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PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Descrever os principais tipos de operações em uma in- dústria e apresentar, resumidamente, metodologias de gestão. • Apresentar métodos, aplicativos e processos para gestão econômica de empreendimentos. • Descrever estratégias de montagem de sistemas de in- formação para empreendimentos públicos ou privados. • Apresentar os conceitos relativos ao ciclo de vida de pro- dutos e empreendimentos, levando em conta parâmetros de sustentabilidade. • Descrever como considerar o ser humano como protago- nista do trabalho e de suas ações no ambiente. Gestão de Operações Gestão Econômica Ciclo de Vida ErgonomiaSistemas de Informação Dr. José Roberto Castilho Piqueira Indústria e Produção Gestão de Operações • Os fundamentos científicos da engenharia de produção foram estabelecidos por Taylor (USA) e Fayol (França). • A gestão de operações em uma indústria se divide em: recursos humanos, recursos ma- teriais, transformações e qualidade. • O Sistema Toyota de Produção introduziu o con- ceito de just in time, eliminando o desperdício. Conforme você deve ter notado nas unidades re- lativas às Engenharias Civil, Elétrica e Química, uma boa parte do trabalho do engenheiro está relacionada com o planejamento e controle dos processos, com o cumprimento de prazos e com a viabilização financeira dos empreendimentos. Esse tipo de atividade está presente em todos os ramos da vida humana, tendo em vista que o aumento da população requer racionalidade e produção em larga escala dos bens relacionados ao dia a dia da espécie humana e de seu ambiente. 177UNIDADE VII A percepção da necessidade de bases lógicas para planejamento e controle da produção, origem da chamada Engenharia de Produção ou Indus- trial, talvez se deva à Frederick Winslow Taylor (1856-1915) (Figura 1) que, ao observar o modelo de produção da indústria americana do início do século XX, pensou em estabelecer bases científicas para os processos produtivos. Nessa época, a indústria automobilística ameri- cana se fundamentava no modelo de Henry Ford (1863-1947), pioneiro da indústria automobilística, que preconizava que cada operário deveria fazer uma parte específica do produto, tornando-se um especia- lista, voltado para os detalhes de sua peça (Figura 2). Taylor era um engenheiro mecânico e foi presi- dente da ASME (American Society of Mechanical Engineering), tendo escrito vários artigos publica- dos nos periódicos da época. Entretanto sua obra seminal é o livro de 1911, Principles of Scientific Management, editado pela Harper & Brothers, em Londres e Nova York. Nesse livro, estão colocadas as bases do Tay- lorismo que defende a especialização e visão de tarefas, com rigoroso treinamento para os ope- rários, além da execução de um controle sobre o rendimento de cada um, atribuindo prêmios àque- les que as executam com maior eficiência. Além disso, defendia que o processo de produção era de responsabilidade dividida equitativamente entre o corpo diretivo da fábrica e seus operários. Figure 1 – Frederick Winslow Taylor Fonte: Wikipédia ([2017])1. Figura 2 – Henry Ford Fonte: Qad ([2017])2. 178 Indústria e produção Contemporaneamente a Taylor, porém na França, Jules Henri Fayol (1941-1925) (Figura 3), que tinha como formação a Engenharia de Minas, propôs o que se chama, nos dias de hoje, a Teoria Clássica da Administração, composta por 14 princípios: divi- são do trabalho, disciplina, unidade de comando, unidade de direção, subordinação dos interesses particulares ao interesse geral, remuneração, cen- tralização, hierarquia, ordem, equidade, estabilida- de do pessoal, iniciativa e união do pessoal. Embora as ideias propostas por Taylor e Fa- yol apresentem divergências, principalmente em relação às hierarquias de comando, ambos con- juntos de princípios são aplicáveis, considerando sua adequação a cada caso particular. Taylor iniciou trabalhando como operário, passou pela função de contramestre e chegou a engenheiro chefe. Por isso, seus