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Política, Estado e Democracia. Parte para a AV2 1. Tipos de Estados: 1° Estado Antigo: Os estados mais antigos da História são relatados desde 3.000 anos antes de Cristo. Em geral, nas antigas civilizações do oriente, os governos não tinham doutrinas políticas, mas sim, uma única forma de governo: A monarquia absolutista, que era exercida em nomes dos deuses do determinado povo governado. Falamos dos Estados Antigos, Orientais ou Teocráticos, desenvolvidos pelas antigas civilizações do Oriente ou Mediterrâneas. Em sendo teocráticos, sua autoridade maior era uma divindade. Geralmente, as populações, eram misturas de outros povos, já que eram povos conquistados em guerras, comerciantes, viajantes, etc. A ideologia teocrática guiava não somente a vida particular de cada habitante na época, como também as relações no estado, eram usados somente o exercício da força e do governo na forma de explicação divina. Nessa época, podemos dizer que os líderes eram considerados deuses vivos na terra, um exemplo são os próprios faraós, no Egito Antigo. Não havia polos bem definidos de poder e de controle. 2° Estado Grego: O estado grego era conhecido também como estado helênico, sua maior e principal característica era a formação da pólis, onde eram tomadas as maiores decisões do estado. Pode ser datado do século IX e IV A.C. A partir desse século, o estado era governado nas formas monárquica e patriarcal. E muitas cidades possuíam independência entre uma e outra. As polis eram auto suficientes economicamente, religiosamente e até civilmente. Elas tinham liberdade e autonomia política e econômica, de forma que uma polis não dependia e não era regida conforme as outras polis. O centro político-administrativo das polis era a Acrópoles (geralmente a região mais alta da cidade-estado). Na Acrópoles se encontravam o templo principal da polis, os edifícios públicos, a Ágora (espaço em que ocorriam debates e decisões políticas) e a Gerúsia. Uma característica bem importante dessa época era a separação das leis e da esfera pública com a religião e apesar da Filosofia que muitas vezes eram baseadas em mitos, as leis tinham seus fundamentos na base racional. A filosofia era algo bem presente na época, os sábios filosóficos eram muitas vezes ouvidos pelos governantes e pela população na época. 3° Estado Romano: No sistema político do império, o poder político estava concentrado na figura do imperador. O Império Romano começou com Otaviano Augusto e terminou com Constantino XI. O Senado servia para apoiar o poder político do imperador. Características do império romano: .Essencialmente comercial; .Escravizava os povos conquistados; .O controle das províncias era feito por Roma; .Politeísta; .O governante tinha cargo vitalício; .A extensão territorial era obtida por conquistas ou golpes militares. Imperadores romanos: Os imperadores que mais marcaram o Império Romano foram: Otaviano Augusto – primeiro imperador de Roma. Foi responsável por acrescentar muitos territórios ao império. Cláudio – seu principal feito foi conquistar parte da Grã-Bretanha. Nero - considerado excêntrico e louco. Assassinou a mãe, a irmã e condenou um grande número de cristãos à morte. Tito – ficou conhecido por ter destruído o templo do Rei Salomão. Trajano – era considerado um grande conquistador. Foi em seu governo que o Império Romano atingiu a maior extensão. Adriano – ordenou a construção de uma muralha com seu nome, a Muralha de Adriano, ao norte da Grã-Bretanha. O objetivo era conter os bárbaros. Diocleciano – dividiu o império em duas partes: oriental e ocidental. Constantino – proibiu a perseguição aos cristãos. Uniu novamente o império e escolheu Bizâncio como capital. Rebatizou a cidade de Constantinopla. Rômulo Augusto – último imperador de Roma. Constantino XI – foi o último imperador do Império Romano Oriental. Morreu defendendo a cidade contra o ataque dos turcos. Uma das maiores razões para o império romano ter durado tanto foi a organização em forma de municípios e do exercício de um único poder soberano, exercido por um detentor. E apesar de ser conhecido como um império, houve muitos governos monárquicos, principados e imperiais. O especialista Sahid Maluf alega que inicialmente o estado romano era monárquico do tipo patriarcal, tendo evoluído de uma realeza com características hereditárias para uma república, com a presença de uma cidade-estado conhecida como Civitas. O Estado Romano pendurou durante os anos de (759 A.C até 565 D.C), o estado romano possuía muitas semelhantes ao estado grego nas questões de distinguir o direito da moral, limitando-se a questão de segurança da ordem pública, a propriedade privada era um direito quiritário que o estado tinha que garantir, o estado era uma nação organizada. 4° Estado Medieval: Este Estado representa uma fase bem longa e difícil de definir: era instável e heterogêneo, composto centralmente de eventos como o cristianismo colocado no ápice de influência e poder, as invasões bárbaras, e o feudalismo como organização da sociedade. As invasões bárbaras (Que aconteceram do século III D.C a VI D.C), construíram um fator de profundas transformações na ordem que era estabelecida: Esses povos que se denominavam de bárbaros introduziram novas formas de costumes e de convivência e começaram a estimular as regiões que foram invadidas a se firmarem como unidades políticas independentes, o que resultou em uma grande multiplicidade de estados. Houve grande impacto na complexidade social e do Estado em razão desta divisão de terras, polos de poder, e da coexistência destes diferentes núcleos de controle. Neste tempo, os donos de terra (senhores feudais) é que detinham os poderes jurídicos, econômicos e políticos. Possuíam eles trabalhadores em regime de servidão, e muitos eram os submissos, os pobres, os servos. A sociedade feudal era estática e hierarquizada. Tinha poder descentralizado (pois que distribuído nas mãos dos senhores feudais) e economia baseada na agricultura e utilização do trabalho dos servos, já que as invasões e guerras também dificultaram muito o desenvolvimento comercial na época. Em um momento em que a unidade política não se encontrava claramente delineada, afirmou-se a unidade da Igreja; motivos religiosos e pragmáticos fizeram com que se concluísse que todos os cristãos deveriam ser integrados em uma só sociedade política. Como existia a aspiração de que toda a humanidade se tornasse cristã, surgiu a ideia de um Estado Universal, que incluísse todos os ho mens, guiados pelos mesmos princípios. A própria Igreja estimulou a afirmação do "Império da Cristandade" como unidade política; enttretanto, dois fatores perturbaram esses planos: a multiplicidade de centros de poder (reinos, comunas, senhorios, corporações de oficio, organizações religiosas), que, por valorizarem sua autoridade e sua independência, não se submeteram de fato á autoridade do Imperador, e o próprio Imperador, que recusou a submeter-se à autoridade da Igreja. Dessa forma, a autoridade política formalmente superior era o Império, sem que, entretanto, houvesse, na prática, uma ordem e uma autoridade correspondentes. A rivalidade entre o Imperador o Papa, marca dos últimos séculos da Idade Média, só teve fim com o nascimento do Estado Moderno, afirmando-se a superioridade absoluta dos monarcas. Além disso, ocorreram outras invasões, provenientes do norte da África e do Oriente Médio. Não obstante, em certas regiões, onde os povos cristãos estavam divididos entre si, observava-se a ocorrência de uma união entre eles e os chefes bárbaros. É nesse quadro que se observam os fatores transformadores determinantes das características do Estado Moderno. O feudalismo também teve grande influência na caracterização do Estado Medieval. As invasões e os conflitos internos eram barreiras para o desenvolvimento comercial, de modo que a posse de terras era muito valorizada; dela todos extraíam seus meios de subsistência. Assim, toda a vida social era dependente da propriedadeda terra, desenvolvendo-se um sistema administrativo e uma organização militar ligados à situação patrimonial. O setor público e o setor privado confundiam-se. Pela chamada vassalagem, os proprietários com menos poder submetiam-se ao senhor feudal, obrigando-se a apoiá-lo em guerras e entregando a ele uma contribuição pecuniária. Além dessa, existia outra forma de servidão, o beneficio, contratado entre o senhor feudal e o chefe de familia que não possuisse nenhum patrimônio; o último recebía uma faixa de terra para cultivar, de onde extraía o que fosse necessário à subsistência de sua familia, entregando parte da produção ao senhor feudal. A vassalagem pode ser considerada como uma relação jurídica de caráter pessoal, enquanto o beneficio tinha sentido de estabelecimento de direito real, embora ambos implicassem o reconhecimento do poder político do senhor feudal. 