Prévia do material em texto
Direito Civil Juliano Miranda Olá pessoal! Certo é que, se você está lendo esta mensagem agora é porque já decidiu a sua aprovação na prova da OAB e tomou a decisão acertada de contar com o apoio da família EMD. Trata- se apenas de uma questão de tempo. E se depender de nós, de pouquíssimo tempo! Mantenha o seu foco, desfrute deste material, invista na sua preparação o máximo que puder e esteja certo que, em breve, comemoraremos juntos a sua vitória! Um grande abraço! Prof. Juliano Vitor de Miranda AULA 1. DAS PESSOAS NATURAIS. PERSONALIDADE E CAPACIDADE. DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE. SUMÁRIO 01. Personalidade Jurídica .............................................................................................................................. 3 02. Direitos da Personalidade ...................................................................................................................... 7 03. Das Pessoas Jurídicas ............................................................................................................................... 8 04. Dos Bens: DAS Diferentes Classes de Bens ............................................................................... 12 04. Dos Fatos JURÍDICOS ............................................................................................................................. 17 05. Dos defeitos do negócio jurídico ..................................................................................................... 23 05. Da prescrição e da decadência ......................................................................................................... 25 01. Personalidade Jurídica ATENÇÃO: TEMA DE MODERADA INCIDÊNCIA Conceito: É a aptidão genérica para ser titular de direitos e obrigações, ou seja, é a característica do “sujeito de direito”. Uma vez adquirida a personalidade jurídica (sendo PF ou PJ), o ente passa a atuar na qualidade de sujeito de direito, podendo praticar negócios e atos jurídicos diversos. A pessoa natural (ou física), para adquirir a personalidade jurídica, deverá nascer com vida, conforme revela o artigo 2º do CC. Vejamos: Art. 2º - A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção os direitos do nascituro. Mesmo que tal pessoa tenha respirado por poucos minutos e tenha falecido logo em seguida, já terá adquirido a personalidade jurídica/civil, o que gerará efeitos sucessórios (herança). Cabe dizer, todavia, ainda na dicção do artigo 2º do CC, que o nascituro, embora não tenha nascido, eis que ainda está no ventre materno e, portanto, não tenha adquirido personalidade jurídica, goza de direitos. São exemplos de direitos do nascituro: direito à vida, direito à proteção da sua saúde pelo pré-natal; direito ao nome; pode receber doação; pode ser beneficiado por uma herança ou legado etc. E adquirida a personalidade jurídica/civil, toda pessoa passa a ser capaz de direitos e obrigações. Mas nem toda pessoa, porém, possui aptidão para exercer pessoalmente os atos da sua própria vida, em razão de limitações, conforme se vê pela dicção do artigo 3º do CC, que trata dos absolutamente incapazes, quais sejam, os menores de 16 anos, os quais não podem exercer pessoalmente os atos da vida civil. Vejamos: Art. 3º - São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 anos. Logo, os absolutamente incapazes, por óbvio, têm direitos, porém não poderão exercê-los direta ou pessoalmente, devendo ser representados por alguém. O CC/2002, no seu artigo 3º, considerava como absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I – os menores de 16 anos; II – os que, por enfermidade ou deficiência mental não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III – os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. Todavia, com o advento da Lei 13.146 de 06 de julho de 2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência, os três incisos acima mencionados foram revogados, mantendo-se apenas o caput do referido artigo 3º e considerando-se apenas os menores de 16 anos como absolutamente incapazes. Ou seja, o referido Estatuto da Pessoa com Deficiência retirou, acertadamente, do rol