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Priscilla Santos Faria MARKETING DE CONTEÚDO E MÍDIA Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 MARKETING DE CONTEÚDO �������������������������� 4 INBOUND E OUTBOUND MARKETING ����������� 9 CRIAR E AUMENTAR O RELACIONAMENTO COM CLIENTES ����������� 17 MÍDIA TRADICIONAL E DIGITAL PARA A GERAÇÃO DE CONTEÚDO ���������������������������� 20 DESENVOLVIMENTO DE CONTEÚDO ����������� 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS ���������������������������� 29 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS �������������������������������������������� 30 2 INTRODUÇÃO A partir dos estudos desta disciplina, estaremos aptos a planejar e produzir conteúdos que atraiam, convertam e entretenham os clientes. Você já parou para pensar na importância do conteúdo formado pela área de marketing? Será que os conteúdos podem colaborar com o atingimento das metas de marketing? Qual a importância dos conteúdos para a área de comunicação das empresas? São muitos os questionamentos que surgem; mas fique tranquilo, pois nesta disciplina, com a sua dedicação eles serão respondidos. Assim, espera-se que você, estudante, mergulhe nesta leitura com muita dedicação e compreenda cada tópico abordado aqui para que possa aplicar o conteúdo aprendido no mundo corporativo. Ao longo deste material, iremos compreender a importância do conteúdo para o marketing, como o relacionamento com os clientes pode interferir nas estratégias empresariais. Também conheceremos as diferentes visões sobre conteúdo, a influência das diferentes mídias sobre a comunicação de marketing, o desenvolvimento do conteúdo e a adequação verbal. 3 MARKETING DE CONTEÚDO Definir uma estratégia de comunicação não é tarefa fácil. As empresas podem utilizar propa- ganda, publicidade, relações públicas, eventos, patrocínio e outras ferramentas de comunicação para construir e fortalecer a marca. Essas ferra- mentas devem trabalhar de forma integrada, a empresa deve realizar a comunicação integrada de marketing, que provavelmente você já estudou anteriormente. Assim, podemos perceber que o que essas ferramentas têm em comum é o con- teúdo, que é a base, a matéria-prima para toda comunicação de marketing. Neste tópico, você conhecerá um pouco sobre a produção de conteúdo para a área de marketing. O conteúdo trabalhado pela área de marketing é importante, pois ele pode afetar a imagem da mar- ca, pode mostrar o posicionamento da empresa, ou seja, o conteúdo colabora com a formação da imagem que as pessoas formarão da empresa em suas cabeças. O conteúdo utilizado pela em- presa pode fortalecer a marca, pode aproximar da empresa os clientes. Portanto, conhecer mais sobre os conteúdos pode colaborar com melhores desempenhos empresariais. Para Assad (2016), “o conteúdo como instrumento de marketing não é apenas um recurso tático oportuno e adequado, 4 no mix de planejamento, mas uma disciplina com alto grau de complexidade e que tem protagonis- mo estratégico no futuro das grandes marcas e anunciantes”. A comunicação integrada de marketing está relacionada ao conjunto de ações, estratégias e esforços de comuni- cação com a intenção de criar, fortalecer, agregar valor à marca da empresa. É necessário atentar-se para o entendimento das diferentes visões sobre o conteúdo. Neste material, o conteúdo será considerado como todo texto verbal e não verbal de uma mensagem, sendo aplicado por Assad (2016) de maneiras diferentes. O conteúdo pode ser um tipo de produto que será comprado por consumidores ou empresas, pois uma marca conhecida – que você sempre observa conteúdos em mídias, como televisão, rádio, jornais, internet – normalmente é mais lem- brada do que as marcas desconhecidas, que não produzem conteúdos. O conteúdo “atua” como produto, quando oferece informações relevantes aos consumidores que influenciam nas vendas da empresa (ASSAD, 2016). FIQUE ATENTO 5 Outra visão de conteúdo está relacionada à pres- tação de serviços. O conteúdo pode buscar a construção de relacionamento com os clientes. A utilização de conteúdos relevantes para os clientes pode aproximá-los da empresa e fazer com que eles criem uma relação com a marca. Os conteúdos podem estar relacionados aos produtos e/ou