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SISTEMA DE ENSINO
DIREITO PENAL 
MILITAR
Direito Penal Militar - Parte Geral VII
Livro Eletrônico
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Cicero Robson Coimbra Neves
Direito Penal Militar - Parte Geral VII
DIREITO PENAL MILITAR
Apresentação .................................................................................................................3
Direito Penal Militar – Parte Geral VII .............................................................................4
1. Suspensão Condicional da Execução da Pena ..............................................................4
2. Livramento Condicional ............................................................................................ 15
3. Penas Acessórias .....................................................................................................22
3.1. Conceito .................................................................................................................22
3.2. Perda do Posto e da Patente .................................................................................22
3.3. Indignidade para o Oficialato .................................................................................26
3.4. Incompatibilidade para o Oficialato .......................................................................27
3.5. Exclusão das Forças Armadas ..............................................................................27
3.6. Perda da Função Pública ...................................................................................... 28
3.7. Inabilitação para o Exercício de Função Pública .....................................................29
3.8. Suspensão do Pátrio Poder, Tutela ou Curatela .....................................................29
3.9. Suspensão dos Direitos Políticos .......................................................................... 30
3.10. Imposição da Pena Acessória ............................................................................... 31
3.11. Imprescritibilidade da Pena Acessória .................................................................. 31
4. Efeitos da Condenação: ............................................................................................33
Resumo ........................................................................................................................37
Mapa Mental ................................................................................................................ 40
Exercícios ..................................................................................................................... 41
Gabarito .......................................................................................................................55
Questões Comentadas ..................................................................................................56
Referências ..................................................................................................................67
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ApresentAção
Caro(a) aluno(a), tudo bem?
Seguiremos nossa viagem pelo Direito Penal Militar, nas mesmas condições das aulas 
anteriores.
A parte principal, sempre é bom frisar, é o conteúdo de cada aula, mas nosso trabalho não 
se resume a ele.
Adicionaremos também alguns recursos extras, a exemplo de resumos e destaques no 
texto, além de testar sua aprendizagem por questões de concursos e algumas inéditas, por 
mim elaboradas para a melhor fixação.
Meu papel, nesta jornada, é tornar o conteúdo palatável, de fácil compreensão, mas pre-
ciso que você faça sua parte, organizando-se para ler atentamente as aulas e resolver os 
exercícios, sempre com o foco da eficiência na aprendizagem.
Nesta aula abordaremos a suspensão condicional da pena, o livramento condicional, as 
penas acessórias e os efeitos da condenação.
Decolagem autorizada.
Apresentação do Professor
Cícero Robson Coimbra Neves: Promotor de Justiça Militar. Capitão da Reserva não Re-
munerada da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Mestre em Direito pela Pontifícia Univer-
sidade Católica de São Paulo.
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Direito Penal Militar - Parte Geral VII
DIREITO PENAL MILITAR
DIREITO PENAL MILITAR – PARTE GERAL VII
1. suspensão CondiCionAl dA exeCução dA penA
A suspensão condicional da execução da pena, conhecida como sursis, trata-se de um 
benefício concedido ao condenado (direito público subjetivo), no qual a pena ficará suspensa 
se houver o preenchimento de certos requisitos e mediante o compromisso de cumprimento 
de algumas condições, por um período, em princípio, de 2 a 6 anos, no CPM. Vejamos o artigo:
Pressupostos da suspensão
Art. 84 - A execução da pena privativa da liberdade, não superior a 2 (dois) anos, pode ser suspen-
sa, por 2 (dois) anos a 6 (seis) anos, desde que:
I – o sentenciado não haja sofrido no País ou no estrangeiro, condenação irrecorrível por outro 
crime a pena privativa da liberdade, salvo o disposto no 1º do art. 71;
II – os seus antecedentes e personalidade, os motivos e as circunstâncias do crime, bem como sua 
conduta posterior, autorizem a presunção de que não tornará a delinquir.
Caso o condenado cumpra as condições e não volte a delinquir, terá a pena extinta em 
decorrência do lapso temporal do período de prova cumprido.
O período de suspensão condicional da execução da pena no Código Penal Militar é de 2 a 6 
anos, enquanto no Código Penal comum é de 2 a 4 anos.
Para a concessão do sursis, o Juiz deve observar a presença de requisitos de ordem obje-
tiva e subjetiva, que também são extraídos do art. 84 do CPM, já transcrito acima.
Como requisitos de ordem objetiva, é preciso que a condenação seja a pena privativa de 
liberdade e que tal condenação não seja superior a 2 anos, podendo ser igual a 2 anos. Como 
requisitos subjetivos, podem ser enumerados: que o sentenciado não haja sofrido no País ou 
no estrangeiro, condenação irrecorrível por outro crime a pena privativa da liberdade – frise-
-se que no CP comum, atrela-se ao não cometimento de crime doloso –, salvo o disposto no 
parágrafo primeiro do art. 71, ou seja, salvo se for tecnicamente primário; que os seus ante-
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cedentes e personalidade, os motivos e as circunstâncias do crime, bem como sua conduta 
posterior, autorizem a presunção de que não tornará a delinquir. No CP comum há ainda o re-
quisito de não cabimento de substituição por pena restritiva de direito, o que não há no CPM.
A suspensão não se estende às penas de reforma, suspensão do exercício do posto, gra-
duação ou função ou à pena acessória, nem exclui a aplicação de medida de segurança não 
detentiva, pelo parágrafo único do art. 84 do CPM.
Ressalte-se queno CPM não há a figura do sursis etário, que possibilita no Código Penal 
comum a suspensão da pena de até 4 anos, conforme o art. 77, § 2º. Isso não impede, entretan-
to, na prática diária, que se busque o instituto do Código Penal comum, por analogia in bonam 
partem, como ocorreu, por exemplo, na Ação Penal Militar n. 0000094-76.2016.7.03.0303/
RS. Recomenda-se, em provas objetivas, manter a estrita visão do CPM, negando-se o sur-
sis etário, enquanto em provas discursivas ou orais mencionar, ao menos, a possibilidade de 
analogia in bonam partem.
As condições do sursis são estudadas com alguns dispositivos do Código de Processo 
Penal Militar. Essas condições são impostas durante o período de suspensão (2 a 6 anos), 
conhecido como período de prova. Nesse período o condenado deve cumprir condições de-
terminadas pela lei (condições legais) ou pelo juiz na sentença (condições judiciais). Des-
cumpridas tais condições, haverá ou poderá haver a revogação da suspensão e, por consequ-
ência, o cumprimento integral da pena.
As condições judiciais são mencionadas no art. 85 do CPM. Tais condições devem ser 
fixadas com observância do § 2º do art. 608 do CPPM, somando-se àquelas previstas no art. 
626 do mesmo diploma.
CPM:
Condições
Art. 85. A sentença deve especificar as condições a que fica subordinada a suspensão.
CPPM:
Art. 608. No caso de concessão do benefício, a sentença estabelecerá as condições e regras a que 
ficar sujeito o condenado durante o prazo fixado, começando este a correr da audiência em que for 
dado conhecimento da sentença ao beneficiário.
§ 1º - As condições serão adequadas ao delito, ao meio social e à personalidade do condenado.
§ 2º - Poderão ser impostas, como normas de conduta e obrigações, além das previstas no art. 626 
deste Código, as seguintes condições:
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I – frequentar curso de habilitação profissional ou de instrução escolar;
II – prestar serviços em favor da comunidade;
III – atender aos encargos de família;
IV – submeter-se a tratamento médico.
Normas obrigatórias para obtenção do livramento
Art. 626. Serão normas obrigatórias impostas ao sentenciado que obtiver o livramento condicional:
a) tomar ocupação, dentro de prazo razoável, se for apto para o trabalho;
b) não se ausentar do território da jurisdição do juiz, sem prévia autorização;
c) não portar armas ofensivas ou instrumentos capazes de ofender;
d) não frequentar casas de bebidas alcoólicas ou de tavolagem;
e) não mudar de habitação, sem aviso prévio à autoridade competente.
