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Áreas de atuação dos profissionais da educação e a organização da gestão escolar Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as características que de� nem uma organização escolar como hierárquica ou coletiva. De� nir a importância de uma organização de escola pautada em ideias descentralizadoras e coletivas. Identi� car as áreas de atuação dos pro� ssionais da educação dentro das escolas. Introdução Neste capítulo você vai estudar as peculiaridades que constituem uma organização escolar como hierárquica ou coletiva, com destaque para a organização pautada nas ideias descentralizadoras e coletivas. Você também vai reconhecer as diversas áreas de atuação dos profissionais dentro da escola. Organizações escolares: hierárquicas ou coletivas? De acordo com Thurler e Maulini (2012), do ponto de vista da teoria dos sistemas, as escolas são conhecidas como organizações fragmentadas “celu- lares”. Para ilustrar essa ideia, vamos utilizar a fi gura de uma caixa de ovos, que distribui nas escolas/salas de aula os alunos e professores de maneira a fi carem protegidos e separados uns dos outros por divisórias físicas e mentais. De fato, essa ideia da separação e da prescrição das funções, obedecendo a uma hierarquia preestabelecida, remonta à implantação da obrigatoriedade da escola, na metade do século XIX, e corresponde a uma lógica de organi- zação da época conhecida como concepção técnico-científica, ou científico- -racional, preocupada em tornar mais eficazes primeiro as cadeias de produção industriais e, depois, as burocracias. De caráter conservador, a concepção técnico-científica tem uma arquitetura escolar centralizada em uma única pessoa (assumindo o cargo de direção), com as decisões seguindo o fluxo de cima para baixo. Outra característica visível desse funcionamento burocrático, além dos espaços bem definidos para cada um dos sujeitos que fazem parte da escola (daí a ideia da hierarquia) é que o plano a ser seguido costuma ser elaborado sem considerar a participação das pessoas e a troca de ideias entre elas. O grande objetivo é funcionar como uma empresa, com departamentos específicos, e buscando a eficiência e a eficácia a todo custo, pensando somente em resultados e não em algum tipo de integração. Nesse modo de organização escolar, a realidade tende a ser vista como algo controlável, objetivo e neutro e que pode ser mensurado (refletindo seu caráter cientificista). Rompendo com as ideias dominantes na metade do século XX, sabemos hoje que, para conduzir a mudança no interior dos sistemas educacionais, a ação apenas sobre as estruturas não é suficiente. Ou seja, não adianta a arquitetura escolar se apresentar de maneira diferente se as relações entre os sujeitos da escola permanecem inalteradas – hierárquicas. Assim, com o passar dos anos, surgiu uma concepção diferente, denomi- nada sociocrítica, que, em vez de trabalhar com o conceito de hierarquias, tem como base a coletividade: a escola funciona como um todo, e as funções antes segmentadas, são unidas em torno de um bem comum: o aluno. As decisões agora, objetivando interesses coletivos, são tomadas de baixo para cima, e contam com a participação de todos da comunidade escolar. Nessa concepção sociocrítica, as relações entre os profissionais das escolas ultrapas- sam as questões meramente estruturais, fundamentando-se na importância e na valorização de todas as áreas de atuação dos profissionais da escola. Cada Gestão educacional40 função desempenhada na escola é reconhecida, pois cada uma delas se articula, isto é, funciona de forma coletiva, para que a escola tenha um trabalho de excelência com o aluno, apresentando uma proposta qualificada quando se fala em ensino e em aprendizagem. Repensando a organização do trabalho coletivo Para Thurler e Maulini (2012), os sistemas escolares claramente não correspondem a blocos estáticos e monolíticos. Daí a importância de repensar a organização do trabalho coletivo, apesar das dúvidas e hesitações dos atores envolvidos. Talvez seja esta a única maneira de atender às diversas solicitações que invadem os estabelecimentos escolares, permitindo-lhes fazer a triagem delas e adotar uma orientação comum, sólida e promissora. O organograma a seguir apresenta um modelo de organização da escola de forma descentralizada e coletiva, compreendendo a importância e a participação de todos os sujeitos pertencentes à escola. Gestão escolar Equipe pedagógica Conselho escolar Corpo docente Funcionários Aluno Fonte: Pedagogas 2012 (2012). 