serviços, a dados do setor, informações de serviços ou produtos complementares ao produto essencial – por exemplo, o seguro para um carro que foi comprado. Ademais, o conteúdo pode ter um caráter informa- cional, educacional e de entretenimento. Ou seja, quando tratamos de um conteúdo informacional, ele pode ser usado para transmitir uma informa- ção, normalmente de modo impessoal, que explica ou define algo. Um texto educacional pode ser informativo, com viés pedagógico, que objetiva ensinar e elucidar algum assunto. Já o conteúdo de entretenimento tem como característica entreter o leitor, objetivando a atenção e o divertimento e/ ou a distração do leitor. Importante lembrar: Os conteúdos com característi- cas diferentes podem coexistir em uma mensagem. 6 O conteúdo trabalhado na área de marketing pelas empresas é denominado marketing de conteúdo ou brand content, que tem como objetivo fazer com que as empresas consigam maior engajamento com seu público-alvo, a fim de alcançar suas es- tratégias de marketing. Acesse o Podcast 1 em módulos Você sabia que o festival internacional de criatividade Cannes Lion lançou, em 2012, uma categoria que contem- plava a convergência do marketing com o entretenimento e a aplicação da criatividade pelas marcas na oferta de conteúdo para seus clientes? Sim, e esta categoria se chamava Branded Content & Entertainment, no passado. Acesse os links abaixo para ler mais sobre o assunto: https://www.mundodomarketing.com.br/ultimas- -noticias/22699/cannes-lions-anuncia-categoria-de- -branded-content.html h t t p : / / c a n n e s . m e i o e m e n s a g e m . c o m . b r / c o b e r t u r a 2 0 1 7 / 2 0 1 7 / 0 6 / 1 2 / conteudo-que-o-publico-quer-ver FIQUE ATENTO 7 https://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/22699/cannes-lions-anuncia-categoria-de-branded-content.html https://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/22699/cannes-lions-anuncia-categoria-de-branded-content.html https://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/22699/cannes-lions-anuncia-categoria-de-branded-content.html http://cannes.meioemensagem.com.br/cobertura2017/2017/06/12/conteudo-que-o-publico-quer-ver/ http://cannes.meioemensagem.com.br/cobertura2017/2017/06/12/conteudo-que-o-publico-quer-ver/ http://cannes.meioemensagem.com.br/cobertura2017/2017/06/12/conteudo-que-o-publico-quer-ver/ Para Assad, o marketing de conteúdo é importante para atrair atenção do público desejado: As ações de conteúdo devem extrapolar o âmbito do marketing tradicional, pois elas não são promoção, mas sim propagação e atração de audiência por meio do conteúdo relevante. E seus objetivos devem ser definidos junto ao planejamento estratégico da empresa, estruturando um plano de comunicação integrado, completo e assertivo. (ASSAD, 2016, p.1) 8 INBOUND E OUTBOUND MARKETING Ganhar a atenção das pessoas nem sempre é uma tarefa fácil, especialmente quando estamos nos referindo a um público específico, que interessa para nossa empresa. O inbound marketing nada mais é do que uma forma de comunicação em que a criação de conteúdo é realizada para um público específico, para atrair este público, podendo levar à experiência de compra e à construção de um relacionamento entre o consumidor e a empresa. Ou seja, o seu objetivo é ganhar o interesse das pessoas por meio da divulgação de conteúdo relevante e, com isso, convertê-las em clientes, diferentemente do que acontece no outbound marketing, conforme a tabela a seguir. Tabela 1: Inbound e outbound marketing. Inbound marketing Outbound Marketing Muito utilizado em mídias digitais como blogs, redes sociais, sites Muito utilizado em mídias tradicionais como rádio, televisão, jornais, revistas, pa- trocíniode eventos, utilizado em mídias digitais Comunicação indireta Comunicação direta Marketing de atração Marketing tradicional Foco no uso de comunica- ções atrativas, podendo ser interativa Foco em oferta de produtos, usualmente comunicação de massa 9 Inbound marketing Outbound Marketing O cliente vai até a empresa Empresa procura o cliente Fonte: Elaboração própria. Ao analisarmos a tabela 1, percebemos que o inbound marketing é utilizado em meio digital, ou seja, na internet, em blogs, sites, redes sociais. Já o outbound marketing é