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DADOS	DE	ODINRIGHT
Sobre	a	obra:
A	presente	obra	é	disponibilizada	pela	equipe	eLivros	e	seus	diversos
parceiros,	com	o	objetivo	de	oferecer	conteúdo	para	uso	parcial	em
pesquisas	e	estudos	acadêmicos,	bem	como	o	simples	teste	da
qualidade	da	obra,	com	o	fim	exclusivo	de	compra	futura.
É	expressamente	proibida	e	totalmente	repudíavel	a	venda,	aluguel,	ou
quaisquer	uso	comercial	do	presente	conteúdo.
Sobre	nós:
O	eLivros	e	seus	parceiros	disponibilizam	conteúdo	de	dominio	publico
e	propriedade	intelectual	de	forma	totalmente	gratuita,	por	acreditar	que
o	conhecimento	e	a	educação	devem	ser	acessíveis	e	livres	a	toda	e
qualquer	pessoa.	Você	pode	encontrar	mais	obras	em	nosso	site:
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Ou	ainda	podendo	ajudar	financeiramente	a	pagar	custo	de	servidores	e
obras	que	compramos	para	postar,	faça	uma	doação	aqui	:)
"Quando	o	mundo	estiver	unido	na	busca	do	conhecimento,	e	não
mais	lutando	por	dinheiro	e	poder,	então	nossa	sociedade	poderá
enfim	evoluir	a	um	novo	nível."
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Converted	by	ePubtoPDF
https://epubtopdf.info
Como	fazer	um	livro	que	trata	de	tudo	-	da	formação	dos	filhos	ao	cântico	dos
hinos,	da	pregação	aos	conflitos	políticos	-	e	conseguir	que	isso	transborde	do
glorioso	evangelho?	Nichols	teve	êxito	nisso.	Alerta:	as	pessoas	se	esquecem
de	como	o	evangelho	realmente	transforma	vidas	e,	depois,	assustam-se	quando
se	lembram	disso	ao	lerem	Lutero.
-	D.	Clair	Davis,	professor	emérito	de	História	da	Igreja,	Seminário	Teológico
de	Westminster,	Filadélfia
Maravilhosa	e	interessante	combinação	de	biografia,	história	e	teologia.	Se	você
não	sentir	o	pulsar	da	Reforma	nestas	páginas,	por	favor,	verifique	sua	pressão
arterial!
-	Sinclair	Ferguson,	autor,	O	Espírito	Santo
Este	atraente	volume	de	Stephen	Nichols	merece	ser	lido	na	íntegra.	Como
franco	admirador	de	Lutero,	espero	que	seja	assim.
-	J.	I.	Packer,	professor	de	Teologia,	Regent	College
Nichols	tem	o	dom	de	tornar	simples	um	assunto	complexo,	sem	ser	simplista.
-	Michael	A.	Rogers,	pastor,	Igreja	Presbiteriana	de	Westminster,	Lancaster,
Pensilvânia
No	momento	em	que	celebramos	o	aniversário	de	500	anos	da	Reforma,
devemos	não	apenas	apreciar	o	modo	profundo	como	Deus	usou	Martinho
Lutero,	como	também	aprender	com	ele.	O	Dr.	Nichols	nos	dá	uma	visão	de
primeira	linha	da	vida	de	Lutero.	Assim,	ao	observarmos	esta	obra,	que
tenhamos	a	mesma	ousadia	e	o	mesmo	compromisso	em	relação	a	toda	a	vida	no
evangelho.
-	R.	C.	Sproul,	fundador,	Ministério	Ligonier
É	raro	encontrarmos	a	rica	combinação	de	precisão	teológica	e	paixão	histórica
escrita	de	uma	forma	tão	acessível	quanto	temos	aqui	no	tratamento	agradável	do
Dr.	Nichols	a	respeito	de	Martinho	Lutero.	Trata-se	de	uma	maravilhosa
introdução.
-	Derek	W.	H.	Thomas,	professor	de	Teologia	Sistemática	e	Pastoral,	Seminário
Teológico	Reformado,	Atlanta
Aqueles	que	nada	sabem	sobre	Lutero	serão	beneficiados	por	esta	introdução	tão
fácil	de	se	ler,	enquanto	os	que	o	conhecem	melhor	testemunharão	o	entusiasmo
contagiante	de	Nichols.
-	Carl	B.	Trueman,	professor	de	História	da	Igreja,	Seminário	Teológico	de
Westminster,	Filadélfia
STEPHEN	J.	NICHOLS
FIEL
Edito	ra
A
A	vida,	o	pensamento	e	o	legado	de	Martin	ho	Lutero
das	98
teses
N622a	Nichols,	Stephen	J
Além	das	noventa	e	cinco	teses	:	a	vida,	o	pensamento	e	o	legado	de	Martinho	Lutero	/	Stephen	J
Nichols	;
[tradução:	Elizabeth	Gomes].	-	São	José	dos	Campos,	SP:	Fiel,	2017.
299	p.
Tradução	de:	Beyond	the	ninety-five	theses	:	Martin	Luther's	life,	thought,	and	lasting...
Bibliografia:	p.	[295]-299.
ISBN	9788581324166
1	Lutero,	Martinho,	1483-1546.	2.	Reformadores-Alemanha	-	Biografia	3	Biografia	cristã	-	Alemanha
I.	Titulo.
CDD:	922.4
Catalogação	na	publicação:	Mariana	C.	de	Melo	Pedrosa	-	CRB07/6477
Além	das	9S	teses;	a	vida,	o	pensamento Todos	os	direitos	em	língua
e	o	legado	de	Martinho	Lutero portuguesa	reservados	por	Editora	Fiel
Traduzido	do	original	em	inglês
da	Missão	Evangélica	Literária
PROIBIDA	A	REPRODUÇÃO	DESTE	LIVRO	POR	QUAISQUER
Beyond	The	9	5	Theses
MEIOS,	SEM	A	PERMISSÃO	ESCRITA	DOS
EDITORES,	SALVO
Martin	Luther's	Life,	Thought,	and	Lasting
Legacy
EM	BREVES	CITAÇÕES,	COM	INDICAÇÃO	DA
FONTE.
Por	Stephen	J.	Nichols	©	Copyright	2016
Stephen	J.	Nichols ■
■ Diretor:	James	Richard	Denham	111
Publicado	por	P&R	Publishing	Company,
P.O.
Editor:	Tiago	J.	Santos	Filho	Tradutor:	Elizabeth
Gomes
Box	817,	Phillipsburg,	New	Jersey	08865-
0817. Revisor:	Shirley	Lima
Copyright	©	Editora	Fiel	2017 Diagramação:	Rubner	Durais	Capa:	Rubner	Durais
Primeira	Edição	em	Português:	2017 ISBN:	978-85-8132-416-6
Caixa	Postal	1601	CEP:	12230-971	São	José	dos	Campos,	SP	FIEL	PABX:	(12)	3919-9999
Editora	www.editorafiel.com.br
Para	Benjamin	Hunt	Nichols,
que	você	possa	crescer	apreciando	e	assumindo	a	rica	herança	da	igreja	de
http://www.editorafiel.com.br
Cristo!
SUMÁRIO
ILUSTRAÇÕES
PREFÁCIO
AGRADECIMENTOS
INTRODUÇÃO
OS	PRIMEIROS	ANOS
SUMÁRIO
ILUSTRAÇÕES
PREFÁCIO
MARTINHO	LUTERO	saiu	do	Claustro	Negro
em	Wittenberg.	Nesse	prédio,	ele	e	seus
companheiros,	todos	monges	agostinianos,
acadêmicos	da	universidade	e	estudantes,
ensinavam	e	aprendiam,	comiam	e	bebiam,
oravam	e	dormiam.	Foi	ali	que	Martinho	Lutero
viveu.	Também	era	ali	que	ele	escrevia.	Ele
cruzou	o	portão	na	direção	oeste,	guiado	pela
torre	do	sino	da	igreja	Schlosskirche,	ou	Igreja
do	Castelo,	que	se	erguia	sobre	a	vila	de
Wittenberg.	Lutero	era	capaz	de	fazer	esse
percurso	enquanto	dormia.	Um	quilômetro	à
frente,	ele	chegou	a	seu	destino.
Martinho	Lutero	passou	o	ano	de	1517	em	conflito.	De	fato,	ele	estivera
perturbado	nos	últimos	12	anos	e,	infelizmente,	isso	se	estendeu	por	muitos	anos
ainda.	Em	1505,	ele	se	viu	em	meio	a	uma	tempestade	violenta,	de	raios	e
trovões,	que	ele	concluiu	ser	o	juízo	de	Deus	sobre	a	sua	alma,	e	a	forma
de	Deus	aniquilá-lo.	Sem	alternativa,	Lutero	tomou	uma	decisão.	Ele	entraria	no
monastério	e	dedicaria	sua	vida	a	buscar	piedade	e	paz	com	Deus	-	isso	se	Deus
poupasse	sua	vida	daquela	tempestade	que	ameaçava	aniquilá-lo.
Desde	então	até	1517,	os	problemas	de	Lutero	só	aumentaram.	A	paz	parecia
fugir	dele.	Ele	tinha	muita	expectativa	em	relação	à	igreja	e,	naquela	época,	só
existia	uma	opção,	a	Igre-
ja	Católica	Romana,	mas,	ali,	Lutero	experimentava	desilusão	após	desilusão.
Sua	viagem	a	Roma,	à	Santa	Sé,	deixara-o	totalmente	esgotado.
Lá,	Lutero	começou	a	ouvir	histórias	de	causar	arrepios	e	reviravoltas	no
estômago.	Nas	regiões	vizinhas,	vendiam-se	indulgências.	A	“Indulgência	de
Pedro”,	como	era	chamada,	resultara	de	uma	negociação	feita	entre	Alberto,
arcebispo	de	Mainz,	e	o	papa	Leão	X.	De	forma	inédita,	essas	indulgências
ofereciam	aos	compradores	passe	livre	para	o	céu.	Também	ofereciam	alívio
do	purgatório	para	os	parentes	que	estavam	ali	sofrendo.	Bastava,	para	tanto,	que
se	lançasse	uma	moeda	no	cofre.
Naquele	verão,	Lutero	conseguiu	uma	cópia	da	“Instrução	Sumária”.	Esse
documento,	preparado	por	Alberto	e	seus	teólogos,	dava	instruções	explícitas	aos
pregadores	de	vendas	de	indulgências	-	a	quem	Lutero	chamava	de	“mascates”.
O	documento	em	si	era	bastante	perturbador,	pois	zombava	da	lei	da	igreja.	E
pior:	os	próprios	membros	da	paróquia	de	Lutero,	em	Wittenberg,	estavam
viajando	para	a	região	de	Alberto	e	comprando	indulgências,	em	uma	espiral
descendente	em	suas	vidas.	Mas	qual	incentivo	eles	tinham	para	agir	de	outro
modo?	Eles	tinham	sua	indulgência:	uma	passagem	livre	para	sair	da	prisão.
Lutero	sentia,	de	forma	contundente,	essa	pressão.	A	indulgência	contava	com	o
selo	de	aprovação	do	papa,	mas	estava	claro	que	não	havia	garantia	alguma.	A
tensão	interior	de	Lutero	aumentava	enquanto	ele	assistia	ao	mal	que	estava
sendo	feito.
À	medida	que	o	outono	se	aproximava	de	Wittenberg,com	o	ar	se	tornando	cada
vez	mais	frio	e	as	folhas	mudando	de	cor,	Lutero	não	podia	mais	ficar	calado.
