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TROMBOEMBOLISMO PULMONAR P R O F . R I C A R D O S I U F I COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 2Prof. Ricardo Siufi | Tromboembolismo PulmonarPNEUMOLOGIA PROF. RICARDO SIUFI APRESENTAÇÃO Estrategista, seja muito bem-vindo (a) ao Curso de Pneumologia do Estratégia MED! Meu nome é Ricardo Siufi, mais conhecido como Siufi. Com muito orgulho, atualmente sou um dos professores do time de Pneumologia do Estratégia. Assim como você, ao longo de minha carreira tive diversas dúvidas. Acredite em mim, nossa jornada é mais sinuosa do que você imagina! No período do ensino médio eu, na verdade, não sabia qual seria meu destino, mas minha única certeza era de que exerceria uma profissão cuja principal atividade fosse o CUIDADO. Logo após me formar, prestei vestibular para Nutrição, mas em seguida mudei minha escolha, não completei o processo seletivo e prestei Medicina. Fui aluno da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, instituição que guardo com muito carinho e orgulho, onde me graduei em 2012! Durante o internato, passei pelos mesmos dilemas que você: a escolha da especialidade e a escolha do melhor curso pré- Residência. A escolha da especialidade foi fácil: queria cardiologia e ponto, era uma certeza! No entanto, optei por não realizar curso pré-Residência no quinto e sexto anos. Tinha um foco muito claro em resolver questões como forma de sedimentação da teoria conquistada ao longo dos seis anos de graduação. Foi bastante difícil. Montei meu cronograma e, por vezes, precisei refazê-lo, recorria a alguns resumos e não tinha materiais focados nas provas. De qualquer maneira, estudei resolvendo um bom montante de questões e provas ao longo do sexto ano e, assim, fui aprovado COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 3Prof. Ricardo Siufi | Tromboembolismo PulmonarPNEUMOLOGIA @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed em Clínica Médica na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e em primeiro lugar na Residência em Clínica Médica da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP). Tranquei minha vaga, pois fiquei o ano de 2013 no Exército Brasileiro (EB) em Brasília e, depois, cursei Clínica Médica na UNICAMP (2014 – 2015). Durante a Residência, pensei em diversas especialidades e percebi que a verdade da Cardiologia foi transitória. Considerei Reumatologia e, ao final, prestei Pneumologia. Fui aprovado em primeiro lugar na Residência de Pneumologia na UNICAMP, onde também cursei meu Mestrado. Assim, concluí minha formação em 2018. Por quatro anos, fui Médico Assistente da Unidade de Emergência Referenciada (UER) da UNICAMP, onde pude ver o que, de fato, o interno espera de um preceptor e quais são as dores que enfrentamos durante a reta final. Até então, eu tinha vivido a minha experiência e, nesse período, por quatro anos, pude vivenciar a realidade de mais de 400 formandos. Atualmente, sou Docente em Pneumologia na Faculdade São Leopoldo Mandic (SLM), em Campinas, e curso MBA (Master Business Administration) Executivo em Gestão de Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). “Professor, mas era Nutrição, depois Cardiologia e, por fim, Pneumologia. E agora gestão?” É exatamente nessa reflexão que eu queria chegar para deixar alguns recados para você: 1 – A vida, assim como a Medicina, é cheia de verdades transitórias. Portanto, erre, mas erre rapidamente, redirecione sua jornada e aprenda com seus erros. Essa máxima também é válida para questões! 2 - Independentemente do seu posto ou graduação, VOCÊ é um exemplo para alguém. Portanto, não se subestime. 3 – Seja feliz em sua trajetória. Os desfechos podem ser muito efêmeros para serem os únicos merecedores da sua felicidade. 4 – Viva SEU sonho. A vida é muito curta para vivermos os sonhos dos outros. O melhor para o próximo pode não ser o melhor para você. Saiba que o Estratégia MED tem ciência de sua principal função: intermediar a realização do SEU SONHO. Caso tenha alguma dúvida, estou a sua disposição no Fórum, ambiente no qual compartilharemos experiências e dúvidas que surgirão ao longo do caminho. Um grande abraço e bons estudos! @pneumologinsta COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed https://www.instagram.com/estrategiamed/?hl=pt https://www.facebook.com/estrategiamed1/ https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed Estratégia MED 4 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 SUMÁRIO 1.0 BATE-PAPO COM O ALUNO 7 2.0 COMO O TEP É COBRADO NAS PROVAS? 8 3.0 INTRODUÇÃO 9 4.0 DEFINIÇÃO E NOMENCLATURA 10 4.1 DEFINIÇÃO 10 4.2 NOMENCLATURA 10 4.2.1 TEMPORAL (AGUDO, SUBAGUDO E CRÔNICO) 10 4.2.1.1 AGUDO 10 4.2.1.2 SUBAGUDO 10 4.2.1.3 CRÔNICO 11 4.2.2 PRESENÇA X AUSÊNCIA DE INSTABILIDADE HEMODINÂMICA 11 4.2.2.1 TEP COM INSTABILIDADE HEMODINÂMICA 11 4.2.2.2 TEP SEM INSTABILIDADE HEMODINÂMICA 11 4.2.3 LOCALIZAÇÃO / ANATOMIA 11 4.2.3.1 TEP “À CAVALEIRA” (TEP “EM SELA”) 11 4.2.3.2 TEP LOBAR 11 4.2.3.3 TEP SEGMENTAR: 11 4.2.3.4 TEP SUBSEGMENTAR 12 4.2.4 PRESENÇA X AUSÊNCIA DE SINTOMAS 12 5.0 EPIDEMIOLOGIA 13 6.0 FATORES PREDISPONENTES (FATORES DE RISCO) 13 7.0 FISIOPATOLOGIA 14 8.0 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 17 9.0 PROBABILIDADE CLÍNICA 18 9.1 CRITÉRIOS DE WELLS (ESCORE DE WELLS) 18 10.0 EXAMES COMPLEMENTARES 19 10.1 EXAMES DE APOIO AO DIAGNÓSTICO (NÃO ESPECÍFICOS) 19 10.1.1 EXAMES LABORATORIAIS 19 10.1.1.1BIOQUÍMICA BÁSICA 19 COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 5 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 10.1.1.2 GASOMETRIA ARTERIAL 19 10.1.1.3 BNP 20 10.1.1.4 TROPONINA 20 10.1.1.5 D-DÍMERO 20 10.1.2 ELETROCARDIOGRAMA 21 10.1.3 RADIOGRAFIA DE TÓRAX 22 10.1.4 ECODOPPLERCARDIOGRAMA 23 10.2 EXAMES ESPECÍFICOS (EXAMES DIAGNÓSTICOS NO TEP) 23 10.2.1 ANGIOTOMOGRAFIA DE TÓRAX 23 10.2.2 CINTILOGRAFIA VENTILAÇÃO – PERFUSÃO 25 10.2.3 ARTERIOGRAFIA PULMONAR 26 10.2.4 ULTRASSONOGRAFIA DE MEMBROS INFERIORES COM MANOBRA DA COMPRESSIBILIDADE 27 11.0 INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA 28 11.1 TEP HEMODINAMICAMENTE ESTÁVEL 28 11.1.1 PROBABILIDADE PRÉ-TESTE BAIXA 29 11.1.2 PROBABILIDADE PRÉ-TESTE INTERMEDIÁRIA 30 11.1.3 PROBABILIDADE PRÉ-TESTE ALTA. 30 11.2 TEP HEMODINAMICAMENTE INSTÁVEL 31 12.0 ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO 31 12.1 ALTO RISCO 33 12.2 INTERMEDIÁRIO RISCO 33 12.2.1 INTERMEDIÁRIO-ALTO RISCO 33 12.2.2 INTERMEDIÁRIO-BAIXO RISCO 33 12.3 BAIXO RISCO 33 13.0 TRATAMENTO 34 13.1 MANEJO GERAL 35 13.2 ANTICOAGULAÇÃO 35 13.2.1 ANTICOAGULAÇÃO PARENTERAL 35 13.2.1.1 HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR (HBPM) 36 13.2.1.2 HEPARINA NÃO FRACIONADA (HNF) 36 13.2.1.3 FONDAPARINUX 37 COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 6 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 13.2.2 ANTICOAGULAÇÃO VIA ORAL 37 13.2.2.1 NOVOS ANTICOAGULANTES ORAIS DIRETOS (NOACS OU DOACS) 37 13.2.2.2 ANTAGONISTAS DA VITAMINA K (AVK) 38 13.3 FIBRINÓLISE 39 13.4 PROCEDIMENTOS GUIADOS POR CATETER (TERAPIAS GUIADAS POR CATETER) 40 13.4.1 TROMBÓLISE GUIADA POR CATETER 40 13.4.2 TROMBECTOMIA GUIADA POR CATETER 40 13.5 EMBOLECTOMIA CIRÚRGICA 41 13.6 FILTRO DE VEIA CAVA INFERIOR (VCI) 41 13.7 TRATAMENTO CRÔNICO E PREVENÇÃO DE RECORRÊNCIA 41 14.0 PROFILAXIA DA TEV NO PACIENTE CLÍNICO 42 14.1 ESCORE PREDITIVO DE PÁDUA 42 14.2 MÉTODOS DE TROMBOPROFILAXIA 42 14.2.1 FARMACOLÓGICOS 42 15.0 TEP EM SITUAÇÕES ESPECIAIS 43 15.1 PACIENTE PORTADOR DA COVID-19 43 15.2 PACIENTE GESTANTE 44 16.0 EMBOLIA GORDUROSA 45 17.0 LISTA DE QUESTÕES 47 18.0recomendado SEM ATRASO em pacientes com probabilidade clínica INTERMEDIÁRIA ou ALTA de TEP, enquanto o exame complementar (angioTC ou d-dímero) é aguardado (classe de recomendação I nível de evidência C pela ESC, 2019). 13.2.1 ANTICOAGULAÇÃO PARENTERAL É dividida em três grandes grupos: Heparina de Baixo Peso olecular (HBPM), Heparina Não Fracionada (HNF) e fondaparinux, que serão estudados separadamente. Se a anticoagulação é iniciada pela via parenteral, HBPM ou FONDAPARINUX são recomendados em comparação à HNF para a maioria dos pacientes (classe de recomendação I nível de evidência A pela ESC, 2019). COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 36 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 13.2.1.1 HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR (HBPM) A HBPM tem como seu principal representante a enoxaparina (nome comercial: clexane), mas também é representada pela dalteparina e nadroparina. É um inibidor do fator Xa e é o anticoagulante de escolha para pacientes com probabilidade pré-teste intermediária ou alta, enquanto aguardam a realização do exame confirmatório. A HBPM demonstrou superioridade quando comparada à Heparina Não Fracionada (HNF), visto que possui uma menor taxa de sangramento maior e de plaquetopenia. Demonstrou impacto também na mortalidade. Estrategista, a única dose das HBPM cobrada nas provas é a da ENOXAPARINA (1,0 mg/kg 12/12 horas, via subcutânea). 13.2.1.2 HEPARINA NÃO FRACIONADA (HNF) Atualmente, o uso da HNF está restrito aos pacientes com instabilidade hemodinâmica ou na iminência de descompensação hemodinâmica (risco intermediário-alto), nos quais a terapia de reperfusão com trombolítico é ou pode ser uma realidade, visto que a maioria dos estudos conduzidos com esse subgrupo de pacientes excluiu a HBPM. Também é recomendada para pacientes com Clearance de creatinina menor ou igual a 30 mL/min ou obesidade grave. Pela disponibilidade de um antídoto (sulfato de protamina) e pela menor sobrevida, a HNF é o anticoagulante parenteral de escolha nos pacientes com alto risco de sangramento, em casos selecionados, em que o benefício da anticoagulação sobrepuja os riscos de sangramento. Vale lembrar que a administração da HNF deve ser feita em bolus seguido de administração endovenosa em bomba de infusão contínua. A monitorização de seu efeito desejado deve ser feita com a dosagem do Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPA) seis horas depois da administração da primeira dose e de 6/6 horas até que a dose terapêutica seja atingida, quando podemos espaçar as coletas. É considerada uma dose terapêutica TTPA entre 1,5-2 vezes o limite superior da normalidade (60 a 80 segundos). É recomendado o início da terapia anticoagulante com HNF com bolus inicial + dose de manutenção em bomba de infusão contínua ajustada para o peso em pacientes com TEP de alto risco (classe de recomendação I nível de evidência C pela ESC, 2019). Em suma: • HNF: TEP alto risco (instável) ou risco intermediário-alto (iminência de instabilidade), todos os TEPs em pacientes com ClCr 30 mL/min e não seja portador de obesidade grave. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 37 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 13.2.1.3 FONDAPARINUX Da classe dos inibidores do fator Xa, tem eficácia semelhante à HBPM e, conjuntamente à HBPM, são os anticoagulantes parenterais de escolha em comparação à HNF para a anticoagulação inicial nos pacientes com TEP estável hemodinamicamente, visto que possuem menor risco de sangramento maior e menor risco de trombocitopenia induzida por heparina. Nem HBPM nem o fondaparinux necessitam de dosagem rotineira para monitorar os níveis de anti-Xa. A tabela 12 traz os principais anticoagulantes parenterais indicados no TEP, bem como suas respectivas doses. A anticoagulação via oral é dividida em dois grandes grupos e está indicada CONCOMITANTE com a terapia anticoagulante parenteral em pacientes de risco intermediário-baixo ou baixo, ainda no ambiente intra-hospitalar. Vale lembrar que nem todos NOACs requerem a prescrição concomitante de HBPM, tema que será abordado na sequência! 13.2.2.1 NOVOS ANTICOAGULANTES ORAIS DIRETOS (NOACS OU DOACS) Os NOACS (do inglês Novel Oral Anticoagulants) são uma classe de anticoagulantes não-antagonistas da Vitamina K (AVK) composta por pequenas moléculas e, ao contrário da warfarina, inibem diretamente o fator Xa (apixabana, edoxabana e rivaroxabana) ou o fator IIa (dabigatrana). Possuem diversas vantagens quando comparados aos AVK, como uma previsibilidade no seu perfil farmacocinético, o rápido início de ação e menor interação medicamentosa com outras drogas. A principal vantagem consiste na ausência de necessidade de coleta de exames de rotina (INR) para ajuste frequente de dose. Alguns contras em relação aos AVK são a presença de antagonistas, mais a indisponibilidade em diversos serviços para uso clínico e seu alto custo, fator impeditivo para diversos pacientes. Alguns NOACs não precisam ser precedidos de heparina e, portanto, passam a ser interessantes na estratégia de alta precoce para pacientes de BAIXO RISCO e que perfazem os critérios de Hestia. Os NOACs não estão recomendados em pacientes com comprometimento renal importante durante a gestação E lactação e em pacientes com síndrome do anticorpo antifosfolípide. Anticoagulação parenteral no TEP HBPM (Enoxaparina) 1 mg/kg via subcutânea 12/12 horas. Alternativa: 1,5 mg via subcutânea, uma vez ao dia* HNF Bolus EV de 80 UI/Kg seguido de 18 UI/kg/h. Controle com TTPa 4-6 horas para TTPA entre 1,5-2 vezes o LSN Fondaparinux 5 mg ( 100 kg) HBPM: Heparina de Baixo Peso Molecular; HNF: Heparina Não Fracionada; UI/Kg: Unidades Internacionais por quilograma; EV: endovenosa; LSN: Limite Superior da Normalidade. * Dose aprovada para pacientes INTERNADOS, nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Tabela 12. Resumo dos principais anticoagulantes parenterais no TEP com suas respectivas doses. Adaptado, ESC, 2019. } 13.2.2 ANTICOAGULAÇÃO VIA ORAL COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 38 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 Quando a anticoagulação é iniciada em paciente com TEP que é elegível para os NOACs (apixabana, dabigatrana, rivaroxabana, edoxabana), um NOAC é recomendado como primeira escolha em relação ao AVK (classe de recomendação I nível de evidência A pela ESC, 2019). 13.2.2.2 ANTAGONISTAS DA VITAMINA K (AVK) Os AVK foram considerados por mais de 50 anos o “padrão-ouro” na anticoagulação dos pacientes portadores de TEP, entretanto, recentemente perderam o reinado para os NOACs, que são a primeira escolha hoje em dia para os pacientes elegíveis. Contudo, quando escolhemos pelos AVK, a anticoagulação com anticoagulantes parenterais (HBPM, HNF ou fondaparinux) deve ser iniciada EM PARALELO com os AVK POR PELO MENOS 5 dias. E quando o INR (do inglês International Normalized Ratio) estiver entre 2 e 3 por dois dias consecutivos. Caso a HNF seja a heparina de escolha, a warfarina só deve ser iniciada após atingirmos o TTPA alvo (1,5-2). A warfarina deve ser utilizada na dose de 5-10 mg/dia em pacientes menores que 60 anos e na dose de 5 mg ou menos em pacientes idosos. Anticoaguladores orais no TEP Medicamento/ Características Alvo Dose Eliminação renal Condições que contraindicam Antagonista AVK (Warfarina) Vitamina K (inibidor) 5-10 mg/dia concomitante com heparina pelo menos 5 dias. Após, manter INR 2-3. É metabolizadano fígado em compostos inativos Necrose cutânea pela warfarina prévia, deficência de vitamina K, doença hepática ou renal grave, hipertensão arterial grave. Vitamina K NOACs Apixabana Fator Xa 10 mg VO 2x/dia 7 dias. Depois, 5 mg VO 2x/dia 27% CICr60 kg: 60 mg/dia. Ambas as doses devem ser precedidas de anticoag. com heparina 5-10 dias 50% CICr180 mmHg) Úlcera péptica em atividade Tabela 14. Lista de contraindicações absolutas e relativas ao tratamento trombolítico. Adaptado, ESC 2019. Para os pacientes com contraindicações ou alto risco de sangramento, e que verdadeiramente têm um risco proibitivo à terapia trombolítica, o Filtro de Veia Cava Inferior (VCI) ou a embolectomia cirúrgica são opções. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 40 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 Os regimes de administração aprovados estão presentes na tabela 15. Trombólise no Tromboembolismo Pulmonar (TEP) Agudo Alteplase 100 mg em duas horas (10 mg bolus, 50 mg na primeira hora, 40 mg na segunda hora) Estreptoquinase 250 000 UI ataque em 30 minutos, seguido de 100 000 UI/h por 12/14 horas Uroquinase 4 400 UI/Kg ataque em 10 minutos, seguido de 4 400 UI/Kg/hora por 12- 24 horas Tabela 15. Regimes das terapias trombolíticas aprovadas para uso clínico. Adaptado, ESC, 2019. A dose acelerada de ALTEPLASE é a terapia trombolítica de escolha quando comparada aos outros agentes trombolíticos presentes na tabela (estreptoquinase e uroquinase). A anticoagulação com anticoagulantes de longa ação (HBPM, NOACs ou AVK) deve ser evitada NAS PRIMEIRAS 24 HORAS PÓS-TROMBÓLISE. Após estabilidade por 24 a 48 horas, deve ser iniciada terapia anticoagulante via oral. Atenção! Durante a infusão, o paciente deve ser monitorizado de perto quanto a sua estabilidade clínico-hemodinâmica ou sinais de sangramento. Caso o paciente apresente sangramento maior ou sangramento menor persistente, cessar definitivamente e transfundir 10 unidades de CRIOPRECIPITADO com ou sem duas unidades de Plasma Fresco Concentrado (PFC). O sulfato de protamina também deve ser considerado para antagonizar o efeito da HNF (Uptodate, acesso junho/2021). 13.4 PROCEDIMENTOS GUIADOS POR CATETER (TERAPIAS GUIADAS POR CATETER) Diversos procedimentos guiados por cateter têm sido estudados e, em grandes centros, alguns podem estar disponíveis. Por isso, nenhum procedimento se mostrou superior ao outro sendo a técnica ainda instituída – dependente. De acordo com ESC, 2019, procedimentos guiados por cateter devem ser considerados para pacientes com TEP de ALTO RISCO com contraindicação ou falência à terapia trombolítica. 13.4.1 TROMBÓLISE GUIADA POR CATETER Nessa modalidade, os agentes trombolíticos são infundidos diretamente no leito arterial pulmonar, guiado por cateter, diretamente no local do trombo. O procedimento tem a vantagem de requerer uma menor dose de trombolítico quando comparado à terapia sistêmica. A terapia trombolítica pode ser associada à embolectomia no mesmo procedimento. 13.4.2 TROMBECTOMIA GUIADA POR CATETER Os dados são mais disponíveis e maiores que os presentes na trombólise intra-arterial, entretanto, a nível mundial, a terapia combinada guiada por cateter (trombólise seguida de trombectomia) é a mais realizada. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 41 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 13.6 FILTRO DE VEIA CAVA INFERIOR (VCI) Estrategista, o filtro de VCI (figura 26) é um dispositivo implantado na VCI, em sua porção infrarrenal, que tem como objetivo impedir a ascensão de trombos em sistema venoso profundo de membros inferiores para o pulmão, levando ao TEP. Na maior parcela dos pacientes, o filtro de VCI não é necessário. No entanto, uma parcela dos pacientes portadores de TEP estável tem contraindicações à anticoagulação. Já outros pacientes apresentam, por diversas variáveis, um risco inaceitavelmente alto de sangramento. Nesses dois grupos, o filtro de VCI tem sua indicação. Figura 26. Representação esquemática da localização do Filtro de Veia Cava Inferior demonstrando sua função: barreira mecânica, impedindo a progressão dos trombos em sistema venoso profundo de membros inferiores. 13.7 TRATAMENTO CRÔNICO E PREVENÇÃO DE RECORRÊNCIA Indicações de filtro de VCI no TEP (Uptodate, acesso junho/2021): Contraindicação à anticoagulação; TEP recorrente à despeito da anticoagulação terapêutica; Risco de sangramento inaceitavelmente alto. Estrategista, o princípio da terapia anticoagulante após o evento agudo é, além de completar o tratamento do TEP agudo, prevenir recorrência de TEV a longo prazo. Alguns trials, inicialmente, avaliaram diversas durações da terapia anticoagulante com AVK no TEV e a principal conclusão foi de que os pacientes com TEV devem ser anticoagulados por PELO MENOS 3 MESES.A segunda principal conclusão foi que, ao suspender a terapia anticoagulante após o período, o risco de recorrência deve ser similar ou menor ao risco de sangramento dos anticoagulantes e, em terceiro, a terapia estendida com anticoagulante via oral REDUZ A RECORRÊNCIA DE TEV EM ATÉ 90% dos casos. 13.5 EMBOLECTOMIA CIRÚRGICA A embolectomia cirúrgica é o procedimento recomendado para pacientes portadores de TEP de ALTO RISCO nos quais a trombólise está contraindicada ou nos pacientes em que foi indicada e falhou (classe de recomendação I nível de evidência C pela ESC, 2019). COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 42 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 CAPÍTULO 14.0 PROFILAXIA DA TEV NO PACIENTE CLÍNICO Todo paciente internado deve ser submetido a pelo menos uma avaliação do risco de TEV, já que estamos falando da principal causa de óbito evitável em pacientes internados. 14.1 ESCORE PREDITIVO DE PÁDUA Alguns escores têm sido propostos para fins de avaliar o risco de evolução para TEV e o mais validado na literatura, bem como o mais frequentemente utilizado, é o Escore de Predição de Padua (tabela 16), que consegue predizer o risco de TEV em 90 dias, a depender da pontuação que o paciente apresentar. • Pacientes de baixo risco (escore 30 mL/min, utilizar 40 mg/dia de enoxaparina, via de administração subcutânea. Monitorizar plaquetometria no quinto e nono dia de profilaxia. Doses - Profilaxia TEV HBPM (Enoxaparina) 40 mg/dia, via subcutânea HNF 5.000 UI 8/8 ou 12/12 h, via subcutânea Fondaparinux 2,5 mg/dia , via subcutânea HBPM: Heparina de Baixo Peso Molecular; HNF: Heparina Não Fracionada; UI: Unidades Internacionais; TEV: Tromboembolismo Venoso. Tabela 17. Doses dos anticoagulantes utilizados para profilaxia primária do TEV. Adaptado, UpToDate - acesso junho/2021. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 43 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 CAPÍTULO 15.0 TEP EM SITUAÇÕES ESPECIAIS 15.1 PACIENTE PORTADOR DA COVID-19 COVID-19 E TEP - O QUE SABER? • O D-dímero perde a pouca especificidade que tem, já que é critério de gravidade da doença, mesmo na ausência de doença tromboembólica manifesta. • Dentro do espectro de hipercoagulabilidade causado pela COVID-19, o principal achado é a TROMBOSE, enquanto o principal achado em descompensação por Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) é o sangramento. • A TEV é um achado extremamente comum em pacientes críticos e pode ser observada em até um terço dos pacientes internados em UTI, mesmo naqueles em que a anticoagulação profilática é utilizada. • Em pacientes críticos na ausência de TEV manifesta, a anticoagulação plena não apresentou benefício quando comparada com a profilática. • A incidência de TEV em pacientes em vigência da infecção é aumentada. • Em pacientes internados (em sua maioria em enfermaria), a incidência de TEV foi aproximadamente 3%. • Não existem evidências da anticoagulação ambulatorial para doença leve, a não ser que o paciente apresente alguma doença que legitime por si só a anticoagulação. No entanto, ela pode ser considerada em alguns subgrupos, tais como pacientes com diversos fatores de risco para TEV ou cirurgia recente, trauma ou imobilização etc. • Excluídas outras causas mecânicas de piora hemodinâmica/ventilatória aguda do paciente crítico internado por COVID, como pneumotórax hipertensivo, tamponamento pericárdico ou oclusão do circuito de ventilação, TEP deve ser a principal hipótese diagnóstica. • TODO PACIENTE INTERNADO na vigência da COVID deve ser submetido à profilaxia para TEV, mesmo se o paciente for cirúrgico ou obstétrico, a menos que apresente alguma contraindicação à anticoagulação. • Mais estudos são necessários para fins de definirmos as doses profiláticas de HBPM em pacientes internados em UTI. Para pacientes internados em enfermaria, as doses seguem as mesmas das preconizadas em literatura. • Por enquanto, as indicações de anticoagulação plena são TEV manifesto ou pacientes com TEV fortemente suspeitos sem condições clínicas de realizar exame confirmatório e presença de trombo em acessos vasculares. A dose terapêutica é a mesma previamente discutida no Resumo. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 44 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 15.2 PACIENTE GESTANTE O risco de TEV é maior em mulheres gestantes comparadas com não gestantes de mesma idade. O risco aumenta ao longo da gestação e atinge um pico no período pós-parto. O diagnóstico durante a gestação pode ser desafiador, visto que alguns sintomas apresentados podem ter relação com a gestação normal, como taquicardia e edema de membros. Vale lembrar que os níveis de d-dímero tendem a subir progressivamente ao longo da gestação e os níveis estão acima do corte para excluir TEP em cerca de um quarto das pacientes sem TEV, o que dificulta o uso de tal marcador para tal fim. Veja, dificulta, mas não impede! . O algoritmo presente no FLUXOGRAMA 4 é uma proposta de seguimento da ESC para pacientes gestantes e no período pós-parto de até 6 semanas. Primeira dose de HBPM TEP suspeito durante gestação Alta probabilidade clínica ou probabilidade intermediária + d-dímero positivo Ausência de TVP proximal Presença de TVP proximal Positivo TEP excluído • Raio-x de tórax • USG doppler de membros inferiores se sinais ou sintomas sugestivos de TVP Investigação específica para TEP • Se radiografia de tórax normal: AngioTC ou cintilo V/Q • Se radiografia de tórax anormal: AngioTC • Prosseguir com anticoagulação terapêutica com HBPM • Classificar o risto de TEP com os escores preconizados para TEP em não gestantes • Referenciar para uma equipe multidisciplinar com experiência em TEP em gestantes • Avaliação com obstetra para propor plano terapêutico / via de parto / cuidados pós-natais Legenda: HBPM: Heparina de Baixo Peso Molecular; AngioTC: Angiotomografia de Tórax protocolo TEP; Cintilo V/Q: Cintilografia Pulmonar Ventilação/Perfusão Indeterminado ou positivo Negativo Negativo Revisão por radiologista e/ou médico nuclear com experiência em diagnóstico de TEP durante a gestação Fluxograma 4. Algoritmo diagnóstico e terapêutico para pacientes gestantes e no período pós-parto (até 6 semanas pós-parto). Adaptado, ESC, 2019. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimedEstratégia MED 45 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 Em contraste com os AVK e NOACs, a HBPM NÃO ATRAVESSA A PLACENTA. As atuais recomendações da ESC acerca do TEP em gestantes são: 1. A medida do d-dímero e o uso dos métodos de avaliação da probabilidade clínica devem ser considerados para excluir TEP durante a gestação ou período pós-parto (classe de recomendação IIa nível de evidência B). 2. Em pacientes gestantes com suspeita de TEP, especialmente aquelas com sinais e sintomas de TVP, considerar o USG de membros inferiores com manobra de compressibilidade para evitar irradiação desnecessária (classe de recomendação IIa nível de evidência B). 3. A cintilografia de perfusão ou angioTC devem ser consideradas, desde que utilizem protocolos com dose baixa de radiação para excluir TEP suspeito em mulheres gestantes. A angioTC deve ser o método de escolha em pacientes com radiografia de tórax anormal (classe de recomendação IIa nível de evidência C). A terapia anticoagulante deve ser administrada por um período maior ou igual a seis semanas após o parto E por um período mínimo de 3 meses de tratamento (no total). HBPM e AVK podem ser administrados em lactantes, período em que os NOACs não são recomendados. CAPÍTULO 16.0 EMBOLIA GORDUROSA É definida como a presença de glóbulos de gordura na circulação pulmonar e pode ser desencadeada por diversas situações, em especial quando ocorre manipulação de tecido gorduroso e medula óssea, que contém grandes quantidades de gordura. O desprendimento de glóbulos de gordura pode atingir a circulação venosa e, por conseguinte, a circulação pulmonar. Um dado interessante é que os glóbulos de gordura podem ser visualizados em espécimes de sangue, urina, escarro, lavado broncoalveolar e líquor. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 46 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 É caracterizada pela tríade (figura 25): • Alteração do estado mental (confusão mental). • Dispneia/hipoxemia. • Rash petequial. Figura 25. Tríade da embolia gordurosa, caracterizada por confusão mental, dispneia e rash petequial, que predomina em tórax e região cervical anterior. Sua fisiopatologia é desconhecida, e tipicamente manifesta-se após 24-72 horas do insulto inicial, mas pode ocorrer precocemente. Condições associadas à Embolia Gordurosa Traumáticas Não traumáticas Fratura de ossos largos (fêmur, principalmente) Pancreatite, DM Fratura pélvica Osteomielite Procedimentos ortopédicos Corticoterapia prolongada Lesão de partes moles Osteonecrose Queimaduras Hemoglobinopatias Lipoaspiração Infusão lipídica RCP traumática Anemia falciforme Tabela 18. Condições traumáticas e não traumáticas associadas à Embolia Gordurosa. Adaptado, Uptodate. Acesso junho/2021. A radiografia de tórax é normal na maior parte dos pacientes. Seu principal diagnóstico diferencial é com TEP (lembrar da tríade!) O diagnóstico é CLÍNICO: tríade + fator predisponente (tabela 18). A terapia é de suporte, a evidência da corticoterapia é controversa e a mortalidade geral é em torno de 5% a 15%. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app Estratégia MED 47 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 https://estr.at/3vy9red COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed https://estr.at/3vy9red Estratégia MED 48 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 CAPÍTULO 18.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Osteresch R, Fach A, Hambrecht R, Wienbergen H. ESC-Leitlinien 2019 zu Diagnostik und Management der akuten Lungenembolie [ESC guidelines 2019 on diagnostics and management of acute pulmonary embolism]. Herz. 2019 Dec;44(8):696-700. German. doi: 10.1007/ s00059-019-04863-5. PMID: 31690957. 2. Young AM, Marshall A, Thirlwall J, Chapman O, Lokare A, Hill C, Hale D, Dunn JA, Lyman GH, Hutchinson C, MacCallum P, Kakkar A, Hobbs FDR, Petrou S, Dale J, Poole CJ, Maraveyas A, Levine M. Comparison of an Oral Factor Xa Inhibitor With Low Molecular Weight Heparin in Patients With Cancer With Venous Thromboembolism: Results of a Randomized Trial (SELECT-D). J Clin Oncol. 2018 Jul 10;36(20):2017-2023. doi: 10.1200/JCO.2018.78.8034. Epub 2018 May 10. PMID: 29746227. 3. Konstantinides SV, Meyer G, Becattini C, Bueno H, Geersing GJ, Harjola VP, Huisman MV, Humbert M, Jennings CS, Jiménez D, Kucher N, Lang IM, Lankeit M, Lorusso R, Mazzolai L, Meneveau N, Ní Áinle F, Prandoni P, Pruszczyk P, Righini M, Torbicki A, Van Belle E, Zamorano JL; ESC Scientific Document Group. 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism developed in collaboration with the European Respiratory Society (ERS). Eur Heart J. 2020 Jan 21;41(4):543-603. doi: 10.1093/eurheartj/ehz405. PMID: 31504429. 4. Raja AS, Greenberg JO, Qaseem A, Denberg TD, Fitterman N, Schuur JD; Clinical Guidelines Committee of the American College of Physicians. Evaluation of Patients With Suspected Acute Pulmonary Embolism: Best Practice Advice From the Clinical Guidelines Committee of the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2015 Nov 3;163(9):701-11. doi: 10.7326/M14-1772. Epub 2015 Sep 29. PMID: 26414967. 5. Abdelaal Ahmed Mahmoud M Alkhatip A, Donnelly M, Snyman L, Conroy P, Hamza MK, Murphy I, Purcell A, McGuire D. YEARS Algorithm Versus Wells' Score: Predictive Accuracies in Pulmonary Embolism Based on the Gold Standard CT Pulmonary Angiography. Crit Care Med. 2020 May;48(5):704-708. doi: 10.1097/CCM.0000000000004271. PMID: 32079894. 6. Hsu N, Soo Hoo GW. Underuse of Clinical Decision Rules and d-Dimer in Suspected Pulmonary Embolism: A Nationwide Survey of the Veterans Administration Healthcare System. J Am Coll Radiol. 2020 Mar;17(3):405-411. doi: 10.1016/j.jacr.2019.10.001. Epub 2019 Oct 31. PMID: 31678064. 7. Newnham M, Stone H, Summerfield R, Mustfa N. Performance of algorithms and pre-test probability scores is often overlooked in the diagnosis of pulmonary embolism. BMJ. 2013 Mar 19;346:f1557. doi: 10.1136/bmj.f1557. PMID: 23512452. 8. Bass AR, Fields KG, Goto R, Turissini G, Dey S, Russell LA. Clinical Decision Rules for Pulmonary Embolism in Hospitalized Patients: A Systematic Literature Review and Meta-analysis. Thromb Haemost. 2017 Nov;117(11):2176-2185. doi: 10.1160/TH17-06-0395. Epub 2017 Nov 30. PMID: 29044295. 9. Kline JA, Courtney DM, Kabrhel C, Moore CL, Smithline HA, Plewa MC, Richman PB, O'Neil BJ, Nordenholz K. Prospective multicenter evaluation of the pulmonary embolism rule-out criteria. J Thromb Haemost. 2008 May;6(5):772-80. doi: 10.1111/j.1538-7836.2008.02944.x. Epub 2008 Mar 3. PMID: 18318689. 10. Penaloza A, Soulie C, Moumneh T, Delmez Q, Ghuysen A, El Kouri D, Brice C, Marjanovic NS, Bouget J, Moustafa F, Trinh-Duc A, Le Gall C, Imsaad L, Chretien JM, Gable B, Girard P, Sanchez O, Schmidt J, Le Gal G, Meyer G, Delvau N, Roy PM. Pulmonary embolism rule-out criteria (PERC) rule in European patients with low implicit clinical probability (PERCEPIC): a multicentre, prospective, observational study. Lancet Haematol 2017;4:e615_e621 11. ZondagW, Mos IC, Creemers-Schild D, Hoogerbrugge AD, Dekkers OM, Dolsma J, Eijsvogel M, Faber LM, Hofstee HM, Hovens MM, Jonkers GJ, van Kralingen KW, Kruip MJ, Vlasveld T, de Vreede MJ, Huisman MV; Hestia Study Investigators. Outpatient treatment in patients with acute pulmonary embolism: the Hestia Study. J Thromb Haemost. 