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Prévia do material em texto

Conteudista: Prof. Esp. Acacio Silva Barros 
Revisão Textual: Prof.ª Esp. Pérola Damasceno
Objetivos da Unidade:
Apresentar as principais alterações da pessoa idosa relacionadas ao
envelhecimento e, especialmente, ao sistema gastrointestinal;
Associar o envelhecimento com a absorção de nutrientes e a importância do
cuidado com a alimentação.
📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
Alterações Fisiológicas e Metabólicas no
Envelhecimento
Introdução
O processo de envelhecimento provoca mudanças significativas no organismo humano. O
chamado envelhecimento fisiológico é um processo natural e gradual que ocorre no corpo
humano à medida que uma pessoa envelhece e, embora as mudanças decorrentes desse
processo sejam universais, a velocidade com que ocorrem e a forma como afetam as pessoas
podem variar significativamente. Em certos sistemas orgânicos, como os rins, um grupo de
pessoas pode experimentar um declínio gradual da função ao longo do tempo, enquanto outros
mantêm sua função constante. Essas descobertas sugerem que a teoria anterior de perda
gradual deve ser reconsiderada como reflexo de doença, em vez de apenas envelhecimento
(KANE et al. 2015).
Com o aumento da idade do ser humano aliado a grandes mudanças tecnológicas e científicas na
área da saúde, as mudanças no corpo foram atenuadas, à medida que novos conceitos e
tratamentos foram difundidos. Apesar disso, estudos apontam que a maioria dos sistemas
orgânicos parece perder função a uma taxa média de 1% ao ano, começando por volta dos 30
anos. No entanto, dados adicionais indicam que as alterações mais consideráveis começam após
os 70 anos de idade considerando o envelhecimento natural e não patológico. 
Algumas das características do envelhecimento fisiológico incluem diminuição da massa
muscular, perda de densidade óssea, diminuição da flexibilidade e plasticidade, diminuição do
metabolismo e dos processos do sistema imune, alterações anatômicas e fisiológicas em
sistemas como cardiovascular e nervoso, dentre outras.
Página 1 de 3
📄 Material Teórico
Para a atuação do profissional nutricionista na gerontologia, o envelhecimento do sistema
gastrointestinal deve ser bem analisado pois impacta profundamente na alimentação e saúde do
paciente. Pessoas idosas têm uma maior propensão ao desenvolvimento de doenças crônicas,
em grande parte devido às mudanças fisiológicas típicas dessa fase da vida, como o aumento da
rigidez arterial, diminuição dos níveis de estrogênio e perda de massa muscular. Estas condições
podem impactar o apetite, a capacidade funcional e até mesmo a capacidade de engolir,
resultando em mudanças na ingestão alimentar e afetando negativamente o estado nutricional
(ARAUJO et al., 2020).
Para entender melhor as alterações no envelhecimento relacionadas ao sistema
gastrointestinal, é preciso sabermos quais os órgãos e funções desse sistema. 
Vamos Relembrar o que é o Sistema Gastrointestinal
O sistema gastrointestinal, também conhecido como sistema digestivo, é responsável pela
ingestão, digestão, absorção de nutrientes e eliminação de resíduos do corpo. Ele é composto
por uma série de órgãos que trabalham juntos para realizar a quebra e digestão dos alimentos,
absorção dos nutrientes e excreção do que não foi absorvido. Aqui, estão os principais
componentes do sistema gastrointestinal:
Cavidade bucal: o processo digestivo começa na boca, onde a
comida é mastigada com o auxílio dos dentes e língua e
misturada com saliva, que contém enzimas que começam a
quebrar os carboidratos;
Esôfago: é um tubo muscular que transporta a comida mastigada da boca para o
estômago por meio de contrações musculares rítmicas chamadas de movimentos
peristálticos;
Estômago: neste órgão, os alimentos são misturados com sucos gástricos, ácido
clorídrico e enzimas digestivas. O ácido ajuda a quebrar os alimentos e matar
bactérias, enquanto as enzimas começam a digerir proteínas;
Assim como outras partes do corpo, o sistema gastrointestinal também passa por mudanças
associadas ao envelhecimento. As principais alterações que podem ocorrer no sistema
gastrointestinal, à medida que as pessoas envelhecem, estão colocadas no Quadro a seguir:
Quadro 1 – Alterações no Trato Gastrointestinal que Ocorrem no Envelhecimento 
Órgão Alterações Implicações 
Boca
Fibrose e atrofia de
glândulas salivares
e papilas
gustativas.
