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10ª Lista - Resumo Teórico e Exercícios Cálculo Diferencial e Integral II Equações Diferenciais Ordinárias de 1ª Ordem: Separáveis 1 Conceitos básicos sobre equações diferenciais Uma equação diferencial é, basicamente, uma equação que envolve uma função incóg- nita e suas derivadas. Exemplos: (a) dy dx = 3x − 5 (b) d2y dt2 + 3 ( dy dt )2 = 4 (c) d3y dx3 + ex d2y dx2 − 2xy = 0 (d) ∂2y ∂t2 + 3∂2y ∂x2 = 0 Uma equação diferencial é chamada de ordinária (E.D.O.) quando a função incógnita depende apenas de uma variável independente, caso contrário será chamada equação diferencial parcial (E.D.P.). Exemplos de E.D.O. são (a), (b) e (c) e de E.D.P. temos (d). Definição 1 (Ordem de uma equação diferencial) A ordem de uma equação diferencial é a ordem da mais alta derivada que aparece na equação. Nos exemplos acima, (a) é uma equação diferencial de 1ª ordem, (b) e (d) são de 2ª ordem e (c) de 3ª ordem. Definição 2 (Solução de uma equação diferencial) Uma função que satisfaz uma equação diferencial é chamada de solução da equação. O conjunto de todas as soluções possíveis de uma equação diferencial é chamada de solução geral da equação diferencial. Exemplo 1 Considere a equação diferencial ordinária de 1ª ordem dy dx = ex para a função incógnita y(x). A solução geral dessa equação diferencial é o conjunto infinito de funções da forma y(x) = ex + k com k ∈ R sendo uma constante real qualquer. Uma equação diferencial juntamente com uma condição auxiliar para a função incóg- nita é chamada de problema de valor inicial (P.V.I.), e uma solução que satisfaz tanto a equação diferencial quanto a condição auxiliar é denominada solução particular do problema de valor inicial. Pág. 1 de 6 Faculdades Oswaldo Cruz – Escola Superior de Engenharia Cálculo II (Continuação) Exemplo 2 Considere a equação diferencial ordinária de 1ª ordem dy dx = ex para a função incógnita y(x) com a condição auxiliar y(0) = 3. Impondo a condição auxiliar para a solução geral y(x) = ex + k temos y(0) = e0 + k = 3 de modo que 1 + k = 3 ⇔ k = 2. Logo, a solução particular desse problema de valor inicial é y(x) = ex + 2. 2 As equações diferenciais ordinárias de 1ª ordem Podemos classificar as equações diferenciais ordinárias de 1ª ordem quanto à forma em que elas são apresentadas e quanto ao tipo de equação. Quanto à forma temos: (a) Implícita: F (x, y, y′) = 0 Exemplo: dy dx − 2y + y x = 0 (b) Normal: y′ = f(x, y) Exemplo: dy dx = 2y − y x (c) Diferencial: M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 Exemplo: (2xy − y)dx − x dy = 0 Quanto ao tipo temos: (a) Equações Separáveis (b) Equações Lineares (c) Equações Homogêneas (d) Equações Exatas Aqui estudaremos as equações separáveis e apresentaremos o método de resolução. 3 Equações Diferenciais Separáveis Uma equação diferencial ordinária de 1ª ordem que na forma normal tem a seguinte estrutura dy dx = h(x) · g(y) é chamada de separável, ou seja, na forma normal a derivada dy dx é o produto de uma função que depende só de x por uma função que depende só de y. Exemplo 3 A equação dy dx = 6x2 y é uma equação diferencial separável com h(x) = 6x2 e g(y) = 1 y . Pág. 2 de 6 Faculdades Oswaldo Cruz – Escola Superior de Engenharia Cálculo II (Continuação) Numa equação diferencial separável podemos realizar a separação de variáveis e inte- grar ambos os membros: dy dx = h(x) · g(y) ⇔ dy g(y) = h(x)dx ⇔ ∫ dy g(y) = ∫ h(x)dx Exemplo 4 Determinar a solução geral de y′ − x ey = 0 em y(x). Solução: Sendo y′ = dy dx e colocando a EDO na forma normal, dy dx = x ey notamos que a equação é separável com h(x) = x e g(y) = 1 ey . Separando as variáveis e integrando, obtemos:∫ eydy = ∫ x dx ⇔ ey + C1 = x2 2 + C2 ⇔ ey = x2 2 + C2 − C1︸ ︷︷ ︸ ≡C ⇔ ey = x2 2 + C ⇔ y = ln ( x2 2 + C ) Logo: y(x) = ln ( x2 2 + C ) Exemplo 5 Um corpo está se movendo ao longo do eixo x de tal forma que, no instante t, a velocidade do corpo é dada pela equação diferencial dx