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GESTÃO DE PESSOAS E EQUIPES DE VENDAS AULA 2 Prof.a Janete Schmidmeier CONVERSA INICIAL Anteriormente, focamos nos pilares da gestão de pessoas e equipes de vendas. Nesta etapa, abordaremos o papel e as características de um vendedor em nosso primeiro tema e daremos início à apresentação dos processos de gestão de pessoas, entre eles: • Plano de cargos e salários. • Como recrutar vendedores? • Como selecionar vendedores? • O custo de turnover. Fique atento aos conteúdos, uma vez que são de extrema importância na garantia do alinhamento entre as necessidades do cargo e o perfil do colaborador e entre as entregas do vendedor e a sua remuneração. CONTEXTUALIZANDO Vamos imaginar uma equipe de vendas. Quais são os fatores determinantes na obtenção de resultados extraordinários? A qualidade do produto e do serviço? Os sistemas de gestão vigentes? As estratégias de vendas e marketing? Sim, todos esses elementos agregam valor à organização, porém, sem pessoas, não seria possível construir relacionamentos de confiança com os clientes; sem pessoas, não seria possível garantir a implantação dos sistemas de gestão nas áreas e organizações; sem pessoas, não seria possível aproveitar as estratégias de vendas e marketing para alavancar os resultados. Pois bem, são as pessoas as principais responsáveis por conquistar e manter clientes, garantir que o sistema de gestão seja efetivo e otimizar as campanhas de vendas e marketing. Portanto, nesse cenário em que os profissionais são os grandes protagonistas, precisamos conhecer os processos e as ferramentas de gestão de pessoas a fim de garantir que os talentos se sintam atraídos pela empresa e motivados a permanecer nela, sempre entregando o seu melhor resultado. 3 TEMA 1 – O QUE É UM VENDEDOR? Antes de entrar, especificamente, na profissão de vendedor, gostaríamos de propor uma reflexão: todas as pessoas vendem o tempo todo desde o início até o fim de suas vidas. Vendemos ideias, propostas, projetos, opiniões, a nossa imagem etc. Quer exemplos? Quando pedimos alguém em namoro, convencemos nossos amigos a viajar para determinado destino ou pedimos um aumento de salário, estamos utilizando a comunicação para persuadir alguém a agir conforme os nossos desejos ou necessidades. Portanto, somos todos vendedores! Porém, neste momento, estamos nos referindo a um profissional de vendas, ou seja, um profissional que é remunerado para exercer a função de vendedor em uma organização. Pensar nessa função é fundamental na definição do perfil desses profissionais e na composição da equipe, considerando as competências necessárias e a estruturação da rotina e da gestão dos resultados comerciais. Faz sentido para você? Portanto, o cargo de vendedor pode ser conceituado como o profissional que atua com vendas, ou seja, atua na comunicação de informações a fim de persuadir um prospect ou cliente a comprar um produto ou serviço que atenda às suas necessidades e desejos. Complementando o conceito, é importante pensar no perfil do vendedor ideal. Segundo Meinberg (2011, p. 29), “o profissional de vendas tem que assumir o papel do empreendedor e realizar autogestão”. Ou seja, deve defender o produto ou serviço que está comercializando como se fosse o dono da empresa e organizar a sua rotina a fim de garantir os melhores resultados. Outra questão importante a ser considerada, tanto pelo profissional da área de vendas quanto pelo gestor comercial, envolve as entregas esperadas de um vendedor. Para nos ajudar a entender o que é esperado de um vendedor, vamos analisar as funções propostas por Futrell (2003), conforme apresentado no Quadro 1, a seguir: Quadro 1 – O que faz um profissional de vendas 1. Cria novos clientes. 2. Vende mais à clientela atual. 3. Constrói relacionamentos de longo prazo com os clientes. 4. Oferece soluções para os problemas dos clientes. 4 5. Presta serviço aos clientes. 6. Ajuda a clientela a revender os produtos para os clientes deles. 7. Ajuda os clientes a usar os produtos depois da compra. 8. Constrói boa reputação juntos aos clientes. 