Afinal,	ele	era	doutor	em	Teologia	Sagrada.	Era	sacerdote.	Era	bem-treinado,	e
ocupava
uma	posição	que	o	obrigava	a	servir	à	igreja,	mesmo	que	isso	significasse
repreendê-la.	Assim,	ele	encheu	seu	tinteiro,	sentou-se	à	escrivaninha	e	começou
a	trabalhar.	Quando	terminou	de	escrever,	tinha	95	argumentos	e	observações	a
respeito	da	venda	de	indulgências.	Então,	preparou-se	para	um	debate.
E,	naquele	mesmo	dia,	enviou	uma	carta	a	Alberto,	arcebispo	de	Mainz.	Lutero
planejava	afixar	à	carta	uma	cópia	de	suas	teses,	de	modo	a	possibilitar	que	seus
colegas	acadêmicos	de	Wittenberg	se	envolvessem	no	debate.	Assim,	ele	levou
sua	cópia	e	um	martelo	e	dirigiu-se	para	o	portão	oeste,	do	lado	de	fora	da	igreja
do	castelo.
Quinhentos	anos	mais	tarde,	celebramos	esse	momento	da	história,	pois,
efetivamente,	esse	ato	se	tornou	história.	O	que	Lutero	fez	no	último	dia	de
outubro	de	1517	deu	início	à	Reforma	Protestante,	impactando	a	igreja	e	a
cultura	por	mais	de	cinco	séculos.	Foi	realmente	um	evento	notável,
executado	por	uma	das	figuras	mais	empolgantes	da	história.
A	afixação	das	95	Teses	no	portal	da	igreja	permanece	como	um	momento	épico
na	vida	de	Lutero.	Mas	esse	não	é	o	único.	Outros	momentos	definidores	viriam
depois	de	31	de	outubro	de	1517.	Muito	mais	coisas	fluiriam	da	pena	e	do
tinteiro	de	Lutero	do	que	somente	as	95	teses.
Este	livro	oferece	uma	turnê	orientada	da	vida	de	Marti-nho	Lutero,	de	seus
escritos	e	pensamentos.	Tem	por	objetivo	não	apenas	que	valorizemos	Lutero	e
seu	legado,	mas	também	que	encontremos	a	mesma	confiança	em	Deus,	o
Castelo	Forte,	em	sua	Palavra	certeira	e	em	Cristo	e	sua	obra	completa	na	cruz.
Assim,	podemos	olhar	para	trás	e	sentir	gratidão	pela	vida	e	o	legado	de	Lutero.
Que	nós	também	possamos	olhar	adiante!	Se	Cristo	se	demorar	em	seu	retorno	e
a	igreja	chegar	ao	ano	de	2517,	será	que	haverá	razão	para	celebrarmos	nossos
atos	e	nosso	legado?
Nossa	celebração	do	passado	nos	lembra	da	obrigação	que	temos	no	presente	de
nosso	compromisso	em	relação	ao	futuro.	Olhar	para	frente	nos	parece	o	melhor
modo	de	celebrar	o	aniversário	de	quinhentos	anos	da	postagem	das	95	teses
de	Martinho	Lutero.
AGRADECIMENTOS
SOU	GRATO	aos	amigos	da	editora	P&R
Publishing,	incluindo	Bryce	Craig,	Amanda
Martin	e	Ian	Thompson.	Obrigado	por	seu	apoio
para	esta	nova	edição.	Também	sou	grato	aos
meus	colegas	de	Ligonier	e	da	Faculdade
Bíblica	da	Reforma.	Há	muito	tempo	desejo
voltar	no	tempo	e	ter	apenas	uma	refeição	com
Lutero.	Trabalhar	com	R.	C.	Sproul	está	bem
próximo	disso.	Caleb	Gorton,	Anthony
Salangsang,	Megan	Taylor,	Emberlee	van	Eyk	e
Jeanna	Will,	todos	me	ajudaram	a	chegar	à	reta
final.	Sem	o	bondoso	encorajamento	de
Chris	Larson,	esta	nova	edição	provavelmente
não	teria	acontecido.
Lutero	era,	acima	de	tudo,	um	homem	de	família.	Eu	também	sou	grato	à	minha
família	por	seu	amor	sem	limites.	Obrigado.
INTRODUÇÃO
0	Legado	de	Martinho	Lutero
TOMADO	DE	PURO	PAVOR,	ele	fez	um
juramento	à	sua	santa	padroeira.	Desiludido,
questionou	as	práticas	da	igreja	à	qual	dedicara
sua	vida.	E,	de	modo	resoluto,	afixou	uma	lista
de	protestos	na	porta	da	igreja.	Com	total
satisfação,	ele	abraçou	a	ideia	libertadora	de	que
a	justiça	de	Deus	é	uma	dádiva,	e	não	um
merecimento.	Em	face	de	intensa	batalha
espiritual,	ele	clamou	por	Deus,	seu
“castelo	forte”,	seu	“baluarte	que	nunca	falha”.
Esses	são	momentos	decisivos	na	vida	de
Martinho	Lutero.	A	maioria	-	embora	nem	todos
os	cristãos	-	conhece	esses	momentos	decisivos.
A	maioria	também	sabe	que,	a	cada	movimento
do	martelo	na	porta	da	igreja	de	Wittenberg,
Lutero	provocou	a	Reforma	Protestante.	Porém,
muito	mais	que	isso,	esses	acontecimentos
também	servem	para	formar	nossas	vidas,	pois
encarnam	a	Reforma,	estabelecendo	o
fundamento	do	Protestantismo.	Certo	historiador
comentou	que	qualquer	vestígio	do	Cristianismo
na	cultura	ocidental	se	deve	inteiramente	a	esse
homem,	Martinho	Lutero.
No	entanto,	apesar	de	Lutero	ser	bastante	conhecido,	para	além	de	alguns
momentos	significativos,	boa	parte	de	sua	vida	ainda	representa	um	mistério
para	a	maior	parte	dos	cristãos.
Embora	seus	escritos	formem	o	berço	do	Protestantismo	e	articulem	os
princípios	essenciais	da	teologia	reformada,	ainda	permanecem	sem	ser	lidos	por
muitas	pessoas	nos	dias	atuais.	Essa	falta	de	conhecimento	acerca	da	obra	de
Lutero	é	exatamente	a	razão	para	este	livro.	Trata-se	de	uma	tentativa	de	colocar
seus	descendentes	há	muito	perdidos	em	contato	com	seu	legado,	um	convite
para	dedicar	algum	tempo	à	mesa	de	Lutero,	a	fim	de	examinar	sua	vida	e	ouvir
suas	idéias.	Tais	idéias,	contudo,	não	são	relíquias	do	passado.	Com	certeza,
seu	pensamento	inspirou	toda	uma	geração	em	seus	próprios	dias	e	também	tem
o	poder	de	impactar	a	igreja	de	hoje,	acendendo,	em	nossa	própria	geração,	uma
busca	apaixonada	por	Deus	e	por	sua	verdade.	São	abundantes	as	biografias
sobre	Lutero,	e	as	obras	especializadas	a	respeito	de	seu	pensamento	enchem	de
livros	muitas	prateleiras.	Seus	próprios	escritos	continuam	a	ser	publicados
séculos	depois	de	sua	morte.	Com	toda	a	atenção	dispensada	a	Lutero,	pode-se
perguntar	o	porquê	disso.	Ou	seja,	o	que	demanda	tanta	atenção	em	Lutero?
0	Legado	de	Lutero
O	papel	de	Lutero	como	catalisador	da	Reforma	é	a	principal	razão	para	tal
interesse	perene	nele.	Imagine	um	mundo	sem	o	Protestantismo.	Se	você	fosse
um	jovem	monge	agos-tiniano	nas	primeiras	décadas	do	século	XVI,	não	seria
difícil	imaginar.	Para	Lutero,	a	realidade	era	um	mundo	sem	o	Protestantismo.
Suas	escolhas	eram	claras:	ou	a	Igreja	Católica	Romana	ou	o	paganismo.	Como
monge,	claro,	ele	abraçava	a	primeira	opção.	Quando	Lutero	morreu,	em	1546,
contudo,	o	mundo	havia	mudado	de	forma	significativa.	Assim,	entre	o
Catolicismo	Romano	e	o	paganismo,	agora	havia	uma	ampla	gama	de	escolhas,
incluindo	o	Luteranismo,	o	Anabatismo,	a	Igreja	Reformada,	o	Anglicanismo	e	o
Presbiterianismo.	Essas	opções	religiosas	simplesmente	não	existiam	em
1517.	Naquele	ano,	Lutero	deu	início	a	um	mar	de	mudanças	e	reformas	que
abalariam	todo	o	mundo.
Antes	do	desafio	de	Lutero,	no	sentido	de	transformar	a	igreja,	diversas
tentativas	de	reforma	haviam	ocorrido.	Alguns	movimentos,	como	a	Devotio
Moderna	(Nova	Devoção),	criticavam	a	apática	espiritualidade,	como	também	a
vasta	riqueza	da	igreja.	No	entanto,	embora	as	objeções	fossem	profundas,	o
movimento	não	contava	com	uma	base	teológica	sólida	para	elaborar	suas
críticas.	Outros	movimentos,	ainda	que	mais	teologicamente	orientados,	também
não	tiveram	êxito	em	reformar	a	igreja.	Na	Inglaterra,	John	Wycliffe	e,	na
Boêmia	(a	moderna	República	Checa),	John	Hus	prepararam
desafios	formidáveis,	mas	foram	esmagados	pelo	poder	de	Roma.	Hus	foi
queimado	em	um	poste	e,	embora	Wycliffe	tenha	morrido	de	causas	naturais,	a
igreja	o	exumou	e	queimou	seus	ossos.
Contudo,	ainda	que	esses	reformadores	da	pré-Reforma	não	tenham	logrado	uma
mudança	permanente,	firmaram	um	importante	alicerce	sobre	o	qual	Lutero
construiu.	Na	verdade,	Lutero	reconheceu	essas	valiosas	contribuições	dos
reformadores	anteriores	à	Reforma.	De	Wycliffe,	Lutero	reconheceu
a	importância	de	se	colocar	a	Bíblia	nas	mãos	do	povo	em	uma	língua	que	todos
pudessem	entender.	De	Hus,	Lutero	aprendeu	a	desafiar	as	diversas	práticas	e
funções	da	igreja	que	se	opunham	às	Escrituras.	Da	Devotio	Moderna,	Lutero
entendeu	também	que	a	falta	de	vigor	espiritual	da	igreja	deveria	ser	desafiada.
No
entanto,	de	uma	forma	diferente	em	relação	a	esse	movimento,	ele	sabia	que	tal
desafio	teria	de	ser	construído	sobre	um	firme	fundamento	teológico.	Na
verdade,	ao	debater	com	Erasmo	sobre	as	questões	da	vontade	e	do	livre-arbítrio,
Lutero	destaca	que	a	preocupação	central	para	a	igreja	é	sempre	teológica.	Tirem
a	doutrina,	Lutero	argumenta,	e	não	se	tem	uma	igreja.
Lutero	se	mostrava	cético	quanto	ao	entendimento	teológico	básico	da	igreja
desde	meados	de	1510,	quando	começou	a	palestrar,	em	Wittenberg,	a	respeito
dos	Salmos,de	Romanos,	Gálatas	e	Hebreus.	Sua	primeira	restrição	contra	a
igreja,	contudo,	manifestou-se	com	a	contemplação	dos	severos	problemas
causados	pelas	indulgências.	Claro,	esse	erro	levou	à	publicação	das	95	teses	em
Wittenberg.	Por	meio	desse	evento,	e	também	com	a	recuperação	da	doutrina	da
justificação	pela	fé,	sua	posição	corajosa	diante	da	igreja	e	do	império	na
Dieta	de	Worms,	bem	como	sua	incansável	dedicação	à	edificação	de	uma	igreja
alicerçada	tão	somente	na	Escritura,	Lutero	atuou	como	arquiteto	da	Reforma.
