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Exame físico e avaliação do risco
O sucesso do tratamento odontológico em pacientes clinicamente comprometidos depende de uma avaliação
completa do paciente e do risco envolvido. Esta avaliação deve considerar quatro aspectos principais: (1) a
condição de saúde do paciente, incluindo sua gravidade e estabilidade; (2) sua capacidade funcional; (3) seu
estado emocional; e (4) o tipo e a complexidade do procedimento odontológico. Todos esses fatores devem
ser analisados com atenção para garantir a segurança do tratamento.
O cálculo do risco no tratamento odontológico não segue uma fórmula fixa, pois cada caso é único. O dentista
deve avaliar cuidadosamente os benefícios do procedimento que superem os riscos para o paciente. Por
exemplo, um paciente com insuficiência cardíaca pode ter risco mínimo ao fazer apenas radiografias, mas o
risco aumenta significativamente se o procedimento for invasivo e o paciente estiver ansioso. A avaliação
deve considerar o estado físico e emocional do paciente, além da complexidade do tratamento. Essa análise é
baseada na história clínica, exame físico, testes laboratoriais e, se necessário, consulta médica.
O exame físico, junto à história clínica, é essencial para a avaliação completa do paciente odontológico. Ele deve incluir:
1. Avaliação Geral
• Inspeção visual discreta da aparência do paciente: pele, unhas, rosto, olhos, nariz, orelhas e pescoço.
• Pode revelar sinais de doenças sistêmicas (ex.: cianose, icterícia, petéquias, fácies características de síndromes).
2. Sinais vitais
• Pressão arterial e pulso são os mais avaliados.
• A frequência respiratória e a temperatura são verificadas quando necessário.
• Valores anormais podem indicar a necessidade de investigação médica.
3. Exame da Cabeça e Pescoço
• Inclui inspeção/palpação da cavidade bucal, maxilofacial, pescoço e avaliação dos nervos cranianos.
• Verifique alterações glandulares, linfonodos aumentados, cistos, assimetrias, etc.
4. Exames Laboratoriais
• Solicitados para:
o Confirmar doenças suspeitas.
o Triagem de doenças ocultas.
o Obter valores base.
o Perguntas médico-legais.
• Exemplos: glicemia, contagem de plaquetas, função hepática, etc.
5. Consulta Médica
• Indicado quando achados clínicos ou laboratoriais foram desativados, confirmação ou orientação médica.
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• O ideal é que a comunicação seja documentada (fax, carta, registro no prontuário).
Cálculo do Risco
• Individualizado : cada caso deve ser avaliado cuidadosamente, considerando se os benefícios superam os riscos .
• Exemplo : um paciente com insuficiência cardíaca pode realizar um exame radiográfico com baixo risco, mas
uma deficiência dentária extensa pode representar risco elevado, especialmente se você estiver ansioso.
Sistema ASA (Sociedade Americana de Anestesiologistas)
• ASA I : paciente saudável.
• ASA II : doença sistêmica nível.
• ASA III : doença moderada a grave, não incapacitante.
• ASA IV : doença sistêmica grave, ameaça constante à vida.
• Quanto maior a classificação, maior o risco.
Avaliação ABCDE do Risco
• R : Antibióticos, anestesia, ansiedade, alergias.
• B : Sangramento.
• C : Capacidade de permanência na cadeira em posição supina.
• D : Drogas (interações medicamentosas), dispositivos (próteses, stents, marcaspassos).
• E : Equipamentos odontológicos (ex.: ultrassom, eletrocirurgia, etc).
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Odontologia Para Pacientes Com Necessidades Especiais (Pne)
Aprofundamento Conceitual e Clínico
1. Definição Ampliada
A Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais é uma especialidade que oferece cuidados preventivos,
terapêuticos e de reabilitação bucal a indivíduos que, por apresentarem condições sistêmicas, psicológicas, físicas ou
cognitivas, atualizações de modificações no atendimento odontológico convencional .
Segundo a Resolução CFO nº 82/2008 , o paciente com necessidade especial é aquele que "apresenta alterações que
dificultam ou impedem o tratamento odontológico convencional, seja de origem congênita, adquirida, temporária ou
permanente".
