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Tutoria 3.3- Chikungunya A chikungunya é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti (o mesmo mosquito da dengue e zika). Ela é caracterizada por febre alta, dor nas articulações e, em alguns casos, erupções cutâneas. História Natural da Chikungunya: • Início da infecção: A infecção começa quando uma pessoa é picada por um mosquito infectado com o vírus chikungunya. O vírus entra no corpo e a pessoa começa a mostrar sintomas após 2 a 12 dias. Ciclo Urbano: O vírus é transmitido principalmente por mosquitos fêmeas do gênero Aedes, especialmente Aedes aegypti e Aedes albopictus. A infecção ocorre quando um mosquito pica uma pessoa infectada, adquirindo o vírus. Após um período de incubação de 3 a 7 dias, o mosquito se torna capaz de transmitir o vírus a novos hospedeiros. Ciclo Silvático: Neste ciclo, o vírus é transmitido entre mosquitos e primatas não-humanos em ambientes florestais. Os humanos podem ser infectados quando entram em áreas onde ocorre essa transmissão, embora a maioria dos casos humanos seja resultado do ciclo urbano. Após um período de incubação de 3 a 7 dias, o mosquito se torna capaz de transmitir o vírus a outras pessoas através de novas picadas. A viremia, que é a presença do vírus no sangue do hospedeiro, ocorre antes e durante os primeiros dias dos sintomas, permitindo a transmissão Sintomas principais: febre alta e atralgia são uns dos principais sintomas da Chikungunya além de aparecer erupções cutâneas, mialgia e fadiga Com o tempo, os sintomas podem melhorar, mas as dores nas articulações podem continuar por meses (fase crônica). A doença é mais comum em áreas tropicais e subtropicais, onde o mosquito transmissor é encontrado. A doença é transmitida principalmente por mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. O vírus Chikungunya (CHIKV) entra no corpo pela picada do mosquito e se espalha pelo sangue. Ele ataca as articulações, causando inflamação e dor intensa, principalmente nas mãos, pés e tornozelos. O vírus também pode afetar outros órgãos, mas o principal sintoma é a dor nas articulações. Principais órgãos afetados: articulações, pele, músculos, fígado, sistema imune e o sistema nervoso são os mais afetados Diagnóstico Clínico e Laboratorial: Diagnóstico clínico: Baseado nos sintomas típicos, como febre e dor nas articulações. Diagnóstico laboratorial: Confirmado por exames de sangue que detectam o vírus ou anticorpos específicos, como: PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) para identificar o material genético do vírus. Sorologia para detectar anticorpos produzidos pelo corpo contra o vírus. Transmissão: - Infecção do mosquito: Quando um mosquito fêmea Aedes pica uma pessoa que já está infectada com o vírus chikungunya, o mosquito se infecta com o vírus ao ingerir o sangue da pessoa doente. - Período de incubação no mosquito: Depois de se infectar, o vírus se multiplica no mosquito, levando cerca de 8 a 12 dias para atingir a saliva do mosquito e torná-lo capaz de transmitir a doença. - Transmissão para os humanos: Quando o mosquito infectado pica uma pessoa saudável, o vírus é transmitido pela saliva do mosquito durante a picada. A pessoa saudável, então, fica infectada. - Ciclo de transmissão: Após a infecção, a pessoa pode desenvolver sintomas de chikungunya após um período de incubação de 2 a 12 dias. O mosquito, agora infectado, pode continuar a transmitir o vírus enquanto viver e se alimentar de sangue. Quadro clínico: A fase aguda é a primeira etapa da doença e dura normalmente de uma a duas semanas. Nessa fase, os sintomas surgem de forma abrupta, começando com febre alta e forte dor nas articulações, especialmente nas mãos, pés e tornozelos. Além disso, podem ocorrer erupções cutâneas, com manchas vermelhas ou pápulas, e sintomas como dor muscular e fadiga. O vírus se multiplica rapidamente no corpo, e os sintomas são intensos nesse período. Após a fase aguda, a pessoa entra na fase subaguda, que pode durar semanas a meses. Nessa fase, a febre geralmente desaparece, mas a dor nas articulações pode continuar e até piorar. As articulações inflamadas podem causar dor e rigidez, e os sintomas de cansaço e fraqueza também