia, distonia e coreia. Transtornos da Aprendizagem Referências APA. Manual diagnóstico e estatístico de transtorno DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014. BODER, E. Developmental dyslexia: a diagnostic approach baseado on three typical Reading-spelling paterns. Dev Med Child Neurol. 1973;15 (5):663-87. COLTHEART, M. Deep dyslexia is right-hemisphere reading. Brain Lang. 2000; 71:299-309. DANTAS, L. E.B.P.T.; MANOEL, E. J. Crianças com dificuldades motoras: questões para a conceituação do transtorno do desenvolvimento da coordenação. Movimento. Porto Alegre, v. 15, n. 03, p. 293-313, julho/ setembro de 2009. OLIVEIRA, R. M. A Importância de analisar as dificuldades de aprendizagem no contexto escolar – dislexia, disgrafia, disortográfica, discalculia e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, ano 02, ed. 01, Vol. 16. pp. 492-521, Março de 2017.