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SP 1.1 Pericardite NCS7 Gabriella Faria Visão Geral Sintomas Diagnóstico Tratamento Ciclo Cardíaco O Pericárdio Vascularização e Inervação do Pericárdio Dor Torácica ÍNDICE TUTORIA - PERICARDITE 9 10 11 12 16 LAB/MORFO TBL REFERÊNCIAS 1 1 2 3 8 2 3 4 Gabriella Faria Definição Geral Classificação Fisiopatologia e Causas 1 PERICARDITE - VISÃO GERAL A pericardite é a inflamação do pericárdio (estrutura sacular flexível de camada dupla que envolve o coração). Esse processo inflamatório do pericárdio tem múltiplas causas e se apresenta tanto como doença primária quanto secundária. As reações inflamatórias do pericárdio podem manifestar-se de forma aguda, subaguda e crônica, e 85% a 90% dos casos de pericardite aguda são de etiologia viral e autolimitada. O pericárdio envolve o coração e os vasos da base, sendo responsável por: restrição diastólica dos ventrículos proteção mecânica do coração diminuição do atrito durante as contrações cardíacas. Infecciosas Viral (cocksackie, herpes, enterovírus, CMV, HIV, EBV, varicela, rubéola, influenza, etc.) Entre as infecções pericárdicas, a pericardite viral é a mais comum e seu processo inflamatório deve-se à ação direta do vírus ou a uma resposta imune. Bacteriana (pneumococo, meningococo, hemophilus, chlamydia, micobactérias, micoplasma, leptospira, etc) A pericardite bacteriana manifesta-se geralmente com derrame pericárdico Fúngica (cândida, histoplasma) Parasitária (toxoplasma, entamoeba hystolitica, etc) A patogênese da pericardite pode estar ligada a diversas causas: Doenças autoimunes: Lupus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, febre reumática, esclerodermia, espondilite anquilosante, esclerose sistêmica, dermatomiosite, periarterite nodosa, polimiosite, poliarterite nodosa, púrpura trombocitopênica, síndrome pós-cardiotomia e pós-infarto do miocárdio, dentre outras. Doenças de órgãos adjacentes: Miocardites, infarto do miocárdio, dissecção aórtica, infarto pulmonar, pneumonia, empiema, doenças do esôfago, hidropericárdio na IC, síndromes paraneoplásicas. Doenças metabólicas: Insuficiência renal (uremia), diálise, mixedema, doença de Addison, cetoacidose diabética. Neoplasias Primárias: mesotelioma, sarcoma, fibroma, lipoma e outros. Secundárias: neoplasias de pulmão, mama, estômago e cólon, leucemia e linfoma, melanoma, sarcoma, dentre outras. Trauma Direto: ferimento penetrante de tórax, perfuração de esôfago, corpo estranho. Indireto: trauma de tórax não penetrante, irradiação mediastinal. Outras situações ou síndromes: Síndromes de injúria pericárdica e miocárdica, doença inflamatória de Bowel, síndrome de Loffler, sindrome de Stevens-Johnson, aortite de células gigantes, síndrome eosinofílica, pancreatite aguda, gravidez, dentre outras. Idiopática 1 Sinais e Sintomas Gerais Características da Dor Torácica na Pericardite Atrito Pericárdico Em síntese... Os sintomas podem apresentar-se de forma aguda ou insidiosa. A intensidade das manifestações clínicas depende da gravidade da patologia causadora. As pericardites virais e bacterianas apresentam quadro clínico bastante sintomático A pericardite tuberculosa ou urêmica pode evoluir de forma assintomática. A suspeita diagnóstica baseia-se nos sintomas de início súbito ou na piora destes após um período prodrômico insidioso. Com frequência, os pacientes relatam: Indisposição Fraqueza Ansiedade Palidez Febre (normalmente Intensifica-se pela posição supina e pelo decúbito dorsal e diminui quando o indivíduo senta-se com o tronco inclinado para a frente. A presença de atrito pericárdico, audível em 60% a 85% dos casos, é praticamente patognomônica da presença de inflamação pericárdica. O atrito ocorre pela fricção entre o pericárdio visceral e o parietal, sendo característica da