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Introdução à neurociência
Autora
Marcia Maurilio Souza
Apresentação
Caro(a) cursista, a neurociência é uma ciência que somente se configurou como tal a partir de
meados do século XX. Entretanto, antes disso, muitos estudiosos já investigavam o sistema
nervoso e suas funções, e há indícios, no transcorrer da História Antiga, de que desde a Pré-
História os hominídeos já entendiam que o cérebro era importante.
A neurociência é uma ciência multidisciplinar. Pesquisadores de várias áreas contribuem para o
arcabouço de seus conhecimentos (médicos, psicólogos, matemáticos, psiquiatras, entre
outros), e todos aqueles que têm o sistema nervoso como objeto de estudo.
Nosso sistema nervoso é o responsável pelas funções do pensar, movimentar e sentir. Em sua
organização há terminações nervosas que compõem os sistemas sensoriais e que são capazes
de captar as informações do meio ambiente e de nosso próprio organismo. Essas informações
chegam às várias áreas do cérebro responsáveis por seu processamento e, com base nessas
percepções, podemos tomar decisões e realizar tarefas.
Todas as informações que são processadas em nosso sistema nervoso são importantes para
nossa aprendizagem. Está comprovado que nossas experiências e aprendizagens modificam o
nosso cérebro por meio da plasticidade neural. Um adulto possui um cérebro único, que foi
redesenhado pela neuroplasticidade, por suas experiências de vida e aprendizagens.
Esperamos que o conteúdo desta aula seja importante e interessante o suficiente para que possa
despertar interesse em novos estudos e melhorar a prática profissional de todos(as).
Profa. Dra. Marcia Maurilio Souza
Videoaula - Neurociência
Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link:
"https://player.vimeo.com/video/764946318".
Videoaula - Como surgiu a neurociência
Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link:
"https://player.vimeo.com/video/764947454".
Como surgiu a neurociência1
Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link:
"https://player.vimeo.com/video/1019463374".
Todos nós temos consciência de que nosso sistema nervoso é o responsável por nossos
pensamentos, sentimentos e movimentos, mas desde quando os estudiosos pensaram dessa
forma? Como surgiram essas ideias?
Quando falamos em sistema nervoso, estamos falando do encéfalo, da medula espinhal e dos
nervos do corpo; o encéfalo, por sua vez, é composto pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico
(ou cerebral), ou seja, tudo o que está dentro de nossa caixa craniana.
Bear, Connors e Paradiso (2002) afirmam que nossos ancestrais pré-históricos já tinham o
entendimento de que o encéfalo era vital para o desenvolvimento humano. Os autores reiteram
que crânios de hominídeos de cerca de 7 mil anos foram abertos cirurgicamente, isso com a
pessoa ainda viva, pois há sinais de cicatrização. Os procedimentos tinham a intenção de curar
dores de cabeça ou transtornos mentais e eram chamados de trepanação, o que para Bear,
Connors e Paradiso (2002) poderia ser uma forma de esses ancestrais oferecerem uma porta de
saída para os maus espíritos.
Temos escritos médicos de cerca de 5 mil anos que comprovam que os egípcios também já
observavam os sintomas das lesões cerebrais.
O pai da medicina ocidental, Hipócrates (469-370 a.C.), que viveu na Grécia Antiga, fez
afirmações sobre o encéfalo ser o órgão das sensações e a sede da inteligência, baseado na
perspectiva da teoria da “correlação entre estrutura e função”. Essa teoria partia do princípio de
que as partes do nosso corpo se caracterizam de acordo com suas funções. Tendo isso em vista,
Hipócrates observou, ao dissecar o encéfalo, que os nervos que captam as sensações se
encaminham para dentro dele, visto que seus órgãos estão localizados na cabeça – os olhos e
os ouvidos, responsáveis pela visão e audição; o nariz e a língua, que captam os odores e os
sabores por meio do paladar.
Ainda na Grécia, o médico Galeno (130-200 d.C.) fez experiências de dissecações de encéfalos
de ovelha e, ao tocá-los com seus dedos, fez a seguintes afirmações: que o cérebro, por ser
macio, poderia receptar e armazenar as sensações; por sua vez, o cerebelo, por ter uma estrutura
mais rígida, deveria originar os comandos para o corpo. Segundo Bear, Connors e Paradiso
(2002), o médico grego não ficou tão longe da verdade, os autores reiteram: “O cérebro está, de
fato, bastante comprometido com as sensações e percepções, e o cerebelo é principalmente um
Figura: Desenho de uma trepanação (1517)
Fonte: markus mueller/Commons.wikimedia.org
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/01.jpg
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/01.jpg
centro de controle motor. Além do mais, o cérebro é um repositório da memória” (BEAR;
CONNORS; PARADISO, 2002, p. 5).
Galeno (130-200 d.C.) também afirmou que os nervos eram tubulações ocas; assim sendo,
fluidos ou humores encontrados nos ventrículos percorriam esses tubos para impulsionar os
movimentos dos membros. Essa afirmação incorreta perdurou por quase 1.500 anos, na
Renascença alguns outros detalhes foram adicionados à estrutura do encéfalo.
Essa “teoria do fluido mecânico” era defendida por René Descartes (1596-1650), filósofo e
matemático. Entretanto, Descartes defendia que a teoria poderia explicar o funcionamento do
encéfalo dos animais, mas não totalmente dos seres humanos, porque, para ele, os humanos
tinham algo mais; para o filósofo e matemático, a mente humana era como uma entidade
espiritual. Segundo Bear, Connors e Paradiso (2002), as pesquisas contemporâneas em
neurociências chegam à conclusão de que o cérebro é a base física da mente.
Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link:
"https://player.vimeo.com/video/1019463680".
Bear, Connors e Paradiso (2002) ressaltam que somente nos séculos XVII e XVIII essa teoria foi
rompida, outras substâncias cerebrais foram citadas pelos pesquisadores e essas divididas em
branca e cinzenta, assim como suas funções foram designadas. Os autores indicam que a
substância branca tem em sua continuidade os nervos do corpo, ela contém fibras que
conduzem informações para a substância cinzenta.
As teorias da localização cerebral passaram a ser desenvolvidas a partir do final do século XVIII
pelos estudiosos da neuroanatomia, quando o sistema nervoso havia sido todo dissecado e seus
sulcos e giros observados em detalhe.
Bear, Connors e Paradiso (2002) relacionam algumas das teorias sobre o funcionamento do
sistema nervoso no período supracitado: as diferentes partes identificáveis do encéfalo
provavelmente executam funções distintas; a comunicação entre o encéfalo e o corpo se dá por
meio dos nervos; o encéfalo segue as leis da natureza e funciona como uma máquina; e os
Figura: O encéfalo de acordo com Descartes
Fonte: Descartes (1677, p. 139).
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danos no encéfalo provocam desorganizações nos movimentos, pensamentos e sensações, e
podem levar à morte.
Os fenômenos elétricos passaram a ter novas compreensões após a publicação, em 1751, do
panfleto “Experimentos e Observações sobre a Eletricidade”, por Benjamin Franklin (BEAR;
CONNORS; PARADISO, 2002). Essa descoberta de Benjamin Franklin impulsionou novos estudos,
entre eles o do cientista italiano Luigi Galvani e do biólogo alemão Emil Du Bois-Reymond, isso
no início do século XIX. As pesquisas de Galvani e Bois-Reymond acabaram por derrubar a teoria
dos fluidos, demonstrando que os músculos eram movimentados por estímulos elétricos nos
nervos, além de provarem que o encéfalo podia gerar eletricidade; nesse sentido, a teoria passou
a ser de que os nervos eram como cabos que conduziam sinais elétricos para o encéfalo e dele
para o corpo. Somente em 1810, quando dois cientistas observaramonde o nervo óptico deixa o olho não há receptores, ou seja, há um ponto cego.
Nosso cérebro preenche automaticamente esse ponto, por isso não o percebemos (NOLEN-
HOEKSEMA et al., 2012).
Na região da fóvea há uma concentração de receptores. Ela é uma região no centro da retina.
Quando queremos ver detalhes em um objeto, movemos nossos olhos para que o objeto seja
projetado para essa região.
A pupila e as alterações fotoquímicas que ocorrem nos receptores de luz são responsáveis pelas
adaptações de nossos olhos ao escuro. Quando saímos de um ambiente iluminado e entramos
em um ambiente escuro, demoramos um pouco para adaptar nossos olhos à pouca luz. A
princípio, praticamente não enxergamos nada, mas aos poucos nossos olhos vão se adaptando à
penumbra e conseguimos enxergar os objetos que estão a nossa volta e, com o passar do tempo,
até distinguir o rosto das pessoas. Lembre-se de nossas experiências quando entramos em uma
sala de cinema, por exemplo.
“A acuidade visual é a capacidade de nossos olhos para determinar detalhes.” (NOLEN-
HOEKSEMA et al., 2012, p. 109, grifo nosso). Herman Snellen, em 1862, criou uma tabela para
medir a acuidade visual, aquela que o oftalmologista usa quando vamos ao consultório, com
letras em tamanhos diferentes. Contudo, nem sempre essa tabela é a mais indicada para medir
tal acuidade, pois com crianças e pessoas que não sabem ler ela não funcionará. Além disso, o
método foi desenvolvido para testar a acuidade de objetos vistos a distância e não a acuidade
para a leitura e outras atividades a curta distância, logo deve-se usar outros testes para essas
situações.
Os bastonetes e cones contêm substâncias químicas, denominadas fotopigmentos, que absorvem a
luz. A absorção da luz pelos fotopigmentos inicia um processo que culmina em um impulso
nervoso. Quando essa etapa de transdução é concluída, os impulsos elétricos devem seguir para o
cérebro através da conexão dos neurônios. As respostas dos bastonetes e cones são inicialmente
transmitidas para as células bipolares e de lá para outros neurônios, denominados células
ganglionares [observe a Figura Transdução visual].
Adaptação ao escuro, enxergando padrões e
cores
A visão das cores
Nosso sistema visual faz algo extraordinário para podermos ver as cores. Toda luz visível é
semelhante, logo, para vermos as cores, nosso sistema visual transforma o comprimento da
onda em cores. “A visão de cores é compreendida por meio da teoria tricromática, a qual defende
que a percepção de cores é baseada na atividade de três tipos de receptores de cone […].”
(NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 117).
Na teoria tricromática, o comprimento de ondas curtas (450-500 nanômetros) aparece em azul;
os comprimentos de ondas médias (500-570 nanômetros) aparecem em verde e os
comprimentos de ondas longas (650-780 nanômetros) aparecem em vermelho. Essa teoria é
bem aceita quando a sensação de cor é originada por um objeto que emite luz, como o sol ou
uma lâmpada incandescente (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012). Na maioria das vezes, a sensação
de cor origina-se em um objeto iluminado por uma luz. Nesses casos, nossa sensação de cor é
determinada não somente pelo comprimento das ondas, mas também por outros fatores, como o
contexto em torno das cores. A capacidade de vermos o vermelho de uma calça que temos,
apesar das variações de iluminação do ambiente, chama-se estabilidade da cor.
Apesar de a visão da cor ser uma experiência subjetiva, pois é o resultado da análise de nosso
cérebro do comprimento das ondas, ela também é objetiva na medida em que dois ou mais
“observadores com os mesmos tipos de receptores de cores (cones)” (NOLEN-HOEKSEMA et al.,
2012, p. 110) conseguem interpretar a mesma cor em um objeto.
Podemos organizar nossas experiências com cores em três dimensões: nuance, brilho e
saturação.
A acuidade de Snellen é medida em relação ao observador que não precisa usar óculos. Deste modo,
uma acuidade de 20/20 indica que o observador é capaz de identificar as letras a uma distância de
20 metros, a qual um observador normal consegue ler. Uma acuidade de 20/100 significa que o
observador pode ler apenas as letras a 20 metros, que são grandes o suficiente para um observador
normal ler a uma distância de 100 metros. Neste caso, a acuidade visual é menor do que o normal.
(NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 109).
Característica mais descritiva da denominação da cor, como amarelo e azul-celeste.
Refere-se à quantidade de luz que é refletida de uma superfície colorida, sendo o branco o
mais brilhante e o preto o mais fosco.
Para termos ideia da importância das cores em nossas vidas, temos cerca de 7.500 cores
nominadas e, levando em consideração o brilho e a saturação, o sistema visual pode distinguir
um número superior a 7 milhões de cores.
Temos uma segunda teoria sobre a percepção de cores, a das cores oponentes. Há quatro
sensações de cores básicas: vermelho, amarelo, verde e azul. A teoria de cores oponentes propõe
que há processos oponentes de cores, vermelha-verde e amarela-azul, cada um deles reagindo
de forma oposta às suas duas cores oponentes. As teorias tricromática e de cores oponentes
têm sido combinadas com sucesso, considerando-se a proposta de que operam em diferentes
localizações neurais do sistema visual.
Refere-se à pureza da cor, em que uma totalmente saturada, como o carmim, não parece ter
o cinza, e uma cor insaturada, como o laranja, é uma mistura do vermelho com o amarelo.
A audição, como dissemos anteriormente, também é um dos nossos sentidos de distância. O
sistema auditivo capta as ondas sonoras – e o que são as ondas sonoras?
Em relação à frequência, as ondas sonoras (o som) são medidas por hertz, que é a frequência do
tom, o número de ciclos por segundo. Os tons de alta frequência assumem ondas senoidais de
alta frequência, e os tons de baixa frequência assumem as ondas senoidais de baixa frequência.
A sensação de sonoridade diz respeito à amplitude do som, e este é medido em decibéis. Os sons
têm amplitudes diferentes, por exemplo, um sussurro produz cerca de 30 decibéis, e um avião
decolando pode produzir mais de 140 decibéis (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012).
