Prévia do material em texto
WBA0130_v2.0 PLANEJAMENTO, PROGRAMAÇÃO E INFORMAÇÕES EM SAÚDE PÚBLICA APRENDIZAGEM EM FOCO 2 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Autoria: Alexandra Bulgarellido Nascimento Leitura crítica: Fabiane Gorni Borsato As práticas de planejamento e programação em Saúde Pública exigem a atuação de profissionais qualificados e que identifiquem as necessidades de saúde da população, dos grupos sociais, das famílias e dos indivíduos, a fim de possibilitar que o planejamento ocorra de forma assertiva e embasado em informações de qualidade. Nesta disciplina, serão apresentados e debatidos os conceitos de necessidades em saúde, à luz da relevância da disponibilidade de dados e informações de qualidade que gerem conhecimento para subsidiar as ações de planejamento local, visando readequá-las para o alcance daquilo que foi inicialmente planejado. Dentre essas informações, a compreensão sobre os grupos sociais vulneráveis e a caracterização do território faz-se importante, pois é a partir desse reconhecimento que as práticas de planejamento local em saúde são organizadas. Os mecanismos de gestão pública, centrados no Plano Municipal de Saúde e nos Relatórios Anuais de Gestão em Saúde, serão abordados conjuntamente aos sistemas de avaliação em saúde, representados pelo Programa Nacional de Avaliação de Serviços de Saúde (PNASS) e o Sistema de Avaliação da Atenção Primária, denotando que o processo de planejamento implica no uso de sistemas avaliativos e estes permitem identificar fragilidades naquilo que foi planejado de forma a readequar as ações planejadas. Bons estudos! 3 INTRODUÇÃO Olá, aluno (a)! A Aprendizagem em Foco visa destacar, de maneira direta e assertiva, os principais conceitos inerentes à temática abordada na disciplina. Além disso, também pretende provocar reflexões que estimulem a aplicação da teoria na prática profissional. Vem conosco! TEMA 1 As escolas clássicas e o conceito de estratégia ______________________________________________________________ Autoria: Alexandra Bulgarelli do Nascimento Leitura crítica: Fabiane Gorni Borsato 5 DIRETO AO PONTO As necessidades em saúde são influenciadas pelo contexto social em que as pessoas estão inseridas. O conceito de território transcende os limites geográficos de uma determinada localidade, refere-se à análise de como as pessoas vivem e em que contexto estão inseridas. O território é um elemento dinâmico, composto pelas pessoas, equipamentos sociais (fixos) e os fluxos. Figura 1 - Ilustração dos elementos que compõem o território Fonte: elaborada pela autora. As necessidades em saúde transcendem a ocorrência das doenças e agravos. A compreensão ampliada das necessidades em saúde é fundamental para a assertividade na proposição das ações de planejamento em saúde. As necessidades em saúde são 6 heterogêneas em decorrência da existência de vulnerabilidades sociais. As vulnerabilidades sociais se relacionam às oportunidades de acesso que as pessoas dispõem para se desenvolverem. As atividades de planejamento em saúde devem considerar a existência de vulnerabilidades sociais e, portanto, que as necessidades em saúde são heterogêneas. A identificação das necessidades em saúde e vulnerabilidades deve considerar as características relacionadas à família, ao trabalho e renda, à escolaridade, à moradia e ao acesso aos serviços de saneamento básico. O diagnóstico local se configura como um método que analisa a realidade, com base na compreensão do território e das formas de viver das pessoas. A Epidemiologia Clássica se atém a explicar a ocorrência de adoecimento e morte com base na análise dos casos em um determinado espaço temporal e localidade. A Epidemiologia Crítica explica a ocorrência de adoecimento e morte com base na análise dos casos em um determinado espaço temporal e localidade, considerando aspectos presentes na realidade e no contexto de vida das pessoas. A execução da atividade de diagnóstico local pressupõe a participação social e a intersetorialidade. As etapas que compõem o diagnóstico local são: reconhecer as potencialidades e fragilidades do território; identificar as necessidades em saúde; reconhecer a existência de grupos sociais específicos em maior vulnerabilidade; elencar as ações para resposta às necessidades em saúde identificadas e enfrentamento de vulnerabilidades; priorizar as ações propostas para a resposta às necessidades e vulnerabilidades; e organizar as ações 7 selecionadas para resposta às necessidades e enfrentamento de vulnerabilidades. Referências bibliográficas ROCHA, J. S. Y. Manual de Saúde Pública e de Saúde Coletiva no Brasil. São Paulo: Atheneu, 2012. SOUZA, I. V.; BRASIL, C. C. P.; SILVA, R. M. et al. Diagnóstico participativo para identificação de problemas de saúde em comunidade em situação de vulnerabilidade social. Ciência & Saúde Coletiva, 2017. 22(12), 3945-3954. DOI: https://doi. org/10.1590/1413-812320172212.25012017. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 81232017021203945&lng=pt&tlng=pt. Acesso em: 15 out. 2020. PARA SABER MAIS Para que o diagnóstico local ocorra, a participação social é imprescindível, sendo o conselho gestor de saúde um espaço para debate e alinhamento das ações a serem propostas. Os conselhos gestores de saúde, usualmente, estão presentes em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e, em menor proporção, em hospitais gerais, presentes no território e que são sensíveis a receber e escutar as demandas trazidas pelos usuários. A existência deles precede as leis n. 8080/90 e n. 8142/90, que estabelecem a criação do Sistema Único de Saúde e enunciam os seus princípios, entre os quais está o relacionado à participação da comunidade. https://doi.org/10.1590/1413-812320172212.25012017. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php? https://doi.org/10.1590/1413-812320172212.25012017. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php? https://doi.org/10.1590/1413-812320172212.25012017. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php? https://doi.org/10.1590/1413-812320172212.25012017. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php? 8 As reuniões dos conselhos gestores de saúde são sistemáticas e, em linhas gerais, de frequência mensal. A representação da sua composição é constituída por um representante dos usuários, um representante trabalhador do serviço de saúde e outro da gestão do serviço de saúde, sendo as sessões abertas ao público em geral. A ideia é que as reuniões dos conselhos gestores de saúde se configurem como espaços adicionais para captação da realidade local, a fim de subsidiar as práticas de diagnóstico das necessidades em saúde da população, coletividades, grupos sociais, famílias e indivíduos. Para tanto, a articulação do serviço de saúde com o território é fundamental, de modo que as pessoas saibam da existência do conselho gestor e da sua finalidade - o que oportuniza o processo de participação da comunidade na identificação de necessidades em saúde, enfrentamento de vulnerabilidades e resposta a elas. Na prática, isso significa que os serviços de saúde devem se apropriar do território, buscando envolver a comunidade, desenvolvendo mecanismos de corresponsabilidade sobre a identificação das necessidades em saúde, em especial, de grupos sociais vulneráveis. Esse movimento de articulação com a comunidade e, inclusive, com os representantes de outros setores societários, faz com que o diagnóstico local ocorra de forma mais aprofundada. Assim, as demandas trazidas para debate nas reuniões do conselho gestor local são refletidas, e os encaminhamentos pertinentes e que exigem atuação em âmbito municipal são levados pela representação ao Conselho Municipal de Saúde, que tem o objetivo de acolher essas demandas e buscar, coletivamente, encaminhá-las no âmbito municipal ou articulá-las envolvendo o Conselho Estadual e Nacional de Saúde. 9 É importante que você saiba que todas as deliberações realizadasem qualquer dos níveis dos conselhos de saúde, ou seja, local, municipal, estadual ou nacional são registrados sistematicamente, visando o acompanhamento e monitoramento dos desfechos que eles trouxeram aos usuários. Referências bibliográficas BASINELLO, G. Saúde Coletiva. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. ROCHA, J. S. Y. Manual de Saúde Pública e de Saúde Coletiva no Brasil. São Paulo: Atheneu, 2012. TEORIA EM PRÁTICA O gerente de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) foi sinalizado pelos hospitais de referência sobre o aumento expressivo no número de internações de pacientes idosos e acamados residentes no território do qual é responsável. Diante desta informação, os conceitos sobre identificação de necessidades em saúde, enfrentamento de vulnerabilidades e diagnóstico local devem ser utilizados na condução do planejamento de ações frente a essa situação vivenciada por esse gerente de UBS. Você, na posição desse gerente, conduziria essa situação de que forma? 10 Lorem ipsum dolor sit amet Autoria: Nome do autor da disciplina Leitura crítica: Nome do autor da disciplina Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 Este artigo teve como objetivo analisar a oferta e a demanda por serviços de saúde de um território sanitário, em que mapeou as necessidades em saúde e os equipamentos de saúde disponíveis. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra. NASCIMENTO, A. B. Análise da oferta e da demanda por serviços de saúde de um território sanitário como contribuição para a atenção e gestão em saúde. Revista de Gestão em Sistemas de Saúde. 2015, v. (4):73-86. Indicação 2 Este material teve o objetivo de promover as atividades de territorialização por meio do mapa inteligente e da informação da comunidade, reiterando a necessidade de mapeamento do território, considerado com base em sua dinamicidade, como elemento central das ações de planejamento em saúde. Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra no parceiro “Wolters Kluwer”. Indicações de leitura 11 FONSECA, L. C.; ARAÚJO, B. C.; SILVA, E. V. et al. Planejamento em saúde: territorialização e informação da comunidade. Brazilian Journal of Tecnology. 2020, 3(2): 85-88. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. A compreensão do território é fundamental para subsidiar as ações de planejamento em saúde, o que consiste na identificação dos equipamentos sociais presentes nele. Um exemplo de equipamento social é: a. Escola. b. Doença. c. Necessidades em saúde. d. Vulnerabilidade. e. Família. 2. A participação da sociedade nas etapas do diagnóstico local é muito importante e, portanto, deve ser fortalecida no setor da saúde, por meio de: 12 a. Ações de planejamento. b. Grupos sociais vulneráveis. c. Conselhos gestores de saúde. d. Profissionais da saúde. e. Intersetorialidade. GABARITO Questão 1 - Resposta A Resolução: O território é composto pelas pessoas organizadas em núcleos familiares, bem como pelos fluxos que se referem às oportunidades de acesso aos equipamentos sociais (fixos) e que podem ser exemplificados por meio das escolas, igrejas, serviços de segurança pública, organizações não governamentais, centros de convivências, serviços de saúde etc. Questão 2 - Resposta C Resolução: Os Conselhos Gestores de Saúde são espaços para acolhimento e escuta das demandas trazidas pelos usuários dos serviços de saúde, traduzindo-se em uma oportunidade ímpar para compreender a