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Brasília-DF. 
NeurociêNcia - comuNicação, 
LiNguagem e miNdfuLNess
Elaboração
Maraísa da Silva Soares Costa
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7
UNIDADE I
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO ....................................................................................................... 9
CAPÍTULO 1
NEUROCIÊNCIA ....................................................................................................................... 9
CAPÍTULO 2
COMUNICAÇÃO: LINGUAGEM VERBAL E NÃO-VERBAL ........................................................... 17
CAPÍTULO 3
NEUROTRANSMISSORES ENVOLVIDOS NA PERCEPÇÃO AUDITIVA, DE FALA, LINGUAGEM, 
APRENDIZAGEM E MEMÓRIA .................................................................................................. 35
UNIDADE II
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS .................................................................... 42
CAPÍTULO 1
NEUROCIÊNCIAS: NEUROANATOMIA E NEUROFISIOLOGIA X PROCESSOS PSICOLÓGICOS 
BÁSICOS ................................................................................................................................ 42
CAPÍTULO 2 
NEUROCIÊNCIA E MINDFULNESS .......................................................................................... 46
CAPÍTULO 3
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS ....................................................... 60
UNIDADE III
NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM ......................................................................................................... 74
CAPÍTULO 1
PERSPECTIVA HISTÓRICA DOS ESTUDOS EM NEUROLINGUÍSTICA .............................................. 74
CAPÍTULO 2
NEUROLINGUÍSTICA E DISTÚRBIOS E PATOLOGIAS DA LINGUAGEM ........................................... 78
UNIDADE IV
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS ...................................................................... 86
CAPÍTULO 1 
PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS E SUAS RELAÇÕES COM O CÉREBRO HUMANO ........... 86
PARA (NÃO) FINALIZAR ................................................................................................................... 102
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 104
4
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade 
dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos 
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém 
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a 
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para 
aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos 
Cadernos de Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
6
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
Introdução
Compreender a linguagem e sua conexão com as distintas regiões do cérebro humano é 
um desafio não só para os neurocientistas que investigam o tema, mas também para os 
iniciantes nesse assunto que é tão curioso e instigante. O campo que envolve a linguagem 
e/ou comunicação e a neurociência é interdisciplinar e relaciona-se com outras áreas. A 
neurolinguística é um dos pontos principais nesta proposta de aprendizagem.
Estudar e investigar como a linguagem falada, escrita ou “não’ verbal é elaborada 
por meio de mecanismos cerebrais, ou melhor encefálicos, é um dos propósitos da 
neurolinguística que, por meio do entendimento das funções mentais que envolvem o 
sistema nervoso, consegue explicar essas ligações.
A neurociência associada à linguagem/comunicação é essencial para auxiliar os 
indivíduos a compreenderem não só o funcionamento das relações entre a linguagem, 
memória, atenção, cognição, inteligência, personalidade e o próprio cérebro humano, 
mas é uma ferramenta primordial para melhorar e alavancar o desempenho de uma 
pessoa.
Sendo assim, aprenderemos vários tópicos interessantes sobre neurociência, 
comunicação e linguagem, entre outras abordagens que envolvem processos psicológicos 
básicos; como também afetivos e cognitivos. Possibilitar uma compreensão geral do 
tema é uma das propostas para que seja alavancado o conhecimento sobre esse assunto.
Objetivos
 » Apresentar o que é a ‘neurociência’, o seu propósito e os seus ramos de 
estudo, bem como mostrar a composição do sistema nervoso central e 
suas relações com a linguagem, cognição, atenção, memória, entre outros. 
 » Conhecer os distintos conceitos que envolvem a ‘comunicação verbal’ e a 
‘não verbal’, como também a sua conexão com a neurociência. 
 » Aprender sobre os neurônios e, principalmente, sobre neurotransmissores, 
os quais são primordiais no processo da linguagem, aprendizagem, 
memória e outros.
 » Compreender as concepções básicas relacionadas à ‘anatomia’ e à 
‘fisiologia’ do sistema nervoso central, assim como definir e entender 
8
determinados processos psicológicos básicos (atenção, memória, 
consciência, sensação e percepção) e suas relações neurofisiológicas e 
neurobiológicas.
 » Estudar sobre a perspectiva histórica da Neurolinguística e sobre os 
distúrbios da linguagem, as denominadas ‘afasias’.
 » Mostrar os conceitos relativos aopensamento e à linguagem, e sua 
interrelação; como também outros assuntos relativos aos processos 
afetivos e cognitivos (inteligência, criatividade, personalidade).
 » Promover e incentivar a aprendizagem por meio de vídeos, da leitura de 
artigos e textos e de outros recursos que impulsionem a construção do 
conhecimento.
9
UNIDADE INEUROCIÊNCIA E 
COMUNICAÇÃO
CAPÍTULO 1
Neurociência
Vamos lá!
A neurociência é um ramo da ciência propriamente dita essencial em vários campos de 
estudos, o que a torna interdisciplinar. Isso ocorre por natureza sistêmica ao estudar o 
ser humano no seu âmbito anatômico, fisiológico, ou outros ramos peculiares, como o 
da linguística ou da comunicação. Partindo dessas perspectivas, aprenderemos alguns 
conceitos iniciais neste primeiro capítulo, os quais serão primordiais para a sequência 
de nosso aprendizado sobre o assunto.
O que é neurociência? 
Figura 1. Neurociência.
Fonte: https://www.freepik.com/free-photo/3d-medical-figure-with-brain-highlighted_2699723.htm. Acesso em: 25 fev. 2019.
Neurociência pode ser entendida como: “[...] estudo do controle neural das funções 
vegetativas, sensoriais e motoras; dos comportamentos de locomoção, reprodução 
https://www.freepik.com/free-photo/3d-medical-figure-with-brain-highlighted_2699723.htm
10
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
e alimentação; e dos mecanismos da atenção, memória, aprendizagem, emoção, 
linguagem e comunicação.” (VENTURA, 2010, p. 13).
Também, pode ser compreendida como “uma ciência que estuda o funcionamento 
cerebral, os comportamentos, as funções cognitivas, entre outros interesses.” 
(COSENZA; GUERRA, 2011 apud LORANDI; AZAMBUJA, 2014, p. 102).
Tem-se, ainda, a definição de Neurociência como um “[...] conjunto das disciplinas que 
estudam, pelos mais variados métodos, o sistema nervoso e a relação entre as funções 
cerebrais e mentais.” (HERCULANO-HOUZEL, 2018, p. 3).
Para que serve a neurociência? 
Segundo Bhatnagar (2004, p. 1) “o objetivo da neurociência é explicar o mecanismo, 
usado pelo encéfalo, para controlar as funções mentais superiores e produzir ações. A 
base biológica dessas funções interage com as atividades celulares e com a mente.”
Campos da neurociência
Ramos mais importantes da Neurociência podem ser verificados por meio do quadro a 
seguir:
Quadro 1. Ramos da Neurociência.
Ramo Domínio
Neurologia Diagnóstico e tratamento dos transtornos do sistema nervoso.
Neurocirurgia
Cirurgia para retirada e reparo de estruturas patológicas que comprometem a organização funcional do sistema 
nervoso.
Neuroanatomia Organização estrutural do sistema nervoso que consiste nos neurônios1 e em seus tratos (fibras).
Neurorradiologia
Técnicas de imageamento para diferenciar alterações patológicas do SNC (Sistema Nervoso Central); a 
radioterapia dos tumores do sistema nervoso é subespecialidade da neurorradiologia.
Neuroembriologia Origem e desenvolvimento embrionário do sistema nervoso.
Neurofisiologia Funções químicas, elétricas e metabólicas do sistema nervoso.
Neuropatologia Características e origens das doenças e seus efeitos sobre o sistema nervoso.
 
Fonte: Bhatnagar, 2004, p. 3.
Além desses ramos da neurociência, tem-se um outro campo que é a neurolinguística. 
Ela relaciona-se bastante com outras áreas como a de neurobiologia, a de neurofisiologia, 
a de neuroanatomia, a de neurologia, entre outras.
1 Neurônios são “[. . .] células excitáveis, altamente diferenciadas, especializadas na recepção, condução e transmissão de 
impulsos nervosos através da sua membrana celular.” (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2008 apud COSTA, 2011, p. 6).
11
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
A neurolinguística, de acordo com Thompson (2017, p. 308), “é a ciência que estuda 
a elaboração da linguagem. Ocupa-se com o estudo dos mecanismos do cérebro humano 
que suportam a compreensão, produção e conhecimento abstrato da língua, seja ela 
falada, escrita ou assinalada.”
A neurolinguística, como o próprio nome aponta, une conhecimentos da neurociência 
e da linguística. (DIAS, 2015). Portanto, a neurolinguística será um dos foco do estudo 
deste material.
O objetivo da neurolinguística é “[...] a relação entre linguagem e cérebro, buscando 
relacionar determinadas estruturas cerebrais com certos distúrbios da linguagem.” 
(MORATO, 2003, p. 143 apud DIAS, 2015, p. 156).
Oliveira (2013, p. 40) defende que “temas clássicos como a compreensão da leitura, o 
desenvolvimento da fala e da escrita e a aprendizagem de línguas, entre outros, exigem 
uma reavaliação, agora, sob a ótica dos avanços neurocientíficos.”
Compreender a linguagem associada à neurociência é primordial para que possa 
conhecer as melhores técnicas/métodos de alfabetização e de ensino-aprendizagem da 
leitura e da escrita, bem como ter um entendimento sobre os problemas relativos aos 
distúrbios de atenção ou da dislexia. (OLIVEIRA, 2013).
Ainda, na mesma acepção de Oliveira (2013), outro autor, Oliveira (2014, p. 15) 
argumenta o seguinte:
Entender os aspectos biológicos relacionados com a aprendizagem, as 
habilidades e deficiências de cada indivíduo ajuda educadores e pais na 
tarefa de educar. Elaborar ações educativas com base no conhecimento 
da neurociência é dispor de ferramentas capazes de analisar o percurso 
da aprendizagem para que se alcance o potencial individual de 
desenvolvimento e aprendizagem.
Assencio-Ferreira (2009) explica que os profissionais fonoaudiólogos estão 
preparados para a avaliação, orientação e reabilitação de pessoas com patologias 
neurológicas que, por sua vez, contemplam a neurolinguística e a neurocognição. 
Portanto, a Neurociência é indispensável também quando se trata da Fonoaudiologia, 
uma vez que a interdisciplinaridade e a união dessas duas áreas é essencial.
Quando se trata da Enfermagem, a Neurociência é da mesma forma importante. Por 
tratar de indivíduos com distúrbios do sistema nervoso, os profissionais enfermeiros 
12
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
devem ter conhecimentos da neurociência, conforme Mitchell et al (1988), citado por 
Zanei (1994) defendem.
Fundamental sublinhar que o estudo da fala é bastante complexo - segundo pesquisas 
realizadas por alguns investigadores do tema -, uma vez que a linguagem envolve 
distintos sentidos do ser humano para que a fala possa ser assimilada e compreendida. 
Isso porque os estudos sobre o assunto propõem que “o cérebro “trata” a fala como algo 
que ouvimos, vemos e, inclusive, sentimos.” (SEKIYAMA; KANNO; MIURA; SUGITA, 
2003; POEPPEL; MONAHAN, 2008 apud OLIVEIRA, 2013, p. 41).
Nesse sentido, estudamos alguns conceitos básicos sobre a neurociência, a sua 
interdisciplinaridade com outras áreas da ciência, bem como a sua imprescindibilidade 
para a compreensão de patologias, como distúrbios da fala e para o processo de ensino 
e de aprendizagem. Agora, aluno, iremos passar para mais um tópico, mas, antes disso, 
aproveite os vídeos seguintes para explorar um pouquinho mais sobre esse assunto que 
vimos no capítulo 1.
Para saber mais sobre o que é neurociência, como esta poderá reprogramar o 
cérebro de uma pessoa e a relação entre o cérebro e a neurociência, sugiro que 
dê uma breve pausa e assista aos seguintes vídeos:
O que é Neurociência: https://www.youtube.com/watch?v=Cl1JArP9Ojc. 
Acesso em: 21 ago. 2019.
Neurociência confirma: em 21 dias você reprograma seu cérebro: https://www.
youtube.com/watch?v=-QM0LYsKP7o. Acesso em: 21 ago. 2019.
EVS - O Cérebro e a Neurociência: 
https://www.youtube.com/watch?v=h9AJbriNqSw&list=PL3NRHXg9zuVszOsxH
GGl5eASQa776Bi9c. https://www.youtube.com/watch?v=h9AJbriNqSw&list=PL
3NRHXg9zuVszOsxHGGl5eASQa776Bi9c
https://www.youtube.com/watch?v=Cl1JArP9Ojc
https://www.youtube.com/watch?v=-QM0LYsKP7o
https://www.youtube.com/watch?v=-QM0LYsKP7o
https://www.youtube.com/watch?v=h9AJbriNqSw&list=PL3NRHXg9zuVszOsxHGGl5eASQa776Bi9c
https://www.youtube.com/watch?v=h9AJbriNqSw&list=PL3NRHXg9zuVszOsxHGGl5eASQa776Bi9c
13
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADEI
Sistema nervoso humano, características e relações 
com a linguagem, memória e aprendizagem
Figura 2. Sistema Nervoso (Central e Periférico).
 
 
Encefálo 
Medula espinhal 
SISTEMA NERVOSO 
PERIFÉRICO 
Gânglios 
Nervos 
Terminações 
Nervosas 
Fonte: https://pt.khanacademy.org/science/6-ano/vida-e-evolucao-6-ano/sistema-nervoso/a/estrutura-do-sistema-nervoso. 
Acesso em: 7 maio 2019.
O sistema nervoso humano é composto pelo Sistema Nervoso Central e Periférico, e 
executa funções primordiais para controle dos movimentos físicos do ser humano, 
entre outras finalidades. (BHATNAGAR, 2004). Compreender noções do Sistema 
Nervoso Central, bem como do Sistema Nervoso Periférico, é primordial para o estudo 
da linguagem, da memória, da atenção, entre outros. Também, é preciso conhecer 
as características do cérebro e a influência deste no processo de aprendizagem e de 
conhecimento, na comunicação, entre outros.
O Sistema Nervoso Central (SNC) é constituído pela encéfalo e pela medula 
espinhal. O encéfalo é composto pelo cérebro, cerebelo e ainda pelo tronco 
encefálico. (LENT, 2018). O Sistema Nervoso Periférico (SNP), conforme 
Bhatnagar (2004), é composto pelos nervos motores e sensitivos. Importante 
salientar que ambos compõem fibras e células nervosas. (LENT, 2018).
O SNC é classificado anatomicamente de acordo com a estrutura básica apresentada no 
quadro seguinte:
Encefálo
https://pt.khanacademy.org/science/6-ano/vida-e-evolucao-6-ano/sistema-nervoso/a/estrutura-do-sistema-nervoso
14
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
Quadro 2. Classificação anatômica básica do SNC.
SNC
Encéfalo Medula 
espinhalCérebro Cerebelo Tronco encefálico
Telencéfalo
Diencéfalo Córtex
Núcleos 
profundos
Mesencéfalo Ponte BulboCórtex Cerebral Núcleos da 
base
 
Fonte: Lent, 2018, p. 21.
Na composição do encéfalo, tem-se o telencéfalo, constituído pelos núcleos da base e 
córtex cerebral. Ele representa a parte volumosa do encéfalo e cerca de 2% (dois por 
cento) do peso total do corpo de um ser humano, sendo considerado primordial porque 
“[...] sozinho executa as funções mentais superiores, como linguagem, cognição, 
emoção, raciocínio, atenção, memória, orientação no tempo e no espaço, 
julgamento e raciocínio reflexivo. (BHATNAGAR, 2004, p. 22, grifo nosso). 
Verifica-se, por meio da perspectiva de Bhatnagar (2004), a importância do encéfalo 
na comunicação humana, bem como na capacidade cognitiva, entre outros.
Schenkman et al. (2016) explicam e afirmam que a própria herança genética 
do ser humano é uma guia para o desenvolvimento e maturação da linguagem, 
independentemente da cultura no qual está envolvido ou de sua instrução gramatical. O 
desenvolvimento da linguagem está intimamente relacionado ao encéfalo humano, isto 
é, a formação e a composição da linguagem é intrínseca a esta parte do crânio humano.
Outra informação essencial sobre o encéfalo humano é esclarecida por Bhatnagar 
(2004), o qual aborda o seguinte:
[...] os distúrbios da linguagem e da fala tornaram-se indicadores 
sensíveis do comprometimento estrutural e fisiológico no encéfalo. 
O encéfalo humano [...] é singularmente equiparado para analisar 
e sintetizar informações no contexto do passado, presente e futuro. 
Por meio de sua interação biológica com o ambiente, o encéfalo gera 
substratos para a cognição, a consciência, o aprendizado, o 
conhecimento, a personalidade, as emoções, os pensamentos, 
a capacidade criativa, a imaginação, a comunicação simbólica, 
a atenção e as funções sensitivo-motoras. (BHATNAGAR, 2004, 
p. 1, grifo do autor).
O comprometimento da estrutura e da fisiologia encefálica poderá trazer doenças, 
transtornos de ordem mental e psicológica e poderá afetar a interação do indivíduo em 
sua vida social.
15
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
Pesquisas realizadas por Hanna Damasio, citada por Pinho e Sholl-Franco (2011), 
apontaram que áreas lesadas com uma barra de ferro no cérebro, por exemplo, causando 
traumatismo craniano encefálico, atingiram “[...] não somente o hemisfério esquerdo, 
responsável por limitações de linguagem dependendo da área lesada, mas igualmente o 
direito. [...]. Assim, podemos dizer que apesar das lesões estarem localizadas no mesmo 
lobo, atingiram áreas distintas.”
O cérebro humano é formado por dois hemisférios, direito e esquerdo, conforme 
demonstra a imagem seguinte:
Figura 3. Cérebro Humano.
Fonte: https://www.freepik.com/free-vector/human-brain-infographic-with-assortment-doodles_1008855.htm. Acesso em: 5 mar. 
2019.
Os hemisférios direito e esquerdo são divididos pela “fissura longitudinal e inter-
hemisférica” e contemplam semelhanças no aspecto para o “processamento de funções 
sensitivas e motoras”. (BHATNAGAR, 2004, p. 23).
O hemisfério direito é considerado o mais preparado para o processamento de 
“[...] habilidades pragmáticas, conceitos visuais e espaciais, música e emoções”. Já o 
hemisfério esquerdo “[..] é superior, no processamento da linguagem, da fala e da 
memória verbal [...].” (BHATNAGAR, 2004, p. 23).
Algumas características podem ser apontadas em relação aos hemisférios direito e 
esquerdo do cérebro, conforme quadro seguinte:
https://www.freepik.com/free-vector/human-brain-infographic-with-assortment-doodles_1008855.htm
16
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
Quadro 3. As Funções dos Hemisférios Direito e Esquerdo do Cérebro.
Hemisfério Esquerdo Hemisfério Direito
Verbal: usa palavras para designar, descrever, definir. Não-Verbal: percebe as coisas com um mínimo de conexão com palavras.
Analítica: concebe as coisas passo a passo, componente por componente. Sintética: agrupa as coisas para formar um todo.
Simbólica: usa símbolos para representar coisas. Por exemplo, o desenho “O” 
representa olho, o sinal “+” representa o processo de adição.
Concreta: concebe cada coisa tal como ela é no momento.
Abstrata: seleciona uma pequena parte das informações e usa-a para 
representar o todo.
Analógica: vê as semelhanças entre as coisas; compreende relações 
metafóricas.
Temporal: marca o tempo colocando as coisas em sequência. Faz o primeiro 
lugar, depois o que vem em segundo lugar etc.
Não temporal: não tem senso de tempo.
Racional: tira conclusões baseadas na razão e nos fatos.
Não-racional: não precisa se basear em razão ou fatos; não se apressa a 
formar julgamentos ou opiniões.
Digital: usa números, como no ato de contar coisas.
Espacial: vê onde as coisas se situam em relação a outras e como as 
partes se unem para formar um todo.
Lógico: tira conclusões baseadas na lógica: uma coisa segue outra em ordem 
lógica – comonum teorema matemático ou num argumento bem enunciado.
Intuitiva: assimila as coisas aos pulos, muitas vezes à base de amostra 
incompletas, palpites, pressentimentos ou imagens visuais.
 