2011 Aug;9(8):1500-7. doi: 10.1111/j.1538-7836.2011.04388.x. PMID: 21645235. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 49 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 12. Marti C, John G, Konstantinides S, Combescure C, Sanchez O, Lankeit M, Meyer G, Perrier A. Systemic thrombolytic therapy for acute pulmonary embolism: a systematic review and meta-analysis. Eur Heart J 2015;36:605_614 13. Robert-Ebadi H, Righini M. Diagnostic et prise en charge de l’embolie pulmonaire - Quelques réflexions sur les dernières recommandations de l’European Society of Cardiology [Diagnosis and management of pulmonary embolism : some reflections on the latest ESC guidelines]. Rev Med Suisse. 2020 Dec 9;16(718):2362-2366. French. PMID: 33300694. 14. Ebner M, Lankeit M. Update Diagnostik und Therapie der Lungenarterienembolie [Update diagnosis and therapeutic management of pulmonary embolism]. Dtsch Med Wochenschr. 2020 Jun;145(11):710-715. German. doi: 10.1055/a-0984-7323. Epub 2020 Jun 3. PMID: 32492738. 15. Karimzadeh S, Raut A, Huy NT. COVID-19 and Pulmonary Embolism: Diagnostic Imaging Trends. J Nucl Med. 2020 Aug;61(8):1102. doi: 10.2967/jnumed.120.248518. Epub 2020 May 22. PMID: 32444371; PMCID: PMC7413233. 16. Zuckier LS, Moadel RM, Haramati LB, Freeman LM. Diagnostic Evaluation of Pulmonary Embolism During the COVID-19 Pandemic. J Nucl Med. 2020 May;61(5):630-631. doi: 10.2967/jnumed.120.245571. Epub 2020 Apr 1. PMID: 32238427. 17. Rahi MS, Jindal V, Reyes SP, Gunasekaran K, Gupta R, Jaiyesimi I. Hematologic disorders associated with COVID-19: a review. Ann Hematol. 2021 Feb;100(2):309-320. doi: 10.1007/s00277-020-04366-y. Epub 2021 Jan 7. PMID: 33415422; PMCID: PMC7789889. 18. Bellou E, Keramida E, Karampinis I, Dimakakos E, Misthos P, Demertzis P, Hardavella G. Outpatient treatment of pulmonary embolism. Breathe (Sheff). 2020 Sep;16(3):200069. doi: 10.1183/20734735.0069-2020. PMID: 33447272; PMCID: PMC7792861. 19. Barbar S, Noventa F, Rossetto V, Ferrari A, Brandolin B, Perlati M, De Bon E, Tormene D, Pagnan A, Prandoni P. A risk assessment model for the identification of hospitalized medical patients at risk for venous thromboembolism: the Padua Prediction Score. J Thromb Haemost. 2010 Nov;8(11):2450-7. doi: 10.1111/j.1538-7836.2010.04044.x. PMID: 20738765. 20. Schünemann HJ, Cushman M, Burnett AE, Kahn SR, Beyer-Westendorf J, Spencer FA, Rezende SM, Zakai NA, Bauer KA, Dentali F, Lansing J, Balduzzi S, Darzi A, Morgano GP, Neumann I, Nieuwlaat R, Yepes-Nuñez JJ, Zhang Y, Wiercioch W. American Society of Hematology 2018 guidelines for management of venous thromboembolism: prophylaxis for hospitalized and nonhospitalized medical patients. Blood Adv. 2018 Nov 27;2(22):3198-3225. doi: 10.1182/bloodadvances.2018022954. PMID: 30482763; PMCID: PMC625891 CAPÍTULO 19.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Querido Estrategista, resumo confeccionado com muito carinho para você poder dedicar uma boa parte dos seus estudos em pneumologia e canalizar suas energias, já que TEP figura entre os principais temas em pneumologia nas provas de Residência e Revalidação. Relembro a você que nosso resumo aborda uma enorme fatia das questões que já foram cobradas até hoje sobre TEP! O tema está em constante transição e, claro, nós do Estratégia MED não lhe deixamos na mão, já que, como viu, o resumo que acabou de ler contempla as últimas atualizações sobre a TEP, desde o diagnóstico até sua condução ambulatorial e no setor de urgência, incluindo apêndice sobre TEP na COVID-19. Faça bom proveito, futuro Residente. Um abraço do Siufi! COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 50 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed http://med.estrategia.com 1.0 BATE-PAPO COM O ALUNO 2.0 COMO O TEP É COBRADO NAS PROVAS? 3.0 INTRODUÇÃO 4.0 DEFINIÇÃO E NOMENCLATURA 4.1 DEFINIÇÃO 4.2 NOMENCLATURA 4.2.1 TEMPORAL (AGUDO, SUBAGUDO E CRÔNICO) 4.2.1.1 Agudo 4.2.1.2 Subagudo 4.2.1.3 Crônico 4.2.2 PRESENÇA X AUSÊNCIA DE INSTABILIDADE HEMODINÂMICA 4.2.2.1 TEP com instabilidade hemodinâmica 4.2.2.2 TEP sem instabilidade hemodinâmica 4.2.3 LOCALIZAÇÃO / ANATOMIA 4.2.3.1 TEP “à cavaleira” (TEP “em sela”) 4.2.3.2 TEP lobar 4.2.3.3 TEP segmentar: 4.2.3.4 TEP subsegmentar 4.2.4 PRESENÇA X AUSÊNCIA DE SINTOMAS 5.0 EPIDEMIOLOGIA 6.0 FATORES PREDISPONENTES (FATORES DE RISCO) 7.0 FISIOPATOLOGIA 8.0 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 9.0 PROBABILIDADE CLÍNICA 9.1 CRITÉRIOS DE WELLS (ESCORE DE WELLS) 10.0 EXAMES COMPLEMENTARES 10.1 EXAMES DE APOIO AO DIAGNÓSTICO (NÃO ESPECÍFICOS) 10.1.1 Exames laboratoriais 10.1.1.1BIOQUÍMICA BÁSICA 10.1.1.2 GASOMETRIA ARTERIAL 10.1.1.3 BNP 10.1.1.4 TROPONINA 10.1.1.5 D-DÍMERO 10.1.2 ELETROCARDIOGRAMA 10.1.3 RADIOGRAFIA DE TÓRAX 10.1.4 ECODOPPLERCARDIOGRAMA 10.2 EXAMES ESPECÍFICOS (EXAMES DIAGNÓSTICOS NO TEP) 10.2.1 ANGIOTOMOGRAFIA DE TÓRAX 10.2.2 CINTILOGRAFIA VENTILAÇÃO – PERFUSÃO 10.2.3 ARTERIOGRAFIA PULMONAR 10.2.4 ULTRASSONOGRAFIA DE MEMBROS INFERIORES COM MANOBRA DA COMPRESSIBILIDADE 11.0 INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA 11.1 TEP HEMODINAMICAMENTE ESTÁVEL 11.1.1 Probabilidade pré-teste BAIXA 11.1.2 Probabilidade pré-teste INTERMEDIÁRIA 11.1.3 Probabilidade pré-teste ALTA. 11.2 TEP HEMODINAMICAMENTE INSTÁVEL 12.0 ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO 12.1 Alto risco 12.2 Intermediário risco 12.2.1 Intermediário-alto risco 12.2.2 Intermediário-baixo risco 12.3 Baixo risco 13.0 TRATAMENTO 13.1 Manejo geral 13.2 Anticoagulação 13.2.1 Anticoagulação parenteral 13.2.1.1 Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) 13.2.1.2 Heparina Não Fracionada (HNF) 13.2.1.3 Fondaparinux 13.2.2 Anticoagulação via oral 13.2.2.1 Novos Anticoagulantes Orais Diretos (NOACs ou DOACs) 13.2.2.2 Antagonistas da vitamina K (AVK) 13.3 Fibrinólise 13.4 Procedimentos guiados por cateter (terapias guiadas por cateter) 13.4.1 Trombólise guiada por cateter 13.4.2 Trombectomia guiada por cateter 13.5 Embolectomia cirúrgica 13.6 Filtro de Veia Cava Inferior (VCI) 13.7 Tratamento crônico e prevenção de recorrência 14.0 Profilaxia da TEV no paciente clínico 14.1 Escore preditivo de Pádua 14.2 Métodos de tromboprofilaxia 14.2.1 Farmacológicos 15.0 TEP EM SITUAÇÕES ESPECIAIS 15.1 Paciente portador da COVID-19 15.2 Paciente gestante 16.0 Embolia gordurosa 17.0 LISTA DE QUESTÕES 18.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 19.0 CONSIDERAÇÕES FINAISREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 48 19.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 49 COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 7 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 CAPÍTULO 1.0 BATE-PAPO COM O ALUNO Futuro Residente, estamos falando da principal causa de morte evitável no ambiente intra-hospitalar, o Tromboembolismo Pulmonar (TEP) – Figura 1! Outro dado epidemiológico extremamente importante e convidativo para nosso resumo é que se trata da terceira síndrome cardiovascular aguda mais frequente, atrás do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e do Acidente Vascular Cerebral (AVC). E como se não bastasse, dentro da pneumologia, é um dos temas mais presentes nas provas e que pode estar presente também em outras frentes, tais como na prova de cirurgia geral com complicações no pós- operatório e tromboprofilaxia, bem como na ginecologia e obstetrícia, sobretudo cobrando conceitos acerca do TEP em gestantes. Figura 1. Angiotomografia de tórax, corte coronal, com presença de falha de enchimento na artéria pulmonar lobar direita. Observe a área de hipocontrastação ou "stop" do meio contrastado, correspondente ao trombo alojado na topografia descrita (seta verde) Acervo próprio. E não basta a doença ser extremamente prevalente, de difícil diagnóstico e com altas taxas de subdiagnóstico, é regada de dogmas presentes em nossa prática clínica diária que podem prejudicar nosso aprendizado. Aluno do Estratégia MED, estamos frente a uma doença de difícil suspeição clínica, difícil diagnóstico e, mais ainda, com terapias em constante transição e diversas delas alinhadas com o avanço da ciência. Figura 2. Trombo proveniente da trombose venosa profunda de membros inferiores, atingindo a circulação pulmonar. Portanto, amigo Estrategista, temos motivos de sobra para que você assuma um relacionamento sério com este Resumo, já que ele pode lhe ajudar durante suas provas e, mais que isso, nos eventuais apuros nos plantões de pronto atendimento, enfermaria ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Portanto, se posso dar um conselho a você é: foque na fisiopatologia da doença, que os demais conceitos virão naturalmente (figura 3). Figura 3. Unidade alveolar adequadamente ventilada, entretanto, com fluxo sanguíneo reduzido pela presença de um trombo. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 8 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 “Professor, prestarei ortopedia. No meu ponto de vista, o Resumo não tem relevância para mim...” Vamos juntos que logo no início do Resumo vou lhe convencer da importância de debruçar sobre este Resumo, já que na enfermaria ortopédica podem estar presentes mais da metade dos fatores de risco fortemente associados ao TEP. Para que fique claro, todas as informações apresentadas no Resumo de TEP são extraídas das últimas evidências presentes na literatura, com foco no guideline publicado em 2019 na European Society of Cardiology (ESC) e, como em todos os resumos do Estratégia MED, quaisquer atualizações na literatura vigente com relevância para concursos de Residência Médica e revalidação serão trazidas para você em primeira mão!Figura 4. European Society of Cardiology. Autoria própria. CAPÍTLO 2.0 COMO O TEP É COBRADO NAS PROVAS? Revisei 276 questões de TEP para você dentre os períodos de 2003 e 2021. No gráfico abaixo, notamos que dentro do TEP os temas são extremamente variados, o que se justifica pelo fato de ser uma das doenças mais cobradas dentro do contexto da Pneumologia e pelo fato de ser a terceira causa de morte cardiovascular no mundo, bem como a principal causa de morte evitável entre pacientes internados! Mas, se quer mais uma dica de ouro, veja que mais da metade do nosso gráfico compreende alguns temas teoricamente previsíveis dentro do TEP, tais como exames complementares, probabilidade clínica e manifestações clínicas. Por isso, muita energia e foco nesses temas! Reforço que independentemente da prevalência dos temas dentro dos concursos (Residência e Revalidação), a única maneira de adquirirmos uma base sólida de conhecimentos no caso do TEP é entendendo cada detalhe sobre a fisiopatologia. Trombofilia Fisiopatologia E�ologia Manifestações clínicas Probabilidade clínica Exames complementares Estra�ficação de risco An�coagulante Trombólise Filtro de Veia Cava Inferior Fator de risco TEP em gestantes Embolia gordurosa 1% 3% 4% 19% 13% 20% 7% 9% 8% 2% 1% 6% 7% COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 9 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 CAPÍTULO 3.0 INTRODUÇÃO Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é definido pela obstrução de um ou mais ramos da artéria pulmonar, que se origina em algum lugar do corpo ou primariamente