princípios têm um bom olho dos operários e do pessoal de linha de produção, combinado com o ponto de vista do corpo diretivo da fábrica. Fayol sempre trabalhou ligado à administração superior da companhia em que trabalhava e, pos- teriormente, trabalhou na administração pública francesa. Por isso, seus princípios se assemelham a um receituário para a alta administração. Nos dias de hoje, essa metodologia desenvol- vida no início do século XX deve ser aplicada a sistemas produtivos cada vez mais complicados, muitas vezes, constituídos por um emaranhado de processos de entrada, saída e retroalimenta- ção. De maneira simplificada, poderíamos dizer que processos são atividades ou conjuntos de atividades que, a partir de entradas, as transfor- mam, fornecendo uma saída. Uma maneira mais específica de se expressar isso é considerar que um processo é um conjunto de recursos mate- riais e humanos, submetidos a regras, normas e transformações, que devem gerar um produto. Assim, gerir um processo é prover e gerir recur- sos, projetar e controlar regras de transformação para obter um produto específico, dentro de padrões de qualidade previamente definidos, veja na figura, a seguir, a divisão das tarefas de gestão de um processo. A gestão de recursos humanos, fundamenta- da nos modelos de Taylor e Fayol, tem sido exer- cida de maneira a criar linhas de montagem de móveis, com trabalhadores especializados. Figura 3 – Jules Henri Fayol Fonte: Wikimédia ([2017, on-line)3. 179UNIDADE VII Embora essa abordagem seja de sucesso, tem como principal desvantagem a pouca flexibilidade, pois a cada nova versão ou novo produto, novas fer- ramentas devem ser projetadas, e a mão de obra trei- nada novamente aumentando, os custos de produção. No ambiente industrial dos dias de hoje, os ope- rários trabalham em grupos colaborativos, com au- to-gestão, permitindo flexibilidade de funções e de atuação, melhorando a eficiência da mão de obra. A gestão de materiais é, também, um ponto em que as estratégias de controle estão sendo for- temente modificadas. A verticalização e o controle de todas as fontes de suprimento estão sendo subs- tituídos pelo chamado just in time. Nessa modali- dade, a indústria associa à matéria-prima de seus produtos fornecedores dedicados que fornecem material apenas quando necessário. É o que se pode chamar de combate à cultura do desperdício. É na gestão das transformações que as in- dústrias estão se aprimorando a cada dia. O desen- volvimento de ferramentas computacionais e de automação permite uma grande economia, pois evita a troca de hardware quando os processos precisam ser alterados. Mudanças de softwares e ampliações de memória dão conta das atualiza- ções, mantendo máquinas e pessoas. As novas maneiras de gerir a fabricação dos produtos industriais permitem uma grande re- dução de custos, proveniente da eliminação de desperdícios e de compra de máquinas e fer- ramentas. Além disso, o uso de ferramentas de precisão (lasers e fibras ópticas) controlados por software tornou a gerência da qualidade o fator primordial da inserção de produtos no mercado. A indústria automobilística, por exemplo, antes dominada pelo alto luxo e alto preço, volta-se para a alta qualidade de baixo preço, fundamentada no chamado “Sistema Toyota de Produção”, criado por Eiji Toyoda (Figura 4a), (1913-2013), da família proprietária das indústrias Toyota e de seu enge- nheiro chefe Taiichi Ohno (Figura 4b), (1912-1990). O sistema Toyota de Produção, concebido pelo Engenheiro Taiichi Ohno, revolucionou a indústria em todo mundo. Para saber mais sobre ele, assista: . Figura 4a – Eiji Toyoda Fonte: Encrypted ([2017], online)4. Figura 4b – Taiichi Ohno Fonte: Encrypted ([2017], on-line)5. 