inflamação pericárdica aguda, embora possa ser audível nas formas subaguda e crônica da doença. É definido como um ruído estridente e superficial, mais audível no mesocárdio e bordo esternal esquerdo, variando de intensidade aos movimentos respiratórios, sendo mais audível ao final da inspiração. A constatação do atrito pericárdico define o diagnóstico de pericardite, embora a ausência não descarte a presença da doença. Pode irradiar para o pescoço, para as costas, para o ombro esquerdo e, mais raramente, para o braço esquerdo e o epigástrio, Dor na região do músculo trapézio à esquerda devida ao comprometimento do nervo frênico é considerada patognomônica de irritação pericárdica. Clínico Marcadores Pericardite Aguda Síndrome febril Dor torácica Pode variar com a respiração ou posição do tórax. Variação na intensidade e duração. Atrito pericárdico. Pode compreender de um a três tempos. Pode ser transitório. Possíveis complicações: Associação com miocardite: Suspeitada na presença de exame clínico de disfunção ventricular aguda. Tamponamento Cardíaco O saco pericárdico contém uma pequena quantidade de líquido (30 a 50 ml) que envolve o coração. (Há conflitos entre fontes em relação a essa quantidade!) Desenvolvimento do tamponamento cardíaco: Acumulação significativa de líquido além da capacidade de distensão do tecido pericárdico. Progressiva compressão das câmaras cardíacas. Redução do volume de enchimento cardíaco. Maior interdependência ventricular. Tipos de tamponamento cardíaco: Agudo: ocorre em minutos devido a trauma, ruptura cardíaca, complicações de procedimentos diagnósticos ou terapêuticos. Subagudo: ocorre entre dias e semanas, podendo estar associado com dispneia e fadiga. Baixa pressão (oculto): em pacientes hipovolêmicos, com redução da pressão intracardíaca. Regional: compressão regional em uma única câmara devido a um derrame localizado ou hematoma. Diagnóstico clínico: Baseado na história e no exame físico. Sinais incluem taquicardia, pressão venosa elevada, hipotensão arterial e pulso arterial paradoxal. Pericardite Constritiva Frequentemente associada a um paciente sintomático com: Dispneia de esforço e/ou fadiga Disfunção diastólica Presença de ascite desproporcional ao edema de membros inferiores. No pulso venoso jugular observamos colapso “Y” proeminente e sinal de Kussmaul. No pulso arterial podemos encontrar a presença de pulso paradoxal em um terço dos casos. Formas transitórias de pericardites efusivas constritivas (constrição sem importante espessamento do pericárdio parietal, geralmente associada a derrame) podem acontecer no contexto da pericardite aguda, frequentemente associada a tuberculose, neoplasias malignas e hemopericárdio. PERICARDITE - DIAGNÓSTICO 3 Marcadores de necrose miocárdica: Mais frequente a elevação de troponina I (TnI) do que de CKMB, uma vez que esta pode estar elevada em decorrência da miosite periférica por infecções virais. A elevação da TnI é marcador de comprometimento miocárdico associado (miopericardite). Marcadores de atividade inflamatória Marcadores de atividade inflamatória de fase aguda VHS Leucocitose Proteína C reativa (PCR) Encontram-se elevados em aproximadamente 75% dos pacientes A ausência desses marcadores na avaliação inicial de pacientes e não afasta o diagnóstico, principalmente nos que estão em uso de anti-inflamatórios não hormonais ou com comprometimentoimunológico. Tendem a normalizar ao fim de duas semanas, sendo que valores persistentemente elevados indicam a necessidade de terapêutica anti-inflamatória prolongada e maior risco de recorrência da pericardite. A dosagem seriada de PCR é útil para o diagnóstico e avaliação de resposta ao tratamento da pericardite aguda. BNP / NT-proBNP Os níveis de peptídeo natriurético atrial do tipo B (BNP) e da fração