5° Estado Moderno: As caracteristicas essenciais do Estado Moderno foram delineadas pelas deficiências políticas do Estado Medieval. Como consequência da nova distribuição de terras, intensificou-se a antiga aspiração à unidade presente no Estado Romano (unidade não atingida na Idade Média). O sistema feudal ampliou o número de proprietários; além disso, os senhores feudais já não suportavam as exigências dos monarcas que impunham uma tributação indiscriminada e mantinham um estado constante de guerra, causando apenas pre- juízos à vida econômica e social. Tudo isso despertou uma consciência de busca da unidade, que se concretizou, afinal, com a afirmação de um poder soberano. Nasce, então, o Estado Moderno. Suas características peculiares ou elementos essenciais divergem com a doutrina; por isso, serão considerados: Quatro elementos constituintes do Estado: Soberania, Povo, Território e Finalidade. O Estado Moderno nasceu no século XV com o desenvolvimento do capitalismo mercantil e fim do modelo feudal, o qual se deu com a busca ativa de unidade de Poder pois já se tornara demais confuso o sistema pulverizado que se tinha nos feudos. Estabeleceram-se, então, monarquias centralizadoras com a afirmação de um poder soberano. 2. Estruturas do Estado: 1° Soberania: Soberania, em seu sentido político ou jurídico, é o exercício da autoridade que reside em um povo e que se exerce por intermédio dos seus órgãos constitucionais representativos. A soberania é uma autoridade superior que não pode ser restringida por nenhum outro poder e, portanto, constitui-se como o poder absoluto de ação legítima no âmbito político e jurídico de uma sociedade. Na concepção de Jean Bodin, autoproclamado primeiro teórico a formular uma definição para tal conceito, "soberania é o poder absoluto e perpé- tuo de uma República", tendo "República" a mesma definição mo derna de Estado. Por absoluto, Bodin faz referência às leis divinas e naturais, considerando-as as únicas limitadoras do poder do soberano; por perpétuo, Bodin teoriza que só é soberano aquele que possui o poder e, se o possuir por prazo determinado, então o poder não lhe pertence, sendo esse agente apenas o depositário de tal faculdade, não sendo o dono de fato. Há soberania, para Bodin, nos Estados aristocráticos, populares e nas monarquías hereditárias, onde se pode traçar um fluxo hereditário de detentores do poder. Atualmente, o conceito de soberania sofreu flexibilizações em relação ao pensamento de Bodin. Uma das maiores evidências deste fato é observada no Direito Internacional Público, em um de seus princípios consagrados pela Paz de Westfália o Pacta sunt servanda. Ainda que, por alguns, tratado como um paradoxo do direito, já que o Estado estaria utilizando a própria soberania para se autolimitar, é uma das grandes diretrizes que possibilitam a convivência entre os Estados, igualmente soberanos (também por principios internacionais). Por uma anuência prévia ao tratado, o Estado compromete-se a cumprir o que ali estiver disposto, sujeitando-se a cobranças e sanções em caso de descumprimento, o que revela uma novidade em relação ao conceito mais rígido delineado por Bodin. 2° Povo: Constitui um termo técnico, restrito em sua concepção, e pode ser definido como um vínculo jurídico-político, ou seja, todas as pessoas que exercem seus direitos políticos (que votam ou são votadas), em suma, o cidadão. Portanto, quando dizemos que uma pessoa é brasileira, o que determina isso é exatamente esse vínculo jurídico-político, assim, definimos a nacionalidade, então, ao dizermos povo brasileiro, estamos falando somente dos que possuem esse vínculo. É unânime a necessidade do povo como elemento para a constituição e existência do Estado, sendo certo afirmar, por isso mesmo, que não é possível a existência do Estado sem ele, notadamente porque, em última análise, é para ele que o Estado se forma. Na Grécia antiga o povo era entendido como o membro ativo da sociedade política, ou seja, os cidadãos dotados de direitos políticos. Em Roma deu-se à expressão povo, inicialmente, a conotação idêntica àquela da Grécia, mas, posteriormente, conferiu-se a mesma um elastério de seu significado com o escopo de designar o Estado Romano. Estava, portanto, sendo delineada, nessa época, a significação jurídica próxima a que é dada hoje, uma vez que aos cidadãos eram atribuídos direitos públicos. Com o advento da revolução do século XVIII, momento em que a burguesia estava em plena ascensão, os textos constitucionais passaram a designar povo livre de qualquer noção de classe, almejando-se implementar a igualdade e, por outro lado, eliminar a discriminação então vigente, notadamente através da implementação do princípio do sufrágio universal. Iniciou-se, doravante, em âmbito doutrinário, o anseio de promover a plena extensão da cidadania. Formado por indivíduos-cidadãos com dignidade de pessoas humanas, isto é, no dizer de Kant, por pessoas consideradas sempre como fins e nunca apenas como meios e chamado também de cidadania, o povo é a dimensão humana e humanizadora do Estado. No Estado social e democrático de direito, ou, simplesmente, Estado democrático de direito, o povo é o titular do seu poder soberano (princípio da soberania popular), como o proclamou Rousseau, e o titular do seu governo democrático (princípio do governo popular): o governo democrático (a democracia) é governo do povo, pelo povo e para o povo, como o afirmou Abraham Lincoln. Num verdadeiro Estado democrático de direito, então, o povo não é apenas um componente sociológico do Estado, mas é também componente normativo, jurígeno, ético (moral), jurídico e político. Nesse Estado, o povo, seja de forma direta, seja por meio dos seus representantes éticos, justos, honestos, dialógicos, cooperativos, pacíficos e pacificadores, humanos e humanizadores, e junto a esses seus representantes, é o construtor e reconstrutor dos princípios éticos ou morais da justiça social e da ordem jurídica constitucional socialmente justa do Estado, princípios e ordem aos quais o Estado e ele próprio estão e devem estar submetidos. Como dimensão humana do Estado, o povo é, pois, um ser humano coletivo ético-jurídico-político. Assim, o povo e os indivíduos-cidadãos que formam o povo não são meros objetos do Estado, nem da sua ordem jurídica, nem do seu governo, mas, principalmente, são autores, sujeitos, princípios e fins primeiros deles. Por isso, o povo e os indivíduos-cidadãos que o constituem tampouco são apenas sujeitos de deveres e direitos subjetivos perante o Estado, mas, sobretudo, são autores do próprio direito (positivo ou positivado) que devem observar, obedecer e respeitar e que o Estado também deve observar, obedecer e respeitar e deve fazer com que seja obedecido e respeitado com o uso da força, se necessário for. 3° Território: É o elemento espacial do Estado. É o espaço no qual e sobre o qual o Estado afirma seus direitos de soberania e governo. Esse espaço tem várias dimensões: espaço territorial: solo e subsolo; espaço fluvial: rios e lagos; espaço aéreo; espaço marítimo: mar territorial, plataforma continental, alto mar; espaço ficto:embaixada, navios e aeronaves. Num verdadeiro Estado democrático, o território, além de espaço jurídico e político, é também espaço moral, ético e humano, pois é nesse espaço que vive seu elemento humano, seu empreendedor, criador, governante e soberano: o povo e os indivíduos-cidadãos com dignidade de pessoas humanas que compõem o povo, ente coletivo moral, ético e humano. Além do mais, o território é também fonte de recursos naturais e ou materiais do Estado. 