na vasculatura pulmonar. Por definição, é uma forma de Tromboembolismo Venoso (TEV) comum e, em algumas ocasiões, fatal. Anualmente, são diagnosticados mais de 10 milhões de casos de TEV no mundo, sendo o TEP a terceira causa de mortalidade cardiovascular no mundo e a primeira causa de óbito evitável entre os pacientes internados! Sua fisiopatologia complexa, motivo de diversos estudos atuais, tem início no aumento da pós-carga ventricular direita e, ao contrário do que pensamos, a instabilidade hemodinâmica é a principal causa de óbitos nesses doentes e é critério para tratamento de emergência. No Resumo, daremos a devida atenção ao tópico, motivo de diversas dúvidas em discussões à beira do leito. Figura 5. Angiotomografia de tórax, cortes axiais, janela para mediastino ou partes moles evidenciando TEP agudo bilateral (setas verdes) com derrame pleural laminar à direita (seta azul). Acervo próprio. Sua apresentação, frequentemente, traz achados não específicos e, assim, faz com que o diagnóstico seja desafiador. O sintoma mais comum é a dispneia e o sinal clínico mais comumente observado é a taquipneia. A classificação da doença, muito embora seja controversa nas discussões em visitas medicas, é consensual na literatura e trarei até você os conceitos mais recentes acerca dela. Mas, antes de classificarmos, quero que fique craque nas diferentes nomenclaturas do TEP. Figura 6. Paciente com quadro de dispneia. Fonte: Shutterstock. O ponto determinante na matéria é a suspeição clínica e diagnóstico da doença! Atualmente, pacientes podem ter o diagnóstico de TEP excluído, mesmo sem a solicitação de NENHUM EXAME ADICIONAL. Da mesma forma, pacientes recém- diagnosticados com TEP podem ser imediatamente tratados em AMBIENTE DOMICILIAR, conceitos inimagináveis há dez anos! Um conceito extremamente importante e que é cobrado constantemente em provas de Residência e Revalidação é que o tratamento não deve esperar o exame confirmatório! Levantou a suspeita clínica, se a probabilidade clínica for intermediária ou alta, o tratamento deve ser prontamente instituído caso não haja contraindicações, para melhor desfecho do seu paciente. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 10 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 Futuro Residente, uma coisa é consensual: pacientes com instabilidade hemodinâmica atribuível ao TEP devem ser prontamente tratados com terapia trombolítica na ausência de contraindicações absolutas, visto que são o espectro mais grave da doença! Se o paciente apresentou instabilidade hemodinâmica, ele já atravessou uma série de eventos fisiopatológicos que levam ao choque obstrutivo. Logo, é importante que saiba que a instabilidade hemodinâmica é o evento final da cascata fisiopatológica chamada “espiral da morte”no TEP. Ao final do Resumo, abordaremos também alguns tópicos que podem estar presentes em sua prova, tais como embolia gordurosa, doença mais presente na população ortopédica, e TEP em gestantes, já que o guideline trouxe algumas mudanças recentes, que merecem ser abordadas. CAPÍTULO 4.0 DEFINIÇÃO E NOMENCLATURA 4.1 DEFINIÇÃO Tromboembolismo Venoso (TEV) = Trombose Venosa Profunda (TVP) + Tromboembolismo Pulmonar (TEP). A TVP será abordada com seus pormenores no livro de Cirurgia Vascular. O TEP refere-se à obstrução de um ou mais ramos da artéria pulmonar. Muito cuidado deve ser tomado ao empregar a nomenclatura “Embolia Pulmonar (EP)” como sinônimo de TEP. Ao final do Resumo, ficará mais claro, mas podemos ter embolia pulmonar por diversas substâncias que não trombo, como embolia gordurosa, séptica ou tumoral (neoplásica). Portanto, para todos os fins, nosso Resumo abordará conceitos inerentes ao TEP. 4.2 NOMENCLATURA Estrategista, respire fundo porque é o momento de começarmos a desfazer alguns dos dogmas que trouxe anteriormente, como: “TEP à cavaleira é TEP maciço.” 4.2.1 TEMPORAL (AGUDO, SUBAGUDO E CRÔNICO) 4.2.1.1 AGUDO Quando os sinais e sintomas se desenvolvem imediatamente após a obstrução dos vasos pulmonares. 4.2.1.2 SUBAGUDO Alguns pacientes com TEP podem se apresentar de maneira subaguda, com sintomas desenvolvendo-se por dias ou semanas após a obstrução dos vasos pulmonares. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 11 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 4.2.1.3 CRÔNICO Pacientes com TEP crônico desenvolvem sintomas lentamente, com clínica de cor pulmonale crônico e hipertensão pulmonar, podendo, em alguns casos, manifestar-se anos após o evento inicial. 4.2.2 PRESENÇA X AUSÊNCIA DE INSTABILIDADE HEMODINÂMICA 4.2.2.1 TEP COM INSTABILIDADE HEMODINÂMICA TEP que cursa com hipotensão. As definições de instabilidade hemodinâmica serão abordadas no decorrer do Resumo. Também chamado de TEP MACIÇO. 4.2.2.2 TEP SEM INSTABILIDADE HEMODINÂMICA TEP que não perfaz critérios para instabilidade hemodinâmica. Vale lembrar que existe um espectro importante de gravidade dentro deste grupo, que pode variar desde pacientes assintomáticos até pacientes com disfunção ventricular direita que estabilizam a despeito da fluidoterapia. Nesse grupo, estão incluídos o TEP SUBMACIÇO e o TEP NÃO MACIÇO. 4.2.3 LOCALIZAÇÃO / ANATOMIA Estrategista, a depender da localização do trombo, o TEP pode ser classificado em quatro grupos distintos: 4.2.3.1 TEP “À CAVALEIRA” (TEP “EM SELA”) TEP alojado na bifurcação da artéria pulmonar principal. 4.2.3.2 TEP LOBAR Situação em que os trombos estão alojados nos ramos lobares das artérias pulmonares. 4.2.3.3 TEP SEGMENTAR: Situação em que os trombos estão alojados nos ramos segmentares das artérias pulmonares. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 12 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 4.2.3.4 TEP SUBSEGMENTAR Situação em que os trombos estão alojados nos ramos subsegmentares das artérias pulmonares. Estrategista, conceito recente para você! A entidade denominada “TEP EM TRÂNSITO” tem sido cada vez mais estudada, sobretudo com um aumento no número de ecocardiogramas que têm sido realizados para tal condição. É uma condição de ALTA MORTALIDADE (ATÉ 40%) e, mesmo que não esteja alojado em uma das artérias pulmonares, quando alojado no coração direito, a literatura autoriza-nos a denominá-lo como uma forma de TEP. A figura 7, com três estudos tomográficos em cortes axiais com diagnóstico de TEP e uma arteriografia, deixará clara a divisão anatômica dos TEP. Em última análise, todo TEP segue um fluxo, que irá desde o tronco da artéria pulmonar até regiões subsegmentares, em menor proporção. Figura 7. Estudos tomográficos em cortes axiais e um estudo arteriográfico evidenciando a classificação anatômica do TEP. Acervo próprio. 4.2.4 PRESENÇA X AUSÊNCIA DE SINTOMAS TEP sintomático refere-se a todo TEP com sintomas que levam à solicitação de um exame de imagem e, nele, confirma-se TEP, ao passo que o termo TEP assintomático se reserva aos pacientes em que a falha de enchimento na artéria pulmonar ou em um de seus ramos foi um achado em um exame de imagem realizado por outros motivos, em paciente sem sintomas. À CAVALEIRA LOBAR SEGMENTAR SUBSEGMENTAR COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 13 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 CAPÍTULO 5.0 EPIDEMIOLOGIA O TEV é considerado, na esfera global, a terceira síndrome cardiovascular aguda, posicionando-se apenas atrás do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e do Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ademais, é considerado a principal causa intra- hospitalar de morte EVITÁVEL. A incidência é discretamente maior em homens do que em mulheres e aumenta progressivamente com a IDADE. Paralelamente, tem sido observada uma tendência anual de crescimento dos casos de TEP, no entanto, os óbitos nos TEPs DIAGNOSTICADOS têm uma tendência à queda, o que talvez se deva a uma maior aderência aos guidelines. CAPÍTULO 6.0 FATORES PREDISPONENTES (FATORES DE RISCO) O TEV é considerado uma consequência entre fatores intrínsecos ao paciente (permanentes) associados a um fator de risco (comumente temporário). A definição de fatores de risco permanentes e temporários será importante quando discutirmos sobre tratamento. Na população pediátrica, TEP é comumente associada à TVP e raramente é não provocada. O termo “TEP provocado” e “TEP não provocado / TEP idiopático” está em desuso e, idealmente, deve ser deixado de lado. Fatores Predisponentes para Tromboembolismo Venoso (TEV) Forte (OR>10) Moderado (OR 2-9) Fraco (OR10, moderado entre 2 e 9 e fraco, ORvenosa. • Lesão endotelial. • Estado de hipercoagulabilidade. Figura 8. Tríade de Virchow. Autoria própria. Os trombos venosos parecem originar-se nas proximidades de uma cúspide de válvula venosa, onde surgem as contracorrentes, com fluxo turbilhonar de sangue. A agregação plaquetária, bem como a liberação de mediadores, inicia a cascata de coagulação. No entanto, à medida que o trombo se estende, a atividade fibrinolítica local é intensificada. O comportamento do trombo torna-se, assim, um processo dinâmico que pode resultar em dissolução completa, resolução parcial, extensão proximal progressiva ou EMBOLIZAÇÃO (figura 9). Estudos clínicos estabeleceram que aproximadamente 90% dos TEPs são provenientes de tromboses venosas presentes no território profundo dos membros inferiores. Desses, a maior parte é originada de TVP PROXIMAL de membros inferiores (ilíaca, femoral e poplítea) e mais de 50% dos pacientes com TVP proximal cursam com TEP concomitante em sua apresentação (figura 10). TVP de panturrilha raramente embolizam para os pulmões e 2/3 delas resolvem-se espontaneamente após a detecção. Entretanto, se não tratadas, 1/3 delas estendem-se para veias proximais, com maior potencial de embolizarem. Figura 9. A maior parte dos TEPs é originada de TVP proximais de membros inferiores. Atingem as câmaras direitas via ascendente (veia cava inferior) e, depois, valva tricúspide - pulmonar e alojam-se em uma das bifurcações da artéria pulmonar. Figura 10. Representação esquemática da etiologia do TEP. A maior parte dos TEPs é proveniente de TVP PROXIMAL (acima do joelho). Entretanto, as TVP distais tendem a ser mais comuns. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 15 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 A obstrução regional ao fluxo sanguíneo pulmonar, bem como o desvio do fluxo para porções com fluxo arterial preservado pode alterar substancialmente o equilíbrio entre duas variáveis: ventilação e perfusão (figura 11). Figura 11. Unidade alveolar adequadamente ventilada, entretanto, com fluxo sanguíneo reduzido pela presença de um trombo. Nas regiões com obstrução vascular pulmonar, em um primeiro momento, a ventilação é preservada e, com isso, o espaço morto alveolar é criado – regiões que ventilam sem perfundir (figura 12). A obstrução vascular pulmonar também gera uma reação inflamatória, cursando com o aumento do drive respiratório e, assim, hipocapnia e alcalose respiratória. Mais dois conceitos são extremamente importantes para o completo entendimento da fisiopatologia do TEP: infarto pulmonar e a gênese da instabilidade hemodinâmica. Figura 12. Conceito de espaço morto fisiológico. Observe que a sequência de fatos se inicia com um fluxo sanguíneo inadequado, levando a um defeito na relação ventilação/perfusão, ou seja, tenho alvéolos com ventilação preservada e fluxo sanguíneo diminuído. INFARTO PULMONAR: em aproximadamente 10% (UpToDate, acesso em junho/2021) dos pacientes, pequenos trombos podem alojar-se distalmente, levando a quadros de infarto pulmonar. Esses pacientes estão mais susceptíveis a apresentar dor torácica pleurítica e hemoptise e é um evento incomum, visto que, o parênquima pulmonar tem três fontes potenciais de oxigênio: as artérias pulmonares, as artérias brônquicas e as vias aéreas de condução. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 16 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 COMPROMETIMENTO HEMODINÂMICO: a hipotensão secundária ao TEP é por diminuição do volume sistólico e do débito cardíaco. O evento inicial é o aumento da pós- carga ventricular direita. Em pacientes com TEP, observamos um aumento da resistência vascular pulmonar (RVP) por obstrução física do leito vascular por trombos associados à vasoconstrição hipoxêmica. Um aumento na RVP aumenta a pós-carga ventricular direita, cursando com dilatação ventricular direita e dilatação com abaulamento do septo interventricular. Com a diminuição do fluxo sanguíneo proveniente do ventrículo direito, bem como dilatação ventricular direita, observamos uma diminuição da pré-carga ventricular direita e, assim, uma redução do débito cardíaco (figura 13). Figura 13. Cascata de eventos fisiopatológicos que levam à instabilidade hemodinâmica e ao óbito no paciente portador de TEP agudo, denominada "espiral da morte". Adaptado, ESC 2019. Em seu último guideline, a ESC esclareceu alguns pontos acerca da definição de instabilidade hemodinâmica no paciente com TEP suspeito ou diagnosticado, trazidos na tabela 2. Observe que o contexto pós-Parada Cardiorrespiratória (PCR) é considerado critério para instabilidade hemodinâmica. Tal definição é uma das mais importantes presentes em nosso Resumo, visto que impacta DIRETAMENTE no tratamento do paciente crítico. Definição de Instabilidade Hemodinâmica no TEP PCR Choque Obstrutivo Hipotensão persistente Necessidade de ressuscitação cardiopulmonar. PAS ou igual a 90 mmHg E Sinais de hipoperfusão orgânica (rebaixamento do nível de consciência, hiperlactatemia, etc.). PASCrônica Edema Agudo Pulmonar Mialgias Pneumotórax Tamponamento Cardíaco Nevralgias Câncer de Pulmão Dissecção de aorta Herpes Zóster Tabela 4. Principais diagnósticos diferenciais de TEP agudo, subdivididos em de origem pleuropulmonar, cardiovascular e proveniente de doenças da parede torácica. Autoria própria. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 18 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 CAPÍTULO 9.0 PROBABILIDADE CLÍNICA Estrategista, a combinação de sintomas e achados clínicos com a presença de fatores predisponentes para TEV permite a classificação dos pacientes com suspeita de TEP em categorias de suspeição clínica distintas ou diferente probabilidade pré-teste. Quanto maior a probabilidade pré-teste, maior a chance de o paciente ser portador de TEP após os testes diagnósticos específicos. Uma constatação que fiz ao resolver TODAS as questões de TEP que já caíram até agora em provas de Residência e Revalidação é que TODAS ELAS podem ser respondidas se decorarmos os critérios de WELLS ORIGINAL. 9.1 CRITÉRIOS DE WELLS (ESCORE DE WELLS) Apesar de o escore de Wells (tabela 5) ser o mais clássico, mais conhecido e com maior aplicabilidade clínica, a presença de uma variável altamente subjetiva e com grande pontuação, que é a presença ou ausência de um diagnóstico alternativo mais provável do que TEP, altera a sensibilidade do teste. De acordo com UpToDate (acesso junho/ 2021), muito embora o uso dos critérios de Wells original, critério de Wells modificado (simplificado) e de ambos os critérios de Geneva sejam aceitos baseados em extensivas validações na literatura, é PREFERÍVEL o uso dos CRITÉRIOS DE WELLS VERSÃO ORIGINAL para fins da determinação da probabilidade clínica em três camadas (ou três níveis). Veja no nosso Livro Digital sobre outros escores clínicos para TEP. Por mais que seja heterogêneo, o julgamento clínico já foi validado em diversas séries. Entretanto, carece de uma padronização e, por isso, devemos utilizar os escores validados e os mais utilizados são os CRITÉRIOS (ou escore) de WELLS e de GENEVA. Ambos os critérios foram simplificados para fins de aumentar sua adaptação à prática clínica e as versões simplificadas foram devidamente validadas. Critérios de Wells - TEP agudo Itens Versão original Versão simplificada Sinais clínicos de TVP 3 pontos 1 ponto Diagnóstico alternativo menos provável que TEP 3 pontos 1 ponto FC > 100 bpm 1,5 pontos 1 ponto Imobilização por mais de 3 dias ou cirurgia nas últimas 4 semanas 1,5 pontos 1 ponto TEP ou TVP prévio 1,5 pontos 1 ponto Hemoptise 1 ponto 1 ponto Neoplasia atual ou tratada nos últimos 6 meses 1 ponto 1 ponto Probabilidade clínica Escore em três níveis Versão original Versão simplificada Baixa 0-1 N/A Intermediária 2-6 N/A Alta ≥ 7 N/A Escore em dois níveis Versão original Versão simplificada TEP improvável 0-4 0-1 TEP provável ≥ 5 ≥ 2 Tabela 5. Escore ou Critérios de Wells, ambas as versões: original e simplificada. Adaptado, apêndice ESC, 2019. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 19 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 CAPÍTULO 10.0 EXAMES COMPLEMENTARES 10.1 EXAMES DE APOIO AO DIAGNÓSTICO (NÃO ESPECÍFICOS) Pacientes portadores de TEP, comumente, apresentam-se com sintomas torácicos agudos, e a doença é potencialmente ameaçadora à vida! Nesse sentido, alguns exames complementares auxiliam no diagnóstico diferencial, visto que, a depender de alguns achados, a suspeita clínica de TEP pode ser reforçada ou afastada. Desses exames, a gasometria arterial é o mais estudado. 10.1.1 EXAMES LABORATORIAIS Os testes bioquímicos não são diagnósticos, mas podem alterar a suspeição clínica para TEP, confirmar a presença de diagnósticos alternativos e prover informações adicionais caso TEP seja diagnosticado. Alguns deles são importantes marcadores de disfunção ventricular direita e devem ser solicitados em casos selecionados após o diagnóstico de TEP, para fins prognósticos e avaliação do local de tratamento. 10.1.1.1BIOQUÍMICA BÁSICA Exames laboratoriais de rotina podem acusar a presença de leucocitose, aumento da Velocidade de Hemossedimentação (VHS), bem como aumento da Lactato Desidrogenase (LDH). 10.1.1.2 GASOMETRIA ARTERIAL A gasometria arterial pode estar NORMAL em até 18% dos pacientes com TEP. As principais alterações gasométricas presentes nos pacientes portadores de TEP confirmado são: • Hipoxemia (74% dos pacientes). • Aumento do gradiente alvéolo-arterial (62% a 86%). • Alcalose respiratória com hipocapnia (41%). Apesar de possível, é incomum a presença de TEP com valores gasométricos (PaO2, PaCO2 e gradiente alvéolo-arterial) inteiramente normais. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 20 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 Um BNP elevado tem valor diagnóstico limitado na suspeita de TEP. Entretanto, um BNP ou NT-pró-BNP elevado pode ser útil na estratificação de risco dos pacientes portadores de TEP. 10.1.1.4 TROPONINA Futuro Residente, nem tudo o que positiva troponina é IAM! Portanto, no contexto do TEP, é um marcador de disfunção ventricular direita e, com isso, um marcador prognóstico! 10.1.1.5 D-DÍMERO Futuro Residente, muita atenção ao d-dímero! O dímero D é um Produto da Degradação da Fibrina (PDF), podendo estar elevado na presença de trombos, mas também em outras situações. Trata-se de um exame que tem alta sensibilidade, mas sua especificidade é baixa; portanto, deve ser analisado com cautela, em conjunto à avaliação de probabilidade clínica. Por ser um exame com alta sensibilidade e baixa especificidade, é considerado de elevado VALOR PREDITIVO NEGATIVO (99%), ou seja, um excelente O papel do D-dímero no TEP é EXCLUIR a doença em pacientes com doença improvável! exame para EXCLUIRMOS TEP. No entanto, tem baixo VALOR PREDITIVO POSITIVO (aproximadamente 50%). Veja na tabela 6 as diversas causas de d-dímero elevado. 10.1.1.3 BNP Estrategista, não confunda! O Peptídeo Natriurético Atrial (do inglês Atrial Natriuretic Peptide – ANP) é secretado pelas CÉLULAS MUSCULARES CARDÍACAS ATRIAIS, e seu papel é a tentativa de normalizar a pressão arterial e volemia a partir de distensões excessivas e súbitas das paredes atriais. Mais tardiamente, a função endócrina do coração foi mais bem estabelecida com a descoberta de outro peptídeo – o Peptídeo Natriurético Cerebral (do inglês Brain Natriuretic Peptide – BNP). Causas do D-Dímero elevado Infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, fibrilação atrial Trombose venosa profunda, embolia pulmonar Eclampsia e pré-eclampsia / Gestação Infecção, sepse, inflamação, trauma, cirurgia recente Neoplasia em atividade, doença renal aguda e crônica Doença hepática grave Tabela 6. Causas mais comuns de d-dímero elevado. UpToDate, acesso junho/2021. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 21 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 SAIBA MAIS: O QUE É O D-DÍMERO AJUSTADO PARA A IDADE? A especificidade do D-dímero beira os 40% para todas as idades, entretanto, tem uma tendência a queda com o envelhecimento, aproximando-se dos 10% em pacientes com idade maior que 80 anos. Pensando nisso, foi realizado um estudo prospectivo multinacional que avaliou um novo corte para o D-dímero (ADJUST-PE, JAMA 2014), conforme descrito abaixo: • Pacientes menores que 50 anos: corte de 500 µg/L. • Pacientes maiores que 50 anos: corte: (idade x 10), em µg/L. • Exemplo: 30 anos: 500 µg/L, 60 anos: 600 µg/L,84 anos: 840 µg/L. 10.1.2 ELETROCARDIOGRAMA As alterações eletrocardiográficas, muito embora sejam comuns em pacientes com suspeita de TEP, são, em sua maioria, não específicas. O achado mais comum é a presença de TAQUICARDIA SINUSAL e alterações não específicas de segmento ST e onda T, presentes em até 70% dos casos (figura 15). Alterações HISTORICAMENTE CONSIDERADAS COMO SUGESTIVAS DE TEP (padrão S1Q3T3 - figura 16), padrão strain de ventrículo direito e bloqueio incompleto de ramo direito novo, ou presumivelmente novo, são INCOMUNS e podem estar presentes em menos de 10% dos pacientes. Figura 15. Eletrocardiograma evidenciando taquicardia sinusal, a alteração eletrocardiográfica MAIS COMUM no TEP AGUDO. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 22 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 Alterações eletrocardiográficas no TEP: • Mais comum: taquicardia sinusal (figura 15). • Mais característica: padrão S1Q3T3 (presença de onda S em DI, onda Q em DIII e onda T negativa em DIII). Em algumas casuísticas, o padrão S1Q3T3 é chamado de complexo de McGinn-White (figura 16). Figura 16. Eletrocardiograma com presença de onda S em D1, onda Q em D3 e inversão de onda T em D3, caracterizando o padrão S1Q3T3, que, embora seja incomum, é característico do TEP agudo. 