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FILOSOFIA MEDIEVAL 
 
OLÁ! 
Você está na unidade Filosofia medieval. Conheça aqui os quatro períodos principais, 
começando pelos padres apostólicos, bem no início do cristianismo, nos séculos I e II, cuja 
atividade consistia basicamente em buscar disseminar a palavra de Cristo, em continuidade ao 
trabalho iniciado pelos próprios apóstolos. O segundo momento é o dos padres apologistas, 
nos séculos III e IV, quando é iniciado o trabalho de apologia do cristianismo contra a filosofia 
grega, considerada pagã a partir da perspectiva cristã. O terceiro é o momento da patrística, 
indo de meados do século IV ao século VIII, momento em que se faz importante buscar uma 
conciliação entre razão em fé. O quarto é o da escolástica, entre os séculos IX a XVI, que fica 
com a tarefa de sistematizar a filosofia cristã, a essa altura já bastante volumosa após muitos 
séculos de elaboração. 
Bons estudos! 
 
1 Filosofia medieval: padres apostólicos 
 
O traço principal que encontramos na filosofia medieval é a relação entre 
a experiência humana e a existência do sagrado, por meio da busca de 
provas racionais e lógicas de que o sagrado existe e rege a vida humana. 
O poder político exercido pela religião nesse período histórico faz com que 
seja impossível separar a influência da religiosidade na vida cotidiana de 
todas as pessoas, incluídos aí os filósofos. Outra dificuldade é separar 
filosofia e teologia no pensamento medieval, pois a fé e a divindade são o 
tema principal tratado pela filosofia, que se torna teológica por 
consequência. 
 
1.1 Idade das trevas 
Existem adjetivações atribuídas à Idade Média como sendo uma idade 
das trevas, ao passo que também é possível encontrar quem afirme 
exatamente o contrário. Trata-se de um período de contradições, 
verdadeiramente, em que determinados campos do conhecimento se 
desenvolveram mais e melhor que outros, que acabaram se 
caracterizando por atraso e até retrocesso. Veremos que na filosofia a 
contribuição medieval é bastante rica e que há importantes contribuições 
e construções lógicas que fundamentaram o pensamento moderno e o 
influenciaram de forma decisiva. 
 
Em modo de síntese final e apenas esquemática, poderíamos dizer que a Idade 
Média se fez com luzes e sombras, que fundamentam que, acerca dela, se 
tenham produzido «lendas douradas» e «lendas negras». Luzes e sombras 
provêm de todos os três factores que estiveram na sua génese e determinaram 
o seu rosto próprio. O classicismo em ruínas foi responsável pela subsistência 
de um fundo de civilização (positivo) que, embora medievalizado (negativo), 
serviu como mediação entre a antiguidade clássica e a modernidade. Os 
bárbaros foram responsáveis pela regressão cultural (negativo), mas, ao mesmo 
tempo, acolheram, a seu modo, valores clássicos e valores cristãos (positivo). O 
cristianismo revolucionou positivamente a visão e a prática da vida típicas do 
paganismo (positivo), ainda que se tenha deixado levar por excessos de vária 
ordem (negativo) (COUTINHO, 2008, p.14). 
2 Filosofia medieval: apologética 
Jesus Cristo nasce durante o Império Romano, em que vigorava um 
politeísmo, ou seja, muitos deuses eram simultaneamente cultuados, e 
todas as práticas religiosas eram toleradas com certa tranquilidade. O 
cristianismo era, então, apenas uma dentre várias manifestações 
religiosas que conviviam no Império Romano. No entanto, seus 
seguidores sofreram algumas perseguições por se recusarem a praticar 
os cultos tradicionais do império, pois o cristianismo os obrigava ao 
monoteísmo. 
2.1 Idade Média 
O Império Romano do Ocidente caiu no ano de 476, após ataques 
constantes de povos que os romanos denominavam de bárbaros, dando 
início ao que chamamos de Idade Média, período em que a organização 
política se tornou muito inferior se comparada à organização da 
instituição Igreja. A difusão do cristianismo nos primeiros séculos fica a 
cargo de seus primeiros seguidores, que vão angariando novos fieis e 
fazendo com que a comunidade cristã cresça. 
Uma das grandes questões que surgem neste momento é sobre como 
conciliar fé e razão. No plano político, é sobre como conciliar a doutrina 
cristã e a cidadania romana no lado oriental do Império. Pela proximidade 
geográfica com a região onde florescera a Antiguidade Clássica, a 
influência cultural grega é forte, gerando um grande contraste entre a fé 
cristã e o pensamento filosófico-científico. 
 