9. Fornece informações de mercado a seu empregador. Fonte: Futrell, 2003, p. 22. Com base no quadro apresentado, é possível constatar que o principal foco de um vendedor são os seus clientes, ou seja, sem entender a fundo o perfil do cliente, é muito provável que o vendedor não consiga ter sucesso na realização das vendas. E falando em perfil, quais são as características ideais para um profissional de vendas? Para Futrell (2003), para que um vendedor obtenha sucesso em sua carreira, é necessário: • Amor pela profissão. • Vontade de trabalhar com afinco, trabalhar com inteligência e trabalhar ainda mais. • Necessidade de realização. • Ter uma visão otimista. • Estar bem informado. • Ser implacável em relação ao tempo. • Ter alta capacidade de escuta a fim de entender as necessidades dos clientes. • Prestar atenção no cliente. • Preparação física e mental para os desafios diários. Você concorda com o autor? Com base nos conteúdos apresentados, propomos uma autorreflexão: o seu perfil pessoal e profissional está alinhado ao que é esperado de um vendedor e às características necessárias ao sucesso profissional? E quais são as ações de desenvolvimento necessárias ao seu crescimento como vendedor? Já que estamos falando de autoavaliação, que tal realizar uma avaliação do seu perfil com base nas características de um vendedor consultor? Para tal, acesse o teste de perfil no livro O vendedor consultor, capítulo 9 (páginas 140 a 145). 5 Saiba mais Para saber mais sobre o papel e o estilo dos vendedores que atuam na área comercial, leia o capítulo 2 (páginas 32 a 35) do livro Gestão de pessoas e equipes de vendas. TEMA 2 – PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS Quando falamos em plano de cargos e salários, estamos fazendo referência a um planejamento baseado nas estratégias organizacionais sobre a estrutura de cargos e salários a ser aplicada na empresa. As principais ferramentas desse plano são a descrição de cargos e salários e a sua política. Mas, antes de iniciar os conteúdos, que tal uma reflexão? Você já pensou em quais são as funções de um vendedor? Segundo Silva (2020, p. 33), as principais funções são: • Prospectar novos clientes. • Estabelecer e nutrir relacionamentos. • Fazer perguntas boas e pertinentes. • Entregar um produto ou realizar um serviço para o cliente. • Gerenciar uma carteira de clientes. Existem inúmeras funções adicionais, e, dependendo da empresa, do produto, da estratégia de vendas, do mercado consumidor, as funções podem sofrer alterações e ter o seu escopo ampliado consideravelmente. É aí que entra o papel da descrição de cargos e salários, ou seja, descrever, detalhadamente, as funções de todos os profissionais que atuam na organização e conferir a elas um salário coerente e justo. Que tal conhecer alguns conceitos fundamentais para o entendimento dessa ferramenta? Cargo é “a composição de todas as atividades desempenhadas por uma pessoa [...] é uma unidade da organização e consiste em um conjunto de deveres e responsabilidades que o tornam separado e distinto dos outros cargos” (Chiavenato, 2015, p. 152). Função “é um agregado de deveres, tarefas e responsabilidades que requerem os serviços de um indivíduo” (Zimpeck, 1992, p. 40). Trata-se do conjunto das atribuições aferidas ao ocupante do cargo. 6 A descrição de cargos “é o processo que consiste em enumerar as tarefas e atribuições que compõe o trabalho e que o tornam distinto de todas as demais atividades existentes na organização” (Chiavenato, 2015, p. 178). “[...] é o detalhamento das atribuições ou tarefas que o colaborador executa (o que faz), a periodicidade (quando faz), os métodos utilizados (comofaz) e os objetivos do trabalho (por que faz)” (Chiavenato, 2015, p. 179). “A descrição de cargos é a base do sistema e deve ser objetiva, clara e concisa, não deixando dúvidas sobre o conteúdo e as características que distinguem um cargo do outro.” (Wood Junior; Picarelli Filho, 2004, p. 51). Na análise do cargo, são levantados os requisitos do trabalho, os quais são divididos, segundo Chiavenato (2015), em: • Requisitos mentais – características mentais ou intelectuais exigidas pelo cargo. • Requisitos físicos – características físicas exigidas pelo cargo. • Responsabilidades – responsabilidades envolvidas na execução do trabalho. • Condições de trabalho – ambiente física e riscos envolvidos no trabalho. “A avaliação de cargos consiste em transformar os parâmetros qualitativos em dados quantitativos, de tal forma que se possa estabelecer uma base única de comparação” (Wood Junior; Picarelli Filho, 2004, p. 51). “O produto da avaliação de cargos é a hierarquização dos cargos da empresa e sua organização em classes salariais” (Wood Junior; Picarelli Filho, 2004, p. 51). Os critérios utilizados na avaliação dos cargos são: • Conhecimentos e habilidades. • Complexidade das atividades. • Escopo e nível de responsabilidade. • Condições gerais do trabalho. Ou