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Recursos Humanos Processos trabalhistas: conceito, implicações para a organização, composição do processo, prazos legais Quando uma empresa está sendo processada, geralmente isso resulta em custos extras para a organização, bem como gera desgastes para o setor de recursos humanos, que tem a responsabilidade de tentar prever conflitos pontuais entre colaboradores e empresa. Nesse contexto, ações preventivas do RH podem reduzir conflitos e melhorar o clima organizacional, mas para isso o profissional de RH precisa compreender alguns conceitos e definições sobre os processos trabalhistas, que serão vistos ao longo deste material. Você já dever ter ouvido falar em processo trabalhista, mas você sabe, na prática, como ele é constituído? Chamamos de processo trabalhista o ramo do direito processual destinado à solução judicial dos conflitos trabalhistas. Observe que esse conceito é bastante objetivo e simples, nos remetendo a uma rápida reflexão de que o processo do trabalho é o meio pelo qual o trabalhador pode buscar seus direitos e eventuais reparações sobre algum dano sofrido. Também é possível dizer que o processo trabalhista é constituído por um conjunto de princípios e normas jurídicas destinadas a regular a atividade dos órgãos jurisdicionais do Estado na solução dos dissídios, individuais ou coletivos, entre empregadores e empregados. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 1/20 Aqui, temos uma visão mais abrangente, pois vai além das questões relativas ao que está sendo discutido no processo, ou seja, abrange questões sobre a formação desse tipo de processo, como o conjunto de normas e princípios, mas limita esse conceito aos conflitos entre empregados e empregadores. Ainda, para fecharmos uma compreensão diversificada a respeito deste tema, outro conceito traduz o processo trabalhista como sendo um complexo das normas legais, dos princípios, das opiniões doutrinárias e jurisprudenciais e das práticas doutrinárias destinados a regular o exercício da função jurisprudencial do Estado, com vistas a solucionar os conflitos de interesses, individuais ou coletivos, constitucionalmente atribuídos à Justiça do Trabalho. É possível observar que existe um cuidado com questões definidas nos livros e nas jurisprudências – que são o conjunto de julgamentos em casos semelhantes –, cuidando ainda para não se restringir apenas aos conflitos decorrentes de relação de emprego, mas, sim, ampliando para lides decorrentes das relações de trabalho (conforme a Emenda Constitucional n.º 45). Sergio Pinto Martins conceitua direito processual do trabalho como o conjunto de princípios, regras e instituições que se destinam a regular a atividade dos órgãos jurisdicionais na solução dos conflitos individuais ou coletivos, que advém da relação de trabalho. A Emenda Constitucional n.º 45, de 2004, modificou o artigo 114 da Constituição Federal e ampliou a competência da Justiça do Trabalho, permitindo que conflitos em virtude da relação de trabalho, e não apenas da relação de emprego, sejam analisados por ela. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 2/20 Veja que a relação de trabalho tem abrangência muito maior do que simplesmente a relação de emprego. A relação de emprego é apenas uma das modalidades da relação de trabalho, ou seja, caracteriza-se pela relação entre empregado (artigo 2º da CLT) e empregador (artigo 3º da CLT). O artigo 114 da Constituição Federal estabelece quais temas competem à Justiça do Trabalho processar e julgar, que são, dentre outras ações, as seguintes: Ações da relação de trabalho Ações do exercício do direito de greve Ações sobre representação sindical (entre sindicatos, sindicatos e trabalhadores e sindicatos e empregadores) Ações sobre representação sindical (entre sindicatos, sindicatos e trabalhadores e sindicatos e empregadores) Ações de indenização, por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho Ações de penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos fiscalizadores (INSS, Receita Federal, Ministério do Trabalho etc.) Assim, o processo é o complexo de atos sequenciais, é o meio pelo qual se concretiza a prestação jurisdicional, por intermédio do instrumento