Temos, então, dois diferentes grupos de pensadores cristãos: 
 
• AQUELES QUE BUSCAM CONCILIAR O CRISTIANISMO COM A 
FILOSOFIA GREGA (PAGÃ, DO PONTO DE VISTA CRISTÃO) E; 
 
• AQUELES QUE REPUDIAM POR COMPLETO A FILOSOFIA PAGÃ 
E FAZEM APOLOGIA AO CRISTIANISMO. 
O período principal de efervescência apologética foi nos séculos III e IV 
(COTRIM, 2001). 
A Igreja cristã tem dois momentos muito diferentes no início de sua 
existência. 
 
Antes do Édito de Milão, em 313, era uma instituição minoritária, 
perseguida e quase clandestina. Após 313 se torna uma instituição oficial 
do Império. A doutrina construída pelos chamados padres (ou pais) da 
igreja se constitui progressivamente numa doutrina política, trazendo 
para o campo temporal as posições teológicas fundamentais do 
cristianismo (NEMO, 2007). 
Antes de sua oficialização pelo imperador Constantino em 313, a Igreja 
constituía uma espécie de Estado dentro do Estado, uma vez que os 
cristãos se recusavam a cumprir determinadas obrigações de cidadãos 
por contrariarem a doutrina cristã. Quanto maior a seita cristã se 
tornava, maior a ameaça que representava. Um anticristão chamado 
Celso afirmou, mesmo, que eram como bárbaros no interior do império, 
ou seja, comparou a ameaça cristã à ameaça que os povos bárbaros 
representavam no entorno das fronteiras romanas (NEMO, 2007). 
Enquanto Celso acusava os cristãos de criarem um Estado à parte e 
recriminava esta conduta, um apologista de nome Tertuliano, um dos 
mais famosos por seu rigor, reivindica exatamente o status de secessão. 
Afirma que a República dos cristãos é o mundo e que o Imperador não 
tem nenhum valor em si, é apenas um instrumento de Deus. Para 
Tertuliano uma lei injusta não tem validade e a definição da justiça da 
legislação cabe à Igreja e não ao Império. Como viveu no período anterior 
ao Édito de Milão, Tertuliano não podia verbalizar sua crítica muito 
explicitamente (NEMO, 2007). 
 
Orígenes foi um apologista de grande relevância e de características mais 
moderadas que Tertuliano, pois aceita a importância da filosofia grega, 
acreditando que os pagãos entreviram a verdade. Sua formação é 
platônica, está na mesma geração de Plotino, fundador do 
neoplatonismo. Por se alinhar com as teorias dualistas, defende que as 
escrituras sagradas possuem dois sentidos, um mundano e um 
espiritual. 
 
Orígenes antecipa, de certa forma, a teoria da existência de duas cidades, 
que depois ganha notoriedade com Agostinho. As cidades de Orígenes 
não são antagônicas, existem paralelamente, cada uma em direção a seus 
próprios objetivos. Isso no plano político é interessante porque permite 
que o governante temporal não seja ameaçado pela Igreja, pois seu 
reinado é próprio de seus domínios terrenos. Orígenes acredita que o 
Império facilitou a difusão da mensagem do Evangelho, o que não deixa 
de ser verdade, pois não fosse o ambiente favorável ao florescimento e 
difusão do cristianismo, talvez sua expansão não tivesse ocorrido da 
forma como ocorreu (NEMO, 2007). 
Em Roma, a filosofia se apresenta como socorro metafísico, que oferece 
algo que a religião não oferecia. O problema é que a filosofia só 
interessava realmente a um pequeno grupo letrado. O restante do “povo 
parecia ansiar por uma presença que se contrapusesse à ausência, ao 
vazio. Ansiava por um Deus que fosse sensível ao coração” (FERRY; 
JEPHARGNON, 2011, p. 24-29). 
Em Atenas, o apóstolo Paulo observou essa lacuna metafísica: 
 
Paulo, em pé no meio do Areópago, disse: “Homens de Atenas,em tudo vos vejo 
muitíssimo religiosos. Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do 
vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A um Deus 
desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!” (At 17, p.22-
23). 
Entre os cristãos parecia haver uma presença só sentida por eles, que os 
inspirava o melhor comportamento e os acompanhava todos os dias. 
Os cristãos tinham um Deus que se importava com cada ser humano, 
individualmente, e cada vida recebia um significado eterno num plano 
cósmico, dando forma à ideia de liberdade e de um amor sem fronteiras. 
Não se tratava mais de cumprir ritos ou sacrifícios, mas de fazer 
sacrifícios pessoais, como o Cristo fez para salvar a humanidade: era 
preciso oferecer-se ao Deus. Surge uma fascinante e inesperada 
valorização do ser humano e um inédito pensamento do amor (FERRY; 
JEPHARGNON, 2011). 
Um dos motivos que se pode apontar para o pensamento cristão se 
estabelecer com sucesso é ter preenchido os vazios deixados pela 
insuficiência da filosofia grega em responder à questão da salvação. “A 
promessa cristã de salvação é muito superior à promessa da salvação 
filosófica, o que fez o cristianismo prosperar, exercendo uma 
tentação sobre os corações e não sobre as mentes” (FERRY; 
JEPHARGNON, 2011, p. 97). 
 