2. Classificação dos Pacientes com Necessidades Especiais
A classificação pode ser feita com base na natureza da condição que exige adaptações no atendimento. Entre os
principais grupos, temos:
Deficiências Intelectuais e Transtornos do Neurodesenvolvimento
• Síndrome de Down
• Transtorno do Espectro Autista (TEA)
• Deficiência intelectual de grau leve a profundo
• Transtornos de comportamento severos
Deficiências Físicas ou Motores
• Paralisia cerebral
• Amputações
• Doenças neuromusculares (ex.: distrofia muscular, esclerose múltipla)
Síndromes Genéticas ou Doenças Raras
• Epidermólise bolhosa
• Osteogênese imperfeita
• Esclerose tuberosa
• Fenilcetonúria, entre outras
Condições Médicas Complexas
• Diabetes melito tipo 1 descompensado
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• Cardiopatias congênitas ou adquiridas
• Neoplasias em tratamento
• VIH/SIDA
• Doenças renais, hepáticas ou respiratórias crônicas
Pacientes Geriátricos com Múltiplas Comorbidades
• Doença de Alzheimer, Parkinson
• Fragilidade física, perda de autonomia
Pacientes Institucionalizados ou Acamados
• Necessitam de atendimento domiciliar ou hospitalar
3. Adaptações Necessárias no Atendimento Odontológico
a) Ambientais
• Acessibilidade (rampas, portas largas, elevadores)
• Equipamentos adaptados (cadeiras com apoio extra, estabilizadores)
• Redução de estímulos sensoriais para TEA (luz, ruídos, odores)
b) Técnicas Clínicas
• Abordagem dessensibilizadora para pacientes com medo ou hipersensibilidade
• Uso de protocolos farmacológicos específicos (ex: antibióticos, sedativos)
• Anestesia geral quando o atendimento ambulatorial para inviável
c) Medicamentos e Interações
• Atenção à polifarmácia (especialmente para idosos)
• Risco de interações medicamentosas
• Doenças que alteram hemostasia , imunidade ou cicatrização
4. Desafios Clínicos
• Manutenção da boca livre de infecções em pacientes imunossuprimidos ou transplantados.
• Prevenção de complicações sistêmicas , como endocardite bacteriana.
• Comunicação com pacientes não verbais ou com déficits cognitivos.
• Dificuldade de acesso, tanto física quanto geográfica ou econômica .
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• Adesão ao tratamento por parte dos pacientes e cuidadores.
5. Aspectos Éticos e Legais
• O direito à saúde bucal é garantido pela Constituição e pelo SUS.
• Negar atendimento a um PNE pode configurar discriminação e infração ética .
• O dentista deve manter um prontuário detalhado , com registros das condições clínicas, condutas impostas e
consentimentos contratados.
• Em casos complexos, deve haver comunicação formal com o médico responsável .
6. Formação do Cirurgião-Dentista em PNE
Por que é essencial?
• O Brasil tem milhões de pessoas com deficiências e doenças crônicas que chamam a atenção odontológica
diferenciada.
• A formação do dentista deve incluir:
o Conhecimento técnico-científico sobre condições especiais
o Treinamento em manejo clínico e comportamental
o Capacitação em trabalho interdisciplinar
o Desenvolvimento de empatia, paciência e responsabilidade ética
Nível de atenção:
• Atenção primária: educação em saúde e prevenção.
• Atenção secundária: controle de doenças bucais, restauradoras, cirurgias simples.
• Atenção terciária: procedimentos complexos em ambiente hospitalar.
Objetivos da Odontologia para PNE
1. Atenção integral à saúde bucal.
2. Acesso universal e equânime ao tratamento.
3. Promoção da autonomia e da dignidade do paciente.
4. Educação em saúde para pacientes e cuidadores.
5. Prevenção de agravos sistêmicos a partir do controle da saúde bucal.por: odontocommandi
Considerações Odontológicas na Gravidez e Pós-parto
Apesar de a gestação não ser considerada uma condição médica comprometida, ela exige cuidados específicos
no atendimento odontológico, visando proteger tanto a mãe quanto o feto. O tratamento odontológico de
rotina é geralmente seguro durante a gravidez, mas envolve riscos potenciais como exposição à radiação e
uso de medicamentos. Por isso, o profissional deve sempre ponderar os benefícios e os riscos dos
procedimentos.
No pós-parto, especialmente em mães que amamentam, o uso de medicamentos também deve ser cauteloso,
evitando drogas que possam prejudicar o bebê, mesmo que a transferência pelo leite materno seja mínima.
Durante a gravidez, ocorrem diversas alterações fisiológicas, principalmente endócrinas, cardiovasculares e
respiratórias. Entre elas, destacam-se:
• Aumento do volume sanguíneo e débito cardíaco.
• Queda da pressão arterial no segundo trimestre.
• Risco de síndrome da hipotensão supina pela compressão da veia cava inferior.
• Anemia por diluição sanguínea, exigindo suplementação de ferro e ácido fólico.
• Estado de hipercoagulação, aumentando o risco de trombose.
• Supressão imunológica e aumento da inflamação no pós-parto.
• Alterações respiratórias, como taquipneia e dispneia.
• Desejos alimentares incomuns e maior incidência de náuseas e vômitos, especialmente no primeiro trimestre.
O primeiro trimestre é o mais crítico para a formação fetal, e há maior risco de malformações. Após esse
período, o foco é no crescimento e amadurecimento fetal. A dentição fetal continua vulnerável a agentes
como tetraciclina e radiação.
Complicações na gravidez, como infecções, hipertensão e diabetes gestacional, são mais comuns em mulheres
com menor acesso ao pré-natal ou com hábitos prejudiciais. Essas condições aumentam os riscos para o feto
e exigem atenção odontológica preventiva e segura.
O aborto espontâneo ocorre em cerca de 15% das gestações e, geralmente, não está relacionado ao
tratamento odontológico, desde que não haja exposição a agentes teratogênicos ou hipóxia fetal. Infecções
orais graves, porém, devem ser tratadas imediatamente.
No pós-parto, além das mudanças emocionais (como a depressão), há aumento do risco de doenças
autoimunes. Por isso, o acompanhamento odontológico continua sendo importante nessa fase.