N-terminal do BNP (NT-proBNP) podem estar elevados em doenças pericárdicas. No entanto, não há evidências suficientes que justifiquem seu uso rotineiro para o diagnóstico de pericardite aguda. Marcadores do diagnóstico etiológico Dosagem de hormônios tireoidianos Provas reumatológicas (como Fator Antinuclear - FAN e Fator Reumatóide - FR) Função renal Hemoculturas (na suspeita de infecção bacteriana). A pesquisa viral através de sorologia em sangue não deve ser realizada, pois não possui correlação com os achados no pericárdio. Análise histológica e imuno-histoquímica do pericárdio e do líquido pericárdico para avaliação de tuberculose (dosagem de adenosina deaminase), neoplasia, pesquisa viral e de outros fatores pode aumentar a chance de diagnóstico etiológico de forma significativa -> fazer quando houver derrame pericárdico volumoso. Imunocomprometimento -> Em pessoas com AIDS, várias infecções, incluindo a tuberculose e a aspergilose, podem resultar em pericardite. Abafamento de bulhas Taquicardia Hipotensão Pulso Paradoxal Turgência Jugular RX de tórax Ressonância Magnética Tomografia Computadorizada PERICARDITE - DIAGNÓSTICO 4 Normal na maioria dos casos. Cardiomegalia só ocorre com mais de 200 ml de fluido no saco pericárdico. Aumento progressivo do derrame pericárdico resulta em formato globular da silhueta cardíaca na radiografia de tórax. Sensibilidade moderada (70%) e baixa especificidade para detecção de derrame pericárdico. Desafios: Pericardite pode não ser acompanhada por derrame pericárdico em grande parte das vezes, não há outras alterações específicas na radiografia para diagnóstico de pericardite. Presença de calcificação do pericárdio pode sugerir fortemente pericardite constritiva em pacientes com insuficiência cardíaca. A RM está indicada na avaliação diagnóstica das pericardites aguda e crônica. Ela permite quantificar o grau de espessamento pericárdico e o volume do derrame pericárdico, e se distingue por permitir a identificação dos sinais sugestivos de injúria inflamatória miopericárdica através da técnica do realce tardio. Possíveis achados: Pericárdio uniformemente espessado. Derrame pericárdico. Pode ser loculado, com septações.i. Presença eventual de gás associada a microrganismos.ii. Os septos podem captar contraste.iii. Transudatos têm baixa densidade. Exsudatos, hemorragias e neoplasias têm densidade diferente. Realce precoce após contraste venoso. Pericardite constritiva: Identificação de espessamento pericárdico e calcificações. Espessura normal do pericárdio: menos que 2 mm. Espessamento pode ser difuso ou localizado. Pericardite neoplásica: Derrame pericárdico e espessamento dos folhetos. Identificação de massas no pericárdio ou infiltração de tecidos adjacentes. Comprometimento das bordas ventriculares e septos espessados. Possibilidade de áreas captantes de contraste. Pericardiocentese e BiópsiaEcocardiograma PERICARDITE - DIAGNÓSTICO 5 Indicações da pericardiocentese: Quadro clínico de tamponamento pericárdico. Suspeita clínica de hemopericárdio pós trauma, pericardite bacteriana ou neoplásica. Derrames pericárdicos importantes assintomáticos (mais de 20 mm ao ecocardiograma na diástole) para avaliação diagnóstica e prevenção de evolução para tamponamento pericárdico súbito. Procedimento: Pode ser realizado à beira do leito ou na hemodinâmica com radioscopia. Via de acesso: transtorácica, mediana ou subxifoide. Guiada por eletrocardiograrfia ou outro método de imagem. O líquido puncionado é encaminhado para análise citológica, cultura, pesquisa de células neoplásicas e viral por PCR, dosagem de adenosina deaminase, conforme suspeita etiológica. Técnicas de biópsia pericárdica: Realizada através de pericardioscopia, auxiliando na melhora da acurácia diagnóstica. Análise histológica, imunohistoquímica e