3. O que é um Estado Democrático de Direito? O Estado Democrático de direito é definido juridicamente pelo respeito aos direitos humanos fundamentais. É um Estado no qual os direitos individuais, coletivos, sociais e políticos são garantidos através do direito constitucional. No Estado Democrático de Direito a atuação do Estado é definida e limitada pela Constituição do país. Os cidadãos, por sua vez, tem os direitos sociais e proteção jurídicas garantidos pelo Estado através dos governantes, que são escolhidos de forma democrática. O poder dos governantes e a soberania estatal emanam do poder popular, através da escolha direta dos seus governantes através de eleições. Os eleitos devem respeitar e cumprir as obrigações previstas em lei. Um governante não pode tomar decisões que sejam contrárias à Constituição ou que firam os direitos básicos e essenciais aos cidadãos. Características do Estado Democrático de Direito: .Divisão do Estado em três poderes independentes: Executivo, Legislativo e Judiciário; .As Leis promulgadas pelo legislativo devem ser obedecidas pelos três poderes e pelos cidadãos; .O Estado Democrático de Direito é criado e regulado por uma Constituição; .A Constituição é a lei maior de qualquer país e deve orientar as ações tanto do Estado quanto dos cidadãos; .Os órgãos estatais devem ser harmônicos e controlar uns aos outros; .A lei impõe limites ao poder de decisão dos governantes; .As decisões governamentais devem sempre obedecer a Constituição; .As ações e decisões devem garantir todos os direitos constitucionais dos cidadãos; .O Estado tem o dever de garantir a justiça social do país; .Soberania Popular: o povo exerce controle sobre o poder político e também é o destinatário de todas as decisões; .Os governantes não podem impor suas vontades e decisões, nem tomar nenhuma atitude não prevista na Constituição. OBS: O Artigo 1º da Constituição Brasileira de 1988 define o Brasil como um Estado Democrático de Direito. O Estado Democrático de Direito, apesar de parecer ser um simples Estado de Direito entoado por governos democráticos, onde há apenas a participação popular na escolha dos governantes, não é. A democracia na escolha dos participantes é fundamental, mas deve haver também uma série de garantias de direitos fundamentais para que haja, de fato, liberdade e igualdade entre as pessoas. Esses direitos são educação, saúde, saneamento, direito de ir e vir, direito ao julgamento livre e imparcial, com a prerrogativa de ampla defesa para aqueles que são acusados de cometer crimes, direito à alimentação adequada, direito à previdência (aposentadoria) e a garantia dos direitos trabalhistas em geral (férias remuneradas, descanso remunerado semanal, jornada de trabalho fixa e justa, salário mínimo, licença-maternidade, licença médica, entre tantos outros). O conjunto de direitos que adentraram na concepção de Estado Democrático de Direito visa a garantir, em suma, a dignidade da pessoa humana, partindo do pressuposto de que todo mundo tem direito a garantias básicas que tornem a sua vida digna de ser vivida. Existem documentos oficiais, nos âmbitos do Direito Constitucional e do Direito Internacional, que regulamentam as garantias que devem ser atribuídas à população em um Estado Democrático de Direito. 4. Definição de Democracia e seus tipos: Democracia é a prática política de dissolução, de alguma maneira, do poder e das decisões políticas em meio aos cidadãos. O termo democracia tem origem grega, podendo ser etimologicamente dividido da seguinte maneira: demos (povo), kratos (poder). Tipos de Democracia: 1° Democracia Direta: É a forma clássica de democracia exercida pelos atenienses. Não havia eleições de representantes. Havia um corpo de cidadãos que legislava. Os cidadãos reuniam-se na ágora, um local público que abrigava as chamadas assembleias legislativas, nas quais eram criadas, debatidas e alteradas as leis atenienses. Cada cidadão podia participar diretamente emitindo as suas propostas legislativas e votando nas propostas de leis dos outros cidadãos. Os cidadãos atenienses tinham muito apreço por sua política e reconheciam-se como privilegiados por poderem participar daquele corpo tão importante para a cidade, por isso eles levavam a sério a política. Os cidadãos preparavam-se, mediante o estudo da Retórica, do Direito e da Política, para as assembleias. Eram considerados cidadãos apenas homens, em sua maioridade, nativos de Atenas ou filhos de atenienses e livres. As decisões, então, eram tomadas por todos, o que era viável devido ao número reduzido de cidadãos. 2° Democracia Representativa: É mais comum entre os países republicanos do mundo contemporâneo. Pela existência de vastos territórios e de inúmeros cidadãos, é impossível pensar em uma democracia direta, como havia na Grécia. Vários fatores contribuíram para a formação desse tipo de democracia, dos quais podemos destacar: 1- Sufrágio universal; 2- Existência de uma Constituição que regulamenta a política, a vida pública e os direitos e deveres de todos; 3- Igualdade de todos perante a lei, o que está estabelecido pela Constituição; 4- Necessidade de eleger-se representantes, pois não são todos que podem participar; 5- Necessidade de alternância do poder para a manutenção da democracia. As democracias representativas são regidas por Constituições que estabelecem um Estado Democrático de Direito. Nessas organizações políticas, todo cidadão é considerado igual perante a lei, e todo ser humano é considerado cidadão. Não pode haver desrespeito à Constituição, a Carta maior de direitos e deveres do país, e os cidadãos elegem representantes que legislarão e governarão em seu nome, sendo representantes do poder popular nos poderes Executivo e Legislativo. A vantagem desse tipo de organização política é a exequibilidade, e sua desvantagem é a brecha para a corrupção e para a atuação política em benefício do bem privado e não do bem público. Por ser um sistema em que a participação política não é exercida diretamente, mas por meio de representações, ele é chamado de democracia indireta. A principal base da democracia representativa é o voto direto, ou seja, o meio pelo qual a população pode apreciar todos os candidatos a representantes do povo e escolher aqueles que consideram mais aptos para representá-los. Os representantes eleitos através do voto podem ser vereadores, deputados estaduais, deputados estaduais, senadores, governadores e etc. Teoricamente, a função das pessoas que foram eleitas é representar os direitos e interesses daqueles que os elegeram, no entanto, muitos exemplos de sistemas democráticos pelo mundo mostram que a relação entre os representantes e a população é bastante questionável. Em seu sentido etimológico, a democracia é um modelo de governo em que a soberania é exercida pelo povo. Neste contexto, toda a população tem o direito de expressar a sua opinião na hora de eleger um dos representantes disponíveis. 