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APG 07 - Colini 
 
Objetivos: 
1. Revisar a morfologia das valvas cardíacas 
2. Conhecer a classificação e a estrutura das bactérias. 
3. Compreender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas, 
complicações, critério de Jones, diagnóstico, tratamento e prevenção da febre reumática. 
 
Revisar a morfologia das valvas cardíacas 
As válvulas cardíacas são estruturas responsáveis por permitir que o fluxo sanguíneo 
seja unidirecional no organismo, ou seja, que ele não flua na direção anterógrada e 
retrógrada ao mesmo tempo. Existem quatro valvas no coração: 
 
- Valva tricúspide: entre o átrio e o ventrículo direitos 
- Valva mitral: entre o átrio e o ventículo esquerdos 
- Valva pulmonar: entre o ventrículo direito e a circulação pulmonar 
- Valva aórtica: entre o ventrículo esquerdo e a circulação sistêmica 
 
As quatro podem ser divididas em dois grupos: valvas atrioventriculares (tricúspide e 
mitral) e valvas semilunares (pulmonar e aórtica) 
 
Valva tricúspide (atrioventricular direita) 
Formada por um anel fibroso onde as cúspides (projeções teciduais) se inserem para 
fechar o orifício durante a contração ventricular. 
 
A nomenclatura das cúspides é baseada na sua posição ao longo do anel fibroso, 
sendo então: cúspide anterossuperior (o nome diz onde ela fica), septal (voltada para o 
septo interventricular) e inferior (o nome tb já diz onde fica). 
 
Além disso, as cúspides se inserem nos músculos papilares do coração, por meio das 
cordas tendíneas. Existem dois músculos papilares maiores e um menor: M. papilar 
anterior (maior dos três, tem origem da parede ventricular anterolateral direita e se une 
à trabécula septomarginal), M. papilar posterior e M. papilar septal. 
 
*A banda moderadora ou trabécula septomarginal se estende entre o septo 
interventricular e a base do músculo papilar anterior, servindo como conduto para uma 
parte do feixe atrioventricular (conduz os impulsos do nó SA pro resto) 
 
*Podem existir outros M. papilares adicionais menores e com menos relevância 
 
 
 
 
Valva mitral (atrioventricular esquerda) 
A nomenclatura das cúspides é: cúspide anterior (também chamada de aórtica, maior, 
anteromedial ou septal) e cúspide posterior (também chamada de ventricular, mural, 
posterolateral ou menor). Apesar disso, algumas pessoas podem apresentar cúspides 
acessórias entre essas duas principais. 
Existem dois músculos papilares: M. papilar anterolateral (também chamado de 
músculo papilar anterior, com origem na superfície esternocostal da parede ventricular) 
e M. papilar posteromedial (também chamado de inferoseptal ou posterior, com origem 
na parte diafragmática da parede ventricular). 
 
Valva pulmonar 
Localizada na base do tronco da artéria pulmonar, impede o refluxo do sangue pro 
ventrículo direito. Suas cúspides possuem formato de meia-lua (daí o nome semilunar). 
 
A nomenclatura também é baseada na sua posição, sendo: anterior, direita e esquerda. 
 
Valva aórtica 
Maior das duas valvas semilunares, situa-se entre a raiz da aorta e o ventrículo 
esquerdo, impedindo o refluxo sanguíneo da primeira para a segunda estrutura. 
Diferentemente das valvas atrioventriculares, a valva aórtica não possui um anel 
colágeno como ponto de inserção para suas cúspides. Em vez disso, há três arcos 
fibrosos triangulares que desempenham essa função. 
A nomenclatura das cúspides é baseada na relação com as origens dos vasos 
coronarianos que emergem próximos às suas inserções na raiz da aorta, sendo então: 
cúspide coronária direita (também chamada de anterior), cúspide coronária esquerda 
(também chamada de posterior esquerda) e cúspide não coronária (também chamada 
de posterior direita ou não adjacente). Essa mesma nomenclatura é utilizada para os 
seios correspondentes na raiz da aorta. 
 
Relevância clínica 
As valvas cardíacas são responsáveis pelos sons do coração, chamados de bulhas 
cardíacas. 
Primeira bulha (B1): ocorre no início da sístole, com o fechamento das valvas mitral e 
tricúspide. 
Segunda bulha (B2): acontece na diástole, quando as valvas aórtica e pulmonar se 
fecham para impedir o refluxo sanguíneo. 
 
