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ESTADO DO CEARÁ
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
GABINETE DESEMBARGADOR EVERARDO LUCENA SEGUNDO
Processo: 0201470-91.2024.8.06.0101- Apelação Cível
Apelante/Apelado: Companhia Energética do Ceará - ENEL. 
Apelante/Apelado: Francineth Teixeira Cordeiro Viana.
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA 
COM DANOS MORAIS. LIGAÇÃO DE ENERGIA. PRAZO REGULAMENTAR 
DESCUMPRIDO DE FORMA INJUSTIFICADA. DANO MORAL CONFIGURADO. 
MONTANTE ADEQUADO. RECURSOS CONHECIDOS E NÃO PROVIDOS.
I. CASO EM EXAME: 
1. Trata-se de demanda na qual autor solicitou ligação de energia elétrica e não teve 
seu pleito atendido pela prestadora de serviço, propondo, portanto, ação de 
obrigação de fazer c/c indenização por dano moral, que fora julgada procedente. 
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO:
2. A questão em discussão consiste em sabe (i) se houve falha na prestação de 
serviço por parte da fornecedora; (ii) se fora configurado ato ilícito resultante em 
responsabilização civil; (iii) se a quantificação dos danos morais é proporcional.
III. RAZÕES DE DECIDIR: 
3. A concessionária limita-se a alegar que ficara impossibilitada de realizar a ligação 
de energia devido à pendência por parte da autora, referente a apresentação de 
endereço correto para realização do serviço sem, contudo, comprovar o fato 
alegado. 
4. Tendo em vista a notória relação consumerista, caberia a fornecedora de energia 
comprovar pendência por parte da autora e sua ciência a respeito dela, nos moldes 
do art. 6º, inciso VIII do Código de Defesa do Consumidor e do art. 373, II do atual 
Código de Processo Civil.
5. Ocorre que a Apelante não se desincumbiu deste ônus. A Apelante contava com 
amplo arcabouço probatório à sua disposição, mas deixou de produzir provas que 
amparassem seu argumento, de modo que verifico que o entendimento exarado na 
sentença não merece reparo. 
6. No que diz respeito à aplicação de dano moral, no âmbito das relações de 
consumo, a responsabilidade civil do fornecedor é objetiva, independendo da 
comprovação de dolo ou culpa, nos termos do §6º do art. 37 da CF/88. 
7. Além do notório descumprimento da Resolução nº 414/2010 da Aneel, o excesso 
de tempo sem a solução do problema denota a conduta abusiva da concessionária 
de energia, o que reforça a lesividade à honra inerente ao dano moral. Valor da 
indenização adequadamente fixado em R$ 5.000,00 (cinco mil reais). 
V. DISPOSITIVO:
vii. Recursos conhecidos e não providos. 
ESTADO DO CEARÁ
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
GABINETE DESEMBARGADOR EVERARDO LUCENA SEGUNDO
ACÓRDÃO: 
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acorda a 2ª Câmara de Direito Privado do 
Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, em conhecer dos recursos de Apelação 
interpostos nos autos dos processos nº 0201470-91.2024.8.06.0101 para negar-lhes 
provimento, nos termos do voto proferido pelo Relator.
Fortaleza, data indicada no sistema.
DESEMBARGADOR EVERARDO LUCENA SEGUNDO
Relator
ESTADO DO CEARÁ
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
GABINETE DESEMBARGADOR EVERARDO LUCENA SEGUNDO
Processo: 0201470-91.2024.8.06.0101- Apelação Cível
Apelante/Apelado: Companhia Energética do Ceará - ENEL. 
Apelante/Apelado: Francineth Teixeira Cordeiro Viana.
RELATÓRIO
Trata-se de recursos de apelação interpostos por, Companhia 
Energética do Ceará – ENEL e Francineth Teixeira Cordeiro Viana, contra sentença 
proferida pelo juízo da 2ª Vara Cível da Comarca de Itapipoca, que julgou 
procedente a ação de Obrigação de Fazer c/c Indenização por Danos Morais, nos 
seguintes termos: 
“Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os 
pedidos, nos termos do art. 487, I, do CPC, para condenar a 
requerida a realizar ligação de energia elétrica na residência da 
autora, confirmando a tutela de urgência outrora deferida, bem 
como ao pagamento de danos morais, estes no importe de R$ 
5.000,00 (cinco mil reais).”