O timbre é outro componente do som. Ele refere-se à nossa experiência da complexidade de um
som, ou seja, os sons não são puros. É como a identidade dos sons. Cada um de nós tem um
A audição4.2.2
O som se origina do movimento ou da vibração de um objeto, semelhante ao balanço do vento entre
os galhos de uma árvore. Quando algo se move, as moléculas de ar em sua frente se aproximam.
Essas moléculas empurram outras moléculas e então retornam à sua posição original. Desta forma,
uma onda de alterações de pressão (a onda sonora) é transmitida através do ar, apesar de as
moléculas de ar individuais não irem muito longe. Essa onda é semelhante à ondulação criada
quando jogamos uma pedra em um lago. (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 117).
timbre de voz diferente, por exemplo, assim como os instrumentos musicais, os sons que os
animais emitem, entre outros.
Assim como o sistema visual, o sistema auditivo tem componentes que captam o som,
ampliando-o e transmitindo-o para os receptores. A maior parte desse sistema está localizada
dentro da caixa craniana.
O sistema de transmissão é composto pelo ouvido externo ou pavilhão, com o canal auditivo e o
ouvido médio, que consiste no tímpano e três ossículos, o martelo, a bigorna e o estribo. “O
sistema de transdução é abrigado em uma parte do ouvido interno, chamada cóclea, que contém
os receptores de som.” (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 118).
O sistema de transmissão e o de transdução funcionam da seguinte forma:
O sistema auditivo
Auxilia na coleta do som, conduzindo-o do canal auditivo até uma membrana firme, o
tímpano.
A parte mais externa do ouvido médio, é levado a vibrar por ondas sonoras conduzidas até
ele por meio do canal auditivo.
Transmite as vibrações do tímpano por meio de uma cavidade cheia de ar para outra
membrana,a janela oval, que é a porta de entrada para o ouvido interno e os receptores.
São três ossículos que fazem a transmissão mecânica do som no ouvido médio,
transmitindo e ampliando o som.
Tubo espiral de osso, dividida em seções de líquidos e membranas.
Sustenta os receptores auditivos, que são chamados de células capilares, pois têm
estruturas semelhantes aos cabelos, que se prolongam até o líquido.
A pressão na janela oval (que conecta o ouvido médio e o interno) acarreta alterações de
pressão no líquido da cóclea, o qual, por sua vez, faz com que a membrana basilar vibre,
resultando em uma curvatura das células capilares e um impulso elétrico. Por meio desse
processo complexo, a onda sonora é então convertida em impulsos elétricos. Os neurônios
que fazem sinapse com as células capilares possuem axônios longos que fazem parte do
nervo auditivo. A maioria desses neurônios auditivos se conecta a células capilares isoladas.
[…] A via auditiva de cada ouvido segue para ambos os lados do cérebro e faz sinapses em
vários núcleos antes de alcançar o córtex auditivo. (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 119).
Figura: Sistema auditivo
Fonte: acer/commons.wikimedia.org
O vídeo “A natureza do som e do ouvido humano” apresenta como o ouvido reage às ondas
sonoras e vibrações. Acesse o link e assista: www.youtube.com
[https://www.youtube.com/watch?v=wsCIl5ehL0c]
O olfato não é considerado como um “sentido superior” como a audição e a visão, mas ele auxilia
na sobrevivência de nossa espécie: “[…] ele é necessário para a detecção de alimentos
estragados ou vazamento de gás, e a perda do sentido olfato pode levar à falta de apetite”
(NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 123). A área ocupada no cérebro responsável pelo olfato varia
O olfato4.2.3
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https://www.youtube.com/watch?v=wsCIl5ehL0c
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de espécie para espécie. No homem ela ocupa aproximadamente a vigésima parte do que ocupa
no cérebro de um cão, por exemplo.
Diferentemente dos sistemas visuais e auditivos, em que os receptores estão protegidos, no
sistema olfativo os receptores dos cheiros estão na cavidade nasal, ligados diretamente ao
cérebro, sem mediações sinápticas.
Os receptores olfativos são cobertos por substância oleosa. Por isso as moléculas voláteis que
deixam as substâncias e entram na cavidade nasal devem ser solúveis em gordura.
O sistema olfativo
O sistema olfativo consiste de receptores na passagem nasal, determinadas regiões do cérebro e
vias neurais interconectadas. Os receptores de odor estão localizados no alto da cavidade nasal.
Quando os cílios (estruturas semelhantes às dos pelos) desses receptores entram em contato com
as moléculas voláteis, ocorre um impulso elétrico; este é o processo de transdução. Esse impulso
viaja através das fibras nervosas até o bulbo olfativo, região do cérebro que fica logo abaixo do lóbulo
frontal. O bulbo olfativo, por sua vez, está ligado ao córtex olfativo no interior dos lobos temporais.
(Curiosamente, há uma conexão direta entre o bulbo olfativo e parte do córtex, conhecida por estar
envolvida na formação de memórias de longo prazo. Talvez isso esteja relacionado à ideia de Proust,
de que um odor característico pode representar uma poderosa ajuda na recuperação de memórias
antigas.) (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 124, grifos do autor).
Figura: Sistema olfativo
Fonte: OpenStax/pngcommons.wikimedia.org
Este sentido é influenciado por nossa experiência em relação ao que estamos ingerindo, ou seja,
as pessoas apresentam sensibilidade variada em relação aos sabores amargos e cítricos; por
exemplo, “indianos vivendo na província de Karnataka, na Índia, que ingerem vários alimentos
azedos e consideram os sabores do ácido cítrico e do quinino (o sabor da água tônica)
agradáveis.” (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 125). Os ocidentais, ou mesmo indianos que
cresceram em países ocidentais, não compartilham dessa mesma sensação.
Nosso sistema gustativo não é considerado um dos principais. Nem sempre damos a ele seu real
valor, mas sua importância está em podermos avaliar os sabores dos alimentos em conjunto
com o sistema olfativo. Imaginem quão valiosos esses sistemas sensoriais eram para nossos
antepassados que passaram por épocas em que não conheciam todos os alimentos in natura e
tinham que prová-los para avaliá-los. Assim, o nosso paladar foi com o tempo se especializando
para hoje termos consciência dos sabores dos alimentos que estamos comendo.
A gustação ou sentido do paladar4.2.4
O sistema gustativo
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O estímulo para o paladar é uma substância solúvel na saliva. O sistema gustativo inclui receptores
que estão localizados na língua, bem como na garganta e no céu da boca. O sistema também inclui
partes do cérebro e vias neurais interligadas. […] Esses receptores gustativos encontram-se em
agrupamentos, denominados papilas gustativas, nas saliências da língua e ao redor da boca. Nas
extremidades das papilas gustativas, são curtos, com estrutura semelhante a dos pelos e se
estendem para fora. O contato resulta em impulsos elétricos; este é o processo de transdução. Em
seguida, os impulsos elétricos viajam até o cérebro. (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 126).
Figura: Sistema gustativo
Fonte: NEUROtiker/commons.wikimedia.org
Nosso tato é constituído por nossa pele, que é considerada o maior órgão de nosso organismo e
é composta por derme e epiderme.
A epiderme é a camada mais superficial da pele, menos espessa e com células epiteliais
estratificadas. A derme é a camada mais profunda, é densa e composta por uma rede de tecido
fibroso e elástico. Nossa pele ainda possui os pelos e as glândulas sebáceas e sudoríparas, a
primeira com a função de lubrificar a pele e a segunda de secretar o suor.
O tato4.2.5
Sistema tegumentar
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Nas regiões providas de pelo temos terminações nervosas que captam as forças mecânicas
aplicadas contra o pelo, como os receptores de Ruffini, que são receptores de calor.
Nas regiões desprovidas de pelo, assim como naquelas que estão cobertas de pelos
encontramos três tipos de receptores comuns:
Há ainda na pele:
Terminações nervosas livres: Sensíveis aos estímulos mecânicos, térmicos e especialmente aos
dolorosos.
Bulbos terminais de Krause: Receptores térmicos de frio. Situam-se nas regiões limítrofes da pele
com as membranas mucosas (por exemplo: ao redor dos lábios e dos genitais). (NOLEN-HOEKSEMA
et al., 2012, p. 136).
Captam especialmente estímulos vibráteis e táteis – pressão.
Estão nas saliências da pele sem pelos (como nas partes mais altas das impressões
digitais) e percebem o tato leve.
De sensibilidade tátil e de pressão. Os movimentos de pressão e tração sobre a epiderme
desencadeiam o estímulo. (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 135).
Figura: Sistema tegumentar: os sensores
Fonte: BruceBlaus/commons.wikimedia.org
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Como podemos observar, nosso tato é responsável por recepcionar diferentes sensações – calor,
frio, dor, toques sutis ou pressões mais acentuadas. Essas sensações são transmitidas para
nosso cérebro e processadas no lobo parietal, responsável pela sensação de dor, tato, gustação,
temperatura e pressão.
Podemos afirmar que com o sistema tátil nosso organismo tem a habilidade de receber e
interpretar estímulos por meio do contato com a pele. Tem-se formulado teorias sobre como
o sistema tátil se desenvolve ainda antes do nascimento. O sentido do tato é importante no
desenvolvimento da consciência corporal.
O funcionamento tátil se divideem dois sistemas diferentes. O sistema de discriminação nos dá
as informações sobre o tamanho, forma e textura de objetos no meio ambiente. O sistema
protetor, por sua vez, provê-nos de informações sobre como somos tocados (por exemplo: toque
suave, pressão profunda, temperatura ou dor). O sistema protetor é responsável por o corpo
evitar automaticamente aquele toque que lhe pareça ruim.
Uma pessoa com um problema do sistema tátil pode ser hipo ou hipersensível ao toque ou pode
ter uma discriminação tátil pobre. Uma pessoa hipossensível pode não estar consciente de que
lhe tocam ou pode não reagir apropriadamente às experiências dolorosas (cortes, golpes). Uma
pessoa hipersensível pode parecer agressiva com os outros: pode evitar a terra, a areia ou
projetos artísticos ou pode ter dificuldade para completar uma tarefa devido à necessidade de
proteger a si mesma, com medo da entrada tátil que virá.
Os receptores do sistema vestibular estão localizados no ouvido interno, e eles interpretam os
efeitos da gravidade no corpo por meio do movimento e da posição da cabeça. Esses receptores
sensoriais no ouvido interno enviam mensagens a níveis mais altos do cérebro para que sejam
processados. O sistema vestibular funciona no desenvolvimento de um bom balanço,
consciência espacial, estabilidade proximal (a habilidade de estabilizar suas articulações, dos
ombros e quadril) e uniformidade geral no controle motor. Estudos sugerem também que o
sistema vestibular contribui com a habilidade de prestar atenção a uma tarefa. Estimulação
apropriada a esse sistema pode prover um efeito calmante e preparar o cérebro para concentrar
sua atenção.
Sistemas vestibulares imaturos podem reagir de duas maneiras. Algumas crianças são
extremamente sensíveis a qualquer atividade de movimento e ficam aterrorizadas com a ideia de
participar em qualquer atividade física. Por sua vez, algumas crianças não processam
O sistema vestibular4.2.6
informações vestibulares suficientes. Essas crianças nunca parecem tontas e adoram as
atividades que provoquem estimulação sensorial. Parece que não existe uma atividade que as
deixe tontas. Uma criança com baixa visão e múltipla deficiência pode mexer-se continuamente
ou dar voltas em círculos de maneira autoestimulante. Isso pode ser interpretado como um
sistema nervoso imaturo que necessita de estímulo vestibular. Quando ele é provido com uma
informação sensorial apropriada, aquela atitude tende a diminuir.
A estimulação vestibular é uma fonte de informação forte para o sistema nervoso. Pode ser
estimulada de diferentes maneiras, muitas das quais são simples. Devemos ter o cuidado –
como em qualquer tipo de atividade – de protegê-los contra quedas e lesões. Em todas as
atividades vestibulares a criança deve estar no controle. Permita que seja ela quem decida
quanto de estímulo pode tolerar. Crianças com uma desordem que provoque convulsões não
devem participar de atividades de rodopio. Isso é contraindicado e poderia causar as
mencionadas convulsões. Essas crianças podem beneficiar-se de estímulos vestibulares, porém
estes devem ser providos de maneira linear (movimentos para frente e para trás, ou de um lado
para outro).
Figura: Estruturas do sistema vestibular
Fonte: Thomas.haslwanter/commons.wikimedia.org
Segundo Lent (2001), a propriocepção refere-se à percepção do próprio corpo, o que propicia a
consciência da postura, do movimento, das diferentes partes de nosso corpo e das mudanças de
equilíbrio que ocorrem durante os movimentos. Ela também se refere ao posicionamento das
articulações e das sensações dos movimentos. Ainda se conhece pouco sobre a propriocepção,
apesar de ser muito estudada.
O sistema proprioceptivo tem como receptores os proprioceptores, eles estão localizados nas
articulações, músculos, tendões, cápsulas e ligamentos. As sensações captadas pelos
proprioceptores são enviadas ao sistema nervoso central pelas vias aferentes, “[…] de modo
consciente ou inconsciente, e estas podem influenciar o tônus muscular, programas de execução
Sistema proprioceptivo ou cinestésico4.2.7
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motora, coordenação, cinestesia, reflexos musculares, equilíbrio postural e estabilidade articular”
(KANDEL; SCHWARTZ; JESSEL, 2003, p. 215).
Os dançarinos e atletas apresentam, de acordo com a teoria das múltiplas inteligências, a
inteligência corporal-cinestésica, que consiste em habilidades que lhes permitem executar
movimentos precisos para o desenvolvimento de suas técnicas.
A propriocepção encontra-se dividida em quatro funções distintas e separadas:
Sensação de movimento passivo: esta é considerada o resultado de sensações induzidas por forças
externas que levam à alteração da posição do membro sem que haja contração muscular.
Cinestesia: é definida como a sensação do movimento ativo, passando por alterações do movimento
ou posicionamento do membro com o músculo em contração.