podem persistir. Embora os sintomas principais diminuam, as dores nas articulações podem ser muito incômodas, prolongando o desconforto por um período considerável. Em alguns casos, a infecção evolui para a fase crônica, que pode durar meses ou até anos. Nessa fase, a dor nas articulações persiste, se tornando artrite crônica. O paciente pode continuar sentindo dor e rigidez nas articulações afetadas, o que pode impactar significativamente sua qualidade de vida. Além disso, podem surgir outros sintomas, como cansaço extremo e até depressão. Embora a recuperação completa ocorra para a maioria das pessoas, os sintomas podem ser prolongados em alguns casos. Imunidade e Chikungunya A infecção pelo vírus Chikungunya (CHIKV) ocorre após a picada de mosquitos Aedes aegypti ou Aedes albopictus, que transmitem o vírus para a corrente sanguínea, onde se espalha para diversos tecidos, como músculos e articulações. O CHIKV entra nas células hospedeiras utilizando receptores como CCR2 e CCR5. A infecção desencadeia uma forte resposta inflamatória, com a produção de citocinas e quimiocinas, que atraem células imunológicas para o local da infecção, causando sintomas como febre e dor nas articulações. O vírus também provoca efeitos citopáticos, destruindo células como endoteliais, fibroblastos e macrófagos, o que contribui para a inflamação e sequelas, como dor articular crônica. A intensidade da resposta inflamatória pode agravar o dano aos tecidos, piorando os sintomas. A resposta imunológica ao CHIKV resulta na produção de anticorpos neutralizantes, proporcionando imunidade duradoura. Uma vez infectado, o indivíduo geralmente não reinfeta. Embora o vírus possa atravessar a barreira hematoencefálica e causar complicações graves em casos raros, como morte, a maioria dos pacientes se recupera após a infecção. Comparação entre as 3 arboviroses 1. Causa: Dengue: Causada pelo vírus da dengue (DENV), com quatro sorotipos diferentes (DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4). Zika: Causada pelo vírus zika. Chikungunya: Causada pelo vírus chikungunya (CHIKV). 2. Transmissão: Todas são transmitidas pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que picam uma pessoa infectada e, em seguida, transmitem o vírus a uma pessoa saudável. 3. Sintomas Comuns: Dengue: Febre alta, dor atrás dos olhos, dor muscular e nas articulações, erupção cutânea, e, em casos graves, hemorragias (dengue hemorrágica). Zika: Febre baixa ou ausente, erupção cutânea, conjuntivite, dor nas articulações, e, em alguns casos, pode causar microcefalia em bebês de mães infectadas durante a gestação. Chikungunya: Febre alta, dor intensa nas articulações (especialmente em mãos, pés e tornozelos), erupção cutânea e dor muscular. A dor nas articulações pode persistir por meses. 4. Complicações: Dengue: Em casos graves, pode causar dengue hemorrágica e síndrome de choque da dengue, levando a falência circulatória e risco de morte. Zika: Pode causar microcefalia e dano cerebral em bebês nascidos de mães infectadas. Também pode ser associada a síndrome de Guillain-Barré, que causa fraqueza muscular e paralisia. Chikungunya: A principal complicação é a dor nas articulações crônica, que pode durar meses ou até anos, afetando significativamente a qualidade de vida do paciente. 5. Imunidade: Dengue: A infecção por um sorotipo proporciona imunidade duradoura contra esse sorotipo, mas pode aumentar o risco de formas mais graves da doença (dengue hemorrágica) em infecções subsequentes por outros sorotipos. Zika: A infecção confere imunidade duradoura aovírus, e reinfecções são raras. Chikungunya: A infecção proporciona imunidade duradoura, e a pessoa geralmente não é reinfectada. 6. Tratamento: Dengue: Não há tratamento antiviral específico. O tratamento é sintomático, com o uso de paracetamol para a febre e dor, e reposição de líquidos em casos graves. Zika: Também não há tratamento antiviral específico. O tratamento é sintomático, com antitérmicos e analgésicos para controle da febre e dor. Chikungunya: Não há tratamento antiviral específico. O tratamento é sintomático, com o uso de analgésicos e anti-inflamatórios para alívio das dores articulares e musculares. 