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Marcelo Borgo ENDOMETRIOSE Definição É quando a gente encontra foco de endométrio fora da cavidade uterina, tecido endometrial fora do útero. Pode-se encontrar endométrio em ovários, ligamentos útero-sacrais (mais frequente), peritônio, intestino, vias urinárias ou qualquer outro lugar da pelve. Também pode-se ter, mais raramente, endometriose em locais extrapélvicos. Ovários Foco encapsulado (endometrioma), é um foco de endométrio no ovário que encapsulou. Teorias Teoria da Menstruação Retrógrada (Sampson) A menstruação ocorre de maneira retrógrada, refluindo pelas tubas uterinas, caindo na cavidade e causando focos de endometriose. Metaplasia Celômica É quando se tem tecido indiferenciado na superfície peritoneal, ou no ovário, e esse tecido se diferencia em células endometriais. Teoria de Javert É uma união da teoria da menstruação retrógrada e da metaplasia celômica: diz-se que o sangue da menstruação retrógrada estimula as células indiferenciadas a se diferenciarem em células endometriais. Imunológico As células natural killers e fagócitos locais deveriam destruir as células ectópicas, ou seja, destruir o tecido endometrial ectópico. Há uma falha nas natural killers, que passam a ignorar o tecido endometrial ectópico. Implantação Iatrogênico, pela manipulação cirúrgica de células endometriais, numa cesárea, p. ex., que podem ser implantadas na cavidade endometrial e na parede pélvica, criando focos de endometriose. Marcelo Borgo Epidemiologia e Fatores de Risco Presente em 10% da população feminina. • Mulheres brancas; • Nível socioeconômico elevado; • Fatores genéticos; • ↓IMC e ansiedade; • Menarca precoce e menopausa tardia; • Nuliparidade. Porém, também se falam em fatores protetores: • Tabagismo; • Anticonceptivos Hormonais; • Multiparidade; • Primeira gestação precoce (antes dos 18 anos). Fisiopatologia O que faz crescer os focos de endometriose é o estímulo estrogênico. Portanto, é uma doença que acontece na mulher que está na menacme! Sintomas Pode acontecer de ser assintomático. Mas quando há sintomas, geralmente são: • Dismenorreia secundária – dor pélvica cíclica (dói, menstrua e passa); • Dispareunia de profundidade; • Infertilidade (reação inflamatória na tuba uterina); A extensão da doença não é relacionada à intensidade dos sintomas! Classificação • Estágio 1 – doença mínima: implantes isolados e sem aderências significativas; • Estágio 2 – doença leve: implantes superficiais com menos de 5 cm agregados e espalhados, sem aderências significativas; • Estágio 3 – doença moderada: múltiplos implantes superficiais e profundos, aderências peritubárias e periovarianas evidentes; • Estágio 4 – doença grave: múltiplos implantes superficiais e profundos, incluindo endometriomas e aderências densas e firmes. Marcelo Borgo Diagnóstico Exame Físico A preferência é examinar a paciente menstruada, que é a fase mais sintomática. Nodularidades em Fundo de Saco de de Douglas. Exame de Imagem Ultrassonografia transvaginal, com preparo intestinal. O sinal de vidro moído é o achado de endometrioma. Também pode ser realizado tomografia de pelve ou ressonância magnética da pelve. O exame padrão ouro de diagnóstico por imagem de endometriose é laparoscopia. Síndrome de Allen-Master são fenestras peritoneais com implante de endometriose. Marcador CA-125 É um marcador de câncer de ovário, que muitas vezes está presente na endometriose e em outras doenças. Por essa causa, por não ser específico, não se realiza mais. Tratamento Pode realizar a cauterização ou a ressecção dos focos de endometriose através da laparoscopia. O objetivo do tratamento da endometriose é deixar a paciente