Além dessas, podem ocorrer: 
Terceira bulha (B3): pode ser normal em algumas pessoas, mas também pode indicar 
insuficiência cardíaca. 
Quarta bulha (B4): sempre patológica, associada à hipertrofia ventricular por doenças 
como hipertensão ou problemas na valva aórtica. 
 
Para uma boa ausculta, é importante conhecer os locais ideais: 
Valva mitral: quinto espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular. 
Valva tricúspide: borda inferolateral esquerda do esterno. 
Valva aórtica: segundo espaço intercostal direito, junto à borda superolateral do 
esterno. 
Valva pulmonar: segundo espaço intercostal esquerdo, junto à borda superolateral do 
esterno. 
 
Conhecer a classificação e a estrutura das bactérias. 
São seres unicelulares, aparentemente simples, sem carioteca, ou seja, sem 
membrana delimitante do núcleo. Há um único compartimento, o citoplasma. 
 
O material hereditário, uma longa molécula de DNA, está enovelada na região, 
aproximadamente central, sem qualquer separação do resto do conteúdo 
citoplasmático. Suas paredes celulares, quase sempre, contêm o polissacarídeo 
complexo peptideoglicano. 
 
Usualmente se dividem por fissão binária. Durante este processo, o DNA é duplicado e 
a célula se divide em duas. 
 
Morfologia 
Há uma grande variedade de tipos de bactérias e suas formas variam, dependendo do 
gênero da bactéria e das condições em que elas se encontram. Apresentam uma das 
três formas básicas: cocos, bacilos e espirilos. 
 
• Cocos – são células geralmente arredondadas, mas podem ser ovoides ou achatadas 
em um dos lados quando estão aderidas a outras células. Os cocos quando se dividem 
para se reproduzir, podem permanecer unidos uns aos outros, o que os classificam em: 
 
a) Diplococos – são os que permanecem em pares após a divisão. 
b) Estreptococos - são aqueles que se dividem e permanecem ligados em forma de 
cadeia. 
 
c) Tétrades – são aqueles que se dividem em dois planos e permanecem em grupos de 
quatro. 
d) Estafilococos - são aqueles que se dividem em múltiplos planos e formam cachos 
(forma de arranjo). 
e) Sarcinas - são os que se dividem em três planos, permanecendo unidos em forma 
de cubo com oito bactérias 
 
• Bacilos – são células cilíndricas ou em forma de bastão. Existem diferenças 
consideráveis em comprimento e largura entre as várias espécies de bacilos. As 
porções terminais de alguns bacilos são quadradas, outras arredondadas e, ainda, 
outras são afiadas ou pontiagudas. 
 
Estrutura 
Parede Celular 
A parede celular é uma estrutura rígida que mantém a forma da bactéria, protegendo-a 
contra variações de pressão e agentes externos. Além disso, regula a passagem de 
 
substâncias, impedindo a entrada de compostos indesejáveis e permitindo a absorção 
de nutrientes. 
 
Membrana Citoplasmática 
Situada abaixo da parede celular, é responsável pelo transporte de moléculas e pela 
atividade enzimática. Tem maior seletividade na passagem de substâncias do que a 
parede celular. 
Estruturas Externas à Parede Celular 
● Glicocálice: Camada externa gelatinosa composta por açúcares, que protege a 
bactéria contra lesões e pode atuar como cápsula, conferindo resistência à 
fagocitose em patógenos. 
● Flagelos e Cílios: Apêndices locomotores que podem ser únicos ou múltiplos, 
com diferentes arranjos (monotríquio, anfítriquio, lofotríquio e peritríquio). As 
bactérias móveis captam estímulos químicos e ajustam sua movimentação 
conforme atração ou repulsão. Bactérias patogênicas flageladas são mais 
virulentas. 
● Filamentos Axiais: Estruturas helicoidais envolvem algumas bactérias, 
promovendo locomoção em movimento espiral, como no Treponema pallidum 
(sífilis). 
● Fimbrias e Pili: Pequenos apêndices de fixação. As fimbrias permitem adesão a 
superfícies e células, facilitando a colonização, como no Neisseria gonorrhoeae 
(gonorreia).Os pili, geralmente únicos ou duplos, facilitam a transferência de 
DNA entre bactérias. 
 