dt = x2 · ln(t). Se o corpo está no ponto x = −2 no instante t = 1, onde se encontra no instante t = 3? Solução: Temos um problema de valor inicial onde a condição auxiliar é x(1) = −2. A equação diferencial é separável com h(x) = x2 e g(t) = ln(t). Separando as variáveis e integrando, obtemos:∫ dx x2 = ∫ ln(t) dt A integral na variável t é realizada por partes: escolhendo u = ln(t) e dv = dt temos du = 1 t dt e v = t de modo que ∫ ln(t) dt = u · v − ∫ v · du = t · ln(t) − ∫ t · 1 t dt = t · ln(t) − ∫ dt = t · ln(t) − t + C2. Logo:∫ dx x2 = ∫ ln(t) dt ⇔ − 1 x +C1 = t · ln(t)−t+C2 ⇔ − 1 x = t · ln(t)−t+C2 − C1︸ ︷︷ ︸ ≡C ⇔ x = − 1 t · ln(t) − t + C Impondo x(1) = −2 temos: x(1) = − 1 −1 + C = −2 ⇔ C = 1 2 + 1 = 3 2 Logo: x(t) = − 1 t · ln(t) − t + 3 2 Com essa solução particular, calculamos x(3): x(3) = − 1 3 · ln(3) − 3 + 3 2 ≈ −0, 56 Pág. 3 de 6 Faculdades Oswaldo Cruz – Escola Superior de Engenharia Cálculo II (Continuação) Exercícios da 10ª Lista (A) Equações Diferenciais Separáveis e aplicações 1. Determinar a solução geral das seguintes equações diferenciais em y(x): (a) y′ + 2xy = 0 (b) y′ = −y · sen(x) (c) y′ = 1 + 2x2 −x · sen(y) (d) dy dx − x · √ 1 − y2 = 0 (e) dy dx · x2y2 = 1 + x (f) dy dx = e3x+2y (g) y′ = e−y + e−2x−y (h) x y + (1 − x2) · y′ = 0 (i) ey · y′ = x · ex (Resp: (a) y(x) = C · e−x2 ; (b) y(x) = C · ecos(x) (c) y = arccos [ ln |x| + x2 + C ] ; (d) y(x) = sen ( x2 2 + C ) ; (e) y(x) = [ − 3 x + 3 ln(x) + C ]1/3 ; (f) y(x) = −1 2 ln ( −2 3e3x + C ) ; (g) y(x) = ln ( x − e−2x 2 + C ) ; (h) y(x) = ± √ ln(1 − x2) + C; (i) y(x) = ln(x · ex − ex + C)) 2. Determinar as soluções particulares dos seguintes problemas de valor inicial: (a) dy dt + t · y = 0 y(1) = 3 (b) dy dx = 9 y2 y(0) = 2 (c) dM dt = 4 · (1 + M2) M ( π 4 ) = 1 (d) cos2(x) · dy dx + y = 1 y(0) = 4 (Resp: (a) y(t) = 3 · e(1−t2)/2; (b) y(x) = (27x + 8)1/3 (c) M(t) = tg ( 4t − 3π 4 ) ; (d) y(x) = 1 + 3 · e− tg(x)) 3. Problemas de Variação de Temperatura: Lei de Newton De acordo com a lei de variação de temperatura de Newton, a taxa de variação de temperatura de um corpo é proporcional à diferença de temperatura entre o corpo e o meio ambiente. Seja T a temperatura do corpo e Ta a temperatura do meio ambiente, então: dT dt = k(T − Ta) com k sendo uma constante de proporcionalidade. Com base nessa lei, resolva os exercícios propostos: (a) Coloca-se uma barra de metal, à temperatura de 100 ºF em um quarto com temperatura de 0 ºF. Se após 20 minutos a temperatura da barra é de 50 ºF, determine: (i) a temperatura da barra no instante t; (ii) o tempo necessário para a barra chegar à temperatura de 25 ºF; (iii) a temperatura da barra após 10 minutos. (Resp: (i) T (t) = 100 · e−0,0347·t; (ii) ≈ 40 min; (iii) ≈ 70, 7 ºF) Pág. 4 de 6 Faculdades Oswaldo Cruz – Escola Superior de Engenharia Cálculo II (Continuação) (b) Uma esfera de Cu é aquecida a uma temperatura de 100 ºC. Em t = 0 ela é imersa num tanque de água, mantida a uma temperatura de 30 ºC. Após 3 minutos, a temperatura da esfera está reduzida a 70 ºC. (i) Determine a temperatura da esfera de Cu no instante t. (ii) Calcule o instante em que a temperatura se encontra reduzida a 31 ºC. (Resp: (i) T (t) = 70 · e−0,1865·t + 30; (ii) ≈ 22, 8 min) (c) Uma chapa de metal aquecida se resfria de 180 ºF para 150 ºF em 20 minutos, quando exposta ao ar à temperatura de 60 ºF. (i) Qual a temperatura da chapa de metal no instante t? (ii) Determine uma aproximação da temperatura da chapa ao término de 1 hora de resfriamento. (iii) Quando é que a temperatura será 100 ºF? (Resp: (i) T (t) = 120 · e−0,0144·t + 60; (ii) ≈ 111 ºF; (iii) ≈ 76, 3 min) (d) Uma mulher é encontrada morta em seu quarto pelo marido que liga imedia- tamente para a polícia. Quando a polícia chega, 2 horas depois da chamada, examina o cadáver e constata que sua temperatura é de 35 ºC; 1h depois cons- tata que a temperatura é de 34,2 ºC. Após alguns cálculos, a polícia prende o marido, pois umdos policiais fez um curso