10.1.3 RADIOGRAFIA DE TÓRAX Achados não específicos na radiografia de tórax (exemplos: derrame pleural ou atelectasia) são comuns no contexto do TEP e acredita- se que seu principal papel na suspeita de TEP aguda é na avaliação de diagnósticos diferenciais. Radiografia de tórax NORMAL pode ser observada em 12% a 22% dos pacientes. A corcova de Hampton e o sinal de Westermark não são achados frequentes. No entanto, quando presentes, devem aumentar a suspeita diagnóstica para TEP. A Corcova de Hampton é uma opacidade periférica com base voltada para a superfície pleural e ápice voltado para o hilo pulmonar, e o Sinal de Westermark demonstra uma falha de enchimento com hipoperfusão distal em uma área ou segmento pulmonar, ou no hemitórax como um todo, também definido como uma área focal de oligoemia. A figura 17 traz algumas imagens radiográficas características do TEP agudo. Vale a pena conferir! Um outro achado sugestivo de TEP é o sinal de Palla - dilatação da artéria interlobar inferior e direita, com aparência em “salsicha” na porção medial do lobo inferior direito. Figura 17. Alterações radiográficas mais características no contexto do TEP agudo: sinal de Palla, sinal de Westermark e Corcova de Hampton. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 23 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 10.1.4 ECODOPPLERCARDIOGRAMA O TEP agudo pode levar ao aumento da pós-carga ventricular direita e, consequentemente, disfunção de VD, achado que pode ser observado ao ecocardiograma. Devido à peculiaridade geométrica do ventrículo direito, não temos um parâmetro ecocardiográfico individual que nos forneça uma informação rápida e confiável do tamanho ou da função da câmara. O ecocardiograma é um exame não invasivo e de baixa sensibilidade para o diagnóstico de TEP, e que apresenta alterações em 30% a 40% dos pacientes portadores de TEP agudo! Entretanto, pode ser uma ferramenta útil no diferencial de dispneia aguda, dor torácica e instabilidade hemodinâmica. Pode ser realizado à beira do leito, e os principais achados estão esquematizados na figura 18. Embolia pulmonar com importante repercussão hemodinâmica é improvável na presença de ecocardiograma normal. Figura 18. Achados ecocardiográficos presentes no TEP agudo. Adaptado ESC, 2019. 10.2 EXAMES ESPECÍFICOS (EXAMES DIAGNÓSTICOS NO TEP) 10.2.1 ANGIOTOMOGRAFIA DE TÓRAX Atualmente, a angiotomografia de tórax (a tomografia de tórax associada ao meio de contraste iodado na circulação pulmonar) é o método de escolha para o estudo da vasculatura pulmonar nos pacientes com suspeita de TEP. Também chamado de angioTC de tórax ou tomografia de tórax com protocolo TEP durante uma apneia, a angiotomografia de tórax é realizada com aquisição helicoidal após a injeção do meio contrastado com o auxílio de uma bomba injetora. Os detectores multislice têm aumentado a acurácia do exame. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 24 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 O exame permite a adequada avaliação da árvore arterial pulmonar até os níveis subsegmentares. No entanto, sua relevância clínica para o diagnóstico de TEP subsegmentar ainda é incerta. Importante: uma tomografia de tórax com contraste não realizada conforme protocolo TEP, mas feita por outros motivos, pode incidentalmente evidenciar a presença de um TEP. No entanto, não deve ser aceito como um exame adequado para a EXCLUSÃO de TEP suspeito. O exame também é chamado de angioTC ou tomografia de tórax protocolo TEP. Portanto, vale a pena decorar, já que as três nomenclaturas podem estar presentes em sua prova! A angioTC apresenta uma sensibilidade de 83% e uma especificidade de 96% no diagnóstico de TEP. Uma das grandes forças da angioTC é a possibilidade de fornecer diagnósticos alternativos ou adicionais, caso o paciente esteja frente a outras suspeitas clínicas, tais como pneumotórax ou dissecção aguda de aorta. Assim como a arteriografia, o exame também possibilita a avaliação direta dos trombos endoluminais (figura 19) em lugar das evidências indiretas demonstradas por outros métodos tradicionais, tais como a cintilografia ventilação/perfusão. De acordo com ESC 2019, estamos autorizados a excluir o diagnóstico de TEP (sem testes adicionais) se angiotomografia de tórax normal em paciente com probabilidade clínica intermediária ou baixa, ou TEP improvável (classe de recomendação I, nível de evidência A). Figura 19. Angiotomografia de tórax, cortes axiais, demonstrando hipocontrastação no interior da artéria pulmonar e seus ramos, em diferentes topografias. Acervo próprio. À CAVALEIRA LOBAR SEGMENTAR COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 25 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 Por ser um exame extremamente rico e completo em detalhes, a angiotomografia de tórax pode fornecer-nos valiosas pistas sobre outros achados, como descritos nas figuras 20 e 21, nas quais podemos observar um aumento do diâmetro no tronco da artéria pulmonar (figura 20) quando comparado ao diâmetro da aorta ascendente, ao passo que na figura 21 podemos observar um aumento da relação VD/VE. Quando maior que 0,9, segundo um paper publicado em 2004 na Circulation, tem relação com aumento da mortalidade nos pacientes portadores de TEP agudo. Figura 20. Relação entre o diâmetro da artéria pulmonar (AP) e o diâmetro da aorta ascendente (Ao). Se AP>Ao, temos um aumento do tronco da AP. Acervo próprio. Figura 21. Relação VD/VE: um importante marcador prognóstico no TEP. Acervo próprio. 10.2.2 CINTILOGRAFIA VENTILAÇÃO – PERFUSÃO A cintilografia pulmonar ventilação/perfusão, também denominada cintilografia V/Q, é um exame diagnóstico bem estabelecido para TEP suspeita. Aos moldes do que podemos observar na figura 22, o mapeamento perfusional é associado com um estudo ventilatório através da combinação de diversos radiotraçadores, sendo o mais utilizado a microalbumina agregada com tecnécio-99. O propósito da fase ventilatória é aumentar a especificidade, já que no TEP agudo o que se espera é que a fase ventilatória esteja normal nos segmentos hipoperfundidos, o que é chamado de mismatch. Veja novamente a figura 23 que trazuma representação esquemática simplista do que ocorre no TEP agudo, no entanto, é extremamente esclarecedora no entendimento da cintilografia V/Q. Figura 22. Cintilografia Ventilação/Perfusão (ou cintilo V/Q), demonstrando a fase ventilatória normal e fase perfusional com falhas de enchimento, gerando áreas de mismatch, ou seja, áreas ventiladas e não perfundidas. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 26 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 As grandes forças do exame são sua baixa dose de radiação, sobretudo em pacientes jovens, particularmente do sexo feminino, gestantes, pacientes com histórico de anafilaxia induzida pelo contraste e pacientes com insuficiência renal. Vale lembrar que, para fins de aumento da sensibilidade do exame, sobretudo da fase ventilatória, o paciente requer uma radiografia de tórax normal, já que caso manifeste alguma alteração, provavelmente a fase ventilatória apresentará algum comprometimento. Um outro motivo que dificulta a solicitação do exame é a indisponibilidade na maioria dos serviços. De acordo com o guideline da ESC, 2019, estamos legitimados a excluir o diagnóstico de TEP sem testes adicionais se a fase perfusional for considerada normal, com classe de recomendação I, nível de evidência A. 10.2.3 ARTERIOGRAFIA PULMONAR A arteriografia pulmonar por cateter (Figura 24) é uma técnica de ELEVADA RESOLUÇÃO ESPACIAL, considerada por muitos anos como o padrão-ouro e o exame de referência no diagnóstico de TEP, visto que possibilita excelente avaliação do sistema arterial pulmonar e o reconhecimento da falha de enchimento endoluminal e, assim, caracteriza a doença. Por esses motivos, a arteriografia foi utilizada por anos pela literatura especializada como um método consistente para validação clínica de diversos estudos. Todavia o procedimento é invasivo, estando associado a riscos de complicações cardiorrespiratórias e óbito, além de ser um exame caro e pouco disponível. Ademais, requer especialista habilitado para execução e interpretação adequada e, por esses motivos, é um exame que se reserva aos maiores centros acadêmicos. Cateter alocado na A. Pulmonar esquerda Falha de enchimento subsegmentar Figura 24. Arteriografia pulmonar evidenciando uma falha de enchimento subsegmentar. Observe o catéter localizado na artéria pulmonar esquerda. Adaptado, Shutterstock. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 27 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 Muito embora seja um procedimento bem tolerado em pacientes com instabilidade hemodinâmica, a mortalidade do procedimento é aproximadamente 2% (nos pacientes estáveis hemodinamicamente é menor que 1%). Morbidade ocorre em aproximadamente 5% dos pacientes e comumente é associada a complicações no local de inserção do cateter, arritmia, reações ao contraste ou insuficiência respiratória. A tabela 7 resume as vantagens, desvantagens e dados sobre radiação dos principais exames diagnósticos no TEP agudo. 10.2.4 ULTRASSONOGRAFIA DE MEMBROS INFERIORES COM MANOBRA DA COMPRESSIBILIDADE Como já vimos anteriormente, na maioria dos casos, o TEP é originado de TVP proximal de membros inferiores e, raramente, de TVP de membros superiores (mais comum quando o paciente é portador de acesso venoso de curta ou longa permanência). Estudos que utilizaram a venografia avaliaram a presença de TVP em 70% dos casos de TEP. Atualmente, o Ultrassom com a manobra da compressibilidade (figura 25) substitui a venografia para o diagnóstico de TVP com sensibilidade >90% e especificidade de aproximadamente 95% em pacientes com TVP proximal sintomática. Figura 25. Ultrassonografia no diagnóstico de trombose venosa profunda, com explicação sobre os princípios da manobra da compressibilidade (mais sensível no diagnóstico de TVP), em que a veia não comprime pela presença de um trombo intraluminal. Exames de imagem no Tromboembolismo Pulmonar (TEP) Agudo Exames / Características Vantagens / Forças Desvantagens / Limitações Radiação Angiotomografia pulmonar Disponível, excelente acurácia Exposição à radiação, constraste iodado Altas doses Baixa taxa de resultados inconclusivos (3-5%) Gestação, doença renal crônica Dose significativa irradiada em mamasPode fazer diagnóstico diferencial, na ausência de TEP A relevância da angioTC em TEP subsegmentar é incerta Cintilografia Ventilação / Perfusão Raras contraindicações Não prontamente disponível na maioria dos centros Doses menores quando comparada à angioTC Variabilidade interobservador Baixo custo Laudados como alta ou baixa probabilidade Inconclusivo em 50% dos casos, e não fornece diagnóstico diferencial, na ausência de TEP Arteriografia pulmonar Historicamente, considerado o exame “padrão-ouro“ no TEP Procedimento invasivo e não está prontamente disponível na maioria dos centros A maior dos 3 exames, aproximadamente 10x a dose da angioTC Tabela 7. Sumário das principais vantagens e desvantagens dos três principais exames confirmatórios de TEP agudo. A tabela também traz detalhes sobre a dose de radiação de cada exame. Adaptado, ESC 2019. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 28 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 De acordo com a ESC, 2019, o achado de TVP proximal em pacientes com suspeita de TEP é considerado suficiente para garantir o tratamento anticoagulante SEM TESTES ADICIONAIS. Devemos aceitar o diagnóstico de TEV (e TEP) se o USG com manobra da compressibilidade demonstrar TVP PROXIMAL em pacientes COM SUSPEITA CLÍNICA DE TEP (classe de recomendação I, nível de evidência A). Entretanto, caso o USG com manobra da compressibilidade mostre TVP distal, testes adicionais serão necessários para confirmar ou descartar TEP (classe de recomendação IIa, nível de evidência B). CAPÍTULO 11.0 INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA 11.1 TEP HEMODINAMICAMENTE ESTÁVEL Futuro Residente, a abordagem diagnóstica no TEP é um tema quente nas provas! Diversas abordagens diagnósticas têm sido propostas para pacientes estáveis hemodinamicamente, não gestantes e com suspeita de TEP, no entanto a ideia central de todas as propostas é MINIMIZAR e EVITAR o risco imposto pela solicitação de exames complementares indiscriminadamente, bem como os gastos excessivos. Aqui, traremos a abordagem proposta pelo guideline da ESC, 2019, bem como a classificação de risco em dois e em três níveis. No entanto, corroborado pelo guideline e pelo Uptodate (acesso em junho/2021), manteremos o foco na classificação em três níveis (probabilidade baixa, intermediária e alta). Fluxograma 1. Abordagem diagnóstica no TEP suspeito estável hemodinamicamente. Fluxograma proposto e adaptado do guideline da ESC, 2019. Probabilidade clínica de TEP TEP suspeito SEM instabilidade hemodinâmica Probabilidade baixa/ Intermediária OU Improvável Positivo Negativo AngioTC Não tratar Tratar como TEP Probabilidade alta OU Provável D-Dimero AngioTC Não TEP Não tratar OU investigar outras causas TEP Tratar como TEP Negativa TEP Mas, talvez um dos principais motivos de classificarmos e acessarmos a probabilidade pré-teste é instituirmos prontamente a terapia anticoagulante com probabilidade INTERMEDIÁRIA e ALTA, até que eles esperem o exame complementar mais adequado. O fluxograma 1, extraído e adaptado da ESC 2019, resume adequadamente a abordagem diagnóstica em pacientes estáveis. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 29 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 202411.1.1 PROBABILIDADE PRÉ-TESTE BAIXA Para pacientes com baixa probabilidade clínica (Wells 0-1), o Pulmonary Embolism Rule-out Criteria (PERC) deve ser utilizado para avaliar a necessidade ou não da coleta de d-dímero. Vale lembrar que a probabilidade de TEP nesse grupo é menor que 15%. SAIBA MAIS: PERC Pesquisar ativamente por TEP em todo paciente com queixa de dispneia e/ou dor torácica pode elevar os gastos nos serviços de saúde, bem como levar a complicações de testes sem necessidade ou sem indicação adequada. O PERC foi desenvolvido em 2004. Os critérios utilizados estão presentes na tabela 8 e são compostos por 8 perguntas. Conforme o artigo original publicado em 2008, caso o paciente responda NÃO para todas as perguntas do PERC, podemos seguramente excluir TEP em pacientes de baixo risco. Os pacientes que respondem “SIM“ para qualquer uma das perguntas do PERC devem ser submetidos à coleta do d-dímero e retornar ao fluxograma proposto. Dados interessantes a serem destacados no paciente de baixa probabilidade: 1. Qualquer metodologia do d-dímero negativo EXCLUI TEP. 2. Não é indicado o tratamento de urgência até que os exames adicionais sejam realizados, caso sejam indicados. 3. Se d-dímero positivo e angioTC negativa, TEP está excluído. 4. Se angioTC positiva, separar em duas populações distintas (PIOPED II, 2006): 4.1 – Se TEP em artéria pulmonar principal ou lobar, tratar como TEP. 4.2 – Se TEP em ramos segmentares e subsegmentares, investigação adicional. Veja que a grande sacada no paciente com probabilidade BAIXA é a realização de um exame SENSÍVEL para EXCLUIRMOS o diagnóstico de TEP. PERC Idade maior ou igual a 50 anos? Hemoptise? Cirurgia ou trauma com necessidade de IOT nas últimas 4 semanas? TEV prévios? Uso de estrógenos? FC maior ou igual a 100 bpm? Satalto - + + + Intermediário baixo - + Um (ou nenhum) positivo Baixo - - Avaliação opcional. Se fizer, negativo. Legenda: PESI: Pulmonary Embolism Index; ex: sPESI: simpliflied Pulmonary Embolism Severity IndVD: Ventrículo Direito; BNP: Brain Natriuretic Peptide; a: A combinação de instabilidade hemodinâmica + disfunção de VD e/ou angioTC já classifica o paciente como alto risco. Tabela 9. Estratificação de Risco (mortalidade cardiovascular precoce) no TEP agudo. Adaptado, ESC, 2019. PESI (Pulmonary Embolism Severity Index) Parâmetros Versão original Versão simplificada Idade + idade do paciente 1 ponto (se > 80 anos) Sexo masculino + 10 pontos - Câncer + 30 pontos 1 ponto Insuficiência cardíaca crônica + 10 pontos 1 ponto Doença pulmonar crônica + 10 pontos Frequência cardíaca ≥ 110 b.p.m. + 20 pontos 1 ponto Pressão arterial sistólica 30 i.r.p.m. + 20 pontos - Temperatura 125 pontos Tabela 10. Pulmonary Embolism Severity Index (PESI). Adaptado, ESC, 2019. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 33 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 12.1 ALTO RISCO Pacientes categorizados como de alto risco são os hemodinamicamente instáveis. Revise os critérios de instabilidade hemodinâmica e veja a heterogeneidade dentro do próprio grupo! Uma variável comum a todos eles é que são bons candidatos à terapia trombolítica, na ausência de contraindicação. Observe, em nossa tabela, que pacientes de ALTO RISCO são os pacientes instáveis hemodinamicamente e com disfunção ventricular direita ao ecocardiograma ou à angiotomografia. 12.2 INTERMEDIÁRIO RISCO É o grupo mais heterogêneo e, por isso, de diagnóstico mais desafiador! 12.2.1 INTERMEDIÁRIO-ALTO RISCO Disfunção de VD E biomarcadores positivos. 12.2.2 INTERMEDIÁRIO-BAIXO RISCO Disfunção de VD OU biomarcadores positivos, ou nenhum positivo, apenas com sPESI maior ou igual a 1. Atenção: paciente com sPESI maior ou igual a 1 é, pelo menos, risco intermediário-baixo. 12.3 BAIXO RISCO Os pacientes de baixo risco são aqueles que apresentam sPESI = 0. Uma novidade importante no guideline da ESC de 2019 é que a avaliação da disfunção ventricular direita por métodos de imagem ou biomarcadores laboratoriais deve ser considerada, mesmo na presença de PESI baixo ou sPESI negativo. Relembro a você que tal variável não é contemplada no PESI. COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 34 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 VOCÊ SABIA? Atualmente, com o advento dos novos anticoagulantes orais diretos (NOACs), o TEP pode ser integralmente tratado em caráter domiciliar! Em 2011, foram publicados os critérios de Hestia e, após validação, estão liberados para serem utilizados no dia a dia. Na prática clínica, devem ser aplicados para pacientes de BAIXO RISCO, para fins de avaliação da ELEGIBILIDADE DO TRATAMENTO DOMICILIAR. Caso o paciente pontue nos critérios de Hestia presentes na tabela 11, a internação hospitalar está indicada. CAPÍTULO 13.0 TRATAMENTO Estrategista, que sou fã de tabelas e fluxogramas, está claro! Mas, se pudesse escolher uma imagem para você decorar o tratamento do TEP, seria o fluxograma 3! Mostrarei para você o motivo. O paciente foi admitido em seu plantão e, seguindo os fluxogramas corretos, você diagnosticou TEP! Primeira conduta? ANTICOAGULAÇÃO. Se a instabilidade hemodinâmica estiver presente e a disfunção ventricular direita for compatível e atribuível ao TEP já confirmado, tratar como TEP de alto risco (braço da esquerda do fluxograma). Caso seu paciente não apresente instabilidade hemodinâmica, você pode estar frente a dois riscos distintos: INTERMEDIÁRIO OU BAIXO. Como saber? sPESI + avaliação da função ventricular direita. Anticoagulação Se TROPONINA + e DISFUNÇÃO DE VD (risco intermediário / alto), considerar terapia de reperfusão, se deterioração clínica Paciente com TEP CONFIRMADO Instabilidade hemodinâmica? NãoSim (alto risco) Critérios de Hestia Internação hospitalar Alta precoce, tratamento domiciliar Sinais clínicos de gravidade do TEP (PESI/sPESI), comorbidade grave e/ou disfunção de VD ao eco? • Sem outro motivo para hospitalização? • Fácil acesso a cuidados médicos? • Suporte familiar adequado? Sim (risco intermediário) Não (baixo risco) Não em uma ou mais perguntas Sim para todos Terapia de Reperfusão / Suporte Hemodinâmico Fluxograma 3. Intersecção da estratificação de risco, setor de internação e terapias a serem instituídas a depender do risco do paciente. Adaptado, ESC, 2019. Critérios de Hestia Instabilidade hemodinâmica Necessidade de trombólise ou embolectomia > 24 horas com necessidade de suplementação de O2 para manter sat. >90% Sangramento ativo ou alto risco de sangramento TEP diagnosticado na vigência de anticoagulação Dor importante, com necessidade de medicação EV nas últimas 24 horas Outras causas para internação (clínica ou social) Clearance de creatinina 0 pontos: Não baixo risco. Tabela 11. Critérios de Hestia. Adaptado, J Thromb Haemost. 2011 COPIA NÃO É ROUBO Resimed - Residência Médica resimed@proton.me (12)992338463 https://t.me/resimed Estratégia MED 35 PNEUMOLOGIA Tromboembolismo Pulmonar Prof. Ricardo Siufi | Resumo Estratégico | 2024 Se o paciente é sPESI 0 sem disfunção ventricular direita, encaixa-se no paciente de BAIXO RISCO. O próximo passo é avaliar a elegibilidade do tratamento ambulatorial pelos CRITÉRIOS DE HESTIA. Se for não para TODOS, alta precoce e o tratamento ambulatorial está indicado com NOACs. 13.1 MANEJO GERAL O tratamento na fase aguda envolve o suporte ventilatório e hemodinâmico, além da condução do paciente crítico como um todo. Detalhes sobre o manejo da Insuficiência cardíaca aguda serão abordados pela disciplina de Cardiologia. 13.2 ANTICOAGULAÇÃO A anticoagulação é o PILAR no tratamento do TEP, sobretudo dos pacientes com RISCO intermediário e baixo. Observe que deixei a palavra RISCO em maiúsculo. É o PILAR do tratamento para pacientes de baixo e intermediário risco, mas não deve ser postergada em pacientes com PROBABILIDADE intermediária e alta, devendo ser administrada a primeira dose, preferencialmente, de Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) enquanto o paciente aguarda a realização dos exames complementares (d-dímero OU angioTC). Em TODOS os pacientes candidatos, a decisão de anticoagular deve ser individualizada e os benefícios da anticoagulação devem ser colocados na balança quando comparado ao risco de sangramento. A literatura não tem grandes escores validados sobre o risco de sangramento no paciente com TEV que deve ser anticoagulado, entretanto, a maior parte dos serviços concorda que um risco de sangramento em três meses menor que 2% (baixo risco) deve ser anticoagulado e aqueles pacientes com risco de sangramento maior que 13% (alto risco) não deve ser anticoagulado. Para pacientes com risco entre 2% e 13%, a literatura é controversa e deve ser levado em conta o risco x benefício de acordo com os valores e preferências do paciente, valendo a decisão compartilhada. O início da anticoagulação está