180 Indústria e produção • A gestão econômica, no ambiente industrial, está ligada aos custos de fabricação de um dado produto. • Essecusto inclui insumos, como recursos ma- teriais e humanos, bem como administração, depreciação e energia. A gestão econômica de um negócio comercial foi, ao longo do tempo, objeto de um raciocínio simples: X = Receita, isto é, quanto recebi pelas mer- cadorias vendidas; Y = Despesa, isto é, quanto paguei por elas + quanto gastei de aluguel + salários de funcio- nários + impostos + contas de água e energia; Lucro = X – Y. Entretanto essa maneira de calcular, embora útil, resume, nos dias de hoje, procedimentos mais complicados, uma vez que, no ambiente indus- trial, a expressão “quanto paguei por elas” pode ser difícil de ser calculada, diferentemente de um ambiente comercial, em que as mercadorias são compradas prontas, diretamente dos fornecedores. Gestão Econômica 181UNIDADE VII Até os anos 90, as indústrias fabricavam pro- dutos submetidos a inovações mais vagarosas, e suas máquinas e ferramentas requeriam reno- vação em ritmo não muito rápido, tornando a estrutura de custos de fabricação mais previsível. O advento dos computadores, da explosiva miniaturização da eletrônica e da automação mudou totalmente esse panorama. Para manter suas posições nos mercados, as indústrias devem produzir produtos inovadores e com conteúdo tecnológico cada vez mais alto. Isso requer renovações em produtos e linhas de produção flexíveis, que permitam alterações constantes, com equipes de trabalho criativas pro- duzindo softwares renovados para um hardware que, na medida do possível, deve ser mantido. É da gestão da expressão “quanto paguei por elas” ou do custo de fabricação que estamos tra- tando nesta seção, ressaltando que não estamos propondo uma abordagem completa e fechada, mas algumas noções que podem ser úteis se aperfeiçoadas em estudos posteriores. Iniciamos definindo custo de fabricação como o valor dos insumos consumidos na fabricação de um dado produto, entendendo por insumos a matéria- prima, os recursos humanos, a energia elétrica, as máquinas, as ferramentas e os equipamentos. En- tre os custos de recursos humanos, distinguem-se aqueles relativos à mão de obra direta, relacionada diretamente com a fabricação, e a indireta, relacio- nada com os recursos necessários para a adminis- tração e os cuidados com o ambiente fabril. É importante ressaltar, também, que máqui- nas, ferramentas e equipamentos estão sujeitos à depreciação, custo relacionado com a sua perda de valor, ao longo do tempo. Exemplo: Para tornar mais claras essas ideias, vamos con- siderar que uma certa fábrica que produz dois produtos, ao final de um mês de operação, apre- sentou os seguintes custos: • Salários: R$ 20 000; • Materiais de consumo: R$ 8 000; • Depreciação: R$ 2 000; • Energia Elétrica: R$ 800. Os custos, divididos por item de despesa, encon- tram-se na Tabela 1. Item Valor (R$) Administração Geral Manutenção Usinagem Montagem Salários 20 000,00 10 000,00 2 000,00 6 000,00 2 000,00 Materiais 8 000,00 800,00 1 800,00 2 000,00 3 400,00 Energia 800,00 200,00 300,00 200,00 100,00 Depreciação 2 000,00 - 1 500,00 500,00 - Total 30 800,00 11 000,00 5 600,00 8 700,00 5 500,00 Tabela 1 – Custos de Fabricação Fonte: o autor. 182 Indústria e produção Nesse exemplo, podemos distinguir: • Custos Fixos: salários + depreciação = R$ 22 000,00; • Custos Variáveis: energia + materiais = R$ 8 800,00; • Custos diretos (relativos à fabricação) = usinagem + montagem = R$ 14 200,00; • Custos indiretos = administração + manu- tenção = R$ 16 600,00 Análise Algumas conclusões que podem ser úteis: • Os maiores custos são os de administração (custo indireto); • Os custos de energia são pouco conside- ráveis; • Se a fábrica produzir 200 unidades do pro- duto A, gastando 60% dos recursos, o custo de produção de A será de: CA = 0,6 . 30 800/ 200 = R$ 92,4, por uni- dade produzida; • Se a fábrica produzir 100 unidades do pro- duto B, gastando 40% dos recursos, o custo de produção de B será de: CB = 0,4 . 