chamado “ação”, ou seja, é o meio que o empregado e empregador utilizam para satisfazer prejuízo decorrente da relação de trabalho. A rapidez desse tipo de processo está embasada na redução de várias fases do processo, bem como na redução de recursos que existem na esfera civil, por exemplo, e não existem na esfera trabalhista. Além disso, a redução de prazos e atos processuais também contribui para a aceleração do processo. Além da legislação, os princípios processuais também norteiam o processo do trabalho. Finalidade social 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 3/20 Em razão da diferença entre empregado e empregador, do ponto de vista da vulnerabilidade, o direito do trabalho procura assegurar que haja um equilíbrio entre eles. O processo trabalhista confere ao empregado algumas prerrogativas que não são conferidas ao empregador, como, por exemplo, a desnecessidade do depósito recursal. Oralidade O processo trabalhista é basicamente oral, ou seja, prevalecerá o que é dito. Isso não ocorre apenas porque existe uma preocupação com a valorização para que seja feito acordo entre as partes, mas também pela própria possibilidade que a parte tem de propor uma ação ou se defender, sem intermediação de advogado (embora não seja muito recomendado, em função da falta de conhecimento técnico). Celeridade As questões discutidas no processo do trabalho trazem como principal questão o único meio de sobrevivência do trabalhador e de sua família (salário), resultando assim em uma preocupação com o tempo de percurso do processo. Assim, com base nos conceitos acima, observamos o alto grau de importância destinado a esta justiça, que tem a missão de corrigir as injustiças com relação ao crédito de natureza alimentar. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 4/20 Composição do processo Sabendo o que é um processo do trabalho, avançamos para os órgãos que julgam esse tipo de ação, para entender como ocorre efetivamente o processo, compreendendo sua composição. Inicialmente, a parte que se sente prejudicada com alguma situação procura um advogado para esclarecer suas dúvidas e colocar a ele suas indignações, para então compreender se tem algum direito. Depois, o advogado passa as orientações, explicando quais os pontos que podem ser reclamados em uma eventual ação trabalhista. Feito isso, o advogado junta os documentos que comprovem o que o cliente está dizendo, verifica se há alguma testemunha capaz de confirmar a situação apresentada e ingressa com uma reclamatória trabalhista. Via de regra, a ação trabalhista tem como partes o reclamante – que é aquele que entrou com o processo – e a reclamada – aquela que responde às acusações. A reclamatória inicia em uma das Varas do Trabalho da cidade em que foi prestado o serviço. Veja o que diz ao artigo 651 da CLT: “Art. 651. A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento é determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro. (Vide Constituição Federal de 1988) (...) § 3º. Em se tratando de empregador que promova realização de atividades fora do lugar do contrato de trabalho, é assegurado ao empregado 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 5/20 apresentar reclamação no foro da celebração do contrato ou no da prestação dos respectivos serviços.” Após a entrada do processo, o juiz inicia os primeiros movimentos para dar seguimento à demanda apresentada, manda citar a reclamada e intima as partes para a primeira audiência de conciliação. O caminho do processo Para entendermos como funciona verdadeiramente o processo do trabalho, é necessário estudarmos o que é um processo do trabalho,onde tramita esse processo (varas, tribunais) e, ainda, qual o caminho percorrido ao longo do andamento da ação processual. O processo do trabalho poderá tramitar com algumas peculiaridades, a depender do tipo de pedido e do valor que está sendo requerido na demanda. Entre os ritos aplicáveis ao processo do trabalho, destacam-se o rito ordinário e o rito sumaríssimo. Rito ordinário (forma em que o processo irá caminhar ao longo do seu trajeto) é adotado nas causas com valor acima de 40 salários mínimos, bem como naquelas em que a Administração Pública direta, autárquica e fundacional atua como parte, independentemente do valor da causa. Já o rito sumaríssimo (forma em que o processo irá caminhar ao longo do seu trajeto) incide nas causas cujo valor não exceda a 40 salários mínimos, excluída como reclamada a Administração Pública direta, autárquica e fundacional. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 6/20 Petição inicial A petição inicial é o documento com o qual a parte reclamante ingressa com a demanda junto ao distribuidor da Justiça do Trabalho. Nesse documento, a reclamante descreve os fatos, fundamenta na legislação e apresenta seus pedidos; após, entrega a petição inicial, que será distribuída por sorteio a uma das varas do trabalho. A fase postulatória dá início ao processo trabalhista. A ação é ajuizada pelo sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe), no primeiro grau da Justiça do Trabalho. Nessa etapa, o trabalhador pode contar com a representação de um advogado ou apresentar a petição sem qualquer auxílio, e o pedido ainda pode ser formulado oralmente. Citação do reclamado Distribuído o processo, o juiz faz as análises de praxe e encaminha para citação do reclamado. Citar o reclamado é notificá-lo de que existe um processo judicial, e que ele deverá comparecer a uma audiência inicial e, após isso, apresentar sua defesa (contestação). Audiência inicial Se a petição inicial preencher os requisitos, o juiz designará audiência e determinará a notificação do reclamado para apresentar defesa. Iniciada a audiência, o juiz busca a conciliação entre as partes. A audiência inicial acontece na sala de audiências da vara do trabalho em que tramita o processo, com a presença das partes e do juiz. Nessa audiência, que é previamente aprazada, o juiz verifica junto às partes as possibilidades de realização de um acordo, isto é, a possibilidade de as partes se conciliarem. Na falta de acordo, a contestação do reclamado é recebida pelo juiz. Caso existam documentos anexados, o juiz permitirá que a parte contrária tenha vistas e poderá também conceder prazo para que se manifeste sobre o conteúdo desses documentos. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 7/20 Nesta audiência, o juiz, conforme a necessidade, poderá designar perito para a confecção de um laudo pericial, além de determinar a expedição de carta precatória para a oitiva de testemunhas localizadas em regiões não abrangidas pela jurisdição da vara do trabalho. Em se tratando de rito sumaríssimo, a audiência é única e contempla também a coleta de provas, com a consequente conclusão do processo para a sentença. Aqui é importante que o profissional do RH esteja atento para a seguinte situação: a ausência do reclamante acarreta o arquivamento da ação, enquanto que a ausência do reclamado acarreta a revelia, além da confissão quanto aos fatos alegados, nos termos do artigo 844 da CLT. “Art. 844. O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. § 1º. Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência. (Redação dada pela Lei n.º 13.467, de 2017) § 2º. Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável. (Incluído pela Lei n.º 13.467, de 2017) 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 8/20 § 3º. O pagamento das custas a que se refere o § 2o é condição para a propositura de nova demanda. (Incluído pela Lei n.º 13.467, de 2017) § 4º. A revelia não produz o efeito mencionado no caput deste artigo se: (Incluído pela Lei n.º 13.467, de 2017) I – Havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação. (Incluído pela Lei n.º 13.467, de 2017) II – O litígio versar sobre direitos indisponíveis. III – A petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato. (Incluído pela Lei n.º 13.467, de 2017) IV – As alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. (Incluído pela Lei n.º 13.467, de 2017) § 5º. Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. (Incluído pela Lei n.