Alterações no paladar e
diminuição no prazer em
comer, além da Xerostomia
que é o quadro de boca seca.
Intestino delgado: é dividido em três partes: o duodeno, o jejuno e o íleo. É o
principal local de digestão e absorção de nutrientes. Enzimas digestivas do pâncreas
e bile do fígado ajudam na quebra de gorduras, proteínas e carboidratos. Os
nutrientes são absorvidos pelas vilosidades e microvilosidades ao longo da parede
intestinal;
Intestino grosso: composto pelo cólon e reto, é responsável pela absorção final de
água e sais minerais. Também é onde a formação e armazenamento das fezes
ocorrem antes da eliminação pelo ânus;
Fígado: considerado uma glândula, o fígado desempenha várias funções essenciais
no sistema digestivo. Ele produz bile, que é armazenada na vesícula biliar e liberada
no intestino delgado para ajudar na digestão das gorduras. Além disso, o fígado
metaboliza nutrientes, armazena vitaminas e realiza a desintoxicação do corpo;
Pâncreas: produz enzimas digestivas que são liberadas no intestino delgado para
ajudar na digestão de proteínas, gorduras e carboidratos. Além disso, o pâncreas
produz hormônios como insulina e glucagon, que regulam os níveis de açúcar no
sangue.
Órgão Alterações Implicações 
Boca
Perda dentária e
doença periodontal.
Diminuição da força e poder de
mastigação.
Esôfago
Movimento
muscular reduzido
e Disfagia.
Movimentos peristálticos
mais e digestão mais lenta e
dificuldade em engolir
alimentos.
Esôfago
Refluxo
Gastroesofágico
(DRGE).
O refluxo do ácido do estômago
para o esôfago é comum em
pessoas idosas e pode levar a
azia, regurgitação ácida e, em
casos mais graves, lesões no
esôfago.
Estômago
Hipocloridria e
alterações na
produção de
enzimas e sucos
digestivos.
A produção de ácido estomacal
e de algumas enzimas
digestivas pode diminuir
afetando a capacidade do
corpo de digerir
eficientemente certos
alimentos, especialmente
proteínas e gorduras.
Estômago Gastroparesia.
Elevação no tempo do
esvaziamento gástrico com a
perda de musculatura.
Estômago Diminuição do fluxo
sanguíneo.
Maior susceptibilidade a
gastrites bacterianas por
Órgão Alterações Implicações 
Helicobacter pylori e
sangramentos digestivos.
Fígado
Mudanças na
estrutura e função
do fígado.
O fígado pode diminuir seu
tamanho afetando seu papel
na metabolização de toxinas e
na produção de bile.
Fígado
Esteatose hepática
- fígado gorduroso.
Pode se tornar mais comum
com a idade, especialmente
em pessoas com sobrepeso ou
obesidade.
Intestino
delgado
Redução da
absorção de
nutrientes.
a capacidade do intestino
delgado de absorver nutrientes
essenciais, como vitaminas
B12, cálcio e ferro, pode
diminuir. Isso pode levar a
deficiências nutricionais em
alguns casos.
Intestino
delgado
Diminuição dos
níveis da produção
de enzimas
digestivas como a
lactase.
Eleva a porcentagem de
intolerância a produtos
lácteos.
Intestino
grosso
Diminuição do
tônus e da força
muscular.
Isso pode resultar em
movimentos peristálticos
mais lentos, levando a uma
Órgão Alterações Implicações 
digestão mais lenta e possível
constipação.
Intestino
grosso
Diminuição do
tônus e da força
muscular.
Também afetam o esfíncter
anal, o que pode aumentar a
chance de incontinência fecal.
Intestino
grosso
Alterações na
microbiota com uso
de medicamentos e
hábitos de vida.
Possível declínio na função
imunológica intestinal com
maior predisposição a
diarreias.
Pâncreas
Alteração nos
receptores de
insulina.