Estagnosia: é a percepção da posição de um membro no espaço.
Dinamaestesia: é a presença de tensão e percepção da força aplicada no momento de realização de
uma contração voluntária. (KANDEL; SCHWARTZ; JESSEL, 2003, p. 217-218).
Quando ocorre algum tipo de alteração no sistema proprioceptivo, o organismo apresenta alguns
sintomas variados, que podem ser:
Dor: pode surgir como cefaleia, enxaqueca, dor muscular, na planta dos pés, pescoço ou costas.
Figura: Propriocepção
Fonte: .
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Desequilíbrio: pode aparecer na forma de vertigem, tonturas, enjoo, sensação de náuseas, quedas sem
explicação, choques contra objetos sem justificativa.
Queda do rendimento escolar: o indivíduo progride no âmbito escolar abaixo de sua capacidade de
inteligência e do esforço desenvolvido. Pode-se observar sintomas de dislexia, discalculia, disgrafia,
dislalia, disortografia, déficit de atenção, entre outros.
Perturbações vasculares: a mais frequente é a palidez da pele, normalizando-se após o tratamento
proprioceptivo.
Erros de localização espacial: o indivíduo apresenta dificuldade na percepção de cada segmento do
seu corpo em relação aos outros segmentos, e também a relação entre corpo e espaço. (KANDEL;
SCHWARTZ; JESSEL, 2003, p. 219).
A abordagem para o tratamento e acompanhamento das alterações proprioceptivas deve ser
multidisciplinar; os profissionais que podem ser envolvidos no tratamento são:
fisioterapeutas, ortopedistas, oftalmologistas, dentistas, psicólogos, fonoaudiólogos e
terapeutas ocupacionais.
Os nossos sentidos captam e enviam para o cérebro informações brutas do meio ambiente em
que vivemos. A percepção é o que vai organizar e integrar essas informações, segundo a
definição de Nolen-Hoeksema et al. (2012, p. 138), ela vai nos ajudar a fazer “suposições de
como o mundo se junta”. O que isso significa? Que tudo o que se apresenta à nossa volta tem
certa lógica. Não podemos conceber um elefante sobre uma geladeira em nossa cozinha, por
exemplo. Quando pensamos em uma cozinha comum, vemos um fogão, uma geladeira, uma pia
e talvez um micro-ondas sobre um armário. Ainda segundo Nolen-Hoeksema et al. (2012, p. 138),
nossa percepção dessa realidade ou dessas cenas cotidianas é repleta de “suposições para
integrar o mundo, com base no qual tomamos decisões e agimos”.
As questões perceptivas são divididas em cinco categorias:
1 – Atenção
É a capacidade de selecionar um conjunto relevantede todas as informações no ambiente. Para
isso temos três processos separados no cérebro. O primeiro é o sistema que nos dá a
capacidade de nos mantermos alertas, o segundo sistema, de acordo com Nolen-Hoeksema et
al. (2012, p. 139),
Percepção e o desenvolvimento da
aprendizagem
4.3
Esses processos interagem para compor a atenção, quando queremos estar atentos a um objeto
ou som, dirigimos nossa atenção visual ou auditiva; a esses atos denominamos atenção seletiva,
que “[…] é o processo por meio do qual selecionamos os estímulos para processamento ulterior
enquanto ignoramos outros. Na visão, o meio primário de direcionar nossa atenção são os
movimentos dos olhos” (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 141).
Essa capacidade de atenção seletiva, que nos faz ignorar partes dos estímulos que estão à
nossa volta, ajuda nosso cérebro a reduzir a quantidade de processamento de informações até
um ponto em que possa ser mais bem administrada, e, ao mesmo tempo, na maioria dos casos,
não conseguiremos nos lembrar das informações que não foram selecionadas para prestarmos
atenção, pois elas não foram processadas pelo cérebro.
2 – Localização
É a capacidade de localizar ou determinar onde estão os objetos. A importância dessa
capacidade é clara. Imaginemos que estamos nos deslocando em um ambiente, mesmo o
cotidiano de nossa casa, ir da cama até o banheiro sem bater em nenhum móvel ou tropeçar em
um degrau, ou mesmo localizarmos um objeto entre outros e pegá-lo.
A capacidade de localização requer duas habilidades: a de separar e a de determinar a
posição dos objetos.
Na primeira, precisamos conseguir fazer a separação dos objetos uns dos outros e do fundo em
que se encontram; e na segunda, Nolen-Hoeksema et al. (2012, p. 141) explicam que precisamos
“determinar a posição do objeto no mundo tridimensional, incluindo sua distância até nós e seus
padrões de movimento”. Ainda segundo Nolen-Hoeksema et al. (2012, p. 149),
[…] é responsável por orientar os recursos de processamento com relação a informações relevantes
às tarefas (por exemplo, focar em uma voz para entender o que está sendo dito); e o terceiro, que
muitas vezes é chamado de “executivo”, decide se queremos continuar a participar das informações
ou, ao contrário, mudar nossa atenção para outras informações.
Localizar um objeto requer também que saibamos sua distância até nós. Esta forma de percepção,
conhecida como percepção de profundidade, não é tão fácil porque não está disponível na imagem
retinal. Nós temos uma variedade de sugestões de profundidade, seja monocular e binocular, que
nos permite fazê-lo.
3 – Reconhecimento
Para reconhecermos um objeto, precisamos ter atenção, e esse processo de reconhecimento
requer que várias características associadas ao objeto, como cores e formas, estejam
corretamente vinculadas entre si. Geralmente utilizamos como auxílio os aspectos globais da
cena.
Há dois processos-chave para o reconhecimento de objetos: o bottom-up (de baixo para cima) e
o top-down (de cima para baixo). Nesse sentido, Nolen-Hoeksema et al. (2012, p. 156) observam
que “os processos bottom-up são movidos somente pelo input – os dados brutos, sensoriais –,
considerando que os processos top-down são movidos pelo conhecimento da pessoa, sua
experiência, atenção e expectativas”.
Na maioria das vezes utilizamos no reconhecimento o processo bottom-up por meio dos inputs
dos dados brutos sensoriais, ao passo que o processo top-down também tem importante papel
na percepção de objetos e pessoas. Geralmente o processo top-down envolve as expectativas,
por exemplo, sabemos que sempre encontramos nosso professor de física na sala de aula às
terças-feiras. Logo, quando ele entrar na sala de aula, o reconheceremos pelo processo top-
down. Se estivermos em uma loja no shopping e nosso professor de física entrar, teremos que
dar aquela segunda olhada nele para termos certeza de quem é, usaremos um pouco mais de
input no processo bottom-up para reconhecê-lo fora do contexto habitual em que o
encontramos.
Figura: Figura e fundo reversíveis
Fonte: emil~commonswiki/Commons.wikimwdia.org
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O reconhecimento de faces pelos seres humanos passa por processos diferentes do que o
reconhecimento de objetos. Os homens desenvolveram uma capacidade excepcional para
reconhecer faces, pois, diferentemente dos objetos que podem ter formas e cores diferentes, os
rostos mantêm uma configuração parecida – dois olhos, um nariz e uma boca, na mesma
posição. Uma pessoa que sofre um dano cerebral e passa a ter a chamada prosopagnosia não
consegue reconhecer rostos, mas continua reconhecendo objetos. Também é difícil
reconhecermos rostos quando apresentados de cabeça para baixo.
4 – Abstração
O nosso cérebro, por um processo de conversão, transforma as informações que os órgãos
sensoriais captam ainda de forma bruta em “categorias abstratas que são pré-armazenadas na
memória (por exemplo, letras e palavras)” (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 162).
As abstrações ocupam menos espaço em nosso cérebro do que as sensações brutas que
recebemos dos órgãos sensoriais. Podemos comparar com um computador. Se fizermos um
desenho no Paint a mão livre, quando o salvarmos, ele tomará, por exemplo, 60 KB de espaço, ao
passo que se o mesmo desenho for feito com formas do próprio programa, como círculos, linhas,
quadrados, retângulos, ele tomará, por exemplo, somente 20 KB de espaço. O mesmo acontece
em nosso cérebro.
5 – Constâncias perceptivas
Necessitamos das constâncias perceptivas “[…] para manter a aparência dos objetos igual,
apesar das grandes variações nas representações iniciais dos estímulos recebidos pelos órgãos
sensoriais que são engendrados pelos diversos fatores ambientais” (NOLEN-HOEKSEMA et al.,
2012, p. 168).
O que isso significa? Que nosso cérebro, apesar de receber informações variadas dos órgãos
sensoriais sobre um objeto que reconhecemos, consegue manter nossa percepção sobre esse
objeto invariável.
Isso ocorre em relação à constância de tamanho quando olhamos um objeto distante e
conseguimos saber o real tamanho dele, mesmo que a distância em que ele se encontra o deixe
menor. Quando vemos um carro a uma distância de 100 metros ou mais, o vemos pequeno, mas
não pensamos que é um carro de brinquedo porque ele assim se apresenta, sabemos que é um
carro em seu tamanho normal.
O mesmo ocorre com a constância de cor e brilho, percebemos a cor e o brilho de um objeto,
mesmo que eles possam estar alterados pela luz do ambiente.
Embora as constâncias perceptivas ocorram em todas as modalidades sensoriais, as visuais são
as mais perceptíveis, assim podemos explicar as diversas ilusões visuais que temos.
Os pesquisadores investigaram o desenvolvimento perceptivo para entender até que ponto essas
habilidades perceptivas são inatas ou aprendidas pela experiência. Para isso, estudam as
habilidades de discriminação dos bebês e já comprovaram que, a partir dos seis meses, as
capacidades de constâncias perceptivas começam a ser desenvolvidas.
Figura: As linhas são paralelas?
Fonte: Katie Walker/commons.wikimedia.org
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O desenvolvimento da linguagem faz parte das aprendizagens da criança desde sua tenra idade.
Ele se dá nos momentos de interação com os adultos, outras crianças e com os objetos em seu
meio social e cultural.
Traremos aqui algumas considerações sobre o desenvolvimento da linguagem por meio da
mediação e do brincar.
Froebel foi um dos precursores da educação infantil. Ele afirmava que o adulto é o mediador para
a criança no processo de aquisição de linguagem, o adulto nomeia e dá significado a objetos e
ações. Quando brincamos com a criança e nomeamos a ação, os locais, dando condições para a
criança entender o fenômeno esua denominação. Outro ponto importante para Froebel é que a
criança deve ter um sentimento de pertencimento em relação à comunidade. Geralmente isso se
inicia na família. Somente com esse sentimento a criança consegue desenvolver plenamente sua
linguagem (KISHIMOTO; PINAZZA, 2007).
Segundo Verden-Zöller (2004, p. 137), devemos considerar a relação mãe-filho “entendendo que
a maternidade é uma relação permanente de cuidado que um adulto adota com uma criança”.
Isto é, todo adulto que for o mediador do mundo para a criança terá esse papel de “maternagem”.
A mãe, segundo Froebel, interage com a criança pequena todo o tempo, durante o cuidado
pessoal, trocas de roupa, banho, alimentação, nomeando as partes do corpo, e isso auxilia o
“desenvolvimento da linguagem e a consciência de si e das partes de seu corpo” (KISHIMOTO;
PINAZZA, 2007, p. 47).
Linguagem e pensamento4.4
Figura: Linguagem mãe e bebê – Maternagem
Fonte: Prostock-Studio/iStock.com
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Verden-Zöller (2004, p. 146) afirma que
J. Bruner afirma que a “mãe dispõe de um saber que a criança ainda não tem completamente, ou
que tem apenas no sentido primitivo. Para auxiliar nesse processo, a mãe usa diferentes formas
de diálogo por andaimes (BRUNER, 1978 apud KISHIMOTO, 2007, p. 260, grifo nosso).
Segundo Souza (2009, p. 167),
Froebel menciona também as brincadeiras interativas, que seriam aquelas de esconder objetos e
perguntar à criança onde está, esperar que ela procure e dê a resposta, e a afirmação do acerto
ou erro vem do adulto como feedback.
Essa dinâmica de “minha vez – sua vez” é uma das bases da linguagem e do diálogo, além da
formação de conceitos de lugar, nomes de objetos e ações. As brincadeiras interativas trazem
todas essas possibilidades de aquisição e ampliação da linguagem. J. Bruner também se refere
ao jogo como “[…] uma forma de caracterizar o diálogo, com papéis, turnos de pegar, iniciar e
responder” (KISHIMOTO, 2007).
[…] o bebê encontra sua mãe na brincadeira antes de começar a viver na linguagem. Todavia, a mãe
humana pode encontrar o bebê na linguagem e no brincar, pois já está na linguagem quando
começam as conversações que constituem o seu bebê.
as primeiras formas de comunicação da criança são gestos e expressões faciais, assim como o
choro e o riso, e suas intencionalidades são interpretadas pela mãe que já possui a linguagem. Essas
respostas que a mãe dará a essas expressões que com o tempo e sua consistência se transformará
em comunicação.
[…] nas brincadeiras interativas, há ação livre e espontânea, exploração e sequência de ações que
são compreendidas pela criança. O brincar envolve o clima interativo e prazeroso com situações
marcadas por uma pergunta, uma resposta e um feedback. (KISHIMOTO; PINAZZA, 2007, p. 51).
Quando as brincadeiras acontecem com o uso de objetos e brinquedos, começa uma nova fase
do brincar e da aquisição da linguagem, pois a criança observa e interage com objeto, e o adulto
nomeia o movimento (por exemplo, “jogar a bola” e a ação “pegar a bola”), que leva ao “brincar-
palavra” a que Froebel se refere. A criança adquire o saber-fazer nas ações, compreende o
fenômeno e a sua denominação, e a aquisição da linguagem o acompanha (KISHIMOTO;
PINAZZA, 2007).