Dessa forma podemos enumerar como condições judiciais, passiveis de serem impostas: 
obrigação de frequentar curso de habilitação profissional ou de instrução escolar; obrigação 
de prestar serviços em favor da comunidade; obrigação de atender aos encargos de família; 
obrigação de submeter-se a tratamento médico. A essas condições, como dispõe o próprio 
artigo, podem ser somadas aquelas previstas no art. 626 do CPPM, que são as seguintes: 
obrigação de tomar ocupação, dentro de prazo razoável, se for apto para o trabalho; obriga-
ção de não se ausentar do território da jurisdição do juiz, sem prévia autorização; obrigação 
de não portar armas ofensivas ou instrumentos capazes de ofender; obrigação de não fre-
quentar casas de bebidas alcoólicas ou de tavolagem; obrigação de não mudar de habitação, 
sem aviso prévio à autoridade competente.
Deve-se notar que o art. 626 trata de condições obrigatórias do livramento condicional. 
Dessa forma, as condições obrigatórias no livramento condicional são judiciais (facultativas) 
na suspensão condicional da execução da pena.
As condições legais não estão enumeradas em artigo específico sob essa rubrica, mas 
são fruto de um raciocínio lógico: se existem causas que revogam obrigatoriamente o sursis, 
são elas também condições legais obrigatórias trazidas pela lei penal militar. São condições 
legais, por esse raciocínio, eficazmente defendido por Loureiro Neto (2000, p. 87-8), aquelas 
enumeradas no art. 86 do CPM: não ser condenado, por sentença irrecorrível, na Justiça Mi-
litar ou na comum, em razão de crime, ou de contravenção reveladora de má índole ou a que 
tenha sido imposta pena privativa de liberdade; efetuar, salvo por motivo justificado, a repa-
ração do dano; se militar, não ser punido por infração disciplinar considerada grave.
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A revogação pode ser conceituada como a cassação do sursis em face do descumprimen-
to das condições impostas na sentença.
Há causas que revogam obrigatoriamente o sursis e outras que podem revoga-lo, chama-
das de facultativas.
As causas de revogação obrigatória são as mesmas das condições legais, só que agora 
vistas não como vedações, mas como fatos que, uma vez percebidos deverão, obrigatoria-
mente, revogar o sursis.
CPM:
Revogação obrigatória da suspensão
Art. 86. A suspensão é revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
I – é condenado, por sentença irrecorrível, na Justiça Militar ou na comum, em razão de crime, ou 
de contravenção reveladora de má índole ou a que tenha sido imposta pena privativa de liberdade;
II – não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano;
III – sendo militar, é punido por infração disciplinar considerada grave.
Note-se que qualquer condenação por crime ou algumas contravenções revoga o sursis e 
não apenas por crime doloso, como no CP comum. Ademais, há apenas a causa de revogação 
por ser punido por transgressão grave no CPM e para o militar sursitário, não alcançando o civil.
Há outras causas no CPPM que interferem no sursis, tornando-o sem efeito, especifica-
mente enumeradas nos artigos 612 e 613 daquele Diploma, a saber: não comparecimento do 
beneficiado a audiência admonitória, quando intimado pessoalmente ou por edital, com o 
prazo de dez dias, salvo prova de justo impedimento, caso em que será marcada nova audi-
ência; quando o beneficiado tiver, em virtude de recurso interposto pelo Ministério Público, 
aumentada a pena, de modo que exclua a concessão do benefício.
CPPM:
Suspensão sem efeito por ausência do réu
Art. 612. Se, intimado pessoalmente ou por edital, com o prazo de dez dias, não comparecer o réu 
à audiência, a suspensão ficará sem efeito e será executada imediatamente a pena, salvo prova de 
justo impedimento, caso em que será marcada nova audiência.
Suspensão sem efeito em virtude de recurso
Art. 613. A suspensão também ficará sem efeito se, em virtude de recurso interposto pelo Ministé-
rio Público, for aumentada a pena, de modo que exclua a concessão do benefício.
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O § 1º do art. 86 do CPM, dispõe que a revogação é facultativa, quando o beneficiário des-cumpre outras condições da sentença diversas das obrigatórias. Esse dispositivo deve ser 
complementado pelo § 1º do art. 614 do CPPM, que consigna que a suspensão poderá ser re-
vogada, se o beneficiário deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença, 
deixar de observar obrigações inerentes à pena acessória ou for irrecorrivelmente condenado 
a pena que não seja privativa da liberdade.
CPM:
Revogação obrigatória da suspensão
Art. 86. A suspensão é revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
[...].
Revogação facultativa
§ 1º A suspensão pode ser também revogada, se o condenado deixa de cumprir qualquer das obri-
gações constantes da sentença.
CPPM:
Art. 614 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
[...].
Revogação facultativa
§ 1º - A suspensão poderá ser revogada, se o beneficiário:
a) deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença;
b) deixar de observar obrigações inerentes à pena acessória;
c) for irrecorrivelmente condenado a pena que não seja privativa da liberdade.
Caso o Juiz revogue o sursis, em qualquer situação, o condenado irá iniciar o cumprimen-
to da pena até então suspensa, integralmente.
Quando houver caso de revogação facultativa, o Juiz, em vez de revogar o benefício, optar 
por, prorrogar o período da suspensão até o prazo máximo (art. 86, § 2º, do CPM), isso caso 
não o tenha fixado desde o início. Pode, ainda, apenas advertir o beneficiado ou exacerbar as 
condições, como dispõe o § 2º do art. 614 do CPPM.
CPM:
Art. 86. A suspensão é revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
[...].
Prorrogação de prazo
§ 2º Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de 
prova até o máximo, se este não foi o fixado.
CPPM:
Art. 614 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
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[...].
Declaração de prorrogação
§ 2º - Quando, em caso do parágrafo anterior, o juiz não revogar a suspensão, deverá:
a) advertir o beneficiário ou;
b) exacerbar as condições ou, ainda;
c) prorrogar o período de suspensão até o máximo, se esse limite não foi o fixado.
Também poderá haver prorrogação quando houver processo em curso que possa acar-
retar a revogação do sursis e, nesse caso, a prorrogação será até o julgamento definitivo do 
processo em curso (art. 86, § 3º, do CPM e art. 614, § 3º do CPPM).
CPM:
Art. 86. A suspensão é revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
[...].
Prorrogação de prazo
§ 3º Se o beneficiário está respondendo a processo que, no caso de condenação, pode acarretar a 
revogação, considera-se prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo.
CPPM:
Art. 614 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
[...].
Declaração de prorrogação
§ 3º - Se o beneficiário estiver respondendo a processo, que, no caso de condenação, poderá acar-
retar a revogação, o juiz declarará, por despacho, a prorrogação do prazo da suspensão até senten-
ça passada em julgado, fazendo as comunicações necessárias nesse sentido.
Passado o prazo da suspensão condicional, não havendo revogação, o juiz declarará a 
extinção da pena privativa de liberdade (art. 87 do CPM combinado com o art. 615 do CPPM).
CPM:
Extinção da pena
Art. 87. Se o prazo expira sem que tenha sido revogada a suspensão, fica extinta a pena privativa 
de liberdade.
CPPM:
Extinção da pena
Art. 615. Expirado o prazo da suspensão, ou da prorrogação, sem que tenha havido motivo de re-
vogação, a pena privativa da liberdade será declarada extinta.
Esse é também, merece nota, o marco inicial para o período depurador da reincidência, 
que já estudamos.
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Por fim, anote-se que em alguns casos, embora preenchidos os requisitos, não será cabí-
vel por expressa previsão legal, o sursis.
São os casos enumerados no art. 88 do CPM combinado com o art. 617 do CPPM, vedan-
do-se a concessão de sursis em caso de crime cometido em tempo de guerra e para determi-
nados crimes militares em tempo de paz, enumerados no inciso II do art. 88 do CPM, ou seja, 
crime contra a segurança nacional, de aliciação e incitamento, de violência contra superior, 
oficial de dia, de serviço ou de quarto, sentinela, vigia ou plantão, de desrespeito a superior, de 
insubordinação, ou de deserção, e ainda aqueles previstos nos art. 161, 162, 235, 291 e seu 
parágrafo único, I a IV.