2.2 Filosofia cristã 
O desenvolvimento da chamada filosofia cristã acontece, portanto, num 
cenário de desfacelamento do Império Romano. A ascensão da Igreja 
assume papel religioso, econômico, social. A difusão do cristianismo 
ocorre na base da lógica de que a fé é a fonte da verdade e que o 
importante é a salvação da alma, para a vida eterna. 
 
Assim, no campo das investigações científico-filosóficas as possibilidades ficam 
bastante limitadas. Acredita-se não ser necessário buscar a verdade, pois a 
verdade já foi revelada por Deus. 
Trabalhando no limite do possível, os pensadores, a partir deste momento, 
passam a buscar, demonstrar racionalmente as verdades da fé, quando muito 
Alguns religiosos nem isso admitiam, pois a filosofia grega seria a porta para o 
pecado e deveria ser evitada por completo, como os apologistas. 
Alguns filósofos buscaram conciliar fé e razão para tentar convencer os 
descrentes a aceitar a fé pela razão. 
 
A filosofia cristã trata, então, de questões eminentemente teológicas como 
a trindade, a dualidade liberdade versus salvação, a relação entre fé e 
razão. 
 
3 Filosofia medieval: patrística 
Agostinho de Hipona viveu de 354 a 430, já nos últimos anos de 
sobrevivência do Império Romano do Ocidente e seu pensamento se 
alinhava com a doutrina do neoplatonismo. Converteu-se cristão aos 33 
anos e acreditou ter encontrado a verdade total, a libertação em Jesus 
Cristo. No entanto, não se desvinculou de sua corrente de pensamento 
neoplatônico, o que resultou numa filosofia cristã feita através do 
neoplatonismo. Sua obra tem como objeto central o homem buscar a 
Deus dentro de si (GILSON, 1995). 
 
Podemos considerar, no neoplatonismo, as seguintes características 
fundamentais: a) Retomando a visão dualista do mundo, proveniente de Platão, 
procura superar esse dualismo através da afirmação de um radical monismo: a 
dualidade do real é vista como condição derivada de uma radical unidade 
originária, na qual tende a ser reassumida. b) Inscreve-se no contexto cultural 
de angústia existencial, religiosidade e misticismo generalizados, típico dos 
últimos tempos da era pré-cristã e primeiros da cristã, tendo-se configurado 
como filosofia religiosa de tendência mística e mesmo de cariz soteriológico ou 
salvacionista. c) Como tal, ao menos do ponto de vista cristão, representa, ao 
mesmo tempo, o derradeiro grande esforço e a impotência da razão pagã para 
encontrar, por si mesma, uma resposta satisfatória para os mais graves 
problemas que se apresentam ao ser humano, quais são os problemas do mal e 
do sofrimento, do pecado e da morte (COUTINHO, 2008, p. 28). 
3.1 Fé em busca da inteligência 
Sua filosofia busca usar a fé para levar mais longe a inteligência, ou seja, 
aceitar pela fé as verdades que Deus revela, para delas adquirir 
inteligência (fé em busca da inteligência). Valeu-se da máxima: 
“compreende para crer, crê para compreender”. A obra Confissões narra 
sua luta pessoal e intelectual para alcançar o que chama de caminho do 
verdadeiro conhecimento, ou seja, Deus. Não acredita na possibilidade 
de o homem chegar a conhecer a verdade absoluta, mas defende que a fé 
deve ser a solução para o ceticismo. Assim, toda a verdade revelada deve 
ser aceita com base na fé, pois não é possível ao homem investigar e 
descobrir nada nesse escopo. A verdadeira sabedoria está, portanto, na 
verdade revelada (MORRISON, 2012). 
As sensações são as ações que a alma exerce sobre o corpo e nos 
informam sobre objetos instáveis, contingentes (fatos). O conhecimento 
nos mostra a verdade, que é necessária, imutável e eterna (regras). 
Conhecer é apreender pelo pensamento um objeto que não muda. A alma 
já contém em si mesma conhecimentos desse gênero. Afirma que os 
objetos sensíveis não ensinam verdades, porque são instáveis, 
contingentes, o que demonstra sua desconfiança nos dados provenientes 
dos sentidos (BITTAR, 2010). 
A grande questão que coloca é “de onde vem o conhecimento?”, se os 
sentidos não são confiáveis? 
• 
• 
• 
Na relação alma e corpo, o cristão afirma que o homem é a unidade da 
alma e do corpo, mas o filósofo recai na afirmação platônica de que o 
homem é uma alma que se serve de um corpo. A alma é superior ao corpo 
e dele não sofre influência e se une ao corpo pela ação que exerce para 
vivificá-lo. 
Corpo 
O corpo do homem não é a prisão da alma, mas tornou-se a prisão da alma através 
do pecado original. Por isso o primeiro objeto da vida moral deve ser a libertação 
do pecado original. Os atos morais são exclusividade das criaturas racionais, que 
são livres, pois atos morais dependem da razão. Então, erros morais são o mau 
uso do livre arbítrio. O livre arbítrio pode falhar, porque não é um bem absoluto; 
é a condição do maior dos bens, a beatitude, a felicidade, o querer apreender o 
soberano Bem. O pecado é culpa do homem, só do homem, pois ao pecar o homem 
preferiu em vez de usar a liberdade para buscar o bem, desviar-se de Deus para a 
busca de coisas inferiores e para desfrutar de si (BITTAR, 2010). 
 