7. Prevenção: Dengue, Zika e Chikungunya: A prevenção envolve o controle da população de mosquitos, principalmente a eliminação de criadouros (água parada), uso de repelentes, mosquiteiros e roupas protetoras. Não há vacina amplamente disponível para dengue (apenas para alguns sorotipos) e zika, mas existe uma vacina em desenvolvimento para chikungunya. Prevenção: deve ser evitada as picadas de mosquito: usando repelentes, roupas longas e telas mosquiteiras, eliminar criadouros de mosquitos e evitar locais com água parada, como pneus velhos, garrafas e caixas d'água e controlar os mosquitos: Fumos e larvicidas podem ser usados em áreas com surtos para matar mosquitos. Tratamento: • Não há tratamento antiviral específico para Chikungunya, para tratamentos sintomático: é feito o uso de analgésicos (para dor) e antitérmicos (para febre), como paracetamol. Para a dor nas articulações, fisioterapia pode ser indicada em casos graves. A chikungunya é uma doença transmitida por mosquitos que causa febre e dores nas articulações. A prevenção é feita combatendo os mosquitos, e o tratamento é baseado em aliviar os sintomas, já que não existe cura específica. A doença pode ser diagnosticada clinicamente e confirmada por exames laboratoriais. Níveis de prevenção a saúde A prevenção de enfermidades busca reduzir o risco de doenças e é dividida em quatro tipos principais: Prevenção Primária: Foca em evitar que a doença aconteça, eliminando fatores de risco. Exemplo: vacinas e orientação sobre alimentação saudável. Prevenção Secundária: Tem o objetivo de detectar doenças precocemente, antes dos sintomas, facilitando o tratamento. Exemplo: exames de rastreamento como mamografia e teste de glicemia. Prevenção Terciária: Busca controlar doenças já existentes, evitando complicações e melhorando a qualidade de vida. Exemplo: reabilitação após infarto ou AVC. Prevenção Quaternária: Foca em evitar tratamentos desnecessários, protegendo o paciente de intervenções médicas excessivas. Exemplo: evitar exames ou tratamentos que não sejam necessários ou que possam prejudicar o paciente. Cada nível tem o objetivo de melhorar a saúde, prevenindo doenças, detectando-as precocemente, controlando suas consequências e evitando tratamentos inadequados. Políticas saúde na Chikungunya 1. Aposentadoria por Incapacidade Permanente: A aposentadoria por incapacidade permanente (também conhecida como aposentadoria por invalidez) é concedida ao trabalhador que, devido a uma doença ou acidente, se torna permanentemente incapaz de realizar suas atividades profissionais. Para obter essa aposentadoria, o trabalhador precisa passar por uma perícia médica do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que ateste que ele está definitivamente incapacitado para o trabalho. 2. Auxílio-doença (Licença Médica): O auxílio-doença é um benefício pago pelo INSS ao trabalhador que fica temporariamente incapaz de trabalhar devido a uma doença ou acidente. O trabalhador deve apresentar um atestado médico que comprove a incapacidade. A duração do auxílio depende da avaliação médica e pode ser renovada enquanto a pessoa continuar impossibilitada de trabalhar. 3. Atestado Médico: O atestado médico é um documento emitido por um médico que comprova a condição de saúde de uma pessoa, atestando, por exemplo, a necessidade de afastamento do trabalho devido a uma doença ou acidente. Esse documento pode ser utilizado para justificar a licença médica (auxílio-doença), ou para comprovar que o trabalhador está temporariamente incapaz de realizar suas atividades profissionais. Esses benefícios e documentos visam garantir apoio financeiro e jurídico ao trabalhador durante períodos em que ele não pode trabalhar devido a problemas de saúde, sejam temporários ou permanentes. Políticas saúde na Chikungunya 1. Auxílio-Doença (Licença Médica) O auxílio-doença é um benefício do INSS concedido a trabalhadores que não podem trabalhar devido a problemas de saúde temporários. Existem duas formas principais de auxílio-doença: Auxílio-Doença Previdenciário: Para quem tem doenças ou lesões que não são causadas pelo trabalho, e que tenha contribuído ao INSS por pelo menos 12 meses. Auxílio-Doença Acidentário: Para quem sofreu um acidente de trabalho ou uma doença ocupacional, não exigindo o prazo de 12 meses de contribuição. 