pesquisa viral para estabelecimento diagnóstico. Fluxograma de abordagem no derrame pericárdico: O ecocardiograma é o método diagnóstico mais utilizado para detecção de derrame pericárdico, porém limitado para volumes superiores a 15 ml. A presença de líquido pericárdico é identificada pelo aparecimento de espaço livre de ecos entre a parede anterior do ventrículo esquerdo e a parede torácica, e entre a parede posterior do ventrículo esquerdo e o pericárdio posterior, no corte paraesternal (eixo longitudinal). A soma dos espaços livres de ecos anterior e posterior durante a diástole define a presença de derrame pericárdico, além de possibilitar a quantificação do volume da efusão (discreto, moderado e severo). O derrame pericárdico pode ser classificado como: difuso (distribuição circunferencial) discretos (1 a 9 mm) moderados (10 a 19 mm) severos (> 20 mm), com base no cálculo da soma dos espaços pericárdicos livres de ecos das paredes anterior e posterior. localizado (distribuição regional, ventrículo direito, ventrículo esquerdo, átrio direito, parede anterior, parede posterior, parede póstero-lateral). discretos ( 10 mm) de acordo com o tamanho do espaço pericárdico livre de ecos no segmento envolvido. Seroso -> estéril, fluido, amarelo citrino doenças inflamatórias não infecciosas, derrame seroso estéril Fibrinoso/Serofibrinoso -> amarelo citrino + exsudato fibrinoso IAM, uremia, trauma, irradiação no tórax, febre reumática Supurativo -> presença de pus e sintomas sistêmicos infecção ativa no espaço pericárdico Constritiva -> consequência da supurativa, causada pela cicatrização que limita a expansão diastólica Hemorrágica -> sangue + derrame fibrinoso/supurativo disseminação neoplásica, infecções e cirurgias Caseosa -> tuberculosa LÍ Q U ID O S ECG As alterações eletrocardiográficas da pericardite são amplas e acontecem nos segmentos PR, segmento ST e no ritmo, variando de acordo com a fase da pericardite. O ECG pode ser normal em uma minoria dos casos. Na pericardite aguda, as alterações eletrocardiográficas acontecem em quatro estágios: Estágio I: supradesnível do segmento ST côncavo e difuso, exceto em aVR e V1, onde ocorre infradesnível; onda T apiculada, com leve aumento da amplitude; infradesnível do segmento PR (exceto em aVR, aonde ocorre supradesnível). -> Essas alterações acontecem em mais de 80% dos casos. Estágio II: normalização do segmento ST e PR, além do achatamento da onda T. Estágio III: inversão da onda T difusa, simulando isquemia miocárdica. Estágio IV: Retorno à normalidade da onda T. Pode ocorrer semanas ou meses após o evento inicial. PERICARDITE - DIAGNÓSTICO 6 Alterações do ritmo podem ocorrer em qualquer estágio e variam de taquicardia sinusal até arritmias atriais diversas. Baixa amplitude do QRS acontece na presença de derrame pericárdico, que melhora após pericardiocentese. A alternância na morfologia ou amplitude do QRS está associada à pericardite com derrame pericárdico volumoso e sinais de tamponamento cardíaco. Os principais diagnósticos diferenciais das alterações eletrocardiográficas são infarto agudo do miocárdio, tromboembolismo pulmonar, áreas discinéticas e repolarização precoce. O diagnóstico de pericardite ocorre quando a razão ST/T é igual ou maior que 0,25. Na pericardite crônica observam-se predominantemente ondas T invertidas e baixa amplitude do QRS. Diagnóstico Diferencial Análise Histológica PERICARDITE - DIAGNÓSTICO 7 Quadro histológico das pericardites: Etiologia mais frequente: tuberculose. Possíveis causas virais autolimitadas. Proliferação exuberante de células mesoteliais em casos acentuados, exigindo diferenciação com infiltração neoplásica por imunohistoquímica.Tipos de pericardite e seus achados histológicos: Pericardite fibrinosa: edema, infiltrado inflamatório discreto, fibrina