seja, o plano de cargos e salários engloba a descrição, a análise e a avaliação do cargo e a estrutura salarial atribuída. Portanto, após realizar toda a descrição e a análise de cargos, é necessário definir a estrutura salarial de cada um deles e a política salarial adotada pela organização. Mas vamos por partes. Na descrição de cargos e salários, no que tange a estrutura salarial, devem-se apresentar informações a seguir: 7 As faixas salariais aplicadas a cada função, ou seja, “a amplitude das faixas salariais mostra o limite mínimo e máximo que a empresa pretende pagar para cada cargo” (Wood Junior; Picarelli Filho, 2004, p. 51). Por exemplo, a organização pode adotar uma faixa salarial de 80% a 120% do salário médio para o cargo, e o gestor pode definir pelo valor salarial do colaborador dentro dessa faixa, sem incorrer em uma promoção vertical. Nos modelos mais contemporâneos de descrição de cargos e salários, as organizações estão reduzindo os níveis hierárquicos, ou seja, reduzindo as possibilidades de promoções verticais e ampliando as faixas salariais, com amplitudes que podem variar de 40% a 150% do salário médio, permitindo, desta forma, maior flexibilidade e amplitude para as promoções horizontais. Ainda na descrição de cargos e salários, devem estar registradas as possibilidades de promoção vertical dentro do mesmo cargo, ou seja, júnior, pleno e sênior ou nível I, II e III e as faixas salariais atribuídas a cada um desses níveis. Após realizar a descrição de cargos e salários de todos os profissionais que atuam na organização, é necessário que seja definida a política salarial a ser adotada. A política salarial é a etapa final do plano de cargos e salários e pode ser definida, segundo Wood Junior e Picarelli Filho (2004), como o documento que explicita todas as diretrizes em relação aos salários praticados pela organização, ou seja, salário de admissão, modelos de promoção, aumentos salariais, estrutura de remuneração, reajustes automáticos etc. Concluindo, a principal função da descrição de cargos e salários é a estruturação de um sistema de remuneração funcional, ou seja, na função desempenhada, e a organização de informações sobre o cargo e o seu ocupante, a fim de alimentar os demais processos de gestão de pessoas, ou seja, o recrutamento e a seleção, o sistema de remuneração, treinamento e desenvolvimento, avaliação do desempenho, saúde e higiene do trabalho, plano de carreira etc. Saiba mais Complemente o seu conhecimento lendo o Capítulo 2 (páginas 37 a 42) do livro Administração de cargos e salários: • MORENO, A. I. Administração de cargos e salários. Curitiba: InterSaberes, 2014. 8 Leia também o artigo a seguir: • Plano de cargos e salários: como estruturar em 6 passos. RH Portal. Disponível em: . Acesso em: 23 abr. 2023. TEMA 3 – COMO RECRUTAR VENDEDORES? Um dos principais fatores de garantia dos melhores resultados em uma equipe de vendas é a capacidade do gestor de pessoas, em parceria com a área de RH, de recrutar e selecionar os melhores candidatos para suprir as vagas em aberto na área comercial, sempre focando no alinhamento entre o perfil do candidato e as necessidades da vaga. Dois verbos superimportantes podem ser destacados no argumento apresentado – recrutar e selecionar. Que tal começarmos pelo primeiro, recrutar? Recrutamento “é o processo de atrair pessoas até a organização, objetivando atingir candidatos em potencial, que se identifiquem com a organização e com o trabalho” (Romero, 2013, p. 52). Para Chiavenato (2004, p. 102), trata-se de “divulgar no mercado as oportunidades que a organização pretende oferecer para pessoas que possuam determinadas caraterísticas desejadas”. Portanto, recrutar significa atrair candidatos para a participação em processos seletivos com o objetivo de garantir um número suficiente de opções qualificadas e, consequentemente, a possibilidade de contratar os melhores profissionais do mercado. E como garantir a eficácia desse processo? Dedicando atenção especial à construção de um employer branding e escolhendo a estratégia mais adequada à vaga e às necessidades da liderança e da organização – recrutamento interno e/ou externo. Você já ouviu falar do termo employer branding? Quer um exemplo? Leia a situação a seguir: Você está em uma comemoração entre amigos e um deles pergunta: “Como é trabalhar na sua empresa?” Você não vai dizer: “Você sabia que fomos os primeiros a construir a tecnologia alpha?” Provavelmente, você dirá algo como: "É ótimo trabalhar com meu