30 800/ 100 = R$ 123,2 por uni- dade produzida. Princípio de Pareto O princípio de Pareto é uma técnica para selecio- nar prioridades quando há vários fatores contri- buindo para um certo ponto a ser aprimorado. Se- gundo o economista Vilfredo Pareto (1848-1923), os itens significativos, normalmente, pertencem a um número pequeno de itens, o que se pode identificar no chamado Diagrama de Pareto. Considerando o exemplo da Tabela 1, pode- mos fazer um gráfico circular para aplicar o Prin- cípio de Pareto, analisando os custos de fabricação dos produtos exemplificados, conforme mostra a Figura 5. A análise desse gráfico, segundo Pareto, indica que um único item (salários) é responsável por 65% do custo de fabricação. Além disso, salários e materiais são responsáveis por 91% dos custos. A gestão econômica é item fundamental para a composição do custo dos produtos que, no mercado altamente competitivo como o atual, é decisivo para o sucesso do empreendimento. Para saber mais sobre este assunto, leia o artigo do site abaixo: . Figura 5 – 1- Salários; 2- Materiais; 3- Energia; 4 - Depreciação Fonte: o autor. 65% 26% 6,5% 2,5% 1 2 3 4 Princípio de Pareto: Custos Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/657 183UNIDADE VII • As arquiteturas computacionais combinam três tipos de função: memória, processamento e entrada e saída de dados. • A hiperminiaturização da eletrônica e o proces- samento digital de sinais criaram ambientes virtuais de trabalho de grande eficiência. Conforme já apresentamos em nossa Unidade III, devemos a John Von Neumann (VON NEU- MANN, 1945) a arquitetura de computadores composta por três funções básicas: memórias, processamento e entrada e saída de dados. Em 1965, Gordon Earle Moore (Figura 6), nascido em 1929 e fundador da Intel, empresa pioneira na fabricação de chips eletrônicos, previu que o número de transistores no interior de um mesmo chip dobraria a cada 18 meses, levando à hiperminiaturização dos componentes eletrôni- cos, sem aumento de custos. Sistemas de Informação 184 Indústria e produção Para efeito de ilustração desse fato, a Figura 8 mostra o interior de um chip, com as diversas camadas de material depositado, formando os componentes internos. Durante esse mesmo período, o processamen- to digital de sinais revolucionou as telecomuni- cações e, nos dias de hoje, dispositivos eletrôni- cos baratos e pequenos se comunicam trocando grande quantidade de informação, transformando empresas em todo o mundo. As barreiras físicas acabaram e a arquitetura Von Neumann pode ter suas partes descentra- lizadas e espalhadas pelo mundo. O conceito de empresa global está cada dia mais presente na vida das pessoas. Aplicativos desenvolvem negócios antes impensáveis: empresas líderes em transporte de pessoas não possuem veículos; empresas líde- res na indústria hoteleira não possuem imóveis. Figura 6 – Lei de Moore Gordon Earle Moore Fonte: Ethw ([2017], on-line)7. Figura 7 – Expressão gráfica da Lei de Moore Fonte: Wikipédia ([2017], on-line)7. Essa previsão, de fato, materializou-se. A Figura 7 mostra o crescimento do número de transistores para processadores Intel (pontos) e a previsão de Moore (linha de cima=18 meses, linha de baixo=24 meses). 185UNIDADE VII interior de um chip Figura 8 – O interior de um chip 186 Indústria e produção Enfim, a automação de proces- sos comerciais ou industriais, as ferramentas de projeto e planejamento que tanto nos maravilharam no século XX são barreiras vencidas. Esta- mos agora no mundo virtual, com arquiteturas em nuvem oferecidas por grandes indús- trias líderes e inovadoras. É do uso delas que falaremos aqui, brevemente. O conceito de organiza- ção virtual consiste no bom uso das comunicações entre seus diversos componentes: recursos humanos, clientes e fornecedorespodendo, até mesmo, incluir concorrentes. A distância passa a ser um fator irrelevante e, via dispositivos de comunicação, pessoas e organizações se juntam, de maneira tempo- rária ou duradoura, com nível de burocracia bastante simplificado. Uma outra forma moderna de trabalho são as chamadas redes virtuais de colaboração, formadas por pessoas ou organizações interessadas em trocar informações com seus pares. A rede What’s up é um grande exemplo de sucesso nessa área, reunindo famílias e amigos dispersos pelo mundo. Na indústria brasileira de petróleo há uma importante rede de colaboração unindo