Intolerância à glicose.
Pâncreas
Redução das células
secretoras de
insulina.
Pode estar associado à maior
prevalência de Diabetes tipo II
em idosos.Fonte: Adaptado de VITOLO (2014) e SILVA (2016)
É importante notar que nem todos os indivíduos experimentarão essas mudanças de maneira
uniforme. Fatores como histórico médico pessoal, estilo de vida, dieta e genética podem
influenciar a extensão e a velocidade dessas mudanças. No entanto, cuidados adequados com a
saúde gastrointestinal, como uma dieta equilibrada, hidratação adequada, atividade física regular
e exames médicos preventivos, são fundamentais para minimizar os problemas
gastrointestinais associados ao envelhecimento e para manter a saúde digestiva. Em casos de
sintomas persistentes ou preocupantes, é essencial buscar orientação médica e nutricional para
avaliação e tratamento adequados. 
Saiba Mais 
A alteração da enzima intestinal galactase provoca o acúmulo do
monossacarídeo galactose. Este acaba sendo convertido em galactitol,
um poliálcool de toxicidade elevada que se acumula no cristalino
provocando sua opacificação, o que está relacionado à ocorrência da
catarata senil.
Figura 1 – Catarata senil
Fonte: Getty Images
#ParaTodosVerem: foto de um olho de idoso com borda opaca em branco
sinalizando a presença da doença conhecida como catarata. Fim da descrição.
Em Síntese 
São inúmeras as alterações no sistema gastrointestinal humano que
podem afetar a alimentação e qualidade de vida da pessoa idosa. Essas
As principais alterações do sistema gastrointestinal ligadas ao envelhecimento e senescência
estão exemplificadas na Figura a seguir:
Figura 2 – Alterações no sistema gastrointestinal com o
envelhecimento
Fonte: Adaptado de Getty Images
#Paratodosverem: esquema do sistema digestório humano em uma figura de
corpo humano rosada e os órgãos coloridos. O sistema é apresentado na forma
de tubo, de cima para baixo, contendo boca, língua, esôfago, estômago,
intestino delgado em rosa-claro, e intestino grosso em um rosado envelhecido.
devem ser consideradas para o melhor atendimento clínico e
nutricional do paciente.
Ainda é possível ver o fígado à frente do tubo em cor marrom e a vesícula biliar
em verde. Fim da descrição.
Efeitos do Envelhecimento sobre a Absorção de
Nutrientes
O principal problema nutricional identificado em idosos é a desnutrição, uma condição que se
relaciona com o aumento da mortalidade, maior suscetibilidade a infecções e a diminuição da
qualidade de vida. Ela é causada não apenas pela baixa ingestão de nutrientes, mas
principalmente pela má digestão e absorção dos alimentos. Esses fatores contribuem para a
diminuição da imunidade e aumento da incidência de doenças carenciais como anemias,
osteopenias e hipovitaminoses. Proteínas e carboidratos são os macronutrientes que mais
apresentam redução em sua absorção. Já entre os micronutrientes, ferro, cálcio, vitamina D e
vitamina B12 são aqueles com maiores taxas de carência entre idosos.
A diminuição da absorção intestinal em idosos refere-se à redução na capacidade do trato
gastrointestinal dessa faixa etária em absorver nutrientes essenciais dos alimentos
consumidos. Esse fenômeno está associado a mudanças fisiológicas naturais relacionadas à
idade, como diminuição na produção de enzimas digestivas, menor motilidade gastrointestinal e
possíveis alterações na superfície de absorção intestinal. 
Essas alterações são mais impactantes no epitélio intestinal, a camada de células que reveste o
trato gastrointestinal e onde ocorre a absorção de nutrientes. As alterações incluem, além da
diminuição das vilosidades, alterações na microbiota intestinal e inflamações decorrentes de
uma dieta inadequada, afetando a eficiência da absorção de nutrientes.