na superfície. Pericardite fibrino-purulenta: infiltrado neutrofílico, abscessos, presença de agente etiológico. Pericardite crônica inespecífica: infiltrado linfo-histiocitário, fibrose variável. Pericardite hemorrágica: associada a pericardites agudas, com componente hemorrágico expressivo. Pericardite granulomatosa: necrose caseosa na tuberculose, possível evolução para pericardite constritiva. Pericardite constritiva: espessamento fibroso, aderências entre folhetos, possível calcificação. Pericardite pós-infarto do miocárdio e síndrome de Dressler: histologia de pericardite crônica inespecífica. Em síntese Anti-inflamatórios não hormonais (AINH) e colchicina: Principais medicamentos para pericardites idiopática e viral. Objetivo: alívio da dor e resolução do processo inflamatório. Doses recomendadas de AINH: AAS, ibuprofeno, indometacina. Tempo de tratamento em torno de 14 dias, guiado pelos níveis séricos da PCRT. Colchicina eficaz como terapia adjuvante para alívio da dor e prevenção da recorrência. Imunossupressão: Há controvérsias sobre seu uso. Indicado em casos de ausência de resposta a outros medicamentos ou em certas condições específicas, mas há riscos. Antiviral: Diversos esquemas estão sendo estudados para diferentes agentes virais. Faltam evidências para definir a eficácia PERICARDITE - TRATAMENTO 8 Tratamento cirúrgico das afecções pericárdicas: Síndrome de constrição pericárdica tratada pela excisão do pericárdio. Procedimento realizado geralmente por esternotomia mediana, com possível uso de circulação extracorpórea. Objetivo é liberar os ventrículos do pericárdio densamente aderido, com cuidado próximo aos vasos coronarianos. Ressecção completa do pericárdio pode não ser viável em todos os casos, especialmente em pericardite constritiva induzida por radiação. Mortalidade operatória relatada até 10-20%, com sobrevida a longo prazo menor em pacientes com cirurgia cardíaca prévia e pericardite constritiva induzida por radiação. Hospitalização e tratamento inicial: Desejável -> determinação da etiologia e observação de sinais de tamponamento. Iniciar com anti-inflamatórios não hormonais (AINE) e tratamento sintomático. Colchicina é fortemente recomendada! AINH, como ibuprofeno, são preferidos devido a raros efeitos colaterais. Tratamento com corticosteroides sistêmicos restrito a doenças específicas. Aplicação intrapericárdica de corticosteroides pode ser altamente eficaz e evita efeitos colaterais sistêmicos. Tratamento no tamponamento cardíaco: Consiste na drenagem do líquido pericárdico (pericardiocentese) para reduzir a pressão intrapericárdica e melhorar a hemodinâmica. Estabilização inicial da hemodinâmica pode envolver infusão rápida de cristaloide e uso de aminas ou atropina em casos de bradicardia. Drenagem pode ser feita por punção percutânea com cateter de drenagem, drenagem cirúrgica aberta ou pericardioscopia assistida por vídeo. Ecocardiografia guiando a pericardiocentese por cateter ajuda a reduzir complicações e aumentar o sucesso. O pericárdio é dividido em fibroso e seroso. O SEROSO é composto por dois folhetos: Pericárdio visceral1. Camada de células mesoteliais associada a fibras de colágeno e elastina que estão aderidas à superfície do epicárdio Pericárdio parietal2. É fibroso, tem cerca de 2 mm de espessura em indivíduos normais e envolve a maior parte do coração. O pericárdio parietal é, em grande parte, acelular e contém fibras de colágeno e elastina, sendo o colágeno o principal componente estrutural. Espaço pericárdico: localizado entre as camadas visceral e parietal, contém até 50 mL de líquido seroso. Seios: O pericárdio envolve o coração e os vasos da base, sendo responsável por: Restrição diastólica dos ventrículos propriedades mecânicas do tecido pericárdico limitam o enchimento