dos incapazes, a pessoa com deficiência, na medida em que o artigo 6º do dito Estatuto deixa claro que a deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, a exemplo do deficiente poder contrair matrimônio; constituir união estável; exercer o direito à família; exercer direitos sexuais e reprodutivos; direito à guarda; tutela; curatela; direito à adoção (como adotante ou adotando) etc. Vejamos também o teor do artigo 84 do Estatuto da Pessoa com Deficiência: Art. 84 – A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas. Já o artigo 4º do CC trata da incapacidade relativa. A incapacidade relativa diz respeito àqueles que podem praticar por si os atos da vida civil desde que sejam assistidos por alguém, em razão de parentesco, relação de ordem civil e até designação judicial, sob pena de anulabilidade do ato praticado sem a participação do assistente. Diz o artigo 4º do CC/2002: Art. 4º - São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: I – os maiores de dezesseis anos e os menores de dezoito anos; II – os ébrios habituais e os viciados em tóxicos; III – aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; IV – os pródigos. Parágrafo único: A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. ATENÇÃO: A redação do artigo 4º do CC/2002 também foi alterada pela Lei 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência. E finalmente, o artigo 5º do CC revela que cessará a menoridade aos dezoito anos completos, ocasião em que a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil [g.n.]. Consagra ainda o artigo 5º do CC, a figura da emancipação, que nada mais é, em linguagem coloquial, a “antecipação da capacidade plena”, como se o menor de idade (maior de 16 e menor de 18 anos), já tivesse atingido a plena capacidade civil, como efetivamente ocorre aos 18 anos. Emancipação esta que pode ocorrer de maneira: a) voluntária (artigo 5º, § único, I, 1ª parte); b) judicial (artigo 5º, § único, I, 2ª parte) e c) legal (casamento, emprego público efetivo, colação de grau em curso superior e economia própria/relação de emprego), respectivamente nos incisos II, III, IV e V do artigo 5º, § único do CC. Lembrando que a emancipação é irrevogável, ou seja, uma vez ocorrida, o emancipado não perde a sua capacidade civil. Exemplo: foi emancipado pelo matrimônio e posteriormente o casamento foi dissolvido pelo divórcio ou por morte de um dos cônjuges. O emancipado não retorna à situação anterior de incapacidade civil. AIR • Absolutamente Incapazes são Representados (artigo 3º) RIA • Relativamente • Incapazes são • Assistidos (artigo 4º) 02. Direitos da Personalidade ATENÇÃO: TEMA DE BAIXA INCIDÊNCIA A Parte Geral do CC/2002 trouxe uma inovação de relevo, qual seja, dedicar um capítulo próprio aos direitos da personalidade. Para Goffredo Telles Jr., os direitos da personalidade são os direitos subjetivos da pessoa de defender o que lhe é próprio. São aqueles direitos que têm por objeto os atributos morais, psíquicos, físicos da pessoa em si considerada. Logo, são exemplos de direitos da personalidade: a vida, a honra ou reputação, a liberdade, a privacidade, a intimidade, o nome, a autoria, a imagem, a sociabilidade. E estes direitos, ínsitos à pessoa, são dotados de certas características peculiares, a saber: absolutos;indisponíveis; imprescritíveis; impenhoráveis; vitalícios; intransmissíveis; irrenunciáveis. Há que se considerar ainda, por necessário, que a própria Carta Magna de 1988, notadamente em seu artigo 5º, X, asseverou que: Art. 5º, X, CF/88 - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente da sua violação. É, explicitamente, uma proteção aos direitos da personalidade e que remete à consideração e configuração dos danos morais, partindo-se do pressuposto que só ocorrerão danos de natureza moral quando algum direito da personalidade for atingido, lesado. Caso contrário, terá ocorrido apenas o chamado “mero aborrecimento”, evento do qual não há que se falar em reparação de qualquer natureza. Neste particular (acerca dos danos morais), importante destaque se faz ao artigo 52 do CC, em que: Art. 52 - Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade Certo é que, conforme o caso pragmático, até mesmo as pessoas jurídicas podem sofrer danos de natureza moral, a exemplo de determinada marca ou produto que tenha sofrido danos à sua imagem. 