O tratamento odontológico durante a gravidez deve ser guiado por recomendações gerais, adaptadas às necessidades
individuais de cada paciente. O cirurgião-dentista deve realizar uma avaliação médica completa, considerando histórico
de saúde, uso de medicamentos, tabaco, álcool, drogas ilícitas, presença de doenças como hipertensão e diabetes
gestacional, além de episódios de náuseas ou abortos anteriores.
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É recomendável, sempre que possível, contatar o médico ou obstetra da paciente para discutir o plano de
tratamento, especialmente em casos que envolvam prescrição de antibióticos ou analgésicos. Esse contato reforça o
cuidado integrado e transmite segurança à paciente.
A relação entre paciente e dentista deve ser baseada na empatia, confiança e comunicação aberta, o que ajuda a
reduzir o estresse e a ansiedade durante o atendimento.
Monitorar sinais vitais é essencial, incluindo pressão arterial, pulso e frequência respiratória, pois alterações podem
indicar riscos como hipertensão.
Principais cuidados no tratamento odontológico da gestante (Quadro 18-1):
1. Avaliar o trimestre gestacional e o estado geral de saúde.
2. Confirmar acompanhamento pré-natal.
3. Realizar tratamento periodontal e orientar sobre higiene bucal.
4. Educar sobre controle de placa e uso de flúor.
5. Minimizar exposição a radiografias.
6. Usar medicamentos com cautela, priorizando segurança para mãe e feto.
7. Evitar consultas longas para prevenir hipotensão ortostática.
8. O segundo trimestre é o mais seguro para intervenções odontológicas.
Tratamento Odontológico em Gestantes: Pressão Arterial, Prevenção, Momento do Tratamento, Radiografias e Uso
de Drogas
1. Hipertensão na gravidez:
Elevação da pressão sistólica ≥ 140 mmHg ou aumento de ≥ 15 mmHg na pressão diastólica em relação ao pré-
gestacional indicam hipertensão. Pacientes com esses sinais devem ser encaminhadas ao médico para avaliação de pré-
eclâmpsia ou distúrbios cardiovasculares.
2. Programa Preventivo Odontológico:
O principal objetivo é garantir saúde bucal da mãe e reduzir riscos ao bebê:
• Controle de placa eficaz: minimiza inflamações gengivais agravadas por alterações hormonais.
• Doença periodontal materna está associada ao parto prematuro e ao baixo peso ao nascer.
• Redução de cáries no bebê: higiene materna reduz transmissão de Streptococcus mutans ao bebê.
• Técnicas de higiene oral devem ser ensinadas, reforçadas e monitoradas.
• Aconselhamento dietético, com foco na redução de açúcares, deve ser feito.
• Procedimentos como raspagem, polimento e uso de clorexidina 0,12% são indicados.
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• Fluoretação pré-natal com comprimidos de fluoreto (2,2 mg/dia) no 2º e 3º trimestres mostrou-se segura
e eficaz na prevenção de cáries e na redução de partos prematuros.
3. Melhor momento para tratamento odontológico:
• 1º trimestre: evitar procedimentos eletivos, realizar apenas urgências e medidas preventivas.
• 2º trimestre: período mais seguro para tratamento de rotina e controle de doenças ativas.
• 3º trimestre: início pode ser apropriado, mas o final deve evitar procedimentos longos. Consultas devem ser
curtas, com a paciente em posição semi-sentada ou virada para o lado esquerdo, para evitar hipotensão
supina.
4. Radiografias odontológicas:
• Devem ser evitadas no 1º trimestre, mas podem ser feitas se absolutamente necessárias.
• Seguras com proteção adequada (avental de chumbo, colar cervical) e uso de técnicas rápidas (filme E-speed,
imagem digital).
• A dose fetal em uma série completa de radiografias é extremamente baixa, inferior à radiação natural
diária.
• Dentistas e auxiliares grávidas podem operar o aparelho de raios X desde que usem dosímetro, mantenham
distância segura e sigam normas de proteção.
5. Uso de medicamentos durante a gravidez:
• Deve ser evitado especialmente no 1º trimestre, mas pode ser necessário.
• Muitos fármacos odontológicos são relativamente seguros, mas devem ser escolhidos com base na
classificação de risco da FDA.
• A: Estudos em humanos não mostraram risco fetal.
• B: Estudos em animais sem risco e sem estudos em humanos, ou estudos humanos sem
riscos apesar de achados em animais.
• C: Risco em animais, sem estudos confiáveis em humanos. Usadas com cautela.
• D: Evidência clara de risco fetal, mas pode ser usada em situações específicas.
• X/E: Contraindicadas; riscos superam qualquer benefício.
Preferem-se drogas das categorias A e B. As da categoria C são as mais difíceis de decidir quanto
ao uso, exigindo avaliação clínica e ética individualizada.
Grupos de Medicamentos Mais Relevantes:
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1. Anestésicos Locais:
• Lidocaína e prilocaína (B), mepivacaína, bupivacaína e articaína (C):
São considerados seguros em doses moderadas. Evitar altas doses de prilocaína (risco de
metemoglobinemia) e bupivacaína (risco fetal).
2. Analgésicos:
• Paracetamol (B): analgésico de escolha.