em amenorreia. Se não deseja engravidar: • Anticoncepcional oral (ACO) contínuo; • Progesterona (dienogeste); • DIU (levonorgestrel); • Danazol e gestriona (esteroides sintéticos) → pode causar efeito androgênico; • Análogo do GnRH → causa efeitos de menopausa (fogacho, vagina ressecada), então utiliza-se por 6 meses. Se deseja engravidar: Marcelo Borgo • ↑ Chances de engravidar após a laparoscopia. Tratamento Empírico Se paciente não quer engravidar, não tem endometrioma com > 6 cm, não tem lesões de ureter ou intestino com sinais de oclusão → tratamento empírico. O tratamento empírico é a anticoncepção contínua (ACO ou DIU com levonorgestrel), se houver melhora da dismenorreia, ela tem endometriose. Portanto, para pacientes que não desejam engravidar no momento, o ideal é realizar o tratamento empírico e, quando quiser engravidar, realizar a laparoscopia. Controle Pós-Tratamento É através da clínica. A recidiva da endometriose aumenta em casos mais graves da endometriose. Pacientes que tem endometriose, possui de 2 a 3 mais vezes de ter câncer de ovário. QUESTÃO 1 (UFC-PSU-2021) Mulher de 47 anos, procura atendimento com queixa de dor suprapúbica ao enchimento vesical há uns quatro meses, sem melhora. A dor às vezes piora na semana anterior à menstruação e alivia com a micção. Relata que vem urinando mais de 10 vezes ao dia. Nega perda de urina ou queixas vaginais. Ao exame físico, não apresenta anormalidades, exceto leve dor à palpação de parede vaginal anterior no toque vaginal. Após sumário de urina normal e urocutura negativa, qual o exame complementar mais indicado a seguir? a) Cistoscopia b) Biópsia de beixa c) Urografia excretora d) Estudo urodinâmico QUESTÃO 2 (HIAE-2020) A endometriose é uma afecção ginecológica de alta prevalência. São características do endométrio de uma mulher com essa afecção: Marcelo Borgo a) Incapacidade de produzir angiogênese b) Falta de expressão da aromatase c) Resistência à progesterona d) Produção de estrogênio e) Maior taxa de apoptose Marcelo Borgo QUESTÃO 3 (Santa Casa-BH-2020) A endometriose é uma doença benigna de alta morbidade e tratamento muitas vezes tão invasivo quanto doenças malignas. Sobre essa patologia, é correto afirmar que: a) A incidência real é desconhecida, mas, na população com dor pélvica, sua incidência pode chegar a 50% b) Apesar de evidências do papel do sistema imune, uma história familiar positiva ainda não foi observada c) As aderências tubárias são as causas da infertilidade associadas a endometriose d) Os agonistas do GnRH, mesmo em posologia oral, são medicamentos que possuem boa resposta por bloquear as atividades dos gonadotróficos hipofisários QUESTÃO 4 (UFG-2018) Uma paciente de 42 anos procura a Emergência de atendimento ginecológico por apresentar sangramento uterino intenso no período menstrual, dismenorreia intensa agravada no último ano e dispareunia, que torna a atividade sexual um grande sofrimento pela dor. O grupo em que essa doença pode ser considerada pela classificação PALM-COEIN, de acordo com a FIGO, o diagnóstico e a alteração uterina que pode ser encontrados no exame de toque vaginal, são, respectivamente: a) Grupo de PALM, diagnóstico de leiomioma e útero de consistência amolecida b) Grupo de PALM, diagnóstico de adenomiose e útero doloroso e de superfície lisa c) Grupo de COEIN, diagnóstico de endometriose e útero doloroso d) Grupo de COEIN, diagnóstico de câncer de endométrio avançado e útero de tamanho normal QUESTÃO 5 (FMB-UNESP-2014) Com relação à endometriose, assinale a alternativa correta: a) Todas as mulheres inférteis têm Marcelo Borgo b) Quanto maior o estadiamento laparoscópico da doença, mais importante os sintomas