Componentes Internos 
● Nucleoide: Contém o DNA bacteriano, essencial para a função e replicação 
celular. 
● Ribossomos: Responsáveis pela síntese proteica. São diferentes dos 
ribossomos eucarióticos, permitindo ação seletiva de antibióticos. 
● Esporos: Formas altamente resistentes de algumas bactérias (ex.: Bacillus e 
Clostridium) que permitem sobrevivência em condições adversas. 
● Plasmídeos: Pequenas moléculas de DNA circular independentes do 
cromossomo principal. Podem carregar genes de resistência a antibióticos, 
produção de toxinas e outras funções adaptativas. 
 
Reprodução 
As bactérias se reproduzem principalmente de forma assexuada, por um processo 
chamado fissão binária. Nesse mecanismo, uma célula parental duplica seu material 
genético e se divide em duas células-filhas idênticas. 
 
O tempo necessário para essa divisão, chamado tempo de geração, varia conforme a 
espécie e as condições ambientais, como disponibilidade de nutrientes e temperatura. 
Em condições ideais, as bactérias podem se multiplicar rapidamente, levando a um 
grande aumento populacional em um curto período. 
Alguns procariotos se reproduzem assexuadamente por modelos de divisão celular 
diferentes da fissão binária, tais como: 
● Brotamento – a célula-mãe expele, de forma lenta, uma célula-filha que brota de 
maneira a originar uma nova bactéria. As células-filhas podem se manter 
agregadas às células-mães, após sucessivos brotamentos forma-se uma 
colônia. e-Tec Brasil 38 Microbiologia Básica 
● Fragmentação – formação de filamentos, cada um deles inicia o crescimento de 
uma nova célula. Ex. Nocardia sp 
● Formação de esporos – produção de cadeias de esporos externos. 
Divisão de grupos 
As bactérias são classificadas em dois grandes grupos: 
● Eubactérias: Possuem parede celular distinta das arqueobactérias e podem se 
agrupar em pares, cadeias ou tétrades. Algumas são móveis devido à presença 
de flagelos. São essenciais para a reciclagem de matéria orgânica e a produção 
de antibióticos, como a streptomicina. Também incluem espécies patogênicas 
responsáveis por doenças como faringite estreptocócica, tétano, peste, cólera e 
tuberculose. 
● Arqueobactérias: Embora se pareçam com as eubactérias ao microscópio, 
diferem na composição química e no metabolismo. Adaptam-se a ambientes 
extremos, como locais com alta salinidade, acidez elevada e temperaturas 
extremas, sendo encontradas em piscinas termais e lagoas salinas. 
Compreender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações 
clínicas, complicações, critério de Jones, diagnóstico, tratamento e 
prevenção da febre reumática. 
EPIDEMIOLOGIA 
A FR afeta principalmente crianças e jovens adultos. Isso ocorre por conta da altíssima 
incidência de faringoamigdalite estreptocócica em indivíduos de 5 a 18 anos, 
mundialmente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o 
Brasil tem 10 milhões de casos de faringotonsilite a cada ano, levando a 
aproximadamente 30.000 casos de febre reumática aguda (FRA). A doença reumática 
cardíaca (DRC) tem baixa incidência nos países desenvolvidos, com 0,1 a 0,4 
 
casos/1.000 escolares nos EUA, enquanto no Brasil esses valores chegam a 7 
casos/1.000 escolares, ressaltando a importância das condições socioeconômicas e de 
fatores ambientais 
 
