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Farmacologia – Conceitos Gerais e Vias de Administração · Ácido salicílico tira dor · Biotransformação / metabolização hepática · Absorção (membrana), distribuição (sangue – circulação), metabolização (hepática) e excreção (rins) – ADME · Medicação alopática: ciência dose e resposta (problema e solução) · Medicação homeopática: quanto mais diluída a substância, melhores resultados ABSORÇÃO · É a passagem do fármaco pelas barreiras biológicas até atingir a circulação sistêmica · Todas as vias de administração têm que passar pelo processo de absorção, exceto a intravenosa (IV) · Pode acontecer por: · difusão simples (principal) · transportadores (importante!) · difusão facilitada · transporte ativo · transporte vesicular (poucos) · transporte paracelular FATORES QUE INTERFEREM NA ABSORÇÃO 1. Estrutura química do fármaco. · Polaridade da molécula · ex.: Manitol é uma molécula polar que não é absorvida via oral · ex.: Varfarina é uma molécula apolar e é 100% absorvida via oral · ex.: Progesterona é uma molécula apolar e é absorvida via transdérmica · ex.: Glicose é uma molécula polar e não é absorvida via transdérmica · Tamanho da molécula · ex.: Ciclofosfamida é uma molécula pequena, absorvida via oral · ex.: Trastuzumabe é uma molécula grande, não absorvida via oral · ex. Ácido hialurônico é uma molécula grande não absorvida via oral e/ou transdérmica 2. Ser substrato de transportadores: · Existem transportadores que bombeiam fármacos para dentro do organismo (aumentando a absorção) e transportadores que bombeiam fármacos para fora do organismo (diminuindo a absorção). · Influxo: · ex.: Atorvastatina é substrato do transportador OATP2B1 (tipo SLC) que aumenta sua absorção via oral · Efluxo: · ex.: Digoxina é substrato do transportador Glicoproteína-P (tipo ABC) que diminui sua absorção via oral. · O polimorfismo genético dos genes que codificam para os transportadores pode resultar na variabilidade na absorção dos fármacos absorvidos via transportadores. · Interação medicamentosa. O uso de fármacos ou outras substâncias (alimentos) que inibem, competem ou induzem estes transportadores podem interferir na absorção dos fármacos absorvidos via transportadores. 3. Inativação do fármaco no trato gastrointestinal · Devido ao pH gástrico · ex.: Omeprazol (e todos os outros inibidores da bomba de prótons) reagem com o pH ácido do estômago · ex.: Penicilinas. O anel beta-lactâmico é sensível ao ácido do estômago. · Interação com alimentos: · ex.: Tetraciclina é quelada pelo cálcio do leite, diminuindo sua absorção via oral. 4. Motilidade e integridade do trato gastrintestinal · Diarreia vs Estase intestinal · O tempo de trânsito do fármaco no trato gastrointestinal é diretamente proporcional à sua absorção via oral (quanto menor o tempo menor a absorção). · Doença Celíaca, Doença de Crohn, Colite Ulcerativa, Síndrome do cólon irritável · Estas e outras patologias do trato gastrointestinal podem alterar a absorção oral de fármacos pois interferem na permeabilidade intestinal. DISTRIBUIÇÃO · É o transporte (ida e volta) do fármaco entre a circulação sistêmica e outro compartimento. · Pode acontecer por: · Difusão simples · Transportadores · Transporte vesicular · Transporte paracelular · Exemplos de alguns compartimentos importantes: · SNC · Placenta músculos · Tec adiposo · Interstício · Epiderme · A ligação às proteínas plasmáticas é também considerada um processo de distribuição do fármaco FATORES QUE INTERFEREM NA DISTRIBUIÇÃO 1. Propriedade do fármaco · ex.: Heparina é uma molécula grande e polar que permanece no plasma sanguíneo e não é distribuída pelos tecidos · ex.: Fentanil é uma molécula apolar que é rapidamente distribuída para o SNC e tecido adiposo 2. Perfusão do tecido. · Quanto maior a perfusão (fluxo sanguíneo) no tecido, mais rápida é a distribuição do fármaco. · A velocidade de distribuição pode interferir na cinética do fármaco, isto é, na velocidade de decaimento da concentração plasmática do fármaco em função do tempo (meia-vida). · Velocidade de Distribuição vs Concentração Plasmática · A velocidade de distribuição de um fármaco vai determinar o tipo de cinética da concentração plasmática. · os fármacos que são distribuídos rapidamente apresentam uma cinética monocompartimental (monofásica), com uma única meia-vida plasmática – de forma instantânea · Isso ocorre pois como o fármaco é rapidamente distribuído a velocidade de diminuição da concentração plasmática vai depender apenas da velocidade de eliminação do