CPM:
Não aplicação da suspensão condicional da pena
Art. 88. A suspensão condicional da pena não se aplica:
I – ao condenado por crime cometido em tempo de guerra;
II – em tempo de paz:
a) por crime contra a segurança nacional, de aliciação e incitamento, de violência contra superior, 
oficial de dia, de serviço ou de quarto, sentinela, vigia ou plantão, de desrespeito a superior, de in-
subordinação, ou de deserção;
b) pelos crimes previstos nos arts. 160, 161, 162, 235, 291 e seu parágrafo único, ns. I a IV.
CPPM:
Crimes que impedem a medida
Art. 617. A suspensão condicional da pena não se aplica:
I – — em tempo de guerra;
II – — em tempo de paz:
a) por crime contra a segurança nacional, de aliciação e incitamento, de violência contra superior, 
oficial de serviço, sentinela, vigia ou plantão, de desrespeito a superior e desacato, de insubordina-
ção, insubmissão ou de deserção;
b) pelos crimes previstos nos arts. 160, 161, 162, 235, 291 e parágrafo único, n.s I a IV, do Código 
Penal Militar.
Essa restrição é polêmica e, na prática, em primeira instância, não tem obstado a conces-
são de sursis, por exemplo, no crime de deserção. Geralmente, utiliza-se como argumento a 
não recepção do dispositivo a ferir o princípio da individualização da pena, respaldando-se 
na decisão paradigmática do Pleno do STF, no HC n. 113.857/AM, rel. Min. Dias Toffoli, j. 
05DEZ2013:
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EMENTA Habeas Corpus. Penal Militar. Crime de deserção (CPM, art. 187). Suspensão 
condicional da pena. Vedação ex lege (CPM, art. 88, II, a). Ofensa à garantia constitucio-
nal da individualização da pena (inciso XLVI do art. 5º da CF/88). Flexibilização. Admis-
são do sursis. Consideração necessária por parte do julgador (CPM, art. 84). Declaração 
de não recepção pela Constituição de 1988 de parte da alínea a do inciso II do art. 88 do 
CPM. Inaplicabilidade no caso concreto. Empate. Ordem concedida na forma regimental 
(RISTF, art. 146, parágrafo único).
1. A norma em questão avilta mais diretamente a equidade, pela qual se espera harmo-
nia na aplicação dos princípios constitucionais e das normas infraconstitucionais.
2. Assim como deve o legislador, ao estabelecer tipos penais incriminadores, inspirar-se 
na proporcionalidade, não cominando sanções ínfimaspara crimes que violem bens jurí-
dicos de relevo maior, nem penas exageradas para infrações de menor potencial ofen-
sivo, deve ele observar esse mesmo preceito no que diz respeito às normas tendentes à 
individualização dessas penas, atentando para as condições específicas do violador da 
norma e para as consequências da infração por ele cometida para o bem jurídico tute-
lado pela lei e para a eventual vítima do crime.
3. Feitas essas considerações, é o caso de superar, em parte, o disposto na alínea a do 
inciso II do art. 88 do Código Penal Militar (vedação legal à suspensão condicional da 
pena), admitindo-se o sursis no crime de deserção para aquele que preencha todos os 
demais requisitos previstos no art. 84 do CPM.
4. Em face de empate na votação, não se pode declarar a não recepção pela Constitui-
ção de 1988 da parte da alínea a do inciso II do art. 88 do Código Penal Militar em que 
se exclui, em tempo de paz, a suspensão condicional da pena para os condenados pelo 
crime de deserção. 
5. Ordem concedida, na forma regimental.
Fundamental notar que houve empate no julgado, prevalecendo a tese favorável ao 
condenado.
Por outro giro, sustenta-se a recepção do dispositivo, em face da especialidade do Direito 
Penal Militar. Nessa linha, o próprio STF, também por seu Pleno, entendeu, pouco mais de 4 
meses depois da decisão acima:
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Ementa: Direito Penal Militar. Vedação do sursis. Crime de deserção. Compatibilidade 
com a Constituição Federal.
1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal inclina-se pela constitucionalidade do 
tratamento processual penal mais gravoso aos crimes submetidos à justiça militar, em 
virtude da hierarquia e da disciplina próprias das Forças Armadas. Nesse sentido, há o 
precedente que cuida da suspensão condicional do processo relativo a militar responsa-
bilizado por crime de deserção (HC n º 99.743, Pleno, Rel. Min. Luiz Fux).
2. Com efeito, no próprio texto constitucional, há discrímen no regime de disciplina das 
instituições militares. Desse modo, como princípio de hermenêutica, somente se deveria 
declarar um preceito normativo conflitante com a Lei Maior se o conflito fosse evidente. 
Ou seja, deve-se preservar o afastamento da suspensão condicional da pena por ser 
opção política normativa.
3. Em consequência, entende-se como recepcionadas pela Constituição as normas pre-
vistas na alínea “a” do inciso II do artigo 88 do Código Penal Militar e na alínea “a” do 
inciso II do artigo 617 do Código de Processo Penal Militar.
4. Denegação da ordem de habeas corpus (STF, Pleno, HC n. 119.567/RJ, rel. Min. Dias 
Toffoli, rel. para Acórdão Min. Roberto Brroso, j. 22ABR2014).
O Superior Tribunal Militar também vai nessa compreensão:
EMENTA: APELAÇÃO. DESERÇÃO (ART. 187 DO CPM). ACUSADO CONDENADO EM PRI-
MEIRA INSTÂNCIA. INDULTO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA CONDE-
NATÓRIA. SUBSISTÊNCIA DO INTERESSE NO JULGAMENTO DO RECURSO. ALEGAÇÕES 
DE ORDEM ECONÔMICA. ESTADO DE NECESSIDADE EXCULPANTE. NÃO OCORRÊNCIA. 
SÚMULA N. 3 DO STM. SURSIS. VEDAÇÃO DA APLICAÇÃO (ART. 88, INCISO II, ALÍNEA 
“A”, DO CPM). COMPATIBILIDADE COM A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. MANUTEN-
ÇÃO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA.
1. O indulto apenas extingue a punibilidade do agente, porém persistem os demais efei-
tos da condenação. Subsiste, portanto, a pretensão do apelo, porquanto o instituto não 
tem o condão de apagar o crime, a condenação e os seus efeitos secundários.
2. Problemas de ordem econômica não podem ser considerados, em qualquer situação, 
como estado de necessidade, pois, do contrário, a todos os soldados deveria ser esten-
dida a exculpante, correndo-se o risco de esvaziamento dos Quartéis.
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3. Abandonar o dever militar ao pretexto de manter a sua subsistência e da família, não é 
razoável, mormente quando tal situação não fica comprovada nos autos, como no caso 
em questão.
4. Meras alegações de situações familiares ou particulares desacompanhadas de provas 
não podem ser aceitas como excludente de culpabilidade, conforme Súmula n. 3 desta 
Corte Castrense.
5. O sursis não se aplica ao crime de deserção por força de expressa vedação legal pre-
vista no art. 88, inciso II, alínea “a”, do CPM e no art. 617, inciso II, alínea “a”, do CPPM, e 
os referidos dispositivos foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988, con-
soante sedimentada jurisprudência desta Corte Castrense e do Supremo Tribunal Fede-
ral. Apelo desprovido. Decisão unânime (STM, Apelação n. 7000033-48.2018.7.00.0000, 
rel. Min. Lúcio Mário de Barros Góes, j. 12JUN2018).
Entretanto, se o condenado, na época da decisão, já for ex-militar, o STM tem compreen-
dido ser cabível o sursis:
EMENTA: APELAÇÃO. DEFESA. ART. 187 DO CPM. DESERÇÃO. PRELIMINAR. EXTINÇÃO 
DO FEITO. PERDA DA CONDIÇÃO DE MILITAR DO ACUSADO APÓS A INSTAURAÇÃO DA 
AÇÃO PENAL MILITAR. AUSÊNCIA DE CONDIÇÃO DE PROSSEGUIBILIDADE. REJEIÇÃO 
POR MAIORIA. MÉRITO. ESTADO DE NECESSIDADE EXCULPANTE. NÃO COMPROVAÇÃO. 