As vilosidades intestinais são projeções microscópicas semelhantes a dedos encontradas no
revestimento interno do intestino delgado. Essas estruturas aumentam significativamente a
área de superfície disponível para absorção de nutrientes durante o processo digestivo. A
presença das vilosidades intestinais é crucial para maximizar a eficiência da absorção de
nutrientes. Elas aumentam a superfície de absorção, permitindo que o intestino absorva uma
quantidade maior de nutrientes dos alimentos digeridos, o que é fundamental para a nutrição
adequada do corpo humano. Alterações nessas estruturas, como sua diminuição, podem
impactar negativamente a capacidade do corpo de absorver nutrientes, podendo levar a
deficiências nutricionais e outros problemas de saúde, como a má digestão de alimentos, visto
que em muitas delas há a produção de enzimas – como é o caso da lactose.
As vilosidades intestinais vistas ao microscópio eletrônico de varredura e coloridas
artificialmente demonstram a grande quantidade delas no intestino:
Figura 3 – Vilosidades intestinais
Fonte: Getty Images
#Paratodosverem: foto de micrografia computadorizada de microvilosidades
intestinais em rosa. Fim da descrição.
A hipocloridria, ou diminuição da produção de ácido clorídrico no estômago, também é um fator
importante pois faz com que o pH estomacal fique mais alto (alcalino) e altere o processo de
digestão – nesse caso, digestão das proteínas. Essa queda acaba por contribuir
significativamente para a depleção desse nutriente em idosos tais como ferro e aminoácidos,
piorando o quadro de sarcopenia. 
A hipocloridria, associada à diminuição de proteínas transportadoras na membrana absortiva do
intestino delgado – conhecida como membrana da borda em escova – resulta na redução da
absorção de carboidratos. Essa alteração pode levar à diminuição das enzimas sacarase, lactase e
galactoquinase, desencadeando sintomas como diarreia, distensão abdominal e intolerância à
frutose e lactose.
A redução na absorção de ferro também ocorre no envelhecimento, relacionada à má digestão e
absorção. A carência de ferro pode afetar o estado nutricional e aumentar a predisposição a
quadros de anemia ferropriva. Em pessoas idosas, com 65 anos ou mais, a anemia é uma
condição comum, atingindo mais de 10% desse grupo. Além do ferro, deficiências de ácido fólico
e vitamina B12 também podem contribuir para casos de anemia.
Outro mineral afetado pelas alterações intestinais é o cálcio, essencial para a saúde óssea. Sua
absorção diminuída está associada a problemas como gastrite, frequentemente causada pelo uso
de medicamentos e pela presença da bactéria H. pylori, prejudicando sua absorção no intestino
delgado. 
Junto a depleção de cálcio, níveis mais baixos de vitamina D, atribuídos à exposição solar
insuficiente e à redução da sua conversão renal e a diminuição da síntese do Hormônio
Paratireoidiano (PTH), que influencia a produção da forma ativa da vitamina D, prejudicam a
absorção de cálcio e agravam quadros de osteopenia e osteoporose.
Considerando os macronutrientes, o efeito da absorção deles é diferente e está relacionada a
cada alteração fisiológica do sistema gastrointestinal. No Quadro 2, estão apresentados os
efeitos na absorção dos nutrientes proteínas, lipídios, carboidratos e lactose no envelhecimento.
Quadro 2 – Efeito da Absorção de Nutrientes no Envelhecimento Humano
Fonte: Adaptado de VITOLO (2014) e SILVA (2016)
Desnutrição em Pacientes Idosos
As mudanças no sistema gastrointestinal e a redução na taxa de absorção são fatores que
aumentam o risco de desnutrição em idosos. A desnutrição é um desequilíbrio entre a ingestão
de nutrientes e as necessidades do corpo, resultante de uma dieta inadequada e de dificuldades
na ingestão, absorção e uso dos nutrientes.
Durante o processo de envelhecimento, ocorrem alterações no sistema gastrointestinal que
afetam a alimentação e a nutrição dos idosos. Essas mudanças incluem diminuição do apetite e
da sensação de fome, perda de massa muscular e redução do gasto energético, com aumento
simultâneo da massa corporal gordurosa. A perda de dentes e a diminuição da salivação são
outras mudanças fisiológicas relevantes que impactam a nutrição dos idosos.