mais comumente rea- lizado na mídia tradicional. Mas, tome cuidado! O outbound marketing, apesar de ser mais utilizado nas mídias tradicionais, também pode ser utilizado na mídia digital. Você provavelmente já foi inter- rompido por uma propaganda, enquanto assistia a um vídeo na internet, não é mesmo? Podemos citar como exemplos de outbound marketing em mídia digital: os e-mails, banners e pop-ups. Será que o outbound marketing realizado em mídia digital é feito sempre de modo correto? Será que os usuários da internet sentem que as comunicações das empresas são invasivas ou positivas? A comunicação no outbound marketing é direta; ela é realizada usualmente para impulsionar vendas, busca os consumidores nas mídias em que é uti- lizada. Por exemplo: um anúncio em uma revista, REFLITA 10 pois o leitor dessa revista será atingido pela comu- nicação, mesmo podendo não ser o público-alvo da comunicação – é uma comunicação de massa, que atingirá muitas pessoas. Acesse o Podcast 2 em módulos Já o inbound marketing utiliza uma comunicação indireta, busca atrair pessoas que possuem inte- resse no tema da comunicação que, muitas vezes, pode permitir que o público que está acessando a comunicação possa interagir com a empresa que emitiu a comunicação. A busca em um site de buscas na internet por um sofá, por exemplo, pode conduzir o usuário para uma comunicação em uma rede social de uma loja de sofás sobre diferentes tipos de espuma, o que permitirá uma interação entre o usuário e a loja de sofás. Observe, no link abaixo, um estudo sobre o efeito do inbound marketing nas vendas B2B: http://www.spell.org.br/documentos/ver/53323/efeitos- -das-midias-digitais-nas-novas-vendas-b2b--um-ensaio- -sobre--inbound-marketing---midias-pagas-e-ganhadas- -on-line SAIBA MAIS 11 https://famonline.instructure.com/files/99152/download?download_frd=1 http://www.spell.org.br/documentos/ver/53323/efeitos-das-midias-digitais-nas-novas-vendas-b2b--um-ensaio-sobre--inbound-marketing---midias-pagas-e-ganhadas-on-line http://www.spell.org.br/documentos/ver/53323/efeitos-das-midias-digitais-nas-novas-vendas-b2b--um-ensaio-sobre--inbound-marketing---midias-pagas-e-ganhadas-on-line http://www.spell.org.br/documentos/ver/53323/efeitos-das-midias-digitais-nas-novas-vendas-b2b--um-ensaio-sobre--inbound-marketing---midias-pagas-e-ganhadas-on-line http://www.spell.org.br/documentos/ver/53323/efeitos-das-midias-digitais-nas-novas-vendas-b2b--um-ensaio-sobre--inbound-marketing---midias-pagas-e-ganhadas-on-line Acesse o Podcast 3 em módulos Com o inbound marketing, a área de marketing busca transformar usuários da mídia digital em leads, ou seja, em contatos qualificados, espontâ- neos. Os leads devem ser convertidos em clientes e esses clientes devem ser fidelizados, tornando-se divulgadores da marca da empresa. De acordo com Assad (2016), para que isso ocorra, as ações devem estar alinhadas com três princípios: lugar, tempo e conteúdo. Para compreendermos um pouco mais sobre estes três princípios, vamos exemplificar: quando uma pessoa precisa comprar um pneu porque o seu está gasto, ela pode utilizar a internet para fazer uma pesquisa de locais e preços. Assim, ela entra em um site de uma empresa que vende pneus e, depois, recebe um e-mail sobre os aspectos dos pneus, durabilidade, marcas e, dias depois, recebe outro e-mail com uma promoção de pneus. Desse modo, podemos ver que a possi- bilidade de compra é grande, pois o lugar, tempo e o conteúdo estão alinhados. Muitos autores propõem o modus operandi do in- bound marketing. Abaixo estão as ações do inbound marketing, de acordo com ODIG marketing digital: 12 Figura 1: Ações do Inbound marketing. atrair desconhecido Blog Keywords/PPC Social Media converter relacionar Formulários Call-to-Actions Landing Pages lead visitante E-mails Workflows Materiais Ricos analisar cliente promotor Métricas Resultados Plano de Melhorias Fonte: ODIG marketing digital, 2015. Adaptado. De acordo com ODIG (2015), as quatro ações de inbound marketing (atrair, converter, relacionar, analisar) permitem que os desenvolvedores de conteúdo criem ações coordenadas para que, cada vez mais, o conteúdo seja relevante, promovendo visitantes, leads, clientes e promotores, conforme demonstrado na figura a seguir. 