SÚMULA N. 3 DO STM. PROVIMENTO PARCIAL. ACUSADO EX- MILITAR. EXCLUSÃO DA 
ALÍNEA “A” DO ART. 626 DO CPPM. CONDENAÇÃO MANTIDA. UNANIMIDADE.
1. Integrando o acusado regularmente o serviço militar ativo, à época do recebimento da 
denúncia, a sua posterior exclusão das Forças Armadas não tem aptidão de interferir no 
prosseguimento da ação penal militar. Preliminar rejeitada por maioria.
2. O estado de necessidade deve ser comprovado por provas idôneas e contundentes de 
modo que, consoante a Súmula n. 3 do STM, meras alegações ordem particular ou fami-
liar desacompanhadas de provas não constituem excludentes.
3. O controle de constitucionalidade de súmulas encontra óbice no art. 97 da Constitui-
ção Federal, que dispõe que somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros 
ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a incons-
titucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Desse modo, não há que falar 
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em inconstitucionalidade, considerando que enunciados de súmulas não se inserem no 
conceito de Lei ou ato normativo, sobretudo porque são despidos de normatividade, ou 
seja, não têm caráter vinculante mas consistem em entendimento jurisprudencial uni-
formizado acerca de determinado tema.
4. O STM apreciou a questão acerca da legalidade e de eventual existência de vício de 
inconstitucionalidade reflexa do enunciado da súmula n. 3 do STM e firmou entendi-
mento no sentido de que o referido Enunciado não representa ofensa aos princípios da 
presunção de inocência e do livre convencimento motivado, estando em total harmonia 
com a Carta Magna. Precedentesdo STM.
5. Embora a concessão do sursis seja vedada àqueles que cometem o crime de deser-
ção, nos termos do art. 88, II, alínea “a”, do CPM, e do art. 617, II, alínea “a”, do CPPM, o 
STM tem relativizado a questão e entendido que não figuraria razoável a manutenção 
da prisão daquele que não mais ostenta a condição de militar, a fim de evitar que seja 
ele submetido aos rigores do estabelecimento prisional comum. Precedentes do STM. 
Apelo conhecido e parcialmente provido. Decisão unânime (STM, Apelação n. 7000254-
94.2019.7.00.0000, rel. Min. Carlos Augusto de Sousa, j. 13AGO19).
“Pelamor”, Professor! E o que eu respondo na prova?
Nos concursos específicos da carreira militar, sugere-se a resposta no sentido de recep-
ção do dispositivo, claro, se o enunciado não indicar que se quer uma resposta de acordo com 
a jurisprudência.
Para as carreiras jurídico-militar (Juiz Federal da Justiça Militar e Ministério Público Mili-
tar), recomenda-se a resposta, em primeira fase, no sentido da recepção do dispositivo, mas 
com a relativização para os civis.
Finalmente, em carreiras mais ligadas à visão defensiva, caso da Defensoria Pública da 
União, a visão pela não recepção por violar o princípio da individualização da pena é uma ex-
celente construção.
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O mais importante é conhecer as três possibilidades acima indicadas e buscar, na ques-
tão, indícios de qual a que mais se adapta na resposta. Caso o enunciado deixe dúvidas, cer-
tamente, é questão que fomentará recursos.
2. livrAmento CondiCionAl
O livramento condicional é um incidente na execução da pena privativa de liberdade, 
caracterizado pela antecipação provisória da liberdade do condenado, após o preenchi-
mento de requisitos objetivos e subjetivos, mediante o compromisso de cumprimento de 
algumas condições.
O período de prova coincide com o restante da pena a cumprir e caracteriza-se, também, 
direito público subjetivo do condenado. O estudo do livramento condicional, obviamente, deve 
ser iniciado pela leitura da lei, começando pelo art. 89 do CPM:
Requisitos
Art. 89. O condenado a pena de reclusão ou de detenção por tempo igual ou superior a dois anos 
pode ser liberado condicionalmente, desde que:
I – tenha cumprido:
a) metade da pena, se primário;
b) dois terços, se reincidente;
II – tenha reparado, salvo impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pelo crime;
III – sua boa conduta durante a execução da pena, sua adaptação ao trabalho e às circunstâncias 
atinentes a sua personalidade, ao meio social e à sua vida pregressa permitem supor que não vol-
tará a delinquir.
Penas em concurso de infrações
§ 1º No caso de condenação por infrações penais em concurso, deve ter-se em conta a pena uni-
ficada.
Condenação de menor de 21 ou maior de 70 anos
§ 2º Se o condenado é primário e menor de vinte e um ou maior de setenta anos, o tempo de cum-
primento da pena pode ser reduzido a um terço.
A exemplo do sursis, assim, para a concessão do livramento condicional deve haver o 
preenchimento de requisitos objetivos e subjetivo, expostos no art. 89 do CPM.
Os requisitos objetivos são: ter cumprido metade da pena, se primário ou dois terços, se 
reincidente; ter reparado o dano causado pelo crime, salvo impossibilidade de fazê-lo. Se o 
condenado é primário e menor de vinte e um ou maior de setenta anos, o tempo de cumpri-
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mento da pena pode ser reduzido a um terço (art. 89, § 2º, CPM). Em tempo de paz, conforme 
o art. 97 do CPM, o livramento condicional por crime contra a segurança externa do país, ou 
de revolta, motim, aliciação e incitamento, violência contra superior ou militar de serviço, só 
será concedido após o cumprimento de dois terços da pena, observado ainda o disposto no 
art. 89, preâmbulo, seus números II e III e §§ 1º e 2º.
Como requisito subjetivo, no mesmo art. 89 temos a exigência de que sua boa conduta du-
rante a execução da pena, sua adaptação ao trabalho e às circunstâncias atinentes a sua per-
sonalidade, ao meio social e à sua vida pregressa permitam supor que não voltará a delinquir.
Para Jorge César de Assis (2001: p. 194) o cumprimento de parte da pena é requisito 
objetivo-subjetivo, pois o quantum a ser cumprido dependerá da cominação da pena em 
concreto. Tal cominação levará em conta a reincidência do réu, tornando-se também um 
requisito subjetivo.
A título de comparação, no Direito Penal comum, os requisitos são diferentes, mormente 
após a edição do chamado “Pacote Anticrime”, trazido pela Lei n. 13.964/2019. O art. 83 do 
CP, agora, possui a seguinte redação:
Requisitos do livramento condicional
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade 
igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:
I – cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver 
bons antecedentes;
II – cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;
III – comprovado (Redação da Lei n. 13.964/2019):
a) bom comportamento durante a execução da pena (Redação da Lei n. 13.964/2019);
b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses (Redação da Lei n. 13.964/2019);
c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído (Redação da Lei n. 13.964/2019); e
d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto (Redação da Lei n. 
13.964/2019);
IV – tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração;
V – cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática 
de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o ape-
nado não for reincidente específico em crimes dessa natureza.
Parágrafo único. Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à 
pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pes-
soais que façam presumir que o liberado não voltará a delinquir.
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Em princípio, mantem-se a disciplina específica do Código Penal Militar, especialmente 
quando se tratar de execução da sentença na Justiça Militar da União, em que as regras de 
execução de pena são próprias do CPPM. Nas Justiças Militares Estaduais, ao não se aplicar 
as regras de execução de sentença do CPPM (art. 6º do CPPM), poderá se discutir o novo 
regramento, mas isso será, assim entendo, desnecessário, pois o requisito subjetivo do CPM, 
constante do inciso III do art. 89, abarcam as novas previsões do CP.
Como vimos, o CPM não possui um sursis etário ou humanitário, mas possui “livramento 
condicional etário”, disposto no § 2º do art. 89,segundo o qual se reduz a exigência de cum-
primento de pena para menores de 21 e maiores de 70 anos, para um terço da pena.
Ao conceder o livramento condicional, o Juiz na sentença deverá especificar as condi-
ções, conforme dispõe o art. 90 do CPM. As condições aqui também podem ser estipuladas 
pelo Juiz e aquelas que a lei determina sua imposição.