O homem, segundo Vygotsky (1998), desenvolveu sua linguagem pela necessidade de
comunicação com seu grupo. “A vivência pessoal, ou seja, suas experiências particulares para
serem compartilhadas necessitavam ser traduzidas em signos, simples e generalizantes, para
serem transmitidas aos outros.” (SOUZA, 2009, p. 168).
Segundo Maturana (2005), o viver na linguagem surgiu na história evolutiva do homem. Para o
autor, “[…] o conversar (linguajear – linguagem) é resultado da intimidade do viver em
comunidade, ou seja, de seus relacionamentos socioculturais” (SOUZA, 2009, p. 168).
Vygotsky (1998) corrobora Froebel quando afirma que a criança começa a dar significado às
coisas a partir de sua ação sobre o objeto, que é o que dará as propriedades dos objetos. Essa
ação sobre o objeto dará à criança as experiências necessárias para a formação do
conhecimento.
Figura: Brincadeira de esconde-esconde (estimulação)
Fonte: Paul Bradbury/iStock.com
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Para refletirmos sobre a mediação, a aprendizagem, o desenvolvimento e o brincar, traremos as
teorias de Vygotsky (1984, p. 95) em que ele afirma que o “aprendizado e o desenvolvimento
estão inter-relacionados desde o primeiro dia de vida da criança”. A criança aprende o tempo
todo, recebe informações das mais variadas fontes e capta essas informações com seus
sistemas sensoriais, adquirindo conhecimentos, em muitos casos incidentalmente, e isso ocorre
quando ela interage com as pessoas, os objetos e com tudo o que ocorre ao seu redor.
Em relação à mediação, Vygotsky (1998) ressalta a importância do outro social no
desenvolvimento, por meio da ênfase que dá aos processos sócio-históricos. Nessa visão, os
indivíduos têm uma inter-relação ou interdependência, assim, os adultos do grupo social a que a
criança pertence devem propiciar situações de aprendizado, pois será através da inter-relação
adulto-criança-meio social que se dará o seu desenvolvimento (SOUZA, 2009).
Vygotsky (1984) apresenta dois níveis de desenvolvimento, o nível de desenvolvimento mental
real da criança e o nível de desenvolvimento proximal. Quando avaliamos esses dois níveis,
podemos determinar o estado de desenvolvimento mental dela. Isto é, o que a criança consegue
fazer hoje com ajuda, por imitação, demonstra que ela conseguirá fazer sozinha no futuro.
J. Bruner utiliza o termo “andaime” para a Zona de Desenvolvimento Proximal. Ele ocorre na
díade mãe-filho, em que o adulto nomeia o objeto de interesse apontado pela criança, em livros
ilustrados ou objetos reais, ajudando no desenvolvimento da narrativa da criança (KISHIMOTO,
2007).
Quando uma criança leva à boca um objeto, balança-o, agita-o, atira-o, todas estas ações trarão
informações acerca de cor, forma, tipo de material, peso, tamanho etc. Depois ela começará a fazer
as comparações e relações entre os objetos para conceituar grande/pequeno, leve/pesado etc.
(SOUZA, 2005, p. 28).
As interações comunicativas e linguísticas com as pessoas que se encontram nos diferentes
ambientes de vida aumentam essa informação, dão-lhe forma e tornam cada experiência nova mais
significativa que a anterior. (AMARAL, 2004).
Uma compreensão plena do conceito de zona de desenvolvimento proximal deve levar à reavaliação
do papel da imitação no aprendizado. […] psicólogos têm demonstrado que uma pessoa só consegue
imitar aquilo que está no seu nível de desenvolvimento. (VYGOTSKY, 1984, p. 98-99).
Vygotsky (1984) afirma que o aprendizado não é desenvolvimento, mas somente um dos
aspectos do processo de desenvolvimento. Ele desperta “processos internos de desenvolvimento
das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas” (VYGOTSKY,
1984, p. 101), quando a criança interage com pessoas em seu meio ambiente, um exemplo disso
é a linguagem. A linguagem se inicia como uma forma de comunicação entre ela e as pessoas de
seu convívio e depois se torna um organizador de seu pensamento.
Em relação ao brinquedo e à Zona de Desenvolvimento Proximal, Vygotsky (1984, p. 122) afirma
que
Sendo assim, o brincar é importantíssimo para o desenvolvimento da criança, pois nele, com a
interação com os objetos, situações e as pessoas que brincam com ela, a criança se desenvolve
em todos os sentidos.
No brinquedo, a criança sempre se comporta além do seu comportamento habitual de sua idade,
além de seu comportamento diário; no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade.
Como no foco de uma lente de aumento, o brinquedo contém todas as tendênciasdo
desenvolvimento sob a forma condensada, sendo, ele mesmo, uma grande fonte de
desenvolvimento.
Figura: O brincar é importantíssimo para o desenvolvimento da criança
Fonte: SeventyFour/iStock.com
Nesta quarta unidade trouxemos alguns pontos relevantes para a aprendizagem tendo em vista
as descobertas da neurociência ao longo da história.
Começamos explicando, segundo os neurocientistas, como os sentimentos, as emoções, o afeto,
a consciência, a cognição e a vontade influenciam o ensino-aprendizagem; assim, podemos tirar
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proveito disso buscando instrumentos e metodologias de ensino que favoreçam o interesse do
aprendiz.
Apresentamos os sistemas sensoriais – órgão principal, sentidos e seu funcionamento; desde a
visão, o olho, seus componentes e como ocorre o “ver” e decodificar o que vemos; o que
ouvimos; o que sentimos pelo tato; o paladar; o olfato e assim por diante. Demonstramos
também os outros sentidos “esquecidos” – proprioceptivo ou cinestésico e o vestibular.
Ainda em relação à percepção, a neurociência explica como ela se compõe especificando a
atenção, a localização, o reconhecimento, a abstração e as constâncias perceptivas e assim as
relacionando com a aprendizagem.
Para finalizar trouxemos a constituição do pensamento e da linguagem tendo como base teórica
autores que discutem o tema, relacionando com o brincar, a mediação e a relação social.
Considerações finais
Apresentamos um panorama do que é a neurociência voltada para a área educacional com a
apresentação de conceitos básicos sobre o que é a neurociência e como ela se consolidou
historicamente.
Trouxemos biologicamente a composição do sistema nervoso humano e o desenvolvimento de
nosso cérebro triúno ontologicamente, ou seja, como nosso cérebro, em determinadas épocas da
história da humanidade, desempenhou suas funções e organizou-se para atender às
necessidades dos homens.
A plasticidade neural foi assunto discutido com a finalidade de entendermos como nosso cérebro
se organiza e se reorganiza durante o desenvolvimento, desde a concepção até a vida adulta,
tornando-se único, de acordo com nossas experiências e aprendizagens.
O sistema límbico foi explicado em suas estruturas e funções para entendermos a importância
das emoções, do afeto, da consciência, da vontade, da cognição e tantos outros componentes
que são processados nele e são peças fundamentais para as aprendizagens humanas.
Para entendermos como o cérebro recebe as informações sensoriais, trouxemos a descrição dos
sistemas sensoriais que captam as informações do mundo ao nosso redor e complementamos
com as discussões sobre o desenvolvimento perceptivo e a aprendizagem.
Para fecharmos, o desenvolvimento da linguagem foi discutido com base em autores que a
relacionam com a mediação e o brincar, ações cruciais para a aquisição de linguagem e
consequente aprendizagem das crianças em fase de desenvolvimento.
Autoria
Autora
Doutora e Mestra em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
(Feusp), graduada em Serviço Social pela Universidade São Francisco (USF) e em Pedagogia pela
Universidade Nove de Julho (Uninove).
Atualmente é docente do Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação e
Pesquisadora em Políticas de Educação Especial na Faculdade de Educação da Universidade de
São Paulo (Feusp); pesquisadora na Fundação Carlos Chagas docente da Universidade Estácio
de Sá, da Universidade Municipal de São Caetano e tutora em Atendimento Educacional
Especializado em curso de especialização da Universidade Federal do ABC (UFABC).
Possui experiência em educação e educação especial, com ênfase em formação continuada em
educação especial na perspectiva da educação inclusiva, atuando nos seguintes temas: inclusão,
financiamento da educação e da educação especial, surdocegueira, deficiência múltipla,
dificuldades de aprendizagem, mediação, família e comunicação.
Acesso ao Currículo Lattes: lattes.cnpq.br [http://lattes.cnpq.br/3800565998031892]
Marcia Maurilio Souza
http://lattes.cnpq.br/3800565998031892
http://lattes.cnpq.br/3800565998031892
Glossário
Substantivo feminino. Extirpação; ação de retirar um órgão ou parte deste, geralmente em razão
de um tumor: ablação cardíaca; ablação por cateter; ablação endometrial. Ação ou efeito de tirar,
de arrancar, de remover. Etimologia (origem da palavra ablação). Do latim ablatio.onis.
Substantivo feminino. Desconforto físico e psíquico; agonia, aflição, angústia. [Figurado] Desejo
intenso e impetuoso; impaciência, sofreguidão, avidez. [Figurado] Ausência de tranquilidade;
medo, receio. [Psicologia] Condição emocional de sofrimento, definida pela expectativa de que
algo inesperado e perigoso aconteça, diante da qual o indivíduo se acha indefeso. Etimologia
(origem da palavra ansiedade). Do latim anxietas.atis. Disponível em:
www.dicio.com.br/ansiedade [https://www.dicio.com.br/ansiedade/]
Substantivo masculino que significa dano, prejuízo, perda. Também é sinônimo de estrago,
quebra e desvantagem. Disponível em: www.significados.com.br/detrimento
[https://www.significados.com.br/detrimento/]
O “pai da medicina”, viveu na segunda metade do século V a.C., auge da efervescência cultural
ateniense. Tão elevada se tornou sua reputação que grande número de textos médicos, escritos
em dialeto iônico e de características técnicas e literárias díspares, acabaram sendo-lhe
atribuídos pela posteridade. Após sua morte, tantas lendas foram criadas e incorporadas à sua
biografia que se tornou difícil, hoje em dia, separar o Hipócrates histórico do Hipócrates lendário.
Leia mais em: RIBEIRO Jr., Wilson Alves. Aspectos reais e lendários da biografia de Hipócrates, o
“pai da medicina”. Disponível em: warj.med.br/pdf [warj.med.br/pdf]
Adjetivo [Zoologia] Pertencente aos Hominídeos, família dos primatas, de gênero único Homo, à
qual pertence o homem e seus ancestrais. Semelhante ao homem; antropoide. Etimologia
(origem da palavra hominídeo). Do latim homine; hominidae + ídeo. Disponível em:
www.dicio.com.br/hominideo [https://www.dicio.com.br/hominideo/]
Ablação
Ansiedade
Detrimento
Hipócrates de Cós
Hominídeos
https://www.dicio.com.br/ansiedade/
https://www.dicio.com.br/ansiedade/
https://www.significados.com.br/detrimento/
https://www.significados.com.br/detrimento/
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/warj.med.br/pdf
https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/warj.med.br/pdf
https://www.dicio.com.br/hominideo/
https://www.dicio.com.br/hominideo/
Unido tão perfeitamente que se confunde com outro; entrelaçado. Disponível em:
www.dicio.com.br/imbricado [https://www.dicio.com.br/imbricado/]
Que está em concordância com; unânime. Que não apresenta diferenças; semelhante. Disponível
em: www.dicio.com.br/unissono [https://www.dicio.com.br/unissono/]
Que resulta da vontade; determinado pela vontade ou causado por ela; em que há intenção.
Disponível em: www.dicio.com.br/volitivo [https://www.dicio.com.br/volitivo/]
Imbricado
Uníssono
Volitivo
https://www.dicio.com.br/imbricado/
https://www.dicio.com.br/imbricado/
https://www.dicio.com.br/unissono/
https://www.dicio.com.br/unissono/
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Bibliografia Geral
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[about:blank] . Acesso em: 21 ago. 2017.
http://luckesi.blogspot.com/2015/11/95-o-cerebro-trino-os-estados.html
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about:blank
about:blankque os nervos têm em suas
terminações filamentos, é que conseguiram provar que os nervos podiam conduzir sinais dos
movimentos e das sensações ao mesmo tempo. Eles testaram as ligações desses filamentos
com a medula espinhal (na parte da frente e na parte de trás) e conseguiram observar que eram
conduzidas diferentes informações ao mesmo tempo para o encéfalo (BEAR; CONNORS;
PARADISO, 2002).
No total temos 31 pares de nervos que saem da medula espinhal e inervam a pele e os músculos.
Se um desses nervos é cortado, há uma perda da sensação e dos movimentos na região afetada
do corpo; por sua vez, onde os nervos se ligam à medula espinhal, as fibras motoras de saída se
dividem em raízes espinhais. Nesse sentido, Bell e Magendie observaram que as raízes ventrais
Fenômeno elétrico1.1
Figura: Nervos espinhais e raízes nervosas espinhais
Fonte: Instituto Phorte.
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contêm somente fibras motoras e as raízes dorsais contêm fibras sensoriais (BEAR; CONNORS;
PARADISO, 2002).
Suzana Herculano
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Funções específicas e suas localizações
no cérebro
1.2
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Utilizando o mesmo método de Bell e Magendie, o fisiologista francês Marie-Jean Flourens
constatou déficits motores e sensoriais provenientes de lesões em diferentes partes do sistema
nervoso. O fisiologista também provou que o responsável pela coordenação dos movimentos era
o cerebelo. Por sua vez, o neurologista francês Paul Broca examinou o encéfalo de um de seus
pacientes, após sua morte, e assim pôde localizar uma lesão em seu lobo frontal, o que
provocava afasia no paciente, apesar de conseguir compreender a linguagem. Esse foi um
grande passo para comprovar que as funções cerebrais estavam localizadas em suas diferentes
partes (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002).