realidade local, identificando as necessidades em saúde, em especial de grupos sociais vulneráveis, potencializando as ações efetivas de diagnóstico local em saúde. TEMA 2 Planejamento estratégico, tático e operacional e programação local em saúde ______________________________________________________________ Autoria: Alexandra Bulgarelli do Nascimento Leitura crítica: Fabiane Gorni Borsato 14 DIRETO AO PONTO As atividades de planejamento têm o objetivo de possibilitar a previsão das ações que serão implementadas. O ‘Processo Administrativo’ é composto por quatro etapas: planejamento, organização, direção e controle. • Na etapa de planejamento deve-se antever os recursos que serão necessários para a execução das ações idealizadas. • Na etapa de organização busca-se ordenar os recursos disponíveis para que as ações previamente idealizadas sejam executadas. O mapeamento de processos e da divisão do trabalho, no que se referem às tarefas a serem realizadas, ocorre na etapa de organização. • Na etapa de direção há o envolvimento das pessoas que compõem as equipes de trabalho. • Na etapa de controle, o acompanhamento do desempenho e dos resultados das atividades são mensurados, ocasião em que se utilizam os indicadores para esse fim. Para que as ações previamente planejadas transcendam a teoria e influenciem a realidade das pessoas, elas devem ocorrer por meio de três níveis de planejamento: estratégico, tático e operacional. • O planejamento estratégico emerge da direção dos serviços ou do sistema de saúde. • O planejamento tático se relaciona às equipes de gerência intermediária. • O planejamento operacional se relaciona às equipes de gestão que atuam diretamente com o atendimento ao paciente. 15 As ações de planejamento estratégico, tático e operacional ocorrem de forma integrada e interdependente. As ferramentas de planejamento em saúde têm um caráter estratégico e visam organizar o processo de planejamento. O planejamento estratégico analisa os ambientes interno e externo. A análise de ambiente interno permite a reflexão introspectiva sobre o serviço ou sistema de saúde. A análise de ambiente externo busca a análise do contexto político, econômico, tecnológico etc. Existem várias ferramentas de planejamento estratégico, entre as quais estão a Matriz Swot e o Planejamento Estratégico Situacional. A Matriz Swot é representada por quatro quadrantes, em que há pontos positivos e negativos, provenientes de fatores internos (forças e fraquezas, respectivamente) e externos (oportunidades e ameaças, respectivamente). Figura 1 - Etapas da construção da Matriz Swot Fonte: adaptado de Chiavenato (2007). 16 O Planejamento Estratégico Situacional é composto por quatro momentos: explicativo, normativo, estratégico e tático- operacional. • No momento explicativo há a análise da realidade e identificação das causas dos problemas (nós explicativos). • No momento normativo, há o estabelecimento das ações a serem executadas. • No momento estratégico, verifica-se se as ações propostas são factíveis. • No momento tático-operacional, realiza-se o acompanhamento das ações executadas. Os mecanismos de planejamento e programação local em saúde ocorrem por meio do Plano Municipal de Saúde e dos Relatórios Anuais de Gestão em Saúde. Os Planos Municipais de Saúde têm vigência de quatro anos, descrevem a realidade do município, são construídos coletivamente, apreciados e aprovados no Conselho Municipal de Saúde e na Câmara dos Vereadores. Os Relatórios Anuais de Saúde visam descrever as ações implantadas e propostas no Plano Municipal de Saúde, bem como os recursos alocados, possibilitando maior transparência à programação de saúde local. Referências bibliográficas BAPTISTA, P. C. P. Governança Corporativa e Gestão Estratégica. São Paulo: Senac, 2017. 17 BRASIL. ConselhoNacional de Secretarias Municipais de Saúde. Reflexões aos novos gestores municipais de saúde. Brasília: Conasems, 2009. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/reflexoes_novos_gestores_municipais.pdf. Acesso em: 15 out. 2020. PARA SABER MAIS Você sabe o que é identidade organizacional e como ela se relaciona com as atividades de planejamento estratégico? As atividades de planejamento estratégico devem ter como essência a identidade organizacional, que é composta pela missão, visão e valores. Em tese, os conhecimentos destes elementos surgem com base nas respostas às seguintes perguntas: • Quem somos? • O que fazemos? • Para quem fazemos? • O que pretendemos? Por exemplo, ao se pensar numa Secretaria Municipal de Saúde, podemos propor que as respostas sejam as seguintes: • Quem somos? Resposta: uma secretaria de saúde municipal. • O que fazemos? Resposta: cuidamos da saúde da população. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/reflexoes_novos_gestores_municipais.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/reflexoes_novos_gestores_municipais.pdf 18 • Para quem fazemos? Resposta: para todos aqueles que residem ou estão em trânsito no nosso município. • O que pretendemos? Resposta: ver as pessoas saudáveis e autônomas para viverem as suas vidas. Diante dessas respostas, a missão, compreendida como a razão de ser dessa Secretaria Municipal de Saúde, pode ser a de “Cuidar da saúde das pessoas que residem ou estão em trânsito no município”. A visão, que se refere à imagem que a Secretaria Municipal de Saúde tem de si projetando o futuro, como, “Oferecer serviços de qualidade que permitam às pessoas se manterem saudáveis e autônomas para viverem”. Por fim, os valores partem da reflexão sobre o modo como se pretende executar a missão e a visão, por exemplo, com “ética, responsabilidade, compromisso e humanismo”. É considerando a identidade