Fonte: adaptado de Edwards, 1984, p. 49.
O Sistema Nervoso Central é uma parte fundamental do crânio humano, uma 
vez que o encéfalo, o qual é componente daquele, está envolvido fortemente 
com o desenvolvimento da linguagem, da capacidade cognitiva, do raciocínio, 
como também está relacionado à atenção, à memória, à orientação temporal e 
espacial, entre outros. A linguagem e/ou comunicação está bastante conectada 
com a região encefálica e independe do contexto cultural ou da instrução 
gramatical dada ao indivíduo, apesar destes aspectos serem determinantes e na 
formação e no desenvolvimento da comunicação das pessoas.
17
CAPÍTULO 2
Comunicação: linguagem verbal e 
não-verbal
Iremos, neste capítulo, estudar e compreender conceitos reativos à ‘Comunicação’ e 
como este ato ou processo social se relaciona com a Neurociência. Fato é que comunicar 
bem tem sido uma das exigências da contemporaneidade e pré-requisito para melhorar 
as relações interpessoais e o desempenho dos indivíduos não só na vida pessoal, mas 
também na vida escolar/acadêmica e profissional. Nesse aspecto, é fundamental 
abordar: o que é comunicação? Qual seu objetivo? Como funciona o processo de 
comunicaçãoe ainda a relação da comunicação com a Neurociência?
Comunicação
Saber o significado de ‘comunicação’ é primordial para que se possa compreender os 
distintos tipos de comunicação, os quais são utilizados pelos indivíduos: verbal e não 
verbal. Vamos em frente!
Figura 4. Comunicação.
Fonte: https://pixabay.com/illustrations/communication-head-balloons-man-1991850/. Acesso em: 25 fev. 2019.
O que é? Objetivo? Como funciona?
Várias são as definições para o termo “comunicação”, de acordo com perspectivas 
diferentes de autores.
https://pixabay.com/illustrations/communication-head-balloons-man-1991850/
18
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
Pode-se conceituar comunicação como “ato que envolve a transmissão e a recepção 
de mensagens entre o transmissor e o receptor, através da linguagem oral, 
escrita ou gestual, por meio de sistemas convencionados de signos e símbolos.” 
(MICHAELIS, 2019, grifo nosso).
Comunicação pode ser compreendida ainda como “o estabelecimento de uma unidade 
social entre seres humanos pelo uso de signos de linguagem”. (CHERRY apud 
OLIVEIRA, 2010, p. 308, grifo nosso).
Também, é entendida como um “processo social em que duas ou mais partes 
trocam informações e compartilham significados.” (GRIFFIN; MOORHEAD, 
2016, p. 294, grifo nosso).
Quanto ao objetivo da comunicação, Oliveira (2010, p. 309) esclarece que é 
“[...] estabelecer entre as pessoas uma associação ou ligação, um entendimento ou 
identificação, ainda que momentâneo.”
Comunicação verbal (oral e escrita)
Neste tópico, estudaremos sobre a comunicação verbal, a qual envolve a comunicação 
oral e a escrita. 
Comunicação oral 
Figura 5. Comunicação Oral.
Fonte: https://www.freepik.com/free-vector/people-speaking-different-languages-with-flat-design_2564895.htm. 
Acesso em: 25 fev. 2019.
A comunicação oral tem sido, cada vez mais, importante não só para as relações 
interpessoais da vida cotidiana, mas também tem sido critério de contratação de 
https://www.freepik.com/free-vector/people-speaking-different-languages-with-flat-design_2564895.htm
19
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
colaboradores para as organizações, uma vez que “o mundo laboral tem exigido” 
bastante profissionais com boa capacidade e habilidade de comunicação.
Comunicar oralmente significa verbalizar por meio de palavras faladas e não escritas 
aquilo que se pretende expressar ou transmitir.
Schenkman et al. (2016, p. 599, grifo nosso) defende que “[...] o termo fala se refere 
principalmente aos aspectos mecânicos da expressão verbal que envolvem a 
articulação.”
Griffin e Moorhead (2016, p. 297) esclarecem que “as formas orais de comunicação são 
bastante convincentes porque incluem não apenas as palavras do locutor mas também 
as mudanças de tom, altura, velocidade e volume, podendo ser acompanhadas de 
expressões faciais e gestos [...].”
Isso significa que a comunicação oral pode ou não vir acompanhada da comunicação 
não verbal (expressões faciais, gestos, entre outras formas que não são relativas à 
comunicação oralizada).
A comunicação oral, segundo Robbins, Jugdge e Sobral (2010, p. 329) é “[...] o 
principal meio de transmitir mensagens [...]”. E tem como vantagens “[...] a rapidez e o 
feedback.” Contudo, tem-se como desvantagem “[...] distorções potenciais [...] quando 
há necessidade de transmiti-la a um grande número de pessoas, o que poderá haver 
ruído ou interpretações inadequadas.”
Comunicação escrita 
Figura 6. Comunicação Escrita.
Fonte: https://www.freepik.com/free-vector/vector-pop-art-illustration-man-woman-sitting-negotiation-table-top-view_1320610.
htm. Acesso em: 25 fev. 2019.
https://www.freepik.com/free-vector/vector-pop-art-illustration-man-woman-sitting-negotiation-table-top-view_1320610.htm
https://www.freepik.com/free-vector/vector-pop-art-illustration-man-woman-sitting-negotiation-table-top-view_1320610.htm
20
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
No âmbito da comunicação verbal, temos também a comunicação escrita, a qual 
poderá contemplar “[...] memorandos, cartas, transmissões de fax, e-mails, mensagens 
instantâneas, jornais internos, informativos em murais (inclusive os eletrônicos) e 
qualquer outro meio que use a linguagem escrita ou simbólica.” (ROBBINS; JUDGE; 
SOBRAL, 2010, p. 329).
Griffin e Moorhead (2016) explicam que as organizações habitualmente utilizam distintos 
meios de comunicação escrita, que auxiliam e facilitam a comunicação propriamente 
dita. Memorandos e e-mails são formas de comunicação escrita destinadas, geralmente, 
a mais de uma pessoa e são mais informais do que uma carta, por exemplo. Assim, 
cartas enviadas aos clientes ou aos fornecedores, por exemplo, são meios mais formais 
de comunicação escrita do que aqueles. Outras maneiras de comunicação escrita que 
colaboram não só para elevar o desempenho organizacional, mas também para aferir/
medir o rendimento da empresa são os relatórios e os formulários de avaliação de 
desempenho. Também, manuais de instruções são manuseados por colaboradores para 
que possam conhecer as políticas da organização e ser auxiliados nos procedimentos a 
serem realizados em seus cargos/funções.
Sá (2018) ao abordar as estratégias da expressão ou produção escrita, nomeadamente, 
no contexto da educação, aponta a perspectiva de Yves Reuter, o qual traz aspectos 
essenciais sobre as estratégias a serem utilizadas na escrita e explica que elas dependem 
de três operações: planificação; textualização e revisão:
A planificação é responsável pela conceção do texto, isto é, pela 
ativação, na memória, das informações pertinentes para a sua 
elaboração. Também, pela sua organização, ou seja, pela ordenação e 
hierarquização das informações ativadas. E ainda pela sua adequação 
ao público a quem se destina.
A textualização é ligada à redação propriamente dita; responsável pela 
gestão dos constrangimentos textuais globais e locais, que asseguram a 
coerência e a coesão do texto produzido;
A revisão que conduz à releitura crítica do texto produzido, à deteção 
dos problemas e a sua resolução. (YVES REUTER, 1996 apud SÁ, 2018).
Assim, verificamos brevemente neste tópico como se dá a comunicação escrita no âmbito 
das organizações, bem como algumas estratégias utilizadas no âmbito da educação para 
a expressão ou produção da escrita.
21
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
Comunicação não verbal 
Figura 7. Comunicação Não Verbal.
Fonte: https://studypoints.blogspot.com/2014/12/what-is-importance-of-facial.html. Acesso em: 20 abr. 2019.
A comunicação não verbal envolve meios que transmitam uma determinada mensagem 
distintos da comunicação oral e escrita. É um tipo de comunicação que muitas vezes 
é desconsiderada pelo indivíduo ou por uma organização, mas que traz informações 
essenciais não só sobre um pensamento de uma pessoa, mas também sobre o 
significado da essência desta pessoa, uma vez que é capaz de comunicar muito mais do 
que propriamente a comunicação verbal. Sob esse aspecto, estudaremos neste tópico as 
funções da comunicação não verbal e os seus campos de análise, os quais são bastante 
instigadores.
A comunicação não verbal é bastante rica em informações, uma vez que a linguagem 
que não é expressa por meio de palavras demonstra muito mais aquilo que realmente o 
indivíduo quer transmitir ao outro do que propriamente alguns discursos/falas. 
Quatro funções básicas da comunicação não verbal nas relações interpessoais são 
apresentadas por Silva (1996), citado por Castro e Silva (2001, p. 82), conforme segue:
1. Complementar a comunicação verbal - significa fazer qualquer sinal 
não verbal que reforce, reitere ou complete o que foi dito verbalmente. 
2. Substituir a comunicação verbal - significa fazer qualquer sinal não 
verbal para substituir as palavras. 
3. Contradizer o verbal - significa fazer qualquer sinal não verbal que 
contradiga o que foi dito verbalmente.
https://studypoints.blogspot.com/2014/12/what-is-importance-of-facial.html
22
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO4. Demonstrar sentimentos - significa demonstrar qualquer emoção 
não por palavras, mas, principalmente, por expressões faciais, entre 
outros sinais.
Esse tipo de comunicação demonstra como cada pessoa reage a determinados estímulos 
do seu meio social e divide-se nos seguintes campos de análise e estudo, conforme 
apontam Ekman e Friesen citados por Knapp (1980, tradução nossa): a) cinésico, 
b) características físicas, c) conduta tática ou tato (tacêsica), d) paralinguagem, e) 
proxêmica, f) artefatos e g) fatores do meio ambiente.
Os campos de análise são descritos a seguir:
a. Cinésico (“movimento do comportamento corporal”): “[...] é a linguagem 
do corpo dada através de gestos, movimentos corporais, expressões 
faciais, olhar e postura [...].” (KNAPP, 1980 apud CORREIA, 2018, p. 
30). Alguns comportamentos não verbais são divididos em algumas 
categorias: emblemas; ilustradores; amostras de afeição; reguladores 
e adaptadores, conforme apontam Ekman e Friesen citados por Knapp 
(1980).
Emblemas ou símbolos, por exemplo, podem ser similares em determinadas culturas, 
como o caso dos gestos que representam o “ok” ou a “paz”. Sinais como um “sorriso no 
rosto” podem indicar felicidade. (KNAPP, 1980, tradução nossa).
No que diz respeito aos ilustradores, “há atos não verbais diretamente ligados à fala 
ou que a acompanham e que servem para ilustrar o que é dito verbalmente. Podem 
ser movimentos que acentuam ou enfatizam uma palavra, delineiam um caminho de 
pensamento, apresentam objetos [...].”(KNAPP, 1980, p. 20, tradução nossa).
Amostras de afeição são expressões faciais ou corporais que podem expressar estados 
afetivos. Importante salientar que esses registros afetivos podem ou não estar 
relacionados às manifestações afetivas verbais, bem como podem ser conscientes ou 
não. Exemplos desses tipos de manifestações são: postura abatida ou desanimada, um 
corpo triste. (KNAPP, 1980, tradução nossa).
Reguladores: são atos não verbais que podem regular o início e o fim de uma comunicação, 
assim como podem dar continuidade ao discurso ou torná-lo mais agradável. Knapp 
(1980) argumenta o seguinte:
Referem-se aos sinais que usamos para mostrar a outra pessoa que 
queremos falar; para impedir que outra pessoa tire o uso de nossas 
palavras; para renunciar à nossa vez de intervenção e pedir a outra 
23
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
pessoa que continue; e para manifestar que terminamos de falar e que 
a outra pessoa poderá continuar. Geralmente, nós não dizemos essas 
coisas verbalmente, mas as comunicamos por meio de uma multidão 
de comportamentos não verbais. Provavelmente, os reguladores mais 
conhecidos são os movimentos da cabeça e o comportamento visual. 
[...] Descobrimos que as pessoas que tentaram encerrar uma conversa 
diminuíram significativamente o contato visual com a outra pessoa. 
Os reguladores parecem estar na periferia da nossa consciência e são, 
em geral, difíceis de inibir. Eles são como hábitos arraigados e quase 
involuntários, mas são sinais dos quais somos muito conscientes quando 
outros os produzem. (KNAPP, 1980, pp. 21-22, tradução nossa).
E os adaptadores são comportamentos desenvolvidos desde a infância para que se 
possa “[...] satisfazer necessidades, realizar ações, dominar emoções, desenvolver 
contatos sociais ou realizar um grande número de outras funções.” (KNAPP, 1980, p. 
22, tradução nossa). Exemplos de comportamentos adaptadores são: coçar o nariz, 
limpar o canto dos olhos, manipular objetos (cigarro [fumar] e lápis) em momentos de 
tensão ou angústia; pegar, apertar, arranhar ou beliscar a si próprio. (KNAPP, 1980, 
tradução nossa).
a. Características Físicas: são sinais não verbais importantes, incluindo 
a forma física/corporal (peso, altura, cor, tom da pele, entre outros), 
que não necessariamente estejam se movendo. (KNAPP, 1980, tradução 
nossa).
b. Conduta Tática (tato): este campo de análise inclui a linguagem do 
toque ou a ‘Tacêsica”, que é “toda forma de comunicação que envolve o 
toque físico e a sensação tátil.” (MONTAGU, 1971 apud NETO, 2016, p. 
38). Alguns autores apontam o contato físico ou tátil como uma categoria/
um campo que é distinto do estudo da cinética, já outros incluem na 
cinética o comportamento tátil. (KNAPP, 1980, tradução nossa).
c. Paralinguagem: “estuda como as caraterísticas sonoras da voz podem 
influenciar o significado. Volume, tonalidade, velocidade, inserção de 
pausas e ruídos influenciam e alteram os significados do que falamos.” 
(PIRES, 2019). De acordo com Trager citado por Knapp (1980, p. 24-25, 
tradução nossa), dois são os componentes da paralinguagem:
d. Qualidades da voz: refere-se ao controle do ritmo, do tom (altura da 
voz), da articulação, do tempo, da ressonância, do controle da glote e do 
controle labial da voz.
24
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
e. Vocalizações: subdividas em três categorias: a) caracterizadores vocais: 
o riso, o choro, o suspiro, o bocejo, o espirro, o ronco, entre outros. b) 
qualificadores vocais: dizem respeito à intensidade de voz (do suave ao 
tom forte de voz), da altura (do tom mais agudo ao tom mais grave) e da 
extensão, que significa o arrastar das palavras até a fala extremamente 
cortada. c) segregações vocais, o que inclui, por exemplo, o”hum”, 
“m-hmm”, “ah”, “uh” e variações dessa sorte. Provavelmente, é necessário 
incluir nesta seção o trabalho relacionado a elementos como pausas (fora 
das juntas), sons do intruso, erros na fala e estados de latência. (KNAPP, 
1980, pp. 24-25, tradução e grifo nosso).
Silva (1996), citado por Castro e Silva (2001, p. 82), argumenta que “independentemente 
dos fonemas que compõem as palavras, os sinais paralinguísticos demonstram 
sentimentos, características da personalidade, atitudes, formas de relacionamento 
interpessoal e autoconceito.
a. Proxêmica: “é o uso que o homem faz do espaço enquanto produto 
cultural específico, como a distância mantida entre os participantes de 
uma interação”, conforme Silva (1996) citado por Castro e Silva (2001. 
p. 82) descreve. Em outras palavras, é o “uso do espaço pelo homem”, 
segundo Correia (2016. p. 30).
Segundo Knapp (1980, tradução nossa, p. 25), “o termo ‘territorialidade’ no estudo 
da proxêmica é também frequente para designar a tendência humana de marcar o 
território pessoal - ou espaço intocável - da mesma maneira que os animais ou aves 
silvestres fazem.”
Hall (1986, pp. 137-148), ao estudar sobre as distâncias existentes entre os indivíduos, 
no que diz respeito à percepção e utilização do espaço social, dividiu-as em 4 (quatro): 
distância íntima, distância pessoal, distância social e distância pública, conforme 
quadro seguinte: 
25
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
Quadro 4. As distâncias constituídas pelo ser humano com seus semelhantes.
Distância Descrição
Íntima
É a distância que pressupõe a possibilidade ou a hipótese de um contato particular/físico ou uma proximidade entre pessoas, o 
que poderá causar ou não desconforto. A distância íntima poderá ser no modo mais próximo ou no mais afastado (entre 15 e 
45 cm). A distância no modo próximo é aquela em que há um espaço bem reduzido ou mínimo entre os indivíduos, pode ser 
considerada a distância “[... ] do acto sexual e a da luta, a do reconforto e a da proteção.” (HALL, 1986, p. 137). Os pormenores 
e as sensações neste tipo de distância são percebidos com mais facilidade, por exemplo, o cheiro (olfato), o calor, entre outros, 
são intensificadas com a distância mínima existente entre as pessoas. Contudo, a distância no modo mais afastado é aquela que 
“[...] cabeças, coxas, bacias não se encontram facilmente em contacto, mas as mãos podem juntar-se. A cabeça é vista como 
maior do que o natural e os traços são deformados.” (HALL, 1986, p. 138).
Pessoal
A distância pessoal poderá ser no modo mais próximo (45 a 75 cm) ou no modo longínquo (entre 75 e 125 cm). No modo 
mais próximo, é a distância em que as “posições respectivas dos indivíduos revelama natureza das suas relações ou dos seus 
sentimentos. Uma esposa pode impunemente manter-se na zona de proximidade do marido, mas o mesmo não acontece 
com outra mulher.” (HALL, 1986, p. 140).Consegue-se nesse tipo de distância visualizar os traços de outra pessoa sem que 
haja distorção, reações nos músculos dos olhos são também percebidas. Já o modo mais longínquo é a “[...] distância do 
comprimento do braço [...]. Esta distância inclui-se entre o ponto que está precisamente para além da distância de contacto fácil e 
o ponto onde os dedos se tocam na condição dos dois indivíduos estenderem os braços simultaneamente. Trata-se, em suma, do 
limite do alcance físico em relação a outrem. [...] A tal distância, podemos discutir assuntos pessoais.” Também, é possível verificar 
a “textura da pele, cabelos brancos, pregas nos olhos, imperfeições dos dentes [...].” (HALL, 1986, p. 140).
Social
A distância social é aquela em que já não há percepção dos detalhes do rosto de uma pessoa e “[...] ninguém toca ou se espera 
que toque outrem, exceto se realizar um esforço determinado nesse sentido específico.” (HALL, 1986, p. 141). A distância social 
poderá ser no modo mais próximo (1,20 a 2,10 metros) ou no modo longínquo (entre 2,10 e 3,60 metros). O modo próximo 
é a distância “[...] das negociações impessoais e [...] implica, bem entendido, mais participação do que o modo longínquo. As 
pessoas que trabalham juntas praticam geralmente a distância social próxima. Esta vale também de modo corrente nas reuniões 
informais. A esta distância, olhar de pé e a direito uma pessoa sentada evoca a impressão de dominação do homem que se dirige 
à sua secretária ou à sua assessora.” (HALL, 1986, p. 142). No entanto, a distância no modo longínquo é aquela caracterizada 
como mais formal do que aquela no de proximidade. Em entrevistas, por exemplo, “[...] é mais importante manter o contacto 
visual a esta distância do que a uma distância mais próxima.” Também, em determinadas situações, “levantar a voz ou gritar pode 
ter como resultado reduzir a distância social a distância pessoal.” Esse tipo de distância “[...] pode servir para isolar ou separar os 
indivíduos.” (HALL, 1986, p.143).
Pública
A distância pública é aquela que está fora da percepção referencial da pessoa, ou seja, acabam as referências das distâncias 
pessoal e social havendo alteração substancial de comportamento para outras pessoas. A partir de 3,60 metros até 7,50 
metros, considera-se o modo próximo da distância pública. Nesta distância já não se percebe a cor dos olhos da pessoa. A essa 
distância pode haver um comportamento de fuga. A voz utilizada pelo locutor, mesmo alta, já não agride. A partir de 7,50 metros, 
considera-se o modo afastado da distância pública. A partir de 9 metros, muitas autoridades cumprimentam outras pessoas e se 
pronunciam. A partir de 10 metros de distância, perdem-se a expressão da voz e os detalhes da fisionomia da pessoa, podendo 
deixar de expressar de forma contundente a mensagem que se queira passar. Deve-se trabalhar melhor os gestos e posturas do 
corpo como um todo para que a mensagem seja passada com evidência a essa distância. Também, nessa distância, a pessoa 
integra o ambiente, passando a fazer parte da paisagem apresentada aos espectadores. Apenas com a visão focada do locutor é 
que poderão os espectadores visualizar seu comportamento e a expressão de seu corpo para entender as mensagens que está 
sendo transmitida. (HALL, 1986).
 
Fonte: adaptado de Hallm, 1986, pp. 137-148.
Vale salientar que as descrições de cada uma dessas distâncias indicadas por Hall (1986) 
foram feitas por meio de observações e entrevistas realizadas com indivíduos.
a. Artefatos: “incluem a manipulação de objetos com pessoas interagindo 
que podem agir como estímulos não verbais. Esses artefatos incluem 
perfume, roupas, batom, óculos, peruca [... ], e todo o repertório de 
postiços e produtos de beleza.”(KNAPP, 1980, p. 25, tradução nossa).
b. Fatores do Meio Ambiente: Os fatores ambientais interferem 
indiretamente nas relações humanas e, assim, na comunicação das 
pessoas. Diversos fatores ambientais e suas variações podem marcar uma 
pessoa, bem como deixar mostrar como uma determinada pessoa vive e 
26
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
pensa: a disposição do mobiliário, as decorações, a iluminação, as cores, 
a música ambiente, a temperatura, entre outros. (KNAPP, 1980, tradução 
nossa). Impressões deixadas em um ambiente por um indivíduo poderão 
apresentar características pessoais deste e ter influência na relação deste 
mesmo indivíduo com outra pessoa.
Assim, aprendemos um tema bem interessante que é a comunicação não verbal, a qual 
demonstra, por meio dos campos de análise de estudo, o quão vasto é esse tipo de 
linguagem. A comunicação não verbal transmite informações que a comunicação oral e 
escrita não conseguem passar.
Processo de comunicação 
Figura 8. O processo de comunicação.
 
Ruído 
Envio 
Codificação Transmissão Decodificação 
Decodificação Transmissão Codificação 
Ciclo de Feedback (Verificação) 
Fonte 
[Emissor] Receptor 
Fonte: adaptado de Griffin e Moorhead, 2016, p. 299.
Griffin e Moorhead (2016, p. 299) definem o processo de comunicação como “[...] um 
laço que liga o emissor e o receptor e opera nas duas direções.” Segundo esses autores, 
a “[...] comunicação não está completa até que o emissor original saiba que o receptor 
entendeu a mensagem.” 
Esse processo é composto por alguns elementos: fonte, codificação, transmissão, 
decodificação, receptor, feedback e ruído, os quais são apontados a seguir: (GRIFFIN; 
MOORHEAD, 2016).
a. Fonte: diz respeito à pessoa, grupo ou organização que prepara, codifica 
e comunica (transmite) uma mensagem a outra parte (indivíduo, grupo 
ou organização0. (GRIFFIN; MOORHEAD, 2016). Pode-se dizer que é 
27
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
o emissor (locutor ou falante) do processo de comunicação. (ROBBINS; 
JUDGE; SOBRAL, 2010).
b. Codificação: o emissor comunica uma determinada mensagem por meio 
da codificação de um pensamento. “Quando falamos, a fala é a mensagem. 
Quando escrevemos o texto escrito é a mensagem. Quando gesticulamos, 
os movimentos de nossos braços e as expressões em nosso rosto são a 
mensagem.” (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010, p. 327). Pode-se definir 
codificação como “o processo em que a mensagem é traduzida de uma 
ideia ou de um pensamento para símbolos que possam ser transmitidos.” 
Exemplos de símbolos: “[...] palavras, números, imagens, sons, gestos, 
movimentos”. (GRIFFIN; MOORHEAD, 2016, p. 299, grifo nosso).
c. Transmissão: “é o processo por meio do qual os símbolos que representam 
a mensagem são transmitidos ao receptor.” (GRIFFIN; MOORHEAD, 
2016, p. 300). A mensagem é transmitida pelo canal que é o meio 
(caminho) de disseminação da, divulgação ou envio da mensagem. 
(ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). Exemplos de canais: jornais, 
revistas, rádio, TV, fala, entre outros.
Griffin e Moorhead (2016) argumentam que os diferentes canais de comunicação 
podem determinar o efeito que a mensagem pode ter naquele que a recebe, neste caso, 
o receptor. O autor explica que, consoante à situação, uma conversa ‘cara a cara’ pode 
exercer um impacto maior do que uma carta escrita, ou, por exemplo, um telefonema 
pode ser uma abordagem mais pessoal do que uma carta para um cliente. A escolha do 
meio (canal) é fundamental para que a mensagem possa ser compreendida. 
a. Decodificação: é a tradução do significado dos símbolos (ROBBINS; 
JUDGE; SOBRAL, 2010). Em outras palavras, pode-se dizer que “é o 
processo pelo qual o receptor da mensagem interpreta seu significado” 
(GRIFFIN; MOORHEAD, 2016, p. 300). O receptor irá compreender a 
mensagem de acordo com sua experiência e conhecimento. A mensagem 
que foi decifrada/entendida, pelo receptor, poderá ter igual significado à 
fonte pelo qual essa foi emitida ou não. Daí alguns problemas de falhas 
de comunicação, quando a mensagem foi deturpada do seu verdadeirosignificado, o que poderá causar mal-entendidos e consequências 
negativas para uma ou todas as partes envolvidas no processo de 
comunicação. (GRIFFIN; MOORHEAD, 2016).
b. Receptor (interlocutor, ouvinte ou destinatário): é aquele que recebe 
a mensagem e que traduz seus símbolos de um modo que se possa 
28
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
compreender [decodificação da mensagem]. (ROBBINS; JUDGE; 
SOBRAL, 2010). Ou seja, “[...] é o indivíduo, grupo ou organização que 
percebe os símbolos codificados; ele pode decodificá-lós ou não a fim 
de entender a mensagem que o emissor queria transmitir.” (GRIFFIN; 
MOORHEAD, 2016, p. 300). A mensagem poderá ser entendida de 
acordo com os meios e os símbolos utilizados pela fonte, bem como pela 
concentração ou atenção dada pelo receptor à mensagem que está sendo 
recebida. (GRIFFIN; MOORHEAD, 2016).
c. Feedback: é o processo no qual o receptor dá um retorno positivo ou 
negativo ao emissor da mensagem. Em outras palavras, significa uma 
avaliação do resultado da mensagem transmitida. (SCHERMERHORN 
JR; HUNT; OSBORN, 2007).
d. Ruído: “[...] é qualquer perturbação no processo comunicativo 
que interfira na comunicação ou a distorça. [...] É uma perturbação 
na comunicação que é causada principalmente pelo meio [canal].” 
(GRIFFIN; MOORHEAD, 2016, p. 301). Exemplos de ruído: erros de 
semântica, distrações físicas, diferenças culturais, ausência de feedback, 
entre outros. (SCHERMERHORN JR; HUNT; OSBORN, 2007).
A comunicação eficiente faz parte de um processo de comunicação no qual 
o emissor transmite uma mensagem clara para o receptor. Também, outros 
fatores são considerados para uma boa comunicação. Aproveite este momento, 
dê uma breve pausa na leitura e assista ao seguinte vídeo sobre ‘processo de 
comunicação’:
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=WTMeDxPCW4o. Acesso 
em: 22 ago. 2019.
Comunicação organizacional 
Aprender um pouco mais sobre comunicação é entender também o que é a comunicação 
organizacional propriamente dita. Afinal, o que é comunicação organizacional? Quais 
são os seus níveis? Como funciona cada um deles? Essas respostas serão colocadas 
nesta seção de estudo; e ainda terão algumas sugestões importantes para a melhoria 
desse tipo de comunicação. 
Pode-se definir comunicação organizacional como um “[...] processo específico 
segundo o qual a informação se movimenta e é trocada através da organização, e 
https://www.youtube.com/watch?v=WTMeDxPCW4o
29
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
entre a organização e o seu ambiente.” (SCHERMERHORN JR; HUNT; OSBORN, 
2007, p. 246).
Segundo Haswani (2017), três são os níveis da comunicação organizacional: 
intrapessoal, interpessoal e grupal. 
A comunicação intrapessoal é o nível da comunicação que permite a 
autointerpretação do conteúdo da mensagem antes de enviá-la aos receptores 
(destinatários da mensagem)..Esse é o nível mais básico e elementar da comunicação 
humana. (KREPS apud HASWANI, 2017). Haswani (2017) esclarece que a comunicação 
intrapessoal “[...] ocorre quando um indivíduo troca informações com ele mesmo, em 
momentos de reflexão [...].”
A comunicação interpessoal é o nível da comunicação em que há o envolvimento 
de “[...] duas ou mais pessoas [...] no processo.” (HASWANI, 2017).
A comunicação grupal é o nível da comunicação no qual há uma interação complexa 
de muitas relações interpessoais, envolvendo três ou mais pessoais, o que poderá ser 
em pequenos grupos (até dozes pessoas) ou grandes grupos (centenas de pessoas) 
(HASWANI, 2017).
Torquato (2015), ao abordar a comunicação organizacional, argumenta o seguinte: “De 
um lado, há um tipo de comunicação que é fruto da informação e do conhecimento 
técnico; de outro, as atitudes, os valores, as normas. A questão é ajustar as duas partes 
formando um composto comunicacional que possa ser consumido naturalmente.”
Algumas possibilidades para melhorar a comunicação no âmbito das organizações são 
colocadas por Torquato (2015):
 » Atentar-se para os fluxos de comunicação (ascendente, descendente 
e lateral). “O volume de comunicação, o tipo de comunicação e a direção 
da comunicação constituem o centro de processamento da eficiência 
organizacional.”
 » Treinar pessoas na organização: o treinamento favorece uma melhor 
comunicação e interação dos trabalhadores.
Torquato (2015), ao abordar sobre os fluxos de comunicação, ainda, salienta que 
“[...] muita informação (quantidade), instrumental-técnico (tipo), descendo para os 
níveis inferiores (direção descendente), sem muito retorno (direção ascendente), gera 
distorções e frequentemente cria problemas de engajamento.”
30
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
Desse maneira, neste tópico, tivemos a oportunidade de conhecer de modo breve os 
níveis de comunicação organizacional e algumas sugestões para melhorar a comunicação 
no âmbito das organizações.
Uma eficiente e eficaz comunicação interna promove o sucesso de uma 
Organização ou de uma Instituição. Os autores Araújo e Duarte (2017), por meio 
do artigo cujo título é “Os Desafios e Dificuldades na Gestão da Comunicação 
Organizacional Interna”, trazem perspectivas essenciais sobre o tema. Dessa 
maneira, dê uma ligeira pausa em sua leitura e aproveite as informações 
interessantes que o texto traz para você aluno!
Resumo do artigo:
O presente artigo tem como objetivo analisar a gestão da 
comunicação interna através das relações dos atores envolvidos 
nas organizações. Para uma comunicação eficiente, é necessário 
que os funcionários desenvolvam a capacidade de comunicar-se 
bem. A comunicação interna está presente nos mais diferentes 
níveis da organização e tem ocupado cada vez mais espaço e 
importância, pois é através do processo eficiente de comunicação 
que os funcionários podem compreender melhor a missão e visão 
da empresa, bem como sua cultura organizacional. Entretanto, 
muitas organizações desconhecem a real importância desta 
ferramenta, não compreendem a relevância em manter seus 
colaboradores informados sobre o que está acontecendo na 
empresa e não investem no desenvolvimento de tais habilidades. 
Por isso, através de um estudo bibliográfico, a pesquisa em questão 
buscou levantar informações acerca dos desafios e dificuldades 
da comunicação organizacional interna e maneiras de ultrapassar 
tais barreiras. (ARAÚJO; DUARTE, 2017, p. 408).
Link do texto:
https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/841/1202. Acesso em: 22 ago. 2019.
Comunicação x neurociência
Bhatnagar (2004, p. 1) defende que “a neurociência é indispensável para que sejam 
compreendidos os correlatos fisiológicos da fala, da linguagem, dos gestos e da cognição.”
Ao tratar do tema “transtornos cognitivos e de comunicação”, Bhatnagar (2004, p.2) 
elucida o seguinte: 
Há número sempre crescente da pacientes com transtornos cognitivos 
e da comunicação, resultantes de traumatismo craniano, acidentes 
vasculares, malformações embrionárias, doenças degenerativas, 
https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/841/1202
31
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
senilidade, tumores, epilepsia, e outras doenças orgânicas congênitas 
e adquiridas.
Comunicação escrita e neurociência
A neurociência tem um papel fundamental não só na aprendizagem da leitura e da 
escrita mas também na compreensão de como se dão estas habilidades por meio da 
estrutura cerebral. Conhecer a importância da neurociência para a alfabetização de 
crianças e adultos é parte do estudo da Neurolinguística, definida no primeiro capítulo 
desta Unidade.
O cérebro humano pode se organizar de modo que responda a alguma adaptação 
necessária, seja na leitura, seja na escrita, conforme os autores seguintes argumentam:
Uma das descobertas mais importantes da neurociência é a de que o 
cérebro apresenta grande plasticidade e que, devido a esta plasticidade, 
ele pode se organizar funcionalmente para atender a alguma adaptação 
necessária. Ler e escrever requeremadaptações no funcionamentocerebral, uma vez que não há, na genética da espécie, uma área 
designada para a leitura ou para a escrita. (CALVIN, 1996; DEHAENE, 
2007; LENT, 2010 apud LIMA, 2013)
Lima (2013) clarifica que premissas como a história ou o contexto de vida do indivíduo, 
bem como o desenvolvimento do ser humano por meio de fatores biológicos e culturais, 
são determinantes para a formação cerebral de uma pessoa. A cultura escolar, por 
exemplo, é fundamental para que sejam desenvolvidos os conhecimentos necessários 
ao aluno.
A comunicação oral (falada) x neurociência
No que diz respeito à comunicação escrita, Elvira de Souza Lima, neurocientista e 
pesquisadora de desenvolvimento humano (LIMA, 2015), desenvolveu um projeto 
denominado “Escrita para Todos”, o qual tem grande conexão com a neurociência . 
(LIMA, 2013).
Para a comunicação escrita, o projeto tem como objetivo “[...] aprimorar a prática 
pedagógica dos educadores, utilizando, para tanto, os conhecimentos da neurociência 
sobre o desenvolvimento humano da criança e do adulto e sobre os processos conhecidos 
até o presente de como o cérebro aprende a escrever. (LIMA, 2013, p. 5).
32
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
Portanto, o projeto coloca a neurociência como ponto forte para a aprendizagem e 
alfabetização de crianças e adultos. 
Ferramentas da neurociência da comunicação
A neurociência da comunicação utiliza ferramentas para o seu estudo cujos resultados 
podem ser utilizados em análises, estudos e metodologia de comunicação. Tais 
ferramentas podem fornecer informações em tempo real dos processos mentais. O 
estudo dessas informações pode levar à análise e a variações de comportamentos e 
outros estudos correlatos. 
Fundamental lembrar que as ferramentas e seus resultados devem ser utilizados, em 
sede de estudos e análises, com outras referências para melhor compreensão do objeto 
ao qual se estuda.
Geralmente, as ferramentas como Eletroencefalograma – EEG e Ressonância Magnética 
Funcional (FMRI), que são ferramentas de imagem diagnóstica, bem como Eyetracker 
e Condutância da pele são utilizadas em laboratórios especializados e/ou em ambientes 
próprios. (BATISTA; MARLET, 2018). As ferramentas são as seguintes:
a. Eletroencefalograma (EEG): “é a representação gráfica das 
diferenças de potencial [...], na superfície do couro cabeludo, que 
representam potenciais elétricos transmitidos pelo encéfalo ou ondas 
encefálicas do córtex abaixo, especificamente das células piramidais 
verticais.” (BHATNAGAR, 2004). É um procedimento de imagem que 
grava a atividade elétrica no couro cabeludo do ser humano. O EEG tem 
o menor custo comparado a outros processos de imagem cerebral. No 
EEG, o indivíduo tem a possibilidade de exercer atividades motoras ou 
até cognitivas que se aproximam da realidade cotidiana. (BATISTA; 
MARLET, 2018).
b. Ressonância magnética funcional (fMRI): “é uma medida entre a 
razão de desoxigenação e oxigenação sanguínea nas áreas do cérebro onde 
há aumento da atividade neural.” (BATISTA; MARLET, 2018, p. 9). Essa 
ferramenta de neuroimagem combina a resolução espacial e a temporal 
às partes do cérebro que são ativadas e que respondem a determinados 
estímulos. (JOHNSTON et al., 2009 apud BATISTA; MARLET, 2018). 
No entanto, existem limitações. Dentre elas, o alto custo de aquisição, 
manutenção e operação do equipamento de fMRI, uma vez que se trata 
de um equipamento de grande porte que deve ser instalado em local 
33
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
apropriado e devidamente preparado. Sua manutenção e operação tem 
custo elevado uma vez que feitas por pessoas especializadas. Também, 
sua utilização causa desconforto físico em face do escaneamento a que 
é submetida a cabeça do paciente. (NOBLE et al., 2013 apud BATISTA; 
MARLET, 2018).
c. Eyetracker: é um aparelho que mede a variação ocular do indivíduo, 
ou seja, registra a atividade ocular mediante estímulos. Fornece o tempo 
de fixação ocular em locais de interesse. No campo da comunicação, 
por exemplo em uma publicidade, essa ferramenta consegue fornecer a 
imagem do esforço da percepção ocular que o indivíduo tem ao receber 
um estímulo em relação à determinado filme, reportagem ou outra cena 
que lhe é colocada. Ainda, pode apontar diferenças de percepção entre 
diversos grupos (jovens e velhos, masculino e feminino etc). No entanto, 
os resultados sempre se referem à análise puramente visual, limitando 
sua utilização. (BATISTA; MARLET, 2018).
d. Condutância da pele: é basicamente uma ferramenta de tato que indica 
as variações do suor na pele humana. Tais variações alteram a condução 
elétrica da pele de acordo com os estímulos percebidos. (CACIOPPO 
et al., 2000 apud BATISTA; MARLET, 2018). “Essas respostas 
neurofisiológicas ocorrem de forma involuntária ou automática, sendo 
controladas pelo sistema nervoso autônomo.” (OHME et al., 2009 apud 
BATISTA; MARLET, 2018, p. 11). As situações cotidianas, sejam elas 
estimuladas ou não, alteram a resposta do organismo. Emoções como 
medo, susto, ansiedade e outras podem ser medidas por meio desse 
sistema de análise. (RAVAJA, 2004 apud BATISTA; MARLET, 2018). No 
entanto, é uma ferramenta limitada, uma vez que não indica a parte do 
cérebro que é ativada e não leva a uma resposta conclusiva. (BATISTA; 
MARLET, 2018).
Outras ferramentas podem ser utilizadas para estudos de neurociência da comunicação, 
como:
[...] magneto encefalografia, tomografia por emissão de pósitrons, 
espectroscopia no infravermelho próximo funcional, estimulação 
magnética transcraniana, estimulação transcraniana de corrente 
contínua, potenciais relacionados com eventos, frequência cardíaca, 
eletromiografia facial, entre outras (CASCIO; FALK, 2016; FALK, 2013; 
RAVAJA, 2004 apud BATISTA; MARLET, 2018, p. 16).
34
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
Com o título de “Perspectiva da neurociência em comunicação”, o autor Everaldo 
Pereira (2018) traz um estudo relevante, não somente no que diz respeito 
à neurociência propriamente dita mas também sobre a sua conexão com a 
tecnologia, que é considerada fundamental na interface entre neurociência e 
comunicação. Para saber um pouco mais sobre essa abordagem, interrompa um 
pouquinho sua leitura e vamos agregar mais conhecimento a seus estudos!
Veja um trecho do resumo do artigo:
Pesquisa bibliográfica com objetivo de consolidar o estágio atual 
da intersecção entre neurociência e comunicação. Usamos um 
referencial teórico multidisciplinar com o objetivo de oferecer 
insights investigativos e chaves de entendimento. Dividido em 
três partes: compreender a neurociência e sua interface com 
a comunicação; investigar as tecnologias em neurociência e 
suas aplicações em comunicação; e avaliar a viabilidade do 
uso da metodologia de Design Science Research na interface 
comunicação neurociência. Compreendemos que há espaço 
para uma investigação sistemática e de que é viável o uso dessa 
metodologia, considerando uma orientação pragmática utópica. 
(PEREIRA, 2018, p. 39).
Link do artigo: http://ojs.labcom-ifp.ubi.pt/index.php/ec/article/view/323/pdf. 
Acesso em: 22 ago. 2019.
http://ojs.labcom-ifp.ubi.pt/index.php/ec/article/view/323/pdf
35
CAPÍTULO 3
Neurotransmissores envolvidos 
na percepção auditiva, de fala, 
linguagem, aprendizagem e memória
Compreender e conhecer como funciona a comunicação das células do sistema nervoso 
é fundamental para entendermos a influência que essa comunicação tem no processo 
de cognição, da comunicação, da atenção, da memória, entre outros. O sistema nervoso 
(SN) é complexo e, a partir de determinadas células, “os neurônios”, é possível transmitir 
sinais a outros neurônios, o que viabiliza o funcionamento do SN em vários aspectos. Os 
neurotransmissores, substâncias químicas, são primordiais para que sejam regulados 
alguns mecanismos encefálicos. Nesse sentido, estudaremos neste capítulo um assunto 
muito interessante que instigará ainda mais a sua curiosidade sobre o tema.
NeurotransmissoresNesta seção veremos conceitos importantes no que diz respeito aos neurônios e aos 
neurotransmissores. Também, conheceremos neurotransmissores que estão envolvidos 
no processo da linguagem, aprendizagem, memória e outros.
Figura 9. Neurotransmissores.
 