13 Figura 2: Inbound marketing. • Conteúdo informacional: a primeira, que é fazer o conteúdo infor- macional ser encontrado por seus utilizadores, denominado com Atração de Tráfego. Na primeira etapa, a utilização de ferramentas como a criação de conteúdo em blogs, contendo conteúdos que re- spondem os desejos dos utilizadores; • O uso do SEO: os utilizadores utilizam os mecanismos de busca para encontrar o conteúdo informacional. Sendo assim, o melhor posicionamento em ranking da SERP possibilita mais probabilidade ao acesso do conteúdo informacional produzido pelos geradores. Para tanto, o uso de palavras-chave adequadas, a otimização das páginas, a criação de conteúdo e construção de links em torno do conteúdo que os utilizadores buscam; • Encontrabilidade da informação: Vechiatto e Vidotti (2014) ob- servam que a encontrabilidade constitui em um dos maiores prob- lemas do design da web, visto que a interfuncionalidade das equi- pes e desconhecimento dos perfis de seus utilizadores deve ser o ponto de partida em para o desenvolvimento de um projeto de con- strução de conteúdoinformacional, possibilitando assim ao utiliza- dor encontrar a informação sem maiores esforços físicos e/ou cog- nitivos; • Publicações em mídia social: estratégias inbound de sucesso são todas de grande percepção de público e publicações sociais per- mitem que seus geradores compartilhem informações, interajam com os seus utilizadores e humanizem as relações entre geradores e utilizadores. Atrair 14 • Converter: a segunda etapa é a conversão desses utilizadores, onde os mesmos aceitam fornecer alguns dados, como nome, tele- fone e e-mail, em troca de acesso a um conteúdo melhor elaborado, mais rico, mais completo, como vídeos, planilhas ou livro digital (de- nominado e-book); Converter • Relacionar: a terceira etapa consiste no relacionamento com o uti- lizador por meio de ferramentas como e-mail marketing, au- tomação de marketing, CRM, dentre outras; Relacionar • Analisar resultados: a necessidade de mensurar para observância dos pontos a serem ajustados, minimizando esforços para atrair utilizadores (clientes) ao acesso e uso daquilo que se oferta, poden- do assim oferecer um conteúdo ainda mais relevante e desejável. Análise Fonte: Trevisan e Monteiro (2017). Adaptado. Percebe-se que existe a possibilidade de estreitar o relacionamento entre a empresa e possíveis clien- tes. Nesse processo, a produção de conteúdo e a comunicação da marca são construídas para levar o público-alvo de uma etapa a outra, conduzindo de forma intuitiva e estimulando o lead para uma decisão de aquisição de um determinado produto e/ou serviço (Trevisan e Monteiro, 2017). O conte- údo do inbound marketing não é despretensioso, ele é atrativo pela relevância que possui, não dá ênfase para a impulsão de consumo de produtos 15 pelos clientes, perfazendo, assim, um caminho inverso ao marketing tradicional. Percebe-se, assim, que o marketing de conteúdo tem condições de crescer cada vez mais, atraindo o perfil desejado de clientes, por meio de informação relevante. O inbound e outboundmarketing podem colaborar com o aumento do relacionamento entre empresas e clientes com a criação de conteúdos que atraiam seus potenciais clientes, uma infor- mação relevante (ASSAD, 2016). 16 CRIAR E AUMENTAR O RELACIONAMENTO COM CLIENTES Com o advento da internet, desde a década de 1990, o relacionamento das empresas com os clientes vem mudando. A quantidade de informação dispo- nível para os consumidores cresceu muito. Com a internet, os consumidores acabam realizando mais pesquisas de preço, comparam mais marcas, gas- tando pouco tempo e dinheiro. Nesse cenário, com novos tempos e novos hábitos, os consumidores acabam por adotar uma maneira inovadora de agir, pensar, o que faz com que as empresas tenham a necessidade de se ajustar a estes novos tempos. Percebe-se, assim, que a forma de comunicação mudou, o cliente deixou de ter um comportamento mais passivo e assumiu uma postura mais ativa na relação entre empresa e consumidor, dando sua opinião, criticando produtos e serviços, colaborando com o processo de desenvolvimento de produtos e serviços. O fluxo de informações era unilateral, originado pelos fornecedores de produtos e servi- ços, mas agora é uma via de mão dupla, ou seja, é recíproco: os clientes, anteriormente adotantes de uma postura passiva, tornam-se conscientes geradores e influenciadores do conteúdo, em um ambiente conectado, ativo e de benéfico feedback 17 aos envolvidos no processo (KARTAJAYA; KOTLER; SETIAWAN, 2012). Essa possibilidade de interação pode levar à prá- tica do processo de cocriação de valor, em que as empresas convidam os clientes/stakeholders para explorarem as oportunidades e resolverem proble- mas de modo coletivo, promovendo a agregação de valor aos produtos e/ou serviços (SARACENI, 2015). Desse modo, as interações com os clientes/ stakeholders promovem experiências, que podem ser ideias de melhora ou personalização de produtos e/ou serviços, compartilhamento de sentimentos no uso dos produtos e/ou serviços, que cria um esforço contínuo para o desenvolvimento do rela- cionamento com os clientes (SARACENI, 2015). O desenvolvimento de relacionamento pode levar à satisfação do consumidor. Por isso, é impor- tante que a empresa consiga desenvolver um bom relacionamento, gerando, quem sabe, até o processo de cocriação de valor. A formação geral da satisfação de um consumidor é resultado de sua interação com todos os processos correlatos ao serviço prestado, e não somente com aqueles que estão relacionados exclusivamente ao serviço essencial. As empresas precisam estar atentas aos hábitos, costumes, culturas, comportamentos do seu público-alvo para tomar as decisões mais as- sertivas em relação aos seus produtos e/serviços. 18 As empresas precisam adequar suas posturas, desenvolvendo um papel não somente de simples fornecedores, mas sim de uma empresa alinhada com as expectativas do público que deseja atingir, entregando um conteúdo que esteja relacionado com as necessidades e desejos deste público, criando um relacionamento que permita a retenção e a fidelização do público-alvo. 19 MÍDIA TRADICIONAL E DIGITAL PARA A GERAÇÃO DE CONTEÚDO Estamos em um momento de intensas transfor- mações, são muitas as quantidades de informa- ções disponíveis, as comunicações não são mais estáticas, permitem maior interação entre empre- sas e clientes. Essas mudanças são possíveis principalmente devido à internet, que possibilita a conexão ubíqua e o estabelecimento de redes que trocam dados. De acordo com Assad (2016), estamos vivemos a era digital. Trata-se de um novo tempo, em que a comunicação passa por uma revolução, trazendo novos paradigmas que mudaram a maneira de pensar e fazer comunicação, ou seja, iniciou uma visão até então inédita para a realização do ma- rketing, de modo geral. Muitas vezes, podemos perceber que, aos poucos, alguns materiais físicos estão sendo substituídos pelos materiais digitais, ou seja, muitas comunica- ções estão sendo veiculadas somente pela mídia digital, e não mais pela tradicional. Estamos lidando, então, com a mídia digital (on-line) que pode ser exemplificada com site, blog, rede social, intranet (rede privada com os mesmos padrões da inter- 20 net, dentro de uma empresa, acessível apenas por membros desta empresa, como empregados ou terceiros com autorização de acesso). E tratamos também da mídia tradicional (off-line), que pode ser exemplificada com o rádio, a televisão, o jornal, a revista, o outdoor, o busdoor. Mas, será mesmo que a comunicação tradicional está deixando de existir? Os consumidores não são impulsionados por anúncios em mídias tradicionais? O que podemos perceber é que as pessoas estão utilizando novas mídias para se comunicar, mídias que permitem maior interação com as marcas, que permitem o comportamento ativo dos consumido- res de modo geral. Porém, muitas comunicações em mídias tradicionais são necessárias, é preciso adequar a sua estratégia de comunicação para o perfil do seu público-alvo. Você já parou para pensar em quais são as mídias mais acessadas pelo seu público-alvo? Como seu público faz para buscar informações, quando precisa de algum produto? Os consumidores utilizam a internet para pesquisa de preço? Qual dispositivo é utilizado: notebook, mobile, tablet? 