Petrobrás, USP, PUC-Rio, UFRJ, UFAL e ITA. Essa rede tem sido decisiva para a pesquisa e o desenvolvimento na área, sendo responsável por importantes progressos do país. Uma terceira forma interessante é a dos trabalhadores vir- tuais. Pessoas com compromissos familiares, portadores de defi- ciência de locomoção ou pessoas localizadas em outras cidades, podem trabalhar de suas casas, sem precisar ir aos escritórios. Os encontros pessoais podem, até, ser realizados remotamente, uti- lizando programas de videoconferência. Enfim, é o mundo sem distâncias, resultado da criatividade e da inteligência humana. Novas empresas virtuais surgem diariamente. Se você quer saber mais sobre como elas funcionam, leia o artigo de Geraldo Maciel de Araújo, encontrado em: . Chipset 187UNIDADE VII • O ciclo de vida de um produto compreende: in- trodução, crescimento, maturidade e declínio. • A sustentabilidade de uma indústria deve ser mantida pelo bom planejamento do declínio dos velhos produtos e do crescimento de novos. Um dos parâmetros importantes na definição de um produto é seu ciclo de vida. Produtos são con- cebidos, inicialmente, como ideias nos cérebros das pessoas. Em seguida, passam para o papel como ras- cunhos para que as ideias possam ser comunicadas a possíveis interessados. Do papel para o chamado “modelo aranha”, temos uma passagem de definição de especificações, materiais, ferramentas e mercado. Do “modelo aranha” para o protótipo, defi- nem-se os procedimentos de fabricação, as listas de componentes e os possíveis preços de venda. Essa é uma fase de preparação que, nos mercados atuais, precisa ser rápida e de fácil adaptação, pois novas concepções de produtos aparecem todos os dias. Até o final dos anos 80, essa fase de concep- ção era bastante cuidadosa, pois se imaginava que um produto, uma vez no mercado, teria vida muito longa, com produção e venda ga- rantida e praticamente contínua. Ciclo de Vida 188 Indústria e produção O Fusca (Figura 9a) e a máquina de escrever (Fi- gura 9b), provavelmente, representam, para você, peças de museu, mas foram produtos de grande sucesso, sobrevivendo mais de 30 anos no mercado. Nos dias de hoje, pequenos computadores de grande capacidade e flexibilidade, embora sejam duráveis, são rapidamente substituídos, pois seus usuários estão sempre ávidos por novidades. Esse é um fenômeno que ocorre de maneira ge- ral para roupas, aparelhos de TV, carros, telefones celulares e tantos outros bens de capital e consumo. Enfim, parece que a cultura do desperdício passou da indústria para o mercado consumidor, com- prometendo decisivamente o futuro do planeta. Mesmo diante dessa nova postura industrial e do mercado consumidor, podemos dividir o ciclo de vida de um produto, após sua concepção, em: introdução, crescimento, maturidade e declínio. A introdução caracteriza-se, normalmente, por elevadas despesas e a incorporação de inova- ções, para que o produto atenda efetivamente o mercado. O crescimento caracteriza-se pelo au- mento de suas vendas e pelo reconhecimento do mercado da sua qualidade. Na maturidade, a taxa de crescimento das vendas estabiliza-se e o custo de produção fica reduzido. É o tempo de picos de vendas e lucros, sinalizando, entretanto, necessi- dade de novas ideias para manter o mercado. Já o declínio de um produto é inevitável, as vendas e lucros diminuem e um bom planejamento do fim do produto se faz necessário para manter a rentabilidade global da empresa. O conceito de ciclo de vida de um produto é fator importante na definição de estratégias de mercado. Para saber mais sobre o assunto, assista à aula do Prof. Aldo Roberto Ometto, disponível em: . Figura 9a – Fusca Figura 9b – Máquina de escrever 189UNIDADE VII • A Ergonomia proporciona métodos de projeto para que os processos sejam adequados aos seres humanos que deles participam. • A Ergonomia deve cuidar de fatores físicos e psicológicos dos trabalhadores. Os trabalhos a serem executados em um ambien- te industrial têm, sempre, alguma ação humana, seja na operação direta de uma máquina, seja