 
Soma (corpo celular) 
Axônio 
Cone 
axonal 
Dentrito 
Mielina 
Sinapse 
Terminal axonal 
Célula pré-sináptica 
Célula pós-sináptica 
Neuro-
trans-
missor 
Fonte: https://pt.khanacademy.org/science/biology/human-biology/neuron-nervous-system/a/overview-of-neuron-structure-and-
function. Acesso em: 6 maio 2019.
https://pt.khanacademy.org/science/biology/human-biology/neuron-nervous-system/a/overview-of-neuron-structure-and-function
https://pt.khanacademy.org/science/biology/human-biology/neuron-nervous-system/a/overview-of-neuron-structure-and-function
36
O que são neurônios e neurotransmissores?
Pode-se definir Neurônio como uma célula nervosa que conduz sinais químicos e 
elétricos e que é composta por duas partes: corpo celular (onde está contido o núcleo) 
e neuritos, os quais são de dois tipos: dentritos e axônio. Essa célula é considerada 
unidade básica da função encefálica, ou seja, do encefálo. (BEAR; CONNORS, 
PARADISO, 2008). Os neurônios são ligados ou conectados por células denominadas 
de Gliais, que são essenciais e determinam o número de sinapses realizadas no cérebro. 
(HERCULANO-HOUZEL, 2014 apud LEYSER, 2018).
Para o processo de transferência de informações ao longo do sistema nervoso (SN), os 
axônios têm uma importância fundamental. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008). 
Por meio do axônio, há uma codificação das informações e condução (transmissão) 
destas da unidade do corpo da célula dentrítica para as junções sinápticas. O terminal 
axonal é localizado próximo do neurônio. Dessa maneira, o impulso nervoso aos demais 
neurônios são propagados pelo axônio. (LEYSER, 2018).
Uma curiosidade em relação ao axônio é que este, quando desmielinizado, pode 
retardar ou interromper a condução de impulsos nervosos, o que causa doenças como 
a esclerose múltipla. O axônio é coberto por uma bainha de mielina, a qual é composta 
por camadas de lipídeos e proteínas. Quando há uma desmielinização axonal, isto é, 
uma danificação da mielina, poderá ocorrer doenças como a supracitada. (LEYSER, 
2018).
Olviera (2000) citado por Leyser (2018, p. 26) explica que “o ponto de contato entre o 
botão do terminal e o outro neurônio é chamado de sinapse. É aqui que a informação 
é enviada de um neurônio para outro. No SNP [Sistema Nervoso Periférico], os botões 
terminais podem formar sinapses com células musculares.”
Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 24) esclarecem que “são os neurônios que percebem 
modificações no ambiente, comunicam essas modificações a outros neurônios e 
comandam as respostas corporais a essas sensações.”
Você sabia que os neurônios podem ser regenerados? Os neurônios podem, 
sim, ser criados! Alguns hábitos favorecem a formação de novos neurônios, por 
exemplo, exercitar a memória por meio de leituras; da alimentação, da realização 
de esportes, da prática da meditação, entre outros.
O nosso cérebro tem uma grande capacidade de transformação e adaptação 
que denominamos de Neuroplasticidade, que é “[...] a propriedade do sistema 
37
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
nervoso de alterar a sua função ou a sua estrutura em resposta às influências 
ambientais que o atingem.” (LENT, 2018, p. 112). Por meio da plasticidade neural 
e outros fatores é possível formar novos neurônios.
Um estudo publicado pela Revista Cell Stem Cell mostra que pessoas mais velhas, 
até os 79 anos, podem produzir novos neurônios, conforme texto seguinte da 
Revista Forbes:
Tem sido tema de debate na neurociência se os cérebros humanos 
podem continuar a produzir novas células ao longo da vida e 
novas pesquisas publicadas sugerem que os cérebros mais velhos 
são tão capazes de produzir essas células quanto os mais jovens.
A pesquisa publicada [...] na revista Cell Stem Cell, liderada por 
cientistas da Columbia University, sugere que muitos idosos 
podem permanecer mais cognitivamente e emocionalmente 
intactos do que o geralmente aceito, com a pesquisa descobriu-
se que até mesmo os cérebros de pessoas mais velhas estudados 
produzem novas células.
Os pesquisadores analisaram uma área do cérebro chamada 
hipocampo das autópsias de 28 pessoas de 14 a 79 anos que 
morreram repentinamente, mas que antes eram saudáveis e não 
usavam qualquer medicamento que pudesse afetar seus cérebros, 
uma diferença fundamental em relação a estudos anteriores sobre 
o assunto. 
Maura Boldrini, professora-adjunta de neurobiologia da 
Universidade de Columbia e principal autora do estudo, disse: 
“Descobrimos que pessoas mais velhas têm capacidade similar de 
produzir milhares de novos neurônios do hipocampo a partir de 
células progenitoras, como os mais jovens. Encontramos também 
volumes equivalentes do hipocampo por meio das idades.”
O hipocampo é uma estrutura cerebral intrinsecamente ligada 
à aprendizagem, formação da memória e do processamento 
emocional; e estudos em primatas não humanos e roedores já 
haviam indicado que a capacidade de gerar novos neurônios 
nessa região diminui com a idade. A nova pesquisa sugere que 
esse não é o caso em humanos. (FORSTER, 2018, tradução nossa)
Krebs, Weinberg e Akesson (2013) citado por Leyser (2018, p. 26, grifo nosso) afirmam 
que “a comunicação na sinapse é possível graças à liberação de substâncias químicas 
conhecidas como neurotransmissores. Estes são armazenados nas vesículas sinápticas 
do botão do terminal.” A comunicação entre neurônios é realizada por meio da sinapse 
pelo processo de neurotransmissão.
38
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
O Neurotransmissor “[...] é uma substância química, liberada na sinapse [ponto 
de encontro entre dois neurônios], para transmitir sinais, ao longo dos neurônios.” 
(BHATNAGAR, 2004, p. 128), ou seja, o neurotransmissor faz a conexão entre um ou 
mais neurônios. A neurotransmissão é realizada por meio da sinapse. (LEYSER, 2018).
Os neurotransmissores, em grande parte, são constituídos de moléculas de proteínas. 
Essas moléculas podem ser grandes ou pequenas. Geralmente os neurotransmissores de 
pequenas moléculas são compostos de aminoácidos, exceto a acitilcolina; os de grandes 
moléculas são compostos de pequenos números de aminoácidos e são chamados de 
neuropeptídeos. As funções dos neurotransmissores depende do receptor a que estão 
ligados. (KREBS; WEINBERG; AKESSON, 2013 apud LEYSER, 2018).
Outra informação significativa em relação aos neurotransmissores é sua relação com a 
quantidade, conforme comentada pelos autores:
A quantidade de neurotransmissor liberada pode ser dependente 
da quantidade de cálcio que entra no neurônio pré-sináptico 
após despolarização. Portanto, um aumento na quantidade de 
cálcio que entra no neurônio torna-se associado a maiores quantidades 
de neurotransmissores sendo liberados. Por outro lado, pequenas 
quantidades de cálcio que entram no neurônio serão associadas com 
pouca ou talvez nenhuma liberação de neurotransmissor. No entanto, 
às vezes essa relação não é óbvia: o aumento da transmissão 
sináptica pode não acompanhar o aumento do fluxo de cálcio. Além 
do mais, a diminuição do cálcio também acompanha os aumentos na 
liberação do neurotransmissor. Quando isso ocorre, a liberação do 
neurotransmissor é considerada independente do cálcio (PICCOLINO; 
PIGNATELLI, 1996 apud LEYSER, 2018, p. 38, grifo nosso).
Sendo assim, vimos neste tópico a definição de neurônios e de neurotransmissor, o 
que será indispensável para o entendimento dos próximos assuntos de nosso estudo.
Principais neurotransmissores
Os neurotransmissores “[...] ajudam a regular mecanismos encefálicos, que 
controlam a cognição, a linguagem, a fala, a audição, o humor, a atenção, a memória, 
a personalidade, a motivação e o ajuste fisiológico do encéfalo.” (BHATNAGAR, 
2004, p. 128).Portanto, é essencial que profissionais e estudantes que têm 
interesse em temas relacionados a transtornos de comunicação conheçam alguns 
dos transmissores, conforme descrito a seguir:
39
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
 » Acetilcolina: “é o neurotransmissor na junção neuromuscular e, 
portanto,é sintetizada por todos os neurônios motores na medula espinhal 
e no tronco encefálico. Outras células colinérgicas contribuem para as 
funções de circuitos específicos no SNP [Sistema Nervoso Periférico] e no 
SNC [Sistema Nervoso Central]”. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008, 
p. 142). “Os neurônios que contêm acetilcolina ou ChAT são chamados de 
neurônios colinérgicos.” (STERNBERG, R.; STERNBERG, K., 2016 apud 
LEYSER, 2018, p. 41).
Esse foi um dos primeiros neurotransmissores identificados e é considerado um dos 
fundamentais e principais mensageiros químicos do SNP, ou seja, é o neurotransmissor 
primário deste sistema nervoso. (BHATNAGAR, 2004).
A acetilcolina é encontrada “[...] nos neurônios motores do tronco encefálico e da 
medula espinhal que inervam os músculos do esqueleto.” A enzima colina é responsável 
pela ligação acetiltransferase (ChAT). A ligação é química e produz contração muscular. 
(STERNBERG, R.; STERNBERG, K., 2016 apud LEYSER, 2018, p. 41).
Pepeu e Giovannini (2004, tradução nossa) esclarecem que pesquisas demonstram que 
lesões dos neurônios colinérgicos do cérebro podem reduzir os níveis de acetilcolina, 
o que poderá ser acompanhado de déficits comportamentais. Os autores esclarecem 
também que a acetilcolina pode estar relacionada à atenção, à memória, à aprendizagem. 
Também, conforme segundo Bhatnagar (2004, p. 130, grifo nosso) elucida: 
Projeções colinérgicas deficientes, no hipocampo e no córtex órbito-
frontal, também, foram implicadas na doença de Alzheimer, doença 
degenerativa, caracterizada por atrofia do neocórtex e do hipocampo, 
que causa perda de memória, alteração de personalidade e demência.
A acetilcolina é fundamental para o sistema nervoso, conforme verificado neste item.
a. Monoaminas: são neurotransmissores de moléculas 
pequenas (iguais à acetiocolina) que compõem anoradrenalina 
(norepinefrina), adrenalina (epinefrina), dopamina, serotonina (5-
HT ou 5-hidroxitriptamina) e histamina, sendo que cada tipo de 
neurotransmissor tem diversos receptores. Importante apontar 
que a noradrenalina, a adrenalina e a dopamina são denominadas 
“catecolaminas”, “sintetizadas a partir de tirosina - um aminoácido”, 
e “produzem comportamentos importantes como movimento, humor 
e cognição.” (HALL, 2017 apud LEYSER, 2018, p. 41).
40
UNIDADE I │ NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO
A dopamina é um neurotransmissor primordial para o controle dos movimentos 
corporais. Quando comprometido, poderá causas doenças, como Parkinson ou 
Esquizofrenia. (GUYTON; HALL, 1997 apud ANDRADE et al., 2003).O Parkinson é 
uma doença degenerativa do sistema nervoso central que tem como consequência alguns 
sintomas, por exemplo, tremores, instabilidades posturais, rigidez dos membros, entre 
outros. Isso se deve à destruição ou “[...] morte de neurônios produtores de dopamina 
da substância negra. (SOUZA et al., 2010, p. 718). A esquizofrenia é um transtorno 
mental no qual são identificadas algumas características tais como “alucinações e 
delírios, transtornos de pensamento e fala, perturbação das emoções e do afeto, déficits 
cognitivos e avolição.” (SILVA, 2006, p. 265).
Bhatnagar (2004) clarifica que as projeções dopaminérgicas quando comprometidas 
podem causas determinados tipos de doenças mentais. Quantidades maiores de 
dopamina podem ocasionar sensações agradáveis.
A Norepinefrina (ou noradrenalina) é uma das monoaminases, sendo “o 
neurotransmissor do sistema nervoso simpático e precursor da adrenalina” e tendo 
como precursor a dopamina. (OSTINI et al., 1998, p. 405). Os neurônios que contêm 
norepinefrina estão situados na ponte e no bulbo. Grande parte das células que contêm 
norepinefrina está situada na formação reticular no tronco encefálico. Os neurônios 
noradrenérgicos ramificam-se para o tálamo, hipotálamo, estruturas límbicas. Suas 
fibras descendentes projetam-se para o tronco encefálico, córtex cerebelar e medula 
espinhal. Em uma análise clínica, os neurônios noradrenérgicos estão relacionados 
com o sono paradoxal, vigilância e atenção. Os fármacos usados no tratamento da 
depressão estimulam a transmissão da norepinefrina. 
A Serotonina, “também conhecida como 5-hydroxytryptamine (5HT), é o hormônio e 
o neurotransmissor envolvido principalmente na excitação de órgãos e constrição de 
vasos sanguíneos.” (GUYTON; HALL, 1997 apud ANDRADE et al., 2003). Embora a 
seratonina seja um importante neurotransmissor, a maior parte dela é encontrada nas 
plaquetas saguíneas e no trato gastrointestinal. Suas “terminações sorotonergéticas 
estão situadas na formação reticular, hipotálamo, tálamo, septo, hipocampo, tubérculo 
olfatório, córtex cerebral, gânglios da base e amígdalas”. A seratonina está relacionada 
com o nível geral de despertar e do sono de ondas lentas, bem como com o controle da 
dor. Acredita-se que os baixos níveis deste hormônio estão relacionados à depressão 
grave. (BHATNAGAR, 2004, p.131).
O GABA é um importante neurotransmissor do sistema nervoso central (SNC), sendo 
derivado do glutamato. Estes neurônios estão por todo sistema nervoso. É encontrado 
no córtex cerebral, córtex cerebelar e no hipocampo. O GABA é um neurotransmissor 
41
NEUROCIÊNCIA E COMUNICAÇÃO │ UNIDADE I
inibitório. A redução do GABA causa elevação anormal da proporção entre dopamina 
e acetilcolina, podendo causar perda de movimento. Sua elevação, ao contrário, 
causa movimentos anormais. (BHATNAGAR, 2004). É considerado o mais comum 
dos neurotransmissores de aminoácidos inibitórios e é responsável pela produção da 
hiperpolarização, abrindo canais de cloreto ou de potássio. Existem dois tipos: GABAA 
e GABAB. O primeiro [A] é responsável pela inibição pré-sinaptica da membrana de 
cloreto e o segundo [B] de potássio. Os medicamentos antiansiedade se ligam a esses 
receptores. (HALL, 2017 apud LEYSER, 2018).
b. Peptídios (endorfinas, encefalinas, substância P): “são substâncias 
químicas de moléculas grandes que podem funcionar como 
neurotransmissores ou neuromoduladores.” As projeções dos peptídeos 
“são importantes no controle da dor.” (BHATNAGAR, 2004, p. 131).
Aluno! Vimos neste capítulo sobre os neurotransmissores que influenciam na 
linguagem, na aprendizagem, na memória e em outros. Para aprofundar seu 
estudo e torná-lo ainda mais interessante, surgiro a leitura do texto do artigo 
escrito por Nogueira e outros autores (2019).
Síntese do artigo: 
Esta pesquisa visou mostrar a funcionalidade de alguns 
neurotransmissores em quem tem o transtorno de déficit de 
atenção/ hiperatividade (TDAH), pois o que se sabe pelos muitos 
artigos e pesquisas realizadas é que tal transtorno constitui 7% 
das crianças no Brasil, sendo então de extrema relevância apontar 
sua definição, diagnóstico e a influência dos neurotransmissores 
neste processo. (NOGUEIRA, et al., 2019, p. 1).
Link do texto:
http://portal.unisepe.com.br/unifia/wp-content/uploads/sites/10001/2019/02/001_A-
FUNCIONALIDADE-DOS-NEUROTRANSMISSORES-NO-TDAH.pdf. Acesso em: 22 ago. 2019.
http://portal.unisepe.com.br/unifia/wp-content/uploads/sites/10001/2019/02/001_A-FUNCIONALIDADE-DOS-NEUROTRANSMISSORES-NO-TDAH.pdf
http://portal.unisepe.com.br/unifia/wp-content/uploads/sites/10001/2019/02/001_A-FUNCIONALIDADE-DOS-NEUROTRANSMISSORES-NO-TDAH.pdf
42
UNIDADE II
NEUROCIÊNCIA 
E PROCESSOS 
PSICOLÓGICOS 
BÁSICOS
CAPÍTULO 1
Neurociências: neuroanatomia e 
neurofisiologia x processos psicológicos 
básicos
Estudar o sistema nervoso é compreender as suas distintas partes anatômicas, isto é, 
a estrutura geral do encéfalo humano e o seu funcionamento. Nesse sentido, iremos 
aprender um pouco sobre esse tema, de modo sucinto, para que se possa ter noções 
essenciais para o aprendizado doassunto.
Neuroanatomia e neurofisiologia
Figura 10. Anatomia do Sistema Nervoso.Figura 10. Anatomia do Sistema Nervoso. 
 
Fonte: http://quintosdeouro.blogspot.com/2017/03/sistema-nervoso.html. Acesso em:10 maio 
2019. 
 
