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Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) Autor: Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos 05 de Março de 2025 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Penas Principais 3 ..............................................................................................................................................................................................2) Aplicação das Penas 9 ..............................................................................................................................................................................................3) Suspensão Condicional da Pena 25 ..............................................................................................................................................................................................4) Do Livramento Condicional 31 ..............................................................................................................................................................................................5) Das Penas Acessórias 33 ..............................................................................................................................................................................................6) Dos Efeitos da Condenação 42 ..............................................................................................................................................................................................7) Questões comentadas - Das Penas Principais - Cebraspe 44 ..............................................................................................................................................................................................8) Questões Comentadas - Aplicação das Penas - Multibancas 46 ..............................................................................................................................................................................................9) Questões comentadas - Suspensão Condicional da Pena - Cebraspe 49 ..............................................................................................................................................................................................10) Questões comentadas - Do Livramento Condicional - Cebraspe 52 ..............................................................................................................................................................................................11) Questões comentadas - Das Penas Acessórias - Cebraspe 53 ..............................................................................................................................................................................................12) Questões comentadas - Dos Efeitos da Condenação - Cebraspe 55 ..............................................................................................................................................................................................13) Lista de Questões - Das Penas Principais - Cebraspe 57 ..............................................................................................................................................................................................14) Lista de Questões - Aplicação das Penas - Multibancas 59 ..............................................................................................................................................................................................15) Lista de Questões - Suspensão Condicional da Pena - Cebraspe 61 ..............................................................................................................................................................................................16) Lista Questões - Do Livramento Condicional - Cebraspe 64 ..............................................................................................................................................................................................17) Lista de questões - Das Penas Acessórias - Cebraspe 66 ..............................................................................................................................................................................................18) Lista de Questões - Dos Efeitos da Condenação - Cebraspe 68 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 2 70 D AS P ENAS P RINCIPAIS REDAÇÃO ANTERIOR PENAS PRINCIPAIS Art. 55. As penas principais são: a) morte; b) reclusão; c) detenção; d) prisão; e) impedimento; f) suspensão do exercício do pôsto, graduação, cargo ou função; g) reforma. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 PENAS PRINCIPAIS Art. 55. As penas principais são: a) morte; b) reclusão; c) detenção; d) prisão; e) impedimento; f) suspensão do exercício do pôsto, graduação, cargo ou função; (REVOGADO) g) reforma. (REVOGADO) O Código Penal Militar divide as penas em principais e acessórias. As principais são aquelas cominadas a determinado crime, previstas no preceito secundário, e as acessórias são aquelas que eventualmente podem ser cumuladas. PENA DE MORTE . A primeira e mais importante das penas previstas pelo CPM é a pena de morte . O art. 5°, XLVII, a, determina que não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra declarada. O art. 84, XIX, da Constituição, apenas permite a declaração de guerra para fins de defesa contra agressão estrangeira. O CPM, portanto, comina a pena de morte para alguns crimes praticados em tempo de guerra. A deserção, por exemplo, assume, durante a guerra, enormes proporções, e o criminoso pode ser condenado à pena de morte. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 3 70 A execução da pena de morte dá-se por fuzilamento, conforme art. 56 do CPM, sendo a sentença que a impõe comunicada de pronto ao Presidente da República, não podendo ser executada senão depois de 7 dias (art. 57). Há uma exceção, no entanto, quando ela é imposta em zona de operações de guerra, podendo ser executada de forma imediata, havendo interesse da ordem e da disciplina militar, conforme parágrafo único do art. 57. Os detalhes acerca da execução da pena de morte estão no art. 707 e seguintes do Código de Processo Penal Militar. Há vários detalhes, incluindo a vestimenta dos condenados, o apoio espiritual, etc. A pena de morte é executada por meio de fuzilamento ! Cuidado com as pegadinhas que sugerem a forma de enforcamento! RECLUSÃO E DETENÇÃO . No CPM, há a previsão legal das penas de reclusão e detenção, sem, no entanto, destrinchar sua aplicabilidade. Cabe-nos aplicar, diante da omissão, as disposições normativas do CP, que acabam incluindo as algumas disposições legais da LEP, mesmo que tenhamos as regras do CPPM envolvendo a execução penal castrense. O mesmo entendimento é defendido na doutrina de Neves, que ainda faz menção à progressão de pena: “Em primeiro plano, a ausência de regra distintiva no cumprimento das duas penas – e por consequência de distinção entre as duas penas em essência – leva- DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 26 70 de crime, ou de contravenção reveladora de má índole ou a que tenha sido imposta pena privativa de liberdade; II - não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano; III - sendo militar, é punido por infração disciplinar considerada grave. I – é condenado por crime doloso, na Justiça Militar ou na Justiça Comum, por sentença irrecorrível II - não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano; III - (REVOGADO). São causas de revogação obrigatórias: a) Condenado por crime doloso, na Justiça Militar ou na Justiça Comum, por sentença irrecorrível - Primeiramente, fala-se apenas à condenação por crime doloso, não havendo qualquer comentário no caso de crime culposo ou contravenção penal . Em segundo, a sentença deve ser irrecorrível, ou seja, já há coisa julgada, impossível de ser re discutida b) Não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano - Deve haver a reparação e, não sendo possível, deverá ser justificado, sob pena de ser revogado o sursi c) REVOGADO REDAÇÃO ANTERIOR REVOGAÇÃO FACULTATIVA §1º A suspensão pode ser também revogada, se o condenado deixa de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença. PRORROGAÇÃO DE PRAZO § 2º Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o máximo, se êste não foi o fixado. § 3º Se o beneficiário está respondendo a processo que, no caso de condenação, pode acarretar a revogação, considera-se prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 REVOGAÇÃO FACULTATIVA §1º A suspensão também pode ser revogada se o condenado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença ou, se militar, for punido por infração disciplinar considerada grave PRORROGAÇÃO DE PRAZO § 2º Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o máximo, se êste não foi o fixado. § 3º Se o beneficiário está respondendo a processo que, no caso de condenação, pode acarretar a revogação, considera-se prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 27 70 Dentro daquilo que já era previsto, também se acrescentou como possibilidade de revogação facultativa do sursi a punição do militar que for punido por infração disciplinar considerada grave . EXTINÇÃO DA PENA Art. 87. Se o prazo expira sem que tenha sido revogada a suspensão, fica extinta a pena privativa de liberdade. NÃO APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA Art. 88. A suspensão condicional da pena não se aplica: I - ao condenado por crime cometido em tempo de guerra; II - em tempo de paz: a) por crime contra a segurança nacional, de aliciação e incitamento, de violência contra superior, oficial de dia, de serviço ou de quarto, sentinela, vigia ou plantão, de desrespeito a superior, de insubordinação, ou de deserção; b) pelos crimes previstos nos arts. 160, 161, 162, 235, 291 e seu parágrafo único, ns. I a IV. Condenado que cumprir todos os requisitos, cumulativamente, temporal, legal e ocasional (opcional ao Juiz), terá extinta a sua pena privativa de liberdade Quanto à não aplicação do sursi da pena, é importante mencionar que existem alguns julgados importantes que você tem que levar para a prova, principalmente se tratando do crime de deserção e o benefício in comento . De acordo com a atual posição do STM, o condenado pelo crime de deserção, mesmo que sobre ele recaia imposição legal de sua não aplicação, se por acaso o militar vier a ser excluído das fileiras da corporação, adquirindo a condição de civil, à ele será possível o usufruto do benefício do sursi da pena, por motivo de política criminal: “EMENTA: APELAÇÕES. MINISTÉRIO PÚBLICO MILITAR. DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO. DESERÇÃO. ART. 187 DO CÓDIGO PENAL MILITAR. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DA CONDIÇÃO DE PROSSEGUIBILIDADE PELA PERDA DA CONDIÇÃO DE MILITAR. REJEIÇÃO POR MAIORIA. MÉRITO. RECURSO MINISTERIAL. REVOGAÇÃO DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA (SURSIS). RÉU LICENCIADO. POLÍTICA CRIMINAL. MANUTENÇÃO DA BENESSE. REVOGAÇÃO DO REGIME INICIAL ABERTO PARA CUMPRIMENTO DA PENA. MANUTENÇÃO. RECURSO DEFENSIVO. ESTADO DE NECESSIDADE. REJEIÇÃO. CONDUTA NÃO AMPARADA POR EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE. AÇÃO DELITIVA. CARACTERIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. APELOS DESPROVIDOS. MAIORIA. 1. Este Tribunal, em sua maioria, consolidou o entendimento no sentido de que o status de militar não figura como condição de prosseguibilidade do crime do art. 187 do CPM. Cumpridas as condições de procedibilidade, o processo penal militar deve ser iniciado e seguir o curso normal até o julgamento final da causa, ainda que durante o processo o Acusado seja licenciado do serviço ativo. Na legislação castrense, inexiste dispositivo que exima o Réu de responder ao processo por Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 28 70 ==92980== esse motivo. Rejeitada, por maioria, a preliminar de ausência da condição de prosseguibilidade pela perda da condição de militar. Precedentes. 2. Em caso de licenciamento do militar das Forças Armadas , tendo, portanto, o Acusado readquirido a condição de civil , a regra proibitiva à aplicação da suspensão condicional da pena ao crime de deserção deve ser mitigada . Em decorrência, diante da inexistência de previsão no Código Penal Militar acerca da fixação de regime para cumprimento da pena privativa de liberdade, deve-se aplicar, subsidiariamente, o Código Penal comum e fixar o regime inicialmente aberto em caso de descumprimento das condições do sursis. Precedentes.” 1 Da mesma forma, o STM também aplicou a benesse do sursi da pena quando da prática do crime do art. 158 - violência contra oficial de dia, de serviço, ou de quarto, ou contra sentinela, vigia ou plantão : “EMENTA: APELAÇÃO DA DEFESA. DELITO DE VIOLÊNCIA CONTRA MILITAR DE SERVIÇO. PEDRADA NAS COSTAS DE SENTINELA. LESÃO CORPORAL. LAUDO PERICIAL. MATERIALIDADE E AUTORIA. CONDUTA TÍPICA E ILÍCITA E CULPÁVEL. CRIME APERFEIÇOADO. EMBRIAGUEZ VOLUNTÁRIA. ATIPICIDADE POR INCAPACIDADE DE AUTODETERMINAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. APLICAÇÃO MINORANTE INOMINADA PARA REDUÇÃO DA PENA. I. Incorre na prática do delito de violência contra militar de serviço (art. 158, caput, do CPM) o Civil que desfere pedrada nas costas de Sentinela de serviço, causando-lhe lesões corporais atestada por laudo pericial. II. A aptidão do agente para projetar a pedrada nas costas do Sentinela, com pontaria e força suficiente para produção de lesão, demonstra intransponível contradição para aferir a atipicidade (ausência de dolo), bem como de excludente de culpabilidade, ambas escudadas na tesede completa embriaguez que restou sem comprovação nos autos. III. Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade impõem o abrandamento da resposta penal, como expressão de medida adequada, justa e compatível com o mal praticado, com o reconhecimento de minorante inominada. IV. Apelo defensivo provido parcialmente, para minorar a reprimenda e conceder o benefício da suspensão condicional da pena (sursis) . Decisão majoritária.” 2 Por fim, mencionar uma recente julgado do STM que, em contrapartida de parte minoritária da doutrina, entende ser possível a aplicação do sursi da pena, nas condições de indulto, que por previsão legal do Decreto nº 11.302/2022 apenas é vedada a aplicação do sursi processual : “EMENTA: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO. INDULTO. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 5º DO DECRETO Nº 11.302/2022. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DO INCISO III DO ART. 8º DO MENCIONADO DECRETO. PREVISÃO LEGAL PARA CONCESSÃO. PROVIMENTO. DECISÃO POR MAIORIA. 1. O Plenário desta Corte já decidiu, por maioria, pela constitucionalidade do art. 5º e pela impossibilidade da interpretação extensiva do inciso III, do art. 8º, ao julgar inúmeros Recursos relacionados ao tema do Indulto concedido pelo Decreto nº 2 STM, Ap N.º 7000636-53.2020.7.00.0000, Rel. Min. José Coêlho Ferreira, j. 17.06.2021 1 STM, Ap N.º 7000077-91.2023.7.00.0000, Rel. Min. Cláudio Portugal De Viveiros, j. 24.05.2023 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 29 70 11.302/2022. 2. O sentenciado não foi condenado em nenhum dos crimes vedados pelo inciso XLIII, do art. 5º da Constituição da República, quais sejam: o crime de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e os definidos como crimes hediondos, razão pela qual não há vedação constitucional, objetiva, ao direito do Indulto. 3. Ao Recorrente foi concedido o direito à suspensão condicional da execução da pena privativa de liberdade, com período de prova de 2 (dois) anos, instituto outorgado no momento da condenação. 3. A vedação à concessão do indulto refere-se, tão somente, às “pessoas beneficiadas pela suspensão condicional do processo”, situação diversa a do Recorrente, que foi beneficiado com a suspensão condicional da pena privativa de liberdade, sendo institutos processuais distintos. 4. Recurso conhecido e provido. 5. Decisão por maioria.” 