chefe. Ela não micro gerencia e está aberta para ouvir minhas ideias em apresentações importantes. Eu também tenho alguma flexibilidade 9 com relação ao horário de trabalho, então posso passar mais tempo com meu filho - e não é necessário aparecer no escritório todos os dias”. (Satabdi, 2019) Nessa situação hipotética, qual é a imagem que o profissional transmitiu ao amigo sobre a organização em que ele atua? Superpositiva, correto? Pois é, esse é o “verdadeiro espírito” do employer branding. Quanto ao seu conceito, em primeiro lugar, vamos considerar a sua tradução literal, ou seja, marca empregadora. Essa tradução literal já deixa evidente do que se trata. Porém, para ampliar o seu escopo de argumentos, temos a definição de Mascarenhas (2020), que afirma que “Employer branding [...] é a arte de transformar os próprios funcionários em embaixadores de sua marca empregadora.”, ou seja, o reconhecimento por parte dos funcionários de que a organização é um ótimo local para se trabalhar refere-se à reputação conquistada pela organização como empregadora. Portanto, quanto melhor a organização for em employer branding, maior é a sua capacidade de tornar os funcionários defensores e divulgadores da empresa e de atrair os melhores talentos do mercado para trabalhar nela. Quanto às estratégias de recrutamento, existem duas possibilidades – interno e/ou externo. Para definir a estratégia a ser utilizada pela organização, é importante conhecer o conceito de cada uma dessas modalidades, bem como suas vantagens e desvantagens, conforme o Quadro 2, a seguir: Quadro 2 – Vantagens e desvantagens do recrutamento interno e externo TIPOS DE RECRUTAMENTO Recrutamento interno Recrutamento externo • Recrutamento realizado com os funcionários que já estão atuando na empresa. • Recrutamento realizado por meio de fontes que visam atrair candidatos que estão fora da organização. VANTAGENS • Proporcionamotivação para o desenvolvimento e qualificação dos funcionários. • Proporciona a retenção dos funcionários na empresa, reduzindo o turnover. • Aumenta a probabilidade de acerto dos processos seletivos. • Os custos são reduzidos. • Proporciona o ingresso de novas ideias, experiências e atitudes inovadoras. • Enriquece o capital intelectual, trazendo novas habilidades e conhecimentos. • Promove a alteração da cultura organizacional. DESVANTAGENS • Não abre espaço para novas ideias e experiências. • Incentiva a rotina. • Conserva a cultura já existente na empresa. • Funciona como um sistema fechado. • Pode desmotivar funcionários que esperam por transferências e promoções. • Pode aumentar o turnover da empresa. • Os custos são mais altos. • A possibilidade de erro é maior. Fonte: elaborado por Schmidmeier, 2023, com base em Knapik, 2012, p.196. 10 Independente da escolha da organização por realizar um recrutamento interno, externo ou misto (ou seja, iniciar o processo internamente e acionar o mercado externo, caso não existam candidatos adequados no quadro da empresa), é importante que sejam respeitadas as etapas de condução do processo, sendo elas: 1. análise do perfil da vaga; 2. definição pela modalidade do recrutamento – interno, externo ou misto; 3. divulgação da vaga; 4. recepção dos currículos; e 5. pré-triagem dos currículos. Para conhecer as fontes de recrutamento externo e suas possibilidades, leia o capítulo 2 (páginas 92 a 94) do livro Recrutamento e Seleção de Talentos. TEMA 4 – COMO SELECIONAR VENDEDORES No tema anterior, tratamos do processo de recrutamento, ou seja, atração de candidatos para participar dos processos de seleção de novos vendedores. Para Chiavenato (2015, p. 119), a seleção pode ser definida como “uma comparação entre duas variáveis: os requisitos exigidos pela organização (requisitos que o cargo exige de seu ocupante ou competências requeridas) em relação ao perfil, as características dos candidatos que se apresentam na disputa pela oportunidade”. Já Knapik (2008, p. 201) argumenta que seleção é “o processo pelo qual a organização utiliza certas estratégias para filtrar e identificar os candidatos que reúnem as qualificações e as capacidades exigidas para ocupar um cargo oferecido pela empresa”. Portanto, a etapa de seleção de novos colaboradores tem por objetivo escolher o melhor candidatos para a vaga de forma a garantir o alinhamento entre o perfil do profissional e a necessidade da vaga. Para tal, existem etapas sugeridas para a condução desse processo, sendo elas: 1. triagem dos currículos; 2. entrevista; 3. prova de conhecimentos específicos; 4. teste psicológico; 5. técnicas de simulação; 6. contratação; e 7. alocação. Lembrando que a definição dessas etapas depende de vários aspectos: perfil da vaga; recursos disponíveis para o processo; prazos acordados; entre outros. E agora, que você já conhece a estrutura dos processos de recrutamento e seleção, que tal conhecer alguns métodos inovadores que estão sendo utilizados pelas empresas de destaque no mercado? 