 
Lobo pariental 
Corpo caloso 
Lobo occipital 
Corpo pineal 
Cerebelo 
Medula espinal 
Tálamo 
Lobo frontal 
Gânglios da base 
Hipotálamo 
Bulbo olfatório 
Mesencéfalo 
Lobo temporal 
Ponte 
Bulbo 
Tronco 
cerebral 
Fonte: http://quintosdeouro.blogspot.com/2017/03/sistema-nervoso.html. Acesso em:10 maio 2019.
A neuroanatomia pode ser compreendia como, segundo Gazzaniga, Ivry e Mangun 
(2006, p. 81), o “estudo das estruturas do sistema nervoso, ocupando-se em identificar 
as suas partes componentes e em descrever como essas partes se conectam.”
http://quintosdeouro.blogspot.com/2017/03/sistema-nervoso.html
43
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
Já a neurofisiologia “[...] concentra-se nas propriedades funcionais do sistema 
nervoso, em relação à sua composição estrutural, química e elétrica, que são essenciais 
para os organismos vivos.” (BHATNAGAR, 2004, p. 4).
Anatomia do sistema nervoso central
Neste tópico, iremos estudar e compreender de maneira suscinta algumas partes 
do sistema nervoso central que é o cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico, partes 
anatômicas do SN fundamentais para compreender o funcionamento do crânio humano.
Cérebro (telencéfalo + diencéfalo)
É o órgão mais desenvolvido do sistema nervoso central sendo, oriundo de duas 
vesículas embrionárias encefálicas: o diencéfalo e o telencéfalo. (COSENZA, 2012).
A vesícula telencéfalo absorve o diencéfalo uma vez que a primeira se desenvolve muito 
mais. Por consequência, no cérebro adulto, a parte diencéfalo só pode ser vista na parte 
inferior do encéfalo ou por cortes. (COSENZA, 2012).
O diencéfalo é oriundo de quatro regiões cerebrais: tálamo, hipotálamo, epitálamo e 
subtálamo. (COSENZA, 2012).
A maior parte dos hemisférios cerebrais nasce da vesícula telencefálica. Os dois 
hemisférios são separados pela fissura longitudinal do cérebro. Cada hemisfério tem 
três faces: a dorsolateral, a medial e a inferior, que é a base do cérebro. (COSENZA, 
2012).
A superfície do cérebro humano é bem irregular e pode ser divida em “lobos” que tem 
seus limites delimitados pelos sucos existentes. Os lobos são rotulados pelos ossos 
acima existentes no crânio, ou seja, que protege a determinada área do lobo. Temos 
como mais conhecidos os lobos temporal, pariental, frontal e occipital. (COSENZA, 
2012).
Cerebelo (córtex + núcleos profundos)
É composto, superficialmente, de uma camada cinza, denominada córtex cerebelar. 
Abaixo, há uma substância branca chamada de “corpo medular” do cerebelo. Dentro do 
corpo medular existe uma massa cinzenta que compõe os núcleos centrais do cerebelo. 
São quatro núcleos de cada lado nos seres humanos. O núcleo fastigial, que é medial; 
44
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
os núcleos emboliforme e globoso, que ficam em uma posição intermediária, e o núcleo 
denteado, que fica posicionado lateralmente. (COSENZA, 2012).
Os neurónios que compõem o cerebelo são inibitórios, tendo como neurotransmissores 
o ácido gama-aminobutírico (GABA). Dois tipos de fibras chegam ao cerebelo vindas do 
sistema nervoso central, as fibras musgosas e trepadeiras. (COSENZA, 2012).
O cerebelo tem conexões com o sistema nervoso central, recebendo informações de 
todas as modalidades sensoriais. Também é conhecido pelo controle das funções 
da motricidade, atuando como coordenador, comparando ordens emanadas por 
centros superiores para que os movimentos sejam equilibrados, suaves e harmônicos. 
(COSENZA, 2012).
O cerebelo em conjunto com o cérebro são os órgãos suprasseguimentares do sistema 
nervoso central. Não apresentam segmentação aos nervos espinhais e cranianos. 
(MENESES, 2011).
O cerebelo está localizado na fossa posterior do crânio, dorsalmente em relação ao 
tronco cerebral. Existem sulcos na superfície do cerebelo orientados transversalmente, 
que limitam as “folhas do cerebelo”. Os sulcos mais profundos e as fissuras cerebelares 
delimitam os lóbulos, que dividem o cerebelo em três partes distintas, o lobo anterior, 
o lobo posterior e o lobo flocunodular. (MENESES, 2011).
Tronco encefálico (mesencéfalo + ponte + bulbo)
O tronco encefálico é uma área de passagem dos feixes sensoriais e motores do corpo. 
Integra um grande número de reflexos, por exemplo, o reflexo corneopalpebral, que é 
responsável pelo fechamento do olhos. (COSENZA, 2012).
Os núcleos do tronco encefálico são dispostos em colunas, contínuas ou não. Assim 
há uma coluna para os núcleos motores somáticos e outra para os motores viscerais. 
(COSENZA, 2012).
É composto de massas branca e cinzenta, fragmentadas longitudinal e transversalmente, 
dando origem a agrupamentos neuronais, que se diferem nas regiões estruturais do 
tronco encefálico. (COSENZA, 2012).
Em toda extensão do tronco encefálico existem regiões constituídas por diversas células 
e fibras nervosas. Tais áreas são denominadas, em seu conjunto, formação reticular. 
(COSENZA, 2012).
45
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
O tronco encefálico ou tronco cerebral localiza-se na base do osso occipital. Estende-se 
desde a medula espinhal até o diencéfalo. Está localizado inferiormente ao cérebro e 
anteriormente ao cerebelo, que o cobre em grande parte. (MENESES, 2011).
O tronco encefálico apresenta três divisões: do sentido caudal para o rostral, temos o 
bulbo, a ponte e o mesencéfalo. No sentido transversal temos outras três divisões: o 
teto, o tegmento e a base. (MENESES, 2011).
Grupos neuronais do tronco encefálico fazem parte de todas as tarefas do sistema 
nervoso central. Alguns núcleos recebem e enviam fibras aos nervos cranianos, 
sendo denominados “núcleos dos nervos cranianos”. Também contêm uma matriz de 
neurônios chamada “formação reticular”. (MENESES, 2011).
Importante, também, abordar o sistema límbico, que “[...] é bilateral, sem dominância 
hemisférica, e se estende da substância cinzenta periaquedutal do mesencéfalo ao longo 
do tálamo reticular, até o giro do cíngulo anterior e área motora suplementar do lobo 
frontal.” (SCHENKMAN et al., 2016, p. 599).
Aprender sobre as distintas partes do cérebro e o seu funcionamento é pré-requsito 
para que se possa entender outros mecanismos da mente e do cérebro humano. Sendo 
assim, vimos sobre algumas divisões do encéfalo humano, que contempla o cérebro, o 
cerebelo e o tronco encefálico, bem como uma breve noção do que seja a neurofisiologia.
Aluno! Saiba mais um pouco sobre o que é Neurofisiologia e assista ao seguinte 
vídeo:
O que é Neurofisiologia? https://www.youtube.com/watch?v=8F452_bpBJo. 
Acesso em: 22 ago. 2019.
https://www.youtube.com/watch?v=8F452_bpBJo
46
CAPÍTULO 2 
Neurociência e Mindfulness
Ter atenção na vida diária não tem sido uma tarefa fácil, principalmente por estarmos 
envolvidos por um conjunto de distrações que a sociedade contemporânea nos 
impulsiona, seja pelas transformações contínuas na tecnologia, seja pelas mudanças 
constantes que o próprio mundo global apresenta. Nesse âmbito, iremos estudar um 
pouco sobre o tema “atenção” que é um assunto bastante insitigante do ponto de vista 
cerebral. 
Atenção: conceitos e funções
A atenção pode ser conceituada como “a capacidade de concentrar, direcionando a 
consciência de modo a selecionar determinado evento ou objeto. Esse direcionamento 
pode se dar por um período curto ou longo.” (PILETTI; ROSSATO; ROSSATO, 2014, 
p. 88). “É uma das principais funções superiores da mente junto com a linguagem, 
a percepção, a memória e o intelecto.” (PILETTI; ROSSATO; ROSSATO, 2014 apud 
COSTA; VILELA, 2017, p. 52).
De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra ‘atenção’ tem as seguintes definições:
1. Tensão de olhar, de ouvir e de ter concentração mental para compreender 
o que se passa.
2. Silêncio econsideração com que se ouve ou observa.
3. Ato de atender ou de se ocupar de.
4. Ato ou gesto educado ou gentil.
5. Ato ou efeito de considerar algo ou alguém.
6. Expressão usada para pedir concentração ou cuidado em relação a algo.
7. À atenção de: com determinado destinatário.
8. Chamar a atenção: fazer com algo que seja notado ou destacado.
9. Chamar à atenção: fazer uma crítica ou um reparo. (ATENÇAO, 2019 
apud COSTA; VILELA, 2017, p. 52).
47
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
Gaddes e Edgell (1994), citado por Sisto et al. (2010, p. 94), classificam a atenção nos 
seguintes tipos: ‘atenção sustentada’ [ou de vigilância]; ‘atenção dividida’ e ‘atenção 
seletiva’, conforme segue:
 » A atenção sustentada “[...] é a capacidade de manter-se atento durante 
um período prolongado [...].” Exemplo deste tipo de atenção é quando se 
assiste a um seminário ou a uma aula e mantém-se o foco ou a vigilância 
sem dispersar a atenção por certo período de tempo.
 » A atenção dividida é “[...] a capacidade de selecionar dois estímulos 
simultaneamente.” Exemplo da atenção dividida é quando uma pessoa é 
capaz de escrever um texto ao mesmo tempo em que conversa com outra 
pessoa.
 » A atenção seletiva é “[...] a capacidade do indivíduo em manter o foco 
em um ou vários estímulos-alvo em meio a outros estímulos.” Neste caso, 
o indivíduo pode optar por determinado estímulo entre outros tantos, por 
exemplo, ler uma revista ao invés de ouvir música ou assistir à televisão.
Além disso, existem outras duas funções da atenção, apontadas por profissionais da 
área de psicologia e estudiosos do assunto, conforme Costa e Vilela (2017) citam, que 
são a atenção alternada e a atenção concentrada.
A atenção alternada, segundo Amorin (2019a), citado por Costa e Vilela (2017, p. 
53), é:
[...] conhecida como flexibilidade cognitiva, corresponde à capacidade 
que se tem em alternar o foco da atenção, a depender das necessidades 
do contexto, bem como retomar o foco da atenção após alguma 
interferência. Exemplo deste tipo de atenção é quando se atende um 
telefonema e ao desligar continua-se a realizar o trabalho interrompido. 
Amorin (2019a), citado por Costa e Vilela (2017, p. 53), esclarece que “a atenção alternada 
é afetada quando há tendência ao hiperfoco”, “[...] que é a capacidade de concentração 
total”. (SANTOS; NOVAIS; TOZATO, 2015, p. 25160 apud COSTA; VILELA, 2017, p. 
53).
Em relação ao hiperfoco, é fundamental salientar, o seguinte:
Quando um indivíduo está em um estado de hiperfoco, ele consegue 
manter-se numa condição de concentração, por um longo período de 
tempo, e poderá não ter autocontrole para interromper tal estado. O 
48
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
hiperfoco pode ser positivo ou negativo, consoante as circunstâncias em 
que pessoa está inserida. O indivíduo poderá estar totalmente envolvido 
em uma atividade na qual poderá estar bastante engajado e motivado 
e por sua vez trazer grandes resultados em determinado trabalho, por 
exemplo. Esta situação poderá ser considerada favorável, caso consiga 
ter autodomínio de suspender o estado de hiperfoco. (AMORIN, 2019b 
apud COSTA; VILELA, 2017, p. 53).).
A atenção concentrada pode ser compreendida como a “[...] capacidade de 
selecionar apenas uma fonte de informação dentre outras que se encontram ao redor 
num determinado momento e manter o foco nesse estímulo alvo ou tarefa.” (NEVES; 
PASQUALI, 2007 apud BALBINOTA; ZAROB; TIMMC, 2011, p. 19). 
Esse tipo de atenção é denominado por Marques (2017) por ‘atenção focada’, que é um 
estado de Flow, ou de concentração plena.
Assim, “prestar atenção, essencialmente, significa inibir distrações, de forma flexível 
e de acordo com as necessidades de cada instante. No TDAH, estas capacidades estão 
prejudicadas.” (AMORIN, 2019a).
A todo instante estamos sujeitos a distrações diversas. Se estamos em uma mesa 
de estudos em uma biblioteca, por exemplo, e outras colegas sentados numa 
mesa ao nosso lado estão conversando, provavelmente, iremos desviar nossa 
atenção e foco e nos desconcentrar. Possivelmente, iremos prestar atenção 
no diálogo desses mesmos colegas. Também, vamos refletir sobre uma outra 
situação que ocorre frequentemente em relação ao uso do telefone celular. 
Quando colocamos o celular a nossa direita ou muito próximo a nós, iremos 
ter provavelmente um desconforto e uma sensação de ansiedade, o qual nos 
levará a ficar visualizando mensagens. Por isso, quando estamos estudando 
ou trabalhando é recomendável que deixemos o telefone a uma distância que 
não cause distrações. Partindo disso, iremos estudar no próximo tópico alguns 
aspectos neurofisiológicos da atenção e responder algumas questões: Quais 
as consequências comportamentais da atenção? E os efeitos fisiológicos da 
atenção? Como a atenção é direcionada?
49
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
Neurofisiologia da atenção
Figura 11. Fóvea Central.
 
Figura 11. Fóvea Central. 
 
Fone: https://www.provisu.ch/cgi/pt/anatomia.pl?pt+alp+F+A09.371.729.522.436. Acesso em: 15 
maio 2019. 
 
ESCLERÓTICA 
CORÓIDE 
RETINA 
HUMOR VÍTREO 
ARTÉRIA E VEIA 
CENTRAIS DA RETINA 
DISCO ÓPTICO (PONTO CEGO) 
NERVO ÓPTICO 
CORPO CILIAR 
CRISTALINO 
ÍRIS 
PUPILA 
CÓRNEA 
HUMOR 
AQUOSO 
LIGAMENTO 
SUSPENSOR 
FÓVEA 
Fone: https://www.provisu.ch/cgi/pt/anatomia.pl?pt+alp+F+A09.371.729.522.436. Acesso em: 15 maio 2019.
A atenção, segundo Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 645), é “o estado em que se 
processa simultaneamente distintas fontes de informação [...].” Por meio do sistema 
visual, por exemplo, o invíduo tem a possibilidade de ter a atenção em apenas um 
ponto, ou seja, concentrar-se apenas nele e não estar sensível a sons que possam estar 
no entorno do ambiente. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008). Nesse aspecto, será 
visto neste tópico, especialmente, a atenção relacionada ao sistema visual propriamente 
dito: consequências comportamentais da atenção; efeitos fisiológicos da atenção e 
direcionamento da atenção.
Quando uma pessoa direciona os seus olhos para determinado objeto ou ponto de 
interesse, a imagem é projetada na fóvea de cada um de seus olhos. (BEAR; CONNORS, 
PARADISO, 2008). A fóvea é uma região da retina, designada por ‘mancha amarela’. 
Nessa região é “que se forma a imagem quando o olho fixa objetos diretamente, como 
no caso da leitura.” (AIRES, 1906; 1920 apud CAVADAS, 2016, p. 380). 
Contudo, é importante salientar que há também possibilidade dessa projeção ocorrer 
em outras partes da retina. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
As mudanças de atenção para determinados locais na retina aumentam o processamento 
visual e, portanto, trazem algumas consequências comportamentais da atenção: a 
permissão de uma detecção aumentada e a aceleração do tempo de reação, conforme 
descrito por Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 645-647):
A atenção permite uma detectação aumentada, segundo Bear, Connors e Paradiso 
(2008). Em um experimento relatado por estes autores, é explicado que a atenção 
https://www.provisu.ch/cgi/pt/anatomia.pl?pt+alp+F+A09.371.729.522.436
50
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
pode se deslocar ou direcionar consoante o alvo que lhe é estimulado. Como exemplo, 
os autores descrevem uma experiência realizada com uma pessoa, denominada 
‘observadora’, em que lhe é colocado um ‘estímulo-alvo’ na tela do computador. O 
desafio era que a observadora fixasse sua atenção em um ponto no centro da tela e, 
simultaneamente, era lhe colocado um estímulo-alvo que poderia aparecer a sua direita 
ou a sua esquerda, mas também poderia não aparecer nenhum estímulo. 
Os estímulos eram baseados em dicas que poderiam ser um sinal de mais (+) ou uma 
seta para a direita (→) ou uma seta para a esquerda (←). Os testes foram realizados para 
verificar a direção que a atenção da observadora era tomada consoante os estímulos 
que eram colocados, bem como averiguaro maior número de respostas corretas 
mediante os sinais indicados na tela. Um exemplo é quando uma seta para a esquerda 
era colocada na tela. Nesta situação, a vantagem para a observadora era prestar mais 
atenção no lado esquerdo do ponto de fixação, o que indicaria para onde o alvo circular 
seria direcionado. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
A conclusão do experimento foi que as dicas influenciavam a capacidade da pessoa 
observadora (participante do teste) a detectar os círculos-alvos mediante a direção que 
as setas lhe indicavam, ou seja, a atenção do indivíduo era deslocada para o lado em que 
as setas eram apontadas ainda que os olhos da pessoa não se movessem. Isso significa 
que a atenção poderá ser aumentada e direcionada conforme os estímulos que lhe são 
impostos ou detectados. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008)
Outra consequência comportamental é que a atenção acelera o tempo de reação, 
conforme explicam Bear, Connors e Paradiso (2008). Em estudo realizado, de acordo 
com relato desses autores, e de modo similar ao experimento descrito anteriormente 
(teste feito por meio do computador), era solicitado ao observador (participante do 
teste) que pressionasse um botão quando lhe fosse apresentado um estímulo-alvo. As 
dicas eram similares às anteriores (seta direita, seta esquerda ou sinal de +). Nesse 
caso, era medido o tempo que o observador gastava entre a apresentação do estímulo 
dado e a reação ao botão (pressionar).
O experimento concluiu que os tempos de reação do observador eram comprometidos 
ou influenciados pela direção dada pelo estímulo. Se a seta fosse oposta ao alvo, o tempo 
gasto para apertar o botão poderia ser maior do que se a seta fosse na mesma direção 
do alvo. Em suma, inferiu-se,nesse estudo, como hipótese colocada por Bear, Connors e 
Paradiso (2008, p. 647), “[...] que a atenção pode alterar a velocidade do processamento 
visual ou o tempo de tomada de decisão para pressionar o botão.”
51
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
Além dessas consequências comportamentais supracitadas, há ainda a síndrome 
da negligência como um transtorno da atenção. É uma síndrome “na qual a pessoa 
parece ignorar objetos, pessoas ou, algumas vezes, seu próprio corpo de um dos lados 
do eixo de seu campo visual. Alguns têm defendido a ideia de que essa síndrome 
resulta de um déficit unilateral da atenção.” (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008, 
p. 647). A síndrome poderá ou não ser proveniente de lesão cerebral. Quando for 
este último caso, poderá ser no córtex pariental posterior do hemisfério direito ou no 
córtex pré-frontal deste mesmo hemisfério. A pessoa que tem esse tipo de síndrome 
manifesta comportamentos no qual negligencia objetos que estão do seu lado esquerdo 
ou poderá não ter a percepção visual dos membros do lado esquerdo de seu corpo, 
por exemplo. As investigações sobre o tema não conseguiram compreender porque 
há maiores danos no hemisfério direito do que no esquerdo no caso desse tipo de 
síndrome. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
Quanto aos efeitos fisiológicos da atenção, estudos sobre a ‘atenção’ para saber a 
localização (deslocamento espacial da atenção) e suas características (áreas corticais 
afetadas pela atenção) são realizados a partir de IRMf (Ressonancia Magnética 
Funcional e de TEP (Tomografia por Emissão de Pósitrons), respectivamente. (BEAR; 
CONNORS, PARADISO, 2008).
Além disso, é fundamental apontar como a atenção é direcionada segundo evidências 
de estudos realizados. Evidências “[...] sugerem que tanto estruturas corticais quanto 
subcorticais possam estar envolvidas na modulação da atividade de neurônios nas áreas 
do córtex sensorial. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008, p. 657).
Bear, Connors e Paradiso (2008) trazem algumas considerações sobre a importância da 
atenção. Os autores esclarecem que pesquisas demonstram a flexibilidade do encéfalo 
humano. Acrescentam ainda que o ser humano pode ignorar determinados estímulos 
quando não lhe interessa. 
Também, esses autores abordam a sensibilidade ou o tempo de reação no que diz 
respeito à atenção, a qual poderá ser aumentada consoante a energia mental dispendida 
para os estímulos pelos quais tem curiosidade ou interesse. 
Por último, Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 659) levam em consideração as 
“limitadas possibilidades de processamento do encéfalo” e defendem que “[...] a atenção 
desempenha um papel-chave na seleção da informação que deve ser recebida [...].” 
52
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
Mindfulness
A ciência vem estudando nos últimos tempos técnicas e práticas para melhorar a 
sáude mental e física das pessoas e, também, o seu desempenho na vida social de um 
modo geral. Nesse sentido, o Mindfulness mostra-se primordial no tratamento de 
pacientes com doenças diversas, bem como para o seu progresso e equilíbrio como 
ser humano. Iremos estudar conceitos, benefícios e como funciona o Mindufulness na 
prática. Vamos lá!
Figura 12. Mindfulness
Fonte: https://www.mindful.org/10-ways-to-define-mindfulness/. Acesso em: 24 out. 2019
Em um mundo cada vez mais frenético, imediatista e acelerado, as pessoas 
“vivem no piloto automático” e não vivenciam o momento presente de modo 
pleno e consciente. As pessoas pensam demasiado no passado e no futuro, 
ou não estão conectados com o “aqui e agora” seja nos estudos, trabalho, na 
alimentação, ou outras atividades que são realizadas em seus cotidianos. Sendo 
assim, é importante que reflitamos em algumas questões como as seguintes: 
 » O quanto no seu dia a dia você tem consciência do seu próprio corpo 
(sensações do corpo, postura, do ar que respira)? 
 » O quanto você tem consciência de sua própria vida? 
 » O quanto você tem consciência que está consciente?
O que é Mindfulness?
Mindfulness pode ser definido como “a prática de focar a sua atenção uma e outra vez 
naquilo que se está a passar, mesmo que não lhe agrade, em vez de gastar tempo e 
energia a lutar contra a realidade.” (O’ MORAIN, 2015, p. 19).
https://www.mindful.org/10-ways-to-define-mindfulness/
53
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
Williams e Penman (2015) esclarecem que a atenção plena (ou Mindfulness) é “uma 
prática”, “um estilo de vida” e “[...] não apenas uma boa ideia, uma técnica inteligente 
ou uma moda passageira.”
A Mindfulness, de acordo com Lambiase e Marino (2018, p. 17-18), pode ser conceituada, 
conforme o seguinte: 
[...] é uma estratégia e ao mesmo tempo uma conduta de vida que tem 
o objetivo de nos ajudar a entrar em contato, no aqui e agora, sem 
julgamentos, mas com aceitação e acolhimento, com a experiência que 
estamos tendo, qualquer que seja, boa ou desagradável, de nós mesmos 
ou dos outros, de algo animado ou inanimado.
Para compreender um pouco mais sobre o conceito de Mindfulness, assista os 
seguintes vídeos:
 » Diferença entre Mindfulness e meditação. Disponível em: https://
www.youtube.com/watch?v=hwNZPQoKGxo.
 » Quais as diferenças entre Mindfulness e meditação | Fabio Lima. 
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=CpiGfJMAsKk.
Benefícios do Mindfulness?
Vários são os benefícios do Mindfulness, conforme O’Morain (2015, p. 14-19) exemplifica:
 » Contribui para o processo de aceitação da realidade na qual o indivíduo 
se encontra.
 » Ajuda a lidar com a ira e o ressentimento.
 » Reduz o estresse e a ansiedade.
 » Aumenta a criatividade.
 » Colabora para a manutenção do foco.
 » Melhora o relacionamento entre as pessoas no lar.
 » Minimiza os riscos de depressão.
De modo geral, essa prática influencia no bem-estar, na saúde e na felicidade das 
pessoas. (WILLIAMS; PENMAN, 2015).
54
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
Como funciona o processo de Mindfulness?
Para ter atenção plena, ou estar plenamente no presente, são necessárias algumas 
práticas ou a adoção de alguns estilos de vida.
Bishop et al. (2004), citados por Lambiase e Marino (2018, p. 23), argumentam 
que a práticado Mindfulness é caracterizada por dois elementos que se interagem 
simultaneamente: “1. A capacidade, treinada, de prestar atenção ao momento presente 
(autorregulação da atenção) e o conjunto de práticas que tornam isso possível. 2. A 
atitude com a qual se faz o treino, sustentada por curiosidade, abertura e aceitação.”
A meditação é uma prática na qual a pessoa realiza um exercício mental e espiritual 
e que, de acordo com estudos levantados por Williams e Penman (2015), possibilita 
alguns benefícios: como a diminuição da ansiedade, estresse e depressão; redução de 
doenças graves; o fortalecimento do sistema imunológico, o combate à dependência de 
álcool e drogas, entre outros.
Demarzo (2016, p. 11) explica que a meditação pode ser conceituada “[...] como uma 
prática de integração mente-corpo baseada na vivência do momento presente, com 
consciência plena e não julgadora a cada instante.”
Cardoso et al. (2009), citados por Demarzo (2016, p. 11), definem a meditação segundo 
cinco parâmetros:
1. é um estado autoinduzido, autoaplicável; 
2. é um estado obtido por uma técnica específica, claramente definida; 
3. algum tipo de foco (âncora) é utilizado para evitar o envolvimento com as 
sequências de pensamento, sensações ou distrações; 
4. envolve “relaxamento da lógica”, ou seja, um estado de “não analisar”, 
“não julgar”, “não criar expectativa”; 
5. em algum ponto do processo, instala-se um relaxamento psicofísico, com 
relaxamento muscular mensurável
Goleman (1999) elucida que o efeito central da meditação é proporcionar ao corpo do 
indíviduo “[. . .] um repouso profundo, enquanto sua mente se mantém alerta. Isto 
faz baixar a pressão sanguínea e diminuir o ritmo do coração, ajudando seu corpo a se 
recuperar do estresse.”
55
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
Demarzo (2016, p. 16) aponta algumas indicações terapêuticas da meditação que é uma 
das práticas de Mindfulness: 
 » doença de Alzheimer; 
 » esclerose múltipla; 
 » sinusite crônica; 
 » HIV/AIDS;
 » herpes simples (prevenção de recorrências); 
 » hipertensão; 
 » doença arterial coronariana; 
 » arritmias; 
 » doenças cerebrovasculares; 
 » diabetes; 
 » refluxo gastresofágico/dispepsias; 
 » dor abdominal recorrente em crianças; 
 » fibriomialgia; 
 » fadiga crônica; 
 » artrite reumatoide; 
 » lombalgia crônica; 
 » psoríase; 
 » câncer de mama (redução da fadiga); 
 » câncer de mama (redução do estresse e ansiedade); 
 » pacientes terminais; 
 » abusos de substâncias e 
 » dependência de álcool.
56
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
A meditação é uma das alternativas que promovem e impulsionam um indivíduo a ter 
maior atenção, podendo alcançar com a prática um estado de maior foco e atenção 
plena.
É importante salientar que a meditação não é religião e não significa que a pessoa deve 
aceitar o inaceitável, contudo, é uma prática que permite uma maior clareza mental, ou 
seja, possibilita uma maior consciência por parte do indivíduo com relação à vida de um 
modo geral (WILLIAMS; PENMAN, 2015).
Lambiase e Marino (2018, p. 13) explicam que “[...] a mindfulness é uma técnica laica, 
que em si não é ligada a nenhuma religião ou tradição espiritual e, portanto, pode ser 
integrada a qualquer abordagem e visão da vida.”.
Williams e Penman (2015) esclarecem que “a meditação não implica aceitar o inaceitável, 
mas ver o mundo com clareza para ser capaz de tomar atitudes mais sábias para mudar 
o que precisa ser mudado.”
A meditação, segundo Goleman (1999), é “o treinamento sistemático da atenção [...] 
e tem como objetivo desenvolver a capacidade de concentração e enriquecer nossa 
percepção. Tem como principal efeito, segundo o autor, manter a mente em estado de 
alerta e descansar o corpo.
Mindfulness x Plasticidade Neural?
Conforme apontado anteriormente sobre a Neuroplasticidade, capítulo que trata dos 
“Neurotransmissores”, o nosso cérebro tem a capacidade de se modificar em resposta 
às influências ambientais que o cerca. 
Terzi et al. (2018, p. 209) explica que “todo esse “remodelamento” ocorre não apenas 
em reação a experiências com o mundo exterior, mas também ao mundo interior, aos 
nossos pensamentos.”.
Algumas informações importantes são apontadas por Terzi e outros autores em relação 
à plasticidade neural e os efeitos do mindfulness nesse processo.
Kandel (2013), citado por por Terzi et al. (2018, p. 209), por exemplo, defende o seguinte 
no que se refere à plasticidade neural.
A plasticidade neural acontece somente quando a mente está em 
atividade neuronal coordenada. É preciso fazer algum esforço para 
transformar o cérebro, estar atento e estar focado. Assim, ocorre uma 
57
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
mudança persistente na força e eficácia da sinapse, além de modificações 
morfológicas nos neurônios, redes neurais e estruturas cerebrais.
Também, conforme Tang (2015), citado por Terzi et al. (2018), relata, várias pesquisas/
estudos, ao investigarem os efeitos de mindfulness na plasticidade neural, apontaram 
alterações significativas no encéfalo humano no que se refere à memória, ao estresse 
e à empatia. As terapias baseadas em mindfulness (TBMs) têm tido impactos não 
somente nas atividades neurais, mas também na “[. . .] densidade de matéria cinzenta 
no hipocampo, área do cérebro responsável pela memória, orientação espacial e 
navegação.” (TANG, 2015 apud TERZI et al., 2018, p. 209).
Em imagens de ressonância magnética de indivíduos que realizaram TBMs, foram 
identificadas modificações no aumento das atividades neuronais, conforme enumeram 
os autores:
1. córtex pré-frontal, área associada com meta-awareness, atenção;
2. córtex insular, área associada com empatia e com consciência 
corporal; 
3. córtex cingulado anterior e medial, áreas associadas com autocontrole 
emocional e; 
4. fascículo longitudinal superior e corpo caloso, áreas envolvidas na 
comunicação intra e inter-hemisférica. 
Outro ponto relevante é que se observa uma down-regulation na área da amígdala, que 
está associada a respostas emocionais negativas (TANG, 2015 apud TERZI et al., 2018, 
pp. 209-210).
Assim, o Mindfulness mostra-se uma prática relevante no processo de plasticidade 
neural, conforme relato dos autores supracitados. E para conhecer um pouco mais 
sobre essa prática, Goleman (1999) aponta quatro técnicas de meditação: meditar 
respirando; meditar relaxando o corpo, meditar concentrado e meditar caminhando, 
conforme quadro seguinte:
58
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
Quadro 5. Técnicas de meditação
Técnica Descrição
Meditar respirando
É a prática da meditação em que uma pessoa permance numa posição confortável e que se sinta relaxada, mas não 
para adormecer. Nesse tipo de meditação, deve-se prestar atenção na respiração e em todas as sensações ligadas ao 
ato de respirar, como, por exemplo, o fluxo da entrada e saída de ar das narinas, do movimento do ar, da velocidade 
da respiração (rápida ou lenta). Se o indivíduo percerber que a mente dispersou, ou divagou, durante o processo 
meditativo (distrações com pensar, planejar, lembrar, entre outras sensações) deve trazer a sua atenção suavemente de 
volta à respiração. 
Meditar relaxando o 
corpo
É o tipo de meditação em que se trabalha a atenção das partes do corpo, isto é, examina-se o corpo por meio 
da mente. A pessoa deve se sentar ou deitar em um local confortável, fechar os olhos, e posteriormente voltar a 
sua atenção para cada parte do seu corpo (examinar as sensações das regiões do corpo) como, por exemplo, na 
sequência seguinte: 1) olho esquerdo e respectivas regiões ao redor desse lado do olho (sobrancelhas; pápebra, 
músculos em torno do olho); 2) olho direito e respectivas regiões ao redor deste lado do olho; 3) nariz e narinas; 
4) região do lado esquerdo do rosto e maxilar; 5) região do lado direito do rosto e maxilar; 6) boca (lábio superior 
e inferior, língua); 7) regiãodo pescoço, da garganta até a coluna vertebral nas costas; 8) ombro direito e região; 
9 cotovelo direito ao pulso; 10) mão direita e palma da mão, polegar; 11) ombro esquerdo e região; 12) cotovelo 
esquerdo ao pulso; 13) mão esquerda e palma da mão, polegar; 14) alto das costas, posteriormente abaixo do 
pescoço, pecorrendo toda a coluna vertebral; 15) pescoço até o ventre, inspirando e expirando e sentindo o abdômen 
subir e descer; 16) virilha e região pélvica; 17) perna direita toda (coxa, joelho, canela, panturrilha, pé, palma do pé); 
18) perna esquerda toda (coxa, joelho, canela, panturrilha, pé, palma do pé).
Após percorrer todas as partes do corpo, examinar todo o corpo novamente e tomar consciência da sensação da 
leveza e liberdade do relaxamento realizado. Permanecer por alguns minutos em paz, posteriormente abrir os olhos. 
O objetivo desse tipo de meditação é promover o relaxamento dos músculos do corpo por meio da observação das 
sensações e do desbloqueio das tensões.
Meditar concentrando
É a prática da meditação em que o indivíduo desvia a atenção da respiração e permite que os pensamentos venham 
até a sua mente e dela num processo de aceitação, ou seja, deixar fluir naturalmente os pensamentos e quando eles 
desaparecem, retornar a sua atenção para a sua respiração. Nesse sentido, a pessoa desenvolve a percepção e, assim, 
permance presente no momento em que se está vivendo. Para esse tipo de meditação, é necessário sentar em uma 
posição confortável, fechar os olhos e prestar atenção na respiração (sem controlá-la, deixando-a no seu fluxo natural) 
e quando finalizar o processo, abrir os olhos e permitir levar a leveza da concentração.
Meditar caminhando
É o tipo de meditação em que o indivíduo deve focar sua atenção nas sensações do corpo ao caminhar. A pessoa 
deve também estar atenta à respiração.
 
Fonte: adaptado de Goleman, 1999.
Além disso, para aqueles que não gostam de realizar a meditação, outras opções podem 
ser colocadas para que se possa alcançar o estado de atenção plena, como, por exemplo: 
exercícios de respiração (que podem também ser feitos antes da meditação); escutar, 
ter empatia, entre outros.
Também, exercícios informais podem ser praticados para desenvolver o mindfulness, 
“atividades cotidianas, como escovar os dentes, atender ao telefone, fazer limpeza ou 
fazer anotações, podem ser aproveitadas como oportunidades de treinar a atenção 
plena [...]”. (VANDENBERGHE; VALADAO, 2013, p. 132).
59
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
Clínicos da área comportamental têm se interessado, cada vez mais, sobre 
terapias alternativas que auxiliam os pacientes a superarem suas dificuldades 
comportamentais, a terem um melhor desempenho e a curarem o estresse, 
entre outras doenças da sociedade contemporânea. Sendo assim, temos um 
artigo super interessante para que possa ampliar o seu conhecimento sobre a 
prática de mindfulness, aproveite este momento, dê uma pausa e leia o artigo, 
conforme resumo a seguir:
Síntese do artigo: 
O presente artigo aborda um conceito com origem nas práticas 
meditativas orientais, que passou a fazer parte da medicina 
comportamental a partir dos programas de redução de estresse 
de Kabat-Zinn. Mindfulness é definida como uma forma específica 
de atenção plena – concentração no momento atual, intencional, 
e sem julgamento. Significa estar plenamente em contato com a 
vivência do momento, sem estar absorvido por ela. Só durante a 
década passada ganhou destaque nas literaturas comportamentais 
e cognitivas, enquanto anteriormente estava implicitamente 
presente nas práticas clínicas destas tradições. O artigo apresenta 
Mindfulness da forma em que é praticada em diferentes terapias 
contemporâneas. Discute-se ainda, as possibilidades terapêuticas 
que este conceito traz a partir de diferentes perspectivas teóricas. 
(VANDENBERGHE; SOUSA, 2006, p. 35).
Link do artigo: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-
56872006000100004&lng=pt&nrm=iso
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872006000100004&lng=pt&nrm=iso
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CAPÍTULO 3
Neurociência e processos psicológicos 
básicos
Ter uma boa memória é um dos assuntos mais comentados por estudiosos e interessados 
pelo tema. Estudar o que é memória, os tipos e como funciona a codificação, o 
armazenamento e a recuperação desta é fundamental para que se compreenda os 
mecanismos do encéfalo envolvidos em todo processo que envolve a memória.
Memória: conceitos, tipos, codificação, 
armazenamento e recuperação
Assimilar, guardar, resgatar informações e lembranças a partir de nosso cérebro é uma 
das potenciais capacidades que o ser humano tem para utilizar em seu dia a dia; seja 
para contar uma história; seja para se comunicar na escola, no trabalho ou em tipos 
de socializações no qual fazemos parte. No entanto, se a memória for comprometida, 
por exemplo, por acidentes, cirurgias, lesões cerebrais ou devido a fatores genéticos, o 
indivíduo poderá ter amnésias ou outros tipos de distúrbios relacionados à memória. 
Dessa maneira, é fundamental saber, em um momento inicial, o significado de memória, 
as fases em que a memória é contemplada, os tipos de memória.
A memória pode ser conceituada como “[...] a capacidade do sistema nervoso de 
manter e recuperar habilidades e conhecimentos. Essa capacidade possibilita que 
os indivíduos levem informações de experiências e armazenem-nas para posterior 
recuperaçao”. (GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018, p. 266).
Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 726) distinguem aprendizado de memória e defendem 
o seguinte em relação aos termos: “aprendizado é a aquisição de novas informações 
ou novos conhecimentos. Memória é a retenção da informação aprendida.”
Quanto ao modelo de processamento de informações da mente, este é contemplado 
por algumas fases semelhantes ao processamento da memória de um computador: 
a) codificação, b) armazenamento e c) recuperação. (GAZZANIGA; HEATHERTON; 
HALPERN, 2018). As fases são descritas a seguir:
a. Fase de codificação: ocorre no momento da aprendizagem, conforme a 
informação é transformada em um formato que pode ser armazenado 
na memória. Isto é, o cérebro transforma a informação em um código 
61
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
neural que ele é capaz de utilizar. Considere o processo de ler. Na fase 
de codificação, o seu cérebro converte os estímulos sensoriais na página 
em códigos neurais significativos. (GAZZANIGA; HEATHERTON; 
HALPERN, 2018, p. 267).
b. Fase de armazenamento: é a retenção da representação codificada. Isto 
é, uma mudança em seu sistema nervoso registra o que você acabou 
de experimentar, mantendo-o como um evento memorável. Então, 
enquanto você lê, seu cérebro é alterado. Conexões neurais que apoiam 
a memória se tornam mais fortes e novas sinapses são construídas 
(MILLER, 2005 apud GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018, 
p. 267). Esse processo é conhecido como consolidação neural. Por meio 
da consolidação, a informação codificada é guardada na memória. 
(GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018, p. 267).
c. Fase de recuperação: essa fase consiste em procurar as memórias 
armazenadas a fim de encontrar e trazer à mente quando for necessário 
uma memória previamente codificada e armazenada. (GAZZANIGA; 
HEATHERTON; HALPERN, 2018, p. 267).
Quanto aos tipos de memória, estas podem ser: declarativas e não declarativas (BEAR; 
CONNORS; PARADISO, 2008), bem como poderão ser sensorial, de curto prazo e de 
longo prazo, de acordo com Richard Atkinson e Richard Shiffrin (1968) citados por 
Gazzaniga, Heatherton e Halpern (2018).
Outro tipo de memória citada pelos estudiosos é a memória de trabalho, a qual será 
descrita e explicada posteriormente neste tópico. (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008; 
BADDELEY, 2002; BADDELEY; HITCH, 1974 apud GAZZANIGA; HEATHERTON;HALPERN, 2018).
A memória declarativa é a memória para lembrança de “fatos e eventos”. 
Essas memórias “[...] estão disponíveis para evocação consciente [recordar, relembrar]” 
e estão representadas no “lobo temporal medial; diencéfalo”, conforme definem Bear, 
Connors e Paradiso (2008, p. 726-727).Esse tipo de memória é denominado por 
Sternberg (2000) como ‘memória explícita’, que é a recordação consciente de fatos, 
imagens, vocábulos ou outros tipos de lembranças quaisquer.
A memória não declarativa é classificada em distintas categorias e uma dessas é a 
memória de procedimentos, que é a memória voltada para habilidades comportamentais 
e práticas ou rotinas do dia a dia, como jogar futebol, tocar instrumentos musicais, 
entre outras habilidades aprendidas ao longo e no contexto de vida. (BEAR; CONNORS, 
62
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
PARADISO, 2008). A memória de procedimento é designada também como ‘memória 
implícita’, “na qual a realização da tarefa é auxiliada pelas experiências interiores que, 
inconscientemente e sem intenção, tentamos rememorar.” (SCHACTER; GRAF, 1986a, 
1986b apud STERNBERG, 2000, pp. 206-207).
Em suma, “as memórias declarativas [ou explícitas] estão disponíveis para evocação 
consciente, e as memórias não declarativas [ou implícitas] não estão.” Fundamental 
frisar que “as memórias declarativas são frequentemente fáceis de formar e também 
são facilmente esquecidas.” (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008, p. 727). O contrário 
ocorre com as memórias implícitas que geralmente têm uma hipótese menor de ser 
olvidada. As memórias implícitas requerem a prática e a repetição e são decorrentes das 
atividades, tarefas e habilidades aprendidas pelo indivíduo por meio de sua experiência. 
(BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
No entanto, existem outros tipos de memória, conforme apontado anteriormente, e que 
serão descritas a seguir:
A memória sensorial é a memória “capaz de estocar quantidades relativamente 
limitadas de informação por períodos de tempo muito breves.” (STERNBERG, 2000, 
p. 209). Está relacionada aos sistemas sensoriais, sua durabilidade é de frações de 
segundo e está subdivida em memória sensorial visual, nomeada como memória 
icônica, e memória sensorial auditiva, que é chamada ‘memória ecoica’. (GAZZANIGA; 
HEATHERTON; HALPERN, 2018). A memória icônica está relacionada a um 
armazenamento icônico, ou seja, um registro sensorial realizado à parte para que sejam 
armazenadas imagens, em forma de ícones, e de modo completamente transitório. Um 
exemplo é quando se escreve nomes com fogos de artíficio. Nesta situação, a pessoa 
visualiza rapidamente o nome e rapidamente a informação desaparece. (STERNBERG, 
2000). Gazzaniga, Heatherton e Halpern (2018, p. 272) esclarecem o seguinte em 
relação à memória sensorial:
Os nossos sistemas sensoriais transformam, ou alteram, as informações 
em impulsos neurais. Tudo o que lembramos é, portanto, resultado 
de neurônios disparando no cérebro. Por exemplo, a memória de 
uma visão ou de um som é criada por intricados padrões de atividade 
neuronal no cérebro. A memória sensorial ocorre quando uma luz, um 
som, um odor, um sabor ou impressão tátil deixa um rastro evanescente 
no sistema nervoso por uma fração de segundo.
A memoria de curto prazo é a memória que “armazena informações por 
períodos mais longos” do que a memória sensorial, porém é de “capacidade 
relativamente limitada”. (STERNBERG, 2000, p. 209). As memórias de curto 
63
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
prazo são aquelas facilmente esquecidas, que podem durar segundos, horas ou alguns 
dias. Podem ser afetadas por traumatismos e outras perturbações. (BEAR; CONNORS, 
PARADISO, 2008).
A memória de longo prazo é um tipo de memória mais duradoura, que pode 
ser mantida por dias, meses, anos e pode ser recordada a qualquer momento. Nesse 
tipo de memória, pode-se lembrar de datas, fatos e eventos marcantes ocorridos em 
um passado remoto. A memória de longo prazo passa por um processo denominado 
consolidação para que fique gravada quando advém da memória de curto prazo. Porém, 
não necessariamente as informações da memória de longo prazo passam primeiramente 
pelas de curto prazo. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
Figura 13. Três Sistemas de Memória.
 
 
Input 
Sensorial 
1 
Memória 
sensorial: 
Informação 
automática é 
perdida. 
2 
Memória de 
curto prazo: 
Informações não 
ensaiadas são 
perdidas. 
3 
Memória de 
longo prazo: 
Informações não 
ensaiadas são 
perdidas. 
Atenção Codificação 
Ensaio para 
manutenção 
Recuperação 
Fonte: adaptada de Gazzaniga, Heatherton e Halpern, 2018, p. 272. 
A memória de trabalho “é uma forma temporária de armazenamento da informação, 
de capacidade limitada, e que exige repetição/ensaio para ser conservada, mesmo que 
por pouco tempo.” (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008, p. 729). Em meados de 
1960, cientistas e pesquisadores reconheceram que existem diversos tipos de memória 
e, dentre elas, está a memória de trabalho. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
Além disso, é primordial abordar um assunto que está relacionado à memória, a 
amnésia.
No dia a dia, o recebimento de informações e aprendizados é tão comum quanto o 
esquecimento, afinal não se guardam todas as informações recebidas. Porém, algumas 
lesões cerebrais ou enfermidades podem causar um efeito chamado amnésia, que seria 
uma perda de memória grave ou perda da capacidade de aprender. (BEAR; CONNORS, 
PARADISO, 2008). Algumas amnésias podem estas associadas ao consumo excessivo 
de álcool, concussão, acidente vascular cerebral, tumor cerebral, encefalite e traumas. 
Também, pode ser acompanhada por déficit cognitivo ou não. No caso de a amnésia vir 
64
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
sem acompanhamento de déficit cognitivo é denominada amnésia dissociada. (BEAR; 
CONNORS, PARADISO, 2008).
A amnésia pode ocorrer de duas maneiras: amnésia retrógrada e amnésia anterógrada. 
A primeira pode ser descrita pela perda de memória antes do trauma ou evento, ou seja, 
esquece o que já se sabia. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008). Em alguns casos mais 
delicados ou graves, a perda de memória pode ser de tudo que o indivíduo sabia antes 
do trauma ou evento. Mas a memória se torna mais forte com as informações guardadas 
a mais tempo. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008). No segundo caso, amnésia 
anterógrada, ocorre a perda de capacidade de formar nova memória a partir do evento 
ou trauma. Esse tipo de amnésia pode tanto levar o indivíduo a ter um aprendizado 
lento como também inviabilizar definitivamente nova formação da memória. (BEAR; 
CONNORS, PARADISO, 2008).
Outro tipo de amnésia é a global transitória em que a perda de memória é momentânea, 
durando minutos ou poucos dias. Pode ser acompanhada de uma amnésia retrógrada 
de fatos mais recentes. Nesse tipo de amnésia, a memória de trabalho não é afetada. 
Porém a fala fica desorientada e ocorre a repetição de falas. Pode ser desencadeada 
por eventos como traumas, isquemia cerebral, concussão craniana, convulsões, banho 
frio, estresse físico, drogas, atividade sexual ou fatores que afetam o fluxo sanguíneo 
cerebral. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
Estudamos conceitos, tipos e fases da memória, bem como as bases neurais 
da memória. Um assunto curioso relacionado a esse tema são as amnésias, 
as quais são causadas por fatores diversos e que são campo de estudo da 
neuropsicologia. Sendo assim, pare um pouquinho e leia um artigo bastante 
relevante que envolve os tipos de amnésia e as estruturas cerebrais envolvidas 
- tema de suma importância da relação da Neurociência com a Memória. Vamos 
lá! Veja o resumo do artigo:
A síndrome amésica do lobo temporal medial tem por característica 
básica uma severa amnésia anterógrada, eventualmente 
acompanhada de amnésia retrógrada. Seus efeitos não se 
restringem a uma modalidade sensorial ou qualidade material. 
Outras capacidades cognitivas, memóriaimediata, assim como a 
capacidade de aprender e reter tarefas que não exijam a lembrança 
de eventos específicos, permanecem intactas. Uma das estruturas 
críticas envolvidas é o hipocampo. Na amnésia de Korsakoff há 
lesões talâmicas e dos corpos mamilares, mas a destruição de 
conexões destas estruturas pode ser também importante. Tanto 
na amnésia do lobo temporal medial, como em Korsakoff é afetada 
65
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
a memória declarativa (ou explícita) mas não a de procedimento 
(ou implícita). Estruturas cerebrais que embasam a memória 
implícita ainda não foram identificadas de todo. O estriado pode 
estar envolvido; o efeito de pré-ativação possivelmente ocorre no 
neocórtex; o papel do cerebelo no condicionamento clássico de 
respostas motoras foi demonstrado. (OLIVEIRA; BUENO, 1993, p. 
117).
Link do artigo para leitura:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51771993000100006&lng=p
t&nrm=iso. Acesso em: 22 ago. 2019.
Bases neurais das memórias
Figura 14. Regiões do Cérebro associados à memória.
 
 
Hipocampo: 
memória espacial 
Córtex pré-frontal: 
memória de trabalho 
Lobo temporal: 
memória declarativa 
Amígdala: 
aprendizagem 
do medo 
Cerebelo: aprendizagem 
de ação motora e memória 
Fonte: Gazzaniga, Heatherton e Halpern, 2018, p. 268.
Gazzaniga, Heatherton e Halpen (2018, p. 271, grifo nosso) explicam que “a memória 
está distribuída por muitas áreas do cérebro, incluindo o hipocampo, o lobo temporal 
medial e as áreas sensitivas corticais.”
Partes do cérebro são ativadas quando determinados assuntos chamam a atenção de 
uma pessoa. Uma pessoa perita em fotografias, por exemplo, ativará o córtex visual 
muito mais quando visualiza uma fotografia do que outra pessoa que não é especialista 
no ramo. Isso pode ser visualizado por uma ressonância magnética. (BEAR; CONNORS, 
PARADISO, 2008).
Karl Lashley (1950) passou grande parte de sua vida analisando e estudando onde a 
memória estaria “guardada” ou o local no cérebro onde primordialmente ela estaria 
localizada. Para determinar esse lugar, utilizou a palavra engrama, referindo-se ao local 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51771993000100006&lng=pt&nrm=iso
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51771993000100006&lng=pt&nrm=iso
66
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
físico onde estaria a memória. (LASHLEY, 1950 apud GAZZANIGA; HEATHERTON; 
HALPERN, 2018).
Já o psicólogo Donald Hebb (1949) alegou, de acordo com seus estudos, que a memória 
está armazenada em todo o cérebro, oriunda de conexões sinápticas e ligada por circuitos 
de memória. (HEBB, 1949 apud GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018).
A ‘memória’ não é contemplada somente em uma parte do cérebro, mas em diversas 
partes, tanto que se alguma parte for danificada ou perdida não se perde totalmente a 
memória. O neocórtex do lobo temporal, de acordo com alguns estudos, foi sugerido 
como principal fonte da memória. Porém, outras investigações sobre o tema contestaram 
esta tese e propuseram que, uma vez retirada a porção estimulada do lobo temporal, as 
memórias que haviam sido estimuladas naquela área, podiam ser estimuladas em outro 
local. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
Quanto à memória declarativa e não declarativa, Bear, Connors e Paradiso (2008) 
apontam as seguintes considerações:
No lobo temporal medial, um grupo de estruturas interconectadas 
parece ser de grande importância para a consolidação da memória 
declarativa. As estruturas chave são o hipocampo, as áreas corticais 
próximas e as vias que conectam essas estruturas com outras partes do 
encéfalo. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008, p. 740, grifo nosso).
[...]
As bases neurais da memória não-declarativa são complexas, 
porque diferentes tipos parecem envolver diferentes estruturas do 
encéfalo. Acredita-se que diferentes estruturas do encéfalo estejam 
envolvidas em diferentes tipos de memória não-declarativa. (BEAR; 
CONNORS, PARADISO, 2008, p. 751, grifo nosso). 
Outra região do encéfalo associada à memória e, consequentemente, à amnésia, é o 
diencéfalo. “As três regiões do diencéfalo implicadas no processamento da memória 
de reconhecimento são os núcleos anterior e dorsomedial, no tálamo, e os corpos 
mamilares, no hipotálamo.”(BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008, p. 743).
Consciência 
O estado de consciência está associado às atividades cerebrais. Um indivíduo pode estar 
consciente ainda que aparentemente possa não parecer, como é o caso de pessoas com 
algum tipo de deficiência ou distúrbio, bem como aquelas pessoas que possam estar 
67
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
em estado de coma. Nesse sentido, são fundamentais algumas questões. Mas, afinal, 
o que é consciência? Quais são as suas funções e as bases neurobiológicas envolvidas? 
Quais sãos os processos conscientes e inconscientes? Como se desenvolve a consciência 
e os distintos estados mentais? Veremos neste tópico um pouco desse assunto tão 
interessante, o que será de grande valor para a nossa aprendizagem.
Figura 15. Consciência.
Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/homem-perfil-pr%C3%A1tica-mente-1000784/. Acesso em: 14 maio 2019.
Consciência pode ser definida como “as distintas experiências subjetivas do indivíduo 
seja no prestar atenção ao seu contexto de vida ou uma situação momentânea; seja no 
ter a noção ou a percepção de que possa estar pensando ou sentindo ou seja por meio 
de reflexão ou raciocínio sobre o que possa o indivíduo estar pensamento em certo 
instante”. (GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018).
Pode ser compreendida também de acordo com Rosa (2014, p. 69) como “lucidez; 
faculdade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados; conhecimento, noção; 
ideia; senso de responsabilidade; honestidade, retidão, probidade.”
No entanto, muitas vezes o ser humano não tem consciência de determinadas 
operações cerebrais que o próprio sistema nervoso realiza, por exemplo, o controle da 
temperatura corporal e da respiração consoante as distintas necessidades que a pessoa 
pode ter. Também, de modo inconsciente, muitas vezes recorda certos fatos de sua 
experiência de vida e, portanto, ativida a memória ainda não consciente. (GAZZANIGA; 
HEATHERTON; HALPERN, 2018).
https://pixabay.com/pt/illustrations/homem-perfil-pr%C3%A1tica-mente-1000784/
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UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
Figura 16. Áreas de Consciência.
 