c) Pode ser assintomática d) O marcador CA-125 é importante para o diagnóstico e) Mulheres só com dismenorreia não podem ser tratadas com anticoncepcional hormonal QUESTÃO 6 (FMRP-USP-2014) Uma mulher tem 33 anos e é G1P0A1. História da moléstia atual: queixa-se de dismenorreia que iniciou aos 23anos e vem aumentando de intensidade desde então. Há 1 ano, apresenta também dor na região pélvica, fora do período menstrual e dor às relações sexuais. Ao toque vaginal, o volume uterino é normal. Apresenta dor em anexos bilateralmente, mais intensa à esquerda. O anexo esquerdo, por sua vez, apresenta-se aparentemente espessado. A ultrassonografia transvaginal mostra o útero de aspecto e volumes normais, ovários discretamente aumentados de volume com áreas císticas contendo debris em ambos ovários, à direita com 3cm de diâmetro e à esquerda com 4cm. A hipótese diagnostica e conduta são: a) Endometriose pélvica e laparoscopia b) Corpo lúteo hemorrágico e contraceptivo oral combinado c) Endometriose e uso de agonista do GnRH d) Teratoma ovariano e laparoscopia QUESTÃO 7 (FMB-UNESP-2015) Uma mulher de 28 anos, casada, há 3 anos tentando engravidar, com ciclos menstruais regulares e dismenorreia moderada, ao exame ginecológico apresenta nódulo de fundo de saco vaginal, doloroso ao toque, com discreta redução da mobilidade uterina. O exame mais indicado para a complementação diagnóstica é: a) Tomografia computadorizada de pelve b) CA-125 c) Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal Marcelo Borgo d) Ressonância nuclear magnética QUESTÃO 8 (UFMT-2021) Paciente, 29 anos, solteira, nulípara, queixa-se de dismenorreia intensa há cerca de quatro anos. Ao exame físico, nota-se, ao toque, um nódulo endurecido de aproximadamente 2,0 cm, doloroso no fundo vaginal posterior e diminuição da mobilidade uterina. A ultrassonografia transvaginal não apresentou alterações. A dosagem de CA125 é 33 U/mL. Inatividade sexual no momento. Não faz uso de medicações contraceptivas hormonais. Nesse caso clínico, a conduta inicial para a paciente é: a) Vídeo laparoscopia diagnóstica para confirmar endometriose antes de iniciar o tratamento específico b) Uso de agonista de GnRH por até um ano c) Uso de anti-inflamatórios e analgésicos durante o ciclo menstrual, descartando, assim, endometriose d) Supressão ovariana com progestágeno isolado ou contraceptivo hormonal combinado com terapia empírica para endometriose. QUESTÃO 9 (SANTA CASA-BH-2021) A endometriose é um distúrbio ginecológico benigno identificado desde o século XIX. Sobre essa patologia, é correto afirmar: a) O papel do estrogênio ainda não foi comprovado definitivamente, e a teoria de indução celômica explica mais da metade dos casos b) O sangramento menstrual aumentado é um dos principais sintomas c) O principal método de diagnóstico da endometriose é a visualização das lesões por laparoscopias, com ou sem biópsia para confirmação histológica d) Os agonistas do GnRH são indicados para tratamento a longo prazo dos sintomas como terapia isolada. QUESTÃO 10 (SES-PE-2020) Mulher de 30 anos de idade, G0P0, instrutora de educação física, fumante de um maço de cigarros ao dia, chega ao ambulatório de ginecologia com quadro de dismenorreia progressiva há cinco anos associada à Marcelo Borgo irregularidade menstrual. Tenta gestar por três anos sem sucesso. Já foi submetida à videolaparoscopia que evidenciou lesões endometrióticas disseminadas, de caráter recente no fundo de saco anterior. Sem endometriomas, cicatrizes ou aderências periovarianas. Também não foram observadas aderências peritubárias. Essa descrição é classificada, segundo ACOSTA, em a) Mínima b) Leve c) Moderada d) Grave e) Gravíssima