2. Requisitos para Auxílio-Doença Para receber o auxílio-doença, o trabalhador deve: Ter carência (tempo mínimo de contribuição ao INSS, exceto em casos específicos como acidentes de trabalho). Estar na qualidade de segurado (ter direito de solicitar o benefício). Estar incapacitado de trabalhar devido à doença ou lesão. 3. Auxílio-Acidente: Esse benefício é pago a trabalhadores que, após se recuperarem de um acidente de trabalho, ficaram com sequelas permanentes que reduzem sua capacidade de trabalho. É uma indenização, e é concedido após o fim do auxílio-doença acidentário. 4. Atestado Médico: É um documento emitido por um médico que justifica o afastamento do trabalhador. Para atestados de até 15 dias, a pessoa deve entregá- lo ao empregador. Após esse período, se a incapacidade continuar, o trabalhador deve procurar o INSS para solicitar o auxílio-doença. 5. Aposentadoria por Invalidez: É um benefício dado a pessoas que se tornam permanentemente incapacitadas para trabalhar, sendo incapazes de realizar qualquer atividade laboral. O INSS pode fazer perícias anuais para verificar se a pessoa ainda está incapacitada. Esses benefícios são direitos trabalhistas que garantem suporte financeiro e apoio ao trabalhador em situações de saúde que afetam sua capacidade de trabalhar. Estudos epidemiológicos Microbiota A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos (bactérias, vírus, fungos e outros) que habitam o nosso trato gastrointestinal, especialmente no cólon. Ela desempenha papéis cruciais na saúde, como a digestão, absorção de nutrientes, produção de vitaminas e regulação do sistema imunológico. A microbiota varia entre os indivíduos e pode ser influenciada por fatores como genética, estilo de vida, dieta, uso de medicamentos e o tipo de parto (vaginal ou cesáreo). Existem dois tipos principais de microbiota: • Microbiota residente: É permanente, presente em determinadas áreas do corpo, como o trato gastrointestinal (TGI), e é essencial para a manutenção da saúde. • Microbiota transitória: São microrganismos que aparecem por um tempo limitado, mas que não permanecem. O equilíbrio entre os microrganismos é conhecido como simbiose, onde microrganismos benéficos coexistem com patogênicos, sem prejudicar o organismo. Quando ocorre um desequilíbrio, gerando uma predominância de microrganismos patogênicos, temos a disbiose, que pode contribuir para doenças como obesidade, diabetes, doenças inflamatórias intestinais (DII) e até dificuldades no sistema imunológico. Fatores como estresse podem alterar a microbiota, o que leva ao aumento de bactérias patogênicas e diminuição das comensais (benéficas). Para manter ou restaurar a saúde da microbiota, utiliza-se prebióticos (fibras alimentares que favorecemo crescimento de bactérias benéficas) e probióticos (bactérias benéficas presentes em alimentos como iogurtes). Além disso, o transplante de microbiota fecal (ou microbiota intestinal) é uma técnica usada para restaurar a microbiota de indivíduos com disbiose, sendo realizado através da coleta de fezes de um doador saudável, que são analisadas e inseridas no paciente por meio de diferentes métodos, como colonoscopia. A microbiota também está diretamente associada à obesidade e outras desordens metabólicas. Por exemplo, pessoas obesas tendem a ter uma maior quantidade de Firmicutes, que são mais eficientes em extrair nutrientes da alimentação, contribuindo para o ganho de peso. Já as pessoas magras apresentam mais Bacteroidetes, que favorecem a produção de substâncias anti-inflamatórias. Essa interação complexa entre microrganismos e o hospedeiro torna a microbiota um fator fundamental na saúde geral e no desenvolvimento de doenças. Laboratório de morfofuncional Articulações joelho e tornozelo Ligamento: feixe de colágeno Articulação: local de contato entre dois ossos JOELHO 1. Anatomia da articulação do joelho Estruturas ósseas: O joelho é formado por três ossos principais: o fêmur (osso da coxa), a tíbia (osso da canela) e a patela (rótula). Esses ossos se conectam e formam uma articulação que permite o movimento. Ligamentos: Os ligamentos são estruturas que conectam os ossos e ajudam a manter