Inconformada com a sentença, companhia elétrica interpôs apelação, 
alegando em suma (i) que a não realização do serviço se deu em razão de 
pendência de responsabilidade da parte autora, referente a apresentação de 
endereço correto para viabilizar a vistoria; (ii) que não cometeu nenhum ato ilícito 
pois estava impedida de realizar ligação nova; (iii) que não há comprovação de 
danos morais pela parte autora; (iv) necessidade de redução do valor da multa; (v) 
redução dos danos morais.
Também inconformada com o resultado, a autora interpôs recurso 
adesivo junto das contrarrazões, pleiteando, em suma, pela majoração dos danos 
morais. 
É o Relatório.
ESTADO DO CEARÁ
PODER JUDICIÁRIO
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GABINETE DESEMBARGADOR EVERARDO LUCENA SEGUNDO
VOTO
Estando presente os pressuposto de admissibilidade, conheço de 
ambos recursos e passo a analisar o mérito. 
Analisando os autos, a parte autora afirma na inicial (fl. 1/15) que 
solicitou ligação de energia elétrica no dia 10/11/2023, que após meses aguardando 
resolução do problema, a prestadora de serviços não solucionou a demanda. 
A concessionária limita-se a alegar que ficara impossibilitada de 
realizar a ligação de energia devido à pendência por parte da autora, referente a 
apresentação de endereço correto para realização do serviço sem, contudo, 
comprovar o fato alegado. 
Tendo em vista a notória relação consumerista, caberia a fornecedora 
de energia comprovar pendência por parte da autora e sua ciência a respeito dela, 
nos moldes do art. 6º, inciso VIII do Código de Defesa do Consumidor e do art. 373, 
II do atual Código de Processo Civil.
Ocorre que a Apelante não se desincumbiu deste ônus. A Apelante 
contava com amplo arcabouço probatório à sua disposição, mas deixou de produzir 
provas que amparassem seu argumento, de modo que verifico que o entendimento 
exarado na sentença não merece reparo. 
É pacífico que a relação jurídica entabulada entre as partes têm 
natureza consumerista a ensejar a aplicação do disposto nos artigos 2º e 3º do 
Código de Defesa do Consumidor CDC, in verbis:
Art. 2.° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que 
adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. 
Art. 3.° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou 
privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes 
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despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, 
montagem, criação, construção, transformação, importação, 
exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou 
prestação de serviços.
De igual modo, o art. 22 do CDC é assente em caracterizar que as 
concessionárias de serviços públicos são obrigadas a prestar serviços de qualidade, 
evidenciando que a relação é de consumo a ensejar a aplicabilidade do respectivo 
normativo. Tal relação jurídica, por ser consumerista, caracteriza-se pela presença 
de uma parte vulnerável (consumidor) em relação a outra (o fornecedor).
Portanto, restando evidente a falha na prestação de serviço da 
concessionária promovida, entende-se que sua conduta não se trata apenas de 
mero dissabor e configura dano moral indenizável. No que diz respeito à aplicação 
de dano moral, no âmbito das relações de consumo, a responsabilidade civil do 
fornecedor é objetiva, independendo da comprovação de dolo ou culpa, nos termos 
do §6º do art. 37 da CF/88. 
Assim, basta a comprovação da ação, do nexo de causalidade e do 
dano para que se reconheça o dever do fornecedor de reparar o dano causado, o 
qual é presumível (in re ipsa) (art. 14 do CDC): 
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DECLARATÓRIA 
DEINEXISTÊNCIA DE DÉBITO COM PEDIDO DE 
INDENIZAÇÃOPOR DANOS MORAIS. AUMENTO 
EXCESSIVO DO CONSUMO MENSAL DE ÁGUA. 
APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. 
INVERSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. DEVER DA 
CONCESSIONÁRIA DE DEMONSTRAR QUE O AUMENTO 
DO CONSUMO DE ÁGUA OCORREU POR CULPA 
EXCLUSIVA DO CONSUMIDOR. LEGITIMIDADE DO DÉBITO 
NÃO COMPROVADA PELA CONCESSIONÁRIA PÚBLICA. 