A evolução do sistema nervoso1.3
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Os neurocientistas desenvolveram pesquisas em encéfalos de várias espécies de animais, assim
identificaram as partes do encéfalo que eram especializadas em determinadas funções. Esses
pesquisadores tiveram como base a teoria da seleção natural e da evolução das espécies de
Charles Darwin, que observou que as diferentes espécies apresentam comportamentos e reações
similares que são ativadas pelo sistema nervoso, como o medo ou o senso de proteção. Assim
sendo, o sistema nervoso evoluiu de ancestrais comuns, entretanto, as várias espécies, a
depender do ambiente em que vivem, desenvolveram comportamentos altamente especializados
(BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002).
Somente no início do século XIX os pesquisadores puderam desenvolver suas investigações em
nível celular, isso com a ajuda do microscópio. Até então, pairavam dúvidas sobre a unidade
celular do sistema nervoso ser os neurônios. Foi o zoologista alemão Theodor Schwann, em
1839, quem propôs a “teoria celular: todos os tecidos são compostos por unidades
microscópicas chamadas células” (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002, p. 12).
O neurônio como unidade básica do
sistema nervoso
1.4
As neurociências estão em evolução constante; assim, as pesquisas nessa área apresentam
descobertas importantes, impulsionadas por novas tecnologias como microscópios mais
precisos, aparelhos de ressonância magnética, entre outros recursos.
Na atualidade, os neurocientistas optaram por uma abordagem reducionista para enfrentar o
desafio da complexidade que é estudar o sistema nervoso. Essa abordagem está dividida em
níveis, segundo Bear, Connors e Paradiso (2002, p. 15):
Neurociência molecular – o estudo do encéfalo em seu nível elementar.
Neurociência celular – o estudo de como as moléculas trabalham juntas para dar ao neurônio suas
propriedades especiais.
Neurociência de sistemas – estudo de como diferentes circuitos neurais analisam informações
sensoriais, formam a percepção do mundo externo, tomam decisões e executam movimentos.
Neurociência comportamental – estudo de como os sistemas neurais trabalham juntos para produzir
comportamentos integrados.
Neurociência cognitiva – investiga como a atividade do encéfalo cria a mente (as atividades mentais
superiores como a consciência, a imaginação e a linguagem).
Figura: Estrutura do neurônio
Fonte: Instituto Phorte.
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Recapitulando
Nesta primeira unidade vimos a história da neurociência. Desde os primórdios, ainda na pré-
história, os hominídeos já observavam que o cérebro era um órgão importante para a vida
humana. Ainda na Grécia Antiga, Hipócrates estabelecia o encéfalo como o órgão da inteligência
e das sensações.
Passamos pelas várias descobertas de médicos, desde a Grécia, com Galeano, realizador de
experiências e suposições sobre as estruturas e funcionamento dos nervos com sua “teoria do
fluido mecânico”, que foi defendida por Descartes e derrubada somente no início do século XIX
quando médicos conseguiram observar que, na verdade, o que ocorria eram transmissões
elétricas.
A partir das descobertas do neurologista Paul Broca é que os pesquisadores identificaram que o
cérebro é constituído de partes distintas, e essas são responsáveis por funções diferentes. Hoje
em dia, com a ajuda de tecnologias como a ressonância magnética, pode-se localizar com mais
facilidade onde o cerebelo foi/está lesionado e se diagnosticar as consequências das lesões.
Somente com o uso do microscópio pode-se afirmar que o neurônio é a célula fundamental do
sistema nervoso, ou sua unidade básica.
Com todas essas descobertas e a alta tecnologia a favor dos pesquisadores, a neurociência é
considerada uma ciência em evolução e com muitas especificidades; além disso, as pesquisas
na área têm contribuído grandemente para o ensino e a aprendizagem.
Videoaula - O Sistema Nervoso
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O sistema nervoso2
Apresentação do sistema nervoso2.1
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Sendo o sistema nervoso o objeto de pesquisa das neurociências, faremos uma breve
apresentação dele.
O sistema nervoso humano é composto basicamente pelo sistema nervoso central – cérebro,
cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal – e pelo sistema nervoso periférico – nervos e
gânglios.
Seguindo padrões anatômicos e funcionais, o sistema nervoso é dividido da seguinte forma:
Figura: Sistema nervoso central e sistema nervoso periférico
Fonte: Pikovit44/iStock
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No sistema nervoso central (SNC) temos o encéfalo (cérebro, tronco encefálico e cerebelo),
localizado na caixa craniana.
O cérebro é composto pelo telencéfalo e o diencéfalo. O telencéfalo é dividido em dois
hemisférios, direito e esquerdo, ligados pelo corpo caloso. O diencéfalo é a região central do
cérebro recoberta pelos dois hemisférios cerebrais, cortada pelo terceiro ventrículo cerebral, que
contém o tálamo e o hipotálamo.
O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se ventralmente ao
cerebelo, ou seja, conecta a medula espinal com as estruturas encefálicas localizadas
superiormente. Ele é composto pelo bulbo, ponte e mesencéfalo.
O cerebelo, segundoMachado (1991 apud CEREBELO, 2017), define-se como:
Figura: Divisão do sistema nervoso
Fonte: Elaborado pela autora.
[…] órgão do sistema nervoso suprassegmentar, deriva da parte dorsal do metencéfalo e fica situado
dorsalmente ao bulbo e à ponte, contribuindo para a formação do tecto do quarto ventrículo.
Repousa sobre a fossa cerebelar do osso occipital e está separado do lobo occipital por uma prega da
dura-máter denominada tenda do cerebelo.
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O sistema nervoso periférico é composto por nervos e gânglios. Os primeiros são divididos em
cranianos (derivados do encéfalo, têm funções sensitivas, motoras e viscerais) e nervos
espinhais (aqueles que estão ligados à coluna espinhal), e os segundos são acúmulos de corpos
celulares de neurônios situados fora do sistema nervoso central.
Figura: Encéfalo
Fonte: .
Videoaula - O que é o cérebro triuno
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http://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-nervoso
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O desenvolvimento do cérebro – o
cérebro triúno
2.2
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Se tomarmos como base as teorias de Darwin sobre a seleção natural e o desenvolvimento
segundo as necessidades do meio ambiente, podemos também pensar em um desenvolvimento
do sistema nervoso, mais precisamente do cérebro, de acordo com as eras históricas pelas quais
a humanidade passou.
Em 1970, o neurocientista Paul MacLean, em seu livro The triune brain in evolution: role in
paleocerebral functions (tradução livre: “O encéfalo triúno em evolução: papel das funções
paleocerebrais”), propõe que nosso cérebro se divide em três funções, de acordo com a evolução
pela qual ele passou ao longo da história da humanidade.
Nosso cérebro apresenta três unidades funcionais: a analítico-lógica, a sintético-intuitiva e a
fisiológico-operacional. Embora essas funções sempre estivessem presentes, dependendo do
contingente histórico, uma delas era privilegiada em detrimento das outras.
Segundo Greco (1992), somente após essa época, quando a agricultura foi desenvolvida e os
homens passaram a fixar-se, ocupando e utilizando o solo, construindo moradias e dividindo o
trabalho, é que a unidade sintético-intuitiva passou a se desenvolver. Isso ocorreu por volta de 4
mil anos atrás. Iniciou-se uma interpretação do mundo genuinamente humana, em que se
começa a assumir contornos de correntes religiosas bem ordenadas. A sabedoria não era lógica,
mas intuitiva, sintética, mística, mítica e holística.
A terceira unidade funcional do cérebro passa a predominar a partir de 600 a.C. Na Grécia, os
pensadores dessa época, como Tales, Pitágoras, Heráclito, Platão e Sócrates, entre outros, são
os precursores históricos desse processo que se consolida por volta do século XVIII. Esse novo
ciclo que marca a nova era culmina com a sistematização do método científico e novos padrões
tecnológicos que possibilitaram e possibilitam o progresso da humanidade e uma nova
revolução cerebral.
Esses três processos fundamentais do cérebro podem ser traduzidos como lógico, intuitivo e
prático, constituindo um sistema funcional complexo, simultâneo e para-autônomo. O processo
sintético-intuitivo ocorre predominantemente no hemisfério direito do cérebro, o analítico-lógico
é um processo do hemisfério esquerdo, e o motriz-operacional (prático) ocorre na porção central
ou comum.
Ainda segundo Greco (1992), há um jogo ou um conflito em nosso cérebro. Quando um dos três
processos é acionado, os outros dois ficam de lado. Tal identificação das funções é importante
para que possamos ter um olhar especial para cada pessoa e ver qual de suas funções é a mais
desenvolvida e em qual ela tem mais deficiência.
As funções fisiológico-operacionais foram intensamente predominantes nos primórdios da vida
humana no planeta. A luta árdua pela sobrevivência exigia ação permanente, ocupação integral com
as estratégias propiciadoras de coleta, caça, pesca, refúgio, abrigo, luta, proteção e reprodução. Até
10.000 anos atrás, quando se inicia a descoberta da agricultura e da domesticação de animais, as
unidades fisiológico-operacionais predominantemente conduziram o cérebro na condução de
atividades humanas. Antes de tudo era preciso sobreviver, e a premência disso relegou para o plano
secundário as outras atividades funcionais do cérebro. (GRECO, 1992, p. 36).
A função motriz operacional está ligada ao cérebro reptiliano, que é composto pela medula,
tronco cerebral e cerebelo. São as estruturas mais antigas do cérebro (arquiencéfalo) e que
controlam as funções vitais: respiração, batimentos cardíacos e todo o sistema neurovegetativo.
A segunda função, exercida predominantemente pelo lado direito do cérebro e que evolui há
dezenas de milhões de anos em ancestrais que eram mamíferos, mas não primatas, é a
sintético-intuitiva, sistema límbico ou sistema emocional, responsável pelo controle emocional,
em que são sediados nossos sentimentos e emoções, orientando nossas ações e reações.
Devemos a ela nossa imaginação, afetividade, intuição, criatividade, estética, mística,
religiosidade, poesia, música e artes.
O cérebro esquerdo é o analítico-lógico. Este evoluiu há milhões de anos em nossos ancestrais
primatas (neoncéfalo). Compreende toda a camada mais externa do encéfalo, denominada
Figura: Cérebrotriúno
Fonte: ttsz/iStock.com.
Em educação chamamos de cérebro psicomotor ou motriz-operacional, é responsável pela
motricidade automática, involuntária, pelo equilíbrio ou em termos práticos pela ação, pelo
movimento, pelos negócios, pelo trabalho, pelas profissões, pelo dia a dia, pela luta de sobrevivência
e reprodução da espécie. (GRECO, 1992, p. 116-117).
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córtex, em ambos os hemisférios e em ambos os lados, portanto, chamá-lo de lado esquerdo é
uma convenção. É responsável pela comunicação, além disso, a função da fala também foi
localizada no lado esquerdo do cérebro, na área de Broca. É o nosso lado “lógico, acadêmico,
racional, teórico, científico, matemático, comunicador, responsável pela reflexão e pelo
pensamento” (GRECO, 1992, p. 118). Essa função detém a distinção da nossa espécie.
As três funções não devem ser pensadas de forma isolada. Esse modelo foi estruturado apenas
para localizarmos em que momento evolutivo da humanidade ele teve seu início e apogeu. Hoje,
essas manifestações estão corticalizadas, ou seja, ocorrem em todo o córtex cerebral, e
sabemos que o cérebro funciona em uníssono para desenvolver suas funções.
Videoaula - Neuroplasticidade
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Plasticidade neural ou
neuroplasticidade
2.3
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De acordo com Amaral e Oliveira (2017), o sistema nervoso “[…] detecta estímulos externos e
internos, tanto físicos quanto químicos, e desencadeia as respostas musculares e glandulares”;
assim sendo, é responsável por integrar o organismo com o meio ambiente à sua volta.
O sistema nervoso é formado por células nervosas interconectadas de uma forma muito
específica, que compõem circuitos neurais; por meio desses circuitos o organismo consegue
produzir respostas como reflexos,que são comportamentos fixos e invariáveis e também
comportamentos variáveis.
Vejamos alguns conceitos envolvidos na neuroplasticidade para entendermos melhor esse
processo:
Todo ser vivo dotado de um sistema nervoso é capaz de modificar o seu comportamento em função
de experiências passadas. Essa modificação comportamental é chamada de aprendizado, e ocorre
no sistema nervoso através da propriedade chamada plasticidade cerebral. (AMARAL; OLIVEIRA,
2017, grifo dos autores).
O principal componente do sistema nervoso é a célula nervosa, ou o neurônio. Estima-se que no
cérebro humano existam 15 bilhões dessas células, aproximadamente, e elas são responsáveis
por todas as funções do sistema nervoso.
As formas e funções dos neurônios variam dependendo de sua localização e estrutura
morfológica, mas basicamente os neurônios são constituídos dos mesmos componentes
básicos:
O neurônio2.3.1
o corpo do neurônio (soma) é constituído de núcleo e pericário, que dá suporte metabólico a
toda célula;
o axônio (fibra nervosa) prolongamento único e grande que aparece no soma. É responsável
pela condução do impulso nervoso para o próximo neurônio, podendo ser revestido ou não
por mielina (bainha axonial), célula glial especializada, e;
os dendritos que são prolongamentos menores em forma de ramificações (arborizações
terminais) que emergem do pericário e do final do axônio, sendo, na maioria das vezes,
responsáveis pela comunicação entre os neurônios através das sinapses. Basicamente, cada
neurônio possui uma região receptiva e outra efetora em relação à condução da sinalização.
(AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
A região ou estrutura dos neurônios onde ocorrem os processos de comunicação entre eles é a
sinapse. Nessa região ocorrem as transmissões sinápticas, ou seja, a passagem do sinal neural
por meio de processos eletroquímicos (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
A capacidade plástica do sistema nervoso é demonstrada pelo número e qualidade das sinapses.