º 13.467, de 2017)” Assim, destaca-se que os efeitos da revelia são: 1. Confissão dos fatos alegados pelo reclamante 2. Decurso dos prazos sem intimação do revel, salvo a intimação da sentença 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 9/20 3. Possibilidade de julgamento antecipado do mérito Havendo a conciliação, o processo encerra. Não havendo a possibilidade de as partes chegarem a um acordo, o juiz receberá a defesa do reclamado e marcará uma nova data de audiência de instrução. Audiência de instrução A audiência de instrução é o momento que acontece na sala de audiências da vara do trabalho em que tramita o processo, e as partes e o juiz devem estar presentes. Nessa ocasião, o juiz renova a pergunta sobre se existe a possibilidade de acordo; no caso de não haver acordo, iniciam-se as oitivas das partes e das testemunhas. O juiz faz perguntas, e os advogados das partes também questionam aquilo que lhes interessar para provar o que estão alegando. Na ocasião da audiência de instrução, além de ouvir as partes e as testemunhas, as partes anexam ao processo os documentos que entendem que são necessários para comprovar suas alegações. Havendo a necessidade de perícia, ajusta-se data e horário para a realização desse momento com o perito. Nesses casos, adia-se a audiência de instrução até a finalização da conclusão do perito. A figura do preposto é uma pessoa, conhecedora dos fatos e capaz de dar explicações sobre o ocorrido, que representará a empresa em audiência. Sendo assim, o preposto deve conhecer como funcionava o trabalho desenvolvido pelo empregado para poder dar depoimento em audiência e, por este motivo, geralmente o profissional de RH é quem tem esta atribuição. Preposto é o indivíduo nomeado por sócio, administrador ou gerente de uma sociedade comercial ou empresa industrial para representá-la. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 10/20 Testemunhas Testemunhas são as pessoas que são conduzidas à audiência pelas próprias partes, sendo que o limite, em rito ordinário, é de três testemunhas para cada uma das partes; em rito sumaríssimo o limite é de duas testemunhas para cada parte. Depois de prestarem o compromisso com a verdade, as testemunhas serão ouvidas pelo juiz, que as indagará sobre os fatos alegados na petição inicial e na contestação. As testemunhas poderão ser contraditadas, ou seja, podem ser questionadas quanto à sua relação com as partes: amizade, inimizade, parentesco ou interesse direto na solução do processo. Uma vez acolhida a manifestação, a testemunha não prestará compromisso, sendo seu relato admitido apenas como informação. Perícia É a atividade do perito designado pelo juiz e que resulta no “laudo pericial”. Esse documento pode destacar diferenças entre horas trabalhadas e pagamentos realizados, o que se refere à perícia contábil, além e analisar as condições detrabalho para incidência de insalubridade e periculosidade, o que gera direito do reclamante a esses respectivos adicionais. Alegações finais Acontecem após a audiência de instrução, e podem ser orais ou remissivas. Serão alegações finais orais quando as partes retomarem os pontos principais do processo: em discurso proferido ali mesmo na sala de audiência, os advogados responsáveis por seus clientes falarão em voz alta os principais pontos a destacar. Serão alegações remissivas quando os advogados das partes optarem por não discursar, mas, sim, remeter-se ao que já foi dito em suas manifestações iniciais ou de defesa. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 11/20 Sentença Após o processo estar completo, isto é, após as partes serem ouvidas, com as provas já anexadas e eventual perícia já realizada, o processo vai para o juiz proferir sentença. O juiz analisa tudo que está no processo somado aos depoimentos e à legislação pertinente, e só então decide: concedendo os pedidos do autor (sentença procedente), concedendo em parte os pedidos do autor (sentença parcial procedente) ou, ainda, não concedendo os pedidos do autor (sentença improcedente). As partes que não ficarem satisfeitas podem recorrer da decisão do juiz (sentença), isto é, poderão apresentar recurso ordinário, levando assim o tema para ser novamente discutido, mas agora pelo Tribunal Regional do Trabalho. Recurso Com a sentença devidamente publicada, as partes tomam ciência da decisão do juiz, e com a publicação da decisão autor e réu são oficialmente notificados. A partir dessa notificação, inicia-se o prazo para apresentação de recurso, o chamado recurso ordinário, que é de oito dias. Nesse momento, o processo passa para segunda instância e segue nova