organizacional que todas as ações de planejamento local devem ser desenvolvidas, o que exige que seja compartilhada com todos os envolvidos no processo de planejamento. Por exemplo, ao se pensar na elaboração do Plano Municipal de Saúde é muito importante que todos os envolvidos nesse processo conheçam a identidade organizacional da Secretaria Municipal de Saúde e da administração pública vigente, pois será ela que dará o tom sobre como será construído o Plano Municipal. Ou seja, se a gestão local tem, na sua missão, algo relacionado ao controle 19 acirrado dos gastos públicos, isso consequentemente impactará a construção do Plano Municipal de Saúde. Portanto, a clareza sobre a identidade organizacional é fundamental para subsidiar as práticas de planejamento e programação local em saúde. Referências bibliográficas BAPTISTA, P. C. P. Governança Corporativa e Gestão Estratégica. São Paulo: Senac, 2017. BUSATO, I. M. S. Planejamento Estratégico em Saúde. Curitiba: Intersaberes, 2017. TEORIA EM PRÁTICA O secretário de saúde de um município tem observado um número significativo de casos de pessoas infectadas com leptospirose. O aumento desses casos ocorre logo após situações de chuva intensa com alagamento de algumas regiões do município, o que tem exigido de sua equipe ações de planejamento estratégico para reverter essa situação. A análise deste cenário exige o uso de ferramentas de planejamento estratégico, como: o Planejamento Estratégico Situacional. Como você utilizaria essa ferramenta de planejamento estratégico nesta situação apresentada? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. 20 LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 O livro indicado traz um importante aprofundamento sobre a identidade organizacional – no Capítulo 5 da obra (páginas 137-156) - e a sua influência sobre as práticas de planejamento estratégico. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra. REZENDE, D. A. Planejamento estratégico público ou privado com inteligência organizacional – guia para projetos em organizações de governo ou de negócios. Curitiba: Intersaberes, 2018. p. 137-156. Indicação 2 Este artigo relatou a experiência de estudantes no uso do Planejamento Estratégico Situacional junto à equipe de Estratégia Saúde da Família, destacando os momentos explicativo e normativo. Essa leitura é muito relevante para compreender a aplicação prática dessa ferramenta de gestão estratégica. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra. ANDRIGUE, K. C. K. et al. Relato de experiência: utilizando o planejamento estratégico situacional (PES) como ferramenta de gestão. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research. 15(4): 160-161, 2016. Indicações de leitura 21 QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. O “Processo Administrativo” é composto por quatro etapas, sendo elas o planejamento, a organização, a direção e o controle. Na etapa de controle, busca- se realizar o acompanhamento daquilo que foi implementado, por meio de: a. Planejamento estratégico. b. Nós explicativos. c. Indicadores. d. Participação social. e. Ações. 2. O uso de ferramentas de planejamento estratégico na gestão de saúde pública local é relevante e, dentre essas ferramentas, a Matriz Swot analisa fatores internos e externos, de natureza positiva e negativa. Na análise dos fatores internos, levanta-se: a. Forças e fraquezas. 22 b. Oportunidades e fraquezas. c. Forças e ameaças. d. Oportunidades e ameaças. e. Fraquezas e oportunidades. GABARITO Questão 1 - Resposta C Resolução: Na etapa de controle do “Processo Administrativo” realiza-se o monitoramento das ações implementadas, verificando o desempenho delas e os resultados que elas trouxeram. Para tanto, utiliza-se indicadores cujo objetivo é permitir a mensuração dos resultados alcançados. Questão 2 - Resposta A Resolução: A Matriz Swot se propõe a analisar fatores internos e externos, sendo eles de natureza positiva e negativa. Entre os fatores internos e de natureza positiva estão as forças, enquanto os de natureza negativa se referem às fraquezas. Já entre os fatores externos e de natureza positiva estão as oportunidades, enquanto nos de natureza negativa estão as ameaças. TEMA 3 Sistemas de informação em Saúde Pública ______________________________________________________________ Autoria: Alexandra Bulgarelli do Nascimento Leitura crítica: Fabiane Gorni Borsato 24 DIRETO AO PONTO As ações de planejamento em saúde demandam a disponibilidade de informações de qualidade. As informações são produto dos dados processados, por meio de sistemas de informação. Os hardwares, softwares e redes de comunicação integram o arcabouço da tecnologia informacional. Os hardwares permitem o processamento dos dados e, portanto, se configuram como o equipamento físico para esta finalidade. Os softwares são programas que, por meio de linguagem de computadores, permitem o processamento dos dados, conforme critérios pré-estabelecidos pelo operador. Para a integração e compartilhamento das informações existem as redes de comunicação. A tecnologia informacional disponível na atualidade remonta a origem dos computadores (1940), dos processos de trabalho automatizados (1960), da implantação de redes locais de informação (1970), da internet (1990) e da comunicação em nuvem (2010). A Era da Informação refere-se ao desenvolvimento de meios para o registro e processamentodos dados, enquanto a Era do Conhecimento tem o objetivo de trazer maior assertividade à tomada de decisão, consequentemente, influenciando favoravelmente a vida das pessoas. A inteligência artificial é um exemplo de recurso informacional engajado na Era do Conhecimento, em que há valorização do