O número de conexões sinápticas que um neurônio pode enviar ou receber varia entre mil e 100
mil, e a qualidade é estabelecida pela experiência e aprendizagem de cada um. O mapa neural de
adultos varia de pessoa para pessoa, pois o que o determina são os fatores de vivências e
aprendizagens que geraram a plasticidade do cérebro adulto. Conforme De Groot (apud AMARAL;
A sinapse2.3.2
Em uma sinapse os neurônios não se tocam, permanecendo um espaço entre eles denominado
fenda sináptica, onde um neurônio pré-sináptico liga-se a um outro denominado neurônio pós-
sináptico. O sinal nervoso (impulso), que vem através do axônio da célula pré-sináptica chega em
sua extremidade e provoca na fenda a liberação de neurotransmissores depositados em bolsas
chamadas de vesículas sinápticas. Este elemento químico se liga quimicamente a receptores
específicos no neurônio pós-sináptico, dando continuidade à propagação do sinal. (AMARAL;
OLIVEIRA, 2017, grifos no original).
OLIVIERA, 2017), “[…] a plasticidade neural é a propriedade do sistema nervoso que permite o
desenvolvimento de alterações estruturais em resposta à experiência, e como adaptação a
condições mutantes e a estímulos repetidos”.
Figura: Sinapses neurais
Fonte: FlashMovie/iStock.com
Assista a este vídeo que mostra imagens de sinapses neurais.
Clique aqui: www.youtube.com [https://www.youtube.com/watch?v=82QU198Hpyc]
A plasticidade neural ocorre de três formas: no desenvolvimento, com a aprendizagem e após
processos lesionais. Não entraremos em detalhes em relação aos processos lesionais, pois
nosso foco de estudo é a neuroplasticidade em relação à aprendizagem. Eles estão mais
relacionados à reabilitação, também envolvendo aprendizagens novas e a recuperação de
anteriores.
No desenvolvimento, ainda durante a embriogênese ou embriologia, as células se diferenciam, e
células indiferenciadas, por expressão genética, passam a ser neurônios. Essas células migram
pelo tubo neural para os locais adequados e começam a fazer as conexões entre si. Ainda no
período embrionário inicia-se a maturação do sistema nervoso central, que somente terminará
na vida extrauterina. Logo, a maturação sofrerá influências de fatores genéticos, do ambiente
fetal e do ambiente externo após o nascimento.
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https://www.youtube.com/watch?v=82QU198Hpyc
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O processo de aprendizagem é um dos desencadeadores da neuroplasticidade, seja durante a
infância, seja na fase adulta ou na terceira idade. A aprendizagem de algo novo e a modificação
de comportamentos de acordo com o que foi aprendido é um disparador da neuroplasticidade.
Aprender requer adquirir conhecimentos, e o sistema nervoso central guarda, integra e recruta
esses conhecimentos quando necessitamos deles.
Com essas informações sobre os neurônios e as sinapses e sobre como a aprendizagem ativa a
neuroplasticidade em nosso sistema nervoso, podemos concluir o quanto a aprendizagem ao
longo da vida é importante para mantermos nosso sistema nervoso ativo e produtivo, prevenindo
doenças que possam degenerá-lo.
Figura: Desenvolvimento do sistema nervoso intrauterino
Fonte: Cowan (1979, p. 42).
Durante o processo de aprendizagem, há modificações nas estruturas e funcionamento das células
neurais e de suas conexões, ou seja, o aprendizado promove modificações plásticas, como
crescimento de novas terminações e botões sinápticos, crescimento de espículas dendríticas,
aumento das áreas sinápticas funcionais, estreitamento da fenda sináptica, mudanças de
conformação de proteínas receptoras, incremento de neurotransmissores. A prática ou a
experiência promovem, também, modificações na representação do mapa cortical. Pascual-Leone et
al. demonstraram que a aquisição de uma nova habilidade motora, neste caso, tocar piano,
reorganizava o mapa cortical, aumentando a área relacionada aos músculos flexores e extensores
dos dedos. Em um estudo com leitores de Braille, verificaram que o dedo indicador utilizado para a
leitura tem maior representação cortical que o dedo contralateral. (OLIVEIRA; SALINA;
ANNUNCIATO, 2001).
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TED – Seu cérebro não será mais o mesmo depois de ver isto
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Plasticidade neural ou
neuroplasticidade
2.3
Relação entre plasticidade cerebral e
memória/experiência
2.3.3
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O ato de aprender está relacionado à memória/experiência e à plasticidade cerebral, ou seja, à
aquisição de experiências motoras, sensitivas, sensoriais e de linguagem. As aprendizagens
começam em nossa infância – as motoras ou práxicas (aquelas que são antecipadas e
planejadas antes da execução; por exemplo, saltar um degrau de escada), quando os bebês
aprendem a engatinhar e caminhar, e depois as aprendizagens motoras continuam ao longo da
vida. Podemos aprender inúmeras delas, desde as motoras grossas, como correr ou dançar, ou
mais finas, como escrever, desenhar ou tocar um instrumento musical.
Há também a necessidade de desenvolvermos as capacidades de identificar as diferenciações
das mesmas sensações, por exemplo, a sensação de frio – mais frio, menos frio –, será que
preciso colocar um casaco ou uma blusa mais leve? Ter noção do esquema corporal, reconhecer
imagens, sons e aprender as funções da linguagem, tanto oral como escrita ou gestual (ROTTA,
2015).
No sistema nervoso central, duas áreas são mais importantes para a aprendizagem relacionada
à neuroplasticidade,“[…] o cerebelo e o sistema límbico. O primeiro com uma função
coordenadora do ato cognitivo, e o segundo trazendo a modulação afetiva para que tal função
seja executada” (ROTTA, 2015, p. 479).
O cérebro responde à estimulação do meio ambiente com a aprendizagem, e esta provoca
modificações que são a expressão da plasticidade. As janelas de oportunidades devem ser bem
aproveitadas, ou seja, há momentos certos para que essas aprendizagens ocorram, o que pode
ser chamado de momentos críticos. Nesses períodos, a estimulação sensitivo-sensorial é
essencial, apesar de saber-se também que mesmo o SNC dos adultos é capaz de responder, em
algum grau, à estimulação (ROTTA, 2015).
Nesta segunda unidade apresentamos o sistema nervoso, sua composição, seguindo os padrões
anatômicos e funcionais.
Em seguida apresentamos o desenvolvimento do cérebro triúno de acordo com os estudos do
neurocientista Paul MacLean e assim conseguimos entender como as várias fases de seu
desenvolvimento conformaram as três principais partes do cérebro e suas funções e como isso
influencia nossa vida cotidiana.
Trouxemos também a plasticidade neural, ou neuroplasticidade, e para tal descrevemos o
neurônio e a sinapse, assim como discutimos a relação entre plasticidade neural e
memória/experiência e como esses processos auxiliam na aprendizagem.
Videoaula - Sistema Límbico (Parte I)
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Sistema límbico3
Apresentação do sistema límbico3.1
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O neurologista francês Paul Broca, em 1878, observou que
O sistema límbico comanda os comportamentos que todos os mamíferos precisam para a
sobrevivência. Ele modula e cria funções específicas que permitem distinguir entre o que nos
agrada e o que nos desagrada. Ele é o centro do controle das emoções e do afeto, é o
responsável pela indução de fêmeas a terem atenção e cuidados com suas crias e da tendência
de alguns mamíferos de brincar. Os sentimentos como medo, ódio, alegria, entre outros, também
são originários do sistema límbico. É responsável também por “alguns aspectos da identidade
pessoal e por importantes funções ligadas à memória” (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
[…] na superfície medial do cérebro dos mamíferos, logo abaixo do córtex, existe uma região
constituída por núcleos de células cinzentas (neurônios), a qual ele deu o nome de lobo límbico (do
latim limbus, que traduz a ideia de círculo, anel, em torno de etc.), uma vez que ela forma uma
espécie de borda ao redor do tronco encefálico […]. Esse conjunto de estruturas, mais tarde
denominado sistema límbico, surgiu com a emergência dos mamíferos inferiores (mais antigos).
(AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Cérebro: Como funciona? Saiba mais sobre Emoções e o Sistema
Límbico
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Videoaula - Sistema Límbico (Parte II)
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Estruturas cerebrais que compõem o
sistema límbico
3.2
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Traremos brevemente algumas das estruturas que compõem o sistema límbico e suas funções
na contribuição de determinado tipo de emoção, como a amígdala, o hipocampo, o tálamo, o
hipotálamo, o giro cingulado, o tronco cerebral, a área tegmental ventral, o septo, o fórnix, o giro
hipocampal e a área pré-frontal.
O pesquisador Guilherme Carvalhal Ribas escreveu o artigo: As bases neuroanatômicas do
comportamento: histórico e contribuições recentes, no artigo ele “[…] trata dos aspectos
anatômicos das estruturas neurais, destacando particularmente as suas relações topográficas e
as suas principais conexões. O estudo tem como objetivo fundamental contribuir para a
compreensão das organizações anatômicas e funcionais básicas das principais estruturas
encefálicas relacionadas com o comportamento humano”. Clique no link para saber mais:
www.scielo.br [https://www.scielo.br/j/rbp/a/k5nxfgHwZGSXBHBqjGcsqZg/?lang=pt]
Amaral e Oliveira (2017) descrevem a amígdala como:
A amígdala é o centro identificador do perigo, portanto imprescindível para a autopreservação,
nela são gerados o medo e a ansiedade – assim, o animal se coloca em alerta, pronto para reagir
(lutar ou fugir). Se as amígdalas são destruídas ou sofrem lesão (temos duas, uma para cada
hemisfério cerebral), o animal se torna dócil, não consegue identificar situações de perigo, não
discrimina a sexualidade e não caracteriza a afetividade. Quando se estimula eletricamente
essas estruturas, são provocadas crises violentas de agressividade. Nos humanos, se a amígdala
é lesionada, uma das reações percebidas é a perda do sentido afetivo da percepção das
informações vindas de fora, por exemplo, a pessoa vê alguém conhecido, reconhece a pessoa,
mas não consegue discriminar ou saber se gosta ou não dela.
Amígdala3.2.1
Pequena estrutura em forma de amêndoa, situada dentro da região anteroinferior do lobo temporal,
se interconecta com o hipocampo, os núcleos septais, a área pré-frontal e o núcleo dorsomedial do
tálamo. Essas conexões garantem seu importante desempenho na mediação e controle das
atividades emocionais de ordem maior, como amizade, amor e afeição, nas exteriorizações do
humor e, principalmente, nos estados de medo e ira e na agressividade.
https://www.scielo.br/j/rbp/a/k5nxfgHwZGSXBHBqjGcsqZg/?lang=pt
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Figura: Amígdala
Fonte: Life Science Databases (LSDB)/commons.wikimedia.org
Função: Responsável pela memória de longa duração. Permite ao animal e ao homem avaliar
situações atuais com base em experiências vividas para fazer a melhor escolha e garantir a sua
preservação e segurança.
Lesão: Quando ambos os hipocampos (direito e esquerdo) são destruídos, nada mais é gravado na
memória. O indivíduo esquece rapidamente a mensagem recém-recebida (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Hipocampo3.2.2
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Anatomia: O núcleo dorsomedial se conecta com as estruturas corticais da área pré-frontal e com o
hipotálamo. Os núcleos anteriores ligam-se aos corpos mamilares no hipotálamo (e, por meio destes,
via fórnix, com o hipocampo) e ao giro cingulado, fazendo, assim, parte do circuito de Papez
(AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Lesões ou estimulações do núcleo dorsomedial e dos núcleos anteriores do tálamo estão
correlacionadas com alterações da reatividade emocional, no homem e nos animais. No entanto, a
importância desses núcleos na regulação do comportamento emocional possivelmente decorre não
de uma atividade própria, mas das conexões com outras estruturas do sistema límbico (AMARAL;
OLIVEIRA, 2017).
Figura: Hipocampo
Fonte: pixologicstudio/iStock.com
Tálamo3.2.3
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Figura: Tálamo
Fonte: Life Science Databases(LSDB)/commons.wikimedia.org
Anatomia: Esta estrutura tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com o
mesencéfalo (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
A lesão dos núcleos hipotalâmicos interfere em diversas funções vegetativas e em alguns dos
chamados comportamentos motivados, como regulação térmica, sexualidade, combatividade, fome e
sede. Aceita-se que o hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas emoções.
Função: Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva,ao passo que
a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à tendência ao riso (gargalhada)
incontrolável. De um modo geral, contudo, a participação do hipotálamo é menor na gênese do que na
expressão (manifestações sintomáticas) dos estados emocionais. Quando os sintomas físicos da
emoção aparecem, a ameaça que produzem retorna, via hipotálamo, aos centros límbicos e destes
aos núcleos pré-frontais, aumentando, por um mecanismo de feedback negativo, a ansiedade,
podendo até chegar a gerar um estado de pânico (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Hipotálamo3.2.4
Figura: Hipotálamo
Fonte: Life Science Databases(LSDB)/Commons.wikimwdia.org
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Anatomia: Situado na face medial do cérebro, entre o sulco cingulado e o corpo caloso (principal feixe
nervoso ligando os dois hemisférios cerebrais) (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Função: Há ainda muito por conhecer a respeito desse giro, mas sabe-se que a sua porção frontal
coordena odores e visões com memórias agradáveis de emoções anteriores. Essa região participa,
ainda, da reação emocional à dor e da regulação do comportamento agressivo (AMARAL; OLIVEIRA,
2017).
A ablação do giro cingulado (cingulectomia) em animais selvagens domestica-os totalmente. A
simples secção de um feixe desse giro (cingulotomia), interrompendo a comunicação neural do
circuito de Papez, reduz o nível de depressão e de ansiedade preexistentes (AMARAL; OLIVEIRA,
2017).