cardíaco contribuição para transmitir a pressão de enchimento intracavitário das câmaras cardíacas adjacentes Manutenção da posição e proteção mecânica do coração Lubrificação -> diminuição do atrito durante as contrações cardíacas. Barreira à infecção Enervação com receptores sensoriais Secreção de substâncias moduladoras Funções Pericardite Folhetos e Seios Derrame Pericárdico Coração Normal Derrame Pericárdico Acúmulo de líquidoPericárdio Tamponamento Cardíaco O PERICÁRDIO 9 Inflamação do pericárdio. Acúmulo de líquido no pericárdio (na cavidade pericárdica!!!). O líquido pode ser: seroso (às vezes, com filamentos de fibrina), serossanguinolento, hemorrágico, purulento ou quiloso. O tamponamento cardíaco ocorre a partir da pressão exercida no coração pelo sangue ou líquido que se acumula no pericárdio. Esse excesso de pressão interfere na capacidade do coração de bombear sangue. O pericárdio tem papel passivo nas doenças cardíacas: aumento do efeito restritivo em condições de rápida dilatação cardíaca, como no infarto do miocárdio, embolia pulmonar aguda e regurgitação mitral subaguda O pericárdio se adapta em situações de dilatação cardíaca crônica: realiza aumento da própria complacência para acomodar os aumentos crônicos do volume cardíaco, como na cardiomiopatia dilatada ou doença valvar regurgitante e em derrames pericárdicos de grande volume. Vascularização Inervação Ligamentos VASCULARIZAÇÃO E INERVAÇÃO DO PERICÁRDIO A irrigação arterial do pericárdio provém principalmente de um ramo fino da artéria torácica interna, a artéria pericardicofrênica, que não raro acompanha o nervo frênico, ou pelo menos segue paralelamente a ele, até o diafragma. Contribuições menores de sangue provêm da(s): Artéria musculofrênica (um ramo terminal da artéria torácica interna) 1. Artérias bronquial, esofágica e frênica superior, (ramos da parte torácica da aorta) 2. Artérias coronárias (apenas a lâmina visceral do pericárdio seroso), os primeiros ramos da aorta. 3. A drenagem venosa do pericárdio é feita anteriormente pelos troncos braquiocefálicos venosos e posteriormente pelo sistema ázigos. Veja: Veias pericardicofrênicas, tributárias das veias braquiocefálicas (ou torácicas internas); 1. Tributárias variáveis do sistema venoso ázigo.2. 10 A inervação do pericárdio provém dos: Nervos frênicos dão fibras sensitivas que controlam a sensação da dor estão incrustados no pericárdio parietal, sendo vulneráveis à lesão durante cirurgia do pericárdio Nervos vagos Troncos simpáticos levam fibras vasomotoras. Mecanorreceptores sensíveis à distensão detectam alterações de tensão e volume cardíacos e podem ser responsáveis pela transmissão da dor pericárdica. Ligamento esterno- pericárdico superior Ligamento esterno- pericárdico inferior Ligamento frênico- pericárdico direito Ligamento esterno-pericárdico (liga o pericárdio ao esterno) Superior: do pericárdio fibroso ao manúbrio do esterno Inferior: do pericárdio fibroso ao processo xifóide Ligamento frênico-pericárdico (liga o pericárdio ao diafragma) Anterior Direito Ligamento frênico- pericárdico anterior OBS.: O pericárdio seroso visceral é inervado pelo plexo cardiaco PericarditeDor torácica A pericardite quase sempre é secundária, resultando de alguma infecção (principalmente viral, mas podendo envolver outros agentes. Causas mais comuns: Infecções, IAM, cirurgia cardíaca, radiação do mediastino, doenças em órgãos adjacentes Causas menos comuns: Febre reumática Lupus (LES) Tumopres malignos metastáticos A pericardite primária muito incomum! A uremia é um distúrbio sistêmico que mais comumente se associa à pericardite Vamos relembrar os aspectos: Aguda viral ou urêmica -> purulenta, exsudativa -> com fibrinogênio, dando aspecto irregular ao pericárdio Aguda bacteriana -> exsudato fibrinopurulente com