profissional em relação aos parâmetros a serem ditados para utilização pelo software. O uso da informação nas atividades de planejamento requer que ela tenha qualidade – o que significa que os dados, sua matéria- 25 prima, tenham sido registrados e de forma completa nos sistemas de informação. Além disso, faz-se necessário forte investimento em sistemas de informação robustos, bem como na qualificação profissional para o manejo de dados e informações de qualidade. Para operacionalizar a gestão do conhecimento existem instrumentos informacionais, como o Big Data, Business Intelligence, Inteligência Artificial etc. O manejo desses instrumentais informacionais, que possibilitam a gestão do conhecimento, demandam profissionais altamente qualificados, pois eles atuam no manejo de banco de dados populacionais e na articulação entre diferentes variáveis. Para organizar os sistemas de informação disponíveis no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) tem-se o Departamento de Informática do SUS (Datasus). O Datasus foi criado em 1991 e tem o objetivo de subsidiar as atividades de planejamento, operação e controle do SUS. Além disso, possibilita acesso às informações em nível federal, de estados e municípios, de forma gratuita e democratizada. Entre os sistemas de informação sob a responsabilidade do Datasus destacam-se o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS) e o e-SUS Atenção Básica (e-SUS AB). 26 Figura 1 –Sistemas de informação do Datasus Fonte: elaborada pela autora. • O Sinasc apura as informações sobre os nascidos vivos com base na Declaração de Nascido Vivo (DN). • O SIM apura as informações sobre os óbitos com base na Declaração de Óbito (DO). • O Sinan analisa os casos de doenças e agravos presentes na Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública. • O SIH-SUS acompanha os eventos referentes aos pagamentos, em especial, de atendimentos de média e alta complexidade em regime de internação hospitalar. • O Sigtap refere-se ao Sistema de Gerenciamento de Materiais, Medicamentos, Órteses e Próteses do SUS – o qual também é conhecido como ‘Tabela SUS’. 27 • O e-SUS AB se propõe a articular o percurso de cuidados providos no âmbito do SUS, por meio do registro atrelado ao Cartão Nacional de Saúde (CNS). As práticas de planejamento e programação local em saúde exigem a disponibilidade de informações de qualidade, a serem extraídas de sistemas de informação robustos, o que permite maior assertividade das ações propostas e priorizadas, agregando conhecimento ao processo. Referências bibliográficas BELMIRO, J. N. (Org.). Tecnologia da informação gerencial. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. A experiência brasileira em sistemas de informação em saúde, v. 2. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/experiencia_brasileira_sistemas_saude_volume2.pdf. Acesso em: 15 out. 2020. PARA SABER MAIS Big Data e Business Intelligence no Planejamento em Saúde As atividades de planejamento utilizam-se de informações que têm os dados como matéria-prima. Com o objetivo de se fazer o melhor uso dos dados, seu manejo inteligente é imprescindível e, para tanto, o uso de instrumentos informacionais se mostram como relevantes. Entre esses instrumentos informacionais destaca-se o Big Data e o Business Intelligence. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/experiencia_brasileira_sistemas_saude_volume2.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/experiencia_brasileira_sistemas_saude_volume2.pdf 28 O Big Data é um conceito utilizado para representar o uso de um banco de dados que hospeda uma imensa quantidade de dados. Por exemplo, quando se remete à ideia do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Datasus, pode-se dizer que ele atua na perspectiva de um Big Data, já que dispõe de dados de todos aqueles que faleceram em território nacional, considerando o sexo, idade, etnia, localidade de residência, causa primária e secundária da morte, presença ou não de comorbidades, entre outros dados pertinentes. Portanto, se uma Secretaria de Saúde Municipal se depara com um expressivo quantitativo de mortes entre homens, pardos e da faixa etária dos 15 a 29 anos, é possível por meio da análise dos dados disponíveis no SIM identificar as causas das mortes desse grupo, num espaço temporal específico. Ao considerar que a principal causa de morte desses jovens esteja relacionada às causas externas, relacionadas à ocorrência de acidentes por motocicletas, o município poderá estudar a implementação de ações intersetoriais para mitigar essa causa de morte Além disso, é importante aprofundar nessa realidade e, inclusive, investigar se esse grupo está inserido no mercado de trabalho em posições de maior fragilidade social, exigindo deles e os expondo a condições de trabalho que os predispõem aos acidentes de motocicletas, o que também exige ações a serem planejadas visando resolver a causa do problema. No caso do uso do Business Intelligence (BI), em linhas gerais, busca-se aprofundar a análise com base em recortes de interesse sobre os dados. Considerando o mesmo exemplo, o BI traz a sua contribuição ao analisar, por exemplo, entre os jovens acidentados, aqueles que sobreviveram, no que se refere ao perfil epidemiológico e sociodemográfico, atrelado à presença e ao grau de incapacidade em decorrência do evento, conjuntamente ao 29 gasto com a utilização do SUS durante o período de recuperação e reabilitação. A proposta é que com base nesta análise seja possível mensurar o impacto do evento acidente com motocicleta sobre o SUS, o sistema previdenciário e a qualidade de vida do jovem, o que também exige ações de planejamento intersetorial para responder as suas necessidades individuais e coletivas. Portanto, o uso de Big Data e Business Intelligence agrega valor à análise informacional, contribuindo de forma significativa para as ações de planejamento em saúde, o que deve ser estimulado em nível local como mecanismo de gestão do conhecimento e que potencializa a resposta às necessidades em saúde da população. Referências bibliográficas BELMIRO, J. N. (Org.). Tecnologia da informação gerencial. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. VIEIRA, R. M. Gestão do conhecimento: introdução e áreas afins. Rio de Janeiro: Interciências, 2016. TEORIA EM PRÁTICA Um município tem percebido o aumento no número de casos de pessoas infectadas com coqueluche, em especial, durante as reuniões de equipes dos diferentes estabelecimentos de saúde que compõem a Rede de Atenção à Saúde. No entanto, ao consultar os dados disponíveis no Sinan sobre esse evento no município, os números disponíveis não refletem a percepção dos trabalhadores. Com base neste cenário, fica evidente que há fragilidade na tratativa dos dados sobre coqueluche neste município. 30 Quais são essas fragilidades e como você conduziria essa situação de modo a saná-la? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 O artigo indicado apresenta um outro sistema de informação atrelado ao SUS: o Sistema de Informação da Saúde do Trabalhador (Sist) – o qual também traz importantes contribuições para as práticas de planejamento local em saúde. Para realizar a leitura, acessea plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra. FACCHINI, L. A.; NOBRE, L. C. C.; FARIA, N. M. X. et al. Sistema de informação em saúde do trabalhador: desafios e perspectivas para o SUS. Ciência & Saúde Coletiva, 10(4), 857-867, 2005. Indicação 2 Este artigo de revisão sistemática da literatura abordou sobre o uso da gestão do conhecimento na área da Saúde, destacando a sua utilização como potencializadora do processo de tomada de decisão e do aumento expressivo de publicações nesta temática. Indicações de leitura 31 Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra no parceiro “WoltersKluwer”. ROCHA, E. S. B.; NAGLIATE, P.; FURLAN, C. E. B. et al. Knowledge management in health: a systematic literature review. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 20(2), 392-400, 2012. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. As atividades de planejamento em saúde requerem a disponibilidade de informações de qualidade. Neste ponto, as informações de qualidade são provenientes de dados: a. Incompletos. b. Parciais. c. Completos. d. No Big Data. e. rRgistrados. 32 2. O uso do instrumento informacional de Big Data auxilia na implementação de práticas que favorecem a gestão do conhecimento, o que potencializa a adoção de práticas assertivas de planejamento local em saúde. Em relação ao Big Data, é possível afirmar que ele atua na perspectiva de: a. Grandes bancos de dados populacionais.. b. Prontuários dos pacientes. c. Forte articulação entre sistemas de informações. d. Dados restritos e quantitativamente menores. e. Sistemas de informações centrados na inteligência artificial. GABARITO Questão 1 - Resposta C Resolução: A disponibilidade de informações de qualidade se configura como um desafio ao se considerar o seu uso nas ações de planejamento em saúde. Neste sentido, uma informação de qualidade é aquela proveniente de dados registrados de forma completa nos diferentes sistemas de informação. Questão 2 - Resposta A Resolução: O Big Data é um instrumento informacional muito relevante para as práticas de planejamento local em saúde, uma vez que ele hospeda e organiza um quantitativo expressivo de dados de grandes populações, com o objetivo de caracterizá-las para compreender realidades específicas. TEMA 4 Sistemas de avaliação de serviços de Saúde Pública ______________________________________________________________ Autoria: Alexandra Bulgarelli do Nascimento Leitura crítica: Fabiane Gorni Borsato 34 DIRETO AO PONTO Os três níveis de governança (federal, estadual e municipal) têm como atribuição planejar, controlar e avaliar os serviços de saúde, atividades preconizadas no Decreto n. 7508 de 2011. O Brasil dispõe de sistemas de avaliação de serviços de saúde, entre os quais pode- se citar o Programa Nacional de Avaliação dos Serviços de Saúde (Pnass) e o Sistema de Avaliação da Atenção Primária à Saúde. A Política Nacional de Regulação estabeleceu os mecanismos de acompanhamento da avaliação dos serviços. As práticas de avaliação possibilitam identificar fragilidades nas ações planejadas, e assim o seu redirecionamento. O Pnass é direcionado para avaliação dos serviços de atenção especializada, que consistem em ambulatórios e hospitais. O Sistema de Informação do Programa Nacional de Avaliação de Serviços de Saúde (Sipnass) é responsável pela articulação das informações geradas pelo Pnass. O Pnass é executado por meio do uso de três instrumentos: roteiro de itens de verificação, questionário aos usuários e conjunto de indicadores. • O roteiro de itens de verificação do Pnass é composto por cinco blocos, cada um deles com seis itens de verificação. Os blocos que compõem o PnassS são: gestão organizacional; apoio técnico e logístico para a produção do cuidado; gestão da atenção à saúde e do cuidado; serviços/unidades específicas; e assistência oncológica. Os blocos estabelecidos pelo Pnass podem ou não serem aplicados em todo o seu conjunto na avaliação de um serviço de saúde. Isso ocorre, pois apenas deverão ser aplicados os blocos que tenham coerência à natureza do serviço prestado pelo 35 estabelecimento de saúde. A aplicação do roteiro de itens de verificação do Pnass ocorre por meio da seleção dos