3 3 STM, RSE Nº 7000138-49.2023.7.00.0000, Rel. Min. Celso Luiz Nazareth, j. 21.09.2023 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 30 70 L IVRAMENTO C ONDICIONAL Art. 89 - O condenado a pena de reclusão ou de detenção por tempo igual ou superior a dois anos pode ser liberado condicionalmente, desde que: I - tenha cumprido: a) metade da pena, se primário; b) dois terços, se reincidente; II - tenha reparado, salvo impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pelo crime; III - sua boa conduta durante a execução da pena, sua adaptação ao trabalho e às circunstâncias atinentes a sua personalidade, ao meio social e à sua vida pregressa permitem supor que não voltará a delinqüir. Por favor, memorize esses requisitos, ok? Eles podem aparecer na sua prova. Perceba que os requisitos temporais em geral são mais rigorosos que os do CP, em que é possível a concessão de livramento condicional com o cumprimento de apenas um terço da pena. O requisito mais severo, de cumprimento de dois terços da pena, se aplica, além dos casos de reincidência, aos casos de crime contra a segurança externa do país, ou de revolta, motim, aliciação e incitamento, violência contra superior ou militar de serviço. É possível que o tempo mínimo seja reduzido para um terço se o condenado for primário e menor de 21 anos ou maior de 70. Assim como na suspensão condicional da penal, a sentença deve estabelecer condições adicionais que devem ser observadas pelo beneficiário da medida. Além disso, é importante saber que não pode haver livramento nos casos de condenação por crime cometido em tempo de guerra . Art. 93 . Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado, em sentença irrecorrível, a penal privativa de liberdade: I - por infração penal cometida durante a vigência do benefício; II - por infração penal anterior, salvo se, tendo de ser unificadas as penas, não fica prejudicado o requisito do art. 89, nº I, letra a Atenção aqui! As infrações penais mencionadas como motivos para revogação do livramento condicional incluem quaisquer crimes, e não apenas os militares. Assim como na suspensão condicional da pena, aqui há ainda a previsão de revogação facultativa, quando o beneficiário do livramento condicional descumprir as condições estabelecidas pela sentença ou for irrecorrivelmente condenado, por motivo de contravenção, a Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 31 70 ==92980== pena não privativa de liberdade ou se sofrer punição por transgressão disciplinar grave, se for militar. Uma vez revogado o livramento condicional, não poderá ser novamente concedido e, a não ser que a revogação resulte de condenação por infração penal anterior ao benefício, não se desconta na pena o tempo em que o condenado ficou solto. Por, ressaltar alguns julgados do STM que podem vir a ser objeto de cobrança na sua prova: “EMENTA: AGRAVO INTERNO EM HABEAS CORPUS. DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO AO WRIT. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME E LIVRAMENTO CONDICIONAL. COMPETÊNCIA DO JUIZ DA EXECUÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REJEIÇÃO. DECISÃO POR UNANIMIDADE. Nos termos fixados pelo CPPM e pela Lei nº 7.210/1984, a autoridade competente para decidir sobre progressão de regime de cumprimento da pena e de livramento condicional é o juiz da execução. In casu, a via estreita desse writ não permite que se proceda à análise de pedido da defesa, formulado nos autos executórios, ainda não debatido pela instância inferior, sob pena de supressão de instância. Rejeitado o recurso de agravo interno. Decisão por unanimidade.” 1 “HABEAS CORPUS". LIVRAMENTO CONDICIONAL. RESSARCIMENTO DO DANO. O benefício de livramento condicional deve ser concedido quando comprovado nos autos que não há dano a ser ressarcido e quando preenchidos os demais requisitos previstos no CPPM, prestigiando o direito à liberdade. Ordem concedida. Decisão unânime.” 2 2 STM, HC N.º 0000086-27.2013.7.00.0000, Rel. Min. Artur Vidigal De Oliveira, j. 18.06.2013 1 STM, AgI N.º 7000498-23.2019.7.00.0000, Rel. Min. Alvaro Luiz Pinto, j. 27.06.2019 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS32 70 D AS P ENAS A CESSÓRIAS Estas penas estão previstas no art. 98 do CPM e podem ser cumuladas com as penas principais. A maior parte dos doutrinadores diz que estas penas têm natureza extrapenal, pois geram repercussões em outras esferas da vida do condenado (administrativa, civil, etc.). REDAÇÃO ANTERIOR PENAS ACESSÓRIAS Art. 98 . São penas acessórias: I - a perda de posto e patente; II - a indignidade para o oficialato; III - a incompatibilidade com o oficialato; IV - a exclusão das forças armadas; V - a perda da função pública, ainda que eletiva; VI - a inabilitação para o exercício de função pública; VII - a suspensão do pátrio poder, tutela ou curatela; VIII - a suspensão dos direitos políticos. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 PENAS ACESSÓRIA Art. 98 . São penas acessórias: I - a perda de posto e patente; II - a indignidade para o oficialato; III - a incompatibilidade com o oficialato; IV - a exclusão das forças armadas; V - a perda da função pública, ainda que eletiva; VI - a inabilitação para o exercício de função pública; VII - a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela, quando tal medida for determinante para salvaguardar os interesses do filho, do tutelado ou do curatelado; VIII - a suspensão dos direitos políticos. De início, dizer que a Lei nº 14.688/2023 teve a alteração do inciso V vetada, a qual tirava a hipótese de perda de mandato eletivo , deixando apenas a perda de função pública . Entretanto, como já dito, não prosperou a mudança. Além disso, houve alteração no iuris nomem da pena acessória prevista no art. 98, VII. Em relação ao peso que essa alteração irá dar, e os resultados, resumo a vocês que não há modificação jurídica alguma. 1. PERDA DE POSTO E PATENTE REDAÇÃO ANTERIOR PERDA DE POSTO E PATENTE Art. 99 . A perda de posto e patente resulta da condenação a pena privativa de liberdade por tempo superior a dois anos , e importa a perda das condecorações. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 PERDA DE POSTO E PATENTE Art. 99. A perda de posto e patente resulta da condenação a pena privativa de liberdade por tempo superior a 2 (dois) anos, por crimes comuns e militares, e Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 33 70 importa a perda das condecorações, desde que submetido o oficial ao julgamento previsto no inciso VI do § 3º do art. 142 da Constituição Federal Anteriormente, como é de se notar, o dispositivo mencionava apenas a condenação à crime com pena privativa de liberdade superior a 2 anos, sem mencionar o contexto constitucional e suas peculiaridades. Daí, isso acabava por inferir ao leitor que era suficiente ao Juiz sentenciante o quantum da pena exigível, para a aplicação automática da pena acessória conforme art. 107 do CPM. Entretanto, a sua aplicação, por si só, não opera a validação da pena acessória, sob pena de inconstitucionalidade perante a antiga Constituição de 1969 1 , e da atual CRFB/88, já que o art. 142, §3º, VI e VII, exige que seja julgado em Tribunal Militar de caráter permanente, por representação de ordem autônoma de membro do MPM 2 , ou seja, por competência originária, e que fosse nessa ocasião considerado indigno ou incompatível com o oficialato, não bastando apenas a condenação à pena privativa de liberdade superior a dois anos, seja crime comum ou militar. Dessa forma, tal dispositivo foi muito bem considerado pela doutrina, em especial de Neves, como um dispositivo que nasceu “morto”, considerado sem eficácia. No entanto, podemos dar ao dispositivo notoriedade de eficácia, desde que fosse interpretado à luz da Constituição Federal. Assim diz o exímio doutrinador: “Em resumo, desde o nascimento do CPM, a perda de posto e de patente era inconstitucional , situação que continuou na Constituição de 1988 . Na Constituição Cidadã a inconstitucionalidade confirmou-se por previsão expressa trazida pelo art. 142, § 3º, VI e VII (agora também aplicável às Forças Auxiliares, por força do art. 42, § 1º, da CF), que condiciona a perda do posto à declaração de incompatibilidade ou indignidade para com o oficialato (mantendo a visão de não autonomia da perda de posto e de patente pela condenação superior a 2 anos, que deve passar pelo julgamento ético de indignidade/incompatibilidade), declaração essa que foge à alçada da primeira instância , ou seja, não pode ser levada a efeito na cominação da pena pelo Conselho Especial (ou juízo monocrático, se for o caso), mas requer especial processo junto ao Tribunal de Justiça ou Tribunal de Justiça Militar, nos Estados que o possuem, para os oficiais das Forças Auxiliares. No caso das Forças Armadas , a competência originária é do Superior Tribunal Militar . Essa realidade, em nossa visão, fere de morte o dispositivo que trata da pena acessória de perda de posto e de patente no Código Penal Militar , não mais sendo possível sua utilização . 2 Da mesma forma deve ser visto para os oficiais militares, por força do art. 42, §1º da CRFB/88, devendo no entanto ser em Tribunal Militar Estadual ou em Tribunal de Justiça, caso não tenha sido implementado aquele, e que tenha representação do membro do Ministério Público Estadual atuante na Auditoria Militar. 1 Exigia julgamento em tribunal competente originário Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 34 70 Todavia, essa inconstitucionalidade evidente do art. 99 do CPM não impede a aplicação do dispositivo constitucional que trata da perda de posto e de patente em razão de condenação superior a dois anos de privação de liberdade, desde que o enxerguemos como dispositivo constitucional (...) Dessa forma, em primeira instância, ou mesmo em sede de tribunal por ocasião de uma confirmação de condenação oriunda do primeiro grau ou em competência originária, a condenação pelo crime (comum ou militar, como dispõe o inciso VII do § 3º do art. 142 da CF) a pena privativa de liberdade superior a dois anos deve ser decidida sem preocupação quanto à pena acessória. Confirmada a condenação, perante o tribunal competente, será inaugurada, por representação do representante do Ministério Público , uma nova questão, não mais de ordem penal militar, mas de ordem ética, materializada pelo julgamento acerca da indignidade ou incompatibilidade para com o oficialato.” 3 No entanto, com a nova redação do art. 99, podemos perfeitamente, após muitos anos de discussão, considerar tal dispositivo como norma constitucional, já que tem como parâmetros todos aqueles ditames justamente por mencionar a regra prevista no art. 142, §3º, VI da CRFB/1988. 2. INDIGNIDADE E INCOMPATIBILIDADE PARA COM OFICIALATO INDIGNIDADE PARA O OFICIALATO Art. 100 . Fica sujeitoà declaração de indignidade para o oficialato o militar condenado, qualquer que seja a pena, nos crimes de traição, espionagem ou cobardia, ou em qualquer dos definidos nos arts. 161, 235, 240, 242, 243, 244, 245, 251, 252, 303, 304, 311 e 312. INCOMPATIBILIDADE COM O OFICIALATO Art. 101. Fica sujeito à declaração de incompatibilidade com o oficialato o militar condenado nos crimes dos arts. 141 e 142. A primeira pena acessória decorre dos crimes de desrespeito a símbolo nacional, pederastia ou outro ato libidinoso, furto simples, roubo simples, extorsão simples, extorsão mediante sequestro, chantagem, estelionato, abuso de pessoa, peculato, peculato mediante aproveitamento de erro de outrem, falsificação de documento, falsidade ideológica. Já a segunda é pena acessória decorrente de condenação nos crimes, respectivamente, de entendimento para gerar conflito ou divergência com o Brasil, e o de tentativa contra a soberania do Brasil. Entretanto, é importante mencionar que tais dispositivos não foram recepcionados pela CRFB/88, apesar de estarem mantidos com a Lei nº 14.688/2023 (PASMEM, SENHORES!). O fato é que a indignidade e a incompatibilidade nada mais são que instrumentos para a perda de posto e patente, e não meramente penas acessórias, assim como também ratifica Neves: 3 NEVES, Cícero Robson Coimbra. Manual de Direito Penal Militar. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2014, pág. 275 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 35 70 ==92980== “Dessa forma, só é possível aplicar o que dispõe a Constituição Federal se entendermos a declaração de indignidade/incompatibilidade para o oficialato como simples pré-requisito para a perda do posto e da patente do oficial” 4 E seguindo esse pensamento, assim entendeu o STM: “EMENTA: CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO. LEI Nº 5.836/72. QUESTÃO DE ORDEM SUSCITADA DE OFÍCIO. PROTOCOLIZAÇÃO DE PETIÇÃO APÓS A APRESENTAÇÃO DA DEFESA ESCRITA. VIOLAÇÃO DO RITO PROCEDIMENTAL. INOVAÇÃO NA ARGUMENTAÇÃO. ART. 100 DO CÓDIGO PENAL MILITAR. NÃO RECEPÇÃO. RECEBIMENTO DA PEÇA COMO MEMORIAIS. PROSSEGUIMENTO DO JULGAMENTO. MAIORIA. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SESSÃO SECRETA DE DELIBERAÇÃO DO CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO. REJEIÇÃO. MAIORIA. PRELIMINAR DE ILEGALIDADE/ILEGITIMIDADE DA REMESSA DOS AUTOS DO CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO PELO COMANDANTE DA MARINHA SEM A REPRESENTAÇÃO DA ADVOCACIAGERAL DA UNIÃO. REJEIÇÃO. MAIORIA. MÉRITO. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EM RELAÇÃO A UM DOS ITENS DO LIBELO ACUSATÓRIO. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. NÃO ACOLHIMENTO. CONCORDÂNCIA TÁCITA COM O RELATÓRIO DOS INTEGRANTES DO CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO. APRECIAÇÃO DA CONDUTA DO OFICIAL SOB O PONTO DE VISTA ÉTICO E MORAL. ESTATUTO DOS MILITARES. EXISTÊNCIA DE OFENSA À IMAGEM DA MARINHA DO BRASIL. OFICIAL NÃO JUSTIFICADO. UNÂNIME. A indignidade para o oficialato descrita no art. 100 do Códex Repressivo Militar não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 . Além disso, é importante ressaltar que a perda do posto e da patente decorre do quantum da pena para a instauração do Conselho de Justificação, não da natureza do delito perpetrado (...)” 5 3. EXCLUSÃO DAS FORÇAS ARMADAS EXCLUSÃO DAS FORÇAS ARMADAS Art. 102 . A condenação da praça a pena privativa de liberdade, por tempo superior a dois anos, importa sua exclusão das forças armadas. Perceba que esta pena acessória somente é aplicável às praças , e não aos oficiais. Parte da doutrina atual, e a posição antiga do STF, conforme RE nº 197.649-7/SP, assentava na inaplicabilidade deste dispositivo às praças das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares . Na visão de Neves, a pena acessória seria inconstitucional se fosse aplicada em face dos militares das Forças Auxiliares: “No que concerne às praças das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, no entanto, cediço nos tribunais, mesmo nos superiores, a inaplicabilidade do art. 102 do CPM, em face do contido no art. 125, § 4º, da CF, 5 STM, Con. Just. N.º 7000214-10.2022.7.00.0000, Rel. Min. Carlos Vuyk De Aquino, j. 25.10.2022 4 NEVES, Cícero Robson Coimbra. Manual de Direito Penal Militar. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2014, pág. 276 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 36 70 que remete a possibilidade de perda da graduação à competência do Tribunal de Justiça Militar ou ao Tribunal de Justiça, onde não houver órgão de segunda instância castrense. Nesses termos, o art. 102 do CPM deve ser considerado inconstitucional para a aplicação às praças das instituições militares estaduais.” 6 No entanto, o STF passou a entender em sentido contrário e, em sede de Tema de Repercussão Geral n. 1200, julgou RE no sentido de dar constitucionalidade à aplicação do art. 102 do CP às Forças Auxiliares, nas condições previstas, além de assentar também outras possibilidade de exclusão da praça policial militar ou bombeiro militar: “Improvimento do Recurso Extraordinário. Fixada, em repercussão geral, as seguintes teses: "1) A perda da graduação da praça pode ser declarada como efeito secundário da sentença condenatória pela prática de crime militar ou comum, nos termos do art. 102 do Código Penal Militar e do art. 92, I, "b", do Código Penal, respectivamente. 2) Nos termos do artigo 125, §4º, da Constituição Federal, o Tribunal de Justiça Militar, onde houver, ou o Tribunal de Justiça são competentes para decidir, em processo autônomo decorrente de representação do Ministério Público, sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças que teve contra si uma sentença condenatória, independentemente da natureza do crime por ele cometido".” 7 REDAÇÃO ANTERIOR PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA Art. 103 . Incorre na perda da função pública o assemelhado ou o civil : I - condenado a pena privativa de liberdade por crime cometido com abuso de poder ou violação de dever inerente à função pública; II - condenado, por outro crime, a pena privativa de liberdade por mais de dois anos. Parágrafo único . O disposto no artigo aplica-se ao militar da reserva, ou reformado, se estiver no exercício de função pública de qualquer natureza. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA Art. 103. Incorre na perda da função pública o civil: I - condenado a pena privativa de liberdade por crime cometido com abuso de poder ou violação de dever inerente à função pública; II - condenado, por outro crime, a pena privativa de liberdade por mais de dois anos. Parágrafo único . O disposto no artigo aplica-se ao militar da reserva, ou reformado, se estiver no exercício de função pública de qualquer natureza. Alteração pela Lei nº 14.688/2023, que retirou a figura do assemelhado, assim como fez em outros diversos dispositivos. 7 STF, ARE 1320744, Rel. Min. Alexandre deMoraes, j. 26.06.2023 6 NEVES, Cícero Robson Coimbra. Manual de Direito Penal Militar. 4.ed. São Paulo: Saraiva, pág. 278 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 37 70 Esta pena acessória, nos termos do caput do art. 103, é aplicável, em regra, apenas ao civil que cometeu crime militar, porém, conforme parágrafo único, há uma exceção na aplicabilidade para militar da reserva ou reforma que esteja exercendo função pública de qualquer natureza. INABILITAÇÃO PARA O EXERCÍCIO DE FUNÇÃO PÚBLICA Art. 104 . Incorre na inabilitação para o exercício de função pública, pelo prazo de dois até vinte anos , o condenado a reclusão por mais de quatro anos , em virtude de crime praticado com abuso de poder ou violação do dever militar ou inerente à função pública . TERMO INICIAL Parágrafo único . O prazo da inabilitação para o exercício de função pública começa ao termo da execução da pena privativa de liberdade ou da medida de segurança imposta em substituição, ou da data em que se extingue a referida pena. A mim parece que o legislador teve a intenção de impedir que o agente público retornasse ao exercício da função na qual praticou o crime. Perceba que, para que esta pena acessória seja aplicável, é necessária a conjugação de dois fatores: - Crime praticado com abuso de poder ou violação do dever militar ou inerente à função pública . - Condenação a pena de reclusão por mais de quatro anos . O período de inabilitação começa a ser contado quando o a pena é cumprida, ou quando é extinta. Perceba que o art. 108 do CPM inclui no período de inabilitação o tempo que o condenado passou sendo beneficiado pela suspensão condicional da pena ou pelo livramento condicional , se não houver revogação. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 38 70 REDAÇÃO ANTERIOR SUSPENSÃO DO PÁTRIO PODER, TUTELA OU CURATELA Art. 105 . O condenado a pena privativa de liberdade por mais de dois anos , seja qual for o crime praticado, fica suspenso do exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, enquanto dura a execução da pena , ou da medida de segurança imposta em substituição (art. 113). S USPENSÃO PROVISÓRIA Parágrafo único . Durante o processo pode o juiz decretar a suspensão provisória do exercício do pátrio poder, tutela ou curatela. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 INCAPACIDADE PARA O EXERCÍCIO DO PODER FAMILIAR, DA TUTELA OU DA CURATELA Art. 105. O condenado por cometimento de crime doloso sujeito a pena de reclusão praticado contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar ou contra filho, tutelado ou curatelado poderá, justificadamente e em atendimento ao melhor interesse do menor ou do curatelado, ter decretada a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela, enquanto durar a execução da pena ou da medida de segurança imposta em substituição nos termos do art. 113 deste Código. INCAPACIDADE PROVISÓRIA Parágrafo único. Durante o processo para apuração dos crimes descritos no caput deste artigo, poderá o juízo, justificadamente e em atendimento ao melhor interesse do menor ou do curatelado, decretar a incapacidade provisória para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela Além do iuris nomem , alteração tem dupla justificativa: 1 - alteração do nome “pátrio”, para apenas poder familiar , tendo em vista que a nomenclatura anterior simbolizava que apenas o pai tinha o poder familiar (mudança política); e 2 - atendimento do interesse do menor, já que a pena acessória tem que se levar em consideração a finalidade que a cumpre, desde que favorece esse. Outro destaque é que a pena acessória será aplicada apenas em caso de crime doloso, punido com pena de reclusão e que seja praticado contra um dos mencionados no dispositivo acima. Seu cumprimento se conjuntura com a pena principal, e a incapacidade do exercício do poder familiar só termina quando a pena for integralmente cumprida, ou então a medida de segurança imposta em substituição. Se for de extrema necessidade, justificado e visando o melhor interesse do menor ou curatelado, durante o decorrer da apuração dos delito regrado da forma que dispõe o caput o juízo poderá decretar, de forma provisória , a incapacidade do exercício do poder familiar, tutela ou curatela Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 39 70 SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS Art. 106 . Durante a execução da pena privativa de liberdade ou da medida de segurança imposta em substituição, ou enquanto perdura a inabilitação para função pública, o condenado não pode votar, nem ser votado. A suspensão dos direitos políticos é consequência natural da condenação , conforme art. 15 da Constituição: “É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: (...) III – condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos”. Chamo sua atenção para o fato de que a suspensão perdura enquanto durar a execução da pena ou medida de segurança, ou enquanto o condenado estiver inabilitado para função pública. A inabilitação, todavia, ultrapassa o período de cumprimento da pena. IMPOSIÇÃO DE PENA ACESSÓRIA Art. 107 . Salvo os casos dos arts. 99, 103, nº II, e 106, a imposição da pena acessória deve constar expressamente da sentença. A regra geral é de que a imposição de pena acessória deve vir expressa na sentença condenatória. As exceções são a perda de posto e patente, a perda de função pública pelo civil que for condenado a pena privativa de liberdade de mais de dois anos , e a suspensão dos direitos políticos (prevista pela própria Constituição). Independência das instâncias, exclusão das Forças Armadas e “bis in idem” EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPOSTA OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES REFLEXOS. TENTATIVA DE REEXAME DE TESES DEFENSIVAS. CONHECIMENTO DO RECURSO. OPORTUNIDADE PARA REAFIRMAR O ACERTO DO ACÓRDÃO HOSTILIZADO. REJEIÇÃO DOS ACLARATÓRIOS. DECISÃO UNÂNIME. A eventual aplicação de sanção disciplinar correlacionada a fatos ensejadores de Ação Penal Militar não tem o condão de , porventura, obstaculizar a imposição da pena acessória de exclusão das Forças Armadas , em sede judicial. Desmaterialização do brocardo "ne bis in idem" . Nesse cenário, há independência plena entre as Instâncias penal e administrativa, no que tange à perquirida comunicabilidade (abrangência e reflexos) das Decisões. Noutro giro, trata-se de temática suficientemente abordada no Acórdão recorrido.” 8 8 STM, EDcl Nº 7000193-05.2020.7.00.0000, Rel. Min. Marco Antônio De Farias, j. 25.06.2020 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM(Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 40 70 Já mais que obrigatório ser do seu conhecimento, mas não custa lembrar. SEMPRE LEVE A LETRA DE LEI NAS PROVAS OBJETIVAS! Em situações excepcionais, é necessário que você apresente a versão de algum doutrinador ou jurisprudência de algum Tribunal. Nestas ocasiões, o enunciado irá dar o comando! Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 41 70 D OS E FEITOS DA C ONDENAÇÃO REDAÇÃO ANTERIOR OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO Art. 109. São efeitos da condenação: I - tornar certa a obrigação de reparar o dano resultante do crime; PERDA EM FAVOR DA FAZENDA NACIONAL II - a perda, em favor da Fazenda Nacional, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito; b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a sua prática. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO Art. 109. São efeitos da condenação: I - tornar certa a obrigação de reparar o dano resultante do crime; PERDA EM FAVOR DA FAZENDA PÚBLICA II – a perda em favor da Fazenda Pública, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito; b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a sua prática. Estes são efeitos secundários ou extrapenais da condenação. Os efeitos principais, obviamente, correspondem à imposição da pena cominada para o crime. Os efeitos secundários previstos no art. 109 são de natureza civil . Há ainda outros efeitos, de natureza penal, indicados pela Doutrina e previstos em outros artigos, a exemplo da indução à reincidência, dilação do prazo da prescrição da pretensão executória, lançamento do nome do condenado no rol dos culpados, etc. A perda de bens em favor da Fazenda Pública corresponde a medida de confisco . Essa por sua vez tem dupla finalidade: a) Impedir que haja a difusão de instrumentos para a prática de novos crimes b) Proibir que ocorra o enriquecimento ilícito por parte do criminoso Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 42 70 ==92980== Muito cuidado, caro aluno, pois o efeito secundário de confisco presente no CPM, não abarca o chamado confisco alargado , advindo após o “Pacote Anticrime”, da Lei nº 13.964/2019, previsto no art. 91-A do CP. Também não é possível abarcar outros efeitos da condenação previstos no CP. De acordo com a doutrina, isso seria uma situação de analogia in malam partem , a qual é vedada no Direito Penal material, seja comum ou militar. Nesse sentido, Neves diz: “ No que concerne aos efeitos da condenação previstos no Código Penal, até mesmo por força do seu art. 12, não resistem eles à previsão da lei penal especial. Assim, em primeira análise, somos contra, por exemplo, a aplicação do confisco alargado em crimes militares, por não haver previsão expressa na lei penal especial, o Código Penal Militar, o que significaria analogia in malam partem” 1 No entanto, o supracitado entende ser possível a aplicação de efeitos da condenação que estejam previstos em outras leis especiais, por força da Lei 13.491/2017, como no caso da obrigação de reparar o dano pelo juiz, em valor a requerimento do ofendido, previsto no art. 4º, I, da Lei nº 13.869/2019 - Lei de Abuso de Autoridade: “As leis penais extravagantes, com tipo penais específicos e uma lógica de reprovação própria, com agravantes, atenuantes, efeitos da condenação etc.m podem se encaixar, hoje, nesse espectro, permitindo o translado de institutos de parte geral para o crime militar, sendo especiais em relação ao CPM, o que permite sustentar a prevalência da regra especial. Exemplificativamente, em um crime militar extravagante de abuso de autoridade, um dos efeitos da condenação é o de “tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração , considerando os prejuízos por ele sofridos”.” 2 2 NEVES, Cícero Robson Coimbra; STREIFINGER, Marcello. Manual de Direito Penal Militar. 7.ed. São Paulo: Editora JusPodivm, 2023, pág. 735 1 NEVES, Cícero Robson Coimbra; STREIFINGER, Marcello. Manual de Direito Penal Militar. 7.ed. São Paulo: Editora JusPodivm, 2023, pág. 734 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 43 70 QUESTÕES COMENTADAS 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM RO)/PM RO/Combatente/2022 Em tempos de paz, na lei penal militar, a aplicação, a militar, de pena privativa de liberdade superior a dois anos deverá ser cumprida em penitenciária militar e, na falta dessa, em estabelecimento prisional civil. Nesse contexto, considerando o estudo das penas, assinale a opção correta. a) O apenado militar que esteja em penitenciária comum estará sujeito ao regime da legislação penal militar. b) O tempo de prisão provisória, mesmo que em decorrência de outro crime, desde que reconhecido o excesso de tempo em decisão irrecorrível e posterior ao crime da condenação, será computado na pena privativa de liberdade. c) O civil condenado a pena aplicada em crime militar cumprirá a pena nos mesmos termos do militar. d) A condenação de praça da polícia militar a pena superior a dois anos implica, de imediato, a exclusão dele da corporação. e) A execução de pena de condenado a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos poderá ser suspensa por quatro a seis anos, desde que preenchidos os requisitos de natureza subjetiva. Comentários: A alternativa A está incorreta, pois, de acordo com o art. 61 do CPM, o militar que estiver cumprindo pena em estabelecimento prisional civil poderá gozar dos benefícios ali subsistentes. A alternativa B está correta, pois o militar que está em prisão provisória, no Brasil ou no exterior, assim como esteja cumprindo pena em excesso por outro crime, cujo reconhecimento seja prolatado em sentença judicial irrecorrível, terá o tempo em questão computado na posterior pena privativa de liberdade que venha a cumprir, conforme art. 67 de DPM A alternativa C está incorreta, pois o civil somente cumprirá a pena, por exemplo, em estabelecimento prisional militar em tempo de guerra. Em tempo de paz, cumpre em estabelecimento prisional civil, onde poderá gozar dos benefícios subsistentes. A alternativa D está incorreta, pois, apesar da aplicação possível pelo STF da pena acessória de exclusão das Forças Armadas para a praça, reconhecida inclusive no Tema de Repercussão Geral n° 1200, o art. 107 prevê que deve constarna sentença condenatória a previsão da exclusão do praça, seja das Forças Auxiliares, seja das Forças Armadas A alternativa E está incorreta e desatualizada. Isso porque, levando em consideração a legislação na época da questão, o sursi da pena era possível ao condenado a pena NÃO SUPERIOR A DOIS ANOS, e que podia ser suspensa de 2 a 6 anos, desde que cumprido os demais requisitos. Com Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 44 70 ==92980== a alteração pela Lei n° 14.688/2023, chamada de minirreforma do CPM, passa-se a suspender a execução da pena aos condenados por crime militar cuja pena privativa de liberdade não é, nos mesmos moldes, superior a 2 anos, mas que será suspensa de 3 a 5 anos, em caso de pena de reclusão, e de 2 a 4 anos, em caso de pena de detenção, desde que cumpra os demais requisitos. Gabarito: B 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (CBM RO)/CBM RO/Combatente/2022 No que concerne à pena e à sua aplicação, assinale a opção correta. a) É facultada a atenuação da pena do condenado que, por sua espontânea vontade, antes do julgamento, tenha reparado o dano causado pela ação criminosa. b) É incompatível o cumprimento de pena em estabelecimento de região diferente do local em que foi condenado, em face da repercussão na administração militar. c) Havendo mais de uma agravante ou mais de uma atenuante, devem ser aplicadas todas elas, respeitados os limites da pena prevista para o crime. d) As penas máximas e mínimas constituem diferença formal entre reclusão e detenção, uma vez que as penas variam entre 1 ano e 30 anos na reclusão, e entre 30 dias e 10 anos, na detenção. e) No caso de pena de suspensão do exercício do cargo, estando o condenado na reserva quando da sentença, este deverá apresentar-se para cumprir a suspensão, sem vencimentos. Comentários: A alternativa A está incorreta, pois, a circunstância atenuante prevista no art. 72, III, “b”, é direito subjetivo do denunciado, caso tenha procurado reparar o dano antes do julgamento A alternativa B está incorreta, pois, de acordo com o art. 68 do CPM, existe a possibilidade de o condenado pela Justiça Militar de uma região, distrito ou zona poder cumprir a pena em estabelecimento de outra região, distrito ou zona. A alternativa C está incorreta, pois havendo mais de uma agravante ou atenuante, o juiz deve-se limitar apenas a uma agravante ou atenuante, conforme art. 74 do CPM. No caso, entretanto, de concurso de causas especiais de aumento de pena ou diminuição de pena, o juiz deve limitar-se a que mais diminui ou aumenta A alternativa D está correta, pois, de fato, o mínimo da reclusão é de 1 ano e o máximo de 30 anos; e de detenção o mínimo é de 30 dias e máximo de 10 anos, conforme art. 58 do CPM. A alternativa E está incorreta e desatualizada, pois: (a) na vigência da redação à época da questão comentada, quando já estivesse o agente na reserva ou reforma - para militares -, ou aposentado - para os civis - sua pena seria convertida em detenção de 3 meses a 1 ano; e (b) com a Lei n° 14.688/2023, foram revogadas as penas de Suspensão de posto, graduação e cargo, e de reforma. Gabarito: D Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 45 70 QUESTÕES COMENTADAS 1. DPU - Defensor Público Federal – 2017 – Cespe. Acerca da aplicação da lei penal militar, dos crimes militares e da aplicação da pena no âmbito militar, cada um do item que se segue apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Em