41Áreas de atuação dos profissionais da educação e a organização da gestão escolar A estrutura de organização da escola do organograma apresenta a articu- lação entre os diferentes segmentos da comunidade escolar, afastando-se do modelo fragmentado, hierárquico, ilustrado anteriormente pela “caixa de ovos”. Uma organização de gestão escolar que parte de uma concepção demo- crática-participativa prioriza a valorização do trabalho coletivo, concebendo a participação de todos nas decisões que se fizerem importantes ao cotidiano escolar. Para que ocorra na realidade o fluxo harmônico de atividades em uma escola (conforme você viu no organograma), é imprescindível que todos os envolvidos conheçam as funções desempenhadas pelas diferentes partes desse organograma. Assim, você vai ver agora um pouco mais sobre cada um desses elementos, que giram em torno do aluno. Geralmente a organização interna da escola é apresentada pelo regimento escolar a partir de uma legislação específica estadual e/ou municipal. Fonte: EJA ([2010?]). Gestão educacional42 Características fundamentais das funções típicas de uma escola De fato, precisamos de uma organização que apresente as demandas/respon- sabilidades de cada segmento a fi m de trabalhar coletivamente para o bom funcionamento da escola como um todo. A partir desse entendimento, você vai ver agora as características funda- mentais de cada uma das unidades e funções típicas de uma escola. Conselho escolar – é um órgão da escola que possui atribuições con- sultivas, deliberativas, fiscais e mobilizadoras a partir de definições da legislação estadual e municipal, descritas no regimento escolar. Envolve aspectos pedagógicos, administrativos e financeiros. É composto por certa proporcionalidade com a participação de docentes, especialistas em educação, funcionários, pais e alunos, tendo a função básica de democratizar as relações de poder. Assim, metade dos representantes são pessoas que trabalham nas escolas, professores e funcionários, e a outra metade são representantes de alunos e pais. Os conselhos escolares são amparados pela Constituição Federal de 1988 quanto à organização democrática do ensino público: Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei (BRASIL, 1988); Veja no Quadro 1 a as funções de um conselho escolar : 43Áreas de atuação dos profissionais da educação e a organização da gestão escolar Fonte: Brasil (2004, p. 41). Deliberativas Quando decidem sobre o projeto político- pedagógico e outros assuntos da escola, aprovam encaminhamentos de problemas, garantem a elaboração de normas internas e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino e decidem sobre a organização e o funcionamento geral das escolas, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. Elaboram normas internas da escola sobre questões referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo ou financeiro. Consultivas Quando têm um caráter de assessoramento, analisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão ou não ser acatadas pelas direções das unidades escolares. Fiscais (acompanhamento e avaliação) Quando acompanham a execução das ações pedagógicas, administrativas e financeiras, avaliando egarantindo o cumprimento das normas das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar. Mobilizadoras Quando promovem a participação, de forma integrada, dos segmentos representativos da escola e da comunidade local em diversas atividades, contribuindo, assim, para a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da qualidade social da educação. Quadro 1. Funções do conselho escolar. Direção: segundo Libâneo (2001), o diretor tem a função de organi- zar e gerenciar todas as atividades da escola, auxiliado pelos demais componentes do corpo de especialistas e de técnico-administrativos, atendendo às leis, aos regulamentos e às determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino, bem como às decisões no âmbito da escola e pela comunidade. Setor técnico-administrativo: corresponde à secretaria escolar, que cuida da documentação, da escrituração e da correspondência da es- cola, dos docentes, bem como de funcionários e dos alunos. Responde também pelo atendimento ao público. O setor técnico-administrativo também é responsável pelos serviços auxiliares (zeladoria, vigilância e atendimento ao público). Gestão educacional44 Equipe pedagógica: corresponde às atividades de coordenação pedagó- gica e orientação educacional. Segundo Libâneo (2001), o coordenador pedagógico supervisiona, acompanha, assessora e avalia as atividades pedagógico-curriculares. A principal função desse profissional é pres- tar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respecti- vas disciplinas, no que diz respeito ao trabalho desenvolvido com os alunos. A função do orientador educacional é direcionada ao atendi- mento e acompanhamento dos alunos, bem como ao relacionamento escola-pais-comunidade. Professores: segundo Libâneo (2001), o corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores, que trabalham efetivamente na escola com a função básica de realizar o objetivo prioritário da escola: o ensino. Os professores, em conjunto com a direção, o coordenador pedagógico e o orientador educacional, formam a equipe escolar. Além do seu papel específico de docência das disciplinas, os professores têm responsa- bilidades de participar na elaboração do projeto político-pedagógico, da realização das atividades da escola e das decisões dos conselhos de escola e de classe ou série, e das reuniões com os pais. Funcionários: participam do processo educacional, dando o suporte necessário para que a aprendizagem dos alunos aconteça. Os funcioná- rios de uma escola podem exercer funções diversas, como o preparo das alimentações, a limpeza da escola, atividades na secretaria da escola, na biblioteca, e a segurança da escola. A organização funcional de uma escola é composta pela distribuição de seus profissionais, ou seja, cada um possui uma área específica de atuação. Assim, temos os professores, a equipe diretiva e pedagógica, os funcionários e o conselho escolar. Todos esses atores devem trabalhar em um movimento conjunto para atender aos interesses e as necessidades de seu público: os alunos. 45Áreas de atuação dos profissionais da educação e a organização da gestão escolar 1. As escolas, em especial aquelas que fazem parte da rede pública de ensino, são organizações que devem estar alicerçadas em ideais: a) centralizadores b) autoritários c) burocráticos d) democráticos e) repressores 2. O que é um regimento escolar? a) É um documento que define a identidade da escola e é construído a partir de um trabalho realizado coletivamente entre todos os sujeitos pertencentes à escola. b) É o que define o porquê da existência de uma escola, ou seja, é o que apresenta sentido às ações desenvolvidas pela escola. c) É um documento administrativo e normativo de uma unidade escolar que, fundamentado na proposta pedagógica, estabelece a organização e o funcionamento da escola e regulamenta as relações entre os participantes do processo educativo. d) É um documento que apresenta a intencionalidade do trabalho realizado cotidianamente com os alunos. e) É a coletânea de todas as informações importantes e referentes à vida escolar dos estudantes. 3. O que é um conselho escolar? a) É um órgão consultivo e deliberativo da escola, no que tange às discussões e decisões pedagógicas, avaliando ações educacionais relacionadas à aprendizagem dos alunos. b) É um órgão da escola que possui atribuições consultivas, deliberativas, fiscais e mobilizadoras a partir de definições da legislação estadual e municipal, descritas no Regimento Escolar. c) Trata-se de um órgão normativo, deliberativo e fiscalizador que funciona como um mediador e articulador entre a sociedade e os gestores da educação pública. d) É uma instituição de natureza social e educativa criada para auxiliar a escola, tendo por finalidade a qualificação do processo educacional. e) É um instrumento de representação dos estudantes da escola debatendo assuntos diversos sobre a escola, a comunidade e a sociedade. 4. Que atividade(s) cabe(m) aos professores? a) Gerenciar e organizar as atividades da escola. b) Dar o suporte necessário para que a aprendizagem possa acontecer em um ambiente limpo e seguro. c) Trabalhar diretamente com os alunos, tendo como objetivo principal o ensino. d) Cuidar da documentação relacionada à vida profissional dos professores e funcionários e Gestão educacional46 da documentação relacionada à vida escolar dos alunos. e) Prestar assistência pedagógico- didática aos professores em suas respectivas disciplinas, no que diz respeito ao trabalho desenvolvido com os alunos. 5. Qual é a principal função de um diretor escolar? a) Acompanhar os alunos e também o relacionamento escola-pais-comunidade. b) Manter o espaço da escola limpo e organizado. c) Trabalhar diretamente com os alunos, planejando aulas que deem conta de qualificar a aprendizagem dos discentes. d) Servir como um suporte para o trabalho do professor, instrumentalizando o fazer docente. e) Organizar e gerenciar todas as atividades da escola, tendo o suporte da equipe formada pelo coordenador pedagógico e orientador educacional. 47Áreas de atuação dos profissionais da educação e a organização da gestão escolar BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidência da República, 1988. Disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2017. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Conselhos escolares: democratização da escola e construção da cidadania. Brasília: MEC, 2004. EJA. Regimento escolar. [S.l.]: EJA, [2010?]. Disponível em: .Acesso em: 17 fev. 2017. LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 4. ed. Goiânia: Alter- nativa, 2001. PEDAGOGAS2012. Organograma escolar. [S.l.]: Pedagogas2012, 2012. Disponível em: . Acesso em: 17 fev. 2017. THURLER, M. G.; MAULINI, O. A organização do trabalho escolar: uma oportunidade para repensar a escola. Porto Alegre: Penso, 2012. Gestão educacional48