3° Democracia Deliberativa: A democracia deliberativa defende que o exercício da cidadania estende-se para além da mera participação no processo eleitoral, exigindo uma participação mais direta dos indivíduos no domínio da esfera pública, em um processo contínuo de discussão e crítica reflexiva das normas e valores sociais. O conceito de esfera pública que veremos de modo mais detalhado adiante é um conceito chave para a democracia deliberativa. A esfera pública é um local destinado à deliberação comunicativa, um espaço onde os indivíduos interagem uns com os outros, debatem as decisõestomadas por autoridades políticas, gerando uma rede de procedimento comunicativos. As questões sociais e coletivas devem ser objeto de apreciação de todos, considerando que em uma sociedade democrática, a esfera pública (seja ele física ou virtual) é dominada pelo discurso e pela argumentação Principais características da Democracia Deliberativa: 1- Cidadão como ator político; 2- Uso racional da capacidade do juízo; 3- Pensar com um objetivo ou propósito determinado; 4- Desenvolve uma ação coletiva responsável; 5- Redefine o conceito de comunidade e cidadania. Aristóteles foi o primeiro grande teórico a defender o valor de um processo no qual os cidadãos pudessem discutir publicamente e justificar suas leis uns aos outros. Aristóteles já assinalava três gêneros de discurso: o deliberativo (ou político) onde os ouvintes são os membros de uma assembleia; o judicial (ou judiciário ou forense) onde o ouvinte é um juiz; e o epidíctico (ou laudatório ou demonstrativo) onde o ouvinte é o espectador. O discurso deliberativo, que é aquele que nos interessa aqui, “inclui os discursos que se devem apresentar nas assembleias e nos lugares institucional mente deputados à elaboração de decisões que dizem respeito à vida pública e à atividade política da cidade”. Na democracia deliberativa a legitimidade das decisões políticas resulta de processos de discussão, orientados por alguns princípios, que vão desde a inclusão até a igualdade de participação, que Luchmann destaca a partir das ideias de teóricos como Habermas e Joshua Cohen. Além de Habermas, a ideia de uma democracia deliberativa tem como inspiração o pensamento de Joshua Cohen, Charles Sabel e James Bohman. Atualmente a ideia de uma democracia deliberativa vem sendo amplamente discutida e debatida por pesquisadores das ciências humanas e sociais, como uma alternativa aos limites e impasses criados pelo modelo do sistema democrático representativo, não raro usando como referencial teórico o modelo deliberativo proposto por Habermas em sua teoria do agir comunicativo. 5. Representação Política: Representação política é o modo de o povo, titular do poder, agir ou reagir relativamente aos governantes e o voto, ato normalmente associado com a atual democracia, não é para decidir, mas sim para eleger quem deverá decidir. O conceito de representação, no sentido de algumas pessoas representando as outras, é uma ideia moderna. Quando se descreve os processos de democratização ocorridos ao longo do século XIX, basicamente está se tratando da ampliação do direito do povo de eleger os representantes e membros dos órgãos do Estado a representação política é o modo de o povo, titular do poder, agir ou reagir relativamente aos governantes e o voto, ato normalmente associado com a atual democracia é, não para decidir, mas sim para eleger quem deverá decidir. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho, a representação é definida como um vínculo entre os representantes e representados pelo qual os representantes agem em nome dos representados e devem trabalhar pelo bem comum e não pelo próprio. A ideia clássica de representação política incita à participação popular no governo, por intermédio de representantes eleitos, por meio do sufrágio universal. A representação, assim, está atrelada à ideia de democracia, de governo do povo. 6. Eleições e Votos: Desde a Constituição de 1988 que o sufrágio universal foi instituído para a escolha dos ocupantes desses cargos acima mencionados. Sufrágio universal significa que todo o cidadão dentro das normas legais têm direito ao voto. Tal configuração de participação política foi uma vitória no sentido de ampliação dos critérios da democracia representativa no país, já que todos os cidadãos com mais de 16 anos, homens ou mulheres, alfabetizados ou analfabetos, têm direito a escolher seu representante através do voto. Porém, na história do voto do Brasil, nem sempre foi assim. Por meio do voto, é possível ao eleitor escolher dentre um leque de opções previamente estabelecido uma pessoa que o representará em algumas das instituições políticas por um período determinado. Essa escolha, na forma ideal, deve ser feita com consciência política e após uma análise das propostas do candidato e de sua viabilidade de aplicação, além do histórico pessoal e político do candidato. Outra característica do voto no Brasil é que ele é obrigatório. Há campanhas para que o voto seja facultativo, uma escolha das pessoas que querem eleger seus representantes. A favor desse posicionamento há o argumento de que tal medida diminuiria os casos de corrupção nas eleições, além de ampliar a possibilidade de escolha dos cidadãos, já que poderiam começar escolhendo se querem votar ou não. Intensas campanhas são feitas para combater a compra de votos, uma prática ainda comum durante as eleições no Brasil. Através da compra do voto, políticos com maior poder econômico conseguem influenciar de forma considerada não ética um maior número de eleitores. A compra de votos é crime no Brasil, mas isso não quer dizer que ela não exista. Em muitos casos, a crítica à representatividade indica uma limitação dessa forma de organização, que exclui da participação política direta a maior parte dos cidadãos, afastando-os desse tipo de prática, que se limitaria a votar apenas em certos períodos, em candidatos previamente escolhidos por agremiações. Nesse sentido, nos intervalos das eleições, os cidadãos ficariam afastados das decisões políticas, já que delegam essa função a seus representantes. Os vários posicionamentos no debate demonstram a importância do voto na prática política brasileira. 7. Alexis de Tocqueville e o Regime Democrático: A ideia de democracia tem evoluído ao longo dos últimos séculos. Para Tocqueville, era um regime capaz de igualar as condições dos cidadãos. Todos são iguais perante as leis e qualquer ocupação, honraria ou dignidade se dá independentemente do lugar de nascimento. Um dos aspectos mais interessantes do pensamento político de Alexis de Tocqueville é sua constante tentativa de ajustar o seu ideal de Liberdade à realidade sócio- política de seu tempo. Suas análises da democracia americana e da revolução francesa, seus discursos e toda sua atividade política como deputado e durante a revolução de 1848 denotam essa constante preocupação. Ao elaborar o conceito de democracia, Tocqueville apresenta-o como um processo universal, consistindo num movimento irrefreável: os homens entram na era da igualdade. Para o pensador francês, a democracia configura-se num processo igualitário que pode levar tanto à servidão como à liberdade. Isso, no entanto, não quer dizer que a ação humana (principalmente a ação política não tem papel importante nas “eras democráticas”. É por meio da ação dos indivíduos que se pode tornar possível a liberdade na igualdade. A concepção de liberdade para Tocqueville liga-se à independência individual, ao livre-arbítrio e à participação política. Os cidadãos devem participar e tomar parte nas decisões políticas de sua comunidade. O espaço público é muito importante para a concepção de liberdade (política) de Tocqueville. Igualdade, Tocqueville define como uniformidade dos modos e níveis de vida. Para Tocqueville, o “movimento da história” produz circunstâncias novas e os homens devem se preparar para elas, ou seja, devem ser educadas para se adaptarem às novas circunstâncias. Se os homens não se prepararem para a democracia, a fim de dirigi-la, esta crescerá abandonada, “feito criança de rua”, e quando tomar o poder os seus vícios aparecerão, então os homens tentarão destruir a democracia e não corrigir os seus defeitos. Um Estado democrático só é possível de ser construído se houver a participação direta do conjunto dos cidadãos na gestão da coisa pública. “É incontestável, na realidade, que, nos Estados Unidos, o gosto e o costume do governo republicano nasceram nas comunas e no seio das assembléias provinciais. Cada cidadão nos Estados Unidos transporta, por assim dizer, o interesse que lhe inspira sua pequenarepública ao amor da pátria comum. 