21 Você pode estar se perguntando: qual a importân- cia de todos esses questionamentos? Bom, para que você desenvolva melhores conteúdos para seu público, é importante conhecê-lo, adequando assim os aspectos da linguagem para ele e para mídia que será utilizada. De acordo com Nery (2013), as mídias tradicionais já não funcionam tão bem com o público jovem, urbano e de classes médias. Du Pin (2015) afirmou que a mídia tradicional ainda existe e que pode ser usada para a conquista e fidelização de consumi- dores. Em muitos casos, é importante que haja a convergência das duas mídias (Du Pin, 2015). Nas mídias tradicionais e digitais, podemos gerar o que chamamos de mídia paga, ganhada e própria. Na mídia paga, é a própria empresa que gera o seu conteúdo; na mídia ganhada, o conteúdo sobre a empresa é feito por outros grupos que não é a empresa, como clientes, por exemplo. Já na mídia própria, o conteúdo é feito pela empresa em canais que ela controla. Observe no quadro abaixo alguns exemplos desses três tipos de mídia. 22 Tabela 2: Mídia paga, ganhada e própria. Tipo Definição Exemplos Off-line Exemplos On-line Mídia paga Atividade de mídia que uma empre- sa (ou seus agentes) gera. Jornais, revis- tas, rádio, tele- visão, outdoors. Display, banner em sites, Google Adwords, anúncios patrocinados no Facebook, e-mail marketing. Mídia Ganhada Atividade de mídia que não é gerada diretamente pela empre- sa, mas sim por outras entidades, tais como: clientes, ou jornalistas. Menções da marca / compa- nhia nas mídias tradicionais, re- comendações da marca / companhia por clientes para outras pessoas, demonstrações dos produtos feitas por clien- tes para outras pessoas. Menções da marca / companhia em mídias digitais: blog, Facebook, Instagram, Linke- dIn, Twitter por clientes ou profis- sionais, classifica- ção dos produtos nas mídias sociais por consumido- res, interações das pessoas com curtidas, comparti- lhamentos. Mídia Própria Atividade de mídia que uma companhia (ou seus agentes) gera nos canais que controlam. Folders, flyers, cartões de visita, comu- nicados de imprensa da companhia. Site da marca/ companhia, blog da marca/com- panhia, perfis nas mídias sociais: Fa- cebook, Instagram, LinkedIn, Twitter, Youtube. Fonte: Adaptado de Stephen e Galak (2012). 23 Muitos estudos atuais realizados para os profissio- nais de marketing estão relacionados com a força do conteúdo das empresas, ou seja, a relevância do conteúdo, que podem fazer com que o público gere ainda mais conteúdo para as empresas, o que chamamos de mídia ganhada. Isso ocorrequando o público realiza, voluntariamente, men- ções da marca nas mídias tradicionais e digitais. É importante ressaltar que essas menções precisam ser averiguadas, pois podem estar relacionadas a aspectos positivos e negativos da marca. 24 DESENVOLVIMENTO DE CONTEÚDO Conforme discutimos, o marketing de conteúdo trata de informações que podem beneficiar os consumidores e clientes que são atraentes para este público. Para a realização dessa tarefa é im- portante seguir alguns passos: Figura 3: Passos para o desenvolvimento do conteúdo. Definir o objetivo Definir o público-alvo Planejar e desenvolver o conteúdo Definir as plataformas de divulgação Criar possibilidades de interação Criar indicadores para acompanhar o engajamento do conteúdo Fonte: Elaboração própria. A definição do objetivo deve estar alindada sempre com o posicionamento da marca, os objetivos dos conteúdos devem ter o foco no público-alvo. Ou seja, é necessário saber o que quero comunicar e para quem quero comunicar. Estes dois aspectos não estão dissociados. Ao desenvolver o conteúdo, é necessário analisar a composição visual do conteúdo que se está trabalhando. As imagens, cores, palavras utiliza- 25 das no conteúdo precisam estar alinhadas com o objetivo. É necessário estar atento à semiótica, ou seja, o significado das coisas, dos símbolos. Por exemplo, por meio da semiótica, somos ca- pazes de interpretar as palavras que formam um texto linguístico e atribuir um significado para as sequências de palavras. A aplicação incorreta de uma palavra ou imagem pode causar confusão na mente do público. A adequação verbal é um ponto essencial para o conteúdo que se deseja construir. A utilização da linguagem adequada ao meu texto deve ser analisada à luz do perfil do meu público-alvo. Ou seja, preciso adequar meu texto para que a leitura e interpretação dele ocorra de modo fluido e