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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS ACADÊMICOS Sara Maria Aparecida de Oliveira Maia RESENHA CRÍTICA ACADÊMICA CABO FRIO 2025 SARA MARIA APARECIDA DE OLIVEIRA MAIA RESENHA CRÍTICA ACADÊMICA Trabalho apresentado à disciplina Leitura e Produção de Textos Acadêmicos, do Curso de Gestão em TI da Universidade Veiga de Almeida, como requisito parcial para avaliação. Professor(a): SILVANA MORELI VICENTE DIAS CABO FRIO 2025 INTRODUÇÃO As transformações no cenário educacional têm se intensificado com o avanço das tecnologias digitais, especialmente no Ensino Superior, onde o perfil dos estudantes é cada vez mais diversificado. O artigo de Lúcia Pombo et al. (2020) investiga como os estudantes não tradicionais, também conhecidos como 23+, utilizam ferramentas digitais no apoio ao seu percurso acadêmico, promovendo a autonomia e a gestão eficiente do tempo e do espaço de estudo. Tais práticas ganham relevância diante da proposta do Processo de Bolonha, que preconiza uma aprendizagem ativa e contínua ao longo da vida. No presente trabalho, proponho uma análise crítica do referido artigo, buscando relacionar suas conclusões com conceitos teóricos discutidos nas disciplinas acadêmicas, sobretudo os abordados no e-book “LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS ACADÊMICOS” da UVA, que oferece uma perspectiva complementar ao considerar a importância da adaptação às novas exigências da sociedade do conhecimento. A intersecção entre tecnologia, autonomia e aprendizagem constitui o cerne desta resenha. DESENVOLVIMENTO A crescente inserção das tecnologias digitais no ambiente educacional tem modificado significativamente as práticas de ensino e aprendizagem, especialmente no Ensino Superior. Os artigos analisados, como o de Lúcia Pombo et al. (2020), ressaltam o papel dessas tecnologias no suporte à autonomia e ao sucesso acadêmico de estudantes não tradicionais. Esse contexto dialoga diretamente com os pressupostos do e-book "Leitura e Produção de Textos Acadêmicos", que compreende o texto como uma prática social situada, influenciada por intenções comunicativas e pela interação discursiva. No artigo de Pombo et al., a distinção entre tecnologias oficiais e não oficiais permite observar que os estudantes assumem um papel ativo na organização de seus percursos formativos. A interação em redes sociais, a utilização de ferramentas de armazenamento na nuvem, e o compartilhamento de materiais são práticas que refletem não apenas um uso instrumental da tecnologia, mas também uma produção textual colaborativa. Esse fenômeno está alinhado à compreensão do e-book da UVA de que a produção de sentido ocorre de maneira interacional e contextual. O e-book enfatiza que a textualidade é atravessada por intencionalidades discursivas. Assim, ao considerar as ferramentas digitais como espaços de produção e troca de saberes, podemos entender que a comunicação mediada por tecnologia amplia o espaço textual da sala de aula para ambientes virtuais, rompendo com a rigidez do conteúdo institucional e promovendo uma textualidade mais aberta, viva e interativa. As trocas em grupos de WhatsApp ou Facebook, citadas pelos estudantes no artigo de Pombo, são exemplos concretos dessa interação textual que constrói conhecimento. A reflexão sobre a autonomia discente, presente nos artigos analisados, pode ser ampliada com o conceito de letramento crítico proposto no e-book. Produzir e compreender textos não se limita à decodificação, mas à capacidade de agir criticamente diante das informações. Estudantes que selecionam ferramentas, criam estratégias de estudo, e compartilham conteúdos assumem uma postura letrada crítica, contribuindo para um processo de formação cidadã e autônoma. Nesse sentido, a aprendizagem deixa de ser unilateral para se tornar dialógica. Isso se aproxima da concepção bakhtiniana de linguagem, também presente no e-book, que entende o texto como resultado de interações entre interlocutores situados em contextos específicos. Os estudantes do estudo de Pombo se apropriam da linguagem digital para significar suas próprias trajetórias acadêmicas, moldando seus discursos a partir das necessidades concretas de comunicação, colaboração e resistência às dificuldades impostas pelas estruturas tradicionais do ensino. Ao comparar a função do professor na era digital com os apontamentos do e-book, observamos que ambos reforçam a importância do papel mediador do docente. No e-book, o professor é aquele que conduz o estudante na leitura e na produção de textos significativos, orientando quanto à coerência, à coesão e à adequação ao gênero discursivo. Já nos artigos, destaca-se a necessidade de o docente reconhecer o potencial das tecnologias digitais, adaptando-se para atuar como facilitador do conhecimento em ambientes digitais. Outro ponto relevante é a forma como as tecnologias influenciam a construção de identidades acadêmicas. O e-book aponta que a produção textual é também uma forma de posicionamento. Estudantes que acessam e utilizam diferentes plataformas digitais constroem discursos próprios, organizam saberes e se identificam com suas práticas. Essa perspectiva se coaduna com o conceito de autoria discutido no e-book, pois os estudantes se tornam coautores de suas trajetórias formativas. A interseção entre tecnologia e produção textual também evidencia a mudança na relação com o conhecimento. Os textos não são mais apenas aqueles impressos em livros didáticos, mas também postagens em fóruns, comentários em redes sociais, mensagens instantâneas e documentos colaborativos. O e-book destaca a importância de reconhecer a diversidade textual, o que é diretamente aplicável ao universo digital abordado nos artigos. Esse reconhecimento valoriza as práticas dos estudantes e legitima novas formas de expressão acadêmica. Ademais, a estrutura dos textos acadêmicos, discutida detalhadamente no e-book, mostra-se cada vez mais presente também nos ambientes virtuais, em atividades como resumos, fichamentos e discussões argumentativas em plataformas de e-learning. A competência discursiva, por sua vez, é essencial para a participação ativa em ambientes digitais, como apontam os artigos que tratam da inclusão de estudantes com trajetórias interrompidas e contextos socioeconômicos diversos. É fundamental, nesse cenário, considerar os desafios impostos pela desigualdade no acesso às tecnologias. O e-book não aborda diretamente essa questão, mas os artigos evidenciam como as competências digitais são desiguais entre os estudantes, e como isso pode afetar o desempenho acadêmico. É papel das instituições promover formação digital para garantir que todos os discentes possam desenvolver suas habilidades de leitura e produção textual em ambientes online. Por fim, cabe destacar que tanto o e-book quanto os artigos apontam para um movimento de ressignificação do processo de aprendizagem. O conhecimento não é mais algo apenas transmitido, mas co-construído em redes, por meio de linguagens diversas e mediado por diferentes suportes. Nesse contexto, a formação acadêmica precisa integrar a competência textual, o letramento digital e a autonomia crítica como pilares de uma educação transformadora. Portanto, ao analisar os artigos da Scielo em comparação com o e-book "Leitura e Produção de Textos Acadêmicos", constata-se uma convergência teórica e prática entre a valorização da textualidade como interação social e o papel das tecnologias digitais como facilitadoras do desenvolvimento acadêmico. Essa articulação reforça a necessidade de formações que integrem competências técnico-textuais, críticas e colaborativas, preparando o estudante para atuar em contextos complexos, dinâmicos e mediados por múltiplaslinguagens. Por fim, o e-book da UVA destaca que, no contexto organizacional, a inovação e a adaptação às mudanças tecnológicas são fatores determinantes para o sucesso. Esse raciocínio pode ser aplicado à educação: quanto mais as instituições de ensino e os próprios estudantes estiverem abertos ao uso criativo e estratégico das tecnologias, maiores serão as chances de êxito acadêmico. Assim, torna-se evidente que a tecnologia, quando utilizada com propósito e intencionalidade, contribui não apenas para a aprendizagem, mas também para o desenvolvimento de competências relevantes para a vida pessoal e profissional. CONCLUSÃO O artigo de Pombo et al. (2020) traz uma relevante contribuição ao debate sobre tecnologias digitais na educação superior, ao focar especificamente nos estudantes não tradicionais. Ele demonstra como a apropriação das tecnologias digitais pode ser estratégica para esses estudantes, fortalecendo sua autonomia, ampliando suas possibilidades de acesso à informação e contribuindo para o sucesso acadêmico. A resenha conclui que o uso intencional e crítico das tecnologias digitais, sobretudo as não oficiais, potencializa não apenas a aprendizagem, mas também a construção de uma experiência acadêmica mais colaborativa, personalizada e inclusiva. REFERÊNCIAS BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2009. POMBO, Lúcia et al. As tecnologias digitais nos percursos de sucesso acadêmico de estudantes não tradicionais. Educação & Pesquisa, São Paulo, v. 46, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/WcrSn45gb3vvWHMLP4F7RmQ/. Acesso em: 07 abr. 2025. SELWYN, Neil. Is technology good for education? Cambridge: Polity Press, 2016.