Essas alterações estão documentadas na literatura e podem levar a um estado conhecido como
anorexia fisiológica ou anorexia do envelhecimento.Nesse estado, a diminuição do apetite e da
fome resulta em menor ingestão de alimentos e, consequentemente, menor ingestão calórica. A
anorexia do envelhecimento é um fator de risco significativo para a desnutrição, especialmente
em idosos com baixa renda. A falta de diversidade na alimentação também contribui para a
ingestão reduzida de calorias e está associada a vários problemas, incluindo desnutrição e
obesidade.
A baixa ingestão energética e a escassez de nutrientes é a principal causa da a desnutrição em
pessoas idosas. No Brasil, dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 (IBGE, 2011)
revelaram que, para ambos os sexos, os níveis mais baixos de ingestão energética foram
registrados no grupo de idosos (com 60 anos ou mais), com médias de consumo de 1.490
Kcal/dia para mulheres e 1.796 Kcal/dia para homens. Além da baixa ingestão total de energia na
dieta, um estudo transversal com idosos de baixa renda, residentes na cidade de São Paulo,
evidenciou que 35% deles não consumiam nenhum tipo de fruta ou hortaliça diariamente (SABE,
2006).
Nesses pacientes, o consumo alimentar diário diminui e muitas vezes os alimentos consumidos
são de baixas calorias, contribuindo para a deficiência nutricional e desnutrição. Os hábitos
alimentares também mudam, muitas vezes incentivados por fatores de desintegração social
como isolamento, condições financeiras e falta de transporte adequado para melhor atendê-los,
fazendo com que percam a preocupação consigo, deixando de se alimentar de forma adequada.
Essas alterações orgânicas, fisiológicas e metabólicas naturais do envelhecimento, tornam o
indivíduo idoso mais vulnerável às alterações da ingestão alimentar, da digestão, absorção e
biodisponibilidade de nutrientes e da capacidade funcional, o que pode afetar o estado
nutricional do idoso. Outros aspectos não fisiológicos e ligados ao estilo de vida e
comportamento, como depressão, apatia e distúrbios do humor, ou fatores sociais como o
isolamento social e a pobreza compõem fatores que estão bastante relacionados à anorexia do
envelhecimento (SILVA et al 2016; KRAUSE, 2005).
Figura 4 – Idosa solitária
Fonte: Getty Images
#Paratodosverem: foto de uma mulher idosa, magra, sentada sozinha em um
sofá, montando um quebra-cabeça. Fim da descrição.
Essa condição pode levar a uma série de problemas de saúde, incluindo fraqueza muscular,
comprometimento do sistema imunológico, maior risco de infecções, diminuição da capacidade
de cicatrização, fadiga, confusão mental, diminuição da densidade óssea, entre outros. Como a
desnutrição está associada à perda da capacidade funcional, ao comprometimento da função
muscular, à diminuição da massa óssea e à disfunção imune, além do aumento do período e da
frequência de internações hospitalares e da mortalidade, tem grande impacto na autonomia e
independência da pessoa idosa.
Como os principais fatores de causa da desnutrição em pessoas idosas, tem-se: 
A prevenção e o tratamento da desnutrição em idosos envolvem diversas abordagens que visam
garantir uma dieta adequada, promover a ingestão de nutrientes essenciais e manter um estado
nutricional saudável. É importante também que familiares, cuidadores e profissionais de saúde
estejam atentos aos sinais de desnutrição em idosos e busquem ajuda profissional para intervir
apropriadamente. Dentre os principais fatores relevantes para prevenir e tratar a desnutrição em
idosos estão a avaliação nutricional regular, dieta equilibrada e adaptada, suplementação
nutricional, educação alimentar e tratamento interdisciplinar fornecendo apoio social e
psicológico se necessário.
Fatores de prevenção e tratamento de desnutrição em idosos:
Falta de apetite: a perda de apetite é comum em idosos devido
a uma série de razões, incluindo alterações no paladar,
problemas dentários, efeitos colaterais de medicamentos,
solidão ou depressão;
Problemas de deglutição: (disfagia) podem tornar difícil para os idosos comerem
alimentos sólidos e líquidos, levando à ingestão insuficiente de nutrientes;
Problemas de mobilidade: A mobilidade reduzida pode dificultar o acesso aos
alimentos e preparação de refeições;
Doenças crônicas: Condições crônicas de saúde, como câncer, diabetes, doenças
cardíacas ou doenças pulmonares, podem aumentar as necessidades nutricionais
dos idosos e tornar a absorção de nutrientes mais difícil;
Demência: pessoas com demência podem esquecer de comer ou ter dificuldade em
lembrar que já comeram, levando à desnutrição;
Baixa renda: idosos com recursos financeiros limitados podem não ter acesso a
alimentos nutritivos em quantidade suficiente.