fármaco e ele vai ter apenas um valor de meia vida · os fármacos que são distribuídos lentamente apresentam uma cinética bicompartimental (bifásica), com duas meia-vidas, uma inicial e uma final · Isso ocorre pois inicialmente o fármaco é distribuído e eliminado ao mesmo tempo, promovendo uma rápida diminuição da concentração plasmática, gerando uma meia-vida inicial curta. Entretanto, quando a distribuição se encerra, a velocidade de diminuição da concentração plasmática vai novamente depender apenas da velocidade de eliminação do fármaco e assim ele vai ter um outro valor de meia-vida final necessariamente maior que a inicial · Modelo monocompartimental · é como se o organismo fosse composto de um único compartimento, ou seja, imaginamos que o fármaco é imediatamente distribuído no organismo inteiro · Por exemplo: O ibuprofeno é rapidamente distribuído no organismo e apresenta uma cinética monocompartimental com meia-vida única de aproximadamente 3h · Modelo bicompartimental de decaimento · primeiro o fármaco é distribuído, depois é eliminado · exemplo: A caspofungina têm uma cinética bicompartimental pois ela é lentamente distribuída no organismo com uma meia vida inicial de 9h e uma meia-vida terminal de 25h · Anestésicos gerais 3. Presença de barreiras especiais em determinados tecidos/órgãos · A Barreira hematoencefálica (BBB - Blood Brain Barrier) é uma barreira de proteção ao SNC. · capilares ricos em junções de oclusão que fecham os espaços intercelulares impedindo a passagem de fármacos por transporte paracelular. · impede a entrada de fármacos hidrofílicos · células que não permitem o transporte vesicular · células ricas em transportadores do tipo ABC (Glicoproteína-P) que bombeiam fármacos para fora do SNC impede a entrada de fármacos lipofílicos · Para que um fármaco possa entrar no SNC a velocidade de entrada por difusão deve ser maior que a velocidade de saída por transporte ativo – ou ele deve ter um transportador específico que permita a sua entrada no SNC · Barreira placentária – barreira de proteção ao feto · Formada por: capilares ricos em junções de oclusão que fecham os espaços intercelulares impedindo a passagem de fármacos por transporte paracelular – impede a entrada de fármacos hidrofílicos ; céls que não permitem o transporte vesicular ; céls ricas em transportadores do tipo ABC (glicoproteína P) que bombeiam fármacos para forma – impede a entrada de fármacos lipofílicos SITUAÇÕES QUE PODEM ALTERAR A FRAÇÃO LIVRE DOS FÁRMACOS, ALTERANDO ASSIM SUA POTÊNCIA · Ligação à Proteínas Plasmáticas · O plasma sanguíneo é composto de água + proteínas dissolvidas na água · Os fármacos dissolvidos no plasma podem permanecer livres (isto é, dissolvidos na água do plasma) ou eles podem se ligar às proteínas plasmáticas · Apenas a fração livre dos fármacos (ou seja, a fração não ligada nas proteínas plasmáticas) pode se ligar em seu alvo de ação, portanto a potência de um fármaco é proporcional à fração livre do fármaco (ou inversamente proporcional à fração ligada às proteínas) · Normalmente a fração livre dos fármacos é constante, portanto, a potência dos fármacos também é constante · Entretanto existem situações que podem alterar a fração livre dos fármacos, alterando assim sua potência · A fração livre de um fármaco pode alterar devido à saturação das proteínas (devido ao excesso de fármaco ou falta de proteína) ou por competição entre dois fármacos que se ligam na mesma proteína. · As principais proteínasdissolvidas no sangue são: ALMBUMINA (carrega fármacos lipofílicos e com cargas negativas -) – GLICOPROTEÍNAS ALFA-ÁCIDAS (carregam fármacos lipofílicos com cargas positivas +) · A ligação dos fármacos com as proteínas plasmáticas é rápida (instantânea) e reversível, o que permite a rápida formação e dissociação do complexo fármaco/proteína · A hipoalbuminemia pode causar um aumento na porcentagem de fármaco livre, causando um aumento do efeito do fármaco · Sendo assim, pacientes com hipoalbuminemia podem necessitar de ajustes de dose (redução da dose) · Hipoalbuminemia é está relacionada a fatores · Síntese prejudicada (cirrose hepática e hepatite viral) · Aumento do catabolismo (infecção bacteriana grave, neoplasias malignas, insuficiência cardíaca congestiva, doenças inflamatórias e infecciosas crônicas) · Ingesta proteica inadequada (desnutrição proteica) · Perdas (síndrome nefrótica e enteropatias perdedoras de proteínas) · Dois fármacos com altas afinidades pela albumina podem competir pela ligação às proteínas plasmáticas, causando um aumento na