Prévia do material em texto
RESUMO DE INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS Gabriel S.Rocha · ESTADO DE DEFESA - DEFINIÇÃO: A Constituição de 1988, no art. 136, prescreve as regras relativas ao Estado de Defesa. São normas que visam à estabilização e à defesa da Constituição contra processos violentos de mudança ou perturbação da ordem constitucional, mas também à defesa do Estado quando a situação crítica derive de guerra externa, momento em que a legalidade normal é substituída por uma legalidade extraordinária. - PRINCÍPIOS DO SISTEMA CONSTITUCIONAL DE CRISES O estado de defesa e o estado de sítio, formam o sistema constitucional de crises, que é regido por três princípios. • Princípio fundante da necessidade: o estado de defesa só pode ser decretado à luz de fatos que os justifiquem e nas situações previstas taxativamente na Constituição. • Princípio da temporariedade: o estado de defesa é medida temporária, mesmo que se admita a prorrogação dos prazos previstos na Constituição; • Princípio da proporcionalidade: as medidas a serem empreendidas no estado de defesa devem guardar relação de proporcionalidade com os fatos que justificaram sua adoção. Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. § 1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes: I - restrições aos direitos de: a) reunião, ainda que exercida no seio das associações; b) sigilo de correspondência; c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica; II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de calamidade pública, respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. § 2º O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez, por igual período, se persistirem as razões que justificaram a sua decretação. § 4º Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, o Presidente da República, dentro de vinte e quatro horas, submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso Nacional, que decidirá por maioria absoluta. § 6º O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento, devendo continuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa. § 7º Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado de defesa. · ESTADO DE SÍTIO - DEFINIÇÃO: A Constituição de 1988, no art. 137, prescreve as regras relativas ao Estado de Sítio. São normas que visam à estabilização e à defesa da Constituição contra processos violentos de mudança ou perturbação da ordem constitucional, mas também à defesa do Estado quando as medidas tomadas no estado de defesa forem ineficazes. Rege-se pelos mesmos princípios do estado de defesa: 1) Princípio fundante da necessidade: 2) Princípio da temporariedade; 3) Princípio da proporcionalidade. Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de: I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa; II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou sua prorrogação, relatará os motivos determinantes do pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta. Art. 138. O decreto do estado de sítio indicará sua duração, as normas necessárias a sua execução e as garantias constitucionais que ficarão suspensas, e, depois de publicado, o Presidente da República designará o executor das medidas específicas e as áreas abrangidas. § 1º O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não poderá ser decretado por mais de trinta dias, nem prorrogado, de cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá ser decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira. § 2º Solicitada autorização para decretar o estado de sítio durante o recesso parlamentar, o Presidente do Senado Federal, de imediato, convocará extraordinariamente o Congresso Nacional para se reunir dentro de cinco dias, a fim de apreciar o ato. · CONSELHO DA REPÚBLICA (CF/88) Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam: I - o Vice-Presidente da República; II - o Presidente da Câmara dos Deputados; III - o Presidente do Senado Federal; IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados; V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal; VI - o Ministro da Justiça; VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução. Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre: I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio; II - as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas. · CONSELHO DE DEFESA NACIONAL (CF/88) Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da República nos assuntos relacionados à soberania nacional e a defesa do Estado democrático, e dele participam como membros natos: I - o Vice-Presidente da República; II - o Presidente da Câmara dos Deputados; III - o Presidente do Senado Federal; IV - o Ministro da Justiça; V - os Ministros militares; V - o Ministro de Estado da Defesa; VI - o Ministro das Relações Exteriores; VII - o Ministro do Planejamento. VIII - os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. § 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional: I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos desta Constituição; II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal; · FORÇAS ARMADAS As Forças Armadas, nos termos do art.142 da CF/88, são constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, as quais são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se: a) à defesa da Pátria; b) à garantia dos poderes constitucionais e, c) por iniciativa de qualquer dos Poderes, da lei e da ordem Obs: serviço militar obrigatório para homens (art. 143, CF) e isento para as mulheres e os eclesiásticos (art. 143, §2º, CF) DENOMINAÇÃO, DIREITOS E VEDAÇÕES. Os integrantes das Forças Armadas são denominados de “militares”, conforme prevê o art. 142, § 3°, da CF/88, estando sujeitos às regras estabelecidos nos incisos I a X. A Constituição Federal, expressamente, proibiu a concessão de Habeas Corpus em relação às punições disciplinares dos militares (art. 142, § 2.°). A vedação, contudo, deve ser estendida com grano salis. O STF entendeu que o que proíbe a norma constitucional é a análise do mérito das punições disciplinares, o que não afasta da jurisdição a possibilidade de verificação de pressupostos de legalidade, tais como: se havia hierarquia; se a autoridade possuía poder disciplinar; se o ato está ligado à função; se a pena foi adequadamente aplicada. · SEGURANÇA PÚBLICA A segurança pública, segundo o art.144 da CF/88, é dever do Estado e direito e responsabilidade de todos. É exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - policiais civis V - policiais militares e corpos de bombeiros militares. VI- polícias penais federal, estaduais e distrital.