Seu	trabalho	em	Wittenberg	agitou	as	terras	alemãs	e	toda	a	Europa.	Na	época	de
sua	morte,	o	Protestantismo	e	a	nova	igreja	evangélica	estavam
firmemente	estabelecidos.
Mas	Lutero	não	chama	a	atenção	apenas	por	seu	envolvimento	nos	eventos	da
Reforma;	ele	também	desempenhou	importante	papel	na	formação	das	idéias
reformadas.	Talvez	mais	que	qualquer	outra	pessoa,	Lutero	moldou	os
pressupostos	que	definem	o	Protestantismo.	Os	teólogos	utilizam	uma	série	de
expressões	latinas	que	encerram	esses	conceitos.	Conhecidas	como	os	“Solas	da
Reforma”,	essas	expressões	incluem	sola	Scriptura,	só	a	Escritura;	sola	fide,
somente	a	fé;	sola	gratia,
somente	pela	graça;	solus	Christus,	somente	Cristo;	e	soli	Deo	gloria,	somente
para	a	glória	de	Deus.	Todas	essas	idéias	encontram	raiz	no	pensamento	de
Martinho	Lutero.	O	fato	de	elas	continuarem	a	definir	o	Cristianismo	é	um
testemunho	duradouro	da	influência	de	Lutero.
Lutero	chama	a	atenção	também	por	sua	personalidade	empolgante.	“Dizem	que
a	indiscrição”,	Lutero	comentou	certa	vez,	“é	minha	maior	falha”.	Em
conseqüência	disso,	tanto	seus	escritos	como	seus	atos	são	recheados	de	humor
pungente	e	vivido.	Sua	personalidade	marcante	se	estende	às	conversas	e
aos	escritos.	Certamente,	ler	alguns	trechos	de	suas	“Conversas	à	mesa”	fará
algumas	pessoas	ficarem	ruborizadas.	Além	do	mais,	quando	se	tratava	de
envolver	seus	inimigos,	era	raro	Lutero	mostrar	um	linguajar	contido.	De	alguma
maneira,	essas	não	são	necessariamente	características	positivas.	Contudo,	a
atitude	transparente	de	Lutero	e,	por	vezes,	sua	candura	oferecem	numerosas
historietas	e	vinhetas	que,	ainda	hoje,	continuam	a	fascinar	os	leitores.	Algumas
vezes,	as	figuras	históricas	podem	parecer	unidimensionais	para	as	futuras
gerações	de	leitores.	Costumamos	reunir	as	facetas	da	pessoa	por	meio	de
diversos	relatos	distintos,	mas	vemos	o	retrato	pessoal	um	tanto	ofuscado.	Esse
não	é	o	caso	de	Lutero.	O	retrato	pessoal	que	surge	de	Lutero,	a	despeito	de	seus
pequenos	pecados,	é	um	tanto	enternecedor.
Friedrich	Nietzsche,	luterano	alemão,	pelo	menos	em	um	momento	de	sua	vida
declarou	que	somos	“humanos,	todos	humanos	demais”.	Tal	sentimento	também
descreve	Lutero.	Saudado	pelo	artista	alemão	Hans	Holbein	como	o	“Hércules
alemão”,	Lutero	parecia,	para	muitos,	maior	que	a	própria
vida.	Mas,	na	realidade,	embora	ele	tivesse	pernas	de	ferro,	seus	pés	eram	de
barro.	Talvez	a	maior	falta	de	Lutero	se	reflita	em	sua	atitude	severa	contra	os
judeus	em	uma	fase	tardia	de	sua	vida.	Assim,	em	vez	de	esconder	essas	falhas
ou	enfatizá-las	ao	extremo,	somos	bem-servidos	ao	reconhecê-las.	Apesar
do	retrato	de	Holbein,	Lutero	era	bastante	humano.	Isso	não	funciona	como	uma
desculpa	para	seus	erros,	mas	nos	lembra	que,	embora	admiremos	Lutero,
também	devemos	vê-lo	como	um	pecador	salvo	pela	graça.
Finalmente,	o	incansável	compromisso	de	Lutero	para	com	a	igreja	lhe	garante
lugar	de	destaque	na	história.	Ele	demonstrou	surpreendente	versatilidade,
coragem	nos	momentos	decisivos	e	resistência	para	suportar	a	caminhada.	É	raro
encontrarmos	a	combinação	de	um	visionário	que	também
consegue	implementar	sua	visão.	A	vida	de	Lutero	oferece	um	desses	casos
raros.	Ele	não	somente	se	posicionou	de	maneira	ousada	e	apontou	a	direção
certa	para	a	igreja,	como	também	dedicou	sua	vida	a	conduzi-la	nesse	caminho.
Lutero	trabalhou	incansavelmente,	muitas	vezes	com	grande	sacrifício	pessoal,
para	garantir	que	a	igreja	vicejasse	no	período	em	que	viveu	e	para	além	dele.
Essas	razões,	ao	lado	de	outras,	consubstanciam	a	atenção	difundida	que	Lutero
recebe.	Nos	capítulos	seguintes,	continuaremos	a	examinar	por	que	Lutero	não
apenas	recebe	tanta	atenção,	como	também	as	razões	pelas	quais	a	merece.
Visão	Panorâmica
Começamos	nossa	turnê	de	Martinho	Lutero	levando	em	conta	sua	vida	repleta
de	eventos.	No	Capítulo	1,	traçamos	os	passos	iniciais	de	sua	vida	pela	estrada
até	a	Reforma	Protestante.	Com
a	conclusão	de	seus	estudos	e	após	uma	experiência	traumática	durante	uma
tempestade,	Lutero	entra	no	monastério.	Cerca	de	doze	anos	depois,	o	papa	o
declara	herege.	Seguindo	o	confronto	decisivo	na	Dieta	de	Worms,	Lutero	entra
em	seu	“exílio”	no	Castelo	de	Wartburg.	No	Capítulo	2,	prosseguimos	com
a	narrativa	de	sua	vida,	iniciando	por	sua	volta	a	Wittenberg	e	terminando	com
as	últimas	décadas	de	sua	vida.
A	Segunda	Parte	apresenta	diversas	discussões	acerca	de	Lutero,	o	Reformador.
No	Capítulo	3,	oferecemos	uma	visão	geral	de	sua	teologia.	O	capítulo	seguinte
envolve	os	Três	Tratados,	textos	fulcrais	dos	meses	relativos	ao	outono	de	1520.
A	obra	máxima	de	Lutero,	O	cativeiro	da	vontade,	é	o	foco	do	Capítulo	5,	que
aborda	o	que	Lutero	chamou	de	“ponto	vital”	da	Reforma.	Aqui,	exploramos
esse	texto	crucial	que	desenvolve	o	entendimento	de	Lutero	sobre	o	livre-arbítrio
e	a	soberania	de	Deus.	No	Capítulo	6,	examinamos	a	Ceia	do	Senhor	e	o	papel
que	isso	desempenhou	na	Reforma.	A	Segunda	Parte	se	encerra
quando	examinamos	o	pensamento	e	os	escritos	de	Lutero	relativos	à	ética.
Alguns	acontecimentos	históricos	fundamentais	de	seus	dias,	como	a	Guerra	dos
Camponeses	e	a	Peste	em	Wittenberg,	ajudam-nos	a	ver	a	aplicação	do
pensamento	de	Lutero.
Lutero	devotou	a	maior	parte	de	seus	esforços	à	teologia	e	à	prática	da	igreja.	Na
Terceira	Parte,	continuamos	nossa	turnê	da	vida	e	do	pensamento	de	Lutero	ao
examinar	suas	contribuições	à	vida	da	igreja.	O	Catecismo	menor,	assunto	do
Capítulo	7,	perdura	como	testemunho	ao	reconhecimento	de	Lutero	acerca	do
papel	da	igreja	em	treinar	corretamente	a	próxima	geração.	O	Capítulo	8	volta-se
para	um	texto	singular	na	história	da	igreja,	as	Conversas	à	mesa	de	Lutero.
Aqui,	Lutero	vivência
sua	teologia	de	modo	transparente	diante	de	sua	família,	seus	colegas	e	alunos,
enquanto	todos	se	reúnem	em	torno	da	mesa	de	jantar.	Devido	à	sagacidade	tanto
de	Lutero	como	de	alguns	estudantes	e	escribas,	podemos	“escutar”	essas
conversas.
Embora	todos	nós	conheçamos	o	hino	“Castelo	Forte	é	Nosso	Deus”,	de	Lutero,
talvez	não	estejamos	familiarizados	com	o	lugar	de	destaque	que	a	música
desempenhava	em	sua	vida.	O	Capítulo	10	oferece	a	oportunidade	de	ingressar
nessa	parte	da	experiência	de	Lutero.	No	Capítulo	11,	exploramos	as	idéias
de	Lutero	sobre	o	que	é	a	“verdadeira	igreja”,	ao	estudarmos	um	de	seus	textos
menos	conhecidos,	porém	profundos,	Sobre	os	concí-lios	e	a	igreja.	Finalmente,
Lutero	deixou	uma	enorme	quantidade	de	sermões.	Examinamos	um	sermão	em
especial,	“Sobre	como	contemplar	o	santo	sofrimento	de	Cristo”,	como
representativo	de	seus	aproximadamente	seis	mil	sermões.
Em	suma,	este	livro	apresenta	tanto	a	vida	como	o	pensamento	de	Martinho
Lutero.	Não	é	nossa	intenção	dispensar	um	tratamento	exaustivo	a	qualquer	um
desses	aspectos.	De	forma	ideal,	seria	de	muita	valia	incluir	muitos	outros	textos
e	assuntos	para	mostrar	Lutero	em	toda	a	sua	genialidade.	Mas,	em	termos
práticos,	isso	esgotaria	igualmente	a	paciência	do	leitor	e	do	escritor.	A	coleção
mais	completa	dos	escritos	de	Lutero	em	língua	inglesa	totaliza	55	volumes	e
cobre	apenas	cerca	de	metade	da	sua	obra.	Assim,	escolhi	os	textos	e	assuntos
que	parecem	cruciais	ao	pensamento	de	Lutero.	Portanto,	este	livro	tem	a
intenção	de	familiarizá-lo	com	Lutero,	o	que	servirá	como	portal	para	uma
melhor	análise	de	sua	vida	e	de	seu	pensamento.	A	conclusão	oferece	algumas
sugestões	e	diretrizes	para	que	se	prossiga	nessa	jornada.
Após	a	morte	de	Lutero,	seu	grande	amigo,	o	artista	Lucas	Cranach,	pintou	um
último	retrato	do	reformador.Cranach	captou	toda	a	vida	e	o	propósito	de	Lutero
nesse	quadro	de	três	painéis,	que	foi	instalado	na	Igreja	do	Castelo	de
Wittenberg.	O	painel	direito	mostra	Lutero	no	púlpito,	proclamando	a	Palavra	de
Deus,	enquanto	pastoreia	fielmente	seu	rebanho.	Com	uma	Bíblia	aberta	à	sua
frente,	ele	se	posta	de	pé,	apontando	para	a	congregação.	À	esquerda,	o	painel
mostra	uma	congregação	reunida,	escutando	atentamente	o	reformador.
Cranach	pintou	a	esposa	de	Lutero,	Katie,	um	filho	e	até	mesmo	sua	filha
Magdalena,	que	morrera	alguns	anos	antes,	na	congregação.	Mas	eles	não	estão
olhando	diretamente	para	Lutero.	O	painel	central	mostra	Cristo	na	cruz.