ALMA 
A alma foi criada para reger o corpo, mas no pecado é regida por ele e entra em 
decadência. A alma só sai dessa decadência com a graça da Redenção, com o 
socorro divino, pois a alma não é capaz de fazer o caminho de retorno sozinha. A 
graça coopera com o livre arbítrio, sem ela o livre arbítrio pode errar (BITTAR, 
2010). 
 
Tendo sido criado por Deus, o homem depende, em última instância, da graça 
de Deus. O homem pode optar pela prátca do bem, mas não tem o poder 
espiritual de fazer o bem que escolheu. Ele precisa do auxílio da graça divina. 
Enquanto o mal é causado por um ato de livre-arbítrio, a virtude é produto não 
da vontade humana, mas da graça de Deus. Enquanto a lei moral pode dar a 
impressão de dizer ao homem o que ele deve fazer, ao fim e ao cabo ela realmente 
lhe diz o que é errado que faça. Onde a lei impera, a fragilidade humana se vê 
mais exposta (MORRISON, 2012, p.71). 
 
Para fazer o bem é preciso a graça (dom de Deus) e o livre arbítrio. A 
liberdade é o poder de utilizar corretamente o livre arbítrio. Assim, o 
homem que é mais dominado pela graça de Deus, será o homem mais 
livre. A liberdade plena não nos é acessível nessa vida, mas a busca, a 
aproximação da liberdade plena é o meio de obtê-la após a morte 
(BITTAR, 2010). 
 
A obra A Cidade de Deus se fez necessária para que Agostinho pudesse 
justificar o cristianismo perante o povo romano, uma vez que surgiram 
acusações de que a ruína de Roma teria sido causada pela recusa cristã 
de manter as oferendas aos deuses da cidade, considerados pagãos, e 
que por isso a cidade teriaficado desprotegida. Disso surge a indagação 
central: por que o novo Deus cristão não salvou Roma? (MORRISON, 
2012) 
 
Os homens que amam a Deus são unidos a Ele pelo amor que tem por 
Ele e entre si por esse amor em comum. Um povo é um conjunto de 
homens unidos na busca pelo amor de um mesmo bem. Há povos 
temporais unidos na busca por bens temporais e os cristãos vivem na 
terra no meio desses povos (Cidade dos Homens). O povo formado pelos 
cristãos em busca da mesma beatitude, sejam de que cidade temporal 
forem, é a Cidade de Deus. As duas cidades estão misturadas na terra, 
mas serão separadas no juízo final. 
 
A criação da Cidade de Deus iniciou-se progressivamente desde a criação do 
mundo. O livro A Cidade de Deus é uma construção teológica dessa história que 
vai desde a criação do mundo até o dia em que as cidades serão separadas. 
 O mistério que atravessa essa história é a caridade divina atuando para 
restaurar a criação divina que foi degradada pelo pecado. Porque uns se salvam 
e outros não, é um segredo de Deus. 
Como Agostinho foi levado a pensar sobre o valor de uma sociedade terrena em 
virtude da ruína do Império Romano, sua argumentação acaba por retirar o 
valor em si da vida na terra, que pode ser vista como sendo apenas um meio de 
se obter a liberdade após a morte (BITTAR, 2010). 
3.2 Jusnaturalismo 
A definição de justiça de Agostinho é jusnaturalista: “disposição do 
espírito, que respeitando a utilidade comum, que atribui a cada um seu 
valor” e que tem sua origem na natureza. Direito natural é fruto de uma 
força inata. Lex temporalis é a lei positiva; Lex aeterna é a eterna, da 
razão suprema; Lex naturalis é a natural, racional (BITTAR, 2010, p. 
215). 
 
Agostinho aceita a fórmula da justiça como a virtude de dar a cada um o 
que lhe é devido, o que implica uma dificuldade de definição a respeito 
do que é o devido a alguém, pois poderia levar à conclusão de que o 
conteúdo e a definição do que é justiça pode variar tanto quanto for o 
número de sociedades existentes. Desse modo, o que é justo em uma 
cidade poderia ser, ao mesmo tempo, injusto em outra. E assim justo e 
injusto existiriam simultaneamente, violando a lógica da não-contradição 
(MORRISON, 2012). 
Por isso a justiça em Agostinho é justiça humana ou justiça divina. 
• Justiça humana 
É a que se realiza entre os homens e é imperfeita, pois é feita pelos 
homens, cuja natureza está corrompida. 
 