As condições judiciais são fixadas pelo Juiz de forma adequada em cada caso concreto, 
porém as condições legais, obrigatoriamente exigidas estão no art. 626 do CPPM
CPPM:
Normas obrigatórias para obtenção do livramento
Art. 626. Serão normas obrigatórias impostas ao sentenciado que obtiver o livramento condicional:
a) tomar ocupação, dentro de prazo razoável, se for apto para o trabalho;
b) não se ausentar do território da jurisdição do juiz, sem prévia autorização;
c) não portar armas ofensivas ou instrumentos capazes de ofender;
d) não frequentar casas de bebidas alcoólicas ou de tavolagem;
e) não mudar de habitação, sem aviso prévio à autoridade competente.
Nem todas elas são aplicáveis a militares, não se devendo impor a obrigação de tomar 
ocupação dentro de prazo razoável e nem a de não portar armas ofensivas ou instrumentos 
capazes de ofender.
Jorge Alberto Romeiro (1994, p. 212) lembra que hoje, em vez do parecer Conselho Pe-
nitenciário (art. 91 do CPM), há a manifestação do diretor do estabelecimento penal ou do 
comandante da Unidade em que o militar cumpre a sanção.
Qual o sursis, o livramento condicional possui causas de revogação obrigatória e faculta-
tivas, torneadas pelo art. 93:
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Revogação obrigatória
Art. 93. Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado, em sentença irrecorrível, a 
pena privativa de liberdade:
I – por infração penal cometida durante a vigência do benefício;
II – por infração penal anterior, salvo se, tendo de ser unificadas as penas, não fica prejudicado o 
requisito do art. 89, n. I, letra a
Revogação facultativa
§ 1º O juiz pode, também, revogar o livramento se o liberado deixa de cumprir qualquer das obri-
gações constantes da sentença ou é irrecorrivelmente condenado, por motivo de contravenção, a 
pena que não seja privativa de liberdade; ou, se militar, sofre penalidade por transgressão discipli-
nar considerada grave.
Infração sujeita à jurisdição penal comum
§ 2º Para os efeitos da revogação obrigatória, são tomadas, também, em consideração, nos termos 
dos ns. I e II deste artigo, as infrações sujeitas à jurisdição penal comum; e, igualmente, a contra-
venção compreendida no § 1º, se assim, com prudente arbítrio, o entender o juiz.
Será, assim, obrigatoriamente revogado o livramento condicional quando o liberado vem 
a ser condenado, em sentença irrecorrível, a pena privativa de liberdade por infração penal 
cometida durante a vigência do benefício ou por infração penal anterior, salvo se a unificação 
das penas importar em condenação que o beneficiado já tenha cumprido a metade (da pena 
unificada), ou seja, se o condenado for primário, e quando a soma do período de cárcere e de 
liberdade sob condições superar a metade da pena única (resultante dos dois crimes), não 
haverá revogação.
Bem se nota que o livramento condicional será revogado por condenação criminal a pena 
privativa de liberdade (crime ou contravenção), não importando se o fato foi cometido antes 
ou durante a fruição do benefício. A diferença está na consequência da revogação em um 
caso e em outro, conforme art. 94:
Efeitos da revogação
Art. 94. Revogado o livramento, não pode ser novamente concedido e, salvo quando a revogação 
resulta de condenação por infração penal anterior ao benefício, não se desconta na pena o tempo 
em que esteve solto o condenado.
Como se verifica, em se tratando de infração cometida antes do período de livramento, 
o tempo de liberdade é computado para o cumprimento da pena. Na forma como se está 
disposto, tem-se a impressão de que o condenado não poderá obter novo livramento, mas a 
doutrina assente nessa possibilidade.
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No Direito Penal comum o parâmetro é o art. 88 do CP, com idêntica redação. Sobre ele, 
Gustavo Junqueira e Patrícia Vanzolini (2013, p. 589): “Poderá ainda somar o tempo que falta 
com a nova pena e calcular o prazo para novo benefício (novo livramento)”.
Mesma visão possui Rogério Sanches Cunha (2020, p. 619): “Ressaltamos também ser 
possível a concessão de novo livramento, desde que preenchidos novamente os requisitos, 
admitindo, ainda, somar as penas dos dois crimes (art. 84 do CP)”.
No Direito Penal Militar, por todos, vide Jorge César de Assis (2017, p. 378):
Este artigo deve ser analisado sob três aspectos:
1º) em face de condenação irrecorrível por crime cometido anteriormente ao período de prova. 
Revogado o benefício, computa-se à pena remanescente o tempo em que o liberado esteve solto. 
Novo livramento pode ser concedido, desde que o saldo de pena a cumprir, somado à pena imposta, 
atinja o limite mínimo de dois anos, previstos no art. 89 do CPM;
2º) em face de condenação irrecorrível por crime cometido durante o período de prova. Revogado o 
benefício, não se admite novo benefício em relação à mesma pena e não se desconta o tempo em 
que o liberado permaneceu solto;
3º) em face do descumprimento de condições impostas na sentença, não pode ser favorecido por 
novo livramento condicional.
Assim, tem-se que aquele que estiver em livramento condicional e for condenado, por 
decisão definitiva, à pena privativa de liberdade, por fato anterior à concessão do benefício, 
terá o tempo em livramento computado para a pena da primeira condenação e, unificando-se 
a pena com a nova condenação, poderá ser beneficiado com novo livramento, se preenchidos 
os requisitos.
Exemplificativamente, um militar condenado à pena de 10 anos de reclusão, sendo pri-
mário e de bons antecedentes, após cumprir metade da pena (5 anos), será beneficiado pelo 
livramento condicional (art. 89, I, “a”, CPM), se preencher, claro, os demais requisitos dos in-
cisos II e III do art. 89 do CPM. Em livramento condicional, após ter ficado 4 anos em período 
de prova, é condenado, irrecorrivelmente, na Justiça Comum ou Militar (art. 93, § 2º, CPM), 
por crime praticado antes da concessão do livramento, à uma pena de reclusão de 3 anos. 
Neste caso, o benefício será obrigatoriamente revogado, mas o tempo do período de prova 
será computado para a pena da primeira condenação, dando ao condenado o cumprimento 
de pena de 9 anos de reclusão pela primeira condenação. Somando-se a pena da primeira 
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condenação com a nova condenação, se preenchidos os requisitos, novo livramentopoderá 
ser concedido.
O problema é que há duas posições sobre o que considerar nessa soma: a) os 3 anos da 
segunda condenação devem ser somados ao restante de pena da primeira condenação, ex-
cluídos o quantum efetivamente cumprido (5 anos) e do período de prova (4 anos), pois são 
pena extinta, e, portanto, o condenado teria como parâmetro de “nova” pena 4 anos de reclu-
são (1 ano restante da primeira condenação e os 3 anos da nova condenação); b) os 3 anos 
da segunda condenação devem ser somados à pena originária da primeira condenação (10 
anos), sem excluir o quantum cumprido e do período de prova, portanto, o condenado teria 
como parâmetro de “nova” pena 13 anos de reclusão (10 anos da primeira condenação e os 3 
anos da nova condenação).
Adotada a primeira posição, o condenado, terá o parâmetro de 4 anos de condenação, 
devendo cumprir metade dessa pena (art. 89, I, “a”, como indica o art. 93, II, tudo do CPM), ou 
seja, deverá cumprir 2 anos para ter a possibilidade de novo livramento condicional. Logica-
mente, o tempo já computado como pena extinta, não poderá incidir para o novo livramento, 
de maneira que ele terá que cumprir esse quantum de 2 anos e 8 meses.
Adotada a segunda posição, o condenado terá por parâmetro a pena unificada de 13 anos, 
devendo cumprir metade da pena (art. 89, I, “a”), ou seja, deverá cumprir 6 anos e 6 meses, 
para ter direito ao benefício. Entretanto, já cumpriu, da primeira condenação, 9 anos (5 anos 
efetivamente cumpridos e 4 anos em período de prova), de maneira que já pode, imediata-
mente, ter direito a novo livramento condicional, preenchidos os demais requisitos. Aliás, se, 
neste caso, como a soma do período de cárcere e de liberdade sob condições supera a meta-
de da pena única (resultante dos dois crimes), não haverá revogação (ROMEIRO, 1994, p. 213).