na supervisão de uma ilha robótica de produção. Dentro do escopo da Engenharia de Produção, entendemos por Ergonomia o estudo das intera- ções dos seres humanos com os outros compo- nentes do sistema de trabalho (BATALHA, 2008) sejam eles máquinas, ferramentas, mobiliário sejam outros seres humanos, visando aprimorar processos físicos, emocionais e organizacionais. A ergonomia é assunto tão vasto e multidisci- plinar que tentar dar a ele um arcabouço formal normativo é tarefa quase impossível. Por essa ra- zão, há várias abordagens, cada uma privilegiando algum aspecto das relações de trabalho e condi- ções de trabalho. Ergonomia 190 Indústria e produção Entre essas abordagens, a que mais se aproxima do dia a dia de uma fábrica é a chamada ho- mem-máquina-ambiente, considerando que cada operário realiza seu trabalho em postos que podem ser de controle de máquinas, de opera- ção de máquinas e de escritório. Recebendo in- formações das máquinas e do meio ambiente, processa-as e atua sobre seu posto de trabalho para a realização das tarefas. A escola francesa de ergonomia propõe uma análise ergonômica do trabalho, isto é, uma análise cuidadosa das tarefas a serem realizadas, projetando o ambiente adequado ao trabalho. Essa análise, realizada por equipe multidisci- plinar que inclui médicos, deve ter a participação dos trabalhadores que influenciam no projeto do processo, tornando-se protagonistas das ações e criando um ambiente colaborativo. Os resultados dessa análise proporcionam diagnósticos sobre os processos, permitindo alterações nos seus proje- tos, tornando-os adequados à saúde física e men- tal dos trabalhadores. Outro aspecto importante da Ergonomia está relacionado com a previsão de lesões que podem ser provocadas pelo trabalho constante e repetitivo que utiliza alguns órgãos do corpo, de maneira pre- dominante. Essas lesões podem ser minimizadas ou evitadas, projetando-se de maneira adequada o sistema de produção, evitando trabalhos que en- volvam torção do tronco, manipulações com braço esticado acima do ombro, ficar em pé por longos períodos, empurrar e puxar objetos pesados. Enfim, cabe à Engenharia de Produção criar processos que não atuem contra a saúde e a dig- nidade do ser humano. Assim terminamos esta unidade. Aqueles que vão seguir a Engenharia de Produção verão os assuntos aqui descritos com muito mais detalhes. Entretanto consi- deramos que todo engenheiro, de qualquer modalidade, deve ter conhecimento do que foi estudado aqui. O trabalho a ser realizado por seres humanos requer respeito às suas limitações. O Prof. Laerte Idal Sznelwar é um conceituado especialista em Ergonomia, e você pode saber mais sobre o assunto acessando o link: . 191 1. As bases científicas da Engenharia de Produção tiveram origem: a) No século XVIII. b) Na Grécia Antiga. c) No início do século XXI. d) No início do século XX. e) Na Idade Média. 2. Sobre a divisão de responsabilidades na linha de produção, Taylor apregoava: a) Parcelas equitativas entre operários e corpo diretivo. b) Totalmente dos operários. c) Totalmente do corpodiretivo. d) Parcelas equitativas entre o mercado consumidor e corpo diretivo. e) Parcelas equitativas entre mercado consumidor e operários. 3. A visão de Fayol sobre a administração da produção apresenta ponto de vista: a) Voltado para o operário. b) Centralizador e voltado para o controle pelo corpo diretivo. c) Descentralizado entre corpo diretivo e operários. d) Voltado para o mercado. e) Voltado para a economia de material. 4. As duas principais características do sistema Toyota de produção são: a) Material em abundância e ferramentas precisas. b) Eliminação de desperdício e ferramentas dependentes do processo. c) Eliminação de desperdício e qualidade. d) Material em abundância e qualidade. e) Eliminação de desperdício e hardware variável. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 192 A tabela abaixo se refere às próximas 4 questões: Item Valor (R$) Administr. Geral Manutenção Usinagem Montagem Salários 5 000,00 2 000,00 1 000,00 1 000,00 1 000,00 Materiais 2 500,00 200,00 300,00 1 500,00 500,00 Energia 400,00 100,00 100,00 100,00 100,00 Depreciação 1 000,00 - 500,00 500,00 - Total 8 900,00 2 300,00 1 900,00 3 100,00 1 600,00 Tabela 1 – Custos de Fabricação Fonte: o autor. 5. O valor total dos custos fixos é, em R$: a) 7 500,00. b) 5 400,00. c) 6 000,00. d) 5 000,00. e) 1 400,00. 6. O valor total dos custos variáveis é, em R$: a) 7 500,00. b) 5 400,00. c) 6 000,00. d) 5 000,00. e) 1 400,00. 7. Os custos diretos de fabricação, em reais, somam: a) 4 200,00. b) 3 200,00. c) 4 700, 00. d) 4 100,00. e) 7 200,00. 193 8. Os custos indiretos de fabricação, em reais, somam: a) 4 200,00. b) 3 200,00. c) 4 700, 00. d) 4 100,00. e) 7 200,00. 9. Os principais fatores relacionados à expansão da tecnologia da informação foram: a) Hiperminiaturização da eletrônica e a tecnologia de materiais. b) Uso das válvulas e processamento digital de sinais. c) Hiperminiaturização da eletrônica e tecnologia nuclear. d) Hiperminiaturização da eletrônica e processamento digital de sinais. e) Desenvolvimento de reatores químicos e digitalização de sinais de voz. 10. A empresa “Amazon” é um exemplo de: a) Empresa industrial. b) Empresa de produção de livros. c) Editora. d) Empresa acadêmica. e) Empresa virtual. 11. A fase do ciclo de vida de um produto que envolve maior custo é a: a) Concepção. b) Introdução. c) Crescimento. d) Maturidade. e) Declínio. 194 12. A fase do ciclo de vida de um produto que envolve maior lucro é a: a) Concepção. b) Introdução. c) Crescimento. d) Maturidade. e) Declínio. 13. A Ergonomia se dedica ao estudo das: a) Relações operário-sociedade. b) Relações operário-salários. c) Relações chefe-operário. d) Relações operário-ambiente de trabalho. e) Relações entre doenças e sociedade. 195 Introdução à Engenharia de Produção Autor: Mário Otávio Batalha Editora: Campus – Elsevier – Rio de Janeiro - 2008 Sinopse: o número de cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia de Produção vem aumentando rapidamente no Brasil. Hoje já são mais de 200 cursos de graduação em todo o Brasil. Este número é um dos indicadores da vitalidade e da importância desta área para o país. O engenheiro de produção atua no sentido de projetar, aperfeiçoar e implantar sistemas de produção (combinando pessoas, materiais, informações, equipa- mentos e energia) para a produção sustentável de bens e serviços. Para isso, ele dispõe de um conjunto de conhecimentos oriundos das mais diversas áreas do saber. É este conjunto de conhecimentos, dividido nas grandes áreas da Engenharia de Produção, que é apresentado neste livro. Este livro, terceira obra da Coleção Livros Didáticos ABEPRO-CAMPUS em En- genharia de Produção, supre uma lacuna importante na bibliografia nacional. Elaborado por uma equipe competente e experiente nas várias disciplinas apre- sentadas, ele destina-se a estudantes, professores e profissionais que desejam conhecer o campo da Engenharia de Produção. LIVRO 196 MAXMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Atlas, 2006. BATALHA, M. O. Introdução à Engenharia de Produção. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2008. NEUMANN, J. V. First draft of a Report on EDVAC. Moore School of Electrical Engineering, University of Pennsylvania, 1945. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: . Acesso em: 23 nov. 2017. 2Em: . Acesso em: 23 nov. 2017. 3Em: . Acesso em: 23 nov. 2017. 4Em: . Acesso em: 23 nov. 2017. 5Em: . Acesso em: 23 nov. 2017. 6Em: . Acesso em: 23 nov. 2017. 7Em: . Acesso em: 23 nov. 2017. https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSLSHUasl_IfwwEOjfsIiGMZDYi2Qgb8tMlPDomGJfw0vBifuGn https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSLSHUasl_IfwwEOjfsIiGMZDYi2Qgb8tMlPDomGJfw0vBifuGn https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTA_s_8YQxu6_um5CR7jXUt9QQHYMDmP6to7mDZZbjg6FXmPsgG_g https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTA_s_8YQxu6_um5CR7jXUt9QQHYMDmP6to7mDZZbjg6FXmPsgG_g 197 1. D 2. A 3. B 4. C 5. A 6. E 7. C 8. A 9. D 10. E 11. B 12. D 13. D 198 Button 1: