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52 53 5.1 Potencial Elétrico Potencial elétrico de cargas puntiformes Olá! Sejam bem vindos a nossa aula de física III. Executaram as tarefas de acompanhamento recomendadas no final da aula anterior? Caso não tenha feito sugiro que retorne e o faça. Caso tenha feito vamos seguir adiante! Vamos começar relembrando o que vimos na ultima aula. Na última aula nos estudamos o comportamento do campo elétrico criado por uma distribuição continua de carga. Aplicamos a lei de Coulomb na forma integral para determinar o campo elétrico de uma densidade linear de carga. Resolvemos um exemplo de calculo de fluxo de campo elétrico e a partir disso chegamos ao conceito da lei de Gauss e resolvemos facilmente o caso do campo elétrico gerado por uma casca esférica uniformemente carregada. Na aula de hoje. Vamos estudar as particularidades do potencial elétrico e como a partir dele conseguimos calcular o campo elétrico. Energia potencial elétrica A energia potencial elétrica é o tipo de energia que fica armazenada no campo elétrico. A variação dessa energia é igual ao trabalho realizado por uma força para mover uma carga de prova na direção de uma carga fonte. Figura 5.1 No ponto a (Figura 5.1) existe certa quantidade de energia armazenada que é responsável por transportá-la até o infinito caso ela seja abandonada nesse local. O mesmo ocorre se a carga estiver sobre o ponto b. A diferença dessa energia é igual ao trabalho necessário para mover a carga de prova do ponto a para o ponto b e é dada pela equação 5.1 a Q b q 54 WUUU ab (5.1) Onde U é a energia potencial, U é a variação da energia e éW o trabalho realizado pela força elétrica. Se a carga a estiver no infinito a diferença de energia será igual à energia potencial no ponto b ( equação 5.2). . WVUb ( 5.2) Como trabalho é o produto escalar entre a força e o deslocamento, temos: FxddxFdFU cos Como F é a força elétrica d q Q U d d q QQEdU 00 4²4 1 d q V Q U 04 (5.3) A equação 5.3 nos fornece o potencial elétrico gerado por uma carga q em qualquer ponto a uma distancia d. A unidade de medida do potencial elétrico é: )( )( )( Vvolt CCoulomb JJoule Q U V Para o potencial elétrico, também vale o principio da superposição. Assim para uma configuração com duas ou mais cargas, basta calcular o potencial elétrico sobre o ponto é fazer uma soma algébrica dos resultados (equação 5.4). Lembrando, o potencial elétrico é um escalar. i i n i d q V 01 4 (5.4) 55 Exemplo 5.1: A figura 5.2 representa uma configuração de cargas discretas. Calcule o potencial grado no ponto P. Figura 5.1 30 3 20 2 10 1 0 4444 d Q d Q d Q d q V 3 3 2 2 1 1 04 1 d Q d Q d Q V mx Cx mx Cx mx Cx V 2 6 2 6 2 6 0 103 104 105 103 104 102 4 1 m Cx m Cx m Cx C Nm xV 444 9 1033,1106,0105,0 ² ² 1099,8 Vx m Cx C Nm xV 5 4 9 1009,11 1023,1 ² ² 1099,8 Z(cm) 3 Q1=2μC p Q3=4μC Q2=-3μC 4 Y(cm) Resolução: O potencial elétrico no ponto P é dado pela soma algébrica dos potenciais de cada carga sobre aquele ponto. Basta resolver a equação 5.3 para cada carga e depois somar. Note que: A distancia da carga 1 até o ponto P é de 0,04m. A distancia da carga 3 até o ponto P é de 0,03m. A distancia da carga 2 até o ponto P é de 0,05m. 56 Superfícies Equipotenciais. Uma superfície equipotencial pode ser real ou imaginaria (gaussiana). Sobre essa superfície o potencial elétrico é sempre o mesmo. Como vimos na seção anterior o potencial elétrico cai com o inverso da distancia a partir de uma distribuição de carga. Observe a figura 5.3. 5.2 Potencial Elétrico de uma Distribuição Continua de Carga Como vimos, o potencial elétrico de uma distribuição discreta de carga é dada pelo somatório de todos os potenciais individuais. Para uma distribuição continua de carga substituímos a soma discreta por uma integral (equação 5.5) d q V n i 01 4 d dq V 04 d dq V 04 1 d dv V 04 1 (5.5) O potencial elétrico no ponto P3 é maior que nos pontos P1 e P2. Nos pontos P1 e P2 o potencial elétrico possui o mesmo valor. P1 P2 P3 57 A equação 5.5 serve para calcular o potencial gerado por cargas que se distribuem uniformemente pelo volume do material. Notem que substitui o termo dq pelo correspondente da densidade volumétrica de carga. O mesmo pode ser feito com as outras distribuições de carga (linear e superficial). Exemplo 5.2 Calcule o potencial elétrico a uma altura z acima do centro de um disco de plástico de raio R que possui uma densidade de corrente σ depositada sobre a face superior. d da V 04 1 ²² 2 4 1 0 0 rz drr V R Integrando por substituição. zRz rz drr V R ²² 2²²2 0 0 0 Notem que, para utilizar esse método de resolução é simplesmente substituir as variáveis da equação. Resolução: Para esse problema devemos adaptar a equação 5.5 para uma distribuição superficial de carga. Assim temos: drrdadq 2 ²² rzd 58 Esse resultado para o potencial pode ser utilizado para calcular o potencial de qualquer problema desse modelo, basta substituir as variáveis do problema pelos valores atribuído por cada problema em particular. 5.3 Potencial Elétrico a partir do Campo Elétrico Considere uma carga Q sendo deslocada de um ponto inicial (i) para um ponto final (f) em uma região onde o campo elétrico não é uniforme como ilustrado na figura 5.5. Figura 5.5 Neste caso ao trabalho realizado pela força é: sdFdW Substituindo a força elétrica, temos: sdEQdW , assim: sdEQW f i , passando a carga para o primeiro membro: sdEVV Q W f i if , se o potencial no ponto inicial for nulo, temos: sdEV f i (5.6 ) 59 Exemplo 5.4 Considere o resultado do campo elétrico obtido no exemplo 3.3: ²4 0a q E , para pontos externos. OE Para pontos internos. Usando o infinito como referencia determine o potencial elétrico dentro e fora da esfera (figura 5.6). Potencial externo: dr r q V d ²4 1 0 , Aqui substitui a distancia a por r e ds por dr e o raio da esfera porR. Resolvendo essa integral, temos: d r q V 04 1 r q d q V 00 4 1 4 1 , note que esse é o mesmo potencial gerado por uma carga puntiforme. a r d 60 Potencial interno sdEsdEV r R R rdrd r q V r R R 0 ²4 0 R q V 04 , note que o potencial elétrico no interior da esfera é constante. Campo Elétrico a partir do Potencial Na seção anterior, nos vimos que é possível determinar o potencial elétrico se conhecermos o campo elétrico na região. Também é possível determinar o campo elétrico se conhecermos o potencial. Por definição o campo elétrico é igual ao gradiente do potencial elétrico (equação 5.8). z dz dV j dy dV i dx dV VE , em coordenadas retangulares. (5.8) r R 61 Exemplo 5.5 Recupere o campo elétrico do exemplo 4.3 a partir do resultado do potencial encontrado no exemplo 5.4. Resolução: Para determinar o campo elétrico a partir do potencial do exemplo 5.4, devemos escrever o gradiente em coordenadas esféricas. Para pontos externos. d dV rsend dV r r dr dV VE 11 , as componentes e são nulas para esse problema o que nos fornece: r r q r r q dr d r dr dV E ²44 00 c.q.p Para pontos internos 0 4 0 r R q dr d r dr dV E , derivada de constantes é zero. 62 RESUMO: Em uma distribuição de cargas o campo elétrico pode ser calculado a partir do potencial elétrico. O trabalho realizado para mover uma carga elétrica por um campo elétrico pode ser conseguido a partir da diferença de energia entre dois pontos. WUUU ab O potencial elétrico gerado por uma carga discreta é dado por d q V Q U 04 Pra varias cargas puntiformes é valido o principio da superposição Sobre uma superfície equipotencial o potencial elétrico não sofre variação. Para uma distribuição continua de cargas o potencial pode ser determinado pela equação d dv V 04 1 Se o potencial elétrico for conhecido o campo elétrico pode ser determinado calculando o gradiente do potencial. z dz dV j dy dV i dx dV VE Chegamos ao fim de nossa primeira aula. Espero que tenham gostado! Voltaremos nas próximas aulas. Não deixem de: Olha da bibliografia recomendada Acessar os links dos vídeos Responder aos questionamentos no Ava Resolver as atividades propostas: Bons estudos e nos comunicamos na próxima aula! 63 REFERENCIAS: TIPLER, Paul A.; MOSCA, Gene. Física para Cientistas e Engenheiros: Eletricidade e Magnetismo, Óptica. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2009. 556 p. v. 2. HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física: Eletromagnetismo. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. 388 p. v. 3. YOUNG, Hugh D.; FREEDMAN, Roger A. Física III: Eletromagnetismo. 14. ed. São Paulo: Pearson, 2016. 448 p. v. 3. RAMALHO JÚNIOR, Francisco; FERRARO, Nicolau Gilberto; SOARES, Paulo Antônio de Toledo. Os Fundamentos da Física: Eletricidade Introdução à Física Moderna Análise Dimensional. 9. ed. São Paulo: Moderna, 2013. 520 p. v. 3. MACEDO, Annita. Eletromagnetismo. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988. 638 p. NUSSENZVEIG, Herch Moysés. Curso de Física Básica: Eletromagnetismo. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2015. 295 p. v. 3. KNIGHT, Randall D. Física: Uma abordagem estratégica. 2. ed. Rio de Janeiro: Bookman, 2009. 400 p. v. 3. JEWETT JUNIOR, Jonh W.; SERWAY, Raymond A. Física para Cientistas e Engenheiros: Eletricidade e Magnetismo. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2011. 331 p. v. 3. 64