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Endometriose Introdução Endometriose é uma doença ginecológica crônica, inflamatória, benigna, estrogênio-dependente e de natureza multifatorial que acomete principalmente mulheres em idade reprodutiva. Definida como pela presença de tecido endometrial (glândulas e estremo) funcional fora da cavidade uterina, com predomínio, mas não exclusivo, no peritônio, ovários, tubas uterinas, ligamento largo e destaque para o ligamento útero-sacral. Dividida em 3 classes: peritoneal, ovariana, profunda. · Peritoneal – presença de implantes superficiais no peritônio; · Ovariana – implantes superficiais nos ovários ou cistos (endometriomas); · Profunda – presença de lesão que penetra no espaço retroperitoneal ou na parede dos órgãos pélvicos com profundidade de 5mm ou mais. Estima-se que 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva, 50% a 60% de adolescente e adultas com dores pélvicas e até 50% de mulheres com infertilidade sejam afetadas pela doença. Tempo médio desde início dos sintomas até o diagnostico cirúrgico varia de 5 a 10 anos. 32 anos é a idade media diagnosticada no Brasil Fatores que aumentam os níveis de estrogênio estão associados ao risco de endometriose. Doença benigna, ocasionalmente, acompanhada por tumores ovarianos malignos, (endometriomas e adenocarcinomas de células claras) – NÃO AUMENTA O RISCO DE DESENVOLVER CANCER. Fisiopatologia Há 5 principais teorias que foram agrupadas nas categorias: · Transplantação · Metaplasia celômica · Indução metaplásica devida a fatores bioquímicos e endógenos da cavidade peritoneal A teoria mais aceita é a da mentruação retrograda que diz que haveria aderência de tecido endometrial pós-menstrual na cavidade peritoneal e demais órgãos, decorrente de fluxo retrogrado. Implantação de células-tronco endometriais alteradas atingem a cavidade peritoneal através do fluxo retrogrado e se implantam no peritônio. Foi observado que 90% das mulheres apresentam fluxo retrogrado, mas apenas 10% desenvolvem endometriose. Por tanto outros fatores seriam capazes de permitir o desenvolvimento e implantação desse tecido endometrial fora da cavidade uterina A teoria genética sugere uma predisposição genética ou alterações epigenéticas associadas a modificações no ambiente peritoneal (fatores inflamatórios, imunológicos, hormonais, estresse oxidativo) poderiam iniciar a doença nas suas diversas formas. Além do mais, alterações químicas e inflamatórias no ambiente ovariano, defeitos imunológicos, alterações endócrinas (LH e prolactina) e distorções anatômicas pélvicas (aderências) estão relacionadas a redução da fertilidade na endometriose. Quadro clínico e diagnostico A endometriose pode ser assintomática em 2% a 22% das mulheres, mas na maioria dos casos envolve sintomas como: · Dismenorreia · Dispareunia de profundidade · Dor pélvica não cíclica · Disquezia · Disuria, hematúria, polaciuria · Alterações hábitos intestinas (distensão, hematoquezia, constipação) · Infertilidade O acometimento do nervo hipogástrico e do plexo sacral pode ocorrer quando há endometriose retro e paracervical. A endometriose é investigada com base na história clínica da pct, antecedentes pessoais e familiares e exame físico. No exame físico, é fundamental a observação de: · Nodulações ou rugosidades enegrecidas em fundo de saco posterior (chocolate) · Útero com pouca mobilidade sugere aderência pélvicaPelve Congelada (órgãos aderidos) · Anexos fixos e dolorosos, assim como a presença de massas anexiais, podem estar relacionados a endometrioma A extensão da endometriose pode variar muito entre as pacientes. Por conta disso, um estadiamento para avaliar objetivamente a extensão das lesões, grau de envolvimento ovariano, presença de aderências e comprometimento do fundo de saco de