03. Das Pessoas Jurídicas ATENÇÃO: TEMA DE MODERADA INCIDÊNCIA A pessoa jurídica, em regra, é um grupo de pessoas naturais (salvo exceções, como ocorre com a EIRELI), criado na forma da lei, com personalidade jurídica própria, visando a realização de fins comuns. Mas quando começa, de direito, a existência de uma pessoa jurídica? O art. 45 do CC/2002 prevê: Art. 45 – Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo [...] Mas o que vem a ser um ato constitutivo? Os atos constitutivos das pessoas jurídicas são: • Para as sociedades mercantis em geral (exceto sociedades anônimas) Contrato Social: • Cooperativas, associações, fundações etc. Estatuto Social: Perceba que, numa linguagem mais coloquial, o contrato social normalmente é adotado para as pessoas jurídicas com finalidade lucrativa. Já o estatuto social é adotado para as pessoas jurídicas que não visam lucro, na forma da lei específica de cada tipo de pessoa jurídica (salvo exceções). Tais atos constitutivos (como a própria expressão revela), constituem para fins legais as pessoas jurídicas e cada ato constitutivo deve obedecer aos requisitos do art. 46 do CC/2002, que assim revela: Art. 46. O registro declarará: I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial extrajudicialmente; IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. Somente com o registro ter-se-á a aquisição da personalidade jurídica da PJ. E tal registro deverá conter todos os elementos descritos no artigo 46 do CC/2002, como já dito anteriormente. Os registros serão efetuados, em regra, nos seguintes órgãos: Empresas mercantis: nas juntas comerciais dos respectivos estados. Exemplo: JUCEMG, no caso de MG. Outras sociedades simples: cartório de pessoas jurídicas. E como são classificadas as pessoas jurídicas? O artigo 40 do CC/2002, assim assevera: Art. 40 – As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. Logo, tem-se que as pessoas jurídicas são classificadas, nos termos do artigo 40 do CC/2002 em: PODE CAIR NA PROVA DA OAB: Merece destaque o art. 43 do CC/2002 que assim revela: Art. 43 - As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado o direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. •São os entes da administração pública federal, distrital, estadual e dos municípios, inclusive as autarquias e associações públicas, como revela o artigo 41 do CC/2002. PJ’s de direito público interno: •São os estados estrangeiros e todas as pessoas regidas pelo direito internacional público, a exemplo da Santa Sé, OMS, ONU, OMC, OIT, UNESCO etc. PJ’s de direito público externo: •São as associações, as sociedades empresárias em geral, os partidos políticos, as fundações, as organizações religiosas, as empresas individuais de responsabilidade limitada (Eireli), nos termos do artigo 44 do CC/2002. PJ’s de direito privado: O artigo 43 do CC adota a responsabilidade civil objetiva do Estado (ou seja, sem a necessidade de comprovação de dolo ou culpa). Logo, qualquer agente que, nessa condição, cause danos a terceiros, deverá o ente estatal responder civilmente, sendo-lhe facultado, posteriormente, regressar contra o agente causador desse dano. Exemplo: servidor público que causa um dano a terceiro; o estado é condenado a indenizar a vítima e, posteriormente, o servidor público é demandado pelo estado para ressarcir os cofres públicos. Mas atenção: a responsabilidade civil do servidor público será sempre de ordem subjetiva, sendo imprescindível a prova do seu dolo ou culpa. PODE CAIR NA PROVA DA OAB: E a desconsideração da personalidade jurídica? O art. 50 do CC prevê: Art. 50 - Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Segundo a regra legal, a desconsideração será possível se o abuso consistir em: Nos dizeres de PABLO STOLZE GABLIANO e RODOLFO PAMPLONA FILHO, na festejada obra MANUAL DE DIREITO CIVIL, volume único, Saraiva, 2018, tem-se que: Desvio de finalidade Confusão patrimonial “No primeiro caso (desvio de finalidade), desvirtuou-se o objetivo social, para se perseguirem fins não