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Musicoterapia em Geriatria e
Gerontologia
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PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL, SEM AUTORIZAÇÃO.
Lei nº 9610/98 – Lei de Direitos Autorais
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Musicoterapia em geriatria e gerontologia
A musicoterapia desempenha um papel significativo na atenção prestada aos idosos,
podendo ser uma adição valiosa às práticas de cuidado em ambientes hospitalares e
instituições de cuidado prolongado, onde muitos deles passam grande parte da velhice.
Sua aplicação abrange uma variedade de condições, facilitando a comunicação, expressão
e aprendizado, além de promover o bem-estar geral dos pacientes. Integrada à equipe
multidisciplinar, a musicoterapia enriquece as opções terapêuticas disponíveis para
atender às necessidades dos idosos.
Técnicas da musicoterapia
O musicoterapeuta utiliza técnicas que envolvem a audição para recriar ou compor sons,
além da utilização de instrumentos para que se possa alcançar um objetivo terapêutico.
Para isso, o profissional deve levar em consideração o histórico e as preferências de cada
paciente. Pessoa (2022, p. 24) destaca que dentre as técnicas, na experiência de
improvisão, por exemplo, o indivíduo
"cria música enquanto canta ou toca um instrumento, podendo criar uma melodia, ritmo,
canção ou peça instrumental. A improvisação pode ser realizada a solo, em dueto ou em
grupo e o musicoterapeuta ajuda o utente através de instruções ou demonstrações
necessárias, oferecendo uma ideia musical ou estrutura na qual buscar a improvisação.
Podem ser utilizadas técnicas empáticas, como imitar, coincidir ou refletir, técnicas de
estrutura, como criar uma base rítmica ou um centro tonal, ou técnicas de exploração
emocional, como conter".
Os benefícios da musicoterapia incluem aprimoramento das interações sociais, reativação
de lembranças e progresso na expressão corporal, aspectos frequentemente afetados por
condições de saúde. Através de uma variedade de métodos, os musicoterapeutas podem
ajudar os idosos, por exemplo, a readquirir habilidades como a marcha e a mastigação
adequadas, a resgatar lembranças fragmentadas e a incentivar a participação em
atividades grupais para promover a interação social.
4
A musicoterapia tem se destacado cada vez mais como uma abordagem terapêutica
eficaz em diversas áreas da saúde, proporcionando benefícios físicos, emocionais e
espirituais. Backes et al. (2003) evidenciam a eficácia das intervenções
musicoterapêuticas na humanização dos cuidados de saúde, bem como no alívio da dor e
no tratamento de distúrbios psicossomáticos, físicos e espirituais. De acordo com Simões
(2010, p. 1)
"a música tem efeitos benéficos nos estados de humor e ansiedade; contribui para a
melhoria da cognição, promove a harmonia pessoal e facilita o equilíbrio psicossomático
assim como a integração e a inclusão social. Para além disso, a música favorece o
desenvolvimento cognitivo, psicomotor, social e afectivo".
Como uma prática destinada para idosos, a musicoterapia é uma abordagem terapêutica
versátil que pode ser implementada tanto em ambientes institucionais quanto no contexto
doméstico, sendo que os benefícios dessa forma de terapia são bem estabelecidos e têm
sido reconhecidos desde tempos antigos.
Vale ressaltar ainda que por não ser uma intervenção farmacológica, a musicoterapia
pode complementar tratamentos medicamentosos já em curso, contribuindo para
melhorias na qualidade de vida e para o desenvolvimento de habilidades previamente
desconhecidas ou pouco exploradas por esta população.
Entretanto, é importante iniciar a prática de forma gradual e garantir que ela seja eficaz, e
isso implica em considerar a sensibilidade auditiva dos participantes, adaptar o estilo e a
intensidade da música conforme necessário, e estabelecer uma periodicidade adequada
ao longo do processo de implementação. Esses cuidados são essenciais para maximizar os
benefícios terapêuticos dessa prática e garantir uma experiência positiva para os idosos
envolvidos.