• Justiça divina 
É a que tudo governa e preexiste no céu; é absoluta, imutável, perfeita, 
infalível, infinitamente boa e justa. Deus produz nos homens a lei através 
da justiça divina, então, nessa medida, pode-se até afirmar que a lei dos 
homens também é divina (naquilo em que não se corrompeu). 
 
Justiça humana e justiça divina nem sempre coincidem e muitas vezes o 
que é uma transgressão para uma, é indiferente para a outra. No entanto, 
não é considerada lei a que não é justa, a lei só é lei se for justa. O direito 
não pode se dissociar da justiça, ou será uma mera instituição humana 
e que não pode ser chamado de direito. Justiça tem a ver com a ordem: 
da razão sobre as paixões, das virtudes sobre os vícios, de Deus sobre o 
homem (BITTAR, 2010). 
 
Se as leis do Estado não estiverem em harmonia com o direito e a justiça 
naturais, não terão o caráter de verdadeiras leis nem haverá, no caso, um 
Estado verdadeiro. Uma vez que ele definia uma comunidade como um Estado 
do povo, “não haverá povo se este não estiver unido por um consenso do direito; 
tampouco haverá direito que não esteja fundamentado na justiça. Segue-se daí 
que não onde não houver justiça, não haverá comunidade.” Desse modo, Santo 
Agostinho parece ter encontrado sua resposta para a questão de um conceito 
crítico e investigativo para investigar a ordem jurídica convencional. A ordem 
jurídica deve ter uma base, e essa base não pode ser o processo em si; a mera 
criação do direito através dos órgãos do Estado não pode significar que eles 
sejam justos. Essa qualidade de justa deve vir de algum outro ato: aqui, está 
em conformidade com a origem última da verdade, a vontade de Deus 
(MORRISON, 2012, p.73). 
4 Filosofia medieval: escolástica 
A escolástica é a produção filosófica que surge no ambiente cultural das 
escolas e das primeiras universidades, a partir do século IX, no contexto 
político do Império Carolíngio, em que o rei Carlos Magno promoveu uma 
verdadeira renascença cultural estimulando as artes e a educação. Houve 
uma retomada do período clássico e a educação romana foi usada como 
modelo na adoção das matérias lecionadas. O trivium era composto de 
gramática, retórica e dialética; o quadrivium era composto de geometria, 
aritmética, astronomia e música. As traduções e comentários da obra de 
Aristóteles feitos pelos árabes, especialmente Avicena e Averróis, 
permitiram que seu pensamento fosse difundido na Europa, 
influenciando profundamente o pensamento escolástico (COTRIM, 2001). 
A busca de conciliação entre razão e fé persiste durante o período 
escolástico, que pode ser dividido em três fases. Na primeira delas os 
pensadores demonstram confiança na existência de uma harmonia 
perfeita entre fé e razão, entre os séculos IX e XII; na segunda delas, 
temos a elaboração de grandes sistemas filosóficos em que se postula a 
possibilidade de uma harmonia parcial entre fé e razão, entre os séculos 
XIII e XIV; na terceira fase encontramos a decadência da escolástica e a 
aceitação das diferenças fundamentais entre fé e razão (COTRIM, 2001). 
 
 
4.1 Tomás de Aquino 
O principal expoente da escolástica é Tomás de Aquino, que viveu de 
1225 a 1274 e tem uma obra que conjuga cristianismo e aristotelismo. 
Existem muitas discussões a respeito da originalidade da obra de Tomás 
de Aquino frente à de Aristóteles, alguns dizendo que se trata de mera 
repetição, outros defendendo que, pelo contrário, existe continuidade e 
inovação. Étienne Gilson afirma que 
se se trata de física, de fisiologia ou dos meteoros, santo Tomás é apenas aluno 
de Aristóteles; mas se se trata de Deus, da gênese das coisas e de seu retorno 
ao criador, santo Tomás é ele mesmo (GILSON, 1995, p.657). 
 