(EC nº 104, de 2019) Obs: A segurança pública é uma política que deve ser desenvolvida pelos órgãos públicos e pela sociedade, dentro dos limites da lei, garantindo a cidadania de todos, é a proteção da existência do Estado Democrático de Direito. Guarda Municipal : Autoriza a Constituição que, na forma da lei, os municípios constituam guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações (Art.144, § 8°). A Constituição, portanto, não autorizou a criação do órgão policial de segurança ou polícia judiciária por parte dos municípios, mas apenas uma guarda que visa “[...] assegurar a incolumidade do patrimônio municipal, que envolve bens de uso comum do povo, bens de uso especial e bens patrimoniais, mas não é de polícia ostensiva, que é função exclusiva da Polícia Militar”. Obs: estão autorizados ao uso de armas de fogo (Lei 13.022/2014) e por decisão do STF (fora de serviço). · SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL O Sistema Tributário Nacional é o conjunto de normas inseridas na Constituição Federal de 1988, ou seja, é um sistema parcial inserido em um sistema global de uma abrangência muito maior. Situa-se no Título VI, Capítulo I, da CF/88 sob a denominação de Sistema Tributário Nacional. É, portanto, o conjunto de normas constitucionais de natureza tributária, inserido no sistema jurídico global, formado por um conjunto unitário e ordenado de normas subordinadas aos princípios fundamentais, reciprocamente harmônicos, que organiza os elementos constitutivos do Estado. O Sistema Tributário Nacional é dotado de regras, princípios e instrumentos próprios harmonicamente organizados, o que lhe confere a sua característica de ser um “sistema parcial”. Portanto, a partir dessas ideias é notável a sua autonomia e independência perante as demais matérias do ramo do direito público. - TRIBUTO Conceito: Art. 3º do Código Tributário Nacional: “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Características: a) Prestação pecuniária, pagamento em dinheiro, não pode ser pagamento em prestação “in labore”, nem “in natura”; b) Prestação compulsória, é obrigatório, deve estar instituído em lei, mediante atividade administrativa plenamente vinculada (lançamento tributário) que constitui o crédito tributário); c) O tributo não pode constituir uma sanção a ato ilícito, não se confundindo com multa, pois o fato gerador do tributo decorre de um ato lícito. - ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS 1) Imposto 2) Taxa 3) Contribuição de melhoria 4) Empréstimos compulsórios 5) Contribuições especiais, que se subdividem em: a) contribuições sociais; b) contribuições de intervenção do domínio econômico; c) contribuições corporativas; d) contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública (COSIP). - FISCALIDADE, PARAFISCALIDADE E EXTRAFISCALIDADE São funções do Tributo. Fiscalidade: o tributo serve para manter a máquina estatal funcionando. O contribuinte paga seus tributos à Administração e esta utiliza tais recursos na manutenção de suas atividades. Extrafiscalidade: o tributo é utilizado como meio de incentivo ou desincentivo às ações do contribuinte, intervindo na sociedade e economia. O tributo é empregado com o objetivo de regular a economia (ex: imposto de importação, o qual pode ter suas alíquotas majoradas com o fim de incentivar o mercado interno). Parafiscalidade: Visam o financiamento de atividades de entidades diversas daquelas que o instituíram. Os valores arrecadados custeiam atividades do Estado, mas que não são exercidas diretamente por ele. Atividades exercidas por conselhos profissionais, serão custeadas por tributos que exercem esta função. - COMPETÊNCIA PARA A INSTITUIÇÃO DO TRIBUTO O poder de tributar é o exercício do poder geral do Estado aplicado no campo da imposição de tributos, decorre diretamente da Constituição Federal e somente pode ser exercido pelo Estado através de lei. O poder de tributar originariamente uno por vontade do Estado é dividido entre as pessoas políticas que formam a federação. (República Federativa). Competência Tributária, a aptidão para criar tributos – da União (art. 153 CF), dos Estados (art. 155 CF), do Distrito Federal (art. 155 CF) e dos Municípios (156 CF). Todos têm o poder de criar determinados tributos e definir seu alcance, obedecidos os critérios de partilha de competência estabelecidos na CF/88. - COMPETÊNCIA PARA A PARTICIPAÇÃO NO PRODUTO As entidades da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) desfrutam de autonomia deferida diretamente pela Constituição, correspondente a um quadro interno de competências, rigidamente demarcadas pela Carta Magna. A Constituição da República, em sua Seção VI, do Capítulo I, sob a denominação de “Repartição de Receitas Tributárias”, estabeleceu 03 (três) modalidades diferentes de participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios na Receita Tributária da União, uma vez que a Carta Magna destinou a essa maior competência tributária e, por via de consequência, maior arrecadação. - LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR E VEDAÇÕES Nosso sistema jurídico contempla direitos e garantias individuais, ao lado das prerrogativas públicas norteadas pela supremacia do interesse público. É desta forma que nascem as limitações ao poder de tributar, regras constitucionais fundamentais na relação entre contribuintes e Estado. A imunidade tributária é a exclusão da obrigação de pagar tributos, o privilégio do não pagamento de uma obrigação compulsória, dado à algumas entidades. Aplica-se às taxas, impostos e contribuições. CTN, art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV – cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; A isenção tributária é a dispensa do pagamento do tributo. Há a obrigação de pagar, porém posteriormente, há a dispensa do pagamento desse tributo. Aqui, há o fato gerador, há a obrigação, mas no final, há a isenção. Exemplo: Isenção do Imposto de Renda