Tomados	coletivamente,	os	três	painéis	expressam,	de	maneira	pungente,	a
paixão	de	Lutero	ao	apontar	para	que	todos	vissem	Cristo.	Mais
especificamente,	quando	olhamos	para	Lutero,	ele	nos	remete	a	todos	para
Cristo.	É	dessa	forma	que	ofereço	este	livro,	que,	embora	aponte	para	Lutero,
nos	direciona	a	Cristo.	Em	última	instância,	esse	é	o	legado	de	Martinho	Lutero.
MARTINHO	LUTERO	teve	uma	vida	plena;
assim,	todo	biógrafo	é	desafiado	quando	se	vê
diante	da	questão	do	que	deixar	de	fora.	Com
apenas	dois	capítulos	especificamente	dedicados
à	biografia,	enfrentamos,	de	modo	especial,	esse
desafio.	No	entanto,	procurei	abordar	os	eventos
cruciais	da	vida	de	Lutero.	Esses
acontecimentos,	examinados	no	Capítulo	1,
incluem	momentos	decisivos,	como	o	juramento
feito	durante	a	tempestade	de	trovões	e	raios	que
o	enviou	ao	monastério,	a	postagem	das	95	teses,
que	o	lançou	ao	centro	da	atenção	em	1517,	e	a	descoberta	da	Reforma
da	justificação	pela	fé,	que	“abriu	os	portais	do	paraíso”	para	ele,	tornando-se	a
mensagem	fundamental	para	tudo	que	ele	pregava.	Esse	capítulo	se	encerra	com
a	ousada	posição	de	Lutero	diante	da	Dieta	de	Worms	e,	então,	descreve	seu
“seqüestro”.
No	capítulo	seguinte,	retomamos	o	fio	da	história	quando	Lutero	retorna	de	seu
exílio	no	Castelo	de	Wartburg.	Os	eventos	que	se	desenrolam	nesses	últimos
anos	incluem	o	casamento	do	ex-monge	com	uma	ex-freira,	o
estabelecimento	da	primeira	casa	pastoral	da	era	moderna,	o	encontro
decisivo	com	o	teólogo	Ulrico	Zuínglio,	em	Marburg,	e	o	compromisso
incansável	de	estabelecer	a	recém-formada	igreja.	Através	do	estudo	dos
acontecimentos	de	seus	primeiros	anos,	como	também	dos	últimos,	começamos
a	entender	por	que	Lutero	figura	com	tamanha	proeminência	nas	páginas	da
história,	e	por	que	continua	a	fascinar	os	leitores	cinco	séculos	depois	de	sua
morte.
Capítulo	1
OS	PRIMEIROS	ANOS
1483-1521
“Se	ainda	há	sentido	para	a	civilização	cristã	no	Ocidente,	esse	homem,	Lutero,	em	não	pouca	medida
merece	tal	crédito.”
ROLAND	BAINTON
“Martinho	Lutero,	o	Reformador,	é	uma	das	pessoas	mais	extraordinárias	da	história	e	deixou	uma
impressão	mais	profunda	de	sua	presença	no	mundo	moderno	que	qualquer	outro,	à	exceção	de	Colombo.”
RALPH	WALDO	EMERSON
E
M	1529,	JOHANNES	COCHLAEUS	escreveu	um	folheto	atacando	Martinho
Lutero.	Intitulado	“Lutero	de	Sete	Cabeças”,	colocava	em	destaque	uma
xilogravura	na	página	de	rosto	com	a	caricatura	de	Lutero	como	um	indivíduo
perigosamente	conflitante	que,	de	acordo	com	o	escritor,	representava	uma
grande	risco	para	a	igreja,	em	virtude	de	suas	diversas	e	contraditórias
personalidades.	Um	retrato	mostra	Lutero	como	um	louco	com	abelhas
sobrevoando	sua	cabeça.	A	xilogravura	final	o	mostra	como	Barrabás,	deixando
implícito	que	ele	era	o	próprio	inimigo	de	Cristo.
O	papa	Leão	X,	que,	inicialmente,	via	os	disparates	de	Lu-tero	como	nada	mais
que	delírios	de	um	alemão	bêbado,	passou	a	apontar	Lutero	como	arqui-inimigo
da	igreja,	conseguindo	reunir	tanto	a	igreja	como	o	império	contra	o	monge
alemão.	E,	mesmo	na	morte	de	Lutero,	muitos	questionavam	qual	teria	sido	seu
verdadeiro	legado.	Teria	sido	ele	um	instrumento	de	Deus?	Ou	uma	ferramenta
na	mão	do	diabo?
No	entanto,	um	ponto	no	qual	os	estudiosos	concordam	é	que	o	mundo	em	que
nasceu	“Martin	Luder”,	em	10	de	novembro	de	1483,	era	bem	diferente	daquele
que	ele	deixou	em	18	de	fevereiro	de	1546.	As	décadas	em	que	viveu
contiveram	mudanças	e	turbulências	sem	precedentes,	e	Martinho	Lutero	esteve
no	centro	de	tudo	isso.	Porém,	Lutero	experimentou	um	início	bastante	modesto
para	uma	figura	tão	proeminente.	Como	escreveu	em	sua	fase	madura:	“Venho
de	uma	família	de	camponeses”.	E	continuou:
Quem	imaginaria	que	eu	receberia	um	bacharelado	e	depois	um	mestrado	em	Artes	para,	em	seguida,
abandonar	minha	boina	marrom	de	estudante	para	deixá-la	para	outros,	a	fim	de	me	tornar	monge,	obtendo
para	mim,	então,	tamanha	vergonha	que	meu	pai	ficou	amargamente	descontente;	e	que,	a	despeito	de	tudo
isso,	eu	incomodaria	o	papa	e	tomaria	por	esposa	uma	freira	fugitiva?	Quem	teria	previsto	isso	para	mim?
Figura	1.1	Linha	do	tempo:	Primeiros	Anos
1483	Nascido	em	10	de	novembro,	em	Eisleben
1492-98	Freqüenta	a	escola	em	Mansfield,	Magdeburg,	e	em	Eisenach
1501-05	Freqüenta	a	Universidade	de	Erfurt;	recebe	B.A.	(1502),	M.A.	(1505)
1505	Faz	um	voto	durante	uma	tempestade	de	trovões,	em	2	de	julho.	Entra	no	monastério	1507	É	ordenado
1509				Recebe	B.A.	em	Bíblia.	Começa	a	lecionar	em	Erfurt	sobre	as	artes
1510				Faz	uma	peregrinação	a	Roma
1511				Entra	no	Claustro	Negro,	monastério	agostiniano	em	Wittenberg
1512				Recebe	doutorado	em	teologia.	Designado	para	o	corpo	docente	de	teologia	em	Wittenberg
1513-17	Leciona	sobre	Salmos,	Romanos,	Gálatas	e	Hebreus
1517				Posta	as	95	teses	na	porta	da	igreja,	em	31	de	outubro
1518				Debate	contra	Cajetan	em	Augsburg
1518-19	Possível	data	para	início	da	Reforma	(ou	1515-16)
1519				Debates	contra	Eck	em	Leipzig
1520				Escreve	Três	Tratados
1520				Recebe	a	Bula	Papal
1521				Aparece	na	Dieta	de	Worms	no	período	de	16	a	18	de	abril
1521				É	colocado	sob	banimento	imperial	e	condenado	como	here-
ge	fora	da	lei	em	maio	1521	Vai	para	o	"exílio",	no	castelo	de	Wartburg
A	Educação	Inicial	de	Lutero
Poucos	teriam	previsto	os	desdobramentos	da	vida	de	Lutero,	especialmente	seus
pais.	Hans	e	Margeret	Luder	mudaram-se	de	Esleben,	Alemanha,	lugar	onde
Lutero	nasceu	e	foi	batizado,	para	Mansfield,	durante	o	primeiro	ano	de	vida	do
filho.	Em	Mansfield,	Hans	prosseguiu	com	seu	trabalho	como	mineiro,	su-
pervisonando	dois	fornos	de	fusão	e	provendo,	cuidadosamente,
a	educação	do	jovem	Martinho.	Assim,	em	vez	de	trabalhar	na	infância	-	a	sina
da	maior	parte	dos	jovens	camponeses	Lutero	freqüentou	a	escola,	onde	estudou
latim,	gramática	elementar	e	o	essencial	da	educação	religiosa:	os	Dez
Mandamentos,	a	Oração	do	Senhor	e	os	credos	infantis.	A	essa	altura,	ele
escolheu	a	versão	latinizada	de	seu	nome,	Lutero,	em	vez	da	alemã,	Luder.
Quando	Lutero	completou	14	anos,	seus	pais	o	enviaram	para	continuar	os
estudos	no	monastério	de	Magdeburg.	Esse	monastério	estava	sob	a	jurisdição	da
ordem	da	Irmandade	da	Vida	Comum,	conhecida	por	sua	piedade	e	por	ter,	entre
seus	membros,	Tomás	de	Kempis,	autor	do	clássico	devocional	A	imitação	de
Cristo.	Magdeburg	era	uma	escola	respeitada	e,	consequentemente,	muito	cara.
Os	modestos	proventos	da	família	de	Lutero	mal	davam	para	pagar	seu	primeiro
ano,	razão	pela	qual,	a	exemplo	de	outros	estudantes	camponeses,	ele	passou
a	mendigar	na	rua	por	seu	pão.	“Panem	propter	Deum	\	pão	pelo	amor	de	Deus,
era	a	expressão	que,	com	frequência,	saía	da	lingua	de	Lutero	quando	ele
mendigava	pelas	ruas	de	Magdeburg.
No	ano	seguinte,	Lutero	continuou	com	seus	estudos	em	Eisenach.
Presumivelmente,	Eisenach	atraía	Lutero	por	razões	tanto	acadêmicas	como
financeiras.	A	mãe	de	Lutero	tinha	parentes	por	perto	que,	sem	dúvida,
ofereciam	algum	alívio,	como	também	eventuais	refeições.	Mas	foi	uma	senhora
idosa	da	cidade	que,	admirando	a	capacidade	e	a	decisão	de	Lutero,	cuidou	dele
de	maneira	especial.	No	entanto,	mesmo	com	essa	ajuda,	o	período	que	Lutero
passou	em	Eisenach	foi	uma	verdadeira	batalha.	A	despeito	desse	desafio,
contudo,	ele	se	superava	nos	estudos,	sendo	o	melhor	da	classe.	Seus	feitos	lhe
permitiram,	assim,	passar	para	Erfurt,	onde	estudaria	Direito,	concretizan-do	o	sonho	que	seus	pais	tinham	para	sua	vida.	Ao	entrar	numa	profissão	tão
nobre,	os	pais	esperavam	que	ele	escapasse	da	classe	de	agricultores	e	trouxesse
honra	e	status	para	o	nome	da	família.	Em	Erfurt,	ele	recebeu	seu	bacharelado
em	1502,	e	seu	mestrado,	em	1505.	Ambos	o	preparariam	para	estudos
futuros	de	Direito	e	um	doutorado	em	Jurisprudência.
Eu	Serei	um	Monge
O	estudo	em	Erfurt	representou,	em	muitos	aspectos,	um	ponto	de	virada	na	vida
de	Lutero.	Em	sua	caminhada	diária,	ele	via	uma	escultura	que	despertava	sua
atenção.	A	imagem	mostrava	Cristo	como	juiz,	com	uma	espada	presa	entre	os
dentes	e	o	olhar	penetrante.	Essa	imagem,	não	somente	nas
interpretações	medievais	de	Cristo,	assombrou	Lutero	durante	muitos	anos,	na
medida	em	que	ele	contemplava	sua	própria	culpa	diante	de	Deus.	Uma	palavra
alemã	específica	nos	ajuda	a	entender	o	verdadeiro	impacto	dessa	imagem	sobre
a	vida	de	Lutero:	anfechtung.	Traduzida	como	“crise”	ou	“luta”,	no	caso	de
Lutero	se	encaixaria	melhor	como	intensa	luta	espiritual	e	crise.	Na	verdade,	é
melhor	usar	a	palavra	no	plural,	anfechtungen,	pois,	na	realidade,	é	uma	série	de
crises	espirituais	que	marca	o	início	da	vida	de	estudo	de	Lutero.
