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MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO: CONCEITOS E AS DIFERENÇAS Quando duas empresas possuem um conflito, elas podem recorrer à mediação ou à conciliação para resolver suas divergências, sem a necessidade de utilizar o Judiciário. São, portanto, maneiras mais ágeis de solucionar problemas entre corporações sem o acionamento da Justiça. O que é mediação? A mediação é um método de resolução de disputas no qual um terceiro elemento neutro, chamado mediador, promove a comunicação entre as diferentes organizações envolvidas e conduz o procedimento, com o intuito de encontrar uma solução para o conflito de forma amigável, ágil e vantajosa a todas as partes. De acordo com Daniel Falci Goulart, essa opção tem como vantagem manter a relação entre ambas: “A mediação é um método adequado de resolução de conflitos, no qual um terceiro (mediador), imparcial e neutro, sem poder decisório, assiste às partes. Assim, a comunicação entre elas é estabelecida e sua relação e interesses são mantidos, com o objetivo de se alcançar um acordo”, explica o Secretário. A atuação do mediador, portanto, é contribuir para restabelecer a comunicação entre as duas partes, ou seja, o seu foco não é encontrar uma solução específica para o problema. Esse profissional ajuda a conduzir as conversas, de modo que influencie o mínimo possível no procedimento, mas aumente as chances de conexão entre os dois. Quais são os benefícios da mediação? Você deve estar se perguntando, na prática, como a mediação institucional se torna uma opção atrativa para as partes interessadas? Quais são os benefícios? Respondemos o seguinte: - 1. Sigilo e confidencialidade: o tópico mais relevante de toda a mediação é justamente o sigilo e a confidencialidade, tornando proibida a divulgação de qualquer item ou informação apresentados durante o debate; - 2. Celeridade: a proposta inicial da mediação é tornar a resolução mais rápida e prática para todas as partes envolvidas, ganhando tempo e evitando o desgaste com um processo muito demorado, mas sem perder a qualidade na busca por uma solução válida para as duas partes; - 3. Escolha do mediador: como a ideia é contar com a atuação de um profissional neutro, a escolha do mediador é feita pelas duas partes em comum acordo. Caso não seja possível definir um nome em consenso, cabe, usualmente, à instituição nomear quem auxiliará esse processo para garantir que o procedimento seja conduzido da forma mais adequada; - 4. Flexibilidade: contrariamente ao que ocorre no Judiciário, o procedimento de mediação é mais flexível, ou seja, um importante objetivo da mediação é garantir flexibilidade para definir a solução mais adequada aos envolvidos; - 5. Informalidade: como a ideia é estimular a manutenção da relação entre as duas partes, é natural que o procedimento seja marcado pela informalidade na busca por uma solução em comum; - 6. Menor onerosidade e previsibilidade dos custos envolvidos: outro ponto interessante é a redução dos custos envolvidos. A previsibilidade sobre os custos é outro aspecto interessante e que traz transparência para os envolvidos; - 7. Efetivo controle sobre o procedimento (poder de decisão): a mediação também proporciona um controle maior sobre todo o procedimento, garantindo um alto poder de decisão e, dessa forma, um resultado que agrade as duas partes; - 8. Condão de evitar e prevenir novos conflitos: por ser uma alternativa mais eficiente, dinâmica, rápida e informal, as chances de que um novo conflito aconteça são reduzidas; - 9. Manutenção da relação entre os envolvidos: com todos os itens citados anteriormente, torna-se muito mais fácil manter a relação positiva entre todos os envolvidos; - 10. Autonomia das partes: outro aspecto interessante é a autonomia das partes na busca por um acordo em comum, permitindo que tudo seja feito em termos positivos para os dois lados. O que é conciliação? Enquanto na mediação, o mediador estimula o diálogo para que as partes proponham suas próprias soluções, na conciliação o terceiro elemento age de maneira mais direta, podendo interferir e indicar possíveis elucidações para que todos analisem e cheguem a um acordo em comum. Normalmente, esse processo é utilizado em situações mais simples, que não exigem muita complexidade e podem acabar em apenas