Giro cingulado3.2.5
Figura: Giro do cíngulo
Fonte: PALMIHELP/Commons.wikimedia.org
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Anatomia: As estruturas envolvidas são a formação reticular e o locus coeruleus, uma massa
concentrada de neurônios secretores de norepinefrina. Outras estruturas do tronco cerebral são os
núcleos dos pares cranianos (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Função: O tronco cerebral é a região responsável pelas “reações emocionais”; na verdade, apenas
respostas reflexas de vertebrados inferiores, como os répteis e os anfíbios. É importante ressaltar
que, até mesmo em humanos, essas primitivas estruturas continuam participando não só dos
mecanismos de alerta, vitais para a sobrevivência, mas também da manutenção do ciclo vigília-sono.
Os núcleos dos pares cranianos, estimulados por impulsos provenientes do córtex e do estriado (uma
formação subcortical), respondem pelas alterações fisionômicas dos estados afetivos: expressões de
raiva, alegria, tristeza, ternura etc. (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Anatomia: Na parte mesencefálica (superior) do tronco cerebral existe um grupo compacto de
neurônios secretores de dopamina (área tegmental ventral) cujos axônios vão terminar no núcleo
accumbens (via dopaminérgica mesolímbica) (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Função: A descarga espontânea ou a estimulação elétrica dos neurônios dessa região produzem
sensações de prazer, algumas delas similares ao orgasmo. Indivíduos que apresentam, por defeito
genético, redução no número de receptores das células neurais dessa área tornam-se incapazes de se
sentirem recompensados pelas satisfações comuns da vida e buscam alternativas “prazerosas”
atípicas e nocivas como, por exemplo, alcoolismo, cocaína, mania, compulsividade por alimentos
doces e pelo jogo desenfreado (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Tronco cerebral3.2.6
Figura: Tronco encefálico
Fonte: Instituto Phorte.
Área tegmental ventral3.2.7
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Figura: Área tegmental ventral
Fonte: NIDA/Commons.wikimedia.org
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Anteriormente ao tálamo situa-se a área septal, onde estão localizados os centros do orgasmo
(quatro para a mulher e um para o homem). Certamente por isto, essa região se relaciona com as
sensações de prazer, mormente aquelas associadas às experiências sexuais (AMARAL;
OLIVEIRA, 2017).
O septo3.2.8
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Anatomia: Compreende toda a região anterior não motora do lobo frontal. Ela se desenvolveu muito
durante a evolução dos mamíferos, sendo particularmente extensa no homem e em algumas
espécies de golfinhos. Não faz parte do circuito límbico tradicional, mas suas intensas conexões
bidirecionais com o tálamo, amígdala e outras estruturas subcorticais explicam o importante papel
que desempenha na gênese e, especialmente, na expressão dos estados afetivos (AMARAL;
OLIVEIRA, 2017).
Função: Quando o córtex pré-frontal é lesionado, o indivíduo perde o senso de suas
responsabilidades sociais, bem como a capacidade de concentração e de abstração. Em alguns casos,
a pessoa, conquanto mantendo intactas a consciência e algumas funções cognitivas, como a
linguagem, já não consegue resolver problemas, mesmo os mais elementares. Quando se praticava a
lobotomia pré-frontal, para tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, os pacientes entravam em
estado de “tamponamento afetivo”, não mais evidenciando quaisquer sinais de alegria, tristeza,
esperança ou desesperança. Em suas palavras ou atitudes não mais se vislumbravam quaisquer
resquícios de afetividade (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
Figura: Área septal
Fonte: Frank Gaillard/commons.wikimwdia.org
Área pré-frontal3.2.9
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Figura: Córtex pré-frontal
Fonte: Database Center for Life Science (DBCLS)/Commons.wikimedia.org
Nesta terceira unidade foram apresentados o sistema límbico e as estruturas cerebrais que o
compõem. Lembrando que esse sistema é o responsável por várias funções em todos os
mamíferos, principalmente aquelas relacionadas às emoções, ao afeto, à memória, algumas das
quais são essenciais para a sobrevivência, os relacionamentos sociais e para a aprendizagem.
As estruturas cerebrais que compõem o sistema límbico foram descritas anatomicamente, assim
como suas funções específicas e o que ocorre em caso de lesões.
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Videoaula - Afeto, emoções, consciência, sentimentos e vontade ou
ato volitivo
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Neurociência e aprendizagem: questões
relevantes
4
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Segundo Amaral e Oliveira (2017), a espécie humana apresenta a maior variedade de
sentimentos e emoções, talvez pelo grande número de conexões entre a área pré-frontal e as
estruturas límbicas tradicionais. O sistema límbico, como já citamos anteriormente, somente
evoluiu a partir dos primeiros mamíferos. Nos répteis e anfíbios, o sistema límbico é
praticamente inexistente, ao passo que nos pássaros encontramos alguns indícios de suas
funções. Quanto mais evoluído o mamífero, mais comportamentos como o cuidado com seus
filhotes e a tendência à brincadeira são acentuados.
Sentimentos, emoções, afeto, consciência,
cognição, vontade e aprendizagem
4.1
E a evolução dos mamíferos nos traz até o homem: O nosso antepassado hominídeo certamente
diferenciava as sensações que experimentava em ocasiões distintas, como estar em sua caverna
polindo uma pedra, correndo atrás de um animal mais fraco, fugindo de um animal maisforte ou
caçando uma fêmea da sua espécie. (AMARAL; OLIVEIRA, 2017).
A aquisição da linguagem pelo homem permitiu a nomeação das sensações, mas até hoje, pela
subjetividade desse componente, não há uma uniformidade quanto à terminologia que usamos
em relação a essas sensações.
Primeiramente, devemos fazer uma diferenciação entre afeto, emoção e sentimento. Embora
esses termos sejam usados de forma indiscriminada para designar as sensações, cada um deles
deve ser bem definido por sua etimologia e pelas diferentes reações físicas e mentais que
produzem.
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Na descrição de Amaral e Oliveira (2017),
O que ocorre com frequência é que evitamos caracterizar o afeto como algo negativo, assim,
sempre nos referimos ao afeto como sendo impressões positivas, como carinho, amor, paixão e
não as manifestações negativas como a raiva, o medo ou o desagrado.
Afeto4.1.1
Afeto (do Latim affectus, significando afligir, abalar, atingir) é definido por Aurélio como sendo “um
conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos ou
paixões, acompanhadas sempre da impressão de prazer ou dor, de satisfação sob a forma de
emoções, sentimentos ou paixões, ou insatisfação, agrado ou desagrado, alegria ou tristeza”. (grifo
nosso)
Etimologicamente, vem do latim emovere, significando movimentar, deslocar. São reações que
manifestamos quando estamos frente a situações afetivas que, quando são intensas, mobilizam-
nos em direção a uma ação. Diferentemente dos afetos, as emoções e os sentimentos são
usados nos dois sentidos, isto é, podem ser boas ou más.
Para o neurocientista Antonio Damásio (2000, p. 64), a emoção “[…] designa o conjunto de
reações, muitas delas, publicamente observáveis. Ela ocorre em um contexto de consciência.
Podemos sentir consistentemente nossas emoções, e sabemos que as sentimos”.
Segundo Souza (2008), podemos, a princípio, definir as emoções como reações instintivas e
comportamentos inatos.
Damásio (2000, p. 74, grifos nossos) classifica as emoções em três grupos:
Emoções primárias ou universais: alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa ou repugnância;
Emoções secundárias ou sociais: como embaraço, ciúme, culpa ou orgulho; e
Emoções de fundo, como bem-estar ou mal-estar, calma ou tensão.
As emoções de fundo são mais sutis e mais difíceis de serem observadas no outro, pois ocorrem
internamente. Elas geralmente são induzidas por esforços físicos prolongados. As suas reações
são mais íntimas e seu alvo é mais interno do que externo, também expressadas por mudanças
musculoesqueléticas, posturas sutis do corpo ou na configuração dos movimentos corporais
(DAMÁSIO, 2000).
Ainda segundo o autor, as emoções são processos biologicamente determinados e mecanismos
inatos do cérebro que ocupam um grupo razoavelmente restrito de regiões subcorticais. São
determinadas por um conjunto complexo de reações químicas e neurais, formando um padrão.
Todas as emoções têm algum tipo de papel regulador a desempenhar. O seu papel é ajudar o
organismo a conservar a vida. Todos os mecanismos podem ser acionados automaticamente,
sem uma reflexão consciente e todas as emoções usam o corpo como teatro.
Emoções4.1.2
Figura: Emoções primárias
Fonte: Instituto Phorte
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Damásio (2000) discute a relevância do papel biológico das emoções em relação à consciência e
afirma que as emoções são instrumentos voltados para a sobrevivência. Nos organismos que
são equipados para sentir emoções, ou seja, para ter sentimentos, as emoções têm um impacto
sobre a mente, quando ocorrem no aqui e agora. Para os organismos que também são equipados
com consciência, os sentimentos são reconhecidos e promovem internamente o impacto da
emoção, isso permite que a emoção e a consciência permeiem o processo de pensamento.
Por fim, a consciência torna possível que qualquer objeto seja conhecido – o “objeto” emoção e
qualquer outro objeto – e, com isso, aumenta a capacidade do organismo para reagir de maneira
adaptativa, atento às necessidades do organismo em questão. A emoção está vinculada à
sobrevivência de um organismo, e o mesmo se aplica à consciência. (DAMÁSIO, 2000, p. 80).
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Para Damásio (2000, p. 394, grifo do autor), “[…] consciência começa com um sentimento, […] a
consciência dá a sensação de ser um sentimento […]. Ela dá a sensação de ser um padrão
construído com os sinais não verbais dos estados do corpo”.
Ainda segundo o autor, “[…] A consciência é uma revelação da existência […]. Em algum ponto de
seu desenvolvimento, com a ajuda da memória, do raciocínio e, mais tarde, da linguagem, a
consciência também se torna um meio de modificar a existência.” (DAMÁSIO, 2000, p. 398).
Consciência4.1.3
Logo, se a consciência começa com um sentimento, ela é privada de emoção, ou seja, ela não se
manifesta publicamente e não pode ser observada por outras pessoas.
Quando tomamos consciência de objetos, de ações, iniciamos a modificação de nossa
existência, começamos a escrever a nossa história. Como o próprio autor diz, a consciência nos
coloca a par do drama da vida humana, é o que nos faz querer uma vida melhor e o que temos
que fazer para chegarmos a isto (DAMÁSIO, 2000).
É a consciência que nos faz conhecer nossas emoções e nos ajuda a reagir a elas de acordo com
nossa cultura e aprendizado social.
Segundo Damásio (2000, p. 64), sentimento é uma “experiência mental privada de uma emoção.
Ninguém pode observar os sentimentos que um outro vivencia, mas alguns aspectos das
emoções que originam esses sentimentos serão patentemente observáveis por outras pessoas”.
O autor concebeu um mapa conceitual que explica esse processo:
Quadro: Mapa conceitual
NÍVEIS DE REGULAÇÃO DA VIDA
RAZÃO SUPERIOR
Planos de ação complexos, flexíveis e específicos para a situação são
formulados em imagens conscientes e podem ser executados como
comportamento.
CONSCIÊNCIA
SENTIMENTOS Padrões sensoriais indicativos de dor, prazer e emoções tornam-se imagens.
EMOÇÕES
Padrões de reação complexos, estereotipados, que incluem emoções
secundárias, emoções primárias e emoções de fundo.
Sentimento4.1.4
NÍVEIS DE REGULAÇÃO DA VIDA
REGULAÇÃO BÁSICA
DA VIDA
Padrões de reação relativamente simples, estereotipados, que incluem relação
metabólica, reflexos, o mecanismo biológico subjacente ao que se tornará dor e
prazer impulsos e motivações.
O nível básico de regulação da vida – o kit de sobrevivência – inclui os estados biológicos que podem ser
percebidos conscientemente como impulsos e motivações e como estados de dor e de prazer. As emoções
encontram-se em um nível mais elevado e complexo. As setas duplas indicam relação causal ascendente
ou descendente. Por exemplo, a dor pode induzir emoções, e algumas emoções podem incluir um estado
de dor.
Fonte: Damásio (2000, p. 79). Adaptado pela autora.
Ainda sobre as emoções e a
aprendizagem
4.1.5
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Confirmando Damásio, o neurobiólogo Maturana (2005, p. 16) afirma que “[…] biologicamente, as
emoções são dispositivos corporais que determinam ou especificam domínios de ações”. As
emoções são publicamente observáveis. Podemos lê-las nas expressões do corpo, pois os
animais e as pessoas agem de acordo com elas (SOUZA, 2008).
Embora as emoções sejam inatas, Damásio (2004) reitera que o aprendizado e a cultura alteram
nossas expressões das emoções, e isso lhes confere novos significados. Nós, humanos, segundo
Maturana (2005), entrelaçamos o emocional e o racional por meio da linguagem, porque com ela
defendemose justificamos nossas ações.
Retornando à ideia de que nosso corpo é o teatro das emoções, Damásio (2004) considera que,
quando nos sentimos felizes ou tristes, esses sentimentos são percepções do que nosso corpo
está demonstrando, ou seja, de uma paisagem corporal, e temos consciência disso. Assim como
tomamos consciência de nossas percepções visuais, táteis, auditivas, olfativas, entre outras.
Temos que entender que todas essas percepções vêm acompanhadas de “sentimentos de
emoções”. Quando ouvimos uma música ou comemos algo de que gostamos, essa percepção
vem acompanhada do sentimento afetivo que temos pela música ou pelo alimento.
Imaginem quando comemos um bolo que nossa avó costumava fazer para nós quando éramos
crianças, conseguimos até nos transportar para cenas vividas na casa de nossa avó, vivenciando
emoções e sentimentos passados naqueles momentos da infância.