• AAS e AINEs (C/D): evitados, especialmente no 3º trimestre (risco de hemorragia, atraso no
parto e constrição do ducto arterioso).
• Opioides (C/D): evitar uso prolongado ou altas doses (risco de depressão respiratória neonatal e
anomalias congênitas).
3. Antibióticos:
• Seguros: Penicilinas, cefalosporinas (1ª/2ª geração), eritromicina (exceto estolato), clindamicina,
metronidazol.
• Evitar: Tetraciclinas (causam hipoplasia de esmalte e descoloração dentária), fluoroquinolonas
(risco de artropatia).
Outras Classes de Fármacos:
• Antifúngicos:
Nistatina (B) e fluconazol (C) – usar comcautela.
• Antivirais:
Aciclovir, valaciclovir e famciclovir – geralmente seguros.
• Corticosteroides (B/C):
Prednisona pode ser usada com cautela.
• Ansiolíticos:
Óxido nitroso pode ser usado por até 30 minutos no 2º e 3º trimestres com oxigênio ≥
50%. Evitar exposições crônicas (risco de defeitos congênitos e aborto espontâneo em
profissionais de saúde).
Recomendações Durante a Amamentação:
• A maioria dos fármacos é excretada no leite em quantidades muito pequenas (1–2% da dose
materna), com risco mínimo ao bebê.
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• Evitar medicamentos como: lítio, fármacos antineoplásicos, radioativos e fenindiona.
• Dica prática: administrar o medicamento logo após a amamentação e evitar amamentar por
cerca de 4 horas para minimizar a exposição do bebê.
Contraceptivos e Antibióticos:
• Alguns antibióticos podem reduzir a eficácia de contraceptivos orais (ex.: rifampicina).
• O dentista deve:
1. Informar a paciente sobre o risco potencial.
2. Recomendar o uso de métodos contraceptivos adicionais.
3. Aconselhar a continuidade do uso do contraceptivo oral.
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Modificações no Plano de Tratamento Odontológico e Manifestações Orais na Gravidez
Modificações no Plano de Tratamento
• Sem necessidade de mudanças técnicas.
• Adiar, se possível: radiografias completas, reabilitações com coroas e pontes, cirurgias maiores,
especialmente se houver enjoo intenso.
• Amálgama: embora considerado seguro, países como Canadá e nações europeias recomendam
evitar sua colocação ou substituição durante a gravidez.
Complicações e Manifestações Orais Frequentes
1. Gengivite gravídica
• Mais comum durante a gravidez.
• Causada por resposta inflamatória exacerbada a irritantes locais, associada ao aumento de
estrogênio e progesterona.
• Inicia no 2º mês de gestação e tende a regredir após o parto com boa higiene oral.
2. Granuloma piogênico ("tumor gravídico")
• Lesão hiperplásica benigna que pode sangrar com facilidade.
• Ocorre em cerca de 1% das gestantes, geralmente na papila interdental.
• Pode exigir excisão se for sintomático.
Relações com Doença Periodontal
• Gravidez não causa doença periodontal, mas pode agravar a pré-existente.
• Mulheres com diabetes gestacional têm risco aumentado.
• Doença periodontal materna está associada a baixo peso ao nascer.
• Controle de placa e higiene oral devem ser reforçados.
Cárie e Gravidez
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• Gravidez não aumenta diretamente o risco de cárie.
• A atividade de cárie está ligada a dieta cariogênica, má higiene e presença de Streptococcus
mutans.
• Clorexidina e flúor ajudam na prevenção.
• A saliva materna é o principal veículo de transmissão de bactérias cariogênicas para o bebê.
Mitos Comuns
• "A gravidez rouba cálcio dos dentes": falso. O cálcio dos dentes não é mobilizado, mas o do
osso sim.
• "Um dente perdido por gravidez": mito popular, não sustentado por evidências.
• Suplementação de cálcio pode ser feita para a nutrição geral da mãe e do bebê, não para
"salvar os dentes".
Outras Alterações Orais
• Mobilidade dentária: rara; pode estar associada à doença gengival ou alterações
hormonais/minerais.
• Deficiências nutricionais (ex: vitamina C, ácido fólico) devem ser corrigidas com dieta ou
polivitamínicos.
• Reflexo de vômito exacerbado: pode dificultar o atendimento.
• Regurgitação frequente (enjoo matinal) → risco de halitose e erosão dentária.
Orientar bochechos com água ou bicarbonato após vômitos.
Endocardite Infecciosa (EI)
Definição: EI é uma infecção da superfície endotelial do coração, geralmente das válvulas cardíacas, causada
principalmente por bactérias (especialmente estreptococos e estafilococos), mas também por fungos e outros
microrganismos.
Etiologia e Epidemiologia:
• Mais comum em homens, pessoas de meia-idade ou idosos.
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• Pode ocorrer em válvulas nativas (EVN) ou protéticas (EVP).
• Usuários de drogas intravenosas (UDIV) têm alto risco, principalmente com infecção da valva tricúspide
causada por Staphylococcus aureus.
• Fatores predisponentes: prolapso da valva mitral, doença valvar aórtica, cardiopatias congênitas, válvulas
protéticas, EI prévia.