DEFEITO NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. 
RESPONSABILIDADE OBJETIVA.DANO MORAL 
CONFIGURADO. INDENIZAÇÃO ARBITRADA SEGUNDO OS 
PARÂMETROS LEGAIS EM PATAMAR RAZOÁVEL 
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INFERIOR AO REQUERIDO. HONORÁRIOS CALCULADOS 
SOBRE O VALOR DA CONDENAÇÃO. ART. 85, § 2º, DO 
CPC. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCAINEXISTENTE. 
RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTEPROVIDO. 1. 
Trata-se de apelação cível interposta pela COMPANHIA DE 
ÁGUA E ESGOTO CAGECE, visando a reforma de sentença 
proferida pelo Juízo da 2ª Vara Cível da Comarca de Juazeiro 
do Norte/CE. 2. A controvérsia cinge-se em analisar, no caso 
em comento, a sentença que julgou parcialmente procedente a 
demanda, reconhecendo a inexistência do débito questionado 
e condenando a CAGECE ao pagamento de R$ 5.500,00 
(cinco mil e quinhentos reais) a título de indenização por danos 
morais. 3. É ônus da concessionária de serviços público 
demonstrar que o consumo efetivo foi aquele cobrado na fatura 
considerada discrepante da média histórica de consumo. A 
recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar fato 
impeditivo, modificativo ou extintivo do direito autoral, nos 
moldes do art. 373, II, do CPC, sobretudo porque as alegadas 
regularidades do hidrômetro e das cobranças estão 
consubstanciadas em vistorias apuradas unilateralmente pela 
apelante. 4. Constatada a má qualidade dos serviços públicos 
prestados, entre os quais o fornecimento de água, 
notadamente no que diz respeito à cobrança indevida e 
suspensão do serviço público, o dano moral é presumido, não 
se exigindo da parte a comprovação do abalo efetivamente 
suportado, conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de 
Justiça 5. No que tange à redução do quantum indenizatório 
para 50% (cinquenta por cento) do salário-mínimo vigente, 
entendo que esse pedido não merece prosperar, pois a quantia 
de R$ 5.500,00 (quatro mil reais), fixada pelo Juízo singular, 
além de não ser exorbitante, encontra-se em sintonia com os 
valores das indenizações atualmente fixadas pelo TJCE em 
hipóteses semelhantes à dos autos. 6. Observa-se que no 
caso dos autos, o magistrado de origem arbitrou os honorários 
em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, quando 
deveria ter sido sobre o valor da condenação, na forma do art. 
85, § 2º, do CPC. Dessa forma, fica reformada a sentença para 
que o valor dos honorários sejam calculados em percentual 
sobre o valor da condenação. 7. Fica reforma a sentença 
também para desconsiderar a sucumbência recíproca e excluir 
a condenação do promovente em honorários advocatícios. 
Manter a sentença neste ponto, chegar-se-ia ao absurdo de a 
parte autora, embora vencedora na ação, pagasse mais em 
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honorários advocatícios do que a promovida, quiçá mais do 
que receberia a título de indenização por danos morais. Assim, 
a condenação em quantum inferior ao solicitado não configura 
sucumbência recíproca, uma vez que o valor pedido na 
exordial a título de indenização por danos morais tem caráter 
apenas estimativo. 8. Recurso conhecido e parcialmente 
provido. (TJCE - 0036372-07.2013.8.06.0112 Classe/Assunto: 
Apelação Cível / Indenização por Dano Moral; Relator (a): 
FRANCISCOLUCIANO LIMA RODRIGUES; Comarca: Juazeiro 
do Norte; Órgão julgador: 3ª Câmara Direito Privado; Data do 
julgamento: 12/05/2021; Data de publicação: 15/05/2021). 
Além do notório descumprimento da Resolução nº 414/2010 da Aneel, 
o excesso de tempo sem a solução do problema denota a conduta abusiva da 
concessionária de energia, o que reforça a lesividade à honra inerente ao dano 
moral. 