Quais são as vantagens da musicoterapia para
idosos?
A terapia musical tem um impacto notável entre os idosos, podendo transformar a
experiência de pacientes isolados ou unir grupos afetados pela mesma condição médica,
muitas vezes associada a desequilíbrios emocionais.
Assim, os benefícios da musicoterapia para os idosos estão intrinsecamente ligados à
prevenção, reabilitação e cura de doenças, contanto que sejam administrados sob
condições controladas e com a concordância do paciente. Além disso, os profissionais
responsáveis por essa prática devem possuir um profundo entendimento das técnicas de
sensibilização musical e estar abertos a inovações quando os pacientes demonstrarem
sinais de tédio, apatia ou reações emocionais adversas aos estímulos musicais.
Por que tratar idosos com musicoterapia?
O aumento exponencial do número de idosos traz consigo um crescimento paralelo das
doenças associadas à terceira idade, enquanto outras enfermidades se tornam mais
5
prevalentes com o avançar da idade. Além disso, fatores como viuvez, solidão,
aposentadoria e a síndrome do ninho vazio podem fragilizar a saúde emocional dos idosos.
Neste cenário, é importante considerar o aumento das taxas de expectativa de vida no
Brasil, conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2013.
Figura 1: Envelhecimento no Brasil
Fonte: IBGE, 2023.
Na geriatria, o uso de medicamentos apresenta um impacto significativo, aumentando a
probabilidade de reações adversas e reduzindo a capacidade de realizar atividades
cotidianas. Adicionalmente, questões emocionais, como o luto inesperado do cônjuge ou a
partida dos filhos também podem afetar profundamente a qualidade de vida dos idosos,
visto o impacto na dinâmica familiar.
Diante de tantas possibilidades, a musicoterapia surge como uma ferramenta útil para
distrair os idosos que não possuem mais tantas responsabilidades diárias, bem como para
facilitar a interação social com indivíduos da mesma faixa etária, melhorando não apenas
a convivência social, mas também o bem-estar geral dos idosos.
Ainda assim, considerando este grupo específico, é necessário que o profissional se atente
para a questão das contraindicações, considerando desejos, gostos e necessidades dos
pacientes, para que eles se sintam estimulados e não sobrecarregados diante das novas
atividades, considerando aspectos como sensibilidade acústica para evitar episódios de
desequilíbrio emocional e de personalidade, por isso, é importante produzir sons de
agrado do paciente e considerar as sensações físicas causadas pelos ritmos.
6
Métodos da musicoterapia
A musicoterapia para idosos pode ser realizada através de abordagens receptivas ou
ativas. Na primeira modalidade, os profissionais executam músicas para os pacientes,
observando suas reações, sendo especialmente recomendada para aqueles com
limitações motoras.
Já na terapia musical ativa, os musicoterapeutas encorajam os idosos a tocar instrumentos
ou participar ativamente da criação sonora, sendo mais eficaz quando conduzida em
grupo, uma vez que é indicada para idosos com dificuldades de interação social.
Independentemente do método escolhido, as sessões são breves e adaptadas à
receptividade dos pacientes, podendo ser realizadas semanalmente ou a cada quinze dias.
Além disso, os profissionais podem oferecer seus serviços tanto nas residências dos
pacientes quanto em ambientes clínicos, proporcionando flexibilidade no atendimento.
Assim, a musicoterapia para idosos é uma disciplina que abrange uma ampla gama de
condições clínicas e especialmente neste público, ela tem demonstrado resultados
significativos na promoção da interação social, na manutenção da capacidade cognitiva e
na reabilitação de doenças físicas e emocionais.
Com base nas necessidades de cada grupo ouindivíduo, o musicoterapeuta, que
obrigatoriamente deve possuir formação em uma instituição reconhecida e registrado em
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um órgão representativo da categoria, desempenha um papel fundamental como
facilitador na promoção da saúde, bem-estar, qualidade de vida, habilitação, reabilitação e
outros aspectos relevantes.