FISIOPATOLOGIA 
A faringite por estreptococos do Grupo A (EGA) é precursora etiológica da febre 
reumática aguda, embora o hospedeiro e os fatores ambientais sejam importantes. 
Proteínas M de EGA compartilham epítopos (locais antigênicos determinantes 
reconhecidos pelos anticorpos) com proteínas localizadas nas sinoviais, na 
musculatura cardíaca e nas valvas cardíacas, sugerindo que o mimetismo pelo 
antígenos do GAS das cepas reumatológicas contribui para artrite, cardite e lesão 
valvar. Os fatores de risco genéticos do hospedeiro incluem o D8/antígeno celular 17 B 
e certos antígenos de histocompatibilidade classe II. Desnutrição, superpopulação e 
baixas condições socioeconômicas predispõem a infecção estreptocócica e 
subsequentes episódios de febre reumática. 
Surpreendentemente, embora as infecções por estreptococos do grupo A tanto na 
faringe como em estruturas da pele e dos tecidos moles, ossos ou articulações, 
pulmões e corrente sanguínea possam causar glomerulonefrite pós-estreptocócica, 
infecções por estreptococos do grupo A não faríngeas não levam à febre reumática 
aguda. A razão dessa diferença distinta nas complicações resultantes de infecção pelo 
mesmo organismo não é bem compreendida. 
As articulações, o coração, a pele e o sistema nervoso central (SNC) são mais 
frequentemente afetados. A patologia varia conforme o local. 
Articulações 
A biópsia de uma amostra da sinovial revela comprometimento articular manifestado 
por inflamação inespecífica, algumas vezes com pequenos focos semelhantes aos 
corpos de Aschoff (coleções granulomatosas de leucócitos, monócitos e colágeno 
intersticial). Ao contrário dos achados cardíacos, porém, as anormalidades das 
articulações não são crônicas e não deixam cicatrizes ou anomalias residuais ("a febre 
reumática aguda lambe as articulações, mas morde o coração"). 
Coração 
O comprometimento cardíaco manifesta-se por cardite, afetando o coração tipicamente 
de dentro para fora, isto é, valvas e endocárdio, depois miocárdio e finalmente 
pericárdio. É às vezes seguido, anos a décadas mais tarde, de cardiopatia reumática 
crônica, manifestada inicialmente por estenose valvular, mas também regurgitação, 
arritmias e disfunção ventricular. 
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-geniturin%C3%A1rios/doen%C3%A7as-glomerulares/glomerulonefrite-p%C3%B3s-infecciosa
 
Na Febre reumática aguda, corpos de Aschoff aparecem frequentemente no miocárdio 
e em outras partes do coração. A pericardite fibrinosa inespecífica, às vezes com 
derrame, ocorre principalmente em pacientes com inflamação do endocárdio e 
geralmente diminui sem lesão permanente. Podem ocorrer alterações valvares 
características e potencialmente danosas. A valvulite intersticial aguda pode provocar 
edema valvular. 
Na Cardiopatia reumática crônica, podem ocorrer espessamento valvar, fusão e 
retração ou outra destruição das cúspides, provocando estenose ou insuficiência. 
Similarmente, os cordões tendinosos podem sofrer encurtamento, espessamento ou 
fusão, piorando a regurgitação das valvas lesadas ou levando a regurgitação de valvas 
não afetadas. A dilatação dos aneis valvares também pode provocar regurgitação. 
Doença valvar reumática mais comumente envolve as valvas atrioventriculares direita e 
esquerda. As valvas mitrais, aórticas, tricúspides e pulmonares, isoladamente, quase 
nunca são afetadas. 
Na febre reumática aguda, as manifestações cardíacas mais comuns são 
● Regurgitação mitral 
● Pericardite 
● Às vezes, regurgitação aórtica 
Na cardiopatia reumática crônica, as manifestações cardíacas mais comuns são 
● Estenose mitral 
● Regurgitação aórtica (muitas vezes com algum grau de estenose) 
● Talvez regurgitação atrioventricular direita (muitas vezes junto com estenose 
atrioventricular esquerda) 
Pele 
Os nódulos subcutâneos são indistinguíveis dos presentes na artrite idiopática juvenil 
(AIJ), porém a biópsia mostra aspectos parecidos com os corpos de Aschoff. 
O eritema marginado difere histologicamente de outras lesões cutâneas com aspecto 
macroscópico semelhante, p. ex., exantema da artrite idiopática juvenil sistêmica, 
vasculite associada à imunoglobulina A (antigamente chamada de púrpura de 
Henoch-Schönlein), eritema crônico migratório e eritema multiforme. 
Na região da derme, ocorrem infiltrados perivasculares de neutrófilos e mononucleares. 
SNC 
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/pediatria/artrite-idiop%C3%A1tica-juvenil/artrite-idiop%C3%A1tica-juvenil-aij
 