Após	completar	o	mestrado	em	Artes,	em	janeiro	de	1505,	Lutero	permaneceu
em	Erfurt	para	receber	treinamento	especializado	em	Direito.	Ele	se	superava	no
campo	das	leis	e	estava	no	caminho	certo	para	cumprir	o	desejo	do	pai.	Em
junho	daquele	ano,	viajou	para	casa	em	Mansfield.	Na	volta	para	Erfurt,
Lutero	foi	pego	em	violenta	tempestade	de	trovões.	Nesse	momento,	ele	ficou
paralisado	pela	tempestade	e	atribuiu	elevado	significado
espiritual	a	ela,	crendo	que	Deus	havia	soltado	os	trovões	do	céu	para	julgar	sua
alma.	Em	total	desespero,	clamou	a	Santa	Ana,	padroeira	dos	mineiros:	“Ajudai-
me	Santa	Ana,	e	eu	me	tornarei	monge”.	Isso	aconteceu	em	2	de	julho	de	1505.
Exatamente	duas	semanas	mais	tarde,	Lutero	ofereceu	uma	festa	a	seus	colegas,
entregando	a	eles	seus	livros	de	Direito	e	sua	boina	de	mestre,	e	se	retirou	dos
estudos	de	doutorado.	Na	ocasião,	Lutero	disse-lhes	que,	no	dia	seguinte,
entraria	para	o	monastério.
Figura	1.2	Nem	todas	as	reações	a	Lutero	eram	favoráveis.	A	representação	de	Lutero	como	um	monstro
de	sete	cabeças	ganhou	a	primeira	página	do	livro	de	Johannes	Cochlaeus,	de	1529,	criticando	Lutero.
Lutero	desejava	obter	a	bênção	do	pai	por	trocar	a	boina	de	mestre	pela	túnica	de
monge;	essa	bênção,	porém,	não	veio.	Como	se	recorda	Lutero:	“Quando	me
tornei	monge,	meu	pai	quase	ficou	louco.	Estava	muito	aflito	e	recusava-se	a	me
dar	sua	permissão”.	Mais	tarde,	em	1521,	Lutero	desculpou-se	por	haver
desobedecido	aos	pais	em	sua	dedicatória	de	Sobre	os	votos	monásticos,	dirigido
a	seu	pai.	Quinze	anos	antes	desse	livro,	e	apesar	da	recusa	de	seus	pais,	Lutero
entrara	no	monastério.	Todos	os	candidatos	eram	aceitos	em	experiência	durante
um	ano.	Durante	esse	período	como	“noviço”	Lutero	se	lançou	ao	rigor	da	vida
monástica	e	completou	esse	ano	de	estágio.	Tomou	o	hábito	de	monge	em	1506,
em	uma	cerimônia	que	culminou	com	Lutero	prostrando-se	diante	do	abade.	De
forma	irônica,	foi	essa	imagem,	sobre	a	lápide,	que	cobriu	o	túmulo	do	principal
acusador	do	reformador	Jan	Hus.	Nessa	lápide,	estava	a	assombrosa	imagem	de
Cristo	como	juiz.	Seus	pais	não	atenderam	ao	convite	para	comparecer	à
cerimônia.	Lutero	esperava	que,	com	sua	entrada	no	monastério,	resolveria	suas
crises	espirituais.	Mas,	na	realidade,	elas	só	aumentaram.	Um	ano	após	seu
juramento	a	Santa	Ana,	Lutero	foi	abandonado	por	sua	família	e	também	se
sentia	gravemente	abandonado	por	Deus.
Anos	mais	tarde,	Lutero	refletiu	sobre	sua	vida	de	monge:	“Eu	fui	monge	por
vinte	anos.	Eu	me	torturava	com	orações,	jejuns,	guardando	vigílias	e
congelando-me	-	só	o	frio	já	era	suficiente	para	me	matar	e	infligia	sobre	mim
tanta	dor	que	jamais	faria	isso	de	novo,	mesmo	que	conseguisse”.	Na
verdade,	Lutero	cumpria	seus	deveres	com	tamanho	rigor	que	exclamou:	“Se
algum	monge	chegasse	ao	céu	simplesmente	por	ser	monge,	eu	deveria	tê-lo
alcançado.	Todos	os	meus	companheiros	do
monastério	me	conheciam	e	podiam	testificar	isso”.	Ele	conclui	suas	lembranças
observando:	“Se	tivesse	durado	mais	um	pouco,	eu	teria	me	matado	de	vigílias,
orações,	leituras	e	outros	labores”.	Mas	ainda	não	havia	solução	para	suas	crises
espirituais.
No	final	da	primeira	década	do	século	XVI,	dois	acontecimentos	impactaram
profundamente	o	jovem	monge,	colocando-o	em	um	decurso	que	viria	a
revolucionar	a	igreja.	Seu	prior,	ou	superior,	em	Erfurt	muitas	vezes	expressara
ao	abade,	Johann	von	Staupitz,	sua	exasperação	com	o	jovem	Mar-tinho	Lutero.
Staupitz,	contudo,	embora	confuso	pelas	lutas	espirituais	de	Lutero,	reconhecia	a
capacidade	intelectual	e	o	futuro	do	jovem.	Ordenou,	assim,	que	Lutero	fosse
transferido	para	o	monastério	de	Wittenberg.
Poucos	anos	antes,	Staupitz	e	outros	haviam	fundado	a	Universidade	de
Wittenberg.	Frederico,	o	Sábio,	não	poupara	gastos	para	tornar	sua	nova
universidade	rival	das	universidades	já	estabelecidas	que	cobriam	as	terras
alemãs	e	além	delas.	Ele	queria	contar	com	o	melhor	e	mais	brilhante	corpo
docente,	e	aprovava,	de	coração,	a	escolha	de	Lutero.	O	treinamento	de	Lutero,
contudo,	não	era	em	Bíblia	e	teologia;	assim,	antes	de	iniciar	sua	carreira	como
professor	de	Bíblia	e	teologia,	mais	uma	vez	ele	se	tornou	estudante.	Enquanto
estudava	em	Wittenberg,	ele	dava	aulas	de	Artes	e	sobre	Aristóteles.
Assim,	Staupitz	esperava	que	a	ocupação	mental	com	a	academia	abafasse	as
muitas	lutas	interiores	de	Lutero.	Mas	ele	estava	errado.
Lutero	começou	a	obter	seu	segundo	conjunto	de	graduações,	recebendo	outro
bacharelado	de	Artes	em	Bíblia,	em	1509.	Na	ocasião,	foi	enviado	de	volta	a
Erfurt,	na	qualidade	de	professor.	Enquanto	permaneceu	ali,	o	monastério	de
Erfurt
necessitou	enviar	alguns	documentos	a	Roma.	Staupitz,	então,	viu	esse	pedido
como	uma	oportunidade	para	Lutero	fazer	a	paz	com	Deus,	acreditando	que	a
Cidade	Santa	lhe	faria	muito	bem	à	alma.	Assim,	Lutero	e	outro	monge
embarcaram	em	sua	peregrinação	a	Roma	em	1510,	percorrendo	a	mesma
rota	que	milhares	de	monges,	no	passar	dos	séculos	da	era	medieval,	haviam
trilhado.	Prevendo	que	depararia	com	um	paraíso	espiritual,	Lutero	descobriu,
em	vez	disso,	algo	mais	parecido	com	a	“feira	das	vaidades”	descrita	por	John
Bunyan	em	O	peregrino.	“Quando	vi	Roma	pela	primeira	vez,	joguei-me
no	chão,	ergui	as	mãos	e	disse:	“Ave	a	ti,	ó	Santa	Roma”	recorda	ele.	Porém,
essa	impressão	rapidamente	se	dissipou.	Ele	continua:	“Ninguém	consegue
imaginar	a	desonestidade,	a	horrível	pecaminosidade	e	a	devassidão	desenfreada
de	Roma”.	Ao	subir	a	escadaria	de	Pôncio	Pilatos,	recitando	o	Pai-Nosso	a
cada	degrau,	sua	desilusão	só	fez	aumentar.	Ao	chegar	ao	topo,	ele	exclamou:
“Quem	sabe	se	isso	é	verdade?”
A	viagem	a	Roma	não	aquietou	a	tempestade	que	agitava	a	alma	de	Lutero.
Certa	ocasião,	após	o	seu	retorno,	Lutero	se	encontrou	com	Staupitz	no	jardim
do	claustro	de	Wittenberg.	Staupitz	não	conseguia	entender	por	que	Lutero	não
compreendia	o	amor	de	Deus	por	ele.	“Amar	a	Deus?”	retrucou	Lutero.	“Não
posso	amar	a	Deus;	eu	o	odeio.”	Staupitz	não	tinha	solução	para	o	jovem,	exceto
mandar	que	ele	fizesse	um	doutorado	em	Teologia.	Novamente,	ele	argumentou
que	o	estudo	dos	pais	da	igreja	e	a	tradição	medieval	acabariam	com	sua	luta
com	Deus.	Em	1512,	Lutero	recebeu	seu	doutorado,	não	em	seu	curso
de	Direito,	que	fora	sua	intenção	original,	mas	em	Teologia,	afilian-do-se	ao
corpo	docente	daquela	disciplina	em	Wittenberg.
Acadêmico	em	Wittenberg
Na	época,	Lutero	ainda	não	tinha	consciência,	mas	essa	prescrição	de	mais
estudos	correspondia	exatamente	às	suas	necessidades,	embora	não	tenha
dissipado,	de	imediato,	as	negras	nuvens	espirituais.	Na	verdade,	a	vida	ficaria
até	pior	antes	de	melhorar.	Lutero	se	lançou	nas	palestras	e	no	trabalho	de
doutorado,	começando	com	o	livro	de	Pedro	Lombardo:	Quatro	livros
das	sentenças	(1158).	Esse	tratamento	sistemático	e	lógico	da	doutrina	servira
como	livro-texto	de	Teologiadesde	1200	até	os	dias	de	Lutero,	estendendo-se
para	além	deles.	Tal	obra	tinha	tamanha	influência	que	era	preciso	dominá-la
inteiramente	para	se	qualificar	ao	grau	de	doutorado	nas	universidades
medievais.
Algo	na	leitura	que	Lutero	fizera	de	Lombardo	chamou	sua	atenção	para
Agostinho.	Nas	notas	de	rodapé	de	sua	cópia	de	Sentenças,	Lutero	rabiscou
várias	referências	ao	grande	e	antigo	pai	da	igreja.	Enquanto	voltava	o	foco	para
Agostinho,	foi	imediatamente	conduzido	por	ele	até	Paulo.	As	notas	de	Lutero
nas	margens	mostram	também	que	esse	aspirante	a	teólogo	encontrava
dificuldades	para	conciliar	o	que	lia	em	Paulo	e	Agostinho	com	Lombardo	e
alguns	ensinamentos	da	igreja	na	alta	Idade	Média	e	em	seus	últimos	anos.
Especificamente	as	questões	acerca	da	vontade	humana	e	do	pecado	deixavam
Lutero	perplexo.	As	notas	também	mostravam	que	ele	afirmava	conceitos
medievais	católicos	sobre	fé	e	salvação.	Mas,	já	em	1512,	Lutero	começava
a	discordar	de	Roma	quanto	a	essas	duas	últimas	questões.