a articulação estável. No joelho: o Ligamento cruzado anterior (LCA) e ligamento cruzado posterior (LCP): Eles ajudam a controlar o movimento para frente e para trás da tíbia em relação ao fêmur. o Ligamentos colaterais (medial e lateral): São importantes para evitar que o joelho se mova de maneira lateral (para dentro ou para fora). • Meniscos: São dois discos de cartilagem em forma de C, localizados entre o fêmur e a tíbia. Eles ajudam a distribuir o peso de maneira uniforme e a amortecer os impactos. • Bolsas sinoviais: São pequenos sacos cheios de líquido que ajudam a reduzir o atrito entre os ossos e facilitam o movimento. 2. Movimentos do joelho O joelho faz basicamente dois movimentos principais: o Flexão: Quando você dobra o joelho, como ao sentar ou agachar. o Extensão: Quando você estica a perna, como ao andar ou ficar em pé. Além disso, quando o joelho está flexionado (dobrado), ele pode fazer uma leve rotação, para dar mais estabilidade e mobilidade. 3. Função • O principal objetivo do joelho é suportar o peso do corpo e permitir os movimentos, como caminhar, correr, pular e até mesmo agachar. • Ele mantém a estabilidade e o equilíbrio, principalmente quando você está em movimento, seja em pé ou durante atividades como esportes. 4. Patologias comuns • Lesões ligamentares: Como as rupturas do LCA (ligamento cruzado anterior), que são bastante comuns em esportes. Quando o LCA se rompe, o joelho perde estabilidade, e a pessoa sente uma sensação de que o joelho "vai sair do lugar". • Lesões meniscais: Os meniscos podem ser rasgados quando o joelho faz movimentos bruscos ou torções. Essas lesões causam dor e dificultam o movimento. • Osteoartrite: É o desgaste da cartilagem do joelho, o que leva a dor e rigidez, geralmente em pessoas mais velhas. Isso acontece porque a cartilagem que cobre os ossos vai se desgastando, e os ossos ficam mais expostos ao atrito. • Tendinites e bursites: Inflamações nos tendões ou bolsas de líquido (bursas) ao redor da articulação. Causam dor, inchaço e dificuldade para se mover. 5. Exame físico • Durante o exame físico, o médico vai observar e palpar o joelho para verificar se há sinais de inchaço, dor ou deformidade. o Também são feitos testes específicos, como: Teste de Lachman: Para avaliar a integridade do LCA. Teste de McMurray: Para detectar lesões nos meniscos. Teste de Drawer: Para verificar lesões no LCP. • O objetivo do exame físico é identificar qual parte da articulação está afetada e como o joelho está funcionando. 6. Aspectos Radiológicos • O exame de raio-X é muito importante para visualizar fraturas ou sinais de desgaste ósseo (como na osteoartrite). • A ressonância magnética (RM) é usada para ver lesões nos ligamentos, meniscos e tecidos moles que não aparecem tão bem em raios-X. TORNOZELO 1. Anatomia da articulação do tornozelo • Estruturas ósseas: O tornozelo é formado por três ossos principais: o Fíbula (o osso menor da perna, ao lado da tíbia ,fora), o Tíbia (osso maior, que suporta a maior parte do peso do corpo, dentro), o Tálus (osso do pé que articula com a tíbia e a fíbula). • Articulação do tornozelo: O tornozelo é uma articulação tipo hinge (dobradiça), que permite principalmente movimentos de flexão (levantar a ponta do pé) e extensão (apontar os pés para baixo). 1. Articulação Tibiotársica (ou Articulação do Tornozelo): Formada pela tíbia e o tálus. É a principal articulação do tornozelo e permite os movimentos de flexão (dorsiflexão) e extensão (plantarflexão) do pé. 2. Articulação Tibiofibular Superior: Formada pela tíbia e a fíbula na parte superior da perna, perto do joelho. Permite uma leve movimentação entre a tíbia e a fíbula, importante para a estabilidade da perna, principalmente durante a locomoção. 3. Articulação Tibiofibular Inferior: Formada pela tíbia e a fíbula na parte inferior, perto do tornozelo. Esta articulação tem movimento limitado, mas fornece estabilidade ao tornozelo e ajuda a manter a relação entre a tíbia e a fíbula durante o movimento. 