Por outro lado, mensurar o quantum é tarefa complexa, dada a 
inexistência de critérios objetivos para sua aferição, sendo impossível determinar o 
valor do abalo íntimo sofrido por uma pessoa, devendo o valor financeiro compensar 
ou suavizar os males indevidamente produzidos. 
Com efeito, o STJ tem firmado jurisprudência no sentido de que o 
quantum indenizável deve partir da individualização do caso concreto e com base 
em precedentes jurisprudenciais semelhantes, senão vejamos: 
RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL 
ACIDENTE DE TRÂNSITO. MORTE. DANO MORAL. 
QUANTUM INDENIZATÓRIO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. 
CRITÉRIOS DE ARBITRAMENTO EQUITATIVO PELO JUIZ. 
MÉTODO BIFÁSICO. VALORIZAÇÃO DO 
INTERESSEJURÍDICO LESADO E DAS CIRCUNSTÂNCIAS 
DO CASO. 1. Discussão restrita à quantificação da 
indenização por dano moral sofrido pelo esposo da vítima 
falecida em acidente de trânsito, que foi arbitrado pelo tribunal 
de origem em dez mil reais. 2. Dissídio jurisprudencial 
caracterizado com os precedentes das duas turmas integrantes 
da Segunda Secção do STJ. 3. Elevação do valor da 
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indenização por dano moral na linha dos precedentes desta 
Corte, considerando as duas etapas que devem ser 
percorridas para esse arbitramento. 4. Na primeira etapa, 
deve-se estabelecer um valor básico para a indenização, 
considerando o interesse jurídico lesado, com base em 
grupo de precedentes jurisprudenciais que apreciaram 
casos semelhantes. 5. Na segunda etapa, devem ser 
consideradas as circunstâncias do caso, para fixação 
definitiva do valor da indenização, atendendo a 
determinação legal de arbitramento equitativo pelo juiz. 6. 
Aplicação analógica do enunciado normativo do parágrafo 
único do art. 953 do CC/2002. 7. Doutrina e jurisprudência 
acerca do tema.8. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (STJ - 
REsp: 959780 ES 2007/0055491-9, Relator: Ministro PAULO 
DE TARSO SANSEVERINO, Data de Julgamento: 26/04/2011, 
T3 - TERCEIRA TURMA Data de Publicação: DJe 06/05/2011) 
(G.F). 
A par do entendimento, a jurisprudência deste colendo Tribunal de 
Justiça assim vem decidindo em situações assemelhadas à alinhavada nos 
presentes autos. Confira-se: 
APELAÇÕES CÍVEIS. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃODE 
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. 
RAZÕES RECURSAIS DAS PARTES SE CONFUNDEM. 
FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. 
COBRANÇAREFERENTE A CONSUMO NÃO FATURADO 
POR SUPOSTAIRREGULARIDADE NO MEDIDOR DE 
ENERGIA. TERMO DEOCORRÊNCIA E INSPEÇÃO. PROVA 
UNILATERAL DACONCESSIONÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVA 
ROBUSTA DEFRAUDE NO SISTEMA DE MEDIÇÃO. 
ILEGITIMIDADE DACOBRANÇA. DANOS MORAIS. 
MINORAÇÃO. DANOSMATERIAIS NÃO COMPROVADOS. 
MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. 