As	perguntas	fervilharam	lentamente	até	1517,	e	suas	conseqüências	foram
experimentadas	após	Lutero	haver	afixado	as	95	teses	no	portão	de	Wittenberg.
Nos	anos	intermediários,	ele	continuou	com	seu	trabalho	em	Wittenberg,
ensinando,	pregan-
do,	orando	e,	ainda	assim,	duvidando,	sondando	e	questionando.	Além	de	suas
palestras	de	Teologia	extraídas	das	Sentenças	de	Lombardo,	ele	preparava	aulas
sobre	os	Salmos	(1513-1515),	depois	Romanos,	Gálatas	e	Hebreus	(1515-1518).
Nessas	aulas,	Lutero	refletia	o	humanismo	do	século	XVI.	Essa	nova
abordagem,	contudo,	não	deve	ser	confundida	com	o	humanismo	secular	de
nossos	dias.	O	humanismo	expressava	o	espírito	da	Renascença,	enfatizando	um
retorno	às	culturas	grega	e	romana.	Era,	de	muitas	formas,	um	movimento
reacionário	contra	as	tradições	medievais.	Tal	abordagem,	chamada	de
escolasticismo,	ressaltava	os	pais	latinos	mais	recentes	e	o	pensamento	de
Aristóteles.	O	escolasticismo	enfatizava	os	comentários	medievais
sobre	Aristóteles	-	e	até	mesmo	os	comentários	sobre	os	comentários	-,	e	não,
primariamente,	seus	escritos.	Como	os	andaimes	em	volta	de	um	prédio,	esses
comentários	bloqueavam	a	linha	direta	às	fontes.	O	humanismo	propôs	mover-se
para	além	dos	andaimes	com	o	seguinte	grito	de	guerra:	“Ad	Fontes’’	(“para	as
fontes”	ou	“às	origens”).	Nesse	espírito,	Lutero	foi	além	dos	andaimes
que	obstruíam	a	Bíblia,	partindo	diretamente	para	o	texto	bíblico.
E,	quando	Lutero	foi	ao	texto,	continuou	a	encontrar	dificuldade	para	reconciliar
a	Escritura	com	o	ensinamento	da	igreja.	Em	seu	trabalho	sobre	os	Salmos,
como	outros	exegetas	ou	intérpretes	medievais,	ele	aplicava	boa	parte	do	texto,
especialmente	os	elementos	da	majestade,	a	Cristo.	Porém,	diferente	dos	outros,
ele	também	aplicava	os	elementos	de	sofrimento	e	de	servidão	a	Cristo.	Para
Lutero,	Cristo	era	visto	tanto	em	sua	majestade	como	em	sua	humildade,	em
altura	e	em	rebaixamento,	como	rei	e	como	mendigo.	Mas,	para	os	líderes	da
igreja	romana,	a	eles	somente	o	lado	majestoso	de	Cristo	interessava.
Alguns	anos	mais	tarde,	essa	diferença	entre	Lutero	e	a	igreja	tornou-se	ainda
mais	ampla,	quando	Lutero	passou	a	articular	sua	teologia	como	uma	“teologia
da	cruz”,	contra	a	“teologia	da	glória”	Ele	não	apenas	pensava	sobre	Cristo	de
um	modo	diferente	de	seus	contemporâneos,	como	também	pensava	diferente
sobre	pecado	e	salvação,	conforme	evidenciado	em	seus	escritos	sobre	Romanos,
Gálatas	e	Hebreus.
Seus	pensamentos	sobre	pecado	e	salvação	são	examinados,	com	mais	detalhes,
em	outros	capítulos;	por	ora,	fazemos	apenas	uma	breve	menção	às	suas	ideias-
chave,	o	que	nos	ajudará	a	visualizar	a	progressão	de	seu	pensamento.	O
primeiro	conceito	envolve	um	entendimento	do	pecado	que	vai	além	dos
pecados	individuais	cometidos.	Conforme	Lutero	entende	Paulo,	nosso	pecado	é
como	a	raiz	de	uma	planta;	assim	como	a	raiz	está	no	cerne	da	planta	e	a
permeia,	também	o	pecado	está	em	nossa	vida.	Lutero	usa	a	palavra	latina	para
raiz,	radix,	como	uma	figura	vivida	de	nossa	verdadeira	natureza	como
pecadores	de	raiz.	O	resultado	desse	entendimento	é	que	o	perdão	e	a	redenção
terão	de	ir	além	dos	pecados	que	cometemos	como	indivíduos	e	de	tratar	nossa
natureza	como	pecadores.	Tal	reconhecimento	está	em	intenso	conflito	com	o
sistema	medieval	penitencial	e	confissional,	baseado	nos	pecados	individuais.
Quanto	à	salvação,	a	ideia-chave	que	Lutero	começa	a	examinar	é	de	“justiça
alheia”.	Esse	termo	quer	dizer	simplesmente	que	a	justiça	que	Deus	requer,	na
condição	de	nosso	justo	juiz,	não	pode	ser	produzida	por	nós,	porque	somos
pecadores	desde	a	raiz.	Essa	justiça	tem	de	vir	de	fora	de	nós;	em	conseqüência,
é	alheia	a	nós,	e	não	inerente	ou	com	origem	em	nós	mesmos.	Alguns	anos
seriam	necessários	até	que	essas	idéias
chegassem	a	uma	plena	fruição	para	Lutero,	mas,	já	em	1516,	seu	pensamento
estava	se	direcionando	ao	grande	princípio	da	Reforma	de	sola	fide,	ou	da
justificação	somente	pela	fé.	Com	tal	entendimento,	Lutero	estava	se	afastando
de	Roma.
As	95	teses
Durante	esses	anos,	Lutero	esteve	no	palco	central	de	um	dos	eventos	mais
significativos	da	história	ocidental:	a	postagem	das	95	teses	no	portão	da	igreja
de	Wittenberg,	em	31	de	outubro	de	1517.	Em	seu	prefácio	a	tal	documento,
Lutero	explicou	seus	motivos:	“Por	amor	à	verdade	e	pelo	desejo	de	trazê-la
à	luz,	as	seguintes	proposições	serão	discutidas	em	Wittenberg,	sob	a	supervisão
do	reverendo	padre	Martinho	Lutero...	[que]	pede	que	aqueles	que	não	puderem
estar	presentes	para	debater	conosco	oralmente,	façam-no	mais	tarde,	por	carta”.
Lutero	nunca	conseguiu	ter	esse	debate;	as	95	teses,	escritas	originalmente	em
latim,	foram	rapidamente	traduzidas	e	distribuídas	por	toda	a	Alemanha	e	além
dela.	Uma	cópia	chegou	às	mãos	do	papa	Leão	X,	que	descartou	o	documento
como	nada	mais	que	as	divagações	de	um	alemão	embriagado,	o	qual,
ele	acreditava,	pensaria	de	modo	bem	diferente	quando	estivesse	sóbrio.	A
questão	das	95	Teses,	uma	série	de	curtas	proposições	apresentadas	para	um
argumento,	concerne	às	indulgências	e	à	venda	específica	de	indulgências	pelo
monge	Tetzel.	Tetzel	estava	em	uma	missão	para	Alberto	de	Mainz.	Alberto	já
havia	excedido	todos	os	limites	da	lei	canônica	ao	manter	duas	dioceses
enquanto	tentava	tornar-se	arcebispo	de	Mainz.	Leão	X,	papa	naquela	época,
concedeu	a	necessária	dispensa	papal,	mas	isso	teve	um	preço.	Leão	X,	da
família	Médici,	de	Florença,	era
um	mecenas	apaixonado	pelas	artes.	Ao	decidir	que	seu	legado,	a	grande	Capela
Sistina	da	Basílica	de	São	Paulo,	não	teria	paralelos,	ele	angariou	a	assistência
de	artistas	como	Rafael,	Dürer	e	Michelangelo.	Esse	empenho,	obviamente,
custou	muito	caro	e	exauriu	os	cofres	da	igreja.	Em	conseqüência,	Alberto
poderia	ter	seu	arcebispado	se	oferecesse	dinheiro	para	essa	empreitada.
A	grande	riqueza	de	Alberto	consistia	principalmente	de	grandes	propriedades	de
terra,	e	não	de	moeda,	mas	Tetzel	inventou	um	esquema	para	levantar	os	fundos
necessários:	as	indulgências.	Mas,	para	entendermos	as	indulgências,	temos	de,
em	primeiro	lugar,	conhecer	o	sistema	de	penitência	para	a	igreja	romana.	A
penitência	envolvia	quatro	passos:	contrição,	confissão,	satisfação	e	absolvição.
A	indulgência	de	Tetzel,	que	vinha	com	o	selo	de	aprovação	de	Leão	X,	solapava
esse	processo	ao	reduzir	os	primeiros	três	passos	para	um	só,	bastante	simples:	a
compra	de	uma	ficha	de	indulgência.	Com	a	indulgência,	Tetzel	assegurava	a
seus	compradores	a	plena	absolvição	ou	o	“completo	perdão	de	todos	os
pecados”.	Tetzel	oferecia	indulgências	para	as	pessoas	e	também	para	seus
parentes	mortos	que	estivessem	sofrendo	no	purgatório.
Suas	indulgências	encontraram	um	mercado	pronto,	mas	também	um	monge
muito	irado.	Quando	Lutero	ouviu	falar	das	indulgências	e	da	forma	como	os
paroquianos	de	Wittenberg	viajavam	a	curta	distância	até	Mainz	para	comprá-
las,	redigiu,	febrilmente,	as	95	teses.	Lutero	tinha	claramente	em	vista
Tetzel	quando	se	referiu	a	“mascates	das	indulgências”	e	a	“luxúria
e	licensiosidade	dos	pregadores	de	indulgências”.	Estavabastante	cônscio	do
motivo	final	de	Tetzel	e	procurava	expô-lo:	“Os	cristãos	devem	aprender	que,	se
o	papa	soubesse	das	exigências
dos	pregadores	de	indulgências,	preferiria	que	a	igreja	de	São	Pedro	se	tornasse
cinzas	a	ser	construída	com	a	pele,	a	carne	e	os	ossos	de	suas	ovelhas”
A	Tese	53	explica	ainda	por	que	essa	posição	causava	tantos	problemas	para
Lutero:	“São	os	inimigos	de	Cristo	e	do	papa	que	mandam	calar	a	Palavra	de
Deus	em	algumas	igrejas,	a	fim	de	pregar	o	perdão	em	outras”.	A	venda	de
indulgências	amarrou	as	mãos	de	Lutero.	Como	poderia	pregar	sobre	boas	obras
e	seguir	a	Escritura	se	seus	párocos	podiam	simplesmente	mostrar	seus	bilhetes
de	indulgências?	Lutero	argumentava	principalmente	contra	as	indulgências	com
base	no	entendimento	da	igreja	do	que	seria	penitência.	Mais	tarde,	ele	escreveu:
“Certamente,	eu	imaginava	que,	nesse	aspecto,	eu	contaria	com	a	proteção	do
papa,	em	cuja	confiabilidade	eu	me	apoiava	fortemente,	pois,	em	seus	decretos,
ele	teria	condenado	a	imoderação	dos	pregadores	de	indulgências”.
Lamentavelmente,	Lutero	nunca	recebeu	o	apoio	de	Leão	X;	em	vez	disso,	esse
ato	iniciou,	para	Lutero,	um	caminho	que	o	levaria	para	bem	longe	de	Roma.	A
essa	altura	e	ao	longo	dos	dois	anos	seguintes,	Lutero	ainda	desejava	reformar	a
igreja	por	dentro,	pois	não	tinha	a	intenção	de	quebrar	relações	com	ela.	Porém,
ao	desenvolver	seu	entendimento	teológico,	logo	Lutero	percebeu	a
impossibilidade	de	prosseguir	com	essa	abordagem.