Direito e justiça têm lugar especial em sua obra, sendo abordados como 
parte do conjunto de interesses dos homens. A justiça em Tomás de 
Aquino deve ser estudada sob o ponto de vista da ação humana, da 
práxis, da virtude de dar a cada um o que é devido (BITTAR, 2010). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
#PraCegoVer: A imagem é uma pintura de Tomás de Aquino, feita 
por Abraham Van Diepenbeek, pintor que viveu de 1596 a 1675. 
O homem na concepção tomista é composto de corpo (que é corruptível, 
material e mortal) e alma (que é incorruptível, imaterial e imortal). Esse 
homem é dotado de faculdades, que ele classifica em vegetativas, 
sensitivas e intelectuais. A faculdade vegetativa exerce as atividades das 
quais desconhece forma e fim, são tarefas fisiológicas. A faculdade 
sensitiva executa e aprende a forma do agir. Já a faculdade intelectual, 
sobrevive, executa atividades e ainda apreende a forma e o fim de suas 
ações. É a faculdade intelectual que diferencia o homem dos outros seres 
dotados de alma (BITTAR, 2010). 
O conceito cristão tomista de indivíduo aparece, assim, como o de 
um ser dividido de todos os outros seres e, por sua vez, não divisível em outros 
seres. Portanto, ele é bem diferente sob esse aspecto, de uma espécie, por que, 
se é verdade que a espécie é formalmente distinta de qualquer outra espécie, ela 
pode, porém, ser dividida numa pluralidade de indivíduos distintos sem perder 
sua natureza. A humanidade existe em cada homem, e é inclusive porque há 
homens que a espécie humana existe. Um homem, ao contrário, é distinto de 
todo outro homem e não se poderia dividi-lo em vários sem o destruir; é por isso 
que o chamamos de ‘indivíduo’ (GILSON, 2006, p.265). 
Essa individuação contribui para a valorização do homem enquanto ser 
original, paraa construção de uma ideia de dignidade única e própria a 
cada ser humano, que será completada apenas no século XVIII por Kant. 
O homem é, portanto, ao mesmo tempo um animal racional, como na 
concepção clássica, um ser composto por corpo e espírito, como na 
concepção neoplatônica e uma criatura feita à imagem e semelhança de 
Deus, como na bíblia (SALGADO, 2011). A construção cristã de que o 
homem não é nem apenas alma, nem apenas corpo, mas uma 
composição necessária e única dos dois será fundamental para o conceito 
de dignidade humana. 
O conhecimento se constrói a partir da experiência sensível com as 
coisas, pois para a escolástica nada está no intelecto que primeiro não 
tenha passado pelos sentidos. Assim, as sensações usam a razão como 
ponto de apoio para construir o conhecimento e com o uso racional das 
experiências é possível ao homem discernir entre fins desejáveis e não 
desejáveis e eleger os meios para alcançá-los. O ato de conhecer consiste, 
para o homem, em depreender das coisas aquilo que nelas existe de 
universal. O que o intelecto vai buscar dentre os bens disponíveis para 
conhecer é o bem em si, de que os bens particulares participam. Assim, 
a liberdade em perfeição aconteceria nesse mundo se o intelecto humano 
fosse capaz de conhecer o Soberano Bem, que não nos é alcançável. 
 
Então, 
 
somos, pois, reduzidos a procurar determinar, por um esforço incessantemente 
renovado do intelecto, entre os bens que se nos oferecem, os que se ligam ao 
Soberano Bem por uma conexão necessária. E é nisso, pelo menos neste mundo, 
que consiste nossa liberdade. Pois que a imutável adesão ao Soberano Bem nos 
é recusada, nossa vontade só tem de optar entre os bens particulares; logo, ela 
sempre pode querê-los ou não os querer, e querer este em vez daquele (GILSON, 
1995, p.669). 
Deus deu ao homem a liberdade de ser, agir, decidir: a vontade existe no 
homem para que ele possa escolher o caminho para realizar o bem. A 
liberdade consiste justamente em poder escolher dentre os inúmeros 
valores que se apresentam como caminhos. A atividade ética é 
exatamente a de discernir mal e bem e buscar o bem. Na ética do coletivo, 
Tomás de Aquino segue o aristotelismo: a ética deve presidir o convívio 
social, a autoridade dirigente da sociedade deve ser prudente na busca 
do bem comum. 
A ética incide sobre o agir, sobre a razão prática, o que Tomás de Aquino 
denomina sinderese: conjunto de conhecimentos conquistados a partir 
da experiência habitual, com base nos quais se podem construir 
conceitos sobre o que é bom e mau, justo e injusto. No dicionário comum 
sinderese significa estado de contrição; remorso; discrição; bom senso; 
faculdade de julgar corretamente. No sentido tomista, a sinderese atua 
para que o homem encontre o caminho do bem (o bem é o que a todos 
agrada). A grande dificuldade é identificar o bem e distingui-lo do bem 
aparente, pois o mal tem aparência de bem, embora seja a privação do 
bem, um estado de ignorância do bem. As experiências sinderéticas vão 
formar um conjunto de princípios e conceitos que permitem a tomada de 
decisões de acordo com hábitos, ou seja, os hábitos não são inatos e sim 
conquistados pela experiência (BITTAR, 2010). 
 