previstos contratualmente ou proibidos por lei. No segundo (confusão patrimonial), a atuação do sócio ou administrador confundiu-se com o funcionamento da própria sociedade, utilizada como verdadeiro escudo, não se podendo identificar a separação patrimonial entre ambos.” E a desconsideração da personalidade jurídica pode ser: PODE CAIR NA PROVA DA OAB: E quanto à desconsideração da personalidade jurídica também vale destacar: ▪ Não limita a desconsideração aos sócios, mas também se estende aos administradores (não figuram no contrato social, mas são verdadeiras “testas de ferro”). ▪ É aplicável também para as empresas individuais (EIRELI). 04. Dos Bens: DAS Diferentes Classes de Bens ATENÇÃO: TEMA DE MODERADA INCIDÊNCIA Em sentido jurídico, lato sensu, bem jurídico é a utilidade, física ou imaterial, objeto de uma relação jurídica, seja pessoal ou real. [Pablo Stolze Gagliano e Rodolgo Pamplona Filho, MANUAL DE DIREITO CIVIL – VOL. ÚNICO]. Comum: • A responsabilidade pela dívida da empresa é estendida aos sócios. Inversa: • A responsabilidade pela dívida dos sócios é estendida à empresa (art. 133, § 2º, CPC) E podemos dizer que as “coisas” também são “bens”? Na realidade, conforme entendimento doutrinário dominante, pode-se identificar as “coisas” no aspecto da materialidade, ou seja, bens corpóreos. Já os bens podem ser tanto corpóreos como incorpóreos. Nestes últimos, como exemplo,temos o direito de imagem, autoria, créditos etc., que não são materiais, mas são bens. De forma abrangente, há a seguinte classificação dos bens: Bens móveis e imóveis Conceito: os imóveis são o solo e tudo quanto lhe incorporar natural ou artificialmente, como reza o artigo 79 do CC. Exemplo: plantações e edificações, que foram incorporadas ao solo. Já os móveis são suscetíveis de movimento próprio (animais/semoventes) ou de remoção por força alheia sem alteração da sua substância (veículos, mobília, máquinas, equipamentos etc.), ao teor do artigo 82 do CC/2002. A respeito dos móveis e imóveis, merece destaque o artigo 81 do CC/2002 que revela: Art. 81 – Não perdem o caráter de imóveis: I – as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local; Exemplo: casas de madeira que podem ser desmontadas e levadas para outro local, conservando a sua unidade. II – as materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Exemplo: louças, esquadrias, tijolos, ferragens que serão separados um prédio mas serão reempregados no mesmo prédio. Bens fungíveis e infungíveis Conceito: fungíveis são os móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, quantidade e qualidade, ao teor do artigo 85 do CC. Exemplo: veículos, máquinas, equipamentos, livros, animais etc. Todavia, os infungíveis não podem ser substituídos em razão da sua exclusividade, unicidade ou características próprias. Exemplo: mesa utilizada pela Rainha da Inglaterra para os seus despachos; o livro do professor com todos os seus apontamentos, sinais, marcas e anotações gerais; o boi vencedor de vários prêmios em feiras agropecuárias; o carro do cantor famoso já falecido etc. Bens consumíveis e inconsumíveis Conceito: ao teor do artigo 86 do CC, os consumíveis são aqueles que, com o primeiro uso já são destruídos (destruição imediata). Exemplo: dinheiro, combustível, lenha, comida etc. Já os inconsumíveis admitem utilização reiterada/repetida, sem que sejam destruídos com o primeiro uso. Exemplo: livros, roupas, máquinas, mobília. Bens divisíveis e indivisíveis Conceito: seguindo a inteligência do artigo 87 do CC, tem-se como bens divisíveis aqueles que podem ser fracionados sem alteração de sua substância ou diminuição considerável do seu valor. Exemplo: dinheiro, terras, combustível etc. Já os indivisíveis não podem ser fracionados, sob pena de alteração de sua substância. Exemplo: um carro fracionado em dois não há que se falar em dois carros; um boi fracionado em dois não há que se falar em dois bois, eis que houve perda da substância ou diminuição considerável do valor. Bens singulares e coletivos Conceito: de acordo com o artigo 89 do CC os singulares são bens que, embora reunidos, se consideram por si só, independente dos demais. Exemplo: boi (singular) / boiada (coletivo); obra de arte (singular) / galeria (coletivo); livro (singular) / biblioteca (coletivo). Logo, tanto os bens singulares, como os bens coletivos podem ser objeto de relações jurídicas próprias. Acerca dos bens singulares e coletivos, merecem destaque os artigos abaixo: Art. 90 – Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária. Exemplo: biblioteca, boiada, galeria de arte. Art. 91 – Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico. Exemplo: herança, patrimônio. Bens principais e acessórios Conceito: de acordo com o artigo 92 do CC, os bens principais existem por si só, independente de outros; já os acessórios dependem dos principais para que também existam. Exemplo: vaca prenhe (principal) / bezerro (acessório); planta do pé de café (principal) / café fruto (acessório); terreno (principal) / casa (acessório); dinheiro aplicado no banco (principal) / juros gerados (acessório). Importante ainda relembrar as benfeitorias que, ao teor do artigo 96 do CC/2002 podem ser: XXXIII EXAME – TIPO 1 – BRANCA RESPOSTA CORRETA: LETRA C a)são as obras indispensáveis à conservação do bem, para impedir a sua deterioração. Possuem caráter de urgência. Exemplo: telhado ruindo e que precisa ser reparado rapidamente, sob pena de destruição de todo o imóvel. Necessárias: a)agregam valor ao bem e facilitam o seu uso, embora não sejam necessárias. Exemplo: construção de uma garagem; renovação da pintura etc. Úteis: a)são as de mero deleite ou recreio, normalmente supérfluas, luxuosas. Exemplo: piscina, sauna, espaço gourmet. Voluptuárias: Merece destaque também a classificação atinente aos bens públicos que, nos termos do artigo 99 do CC/2002 são: PODE CAIR NA PROVA DA OAB: Os bens públicos não podem ser alvo de usucapião, por força do artigo 102 do CC/2002. Também, em regra, não podem ser alienados. Mas se se tornarem bens públicos dominicais, aí sim podem ser alienados, observadas as exigências da lei, como rezam os artigos 100 e 101 do CC/2002. 04. Dos Fatos JURÍDICOS ATENÇÃO: TEMA DE ALTA INCIDÊNCIA FATOS JURÍDICOS Fato jurídico é todo acontecimento, humano ou natural, que tenha repercussão na órbita do direito. Todavia, não se pode confundir um simples fato (corriqueiro), com um fato jurídico. a)podem ser usados indiscriminadamente, sem restrições, normalmente gratuitos (mas não necessariamente, eis que em certas situações o bem público de uso comum do povo pode ser retribuído/pago pelo cidadão: pagamento de taxa para usar a praça como local de um show, por exemplo). Em regra, não dependem de permissão legal para que sejam utilizados pelo povo. Exemplo: praças, ruas, avenidas, rodovias, mares etc. Bens públicos de uso comum do povo: • pertencem à administração pública e normalmente estão afetados, ou seja, estão sendo utilizados para o desempenho de algum serviço público de interesse da coletividade. Não podem ser utilizados pela população livremente, salvo permissão legal e especial. Exemplo: prédio da prefeitura, caminhão coletor de lixo, viatura da polícia militar, escolas públicas etc. Bens públicos de uso especial: • compõem o patrimônio da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e normalmente estão desafetados, ou seja, não estão sendo utilizados para o desempenho de algum serviço público de interesse da coletividade. Exemplo: prédio da prefeitura municipal que foi desativado. Bens públicos dominicais: Exemplos: A) simplesmente dirigir um veículo até o local de trabalho é um fato. Mas a partir do momento que o motorista se envolve num acidente e deve indenizar os danos causados, já há a presença de um fato jurídico. B) em épocas de pandemia, tem-se que um simples espirro de alguém é um mero fato, sem repercussão no mundo do direito. Todavia, se alguém sabidamente contaminado pela COVID-19 espirra com a intenção de contaminar outras pessoas, já há a figura de um fato jurídico, eis que há repercussão danosa e criminosa, com efeitos no direito. Os fatos jurídicos em sentido amplo são divididos em: a) Fatos da natureza: também chamados de fatos jurídicos em sentido estrito. Tais fatos jurídicos podem ser: ordinários ou extraordinários. Os ordinários são aqueles que ocorrerão