serviços de saúde, que se utiliza da técnica de amostragem, com a consulta ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). • O questionário de satisfação dos usuários do Pnass é composto por 23 questões objetivas, as quais são aplicadas pelo Departamento de Ouvidoria do SUS. O questionário de satisfação dos usuários do Pnass é direcionado à coletar a percepção do paciente assistido em nível ambulatorial ou hospitalar no SUS. Entre os dados coletados pelos questionários de satisfação dos usuários do Pnass estão os dados sociodemográficos do paciente, bem como aqueles em relação à prestação de serviço e que se referem às seguintes características: agilidade no agendamento e no atendimento, propriamente dito; acolhimento; confiança; ambiência; roupas; alimentação; humanização; e expectativa sobre o serviço. • O Pnass também é constituído por um conjunto de indicadores, cujos dados são provenientes do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) e do Sistema de Informação Hospitalar (SIH). Os indicadores referentes à atenção ambulatorial de alta complexidade consistem na análise de 29 indicadores, que se referem à análise da proporção de óbito nos diferentes procedimentos oferecidos, proporção de diagnósticos não informados, proporção de transferências, altas a pedido e evasão. Os indicadores referentes à atenção hospitalar totalizam 24 e se referem à análise da proporção de óbitos, de internações por causas mal definidas e de parto normal. O Sistema de Avaliação da Atenção Primária, atualmente vigente, foi instituído em 2019, ao substituir o Programa Nacional de Melhoria 36 do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB). A Portaria MS n. 2.949/2019 estabeleceu novas regras para o financiamento da Atenção Básica, o que exigiu a revisão do Sistema de Avaliação da Atenção Primária – uma vez que a Portaria determinou o financiamento baseado em desempenho. O Sistema de Avaliação da Atenção Primária é composto pela combinação de indicadores e da aplicação de três instrumentos: o Primary Care Assessment Tool (PCATool), o Patient-Doctor Relationship Questionnaire (PDRQ-9) e o Net Promoter Score (NPS). Os indicadores do Sistema de Avaliação da Atenção Primária referem-se à análise de alguns cuidados prestados à gestante, à prevenção do colo de útero, à vacinação contra poliomielite e o acompanhamento de hipertensos e diabéticos. O Primary Care Assessment Tool (PCATool) é disponibilizado em duas versões (completa e reduzida), sendo organizado em domínios, cujos questionamentos são analisados por meio de uma escala Likert com quatro pontuações. O Primary Care Assessment Tool (PCATool) é aplicado para grupos diferentes buscando captar a percepção sobre a APS. Esses grupos são: adultos responsáveis por crianças que precisaram utilizar a APS, adultos que demandaram utilizar a APS, profissionais médicos e enfermeiros atuantes na APS, profissionais dentistas atuantes na APS e os gestores atuantes na APS. O Patient-Doctor Relationship Questionnaire (PDRQ-9) analisa a relação médico-paciente, por meio de uma escala Likert com cinco pontuações. Os domínios que compõem o Patient-Doctor Relationship Questionnaire (PDRQ-9) são: ajuda, tempo, confiança, entendimento,dedicação, acordo, disponibilidade, contentamento e acessibilidade. O Net Promoter Score (NPS) foi desenvolvido pela área de negócios e tem o objetivo de analisar a satisfação do usuário com base em uma 37 única pergunta: “Qual é a probabilidade de você recomendar esse serviço para outra pessoa?”. Figura 1 –Sistemas de Avaliação de Serviços de Saúde no SUS Fonte: elaborada pela autora. Referências bibliográficas BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Avaliação de Serviços de Saúde (Pnass). Brasília: Ministério da Saúde, 2015. p. 50-55. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnass_programa_nacional_avaliacao_servicos.pdf 38 pnass_programa_nacional_avaliacao_servicos.pdf. Acesso em: 15 out. 2020. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual do Instrumento de Avaliação da Atenção Primária à Saúde: PCATool-Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: http://189.28.128.100/ dab/docs/portaldab/documentos/20200506_Pcatool_versao_ preliminar_Final.pdf. Acesso em: 15 out. 2020. PARA SABER MAIS A Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como a coordenadora dos cuidados no âmbito do sistema de saúde. Em 2001, Bárbara Starfield e colaboradores propuseram atributos para as ações desenvolvidas pela APS, os quais são divididos em dois grupos: atributos essenciais e atributos derivados. Os atributos essenciais consistem em compreender a APS como: • Acesso do primeiro contato do indivíduo com o sistema de saúde, o que significa, na prática, que a Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada do usuário ao Sistema Único de Saúde (SUS). • Ao dispor de um acompanhamento longitudinal, ou seja, que ele permanece presente ao longo do tempo, monitorando e intervindo na condição de saúde do núcleo familiar. • Ao garantir a integralidade do cuidado, com a integração dos diferentes níveis de atenção à saúde para responder às necessidades em saúde das pessoas, por meio de linhas de cuidado. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnass_programa_nacional_avaliacao_servicos.pdf http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/20200506_Pcatool_versao_preliminar_Final.pdf http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/20200506_Pcatool_versao_preliminar_Final.pdf http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/20200506_Pcatool_versao_preliminar_Final.pdf 39 • Coordenadora do cuidado, o que significa que ela deve mapear o território, compreender as formas de viver das pessoas, a organização e disponibilidade dos diferentes equipamentos sociais e, por fim, os articular para responderem às necessidades individuais e coletivas. Já os atributos derivados são aqueles que apontam como a assistência na APS deve ocorrer, considerando os seus atributos essenciais. Os atributos derivados consistem em possibilitar: • Orientação familiar, ou seja, que as ações não sejam direcionadas única e exclusivamente ao indivíduo, mas considerando a sua inserção em um núcleo familiar. • Orientação da comunidade, o que exige da APS apropriação sobre o território, inclusive, reconhecendo as lideranças comunitárias e oportunizando meio para o desenvolvimento social local. • Competência cultural ao compreender a existência e convivência com diferenças culturais no território, que devem ser consideradas em todas as ações propostas pela APS. Diante disso, Bárbara Starfield e colaboradores propõem um método de avaliação do desempenho da APS considerando a presença dos atributos essenciais e derivados, por meio do Primary Care Assessment Tool (PCATool) – que se configura como uma escala psicométrica que busca avaliar o desempenho da APS. Referências bibliográficas BASINELLO, G. Saúde Coletiva. São Paulo: Pearson Educational do Brasil, 2014. 40 BRASIL. Ministério da Saúde. Manual do Instrumento de Avaliação da Atenção Primária à Saúde: PCATool-Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: http://189.28.128.100/ dab/docs/portaldab/documentos/20200506_Pcatool_versao_ preliminar_Final.pdf. Acesso em: 15 out. 2020. TEORIA EM PRÁTICA Um município tem percebido o aumento no número de internações hospitalares decorrentes de complicações do diabetes mellitus. Durante o processo investigativo dessa situação, a equipe da Secretaria Municipal de Saúde analisou os indicadores do Sistema de Avaliação da Atenção Primária e identificou que o percentual de diabéticos com solicitação de hemoglobina glicada está abaixo da meta estabelecida em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Com base no apresentado, é possível afirmar que as equipes atuantes nas UBS não estão realizando o acompanhamento clínico adequado dos pacientes diabéticos, o que pode estar impactando no aumento do número de pacientes diabéticos com complicações da doença. Como você conduziria essa situação? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/20200506_Pcatool_versao_preliminar_Final.pdf http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/20200506_Pcatool_versao_preliminar_Final.pdf http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/20200506_Pcatool_versao_preliminar_Final.pdf 41 LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 O artigo indicado apresenta o relato de experiência de pesquisadores que atuaram na execução do Programa Nacional de Avaliação de Serviços de Saúde (Pnass), durante o ano de 2015. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra. PERIN, G.; BOZZETTI, G.; KAUSS, B. Percepções da realidade dos serviços de saúde a partir do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços de Saúde (Pnass): um relato de experiência. NAU Social. 7(13), 2016. Indicação 2 Este artigo de revisão integrativa da literatura localizou evidências do uso do Primary Care Assessment Tool (PCATool) no Brasil e no mundo, demonstrando a sua importância como instrumento de avaliação da Atenção Primária à Saúde. Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra no parceiro “Wolters Kluwer”. D’AVILA, O. P. et al. O uso do PrimaryCare Assessment Tool (PCAT): uma revisão integrativa e proposta de atualização. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 22, n. 3, p. 855-865, 2017. Indicações de leitura 42 QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. Um serviço ambulatorial de hemodiálise está desenvolvendo mecanismos de avaliação, visando embasar a assertividade das suas práticas de planejamento. O sistema de avaliação indicado para esse serviço é o: a. PCATool. b. NPS. c. Pnass. d. Roteiro de verificação. e. Conjunto de indicadores. 2. O Primary Care Assessment Tool (PCATool) foi desenvolvido para avaliar o desempenho da Atenção Primária à Saúde (APS) por meio de duas categorias de atributos, denominados: a. Essenciais e derivados. b. Básicos e derivados. c. Essenciais e decorrentes. d. Básicos e decorrentes. e. Essenciais e decorridos. 43 GABARITO Questão 1 - Resposta C Resolução: O Programa Nacional de Avaliação de Serviços de Saúde, instituído em 2015, é o sistema de avaliação direcionado para serviços ambulatoriais de alta complexidade e para os hospitais, o qual é composto por três instrumentos avaliativos: roteiro de verificação, satisfação do usuário e conjunto de indicadores. Questão 2 - Resposta A Resolução: A pesquisadora Barbara Starfield e colaboradores, em 2001, propôs que a Atenção Primáriaà Saúde (APS) estava alicerçada sobre atributos essenciais e derivados. Os atributos essenciais referem-se ao primeiro contato do indivíduo com o sistema de saúde, longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado. Já os atributos derivados são aqueles que envolvem a orientação familiar, orientação da comunidade e competência cultural. BONS ESTUDOS! Apresentação da disciplina Introdução TEMA 1 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 2 Direto ao ponto Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 3 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 4 Direto ao ponto Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito Botão TEMA 5: TEMA 2: Botão 158: Botão TEMA4: Inicio 2: Botão TEMA 6: TEMA 3: Botão 159: Botão TEMA5: Inicio 3: Botão TEMA 7: TEMA 4: Botão 160: Botão TEMA6: Inicio 4: Botão TEMA 8: TEMA 5: Botão 161: Botão TEMA7: Inicio 5: