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FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS Pedro Octavio Barbanera; Mateus Dias Antunes. Fisiopatologia nas Disfunções Cardiológicas e Angiológicas BARBANERA, Pedro Octavio; ANTUNES, Mateus Dias. Fisiopatologia nas Disfunções Cardiológicas e Angiológicas ISBN: 978-65-5487-272-0 I. Sistema cardiovascular / II. Angiologia / III. Fisiologia. © Ser Educacional 2021 Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro Recife-PE – CEP 50100-160 *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Imagens de ícones/capa: © Shutterstock Presidente do Conselho de Administração Diretor-presidente Diretoria Executiva de Ensino Diretoria Executiva de Serviços Corporativos Diretoria de Ensino a Distância Autoria Projeto Gráfico e Capa Janguiê Diniz Jânyo Diniz Adriano Azevedo Joaldo Diniz Enzo Moreira Pedro Octavio Barbanera Mateus Dias Antunes DP Content DADOS DO FORNECEDOR Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão. SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 2 13/05/2021 10:43:00 Boxes ASSISTA Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple- mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado. CITANDO Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo abordado. CONTEXTUALIZANDO Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstra-se a situação histórica do assunto. CURIOSIDADE Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado. DICA Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado. EXEMPLIFICANDO Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto. EXPLICANDO Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada. SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 3 13/05/2021 10:43:00 Unidade 1 - Anatomia e fisiologia do sistema cardiovascular Objetivos da unidade ........................................................................................................... 13 Anatomia do sistema cardiovascular ............................................................................... 14 Sangue .............................................................................................................................. 15 Circulação pulmonar e sistêmica ................................................................................. 17 Coração ............................................................................................................................. 19 Vascularização ................................................................................................................. 25 Vasos sanguíneos ............................................................................................................ 25 Sistema arterial ................................................................................................................ 26 Sistema venoso ................................................................................................................ 27 Fisiologia do sistema cardiovascular .............................................................................. 28 Fisiologia do órgão coração .......................................................................................... 29 Sistema de condução elétrica do coração ................................................................. 31 Fases do ciclo cardíaco ................................................................................................. 32 Fatores relevantes do eletrocardiograma ................................................................... 35 Sintetizando ........................................................................................................................... 38 Referências bibliográficas ................................................................................................. 39 Sumário SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 4 13/05/2021 10:43:00 Sumário Unidade 2 - A fisiopatologia do coração e a dor Objetivos da unidade ........................................................................................................... 41 Angina instável ..................................................................................................................... 42 Síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis ........................................................... 42 Conceitos sobre angina .................................................................................................. 44 Parâmetros bioquímicos ................................................................................................ 47 Tratamentos de pacientes com SIMI ........................................................................... 50 Dor torácica ........................................................................................................................... 54 Doenças arteriais coronarianas .................................................................................. 55 Abordando o paciente .................................................................................................... 57 Classificação clínica ....................................................................................................... 59 Isquemia silenciosa ........................................................................................................ 60 Cardiomiopatia isquêmica ............................................................................................. 61 Sintetizando ........................................................................................................................... 64 Referências bibliográficas ................................................................................................. 65 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 5 13/05/2021 10:43:00 Sumário Unidade 3 - Doenças vasculares Objetivos da unidade ........................................................................................................... 67 Doenças arteriais agudas e crônicas .............................................................................. 68 Aneurisma ......................................................................................................................... 68 Doença arterial periférica .............................................................................................. 73 Doenças venosas agudas e crônicas ............................................................................... 77 Varizes de membros inferiores ...................................................................................... 78 Trombose venosa profunda ........................................................................................... 82 Outras doenças vasculares ................................................................................................ 87 Úlceras por pressão ........................................................................................................ 87 Linfedema ......................................................................................................................... 90 Erisipela ............................................................................................................................. 91 Doença vascular diabética ............................................................................................ 93 Sintetizando ...........................................................................................................................anterior) em sua extremidade esquerda e em sua extremidade direita recebe a veia cardíaca média (sulco interventricular posterior) e a veia cardíaca parva (SERRANO, 2010; MOORE, 2014). CURIOSIDADE Ao entrar nos pulmões, os pequenos ramos do sistema circulatório se dividem e subdividem até formarem capilares que se alocam em torno de alvéolos nos pulmões. O gás carbônico passa do sangue para os al- véolos, onde é exalado. O oxigênio do ar atmosférico passa, no interior dos pulmões, para o sangue. Esse mecanismo é denominado hematose (SERRANO, 2010). Fisiologia do sistema cardiovascular É fascinante como os componentes do sistema cardiovascular interagem entre si e com os demais sistemas do corpo humano, principalmente ao enfa- Fonte: BARBANERA, 2019, p. 37. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 28 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 28 13/05/2021 10:43:27 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 28 Fisiologia do órgão coração O coração é constituído, basicamente pelo músculo atrial, músculo ventri- cular e fi bras musculares condutoras e excitatórias especializadas (NETTER, 2000). Essas musculaturas apresentam características ímpares que diferem das demais encontradas no corpo humano. Por exemplo, os músculos do tipo atrial e ventricular se contraem da mesma maneira que o músculo esquelético, contudo, se a duração da contração é muito maior, esses músculos podem al- terá-la (SERRANO, 2010; RAFF; LEVITZKY, 2012). Contrapondo a eles, as fi bras condutoras e excitatórias especializadas possuem contração fraca, visto que são compostas de poucas fi brilas con- trateis (GUYTON; HALL, 2011). Consequentemente, elas apresentam ritmi- cidade e velocidade variáveis de condução, proporcionando um sistema excitatório para o coração e um sistema de transmissão para a condução controlada do sinal excitatório cardíaco por todo o coração (GUYTON; HALL, 2011; SILVERTHORN, 2017). Anatomicamente, o coração é divido em “esquerda” e “direita” pela es- trutura denominada septo. Sabemos que o septo é fundamental para evitar trocas de fl uídos entres os dois lados. No entanto, embora haja a divisão, tizar o coração como objeto central deste tópico. Há séculos o coração é estu- dado e provoca questionamentos sobre sua função e peculiaridades, pois esse potente músculo é capaz de bombear 7.200 litros de sangue por dia e, além disso, muitas tribos já relataram que em rituais de sacrifício humano, o coração ainda continua pulsando. É fácil realizar comparativos entre o órgão coração e uma bomba mecâ- nica, em que através de tubos conectados transportam nutrientes (carboidratos, lipídeos, proteínas, sais e minerais) e carregam re- síduos metabólicos para serem eliminados (gás carbô- nico). Dessa forma, a discussão da interação desses sistemas de tubos e o coração é de muita valia, principalmente para detectar e adequar o traba- lho quando há uma alteração funcional advinda de patologia, por exemplo. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 29 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 29 13/05/2021 10:43:27 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 29 Figura 5. Esquema do fluxo sanguíneo passando pelas câmaras do interior do coração e as principais veias e artérias que transportam o sangue para a circulação pulmonar e sistêmica. Fonte: GUYTON; HALL, 2011, p. 107. tanto o lado esquerdo quanto o direito funcionam como uma bomba inde- pendente que consiste em um átrio e um ventrículo responsáveis por atender a demanda do organismo, conforme ilustrado pela Figura 5 (GUYTON; HALL, 2011; BARBANERA, 2019). Note que o lado direito do coração recebe sangue a partir dos tecidos e ór- gãos (músculos estriados esqueléticos, rim, olhos, entre outros) e envia para os pulmões, onde será oxigenado, ou seja, o lado direito recebe o sangue venoso (sangue rico em gás CO2). Contudo, o lado esquerdo do coração recebe o san- gue recém-oxigenado dos pulmões e bombeia para os tecidos de todo o corpo, ou seja, o lado esquerdo bombeia o sangue arterial (sangue rico em gás O2) (SERRANO, 2010; GUYTON; HALL, 2011). Tronco e extremidade inferior Cabeça e extremidade superior Veia cava superior Valva pulmonar Valva tricúspide Ventrículo direito Veia cava inferior Ventrículo esquerdo Valva mitral Átrio esquerdo Veia pulmonar Aorta Valva aórtica Átrio direito Artéria pulmonar Pulmões FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 30 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 30 13/05/2021 10:43:28 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 30 Sistema de condução elétrica do coração Defi ne-se ciclo cardíaco como processo de contração-relaxamento da musculatura cardíaca, ou seja, é um conjunto de eventos entre o início de um batimento até o próximo (MOORE, 2014; SILVERTHORN, 2017). Cada ciclo é iniciado pela geração espontânea de um potencial de ação no nodo sinusal (SA), ou sinoatrial, cuja localização é na parede superior lateral do átrio direito (Figura 6). Esse potencial de ação passa por ambos os átrios até os ventrícu- los, porém a velocidade que o potencial de ação percorre é diferente entre átrios e ventrículos (Figura 7). As células do nó SA determinam o ritmo dos batimentos cardíacos. Além dessas, existem outras células do sistema de condução, como as do nó átrio ventricular (AV) e as fi bras de Purkinje (BARBANERA, 2019). EXPLICANDO A frequência cardíaca pode ajustar ao um novo marca-passo caso o nó SA esteja danifi cado. Entenda que o nó SA é o marca-passo mais rápi- do e normalmente determina a frequência cardíaca. Todavia, em casos especiais, um dos marca-passos mais lentos do coração assume o ritmo (SILVERTHORN, 2017). Figura 6. Condução elétrica das células do miocárdio. As células autoexcitáveis disparam potenciais de ação espontane- amente. As despolarizações das células autoexcitáveis propagam-se rapidamente para as células contráteis vizinhas através das junções comunicantes. Fonte: SILVERTHORN, 2017, p. 455. Céluas do nó SA Potenciais de ação das células autoexcitáveis Potenciais de ação das células contráteis Disco intercalar com junções comunicantes Células contráteis Corrente elétrica FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 31 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 31 13/05/2021 10:43:28 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 31 Figura 7. Transmissão do impulso cardíaco pelo coração, mostrando o tempo de aparecimento (frações de segundo) do impulso em diferentes partes do coração, partindo como origem do impulso cardíaco no nodo sinusal. Fonte: GUYTON; HALL, 2011, p. 144. (Adaptado). Observe que, na Figura 7, o impulso elétrico é difundido em di- ferentes velocidades pelos átrios, contudo, é atrasado proposital- mente em mais de 0,1 na região do nodo A-V, antes de aparecer no feixe A-V do septo ventricular. As fi bras de Purkinje se difundem por toda superfície endo- cárdica dos ventrículos com os impulsos nervo- sos transmitidos pelo feixe A-V (DOUGLAS, 2009; SERRANO, 2010). Fases do ciclo cardíaco As ações são sincronizadas entre as duas bombas atrioventriculares (AV) cardíacas (câmaras direita e esquerda) que constituem o ciclo cardíaco (Figura 0,00 0,05 0,06 0,09 0,07 0,16 0,19 0,03 0,03 0,04 A-V S-A 0,07 0,07 0,19 0,21 0,20 0,21 0,22 0,18 0,18 0,17 0,17 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 32 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 32 13/05/2021 10:43:29 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 32 8). A sincronia entre elas é de suma importância para a compreensão do ciclo que ocorre inúmeras vezes, ou seja, é uma sequência de eventos que ocorre repetida vezes (SERRANO, 2010). Essa sequência de eventos (ciclo) é iniciada com um período de alongamento e enchimento ventricular (diástole) e fina- lizada com um período de encurtamento e esvaziamento ventricular (sístole) (GUYTON; HALL, 2011;RAFF; LEVITZKY, 2012). Distinguem-se duas fases do ciclo cardíaco, conforme Guyton e Hall (2011). A primeira fase (diástole) consiste no período de relaxamento, durante o qual o coração se enche de sangue. Já a segunda fase (sístole) consiste no período de contração, no qual o sangue é ejetado dos ventrículos (SILVERTHORN, 2017; BARBANERA, 2019). Figura 8. Fases do ciclo cardíaco complementadas através de alterações da pressão atrial esquerda, pressão ven- tricular esquerda, pressão aórtica, volume ventricular, o eletrocardiograma e o fonocardiograma. Fonte: GUYTON; HALL, 2011, p. 133. Vo lu m e (m L) Pr es sã o (m m Hg ) Contração isovolumétrica Relaxamento isovolumétrico Fechamento da valva aórtica Pressão na aorta Pressão ventricular Volume ventricular Eletrocardiograma Fonocardiograma T S R Q P a c v 2º 3º1º 50 90 130 0 20 40 60 80 100 120 SístoleSístole Diástole Pressão atrial Sístole atrial Diástase Afluxo rápido Abertura da valva aórtica Fechamento da valva A-V Abertura da valva A-V Ejeção FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 33 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 33 13/05/2021 10:43:29 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 33 Observe que a Figura 8 apresenta o ciclo cardíaco através de diferentes pontos de observação. O eletrocardiograma é identificado pelas ondas P, Q, R, S e T. Tais identificações são possíveis pelas voltagens elétricas originadas pelo coração, a partir da superfície corporal (SERRANO, 2010; RAFF; LEVITZKY, 2012). Existem também as ondas de pressão atrial, que são identificadas pelas letras a, c e v (três elevações principais da pressão). Constata-se, então, que a contração atrial causa enchimento adicional dos ventrículos da ordem de 25%, isto é, o sangue flui aproximadamente 75% dire- tamente através dos átrios para os ventrículos antes mesmo que os átrios se contraiam. Tal fato indica que o átrio funciona como bomba adicional ao ventrí- culo (GUYTON; HALL, 2011; RAFF; LEVITZKY, 2012). Assim, o bombeamento ventricular se inicia a partir do enchimento do ventrí- culo esquerdo, ou seja, elevação da curva do volume ventricular durante 1/3 da diástole. Por fim, em seu último terço, os átrios se contraem e o sangue sai des- sa câmara em direção aos ventrículos e, consequentemente, aumenta o volume dos ventrículos, promovendo contração isovolumétrica (isometria). Ao final da sístole, o ventrículo relaxa e as elevadas pressões nas grandes artérias disten- didas fazem o sangue refluir para os ventrículos, forçando as válvulas aórtica e pulmonar a se fecharem (GUYTON; HALL, 2011; RAFF; LEVITZKY, 2012). ASSISTA Para que seja possível compreender um pouco mais sobre como ocorre o ciclo cardíaco e entender também suas duas fases, veja o vídeo “Fisiologia cardíaca ciclo car- díaco – sístole e diástole” que ilustra bem esse evento e também traz um pouco da sua definição. Para compreender se o bombeamento do coração “funciona”, existe um meio de mensurar. Esse método é chamado de débito cardíaco (DC), em que o volume sanguíneo é ejetado pelo ventrículo esquerdo (volume sistólico) em um determinado período de tempo (frequência cardíaca). Para exemplificar, ado- tam-se os valores médios da frequência cardíaca em repouso de 72 batimentos por minuto, e do volume sistólico de 70 mL por batimento. O resultado será expresso pela multiplicação desses dois valores, ou seja, DC será igual a 5040 mL/min (DOUGLAS, 2009; BARBANERA, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 34 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 34 13/05/2021 10:43:29 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 34 Fatores relevantes do eletrocardiograma O ECG, como é conhecido o exame eletrocardiograma, é capaz de gerar um gráfi co a partir da análise coletada da atividade cardíaca do paciente (a Figura 9 apresenta o ECG padrão), indicando se está dentro da normalidade ou se há alterações nos músculos e nervos do coração. Esse exame é solicitado para check-up, uma vez que é capaz de detectar algumas patologias silenciosas, como algumas arritmias leves, sopros cardíacos e algumas situações de princí- pio de infarto do miocárdio (SERRANO, 2010; GUYTON; HALL, 2011). Figura 9. Correlação entre um ECG normal (Ausente de alterações cardíacas) e os eventos elétricos do coração. A fi gura mostra a correlação entre os eventos elétricos de um ECG e as regiões do coração despolarizadas (em roxo) e repolarizadas (em cor de laranja). Fonte: SILVERTHORN, 2017, p. 461. (Adaptado). Eventos elétricos do ciclo cardíaco Início Repolarização ventricular Repolarização atrial Contração dos átrios Contração dos átrios Onda P: despolarização atrial Segmento P-Q ou P-R: condução através do nó AV e do fascículo AV Onda Q Onda R Segmento S-T Onda T; Repolarização ventricular Final Onda S P P P R R R R R P P P P P Q Q Q S S S S T T Q Q Q Q FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 35 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 35 13/05/2021 10:43:30 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 35 Conforme pode ser visto, o ECG apresenta dois componentes: as ondas e os segmentos. As on- das são os traçados que sobem e descem, to- mando como referência a linha de base. As partes da linha de base entre duas ondas são chamadas de segmentos. É importante observar que as ondas do ECG são indicadas por letras, sendo correlacionadas aos impulsos nervosos. Assim, notamos três ondas que podem ser identificadas a partir de um registro eletrocardiográfico normal. A primeira onda, denomina- da P, corresponde à despolarização atrial. O próximo passo é conhecido como o complexo de ondas formado por QRS, representando a onda progressiva da despolarização ventricular. Por fim, a onda final T identifica a repolarização dos ventrículos. Com isso, devemos perceber que ela não é representada por uma onda especial, mas está incorporada no complexo QRS. Pode-se citar ainda que o ECG propõe desafios, no sentido de identificar al- terações sutis na forma, na cronometragem ou na duração de várias ondas ou segmentos, ou seja, através de observação registrada é possível extrair inúme- ras conclusões sobre o funcionamento do coração e, ocasionalmente, apontar indicativos de patologias clínicas (SERRANO, 2010). Para tanto, devemos considerar que a realização do exame só acontece através de um aparelho chamado de eletrocardiógrafo, que capta a ativi- dade elétrica por meio da pele do paciente, gerando imagens lineares em ondas, que demonstram um padrão, ou seja, representam um significado que é interpretado por profissionais da saúde (BARBANERA, 2019). Sendo assim, o ECG é realizado de três maneiras diferentes, ou seja, a metodolo- gia que cada um traz é diferente, apesar de apresentarem dois pontos em comum, que são: • As indicações, pois o paciente não deve fumar nos últimos 30 minutos, nem praticar atividades físicas nos últimos 10 minutos que antecedem o exame; • A aplicação de um gel condutor para facilitar a captação dos estímulos em todos os tipos; Assim, através do Quadro 3, podemos identificar as metodologias de ECG e as principais características de cada um dos métodos. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 36 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 36 13/05/2021 10:43:30 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 36 Fonte: BARBANERA, 2019, p. 39. QUADRO 3. METODOLOGIAS DO EXAME ELETROCARDIOGRAMA Veias Principais Principais características ECG padrão - ECG de repouso ou de superfície O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. ECG de esforço - Teste ergométrico O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente,não passando de 20 minutos. Monitorização de ECG ambulatorial- Holter Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. ECG padrão - ECG de repouso ECG padrão - ECG de repouso ou de superfície ECG padrão - ECG de repouso ou de superfície ECG padrão - ECG de repouso ou de superfície ECG de esforço - Teste ECG padrão - ECG de repouso ou de superfície ECG de esforço - Teste ergométrico ECG padrão - ECG de repouso ou de superfície ECG de esforço - Teste ergométrico ECG padrão - ECG de repouso ECG de esforço - Teste ergométrico Monitorização de ECG ambulatorial- Holter ECG padrão - ECG de repouso ECG de esforço - Teste ergométrico Monitorização de ECG ambulatorial- Holter ECG padrão - ECG de repouso ECG de esforço - Teste Monitorização de ECG ambulatorial- Holter O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- ECG de esforço - Teste Monitorização de ECG ambulatorial- Holter O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- Monitorização de ECG ambulatorial- Holter O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. Monitorização de ECG ambulatorial- Holter O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente Monitorização de ECG ambulatorial- Holter O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- tos, braços e pernas. Tem duração de 5 minutos. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente deita-se em uma maca, com o peito nu. Os eletro- dos são conectados em partes específi cas do corpo, como pei- O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- ta gradativamente, não passando de 20 minutos. Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. dos são conectadosem partes específi cas do corpo, como pei- O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. O paciente executa algum tipo de exercício físico, geralmente em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas atividades diárias e seus sintomas ou experiências. em esteira ou na bicicleta. O incremento começa leve e aumen- Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas Durante as 24 horas de exame, o paciente toma nota de suas DICA Todas essas metodologias exigem quesitos do paciente, como alimenta- ção, evitar o tabagismo, roupas adequadas e, em alguns casos, depilar ou raspar os pelos para maior adesão de eletrodos no local. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 37 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 37 13/05/2021 10:43:31 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 37 Sintetizando É relevante o poder de observação e compreensão ao ver as partes que compõem o sistema cardiovascular, pois elas são responsáveis por bombear, conduzir, nutrir as demais células do organismo através do sangue. Faz-se interessante ressaltar o órgão coração em virtude de sua compo- sição e funcionalidade no sistema cardiovascular. Devido a presença de suas quatro câmaras que são alinhadas para recepcionar e ejetar o sangue para o corpo. Observa-se no decorrer da leitura que as câmaras do lado direito e esquerdo não se comunicam, porque recebem o sangue advindo da circulação sistêmica e pulmonar. O sangue presente nesses sistemas é diferente: quando advindo do pulmão, ele é rico de gás oxigênio; agora quando advindo da circu- lação sistêmica, ele é rico principalmente em gás carbônico. Essas característi- cas devem ser mantidas separadas, pois assim evita que o sangue venoso (que retorna ao coração e necessita ir para a circulação pulmonar) retorne à circu- lação sistêmica, carregando os resíduos metabólicos e pobres em nutrientes. Essa separação entre as câmaras é fundamental para o bom funcionamen- to do organismo como um todo, visto que os estímulos elétricos cardíacos con- duzem o batimento do coração em um ritmo peculiar, permitindo que as câma- ras se contraiam de forma sincronizadas. A contração cardíaca é fundamental para a recepção e ejeção do sangue para a circulação corpórea. Pudemos descobrir ainda que o sangue é um líquido corporal com nutrien- tes, água, gases e células vitais para o funcionamento do corpo humano. Ele flui pelo corpo através de artérias e veias de diferentes calibres, nutrindo as células e absorvendo resíduos metabólicos produzidos pela respiração celular. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 38 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 38 13/05/2021 10:43:31 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 38 Referências bibliográficas BARBANERA, P. O. Anatomia e fisiologia cardiovascular e respiratória. Lon- drina: Editora e Distribuidora Educacional, 2019. DOUGLAS, C. R. Tratado de fisiologia aplicada as ciências médicas. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. FISIOLOGIA cardíaca ciclo cardíaco | sístole e diástole. Postado por MedTV. (6min. 04s). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 01 mar. 2021. GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. 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FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 39 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 39 13/05/2021 10:43:31 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 39 A FISIOPATOLOGIA DO CORAÇÃO E A DOR 2 UNIDADE SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 40 13/05/2021 11:14:32 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Compreender a dor no que diz respeito à fisiologia do coração; Identificar as possíveis causas que promovem a dor no coração; Relacionar angina como indicativo de patologias mais complexas que envolvam o coração; Identificar a dor torácica e as possíveis alterações patológicas no sistema cardiovascular. Angina instável Síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis Conceitos sobre angina Parâmetros bioquímicos Tratamentos de pacientes com SIMI Dor torácica Doenças arteriais coronarianas Abordando o paciente Classificação clínica Isquemia silenciosa Cardiomiopatia isquêmica FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 41 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 41 13/05/2021 11:14:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 41 Angina instável A literatura especializada aponta motivações sufi cientes para melhor compreensão sobre a angina instá- vel (AI), visto que os números de in- ternações hospitalares indicam que esta seja a causa cardiovascular mais comum para internação hospitalar. Além disso, em unidades de tratamen- tos coronarianos, os casos de angina instável encontram-se como a maioria dos casos relatados (CARVALHO et al., 2020). Utilizam-se marcadores bioquímicos para a identifi cação de dano miocár- dico, o que pode confi gurar o quadro de infarto agudo do miocárdio (IAM) sem supradesnível do segmento ST durante a apresentação de AI (CARVALHO et al., 2020). Neste estudo, tanto a AI como o IAM serão objetos de estudo da unidade devido aos elementos que compõem as síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis (SIMI) sem supradesnível do segmento ST. O conteúdo apresentará detalhes exemplifi cadores e apontará as conse- quências do quadro SIMI em pacientes. Além disso, abordaremos as estraté- gias terapêuticas recomendadas para as SIMI sem supradesnível de ST, bem como as defi nições das recomendações e os níveis de evidência (trataremos apenas o consenso entre as diretrizes nacionais e internacionais). Síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis As síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis (SIMI) sem supradesnivela- mento do segmento ST compreendem angina instável (AI) e infarto agudo do miocárdio sem supradesnível de ST (IAMSSST). Nesse contexto, há bastante semelhança entre AI e IAM, mas não podemos trabalhar com ambos de forma uniforme, porque os achados clínicos e a patogênese têm graus distintos de gra- vidade (DOUGLAS, 2006; SILVERTHORN, 2017; CARVALHO et al., 2020). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 42 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 42 13/05/2021 11:14:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 42 Em uma hipótese, podemos considerar que se a isquemia estiver acentuada o suficiente para causar lesão miocárdica, com liberação de quantidades detec- táveis de marcadores de lesão miocárdica, o diagnóstico de IAM está estabele- cido (DOUGLAS, 2006). Ressalte-se que os biomarcadores, de forma geral, são detectados horas após o início dos sintomas; dessa forma, a AI e o IAMSSST po- dem ser indistinguíveis na admissão hospitalar (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Para um diagnóstico seguro, recomenda-se o uso de algumas técnicas de imagens para extrair informações seguras e, assim, ofertar um diagnósti- co mais preciso.Entretanto, a técnica de eletrocardiografia não é sensível e tampouco específica o suficiente para apontar diferenciação confiável entre infarto transmural ou subendocárdico, pois pacientes com infartos transmu- rais podem não desenvolver ondas Q, podendo ser observadas em pacientes com achado de autópsia de infarto subendocárdico (não transmural) (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Entretanto, a categorização de pacientes em grupos com ondas Q e sem ondas Q baseada no ECG é útil, porque os IAM com ondas Q são em geral associados com maior dano miocárdico, maior ten- dência para expansão e remodelamento do infarto e, consequen- temente, maior mortalidade. Onda Q no ECG significa atividade elé- trica anormal, mas não é sinônimo de dano miocárdico irreversível. Por outro lado, a ausência de onda Q pode simplesmente refletir a falta de sensibilidade do ECG convencional de 12 derivações, es- pecialmente na zona posterior do ventrículo esquerdo. Em casos de IAM subendocárdicos confirmados à necrópsia, são observadas depressões do segmento ST e/ou alterações na onda T em apenas 50% das vezes. No IAM sem elevação do segmento ST observa-se maior incidência de obstrução sub-total do vaso coronário culpa- do, e de maior fluxo colateral para a zona infartada. Além disso, os pacientes são, na média, mais idosos, e apresentam maior pre- valência de IAM prévio. Alterações no segmento ST e na onda T não são específicos e podem ocorrer numa série de condições que incluem: angina estável e instável, hipertrofia ventricular, pericar- dite aguda e crônica, miocardite, repolarização precoce, alteração FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 43 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 43 13/05/2021 11:14:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 43 eletrolítica, choque, desordem metabólica e efeito digitálico. O ECG seriado pode ter um considerável valor na diferenciação (Socieda- de Brasileira de Cardiologia, 2007). As SIMIS, ocasionam trombose coronária não oclusiva, em aproximada- mente dois terços dos casos, como resultado da ruptura de uma placa ate- rosclerótica. No terço restante dos casos, ocorre erosão da placa (CARVALHO et al., 2020). Em cerca de 70% dos pacientes há necrose miocárdica diagnosticada por elevação sanguínea nos níveis de marcadores bioquímicas, como creatinoqui- nase MB (CK-MB), troponina (TnT) T ou troponina I (Tnl) (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Os demais pacientes (30%) são portadores de angina instável (AI) (CARVALHO et al., 2020). Conforme recomendações, defi nições de patologias são adaptadas e atualizadas para o contexto atual. Assim, na defi nição mais recente sobre o assunto, o termo “infarto agudo do miocárdio (IAM)” deve ser utilizado quando houver evidência de necrose miocárdica com elevação de marcado- res de necrose miocárdica (principalmente troponina - acima de 99% do li- mite máximo de referência) acompanhado de, pelo menos, um dos parâme- tros: sintomas sugestivos de isquemia; desenvolvimento de novas ondas Q no ECG; novas, ou presumivelmente novas, alterações signifi cativas do segmento ST da onda T; evidência, em exame de imagem, de perda de miocárdio viá- vel ou de nova alteração segmentar de contra- tilidade ventricular; identifi cação de trombo intracoronariano por angiografi a ou necropsia (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Conceitos sobre angina Isquemia miocárdica é a referência adotada ao quadro de dores no pei- to, ou seja, angina pectoris é o desconforto (dor) no peito devido à funciona- lidade deficitária do órgão coração. De acordo com a ciência médica, geral- mente se manifesta em portadores de doença arterial coronariana (DAC) com lesão obstrutiva em, pelo menos, uma artéria epicárdica (DOUGLAS, FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 44 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 44 13/05/2021 11:14:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 44 DIAGRAMA 1. ANGINA INSTÁVEL E SUAS APRESENTAÇÕES CLÍNICAS Legenda: * = Segundo a Sociedade Canadense de Cardiologia, o paciente apresenta uma importante limitação das atividades físicas habituais. A dor aparece quando se caminha por menos de duas quadras no plano, ou quando sobe escadas em situação e velocidade normais. 