8. Crise das Multidões: A Multidão é a resposta de Negri e Hardt para o Império. Ou melhor, Antônio Negri e Michael Hardt veem na multidão o lado monstruoso que nasce dentro do Império e procura atravessá-lo. Tal conceito procura responder às manifestações políticas atuais: como pensar a política e as revoltas no mundo de hoje? Tal conceito nos faz olhar para o mundo à nossa volta e encontrar as linhas de fuga, as brechas, as potências, as novas singularidades que brotam do concreto rachado. A essência da massa é a indiferença, a essência da multidão é a diferença. Na massa, no povo, as diferenças são submetidas a uma unidade formatada; já na multidão, o uno é submetido à produção constante da diferença. Negri e Hardt enunciam três definições para a multidão: .Imanência: Multidão como conjunto, multiplicidade de subjetividades, de singularidades, o indivíduo e conjunto de indivíduos é singular; .Classe: Multidão como classe social não operária. Cada corpo é uma multidão e nenhum corpo jamais caminha sozinho. Não é necessário negar o conceito de classes, a multidão engloba as classes sociais; .Potência: Multidão como multiplicidade não esmagada pela massa, capaz de desenvolvimento autônomo e independente. A Multidão é o corpo não unificado, é um conjunto de singularidades que age, cria e transforma. Ela retoma a noção de multiplicidade como substantivo, uma diferença que se mantém diferença por sua própria potência de expressão. Corpo biopolítico coletivo que desenha novos modos de relação, novas formas de produção. Multiplicidade heterogênea, não hierárquica, centrífuga. Ela é composta de inúmeros elementos, cada um diferente dos outros, mas que encontram uma forma de se articular, se comunicam, colaboram, agem em e no comum. É importante dizer que a multidão não é uma festa, não é um “viva a diferença” pura e simplesmente, nem a constituição de uma unidade identitária. Tudo se dá entre, ela é o comum, o lugar onde a diferença se encontra e se articula. Corpo da multidão não é uno, logo, a mente da multidão também não é una! O cérebro não é uno! O cérebro não é o centro de comando do corpo, ele é simplesmente um ponto de passagem de milhões e milhões de neurônios. O Uno, cérebro, não decide nada, um enxame de neurônios, uma multidão age exatamente da mesma maneira. Pensamos que esta coordenação trata-se de uma unidade, mas não. A inteligência do enxame está na comunicação. Uma inteligência coletiva toma corpo: no silício, na internet, nos livros em pdf que circulam sem preço nem códigos de barras. 9. Partidos Políticos: O teórico social Max Weber, que se dedicou também ao estudo de questões referentes à área da Política, definiu brevemente o Partido Político como “uma associação... que visa a um fim deliberado, seja ele 'objetivo' como a realização de um plano com intuitos materiais ou ideais, seja 'pessoal', isto é, destinado a obter benefícios, poder e, consequentemente, glória para os chefes e sequazes, ou então voltado para todos esses objetivos conjuntamente”. A definição de Weber é precisa ao evidenciar os pontos centrais que estruturam essa instituição: seu caráter associativo, que está ilustrado nas conexões entre sujeitos com objetivos e/ou ideias semelhantes; sua função em relação ao processo de disputa pelo poder político de uma sociedade; e as possíveis motivações que levariam à busca pela formação de uma ação política combinada entre sujeitos diferentes. Os partidos, em um contexto democrático, são importantes ferramentas para identificar o que pode se esperar de um candidato ou de um governo. Nem todos têm o conhecimento ou o tempo necessário para realizar as pesquisas e construir uma opinião acurada sobre o comportamento de um político eleito. O partido, enquanto agremiação que professa valores, ideologias e propostas ao público, serve também como meio de facilitar ao eleitorado o contato e a formação de preferências em relação à política. Quando não é possível prever o comportamento de um político a partir do partido ao qual ele pertence, a capacidade dos indivíduos de formar suas preferências adequadamente é prejudicada. Isso não se deve apenas à deficiência na elaboração e exposição das ideias, mas também a um grau reduzido de diferenciação entre os partidos. Alguns teóricos afirmam que os governos representativos vivem uma “crise representativa” no que tange às ações práticas. Nesse sentido, podemos claramente perceber que a questão é muito mais ampla e complicada do que inicialmente pode parecer. No contexto de uma democracia representativa, partidos políticos tornam-se figuras de representação de posições ideológicas e de vontades coletivas, bem como símbolos de posições ideológicas e ponto de conversão de energia política daqueles que se identificam com uma ou outra posição política 10- Função dos Partidos Políticos: No geral, pode-se afirmar que as várias agremiações políticas representam as diferentes convicções políticas existentes na sociedade. Os partidos políticos são responsáveis por lançar os candidatos a cargos eletivos, sendo os meios de ligação entre a sociedade e o Estado. Por esse motivo, antes de se filiar a determinado partido, o cidadão deveria se informar sobre o conhecimento do estatuto partidário, que é a norma interna que rege a sua organização e o seu funcionamento. Quando os líderes de um partido atuam de maneira responsável e representativa, conseguem dar visibilidade aos interesses dos grupos sociais. Dessa maneira, o diálogo entre o partido político e o Estado contribui para a formação direta da cidadania. O partido pode atuar em nível nacional, estadual e municipal, desde que tenha órgãos de direção válidos. A principal importância dos partidos políticos registrados no TSE estão justamente em lançar candidatos às eleições. A importância dos partidos no debate político e nas discussões sobre o futuro do país é enorme, tanto que a Constituição de 1988 brindou-lhes autonomia administrativa e financeira, atribuindo-lhes recursos do Fundo Partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão de acordo com a lei. Em contrapartida, os partidos políticos têm a obrigação de prestar contas das receitas arrecadadas e despesas realizadas durante as campanhas eleitorais e todo o ano. 11- Sistemas Partidários: 1- Sistema Democrático: Fundada na concepção de estado de pluripartidarismo, os partidos políticos são indispensáveis à democracia. 2- Sistema Marxista: Partidos assumem e têm condições precárias e transitórias, são tidas apenas como meios de alcançar a supressão da desigualdade. 