Obesidade em Pacientes Idosos
A obesidade em idosos representa uma preocupação significativa para a saúde, pois está
associada a diversos problemas de saúde que podem comprometer a qualidade de vida. Essa
condição pode elevar o risco das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como Diabetes tipo 2,
doenças cardíacas, hipertensão e determinados tipos de câncer, além de patologias que
impactam as atividades de vida diária como artrite e problemas articulares influenciando a
mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida desses indivíduos.
Dados do Estudo SABE (2006) apontaram que, ao longo de dez anos avaliados, ocorreu aumento
na proporção de doenças crônicas, ganho de peso e obesidade, ainda que em um período
avaliado (2000 a 2006), a perda de peso tenha sido mais prevalente entre os idosos. Entre os
idosos houve a relação entre a percepção ruim ou muito ruim da própria saúde associada com
aumento do peso corporal. Os pacientes idosos relataram também dificuldade em realizar
atividade física o que pode contribuir para o ganho de peso. Associado a ambientes
obesogênicos, esses fatores influenciam fortemente o ganho de peso em todas as faixas etárias,
e podem ter contribuído para o aumento de peso e obesidade em pessoas idosas (LEBRÃO;
LAURENTI, 2005).
Avaliação médica e nutricional e monitoramento: idosos em risco de desnutrição
devem ser avaliados por um médico e um nutricionista para determinar suas
necessidades nutricionais e desenvolver um plano alimentar adequado;
Adaptar a dieta: modificar a consistência dos alimentos (por exemplo, triturar ou
liquidificar) para facilitar a deglutição, se necessário;
Fornecer apoio social e suplementação psicológica: estimular refeições
compartilhadas e fornecer apoio social pode melhorar o apetite e a ingestão de
alimentos. Para aqueles que sofrem de depressão ou solidão, intervenção
psicológica pode ajudar a melhorar o apetite e a motivação para comer;
Suplementação nutricional: em alguns casos, suplementos nutricionais podem ser
prescritos pelo médico para garantir a ingestão adequada de nutrientes (VITOLO,
2014; SILVA, 2016).
A obesidade é uma doença multifatorial e que tem sua predisposição relacionada a diversos
aspectos. O aumento do peso é gradual e ocorre devido a desbalanço energético entre consumo e
gasto calórico. Para pessoas idosas, considerando a diminuição de capacidade física, muitas
vezes, de realização de exercícios e em virtude da facilidade ou mesmo do apelo sensorial
relacionados ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados contribuem para o
agravamento dessa condição.
Outros fatores que podem contribuir com a obesidade em pessoas idosas, podem ser:
Alterações metabólicas: o metabolismo pode diminuir com a
idade, o que significa que o corpo queima menos calorias em
repouso. Se a ingestão calórica não for ajustada de acordo, isso
pode levar ao ganho de peso;
Estilo de vida sedentário: a diminuição da atividade física é comum em pessoas
idosas, especialmente se houver problemas de mobilidade ou dores crônicas. A falta
de exercício físico contribui para o ganho de peso;
Alterações hormonais: as alterações hormonais associadas ao envelhecimento,
especialmente em mulheres na pós-menopausa, podem levar ao ganho de peso,
especialmente ao redor do abdômen;
Fatores sociais e econômicos: acesso limitado a alimentos saudáveis,baixa renda e
falta de conscientização sobre hábitos alimentares saudáveis podem contribuir para
escolhas alimentares inadequadas;
Condições de saúde subjacentes: certas condições médicas, como diabetes tipo 2 e
hipotireoidismo, estão associadas ao ganho de peso e podem ser mais prevalentes
em idosos;
Uso de medicamentos: alguns medicamentos prescritos para condições de saúde
crônicas podem levar ao ganho de peso como efeito colateral.
É importante destacar que, além dos aspectos biológicos, fatores biopsicossociais
desempenham um papel significativo na alimentação dos idosos. Dentre esses fatores,
destacam-se a perda do parceiro, a depressão, o isolamento social, as condições financeiras
precárias, a integração social, a capacidade de locomoção e a capacidade cognitiva, os quais
podem influenciar a disposição para cozinhar ou o desejo de se alimentar.
A obesidade é crescente na população idosa e pode resultar em implicações clínicas como o
declínio funcional e perda de autonomia, contribuindo para o desenvolvimento da síndrome da
fragilidade. 
A síndrome de fragilidade em idosos obesos é uma condição complexa que combina elementos
da fragilidade associados ao envelhecimento com os desafios adicionais causados pela
obesidade. A fragilidade em idosos é caracterizada por uma diminuição da reserva fisiológica e
da capacidade de lidar com estressores físicos e psicológicos, aumentando, assim, o risco de
eventos adversos à saúde, como quedas, hospitalizações e incapacidade funcional.
A obesidade em idosos pode complicar ainda mais essa condição, pois pode contribuir para a
diminuição da mobilidade, resistência cardiovascular reduzida, problemas articulares e maior
vulnerabilidade a problemas metabólicos, como diabetes e doenças cardiovasculares. A
coexistência de fragilidade e obesidade em idosos pode criar um desafio adicional para a gestão
da saúde, pois estratégias de cuidado precisam equilibrar a necessidade de controlar o peso e a
adiposidade com a preservação da força e funcionalidade.
Fisiologicamente, o envelhecimento implica em declínio das funções metabólicas, resultando
em alterações na composição corporal, com aumento da gordura corporal e redução da massa
muscular. Essas mudanças podem impactar negativamente a qualidade de vida dos idosos,
causando diminuição da mobilidade e aumentando o risco de quedas. Junto a isso, está a
obesidade sarcopênica, uma condição observada em idosos obesos caracterizada pela perda de
massa muscular. Portanto, o excesso de peso corporal combinado com a perda de massa
muscular é particularmente preocupante.
No Brasil, estudos indicam uma prevalência de até 10% de obesidade sarcopênica entre os
idosos, um número considerável que tende a aumentar com o envelhecimento da população. A
obesidade sarcopênica durante o envelhecimento é um fator crucial na fragilidade, na
incapacidade e na perda de independência dos idosos. Os fatores causais dessa condição incluem
nutrição inadequada, resistência à insulina, diminuição dos níveis de hormônios como o GH e
testosterona, inflamação resultante da produção de citocinas pró-inflamatórias pelo tecido
adiposo, falta de atividade física e sedentarismo. A obesidade também contribui para o
desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão,
piorando ainda mais a qualidade de vida dos idosos.
Na pessoa idosa, a obesidade pode desencadear uma série de alterações e complicações de saúde.
Algumas das alterações relacionadas à obesidade em pessoas idosas incluem:
Glossário 
Obesidade sarcopênica: subtipo de obesidade que consiste em acúmulo
de massa gorda e redução de massa magra. A perda de musculatura é
conhecida como sarcopenia e é uma das mais conhecidas alterações
fisiológicas no envelhecimento.
Aumento do risco de doenças crônicas: a obesidade está
associada a um maior risco de desenvolver doenças crônicas,
como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças
cardiovasculares, certos tipos de câncer, apneia do sono, entre
outras. Essas condições são mais prevalentes em idosos obesos
e podem ter um impacto significativo na qualidade de vida;
Para gerenciar a obesidade em idosos, é importante adotar um estilo de vida saudável que inclua
uma dieta balanceada com porções controladas, atividade física regular (mesmo que seja apenas
caminhar), e, quando apropriado e com supervisão médica, programas de exercícios para
fortalecimento e resistência. Além disso, aconselhamento nutricional e apoio emocional podem
ser benéficos para ajudar os idosos a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis e adotarem
um estilo de vida mais ativo. É sempre recomendável que as mudanças no estilo de vida sejam
feitas sob a orientação de um profissional de saúde para garantir que sejam seguras e eficazes
para a pessoa idosa. 