RECURSO DAPROMOVIDA CONHECIDO E PARCIALMENTE 
PROVIDO. RECURSO DO AUTOR CONHECIDO E 
IMPROVIDO. SENTENÇA REFORMADA EM PARTE. Em peça 
apelatória, a concessionária recorrente se insurge contra a 
decisão do Juízo a quo que declarou a inexistência do débito 
posto em discussão judicial, argumentando, em suma, que a 
inspeção no local da unidade consumidora e os cálculos que 
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resultaram no montante da dívida foram realizados de acordo 
coma Resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica 
(ANEEL) vigente à época. Por sua vez, o autor apela pelo 
provimento de seu pedido de danos materiais, reputando 
estarem comprovados nos autos, bem como requerendo a 
majoração de danos morais. Verifica-se que as razões 
recursais das partes se confundem, sendo, portanto, 
analisadas em conjunto. 3. Compulsando o conjunto fático-
probatório constante dos autos, tem-se que foi realizada 
inspeção técnica no imóvel do suplicante, ocasião em que foi 
lavrado o Termo de Ocorrência e Inspeção - TOI nº 
342212/2004, no qual restou averbado que o medidor estava 
com irregularidades, notadamente com tampa quebrada e sem 
selo (fls. 38-42). De acordo com o TOI n° 342213, o qual é 
continuação do TOI n° 342212/2004, colacionado às fls. 114 
pela parte requerida, ora apelante, constatou-se que o medidor 
não registrava consumo normal. Por sua vez, às fls. 48, consta 
Laudo Técnico realizado em28/06/2004, assinado por técnico 
especializado, constatando que o medidor estariaviolado, sem 
selo, com Shunt interno desligado, bobina potencial desligada 
e sem tampa. No entanto, o resultado é inconclusivo acerca de 
desvio de energia elétrica no sistema de medição da unidade 
consumidora em questão. 4. No que concerne ao termo de 
ocorrência e inspeção, observa-se que o referido documento, 
isolado, produz elementos de prova somente a favor da ré, de 
modo que para consubstanciar cobrança decorrente de 
irregularidade constatada na ausência de medição por suposto 
desvio de energia, seria imprescindível a composição de um 
conjunto de evidências, o que não ficou demonstrado pela 
promovida. 54. Por outro lado, restou devidamente 
comprovado que o requerente foi cobrado pelo valor de R$ 
7.531,56 (sete mil, quinhentos e trinta e um reais e cinquenta e 
seis centavos), conforme carta de cobrança acostada à fl. 47. 
6. Destarte, depreende-se que o Magistrado a quo agiu 
acertadamente ao declarar a inexistência do débito posto em 
discussão judicial, vez que a concessionária do serviço público 
onerou o autor com dívida consubstanciada unicamente em 
inspeção técnica e TOI, realizados de forma unilateral, ausente 
prova robusta da alegada irregularidade. 7. A quantificação 
do dano moral deve ser arbitrada de modo a evitar 
enriquecimento sem causa e para que sirva de lição 
pedagógica, evitando que o ilícito se repita, assim como 
para prestar à vítima uma satisfação pelos sofrimentos e 
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abalos suportados. Nesse sentido, entendo que assiste 
razão o aduzir recursal da apelante/demandada, já que o 
valor arbitrado de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) excedeu a 
proporcionalidade devendo ser reduzido para R$ 5.000,00 
(cinco mil reais). 8. Quanto aos danos materiais, ressalta-se 
que, para sua comprovação, que poderia ser através de 
documentos demonstrando a ocorrência das perdas materiais 
em virtude da interrupção do fornecimento de energia, como 
por meio de prova oral, se faziam imprescindíveis para o 
deslinde da controvérsia. No entanto, não estando comprovado 
o período da suspensão do serviço, não há como se 
determinar que ocorreu dano a ser indenizado, como relatado 
pelo autor. Assim, ausente dos autos as provas de que a parte 
sofreu prejuízos, discriminando lucros cessantes com o 
estabelecimento fechado, não há como aferir a veracidade das 
alegações de prejuízo. Deve, portanto, ser mantida a decisão 
de improcedência no ponto. 9. Recurso da ré conhecido e 
parcialmente provido, tão somente para minorar o valor a título 
de danos morais. Recurso do autor conhecido e improvido. 
Sentença parcialmente reformada. (Apelação Cível - 
0028708-11.2006.8.06.0001, Rel. Desembargador(a) 
MARIADE FÁTIMA DE MELO LOUREIRO, 2ª Câmara Direito 
Privado, data do julgamento: 14/12/2022, data da publicação: 
14/12/2022). Grifo nosso. 
Pelo exposto e com base no precedente ora elencado, verifica-se que 
o valor arbitrado na sentença primeva, referente a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) 
encontra-se dentro dos parâmetros da proporcionalidade e da razoabilidade e com 
amparo nos julgados similares deste Sodalício. 
Diante do exposto, CONHEÇO dos presentes recursos para NEGAR-
LHES PROVIMENTO, mantendo inalterada a decisão apelada.
É como voto.
Fortaleza, data indicada no sistema.
DESEMBARGADOR EVERARDO LUCENA SEGUNDO
Relator
		2024-12-19T09:12:19-0300
	Not specified

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