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SINTOMAS SOMÁTICOS
Transtorno de Sintomas Somáticos (F45.1)
A. Um ou mais sintomas somáticos que causam sofrimento significativo ou prejudicam a vida diária.
B. Pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos em relação aos sintomas ou à saúde, com pelo menos um dos seguintes:
1. Preocupação exagerada e persistente com a gravidade dos sintomas.
2. Ansiedade excessiva e contínua sobre a saúde ou sintomas.
3. Tempo e energia excessivos dedicados a sintomas ou preocupações com saúde.
C. O estado sintomático é persistente (tipicamente > 6 meses), mesmo que os sintomas variem.
 Especificadores:
· Com dor predominante: Quando a dor é o principal sintoma.
· Persistente: Quando o transtorno tem curso longo, sintomas intensos e prejuízo acentuado.
 Gravidade atual:
· Leve: Apenas 1 dos critérios do item B é atendido.
· Moderada: 2 ou mais critérios do item B atendidos.
· Grave: 2 ou mais critérios do item B atendidos, com várias queixas somáticas ou um sintoma muito grave.
Características Diagnósticas:
· Os sintomas somáticos são reais e angustiantes, mesmo sem explicação médica clara.
· Pode envolver um ou múltiplos sintomas, sendo dor o mais comum.
· Sintomas específicos (ex: dor) ou inespecíficos (ex: fadiga).
· Pode ocorrer com ou sem condição médica real.
· Preocupação intensa com a saúde, medo persistente de doença, mesmo com exames normais.
· Sintomas podem dominar a identidade e as relações do indivíduo.
· Qualidade de vida física e mental frequentemente prejudicada.
Outros aspectos:
· Pode haver uso excessivo de serviços médicos, sem alívio efetivo.
· Tendência a consultar vários médicos.
· Sensibilidade a efeitos colaterais de medicamentos é comum.
· Indivíduos podem sentir que o tratamento foi inadequado.
· O diagnóstico se aplica também a crianças e adolescentes, embora mais estudado em adultos.
Transtorno de Ansiedade de Doença (F45.21)
A. Preocupação em ter ou adquirir uma doença grave.
B. Os sintomas somáticos:
· Não estão presentes ou são leves.
· Se houver outra condição médica real ou alto risco (ex: histórico familiar), a preocupação é claramente excessiva ou desproporcional.
C. Alto nível de ansiedade em relação à saúde, com tendência a se alarmar facilmente com o estado de saúde pessoal.
D. O indivíduo:
· Exibe comportamentos excessivos relacionados à saúde (ex: examinar o corpo repetidamente); OU
· Apresenta evitação desadaptativa (ex: evita médicos e hospitais por medo de receber más notícias).
E. A preocupação está presente por pelo menos 6 meses, mesmo que o foco da doença temida possa mudar nesse período.
F. A preocupação não é melhor explicada por outros transtornos mentais, como:
· Transtorno de Sintomas Somáticos
· Transtorno de Pânico
· Transtorno de Ansiedade Generalizada
· Transtorno Dismórfico Corporal
· TOC
· Transtorno Delirante (tipo somático)
Especificadores:
· Tipo com busca por cuidados: Indivíduo procura médicos, exames ou tratamentos com frequência.
· Tipo com evitação de cuidados: Indivíduo evita cuidados médicos por medo de diagnósticos ruins.
 Características Diagnósticas:
· Corresponde em parte ao que antes era chamado de hipocondria no DSM-IV.
· Cerca de 1/3 dos casos antigos de hipocondria se enquadram neste diagnóstico (os demais são Transtorno de Sintomas Somáticos).
· A angústia não está focada no sintoma físico em si, mas sim no significado desse sintoma (medo de ter uma doença grave).
· Se há algum sintoma presente, geralmente é algo comum ou benigno:
· Ex: tontura leve, zumbido passageiro, desconfortos normais do corpo.
· Mesmo após avaliações médicas e exames normais, o indivíduo continua preocupado e não se tranquiliza.