Diante dessas definições, Souza (2008) considera que
Podemos reiterar as considerações de Souza (2008) apresentando o que afirma Vygotsky (1984,
p. 95) em relação ao aprendizado. O autor afirma que “[…] o aprendizado e o desenvolvimento
estão inter-relacionados desde o primeiro dia de vida da criança”. A criança aprende
incidentalmente, todo o tempo, quando interage com as pessoas, com os objetos e com o meio
ambiente ao seu redor. Vygotsky (1984, p. 101) ainda reitera que o aprendizado não é
desenvolvimento, mas somente um dos aspectos do processo de desenvolvimento. O
aprendizado desperta “processos internos de desenvolvimento das funções psicológicas
culturalmente organizadas e especificamente humanas” quando a criança interage com pessoas
em seu meio ambiente.
[…] a criança influenciada por suas emoções e sentimentos que são inatas, mas também aprendidas
pelo seu meio social, terá consciência de seu corpo, do que ocorre com ele, assim como terá
consciência do mundo ao seu redor por meio das percepções, e essas serão em grande parte
influenciadas pelas emoções e sentimentos. Se as experiências que ela vivenciar proporcionarem
boas percepções sua aprendizagem será facilitada.
Outro “componente” envolvido na aprendizagem é a vontade. Ela estabelece o que o cérebro
pode ou não fazer e é também moldada pelo contexto cultural (VYGOTSKY, 1984).
Vontade ou ato volitivo4.1.6
Nesse sentido Vygotsky (1984, p. 145, grifos nossos) questiona:
Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (FERREIRA, 1988, p. 678, grifos nossos),
volitivo é um adjetivo que diz respeito à “volição ou à vontade”, que é “o ato pelo qual a vontade
se determina a alguma coisa”, e a vontade é a “faculdade de representar mentalmente um ato que
pode ou não ser praticado em obediência a um impulso ou a motivos ditados pela razão”. É
também um “sentimento que incita alguém a atingir o fim proposto por esta faculdade;
aspiração; anseio; desejo”. Pode ser a “capacidade de escolha, de decisão”.
Podemos considerar que, se a criança é um ser que se forma socialmente e culturalmente em
seu meio, esse comportamento volitivo com certeza se formará de acordo com o contexto social
e cultural em que vive. Apesar de o ato volitivo ser arbitrário, ele é influenciado por outros fatores,
como a razão e os sentimentos, que também são moldados pelo meio social e cultural (SOUZA,
2008).
Segundo Souza (2008), a criança é um ser que se constitui social e culturalmente em seu meio
ambiente; assim, o comportamento volitivo está relacionado e se constituirá no contexto cultural
e social em que ela está inserida. Mesmo sendo o ato volitivo arbitrário, outros fatores o
influenciam, como a razão e os sentimentos, que também são moldados pelo meio.
A cognição, a emoção e a vontade estão imbricadas. Elas são componentes dos processos
mentais, formatam, organizam e dão sentido às nossas ações e comportamentos.
Para complementar, Souza (2008) afirma que:
[…] em que medida o desenvolvimento da vontade infantil, começando por movimentos primitivos
voluntários, que se realizam a princípio segundo instruções verbais e terminam mediante atos
volitivos complicados, é função da atividade coletiva da criança? Em que medida as formas
primitivas da atividade volitiva infantil representam o emprego, por parte da própria criança, com
relação a si mesma, dos procedimentos que o adulto com ela utiliza? Em que medida o
comportamento volitivo da criança se manifesta como uma forma peculiar de seu comportamento
social com respeito a si mesma?
Damásio traz uma conclusão sobre o desenvolvimento do encéfalo humano que confirma as
considerações anteriores em relação à aprendizagem e ao meio social e cultural de cada
indivíduo, como segue:
Mais uma vez vemos a afirmação de que o contexto social e cultural é de fundamental
importância para a formação da pessoa. Mesmo o cérebro, que parecia ser algo tão formatado
biologicamente, é influenciado pelo contexto social e cultural e se torna único.
Tudo o que a pessoa vive ao longo de sua vida, a aprendizagem, a linguagem e as habilidades
adquiridas vão delineando seu cérebro de forma a torná-lo único. Isto parece mágico, quase um
milagre, mas é real. O que nos é transmitido culturalmente e pela aprendizagem do dia a dia é de
fundamental importância nessa diferenciação que se faz internamente.
A cognição está diretamente ligada à vontade de aprender da criança, que, por sua vez, depende da
motivação intrínseca e da autoestima. Tudo isso deve ser mediado por adultos que respeitam a
criança em suas dificuldades, em sua cultura e em seu meio, e assim o desenvolvimento se dará
mais efetivamente. A cognição, a emoção e a vontade estão imbricadas. Elas são componentes dos
processos mentais, formatam, organizam e dão sentido às nossas ações e comportamentos.
Em primeiro lugar, […] só uma parte das redes de circuitos nos nossos cérebros é especificada pelos
genes. O genoma humano especifica com grande minúcia a construção dos nossos corpos, o que
inclui o design geral do cérebro. Mas nem todos os circuitos se desenvolvem ativamente e
funcionam como se encontram estabelecidos nos genes. Uma grande parte das redes de circuitos
do cérebro, em grande momento da vida adulta, é individual e única, refletindo fielmente a história e
as circunstâncias daquele organismo em particular. Naturalmente que isso não facilita a revelação
dos mistérios neurais. Em segundo lugar, cada organismo humano funciona em conjuntos de seres
semelhantes; a mente e o comportamento dos indivíduos que pertencem a esses conjuntos e que
funcionam em meios ambientes culturais e físicos específicos não são moldados apenas pela
atividade das redes de circuitos acima mencionadas, muito menos apenas pelos genes. Para se
compreender satisfatoriamente o modo como o cérebro cria a mente e o comportamento humanos, é
necessário considerar seu contexto social e cultural. E é isso que torna a empresa tão
espantosamente difícil. (DAMÁSIO, 1996, p. 292).
Neurociência Cognitiva – Ação Nacional – 31/10/2017 – B2
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Videoaula - Processo sensoriais
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Por meio dos sentidos captamos o mundo ao nosso redor, e disso ninguém tem dúvida, pois com
as informações captadas e processadas conseguimos entender e determinar o ambiente em que
vivemos. Nossos sentidos, a princípio, são a visão, a audição, o paladar, o olfato e o tato; e os
sentidos corporais são o proprioceptivo ou cinestésico (percepção muscular do corpo no espaço,
articulações) e o vestibular (equilíbrio).
Na maioria dos casos utilizamos sempre mais de um sentido para avaliarmos as situações ou
“sentirmos” o que estamos fazendo ou o que está acontecendo ao nosso redor. Imaginemos uma
cena cotidiana:no momento de nosso banho, temos a água caindo sobre nosso corpo, que pode
estar quente, morna ou fria; o sabonete que passamos em nosso corpo é mais liso ou mais
áspero e tem seu perfume. Essas são sensações que, para sentirmos, temos que usar vários de
nossos sentidos, como o tato, o olfato e mesmo a audição, ouvindo o som da água saindo do
chuveiro caindo sobre nosso corpo e de nosso corpo no chão… Nosso cérebro está nesse
momento recebendo todas essas informações/sensações, decodificando-as, integrando-as e
dando feedback para avaliarmos se a água está muito quente, por exemplo, ou muito fria para o
dia de inverno. Esse processo em nosso cérebro é chamado de percepção.
Trataremos cada um de nossos sentidos como sistemas sensoriais. Para a codificação sensorial,
cada um desses sistemas conta com “células especializadas em órgãos dos sentidos,
Processos sensoriais e aprendizagem4.2
denominadas receptores” (NOLEN-HOEKSENA et al., 2012, p. 103).
Esses sistemas evoluíram para captar informações sobre cada objeto e evento do mundo. Quais
informações precisamos saber sobre um evento como uma luz piscante? Sua intensidade
(brilho), sua cor, de onde vem (localização), a frequência de sua intermitência (breve ou longo) e
cada um de nossos sistemas sensoriais nos fornecerá informações sobre esses diversos
atributos. Isso está relacionado à codificação da intensidade e da qualidade das informações
captadas pelos sistemas sensoriais.
Como podemos observar na Figura Sistemas sensoriais, há uma captação de estímulos.
Primeiramente é apenas uma sensação. Com o processamento do cérebro, esses estímulos são
integrados e nominados e podemos chamá-los de percepções. Essas percepções influenciam
nossos comportamentos. Os sistemas sensoriais de nosso corpo ajudam no controle visceral e
influenciam também nosso comportamento.
Para entendermos melhor nossos sentidos, apresentaremos cada um deles a seguir.
Um receptor é um tipo especializado de célula nervosa ou neurônio […]. Quando ele é ativado,
transmite seu sinal elétrico para conectar os neurônios. O sinal viaja até chegar à sua área de
recepção no córtex, com diferentes modalidades sensoriais enviando sinais a diferentes áreas de
recepção. Em algum lugar do cérebro, o sinal elétrico resulta na experiência sensorial consciente
que, por exemplo, fundamenta as reações em uma experiência psicofísica. Desse modo, quando
experimentamos o tato, a experiência está ocorrendo em nosso cérebro, não em nossa pele.
(NOLEN-HOEKSENA et al., 2012, p. 103).
Figura: Sistemas sensoriais
Fonte: Elaborado pela autora.
A visão é um dos nossos sentidos de distância, juntamente com a audição e o olfato. Ele é o
mais especializado e adaptado de nossos sentidos de distância.
Cada um dos nossos sentidos reage a uma forma particular de energia física. Para nossa visão, o
estímulo é a luz. “A luz é uma forma de energia eletromagnética – uma energia que emana do sol
A visão4.2.1
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e do restante do universo e banha o nosso planeta constantemente” (NOLEN-HOEKSENA et al.,
2012, p. 105). A energia eletromagnética apresenta-se em ondas que variam de 4 trilionésimos
de 1 centímetro até vários quilômetros. Nossa visão capta o equivalente a aproximadamente 400
a 700 nanômetros, e 1 nanômetro corresponde à bilionésima parte de 1 metro. “A energia
eletromagnética visível – a luz, portanto – constitui apenas uma pequena parte da energia
eletromagnética” (NOLEN-HOEKSENA et al., 2012, p. 105).
O sistema visual é composto pelos olhos, várias partes do cérebro e as vias que as conectam. Os
olhos, como podemos ver na Figura A estrutura do olho, apresenta vários componentes/partes
que necessitam estar preservadas para seu perfeito funcionamento. A parte anterior de nossos
olhos é composta pela córnea, pupila e íris, além, logo atrás, do cristalino (lente) e do humor
vítreo. Ao fundo temos a retina e o nervo óptico como principais componentes.
Todas essas partes dos olhos são responsáveis por captar as imagens do mundo utilizando-se
da luz, e o nervo óptico conduzirá os estímulos para serem decodificados no cérebro.
A córnea, a pupila e o cristalino são responsáveis pela formação da imagem.
Superfície frontal transparente do olho, por ela passam os raios luminosos defletidos, o que
dá início ao processo de formação da imagem.
É uma abertura circular entre a córnea e o cristalino, cujo diâmetro varia em função do nível
de luz presente. Quando a luz está fraca, ela se abre; quando em luz plena, ela se fecha,
deixando passar a quantidade de luz suficiente através do cristalino para a formação da
imagem.
É como uma lente. Ele muda de formato, fica mais esférico ou menos esférico, para
focalizar objetos mais distantes ou mais próximos.
Na Figura Sistema visual, podemos observar como ocorre a captação das imagens pelo nervo
óptico e como os impulsos são conduzidos para o cérebro. As imagens capturadas pelo campo
visual esquerdo são enviadas para o lado direito do cérebro e as capturadas pelo campo visual
direito são enviadas para o lado esquerdo do cérebro.
Todo o processo de transmissão dos impulsos nervosos para o cérebro chama-se transdução
sensorial, que é a capacidade de todo receptor sensorial transformar a energia de um estímulo
em um sinal biológico (elétrico).
Figura: A estrutura do olho
Fonte: solar22/iStock.com
Sistema visual
Figura: Sistema visual
Fonte: Miquel Perello Nieto/Commons.wikimedia.org
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No sistema visual acontece da seguinte forma, temos
[…] vários tipos de receptores neurais que se espalham pela retina, de forma semelhante à maneira
pela qual os fotodetectores se espalham sobre a superfície da imagem de uma câmera digital. Há
dois tipos de células receptoras, bastonetes e cones, denominadas assim devido às suas formas
distintas […] A retina também contém uma rede de outros neurônios, com células de apoio e vasos
sanguíneos. (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012, p. 106).
Bastonetes
São utilizados para a visão noturna. Eles funcionam em intensidades baixas e ocasionam baixa
resolução e sensações sem cores.
Cones
São específicos para a visão diurna. Eles reagem a altas intensidades e resultam em sensações
de alta resolução que incluem cores.
Cones e bastonetes são os dois tipos de células na retina que contêm pigmentos em seu interior.
Nolen-Hoeksema et al. (2012, p. 107) afirmam que
Figura: Transdução visual
Fonte: .
Os bastonetes existem em maior quantidade na periferia da retina e são estimulados com luz de
baixa intensidade. É frequente dizer que são usados para a visão no escuro e não registram cores. Os
cones, por sua vez, ocorrem principalmente na região central da retina e seu estímulo depende de
altas intensidades luminosas, reconhecem cores e diz-se que são células utilizadas quando há
claridade.
Quando os pigmentos são estimulados, eles geram modificações energéticas que são transmitidas
às células sensitivas, cujos prolongamentos se reúnem, formando o nervo óptico. Este conecta-se
com o cérebro, conduzindo os impulsos para determinada área do lobo occipital, onde as
informações são decodificadas e as imagens são reconhecidas. (OS RECEPTORES, 2010).
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http://www.sobiologia.com.br/figuras/Fisiologiaanimal/sentido8.jpg
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As células ganglionares se estendem para fora do olho para moldar o nervo óptico e ligar-se ao
cérebro. No ponto

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