A importância da música para o idoso
A musicoterapia é uma ferramenta eficaz para idosos ativos, pois oferece benefícios que
ajudam a retardar a degeneração cerebral associada ao envelhecimento. Através de
diversas atividades terapêuticas que envolvem a música, como cantar, tocar instrumentos
musicais ou simplesmente ouvir músicas selecionadas, os idosos podem experimentar
uma série de sensações e sentimentos que contribuem para o seu bem-estar.
Participar de atividades musicais estimula a criatividade dos idosos, permitindo que os
indivíduos possam se expressar de maneiras únicas e originais, ajudando a manter a
mente ativa e flexível, o que pode ser fundamental para combater o declínio cognitivo.
A música também pode evocar lembranças e emoções, por isso, ao envolver os idosos em
atividades musicais que remetem a momentos significativos de suas vidas, a
musicoterapia pode ajudar a melhorar a memória e a função cognitiva. Além disso, muitas
formas de musicoterapia envolvem movimento físico, como dança ou tocar instrumentos,
o que pode auxiliar na manutenção da mobilidade e na coordenação, promovendo a saúde
física e a independência.
Gomes (2022) faz uma consideração importante sobre os idosos que se encontram
internados, destacando o potencial da musicoterapia no processo de recuperação e
tratamento, ressaltando aspectos como a humanização do ambiente, essencial para que
os indivíduos já fragilizados sintam conforto, bem-estar e consigam expressar suas
emoções.
Por isso, para proporcionar um acompanhamento eficaz para idosos, é importante que os
profissionais de musicoterapia possuam um conhecimento abrangente das necessidades e
limitações específicas dessa população, o que implica em adaptar as intervenções
musicais de acordo com as capacidades físicas, cognitivas e emocionais de cada indivíduo
idoso, garantindo que as atividades sejam acessíveis e benéficas para eles.
Outro aspecto importante é a colaboração interdisciplinar com outros profissionais de
saúde que trabalham com idosos, como geriatras, enfermeiros e terapeutas ocupacionais,
pois ao proporcionar uma abordagem integrada e holística ao cuidado dos idosos, as
diferentes especialidades se complementam para atender às necessidades complexas
dessa população.
8
Referências
BAKER, Felicity; KENNELLY, Jeanette. Music Therapy Methods in Neurorehabilitation.
London: Jessica Kingsley Publishers, 2006.
BACKES, Dirce Stein et al. Música: terapia complementar no processo de humanização de
uma CTI. Nursing, [S.I], v. 66, n. 6, p. 37-42, dez. 2003.
BENENZON, Rolando. Teoria da musicoterapia: contribuição ao contexto do
conhecimento não-verbal. São Paulo: Summus Editorial, 1998.
BRUSCIA, Kenneth. Definindo Musicoterapia. Barcelona: Barcelona Publishers, 2016.
GOMES, Gabrielly Mansour Silva. MUSICOTERAPIA E SUA INFLUÊNCIA NA LONGEVIDADE
ATIVA DOS IDOSOS. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento,
São Paulo, v. 8, n. 7, p. 182-198, dez. 2022.
LUZ, Luiza Thomé da. MUSICOTERAPIA NA QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS
INSTITUCIONALIZADOS. 2015. 110 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Programa de
Pós-Graduação em Gerontologia Biomédica, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul, Porto Alegre, 2015.
PESSOA, Ana Xavier de Jesus. A balada de uma vida: musicoterapia em geriatria com
idosos institucionalizados. 2022. 186 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Musicoterapia,
Universidade Lusíada, Lisboa, 2022.
SIMÕES, Mónica Gabriel Nascimento. Avaliação dos Efeitos Combinados do Exercício
Físico e da Música na Motivação para o Exercício, nos Estados de humor e na
Função Cognitiva. 2010. 173 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado em
Psicologia, Universidade do Algarve, Algarve, 2010.

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