• 25% a 47% dos casos ocorrem sem fator predisponente conhecido.
Fisiopatologia:
1. Dano endotelial → formação de trombos estéreis (endocardite trombótica não-bacteriana).
2. Bacteremia transitória → adesão de microrganismos → vegetações.
3. As vegetações podem embolizar e causar complicações.
Manifestações Clínicas:
• Sinais principais: febre (95%), sopro cardíaco novo (80-85%), hemocultura positiva.
• Outros sinais: petéquias, nódulos de Osler, lesões de Janeway, manchas de Roth, baqueteamento digital,
esplenomegalia.
• Complicações: insuficiência cardíaca (principal causa de morte), AVC, infarto, abscessos, embolias sépticas,
disfunção renal.
Diagnóstico:
• Critérios de Duke: combina critérios maiores (hemocultura positiva, ecocardiograma sugestivo) e menores
(febre, condição cardíaca predisponente, fenômenos vasculares, etc.).
• Exames: hemoculturas, hemograma, função renal, ecocardiograma.
Tratamento:
• Antibióticos específicos, conforme o agente:
o Estreptococos: penicilina ou ceftriaxona ± gentamicina.
o Estafilococos: oxacilina ou nafcilina (ou vancomicina se resistente).
o Fungos e casos graves: requerem cirurgia associada.
• Cirurgia pode ser necessária em caso de insuficiência valvar, prótese instável, falha do antibiótico ou
complicações intracardíacas.
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Profilaxia Antibiótica:
Evidências recentes indicam que:
• A maioria das EI não está relacionada a procedimentos odontológicos.
• Atividades diárias como escovação e mastigação causam mais bacteremia cumulativa do que procedimentos
dentários.
• A profilaxia só previne um número extremamente pequeno de casos.
Indicações atuais de profilaxia (AHA 2007):
Apenas para pacientes com risco elevado de complicações graves:
1. Valva cardíaca protética.
2. EI prévia.
3. Cardiopatias congênitas graves (cianóticas, não reparadas ou reparadas recentemente).
4. Transplante cardíaco com valvulopatia.
Procedimentos odontológicos que requerem profilaxia:
• Qualquer procedimento que envolva manipulação de tecido gengival, região periapical ou perfuração da mucosa.
Procedimentos que NÃO requerem:
• Radiografias, anestesia local, troca de aparelhos removíveis, ajustes ortodônticos, esfoliação de dentes
decíduos, trauma em mucosa.
Antibióticos Recomendados (profilaxia):
• Amoxicilina 2g VO, 30-60 min antes do procedimento.
• Alergia a penicilina: clindamicina, azitromicina ou claritromicina.
• Incapacidade de uso oral: versões IV disponíveis.
•
Hipertensão Arterial
Definição
A hipertensão arterial é uma condição clínica caracterizada pela elevação sustentada da pressão arterial (PA), sendo
definida em adultos como:
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• PA sistólica ≥ 140 mmHg e/ou
• PA diastólica ≥ 90 mmHg
após múltiplas aferições em diferentes momentos.
É considerada um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais.
Classificação da PA (Adultos) – JNC 7
Classificação PAS (mmHg) PAD (mmHg) Conduta
Normalperiférica
Etiologia
• Primária (essencial): sem causa identificável, associada a fatores genéticos e ambientais.
• Secundária (10% dos casos): associada a:
o Doença renal crônica
o Coarctação da aorta
o Síndrome de Cushing
o Apneia obstrutiva do sono
o Feocromocitoma
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o Medicamentos (AINEs, anticoncepcionais)
Fatores de Risco
• Obesidade
• Sedentarismo
• Consumo excessivo de sódio
• Álcool
• Estresse
• Histórico familiar
Complicações e Danos a Órgãos-Alvo
• Coração: hipertrofia ventricular esquerda, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio
• Cérebro: AVC, demência vascular
• Rins: nefropatia hipertensiva
• Olhos: retinopatia hipertensiva (papiledema, exsudatos, hemorragias)
Manifestações Clínicas
• Pode ser assintomática por anos
• Quando presentes:
o Cefaleia (principalmente occipital)
o Tontura
o Zumbido
o Visão borrada
o Fadiga
o Epistaxe (sangramento nasal)
Importância na Odontologia
O cirurgião-dentista pode ser o primeiro profissional a identificar a hipertensão:
• Deve realizar aferição de PA de rotina
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• Atenção ao uso de vasoconstritores (epinefrina) em anestesias
• Evitar fios de retração gengival com epinefrina
• Cuidado com interações medicamentosas (ex: AINEs + anti-hipertensivos)
• Considerar sedação consciente em pacientes ansiosos e hipertensos
Tratamento
• Mudanças no estilo de vida (essenciais para todos os pacientes):
o Dieta DASH (rica em frutas, vegetais, laticínios desnatados)
o Redução do sal (65 anos.
• 1,1 milhão de infartos (novos ou recorrentes) por ano; 40% fatais.
• Estudos mostram que a aterosclerose começa precocemente, sendo evidenciada já em adolescentes e
soldados jovens em autópsias.
Etiologia e Fatores de Risco
Fatores de risco não modificáveis:
• Idade avançada
• Sexo masculino (até menopausa)
• Histórico familiar
Fatores modificáveis:
• Hiperlipidemia (↑ LDL, ↓ HDL)
• Hipertensão arterial
• Tabagismo
• Sedentarismo
• Obesidade (sobretudo abdominal)
• Diabetes mellitus e resistência à insulina
• Dieta rica em gordura saturada, colesterol, açúcares e sal
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• Estresse e depressão
• Marcadores inflamatórios: proteína C-reativa, homocisteína, fibrinogênio
Síndrome metabólica: agrupamento de fatores como obesidade central, dislipidemia, intolerância à glicose e hipertensão
– aumenta expressivamente o risco.
Doença periodontal tem sido associada à CAC, embora sem causalidade comprovada.
Fisiopatologia
A CAC é considerada um distúrbio inflamatório crônico do endotélio vascular:
1. Lesão endotelial (por HTA, hiperlipidemia, tabagismo etc.) → aumento da permeabilidade e expressão de
moléculas de adesão.
2. Migração de monócitos e diferenciação em macrófagos, que fagocitam lipídios e se tornam células espumosas.
3. Formação das estrias gordurosas → recrutamento de células musculares lisas e produção de colágeno,
formando placa ateromatosa fibrogordurosa.
4. A ruptura da placa (mais comum em placas menores e instáveis) → formação de trombo e oclusão súbita
da artéria.
5. Estreitamento progressivo (>75%) pode causar isquemia durante esforço. Oclusão aguda total leva ao infarto
do miocárdio.
Manifestações Clínicas
Sintomas:
• Dor torácica (angina pectoris): opressiva, constritiva, irradiada (braço, mandíbula), geralmente com duração 15 min), não aliviada com nitrato. Pode haver
dispneia, náuseas, sudorese.
• Morte súbita cardíaca: fibrilação ventricular em até 300.000 casos/ano nos EUA.
• Outros sintomas: palpitações, síncope, sinais de ICC (dispneia, ortopneia, edema periférico).
Sinais clínicos:
• Pode não haver sinais específicos.
• Achados secundários: xantomas, hipertensão, diminuição de pulsos periféricos, distensão de jugulares (em ICC).
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• Radiografias panorâmicas podem mostrar calcificações carotídeas.
Diagnóstico
Exames laboratoriais:
• Hemograma, função renal, TSH, perfil lipídico, glicemia, proteína C-reativa, homocisteína.
Exames específicos:
• ECG de repouso e de esforço
• Ecocardiograma
• Teste ergométrico
• Cintilografia miocárdica
• Cateterismo e angiografia coronariana
Marcadores de necrose miocárdica:
• Troponinas (I e T): elevam-se em 3-6h, pico em 18-24h, permanecem até 14 dias.
• CK-MB: pico em 10-12h, dura 2-3 dias.
• Mioglobina: menos específica, mas precoce (2-3h).
Tratamento Clínico
Angina Pectoris Estável:
1. Redução de fatores de risco (cessar tabagismo, controlar DM, HAS, hipercolesterolemia)
2. Modificações no estilo de vida
3. Terapia medicamentosa:
o Nitratos: vasodilatadores, aliviam angina
o Betabloqueadores: ↓ frequência e contratilidade
o Bloqueadores dos canais de cálcio
o Antiplaquetários: AAS (reduz eventos fatais), clopidogrel
o IECA e estatinas em alguns casos
4. Revascularização:
o Angioplastia com stent
o Cirurgia de revascularização miocárdica (bypass)
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Infarto Agudo do Miocárdio (IAM):
• Hospitalização imediata
• Administração de AAS precoce (160–325 mg)
• Terapia trombolítica em IAM com supra de ST
• Angioplastia transluminal com stent
• Anticoagulantes: heparina, inibidores da GP IIb/IIIa
• Morfina, sedativos, oxigênio
• Controle da dor, arritmias e função cardíaca
Conduta Odontológica
Avaliação de risco:
• Considerar gravidade da doença, tipo de procedimento e estabilidade do paciente.
Para pacientes com angina estável ou IAM há mais de 30 dias:
• Consultas curtas e matinais
• Sedação leve e anestesia eficaz
• Uso limitado de vasoconstritores (máx. 0,036 mg epinefrina)
• Evitar epinefrina em fios de retração
• Disponibilizar nitroglicerina
• Não suspender AAS ou clopidogrel em procedimentos simples
Para pacientes com angina instável ou IAM recente (• Seu manejo depende da identificação precoce dos fatores de risco e da atuação preventiva.
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• O cirurgião-dentista deve estar preparado para reconhecer sinais e sintomas, evitar riscos durante o
atendimento e colaborar com a equipe médica.
Arritmia cardíaca
Definição
Arritmia cardíaca é qualquer alteração no ritmo normal dos batimentos cardíacos — seja na frequência, regularidade
ou na condução elétrica. Pode ser benigna ou representar risco à vida.
Fisiologia do Ritmo Cardíaco Normal
O coração possui um sistema de condução elétrica que regula o batimento:
1. Nó sinoatrial (SA) – marcapasso natural.
2. Nó atrioventricular (AV)
3. Feixe de His
4. Ramos direito e esquerdo
5. Fibras de Purkinje
O ECG (eletrocardiograma) representa essa atividade por meio das ondas P (átrios), QRS (ventrículos) e T
(repolarização ventricular).