trajetória, na chamada fase recursal. Um exemplo interessante para pensarmos na utilização de um recurso é quando, na sentença (decisão), o juiz não autoriza o pagamento de insalubridade, porque entende que restou comprovado que o reclamante (empregado) não utilizava nenhum tipo de produto químico, por exemplo, que ensejaria o pagamento de percentual de insalubridade. Nessa situação, insatisfeito com essa decisão, dentro do prazo de oito dias, o reclamante apresentará recurso, para assim tentar modificar a decisão. Vamos conhecer os órgãos que trilham o caminho do processo ao longo do desenvolvimento da demanda. O artigo 111 da Constituição Federal estabelece que: “Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho: I – O Tribunal Superior do Trabalho 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 12/20 II – Os Tribunais Regionais do Trabalho III – Juízes do Trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional n.º 24, de 1999)” Varas do trabalho Nas varas do trabalho, os processos são julgados por um juiz que acompanha a audiências, e ao final profere sentença, decidindo pela procedência (concedendo os pedidos ou improcedência (negando os pedidos) do que foi requerido pelas partes: reclamante reclamada. Tribunal Regional do Trabalho – TRT Após o juiz da vara proferir sentença de procedência ou improcedência, aquela parte reclamante ou reclamada, que ficar insatisfeita com a decisão poderá ingressar com recurs ordinário, direcionando a situação para o TRT fazer uma reanalise do caso. O TRT fará um novo julgamento a respeito do tema levado a seu conhecimento e proferirá acordão com nova sentença. Tribunal Superior do Trabalho – TST Este tribunal tem como objetivo uniformizar a jurisprudência trabalhista, julgand recursos de revista, recursos ordinários e agravos de instrumento contra as decisõe proferidas pelos TRTs, ou seja, aquele que não ficar satisfeito com o acordão do TRT poder recorrer junto ao TST. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 13/20 Já sabemos como funciona um processo, o que acontece em cada uma das principais fases processuais, bem como por quais órgãos o processo percorre ao longo do caminho até chegar no desfecho com a sua finalização. Vamos passar agora para o estudo dos prazos legais. Antes de tudo, é importante saber que os prazos de um processo são pensados sob várias vertentes, isto é, pensa-se no tempo do trâmite processual, bem como na organização do processo. Além disso, além dos prazos do trâmite processual, existem os prazos para recorrer etc., que são de responsabilidade do advogado que cuida do processo. Além desses, há também o prazo de início de uma demanda trabalhista, ou seja, o prazo que a parte tem para ingressar ou não com uma determinada reclamatória, pois é preciso estabelecer um limite, caso contrário todos ficariam eternamente na mira de uma demanda judicial. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 14/20 Prazos legais Os prazos de início do processo indicam quanto tempo aquele que sofreu algum dano na relação de trabalho tem para ingressar com uma demanda trabalhista. O prazo prescricional, isto é, o período de tempo que o empregado tem para requerer seu direito na Justiça do Trabalho é de dois anos a partir do término do contrato de trabalho, atingindo as parcelas relativas aos cinco anos anteriores. A seguir, foi feita uma análise de hipóteses para compreender como funciona a contagem desse prazo. Na imagem, setas indicam que um funcionário foi demitido em 2018, mesmo ano em que ajuizou a reclamatória trabalhista. Flechas apontam que ele teria prazo até 2020 para isso, da mesma forma que indicam os anos entre 2013 e 2017 como objeto do processo. Nesse primeiro exemplo, o funcionário foi demitido no ano de 2018 e neste mesmo ano entrou com a reclamatória trabalhista, embora tivesse até 2020 para tomar essa iniciativa, uma vez que tem dois anos para isso. Nesse caso, poderão ser objeto do processo os últimos cinco anos de contrato de trabalho. Na imagem, setas indicam que um funcionário foi demitido em 2018 e em 2019 ajuizou a reclamatória trabalhista. Flechas apontam que ele teria até 2020 para isso, da mesma forma que indicam os anos entre 2014 e 2018 como objeto do processo. Nesse segundo exemplo, o funcionário foi demitido em 2018 e entrou com a demanda em 2019, um ano depois da demissão. Nesse caso, perderá um ano do contrato, podendo reclamar os quatro anos últimos anos, conforme verifica-se na figura. Na imagem, setas indicam que um funcionário foi demitido em 2018 e em 2020 ajuizou a reclamatória trabalhista. Flechas apontam que ele teria até 2020 para isso, da mesma forma que indicam os anos entre 2015 e 2018 como objeto do processo. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 15/20 Nesse terceiro exemplo, o funcionário entrou com a demanda em 2020, dois anos depois da demissão, ou seja, no limite da prescrição. Nesse caso, perderá dois anos do contrato, podendo reclamar os três últimos anos, conforme verifica-se na imagem. Na imagem, setas indicam que se um funcionário for demitido em 01/03/2018 e não ajuizar a reclamatória trabalhista até 02/03/2020, haverá a prescrição trabalhista, de forma que setas indicam a perda de direito referente ao período entre 2013 e 2018. E, por fim, um dia após fechar os dois anos da demissão, o direito prescreve, não podendo mais o funcionário reclamar sob qualquer aspecto do contrato de trabalho, ainda que tenha direito. Essa é uma informação importante a se analisar quando a empresa recebe a citação de uma ação judicial: averiguar em seus registros essas datas para inclusive noticiar essa informação ao advogado da empresa, para que então a tese de defesa parta dessa informação. Com isso, observe a importância de ter toda a documentação do funcionário de forma organizada. Em uma eventual demanda judicial, a empresa deverá juntar no processo toda documentação relativa à contratualidade que está sendo questionada, tais como contrato de trabalho, registros de ponto, contracheques entre outras documentações. Implicações para a organização É importante tratarmos sobre o reflexo dos processos trabalhistas dentro das empresas. Estamos acostumados aouvir a expressão de que prevenir é melhor do que remediar, sobretudo no que se refere aos aspectos jurídicos no ambiente empresarial. Muitas empresas, principalmente as menores, ainda sofrem por não terem uma organização do ponto de vista jurídico, não conseguindo atuar de forma preventiva, respondendo aos processos trabalhistas na medida em que surgem as demandas. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 16/20 Ainda, a maioria dos empresários acredita que contratar um advogado quando surge um processo judicial é suficiente, quando na verdade deve existir, por parte das empresas, um detalhado cuidado ao longo de toda contratação de trabalho, para que sejam prevenidas eventuais divergências. Trata-se de uma mentalidade do empresário, sobretudo brasileiro, que é totalmente fora da realidade, uma vez que acarreta prejuízos à empresa, muitas vezes causados pela repercussão das ações trabalhistas, por exemplo. Despesas com pagamento de multas decorrentes de autuações, custas processuais e administrativas, honorários advocatícios e periciais, penhora sobre bens etc., poderiam ser evitados com uma simples orientação jurídica. Esses incalculáveis prejuízos ainda são experimentados pelas empresas mais desavisadas. Atualmente, com a intensa movimentação do mercado, temos uma enorme demanda judicial, devido também à complexidade de fatores administrativos, como contratos, admissão e demissão de funcionários, relações de consumo, atos administrativos, que geram demanda judicial. Hoje em dia, cabe aos sócios, aos diretores, aos responsáveis pela empresa não permitir que sejam cometidos erros já tão ultrapassados. Uma empresa que consegue organizar-se, consegue diminuir o número de ações contra si e, assim, tem muitos benefícios, tais como: Quanto menos ações judiciais existirem contra a empresa, maior será o lucro e, por consequência, o valor economizado, uma vez que demandas judiciais trabalhistas normalmente apresentam valores elevados. Facilidade em manter uma contabilidade segura, podendo assim calcular com mais precisão margens de lucros, para então investir naquilo que realmente é importante para a empresa, como marketing, por exemplo. Diminuição de gastos e facilidade na geração de novas oportunidades de negócio para a empresa. Ainda, há a lição número um do empreendedorismo e do sucesso, que é justamente a organização e o planejamento administrativo. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 17/20 O Brasil é o país em que mais se ajuízam processos trabalhistas, com cerca de dois milhões de casos anualmente, sendo que muitos processos têm origem em erros cometidos pelas empresas por causa da falta de conhecimento da legislação trabalhista. A Revista Exame publicou, em 2016, 21 fatores que podem levar ao ajuizamento de demandas trabalhistas, vejamos: 1. União dos pagamentos feitos de forma extraoficial – muitas empresas ainda pagam valores aos empregados que não transitam em folha de pagamento, portanto, não são considerados no âmbito trabalhista, como, por exemplo, recolhimentos previdenciários e depósitos fundiários. 2. Falta de pagamento de horas extras – algumas empresas ainda alteram os cartões de ponto e deixam de pagar horas extras trabalhadas pelos empregados. 3. Alta carga horária da jornada de trabalho – trata-se da prorrogação da jornada de trabalho em mais de duas horas extras. 4. Falta de horário de intervalo – alguns empregados não registram o horário de intervalo para descanso ou realizam tal período em tempo inferior a uma hora, de forma que as empresas não remuneram seus empregados por essa atividade. A Súmula n.º 437 do TST prevê que deve ser paga como hora extra a hora inteira do intervalo, e não somente os minutos não descansados. 5. Falta de intervalo entre jornadas – muitas vezes, o intervalo de 11 horas entre jornadas não é respeitado. 6. Preenchimento de cartão de ponto de maneira padrão – é uma prática que inviabiliza o cartão de ponto, assim, ele não pode ser considerado como documento nos processos trabalhistas. 7. Pagamento “extraoficial” de horas extras – as empresas remuneram parte das horas extras em dinheiro ou por meio de operação bancária, assim os valores não transitam em folha de pagamento. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 18/20 8. Falta de vínculo empregatício – prática bastante difundida no mercado de trabalho, principalmente em algumas atividades. 9. Falta de pagamento de salário – é importante ressaltar que as empresas têm até o 5º dia útil para realizar o pagamento de salário. 10. Falta de pagamento de adicional de insalubridade. 11. Falta de pagamento de adicional de periculosidade. 12. Falta de respeito à estabilidade em virtude de gravidez, licença médica e CIPA, por exemplo. 13. Danos morais em decorrência de assédio moral. 14. Falta de anotação na carteira de trabalho no primeiro dia de início do trabalho. 15. Falta de anotação na carteira de trabalho das informações pertinentes ao contrato de experiência. 16. Salário inverídico anotado na carteira de trabalho. 17. Falta de exame médico admissional. 18. Falta de autorização de descontos “extra legais” – é uma situação muito desconhecida pelas empresas, uma vez que elas geralmente não dispõem desse documento arquivado. No entanto, a ausência deste documento torna ilícitos todos os descontos efetuados, de maneira que a empresa pode ser responsabilizada pelo ressarcimento de todos estes valores. 19. Falta de cumprimento das cláusulas das convenções e acordos coletivos. 20. Falta de gozo de férias – muitas empresas ainda não permitem que seus funcionários gozem férias, portanto estes empregados só gozam as férias no “papel”, muitas vezes não recebendo 1/3 de suas férias. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 19/20 21. Falta de recolhimento do FGTS ou recolhimento parcial. Fonte: . Acesso em: 22 mar. 2018. Considerações finais Geralmente decorrentes do descumprimento da legislação, os processos trabalhistas ocasionam os pedidos de indenização por parte do empregado. Por este motivo, a gestão dos procedimentos e a formalização das contratações de forma correta são essenciais para minimizar os processos trabalhistas. Vale ressaltar a relevância de o setor de recursos humanos manter a guarda e a organização de todos os documentos pertinentes à relação de trabalho e ao conflito em questão, pois estas documentações e informações deverão ser repassadas ao advogado ou ao departamento jurídico da organização em casos de processos trabalhistas. 17/02/25, 07:12 Versão para impressão about:blank 20/20