independentemente da nossa vontade, como nascer, morrer, o transcurso do tempo etc. Já os extraordinários são aqueles normalmente imprevisíveis, inevitáveis, inesperados (caso fortuito e força maior). Obs.: importante perceber que, nos fatos da natureza (ou fatos jurídicos em sentido estrito), não há o elemento volitivo, ou seja, vontade. b) Fatos humanos: também chamados de atos jurídicos. Tais atos jurídicos podem ser divididos em lícitos ou ilícitos. E os atos lícitos (foco do nosso estudo), podem ser divididos em não negociais e negociais. Estesúltimos são os chamados negócios jurídicos, foco principal do nosso estudo. Obs.: perceba que nos fatos humanos (ou atos jurídicos) há o elemento vontade do agente. Negócio jurídico é a declaração de vontade, expressa em obediência aos pressupostos de existência, validade e eficácia, visando produzir efeitos admitidos pelo direito. Nesse diapasão, pensemos: um matrimônio realizado em uma região afastada do país, longe das cidades e dos grandes centros, em que os noivos e familiares decidem, por conta própria, redigir a própria certidão de casamento. Eis a figura de um negócio jurídico existente, mas não será válido, eis que não obedeceu aos preceitos legais para tal tipo de negócio. Nesse ponto, cabe trazer à baila a previsão do artigo 104 do CC/2002: Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei. Como dito anteriormente, por vezes, o negócio jurídico até existe, mas não ostenta validade. E às vezes tem validade, mas sua eficácia está subordinada a eventos que ainda não ocorreram, futuros. Logo, para que valha, efetivamente, o negócio jurídico depende dos seguintes elementos: De nada adiantará, por exemplo, que o consumidor de determinada droga ilícita (cocaína ou maconha), queira reclamar da qualidade de tal Agente capaz; Manifestação de vontade livre e de boa-fé; Forma prescrita ou não proibida/defesa em lei; Objeto lícito, possível, determinado ou determinável. produto junto ao PROCON local. Na mesma linha de entendimentos, não poderá o apostador do “jogo do bicho” que acertou o número e não recebeu o prêmio, pretender ajuizar uma ação de cobrança contra o “bicheiro” que não pagou o prêmio, em tese, devido. Há, nos exemplos citados acima, agentes capazes, mas os objetos são ilícitos. Da mesma forma, aquele que assina um contrato mediante forte ameaça de morte contra a sua família, seguramente, não está manifestando sua vontade de maneira livre e de boa-fé. O negócio jurídico existirá, mas não terá validade ou poderá ser inquinado de anulabilidade por tal defeito. OBS.: importante lembrar dos defeitos do negócio jurídico, os chamados vícios de consentimento, quais sejam, o erro ou ignorância, o dolo, a coação, o estado de perigo e a lesão. Além dos vícios sociais: a fraude contra credores e a simulação. XXXI EXAME – TIPO 1 – BRANCA RESPOSTA CORRETA: LETRA A Há ainda que se falar nas situações que subordinarão a eficácia do negócio jurídico a eventos futuros, a exemplo da condição, do termo e do encargo, também chamados elementos acidentais do negócio jurídico. CONDIÇÃO Subordina a eficácia do negócio jurídico a um evento futuro e incerto. Exemplo: Juanito se compromete com sua única sobrinha Laura dizendo que, se ele passar no concurso público para Juiz, pagará todas as despesas de Laura junto à Faculdade de Direito. Trata-se de evento futuro e incerto, eis que o concurso ainda não ocorreu e não se sabe se Juanito será aprovado. TERMO Subordina a eficácia do negócio jurídico a um evento futuro e certo. Exemplo: um contrato de prestação de serviços, em que as partes contratantes indicam a data certa (inicial), na qual as obrigações passarão a ser exigíveis. A respeito do termo, há que ser lembrado, que existe o termo inicial (dies a quo) e o termo final (dies ad quem). E prazo é o lapso de tempo entre o termo inicial e o termo final. ENCARGO Impõe ao beneficiário um ônus a ser cumprido. Trata-se, em verdade, de um “peso” vinculado a uma vantagem. Exemplo: doarei um apartamento para Mirtes, minha prima, se ela cuidar da nossa tia doente. Ou ainda: deixarei o sítio em testamento para Manolo, meu primo, caso ele retire parte da produção desse sítio todos os meses e leve ao asilo da cidade. Importante registrar, que a figura do encargo está atrelada às doações e aos testamentos. 