áreas de pus evidente. Na tuberculose, pode haver caseificação Crônica -> pode estar associada a aderências delicadas ou a cicatrizes fibrosas densas que acabam ocupando o espaço pericárdico Primeiro passo é identificar se a dor é cardíacaou não! DOR TORÁCICA 11 TRIAGEM (o que estiver em NEGRITO, pede SEMPRE!) Dímero D Troponinas (I e T) T -> 2 a 5h após o início da dor I -> 4 a 6h após o início da dor CK-MB Lactato Mioglobina LDH ECG Raio X de tórax Ultrassonografia Angiotomografia Ecocardiograma Enzimas pancreáticas Endoscopia digestiva TRATAMENTOS PARA OS DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Síndrome coronariana aguda Morfina IV Oxigênio se a saturação estiver trombolíticos ou angioplastia, dependendo do caso Embolia Pulmonar Heparina não fracionada 80UI/kg, depois 50-200ug/kg/min Estreptoquinase 250mil U EV em 40 min, depois 100mil U/h em bomba de infusão por 24h Dissecção de Aorta Betabloqueador: esmolol -> 500ugkg e depois 50- 200ug/kgmin Nitroprussiato de sódio 0,5 a 3ug/kg/min -> não usar sem betabloqueador! Morfina IV Potenciais de Ação Fluxo de Sangue Músculo Cardíaco CICLO CARDÍACO 12 Músculo Atrial e Músculo Ventricular se contraem como músculos esqueléticos Fibras excitatórias e Fibras condutoras fazem contrações fracas, mas produzem descargas elétricas rítmicas automáticas, na forma de potenciais de ação, ou conduzem o estímulo pelo coração. Com essas fibras com potenciais de ação, se forma o sistema excitatório que controla o ritmo dos batimentos cardíacos. HISTOLOGIA Músculo cardíaco é estriado Contém miofibrilas típicas com filamentos de actina e miosina. Os filamentos deslizam durante as contrações Possui discos intercalados que separam as células miocárdicas e, em cada um, as membranas celulares se fundem entre si formando junções comunicantes permeáveis. Dessa forma, há rápida difusão dos íons, permitindo que os potenciais de ação se propaguem com mais facilidade. Isso forma sincícios: atrial e ventricular. Os átrios são separados dos ventrículos por tecido fibrosa que circunda as aberturas das valvas atrioventriculares. Normalmente os potenciais de ação não atravessam esse tecido, e acabam sendo conduzidos por um sistema especializado de fibras de condução, chamado feixe AV. DISCOS INTERCALADOS Após o potencial de ação inicial (em ponta = spike), a membrana fica despolarizada por 0,2 segundos, exibindo um platô. Após esse platô, ocorre repolarização abrupta. No músculo cardíaco, o potencial de ação é originado pela abertura de canais de 2 tipos: Canais rápidos de sódio = ativados por voltagem Iguais dos músculos esqueléticos Canais de cálcio do tipo L (lentos) = referidos também como canais de cálcio-sódio. São mais lentos para abrir e ficam abertos por mais tempo. Nesse tempo, muitos íons de cálcio e de sódio penetram nas fibras miocárdicas por meio desses canais, criando um prolongado período de despolarização, gerando o PLATÔ. Os íons cálcio que entram durante a fase do platô ativam a contração muscular. Imediatamente após o início do potencial de ação, a permeabilidade da membrana celular do miocárdio para íons de potássio diminui, impedindo o aumento de carga positiva e impedindo o retorno rápido do potencial de ação para os níveis basais. Quando os canais de cálcio-sódio se fecham (após 0,2s aprox), cessa o influxo de cálcio e de sódio, aumentando a permeabilidade aos íons potássio, repolarizando a membrana e retornando ao repouso, encerrando o potencial de ação. Fases do Potencial de Ação Fase 0 -> DESPOLARIZAÇÃO Os canais rápidos de sódio abrem Potencial de membrana fica mais positivo. Camaos rápidos de sódio (voltagem) se abrem e permitem que o sódio entre na célula e despolarize. +20 milivolts antes de fechar os canais de sódio Fase 1 -> DESPOLARIZAÇÃO INICIAL Os canais de sódio se fecham A