porcentagem de fármaco livre, causando um aumento do efeito do fármaco · Isso é considerado uma interação medicamentosa e pode necessitar um ajuste de dose (redução da dose de um dos fármacos). FARMACOCINÉTICA – ELIMINAÇÃO (METABOLISMO + EXCREÇÃO) · Todo fármaco precisa ser eliminado do organismo – se não é eliminado se acumula – processo de bioacumulação – pode ter consequências tóxicas graves · A eliminação dos fármacos pode acontecer por metabolismo ou por excreção – alguns fármacos podem ser eliminados apenas por via metabolismo (100% metabolizados antes de serem excretados, apenas os metabolitos são excretados) – outros apenas por via de excreção (100% excretados sem sofrer metabolismo) – alguns são tanto metabolizados quanto excretados METABOLISMO – biotransformação · Metabolismo são reações químicas realizadas pelo nosso organismo · O objetivo do metabolismo de fármacos é tornar o fármaco mais hidrossolúvel para que ele possa ser mais rapidamente excretado via renal ou biliar · Moléculas lipofílicas não são eficientemente excretadas e podem sofrer bioacumulação · Sendo assim, fármacos mais lipofílicos são mais metabolizados, enquanto fármacos hidrofílicos podem ser eliminados sem sofrer metabolismo · O produto do metabolismo de um fármaco são os metabólitos · Um fármaco pode sofrer várias reações de metabolismo diferentes e, portanto, apresentar diversos metabólitos diferentes · Os metabólitos podem ser: · menos ativos que o fármaco original – nesse caso o metabolismo inativa o fármaco e encerra seu efeito · tão ativos quanto o fármaco original – nesses casos o metabolismo está prolongando o efeito do fármaco · mais ativos que o fármaco original – nesse caso o metabolismo ativa o fármaco e promove seu efeito – quando o fármaco é completamente inativo e é o metabolismo que ativa seu efeito, esse fármaco é chamado de um pró-fármaco (forma de transporte inativo que in vivo, mediante reação química ou enzimática, libera o princípio ativo no local de ação ou próximo dele) · mais tóxicos que o fármaco original – esse caso nunca é desejado · menos tóxicos que o fármaco original – nesse caso o metabolismo é necessário para detoxificar o organismo · codeína é o pró-fármaco da morfina Codeína é o pró-fármaco da morfina · Pacientes com descendência europeia podem não expressar CYP2D, assim, quando esses pacientes recebem codeína para dor, o sintoma não passa, pois não é transformada em morfina · É melhor administrar codeína invés de morfina, pois a morfina é mais potente e tóxica · Locais de Metabolismo de Fármacos · O metabolismo de fármacos pode acontecer em qualquer célula ou órgão, mas ele acontece principalmente no fígado e intestino. · Principais locais para metabolismo: · Fígado Efeito de 1ª passagem · Intestino · Sangue · Pulmões · Rins · SNC · Pele · Reações do metabolismo · REAÇÕES DE FASE I: (funcionalização) · Oxidação (mais comum) CYP’s · Redução · Hidrólise · REAÇÕES DE FASE II: (conjugação) · Glucuronidação (mais comum) UGT’s · Sulfatação · Glutationilação · Metilação · Acetilação CYP’s citocromo · CYP3A4 é CYP mais importante · Citocromo P450 - CYP’s · Existem dezenas de famílias de genes do citocromo P-450 nos seres humanos, com várias enzimas em uma única célula · As famílias 1, 2 e 3 do citocromo P450 (CYP1, CYP2 e CYP3) participam da maioria das biotransformações de fármacos em seres humanos · As CYP’s são todas hemeproteínas que fazem a oxidação · Outras CYP’s são envolvidas no metabolismo de lipídeos, hormônios, colesterol etc – aromatose é uma CYP (enzima que converte a testosterona em estrogênio) · As CYP’s são as principais enzimas do metabolismo de fármacos · As CYP’s são muito pouco seletivas (chamadas de promíscuas) · Uma mesma enzima pode metabolizar diversos fármacos diferentes (interação medicamentosa) · Um mesmo fármaco pode ser metabolizado por várias CYP’s · Existem fármacos que podem inibir CYP’s · Existem fármacos que podem aumentar a expressão de CYP’s · Portanto, o metabolismo de fármacos é um importante ponto de interação medicamentosa!!!!!!!!! · UDP-glucuronil transferase - UGT’s · As UGT’s são uma superfamília de enzimas que catalisam a conjugação do ácido glicurônico · Substratos endógenos da UGT incluem bilirrubina, hormônios esteroides, hormônios da tireoide, ácidos biliares e vitaminas lipossolúveis · Existem fármacos que podem inibir UGT’s · Existem fármacos que podem aumentar a expressão de UGT’s · Portanto, o metabolismo de fármacos é um importante ponto de interação medicamentosa!!!!!!!!! · Criança quando nasce com icterícia – fígado