Os argumentos para a segunda posição são fortes e podem ser condensados pela pena 
de Gustavo Junqueira e Patrícia Vanzolini (2013, p. 589):
a) Deve ser somada com a pena originária, pois o condenado não pode ser sancionado pela demo-
ra do Estado em alcançar o trânsito em julgado. Assim, o cálculo deve ser feito como se as duas 
condenações tivessem atingido o trânsito em julgado no mesmo dia. Outro entendimento puniria o 
sujeito pelos transtornos burocráticos do processo penal, pois aquele que tivesse “sorte” de julga-
mento rápido teria mais facilidade ao livramento que aquele com menos “sorte”.
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Por fim, se o livramento condicional está cumprindo seu fim, e o sujeito não trai a confiança do 
juízo, o entendimento deve ser norteado pela busca de sua ressocialização, premiando seu bom 
comportamento, e não o contrário. É o nosso entendimento.
Adota a primeira corrente, para registro, Cleber Masson (2016, p. 487), com quem se con-
corda, apesar da aparente predominância da corrente oposta.
Prosseguindo na análise, por outro lado, se a infração foi cometida durante o benefício, 
o liberando, pela revogação, “perde” todo o tempo em que estava em livramento condicional, 
nada diminuindo em sua pena. Em adição, não poderá obter novo benefício para a pena da-
quela condenação em que houve a revogação, mas será possível obter, sob novos parâme-
tros, para a nova condenação, após o cumprimento da primeira.
Adotando o mesmo exemplo, um militar condenado à pena de 10 anos de reclusão, 
sendo primário e de bons antecedentes, após cumprir metade da pena (5 anos), será bene-
ficiado pelo livramento condicional (art. 89, I, “a”, CPM), se preencher os demais requisitos 
dos incisos II e III do art. 89 do CPM. Em livramento condicional, após ter ficado 4 anos em 
período de prova, é condenado, irrecorrivelmente, na Justiça Comum ou Militar (art. 93, § 
2º, CPM), por crime praticado durante a fruição do livramento, à uma pena de reclusão de 
3 anos. Neste caso, o benefício será obrigatoriamente revogado e o tempo do período de 
prova não será computado para a pena da primeira condenação, ou seja, o condenado terá 
que cumprir os 5 anos restantes da pena da primeira condenação e os 3 anos da segunda. 
Nos primeiros 5 anos, a cumprir a pena da primeira condenação, não haverá possibilidade 
de novo livramento condicional, mas para os 3 anos da segunda condenação, após cumprir 
2/3 da pena (art. 89, I, ‘b”, do CPM), ou seja, 2 anos, pois será reincidente e não haverá soma 
com a primeira condenação em que era primário, poderá obter livramento condicional, se 
preenchidos os demais requisitos.
Por fim, a revogação será facultativa quando o liberado deixa de cumprir qualquer das 
obrigações constantes da sentença ou é irrecorrivelmente condenado, por motivo de contra-
venção, a pena que não seja privativa de liberdade; ou, se militar, sofre penalidade por trans-
gressão disciplinar considerada grave (§ 1º do art. 93 do CPM). Neste caso, obviamente, não 
há que se falar em novo benefício, pois não haverá unificação de condenações, assim como, 
o período de prova não será computado para a pena (JUNQUEIRA; VANZOLINI, 2013, p. 590).
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O período de prova do livramento condicional, que seria, em princípio o correspondente ao 
restante da pena, pode ser prorrogado, nos termos do parágrafo único do art. 95 do Código 
Penal Militar, no caso de haver pendência de processo a que responda o liberado por infração 
penal cometida na vigência do livramento, abstendo-se o Juiz de declarar a extinção da pena.
Nos termos do art. 95 do CPM, se, até o seu termo, o livramento não é revogado, consi-
dera-se extinta a pena privativa de liberdade, havendo a exceção já mencionada no caso de 
pendência de processo, que permitirá uma prorrogação do período de prova.
O art. 96 do CPM dispõe que não se pode aplicar o livramento condicional aos crimes co-
metidos em tempo de guerra.
3. penAs ACessóriAs
3.1. ConCeito
Nas precisas palavras de Jorge Romeiro (1994, p. 216), penas acessórias são penas com-
plementares, ligadas à natureza do crime, caracterizando-se em uma forma de repressão 
mediata dependente das penas principais.
Por definição, as penas acessórias não podem surtir efeito sozinhas, devendo acompa-
nhar a pena principal. Isso leva à conclusão de que, pelo sistema implantado quando do sur-
gimento do CPM, em 1969, a aplicação dessas penas deveria ocorrer na primeira instância de 
julgamento.
O Código Penal comum, a título de comparação, há muito não traz mais as penas acessó-
rias, que passaram a ser, naquele diploma, efeitos da condenação.
Vamos, então, às chamadas penas acessórias, a iniciar pela perda de posto e de patente 
do Oficial.
3.2. perdA do posto e dA pAtente
Por previsão do art. 99 do Código Penal Militar, a perda de posto e patente, aplicada so-
mente a oficiais, resulta da condenação a pena privativa de liberdade por tempo superior a 
dois anos, e importa a perda das condecorações.
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Perda de posto e patente
Art. 99. A perda de posto e patente resulta da condenação a pena privativa de liberdade por tempo 
superior a dois anos, e importa a perda das condecorações.
Em outros termos, o Oficial condenado à pena privativa de liberdade superior a dois anos, 
teria cassados seu posto e patente, quase que inexoravelmente, por decisão do escabinato.
Posto é o grau hierárquico do oficial das Forças Armadas e das Polícias Militares e Corpos 
de Bombeiros Militares. Quando um oficial é, por exemplo, Capitão, dizemos que ele detém o 
posto de Capitão.
Patente, umbilicalmente ligada ao posto, é o título referente ao grau hierárquico alcança-
do, significativo de todos os direitos e prerrogativas inerentes ao posto.
Apesar da previsão no CPM, essa pena acessória não pode ser aplicada inerente à con-
denação, mas é necessário um julgamento ético pelos órgãos de segunda instância das Jus-
tiças Militares. Assim, se houver a condenação de um oficial do Exército, o processo ético 
tomará corpo no Superior Tribunal Militar, após a representação do Ministério Público pela 
perda de posto e patente. Caso seja um oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo (Mi-
nas Gerais ou Rio Grande do Sul), haverá mencionado processo no Tribunal de Justiça Militar 
do Estado. Finalmente, em Estados onde não há TJM, como o Estado do Rio Grande do Norte, 
esse processo deve ser desencadeado junto ao Tribunal de Justiça respectivo.
Essa concepção decorre da previsão trazida pelos incisos VI e VII do § 3º do art. 142 da 
Constituição Federal cc o § 1º do art. 42, também da CF, para os oficiais das Polícias Militares 
e Corpos de Bombeiros Militares.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL – FORÇAS ARMADAS
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são ins-
tituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, 
sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia 
dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
[...].
§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-lhes, além das 
que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposições:
[...].
VI – o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incom-
patível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal 
especial, em tempo de guerra;
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VII – o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a 
dois anos, por sentença transitada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no inciso 
anterior;
CONSTITUIÇÃO FEDERAL – POLÍCIAS E CORPOS DE BOMBEIROS MILITARES
Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições organi-
zadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Territórios.
§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a 
ser fixado em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo 
a lei estadual específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as patentes dos 
oficiais conferidas pelos respectivos governadores.
Podemos, por tudo o que foi exposto, dizer que a aplicação de perda de posto e patente 
como pena acessória pela primeira instância da Justiça Militar não foi recepcionada pela 
Constituição Federal, porquanto hoje, de acordo com os artigos citados, essa possibilidade 
cabe aos órgãos de segunda instância.