célula começa a repolarizar Canais rápidos de potássio abrem Potássio sai da célula Fase 2 -> PLATÔ Canais de cálcio abrem Canais rápidos de potássio fecham Breve repolarização inicial, e depois o potencial alcança um platô, pois há: Maior permeabilidade de cálcio Redução da permeabilidade de potássio Fase 3 -> POLARIZAÇÃO RÁPIDA Canais de cálcio fecham Canais lentos de potássio abrem Isso tudo permite que o potássio saia rapidamente da célula, dando fim ao platô e retornando o potencial ao repouso. Fase 4 -> POTENCIAL DE MEMBRANA EM REPOUSO - 90 milivolts CICLO CARDÍACO 13 O músculo cardíaco começa a se contrair poucos milissegundos após o início do potencial de ação começar e continua a se contrair alguns milissegundos após o final desse potencial de ação. Propriedades Cronotropismo = Frequência cardíaca Inotropismo = Contração cardíaca Dromotropísmo = Condução cardíaca Os átrios funcionam como uma pré-bomba para os ventrículos. Os ventrículos se enchem de sangue na diástole Eventos do Ciclo Cardíaco CICLO CARDÍACO 14 Diástole -> relaxamento Coração enche de sangue Sístole -> contração NO ECG Onda P -> Despolarização Atrial Seguido pela contração atrial, que aumenta a pressão atrial Complexo QRS -> Despolarização Ventricular Pressão ventricular aumenta QRS começa um pouco antes da sístole ventricular Onda T -> Repolarização Ventricular Fibras musculares relaxam Surge um pouco antes do final da contração ventricular Bulhas Fisiológicas Bulhas Adicionais CICLO CARDÍACO 15 B1 Fechamento valvas mitral e tricúspide Mais grave Duração > B2 Coincide com ictus cordis e pulso carotídeo Mitral antecede tricúspide B2 Fechamento das valvas aórtica e pulmonar (semilunares) Aórtica antecede pulmonar Desdobramento fisiológico: inspiração (maior retorno venoso à mais sangue no lado direito à prolonga o tempo de ejeção ventricular à atrasa o fechamento da v. pulmonar) B3 Som transitório de baixa frequência (protodiastólico) Utilizar a campânula do estetoscópio Posição DLE e campânulano ictus–VE BED ou região subxifóide–VD Ocorre na fase de enchimento rápido ventricular (ambos) Limitação do movimento de expansão longitudinal da parede ventricular (vibração na parede distendida) Forte marcador de disfunção sistólica do VE Ritmo de galope Normal em crianças e adultos jovens (nastaquicardias) B4 Som transitóriode baixa frequência Utilizar a campânula do estetoscópio Posição DLE e campânulano ictus–VE BED ou região subxifóide–VD Ocorre na fase de contração atrial –pré-sistólico Ocorre por vibrações da parede ventricular secundárias à expansão volumétrica dessa cavidade (choque do sangue da contração do átrio contra o ventrículo rígido, tentando enchê-lo) Marcador de redução da complacência ventricular Livros Serrano Jr., C. V., Timerman, A., Stefanini, E. (Eds.). (2009). Tratado de Cardiologia SOCESP (2ª ed.). Barueri, SP: Manole. Elsevier. (Ed.). (2020). Raunwald - Tratado de Doenças Cardiovasculares (10ª ed.). Sociedade Brasileira de Cardiologia. (Eds.). (Year). Diretrizes de Cardiologia. Townsend, C., & Beauchamp, R. (Eds.). (2022). Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo: Sabiston Textbook of Surgery (20ª ed.). HALL, John E.; HALL, Michael E. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 14 Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021, 1121 p. Artigos I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites. Volume 100, N° 4, Suplemento 1, Abril 2013 I Diretriz de Dor Torácica na Sala de Emergência. Arq Bras Cardiol volume 79, (suplemento II), 2002 Chiabrando, J.G., Bonaventura, A., Vecchié, A., Wohlford, G.F., Mauro, A.G., Jordan, J.H., Grizzard, J.D., Montecucco, F., Berrocal, D.H., Brucato, A., & Imazio, M. (2020). Management of Acute and Recurrent Pericarditis. 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