Epidemiologia
• Mais comum em idosos.
• Presente em 12,6% dos maiores de 65 anos.
• Fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum.
• Estudos mostram prevalência significativa em pacientes odontológicos.
Etiologia
• Doenças cardíacas (ex: isquemia, infarto)
• Doenças pulmonares, tireoidianas
• Medicamentos (ex: digitálicos, beta-bloqueadores)
• Substâncias: cafeína, álcool, nicotina, epinefrina
• Distúrbios eletrolíticos (ex: hipocalemia)
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Fisiopatologia
• Automaticidade: geração do impulso
• Condutividade: transmissão do impulso
• Distúrbios de reentrada: causam taquiarritmias
• Marcapassos ectópicos: impulsos fora do nó SA
Classificação das Arritmias
1. Supraventriculares
• Arritmia sinusal: variação com respiração.
• Taquicardia sinusal: FC > 100 bpm.
• Bradicardia sinusal: FC 65 anos.
• Causa significativa de morbimortalidade: 56.000 mortes/ano e 262.000 mortes com IC como fator
contribuinte.
• Prognóstico ruim: sobrevida de 5 anos após o diagnóstico é de 35% (homens) e 50% (mulheres).
Etiologia
Principais causas:
• Cardiopatia isquêmica (60–75%)
• Miocardiopatia dilatada
• Hipertensão (fator contribuinte em >75%)
• Cardiopatia valvar
• Miocardite, endocardite, doenças congênitas, embolia pulmonar, hipertensão pulmonar, doenças endócrinas.
Fisiopatologia
• Redução do débito cardíaco → má perfusão tecidual.
• Congestão pulmonar (insuficiência esquerda) e sistêmica (insuficiência direita).
• Mecanismos compensatórios: ativação do sistema simpático e renina-angiotensina-aldosterona.
• Dividida em:
o IC esquerda: dispneia, edema pulmonar.
o IC direita: edema periférico, hepatomegalia, ascite.
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Classificações
American Heart Association / ACC (estágios de progressão):
• Estágio A: risco sem alterações estruturais.
• Estágio B: alteração estrutural, assintomático.
• Estágio C: sintomas de IC.
• Estágio D: IC refratária, requer intervenção avançada.
NYHA (funcional):
• Classe I: sem limitações.
• Classe II: sintomas com esforço moderado.
• Classe III: sintomas com esforço leve.
• Classe IV: sintomas em repouso.
Sinais e Sintomas
Esquerda:
• Dispneia, ortopneia, DPN, estertores, intolerância ao esforço, respiração de Cheyne-Stokes.
Direita:
• Edema periférico, ascite, hepatomegalia dolorosa, veias jugulares distendidas, baqueteamento digital.
Gerais:
• Fadiga, ganho de peso, cianose, sopro cardíaco, ritmo de galope, pulso alternante.
Diagnóstico
• Clínico + exames:
o Radiografia de tórax
o ECG, ecocardiograma
o Holter, cateterismo
o Marcadores laboratoriais: BNP, função renal, eletrólitos, TSH.
Tratamento Médico
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Estágios A e B:
• Controle de fatores de risco (HAS, DM, dislipidemia).
• IECAs e betabloqueadores.
Estágio C:
• Restrição de sal + medicamentos:
o Diuréticos (furosemida, espironolactona)
o IECAs/BRAs
o Betabloqueadores
o Digitálicos (alívio sintomático; cuidado com toxicidade)
o Vasodilatadores (hidralazina + nitrato)
Estágio D:
• Terapia avançada: suporte mecânico, transplante, cuidados paliativos.
Conduta Odontológica
Avaliação prévia:
• História detalhada, sintomas como dispneia, ortopneia, DPN.
• Capacidade funcional: subir escadas?
• Verificar classe NYHA e estágio de compensação.
• Avaliar medicações (principalmente digoxina).
Condutas clínicas:
• Classe I (compensados): tratamento eletivo permitido.
• Classe II/III (alguns): consultar médico antes.
• Classe III/IV (descompensados): adiar tratamento eletivo; considerar atendimento hospitalar.
Cuidados especiais:
• Consultas curtas, ambiente tranquilo, sem estresse.
• Posição semi-supina.
• Evitar AINEs.
• Evitar epinefrina em pacientes com digoxina; se necessário, dose máxima: 0,036 mg (2 tubetes de
1:100.000).
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• Evitar fio de retração com epinefrina.
• Usar sedação com óxido nitroso + O₂ ≥30%.
• Atenção a sinais de toxicidade digitálica: hipersalivação, arritmias, visão alterada.
Diabetes Melittus
1. Definição
Diabetes melito (DM) é uma síndrome metabólica de múltipla etiologia, caracterizada por hiperglicemia crônica
resultante de defeitos na secreção e/ou ação da insulina.
2. Classificação
Segundo a ADA (American Diabetes Association), os principais tipos são:
• DM tipo 1: destruiçãoautoimune das células beta pancreáticas → deficiência absoluta de insulina. Mais comum
em jovens.