4. Articulação Subtalar (ou talocalcânea): Formada entre o tálus e o calcâneo (osso do calcanhar). Permite movimentos de inversão e eversão do pé (movimentos laterais), que são importantes para o equilíbrio e a adaptação do pé ao solo. 5. Articulação Talocalcaneonavicular: Formada pelo tálus, calcâneo e navicular. Contribui para os movimentos de rotação do pé e estabilidade do arco do pé. 6. Articulação Calcaneocuboide: Formada entre o calcâneo e o cuboide. Essa articulação contribui para a estabilidade do pé e permite movimentos limitados, mas é importante na adaptação do pé ao solo. 7. Articulação Lisfranc: Articulações entre os ossos do metatarso e os ossos do tarso (como o cuboide, navicular e cuneiformes). Embora não seja diretamente no tornozelo, essa articulação é fundamental para a estabilidade do pé, influenciando os movimentos do tornozelo. 8. Articulações Interfalângicas (no pé): Entre as falanges dos dedos do pé. Embora não estejam diretamente no tornozelo, essas articulações são essenciais para os movimentos dos dedos, ajudando na locomoção. 9. Articulação Metatarsofalângica: Entre os ossos do metatarso e as falanges (nos dedos do pé). Permite os movimentos de flexão e extensão dos dedos durante a caminhada. • Ligamentos: Ligamentos são estruturas que conectam os ossos. Os principais ligamentos do tornozelo são: Ligamento lateral (externo), que ajuda a estabilizar o tornozelo, evitando movimentos laterais indesejados. Ele inclui três ligamentos: o ligamento talofibular anterior, o ligamento calcaneofibular e o ligamento talofibular posterior. - Ligamento talofibular anterior (LFTA): Conecta a fíbula ao tálus, na frente do tornozelo. É o ligamento mais frequentemente lesado em entorses. - Ligamento calcaneofibular (LCF): Conecta a fíbula ao calcâneo (osso do calcanhar), estabilizando o tornozelo lateralmente. - Ligamento talofibular posterior (LFTP): Conecta a fíbula ao tálus, mas na parte de trás do tornozelo. Ele é mais forte que o talofibular anterior e ajuda na estabilidade do tornozelo durante os movimentos de rotação. Ligamento medial (ou deltoide), que fica do lado interno do tornozelo e também ajuda a manter a estabilidade, prevenindo movimentos excessivos para dentro. - ligamento tibiotalaranterior: Ligam a tíbia ao tálus. - ligamento tibiocalcânea: Ligam a tíbia ao calcâneo. - ligamento tibionavicular: Ligam a tíbia ao osso navicular. - ligamento tibiotalar posterior: Ligam a tíbia ao tálus na parte posterior. Ligamento sindesmótico, entre a tíbia e a fíbula na parte inferior da perna, não é uma articulação verdadeira localizada em uma área onde os ligamentos unem essas duas ossos, dando estabilidade à parte inferior da perna e ao tornozelo. Tendões: Os tendões conectam os músculos aos ossos e são importantes para o movimento. Os principais tendões no tornozelo incluem o tendão de Aquiles, que conecta os músculos da panturrilha ao calcanhar e permite movimentos como caminhar, correr e pular. 2. Movimentos do tornozelo O tornozelo realiza principalmente dois movimentos: o Flexão plantar: Quando você empurra o pé para baixo (como ao andar ou apontar os pés). o Dorsiflexão: Quando você levanta a ponta do pé (como ao tentar encostar o pé na canela). O tornozelo também pode fazer movimentos de inversão e eversão, onde o pé se move para dentro (inversão) ou para fora (eversão), mas esses movimentos são mais limitados. -inversão: é quando a planta do pé gira para dentro, em direção à linha média do corpo, e o arco do pé se eleva - eversão: é o movimento oposto, em que o pé gira para fora, afastando-se da linha média e abaixando o arco do pé. 3. Função • O principal objetivo do tornozelo é suportar o peso do corpo e permitir movimentos como caminhar, correr, saltar e se equilibrar. Ele ajuda a adaptar os pés a diferentes superfícies e movimentações. • Além disso, o tornozelo tem a função de absorver impacto, já que os pés batem no chão com força ao andar ou correr. 4. Patologias comuns • Entorses de tornozelo: São lesões comuns, geralmente causadas por torções. Isso pode envolver o estiramento ou ruptura dos ligamentos, principalmente do lado lateral do tornozelo. As entorses podem variar de leves a graves e causam dor, inchaço e limitação de movimento. • Fraturas: O tornozelo pode fraturar, especialmente em quedas ou acidentes. As fraturas podem afetar qualquer um dos ossos que formam a articulação, e o tratamento pode variar desde imobilização até cirurgia. • Tendinite do tendão de Aquiles: É a inflamação do tendão que conecta a panturrilha ao calcanhar. Pode ocorrer devido a esforço excessivo, especialmente em atividades esportivas. • Artrite do tornozelo: A osteoartrite pode afetar a articulação do tornozelo, causando dor crônica, rigidez e dificuldade de movimento. Isso ocorre especialmente em pessoas mais velhas ou após lesões repetidas na articulação. 