A coreia de Sydenham, a forma de coreia que ocorre com a febre reumáticaaguda, 
manifesta-se no sistema nervoso central com hiperperfusão e aumento do metabolismo 
dos gânglios da base. 
Demonstraram-se níveis elevados de anticorpos antineuronais. 
MANIFESTAÇÔES 
Os sintomas iniciais da febre reumática ocorrem tipicamente cerca de 2 a 3 semanas 
após a infecção estreptocócica. As manifestações envolvem tipicamente algumas 
combinações das articulações, do coração, da pele e do sistema nervoso central (1). 
Articulações 
Poliartrite migratória, é a manifestação mais comum da febre reumática aguda, é a 
manifestação mais comum, ocorrendo em cerca de 35 a 66% das crianças; 
frequentemente acompanhada de febre. Migratória significa que a artrite aparece em 
uma ou algumas articulações, desaparece, mas então aparece em outras, aparentado 
assim passar de uma articulação para outra. 
As articulações tornam-se extremamente dolorosas e sensíveis. 
Tornozelos, joelhos, cotovelos e punhos geralmente estão envolvidos. Pode haver 
comprometimento dos ombros, dos quadris e de pequenas articulações dos pés e das 
mãos, geralmente não isolado. 
 
Coração 
A cardite pode ocorrer isoladamente ou em combinação com atrito pericárdico, sopros, 
cardiomegalia ou insuficiência cardíaca. No primeiro episódio da febre reumática 
aguda, a cardite ocorre em cerca de 50 a 70%. 
Os pacientes podem ter febre alta, dor no peito ou ambos; taquicardia é comum, 
especialmente durante o sono. As lesões cardíacas (isto é, disfunções valvares 
persistentes) ocorrem muito mais tarde, em cerca de 50% dos casos. 
Embora a cardite da febre reumática aguda seja considerada pancardite (envolvendo o 
endocárdio, miocárdio e pericárdio), valvite é a característica mais consistente da febre 
reumática aguda. 
Classicamente, o diagnóstico da valvite é feito pela ausculta de sopros, mas casos 
subclínicos (isto é, disfunção valvar não manifestada por sopros, mas reconhecida em 
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/pediatria/miscel%C3%A2nea-de-infec%C3%A7%C3%B5es-bacterianas-em-lactentes-e-crian%C3%A7as/febre-reum%C3%A1tica#v23645338_pt
 
exames de ecocardiografia e Doppler) podem ocorrer em até 18% dos casos de febre 
reumática aguda. 
Sopros cardíacos são comuns e, embora geralmente apareçam cedo, podem não ser 
audíveis no exame inicial; nesses casos, recomendam-se exames clínicos repetidos e 
também ecocardiografia para determinar a presença de cardite. A regurgitação mitral é 
caracterizada por sopro pansistólico apical que se irradia para a axila. 
A lesão valvar aguda deixa cicatrizes que levam a contração e alteração, propiciando 
dificuldades hemodinâmicas secundárias no miocárdio, sem inflamação aguda 
persistente. 
Pericardite pode se manifestar como dor torácica e atrito pericárdico. 
Insuficiência cardíaca causada pela combinação de cardite e disfunção valvular pode 
causar dispneia sem ruídos adventícios, náuseas e vômitos, dor no hipocôndrio direito 
ou dor epigástrica e tosse seca persistente. Letargia acentuada e fadiga podem ser 
manifestações precoces da insuficiência cardíaca. 
Pele 
Aspectos cutâneos e subcutâneos são raros e quase nunca ocorrem sozinhos, 
aparecendo geralmente em pacientes que já apresentam cardite, artrite ou coreia. 
Nódulos subcutâneos ocorrem com maior frequência nas superfícies de extensão das 
grandes articulações (p. ex., joelhos, cotovelos e punhos) e geralmente coexistem com 
artrite e cardite. Um pouco mais de 10% das crianças com febre reumática aguda 
apresentam nódulos. De modo geral, os nódulos são indolores, transitórios e 
respondem ao tratamento da inflamação articular ou cardíaca. 
Eritema marginado é serpiginoso, plano e às vezes discretamente elevado, sem 
cicatrizes e exantema indolor. Um pouco mais de 6% das crianças apresentam esse 
exantema. O exantema geralmente aparece no tronco e extremidades proximais, mas 
não na face. Ela às vezes dura 3 m/s e fluxo pansistólico em pelo menos 
1 envoltório 
● Regurgitação aórtica patológica: deve ser vista em pelo menos 2 incidências, e 
ter um comprimento de fluxo ≥ 1 cm em pelo menos 1 visualização, velocidade 
de pico > 3 m/s e fluxo pandiastólico em pelo menos 1 envoltório 
 
Critérios morfológicos ecocardiográficos: 
 
● Alterações morfológicas patológicas da valva atrioventricular esquerda incluem 
dilatação anular, alongamento das cordas ou ruptura com oscilação das 
cúspides, prolapso da ponta da cúspide anterior (ou menos comumente 
posterior) ou aspecto em “rosário"/nodularidade das pontas das cúspides. 
● Alterações morfológicas patológicas da valva da aorta incluem espessamento 
irregular ou focal das cúspides, defeito de coaptação, movimento limitado das 
cúspides ou prolapso das cúspides. 
 
● Antibióticos 
● Ácido acetilsalicílico 
● Algumas vezes, corticoides 
 
Objetivos do Tratamento da Febre Reumática 
O tratamento visa a eliminação da infecção estreptocócica, alívio dos sintomas, 
controle da inflamação e prevenção de futuras recorrências para evitar a cardiopatia. 
Pacientes com artrite, coreia ou insuficiência cardíaca devem reduzir suas atividades. 
Não há necessidade de restrição física após o episódio inicialem casos sem cardite, e 
o repouso absoluto não tem comprovação de benefício em pacientes assintomáticos 
com cardite. 
Antibióticos: Penicilina e Amoxicilina 
A principal medida para erradicar a infecção estreptocócica remanescente é o uso de 
antibióticos. Um curso de 10 dias de penicilina ou amoxicilina, ou uma única injeção de 
penicilina benzatina, é indicado para prevenir reinfecções. 
Ácido Acetilsalicílico (AAS) 
O ácido acetilsalicílico é fundamental no controle da febre, especialmente em pacientes 
com artrite ou cardite leve. A dosagem recomendada é de 15 a 25 mg/kg, quatro vezes 
ao dia, por 2 a 4 semanas, com redução gradual da dose ao longo de mais 4 semanas. 
A resposta costuma ser rápida, e a ausência de melhoria em 24 a 48 horas pode 
indicar a necessidade de reavaliar o diagnóstico. 
Efeitos Colaterais e Toxicidade: 
Toxicidade do salicilato pode ocorrer após uma semana de uso, apresentando sintomas 
como zumbido, cefaleia e hiperpneia. Nesses casos, o monitoramento dos níveis de 
salicilato é necessário. 
Naproxeno 
O naproxeno (7,5 a 10 mg/kg, duas vezes ao dia) pode ser uma alternativa ao AAS, 
sendo eficaz, especialmente na primeira semana, quando o risco de salicilismo é baixo. 
No entanto, não oferece vantagens claras sobre o AAS. 
Prednisona 
Para casos de cardite moderada a grave, a prednisona (1 mg/kg, até 60 mg/dia) é 
recomendada em vez do AAS. Se não houver supressão da inflamação ou se houver 
 
insuficiência cardíaca grave, pode-se administrar pulso de metilprednisolona IV (30 
mg/kg/dia, máx. 1 g/dia, por 3 dias). Os corticoides orais são administrados por 2 a 4 
semanas, com redução gradual ao longo de mais 2 a 3 semanas. Durante a diminuição 
dos corticoides, o AAS deve ser introduzido e mantido por mais 2 a 4 semanas. 
Recorrências da Inflamação Cardíaca 
Recorrências leves podem se resolver espontaneamente, mas se os sintomas 
persistirem, é necessário retomar o tratamento com AAS ou corticoides. Para 
insuficiência cardíaca não controlada, o tratamento com diuréticos, inibidores da ECA, 
betabloqueadores e agentes inotrópicos é indicado. 
Profilaxia Antibiótica 
A profilaxia contínua contra estreptococos é essencial após o episódio inicial de febre 
reumática para prevenir novas infecções. A administração de antibióticos orais é eficaz, 
mas a via intramuscular oferece maior segurança. 
Duração da Profilaxia: 
● Sem cardite: 5 anos ou até 21 anos, o que for mais longo. 
● Com cardite, sem lesão cardíaca residual: 10 anos ou até 21 anos. 
● Com cardite e lesão cardíaca residual: deve ser mantida por mais de 10 anos, 
podendo ser recomendada por toda a vida ou até os 40 anos, especialmente em 
casos de doença valvar grave. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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	Coração 
	Pele 
	Antibióticos: Penicilina e Amoxicilina 
	Ácido Acetilsalicílico (AAS) 
	Naproxeno 
	Prednisona 
	Recorrências da Inflamação Cardíaca 
	Profilaxia Antibiótica

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