4.2 A virtude da justiça 
O princípio da razão prática de fazer o bem e evitar o mal será o pano de 
fundo da teoria tomista da justiça. O homem, guiando-se pelos princípios 
que extrai da experiência, forma sua lei natural, seu hábito interior. Essa 
lei natural é racional (vem da razão prática e sinderética); rudimentar 
(não corresponde à totalidade do direito); insuficiente e incompleta 
(necessita de uma lei humana positiva para efetivar-se). A justiça na 
sociedade precisa surgir porque essa lei natural do homem, ética, não 
basta para regular o comportamento em sociedade. A justiça é uma 
virtude (meio termo entre um excesso e uma carência) que traduz o dever 
de dar a cada um o que é seu, numa relação de igualdade entre pessoas 
(BITTAR, 2010). 
Porém, é necessário explicar o que é próprio de cada um: cada um possui 
uma medida e nem todos são materialmente iguais. A justiça é um hábito, 
uma prática, não tem a ver com paixões interiores e sim com a 
exteriorização de um comportamento de dar a cada um o que é seu. A 
justiça cuida da conduta exterior do homem enquanto as outras virtudes 
cuidam da conduta interior (alteridade). 
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As criaturas participam da lei eterna segundo sua intelectualidade, 
segundo a perfeição de sua natureza e pela dignidade de seu fim. A lei 
eterna age nas criaturas de acordo com a finalidade de cada espécie, de 
maneira que os seres irracionais apenas servem aos seres racionais. O 
jusnaturalismo tomista prega uma justiça variável e contingente como a 
razão humana. A positivação do que é contrário à lei natural é um direito 
injusto e ilegítimo. Os conceitos de justiça podem ser vários, existem 
várias justiças, porque o que é devido a cada um é muito específico. 
Temos, assim, a justiça comutativa, para as relações entre indivíduos 
particulares, em condição de igualdade; e a justiça distributiva, para 
relações entre Estado e indivíduos, ou seja, a relação da parte com o todo, 
atribuindo a cada parte o que lhe é devido a partir da participação, 
capacidade ou mérito em sua atuação na sociedade. (BITTAR, 2010:259) 
Na Suma Teológica, a justiça é definida como “o hábitus, pelo qual, com 
vontade constante e perpétua, se dá a cada um o seu direito” (II, q. 58, a. 
1, rep.) ou, ainda, “o ato de justiça consiste precisamente em dar a cada 
um o que é seu” (II, q. 58, a. 11, rep.). 
A alteridade é necessária no ato de justiça porque a justiça existe para 
retificar atos humanos, então, em seu conceito mesmo a justiça implica 
a relação com outrem, “pois nada é igual a si mesmo, mas a um outro”. 
5 Filosofia medieval: mística e a 
questão teológica 
O traço que marca a produção filosófica medieval é a permanente 
discussão a respeito da relação entre razão e fé. Isso faz com que os 
contornos do pensamento medieval sejam, naturalmente, permeados 
pela teologia. O estudo dos pensadores do período nos faz perceber que 
existe uma forte conexão entre teologia e filosofia, existindo, de certo 
modo, até mesmo uma submissão da filosofia à teologia. Essa submissão 
terá fim com a Modernidade, que separa definitivamente os dois campos 
de estudos, proporcionando autonomia a ambos. Paralelamente a isso, 
como reação ao caráter racionalista que a escolástica começou a assumir, 
encontramos o fortalecimento de manifestações de pensadores que 
podem ser agrupados dentro do que chamamos de mística cristã, 
movimento que se inicia na Idade Média e cujo período de ouro dura até 
o século XVII, embora não tenhamos espaço aqui para abordá-lo em sua 
totalidade. 
5.1 Mística cristã 
A palavra “mística” sofreu certa banalização e assumiu significados 
vulgares, muitas vezes sendo empregada apenas como sinônimo de 
religião ou de interesse por religiosidades, mas aqui se faz necessário 
dedicar espaço para nos debruçarmos sobre seu sentido original, para o 
que nos valemos das palavras de Lima Vaz: 
 
