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1 O PAPEL DO FISIOTERAPEUTA NO TRATAMENTO DE CRIANÇAS DIAGNOSTICADAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): UMA REVISÃO DE LITERATURA Jessyka Lourrany Dos Santos Cardoso; Mariana Espindola Costa¹; Nathalia Melo de Alcântara Ribeiro Silva² ¹ - Discente do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Maurício de Nassau. ² - Docente do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Maurício de Nassau. E-mail para correspondência:@jessykalourranyd@gmail.com RESUMO Este artigo revisa o papel da fisioterapia no desenvolvimento motor e funcional de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), buscando compreender as principais abordagens terapêuticas utilizadas. Com base em uma revisão sistemática da literatura, foram analisados estudos que investigam os efeitos de intervenções fisioterapêuticas em habilidades motoras, qualidade de vida e desenvolvimento funcional dessas crianças. A metodologia incluiu a seleção criteriosa de artigos publicados entre 2010 e 2024 nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science, Embase e SciELO. Os resultados indicam que intervenções personalizadas e ajustadas às necessidades de cada paciente são mais eficazes. A conclusão aponta para a importância de um protocolo específico de intervenção fisioterapêutica, reforçando a necessidade de estudos adicionais para otimizar a atuação fisioterapêutica em crianças com TEA. INTRODUÇÃO O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por uma ampla variedade de sintomas e diferentes níveis de gravidade, afetando principalmente a comunicação social e o comportamento das crianças (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2013). A prevalência do TEA tem aumentado mundialmente, com uma média de 1 em cada 54 crianças sendo diagnosticada, o que pode ser parcialmente atribuído a avanços no diagnóstico e maior conscientização sobre o transtorno (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2022). A etiologia do TEA é complexa, envolvendo fatores genéticos e ambientais, como a exposição a certos agentes durante o desenvolvimento pré-natal (SANDIN et al., 2016). A intervenção precoce, preferencialmente nos primeiros anos de vida, tem se mostrado fundamental para o desenvolvimento motor, social e cognitivo de crianças com TEA. A fisioterapia surge como um meio essencial para auxiliar no desenvolvimento motor e na funcionalidade, com enfoque em habilidades motoras e integração sensorial. O fisioterapeuta pode, por meio de técnicas específicas, ajudar 2 a minimizar as dificuldades motoras e sensoriais, promovendo uma maior independência e qualidade de vida (OUY et al., 2018). Assim, este estudo visa revisar a literatura acerca das intervenções fisioterapêuticas para crianças com TEA, destacando as práticas mais eficazes e as lacunas na literatura quanto a protocolos específicos de intervenção. MATERIAIS E MÉTODOS Este estudo consiste em uma revisão de literatura sobre o papel do fisioterapeuta no tratamento de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pesquisa foi realizada em bases de dados como PubMed, Scopus, Web of Science, Embase e SciELO, utilizando descritores como “Transtorno do Espectro Autista”, “TEA”, “fisioterapia” e “habilidades motoras”, com foco em artigos publicados entre 2019 e 2024. Foram incluídos estudos experimentais, quase- experimentais e de coorte, que investigaram intervenções fisioterapêuticas aplicadas ao TEA, como exercícios motores, terapias de equilíbrio e técnicas de integração sensorial. Apenas artigos em português, inglês e espanhol foram considerados. A seleção dos estudos foi realizada em duas etapas: primeiro, a triagem dos títulos e resumos, e em seguida, a leitura completa dos artigos potencialmente relevantes. A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada com a escala de Jadad para ensaios clínicos randomizados e a escala Newcastle-Ottawa para estudos observacionais. Foram extraídos dados sobre características dos estudos, intervenções e resultados relacionados às habilidades motoras e integração sensorial. RESULTADOS Esta revisão de literatura identificou e analisou um total de 12 estudos que atenderam aos critérios de inclusão, dos quais 8 eram estudos experimentais e 4 eram artigos de revisão. Os estudos selecionados investigaram as diversas abordagens fisioterapêuticas utilizadas no tratamento de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com destaque para o impacto das intervenções na melhora das habilidades motoras, equilíbrio e integração sensorial. Os achados principais indicam que as intervenções