 
Lobo 
pariental: 
“Tenho 
consciencia 
do espaço.” 
Córtex frontal 
motor: “Sou 
todo movimento.” 
Córtex pré-frontal 
motor: “Eu 
compreendo 
planos.” 
Lobo occipital: 
“Vejo coisas.” 
Lobo temporal: 
“Ouço coisas.” 
Fonte: Gazzaniga, Heatherton e Halpern, 2018, p. 140.
Quanto às funções da consciência, estas servem para definir o modo como o 
ser humano assimila os eventos e experiências, podendo ser citadas as seguintes: 
pensamento, sentimento, sensação e intuição. (GAZZANIGA; HEATHERTON; 
HALPERN, 2018).
Quando se utilizam as funções da consciência, pode-se analisar sistematicamente 
as experiências e os eventos, como a existência de um objeto ou situação qualquer 
(sensação). Pode-se distinguir o objeto ou, por exemplo, uma determinada situação 
de outra qualquer por meio do pensamento. Ainda, é possível ter a discricionariedade 
de saber se o objeto ou a situação pode ser perigosa ou não (sentimento) e, também, 
saber a sua origem e o seu destino final (intuição). (GAZZANIGA; HEATHERTON; 
HALPERN, 2018).
Bases neurobiológicas da consciência 
Uso de drogas
Algumas pessoas fazem uso de drogas que alteram seus estados mentais de 
diversas maneiras. O estado mental, conforme o tipo de droga, pode ser alterado 
momentaneamente ou por longo período, o que poderá levar a graves lesões ou até à 
morte. (GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018).
Existem duas situações em relação ao consumo das ‘drogas’. Se a utilização for mediante 
prescriçãode profissional e para fins específicos, elas atenuam dores, depressões, 
melhoram a sensação de conforto pessoal, entre outros benefícios. Contudo, se 
consumidas substâncias ilícitas, drogas sociais como álcool e fumo ou drogas para fins 
69
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
medicinais, mas com outras finalidades, elas podem trazer sérios problemas à saúde 
das pessoas. (GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018).
Algumas drogas alteram significativamente o estado de consciência das pessoas que as 
consomem, bem como causam dependência química. (GAZZANIGA; HEATHERTON; 
HALPERN, 2018).
Hipnose
A hipnose pode ser entendida como “[... ] uma interação social durante a qual uma 
pessoa, respondendo a sugestões, vivencia alterações de memória, percepção e/ou 
ação voluntária.” (KIHLSTROM, 1985; KIHLSTROM; EICH, 1994 apud GAZZANIGA; 
HEATHERTON; HALPERN, 2018, p. 155).
De um modo geral, há uma consonância entre os psicólogos de que a hipnose prejudica 
alguns indivíduos. Porém, outros profissionais dessa mesma área discordam de que ela 
possa afetar ou alterar o estado de consciência. (JAMIESON, 2007 apud GAZZANIGA; 
HEATHERTON; HALPERN, 2018).
Sono e sonho 
O sono é uma alteração no estado de consciência em que a pessoa dorme e perde 
contato com o mundo externo. O sono tem cinco estágios que são associados a padrões 
únicos de atividades elétricas no cérebro e que podem ser lidos por meio da EGG 
(Eletrencefalografia). (GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018).
A função do sono é restaurar o cérebro das atividades metabólicas desenvolvidas 
durante um período. O indivíduo que não dorme perde a capacidade cognitiva, bem 
como fica sujeito a enfermidades. (GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018).
Já os sonhos ocorrem nos sonos REM [Rapid Eye Movement – movimento rápido 
dos olhos] e não REM. Os primeiros [REM] são mais “fantasias” e os segundos [não 
REM], mais “realistas”. As diferenças de sonos ocorrem pela ativação ou desativação de 
diferentes estruturas cerebrais durante os tipos de sono. (GAZZANIGA; HEATHERTON; 
HALPERN, 2018).
Sensação e percepção 
Sistemas sensoriais, recepção e transdução 
A percepção do mundo e de certos aspectos e informações do meio orgânico interno 
depende dos sistemas sensoriais, que alimentam o sistema nervoso central. 
70
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
Os receptores sensoriais são os elementos principais do sistema sensorial. Tais 
receptores são uma espécie de ligação entre os meios ambiente e orgânico interno e o 
sistema nervoso central. 
Em muitas situações as informações captadas pelos sensores são levadas ao sistema 
nervoso central, ajudam no ajuste do ambiente orgânico, sem chegar ao nível de 
consciência, ou seja, sem sentirmos quaisquer sinais desta função. É nessa ligação que 
ocorre o processo de transdução sensorial, na qual a energia transmissora da informação 
transforma-se em outra energia que o sistema nervoso central utiliza, guardando esta 
informação no sistema neural. (LENT, 2008).
Existem diversos sistemas sensoriais e cada um deles tem suas particularidades de 
cunho funcional, morfológico e moleculares. O funcionamento dos sistemas sensoriais 
como um todo garante uma melhor adaptação a todas as situações. (LENT, 2008).
Organização perceptiva: percepção da forma, 
profundidade e movimento 
Para que todas as informações captadas pelo sistema sensorial cheguem ao sistema 
nervoso central, havendo a transdução sensorial neste caminho, utilizam-se, na maioria 
das vezes, os“sentidos”, ou seja, a visão, a olfação, o paladar ou gustação, o tato sensitivo 
ou somestesia, a audição e o equilíbrio. (LENT, 2008).
A visão
Lent (2008, p. 141) explica que “as vias visuais, assim como as demais vias sensoriais, 
caracterizam-se pela sua organização ao mesmo tempo, paralela, hierárquica e 
distribuída.” Inicialmente, pode parecer conflitante a coexistência desses princípios 
estruturais, porém a sequência de operações neurais torna lógica a organização. (LENT, 
2008).
A informação recebida visualmente é transmitida ao longo da retina e processada 
em duas estações sinápticas, as camadas plexiformes externa e interna, chegando as 
informações ao sistema nervoso central por meio de numerosos neurônios. Por meio da 
retina humana, recebemos informações necessárias para as funções visuais conscientes 
de forma, cor, movimento, profundidade. (LENT, 2008).
71
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
A olfação
Os humanos têm sensibilidade às substâncias químicas por meio da olfação, da gustação 
e até por semestesia (tato). A olfação tem papel relevante na interação do indivíduo com 
o meio ambiente. (LENT, 2008).
Muito embora a olfação possa ser importante para diversas funções fundamentais como 
alimentação, acasalamento e situação ambiental, entre outras, tais funções são menos 
afetadas pela olfação e mais pela consciência. (LENT, 2008).
As células receptoras são neurônios quimiorreceptores olfatórios localizados na cavidade 
nasal. Tanto na olfação quanto na gustação, para saber os sabores doce e amargo, a 
interação entre o estímulo químico e a célula sensorial ocorre em uma proteína da 
membrana plasmática. (LENT, 2008).
As informações recebidas são processadas pelo sistema nervoso central de tal forma 
que podemos reconhecer que a substância possa ser agradável ou nociva à saúde, no 
ambiente que se encontra. (LENT, 2008).
A gustação
O sistema sensorial gustativo tem papel primordial na alimentação, uma vez que suas 
informações, transmitidas ao cérebro, atribuem diferentes sabores às substâncias 
químicas que são utilizadas na composição dos alimentos, ajudando a distinguir os 
benéficos à saúde dos que podem ser perigosos. (LENT, 2008).
Os seres humanos podem identificar cinco tipos de substâncias pela gustação, todas 
pertencentes a grupos químicos diferentes: “[...] doce (açucares), amargo (alcaloides), 
umami ou delicioso (aminoácidos), salgado (sais) e azedo (ácidos).”(LENT, 2008, p. 
148).
A quimiotransdução gustativa é feita em estruturas especializadas chamadas 
corpúsculos gustativos, os quais se encontram nas papilas linguais ou na mucosa do 
palato, da faringe, da epiglote e do esôfago proximal. (LENT, 2008).
A audição
O sistema sensorial auditivo, e a fonação, tem papel fundamental para a comunicação 
entre indivíduos, servindo, também, para localizar outras fontes sonoras no ambiente. 
(LENT, 2008).
72
UNIDADE II │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
A variação energética da onda sonora que constitui o estímulo acústico é recebida pelas 
células mecanoreceptíveis por meio de um aparelho complexo que filtra, amplifica e 
ajusta a estimulação das células sensoriais. Tais estruturas estão distribuídas nas 
orelhas externa, média e interna. (LENT, 2008).
A faixa acústica percebida pelos humanos fica ente 20 e 20.000 Hertz. (LENT, 2008).
Os mecanorreceptores da audição são as células ciliadas do órgão espiral Corti, situado 
no interior da cóclea, onde também se processa a mecanotransdução, para o envio da 
informação recebida ao cérebro. (LENT, 2008).
O equilíbrio
Lent (2008, p. 158) explica e descreve o seguinte em relação à orelha interna e à cóclea:
A orelha interna é sede de dois órgãos dos sentidos. A cóclea onde estão 
localizados os mecanorreceptores auditivos e o aparelho vestibular, 
onde estão localizados os mecanorreceptores do equilíbrio. Estes 
últimos são células ciliadas, muito semelhantes aquela da cóclea.
Os estímulos recebidos por essas células ciliadas são acelerações lineares e angulares 
que atuam sobre a cabeça do indivíduo. O mecanismo de transdução é semelhante ao 
da audição. (LENT, 2008).
O sistema sensorial vestibular envia ao sistema nervoso central a informação sobre a 
direção da gravidade e sobre o movimento da cabeça. Essa informação é combinada 
com visual e sinestésica, gerando a percepção que o indivíduo tem sobre seu corpo e 
as forças que atuam nele, bem como sobre uma parte do corpoem relação às outras. 
(LENT, 2008).
A somestesia
Os seres humanos possuem diversos sensores espalhados por todo corpo, o que envia 
várias informações ao sistema nervoso central. Esses receptores, suas vias e seus centros, 
constituem o sistema sensorial somático ou sistema somestésico. (LENT, 2008).
Diversos são os receptores somestésicos, bem como sua classificação para efeito de 
sistematização. Os receptores somestésicos são classificados de acordo com a forma 
de estimulação em mecanorreceptores, termorreceptores, quimiorreceptores e 
nocirreceptores. Esses receptores podem estar voltados tanto para o mundo externo 
(ambiente) quanto para o interno, ou seja, para o próprio corpo do indivíduo. Os 
receptores direcionados para o mundo externo estão posicionados, em grande parte, na 
73
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS │ UNIDADE II
pele, articulações, tendões e músculos, levando informações do ambiente e da posição 
corporal do indivíduo (sentado, em pé, frio, calor, dor, toque, osmolaridade, feromônios, 
entre outros). Já os receptores somestésicos internos recebem informações da condição 
fisiológica do corpo e do controle homeostático do organismo (LENT, 2008).
O receptores simestésicos atuam de diversas formas, assim, procedem à transdução das 
informações levadas ao sistema nervoso central. (LENT, 2008).
74
UNIDADE IIINEUROCIÊNCIA DA 
LINGUAGEM
CAPÍTULO 1
Perspectiva histórica dos estudos em 
neurolinguística
Neste capítulo, iremos estudar um pouco sobre a perspectiva histórica da 
Neurolinguística. Aprender sobre os fatos que se decorreram no contexto histórico da 
linguagem e da neurociência é essencial. 
Contexto histórico da neurolinguística
Figura 17. Gramática Antiga da Língua Portuguesa de João de Barros.
Fonte: http://arquivohistoricomadeira.blogspot.com/2009/10/grammatica-da-lingua-portuguesa-joao-de.html. 
Acesso em: 9 maio 2019.
Sampaio, França e Maia (2015, p. 230) relatam que “até meados do século XIX, os 
estudos da linguagem e os estudos da mente e do cérebro eram vistos como áreas 
incompatíveis e de naturezas distintas nas discussões acadêmicas.” Bear, Connors 
http://arquivohistoricomadeira.blogspot.com/2009/10/grammatica-da-lingua-portuguesa-joao-de.html
75
NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM │ UNIDADE III
e Paradiso (2008, p. 618) explanam que foi “[...] somente no século XX é que houve 
um razoável desenvolvimento em nossa compreensão da relação entre linguagem e 
encéfalo.”
Anteriormente à era clássica, “a preocupação com a Linguagem era de cunho 
basicamente prático, através de debates sobre as partes do discurso filosófico e também 
sobre a natureza dos conceitos e das palavras por eles utilizadas.” (MATILAL 1990; 
GANERI, 1999; FLOOD 2003 apud SAMPAIO; FRANÇA; MAIA, 2015, p. 233).
No período do império grego e romano, lesões no cérebro que prejudicavam a fala eram 
tratadas com métodos convencionais e alternativos, por exemplo, ‘o gargarejo’, uma vez 
que se pensava que os distúrbios originados no encéfalo eram provenientes da língua 
(da boca) e não de regiões que envolviam o sistema nervoso do ser humano. (BEAR; 
CONNORS; PARADISO, 2008).
No fim da Idade Média, Larson (2010), citado por Sampaio, França e Maia (2015, p. 
233), descreve o seguinte:
[...] o estudo da Gramática compunha o chamado trivium, ao lado da 
Lógica e da Retórica, parte integrante do currículo escolar do período, 
em que o Grego e o Latim eram considerados línguas especiais, cujo 
estudo deveria contribuir para cultivo da clareza de expressão, mas, 
principalmente para o desenvolvimento do pensamento lógico e 
coerente.
Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 618) narram que, no período do século XVI, era 
observado que “[...] uma pessoa poderia sofrer um prejuízo da fala sem a paralisia da 
língua. Apesar desse avanço, no entanto, os tratamentos ainda incluíam procedimentos 
como cortar a língua, retirar sangue e aplicar sanguessugas.”
Também, em torno de 1770, século XVIII, foi publicada uma teoria sobre uma doença 
denominada afasia (veremos este tema nos próximos itens deste material), que 
interfere na função da fala oral e que o indivíduo perde a “[...] capacidade e associação 
de imagens ou ideias abstratas a seus símbos verbais de expressão.”(GESNER apud 
BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
Nessa mesma fase, Fraz Joseph Gall e frenologistas, citados por Bear, Connors e 
Paradiso (2008), apontaram análises consideráveis à respeito da ‘afasia’: propunham 
haver uma região do cérebro própria para a linguagem e mostraram, ainda, que as 
faculdades mentais eram preservadas em pessoas que tivessem lesões no encefálo e 
pelas quais a fala era comprometida. 
76
UNIDADE III │ NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM
Ainda, o médico francês Jean-Baptiste Bouillaud, no ano de 1825, sugeriu que os lobos 
frontais eram responsáveis pelo controle da fala, o que foi uma concepção aceita décadas 
posteriores. (BOUILLAUD, 1825 apud BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
Na metade do século XIX, a linguagem passou a ser objeto de estudo natural (LARSON, 
2010 apud SAMPAIO; FRANÇA; MAIA, 2015) e não apenas com o propósito de produção 
de gramáticas, crítica literária ou filosofismo. (LARSON, 2010 apud SAMPAIO; 
FRANÇA; MAIA, 2015).
Paul Broca, neurologista francês, em 1861, investigou, com outro estudioso, cujo 
nome era Aubertin; o encéfalo de um paciente que não tinha possibilidades de ‘falar’ e 
descobriu que a doença desse indivíduo estava relacionada à lesão nos lobos frontais do 
seu encefálo. (BROCA apud BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
Broca estudou e publicou oito casos de pacientes que tiveram lesões no lobo frontal do 
hemisfério esquerdo cerebral, em 1863, e que traziam problemas de linguagem para 
esses mesmos indivíduos. Partindo disso, no ano seguinte, 1864, chegou à conclusão 
de que a parte do cérebro que está ligada à expressão da linguagem é geralmente o 
hemisfério esquerdo. (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
Segundo Sampaio, França e Maia (2015), Broca avaliou vários quadros de pacientes 
com distúrbios na fala, o que trouxe considerações importantes sobre as patologias que 
envolviam a linguagem. (BROCA apud SAMPAIO; FRANÇA; MAIA, 2015).
Ainda, Karl Wernicke, neurologista alemão, em 1874, apresentou em seus estudos 
outras lesões no hemisfério esquerdo cerebral que eram de natureza distinta da lesão 
da área de Broca e não eram precisamente nesta região do cérebro. A região da área de 
Wernicke prejudicava também a fala, assim como a da área de Broca, porém, aquela 
era situada ‘[...] no superior do lobo temporal, entre o córtex auditivo e o giro angular.” 
(WERNICKE apud BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008, p. 621). Esse assunto será 
visto no próximos capítulos.
Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 621) acrescentam ainda o seguinte em relação a 
essas duas áreas, as quais foram estudas por Paul Broca e Karl Wernicke:
Foram feitas hipóteses acerca de interconexões entre o córtex auditivo, 
a área de Wernicke, a área de Broca e os músculos necessários para 
a fala, e diferentes tipos de incapacidades relacionadas à linguagem 
foram atribuídas a lesões em diferentes partes desse sistema. Apesar de 
os termos área de Broca e área de Wernicke ainda serem comumente 
utilizados, as fronteiras dessas áreas não estão claramente definidas 
77
NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM │ UNIDADE III
e parecem ser bem variáveis de uma pessoa para outra. Também 
veremos que cada área pode estar envolvida em mais de uma função 
da linguagem. No entanto, esse achado recente somente fará sentido 
após observarmos as afasias produzidas por lesão nas áreas de Broca e 
de Wernicke.
Essas evidências de estudos realizados por Paul Pierre Broca e por Carl Wernicke, no 
século XIX, mostraram que problemas de desempenho linguístico eram concernentes 
a lesões corticais cerebrais. (BROCA, 1861a, 1861b; WERNICKE, 1874 apud SAMPAIO; 
FRANÇA; MAIA, 2015). Esses achados foram fundamentais para os estudos da 
Neurologia.
Fundamental apontar que novas evidências neurofisiológicas estão sempre surgindo.Estudiosos como Dronkers e outros “[...] relatam que há pacientes com lesão na área de 
Broca e que não desenvolvem afasia de Broca, e a mesma coisa acontece com a área de 
Wernicke. Isso se dá porque a cartografia cerebral não se estabelece só com a relação 
disfunção-lesão.” (DRONKERS et al., 1995; DRONKERS, 1996 apud SAMPAIO; 
FRANÇA; MAIA, 2015, p. 234).
Ademais, no século XX, com o surgimento de exames sofisticados que permitiram 
investigar o crânio humano em suas distintas áreas do sistema nervoso central por 
meio de técnicas de neuroimagem, como o fMRI (Ressonância magnética funcional), 
o EEG (Eletroencefalograma), entre outros, foi possível um estudo neurofisiológico. 
(SAMPAIO; FRANÇA; MAIA, 2015).
Para saber outros detalhes da história da neurolinguística, leia o seguinte texto 
de Sampaio, França e Maia (2015) que tratará de informações relevantes sobre 
o tema:
O resumo do artigo:
Até meados do século XIX, os estudos da linguagem e os estudos 
da mente e do cérebro eram vistos como áreas incompatíveis e 
de naturezas distintas nas discussões acadêmicas. Uma vez que a 
linguagem passa a ser entendida como uma capacidade cognitiva 
da espécie, suas bases psico e neurobiológicas se tornam um 
importante objeto de estudo e passam a ser investigadas nas 
interfaces entre estas disciplinas. Este artigo se dedica a discutir a 
história comum entre a Linguística, a Psicologia e a Neurociência, 
de forma a mostrar que estas disciplinas estão inevitavelmente 
interconectadas em suas teorias e métodos através da 
Psicolinguística e da Neurociência da Linguagem. (SAMPAIO; 
FRANÇA; MAIA, 2015, p. 230).
Link do artigo:
http://www.scielo.br/pdf/rbla/v18n3/1984-6398-rbla-18-03-581.pdf. Acesso em: 22 ago. 2019.
http://www.scielo.br/pdf/rbla/v18n3/1984-6398-rbla-18-03-581.pdf
78
CAPÍTULO 2
Neurolinguística e distúrbios e 
patologias da linguagem
A linguagem é uma capacidade do ser humano, na qual se utiliza um sistema complexo de 
comunicação, desde o nascimento até o fim de nossas vidas. A linguagem é fundamental, 
uma vez que permite que as nossas necessidades diárias, como comer, dirigir, estudar, 
trabalhar, entre outras incalculáveis atividades, sejam realizadas. No entanto, algumas 
falhas na linguagem poderão ocorrer, as denominadas “afasisas”, as quais estudaremos 
neste capítulo.
Terapeutas, Psicólogos, Pedagogos, Enfermeiros e outros profissionais que 
trabalham com reabilitação ou áreas que estão relacionadas à dificuldade da 
comunicação, nomeadamente da fala, princisam conhecer alguns déficits de 
linguagem e suas distintas formas de lidar com estes. Nesse sentido, reflita 
neste momento, aluno, e procure pensar no decorrer deste capítulo sobre as 
seguinte questões: a) quais são os tipos de distúrbios de linguagem? b) quais 
as consequências sociais dos distintos déficits de linguagem? c) quais as áreas 
corticais que dizem respeito aos problemas relacionadas a fala? d) quais exames 
podem ser utilizados para identificar os distúrbios de atenção?
Substratos neurais para o processamento da 
linguagem
Figura 18. Processamento e Aquisição da linguagem.
Fonte:https://www.csee.umbc.edu/category/csee/computer-science/page/9/. Acesso em: 29 ago. 2019. 
https://www.csee.umbc.edu/category/csee/computer-science/page/9/
79
NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM │ UNIDADE III
Para a produção da linguagem existem dois substratos neurais: o substrato límbico e o 
substrato neocortical. (SCHENKMAN et al., 2016).
O sistema límbico é fundamental na produção da linguagem, sem dominância 
hemisférica cerebral (é bilateral), uma vez que os seus componentes presumivelmente 
constituem um meio que facilita a iniciação da fala de uma pessoa. O comprometimento 
desse sistema traz como consequência danos à fala, devido ao envolvimento do 
sistema límbico na motivação. Uma das síndromes causadas por lesões ou anomalias 
nesse tipo de sistema é o designado ‘mutismo acinético apático’, o qual é resultante 
do “dano à substância cinzenta periaquedutal no mesencéfalo rostral. Os indivíduos 
com essa síndrome parecem estar despertos, no sentido de que conseguem rastrear 
visualmente, possuem sistemas motor e sensorial intactos, mas não respondem aos 
comandos.” (SCHENKMAN et al., 2016, p. 599). Prejuízos absolutos na fala podem 
ocorrem caso sejam danificados o giro do cíngulo e córtex motor sumplementar, no 
entanto, há possibilidades de recuperar a fala espontânea com o decorrer do tempo. 
(SCHENKMAN et al., 2016).
O substrato neocortical da linguagem proposicional é o substrato localizado “[...] 
predominantemente no córtex de associação de apenas um hemisfério cerebral.” 
(SCHENKMAN et al., 2016, p. 600). Nesse caso, é distinto do substrato límbico, que 
é considerado bilateral. A área do córtex do substrato neocortical está ligada à área 
de broca, o que atende à inervação dos lábios, laringe, faringe, língua e palato mole, 
que estão diretamente ligados à fala. (SCHENKMANet al., 2016). Lesões neocorticais 
que levam à afasia envolvem o córtex, n qual está próximo à área de Broca [região 
anterior à parte inferior do córtex] e à região de Wernicke. (SCHENKMANet al., 2016). 
Acrescenta-se ainda o seguinte, de acordo com Schenkman et al. (2016, p. 600):
Na grande maioria das pessoas, a representação da linguagem é 
lateralizada para o hemisfério esquerdo, que é referido como hemisfério 
dominante. Isso é válido independentemente de o indivíduo ser destro 
ou canhoto. No entanto, os indivíduos canhotos são mais propensos do 
que os destros a terem a linguagem representada no hemisfério direito, 
ou em ambos os hemisférios. Mesmo assim, apenas cerca de 15% dos 
canhotos apresentam dominância de linguagem no hemisfério direito, 
enquanto mais ou menos 15% apresentam representação de linguagem 
bilateral.
Portanto, verificaram-se neste tópico os substratos neurais que estão envolvidos com 
a linguagem, o que é de suma importância para o entendimento dos distúrbios e 
patologias da linguagem.
80
UNIDADE III │ NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM
Distúrbios e patologias da linguagem
Pode-se definir “afasia” como “[...] a perda parcial ou completa das capacidades da 
linguagem em função de lesões encefálicas, muitas vezes sem a perda de faculdades 
cognitivas ou da capacidade de mover os músculos utilizados na fala.” (BEAR; 
CONNORS, PARADISO, 2008, p. 618). Em outras palavras, é uma doença causada pela 
perda da função mental superior, resultante de um acidente vascular cerebral ou de 
lesões no encéfalo que danificam a fala e causam défict da linguagem. (SCHENKMAN 
et al., 2016).
Quanto aos tipos de afasia, podem ser citados os seguintes: afasia da broca; afasia da 
Wernicke; afasia e o modelo de wernicke-geschwind; afasia de condução e afasia em 
bilíngues e surdos. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008). 
A afasia da Broca, ou também denominada ‘afasia motora’ ou ‘não fluente’, é um tipo 
de afasia que ocorre quando a pessoa tem dificuldade de falar. O indivíduo nesse caso 
consegue entender aquilo que outra pessoa fala e assimilar a linguagem lida, contudo 
necessita procurar as palavras pausadamente para poder falar. Daí sua fala é muito 
pausada. A dificuldade de encontrar palavras em uma conversa é tida como ‘anomia’. 
(BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008). 
Esse tipo de afasia é resultante da análise do neurologista Paul Broca e é oriunda de 
uma lesão na parte posterior do giro frontal inferior do cérebro que afeta a linguagem, 
mas preserva a compreensão. As pessoas que têm a afasia de Broca estão cientes de sua 
limitação e tentam se comunicar mesmo com as dificuldades que o distúrbio gera nesses 
indivíduos. Isso poderá trazer transtornos psicológicos e sociais, bem como dificultar a 
interação social dessas pessoas. (SCHENKMAN et al., 2016).
Existem vocábulos os quais as pessoas com afasia têm facilidade de pronunciar, 
nomeadamente, os substantivos, palavras desta classe gramatical. Verbos geralmente 
não são conjugados. Também não conseguem contruir sentenças gramaticais corretas,o designado ‘agramatismo’. Além disso, vale salientar que o principal problema 
dos afásicos não é a pronúncia dos sons, mas a relação com termos que são ou não 
substantivos. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008). 
Wernicke , citado por Bear, Connors, Paradiso (2008, p. 623) esclareceu que a área 
“[...] lesada na afasia de Broca contém memórias para a delicada série de comandos 
motores necessários à articulação dos sonsdas palavras. [...] a área de Broca é 
próxima à parte do córtex motor que controla a boca e os lábios, há uma lógica 
atraente nessa ideia.”
81
NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM │ UNIDADE III
A afasia da Wernicke, ou também denominada sensorial, receptora, posterior ou 
fluente, é um tipo de afasia em que a fala do indivíduo é fluente e perfeita, porém cheias 
de erros pela deficiência de compreensão do indivíduo. Essa categoria de afasia foi assim 
denominada pelos estudos do neurologista Carl Wernicke no ano de 1874 pelo tipo de 
deficiência da compreensão da linguagem, embora a pessoa possa falar corretamente. 
(SCHENKMAN et al., 2016).
A área de Wernicke está “[...] localizada no giro temporal superior, próxima ao córtex 
auditivo primário.” E tem uma importante função no que diz respeito aos sons que 
uma pessoa escuta “[...] (os sinais de entrada) com os seus significados.” É uma “[...] 
área especializada para o armazenamento das memórias dos sons que formam as 
palavras.”(BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008, p. 624).
 