A	Descoberta	da	Reforma
Estudiosos	de	Lutero	discordam	quanto	à	data	exata	da	conversão	do	reformador.
Sugere-se,	em	geral,	que	vai	de	1513	a	1520.	É	mais	provável,	contudo,	que
Lutero	se	tenha	convertido	em	1515-1516	ou	1518.	A	evidência	em	favor	da	data
mais	precoce
apoia-se,	em	grande	parte,	em	alguns	de	seus	comentários	nas	palestras	sobre
Romanos.	Evidências	em	prol	do	ano	de	1518	incluem	alguns	de	seus
comentários	nas	95	Teses,	que	não	são	coerentes	com	a	justificação	pela	fé.	Isso
tem	mais	peso	quando	consideramos	como	Lutero,	em	seus	anos	mais	tardios,
desgos-tou-se	desses	escritos,	em	razão	de	seu	conteúdo.	Além	disso,	há	ainda	o
próprio	testemunho	de	Lutero	acerca	de	sua	descoberta	da	Reforma,	registrado
em	1545,	no	prefácio	à	edição	latina	de	suas	obras	coligidas,	que	aponta	esta
descoberta	como	tendo	sido	em	de	1518.	Lutero	relembra	que	isso	se	deu	após
proferir	suas	palestras	sobre	Romanos,	Gálatas	e	Hebreus,	quando	já	estava
em	curso	sua	segunda	série	de	palestras	sobre	os	Salmos,	em	1518.
Figura	1.3.	Johann	von	Staupitz,	o	mentor	de	Lutero,	publicou	seu	trabalho	sobre	predestinação	em	1517.
Enquanto	se	debate	a	data	da	conversão	de	Lutero,	a	natureza	em	si	dessa
conversão	permanece	notável.	Para	Lutero,	a	verdadeira	fé	significava	enfrentar
a	justiça	de	Deus	em	Romanos	1.17,	passagem	em	que	Paulo	exclama	que	“a
justiça	de	Deus	se	revela	no	evangelho,	de	fé	em	fé,	como	está	escrito:	‘O	justo
viverá	pela	fé’”.	No	entanto,	embora	Lutero	refletisse	sobre	a	justiça	de	Deus,
não	a	abraçou	logo	de	início;	pelo	contrário,	ele	declara:	“Eu	odiava	o	Deus	justo
que	castiga	os	pecadores	(...);	assim,	eu	estava	furioso,	com	uma
consciência	feroz	e	perturbada”.	Odiava	a	justiça	de	Deus	porque	entendia	que
significava	o	que	ele	teria	de	alcançar.	Sua	ruptura,	com	a	solução	de	suas	lutas
espirituais	de	longa	duração,	veio	quando,	“pela	misericórdia	de	Deus”,	ele
finalmente	percebeu	que	a	justiça	a	que	Paulo	se	refere,	requerida	por	Deus,	não
é	algo	que	tenhamos	de	merecer,	mas	algo	que	Cristo	realizou	por	nós.	Assim,
ele	explica:
Ali	comecei	a	entender	que	a	justiça	de	Deus	é	aquela	pela	qual	o	justo	vive	por	um	dom	de	Deus,	ou	seja,
pela	fé.	Este	é	o	significado:	a	justiça	de	Deus	é	revelada	pelo	evangelho,	ou	seja,	a	justiça	passiva	com	que
o	Deus	misericordioso	nos	justifica	pela	fé	(...).	Aqui	eu	senti	que	nasci	totalmente	de	novo	e	entrei	pelas
portas	abertas	no	paraíso.
O	resultado	disso	foi	que	Lutero	trocou	sua	ira	contra	Deus	por	amor.	Ele
escreveu:	“Eu	exaltava	essa	mais	doce	palavra	com	um	amor	tão	grande	quanto
era	o	ódio	que	eu	tinha	antes	da	expressão	‘justiça	de	Deus”’.
Lutero	deixou	de	ver	a	justiça	como	ativa,	algo	que	ele	tinha	de	fazer,	para	algo
passivo,	que	Cristo	realizara	em	seu	lugar,	adquirido	não	por	nossos	méritos,
mas	somente	pela	fé.	Nasceu,	então,	o	lema	da	Reforma	-	sola	fide,	somente	a	fé
-,	e	Lutero	nasceu	de	novo.
Debates	com	Roma
O	resultado	de	haver	escrito	as	95	Teses	e	de	sua	conversão	foi	que	Lutero
recebeu	uma	convocação	de	Roma	para	explicar	seu	comportamento.	Mas,
através	da	intercessão	de	Frederico,	o	Sábio,	ele	não	compareceu.	Se	tivesse	ido,
talvez	jamais	tivesse	voltado;	assim,	foi	convocado	a	Augsburgo,	em	meados
de	outubro	de	1518,	para	debater	com	o	cardeal	Cajetan.	Tratava--se,	de	fato,
mais	de	uma	inquisição	do	que	de	um	debate,	e	a	reunião	teve	pouco	sucesso.	As
duas	partes	falavam	além	do	outro.	Lutero	enfatizou	a	autoridade	da	Escritura	e	a
salvação	pela	fé.	Nenhum	desses	pontos	era	compreendido	por	Cajetan,	muito
menos	lhe	parecia	persuasivo.	A	intenção	de	Cajetan	era	forçar	Lutero	a	se
retratar	quanto	aos	seus	escritos	e	às	suas	idéias,	ou	conseguir	evidências	para
condená-lo	como	herege.	Embora	estivesse	claro	para	Cajetan	que	Lutero	era
radical,	ele	se	mostrou	incapaz	de	extrair	quaisquer	comentários	claros
do	reformador	que	pudessem	condená-lo	como	herege.	Lutero	saiu	da	reunião
incerto	quanto	ao	que	representaria	o	próximo	movimento	da	igreja;	Cajetan	saiu
de	lá	sem	uma	retratação	ou	uma	prova	de	heresia.
Lutero	encontrou	um	opositor	muito	maior	em	Leipzig,	no	debate	de	1519:
Johann	Eck,	um	teólogo	que	também	era	professor	na	prestigiosa	Universidade
de	Ingolstadt.	Eck	come-
çara	a	escrever	contra	Lutero	assim	que	as	primeiras	cópias	das	95	Teses
surgiram	da	impressora.	Oficialmente,	os	debates	se	deram	entre	Eck	e	Andreas
Karlstadt,	colega	sênior	de	Teologia	de	Lutero,	em	Wittenberg.	Mas,	na
realidade,	o	debate	se	desenrolou	entre	Eck	e	Lutero.	Eck	adotou	uma	estratégia
de	efeito:	alinhou	Lutero	a	Wychffe	e	Hus,	ambos	condenados	como	hereges.
Lutero,	consequentemente,	tornou-se	culpado	apenas	por	associação.	Porém,
para	Lutero,	o	debate	ofereceu	uma	plataforma	para	a	exposição	de	sua	doutrina
sobre	a	autoridade	da	Escritura,	conhecida	como	sola	Scriptura	(somente	a
Escritura).	O	compromisso	de	Lutero	com	a	autoridade	da	Escritura	acima	da
autoridade	dos	pais	da	igreja,	dos	concílios	e	até	mesmo	do	papa	ressoou	durante
todo	o	debate.	A	certa	altura,	Lutero	chegou	a	ponto	de	dizer	que	até	mesmo	um
menino	de	escola,	armado	com	o	texto,	seria	mais	bem	preparado	do	que	o
próprio	papa.
Esse	debate,	diferente	do	que	tivera	com	Cajetan,	não	deixou	margem	à
ambigüidade	quanto	ao	resultado;	Martinho	Lutero	estava	fora	da	conformidade
em	relação	à	igreja.	Porém,	ele	ainda	não	fora	declarado	herege.	Mas	Eck	se
esforçou	dili-gentemente	para	esse	fim	e,	em	1520,	obteve	a	bula	papal
que	declarava	oficialmente	Lutero	como	inimigo	da	igreja,	inimigo	dos
apóstolos	e	inimigo	do	próprio	Cristo.	Intitulada	“Exsurge,	Domine*	(“Levanta,
ó	Senhor”),	a	bula	de	Leão	X,	proclamada	em	15	de	junho	de	1520,	clamava	pela
imediata	detenção	do	“selvagem	javali	na	vinha	de	Deus”.	A	Lutero,	o	javali
selvagem,	não	dava	alternativa:	ele	tinha	apenas	sessenta	dias	depois
do	recebimento	da	bula	para	se	retratar.	Se	não	o	fizesse,	“sua	memória	[seria]
completamente	extirpada	da	comunidade	dos
crentes	em	Cristo”	Seus	livros	seriam	queimados,	e	ele	e	seus	seguidores,	bem
como	seus	apoiadores,	seriam	tomados	à	força	e	enviados	para	Roma.
A	bula	papal	chegou	em	um	momento	bem	conturbado	para	Lutero.	Naquele
outono,	ele	escrevera	o	que	foi	chamado	popularmente	de	Três	Tratados.	Esse
trabalho,	discutido	em	detalhes	no	Capítulo	4,	acentuou	a	quebra	entre	Lutero	e	a
igreja.	Ele,	contudo,	encontrou	tempo	para	responder	por	escrito	à	bula	papal:
Sobre	a	Detestável	Bula	do	Anticristo.	Inicialmente,	Lutero	gostava	de	Leão	X.
A	certa	altura	da	carta	remetida	ao	papa	em	1518,	Lutero	expressou	pesar	por
Leão	X	ser	o	chefeda	igreja,	dizendo:	“Tu	merecias	ser	papa	em	dias
melhores”.	Por	volta	de	1520,	contudo,	esse	sentimento	mudou,	e	Lutero	se
referia	a	Leão	X	como	o	Anticristo.	Quanto	à	bula	papal,	quando	se	passaram	os
sessenta	dias,	Lutero	a	queimou	publicamente	em	Wittenberg.	Quando	o	papa
recebeu	esse	informe	sobre	Lutero,	excomungou-o	e	conclamou	sua	imediata
entrega	a	Roma.
A	Dieta	de	Worms
Nesse	momento,	o	palco	estava	pronto	para	a	luta	final	entre	Lutero	e	a	igreja.	E,
mais	uma	vez,	Frederico,	o	Sábio,	interveio	e	evitou	que	Lutero	fosse	levado
para	Roma.	Em	vez	disso,	ele	deveria	apresentar-se	perante	a	Dieta,	o
congresso	Imperial	em	Worms,	em	abril	de	1521.	Depois	da	afixação	das	95
Teses,	esse	é	o	acontecimento	mais	conhecido	da	vida	de	Lutero.	Seu	surgimento
em	Worms	alcançou	proporções	quase	míticas.	Carlos	V,	imperador	do	Sacro
Império	Romano,	supervisionava	a	Dieta.
Como	notam	muitos	historiadores,	o	Sacro	Império	Romano	não	era	santo,	nem
romano,	tampouco	um	grande	império.	Na	verdade,	tratava-se	de	uma
confederação	solta	cujo	futuro	era	precário.	Esse	era	o	primeiro	encontro	de
Carlos	V	com	os	príncipes	e	governadores	da	Alemanha,	e	ele	não	poderia	ter
planejado	um	desafio	mais	complicado.	Por	um	lado,	ele	era	católico	romano
convicto	e	tinha	uma	grande	dívida	para	com	a	cúria	romana.	O	núncio	papal,
Alexandre,	estava	ali	para	garantir	que	os	interesses	de	Roma	fossem	protegidos.