3- Sistema Fascista: Defende um partido único, que é diretamente vinculado ao poder estatal. Unipartidarismo: Unipartidarismo consiste na atuação de apenas um partido no governo de um país. Desta forma, um sistema unipartidário apresenta o partido único. Além disso, torna impossível a existência de outros partidos. Em alguns casos, o unipartidarismo tolera a presença de outros partidos políticos, mas não permite legalmente que eles possam vir a representar uma concorrência, tornando-os partidos somente representativos. A presença de partidos únicos ocorreu em diversos países ao longo da História. Geralmente, governos unipartidários surgem como forma de aplacar crises políticas nas quais a diversidade de partidos acaba por não atender as necessidades básicas de uma nação. De outro modo, o sistema de um partido só pode chegar ao poder através de golpes ou auto golpes, visando defender os interesses de um grupo específico. Países que adotaram o Unipartidarismo: Os maiores exemplos são a União Soviética e a Alemanha Nazista. Conceitualmente, o unipartidarismo não se apresenta como um sistema político democrático, visto que a partir dele o eleitor possui somente uma opção de representação. A maior parte dos sistemas ditatoriais impôs-se a partir de sistemas unipartidários, embora isso não seja uma regra. Há outras maneiras de instalar uma ditadura por meios de instituições que impõe sua autoridade sem a necessidade departidos ou coligações. Isso pode ser realizado a partir da economia, entre outras formas. Bipartidarismo: O bipartidarismo é uma situação política em que apenas dois partidos dividem o poder, ou constitucionalmente ou de facto, sucedendo-se em vitórias eleitorais em que um deles conquista o governo do país e o outro ocupa o segundo lugar nas preferências de voto, passando a ser a oposição oficial e institucionalizada. O bipartidarismo tradicional nasce após Revolução Francesa. Com maior ou menor êxito, foram sendo implantados intermitentemente na Europa parlamentos bipartidaristas nos quais se apresentaram sempre dois blocos opostos: conservadores e liberais. Os primeiros tentavam sempre conservar os privilégios da nobreza e da aristocracia, enquanto os segundos pretendiam equiparar os direitos da burguesia. Houve vários momentos assim, por exemplo, na Inglaterra, na Espanha e no Brasil. Hoje, oficialmente, o Brasil possui em média 32 partidos políticos. Mas em 1965, um ano após o golpe militar, a situação era outra. Desse total, subtraía 30 partidos e o resultado seria o bipartidarismo, o sistema político que existia à época da Ditadura Militar. A instituição do bipartidarismo no Brasil veio por meio da criação do Ato Institucional nº 2, ou AI – 2, em 1965, pelo então presidente Castello Branco. Atos institucionais eram decretos e normas, muito utilizados durante a ditadura – eles davam plenos poderes aos militares e garantiam a sua permanência no poder. “Ficam extintos os atuais Partidos Políticos e cancelados os respectivos registros”, dizia o artigo 18 do AI-2. Com o AI – 2, o país deixava o pluripartidarismo e apenas dois partidos passaram a vigorar: a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A Arena se tornou o partido de apoio ao governo, enquanto o MDB figurava como oposição. Multipartidarismo/Pluripartidarismo: Caracteriza-se por pluripartidarismo a existência de vários partidos políticos na disputa do poder de um país. Também conhecido como multipartidarismo, este sistema de governo possibilita a garantia de um amplo espectro de representação dos mais diversos grupos sociais. Assim, o campo político apresenta competitividade no sentido e eleger seus representantes, utilizando ferramentas como a publicidade e as relações públicas neste aspecto. A aplicação plena do pluripartidarismo, sem a presença de conglomerados fisiológicos, promove também a renovação das elites que formam o establishment. Historicamente, o pluripartidarismo apresenta variáveis em sua aplicação. A estruturação de seu escopo partidário ocorre de forma diferenciada conforme sua aplicação em cada país. Em sua forma clássica, o sistema pluripartidário apresenta uma forma de disputa entre partidos sem que nenhum tenha a possibilidade de conquistar a maior parte das cadeiras do Parlamento, ou seja, exercer o poder sozinho, como ocorre no unipartidarismo. Alguns críticos ao pluripartidarismo apontam que sua execução acaba tornando os partidos políticos fragmentados e, desta forma, surgem os conluios entre políticos que buscam parcerias e alianças no sentido de formar uma coalizão. A fisiologia é algo comum no pluripartidarismo. Em outro aspecto, apesar de tornar a governança mais equilibrada com a igualdade entre representantes dos partidos no cenário político, o pluripartidarismo torna mais complicada a aplicação de planos de metas mais longos. Isso ocorre devido à alternância no poder e visões antagônicas, que acabam por refrear ou até mesmo finalizar políticas públicas iniciadas pelos partidos anteriores, gerando retrocesso à nação. Desta forma, por meio de seu caráter de coalizão, apesar de representar mais matizes dentro de um campo social, este tipo de governança acaba demonstrando instabilidade e muitas vezes mandatos são finalizados antes do tempo, assim como políticos abdicam de seus cargos com frequência. Exemplos de Nações que adotam o Pluripartidarismo: 1- Brasil; 2- Portugal; 3- Rússia; 4- México; 5- Nova Zelândia; 6- França; 7- Japão; 8- Alemanha; 9- Irlanda; 10- Canadá. 12- Partidos Políticos na Atualidade: A única forma de o cidadão ter representação no sistema político-eleitoral brasileiro, hoje, é por meio dos partidos políticos. Daí sua importância para a democracia. Desde a Constituição de 1988, os partidos são entidades de direito privado com completa autonomia na definição de seus aspectos organizacionais. Essa definição, no entanto, mudou muito ao longo da história. O eleitorado brasileiro está distribuído em 5.570 cidades – com a inclusão de Brasília e Fernando de Noronha – além de 181 cidades no exterior. O Cadastro Eleitoral de 2022 mostra que, mais uma vez, a maior parte do eleitorado brasileiro é composta por mulheres. Ao todo, são 82.373.164 de eleitoras, o que equivale a 52,65% do total. Já os homens são 74.044.065, sendo 47,33%. Há ainda outros 36.782 votantes sem informação, num total de 0,02%. O estado de São Paulo continua a ser o maior colégio eleitoral brasileiro, com 22,16% de todos os eleitores. Isso significa que, a cada cinco votantes no país, um reside em São Paulo. Em seguida aparecem os estados de Minas Gerais, com 10,41% do total de eleitores, e Rio de Janeiro, com 8,2%. Ao todo, a região Sudeste concentra 42,64% de todo o eleitorado nacional. Em contrapartida, os três estados com menor eleitorado estão na região Norte, que responde por apenas 8,03% dos eleitores. Roraima (0,23%), Amapá (0,35%) e Acre (0,38%) são as unidades da Federação com menos eleitores, respectivamente. Ainda com relação às regiões, o Nordeste vem logo após o Sudeste, com 27,11% do eleitorado. Na sequência aparecem o Sul (14,42%), Norte (8,03%) e Centro-Oeste (7,38%). Desde novembro de 2023, o Brasil tem 29 (vinte e nove) partidos políticos legalizados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São eles: . Movimento Democrático Brasileiro (MDB); . Partidos dos Trabalhadores (PT); . Partido Renovação Democrática (PRD); . Progressistas (PP); . Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB); . Partido Democrático Trabalhista (PDT); . União Brasil (UNIÃO); . Partido Liberal (PL); . Podemos (PODE); . Partido Socialista Brasileiro (PSB); . Republicanos (Republicanos); . Partido Social Democrático (PSD); . Cidadania (Cidadania); . Partido Comunista do Brasil (PCdoB); . Solidariedade (Solidariedade); . Partido Verde (PV); . Partido Socialismo e Liberdade (PSOL); . Avante (Avante); . Mobilização Nacional (MOBILIZA); . Agir (Agir); . Democracia Cristã (DC); . Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB); . Partido Novo (NOVO); . Partido da Mulher Brasileira (PMB); . Rede Sustentabilidade (REDE); . Partido Socialista dos trabalhadores Unificado (PSTU); . Partido Comunista Brasileiro (PCB); . Unidade Popular (UP); . Partido da Causa Operária (PCO). 13- Direitos Individuais: Os direitos individuais são reconhecidos portanto como um ramo dos direitos fundamentais (pois são estabelecidos em lei) e ancorados nos princípios dos direitos humanos de primeira geração, que foram os primeiros conquistados pela humanidade e baseados nas liberdades individuais civis clássicas, no direito à vida e nos direitos políticos de participação, todos com base na igualdade. O Estado não pode desrespeitar esses direitos citados já que eles possuem características importantes: .São imprescritíveis, isto é, não se perdem com o tempo mesmo que não utilizados; .Possuem inalienabilidade, ou seja, por serem pessoais não podem ser nem vendidos, nem doados, nem emprestados (com exceção do direito à propriedade que pode ser perdida ou vendida); .São indisponíveis, importam não apenas ao titular dos direitos, mas sim a toda a coletividade (exceto a intimidade e à privacidade); .Possuem caráter de indivisibilidade (por serem um conjunto não podem ser analisados de maneira separada, o desrespeito a um deles é, na verdade, o desrespeito a todos). No Brasil os direitos individuais estão previstos principalmente no art. 5° da Constituição de 1988. O primeiroe mais importante de todos os direitos humanos é o direito à vida, pré-requisito para todos os outros direitos e que garante a integridade física e moral dos indivíduos. É previsto na Constituição brasileira, portanto que, nem o Estado, nem qualquer membro da sociedade tem o direito de tirar vidas, exceto em casos de guerra, onde os crimes como traição (auxiliar o inimigo), covardia (fugir na presença do inimigo), rebelar ou incitar a desobediência contra a hierarquia militar, desertar ou abandonar o posto, praticar genocídio e praticar crime de roubo ou de extorsão em zona de operações militares, entre outros, podem levar a essa punição. A vida humana também é composta por elementos imateriais muito importantes para a Constituição, que constituem os direitos individuais e devem ser respeitados: .A honra; .O nome; .A reputação e a imagem que integram a personalidade moral dos indivíduos; a privacidade que envolve a intimidade de cada um; .As relações familiares e afetivas; .Os hábitos pessoais; .O seu domicílio que não pode ser penetrado pelos demais sem o consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito, desastre, para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; .Sua correspondência e o respeito ao sigilo desta assim como a todas as formas de comunicação surgidas com o desenvolvimento da telecomunicação; Além disso, outro direito individual é o da liberdade, que abarca desde a locomoção livre pelo país à liberdade de pensamento, consciência, expressão e de reunião. Apesar de previstos na Constituição, não faltam exemplos de desrespeito aos direitos individuais. Não somente no país, mas em geral no mundo moderno, o desrespeito à vida digna é um grande problema. Algumas parcelas da sociedade sofrem dificuldades de acesso aos serviços públicos ou a má oferta desses serviços, não conseguindo aproveitar inteiramente seus direitos com qualidade de vida e no Brasil não faltam exemplos. Esperar em filas, ser mal atendido e não encontrar médicos disponíveis são reclamações de rotina nos hospitais públicos de muitas cidades brasileiras, além disso a taxa de mortalidade dos últimos anos é ainda mais preocupante. 14- Direitos Coletivos: Os direitos coletivos são conquistas sociais reconhecidas em lei, como o direito à saúde, o direito a um governo honesto e eficiente, o direito ao meio ambiente equilibrado e os direitos trabalhistas. Quando um direito coletivo não é respeitado, muitas pessoas são prejudicadas e o Ministério Público tem o dever de agir em defesa desse direito, ainda que o violador seja o próprio Poder Público. Os direitos coletivos, em sentido amplo dividem-se em direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos, conforme o parágrafo único do art. 81 da Lei 8.078/90: Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. São os que pertencem a determinado grupo, categoria ou classe de pessoas, de início indeterminadas, mas determináveis em algum momento posterior. Existe entre eles uma relação jurídica pré-estabelecida, anterior a qualquer fato ou ato jurídico. Por exemplo, ação civil pública que pede a inexigibilidade de fiador para estudantes inscritos no FIES. Direitos Difusos: Os titulares de direitos difusos são indeterminados e indetermináveis. Dito de outra forma, não é possível determinar quem são os titulares de um direito difuso. Isso não significa que ninguém sofra ameaça ou violação de direitos difusos, mas que os direitos difusos são direitos que merecem especial proteção, pois atingem alguém em particular e, simultaneamente, a todos. Exemplos: .Direito a um meio ambiente sadio; .Direito à vedação à propaganda enganosa; .Direito à segurança pública. Direitos Coletivos em Sentido Estrito: São direitos de grupo, categoria ou classe de pessoas. É possível determinar quem são os titulares de direitos coletivos em sentido estrito, pois existe uma relação jurídica entre as pessoas atingidas por sua violação ou entre estas e o violador do direito. Exemplos: .Direito dos consumidores de receber serviços de boa qualidade das prestadoras de serviços públicos essenciais, como de telefonia, de abastecimento de água e de energia elétrica; .Direito dos técnicos de raio-x de receber adicional de insalubridade; .Direito dos alunos de determinada faculdade de receber serviços educacionais de qualidade. Direitos Individuais Homogêneos: .São direitos individuais que recebem proteção coletiva no propósito de otimizar o acesso à Justiça e a economia processual. Dizem respeito a pessoas determinadas cujos direitos são ligados por um evento que tenha origem comum. Como o próprio nome diz, apesar de homogêneos, são direitos individuais, sendo também possível a propositura de ação individual. Exemplos: .Direitos dos compradores de produto defeituoso de serem indenizados pelo fabricante; .Direito à declaração de nulidade de cláusula abusiva de contrato de prestação de serviços públicos essenciais, como de telefonia, de energia elétrica ou de abastecimento de água; .Direito das vítimas de um acidente de avião. 15- Direitos Sociais: Direitos sociais são os direitos que visam garantir aos indivíduos o exercício e usufruto de direitos fundamentais em condições de igualdade, para que tenham uma vida digna por meio da proteção e garantias dadas pelo estado de direito. Direitos Sociais no Brasil: O Pacto Internacional das Nações Unidas de 1966 foi adotado pelo Brasil em 1992 e refletiu-se na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e na sua emenda constitucional de 2010, resultando nos seguintes direitos definidos por seu Artigo 6º: . A educação; . A saúde; . A alimentação; . O trabalho; . A moradia; . O transporte; . O lazer; . A segurança; . A previdência social; . A proteção à maternidade e à infância; . A assistência aos desamparados. 16- Direitos Econômicos: Os direitos econômicos referem-se à produção e ao justo consumo da riqueza produzida pela sociedade, podendo ser listadas nessa categoria a valorização do trabalho e a justa remuneração que atenda às necessidades básicas do trabalhador e de sua família, o direito de associação em órgãos corporativos, o direito de greve, entre outros. 