Figura 19. Área de Broca e Wernicke – Cérebro Humano.
 
 
Fascículo 
arqueado 
Área de 
Wernicke 
Córtex 
auditivo 
Área de 
Broca 
Fonte: Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 625).
Bear, Connors e Paradiso (2008) esclarecem que a afasia da Wernicke distingue-se da 
afasia de broca pelo grau de compreensão, uma vez que a fala das pessoas que possuem 
a afasia de Wernicke é fluente e considerada “normal”, porém a compreensão é difícil e 
pobre. Por consequência, o discurso é incerto e truncado, com a utilização de palavras 
correlatas, porém erradas em seu contexto. Fica uma espécie de linguagem desarticulada. 
A falta de compreensão do que se recebe de informação leva à desarticulação da resposta. 
82
UNIDADE III │ NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM
Vale acrescentar ainda o seguinte: 
[...] as pessoas que têm afasia de Wernicke não estão tão agudamente 
conscientes de seus déficits. (Elas pensam que falam palavras que 
fazem sentido.) Para esses indivíduos, a dificuldade psicológica está em 
entender por que aqueles que os cercam não podem se comunicar com 
eles. (SCHENKMAN et al., 2016, p. 603).
Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 627) elucidam que “tem-se sugerido que a área de 
Wernicke seja uma área de ordem superior para o reconhecimento dos sons, da mesma 
forma que o córtex temporal inferior parece ser uma área de ordem superior para o 
reconhecimento visual.”
Com os conhecimentos das afasias de Broca e Wernicke, o estudioso Norman Geschwind 
aprimorou um modelo de processamento de linguagem desenvolvido por Wernicke. O 
primeiro procedimento é a repetição de palavras faladas até que se transformem em 
uma espécie de código. O segundo procedimento é a leitura em voz alta de um texto. 
Nesse sistema, a informação é processada pelo sistema visual, ocorrendo uma alteração 
interna como se as palavras fossem faladas e não escritas. (NORMAN GESCHWIND 
apud BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
Wernicke citado por Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 626) propôs um modelo de 
processamento de linguagem, no qual “os estágios nos processos de repetição de uma 
palavra escrita ou falada estão indicados”, conforme figura seguinte:
Figura 20. Modelo de Processamento de Linguagem.
 
 
Processamento visual inicial 
Córtex estriado 
Processamento auditivo inicial 
Córtex auditivo primário 
Palavras Escritas Palavras Faladas 
Reconhecimento visual da palavra: 
Córtex extraextra 
estriatal 
Reconhecimento auditivo da palavra: 
Córtex temporoparietal (giro angular) e 
córtex temporal superior anterior 
Associação semântica: 
Córtex frontal inferior 
Codificação pré-motora: 
Área motora suplementar. Outras áreas 
próximas à fissura de Sylvius 
Controle motor da fala: 
Córtex motor primário 
Fala 
Fonte: Elaborado pela autora a partir de Petersen et al. (1988) citado por Bear, Connors e Paradiso (2008, p. 626).
83
NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM │ UNIDADE III
É importante acrescentar ainda, em relação à afasia de Broca e a de Wernicke que, 
“de forma geral, podemos dizer que a afasia de Broca está relacionada a deficiências 
gramaticais, enquanto a de Wernicke está relacionada ao déficit de compreensão 
(KANDEL, SCHWARTZ, JESSELL,2000; BEAR, CONNORS, PARADISO 2008 apud 
SAMPAIO; FRANÇA; MAIA, 2015, p. 235).
A afasia de Condução: Esta afasia caracteriza-se pela dificuldade de reproduzir 
palavras e pequenos textos. O indivíduo pronuncia perfeitamente as palavras em sua 
fala e também as compreende, mas não consegue repetir o que foi dito a ele. No caso, 
pode omitir palavras e até partes do texto. (BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
Neste tipo de afasia, os territórios de Broca e Wernicke ficam preservados, mas a 
ligação entre eles fica comprometida. Como resultado, a pessoa tem dificuldade para 
repetir palavras, textos, pequenas frases ditas pelo seu interlocutor. (SCHENKMAN et 
al., 2016).
A afasia da condução decorre da avaria das fibras longas do facículo longitudinal 
superior que ligam as áreas de Broca e Wernicke. (SCHENKMAN et al., 2016).
A afasia em Bilíngues e Surdos: Afasias em pessoas bilíngues ou surdas demandam 
estudos aprofundados sobre o processamento da linguagem no encéfalo. Se um 
indivíduo bilingue venha a ter um AVC, poderia este acidente afetar alguma das línguas 
que sabe, ou até as duas. No caso, depende de muitas variáveis como a lingua que 
aprendeu primeiro, a que mais utiliza, a fluência em cada idioma e outros fatores. 
(BEAR; CONNORS, PARADISO, 2008).
No caso dos surdos ou pessoas que utilizam linguagem de sinais, os déficits de linguagem 
são os mesmos de Broca e Wernicke. Eventuais lesões do lado esquerdo do cérebro 
podem causar as mesmas deficiências nos afásicos verbais. Em caso de um AVC, a 
linguagem por sinais pode ficar prejudicada pela falta de habilidade e destreza na mão 
do interlocutor, bem como sua receptividade pode alterar. 
Shenkman et al. (2016) acrescenta mais um tipo de afasia em sua análise, que é a afasia 
transcortical.
A afasia Transcotical: Esta afasia ocorre quando uma pessoa tem a fluência da fala 
avariada, mas a compreensão inalterada. (SCHENKMAN et al., 2016).
Uma pessoa que tem a fluência inalterada, mas a compreesão avariada e preserva a 
capacidade de repetição tem a afasia sensorial transcortical. (SCHENKMAN et al., 
2016).
84
UNIDADE III │ NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM
A causa mais comum da afasia transcortical é o infarto das áreas limítrofes de Broca e 
Wernicke. (SCHENKMAN et al., 2016).
Quadro 6. Aspectos diferenciais dos principais tipos de afasia.
Categoria de 
afasia
Tipo de afasia Fala espontânea
Compreensão 
auditiva
Capacidade de 
repetição
Localização da 
lesão típica *2
Af
as
ia
s 
pr
im
ár
ia
s
Global
Não Fluente Forçada 
Prosódia comprometida 
Parafasia literal Escolha 
de palavra Substantivo
Amplamente preservada 
para palavras 
isoladas e sentenças 
gramaticalmente simples
Comprometida
Parte posterior do giro 
frontal inferior Substância 
branca subjacente 
à cabeça do núcleo 
caudado e putâmen
De Wernicke
Fluente 
Bem articulada Prosódia 
normal Parafasia verbal e 
neologística Escolha da 
palavra relacional
Comprometida Comprometida
Parte posterior do giro 
frontal superior, giro 
supramarginal e angular
Global Não Fluente Comprometida Comprometida
Fascículo longitudinal 
superior, áreas de broca 
e de Wernicke
Sí
nd
ro
m
es
 d
e 
de
sc
on
ex
ão
 a
fá
si
ca Condução Fluente
Intacta ou amplamente 
preservada
Comprometida
Fascículo longitudinal 
superior, porções do 
lóbulo pariental inferior
Transcortical Motora Não Fluente
Intacta ou amplamentepreservada
Intacta ou 
amplamente 
preservada
Área limitante do lobo 
frontal
Transcortical Sensorial Fluente Comprometida
Intacta ou 
amplamente 
preservada
Área limitante dos lobos 
posterior e occipital
 
Fonte: aptado de Schenkman, 2016, p. 607.
Caro aluno! Estou muito contente que chegou até agora com todo engajamento e 
ânimo na busca de mais informações para alavancar o seu conhecimento. Assim, 
sugiro que leia o artigo de Signor e outros autores, publicado em 2018, que trata 
da correlação entre as dificuldades na linguagem escrita e o processamento 
auditivo (PA). A leitura agregará ainda mais o conhecimento sobre o assunto, 
siga em frente:
O resumo do texto do artigo traz o seguinte:
O objetivo desta pesquisa qualitativa é analisar, em conformidade 
com o paradigma sócio-histórico, correlações que vêm sendo 
estabelecidas entre a linguagem escrita, seus processos de 
apropriação e o distúrbio de processamento auditivo (DPA). 
Como método, apresenta-se uma revisão de literatura acrescida 
de estudo de caso de um escolar de 12 anos de idade com 
diagnóstico de DPA e queixa de dificuldade de leitura e escrita. 
Os resultados revelam que as pesquisas predominantes na área 
da fonoaudiologia realizam correlações entre linguagem e DPA 
2 “Geralmente também envolve as estruturas profundas.” (SCHNKMAN, 2016, p. 607).
85
NEUROCIÊNCIA DA LINGUAGEM │ UNIDADE III
pautadas em uma concepção de cérebro como órgão que se 
desenvolve à margem das práticas sociais, de linguagem como 
código, e de sujeito como indivíduo meramente biológico. Conclui-
se, assim, que tais correlações são reducionistas e inconsistentes 
e, portanto, não podem justifi car uma relação direta entre DPA e 
linguagem escrita. (SIGNOR et al., 2018, p. 581).
Link do artigo:
http://www.scielo.br/pdf/rbla/v18n3/1984-6398-rbla-18-03-581.pdf. Acesso em: 22 ago. 2019.
http://www.scielo.br/pdf/rbla/v18n3/1984-6398-rbla-18-03-581.pdf
86
UNIDADE IV
NEUROCIÊNCIA 
E PROCESSOS 
AFETIVOS E 
COGNITIVOS
CAPÍTULO 1 
Processos afetivos e cognitivos e suas 
relações com o cérebro humano
Pensamento e linguagem
Figura 21. Pensamento e Linguagem.
Fonte: https://pixabay.com/illustrations/face-silhouette-communication-535769/. Acesso em: 9 maio 2019.
O pensamento pode ter uma ‘relação bastante estreita’ com a linguagem e outras vezes 
não! Muitas vezes, pensamos antes de falar, mas também verbalizamos oralmente 
antes de pensar naquilo que iremos falar. Mas, afinal, o que é pensamento? E o que é 
linguagem? Qual a conexão entre esses processos?
Por meio das necessidades da comunicação, o homem elabora sistemas linguísticos, 
como a ‘fala’ que é, por sua vez, primordial para o seu desenvolvimento. A fala é uma das 
formas de comunicação que possibilita passar uma mensagem a outra pessoa de modo 
https://pixabay.com/illustrations/face-silhouette-communication-535769/
87
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS │ UNIDADE IV
não ‘limitado’. Também, por meio da fala, é possível “[...] a transmissão intencional de 
experiências e de pensamentos.” (VIGOTSKY, 2005 apud BRITES; CASSIA, 2012, p. 
179).
Vale salientar que nem “[...] todo pensamento depende da linguagem ou que todos os 
comportamentos gerados pelos seres humanos sejam mediados de maneira consciente.” 
(SCHENKMAN et al., 2016, p. 599).
Nesse sentido, é essencial distinguir pensamento e fala; e saber um pouco da relação 
entre esses dois processos.
Pensamento, de acordo com a Psicologia, é um “rótulo geral para atividades mentais 
variadas, tais como raciocinar, resolver problemas e formar conceitos”. (DAVIDOFF, 
1983, p. 341 apud ANDALÉCIO; SOUZA, 2008, p. 74). Também, o pensamento pode 
ser definido como “[...] uma forma de processo mental ou faculdade do sistema mental.” 
(PECOTCHE; BERNARDO, 2005 apud CHOMSKY, 2017, p. 360). 
Ainda, conforme o Dicionário Aurélio, pensamento pode ser conceituado como: “1 – 
Pensamento; opinião; juízo. 2 – Imaginar, julgar. 3 – Planear. 4 – Dar penso a. 5 – Tratar 
convenientemente. 6 – Fazer curativo. 7 – Formar ideias. 8 – Refletir. 9 – Raciocionar. 
10 – Ser de parecer. 11 – Tencionar. 12 Ter no pensamento.” (PENSAMENTO, 2019).
O ator de pensar “[...] permite aos seres modelarem sua percepção do mundo ao redor 
de si, e com isso lidar com ele de uma forma efetiva e de acordo com suas metas, planos 
e desejos.” (CHOMSKY, 2017, p. 360).
Já a linguagem é “um sistema complexo e dinâmico de símbolos convencionais 
que é usado em vários modos de pensamento e comunicação.” (KAMHI, 1989 apud 
BUCKLEY, 2003, p. 3, tradução nossa).
Também, Fuentes et al. (2014) explicam que “a linguagem é uma habilidade cognitiva 
bastante complexa, importante para a socialização e a comunicação humana.” Por 
meio da fala, da escrita e de outros modos de comunicação não verbal relacionados, é 
possível a transferência de significados e conhecimentos de um indívíduo para outro, 
ou seja, consegue-se transmitir o que se deseja de uma mente para outra. (MYERS; 
DEWALL, 2017).
Schenkman et al. (2016, p. 599) consideram linguagem como o “uso de símbolos verbais 
convencionados, ordenados de modo sequencial, consoantes com regras gramaticais 
válidas, e por meio dos quais as ideias e sentimentos são transmitidos de um indivíduo 
a outro.” A linguagem, segundo Fuentes et al. (2014) “[...] manifesta-se na forma de 
‘compreensão’ receptiva e de decodificação do input linguístico (‘compreensão verbal’), 
88
UNIDADE IV │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS
que inclui a audição e a leitura, ou no aspecto de codificação expressiva e produção, 
que inclui fala, escrita e sinalização.” Fuentes et al. (2014) categoriza e representa o 
processamento da linguagem nos seguintes níveis, conforme quadro seguinte:
Quadro 7. Componentes de Representação da Linguagem.
Nível Descrição
Semântico refere-se ao significado das palavras ou ideias veiculadas.
Fonético compreende a natureza física da produção e da percepção dos sons da fala humana.
Fonológico corresponde aos sons da fala (fonemas).
Morfológico diz respeito às unidades de significado – palavras ou partes de uma palavra.
Lexical
envolve compreensão e produção de palavras. Léxico é o conjunto de palavras em uma dada língua ou no 
repertório linguístico de uma pessoa.
Sintático refere-se às regras de estruturas das frases, às funções e às relações das palavras em uma oração.
Pragmático
compreende o modo como a linguagem é usada e interpretada, considerando as características do falante e 
do ouvinte, bem como os efeitos de variáveis situacionais e contextuais.
Prosódico
integra a habilidade de reconhecer, compreender e produzir significado afetivo ou semântico com base na 
entonação, na ênfase e em padrões rítmicos da fala.
 
Fonte: adaptado de Fuentes et al., 2014.
Meyers e Dewall (2017) clarificam que, para a construção da linguagem falada, são 
necessários três componentes de linguagem, que são os fonemas (conjunto de sons, 
exemplo: gato, fonemas: g, a, t, o), os morfemas (menor unidade de uma língua com 
significado, exemplo: o morfema da palavra gato é a própria palavra, importante 
salientar que podem ser também prefixos e sufixos) e a gramática (semântica e sintaxe 
com as suas regras).
Kamhi, citado por Buckley (2003) esclarece que, de acordo com as visões contemporâneas, 
a linguagem é sustentada pelos seguintes fatores:
a. A linguagem envolve um contexto histórico, social e cultural seguro; 
b. A linguagem, como comportamento governado por regras, é descrita 
por pelo menos cinco parâmetros - fonológico, morfológico, sintático, 
semântico e pragmático;
c. A aprendizagem e o uso da língua são determinados pela interação de 
fatores biológicos, cognitivos, psicossociais e ambientais; e
d. O uso efetivo da linguagem para comunicação requer uma ampla 
compreensão da interação humana, incluindo fatores associados, como 
sinais não verbais, motivação e papéis socioculturais. (KAMHI, 1989, pp. 
69-70 apud BUCKLEY, 2003, p. 3).
89
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOSAFETIVOS E COGNITIVOS │ UNIDADE IV
Partindo da visão de Kamhi, é primordial considerar, no desenvolvimento da linguagem, 
certos determinantes como o contexto histórico, social e cultural no qual o indivíduo 
está envolvido; os parâmetros ou componentes da linguagem; as interações biológicas, 
cognitivas, psicossociais, ambientais e ainda a compreensão da interação humana.
Myers e Dewall (2017) esclarecem que “todas as linguagens humanas [...] têm nomes, 
verbos e adjetivos como elementos gramaticais básicos” e que “o desenvolvimento da 
linguagem das crianças parte da simplicidade para a complexidade.”
Os estudiosos clarificam que, a partir dos 4 meses de idade, os bebês emitem sons 
de balbucio, compostos por consoantes e vogais. Os sons nessa fase infantil estão 
relacionados ao início do desenvolvimento da linguagem receptiva desses bebês. De 1 
aos 2 anos, as crianças emitem palavras isoladas que são concernentes ao ‘estágio de 
uma palavra’, que é pertinente ao próprio estágio de desenvolvimento da fala. Aos dois 
anos costuma, geralmente, falar frases compostas por duas palavras, este também é 
o estágio do desenvolvimento da fala, porém com ‘duas palavras’. E tem ainda a ‘fala 
telegráfica’ que é normalmente a fala em que a criança utiliza verbos e substantivos 
como se fosse um telegrama. (MYERS; DEWALL, 2017). Exemplo: ‘quero pirulito’.
Ademais, é importante mostrar algumas possíveis relações entre o pensamento e 
a linguagem, conforme perspectivas de alguns estudiosos.
Matsumoto, citado por Myers e Dewall (2017), ao analisar a conexão existente entre 
o pensamento e a linguagem, elucida que as pessoas passam a ter “[...] um sentido 
diferente de si mesmas (self), dependendo da língua que estão usando.” (MATSUMOTO, 
1994 apud MYERS; DEWALL, 2017).
Quando se analisa as distintas línguas existentes, por exemplo, o inglês e o japonês, 
verifica-se que há emoções que se expressam em um língua e na outra não se consegue 
externar ou manifestar por meio de palavras. (MARKUS; KITAYAMA, 1991 apud 
MYERS; DEWALL, 2017). 
Myers e Dewall (2017) criticam o determinismo linguístico de Whorf e o apontam como 
muito radical. (WHORF apud MYERS; DEWALL, 2017). Os autores esclarecem que é 
possível, muitas vezes, o indivíduo não conseguir expressar alguns pensamentos por 
meio de palavras, imagens ou outros símbolos quaisquer. (MYERS; DEWALL, 2017).
É comum, também, que as pessoas que falam mais de uma língua, por exemplo, árabe 
e hebreu, pensem de modo diferente sobre o seu mundo social. (DANZIGER; WARD, 
2010 apud MYERS; DEWALL, 2017). 
90
UNIDADE IV │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS
Também, baseado na obra de Vigotsky (2005), Brites e Cassia (2012) elaboram análises 
interessantes sobre a relação entre pensamento e linguagem, nomeadamente na questão 
do desenvolvimento da linguagem da criança.
Segundo Vigotsky, citado por Brites e Cassia (2012), determinados pensamentos só 
devem ser transmitidos às crianças, por meio da comunicação, quando essas tiverem 
a sua capacidade cognitiva amadurecida. A fala egocêntrica das crianças na medida 
que estas vão se socializando, conforme denominação e interpretação de Vigotsky, 
“transforma-se na fala interior dos adultos, no pensar para si próprio, na reflexão 
silenciosa, uma mudança qualitativa de vulto.” (VIGOTSKY apud BRITES; CASSIA, 
2012, p. 180).
A criança não deve ser percebida ou vista como um ‘adulto’, de acordo com Vigotsky, 
citado por Brites e Cassia (2012), e sim como um ser social que, por meio de sua vivência 
e experiências ao longo da vida, constrói significados num processo de construção e 
reconstrução. Nesse perspectiva, é primordial segundo o autor “[...] observar, escutar 
e compreender na fase real em que se encontra, tentando perceber o significado do 
pensamento e da linguagem que lhe são próprios.” (VIGOTSKY apud BRITES; CASSIA, 
2012, p. 184).
Além disso, Piaget, bem como Vigotsky, citados por Brites e Cassia (2012), defendem 
e complementam o seguinte:
[...] Segundo Piaget, o pensamento aparece antes da linguagem, que lhe 
é subordinada e apenas uma das suas formas de expressão. E a formação 
do pensamento depende, basicamente, da coordenação dos esquemas 
sensório motores, pelo que só ocorre depois de a criança ter alcançado 
um determinado nível de habilidades mentais, que pode mobilizar na 
evocação de um objeto ou acontecimento ausente, ou seja, na formação 
de conceitos. (PIAGET apud BRITES; CASSIA, 2012, pp. 180-181).
Já para Vigotsky, pensamento e linguagem são processos 
interdependentes desde o início da vida. A aquisição da linguagem 
pela criança modifica as suas funções mentais superiores, dá forma 
definida ao pensamento, possibilita o aparecimento da imaginação, o 
uso da memória e o planeamento da acção. (VIGOTSKY apud BRITES; 
CASSIA, 2012, p.181). Neste sentido a linguagem, diferentemente 
daquilo que Piaget postula, sistematiza a experiência directa da criança 
e, por isso, adquire uma função central no seu desenvolvimento 
cognitivo, reorganizando os processos em desenvolvimento. (PIAGET 
apud BRITES; CASSIA, 2012, p.181).
91
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS │ UNIDADE IV
Assim, vimos neste tópico conceitos importantes relacionados à linguagem e ao 
pensamento, e as suas relações, o que são fundamentais para um entendimento deste 
assunto, o qual é importante na perspectiva do desenvolvimento da linguagem do 
indivíduo.
Inteligência e criatividade
Neste tópico será estudado sobre inteligência e criatividade, vamos que vamos!
Inteligência
Figura 22. Inteligência e Criatividade.
Fonte: https://pixabay.com/illustrations/display-dummy-board-face-technology-915120/. Acesso em: 22 maio 2019.
Mal comparada, a inteligência parece o ar que respiramos. Geralmente não damos 
importância, simplesmente respiramos. A inteligência, no mesmo sentido, não damos 
muita importância a ela, mas ela existe e é presente constantemente em todas as nossas 
atividades. 
A inteligência é uma constante, não variável, que não se altera com nosso estado 
psicológico, ou seja, se uma pessoa está com raiva, deprimida, ansiosa, cheia de 
energia, entusiasmada, ou outro sentimento ou sensação qualquer. A inteligência 
é igual, não se altera. Não se dorme com um coeficiente de inteligência baixo e se 
acorda com um alto, como se tomasse uma injeção. O contrário também não ocorre. 
(COLOM, 2008).Em estudos realizados por cientistas, descobriu-se que a inteligência 
está relacionada a diversas atividades e fenômenos sociais, tais como “[. . .] rendimento 
acadêmico, o rendimento no trabalho, a saúde, a resposta à psicoterapia, a longevidade, 
a sensibilidade emocional, [. . .] a capacidade de liderança e o nível sócio-econômico 
alcançado.” (COLOM, 2008, p. 59).
https://pixabay.com/illustrations/display-dummy-board-face-technology-915120/
92
UNIDADE IV │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS
A inteligência é soberana nos atributos de fenômenos sociais, constituindo uma 
atribuição humana de plena grandeza, o mais importante de todos, não havendo outro 
que se compare a ela. (COLOM, 2002 apud COLOM, 2008).
Colom (2008, p. 60) explica que se fosse perguntado para as pessoas leigas sobre o 
tema ‘inteligência’, “provavelmente nos seria dito que inteligência é uma faculdade 
que as pessoas utilizam para resolver problemas de modo mais ou menos eficaz, assim 
como a memória é uma faculdade que as pessoas utilizam para lembrar com maior ou 
menor eficácia.”
Na visão do autor, as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre esse tema, 
geralmente atribuem à inteligência uma capacidade humana de resolver problemas de 
forma rápida e satisfatória.
Os psicólogos fazem distinção entre “[. . .] a capacidade de raciocinar sobre conteúdos 
abstratos da capacidade para resolver problemas conhecidos ou familiares.” (COLOM, 
2008, p. 62). 
A primeira, chamada de ‘inteligência fluida’, e a segunda, ‘inteligência cristalizada’ 
(PUEYO, 1997; COLOM, 1998 apud COLOM, 2008). Quandouma pessoa tem a 
capacidade de raciocinar logicamente diante de uma situação que não conhece, mas 
consegue analisá-la de modo a inteirar-se da respectiva realidade, compreendê-la e 
resolvê-la, tem-se a utilização de uma inteligência fluida. Em outro diapasão, quando a 
pessoa que conhece a situação na qual é exposta e trata-a com a experiência vivida em 
situação semelhante anteriormente, tem-se a utilização de uma inteligência cristalizada. 
(COLOM, 2008).
Assim, conforme Jensen (1998), citado por Colom (2008, p. 63), defende “[. . .] 
raciocinar com lógica ou identificar as relações entre várias idéias são qualidades 
vinculadas à inteligência fluida, enquanto falar com clareza e falar com fluidez são 
qualidades relacionadas à inteligência cristalizada.”
Sobre os estudos da Inteligência
Os cientistas ao longo do tempo estudaram e ainda estudam a inteligência, considerando 
sua relevância social e psicológica, bem como sua influência na vida e na sociedade de 
um modo geral. Existem diversos caminhos a serem seguidos no estudo da inteligência, 
mas o principal ainda é o empírico, ou seja, observar as pessoas cotidianamente para 
verificar o que fazem e como fazem suas atividades, demonstrando sua inteligência. 
(COLOM, 2008).
93
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS │ UNIDADE IV
Os testes de inteligência são frutos desta observação. Na verdade, tais testes tentam 
“acordar” nossa inteligência para os problemas e soluções do dia a dia, o que varia 
os resultados de pessoa para pessoa, diante da infinidade de situações e fenômenos 
sociais. (COLOM, 2008).
Alguns testes de inteligência revelam situações interessantes. Ao solicitar a uma pessoa 
para avaliar seu próprio nível de inteligência, sabendo que a média da população é 100, 
e aplicar o teste de inteligência nesta mesma pessoa, os resultados ficam sempre muito 
próximos. Por mais variados que sejam os testes de inteligência, eles medem a mesma 
inteligência. Os resultados variam de pessoa para pessoa. (COLOM, 2008).
Aspectos genéticos e ambientais relacionados à 
inteligência
A genética, o ambiente e os comportamentos individual e coletivo podem alterar a 
Inteligência dentro de um determinado grupo ou mesmo dentro de uma etnia para ser 
mais amplo. (PETRILL, 2008).
A genética univariada estuda as diferenças genéticas e ambientais e determina até 
que ponto elas influenciam na inteligência. A genética comportamental traz como 
fundamento que as influências genéticas e comportamentais podem ser medidas 
comparando os indivíduos da mesma família, grupos sociais, regionais, entre outros. 
(PETRILL, 2008).
Também podemos falar da herança da inteligência, que é o estudo da influência da 
hereditariedade genética na inteligência de sucessores e antecessores. Em estudos 
realizados, ficou comprovado que a “herdabilidade da inteligência é de 50%, o que 
significa que as diferenças genéticas são responsáveis pela metade das diferenças 
observadas na inteligência.” (PLOMIN; DEFRIES; MCCLEARN; MCGUFFIN, 2001 
apud PETRILL, 2008, p. 144).
Modelos psicométricos da inteligência
Os estudos sobre a inteligência levam a teorias e a modelos de estudo para medir a 
inteligência, organização e estruturas das capacidades mentais humanas. É a parte do 
estudo da inteligência em que entram as ciências exatas, principalmente a matemática, 
como fonte de análise. 
Segundo Andrés-Pueyo (2008, p. 82), os modelos psicométricos distinguem do resto 
dos modelos de inteligência em vários aspectos, conforme seguinte:
94
UNIDADE IV │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS
a) baseiam-se na medida quantitativa do rendimento cognitivo dos 
indivíduos;
b) partem do estudo sistemático da variabilidade interindividual 
do rendimento cognitivo em grande variedade de tarefas e de testes 
psicológicos; 
c) baseiam-se no uso da análise exploratória/confirmatória dos fatores 
que são subjacentes à variabilidade interindividual do rendimento 
cognitivo; 
d) decompõem as causas do rendimento cognitivo em elementos como 
capaci- dade ou aptidões e habilidades ou destrezas; 
e) propõem uma organização estrutural dos componentes que 
configuram a in- teligência; 
f) não se ocupam das operações de processos mentais que constituem a 
di- nâmica da inteligência.
Dentre os principais modelos, temos os seguintes: 
Quadro 8. Modelos Psicométricos da Inteligência.
Modelo Descrição
Modelo bifatorial 
de Spearman
Modelo do fator g: Charles Spearman desenvolveu a técnica da análise fatorial, conceituando de fator g, e 
construiu diversas teorias explicativas sobre a matéria. Neste modelo Spearman concluiu que “o elemento 
essencial e comum da inteligência coincide com o elemento essencial das funções sensoriais.” (SPEARMAN, 
1904 apud ANDRÉS-PUEYO, 2008).
Modelo de 
Thrustone
Modelo das Aptidões Primárias: L.L. Thurstone desenvolveu uma técnica para medir a inteligência com 
base nos experimentos de Spearman, porém direcionado à “estrutura básica da inteligência como conjunto 
de capacidades fortemente relacionadas com as exigências das tarefas”, constituindo as aptidões de 
compreensão e fluência verbal, raciocínio, capacidade numérica, velocidade perceptual, capacidade espacial 
e memória. (THURSTONE apud ANDRÉS-PUEYO, 2008).
Modelo de 
Vernon
Modelo Hierárquico da Inteligência: Vernon (1905 – 1987) foi o primeiro a hierarquizar os fatores da 
inteligência sistematicamente como se fosse em uma pirâmide, ocorrendo a transmissão de mensagens de 
cima para baixo. (VERNON apud ANDRÉS-PUEYO, 2008).
Modelo de 
Guilfornd
Estrutura do Intelecto: J. P. Guilford desenvolveu um modelo baseado na taxonomia de itens e tarefas e 
alegou que a inteligência está ligada a 120 capacidades e aptidões independentes. Essa teoria é baseada em 
diversas análises de fatores apresentadas pelo próprio Guilford. (GUILFORD apud ANDRÉS-PUEYO, 2008).
Modelo de 
Cattell
Inteligência Fluida e Inteligência Cristalizada: R. B. Cattell desenvolveu um modelo voltado para a avaliação 
empírica das capacidades em seus estudos fatoriais. Com base em suas análises definiu como “inteligência 
fluida aquela que pode ser mensurada através de testes que avaliam a potencialidade do indivíduo para 
adquirir conhecimento, enquanto a inteligência cristalizada fica delimitada por testes que avaliam a influência 
da escolaridade e dos conhecimentos adquiridos através da interação com o meio sociocultural.” (CATTELL 
apud ANDRÉS-PUEYO, 2008).
Teoria de Carroll
Teoria dos Três Extratos: Carroll desenvolveu uma teria que identificava os fatores em três extratos, sendo no 
primeiro extrato as aptidões específicas, no segundo as aptidões amplas e no terceiro extrato as aptidões 
gerais. Tem como objetivo explicar as correlações entre as variáveis cognitivas. (CARROLL apud ANDRÉS-
PUEYO, 2008).
 