11 • Desafios criativos na identificação de candidatos improváveis – utilizando jogos de negócios, simulações de situações de crise, gamification, técnicas vivenciais. • Tecnologia de vídeo – realizando entrevistas on-line por vídeo e/ou solicitando aos candidatos que gravem um pitch pessoal, defendendo as razões pelas quais deve ser escolhido para a vaga. • Mídias sociais e redes profissionais – utilizando as redes sociais e profissionais na identificação de candidatos, bem como na análise do seu perfil pessoal e profissional. • Big Data – operando softwares especializados para analisar milhares de aplicativos e currículos, utilizando algoritmos de busca e seleção. • Recrutamento e seleção às cegas – utilizando tecnologia e processos on-line a fim de realizar os processos de R&S inteiramente às cegas, ou seja, sem ter contato com nome, idade e gênero do candidato, evitando que estereótipos e preconceitos do selecionador interfiram na escolha do melhor candidato. Enfim, são muitas as técnicas modernas utilizadas nos processos de recrutamento e seleção, o importante para os responsáveis pela vaga e pelo processo é o planejamento meticuloso do R&S, considerando as especificidades da vaga e do perfil do profissional a ser contratado, a fim de aproveitar as técnicas sugeridas e garantir maior assertividade nas contratações. Saiba mais Para conhecer mais sobre o que tem sido praticado pelas empresas em processos de R&S, assista ao vídeo: • LINKEDIN explica como as empresas estão melhorando os seus processos de recrutamento e seleção. Amcham Brasil. Disponível em: . Acesso em:23 abr. 2023. Leia também o artigo: • HSM MANAGEMENT. Recrutar, reter e engajar: a transformação digital e os três grandes desafios do RH. Disponível em: . Acesso em: 23 abr. 2023. TEMA 5 – O CUSTO DO TURNOVER Chegamos a uma questão bastante delicada para as organizações e, ainda mais, para a área de vendas: o índice de turnover e o seu impacto nos resultados da equipe e da organização. E para “esquentar os motores”, vamos conhecer alguns conceitos aplicados ao termo turnover. Primeiro, trata-se de uma palavra de origem inglesa que pode ser traduzida como “renovação”, porém, devido ao seu uso contínuo, já foi incorporada ao vocabulário organizacional, sem a necessidade de tradução. O índice de turnover (ou índice de rotatividade) evidencia a frequência com que ocorrem as substituições na organização, sejam elas espontâneas (pedido de desligamento por parte do funcionário) ou deliberadas (demissão imposta pela organização). É, ainda, o resultado da comparação entre os funcionários desligados em um determinado período com o quadro médio de efetivos (Marras, 2000). E, por fim, é um indicador que demonstra o sentimento dos colaboradores em relação a cargos ocupados, liderança e organização. Quanto às causas do turnover, podemos citar: baixa qualidade de vida no trabalho; má remuneração; assédio moral; falta de incentivos para o desenvolvimento e crescimento na carreira; falta de autonomia; excesso de microgestão; desalinhamento entre a cultura organizacional e os valores individuais; mercado de trabalho aquecido; inadequação entre a função desempenhada e o perfil do profissional; problemas com a liderança; entre outros. Somado as causas apresentadas, Chiavenato (2010) complementa que estas podem variar em iniciativa do colaborador ou iniciativa da organização, conforme Quadro 3. Quadro 3 – Causas de desligamento Desligamento por iniciativa do colaborador Desligamento por iniciativa da organização • Insatisfação com o trabalho. • Substituição por profissional mais adequado ao cargo. 