17- Visão liberal e neoliberal: 1- Liberalismo: O Liberalismo é uma ideologia política, econômica e social, que surgiu na Europa na Idade Moderna e tem como base a defesa da liberdade. Ele se formou a partir das críticas ao Estado Absolutista. Até as revoluções burguesas ocorridas na Europa entre o final do século XVII e início do século XIX, a estrutura da sociedade europeia era bastante rígida e repressora. Ela estava dividida em estamentos, sem liberdades políticas, de expressão e de imprensa. O Liberalismo então é uma ideologia de vanguarda, progressista. Ele defende que cada indivíduo possui a liberdade de fazer o que bem entender, com a condição de que ele não fira a liberdade nem a integridade dos outros. Por exemplo, os liberais clássicos defendem uma mínima ou até mesmo nenhuma intervenção do Estado na economia. Eles também defendem a igualdade de condições entre os cidadãos, a liberdade religiosa e de pensamento, a igualdade entre homem e mulher etc. Contudo, essa igualdade defendida pelos liberais não se estende à igualdade material. Ou seja, os liberais não defendem usar violência contra ricos para distribuir suas riquezas com os mais pobres. A igualdade, segundo os liberais, é uma igualdade de direitos humanos, eessa é a diferença entre liberalismo e neoliberalismo. Por exemplo, em um julgamento, as mesmas leis valem tanto para um rico quanto para um pobre, pois ambos são seres humanos. O modelo econômico liberal foi adotado pela maioria dos estados ocidentais no século XIX. Porém, ele perdeu força após a Segunda Guerra Mundial, dando lugar ao Estado de bem-estar social. O Estado se tornou fornecedor de diversos serviços, como saúde e educação. Em um primeiro momento, isso aumentou o padrão de vida dos mais pobres, principalmente nos países europeus. 2- Neoliberalismo: O neoliberalismo é um modelo de política econômica que surgiu na década de 1970 como uma resposta à inviabilidade fiscal do estado de bem-estar social. A ideia é basicamente enxugar as contas do Estado para continuar promovendo certos serviços vistos como essenciais. Para isso, ele promove a redução do papel do Estado na economia e na sociedade em geral. Ele enfatiza a liberdade individual, a privatização, a desregulamentação e a livre concorrência como formas de alcançar o desenvolvimento econômico e o bem-estar social. Neste sentido, o Neoliberalismo é mais uma prática política que uma teoria econômica e social. Ele foi adotado por diversos governos a partir da década de 1970 e ainda é bastante presente no mundo inteiro. 18- Princípio constitucional fundamental da dignidade da pessoa humana: O princípio da dignidade da pessoa humana pode ser entendido como a garantia das necessidades vitais de cada indivíduo. É um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito e tem sua previsão no artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal. Assim, é fundamento basilar da República. No entanto, o ordenamento jurídico não conta com uma definição específica, restando a inúmeros autores a busca pela identificação do conceito da dignidade humana Quatro foram os momentos históricos fundamentais para a construção do que temos hoje como dignidade da pessoa humana. São eles: .Cristianismo; .Iluminismo humanista; .Immanuel Kant; .Segunda Guerra Mundial. Qual a importância do princípio da dignidade humana? Como um valor inalienável, a dignidade humana tem profundo impacto na organização das sociedades e na elaboração das leis e políticas. Abaixo estão alguns dos pontos mais relevantes: .Fundamento dos Direitos Humanos: Trata-se do princípio que sustenta a ideia de que todos têm direito a um tratamento justo e respeitoso, independentemente de raça, religião, gênero, idade, nacionalidade ou qualquer outra característica. .Garantia de Respeito e Igualdade: Assegura que todas as pessoas sejam tratadas com igualdade e respeito. Ele proíbe tratamentos desumanos e degradantes e promove a proteção da integridade física e moral do indivíduo. .Regulação do Estado: Este princípio exerce uma função reguladora sobre as ações do Estado. Assim, o Estado deve garantir em sua legislação e em suas ações a observância da dignidade humana, sob pena de seus atos serem considerados inconstitucionais ou ilegais. 19- Direito de transição: Direito à memória, a justiça e a verdade: De acordo com o filósofo espanhol Reyes Mate, a justiça deveria ser repensada centrando a sua análise na memória que possibilita efetivamente que se dê ouvidos ao sujeito que seria esquecido: a vítima. Desta forma, o autor nos trouxe o conceito de justiça anamnética. É impossível a restauração integral do passado, e, por este motivo, a memória consiste em uma seleção de fatos escolhidos com alguma finalidade. Isto é o que torna a memória um conceito tão sutil, visto que é possível eleger de diferentes formas o que se quer lembrar do passado. No entanto, a memória tem papel crucial em contextos posteriores a regimes autoritários nos quais houve violações graves de direitos humanos. A partir da ideia de relembrar as lesões sofridas, é possível evitar as repetições. Neste sentido, após o maior exemplo existente no mundo que foi o Holocausto na Alemanha nazista, criou-se a expressão “nunca mais”, a qual traduz a ideia de não deixar o passado completamente para trás. Esquecer a história não permitiria o dever de memória, o qual é essencial para a construção de uma sociedade democrática pautada no respeito aos direitos humanos. Contudo, convém destacar que existem bons e maus usos da memória e é preciso diferenciá-los, conforme propõe Todorov em seus escritos. Escolher as lembranças de fatos passados com o intuito de criar ressentimento nos indivíduos não é a solução adequada, visto que a nova sociedade seria formada em cima de uma fixação pelos acontecimentos anteriores. Este sentimento profundo que um mau uso da memória pode trazer gera, inclusive, futuros conflitos diferentes que, na realidade, estão incrustados em razões de lembranças sobre um passado não superado. Um bom uso da memória resgata o passado através de um objetivo de lembrar as violações para que não se esqueça suas consequências. O sujeito que foi privado de ter voz no contexto autoritário de violações sofridas pode, enfim, ser escutado pela sociedade. Neste ponto torna-se fundamental diferenciar a memória, que está vinculada a um passado recordado, da rememoração, que relaciona-se a um passado esquecido. Assim, deve-se resgatar não qualquer passado, mas aquele ausente que não foi contado, o qual será relembrado porque foi apagado da história por inúmeras razões. A memória possibilita, portanto, a perspectiva do oprimido, havendo um pensamento pautado na voz que se dá à vítima a partir do exercício de tal direito. As lembranças dos injustiçados no passado são condição para a justiça do presente. Contudo, convém lembrar que os relatos só podem ser realizados através justamente de uma real busca pela verdade, isto é, entender a história com a perspectiva dos oprimidos. O esclarecimento dos fatos é a uma etapa crucial da restauração necessária a um processo de redemocratização, visto que somente a partir do reconhecimento das violações se pode chegar a uma paz social. Neste sentido, os testemunhos das vítimas e seus familiares tem extrema importância não somente para os próprios indivíduos que finalmente tem possibilidade de fala, como para a sociedade como um todo que pode reconhecer seus erros. O direito à memória, à verdade e à justiça estão estritamente conectados. Porém, ressalta-se que a memória do sofrimento vivido existe como um instrumento para o alcance de uma sociedade que conviva com base na paz e no respeito à dignidade humana. Por isso o testemunho é fator importante tanto para o alcance da verdade como para o exercício do direito da memória, e é a partir dos relatos das vítimas que se verifica o trabalho importante das comissões da verdade conforme o conceito de justiça anamnética.