Fonte: adaptado de Andrés-Pueyo, 2008, pp. 73-100.
95
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS │ UNIDADE IV
Criatividade
Criatividade poder ser compreendida como “a capacidade para produzir ideias novas 
e valiosas” (Hennessey; Amabile, 2010 apud MYERS; DEWALL, 2017, p. 303).
De acordo com Robert Stenberg e outros estudiosos, a criatividade tem cinco 
componentes (STERNBERG, 1998, 2003; STERNBERG; LUBART, 1991, 1992 apud 
MYERS; DEWALL, 2017, p. 304):
1. Perícia – conhecimento bem desenvolvido – fornece ideias, imagens 
e frases que usamos como elementos mentais básicos. Quanto maior 
número de elementos básicos, maior a chance de combiná-los de maneira 
inovadora.
2. Habilidades de pensamento imaginativo proporcionam capacidade 
para ver as coisas de uma nova maneira, reconhecer padrões e fazer 
ligações. Tendo dominado os elementos básicos de um problema, nós o 
redefinimos ou exploramos de uma nova maneira. 
3. Personalidade aventureira busca novas experiências, tolera a 
ambiguidade e o risco e persevera na superação dos obstáculos.
4. Motivação intrínseca é ser induzido mais pelo interesse, satisfação e 
desafio do que por pressões externas (AMABILE; HENNESSEY, 1992)3.5. Ambiente criativo incita, apoia e refina as ideias criativas. Os 
ambientes que fomentam a criatividade apoiam a inovação, trabalho em 
equipe e comunicação (HÜLSHEGER et al., 2009). Também minimizam 
a ansiedade e promovem a contemplação (BYRON; KHAZANCHI, 2011).4
Personalidade
Popularmente, denomina-se as pessoas que têm alguma diferença em seus conceitos 
sociais, atitudes, filosofia de vida ou as que chamam a atenção de alguma forma como 
sendo uma “personalidade”. (MCCRAE, 2008).
Pesquisadores e psicólogos analisaram o que se denominam “traços” da personalidade 
de algumas pessoas, ou seja, o seu comportamento mediante determinadas situações 
para saber como se manifestam, qual a sua origem, se genética ou proveniente de seu 
meio social ou familiar, e como tem implicações no meio social. (MCCRAE, 2008).
3 Fonte: Sternberg, 1998, 2003; Sternberg e Lubart (1991, 1992) citados por Myers e Dewall (2017, p. 304).
4 Idem.
96
UNIDADE IV │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS
Em termo de definição, a personalidade é um conjunto de características marcantes 
de uma pessoa, em sua maneira de pensar, agir e sentir de forma ativa e contundente. 
São as peculiaridades de cada indivíduo que o diferenciam dos demais na sociedade. 
O agrupamento de características individuais para definir a personalidade está 
intimamente ligado a valores pessoais, familiares e sociais, levando o indivíduo a agir 
de uma determinada maneira ou de outra a partir de seus valores pessoais. (MCCRAE, 
2008).
O conjunto de traços característicos que podem definir a personalidade de uma pessoa 
pode ser tanto positivo quanto negativo ou misto. 
Trivialmente, uma pessoa pode ter em seu conjunto de traços positivos como “ser 
amiga”, “prestativa”, “carinhosa” ou outro. Mas também, pode ser “brigona”, “nervosa”, 
“desatenta”, por exemplo. Ou ainda poderá conter traços positivos e negativos ao 
mesmo tempo. (MCCRAE, 2008).
Maddi (1980), citado por McCrae (2008, p. 200), “afirma que as teorias da personalidade 
têm dois componentes: um central, que explica como a personalidade funciona no 
indivíduo, e um periférico, que especifica como as variações no núcleo são expressas 
em diferenças individuais.” O núcleo da personalidade está relacionado ao ‘id’ e ao 
‘ego’, que estão em conflito sempre. Alguns indivíduos estão mais bem preparados para 
lidarem com o ‘id’. (MCCRAE, 2008).
Não há uma forma de taxar e localizar todos os traços da personalidade de um indivíduo 
dada a variedade desses mesmos traços, bem como a soma destes. 
Em estudos realizados, “pesquisadores que utilizam o método psicoléxico, entre eles 
Allport e Odbert (1936) e Cattel (1946), afirmaram que qualquer traço realmente 
significativo teria sido notado e codificado na linguagem natural.” (ALLPORT; ODBERT, 
1936; CATTEL, 1946 apud MCCRAE, 2008, p. 205). O método psicoléxico utiliza-se 
de métricas de análise fatorial para aferir a personalidade baseado em cinco grandes 
fatores [ou modelo Big Five]. (SCHARF; PADILHA; SANCHES, 2016).
Pesquisadores, também, concluíram que existem cinco fatores ou dimensões amplas 
sobre os traços da personalidade na linguagem natural (TUPES; CHRISTALl, 1961, 
1992 apud MCCRAE, 2008): “[...] neuroticismo (N), extroversão (E), abertura (A), 
cordialidade (C) e responsabilidade (R).” (MCCRAE, 2008, p. 206).
Esses fatores foram denominados de “Cinco Grandes” e são utilizados como modelo 
para medir a personalidade dos indivíduos, de acordo com McCrae (2008):
97
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS │ UNIDADE IV
a. Neuroticismo [ou instabilidade emocional] é ligado aos traços das 
emoções negativas e aos seus efeitos. O indivíduo que tem o neuroticismo 
alto é propenso à melancolia, irritabilidade elevada, pessimismo, 
preocupações, por exemplo. Já aquele que tem ‘o neuroticismo baixo’, 
geralmente, é um indivíduo calmo, autocontrolável e racional. (MCCRAE, 
2008). “O termo ‘neuroticismo’ foi cunhado para refletir o fato de que 
indivíduos diagnosticados com transtornos neuróticos geralmente têm 
escore alto nessa dimensão (EYSENCK, 1947 apud MCCRAE, 2008, 
p. 206), “mas muitos indivíduos sem qualquer transtorno psiquiátrico 
também o têm.”
b. Extroversão popularmente é associada ao fator da sociabilidade do 
indivíduo. Geralmente, as pessoas extrovertidas são alegres, agitadas e 
falantes. Ao contrário, pessoas introvertidas são pessoas caladas, inibidas 
e tímidas. (MCCRAE, 2008).
c. Abertura é a capacidade de a pessoa estar disposta a novas experiências, 
ou seja, experimentar o “novo”. Pode ser também denominada de intelecto, 
imaginação ou cultura. Ao contrário, as pessoas que não são suscetíveis à 
abertura, geralmente preferem as rotinas, valores tradicionais e o que já 
é conhecido. (MCCRAE, 2008).
d. Cordialidade refere-se aos traços relacionados ao comportamento 
social ativo. As pessoas que tem esse fator alto, geralmente, são educadas, 
cortesas, simpáticas e crédulas. Ao contrário, as pessoas que tem este fator 
baixo, normalmente são mais ríspidas no trato social, preocupadas com 
seus interesses e desconfiadas em relação a outras pessoas. (MCCRAE, 
2008).
e. Responsabilidade é o fator cujo traço se traduz no sentido prático de 
agir e na contenção das ações. Habitualmente, os indivíduos que têm 
este fator elevado são altamente disciplinadas, zelosas e atenciosas. 
Ao contrário, pessoas com esse fator baixo são pessoas sem ambição e 
relaxadas. (MCCRAE, 2008).
Teorias psicométricas da personalidade
Inicialmente, é preciso apontar que a medição da personalidade muito se assemelha 
a outros procedimentos de profissionais de diversas áreas para análise de uma 
determinada situação. (GARCIA, 2008).
98
UNIDADE IV │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS
Um mecânico de veículos diante de um cliente que acusa um barulho do veículo deve 
conhecer o modelo do carro em questão, bem como as peças que podem causar o 
barulho indesejado para o cliente. Da mesma maneira, o psicólogo utiliza ferramentas 
para medir a personalidade das pessoas. A mais utilizada é o questionário, no qual 
as perguntas são realizadas ao paciente para delimitar com precisão quais fatores da 
personalidade ele tem e quais as causas de seus possíveis problemas. (GARCIA, 2008).
A teoria mais utilizada atualmente é o modelo das “Cinco Grandes” (conforme descrito 
anteriormente), que possibilita colher dados preciosos e elaborar análises mais sobre a 
personalidade das pessoas. (GARCIA, 2008).
Outro modelo utilizado é o do psicólogo Raymund B. Cattell, o qual se dedicou ao 
estudo da personalidade humana. (CATTEL apud GARCIA, 2008). Garcia (2008, p. 
226) explica que “a pesquisa realizada por ele, ou seu modelo teórico, abrange todas as 
áreas fundamentais de estudo e todos os contextos profissionais em que se desenvolve 
o psicólogo.”
Cattell, em suas pesquisas baseadas na abordagem léxica dos estudiosos Allport e 
Odbert (1936), desenvolveu um modelo psicométrico com 16 fatores básicos. Partindo 
disso, desenvolveu um questionário que ainda é utilizado pelas clínicas e empresas de 
recrutamento e seleção de pessoas. (CATTELL apud GARCIA, 2008).
De acordo com Garcia (2008), a teoria de Cattell contempla duas características que 
condicionam um corpo sólido:
A primeira é a utilização cruzada de três tipos de dados na avaliação 
da personalidade: dados L (de vida [Life]), dados Q (questionários 
[Questionnaires]) e dados T (provas objetivas [Test]). A informação 
conjunta, procedente dos três tipos de dados, é que deve ser utilizada.
E a segunda é que a teoria da personalidade de Cattell inclui elementos 
diferentes dos traços de temperamento. (CATTELL apud GARCIA, 
2008, pp. 226-227).
Com essas duas características, a teoria de Cattell permite atingir o objetivo de avaliar 
a personalidade de uma pessoa de maneira mais concisa e definida.
Hans Jurgen Eysenk desenvolveu o “modelo dos três superfatores”. 
Diferentemente dos demais modelos citados que utilizam a linguagem como 
pressuposto paraanálise, esse modelo tem como base os traços biológicos. (EYSENK 
apud GARCIA, 2008). Garcia (2008) elabora a seguinte consideração em relação a 
esse modelo:
99
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS │ UNIDADE IV
O modelo de Eysenck caracteriza-se por atribuir grande importância 
às bases biológicas dos traços, de tal modo que uma dimensão da 
personalidade não é considerada como um traço de temperamento 
básico se não dispõe de uma base biológica contrastada por meio de 
estudos correlacionais e experimentais. Essa ênfase na validação 
experimental das propriedades dos traços temperamentais faz do 
modelo de Eysenck uma verdadeira teoria da personalidade. (GARCIA, 
2008, p. 227.).
Jeffrey Gray desenvolveu uma teoria, “Modelo de Gray”, seguindo a tradição 
psicobiológica e empírica. Sua teoria afirmava que os traços antagônicos da personalidade 
poderiam ser relacionados a mesma atividade e propôs que “os mecanismos biológicos 
da extroversão e do neuroticismo tem elementos comuns” e que “a manifestação dos 
traços depende grandemente da natureza do estímulo: apetitivo ou aversivo.” (GRAY, 
1987 apud GARCIA, 2008, p.229).
Gray propôs três sistemas para explicar o comportamento humano, chamados de 
BAS (Behavioral Activation System ou Sistema de Ativação Comportamental); o BIS 
(Behavioral Inhibition System ou Sistema de Inibição Comportamental) e o Sistema 
de Ataque e Fuga. Os principais são os dois primeiros. (GRAY apud GARCIA, 2008).
O sistema BAS de comportamento é ativado pela promessa de recompensa, ou ausência 
de castigo, usando a ansiedade e impulsividade. Já no sistema BIS ocorre o inverso, 
também com a ansiedade e a impulsividade, para deixar que se faça alguma coisa errada 
sob promessa de castigo. (GARCIA, 2008).
Marvin Zuckerman (1993) criou o “Modelo dos Cinco Alternativos” partindo do 
estudo biológico e experimental da personalidade humana. Esse modelo também não 
parte da linguagem. (ZUCKERMAN, 1993 apud GARCIA, 2008).
Para explicar as diferenças comportamentais, Zuckerman analisou o traço da 
personalidade chamado “busca de sensações”. (ZUCKERMAN, 1993 apud GARCIA, 
2008). Garcia (2008), ao elucidar sobre o assunto, esclarece que desta forma:
[...] as pessoas altas em busca de sensações, por terem uma necessidade 
constante de nova estimulação, não suportariam bem as situações de 
privação, enquanto as pessoas baixas na mesma dimensão estariam 
muito mais cômodas nessas situações e, inclusive, as prefeririam 
ativamente.” (GARCIA, 2008, p. 232).
100
UNIDADE IV │ NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS
Roberto C. Cloninger desenvolveu seu modelo – Modelo de Cloninger – com 
fundamentos biológicos, tendo sido considerado o modelo de Cloninger como um 
modelo “psicobiológico”. (CLONINGER apud GARCIA, 2008).
Garcia (2008) explica que Cloninger sugeriu “[...] um modelo de personalidade composto 
por sete dimensões.” (CLONINGER, SVRAKIC, PRZYBECK, 1993 apud GARCIA, 2008, 
p 233). O núcleo do modelo, segundo Garcia (2008, p. 233), é contemplado por quatro 
traços de temperamento: “[...] busca de novidades (NS, da expressão inglesa novelty 
seeking), evitação de dano (HA, harm avoidance), dependência da recompensa (RD, 
reward dependence) e persistência (P, persistence).” 
NS refere-se ao sistema de ativação da conduta em busca de prazer. O sistema oposto 
seria o HA que ativa a inibição da conduta. RD refere-se às diferenças na manutenção 
da conduta já aprendida e P refere-se à manutenção da conduta em condições adversas. 
(GARCIA, 2008).
Bases biológicas da personalidade
Os modos de ser e agir das pessoas têm influências hereditárias e biológicas, bem como 
os fatores ambientais e sociais e também os da cognição, o que pode ser considerado 
um produto biossocial. (JUAN-ESPINOSA, 2008)
Os traços da personalidade têm uma base genética. Assim, como os seres humanos têm 
bases genéticas diferentes, por consequência, a intensidade dos traços da personalidade 
varia de um indivíduo para outro. (JUAN-ESPINOSA, 2008).
Os traços da personalidade estão ligados a uma base biológica, o que pode ser 
afetado por fatores como nutrição, infecções, traumas entre outros fatores externos. 
O desenvolvimento do cérebro baseia-se em estímulos e pode ser comprometido pelo 
ambiente, por exemplo, uma família desajustada e problemática ou um ambiente social 
fora dos padrões morais considerados culturalmente. (KOENEN et al., 2001 apud 
JUAN-ESPINOSA, 2008, p. 264)
Dessa forma, a personalidade é formada pelos fatores biológicos, familiares, sociais ou 
por outras situações que a vida coloca à prova, bem como pelo que se aprende e pelas 
decisões tomadas, entre outros determinantes. (JUAN-ESPINOSA, 2008). 
101
NEUROCIÊNCIA E PROCESSOS AFETIVOS E COGNITIVOS │ UNIDADE IV
Bases neurobiológicas do comportamento afetivo e 
emocional
A complexidade do cérebro parece ser infinita. Para explicar as diferenças que existem 
no sistema neuropsicológico, utilizamos todas as teorias desenvolvidas, aplicando-as 
caso a caso, para saber como elas influenciam na personalidade e, se essas diferenças 
atuam em respostas psicofisiológicas e na conduta. (JUAN-ESPINOSA, 2008). 
Os cientistas e neurofisiologistas estudam emoções mais primitivas para saberem como 
o cérebro funciona em relações a estas. A sensação de recompensa, ou seja, o prazer 
e a satisfação, e a sensação de punição, que representa o desgosto e aversão, são as 
mais estudadas para o comportamento humano emocional. (ESPERIDIAO-ANTONIO, 
2008).
O feixe prosencefálico medial está associado à “casa” das recompensas, com ligações com 
o septo, amígdala, gânglios da base e partes do tálamo. Já a área cinzenta central que 
envolve o aqueduto cerebral de Sylvios, no mesencéfalo com ligações com hipotálamo e 
tálamo. (ESPERIDIAO-ANTONIO, 2008).
Os neurotransmissores mais comuns utilizados relacionados às diferenças de traços da 
personalidade suscetíveis às emoções são a dopamina, adrenalina e seratonina, entre 
outros. (JUAN-ESPINOSA, 2008).
102
Para (não) Finalizar
A Neurociência é uma ciência que, ao se conectar com os estudos da linguagem/
comunicação, traz perspectivas interessantes e sistêmicas de como funcionam os 
mecanismos do sistema nervoso. As funções combinadas deste mesmo sistema 
produzem a linguagem, que foi o tema central deste material. 
Nesse universo tão misterioso que é o cérebro humano e sua relação com outra área tão 
peculiar que é a linguagem e a comunicação, entre outros processos psicológicos que 
contemplaram esta ferramenta de ensino, tivemos a oportunidade de estudar vários 
tópicos, os quais são essenciais para a aprendizagem do tema em questão.
Na Unidade I, estudamos alguns conceitos de neurociências, seu objetivo e seus distintos 
campos. Ainda, abordamos um pouco sobre a Neurolinguística em sua importância 
e definição. Nessa mesma unidade, apresentamos noções sobre o sistema nervoso 
humano e a sua relação com a linguagem, a memória e a aprendizagem.
Também, nessa mesma seção de estudo, exploramos um pouco os temas ‘comunicação 
verbal’ e ‘comunicação não verbal’ e a ligação com a neurociência, além de iniciarmos 
o aprendizado sobre neurotransmissores envolvidos na linguagem, aprendizagem, 
memória, por exemplo, os quais foram tópicos essenciais nessa unidade de estudo.
Na Unidade II compreendemos alguns aspectos importantes referentes à neuroanatomia, 
que estuda as partes do sistema nervoso humano, e deu-se ênfase à anatomia do sistema 
nervoso central, que envolve o encéfalo humano. Também, foram vistas noções básicas 
de neurofisiologia. 
Ademais, nessa mesma unidade teve-se a opontunidade de conhecer e aprender 
um pouco sobre alguns processos psicológicos básicos que são: atenção e memória; 
consciência e suas bases neurobiológicas; e sensação e percepção.
Na Unidade III falamos sobre a perspectiva histórica dos estudos em neurolinguística e 
a respeito dos distúrbios/patologias de linguagem.
Na Unidade IV tivemos a oportunidades de instruir sobre algunsprocessos afetivos e 
cognitivos e suas relações com o Cérebro Humano.
Ademais, vale salientar que a neurociência é um ramo vasto e, apesar de alguns 
estudos e pesquisas sobre essa ciência, ainda é incipiente e pouco conhecido, 
103
PARA (NÃO) FINALIZAR
principalmente no que diz respeito a área que envolve a linguagem e a comunicação, 
valendo à pena buscar fontes complementares sobre o assunto.
Sendo assim, concluímos nosso estudo e aprendizagem com muita dedicação e 
disciplina. Aproveito aqui nestas entrelinhas e coloco uma questão para reflexão:
Como a neurociência no âmbito da linguagem poderá contribuir para melhorar a 
atenção, a comunicação e a inteligência emocional no âmbito das organizações?
104
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	Apresentação
	Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa
	Introdução
	Unidade I
	Neurociência e Comunicação
	Capítulo 1
	Neurociência
	Capítulo 2
	Comunicação: linguagem verbal e não-verbal
	Capítulo 3
	Neurotransmissores envolvidos na percepção auditiva, de fala, linguagem, aprendizagem e memória
	Unidade II
	Neurociência e Processos Psicológicos Básicos
	Capítulo 1
	Neurociências: neuroanatomia e neurofisiologia x processos psicológicos básicos
	Capítulo 2 
	Neurociência e Mindfulness
	Capítulo 3
	Neurociência e processos psicológicos básicos
	Unidade III
	Neurociência da Linguagem
	Capítulo 1
	Perspectiva histórica dos estudos em neurolinguística
	Capítulo 2
	Neurolinguística e distúrbios e patologias da linguagem
	Unidade IV
	Neurociência e Processos Afetivos e Cognitivos
	Capítulo 1 
	Processos afetivos e cognitivos e suas relações com o cérebro humano
	Para (não) Finalizar
	Referências

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