Diz respeito a uma forma superior de experiência, de natureza religiosa, ou 
religioso-filosófica, (Plotino), que se desenrola normalmente num plano trans 
racional - não aquém, mas além da razão -, mas, por outro lado, mobiliza as 
mais poderosas energias psíquicas do indivíduo. Orientadas pela 
intencionalidade própria dessa original experiência que aponta para uma 
realidade transcendente, essas energias elevam o ser humano às mais altas 
formas de conhecimento e de amor que lhe é dado alcançar nesta vida. A 
utilização moderna do termo “mística” para designar convicções, 
comportamentos ou atitudes, cujo objeto está circunscrito aos limites do nosso 
ser-no-mundo e envolvido por uma nuvem passional que obscurece o olhar claro 
da razão, deve ser interpretada como indício de uma inversão radical na ordem 
de nossas prioridadesespirituais, que inflete para o domínio da imanência o 
termo último da intencionalidade constitutiva do espírito (VAZ, 2015, p.10). 
As três grandes formas de experiência mística na cultura ocidental são: 
• a mística especulativa; 
• a mística mistérica; e 
• a mística profética, sendo esta última essencialmente 
cristológica. 
5.2 Mística especulativa 
A tradição mística especulativa se desdobra em duas grandes fases, a 
primeira de caráter neoplatônico e a segunda de caráter cristão. No 
medievo, o encontro dessas duas fases proporciona a caracterização da 
mística cristã como um todo em torno do problema da contemplação. A 
mística cristã como um todo se caracteriza, de fato, como um único 
tronco cujas raízes estão no texto do Novo Testamento, apresentando 
versões das três formas da mística: especulativa, mistérica e profética 
(VAZ, 2015). 
Podemos, pois, considerar como patronos da mística especulativa cristã 
alguns dos representantes mais ilustres da Patrística grega: os 
alexandrinos Clemente e Orígenes (séc. III), o capadócio São Gregório de 
Nissa (séc. IV), denominado o “pai da mística cristã”. Evágrio Pôntico (séc. 
IV), os escritos chamados pseudodionisianos (provavelmente inícios do 
séc. VI), Máximo Confessor (séc. VII). A obra de Pseudo-Dionísio, cuja 
influência foi enorme no Oriente e, a partir do século IX (primeiras 
traduções), no Ocidente, acabou por fixar definitivamente a estrutura 
conceptual e a terminologia da mística contemplativa cristã. Por sua vez, 
a mística ocidental latina reconhece como seu mestre indiscutível Santo 
Agostinho (sécs. IV-V), que deu uma expressão latina e genuinamente 
crista à terminologia e à estrutura conceptual da contemplação 
neoplatônica. A obra de Santo Agostinho, juntamente com a de São 
Gregório Magno (séc. VI), constituem a fonte principal da doutrina da 
contemplação na mística especulativa cristã no Ocidente, fonte que, a 
partir do século IX, misturará suas águas com a corrente provinda dos 
escritos pseudodionisianos (VAZ, 2015, p.43). 
No século XIII, encontramos um desenvolvimento importante da mística 
especulativa, também conhecido como o século das grandes construções 
teológicas. Os destaques desse período são: 
• Alberto Magno, que iniciou a corrente renana da mística; 
 
• Tomás de Aquino, que se aprofundou numa teologia da mística 
(não confundir com teologia mística); e 
 
• São Boaventura, que escreveu inspirando-se no paradigma da 
vida mística vivida por São Francisco de Assis (VAZ, 2015). 
 
5.3 Mística mistérica 
A designação da mística mistérica é exemplo de um caso de pleonasmo, 
já que mistério e mística tem a mesma origem. No entanto, essa 
denominação se presta a delimitar o espaço em que atua a mística, bem 
como colocar em destaque o mistério do rito ou do culto como espaço 
privilegiado da experiência do sagrado. O mistério se revela, mas não se 
racionaliza (VAZ, 2015). 
 
5.4 Mística profética 
A mística profética é a forma original da mística cristã, sobre a qual 
devem apoiar-se as formas cristãs da mística especulativa e da mística 
mistérica. Suas origens são o Novo Testamento, o livro sagrado cristão 
por excelência, embora elementos possam ser encontrados no Antigo 
Testamento também. A vida contemplativa é a estrutura a ser colocada 
em prática para se buscar alcançar a plenitude, por meio da 
correspondência entre Palavra e Fé (VAZ, 2015). 
 
Sendo, pois, uma herança da tradição grega, o problema da relação entre 
contemplação e ação sofre, ao ser transposto para a teologia cristã, uma 
profunda e mesmo radical mudança em seus dados e em suas perspectivas, 
vindo a tornar-se uma marca original da contemplação cristã. Essa 
originalidade manifesta-se em duas características fundamentais: a) 
primeiramente, a ação flui, por necessidade intrínseca, da própria natureza da 
contemplação; b) em segundo lugar, contemplação e ação unem-se na 
identidade do fim, vem a ser, a vida eterna na visão beatificante de Deus (VAZ, 
2015, p.91-92). 
 
A mística, de modo geral, pode ser delineada com três características 
principais, que são, a abertura ao mistério, a necessidade do 
despojamento como caminho para o encontro e a ênfase na intimidade 
(MARIANI, 2009). A experiência da mística, do ponto de vista do sujeito, 
é trans racional, ou seja, se dá num plano onde cessa o discurso da razão. 
Isso a torna absolutamente singular e não partilhável (VAZ, 2015). 
A contribuição da mística para a teologia é muito importante, pois sua 
oferta de elementos para uma melhor compreensão da revelação capaz 
de dar suporte para se lidar com a tensão entre absolutez e relatividade 
existente nas religiões em diálogo contra os riscos de diante da diferença, 
se sucumbir no fundamentalismo ou no relativismo que promovem a 
violência. E para concluir podemos dizer que a atenção à mística 
certamente tem trazido e se bem compreendida, continuará trazendo 
condições de se realizar, através da religião e para além dela, a almejada 
promessa de frutuosa convivência (MARIANI, 2009).

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