uma única sessão, acelerando a resolução. Qual é a diferença entre conciliação e mediação? Mas, afinal, quais são as diferenças práticas entre esses dois conceitos? Segundo o Secretário Geral Adjunto do Centro de Arbitragem e Mediação Amcham, Daniel Falci Goulart, a distinção entre os dois tipos de resolução está na maneira como o agente neutro atua. “Na conciliação, o terceiro facilitador da conversa interfere de forma mais direta na controvérsia e pode sugerir alternativas para a solução do conflito (Artigo 165, § 2º do Código de Processo Civil Brasileiro). Usualmente, a conciliação, no âmbito do Poder Judiciário, é mais curta que a mediação, sobretudo a institucional, que tem um foco maior nos detalhes do caso e interesses de cada Parte”, afirma o entrevistado. Na mediação, essa dinâmica se modifica um pouco, com o agente tentando encontrar o meio termo entre as soluções apresentadas por cada parte no procedimento. “Enquanto isso, na mediação, o mediador facilita o diálogo entre as partes a fim de que elas proponham as próprias soluções (Artigo 165, § 3º do Código de Processo Civil Brasileiro). Vale ressaltar que na mediação institucional, a parte tem mais conforto do que na mediação judicial, pois existe maior preparação dos envolvidos (partes, advogados e mediadores) para discussão e aprofundamento do caso e possível alcance de um acordo, quer seja total, quer seja parcial”, detalha. Qual é a importância de entender essas diferenças? Se os princípios da mediação e conciliação são tão importantes para uma empresa, por exemplo, qual é o impacto real de entender mais sobre as diferenças entre esses conceitos? Como uma organização pode se beneficiar de seguir com a mediação ou com a conciliação? Daniel entende que a eficácia é o principal benefício dessa escolha. “Ao compreender ambos os métodos de solução de conflitos, os envolvidos poderão escolher qual método será mais eficaz para a controvérsia em questão. Na mediação, o mediador facilitará o diálogo entre as partes, trazendo racionalidade para a mesa de negociação, abrangendo o leque de possíveis alternativas de soluções para o conflito”, pontua. Em quais ocasiões cada um desses conceitos deve ser aplicado? Qual é o momento mais adequado para utilizar cada um desses conceitos? A mediação é a mais indicada nos cenários que: - envolvam relações continuadas; - de pequeno ou elevado valor; - de poder de decisão das partes; - de celeridade na solução da controvérsia. Além disso, é possível se valer da mediação institucional para todas as questões que envolvam direito patrimonial disponível, como questões societárias, construção, infraestrutura e contratuais, e direito de família, dentre outros. De acordo com Daniel, também é preciso lembrar que não é obrigatória a previsão expressa contratualmente para se valer de mediação institucional, bastando a concordância de ambas as Partes em se submeterem à mediação. O que diz a Lei de conciliação e mediação? Os dois conceitos estão diretamente relacionados ao sistema legislativo brasileiro. Segundo o artigo 22 § 1º da Lei nº 13.140/2015 (Lei de Mediação), o entendimento sobre mediação e conciliação é: A previsão contratual pode ocorrer pela indicação de regulamento, publicado por instituição idônea prestadora de serviços de mediação, no qual constem critérios claros para a escolha do mediador e realização da primeira reunião de mediação. Além desse trecho, é possível destacar outros trechos da Lei para um melhor entendimento sobre quando seguir com mediação e conciliaçãosem maiores percalços. - A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial. - Poderá haver mais de uma sessão destinada à conciliação e à mediação. - Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiência de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição. - O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para que as partes conciliam. - O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará os interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. - Poderão ser designados mais de um mediador ou conciliador quando recomendável. Mediação e conciliação são termos distintos sendo de extrema importância entender exatamente em qual situação é melhor utilizar cada conceito. Adotar o método mais adequado para o caso em questão pode ser fundamental no sucesso das suas estratégias.