5. Exame físico: durante o exame físico, o médico vai observar o tornozelo para verificar sinais de inchaço, hematomas ou deformidades. Também pode realizar testes específicos, como: o Teste de estresse do tornozelo: Para avaliar a integridade dos ligamentos. o Teste de estabilidade: Para verificar a estabilidade geral da articulação, que é crucial após lesões como entorses. • O exame físico ajuda a identificar o tipo de lesão (ligamentar, óssea, tendínea) e determinar o tratamento adequado. • algumas lesões de tecidos moles, como tendões ou ligamentos danificados. 7. Aspectos Radiológicos • A radiografia (raio-X) é usada para verificar fraturas ou sinais de osteoartrite no tornozelo. • A ressonância magnética (RM) é útil para avaliar lesões em ligamentos, tendões ou outras estruturas moles que não aparecem bem no raio- X. 8. Prevenção de lesões: é necessário fazer fortalecimento muscular: Manter os músculos das pernas e tornozelos fortes ajuda a prevenir lesões e além disso o aquecimento antes das atividades físicas: Fazer alongamentos e aquecer os músculos corretamente pode evitar distensões e entorses. LEMBRAR: para subir morro/escada: é mais usado o LCA Para descer morro/escada: é o mais usado LCP Em corrida virando pra esquerda: colaterais laterais pé direito e ligamento colateral lateral direito do joelho direito E na corrida direita: são os ligamentos mediais pé esquerdo e ligamento colateral medial do joelho esquerdo Medicina laboratorial Exoparasitoses As exoparasitoses são doenças causadas por parasitas que vivem na superfície do corpo ou sobre a pele do hospedeiro. Eles podem ser vetores de outras doenças e geralmente causam prurido (coceira) e outros sintomas dermatológicos. Abaixo estão algumas exoparasitoses comuns: 1. Febre Maculosa • Sintomas Principais: Febre alta, dor de cabeça, dor muscular, manchas vermelhas ou petequiais na pele (geralmente nas extremidades), náuseas e vômitos. Pode causar sérios danos aos órgãos se não tratada a tempo. • Vetores e Transmissão: O vetor principal é o carrapato Amblyomma cajennense, que transmite a bactéria Rickettsia rickettsii. • Transmissão: A infecção ocorre quando o carrapato infectado morde o ser humano e transmite a bactéria. 2. Escabiose (Sarna) • Sintomas: Prurido intenso, especialmente à noite, com lesões de escoriação (feridas na pele devido à coceira), inflamação e formação de crostas. • Nome Popular: Sarna. • Causa: Infecção pela Sarcoptes scabiei, um ácaro que penetra na pele para depositar seus ovos, causando a coceira. • Tratamento: O tratamento envolve o uso de medicamentos tópicos como permetrina ou ivermectina. 3. Babesiose • Sintomas: Febre, dor de cabeça, cansaço, calafrios, suores e anemia. Em alguns casos, pode causar complicações graves como falência renal. • Vetores: O vetor principal é o carrapato Rhipicephalus sanguineus, que transmite o protozoário Babesia. • Transmissão: A babesiose é transmitida pela picada de carrapatos infectados com o protozoário. O parasito ataca os glóbulos vermelhos do sangue, levando à destruição das células sanguíneas. 4. Piolho do Púbis • Sintomas: Coceira intensa na região pubiana e áreas com pelos (como axilas, coxas e barba). Pode causar lesões na pele devido à coceira. • Nome Popular: Chato, piolho pubiano ou piolho do púbis. • Tratamento: O tratamento geralmente envolve o uso de cremes ou loções pediculicidas, como permethrin ou ivermectina, para matar os piolhos. 5. Fitiríase • Sintomas: Prurido intenso na região afetada, semelhante à infecção por piolho pubiano, pois é causada pelo Pthirus pubis (mesmo piolho). • Tratamento: O tratamento é o mesmo do piolho pubiano, com o uso de pediculicidas tópicos. 