Douglas. Exame de imagem · USG transvaginalCom preparo intestinal · USG pélvico · Ressonância magnética · Enema opaco ou colonos. (↓sensibil.) · Na presença de sintomas intestinais · Videolaparoscopia com biopsia O USG TV é proposto como primeira escolha para investigação, a ressonância deve ser solicitada em casos de queixas típicas com resultados negativos no USG ou em casos de lesões em andar superior de abdômen ou múltiplos sítios de lesão. O único biomarcador sérico usado com certa frequência é o CA-125, no entanto, possui baixa sensibilidade podendo ser alterado por outras doenças. Assim, até o momento, o padrão-ouro para diagnostico consiste em laparoscopia com biopsia dirigida. Contudo, o diagnostico por cirurgia tem desvantagens inerentes a cirurgia como danos ao órgão, hemorragia, infecções e formação de aderência, além do custo financeiro. Infertilidade e endometriose O diagnóstico de infertilidade é feito em pacientes sexualmente ativas (3x semana), que não utilizam nenhum método contraceptivo e que não consegue engravidar. A investigação de infertilidade deve começar: após 1 ano de tentativa para pacientes com 35 anos. · Espermograma · Dosagem de FSH e Estradiol para avaliar reserva ovariana (entre 2o e 5o dia do ciclo) · Ultrassonografia transvaginal para contagem de folículos pré antrais para avaliar reserva ovariana (na primeira · fase do ciclo) · Dosagem de hormônio anti-Mulleriano para avaliar reserva ovariana · Histerossalpingografia para avaliar tubas uterinas · Histeroscopia ou Ultrassonografia para avaliar cavidade endometrial (ex.: presença de sinéquias uterinas) Tratamento Clinico O tratamento pode ser dividido em clinico, expectante farmacológico e cirúrgico. O uso de terapias medicamentosas para endometriose é baseado no fato de que a endometriose é responsiva aos hormônios. No entanto, a escolha vai depender da sintomatologia, localização das lesões, objetivos do tratamento e se deseja ou não preservar a fertilidade. Hormonal · AHCO · Etinilestradiol 30mg + levonogestrel · Primeira escolha · Anovulação · Progestágeno em uso continuo · Medroxiprogesterona 150mg – 90 dias · Dienogeste – (+) custo, (-) efeito colateral · SIU – Levonogestrel – (+) adesão · AINES · Alivio de dores · Diminui prostaglandina endometrial · Análogos de GnRH · Bloqueia eixo · Sintomas menopausa - colateral · 6 meses de uso máximo · Pode causar osteoporose Obs. Não utilizado em pct que desejam engravidar. Tratamento cirúrgico · Videolaparoscopia · Retirada dos focos de endometriose · Cauterização dos focos mínimos (que não consegue fazer a retirada) · Retirar as aderências · Pode espalhar as lesões · Histerectomia e ooferectomia – definitiva · Não é realizada em paciente jovem · Haverá sintomas de menopausa precoce. · Às vezes retira somente o útero, porém a paciente ainda poderá ter sintomas Indicação para cirúrgica imediata nos casos de: · Endometrioma ovariano > 6cm · Lesão em ureter, íleo, apêndice ou retossigmoide (com sinais de suboclusão) O tratamento cirúrgico diminui a reserva folicular pela retirada da cápsula dos endometriomas e consequente destruição de tecido sadio. Recomenda-se o congelamento de óvulos antes de realizar videolaparoscopia se a paciente tiver idade mais avançada e sem prole constituída. Salpingectomia (retirada das tubas) melhora fertilidade da paciente com hidrossalpinge que será submetida à Fertilização in Vitro. No entanto, pode aumentar o risco de gestação ectópica por diminuição da luz da tuba. A hidrossalpinge é a presença de cistos tubários, que provoca obstrução da tuba e acúmulo de líquido e, pelo mecanismo de vômica tubária, lança este líquido na cavidade uterina e impede a nidação. Obs.: A FIV não aumenta chance de endometriose image6.png image7.png image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png