Por	outro	lado,	Carlos	V	ascendera	ao	trono,	em	grande	parte,	pela	influência	de
Frederico,	o	Sábio,	protetor	de	Lutero.
Charles	V	estava	em	uma	posição	extremamente	delicada;	Lutero,	igualmente.
Lutero	chegara	com	as	boas-vindas	de	herói	em	Worms,	armado	para	-	e
esperando	por	-	um	debate.	Ele	tinha	a	Escritura	a	seu	lado,	tinha	Agostinho	a
seu	lado	e	tinha	argumentos	que	apelariam	para	seus	compatriotas
alemães	também	a	seu	lado.	Por	que,	arrazoou	Lutero,	deveríamos	abdicar	de
nossa	autoridade	local	alemã	de	governar	nossas	terras	e	de	praticar	nossa
religião	em	prol	do	papa,	em	Roma?
Mas,	em	vez	de	se	envolver	em	um	debate,	Lutero	sofreu	uma	inquisição.
Chegada	a	hora	de	ele	aparecer	diante	da	Dieta,	foram	feitas	duas	perguntas
apenas:	“Esses	são	teus	escritos?”	e	“Tu	te	retratarás?”	Lutero	ficou	atônito
diante	da	assembléia.	Como	poderiam	esperar	que	ele	se	retratasse?	Seus
escritos	continham	as	palavras	da	Escritura,	as	palavras	dos	concílios	e	até
mesmo	palavras	dos	papas.	Ele	não	poderia	simplesmente	descartá-las.	Além	do
mais,	Lutero	quis	saber	o	que	exatamente	em	seus	escritos	havia	perturbado
tanto	Carlos	V.	Lutero	estava	disposto	a	admitir	que	estava	errado	se	isso	fosse
provado.
Roma,	porém,	não	estava	interessada	em	provar	o	equívoco	de	Lutero;	os	líderes
queriam	apenas	que	ele	fosse	embora.	Lutero	pediu	um	dia	para	pensar	no
assunto,	e	Carlos	V	anuiu.	No	dia	seguinte,	18	de	abril	de	1521,	mais	uma	vez
Lutero	ficou	de	pé	diante	da	Dieta	de	Worms.	Mais	uma	vez,	pediu	um	debate
e,	mais	uma	vez,	isso	lhe	foi	negado.	Então,	ele	proferiu	seu	discurso	famoso	e
sucinto,	em	que	se	lê	na	íntegra:
Como	vossa	serena	majestade	e	vossos	senhorios	buscam	uma	resposta	simples,	eu	a	darei	da	seguinte
forma,	sem	rodeios:	A	não	ser	que	eu	seja	convencido	pelo	testemunho	das	Escrituras	ou	por	uma	razão
bem	clara,	pois	não	confio	no	papa	ou	em	concílios	isoladamente,	já	que	é	sabido	que	frequentemente	eles
têm	errado	e	se	contradizem,	estou	atado	às	Escrituras	que	tenho	citado,	e	minha	consciência	é	cativa	da
Palavra	de	Deus.	Não	posso	me	retratar	de	nada,	nem	farei	isso,	já	que	não	é	seguro	nem	certo	ir	contra	a
consciência.	Não	posso	fazer	de	outro	modo:	aqui	eu	me	firmo.	Que	Deus	me	ajude,	Amém!
Há	controvérsia	sobre	se	realmente	Lutero	teria	proferido	estas	famosas
palavras:	Aqui	me	firmo.	A	primeira	versão	impressa	da	fala	contém,	como	a
última	parte,	as	seguintes	palavras:	“Não	posso	fazer	de	outro	modo,	aqui	me
firmo.	Deus	me	ajude”,	em	alemão,	enquanto	o	material	anterior	é	escrito	em
latim.	Essas	três	palavras	não	aparecem	na	transcrição	da	fala.	Não	existe
controvérsia,	porém,	acerca	do	resultado	da	fala	de	Lutero.	Recusando-se	a	se
retratar,	ele	admitia	ser	culpado	e	selou	sua	condenação	como	herege.
Rapidamente,	os	nobres
alemães	o	cercaram	e	conduziram	em	segurança	para	fora	do	salão.	Carlos	V
emitiu	uma	carta	no	dia	seguinte	afirmando	sua	intenção	de	ver	o	“notório
herege”	imediatamente	punido.	Porém,	em	primeiro	lugar	ele	tinha	de	voltar	a
atenção	para	outros	assuntos.	Finalmente,	em	maio,	quando	ficou	claro	que
os	nobres	alemães	não	entregariam	Lutero	às	autoridades	papais,	Carlos	V	o
colocou	sob	banimento	imperial.	Lutero	poderia	ser	caçado	e	morto	por	qualquer
pessoa	-	uma	lei	sob	a	qual	ele	viveu	pelo	resto	da	vida.	Além	disso,	qualquer
um	que	protegesse	Lutero	também	cairia	sob	a	mesma	condenação.	Frederico,
o	Sábio,	previra	acertadamente	o	resultado	de	Worms.	Ele	planejou	o	seqüestro
de	Lutero	e	o	levou	a	um	de	seus	castelos.	Frederico	certificou-se	de	que	Lutero
não	soubesse	para	onde	seria	levado.	Por	quase	um	ano,	Lutero	assumiu	uma
nova	identidade:	Junker	Jorg.	Ele	usou	disfarces	e,	a	certa	altura,	até	mesmo
vestiu-se	de	mulher,	para	evitar	ser	descoberto,	escondendo-se	no	castelo	de
Frederico,	na	cumeeira	de	Wartburg.	Esse	monge,	sozinho,	manteve-se	firme
contra	toda	a	igreja	e	o	império.	As	atividades	de	Lutero,	antes	consideradas	por
Leão	X	apenas	desvarios	de	um	alemão	bêbado,	agora	ameaçavam	a	ascendência
da	igreja	na	Alemanha	e	por	toda	a	Europa.
O	“exílio	em	Patmos”,	como	Lutero	se	referia	a	seu	esconderijo	no	castelo	de
Frederico,	contudo,	não	estava	isento	de	dificuldades.	Na	verdade,	nesses	dias,
Lutero	enfrentou	algumas	das	lutas	espirituais	mais	intensas	de	sua	vida	-	ou
anfechtungen,	em	alemão	-,	as	quais	caracterizaram	sua	vida	inicial.	Seus
atos	não	tinham	precedentes:	ele	havia	desafiado	a	igreja	e,	agora,	estava
condenado	como	seu	inimigo,	inimigo	do	evangelho	e	inimigo	do	próprio	Cristo.
Durante	essa	intensa	batalha	espiri-
tual	em	Wartburg,	relatam	que	Lutero	teria	jogado	um	tinteiro	contra	a	parede
quando	o	diabo	apareceu	para	atormentá-lo.	Embora	isso	possa	ser	apenas	mito,
sem	dúvida	Lutero	estava	sob	ataque.	Escrevendo	a	um	amigo,	ele	disse:
Nessa	solidão	lúdica,	estou	exposto	a	mil	diabos.	É	muito	mais	fácil	lutar	contra	o	diabo	encarnado	-	ou
seja,	as	pessoas	-	do	que	contra	os	espíritos	de	iniqüidade	nos	lugares	celestiais.	Muitas	vezes	eu	caio,	mas	a
mão	direita	do	Altíssimo	me	levanta	novamente.
Os	meses	no	castelo	de	Wartburg,	de	maio	de	1521	até	março	de	1522,	na
verdade	não	foram	muito	recreativos.	Nesse	período,	Lutero	produziu	um
imenso	acervo	literário,	incluindo	a	tradução	do	Novo	Testamento	grego	para	o
alemão,	em	apenas	quatro	meses.	Além	disso,	Lutero	redigiu	inúmeros	sermões
para	as	igrejas	da	Alemanha.	Suas	idéias	teológicas	revolucionaram	o	culto	da
igreja,	e	os	sacerdotes	precisavam	de	uma	direção	para	sua	nova	tarefa:	a
pregação.	Também	manteve	extensa	correspondência.	Na	ausência	de	Lutero,	a
igreja	e	a	universidade	de	Wittenberg	estavam	sendo	ameaçadas	por	apoiadores
excessivamente	zelosos.	A	certa	altura,	Lutero	arriscou-se	a	ser	pessoalmente
ferido	ao	retornar	a	Wittenberg	por	pouco	mais	de	uma	semana,	mas
rapidamente	retirou-se	para	seu	esconderijo.
Alguns	meses	se	passaram,	e	Lutero	continuava	a	receber	notícias	perturbadoras
de	Wittenberg.	Chegara	ao	fim	o	exílio	de	“Junker	Jorg”,	e	Lutero	retornou	a
Wittenberg.	Durante	a	sua	ausência,	o	clima	político	havia	mudado	de	forma
signi-
ficativa.	Os	príncipes	alemães	e	Carlos	V	estavam	ocupados	demais	contendendo
com	os	turcos,	que	se	aproximavam,	e	não	podiam	dedicar	recursos	para
procurar	um	monge	teimoso.	Lutero	também	contava	com	o	apoio	de	Frederico,
o	Sábio.	Lutero	ainda	estava	sob	interdição	e	permaneceria	assim	pelo	resto	da
vida,	mas	estava	seguro	em	Wittenberg.	Até	1521,	Lutero	havia	feito	mais	do
que	muitos	realizam	em	toda	a	vida.	Sem	dúvida,	a	maioria	dos	eventos
conhecidos	de	sua	vida	provém	desses	primeiros	anos.	No	entanto,	esses	anos,
por	mais	conturbados	que	tenhamsido,	nunca	encontrariam	par	com
os	acontecimentos	que	encheram	os	últimos	anos.
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A	Heróica	Ousadia	de
A/OSVH	VI
MartinhoLutero
A	VIDA	E	OBRA	DE	MARTINHO	LUTERO
Na	esteira	das	celebrações	pelos	500	anos	da	Reforma	liderada	porMartinho
Lutero,	descobrimos	que	ele	foi	uma	das	figuras	mais	importantes	e	influentes	da
história.	Embora	sua	história	seja	famosa;	sua	robusta	produção	literária	não	é
tão	conhecida.
Este	livro	é	uma	introdução	à	vida,	teologia	e	obra	de	Martinho	Lutero	e	oferece
um	resumo	de	seus	principais	escritos,	inclusive	as	suas	95	teses,	com	anotações
e	comentários.	Stephen	Nichols	também	encoraja	o	leitor	a	estudar	os	escritos
éticos	de	Lutero,	conhecidos	como	“conversas	de	mesa”,	seus	hinos	e	seus
sermões.
Maravilhosa	e	interessante	combinação	de	biografia,	história	e	teologia.	Se
você	não	sentir	o	pulsar	da	Reforma	nestas	páginas,	por	favor,	verifique
sua	pressão	arterial!
Sinclair	Ferguson,	autor,	O	Espírito	Santo
Este	atraente	volume	de	Stephen	Nichols	merece	ser	lido	na	íntegra.	Como
franco	admirador	de	Lutero,	espero	que	seja	assim.
J.	I.	Packer,	professor	de	Teologia,	Regent	College
No	momento	em	que	celebramos	o	aniversário	de	SOO	anos	da	Reforma,
devemos	não	apenas	apreciar	o	modo	profundo	como	Deus	usou
Martinho	Lutero,	como	também	aprender	com	ele.	O	Dr.	Nichols	nos	dá	uma
visão	de	primeira	linha	da	vida	de	Lutero.	Assim,	ao	observarmos	esta	obra,	que
tenhamos	a	mesma	ousadia	e	o	mesmo	compromisso	em	relação	a	toda	a	vida	no
evangelho.
R.	C.	Sproul,	fundador,	Ministério	Ligonier
CATEGORIA:	Biografia	/	História	da	Igreja
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