13 • Insatisfação com o ambiente de trabalho. • Oportunidades fora da organização. • Plano de demissão espontânea (PDE). • Seleção inadequada. • Redução do quadro de trabalhadores. • Mudança no desenho dos cargos. Fonte: Chiavenato, 2010. Conhecer as causas do turnover é fundamental para desenvolver ações no sentido de atenuá-las ou eliminá-las, mas também precisamos conhecer as consequências de um alto índice de turnover para a organização. Entre as principais consequências, podemos considerar o aumento da insegurança dos profissionais e, consequentemente, a queda da produtividade, uma vez que o clima organizacional interfere, diretamente, nos resultados individuais e do grupo. E quais os impactos do alto índice de turnover para os resultados? Para Cascio (2010), existem três custos fundamentais, sendo eles: • Custos de desligamento – entrevistas de desligamento e custos de rescisão. •Custos de substituição – recrutamento, seleção, custos de contratação. • Custos de treinamento – integração, treinamento na função. Além dos custos financeiros diretos que podem ser observados, decorrentes do alto índice de turnover, podemos destacar outros prejuízos para a organização que impactam, diretamente, nos resultados individuais e coletivos. Segundo Ribeiro (2010), os principais são: • Evasão do know-how ao perder os profissionais treinados e qualificados para a função. • Insegurança e desmotivação dos funcionários que permanecem na organização, gerando queda na produtividade. • Prejuízo à imagem da organização perante o mercado. São tantos os prejuízos para a organização que o índice de turnover deve ser acompanhado de perto pelos profissionais da área de RH e, principalmente, pelos gestores nas áreas, os quais devem buscar atenuar as causas da rotatividade dos seus liderados, tentando entender as necessidades do grupo e as suas insatisfações e planejar ações que garantam o engajamento e a motivação dos seus funcionários, bem como participar dos processos de R&S 14 para garantir o alinhamento entre as necessidades do cargo, o perfil do candidato e a cultura organizacional. Saiba mais E que tal ampliar o seu conhecimento? Para tal, leia o artigo: • RH CENTER. Saiba qual é o impacto do turnover nas empresas. Disponível em: . Acesso em: 23 abr. 2020. TROCANDO IDEIAS Como funcionam os processos de recrutamento e seleção de vendedores da organização em que você atua? Você considera que os processos são eficazes? Realize essas análises, aproveite e compartilhe com os seus colegas as suas descobertas no fórum de discussão. NA PRÁTICA Considerando uma escola de negócios que comercializa cursos de pós- graduação presenciais com alto valor agregado, elabore uma estratégia básica de recrutamento e seleção para um vendedor consultivo para realizar vendas com base em um lead qualificado. Após realizar a atividade proposta, assista à resolução proposta. FINALIZANDO Chegamos ao final desta etapa, na qual você teve a oportunidade de estudar sobre o que é ser um vendedor e conhecer as ferramentas de gestão que garantem o alinhamento entre o perfil desejado pela empresa e o perfil do vendedor. Finalizamos apresentando o custo de processos de gestão de pessoas – plano de cargos e salários e recrutamento e seleção – mal estruturados e executados, ou seja, custo de turnover. Esperamos que tenha gostado e atinja bons estudos! REFERÊNCIAS CASCIO, W. F. Managing human resources: productivity, quality of wor life, profits. 8. ed. New York: McGraw-Hill/Irwin, 2010. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus. 2010. _____. Recursos humanos: o capital humano das organizações. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2004. _____. Gerenciando com as pessoas: transformando o executivo em um excelente gestor de pessoas. 5. ed. Barueri: Manole, 2015. FUTRELL, C. M. Vendas – fundamentos e novas práticas de gestão. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. KNAPIK, J. Gestão de pessoas e talentos. Curitiba: Ibpex, 2008. MASCARENHAS, B. G. Employer branding é igual a branding. Só que não. Revista HSM Manegement. Disponível em: . Acesso em: 23 abr. 2023. MEINBERG, J. L. Gestão de Vendas. 5. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2011. RIBEIRO, A. de L. Gestão de pessoas. São Paulo: Saraiva, 2010. ROMERO, S. M. T. Gestão de pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: InterSaberes, 2013. SILVA, C. C. da. Gestão de pessoas e equipes de vendas. Curitiba: Contentus, 2020. SATADBI. Employer Branding in recruitment – Why it is important? Talscale. Disponível em: . Acesso em: 23 abr. 2023. WOOD JÚNIOR, T.; PICARELLI FILHO, V. Remuneração estratégica: a nova vantagem competitiva. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2004. ZIMPECK, B. G. Administração de salários: sistemas e métodos de análise e descrição de cargos, pesquisa e escalas salariais, avaliação de desempenho, 16 avaliação de cargos. 7. ed. São Paulo: Atlas; Fortaleza: Marpe Consultoria em Recursos Humanos, 1992.