· A ansiedade sobre a saúde se torna um aspecto central da identidade, impactando:
· Vida social
· Atividades diárias
· Relações familiares e profissionais
· Comportamentos comuns:
· Checar o corpo com frequência (ex: olhar a garganta no espelho)
· Pesquisar doenças constantemente
· Procurar repetidamente a confirmação de médicos, amigos ou familiares
· Pode haver também:
· Evitação de pessoas doentes
· Evitação de exercícios ou situações consideradas de “risco à saúde”
Transtorno de Sintoma Neurológico Funcional (Transtorno de Conversão) – F44.x
 Critérios Diagnósticos (DSM-5)
A. Um ou mais sintomas de função motora ou sensorial alterada (ex: paralisia, cegueira, convulsões, etc.).
B. Os achados clínicos demonstram incompatibilidade entre o(s) sintoma(s) e doenças neurológicas ou médicas conhecidas.
C. O sintoma ou déficit não é melhor explicado por outro transtorno médico ou mental.
D. O sintoma ou déficit causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo social, ocupacional ou funcional, ou justifica avaliação médica.
 Nota de Codificação (CID-10)
A codificação depende do tipo de sintoma:
· F44.4 – Fraqueza ou paralisia
· F44.4 – Movimento anormal (ex: tremor, distonia, mioclonia, distúrbio da marcha)
· F44.4 – Sintomas de deglutição
· F44.4 – Sintomas de fala (ex: disfonia, fala arrastada)
· F44.5 – Ataques ou convulsões
· F44.6 – Anestesia ou perda sensorial
· F44.6 – Sintoma sensorial especial (ex: alteração visual, auditiva ou olfativa)
· F44.7 – Sintomas mistos
Especificadores
· Duração:
· Episódio agudo: sintomas há menos de 6 meses
· Persistente: sintomas por 6 meses ou mais
· Com estressor psicológico: especificar o estressor
· Sem estressor psicológico
Características Diagnósticas
· Pode envolver múltiplos tipos de sintomas neurológicos:
· Motores: fraqueza, paralisia, tremores, distúrbios da marcha, distonia
· Sensoriais: alterações na pele, audição, visão
· Convulsivos: ataques dissociativos, semelhantes a crises epilépticas
· Fala: disfonia, afonia, articulação alterada
· Outros: sensação de "nó na garganta", diplopia (visão dupla)
· Origem do nome: “Conversão” vem da teoria psicanalítica — conflitos psíquicos inconscientes convertidos em sintomas físicos.
Diagnóstico Diferencial: Achados Clínicos Incompatíveis
O diagnóstico é positivo (baseado em incompatibilidades clínicas) e não deve ser feito apenas por exclusão. Exemplos:
 Fraqueza/Paralisia Funcional:
· Sinal de Hoover: força da perna “fraca” retorna ao testar a perna oposta.
· Sinal do abdutor do quadril: força retorna em testes indiretos.
· Diferença entre desempenho deitado e em pé (ex: consegue andar, mas não flexionar o pé na cama).
Tremor Funcional:
· Teste de arrastamento: tremor muda ou desaparece com distração.
· Frequência/direção do tremor variável.
Distonia Funcional:
· Posições corporais fixas e invertidas (ex: punho cerrado, platisma contraído), geralmente com início súbito. 
Crises Funcionais (não epilépticas):
· Fechamento ocular persistente, resistência à abertura dos olhos.
· Movimentos bilaterais com consciência preservada.
· Duração > 5 minutos.
· Eletroencefalograma ictal pode ajudar no diagnóstico (embora não exclua epilepsia).
Fala Funcional:
· Inconsistências na articulação e fonação ao longo da avaliação.
Visão Funcional:
· Campo tubular de visão (túnel visual).
· Teste de nebulização: indivíduo "enxerga" com o olho que supostamente não funciona.
Observações Importantes
· O diagnóstico deve ser feito com base no conjunto clínico, não apenas em um único achado.
· Pode coexistir com condições neurológicas reais (ex: epilepsia, esclerose múltipla).
· O diagnóstico não depende de exames normais ou sintomas “estranhos”.

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