des- complicado pelo público que desejo atingir. Contudo, a produção de conteúdo requer o uso de técnicas específicas que vão além da criatividade dos profissionais de marketing ou de conhecimentos técnicos da equipe de Tecnologia da Informação (TI). E, para saber como criar um mood board, acesse: https:// br.hubspot.com/blog/marketing/como-criar-um-mood- -board-5-ferramentas-para-visualizar-suas-ideia SAIBA MAIS 26 https://br.hubspot.com/blog/marketing/como-criar-um-mood-board-5-ferramentas-para-visualizar-suas-ideias https://br.hubspot.com/blog/marketing/como-criar-um-mood-board-5-ferramentas-para-visualizar-suas-ideias https://br.hubspot.com/blog/marketing/como-criar-um-mood-board-5-ferramentas-para-visualizar-suas-ideias Acesse o Podcast 4 em módulos Acesse o Podcast 5 em módulos Depois de ter o material produzido, deve-se esco- lher as plataformas para divulgação do conteúdo elaborado, como o site da organização, redes sociais, vídeos, impressão, marketing direto, ce- lular, newsletter, parceiros, influentes na área e ainda canais pagos (CAIN, 2013; THE CONTENT COUNCIL, 2016). Deve-se apresentar um conteúdo de qualidade, que corresponda às necessidades e adicione va- lor para os consumidores (RUFFOLO, 2017), que possa direcioná-los para as compras (CAIN, 2013). É interessante que a comunicação permita uma maior interação, possibilitando a conversão dos visitantes em possíveis clientes ou divulgadores da marca como mídia ganhada. Para que isso ocorra, pode-se fazer o uso de imagens; de botões de ação (call to action - CTA), que incentivam o leitor a fazer algo dentro da página do site, por exemplo; o uso de um design responsivo, para que o conteúdo seja exibido em qualquer dispositivo, como tablets, celulares. 27 https://famonline.instructure.com/files/99154/download?download_frd=1 Por fim, para o controle e análise do engajamento gerado pelo conteúdo, indicadores devem ser cria- dos, por exemplo, análise do tempo de visitação do site, pontos mais observados, locais mais clica- dos, análise do perfil das pessoas que acessam o conteúdo, etc. Tendo em mente que os conteúdos devem ser ajustados, caso o engajamento não seja suficiente ou o objetivo não seja alcançado. 28 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final. Aqui tivemos a oportunidade de perceber a importância do conteúdo para a área de marketing, o quão relevante pode ser a criação de conteúdos que engajem os clientes, permitindo o desenvolvimento do relacionamento entre esses clientes e a empresa. Atente-se para as mudanças do mercado, o de- senvolvimento da mídia digital e as mudanças no comportamento dos consumidores. Reflita sobre a aplicação do inbound e outbound marketing nos diversos setores do mercado e seus efeitos para as estratégias empresarias. Esteja atento para a composição visual e adequa- ção verbal do seu conteúdo. Essas características são importantes para que seu conteúdo seja mais assertivo, ou seja, que consiga ser relevante para o maior número possível de pessoas. Siga as etapas indicadas para a criação do con- teúdo de marketing e busque sempre adequar suas estratégias para as necessidades e desejos dos seus clientes. O marketing de conteúdo vem sendo amplamente utilizado pelas empresas e vem radicalizando o modo como as empresas se comunicam com seus públicos. 29 Referências Bibliográficas & Consultadas ASSAD, N. Marketing de conteúdo: como fazer sua empresa decolar no meio digital. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2016. CAIN, K. It Takes a Content Factory: A Guide to Creating and Delivering the Content Your Company Needs to Attract and Retain Great Customers. Boston, OpenView Venture Partners, 2013. DU PIN, S. G. C. A publicidade na sociedade da informação. O despertar de novos formatos e linguagens. In: Trabalho apresentado ao GT de História da Publicidade e da Comunicação Institucional, integrante do 10º Encontro Nacional de História da Mídia. Rio de Janeiro, 2015. KARTAJAYA, H.; KOTLER, P.; SETIAWAN, I. Marketing 3�0: As forças que estão definindo o novo Marketing centrado no ser humano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. NERY, João Elias. On ou off: o profissional de publicidade na era digital. 2013. 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