de equações diferenciais. Se a temperatura do quarto era de 20 ºC e a de uma pessoa viva é de 36,5 ºC, calcule o instante em que se deu o assassinato e, com base nisso, explique a prisão do marido. Supor que a lei do resfriamento de Newton se aplica ao cadáver. (Resp: ≈ 13, 2 min) 4. Lei de Malthus para crescimento e decrescimento populacional Se as populações relativamente pequenas (seres humanos, animais, bactérias, etc.) permanecem não perturbadas, geralmente crescem de acordo com a Lei de Malthus: a taxa de crescimento no tempo é diretamente proporcional à população presente. Seja N(t) a população sujeita a um processo de crescimento ou decrescimento, então dN dt = kN com k sendo uma constante de proporcionalidade. Com base nessa lei, resolva os exercícios propostos: (a) Sabe-se que uma cultura de bactérias cresce de acordo com o modelo de cres- cimento malthusiano. Inicialmente, o número de bactérias é de 800. Após 1 hora, esse número é de 1.200. (i) Determine N(t). (ii) Quantas bactérias terão esta cultura no final de 3 horas? (Resp: (i) N(t) = 800 · e0,405·t; (ii) ≈ 2.696 bactérias) (b) Sabe-se que a população de determinada cidade cresce a uma taxa proporcional ao número de habitantes existente. Se, após 10 anos, a população triplica e após 20 anos é de 150.000 habitantes, determine a população inicial N0. (Resp: ≈ 16.654 habitantes) Pág. 5 de 6 Faculdades Oswaldo Cruz – Escola Superior de Engenharia Cálculo II (Continuação) 5. Decaimento Radioativo A atividade de uma substância radioativa é medida pelo número de desintegrações por unidade de tempo. Este fenômeno é devido à emissão de três tipos de radiações: partículas α (núcleos de hélio), partículas β (elétrons) e raios γ (ondas eletromagné- ticas de alta frequência). A experiência mostra que se N(t) for o número de átomos radioativos presentes na amostra no instante t, então: dN dt = −λN onde λ > 0 é a constante de desintegração característica de cada elemento radioa- tivo. Com base nessa lei de decaimento, resolva os exercícios propostos: (a) Sabe-se que uma certa substância radioativa diminui a uma taxa proporcional à quantidade presente. Se inicialmente, a quantidade de material é de 50 mg, e se observa que, após duas horas, perderam-se 10 % da massa original, determine: (i) a expressão para a massa de substância restante M(t) em um tempo arbitrário t; (ii) a massa restante após 4 horas; (iii) o tempo necessário para que sua quantidade fique reduzida à metade (tempo de meia-vida). (Resp: (i) M(t) = 50 · e−0,0527·t; (ii) ≈ 40, 5 mg; (iii) ≈ 13, 2 h) (b) A meia-vida do césio-137 é de 30 anos. Suponha que tenhamos uma amostra de 200 mg. (i) Ache a massa M(t) que restará após t anos. (ii) Quanta massa a amostra terá após 90 anos? (iii) Depois de quanto tempo teremos apenas 1 mg da amostra? (Resp: (i) M(t) = 200 · e−0,0231·t; (ii) ≈ 25 mg; (iii) ≈ 229, 4 anos) (c) Para estimar a época em que as pinturas que decoram as paredes da caverna de Lascaux, na França, foi realizada a análise de uma amostra do carvão utilizado nos desenhos. Observou-se uma atividade de decomposição para o 6C14 da ordem de 0,97 decomposições por minuto em um grama. Semelhante análise foi efetuada no carvão produzido da madeira viva mais abundante na região, tendo-se obtido, em 1950, uma atividade de 6,68 decomposições por minuto em um grama. Sabendo que a meia-vida do 6C14 é de 5.730 anos, determine a idade das pinturas (em anos). (Resp: ≈ 16.000 anos) (d) O isótopo de hidrogênio 1H3 tem um tempo de meia-vida de 12,3 anos e é produzido na atmosfera pelos raios cósmicos e trazido à terra pela chuva. A taxa à qual a quantidade N de 1H3 varia em relação ao tempo t é proporcional à quantidade presente, ou seja, dN dt = −λN . Se o madeiramento de uma velha casa contém 10% da quantidade de 1H3 presente no madeiramento de uma nova casa determine aproximadamente a idade da casa velha. (Resp: ≈ 41 anos) Pág. 6 de 6 Faculdades Oswaldo Cruz – Escola Superior de Engenharia