uma festa de confraternização nas dependências de um quartel, alguns militares, conscientemente, ingeriram bebida alcoólica. Lá mesmo, apresentando sintomas de embriaguez, um deles cometeu crime militar e foi preso, o que o tornou réu em ação penal militar. Nessa situação, o estado de embriaguez do militar será considerado circunstância para atenuar a pena. Comentários Errado! Em se tratando de embriaguez incompleta e voluntária, não prevê o Código Penal Militar qualquer atenuante para o crime praticado nessa hipótese. Ao contrário, configura circunstância agravante da pena, conforme o art. 70, inciso II, alínea c. Art. 70. São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não integrantes ou qualificativas do crime: (...) II - ter o agente cometido o crime: (...) c) depois de embriagar-se, salvo se a embriaguez decorre de caso fortuito, engano ou força maior; Não confunda! a) Embriaguez completa, oriunda de caso fortuito ou força maior (art. 49, caput): torna o agente inimputável. b) Embriaguez incompleta, oriunda de caso fortuito ou força maior (art. 49, parágrafo único): o agente ainda é imputável, contudo a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. É causa de diminuição de pena (não é circunstância atenuante, mas causa de diminuição de pena). c) Estar o militar embriagado quando cometeu o delito: é circunstância agravante da pena, salvo se a embriaguez resultar de caso fortuito, força maior ou engano e não constituir elemento constitutivo ou qualificadora de outro crime. Ex.: não incide a agravante no crime de embriaguez no serviço (art. 202 do CPM), pois aqui ela é elemento constitutivo do tipo penal. Art. 202. Embriagar-se o militar, quando em serviço, ou apresentar-se embriagado para prestá-lo: Pena - detenção, de seis meses a dois anos. GABARITO: ERRADO 2. (2021/MPM/MPM - Promotor) NA APLICAÇÃO DA PENA, CONSIDERADA A SEGUNDA FASE, NA QUAL SE AVALIAM AS CIRCUNSTÂNCIAS LEGAIS E NÃO MAIS AS Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 46 70 CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS, APLICADO O SISTEMA TRIFÁSICO AO DIREITO PENAL MILITAR, É CORRETO AFIRMAR-SE: a) Serão levadas em conta as agravantes e as atenuantes, previstas nos arts. 70 e 72 do CPM, bem como as previstas no art. 53, § 2º, do CPM, que se referem às agravantes para os casos de concurso de agentes, variando entre 1/5 e 1/3 , guardados os limites da pena cominada ao crime; b) A pena será atenuada, no concurso de agentes, nos casos em que a participação é de somenos importância, prevista no art. 53, § 3º, do CPM, facultando ao juiz a redução aquém do mínimo cominado, com idêntico critério da lei penal comum; c) A agravante do art. 70, II, letra c, depois de embriagar-se, salvo se a embriaguez decorre de caso fortuito, engano ou força maior, aplicar-se-á aos agentes militares e civis, embora prevista apenas no CPM; d) Só ao militar aplicam-se as agravantes das letra l, m e o, do art. 70 do CPM: estando em serviço, com emprego de arma de serviço e em país estrangeiro, porque são agravantes subjetivas. Comentários Vamos por alternativa: A alternativa A é o nosso gabarito, tendo em vista que as agravantes e as atenuantes genéricas se aplicam na segunda fase da dosimetria da pena, assim como as agravantes previstas no art. 53, §2°, que com aquelas se identificam. Ambas obedecem ao parâmetro adotado no art. 73, ou seja, aumentando ou diminuindo entre 1/5 e 1/3. A alternativa B está incorreta, pois, no CPM, aplica-se o art. 73 também, tendo em vista que não há menção ao mesmo parâmetro adotado no CP. Na alternativa C, o examinador iria te derrubar, mas você é “safo” e entendeu a maldade. Inicialmente, nem toda agravante de embriaguez será aplicada aos civis e militares. Aos primeiros, apenas será considerada a preordenada, enquanto para os outros, qualquer uma espécie de embriaguez será possível de agravar a pena. Caso você não fosse por esse caminho, poderia ir pela a ideia de que, no CP, também existe a previsão da embriaguez como agravante, no entanto, de natureza preordenada. Por fim, aalternativa D buscou o entendimento do candidato quanto à natureza das agravantes. Senhores, das alíneas aí comentadas, apenas duas são de natureza subjetiva, já que se revelam pelos MOTIVOS: em serviço e em país estrangeiro. Já quanto ao emprego de arma de serviço, nós estamos falando de MEIO, o que a caracteriza como de natureza OBJETIVA. Assim, a alternativa erra ao falar que todas são subjetivas. GABARITO: A 3. (2023 - INÉDITA - ESTRATÉGIA) Julgue a afirmativa abaixo de acordo com o CPM e a Lei n° 14.688/2023. Aspirante a PM Josefino, em situação inusitada, pegou sua arma e, em local sob administração militar, apontou sua arma para colegas do alojamento do CFO e, sob grave ameaça, pediu para Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 47 70 ==92980== que todos dessem seus pertences sob possibilidade de matar todos. Dessa forma, sem terem como reagir à situação criminosa, eles entregaram seus pertences, fugindo o Aspirante logo em seguida. Baseado nesse caso concreto, é possível afirmar que Josefino vai responder em concurso material de crimes, por ter praticado mais de uma ação e ter subtraído mais de um pertence, cometendo, assim, vários crimes. Comentários Com a alteração da Lei 14.688/2023, agora, o CPM passou a adotar a mesma solução no caso de concurso de crimes, sejam eles materiais ou formais. No caso, trata-se de agente que, mediante apenas uma grave ameaça, com o emprego de arma de fogo, subtraiu vários pertences, o que enseja no concurso formal impróprio, devendo-se adotar o cúmulo material na unificação das penas. Não é caso de concurso material, pois, para ser assim, é necessário que o agente pratique mais de uma ação ou omissão. No nosso caso hipotético, apesar de subtrair vários pertences, ele efetuou apenas uma grave ameaça que se estende a todos . GABARITO: ERRADO Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 48 70 QUESTÕES COMENTADAS 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM SC)/PM SC/2023 Considerando o que dispõe o Código Penal Militar (CPM) acerca de suspensão condicional da pena, assinale a opção correta. a) A execução da pena pode ser suspensa pelo prazo máximo de oito anos desde que os antecedentes, a personalidade e a conduta posterior do agente autorizem a presunção de que ele não voltará a delinquir. b) A suspensão condicional da pena pode ser estendida às penas de reforma, suspensão do exercício do posto, graduação, função ou à pena acessória. c) A suspensão condicional da pena não pode ser aplicada, por exemplo, ao agente que, em tempo de paz, tenha praticado crime contra a segurança nacional ou que tenha praticado violência contra superior. d) Não é necessário que, na sentença, o juiz especifique as condições a que fica subordinada a suspensão. e) Não haverá a revogação da suspensão caso o condenado descumpra qualquer das condições impostas na sentença. Comentários: A alternativa A está incorreta e desatualizada, pois: (a) à época em que foi feita a prova da questão in comento, a redação previa a suspensão da execução da pena de dois a seis anos, e não de oito anos, e (b) com a Lei 14.688/2023, a suspensão condicional da pena passa-se para três a cinco anos, no caso de pena de reclusão, e de dois a quatro anos, no caso de pena de detenção A alternativa B está incorreta e desatualizada, pois: (a) à época em que foi feita a prova da questão in comento, a redação previa no art. 84, parágrafo único do CPM, que a suspensão condicional da pena não se aplicava às penas de reforma, suspensão do exercício do posto, graduação ou função, à pena acessória, e sequer impedia o cumprimento da medida de segurança não detentiva; e (b) com a Lei 14.688/2023, não existe mais a previsão de pena de reforma nem da suspensão, prevalecendo, no entanto, na nova redação do dispositivo, a inaplicabilidade do sursi da pena para as penas acessórias e as medidas de segurança não detentivas. A alternativa C está correta, pois, de fato, não se aplica o sursi da pena aos crimes narrados, por força do art. 88, II, “a” do CPM A alternativa D está incorreta, pois, conforme art. 85 do CPM o juiz deve, sim, especificar as condições a serem cumpridas no sursi no momento da prolação da sentença. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 49 70 A alternativa E está incorreta, pois é facultativa, sim a revogação do sursi da pena quando o agente deixa de cumprir qualquer condição prevista na sentença, conforme art. 86, §1° do CPM Gabarito: C 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (CBM RO)/CBM RO/Combatente/2022 A respeito da suspensão condicional da pena (sursis), julgue os itens que se seguem. I Trata-se de medida alternativa que evita a restrição da liberdade, embora conserve seu caráter de pena. II O sursis ostenta a categorização jurídica de medida alternativa, de modo que o período de prova não se confunde com o tempo de cumprimento de pena. III O tempo do período de prova pode ser utilizado como requisito para a obtenção de livramento condicional. IV Se for reformada a condenação, o período de prova do sursis cumprido pode ser utilizado para a diminuição da pena, em condenação por outro crime. Assinale a opção correta. a) Apenas o item I está certo. b) Apenas o item II está certo. c) Apenas o item III está certo. d) Apenas o item IV está certo. e) Nenhum item está certo. Comentários: A afirmativa I está incorreta, pois o sursi da pena, realmente, não possui natureza de pena, já que é instituto que a substitui. A afirmativa II está correta, pois, de fato, como explicado acima, ela substitui a execução da pena. Conduto, seu período de prova, não pode ser levado em consideração para cumprimento de pena, já que, se assim fosse, não seria substitutiva, mas sim impositiva. Além disso, se revogada, o agente cumprirá integralmente a pena. A afirmativa III está incorreta, pois não é possível a utilização do período de prova para a obtenção do livramento constitucional, justamente porque não possui característica de cumprimento de pena Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 50 70 ==92980== A afirmativa IV está incorreta pois, novamente, a suspensão condicional da pena não é cumprimento de pena e, por isso, não pode ser utilizada como parâmetro para atenuação da pena. Gabarito: B Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 51 70 QUESTÕES COMENTADAS 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM SC)/PM SC/2023 Capitão Martins, integrante da PMSC, foi condenado a uma pena superior a dois anos pela prática de crime militar. Após o cumprimento parcial da pena, capitão Martins solicitou livramento condicional da pena. Considerando a situação hipotética precedente e o que dispõe o Código Penal Militar (CPM) acerca do assunto, assinale a opção correta. a) Cumpridas as demais condições, será concedido o livramento condicional ao capitão Martins caso ele cumpra metade da pena, se reincidente, ou dois terços da pena, se primário. b) Entre outras condições, é necessário o cumprimento de metade da pena para que se conceda o livramento condicional ao agente que, em tempo de paz, tenha praticado crime contra a segurança externa do país, crime de motim ou que tenha praticado violência contra militar de serviço. c)O livramento condicional será concedido mediante parecer do Conselho Penitenciário, ouvido o diretor do estabelecimento em que está ou tenha estado o liberando, sendo desnecessário ouvir o representante do Ministério Público da Justiça Militar. d) O livramento condicional que for revogado poderá ser novamente concedido. e) Terminado o prazo de cumprimento do livramento condicional sem que haja a sua revogação, a pena privativa de liberdade será considerada extinta. Comentários: A alternativa A está incorreta, pois será concedido o livramento condicional no cumprimento de metade da pena, se primário, e 2/3 da pena se reincidente. A alternativa B está incorreta, pois nestes casos não está vinculado ao cumprimento da metade da pena, mas sim de 2/3 dela. A alternativa C está incorreta, pois é necessário ouvir o membro do Ministério Público, conforme art. 91 do CPM A alternativa D está incorreta, pois, em regra, não pode ser novamente concedida, salvo quando a revogação resulta de condenação por infração anterior à concessão do benefício. Se a questão fala-se de forma excepcional, poder-se-ia considerar a alternativa como correta. A alternativa E está correta, em conformidade com o art. 95, caput do CPM Gabarito: E Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 52 70 QUESTÕES COMENTADAS 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM SC)/PM SC/2023 Segundo o que dispõe o Código Penal Militar (CPM), são previstos(as) como pena principal e pena acessória, respectivamente, a) a reclusão e a reforma. b) a prisão e a perda do posto e da patente. c) a exclusão das Forças Armadas e o impedimento. d) a indignidade para o oficialato e a incompatibilidade com o oficialato. e) a suspensão dos direitos políticos e a detenção. Comentários: ATENÇÃO PARA A ALTERAÇÃO DA LEI N° 14.688/2023 Não existe mais a previsão das penas principais de reforma e de suspensão do exercício do posto, graduação ou função! Alternativa A incorreta. Reclusão e Reforma, são penas principais Alternativa B correta. Prisão é pena principal e perda de posto e patente é acessória Alternativa C incorreta. Exclusão das Forças Armadas é pena acessória, e impedimento é principal. Lembrando que a questão quer na ordem narrada: principal e acessória Alternativa D incorreta. São penas ACESSÓRIAS Alternativa E incorreta. A suspensão dos direitos políticos é acessória e a detenção é pena principal. Lembrando que a questão quer na ordem narrada: principal e acessória Gabarito: B 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM RO)/PM RO/Combatente/2022 A pena acessória de perda do posto e da patente a) será automática, independentemente de pena, quando o militar estadual for condenado pelo tribunal do júri. b) aplica-se apenas a praças e a oficiais das forças armadas, quando se tratar de pena privativa de liberdade superior a dois anos. c) será declarada pelo juiz, de ofício, em sentença condenatória cuja pena seja superior a quatro anos. d) dependerá de julgamento próprio por tribunal competente. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 53 70 e) será aplicada ao militar estadual quando declarada, em sentença condenatória irrecorrível, sua indignidade para o oficialato. Comentários: A alternativa A está incorreta, pois a pena acessória de posto e patente é pena acessória, a qual, por força do art. 99 do CPM, e do art. 142, §3°, VI e VII, depende de julgamento por tribunal competente, em tempo de paz, e de caráter especial, em tempo de guerra. Sendo assim, não é automática. Lembrar que, apesar de falar no art. 107 que a pena acessória é de forma automática, no que tange à esta parte em especial, ela não foi recepcionada pela CRFB/88. A alternativa B está incorreta, pois ela não se aplica às praças, mas sim aos oficiais, apenas. A alternativa C está incorreta, pois depende de representação do órgão do Ministério Público, e ainda assim, não se aplica às condenações com pena privativa de liberdade superiores à 4 anos, mas sim à 2 anos. A alternativa D está correta, pois, em conformidade com a CRFB/88, depende de julgamento próprio em tribunal competente, em tempo de paz, ou de caráter especial, em tempo de guerra. A alternativa E está incorreta pois, a perda de posto e patente, com relação à pena de indignidade para o oficialato, prevista também no CPM, em nada se assemelha. No entanto, a indignidade e incompatibilidade para o oficialato, a luz da CRFB/88, possui a mesma definição e efeitos da perda de posto e patente do CPM. Entretanto, a alternativa dá a entender que a mera sentença permite a sua aplicabilidade, sendo que na verdade depende de decisão de Tribunal competente. Ou seja, em primeiro lugar, depende de representação do Ministério Público e depois decisão por órgão colegiado. Gabarito: D Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 54 70 ==92980== QUESTÕES COMENTADAS 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM RO)/PM RO/Combatente/2022 Na conclusão de inquérito policial militar, verificada a ocorrência da extinção da punibilidade em razão da prescrição, poderá o encarregado solicitar ao juiz competente que ordene o confisco de bens particulares do então investigado, desde que consistam em coisas a) ocultas ou desaparecidas, quando serviram de instrumento do crime. b) de valor significativo ou de utilidade às atividades militares. c) que sejam, por direito, de terceiro de boa-fé. d) que constituam proveito auferido ou produto da prática do crime. e) que foram utilizadas para a prática de ilícito. Comentários: Em conformidade com o art. 119, III do CPM poderá o encarregado solicitar ao juiz competente que ordene o confisco de bens particulares do então investigado, desde que consistam em coisas ocultas ou desaparecidas, quando serviram de instrumento do crime. Art. 119. O juiz, embora não apurada a autoria, ou ainda quando o agente é inimputável, ou não punível, deve ordenar o confisco dos instrumentos e produtos do crime, desde que consistam em coisas: I - cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitui fato ilícito; II - que, pertencendo às forças armadas ou sendo de uso exclusivo de militares, estejam em poder ou em uso do agente, ou de pessoa não devidamente autorizada; III - abandonadas, ocultas ou desaparecidas. Gabarito: A 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (CBM RO)/CBM RO/Combatente/2022 Ao realizar a fiscalização noturna, durante o serviço ordinário na função de oficial de dia, o tenente Moraes observou o cabo Duarte dormindo durante seu plantão, na guarita de entrada do 20º Grupamento de Bombeiros Militar de Rondônia. Não conseguindo conter sua indignação, o tenente Moraes desferiu golpes com seu próprio capacete de combate a incêndio no rosto do cabo Duarte, vindo a quebrar-lhe os dentes frontais. Considerando a situação hipotética apresentada e, diante da condenação pela prática do crime militar de violência contra militar de Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 55 70 serviço, prevista no artigo 158 do Código Penal Militar, e dos efeitos dela advindos, assinale a opção correta. a) Será certa a perda do instrumento utilizado no crime em favor da Fazenda Nacional, ainda que haja direito de terceiro de boa-fé. b) O tenente Moraes fica livre de reparar os danos causados ao cabo Duarte, tendo em vista que a conduta praticada foi consequência óbvia do comportamento do subordinado. c) Será certa a perda do capacetedo tenente Moraes em favor da Fazenda Nacional, já que o instrumento foi utilizado no crime. d) Será certa a obrigação do tenente Moraes de reparar o dano causado ao cabo Duarte, todavia, não haverá perda do instrumento do crime em favor da Fazenda Nacional. e) Será certa a obrigação do tenente Moraes de reparar o dano causado ao cabo Duarte e a perda do capacete em favor da Fazenda Nacional. Comentários: ATENÇÃO PARA A ALTERAÇÃO PELA LEI 14.688/2023 Na questão, usa-se o termo Fazenda Nacional, que realmente estava previsto na antiga redação do CPM. Entretanto, com a minirreforma do CPM, passou-se a chamar FAZENDA PÚBLICA. Cuidado com este detalhe! A afirmativa A está incorreta, pois, se existir direito de terceiro de boa-fé, este deve ser preservado! A afirmativa B está muito incorreta, pois é obrigação do agente em reparar os danos causados pelo crime, conforme art. 109, I do CPM A afirmativa C está incorreta, tendo em vista que a perda para a Fazenda Pública deve se dar diante do uso de instrumento de natureza ilícita, o que não ocorre com o capacete. A afirmativa D está correta, pois, em conformidade com as explicações anteriores, existe a obrigação de reparar os danos causados, mas como o capacete não constitui instrumento de natureza ilícita, não haverá perda para a Fazenda Pública, em conformidade com o art. 109, I e II “a”. A afirmativa E está incorreta, pois apenas a reparação do dano causado é obrigatória. Gabarito: D Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 56 70 ==92980== LISTA DE QUESTÕES 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM RO)/PM RO/Combatente/2022 Em tempos de paz, na lei penal militar, a aplicação, a militar, de pena privativa de liberdade superior a dois anos deverá ser cumprida em penitenciária militar e, na falta dessa, em estabelecimento prisional civil. Nesse contexto, considerando o estudo das penas, assinale a opção correta. a) O apenado militar que esteja em penitenciária comum estará sujeito ao regime da legislação penal militar. b) O tempo de prisão provisória, mesmo que em decorrência de outro crime, desde que reconhecido o excesso de tempo em decisão irrecorrível e posterior ao crime da condenação, será computado na pena privativa de liberdade. c) O civil condenado a pena aplicada em crime militar cumprirá a pena nos mesmos termos do militar. d) A condenação de praça da polícia militar a pena superior a dois anos implica, de imediato, a exclusão dele da corporação. e) A execução de pena de condenado a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos poderá ser suspensa por quatro a seis anos, desde que preenchidos os requisitos de natureza subjetiva. 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (CBM RO)/CBM RO/Combatente/2022 No que concerne à pena e à sua aplicação, assinale a opção correta. a) É facultada a atenuação da pena do condenado que, por sua espontânea vontade, antes do julgamento, tenha reparado o dano causado pela ação criminosa. b) É incompatível o cumprimento de pena em estabelecimento de região diferente do local em que foi condenado, em face da repercussão na administração militar. c) Havendo mais de uma agravante ou mais de uma atenuante, devem ser aplicadas todas elas, respeitados os limites da pena prevista para o crime. d) As penas máximas e mínimas constituem diferença formal entre reclusão e detenção, uma vez que as penas variam entre 1 ano e 30 anos na reclusão, e entre 30 dias e 10 anos, na detenção. e) No caso de pena de suspensão do exercício do cargo, estando o condenado na reserva quando da sentença, este deverá apresentar-se para cumprir a suspensão, sem vencimentos. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 57 70 ==92980== GABARITO 1. Letra B 2. Letra D Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 58 70 LISTA DE QUESTÕES 1. DPU - Defensor Público Federal – 2017 – Cespe. Acerca da aplicação da lei penal militar, dos crimes militares e da aplicação da pena no âmbito militar, cada um do item que se segue apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Em uma festa de confraternização nas dependências de um quartel, alguns militares, conscientemente, ingeriram bebida alcoólica. Lá mesmo, apresentando sintomas de embriaguez, um deles cometeu crime militar e foi preso, o que o tornou réu em ação penal militar. Nessa situação, o estado de embriaguez do militar será considerado circunstância para atenuar a pena. 2. (2021/MPM/MPM - Promotor) NA APLICAÇÃO DA PENA, CONSIDERADA A SEGUNDA FASE, NA QUAL SE AVALIAM AS CIRCUNSTÂNCIAS LEGAIS E NÃO MAIS AS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS, APLICADO O SISTEMA TRIFÁSICO AO DIREITO PENAL MILITAR, É CORRETO AFIRMAR-SE: a) Serão levadas em conta as agravantes e as atenuantes, previstas nos arts. 70 e 72 do CPM, bem como as previstas no art. 53, § 2º, do CPM, que se referem às agravantes para os casos de concurso de agentes, variando entre 1/5 e 1/3 , guardados os limites da pena cominada ao crime; b) A pena será atenuada, no concurso de agentes, nos casos em que a participação é de somenos importância, prevista no art. 53, § 3º, do CPM, facultando ao juiz a redução aquém do mínimo cominado, com idêntico critério da lei penal comum; c) A agravante do art. 70, II, letra c, depois de embriagar-se, salvo se a embriaguez decorre de caso fortuito, engano ou força maior, aplicar-se-á aos agentes militares e civis, embora prevista apenas no CPM; d) Só ao militar aplicam-se as agravantes das letra l, m e o, do art. 70 do CPM: estando em serviço, com emprego de arma de serviço e em país estrangeiro, porque são agravantes subjetivas. 3. (2023 - INÉDITA - ESTRATÉGIA) Julgue a afirmativa abaixo de acordo com o CPM e a Lei n° 14.688/2023. Aspirante a PM Josefino, em situação inusitada, pegou sua arma e, em local sob administração militar, apontou sua arma para colegas do alojamento do CFO e, sob grave ameaça, pediu para que todos dessem seus pertences sob possibilidade de matar todos. Dessa forma, sem terem como reagir à situação criminosa, eles entregaram seus pertences, fugindo o Aspirante logo em seguida. Baseado nesse caso concreto, é possível afirmar que Josefino vai responder em concurso material de crimes, por ter praticado mais de uma ação e ter subtraído mais de um pertence, cometendo, assim, vários crimes. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 59 70 ==92980== GABARITO 01 02 03 Errado A Errado Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 60 70 LISTA DE QUESTÕES 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM SC)/PM SC/2023 Considerando o que dispõe o Código Penal Militar (CPM) acerca de suspensão condicional da pena, assinale a opção correta. a) A execução da pena pode ser suspensa pelo prazo máximo de oito anos desde que os antecedentes, a personalidade e a conduta posterior do agente autorizem a presunção de que ele não voltará a delinquir. b) A suspensão condicional da pena pode ser estendida às penas de reforma, suspensão do exercício do posto, graduação, função ou à pena acessória. c) A suspensão condicional da pena não pode ser aplicada, por exemplo, ao agente que, em tempo de paz, tenha praticado crime contra a segurança nacional ou que tenha praticado violência contra superior.à possibilidade de aplicação da lei processual penal comum, em que incluímos a execução penal (LEP), por força do que dispõe a alínea a do art. 3º do CPPM. Em segundo aporte, parece--nos evidente que, por exemplo, a progressão de regime, sendo ela a essência da distinção entre detenção e reclusão, como veremos, está inerente ao estudo das penas principais, ou seja, não é possível, pela lacuna do CPM e do CPPM, conceituar detenção e reclusão, diferenciando-as, sem que se reporte à diferença nos regimes de cumprimento.” 1 Por outro lado, deve-se destacar que não são possíveis as Penas Restritivas de Direito no Direito Penal Militar, já que ele apenas aplica as legislações penais anteriormente citadas para complementar as Privativas de Liberdade. No entanto, há um precedente jurisprudencial do STF, entendendo que, quando o agente cumpre pena em estabelecimento penal comum, lá é possível submeter-se às regras INTEGRAIS da LEP, incluindo as restritivas de Direito. Nesse sentido: “EMENTA: HABEAS CORPUS. CRIME MILITAR. SUBSTITUIÇÃO DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE NA ESPÉCIE. HABEAS CORPUS DENEGADO. 1. É firme a jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal no sentido de não se admitir a aplicação da Lei n. 1 NEVES, Cícero Robson Coimbra. Manual de Direito Penal Militar. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2014, pág. 251. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 4 70 9.714/98 para as condenações por crimes militares, sendo esta de aplicação exclusiva ao Direito Penal Comum. Precedentes. 2. A conversão da pena privativa de liberdade aplicada pela Justiça Militar por duas restritivas de direito poderá ocorrer, pelo menos em tese, desde que o Paciente tenha de cumprir pena em estabelecimento prisional comum e a pena imposta não seja superior a dois anos, nos termos previstos no art. 180 da Lei de Execução Penal, por força do que dispõe o art. 2º, parágrafo único, daquele mesmo diploma legal. 3. Na espécie, contudo, a pena fixada ao Paciente foi de dois anos, nove meses e dezoito dias de reclusão. Não há, portanto, como ser reconhecido a ele o direito de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direito. 4. Habeas corpus denegado .” 2 Assim, recorrendo ao Código Penal comum, tanto a pena de reclusão como a de detenção terão que obedecer os requisitos do art. 33 do CP, sendo a primeira cumprida nos regimes fechado, semiaberto e aberto, a segunda apenas no regime semiaberto e aberto PENA REGIME DEFINIÇÃO QUANTIFICADOR Reclusão Fechado Execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média Condenado a pena superior a 8 anos Semiaberto Execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar Não reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos e não exceda a 8 anos Aberto Execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado Não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos MODALIDADE REGIMES CONCEITO REQUISITO QUANTITATIVO Detenção Semiaberto Execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar Não reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos e não exceda a 8 anos 2 STF, HC 91.709/CE, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 16.12.2008 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 5 70 ==92980== Aberto Execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado Não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos Deve-se reforçar, no entanto, a ideia de que a imposição de regime fechado, ou regime mais gravoso, não se deve apenas ao fato do quantum da pena, mas, sim, de análise da gravidade dos fatos em concreto conforme entendimento do Juiz ou do Conselho de Justiça. Da mesma forma, é possível o cumprimento da pena de reclusão em regime semiaberto , mesmo que o indivíduo seja reincidente - Súmula 269 STJ. No tocante ao mínimo e o máximo das penas de reclusão e detenção, o CPM, e somente ele, previu que, para a primeira, o máximo são 30 anos, com mínimo de 1 ano, enquanto para a segunda, o máximo é de 10 anos, com mínimo de 30 dias. PRISÃO . A pena de prisão baseia-se no quantum que foi aplicado para as penas de reclusão e detenção, quando o agente é condenado a uma das duas até 2 anos, desde que não seja cabível sursis penal. Funciona, a grosso modo, como uma espécie de pena substitutiva , cumprida da seguinte maneira: a) Oficial - recinto de estabelecimento militar. b) Praça - estabelecimento penal militar, no qual ficará privado dos demais que estejam em cumprimento de pena disciplinar ou privativa de liberdade superior a 2 anos. Quanto à separação das praças, essa determinação segue o princípio da hierarquia . As praças graduadas são o soldado, o cabo, o sargento e o subtenente. As praças especiais são os cadetes (alunos das academias militares) e os aspirantes a oficial (recém-formados que ainda não são tenentes). IMPEDIMENTO . O impedimento é a pena prevista para o crime de insubmissão . O criminoso permanece restrito à organização militar (menagem), participando normalmente das instruções militares (art. 63). A Doutrina diz que essa pena tem “nítido caráter ressocializador e educativo”. 1. O CPM não prevê a aplicação de pena de multa. 2. A Lei nº 14.688/2023 revogou as penas de reforma e suspensão do posto, graduação, cargo e função , assim como os arts. 64 e 65, os quais dispunham sobre a aplicação delas, respectivamente. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 6 70 3. Revogou-se o art. 60, que falava da pena do assemelhado, pessoa não mais prevista no CPM, inclusive por revogação do art. 21, que o conceituava. PENA SUPERIOR A DOIS ANOS, IMPOSTA A MILITAR Art. 61 - A pena privativa da liberdade por mais de 2 (dois) anos, aplicada a militar, é cumprida em penitenciária militar e, na falta dessa, em estabelecimento prisional civil, ficando o recluso ou detento sujeito ao regime conforme a legislação penal comum , de cujos benefícios e concessões, também, poderá gozar. Como já mencionado, o CPM aplica algumas disposições legais do CP e da LEP, de forma a regular o cumprimento da Pena Privativa de Liberdade. Entretanto, não é possível aplicar as regras dessas legislações no tocante às Restritivas de Direito ou Multa, abrindo precedentes para inovações que não fossem da vontade do Legislador Originário. Por outro lado, cumprindo pena em estabelecimento penal comum, é possível submeter-se integralmente às normas da LEP, incluindo a conversão da Pena Privativa de Liberdade em Restritiva de Direito, conforme já defendido anteriormente neste material, pautando-se na posição do STF. PENA SUPERIORd) Não é necessário que, na sentença, o juiz especifique as condições a que fica subordinada a suspensão. e) Não haverá a revogação da suspensão caso o condenado descumpra qualquer das condições impostas na sentença. 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (CBM RO)/CBM RO/Combatente/2022 A respeito da suspensão condicional da pena (sursis), julgue os itens que se seguem. I Trata-se de medida alternativa que evita a restrição da liberdade, embora conserve seu caráter de pena. II O sursis ostenta a categorização jurídica de medida alternativa, de modo que o período de prova não se confunde com o tempo de cumprimento de pena. III O tempo do período de prova pode ser utilizado como requisito para a obtenção de livramento condicional. IV Se for reformada a condenação, o período de prova do sursis cumprido pode ser utilizado para a diminuição da pena, em condenação por outro crime. Assinale a opção correta. a) Apenas o item I está certo. b) Apenas o item II está certo. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 61 70 c) Apenas o item III está certo. d) Apenas o item IV está certo. e) Nenhum item está certo. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 62 70 ==92980== GABARITO 1. Letra C 2. Letra B Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 63 70 LISTA DE QUESTÕES 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM SC)/PM SC/2023 Capitão Martins, integrante da PMSC, foi condenado a uma pena superior a dois anos pela prática de crime militar. Após o cumprimento parcial da pena, capitão Martins solicitou livramento condicional da pena. Considerando a situação hipotética precedente e o que dispõe o Código Penal Militar (CPM) acerca do assunto, assinale a opção correta. a) Cumpridas as demais condições, será concedido o livramento condicional ao capitão Martins caso ele cumpra metade da pena, se reincidente, ou dois terços da pena, se primário. b) Entre outras condições, é necessário o cumprimento de metade da pena para que se conceda o livramento condicional ao agente que, em tempo de paz, tenha praticado crime contra a segurança externa do país, crime de motim ou que tenha praticado violência contra militar de serviço. c) O livramento condicional será concedido mediante parecer do Conselho Penitenciário, ouvido o diretor do estabelecimento em que está ou tenha estado o liberando, sendo desnecessário ouvir o representante do Ministério Público da Justiça Militar. d) O livramento condicional que for revogado poderá ser novamente concedido. e) Terminado o prazo de cumprimento do livramento condicional sem que haja a sua revogação, a pena privativa de liberdade será considerada extinta. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 64 70 GABARITO 1. Letra E Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 65 70 ==92980== LISTA DE QUESTÕES 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM SC)/PM SC/2023 Segundo o que dispõe o Código Penal Militar (CPM), são previstos(as) como pena principal e pena acessória, respectivamente, a) a reclusão e a reforma. b) a prisão e a perda do posto e da patente. c) a exclusão das Forças Armadas e o impedimento. d) a indignidade para o oficialato e a incompatibilidade com o oficialato. e) a suspensão dos direitos políticos e a detenção. 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM RO)/PM RO/Combatente/2022 A pena acessória de perda do posto e da patente a) será automática, independentemente de pena, quando o militar estadual for condenado pelo tribunal do júri. b) aplica-se apenas a praças e a oficiais das forças armadas, quando se tratar de pena privativa de liberdade superior a dois anos. c) será declarada pelo juiz, de ofício, em sentença condenatória cuja pena seja superior a quatro anos. d) dependerá de julgamento próprio por tribunal competente. e) será aplicada ao militar estadual quando declarada, em sentença condenatória irrecorrível, sua indignidade para o oficialato. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 66 70 GABARITO 1. Letra B 2. Letra D Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 67 70 ==92980== LISTA DE QUESTÕES 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM RO)/PM RO/Combatente/2022 Na conclusão de inquérito policial militar, verificada a ocorrência da extinção da punibilidade em razão da prescrição, poderá o encarregado solicitar ao juiz competente que ordene o confisco de bens particulares do então investigado, desde que consistam em coisas a) ocultas ou desaparecidas, quando serviram de instrumento do crime. b) de valor significativo ou de utilidade às atividades militares. c) que sejam, por direito, de terceiro de boa-fé. d) que constituam proveito auferido ou produto da prática do crime. e) que foram utilizadas para a prática de ilícito. 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (CBM RO)/CBM RO/Combatente/2022 Ao realizar a fiscalização noturna, durante o serviço ordinário na função de oficial de dia, o tenente Moraes observou o cabo Duarte dormindo durante seu plantão, na guarita de entrada do 20º Grupamento de Bombeiros Militar de Rondônia. Não conseguindo conter sua indignação, o tenente Moraes desferiu golpes com seu próprio capacete de combate a incêndio no rosto do cabo Duarte, vindo a quebrar-lhe os dentes frontais. Considerando a situação hipotética apresentada e, diante da condenação pela prática do crime militar de violência contra militar de serviço, prevista no artigo 158 do Código Penal Militar, e dos efeitos dela advindos, assinale a opção correta. a) Será certa a perda do instrumento utilizado no crime em favor da Fazenda Nacional, ainda que haja direito de terceiro de boa-fé. b) O tenente Moraes fica livre de reparar os danos causados ao cabo Duarte, tendo em vista que a conduta praticada foi consequência óbvia do comportamento do subordinado. c) Será certa a perda do capacete do tenente Moraes em favor da Fazenda Nacional, já que o instrumento foi utilizado no crime. d) Será certa a obrigação do tenente Moraes de reparar o dano causado ao cabo Duarte, todavia, não haverá perda do instrumento do crime em favor da Fazenda Nacional. e) Será certa a obrigação do tenente Moraes de reparar o dano causado ao cabo Duarte e a perda do capacete em favor da Fazenda Nacional. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 68 70 GABARITO 1. Letra A 2. Letra D Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 69 70 ==92980==A DOIS ANOS, IMPOSTA A MILITAR PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE IMPOSTA A CIVIL Art. 62 - O civil cumpre a pena aplicada pela Justiça Militar, em estabelecimento prisional civil , ficando ele sujeito ao regime conforme a legislação penal comum, de cujos benefícios e concessões, também, poderá gozar. (Redação dada pela Lei nº 6.544, de 30.6.1978) CUMPRIMENTO EM PENITENCIÁRIA MILITAR Parágrafo único - Por crime militar praticado em tempo de guerra poderá o civil ficar sujeito a cumprir a pena, no todo ou em parte em penitenciária militar , se, em benefício da segurança nacional, assim o determinar a sentença. O civil condenado por crime militar cumpre a pena em estabelecimento civil, e a ele aplica-se a Lei de Execução Penal. Caso o civil, entretanto, pratique crime militar em tempo de guerra , poderá cumprir sua pena em penitenciária militar, mas, nesse caso, a sentença precisa ser específica. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 7 70 Em regra, o militar condenado a pena superior a 2 anos deve cumpri-la em penitenciária militar . Se não for possível, deve cumpri-la em estabelecimento civil , ficando sujeito à legislação comum quanto ao cumprimento da pena. O civil, em regra, cumpre pena em estabelecimento prisional civil , sujeitando-se ao regime comum quanto ao cumprimento da pena. Todavia, poderá cumpri-la em penitenciária militar , caso pratique crime em tempo de guerra e desde que a sentença assim o determine. SUPERVENIÊNCIA DE DOENÇA MENTAL Art. 66 . O condenado a que sobrevenha doença mental deve ser recolhido a manicômio judiciário ou, na falta deste, a outro estabelecimento adequado, onde lhe seja assegurada custódia e tratamento. O condenado que sofra de doença mental superveniente deve ser recolhido a manicômio judiciário ou outro estabelecimento adequado. O CPPM prevê, nesse caso, a transferência do condenado do estabelecimento prisional para hospital psiquiátrico. TEMPO COMPUTÁVEL Art. 67 . Computam-se na pena privativa de liberdade o tempo de prisão provisória , no Brasil ou no estrangeiro, e o de internação em hospital ou manicômio , bem como o excesso de tempo , reconhecido em decisão judicial irrecorrível, no cumprimento da pena, por outro crime, desde que a decisão seja posterior ao crime de que se trata. Esse é o dispositivo que autoriza a detração penal . O período em que o criminoso esteve em prisão provisória ou internado deve ser considerado para fins de cumprimento da pena definitiva. Também pode ser contado o tempo de pena que o condenado cumpriu em excesso , quando passou mais tempo preso do que o devido. Obviamente, essa hipótese somente é aplicável quando a decisão que reconhecer o excesso de tempo for posterior ao novo crime, pois, se assim não fosse, o condenado ficaria com “crédito” perante a Justiça Militar, e isso não é possível. O CPM, assim como o CP, autoriza a detração penal, devendo ser deduzido da pena privativa de liberdade o tempo de prisão provisória e o de internação em hospital ou manicômio, bem como o excesso de tempo . Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 8 70 A PLICAÇÃO DA P ENA REDAÇÃO ANTERIOR PENA BASE Art. 77. A pena que tenha de ser aumentada ou diminuída, de quantidade fixa ou dentro de determinados limites, é a que o juiz aplicaria, se não existisse a circunstância ou causa que importa o aumento ou diminuição. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 CÁLCULO DA PENA Art. 77. A pena-base será fixada de acordo com o critério definido no art. 69 deste Código e, em seguida, serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes e, por último, as causas de diminuição e de aumento de pena. Parágrafo único. Salvo na aplicação das causas de diminuição e de aumento, a pena não poderá ser fixada aquém do mínimo nem acima do máximo previsto em abstrato para o crime. Seria irresponsabilidade do professor, caro Estrategista, iniciar o estudo de aplicação da pena base do CPM sem antes conversar um pouco sobre essa alteração do art. 77, a sua importância e como era antes de sua atual redação. Trata-se de dispositivo relacionado com a dosimetria da pena , ou seja, o caminho perseguido pelo juiz ao sentenciar pessoa alvo de processo criminal, seja no âmbito da Justiça Comum ou Militar. No CP, podemos enxergar a adoção do sistema trifásico , pela simples redação do art. 68, tracejando o cálculo da pena da seguinte forma: 1º) Fixa-se a pena base, com base no art. 59. 2º) Aplicam-se as agravantes e atenuantes genéricas. 3º) Aplicam-se as causas especiais de aumento e diminuição. Tal sistema, no entanto, antes da alteração da Lei nº 14.688/2023, não encontrava guarida legal para sua aplicação no Direito Penal Militar, o que nos fazia recorrer, de forma integrativa, à Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 9 70 disposição prevista do sistema trifásico do CP. Veja como se posiciona Ronaldo Roth nesse sentido: “Inicialmente, é de se afirmar que o cálculo da pena segue o método trifásico, aplicando-se nesse sentido a norma do art. 68 do Código Penal Comum (CPComum), diante da lacuna sobre o tema no Código Penal Militar (CPM)” 1 Não só na doutrina, mas também na jurisprudência, vinha se fixando o mesmo posicionamento, tanto que foi fomentando, no Informativo n. 482 do STF , a mesma posição de adoção ao sistema trifásico ao CPM, entendo que, mesmo sem dispositivo específico explicando, a topografia no capítulo de Aplicação da Pena já mostrava razoável essa forma de cômputo: “A aplicação da pena deve obedecer, em se tratando de crimes comuns, ao critério trifásico adotado pelo Código Penal nos artigos 59 e 68. Em um primeiro momento , após concluir de modo afirmativo pela materialidade e pela autoria do crime, o Juiz deve fixar a quantidade da pena a ser aplicada dentro dos limites estabelecidos pelo legislador . Nessa tarefa cumpre-lhe observar a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos, as circunstâncias e as conseqüências do ilícito, e o comportamento da vítima. Em um segundo momento , o Juiz deve majorar ou diminuir a pena-base fixada conforme verifique a existência de circunstâncias atenuantes , previstas no artigo 65, ou agravantes , previstas nos artigos 61 e 62 do Código. Na terceira e última fase de aplicação da pena tem lugar a incidência das causas de diminuição e de aumento , em geral previstas na parte especial do Código Penal, e cuja expressão é previamente estabelecida dentro de uma margem expressamente estabelecida pelo próprio legislador. O Código Penal Militarapresenta-nos sistemática em tudo semelhante . O artigo 69 desse diploma estabelece que "Para fixação da pena privativa de liberdade, o juiz aprecia a gravidade do crime praticado e a personalidade do réu, devendo ter em conta a intensidade do dolo ou grau da culpa, a maior ou menor extensão do dano ou perigo de dano, os meios empregados, o modo de execução, os motivos determinantes, as circunstâncias de tempo e lugar, os antecedentes do réu e sua atitude de insensibilidade, indiferença ou arrependimento após o crime". No artigo 70, o Código Penal Militar esclarece as "circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não integrantes ou qualificativas do crime". No artigo 72, as "circunstâncias que sempre atenuam a pena"; e o artigo 76 trata da aplicação das causas especiais de aumento e de diminuição de pena .” 2 Com a alteração advinda da minirreforma do CPM , atingiu-se o pretendido, que era a legalidade e a segurança dos entendimentos acima mencionados, mesmo que já de notória aplicação. Posto isso, passamos para o estudo das 3 fases, começando pela Fase de Fixação da Pena Base 2 STF, HC 92.116/RJ, Rel. Min. Menezes Direito, j. 25.09.2007. 1 ROTH, Ronaldo João. O cálculo da pena no processo penal militar. Revista Direito Militar , Santa Catarina: AMAJME, n. 67, 2007. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 10 70 FIXAÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE Art. 69. Para fixação da pena privativa de liberdade, o juiz aprecia a gravidade do crime praticado e a personalidade do réu, devendo ter em conta a intensidade do dolo ou grau da culpa, a maior ou menor extensão do dano ou perigo de dano, os meios empregados, o modo de execução, os motivos determinantes, as circunstâncias de tempo e lugar, os antecedentes do réu e sua atitude de insensibilidade, indiferença ou arrependimento após o crime. DETERMINAÇÃO DA PENA § 1º Se são cominadas penas alternativas, o juiz deve determinar qual delas é aplicável. LIMITES LEGAIS DA PENA § 2º Salvo o disposto no art. 76, é fixada dentro dos limites legais a quantidade da pena aplicável. FASE DE FIXAÇÃO DA PENA BASE . Na fixação da pena base, o Juiz deve enumerar fundamentadamente as circunstâncias previstas no art. 69 do CPM, que normalmente são chamadas de circunstâncias judiciais. Entretanto, conforme a redação do dispositivo, estão presentes duas espécies de circunstâncias judiciais, sendo uma de natureza objetiva e outra de natureza subjetiva. 1. Circunstâncias de natureza objetiva: são aquelas relacionadas com o fato , ou seja, a maior ou menor extensão do dano ou perigo de dano, os meios empregados, o modo de execução e as circunstâncias de tempo e lugar. 2. Circunstâncias de natureza subjetiva: são relacionadas com a pessoa do autor, ou seja, a intensidade do dolo ou grau da culpa, os motivos determinantes, os antecedentes do réu e sua atitude de insensibilidade, indiferença ou arrependimento após o crime. No Código Penal comum , a culpabilidade substitui a intensidade do dolo e o grau de culpa , já que as teorias mais modernas consideram os dois elementos em conjunto. Considerando as circunstâncias narradas, no entanto, deve o juiz sentenciante obedecer aos limites máximos e mínimos do tipo legal. A depender, podem ser tipos simples, privilegiados (quando não atenuantes específicos) ou qualificados. A simples, como o próprio nome diz, “é simples!”. Ou seja, não há uma situação que sobre ele sopese para mais ou menos. Já quanto ao conceito das demais, é importante ressaltar a forma como Neves coloca: Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 11 70 ==92980== “ Qualificadoras , é bom que se tenha em mente, são circunstâncias legais (não judiciais) expressas no tipo penal incriminador que elevam a faixa de aplicação da pena para determinado crime, ou seja, a pena mínima e a pena máxima serão maiores do que na modalidade simples do delito. Como exemplo de qualificadora, tome-se o art. 157, § 1º, do CPM: a pena para a forma simples do delito de violência contra superior (art. 157, caput) é de detenção, de três meses a dois anos, enquanto a pena para a forma qualificada do § 1º é de reclusão, de três a nove anos. Privilégios , por outro lado, são circunstâncias legais (não judiciais) expressas no tipo penal incriminador que diminuem a faixa de aplicação da pena para determinado crime, ou seja, a pena mínima e a pena máxima serão menores do que na modalidade simples do delito. Como exemplo de privilégio, tome-se o art. 308, § 2º, do CPM: a pena para a forma simples do delito de corrupção passiva (art. 308, caput) é de reclusão, de dois a oito anos, enquanto a pena para a forma privilegiada do § 2º é de detenção, de três meses a um ano.” Lembrando que é possível que a forma privilegiada se apresente como uma atenuante por si só, ao invés de estipular uma pena no preceito secundário. Nessas ocasiões, opera como uma atenuante específica, computada na terceira fase da dosimetria. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES Art. 70 . São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não integrantes ou qualificativas do crime: I - a reincidência; II - ter o agente cometido o crime: a) por motivo fútil ou torpe; b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; c) depois de embriagar-se, salvo se a embriaguez decorre de caso fortuito, engano ou força maior; d) à traição, de emboscada, com surpresa, ou mediante outro recurso insidioso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima; e) com o emprego de veneno, asfixia, tortura, fogo, explosivo, ou qualquer outro meio dissimulado ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum; f) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão; h) contra criança, velho ou enfermo; h) contra criança, pessoa maior de 60 (sessenta) anos, pessoa enferma, mulher grávida ou pessoa com deficiência (ALTERAÇÃO 14.688/2023) i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade; Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 12 70 j) em ocasião de incêndio, naufrágio, encalhe, alagamento, inundação, ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido; l) estando de serviço; m) com emprego de arma, material ou instrumento de serviço, para esse fim procurado; n) em auditório da Justiça Militar ou local onde tenha sede a sua administração; o) em país estrangeiro. Parágrafo único . As circunstâncias das letras c , salvo no caso de embriaguez preordenada, l , m e o , só agravam o crime quando praticado por militar. CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES Art. 72 . São circunstâncias quesempre atenuam a pena: I - ser o agente menor de vinte e um ou maior de setenta anos; II - ser meritório seu comportamento anterior; III - ter o agente: a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral; b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüencias, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano; c) cometido o crime sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima; d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime, ignorada ou imputada a outrem; e) sofrido tratamento com rigor não permitido em lei. Não atendimento de atenuantes Parágrafo único . Nos crimes em que a pena máxima cominada é de morte, ao juiz é facultado atender, ou não, às circunstâncias atenuantes enumeradas no artigo AGRAVANTE E ATENUANTES GENÉRICAS . Entrando na segunda fase da dosimetria da pena, nós temos, inicialmente, as previstas no art. 70, como agravantes, e, no art. 72, as atenuantes. Entretanto, como já comentamos na parte de Concurso de Pessoas, as agravantes dele decorrentes computam-se, igualmente, na segunda fase. 1. Circunstâncias agravantes: a) Reincidência - é a situação em que o agente se encontra após ter cometido outro crime depois de transitar em julgado a sentença em que, no país ou no estrangeiro, condenou-o por crime anterior. Não são considerados para fim de reincidência as condenações em que, entre a data de sua extinção ou cumprimento de pena, tenha se passado tempo superior a 5 anos em relação ao novo crime cometido. Assim, um agente que tenha sido condenado por furto em dezembro de 2010 e praticado outro crime em janeiro de 2016 já não pode mais ser considerado reincidente. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 13 70 Atente-se, no entanto, ao fato de que, se a pessoa é reincidente, mas o juiz já fixou a pena base acima do mínimo legal, considerando a reincidência como fator de antecedente, na segunda fase, não será mais possível utilizar a agravação da pena, pois estaria o magistrado incorrendo em bis in idem . Assim, ou utiliza-se nas circunstâncias judiciais desfavoráveis na pena base, na primeira fase, ou como agravante genérica, na segunda. Veja a posição do STM nesse sentido: “APELAÇÃO. CRIME DE DESERÇÃO. DEPENDÊNCIA QUÍMICA. INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL. PATOLOGIA. SUPRESSÃO PARCIAL DA CAPACIDADE DE AGIR CONFORME O ENTENDIMENTO SOBRE A ILICITUDE DE SUA CONDUTA. COMPROVAÇÃO PERICIAL NOS AUTOS. SEMI-IMPUTABILIDADE. REDUÇÃO DA PENA. Militar que se ausenta da Unidade em que servia, sucessivas vezes, à revelia de qualquer permissão, sob a justificativa de que não conseguia controlar o alcoolismo.Constatação, em exame psiquiátrico, quanto à dependência química do agente, a lhe reduzir a capacidade de entendimento sobre a ilicitude de sua conduta. Configurado, pois, o estado de semi-imputabilidade que autoriza a redução da pena. Se o apelante foi diagnosticado como portador da Síndrome de Dependência do Álcool e não recebeu tratamento durante o período em que esteve preso em virtude de duas deserções anteriores, indispensável considerar que a enfermidade teve sim influências obre a capacidade de autodeterminação do acusado. Na dosimetria da pena, a reincidência foi considerada como causa de aumento de pena, apartando-se das circunstâncias judiciais, de modo a evitar bis in idem. A jurisprudência majoritária repele, com veemência, a tese de inexigibilidade de conduta diversa quando não resta demonstrada a existência de perigo certo e atual, o que desfigura a hipótese de exclusão de culpabilidade aventada pela Defesa.Recurso provido parcialmente.Decisão majoritária.” 3 Por outro lado, sendo caso do agente ser multirreincidente , pode usar uma para os antecedentes e outra para a reincidência, conforme a Súmula 241 do STJ - “a reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e, simultaneamente, como circunstância judicial.” b) Cometido o crime - b.1) por motivo fútil ou torpe: se o fato é considerado como qualificador, não é possível como agravante na segunda fase da pena. Motivo fútil é o insignificante, enquanto o motivo torpe é o repugnante. A vingança, por si só, não é hábil para caracterizar a torpeza. b.2) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: repousa na ideia de crimes conexos. Pode ser teleológico , quando se comete um crime para assegurar ou facilitar a execução de outros; ou consequencial , quando se comete um crime para assegurar a ocultação, impunidade ou vantagem de outros. 3 STM, Ap 0000017-25.2009.7.10.0010, Rel. Min. Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, j. 09.02.2011. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 14 70 b.3) depois de embriagar-se, salvo se a embriaguez decorre de caso fortuito, engano ou força maior: a leitura do dispositivo em questão sugere que qualquer embriaguez agrava a pena, o que de fato é correto, sendo tal entendimento diverso do previsto no CP comum. Entretanto, por força do parágrafo único, somente a embriaguez preordenada agrava a pena de civil, ao passo que, para militar, é qualquer uma. Nesse sentido, Neves coloca: “Outra agravante prevista no art. 70, II, c, do CPM, sem correlata no Código Penal comum, está na prática do delito depois de embriagar-se, salvo se a embriaguez decorre de caso fortuito, engano ou força maior. No Código Penal comum, apenas a embriaguez preordenada agrava a pena (alínea l do inciso II do art. 61), enquanto, em uma primeira leitura, no CPM a embriaguez, preordenada ou não – claro, se não sofrer avaliação autônoma, como a embriaguez completa não voluntária a afastar a imputabilidade –, agravaria a pena. Todavia, combinando essa previsão com o parágrafo único do art. 70 do CPM, chega-se à conclusão de que, para o agente civil, apenas a embriaguez preordenada é circunstância agravante, enquanto para o agente militar (limitando-se ao militar da ativa por interpretação autêntica contextual trazida pelo art. 22 do CPM), mesmo a embriaguez não preordenada importa em agravação da pena.” 4 b.4) à traição, de emboscada, com surpresa, ou mediante outro recurso insidioso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima: a traição refere-se à deslealdade; emboscada refere-se à tocaia, cilada; e a surpresa o elemento que o agente age de forma inesperada . Perceba que o dispositivo se utiliza da ideia de uma interpretação analógica , ou seja, utiliza-se uma regra casuística anterior (traição, emboscada e elemento surpresa ) que, depois, é seguida por uma fórmula genérica ( mediante outro recurso insidioso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima ).b.5) com o emprego de veneno, asfixia, tortura, fogo, explosivo ou qualquer outro meio dissimulado ou cruel, ou de que poderia resultar perigo comum: veja que, na parte final, ele utiliza-se da mesma ideia da interpretação analógica . b.6) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge : o agente utiliza-se da relação familiar, na qual apresenta certa apatia moral, por ser um facilitador na prática do crime. b.7) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão : são termos diferentes, apesar de caracterizarem a mesma agravante genérica. Pressupõem que o agente é funcionário público ou particulares que estejam devidamente ligados a cargos públicos. Não prevalece a agravante quando o termo abuso de poder e violação do dever aparece como elemento de algum delito autônomo. Assim, não é possível a agravante genérica in comento quando o agente pratica crime de abuso de autoridade, Lei 13.869/2019. b.8) contra criança, pessoa maior de 60 (sessenta) anos, pessoa enferma, mulher grávida ou pessoa com deficiência: foi alterado pela Lei nº 14.688/2023, a fim de abarcar uma melhor redação da agravante, que antes se referia ao idoso como “velho”. Assim, sua redação buscou condicionar a forma iuris nomem do CP. 4 NEVES, Cícero Robson Coimbra. Manual de Direito Penal Militar. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2014, pág. 266 Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 15 70 b.9) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade: a proteção a que se refere é aquela em que o Estado tem, sob sua guarda, pessoa a quem exerce proteção imediata . b.10) em ocasião de incêndio, naufrágio, encalhe, alagamento, inundação, qualquer calamidade pública ou desgraça particular do ofendido: é importante destacar, mais uma vez, o uso da interpretação analógica . b.11) estando de serviço: só agrava a pena no caso de ser cometido por militar. Se o fato de estar de serviço já é parte integrante do tipo, não se aplica a agravante sob pena de bis in idem. b.12) com emprego de arma, material ou instrumento de serviço, para esse fim procurado: só agrava a pena quando cometido por militar. Se o emprego de arma, material ou instrumento de serviço já for parte integrante do tipo penal, não se aplica a agravante sob pena de bis in idem . b.13) em auditório da Justiça Militar ou local onde tenha sede a sua administração: só agrava a pena quando cometido por militar. b.14) em país estrangeiro. 2. Circunstâncias atenuantes: a) Ser o agente menor de vinte e um ou maior de setenta - a doutrina sustenta, respectivamente, a atenuante em razão da imaturidade e da senilidade . Diferencia-se do CP, pois, neste, a redução do menor de 21 anos é ao tempo do fato, enquanto no CPM, é ao tempo da sentença. b) Ser meritório seu comportamento anterior - em resumo, significa dizer que o agente tem boa conduta, seja no meio familiar ou em convívio em sociedade. c) Ter o agente - c.1) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral: valor social é o que atende aos quesitos sociais, ou seja, anseios da sociedade (ex.: pessoa que mata o estuprador da rua em que vive). Valor moral é o que diz respeito à figura do agente, em que sua ação encontra amparo na moralidade e princípios éticos (ex.: pessoa mata alguém que estava a torturando). Lembrando que os motivos em que se sustentam os valores devem ser relevantes . c.2) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüencias, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano: aqui, parte da doutrina castrense sustenta como uma ideia de arrependimento posterior impróprio , pois, assim como no instituto, presente apenas na legislação penal comum, a pessoa repara o dano após a prática do crime. Sustento, no entanto, que é forçoso tal posicionamento, já que a atenuante teria um impacto menor na atenuação que o instituto inaplicado do Direito Penal Castrense. c.3) cometido o crime sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima: atenção, pois não se deve confundir a presente descrição de atenuante genérica Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 16 70 com a forma privilegiada do art. 205, §5º do CPM. Neste, o indivíduo pratica homicídio doloso, mas privilegiado, diante de DOMÍNIO de violenta emoção, que é muito amplo e tão forte que influencia. Outro destaque é que, na atenuante genérica, basta ser provocada a violenta emoção por ato injusto da vítima, enquanto na privilegiada, necessita ser uma injusta provocação . c.4) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime, ignorada ou imputada a outrem: aqui, senhores, há um abismo de diferença em relação ao CP, apesar de que, na primeira leitura, muitos de vocês não a notarão. Veja como está disposto no CP: CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime; Agora, reparem que, no art. 72, III, “d” do CPM, ele também dispõe da mesma informação inicial acima, mas com o seguinte complemento “ignorada ou imputada a outrem” . Dessa forma, senhores, somente será possível utilizar a atenuante prevista na legislação penal castrense se a autoria ainda não é conhecida ou imputada previamente a alguém, seja em âmbito administrativo ou judicial, ou se se já existe pessoa imputada, mas o agente nega que este tenha praticado, sendo ele o autor do delito. Essa é a posição predominante no STM: “APELAÇÃO. DROGAS. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA ALTERIDADE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA Nº 14 DO STM. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. NÃO APLICAÇÃO. CONCORRÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTE E AGRAVANTE. PREVALÊNCIA DA ATENUANTE DA MENORIDADE. Esta Corte Castrense tem entendimento pacífico no sentido da inaplicabilidade do princípio da insignificância aos delitos perpetrados em local sujeito à Administração Militar. A inadequação da bagatela justifica-se porque os efeitos do uso das drogas comprometem, além da saúde pública, a integridade física do indivíduo. Esses efeitos no organismo de um soldado, mesmo em quantidade pequena, podem acarretar danos incomensuráveis às Forças Armadas. Por igual, impossível o reconhecimento do princípio da alteridade, porquanto a conduta do ex-soldado efetivamente atinge bens consistentes na regularidade das Forças Armadas e na saúde pública. A especialidade da norma processual castrense se sobrepõe às regras de procedimentos previstas na legislação ordinária, ainda que mais favoráveis ao agente, consoante o enunciado nº 14 do STM. Concernente à aplicabilidade da atenuante da confissãoespontânea, o CPM, diferenciando-se do comum, exige que a autoria delitiva seja ignorada ou imputada a outrem, o que não ocorreu na hipótese.” 5 5 STM, Ap 0000102-65.2014.7.09.0009, Rel. Min. Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, j. 22.03.2016. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 17 70 c.5) sofrido tratamento com rigor não permitido em lei: caso o agente tenha cometido o delito por ter sofrido um rigor não permitido, será possível a sua atenuação. Entretanto, muito cuidado, pois são duas as hipóteses que tiramos daqui: (a) agente sofre rigor e comete crime em repulsa a agressão - não será punido; (b) agente sofre rigor não permitido, mas age desproporcionalmente, porém ainda dentro das possibilidade de atenuar a pena - atenuante genérica. Não atendimento de atenuantes: por fim, se for caso de pena de morte, o juiz pode ou não atender às circunstâncias atenuantes. Não existe atenuante inominada no CPM , ao contrário do CP, em que está prevista no art. 66. Súmula 231 STJ - A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal ! MAJORANTES E MINORANTES ESPECIAIS . Por fim, na última fase da dosimetria, o Juiz verifica as majorantes ou atenuantes específicas. A maior parte delas estão na parte especial, porém é possível encontrar algumas na parte geral, como no caso da atenuação no crime tentado, de 1/3 a 2/3. Cuidado apenas com os delitos que o CPM chama de modalidade qualificada, mas, na verdade, são situações de majorante específica! QUANTUM DA AGRAVAÇÃO OU ATENUAÇÃO Art. 73. Quando a lei determina a agravação ou atenuação da pena sem mencionar o quantum , deve o juiz fixá-lo entre um quinto e um terço, guardados os limites da pena cominada ao crime. MAIS DE UMA AGRAVANTE OU ATENUANTE Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 18 70 Art. 74. Quando ocorre mais de uma agravante ou mais de uma atenuante, o juiz poderá limitar-se a uma só agravação ou a uma só atenuação. CONCURSO DE AGRAVANTES E ATENUANTES Art. 75. No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime, da personalidade do agente, e da reincidência. Se há equivalência entre umas e outras, é como se não tivessem ocorrido. MAJORANTES E MINORANTES Art. 76. Quando a lei prevê causas especiais de aumento ou diminuição da pena, não fica o juiz adstrito aos limites da pena cominada ao crime, senão apenas aos da espécie de pena aplicável (art. 58). Parágrafo único. No concurso dessas causas especiais, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua Quando o CPM traz uma situação de majorante ou minorante, seja parte geral ou especial, ou mesmo de agravante genérica ou atenuante genérica, porém não diz o quanto reduz ou aumenta, então utiliza-se o parâmetro de um quinto a um terço. Por exemplo, no art. 53, §2º, as agravantes do concurso de pessoas não dizem o quanto se aumenta a pena na segunda fase. Assim, cabe ao juiz fazê-lo da forma prevista no art. 73. Podem ocorrer situações em que o agente incorrerá em duas ou mais atenuantes ou agravantes e situações em que terá uma agravante e uma atenuante genéricas. Na primeira situação, cabe ao juiz decidir, podendo ele mesmo limitar-se a apenas uma causa. Já na segunda, tanto podem as causas subsistirem em conjunto quanto uma anular a outra, por terem o mesmo peso, da forma como entender o magistrado. Na hipótese das causas especiais de aumento e diminuição, o juiz não está adstrito ao mínimo e máximo da pena em abstrato do delito, mas apenas ao limite imposto no art. 58 do CPM. Ou seja, mínimo de 1 ano e máximo de 30 na reclusão; e mínimo de 30 dias e máximo de 10 anos na detenção. CRIMINOSO HABITUAL OU POR TENDÊNCIA (REVOGADO LEI Nº 14.688/2023) Art. 78. Em se tratando de criminoso habitual ou por tendência, a pena a ser imposta será por tempo indeterminado. O juiz fixará a pena correspondente à nova infração penal, que constituirá a duração mínima da pena privativa da liberdade, não podendo ser, em caso algum, inferior a três anos. LIMITE DA PENA INDETERMINADA § 1º A duração da pena indeterminada não poderá exceder a dez anos, após o cumprimento da pena imposta. HABITUALIDADE PRESUMIDA Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 19 70 § 2º Considera-se criminoso habitual aquêle que: a) reincide pela segunda vez na prática de crime doloso da mesma natureza, punível com pena privativa de liberdade em período de tempo não superior a cinco anos, descontado o que se refere a cumprimento de pena; HABITUALIDADE RECONHECÍVEL PELO JUIZ b) embora sem condenação anterior, comete sucessivamente, em período de tempo não superior a cinco anos, quatro ou mais crimes dolosos da mesma natureza, puníveis com pena privativa de liberdade, e demonstra, pelas suas condições de vida e pelas circunstâncias dos fatos apreciados em conjunto, acentuada inclinação para tais crimes. CRIMINOSO POR TENDÊNCIA § 3º Considera-se criminoso por tendência aquêle que comete homicídio, tentativa de homicídio ou lesão corporal grave, e, pelos motivos determinantes e meios ou modo de execução, revela extraordinária torpeza, perversão ou malvadez. RESSALVA DO ART. 113 § 4º Fica ressalvado, em qualquer caso, o disposto no art. 113. CRIMES DA MESMA NATUREZA § 5º Consideram-se crimes da mesma natureza os previstos no mesmo dispositivo legal, bem como os que, embora previstos em dispositivos diversos, apresentam, pelos fatos que os constituem ou por seus motivos determinantes, caracteres fundamentais comuns. O Art. 78 foi revogado pela Lei nº 14.688/2023 , devido ao dispositivo não ter sido recepcionado pela CRFB/88! CONCURSO MATERIAL Art. 79. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se-lhe cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. Parágrafo único. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. CONCURSO FORMAL Art. 79-A. Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de 1/6 (um sexto) até metade. § 1º As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no art.79 deste Código. § 2º Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 79 deste Código.” CRIME CONTINUADO Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 20 70 Art. 80. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços). Parágrafo único. Nos crimes dolosos contra vítimas diferentes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juízo, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras dos §§ 1º e 2º do art. 79-A e do art. 81 deste Código. Alteração fundamental, aplicando a mesma regra do CP ao CPM. O fato positivo é que, agora, não será mais necessário recorrer à legislação penal comum, tendo em vista que, antes, em se tratando de crime continuado, a legislação penal castrense era extremamente desarrazoada e muito rígida na cumulação das penas. CONCURSO MATERIAL. Temos um concurso material de crimes quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois crimes ou mais, idênticos ou não. Por exemplo, nós temos o caso de um agente que, ao ingressar em uma casa, dispara tiro contra 4 integrantes (4 condutas comissivas), praticando, assim, 4 crimes idênticos. A consequência é o cúmulo material , ou seja, somando a pena de cada um dos crimes. No caso de haver uma pena de reclusão e outra de detenção, executa-se a primeira inicialmente. CONCURSO FORMAL. O concurso formal é a modalidade de concurso de crimes em que o agente, mediante uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. Entretanto, ele é subdividido em outras duas espécies: impróprio ou imperfeito e próprio ou perfeito . 1. Concurso formal impróprio ou imperfeito - o agente, mediante uma ação ou omissão, pratica dois crimes COM desígnios autônomos, o que significa dizer que os dois são crimes dolosos, seja direto ou eventual. Ex.: Sargento Cássio, em posse de uma arma 9 mm, desejando matar seu desafeto, Sargento Almir, disparou contra este duas vezes, em que um dos projéteis o traspassou e acertou um outro militar que se encontrava atrás dele. Era possível prever o resultado, e Sargento Cássio anuiu com essa possibilidade, já que as vítimas estavam muito próximas. Nessa situação, somam-se as penas dos crimes, aplicando a regra do cúmulo material . 2. Concurso formal impróprio ou imperfeito - o agente, mediante uma ação ou omissão, pratica dois crimes SEM signos autônomos, o que significa dizer que são dois crimes culposos, ou um crime culposo e outro doloso. Ex.: Tenente Dalton atira contra seu desafeto, Tenente Nine, só que o projétil transpassa este, ricocheteia na parede e acerta outra pessoa também que passava pelo local, matando as duas. Nesse exemplo, nós temos, no primeiro caso, um crime doloso e, no segundo, outro culposo. Nessa situação, aplica-se a regra da exasperação , na qual aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de 1/6 (um sexto) até metade. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 21 70 Assim, fica esquematizado: CRIMES IGUAIS CRIMES DIFERENTES Aplica-se a pena de qualquer um dos crimes Aplica-se a pena do mais grave Aumenta-se de 1/3 a metade Aumenta-se de 1/3 a metade O STJ, recentemente, em âmbito do Direito Penal comum, mas que tem total aplicação no nosso caso, entendeu que o quantitativo presente entre 1/6 e 2/3 vai depender de quantos crimes o agente praticou. Veja: “PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES DE VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL. ABSOLVIÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO. SÚMULA 7/STJ. PENA-BASE. EXASPERAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CONCURSO FORMAL. NÚMERO DE INFRAÇÕES. REGIME MAIS GRAVOSO E IMPOSSIBILIDADE DA SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVAS DE DIREITOS. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS NEGATIVAS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO (...) 5. Segundo a jurisprudência desta Corte Superior, a exasperação da pena do crime de maior pena, realizado em concurso formal, será determinada, basicamente, pelo número de infrações penais cometidas, parâmetro este que especificará no caso concreto a fração de aumento, dentro do intervalo legal de 1/6 a 2/3. Assim, aplica-se a fração de aumento de 1/6 pela prática de 2 infrações; 1/5, para 3 infrações; 1/4 para 4 infrações; 1/3 para 5 infrações; 1/2 para 6 infrações e 2/3 para 7 ou mais infrações. Precedentes. No caso, considerando a prática de 6 condutas criminosas, correta a elevação da pena a 1/2, com fundamento no art. 70 do CP e na jurisprudência desta Corte.” 6 CRIME CONTINUADO. O agente que, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica mais de um crime, da mesma espécie, cujo lapso temporal, meio de execução, local do crime e outras semelhantes, evidencia ser um subsequente do outro. Isso leva a entender que o agente não responderá por quantos forem os crimes, mas apenas por um delito, porém com a exasperação 6 STJ, 5ª T, AgRg no AREsp 1.910.762/RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, j. 09.11.2021. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 22 70 da pena em 1/6 a 2/3 em relação à pena, se iguais, de um dos crimes ou àquela mais grave. Assim, por exemplo, digamos que eu saia para cometer furto, todos os dias, durante um período de 10 dias, os quais foram praticados de forma semelhante e em locais que guardem similaridade, responderei apenas por um delito. Levando em consideração que todos têm a mesma pena, pega-se apenas uma, majorando entre 1/6 e 2/3. Quanto ao lapso temporal, o STF entende que, passado um intervalo de 30 dias, não será mais possível aferir continuidade delitiva: “EMENTA: "HABEAS CORPUS". CRIME CONTINUADO: UNIFICAÇÃO DE PENAS: INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS ESPACIAL E TEMPORAL. 1. Não atendem os pressupostos do instituto da unificação de penas, os delitos, ainda que da mesma espécie, cometidos em comarcas diversas, desatendendo, dessa forma, a condição de lugar como um dos requisitos previstos no art. 71 do Código Penal. 2. Ainda que se superasse a questão espacial, restaria a temporal, não se reconhecendocomo continuidade delitiva a pratica de delitos num lapso de tempo superior a trinta dias. 3. Precedente: HC n. 69.896, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ. 02.04.93, pag. 5620. 4. "Habeas Corpus" indeferido.” 7 LIMITE DA PENA UNIFICADA Art. 81. A pena unificada não pode ultrapassar de trinta anos, se é de reclusão, ou de quinze anos, se é de detenção. REDUÇÃO FACULTATIVA DA PENA § 1º A pena unificada pode ser diminuída de um sexto a um quarto, no caso de unidade de ação ou omissão, ou de crime continuado. GRADUAÇÃO NO CASO DE PENA DE MORTE § 2° Quando cominada a pena de morte como grau máximo e a de reclusão como grau mínimo, aquela corresponde, para o efeito de graduação, à de reclusão por trinta anos. CÁLCULO DA PENA APLICÁVEL À TENTATIVA § 3° Nos crimes punidos com a pena de morte, esta corresponde à de reclusão por trinta anos, para cálculo da pena aplicável à tentativa, salvo disposição especial. RESSALVA DO ART. 78, § 2º, LETRA B Art. 82. Quando se apresenta o caso do art. 78, § 2º, letra b , fica sem aplicação o disposto quanto ao concurso de crimes idênticos ou ao crime continuado. (Vide Lei nº 14.688, de 2023) Vigência (REVOGADO 14.688/2023) PENAS NÃO PRIVATIVAS DE LIBERDADE Art. 83. As penas não privativas de liberdade são aplicadas distinta e integralmente, ainda que previstas para um só dos crimes concorrentes. 7 STF, HC 73.219/SP, Rel. Min. Maurício Corrêa, j. 23.02.1996. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 23 70 Da unificação da pena, seja no concurso de crimes, seja no crime continuado, a pena unificada não poderá passar dos 30 anos, na reclusão, e dos 15 anos, na detenção. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 24 70 S USPENSÃO C ONDICIONAL DA P ENA REDAÇÃO ANTERIOR Art. 84 - A execução da pena privativa da liberdade, não superior a 2 (dois) anos, pode ser suspensa, por 2 (dois) anos a 6 (seis) anos, desde que: I - o sentenciado não haja sofrido no País ou no estrangeiro, condenação irrecorrível por outro crime a pena privativa da liberdade, salvo o disposto no 1º do art. 71 II - os seus antecedentes e personalidade, os motivos e as circunstâncias do crime, bem como sua conduta posterior, autorizem a presunção de que não tornará a delinqüir. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 Art. 84 - A execução da pena privativa de liberdade não superior a 2 (dois) anos pode ser suspensa por 3 (três) a 5 (cinco) anos, no caso de pena de reclusão, e por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, no caso de pena de detenção, desde que: I - o sentenciado não haja sofrido no País ou no estrangeiro, condenação irrecorrível por outro crime a pena privativa da liberdade, salvo o disposto no 1º do art. 71 II – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias do crime, autorizem a concessão do benefício Alteração fundamental no CP, tendo em vista a orientação de reequilíbrio da dignidade da pessoa humana na aplicação do Direito Penal Militar, e adequação à política criminal de sustentar ideias diferentes de aplicação de determinados benefícios, a depender se o fato é punido com detenção ou reclusão. O dispositivo não guarda semelhança com o Direito Penal comum, ao verificar o art. 71 do CP. Lá fala-se em suspensão de 2 a 6 anos, independente da espécie de pena, ao passo que aqui fala-se em suspensão de 3 a 5 anos, para reclusão, e 2 a 4 anos para detenção. Muita atenção para não confundir! O inciso I faz referência ao réu não poder ter sido condenado no Brasil ou no estrnageiro, pouco importa se crime militar ou não. No entanto, lembrar do período depurador de 5 anos, no qual, havendo condenação após um lapso de mais de 5 anos entre aquele momento e uma anterior extinção de punibilidade, ou cumprimenro de pena, de fato preterito, não há que se falar em reincidência para fins de aplicação do sursi da pena. No inciso II, faço menção ao que foi dito no primeiro parágrafo. Ou seja, tal orientação mencionada, infere perfeitamente a ideia de que tal presunção de que alguém possa delinquir ou não fere a CRFB/88, pois retoma a ideia de responsabilidade penal objetiva. Dessa forma, a Lei n. 14.688/2023 muito bem suprimiu a ideia de presunção, e trouxe um reequilíbrio com o direito penal do fato , não mais do autor. Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142 - DEIVISSON PEREIRA DE MEDEIROS 25 70 REDAÇÃO ANTERIOR RESTRIÇÕES Parágrafo único. A suspensão não se estende às penas de reforma, suspensão do exercício do pôsto, graduação ou função ou à pena acessória, nem exclui a aplicação de medida de segurança não detentiva. REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 RESTRIÇÕES § 1º A suspensão não se estende à pena acessória nem exclui a aplicação de medida de segurança não detentiva. § 2º A execução da pena privativa de liberdade não superior a 4 (quatro) anos poderá ser suspensa por 4 (quatro) a 6 (seis) anos, desde que o condenado seja maior de 70 (setenta) anos de idade ou existam razões de saúde que justifiquem a suspensão. Com a exclusão das penas principais de reforma e suspensão do exercício de posto, graduação ou função, não faria sentido manter a antiga redação do §1º do art. 84. No entanto, quanto à aplicação para as penas acessórias e medidas de segurança, estas restrições se mantiveram. Houve também alteração a fim de aplicar as hipóteses do sursi etário e o sursi humanitário , previstas anteriormente unicamente no CP. Agora, sendo maior de 70 anos - etário - ou se existem justificadas razões de saúde, será possível o sursi da pena, por 4 a 6 anos, (detenção ou reclusão) desde que o indivíduo não tenha sido condenado à pena superior a 4 anos. A suspensão deve também conter determinadas condições que precisarão ser atendidas pelo condenado. Tais condições devem ser estabelecidas na sentença. CONDIÇÕES 85. A sentença deve especificar as condições a que fica subordinada a suspensão. O juiz fixará na sentença as condições que ficará o beneficiário a cumprimento obrigatório, podendo, ou não, em caso de descumprimento ser revogado o sursi REDAÇÃO ANTERIOR REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA DA SUSPENSÃO Art. 86. A suspensão é revogada se, no curso do prazo, o beneficiário: I - é condenado, por sentença irrecorrível, na Justiça Militar ou na comum, em razão REDAÇÃO LEI N. 14.688/2023 REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA DA SUSPENSÃO Art. 86. A suspensão é revogada se, no curso do prazo, o beneficiário: Equipe Legislação Específica Estratégia Concursos Aula 04 STM (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Penal Militar - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 01341240142