Atente-se, no entanto, que se sedimentou entendimento de que a prerrogativa de perda de 
posto e patente do oficial das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares por decisão 
de Tribunal Militar deve apenas ser reconhecida quando a condenação geradora for da Jus-
tiça Militar, também com arrimo no § 4º do art. 125 da CF, ou seja, exatamente nas situações 
que ensejariam a pena acessória, e não nos casos de efeitos da condenação da Justiça Co-
mum, por exemplo, no caso de crime de tortura. Ocorre, ressalte-se ainda, que com o advento 
da Lei n. 13.491/17, crimes como o de tortura poderão ser crimes militares, o que importaria 
em condenação pela Justiça Militar.
No sentido indicado, o Emb. Decl. nos Emb. Decl. no Ag. Reg. No Ag. de Instrumento n. 
769.637/MG, julgado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, em 26 de junho de 
2013, sob relatoria do Ministro Celso de Mello:
CRIME DE TORTURA – CONDENAÇÃO PENAL IMPOSTA A OFICIAL DA POLÍCIA MILITAR 
– PERDA DO POSTO E DA PATENTE COMO CONSEQUÊNCIA NATURAL DESSA CONDENA-
ÇÃO (LEI N. 9.455/97, ART. 1º, § 5º) – INAPLICABILIDADE DA REGRA INSCRITA NO ART. 
125, § 4º, DA CONSTITUIÇÃO, PELO FATO DE O CRIME DE TORTURA NÃO SE QUALIFI-
CAR COMO DELITO MILITAR – PRECEDENTES – SEGUNDOS EMBARGOS DE DECLARA-
ÇÃO – INOCORRÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO – PRETENSÃO 
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RECURSAL QUE VISA, NA REALIDADE, A UM NOVO JULGAMENTO DA CAUSA – CARÁTER 
INFRINGENTE – INADMISSIBILIDADE – PRONTO CUMPRIMENTO DO JULGADO DESTA 
SUPREMA CORTE, INDEPENDENTEMENTE DA PUBLICAÇÃO DO RESPECTIVO ACÓR-
DÃO, PARA EFEITO DE IMEDIATA EXECUÇÃO DAS DECISÕES EMANADAS DOTRIBUNAL 
LOCAL – POSSIBILIDADE – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO CONHECIDOS. TORTURA 
– COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM – PERDA DO CARGO COMO EFEITO AUTOMÁ-
TICO E NECESSÁRIO DA CONDENAÇÃO PENAL. - O crime de tortura, tipificado na Lei 
n. 9.455/97, não se qualifica como delito de natureza castrense, achando-se incluído, 
por isso mesmo, na esfera de competência penal da Justiça comum (federal ou local, 
conforme o caso), ainda que praticado por membro das Forças Armadas ou por inte-
grante da Polícia Militar. Doutrina. Precedentes. - A perda do cargo, função ou emprego 
público – que configura efeito extrapenal secundário – constitui consequência neces-
sária que resulta, automaticamente, de pleno direito, da condenação penal imposta ao 
agente público pela prática do crime de tortura, ainda que se cuide de integrante da 
Polícia Militar, não se lhe aplicando, a despeito de tratar-se de Oficial da Corporação, a 
cláusula inscrita no art. 125, § 4º, da Constituição da República. Doutrina. Precedentes. 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – UTILIZAÇÃO PROCRASTINATÓRIA – EXECUÇÃO IME-
DIATA – POSSIBILIDADE. - A reiteração de embargos de declaração, sem que se regis-
tre qualquer dos pressupostos legais de embargabilidade (CPP, art. 620), reveste-se de 
caráter abusivo e evidencia o intuito protelatório que anima a conduta processual da 
parte recorrente. - O propósito revelado pelo embargante, de impedir a consumação do 
trânsito em julgado de decisão que lhe foi desfavorável – valendo-se, para esse efeito, 
da utilização sucessiva e procrastinatória de embargos declaratórios incabíveis–, cons-
titui fim que desqualifica o comportamento processual da parte recorrente e que auto-
riza, em consequência, o imediato cumprimento da decisão emanada desta Suprema 
Corte, independentemente da publicação do acórdão consubstanciador do respectivo 
julgamento. Precedentes.
Com o advento da Lei n. 13.491/2017, resgate-se, crimes como o de tortura podem se 
configurar em crimes militares e, em caso de condenação ensejadora da perda de posto e 
patente na Justiça Castrense deverá haver manifestação do órgão de segunda instância.
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3.3. indignidAde pArA o ofiCiAlAto
De forma idêntica à perda do posto e da patente, a indignidade para o oficialato, prevista 
no art. 100 do CPM, decorre de processo ético pelos Tribunais respectivos, não podendo mais 
ser aplicada como pena acessória.
Indignidade para o oficialato
Art. 100. Fica sujeito à declaração de indignidade para o oficialato o militar condenado, qualquer 
que seja a pena, nos crimes de traição, espionagem ou cobardia, ou em qualquer dos definidos nos 
arts. 161, 235, 240, 242, 243, 244, 245, 251, 252, 303, 304, 311 e 312.
O art. 142, § 3º, da CF, em seu inciso VI dispõe que o Oficial das Forças Armadas somente 
perderá o posto e a patente quando julgado indigno ou incompatível para com o oficialato 
pelo Tribunal competente, levando à conclusão de que a perda de posto e patente está ligada 
à indignidade e à incompatibilidade para o Oficialato, de modo que estas conduzem àquela.
Dessa forma, o art. 100, na atualidade, funciona apenas como um dispositivo norteador, 
para indicar quais crimes, independentemente do quantum da condenação, importam em in-
dignidade e devem levar ao processo ético pelos Tribunais.
Trazem a pecha de indignidade os seguintes crimes:
• espionagem (art. 366 do CPM);
• cobardia (art. 363 do CPM)
• desrespeito a símbolo nacional (art. 161 do CPM);
• ato de libidinagem (art. 235 do CPM);
• furto (art. 240 do CPM);
• roubo (art. 242 do CPM);
• extorsão (art. 243 do CPM);
• extorsão mediante sequestro (art. 243 do CPM);
• chantagem (art. 244 do CPM);
• estelionato (art. 251 do CPM);
• abuso de pessoa (art. 252 do CPM);
• peculato (art. 303 do CPM);
• peculato mediante erro de outrem (art. 304 do CPM);
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• falsificação de documento (art. 311 do CPM); e
• falsidade ideológica (art. 312 do CPM).
Uma vez praticado um desses crimes, os dois primeiros somente possíveis em época de 
guerra, qualquer que seja a pena aplicada, o oficial poderá ser submetido ao julgamento ético 
pelo Tribunal respectivo.
3.4. inCompAtibilidAde pArA o ofiCiAlAto
Dispõe sobre esta pena acessória o art. 101 do CPM:
Incompatibilidade com o oficialato
Art. 101. Fica sujeito à declaração de incompatibilidade com o oficialato o militar condenado nos 
crimes dos arts. 141 e 142.
As observações feitas para a indignidade são aproveitadas aqui, na incompatibilidade 
para o oficialato, dado o tratamento único que a Constituição confere a esses dois institutos.
Da mesma forma, o art. 101 do CPM, funciona apenas como reitor da submissão a proces-
so ético por incompatibilidade, especificamente trazendo em seu corpo os crimes de entendi-
mento para gerar conflito ou divergência com o Brasil (art. 141 do CPM) e de tentativa contra 
a soberania do Brasil (art. 142 do CPM).
Deve-se fazer uma última observação: a condenação a pena superior a dois anos ou 
àqueles crimes que dão ensejo à indignidade ou à incompatibilidade, não são as únicas 
formas de o Oficial perder o posto e a patente, o que pode também ocorrer por provocação 
de processo administrativo, o Conselho de Justificação, bifásico, com uma fase na admi-
nistração militar e outra no Poder Judiciário, com rito próprio definido em regimento interno 
dos Tribunais competentes.
3.5. exClusão dAs forçAs ArmAdAs
A exclusão das Forças Armadas está prevista no art. 102 do CPM e consiste no desli-
gamento de praça, apenas praça, das fileiras da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica em 
função de condenação à pena privativa de liberdade superior a dois anos.
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Exclusão das forças armadas
Art. 102. A condenação da praça a pena privativa de liberdade, por tempo superior a dois anos, 
importa sua exclusão das forças armadas.
No âmbito federal, essa pena é perfeitamente possível, já que não há nenhum óbice de 
natureza constitucional.