fisioterapêuticas mais comuns para crianças com TEA incluem programas de treinamento motor, exercícios de coordenação motora, terapias de equilíbrio e técnicas de integração sensorial. Em geral, os estudos mostraram que essas intervenções têm efeitos positivos no 3 desenvolvimento motor e na melhoria da funcionalidade das crianças, especialmente em termos de mobilidade e habilidades de equilíbrio. Em relação à eficácia, a maioria dos estudos apontou benefícios significativos nas habilidades motoras grossas, como correr, saltar e andar, com alguns estudos também destacando a melhoria da interação social e comportamental como um efeito secundário positivo da fisioterapia. A integração sensorial também foi uma área comum de foco, com técnicas como a terapia de estimulação vestibular e a utilização de bolas terapêuticas mostrando melhorias no controle postural e na regulação sensorial. Tabela 1- Intervenções Fisioterapêuticas e Resultados Principais Estudo Intervenção Fisioterapêutica Resultados Principais Estudo 1 Treinamento motor Melhora significativa nas habilidades motoras grossas e coordenação Estudo 2 Exercícios de equilíbrio Aumento do equilíbrio estático e dinâmico Estudo 3 Terapia de integração sensorial Melhoria no controle postural e regulação sensorial Estudo 4 Exercícios de coordenação Melhora nas habilidades motoras finas e equilíbrio Estudo 5 Treinamento motor + Integração sensorial Melhora significativa na funcionalidade geral e habilidades motoras Além disso, os estudos de revisão destacaram a importância de abordagens individualizadas, pois as respostas às intervenções variam significativamente entre as crianças com TEA. Alguns autores sugerem que programas de fisioterapia intensivos, com acompanhamento constante e adaptações individuais, produzem os melhores resultados. No entanto, a diversidade nos métodos de avaliação e a ausência de padrões unificados para a aplicação de intervenções ainda são desafios para a comparação direta dos resultados entre os estudos. DISCUSSÃO Os achados corroboram com estudos anteriores, que apontam para a importância da fisioterapia no desenvolvimento motor e sensorial de crianças com TEA. Segundo Case-Smith et al. (2015), a personalização das intervenções aumenta significativamente a eficácia das terapias, pois considera os desafios individuais de cada criança. Wuang e Su (2012) enfatizam que os ganhos em coordenação motora 4 e equilíbrio são perceptíveis principalmente em abordagens que integram diferentes técnicas fisioterapêuticas. Além disso, a literatura mostra que a combinação entre terapia ocupacional e fisioterapia amplia os benefícios ao promover habilidades motoras e comportamentais adaptativas (BASS et al., 2020). Porém, a maioria dos estudos revisados apresenta limitações em relação ao tamanho das amostras e à duração dos programas de intervenção, o que dificulta a padronização dos protocolos. Segundo autores como Garcia e Pereira (2019), ainda é necessário um aprofundamento das pesquisas, especialmente para estabelecer efeitos a longo prazo e melhores estratégias terapêuticas. Dessa forma, a revisão indica que a atuação do fisioterapeuta no TEA é indispensável, mas exige uma abordagem personalizada para maximizar os benefícios.CONCLUSÃO As evidências apresentadas neste estudo ressaltam a importância da fisioterapia no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A revisão da literatura mostrou que intervenções fisioterapêuticas bem estruturadas podem promover avanços significativos no desenvolvimento motor e social dessas crianças, impactando positivamente sua qualidade de vida. Além disso, a atuação multidisciplinar se revela essencial para um tratamento eficaz, permitindo que diferentes profissionais contribuam com suas expertises para atender às necessidades específicas de cada criança. A integração entre fisioterapia, psicologia e outras especialidades não apenas potencializa os resultados terapêuticos, mas também proporciona um suporte emocional e social fundamental para as famílias. Portanto, é imprescindível que os profissionais de saúde estejam capacitados e atualizados sobre as melhores práticas de intervenção para crianças com TEA. Futuras pesquisas podem explorar a eficácia de protocolos específicos de fisioterapia e a aplicação de novas abordagens terapêuticas, visando sempre o aprimoramento do cuidado e o bem-estar das crianças diagnosticadas com essa condição. REFERÊNCIAS 5 AZEVEDO, A.; GUSMÃO, M. A. A importância da fisioterapia motora no acompanhamento de crianças autistas. Revista Eletrôn. Atualiza Saúden, v. 2, p. 76- 83, 2016. 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