05. DOS DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO ATENÇÃO: TEMA DE ALTA INCIDÊNCIA Em linhas gerais, considerando que a vontade livre do agente é elemento essencial de validade do negócio jurídico, tem-se que, quando tal vontade está eivada de vício (ou contaminada), o negócio jurídico poderá ser alvo de anulabilidade, eis que defeituoso. Vejamos os principais defeitos do negócio jurídico apresentados pelo Diploma Civil. DO ERRO OU DA IGNORÂNCIA (ARTIGOS 138 AO 144 DO CC) Conceito É uma noção inexata, imprecisa sobre um objeto, que influencia a formação da vontade do declarante, que emitirá de maneira diversa da que manifestaria se dele tivesse conhecimento exato. Exemplos: ▪ Olavo supõe estar adquirindo um terreno em ótima localização, quando na verdade está comprando em péssimo local (objeto principal da declaração). ▪ Péricles acredita estar comprando um relógio de prata, mas na realidade é de aço cromado (qualidade essencial do objeto). ▪ Herval acredita que está fazendo negócio com uma pessoa idônea e na realidade o outro contratante é de reputação maculada (qualidade essencial da pessoa). DO DOLO (ARTIGOS 145 AO 150 DO CC) Conceito Segundo Clóvis Beviláqua, é o emprego de um artifício astucioso para induzir alguém à prática de um ato negocial que o prejudica e aproveita a do autor do dolo ou a terceiro. Há que se considerar ainda: DA COAÇÃO (ARTIGOS 151 AO 155 DO CC) Conceito É, em apertada síntese, uma ameaça que implica em um potencial dano pessoal ou patrimonial. Deve ser a causa determinante do negócio; deve incutir um fundado temor na vítima; e tal temor se refira à pessoa da vítima, sua família ou aos seus bens, podendo até mesmo, conforme o caso, se referir a pessoa não pertencente à família do paciente (vítima da coação, também chamado “coacto” ou coagido), nos termos do artigo 151 do CC. DO ESTADO DE PERIGO (ARTIGO 156 DO CC) Conceito Neste caso, há temor de grave dano moral ou material à própria pessoa, ou a parente seu, que compele o declarante a concluir o contrato, mediante prestação exorbitante. O lesado efetiva negócio excessivamente oneroso em Dolo principal: •É aquele que dá causa ao negócio jurídico, sem o qual ele não se teria concluído, acarretando a anulação daquele negócio. Exemplo: X vende um carro com o motor fundindo para Y. O vendedor omite tal fato e convence o comprador a fazer o negócio. Evidente que o comprador, se soubesse de tal defeito, não faria o negócio. Obs: o dolo principal gera a anulação do negócio jurídico. Dolo acidental: •É de menor monta; é o que leva a vítima a realizar o negócio, porém em condições mais onerosas ou menos vantajosas, não afetando a declaração de vontade. Exemplo: X vende um carro para Y, com um pequeno defeito no painel. O comprador não deixaria de comprar o carro apenas por tal detalhe, porém, negociaria um menor preço ou exigiria o reparo antes da finalização da compra. Obs.: o dolo acidental não acarreta a anulação do negócio jurídico. razão de risco pessoal (perigo de vida, lesão à integridade física ou psíquica de uma pessoa). Exemplo clássico: internação de paciente em estado de urgência, em hospital particular, de alto custo, assumindo uma obrigação financeira excessiva para salvar-se ou alguém de sua família. DA LESÃO (ARTIGO 157 DO CC) Conceito É um vício de consentimento decorrente do abuso praticado em situação de desigualdade de um dos contratantes, por estar sob premente necessidade, ou por inexperiência. Exemplo clássico: contratante que pretende adquirir um empréstimo bancário e que é forçado pelo banco a também adquirir um plano de previdência privada, sob pena de não ser concedido o empréstimo pretendido, figurando a chamada “venda casada”. 05. DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA ATENÇÃO:TEMA DE ALTA INCIDÊNCIA Conceito: Prescrição, diferentemente do que outrora foi declarado pela doutrina, por muitos anos, não é a perda do direito de ação. Mas sim, prescrição é a perda da pretensão acerca de um direito violado, em razão da inércia do seu titular e num prazo previsto em lei. Assim se referiram os professores PABLO STOLZE GABLIANO e RODOLFO PAMPLONA FILHO, na festejada obra MANUAL DE DIREITO CIVIL, volume único, Saraiva, 2018, ao asseverarem que: “[...] Não importa se o autor possui ou não razão, isto é, se detém ou não o direito subjetivo que alega ter. A ordem jurídica sempre lhe conferirá o legítimo direito de ação, e terá, à luz do princípio da inafastabilidade, inviolável direito a uma sentença.” Em outras palavras, o autor sempre poderá ajuizar a ação que entender conveniente aos seus interesses, tenha ou não transcorrido o prazo prescricional previsto em lei e seja qual for a sentença judicial que o espere. Logo, a prescrição não atinge o direito de ação, que sempre será um direito do cidadão e jurisdicionado. E o artigo 189 do CC/2002 assim revela: Art. 189 – Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. Logo, conclui-se que, são requisitos para a consumação da prescrição: Diga-se ainda, que a prescrição possui como características marcantes as seguintes: Violação de um direito; Inércia do titular desse direito; Transcurso do prazo previsto em lei. a) Seus prazos são definidos por lei e não podem ser alterados pela vontade das partes, como reza o artigo 192 do CC. b) Os prazos prescricionais estão apenas descritos nos artigos 205 e 206 do CC (como cita o próprio artigo 189 do CC) e são definidos em “anos”. c) A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, como reza o artigo 193 do CC/2002. Logo, se eventualmente não for alegada como matéria de defesa, na primeira instância, por exemplo, nada impede que possa ser alegada em instância superior. d) A prescrição atinge somente os direitos subjetivos (ações condenatórias). e) Os prazos prescricionais podem ser suspensos ou impedidos (arts. 197/199 do CC), bem como podem ser interrompidos (art. 202 do CC). Podemos concluir então, que o direito de ação sempre existirá, mesmo depois de decorrido o prazo prescricional estabelecido. Uma obrigação prescrita se torna uma obrigação natural, que nada mais é que aquela que não pode mais ser exigida, mas, se for cumprida espontaneamente, autoriza que o seu beneficiário retenha o que foi pago. Decadência É a perda efetiva de um direito, pela falta do seu exercício no período de tempo determinado pela lei ou pela vontade das próprias partes. A extinção do direito é também chamada de caducidade, não restando mais qualquer direito em favor do seu titular. Importante frisar ainda acerca da decadência que: a) Seus prazos são definidos pela lei ou pelas partes. b) Não pode ser “suspensa” e nem “interrompida”. c) Seus prazos podem ser definidos em dias, meses e anos. d) Quando estabelecida por lei o juiz deve conhecê-la de ofício. Mas se for determinada pelas partes o juiz não pode conhecê-la de ofício. e) Atinge apenas os direitos potestativos. PODE CAIR NA PROVA DA OAB: Todavia, no ano de 2020 foi sancionada a Lei da Pandemia, a Lei 14.010 de 10 de junho de 2020. Em tal lei, reza o seu artigo 3º que: Art. 3º Os prazos prescricionais consideram-se impedidos ou suspensos, conforme o caso, a partir da entrada em vigor desta Lei até 30 de outubro de 2020. § 1º [...] § 2º Este artigo aplica-se à decadência, conforme ressalva prevista no art. 207 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Perceba que, a regra geral de que os prazos decadenciais não podem ser suspensos e nem interrompidos (art. 207/CC), foi provisoriamente alterada, enquanto vigorar a Lei da Pandemia. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm •o prazo começa a fluir, mas, por algum motivo previsto em lei é paralisado e, cessando tal motivo, volta a correr de onde parou (como se fosse a tecla “pausar” do filme; apenas continua de onde estava). Suspensão dos prazos prescricionais: •o prazo começa a fluir, mas, por algum motivo previsto em lei é paralisado e, cessando tal motivo, volta a correr integralmente, do zero (como se fosse a tecla “stop” do filme, o qual recomeçara do início). Interrupção dos prazos prescricionais: •o prazo nem mesmo começa a fluir, por algum motivo previsto em lei (nem mesmo foi acionada a tecla “play” do filme). Impedimento dos prazos prescricionais: Anotações