Todavia, em se tratando da esfera estadual, o § 4º do art. 125 da Constituição Federal 
dispõe que cabe ao Tribunal respectivo à segunda instância da Justiça Militar, decidir sobre 
a perda de graduação de praças, o que impossibilita a aplicação dessa pena às praças das 
Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, senão pela segunda instância.
Para Jorge César de Assis (2016, p. 386), a dissonância entre praças das Forças Armadas 
e das Polícias Militares, fere o princípio da isonomia.
3.6. perdA dA função públiCA
Outra pena acessória é a perda da função pública, prevista no art. 103 do CPM, aplicada ao 
civil ou assemelhado, que por nossa premissa não mais existe na atual configuração jurídica, 
em face de condenação à pena privativa de liberdade por crime cometido com abuso de poder 
ou violação de dever inerente à função pública ou por qualquer outro crime à pena privativa de 
liberdade superior a dois anos.
Perda da função pública
Art. 103. Incorre na perda da função pública o assemelhado ou o civil:
I – condenado a pena privativa de liberdade por crime cometido com abuso de poder ou violação 
de dever inerente à função pública;
II – condenado, por outro crime, a pena privativa de liberdade por mais de dois anos.
Parágrafo único. O disposto no artigo aplica-se ao militar da reserva, ou reformado, se estiver no 
exercício de função pública de qualquer natureza.
Inaplicável na esfera estadual, posto não haver possibilidade de julgamento de civil pelas 
Justiças Militares Estaduais, no âmbito federal Jorge César de Assis (2016, p. 395) sustenta 
que somente pode ser aplicada na hipótese do inciso I do art. 103 do CPM, na violação de 
dever inerente à função pública. Toma por base Jorge Alberto Romeiro que entende que os 
motivos que ensejavam a aplicação do inciso I não mais existem.
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Direito Penal Militar - Parte Geral VII
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Enio Luiz Rossetto (2015, p. 414-5) e Guilherme Nucci (2013, p. 181) nada comentam so-
bre a inaplicabilidade do inciso II.
3.7. inAbilitAção pArA o exerCíCio de função públiCA
A previsão está no art. 104 do CPM:
Inabilitação para o exercício de função pública
Art. 104. Incorre na inabilitação para o exercício de função pública, pelo prazo de dois até vinte 
anos, o condenado a reclusão por mais de quatro anos, em virtude de crime praticado com abuso 
de poder ou violação do dever militar ou inerente à função pública.
Termo inicial
Parágrafo único. O prazo da inabilitação para o exercício de função pública começa ao termo da 
execução da pena privativa de liberdade ou da medida de segurança imposta em substituição, ou 
da data em que se extingue a referida pena.
Como ensina Romeiro (1994, p. 229), essa pena acessória pode ser aplicada tanto ao civil 
quanto ao militar, porquanto não afeta o posto ou a graduação ou a função pública em si, mas 
a capacidade de direito público.
A pena visa impedir que o condenado reassuma uma função pública, podendo ser apli-
cada pelo prazo de dois até vinte anos, ao condenado à reclusão por mais de quatro anos, 
em virtude de crime praticado com abuso de poder ou violação do dever militar ou inerente 
à função pública, tendo como termo inicial o término da execução da pena privativa de liber-
dade ou da medida de segurança imposta em substituição, ou da data em que se extingue a 
referida pena.
3.8. suspensão do pátrio poder, tutelA ou CurAtelA
Prevista no art. 105 do CPM:
Suspensão do pátrio poder, tutela ou curatela
Art. 105. O condenado a pena privativa de liberdade por mais de dois anos, seja qual for o crime 
praticado, fica suspenso do exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, enquanto dura a execução 
da pena, ou da medida de segurança imposta em substituição (art. 113).
Suspensão provisória
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Parágrafo único. Durante o processo pode o juiz decretar a suspensão provisória do exercício do 
pátrio poder, tutela ou curatela.
A suspensão do pátrio poder, tutela ou curatela tem como fundamento a impossibilidade 
material de o condenado exercer o poder de família, a tutela ou a curatela. É aplicada ao con-
denado a pena privativa de liberdade superior a dois anos, seja qual for o crime praticado, per-
durando por toda a execução da pena ou da medida de segurança imposta em substituição.
É possível sua decretação provisória nos termos do parágrafo único do artigo, consistindo 
em medida cautelar no curso da instrução processual.
Com a agudeza que lhe é peculiar, Jorge César de Assis (2016: p. 398) postula que tal dis-
positivo deve ser aplicado na forma da lei civil, em especial segundo os artigos 1635, 1728 e 
1783 do Código Civil.
3.9. suspensão dos direitos polítiCos
Prevista no art. 106 do CPM:
Suspensão dos direitos políticos
Art. 106. Durante a execução da pena privativa de liberdade ou da medida de segurança imposta 
em substituição, ou enquanto perdura a inabilitação para função pública, o condenado não pode 
votar, nem ser votado.
A suspensão de direitos políticos consiste na impossibilidade de sufrágio pelo condena-
do, que fica impossibilitado de votar e ser votado.
Hoje, deve-se dizer, a suspensão é inerente a qualquer condenação criminal, como disciplina 
o art. 15, inciso III, da Constituição Federal, devendo ser considerado um efeito da condenação.
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I – cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II – incapacidade civil absoluta;
III – condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV – recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V – improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
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3.10. imposição dA penA ACessóriA
De forma bem clara, o art. 107 dispõe que, salvo os casos dos artigos 99, 103, inciso II, e 106, 
a imposição da pena acessória deve constar expressamente da sentença. Vejamos o artigo:
Imposição de pena acessória
Art. 107. Salvo os casos dos arts. 99, 103, n. II, e 106, a imposição da pena acessória deve constar 
expressamente da sentença.
Em outras palavras deveriam constar da sentença a indignidade e a incompatibilidade 
para o oficialato, a exclusão das Forças Armadas, a perda da função pública, salvo se resul-
tante de condenação superior a dois anos, a inabilitação para o exercício de função pública e 
a suspensão do pátrio poder, tutela ou curatela.
Claro que essa realidade, dadas as peculiaridades expostas em cada pena acessória, foi 
alterada, devendo-se analisar cada caso em espécie. Por exemplo, a suspensão de direitos 
políticos, que não precisava ser declarada expressamente na sentença, em face do dispositi-
vo constitucional enumerado, continua mantendo essa circunstância.
3.11. impresCritibilidAde dA penA ACessóriA
O art. 130 do CPM dispõe que a execução das penas acessórias é imprescritível.
Imprescritibilidade das penas acessórias
Art. 130. É imprescritível a execução das penas acessórias.
Tomando em conta que a prescrição compreende tanto a pretensão punitiva como a pre-
tensão executória e que a Constituição Federal definiu apenas o racismo e a ação de grupos 
armados contra o Estado de Direito e a ordem constitucional como crimes imprescritíveis, 
respectivamente nos incisos XLII e XLIV do art. 5º, a previsão do CPM, indiscutivelmente, não 
foi recepcionada, já que traria outros crimes ao rol de imprescritíveis.
No que concerne à ocorrência da prescrição da pretensão punitiva – não abrangida pelo 
art. 130, frise-se, que fala em execução da pena acessória – relativamente pacífica é a posi-
ção de que sua ocorrência importa em impossibilidade de aplicação da pena acessória. Como 
exemplo, no STM:
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Recurso em Sentido Estrito. Prescrição da pretensão punitiva da pena acessória. Extin-
ção da punibilidade. Decisão da Juíza-Auditora Substituta da Auditoria da 11ª CJM, pro-
ferida nos autos de Execução da Ação Penal Militar, na parte em que não reconheceu 
a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva da pena acessória de exclusão das 
Forças Armadas, aplicada ao recorrente. Entendimento da doutrina e da jurisprudência 
tendem a considerar que, na hipótese de ocorrência da prescrição da pretensão puni-
tiva, a pena acessória, declarada ou não, acompanha, de modo similar, a declaração 
de extinção da punibilidade da pena principal. Extinção da punibilidade pela prescri-
ção da pretensão punitiva superveniente à sentença condenatória da pena acessória

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