É necessário abordar essa população de forma multidisciplinar, envolvendo profissionais de
saúde como médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos para desenvolver estratégias
de manejo personalizadas. Isso pode incluir programas de exercícios físicos adaptados,
intervenções nutricionais específicas, gerenciamento de doenças crônicas e estratégias para
minimizar o risco de quedas e lesões.
As Alterações no Sistema Gastrointestinal e o
Envelhecimento Humano – Como o Nutricionista pode
Redução da mobilidade e função física: o excesso de peso pode aumentar a pressão
sobre as articulações e músculos, levando à redução da mobilidade e da capacidade
funcional. Isso pode resultar em dificuldade para realizar atividades diárias, como
caminhar, subir escadas e até mesmo cuidar da higiene pessoal;
Agravamento de problemas de saúde pré-existentes: idosos obesos geralmente
enfrentam complicações adicionais relacionadas a condições de saúde pré-
existentes, como osteoartrite, problemas respiratórios, doenças cardíacas e
diabetes. A obesidade pode agravar esses problemas e tornar o gerenciamento
dessas condições mais desafiador;
Risco aumentado de quedas e lesões: a obesidade pode contribuir para a diminuição
do equilíbrio e da estabilidade, aumentando, assim, o risco de quedas e lesões. Isso é
especialmente preocupante para os idosos, pois as quedas podem resultar em
fraturas, incapacidade funcional e complicações de saúde adicionais.
Agir?
As alterações orgânicas, funcionais e psicológicas que ocorrem no organismo humano ao longo
da vida são resultantes de interações complexas que envolvem o estilo de vida ao longo dos anos
além dos fatores genéticos, de modo que o processo de envelhecimento não ocorre de maneira
uniforme, mesmo algumas alterações sendo comuns e típicas de acontecerem no decurso do
envelhecimento.
Para manter um sistema gastrointestinal saudável durante o envelhecimento, é essencial adotar
uma dieta rica em fibras, controlar a ingestão de alimentos processados e açúcares, beber
bastante água, fazer atividades físicas regularmente e ter exames de saúde regulares para
monitorar a saúde gastrointestinal e ajustar a dieta conforme necessário. Além disso, consultar
um nutricionista ou um gastroenterologista pode ser útil para orientações específicas
relacionadas à dieta e saúde gastrointestinal.
Os processos de digestão, absorção e metabolismo de nutrientes são imprescindíveis ao
metabolismo humano e à vida, e, apesar de sofrerem diferentes alterações no envelhecimento,
as pesquisas ainda são inconclusivas quanto aos seus impactos. Ainda assim, estes devem ser
observados na prática clínica e seus questionamentos devem constar na anamnese inicial para a
adequada manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente. 
Dessa forma, é necessário saber quais são e como ocorrem essas mudanças estruturais e
funcionais para melhor assistir ao paciente, levando em consideração todos os aspectos de sua
vida e do seu processo de envelhecimento, prevenindo o surgimento de doenças e arrefecendo
processos patológicos que já tenham se desenvolvido, visando sempre promover a melhor
qualidadede vida e bem-estar.
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
  Leitura  
Aspectos Biológicos e Fisiológicos do Envelhecimento
Humano e Suas Implicações na Saúde do Idoso
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ACESSE
Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das
Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis no Brasil
2021-2030
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📄 Material Complementar
https://revistas.ufg.br/fef/article/view/67/2956
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Os Micronutrientes Zinco e Vitamina C no Envelhecimento
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Núcleo de Tratamento da Obesidade do Idoso
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Unicamp: Alimento Combate à Desnutrição de Pessoas na 3ª
Idade
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ACESSE
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/doencas-cronicas-nao-transmissiveis-dcnt/09-plano-de-dant-2022_2030.pdf/
https://www.redalyc.org/pdf/260/26019017015.pdf
https://saudedapessoaidosa.fiocruz.br/pratica/n%C3%BAcleo-de-tratamento-da-obesidade-do-idoso
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ARAÚJO, T. A. D.; OLIVEIRA, I. M.; SILVA, T. G. V. D.; ROEDIGER, M. D. A.; DUARTE, Y. A. D. O.
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SILVA, M. L. N. et al. Tratado de nutrição em gerontologia. São Paulo: Manole, 2016.
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📄 Referências
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