6. Tipos de Piolho • Piolho da Cabeça (Pediculus humanus capitis): Causa prurido no couro cabeludo e é transmitido por contato direto com a cabeça de uma pessoa infestada. • Piolho do Corpo (Pediculus humanus corporis): Causa prurido no corpo, geralmente em áreas de contato com roupas e é transmitido pelo contato direto ou compartilhamento de roupas e camas. • Piolho Pubiano (Pthirus pubis): Piolho que afeta a região pubiana, sendo transmitido sexualmente ou por contato com roupas e lençóis infestados. 7. Miíase • Sintomas: Lesões na pele com presença de larvas de moscas, com secreção purulenta e dor. Pode ocorrer inchaço e sensação de movimento sob a pele. • Nome Popular: Bicheira (em algumas regiões) ou berne (em outras). • Causa: As larvas de moscas (geralmente Callitroga hominivorax ou Cochliomyia hominivorax) penetram na pele, onde se desenvolvem. • Classificação: o Berne: Larvas que se desenvolvem sob a pele, geralmente em áreas como o pescoço e as costas. o Bicheira: É o estágio mais avançado da infecção, onde as larvas saem da pele para formar casulos. • Tratamento: A remoção das larvas é feita manualmente ou com o auxílio de medicamentos tópicos, como pomadas antimicrobianas e antibióticas. Em casos graves, pode ser necessário procedimento cirúrgico. Tratamento Geral das Exoparasitoses • Antiparasitários: Em muitas exoparasitoses,o uso de medicamentos antiparasitários tópicos (como permetrina ou ivermectina) ou orais (como albendazol e outros anti-helmínticos) são comuns. • Cuidados Locais: Limpeza das áreas afetadas, uso de cremes calmantes para reduzir a coceira, e em alguns casos, antibióticos para tratar infecções secundárias causadas pela escoriação da pele. Essas condições envolvem a infestação por parasitas que vivem fora do corpo humano e causam sintomas como coceira, dor e, em alguns casos, infecções mais graves. A prevenção geralmente inclui medidas de higiene, controle de vetores e, quando necessário, o uso de medicamentos específicos. Tbl A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos (bactérias, vírus, fungos e outros) que habitam o nosso trato gastrointestinal, especialmente no cólon. Ela desempenha papéis cruciais na saúde, como a digestão, absorção de nutrientes, produção de vitaminas e regulação do sistema imunológico. A microbiota varia entre os indivíduos e pode ser influenciada por fatores como genética, estilo de vida, dieta, uso de medicamentos e o tipo de parto (vaginal ou cesáreo). Existem dois tipos principais de microbiota: • Microbiota residente: É permanente, presente em determinadas áreas do corpo, como o trato gastrointestinal (TGI), e é essencial para a manutenção da saúde. • Microbiota transitória: São microrganismos que aparecem por um tempo limitado, mas que não permanecem. O equilíbrio entre os microrganismos é conhecido como simbiose, onde microrganismos benéficos coexistem com patogênicos, sem prejudicar o organismo. Quando ocorre um desequilíbrio, gerando uma predominância de microrganismos patogênicos, temos a disbiose, que pode contribuir para doenças como obesidade, diabetes, doenças inflamatórias intestinais (DII) e até dificuldades no sistema imunológico. Fatores como estresse podem alterar a microbiota, o que leva ao aumento de bactérias patogênicas e diminuição das comensais (benéficas). Para manter ou restaurar a saúde da microbiota, utiliza-se prebióticos (fibras alimentares que favorecem o crescimento de bactérias benéficas) e probióticos (bactérias benéficas presentes em alimentos como iogurtes). Além disso, o transplante de microbiota fecal (ou microbiota intestinal) é uma técnica usada para restaurar a microbiota de indivíduos com disbiose, sendo realizado através da coleta de fezes de um doador saudável, que são analisadas e inseridas no paciente por meio de diferentes métodos, como colonoscopia. A microbiota também está diretamente associada à obesidade e outras desordens metabólicas. Por exemplo, pessoas obesas tendem a ter uma maior quantidade de Firmicutes, que são mais eficientes em extrair nutrientes da alimentação, contribuindo para o ganho de peso. Já as pessoas magras apresentam mais Bacteroidetes, que favorecem a produção de substâncias anti-inflamatórias. Essa interação complexa entre microrganismos e o hospedeiro torna a microbiota um fator fundamental na saúde geral e no desenvolvimento de doenças.