do bebê ainda não está totalmente maduro para produzir a enzima uridina difosfato glicuroniltransferase (UGT), que é responsável pela conjugação da bilirrubina – sem essa conjugação, a bilirrubina indireta (não conjugada) se acumula no sangue, levando à coloração amarelada da pele e dos olhos · Recirculação Entero-Hepática · Os fármacos que sofrem glucuronidação são excretados via biliar e são lançados no intestino · As bactérias no intestino podem desfazer a conjugação liberando o fármaco novamente em sua forma original dentro do intestino · O fármaco livre é reabsorvido pelo intestino. · Esse processo é chamado recirculação entero-hepática e prolonga a meia-vida e, portanto, o efeito do fármaco · A alteração da flora intestinal (com o uso de antibióticos) pode interferir neste processo causando mudanças na concentração plasmática de fármacos Anticoncepcionais (hormônios esteroidais) – a dose de progesterona já é dada considerando que será eliminada uma parte por conjugação hepática – parte dos conjugados é excretada na bile, mas pode ser reabsorvida no intestino (ciclo êntero-hepático), o que influencia a biodisponibilidade do medicamento. Antibiótico interfere na desconjugação do anticoncepcional (cai a concentração do anticoncepcional) – interação medicamentosa FATORES QUE AFRETAM O METABOLISMO 1. Interação medicamentosa · Indutores enzimáticos, causam um aumento da síntese de enzimas do metabolismo, o que aumenta a velocidade de metabolismo, causando uma diminuição da concentração plasmática de fármacos ou aumento da concentração plasmática dos seus metabólitos · Inibidores enzimáticos, causam a inativação das enzimas do metabolismo, o que diminui a velocidade de metabolismo, causando um aumento da concentração plasmática de fármacos ou diminuição da concentração plasmática dos seus metabólitos 2. Dieta · Igual à interação medicamentosa, existem alimentos indutores enzimáticos (ex. Brócolis) e alimentos inibidores enzimáticos (ex. grapefruit) 3. Genética · Existe grande variabilidade genética na capacidade de sintetizar as enzimas do metabolismo de fármacos · Os indivíduos com pouca expressão das enzimas do metabolismo apresentam menor velocidade de metabolismo, causando um aumento da concentração plasmática de fármacos e diminuição da concentração plasmática dos seus metabólitos · Os indivíduos com super expressãodas enzimas do metabolismo apresentam maior velocidade de metabolismo, causando uma diminuição da concentração plasmática de fármacos e aumento da concentração plasmática dos seus metabólitos 4. Doenças · HEPATOPATIAS: diminuem metabolização · CARDIOPATIAS: podem reduzir o fluxo sanguíneo para o fígado e comprometer o metabolismo de substâncias como amitriptilina, morfina, verapamil e lidocaína 5. Idade · FETOS E RECÉM-NASCIDOS: menor conjugação e atividade enzimática reduzida · IDOSOS: atividade metabólica reduzida EXCREÇÃO · Vias de excreção de fármacos: · Renal (via urina) · Hepática (via bile) · Outras · Expiração (apenas fármacos voláteis, ex. etanol, anestésicos) · Saliva (não clinicamente significativo, importante para exames toxicológicos) · Lágrima (não clinicamente significativo) · Leite (importante no caso de amamentação) · Suor (não clinicamente significativo) · Alguns fármacos são excretados apenas pela via renal · Alguns fármacos são excretados apenas pela via hepática · Alguns fármacos são excretados parcialmente via renal e parcialmente via hepática · Os fármacos podem ser excretados na sua forma original inalterada, ou podem sofrer transformações e serem eliminados na forma de metabólitos · Apenas moléculas hidrofílicas solúveis em água são eliminadas via excreção! – isso vale tanto para a excreção renal quanto para a hepática EXCREÇÃO HEPÁTICA Se o paciente tiver disfunção hepática – necessário fazer ajuste na dosagem EXCREÇÃO RENAL Se o paciente tiver disfunção renal – necessário fazer ajuste na dosagem Caso Clínico Paciente MAS, mulher, negra, 74 anos, vem ao nefrologista encaminhada pelo clínico devido a exame laboratorial de rotina que evidenciou Creatinina sérica de 1,3 mg/dL. Ela não compreendeu tamanha preocupação de seu clínico já que os valores de referência da creatinina segundo o laboratório variavam de 0,6 a 1,3 mg/dL. Você pergunta se ela toma alguma medicação e a paciente lhe informa que usa a 20 mg de Rivaroxaban uma vez por dia para reduzir o risco de infarto devido à fibrilação atrial. É necessário o ajuste de dose nesta paciente? image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image1.png image2.png image3.png