• DM tipo 2: resistência à insulina associada a defeito na secreção. Relacionado ao estilo de vida e fatores
genéticos. Mais comum em adultos.
• DM gestacional: hiperglicemia detectada durante a gravidez.
• Outros tipos específicos: por doenças do pâncreas, uso de medicamentos (ex: corticoides), defeitos genéticos.
3. Fisiopatologia
DM tipo 1:
• Doença autoimune → destruição das células beta do pâncreas → ausência de insulina.
• Paciente depende de insulina exógena.
DM tipo 2:
• Resistência periférica à insulina nos tecidos (fígado, músculo, tecido adiposo).
• Hiperglicemia → hiperinsulinemia inicial → falência progressiva das células beta.
4. Complicações
Agudas:
• Hipoglicemia: comum no tratamento com insulina ou antidiabéticos orais.
• Cetoacidose diabética (DM1): glicose >250 mg/dL, acidose, cetonemia.
• Estado hiperglicêmico hiperosmolar (DM2): glicose >600 mg/dL, desidratação grave, sem cetose.
Crônicas:
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• Microvasculares:
o Nefropatia (comprometimento renal)
o Retinopatia (cegueira)
o Neuropatia periférica/autonômica
• Macrovasculares:
o Aterosclerose (IAM, AVC)
o Doença arterial periférica
5. Diagnóstico
Critérios (qualquer um dos abaixo confirma DM):
1. Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL
2. Glicemia ≥ 200 mg/dL 2h após TOTG (75g de glicose)
3. Glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas
4. Hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 6,5%
6. Tratamento Clínico
Objetivos:
• Manter glicemia, HbA1c, pressão arterial e perfil lipídico dentro da meta.
• Prevenir complicações.
Mudanças no estilo de vida:
• Dieta equilibrada (pobre em açúcar e gordura, rica em fibras)
• Atividade física regular
• Perda de peso (principalmente no DM2)
Medicamentos:
• DM1: Insulinoterapia (basal + bolus)
• DM2:
o Metformina (primeira linha)
o Outros: sulfonilureias, gliflozinas, agonistas do GLP-1, insulina (casos avançados)
7. Condutas Odontológicas
Avaliação:
• Verificar histórico médico e medicamentos.
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• Solicitar ou confirmar exames recentes (glicemia, HbA1c).
• Identificar controle glicêmico:
o HbA1c 2 mg/dL
o BUN > 20 mg/dL (uremia comum > 60 mg/dL)
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o Clearance de creatininacarcinoma hepatocelular
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Tipo Transmissão
Incubação
(média)
Crônica? Riscos principais
C
(HCV)
Parenteral 50 dias Sim (80%) Cirrose, CA hepatocelular
D
(HDV)
Parenteral (co-infecção com
HBV)
35 dias Sim (superinfecção) Hepatite fulminante
E
(HEV)
Fecal-oral 40 dias Não
Grave em gestantes (20% de
mortalidade)
Marcadores Sorológicos Importantes (HBV)
• HBsAg: infecção ativa
• Anti-HBs: imunidade (vacina ou cura)
• Anti-HBc IgM: infecção aguda
• Anti-HBc IgG: infecção passada
• HBeAg: infectividade alta
• Anti-HBe: infectividade em resolução
Epidemiologia
• Hepatite B e C são as principais causas de hepatite crônica
• No mundo, +300 milhões de pessoas são portadoras de hepatites virais
• Transmissão ocupacional é uma preocupação para profissionais de saúde bucal (risco HBV: 6–30%; HCV: 2–8%)
Fisiopatologia
• Os vírus da hepatite infectam hepatócitos → inflamação → necrose hepática
• Pode ocorrer icterícia (acúmulo de bilirrubina), hepatomegalia, distúrbios metabólicos e imunológicos
Complicações
• Aguda: hepatite fulminante, encefalopatia, sangramentos
• Crônica: cirrose, hepatite crônica ativa, CA hepatocelular
• Extra-hepáticas (HCV): líquen plano, púrpura, glomerulonefrite
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Diagnóstico Laboratorial
• AST, ALT ↑ (ALT mais específica)
• Bilirrubina, fosfatase alcalina ↑
• Tempo de protrombina ↑ (risco de sangramento)
• Sorologia específica para cada vírus
Tratamento
Prevenção
• Vacinas: HAV e HBV (também protegem contra HDV indiretamente)
• Imunoglobulina: pós-exposição (HBIG, IG para HAV)
• Precauções universais na prática clínica
Terapia Medicamentosa
• Interferon + Ribavirina (HCV)
• Lamivudina, Tenofovir (HBV)
• Tratamento suporte em casos leves
Implicações Odontológicas
Riscos no atendimento
• Sangramento aumentado (alterações na coagulação)
• Metabolização alterada de medicamentos
• Risco de infecção cruzada
Condutas clínicas
• Evitar procedimentos eletivos em hepatite ativa
• Reduzir fármacos metabolizados no fígado (anestésicos, antibióticos, analgésicos como paracetamol)
• Solicitar exames laboratoriais pré-operatórios:
o Tempo de protrombina, plaquetas, AST/ALT, INR
• Manter precauções padrão
• Cirurgiões-dentistas devem ser vacinados contra HBV
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