2006; SILVERTHORN, 2017; CARVALHO et al., 2020). Para maior compreen- são e aplicação do conteúdo, a angina pode ser dividida em dois grupos. O primeiro grupo é a angina estável, caracterizada pela presença de dor ou desconforto no tórax, desencadeada por esforço físico ou estresse, no período de várias semanas, que mantém suas características inalteradas, sem apresentar piora evolutiva. O segundo grupo é a angina instável, que, por sua vez, possui três apresentações clínicas principais angina em repouso, angina de aparecimento recente, e angina acelerada ou em crescimento. De acordo com Diagrama 1, é possível constatar o amplo quadro clínico da angina instável em virtude de sua heterogeneidade. Baseado em circunstân- cias clínicas do episódio isquêmico agudo e na intensidade dos sintomas de AI, Braunwald (1989) desenvolveu uma classificação cujo valor prognóstico e terapêutico tem sido validado em numerosos estudos clínicos prospectivos. O Diagrama 2 é a classificação proposta por Braunwald. An gi na (d e) Repouso Usualmente com duração > 20 minutos, ocorrendo há, aproximadamente, uma semana. Aparecimento recente Angina com início há dois meses*. Acelerada ou crescimento Angina previamente diagnosticada, que se apresenta mais frequente, mais intensa ou com duração maior. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 45 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 45 13/05/2021 11:14:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 45 DIAGRAMA 2. CLASSIFICAÇÃO DE BRAUNWALD PARA ANGINA INSTÁVEL ASSOCIADA À ISQUEMIA Classe I - angina de início recente (menos de dois meses), frequente ou de grande intensidade (três ou mais vezes ao dia), acelerada (evolutivamente mais frequente ou desencadeada por esforços progressivamente menores). Classe A - angina instável secundária (anemia, febre, hipotensão, hipertensão não controlada, emoções não rotineiras, estenose aórtica, arritmias, tireotoxicoses, hipoxemia etc.). Classe B - angina instável primária. Classe C - angina pós-infarto do miocárdio (mais de 24 horas e menos de duas semanas). Classe 1 - sem tratamento ou com tratamento mínimo. Classe 2 - terapia antianginosa usual. Classe 3 - terapia máxima. Classe II - angina de repouso subaguda (um ou mais episódios em repouso nos últimos 30 dias. O último episódio ocorrido há mais de 48 horas). 1. Gravidade dos sintomas 2. Circunstâncias das manifestações clínicas 3. Intensidade do tratamento Classe III - angina de repouso aguda (um ou mais episódios em repouso nas últimas 48 horas). Cl as sifi ca çã o de B ra un w al d pa ra an gi na in st áv el FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 46 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 46 13/05/2021 11:14:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 46 Conforme Consolim-Colombo, Saraiva e Izar (2019), os marcadores de le- são no tecido cardíaco bioquímico são relevantes para as análises clínicas dos pacientes, uma vez que subsidiam o diagnóstico e o prognóstico das SIMIs. Como consequência, a classifi cação de Braunwald sofreu alteração funda- mental no grupo 2B. Isto é, o grupo 2B foi subdividido em troponina positiva e troponina negativa. Parâmetros bioquímicos Na corrente sanguínea circula macromoléculas importantes para a manu- tenção do organismo. Dentre elas, os marcadores bioquímicos de lesão mio- cárdica podem ser defi nidos como um conjunto de macromoléculas liberadas para a corrente sanguínea no contexto do IAM com e sem supradesnivelamen- to do segmento ST (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; SILVERTHORN, 2017). Os marcadores bioquímicosde lesão celular do tecido cardíaco apresentam indicadores de lesão na membrana celular de caráter irreversível, ou seja, suas membranas celulares perdem a integridade ao passo que as macromoléculas se difundem no interstício e vão para os linfáticos e capilares (DOUGLAS, 2006; SILVERTHORN, 2017). Clinicamente, a lesão no tecido cardíaco depende da cinética dos mar- cadores. Em outras palavras, há uma dependência de fatores, como: o compartimento intracelular das proteínas; o tamanho das moléculas; os fluxos regionais linfático e sanguíneo; e a taxa de depuração do marcador (SILVERTHORN, 2017). Ao observar pacientes que apresentam quadro sugestivo de SIMI, cujo diagnóstico de IAM não está estabelecido, os marcadores bioquímicos se mos- tram fundamentais para confi rmar ou afastar tal diagnóstico (CARVALHO et al., 2020). Dentre os marcadores bioquímicos, as troponinas vêm ganhando espa- ço (como veremos adiante), uma vez que fornecem importantes informações prognósticas e que existe uma direta associação entre seus níveis, tamanho do infarto e risco de eventos cardíacos de curto e médio prazos (SILVERTHORN, 2017; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Não menos importante, outros marcadores também auxiliam no diagnóstico correto de lesão cardíaca (SILVERTHORN, 2017). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 47 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 47 13/05/2021 11:14:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 47 As troponinas são conceituadas como proteínas do complexo de regulação miofibrilar que não estão presentes no músculo liso. Há três subunidades: tro- ponina T, troponina I e troponina C (DOUGLAS, 2006; SILVERTHORN, 2017). No organismo humano é possível observar que as troponinas cardíacas permanecem elevadas por tempo relativamente longo: aproximadamente 14 dias após do início dos sintomas. Na prática, por meio da introdução das troponinas de 2ª e 3ª gerações, também conhecidas no global como troponinas de alta sensibilidade ou ultras- sensíveis (Trop-US), passou a ser possível a detecção de níveis mais baixos de troponina em menor tempo após o início do quadro isquêmico. Como resulta- do, houve redução de tempo para detecção do IAM (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). CURIOSIDADE Consideremos a chegada de pacientes no serviço de emergência com menos de três horas do início do quadro de IAM. As Trop-US são signifi- cativamente mais sensíveis do que a troponina convencional para o diag- nóstico de SIMI, ou seja, as Trop-US promovem melhora de 61% no poder diagnóstico de SIMI, e de 100% se colhidas seis horas após o início do quadro (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Ainda sobre as troponinas, há indicativos fortes na literatura médica espe- cializada que esses ensaios apresentam duas grandes vantagens no que diz respeito à CK-MB: “1) maior especificidade para lesão miocárdica, na medida em que a CK-MB é encontrada em tecidos não cardíacos, e 2) habilidade em detectar pequenas quantidades de lesão miocárdica, não detectáveis pelos en- saios de CK-MB” (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2007). A enzima creatinoquinase MB (CK-MB) é o marcador habitualmente mais utilizado, apesar de suas conhecidas limitações (DOUGLAS, 2006). Para uma análise exemplar, sugere-se que a enzima CK-MB seja mensurada por meio de imunoensaio para dosagem de sua concentração no plasma (CK-MB-massa) ao invés de sua atividade. Tais alterações promovem maiores sensibilidade e especificidade da enzima, aproximadamente 97 e 90%, respectivamente, para IAM com o uso de CK-MB-massa (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; SILVERTHORN, 2017; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 48 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 48 13/05/2021 11:14:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 48 No tocante às análises clínicas bioquímicas, destacam-se, negativamente, as limitações da enzima CK-MB. A principal limitação está associada ao seu au- mento em virtude dos danos em outros tecidos não cardíacos (falso-positivos), especialmente após lesão em músculos liso e esquelético (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; SILVERTHORN, 2017; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Outro marcador importante é a mioglobina, porque indica precocemen- te a necrose miocárdica, precedendo a liberação de CK-MB em duas a cinco horas (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Sabe-se que sua molécula pequena é liberada na circulação dentro de uma hora após a morte da célula miocárdica, atingindo valores de pico entre 5 a 12 horas (DOUGLAS, 2006; Consolim-Colombo, Saraiva e Izar (2019). Neste cenário, devido à elevada sensibilidade precoce, a mioglobina pode excluir o diagnóstico de infarto, visto que apresenta um alto valor preditivo negativo. Em poucas palavras, segundo Consolim-Colombo, Saraiva e Izar (2019), na seara de marcadores bioquímicos de necrose miocárdica, o diagnóstico de IAM deve ser feito considerando os critérios apresentados no Diagrama 3. DIAGRAMA 3. MARCADORES BIOQUÍMICOS EM DIAGNÓSTICO DE IAM Sobre o assunto, as diretrizes nacionais recomendam dosagens de CKM- B-massa e troponina logo na admissão do paciente e, caso estejam nor- mais, devem ser repetidas de nove a 12 horas após o início dos sintomas Diagnóstico de IAM Marcadores bioquímicos Troponina T ou 1: aumento acima de 99% em, pelo menos, uma ocasião nas primeiras 24 horas de evolução. Valor máximo de CK-MB, preferencial- mente massa, maior do que o limite su- perior da normalidade em duas amostras sucessivas; ou valor máximo de CK-MB acima de duas vezes o limite máximo da normalidade em uma ocasião durante as primeiras horas após o evento. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 49 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 49 13/05/2021 11:14:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 49 (CARVALHO e et al., 2020). Na condição de IAM, é preciso continuar dosando a CKMB-massa de 8 em 8 horas até o seu pico e, depois, de 12 em 12 horas até a normalização. Além disso, a CKMB-massa deve ser dosada em qualquer recorrência dolorosa ou suspeita de novo evento coronário (CARVALHO e et al., 2020). Ressaltam-se alguns cuidados com os níveis anormais dos parâmetros bioquímicos, porque não implica em obrigatoriedade de diagnóstico de infar- to agudo do miocárdio (DOUGLAS, 2006; SILVERTHORN, 2017; CARVALHO et al., 2020). Um diagnóstico precoce baseado exclusivamente em parâmetros bioquímicos pode induzir ao erro, uma vez que os níveis podem estar altera- dos em pacientes com taquiarritmias, trauma cardíaco, insufi ciência cardía- ca, hipertrofi a de ventrículo esquerdo (VE), miocardite, pericardite, ou, ainda, condições não cardíacas graves, como sepse, falência respiratória, doenças neurológicas agudas, embolia pulmonar, insufi ciência renal, dentre outros (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Tratamentos de pacientes com SIMI De uma forma diretiva e simples, todo paciente diagnosticado com SIMI deve receber terapia medicamentosa imediatamente. Além disso, todos os pacientes com essa suspeita devem ser submetidos à realização de eletrocardiograma e dosagem de marcadores de necrose miocárdica. A estratifi cação do risco para eventos isquêmicos e hemorrágicos é fundamental para a melhor decisão tera- pêutica e avaliação prognóstica (neste caso, compreende a necessidade de usar anticoagulantes ou não). O tratamento nos pacientes de risco intermediário ou alto deve incluir fundamentalmente uma conduta terapêutica antitrombótica (dupla antiagregação plaquetária e antitrombínico). A decisão entre estratégia invasiva (cineangiocoronariografi a) ou conservadora (testes provocativos de is- quemia) depende fundamentalmente de uma cuidadosa estratifi cação do risco do paciente frente ao risco do procedimento. Em geral,a estratégia invasiva é preferencial nos pacientes de risco intermediário e alto. O sucesso do tratamen- to será obtido pela associação da estratifi cação de risco, a correta seleção da terapêutica e o melhor julgamento clínico (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CON- SOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019; CARVALHO et al., 2020). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 50 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 50 13/05/2021 11:14:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 50 De acordo com o comprometimento patológico, o paciente será estratificado, ou seja, rotulado conforme avaliação clínica, para ofertar o melhor atendimento possí- vel. Em um primeiro instante, em casos de pacientes com dor, é recomendado re- pouso no leito e o monitoramento da eletrocardiografia, de forma constante, para detecção de arritmias ou isquemia. Em situações mais graves, a internação em unida- des coronárias (UCO) deve ser reservada para pacientes de risco intermediário e alto (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019; CARVALHO et al., 2020). A oxigenioterapia é bastante controversa na literatura médica. Entretanto, alguns indicativos são relevantes para o estudo. Por exemplo, recomenda-se a administração de oxigênio, porque tendem a apresentar diminuição da extensão da lesão miocárdica. Por outro lado, a administração de oxigênio sugere o au- mento de resistência vascular sistêmica, redução de fluxo coronário e elevação no risco de mortalidade (CARVALHO et al., 2020). Portanto, embora confuso e até contraditório, as diretrizes nacionais e internacionais recomendam o uso de oxigênio inalatório somente em situações nas quais haja cianose, desconforto respiratório ou na presença de saturação arterial de oxigênioque ocorre mediante atuação de uma sequência pentassacarídea presente em cerca de 1/3 das moléculas de heparina (DOUGLAS, 2006). Observa-se que a heparina não fracionada (HNF) atua por meio do com- plexo heparina-antitrombina e altera-se do ponto de vista estereotáxico, per- mitindo o acoplamento simultâneo tanto à trombina como ao fator Xa, assim neutralizados (DOUGLAS, 2006). Já as heparinas fracionadas ou de baixo peso molecular (HBPM) [...] têm como característica comum, embora em grau variável, a ca- pacidade de ligar-se preferencialmente ao fator Xa (e menos ao fator II), inativando-o. Esta característica confere-lhes a singular capaci- dade de exercer efeito antitrombótico sem alterar substancialmente (a não ser em altas doses) os testes de coagulação usualmente em- pregados para monitorar o efeito terapêutico da HNF. Três HBPM estão disponíveis no Brasil para uso clínico, todas testadas em es- tudos internacionais, multicêntricos, prospectivamente desenhados para comparar sua efi cácia clínica com a da HNF no tratamento de pacientes com SIMI: a nadroparina, a dalteparina, e a enoxaparina (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2007). O uso de fármacos é muito importante em pacientes diagnosticados com IAM ou AI. Dor torácica A dor torácica é uma manifestação sintomática relativamente frequente e complexa, ou seja, a causa e/ou possível diagnóstico da dor torácica está atrela- do a múltiplos mecanismos fi siopatoló- gicos, manifestando-se aguda ou cro- nicamente, com expressão clínica nem sempre de fácil distinção entre as diferentes etiologias (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Para efeitos didáticos, este tópico terá foco no sistema cardiovascular de forma abrangente e relevante, além de respeitar as diretrizes da Sociedade FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 54 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 54 13/05/2021 11:14:34 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 54 Doenças arteriais coronarianas O coração pode sofrer anomalias, o que implica em mau funcionamento do órgão, tanto anatômico quanto fi siológico, o que resulta em hospitalizações, preocupando órgãos governamentais, cientistas e profi ssionais da saúde. Doença arterial coronária (DAC) é defi nida como uma condição caracterizada por anormalidades funcionais ou estruturais das artérias coronárias, resultando em diminuição da oferta de oxigênio para o miocárdio. Ou seja, é uma condição de comprometimento funcional da circulação que irriga o coração (SILVERTHOR, 2017). Costumeiramente, observa-se em que 90% dos casos da DAC, o principal mecanismo patogenético é a obstrução arterial causada por placa ateroscle- rótica (SERRANO; TIMMERMAN; STEFANINI, 2010). Contudo, existem outras causas menos frequentes de DAC que incluem anormalidades congênitas das coronárias e arterite coronária (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Ainda sobre a DAC, é importante compreender como ocorre a lesão em ar- térias que, a posteriori, diminuirá o lúmen, impedindo o fl uxo sanguíneo. Dessa forma, a lesão aterosclerótica tem seu gatilho a partir de lesões endoteliais, isto é, há agressão ao endotélio, que pode ser: hemodinâmica (como ocorre no caso da hipertensão arterial); bio-humoral (cujo principal exemplo é a disli- pidemia); acúmulo de produtos fi nais da glicação não enzimática (como ocorre no diabetes mellitus); irritantes químicos (por exemplo, no tabagismo); aminas Brasileira de Cardiologia e orientações com os possíveis pacientes de patolo- gias cardíacas (CARVALHO et al., 2020). A compreensão da temática é muito relevante e tem impacto diretamente na sociedade moderna ocidental. Tal fato corrobora com os dados epidemio- lógicos trazidos por Carvalho e colaboradores (2020) em virtude de ser a prin- cipal causa de mortalidade e a que mais consome recursos na área da saúde nos países industrializados. No Brasil, a situação merece destaque em razão de aproximadamente 61% dos adultos com idade em torno de 37 anos apresen- tam sintomas relativos à funcionalidade cardíaca. Neste tópico, a discussão faz jus ao considerar os principais aspectos da avaliação clínica dos pacientes portadores dessas diferentes síndromes clíni- cas que promovem dores no tórax. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 55 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 55 13/05/2021 11:14:34 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 55 vasoativas (presentes em casos de estresse); fatores genéticos; e agentes infec- ciosos (DOUGLAS, 2006; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). O endotélio, que sofre as agressões, permite respostas fisiológicas a ela, o que implica em disfunção endotelial e pode resultar na liberação de subs- tâncias aterogênicas, como a proteína quimiotática para monócitos 1 e o fator nuclear de transcrição kappa B (marcadores próinflamatórios). Em res- posta a essas substâncias liberadas pelo endotélio disfuncional, é possível ocorrer o estímulo na expressão de diversas moléculas de adesão, como, por exemplo, entre a molécula de adesão celular vascular 1 (VCAM-1), a mo- lécula de adesão intercelular 1 (ICAM-1) e as seletinas E e P (DOUGLAS, 2006; SILVERTHORN, 2017). Como resultado do quadro desenhado, há a promoção e a adesão dos monócitos com posterior acúmulo de macrófagos ativados na íntima do vaso. As consequências do acúmulo de macrófagos são extremamente relevan- tes para o organismo. Vejamos como a literatura médica especializada as des- creve (DOUGLAS, 2006; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2020): • Acúmulo da LDL oxidada: possui importante atividade citotóxica, infla- matória (participa da atração de monócitos) e aterogênica, pois intensifica a disfunção endotelial e diminui a interação do macrófago com a HDL; • Morte dos fagócitos: literalmente, os fagócitos comem gordura até mor- rer. Trata-se de um mecanismo celular funcional que visa a ingestão e destrui- ção de partículas sólidas, denominada fagocitose; • Liberação de metaloproteases: sabe-se que essas enzimas são proteo- líticas, isto é, são capazes de degradar componentes da capa fibrosa, o que contribui para o estabelecimento de capa fibrosa fina. Complementar a isso, essas enzimas (as metaloproteases) são capazes de degradar componentes da camada média e adventícia, provocando a dilatação nas paredes do vaso. Este processo é conhecido como remodelação excêntrica. As alterações são marca- dores e contribuem para a instabilidade da placa aterosclerótica; • Estímulo para a morte das células musculares: em consequência, o pro- cesso de reparação fica comprometido pela diminuição da síntese de colágeno, bem como há o afilamento da capa fibrosa; • Aumento dos níveis do fator tissular: contribui para o estabelecimento de condição trombótica. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 56 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 56 13/05/2021 11:14:34 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 56 EXPLICANDO O processo de fagocitose, no contexto de lesão aterosclerótica, implica em morte celular dos fagócitos por apoptose, ou até por necrose, que resulta em acúmulo extracelular de lipídeos, contribuindo para a forma- ção, desenvolvimento e progressão da placa aterosclerótica (SERRANO; TIMMERMAN; STEFANINI, 2010). A progressão do mecanismo de lesões das ateroscleróticas é extremamente relevante para aplicação no cotidiano de profi ssionais na área da saúde. Inicial- mente, havia a crença que a lesão se comportava de forma linear em relação ao tempo, ou seja, acreditava-se que as lesões apresentavam crescimento constante e linear, com longos períodos assintomáticos. Como consequência, o quadro sin- tomático dos pacientes mostrava grande comprometimento da luz do vaso, em torno de 70% de obstrução (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). No en- tanto, na última década houve indícios de que as lesões progridem em crises,por complicações de placas vulneráveis (SERRANO; TIMMERMAN; STEFANINI, 2010). A identifi cação de placas vulneráveis se deve a alguns aspectos: i) ao grande núcleo de lipídios; ii) ao grande número de células infl amatórias; iii) pelo alto grau de remodelação excêntrica; iv) e pela capa fi brosa fi na (CONSOLIM-COLOMBO; SA- RAIVA; IZAR, 2019). Neste cenário, em consequência dessas características, pode ocorrer ruptura e/ou erosão da placa e, secundariamente, a formação de trombo. Destarte, a justifi cativa de aparecimento das síndromes coronárias e morte súbita se deve à instabilidade da placa aterosclerótica e, simultaneamente, esses mesmos mecanismos são responsáveis por favorecer a progressão da lesão ate- rosclerótica (DOUGLAS, 2006; SILVERTHORN, 2017). As possibilidades da apresen- tação da DAC pode ser ou aguda ou crônica. Na forma crônica, a angina estável consiste na principal manifestação clínica da doença, presentes o quadro inicial em 50% dos pacientes (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Contudo, a DAC pode estar na ausência de angina por meio de manifestos clínicos mais comuns (relatados na literatura), como a isquemia silenciosa e a cardiopatia isquêmica. Abordando o paciente Constatamos que o diagnóstico de DAC pode ser difícil, uma vez que outras situações também causam dor torácica, como valvopatia aórtica, cardiomio- FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 57 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 57 13/05/2021 11:14:34 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 57 patia hipertrófi ca, hipertensão arterial sistêmica não controlada, espasmo da artéria coronária, êmbolos coronários e diversas causas não cardíacas. O Quadro 1 objetiva identifi car e diferenciar algumas dores torácicas e as possíveis causas. QUADRO 1. DORES TORÁCICAS E POSSÍVEIS CAUSAS Sistemas Etiologias Cardiovascular Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Pulmonar Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Gastrointestinal Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; colicistite; hepatopatias. Tórax Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Psíquicas Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. CardiovascularCardiovascularCardiovascular Pulmonar Cardiovascular PulmonarPulmonar Gastrointestinal Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; Gastrointestinal Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Gastrointestinal Tórax Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Gastrointestinal Tórax Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Gastrointestinal Tórax Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Psíquicas Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; colicistite; hepatopatias. Psíquicas Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; colicistite; hepatopatias. Psíquicas Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; colicistite; hepatopatias. Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; colicistite; hepatopatias. Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; colicistite; hepatopatias. Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; colicistite; hepatopatias. Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; colicistite; hepatopatias. Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; colicistite; hepatopatias. Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Embolia; pleurite; pneumonia; pneumotórax. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; espasmo coronário; aneurisma dissecante da aorta; pericardite. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Osteocondrites; herpes-zoster;fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Estenose aórtica; cardiomiopatia hipertrófi ca; hipertensão arterial sistêmica; Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Osteocondrites; herpes-zoster; fratura de costela. Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Distúrbios de ansiedade; pânico; hiperventilação. Esofagite; espasmo de esôfago; gastrite; úlcera péptica; pancreatite; Fonte: SERRANO; TIMMERMAN; STEFANINI, 2010, p. 796. Considerando as diversas possibilidades diagnósticas, o Quadro 1 aponta opções e possibilidades para diagnóstico de dores torácicas. No tocante à fi sio- logia cardiovascular, os manifestos da doença arterial coronariana, os agravan- tes e a abordagem do paciente podem ser feitos por etapas, elencadas confor- me trabalho de Consolim-Colombo, Saraiva e Izar (2019): 1. Classifi cação da dor torácica; 2. Estimativa da probabilidade de DAC; 3. Avaliação da apresentação clínica da DAC; 4. Estimativa da graduação da angina; 5. Avaliação das condições que podem causar ou exacerbar isquemia; 6. Estratifi cação de risco de eventos cardiovasculares em pacientes com angina. Os pontos elencados guiam a suspeita clínica de doença coronária facilitan- do, assim, a escolha ideal de testes a serem feitos, tanto para a confi rmação diagnóstica como para a orientação sobre o tratamento mais adequado ao pa- ciente com dor torácica. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 58 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 58 13/05/2021 11:14:34 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 58 Classificação clínica Durante a avaliação clínica, é extremamente importante classifi car a dor torácica. Para isso, o Quadro 2 diferencia os tipos de angina, assim como a ex- clusão desse diagnóstico. QUADRO 2. ANGINAS TÍPICA E ATÍPICA E DOR TORÁCICA NÃO CARDÍACA E SEUS SINTOMAS Classifi cação Características Angina típica i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Angina atípica Presença de somente dois dos fatores acima. Dor torácica não cardíaca Presença de um ou nenhum dos fatores acima. Angina típica Angina típica Angina típica Angina atípica Angina típica Angina atípica Angina atípica Angina atípica Dor torácica não cardíaca Angina atípica Dor torácica não cardíaca i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; Dor torácica não cardíaca i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Dor torácica não i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Dor torácica não i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. i. Desconforto ou dor retroesternal; ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. ii. Desencadeada por exercício ou estresse; iii. Aliviada com repouso ou nitroglicerina. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima. Presença de somente dois dos fatores acima. Presença de um ou nenhum dos fatores acima.Presença de um ou nenhum dos fatores acima.Presença de um ou nenhum dos fatores acima.Presença de um ou nenhum dos fatores acima. Fonte: CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019. O Quadro 2 permite ao médico compreender a história clínica do paciente, além de obter as informações pertinentes e classifi car a dor torácica como an- gina típica, atípica ou como dor de origem não cardíaca. Ao suspeitar de dor torácica com a probabilidade de a patologia estar asso- ciada ao coração, a literatura médica aponta algumas características bastante investigadas, como: • Padrão: aperto, queimação, desconforto, pontada; • Fatores desencadeantes: esforço físico, estresse emocional, alimenta- ção, posição, aparecimento espontâneo; • Duração: minutos, horas, dias; • Localização: tórax, mandíbula, epigastro, ombro, dorso, membros su- periores, articulações; • Fatores acompanhantes: sudorese, náusea, dispneia, hemoptise, tos- se, perda da consciência; • Fatores de alívio: repouso, nitrato, posição, outros medicamentos, alimentação. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 59 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 59 13/05/2021 11:14:35 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 59 Uma característica marcante do quadro de angina é a curta duração do epi- sódio de dor. Em outras palavras, ocorre a dor em um intervalo de tempo entre dois a dez minutos, geralmente após o término do fator desencadeante (CON- SOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Ao observar um paciente diagnosticado com angina, outras características são comuns em relatos médicos, uma vez que a presença desses fatores estão atrelados ao agravamento do quadro de angina. Dentre os acompanhantes da angina relatados, estão: palidez cutânea, náusea, vômitos e taqui ou bradicar- dia (SERRANO; TIMMERMAN; STEFANINI, 2010). Algumas situações não devem diagnosticar angina, pois estas, na maioria dos casos clínicos, estão atreladas a outras patologias cardíacas. Por exemplo, dor lancinante, com duração de poucos segundos ou superior a vinte minutos, frequentemente se associa a outras doenças cardíacas e é, costu- meiramente, excluída do diagnóstico de angina. Outras situações que provocam dores em pontada, agulhada ou facada não95 Referências bibliográficas ................................................................................................. 96 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 6 13/05/2021 10:43:00 Sumário Unidade 4 - Doenças cardíacas Objetivos da unidade ........................................................................................................... 99 Doenças cardíacas ............................................................................................................ 100 Infarto agudo do miocárdio ......................................................................................... 100 Miocardites .................................................................................................................... 103 Insuficiência cardíaca congestiva ............................................................................. 105 Cardiopatias congênitas acianogênicas ................................................................... 107 Cardiopatias congênitas cianogênicas ..................................................................... 108 Cardiopatias reumáticas .............................................................................................. 109 Cirurgia cardíaca ........................................................................................................... 111 Cirurgia torácica não cardíaca ................................................................................... 113 Transplante cardíaco .................................................................................................... 114 Sintetizando ......................................................................................................................... 123 Referências bibliográficas ............................................................................................... 124 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 7 13/05/2021 10:43:00 O sistema cardiovascular apresenta características peculiares que intrigam pesquisadores e profi ssionais atuantes principalmente na área da saúde. Ten- do em vista essa magnitude e o fato de saber que esse sistema não tem co- municação com o meio externo, ou seja, que se trata de um sistema fechado e constituído por tubos (vasos), além de uma poderosa bomba que é capaz de impulsionar um líquido circulante de cor vermelha por toda a rede vascular (sangue), é de suma importância saber que ele se destaca pela capacidade de nutrir e carregar o oxigênio para as células do organismo, sendo fundamental conhecer suas partes, como o coração, artérias e veias, e a interação delas en- tre si. Assim, convido à leitura desta obra para aperfeiçoar e compreender a interação dos componentes do sistema cardiovascular entre si e a importância dele para o corpo humano. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 9 Apresentação SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 9 13/05/2021 10:43:00 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 9 Este trabalho, dedico aos meus apoiadores que, de forma incondicional, ajudaram-me a manter o foco e a perseverança para a elaboração dessa obra. O professor Pedro Octavio Barbanera tem premiações internacionais e nacio- nais tanto no âmbito acadêmico quanto em docência. É doutor em Fisiopatolo- gia em Clínica Médica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho — UNESP (2018), possui mestrado em Fisiopatologia em Clínica Médica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho — UNESP (2014). Com MBA em Gestão de Projetos pela Uni- versidade Anhanguera (2020), é especia- lista em Business intelligence, big data e analytics – ciência de dados pela Univer- sidade Anhanguera (2021) e estatística Aplicada pela Universidade Anhanguera (2019). Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista Jú- lio de Mesquita Filho — UNESP (2012). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6095895255653275 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 10 O autor SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 10 13/05/2021 10:43:01 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 10 Dedico esta obra a todos os estudantes de fi sioterapia que buscam o conhecimento e a melhora da qualidade de vida de seus pacientes. O professor Mateus Dias Antunes é mestre em Promoção da Saúde (2017) e graduado em Fisioterapia (2015) pela Universidade Cesumar – Unicesumar. É pesquisador do grupo Fisioterapia Clí- nica: estudo da função e disfunção da Universidade de São Paulo – USP, desde 2018, e do grupo de Atividade Física e Envelhecimento Universidade Cesumar – Unicesumar, desde 2012. Atua como revisor de periódicos científi cos nacio- nais e internacionais. Tem experiência na área de saúde coletiva com ênfase na promoção da saúde, atuando com os seguintes temas: educação em saú- de, doenças reumáticas, espaços e prá- ticas que promovem a saúde de indi- víduos, grupos e famílias. É professor, desde 2017, na área de Fisioterapia. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4926064696686266 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 11 O autor SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 11 13/05/2021 10:43:01 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 11 ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA CARDIOVASCULAR 1 UNIDADE SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 12 13/05/2021 10:43:20 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Compreender a anatomia do coração, artérias e veias; Identificar as estruturas que compõem o sistema cardiovascular; Relacionar a importância da anatomia do sistema cardiovascular e todos seus componentes para a funcionalidade do organismo; Compreender a funcionalidade do sistema e possíveis alterações patológicas no sistema cardiovascular. Anatomia do sistema cardiovascular Sangue Circulação pulmonar e sistêmica Coração Vascularização Vasos sanguíneos Sistema arterial Sistema venoso Fisiologia do sistema cardiovascular Fisiologia do órgão coração Sistema de condução elétrica do coração Fases do ciclo cardíaco Fatores relevantes do eletrocardiograma FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 13 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 13 13/05/2021 10:43:20 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 13 Anatomia do sistema cardiovascular Angiologia é o termo que se refere ao sistema circulatório cuja formação se deve aos sistemas cardiovascular e linfático, os quais têm ação paralela no transporte dos líquidos corporais (MOORE, 2014). Para fi ns didáticos, neste tó- pico abordaremos apenas o sistema cardiovascular. A principal função do sistema cardiovascular é nutrir e carregar o gás oxi- gênio para as células do organismo, além de remover resíduos advindos do metabolismo celular. Em uma primeira análise, pode-se compreender que a composição desse sistema é dada por tubos (vasos sanguíneos) cheios de lí- quido (sangue), conectados a uma bomba (o coração) e uma mistura líquida denominada sangue, que é responsável por capturar o gás oxigênio nos pul- mões e os nutrientes no intestino, carregando-os até as diferentes células do organismo enquanto, de forma simultânea, remove resíduos do metabolismo das células e calor para serem excretados (SILVERTHORN, 2017; BARBANERA, 2019). Assim, temos o Diagrama 1, que ilustra os três principais componentes do sistema cardiovascular. DIAGRAMA 1. ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA PARA IDENTIFICAR OS PRINCIPAIS COMPONENTES DO SISTEMA CARDIOVASCULAR E AS RELAÇÕES PARA A MANUTENÇÃO DA FUNCIONALIDADE SISTÊMICA Fonte: BARBANERA, 2019, p. 32. (Adaptado). Sangue Coração Vasos sanguineos Sistema Cardiovascular FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 14 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 14 13/05/2021 10:43:20 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 14 Esse sistema não tem comunicação com o meio externo, isto é, trata-se de um sistema fechado e isso faz dele mais efi ciente, pois o coração bombeia o sangue canalizadosão características de angina. Do mesmo modo, dores localizadas em ponto único, de pequena ex- tensão (uma polpa digital), raramente represen- tam DAC (DOUGLAS, 2006; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Isquemia silenciosa Indivíduos que possuam DAC não, necessariamente, apresentam angina em quadro clínico. Isto é, os relatos científi cos na área apontam que uma parcela satisfatória de pacientes com DAC, principalmente ao associar-se a outras pa- tologias metabólicas, como diabetes mellitus ou hipertensão arterial sistêmica, pode ou não apresentar angina (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Esses pacientes podem ser agrupados em categorias como pacientes comple- tamente assintomáticos, em qualquer situação; pacientes assintomáticos após um IAM, que é o tipo mais frequente; ou pacientes que apresentam episódios de isquemia silenciosa e de angina. Por se tratar de patologia multifatorial, seus mecanismos fi siopatológicos ainda não estão completamente esclarecidos na literatura médica. Sabe que a FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 60 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 60 13/05/2021 11:14:35 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 60 Cardiomiopatia isquêmica A cardiomiopatia isquêmica apresenta, majoritariamente, uma caracte- rística ímpar para seu diagnóstico. Com efeito, o diagnóstico de cardiomiopatia isquêmica se caracteriza por uma condição patológica preexistente, ou seja, o indivíduo necessita que a DAC seja resultante de uma grave disfunção ventri- cular (DOUGLAS, 2006; MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). É importante considerar alguns pontos nesse contexto. Observa-se que os mecanismos fi siopatológicos da disfunção ventricular são multifatoriais, in- cluindo o acúmulo de colágeno e a perda de miócitos secundária ao IAM. Po- rém, a literatura médica aponta que mais de 60% dos pacientes com cardiomio- patia isquêmica apresentam quantidades variáveis de miocárdio disfuncional (miocárdio hibernante). No que diz respeito à doença arterial coronária, o termo miocárdio hiber- nante refere-se ao fenômeno de diminuição adaptativa da função contrátil em resposta à redução do fl uxo sanguíneo miocárdico. Em relação aos mecanismos responsáveis pela disfunção ventricular em situação de hibernação, observou-se grande avanço acadêmico, mas ainda insufi ciente para elucidar os meandros que provocam a disfunção. Mesmo assim, na obra de Consolim-Colombo, Saraiva e Izar (2019) são apontados DICA É possível que a isquemia silenciosa represente episódios menos intensos de isquemia. De forma contrária, aceita-se que a presença e a intensidade de isquemia, e não da dor, tenham signifi cado prognóstico em pacientes com DAC. Assim, a presença de isquemia silenciosa, detectada por dife- rentes métodos, está associada ao pior prognóstico, em comparação aos indivíduos sem isquemia. Por esse motivo, é importante realizar testes diagnósticos de rotina em pacientes com histórico familiar de DAC ou múltiplos fatores de risco (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019; CARVALHO e colaboradores, 2020). neuropatia autonômica, alterações na sensibilidade dolorosa, elevação de en- dorfi nas endógenas e disfunção do córtex cerebral são alguns dos indicativos (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 61 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 61 13/05/2021 11:14:35 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 61 indicativos promissores para maior compreensão da disfunção ventricular. Por exemplo, há a diminuição na densidade dos receptores β-adrenérgicos e aumento na densidade dos receptores α-adrenérgicos. Verificou-se, tam- bém, que a responsividade do miocárdio hibernante ao cálcio estava de- primida. Em outras palavras, as proteínas reguladoras do trânsito de cálcio (SERCA-2a, fosfolamban, calsequestrina e rianudina) estavam normais. Tal fato permite deduzir que o novo fator (ainda não identificado) inibiria a con- tração do miocárdio hibernante. A isquemia crônica provoca modelação cardíaca (alteração morfológica). Assim, uma análise ultraestrutural do miocárdio hibernante evidenciou acú- mulo de glicogênio, diminuição e disrupção de miofibrilas com agregação peri- nuclear, além de redução do tamanho das mitocôndrias e desorganização no retículo sarcoplasmático do músculo cardíaco (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Por fim, uma das alterações mais relevantes da hibernação crônica é que esse processo resulta em elevada taxa de apoptose. Embora alterações possam ser revertidas após a restauração do fluxo, algumas organelas ce- lulares, por exemplo, o citoesqueleto, foram parcialmente revestidas após a restauração do fluxo (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014, CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Por conseguinte, a literatura médica enfatiza o interstício que as al- terações encontradas não são totalmente reversíveis, isto é, a reversão parcial indica degeneração do tecido cardíaco. Constata-se que a hiberna- ção crônica acompanha alterações reversíveis, compatíveis com padrão de atrofia adaptativa. Nos dias atuais, a tecnologia médica disponibiliza diversas técnicas com o objetivo de detectar o miocárdio hibernante, entre elas: a ecocardiografia; a cintilografia de perfusão miocárdica, realizada por tomografia computa- dorizada por emissão de fóton único (SPECT); a tomografia com emissão de pósitrons (PET); e a ressonância nuclear magnética (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Para a ilustração de técnicas, observe a Figura 2. Ela exemplifica a técnica de cintilografia de perfusão da área do coração de um paciente com o tecido isquêmico viável e miocárdio inviável. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 62 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 62 13/05/2021 11:14:35 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 62 Note que a Figura 2 apresenta atraso na captação em parede septal (com- patível com miocárdio viável) e hipoperfusão persistente, com ausência de cap- tação, em parede inferior (compatível com miocárdio não viável). Considera-se que a principal causa da cardiomiopatia isquêmica se deve à disfunção ventricular em todo o mundo. Segundo diretrizes de sociedades mé- dicas especializadas no assunto, aceita-se que cerca de 70% dos pacientes com diagnóstico de insuficiência cardíaca apresentem cardiomiopatia isquêmica (CARVALHO et al., 2020). Nesse sentido, esse fenômeno deve ser considerado no seguimento de pacientes com queda da fração de ejeção (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014; CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Figura 2. Técnica de cintilografia de perfusão do ventrículo esquerdo, com imagens obtidas em função do tempo. As imagens (A) foram obtidas após 10 minutos e as imagens (B), após 24 horas da injeção de Tálio-201. Fonte: SERRANO; TIMMERMAN; STEFANINI, 2010, p. 799. A B FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 63 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 63 13/05/2021 11:14:35 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 63 Sintetizando As síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis (SIMIs) sem supradesnivela- mento do segmento ST compreendem angina instável (AI) e infarto agudo do miocárdio sem supradesnível de ST (IAMSSST). Além disso, as doenças arteriais coronarianas merecem atenção devido a algumas condições semelhantes que podem provocar diagnóstico e, até mesmo, intervenção incoerente ao quadro clínico do paciente. Sabe-se que existem semelhanças entre AI, IAM e DAC, po- rém é preciso atenção em virtude dos achados clínicos. Dessa forma, assegura- -se um diagnóstico mais preciso ao paciente. A DAC pode manifestar-se por diferentes formas de apresentação, e a angina estável consiste como a principal característica clínica da doença, portanto deve- mos considerar que existem várias formas de apresentação da DAC, bem comodiferentes estágios de gravidade da doença. Assim, a abordagem do paciente com dor torácica deve ser feita seguindo as seguintes etapas: classificar a dor torácica (angina típica, atípica ou não cardíaca); avaliar a apresentação clínica da angina (estável ou instável); avaliar as condições que podem causar ou exacerbar isquemia (causas cardíacas e não cardíacas); e, finalmente, estratificar os pacien- tes com angina considerando o risco de eventos cardiovasculares. Acreditamos que essa estratégia facilita o diagnóstico correto de angina e auxilia na identificação de pacientes com maior probabilidade de apresentar eventos cardiovasculares. Outro aspecto a ser considerado refere-se ao fato de que a DAC pode estar presente na ausência de angina e, nesses casos, as mani- festações clínicas mais comuns serão a isquemia silenciosa e a cardiopatia isquê- mica. Considerando que essas doenças apresentam abordagem diagnóstica e tratamento específicos, o médico deve sempre suspeitar de isquemia cardíaca em pacientes com fatores de risco para DAC. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 64 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 64 13/05/2021 11:14:35 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 64 Referências bibliográficas BRAUNWALD, E. Unstable angina: a classification. Circulation, [s.l.], v. 80, n. 2, p.410-414, 1989. Disponível em: . Acesso em: 08 mar. 2021. CARVALHO, T. et al. Diretriz brasileira de reabilitação cardiovascular - 2020. Ar- quivos Brasileiros de Cardiologia, v. 114, n. 5, p. 943-987, 2020. Disponível em: . Acesso em: 08 mar. 2021. CONSOLIM-COLOMBO, F. M.; SARAIVA, J. F. K.; IZAR, M. C. O. Tratado de cardio- logia SOCESP. 4. ed. Barueri: Manole, 2019. DOUGLAS, C. R. Tratado de fisiologia aplicada as ciências médicas. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. MOORE, K. L; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. SERRANO, C.; TIMMERMAN, A.; STEFANINI, E. (Eds.). Tratado de cardiologia SO- CESP. 2. ed. Barueri: Manole, 2010. SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. São Paulo: ArtMed, 2017. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre angina instável e infarto agudo do miocárdio sem suprades- nível do segmento ST. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 89, n. 4, p.e89-e131, 2007. Disponível em: . Acesso em: 08 mar. 2021. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 65 SER_FISIO_FISDCA_UNID2.indd 65 13/05/2021 11:14:35 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 65 DOENÇAS VASCULARES 3 UNIDADE SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 66 13/05/2021 11:47:36 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Compreender a fisiopatologia do aneurisma; Identificar como ocorre uma doença arterial periférica e seus fatores de risco; Conhecer o processo fisiopatológico das varizes de membros inferiores; Identificar a fisiopatologia e fatores de risco da trombose venosa profunda; Identificar a fisiopatologia e fatores de risco dos linfedemas; Identificar como ocorre a erisipela; Compreender a relação fisiopatológica das doenças vasculares na diabetes. Doenças arteriais agudas e crônicas Aneurisma Doença arterial periférica Doenças venosas agudas e crônicas Varizes de membros inferiores Trombose venosa profunda Outras doenças vasculares Úlceras por pressão Linfedema Erisipela Doença vascular diabética FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 67 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 67 13/05/2021 11:47:37 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 67 Doenças arteriais agudas e crônicas A doença arterial é uma doença vascular que acomete as artérias do cor- po. As artérias são vasos que transportam o sangue rico em oxigênio do cora- ção para os tecidos do corpo, são pulsáteis e suas alterações podem promover uma redução da circulação. A maior artéria do corpo humano é a aorta, que se origina no ventrículo esquerdo do coração e se ramifi ca em artérias menores por todo o corpo. Como as doenças das artérias podem afetar diferentes partes do corpo, do coração aos rins e os membros inferiores, os sintomas variam amplamente. Por exemplo, a doença arterial coronariana pode causar dor ou uma sensação de pressão no peito. Os sintomas da doença da artéria carótida podem incluir tontura, perda de equilíbrio ou forte dor de cabeça. E a doença arterial perifé- rica pode causar dores nos membros inferiores, bem como feridas nos pés ou úlceras que demoram a cicatrizar. O não tratamento dessas fases pode levar a perda do órgão, membro (le- vando a amputação) e, até mesmo, à morte pelas toxinas produzidas pela is- quemia. Nesse sentido, apresentaremos detalhes exemplifi cadores, apontan- do as consequências das doenças arteriais agudas e crônicas em pacientes. Além disso, abordaremos as estratégias terapêuticas recomendadas para as doenças arteriais agudas e crônicas. Aneurisma Trata-se de um alargamento ou aumento anormal de uma artéria devido à fraqueza na parede do vaso sanguíneo. Os aneurismas são perigosos porque podem estourar, transbordando sangue na área ao redor do vaso sanguíneo. A doença pode acontecer na aorta, em um vaso sanguíneo no cérebro ou em um vaso sanguíneo periférico (SANTOS et al., 2020). Um aneurisma pode acontecer em qualquer artéria do corpo, mas comumen- te ocorre na aorta, que vai do coração até o abdome. Os aneurismas da aorta são mais comumente encontrados na cavidade abdominal, conhecidos como aneurisma da aorta abdominal, mas também podem ocorrer no tórax ou na cavidade torácica, onde são conhecidos como aneurismas da aorta torácica. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 68 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 68 13/05/2021 11:47:37 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 68 O aneurisma pode acontecer tanto na aorta torácica quanto na abdominal de diferentes modos. Segundo Assis e Duque (2020), destacam-se: • Aneurisma sacular: é a expansão de somente um lado da artéria, poden- do ser esquerdo ou direito; • Aneurisma fusiforme: a dilatação acontece de ambos os lados; • Pseudo-aneurismas: acontecem rupturas na túnica íntima da parede do vaso e o sangue fica retido entre as camadas íntima e a adventícia. Esse tipo não é classificado propriamente dito como um aneurisma, mas como uma dis- secção aneurismática ou um hematoma dissecante, já que se trata de uma co- lação hematogênica na parede vascular. Alguns eventos caracterizam a fisiopatologia do aneurisma de aorta abdo- minal, tais como: • Destruição de células musculares lisas na camada média; • Destruição do colágeno e da elastina da camada média e adventícia; • Infiltração da parede da artéria por macrófagos e linfócitos; • Neovascularização. De acordo com Assis e Duque (2020, p. 93949): O acúmulo de placas de gordura é um fator importante para o desenvolvimento do aneurisma de aorta, principalmente em casos de aneurismas de aorta abdominal, pois quando o coles- terol aumenta ocorre a deposição de gordura dentro do vaso sanguíneo, nesse caso específico na artéria aorta, gerando um processo inflamatório crônico na parede vascular e elevadas possibilidades de desenvolvimento de uma necrose gordurosa na extensão do endotélio vascular. Além disso, enfatizam que: A aterosclerose no endotélio, desencadeia uma inflamação crô- nica que faz com que as células musculares lisas se desloquem da túnica média para a intima, também desencadeia a ativação de macrófagos. Os macrófagos começam a fagocitar as partícu- las de lipoproteínas, formando as células espumosas e gerando um deslocamento de célulasmusculares lisas, lipídios extrace- lulares e deposição de colágeno, desenvolvendo um ateroma fibroso, diversas vezes acometido com uma calcificação distró- FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 69 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 69 13/05/2021 11:47:37 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 69 fica, ocasionando a morte das células musculares lisas, por este motivo acontece a dilatação da parede vascular e consequen- temente o aneurisma. O acúmulo de gordura, a calcificação e trombo poderão gerar o processo tanto de dilatação da parede da aorta como também a obstrução da luz do vaso. Quando o aneurisma ultrapassa os 5 cm pode acontecer um aumento na atividade da enzima elastolítica MMP-9 de cerca de três vezes, também degradação da elastina e redução do seu teor (ASSIS; DUQUE, 2020, p. 93949). O distúrbio pode ser decorrente de defeitos presentes no nascimento (congênitos), de condições subjacentes, como doença vascular hipertensiva e aterosclerose (acúmulo de depósitos de gordura nas artérias) ou de trauma anterior na área do aneurisma. Níveis elevados de colesterol, pressão alta e tabagismo podem aumentar o risco de certos tipos de aneurismas. CURIOSIDADE A hipertensão e o tabagismo contribuem para a formação de aneurismas da aorta abdominal. A doença aterosclerótica (acúmulo de colesterol nas artérias) também pode levar à formação de alguns aneurismas. A gravidez é frequentemente associada ao desenvolvimento e ruptura de aneurismas da artéria esplênica. Condições hereditárias que afetam os tecidos conjuntivos do corpo, como a síndrome de Marfan, também aumentam o risco de desenvolver determina- dos tipos de aneurismas. Sendo assim, a literatura científica destaca que vários fatores aumentam o risco de desenvolver um aneurisma, entretanto, nem to- das as pessoas com fatores de risco devem desenvolvê-lo. Os fatores de risco incluem: • Aterosclerose; • Deficiência de estrogênio da menopausa; • Doenças genéticas do tecido conjuntivo; • Fumar ou outro uso de tabaco; • Histórico familiar; • Idade avançada; • Malformações de vasos sanguíneos preexistentes; FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 70 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 70 13/05/2021 11:47:37 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 70 • Hipertensão arterial; • Raça caucasiana; • Sexo masculino. Os aneurismas de artéria periférica ocorrem mais comumente nas: • Artéria poplítea (atrás dos joelhos); • Artéria mesentérica (intestino); • Artéria femoral (virilha); • Artéria esplênica (baço). Os sinais e sintomas de um aneurisma dependem de sua localização. O curso da doença varia entre as pessoas. Alguns pacientes com aneurisma não apresentam nenhum sintoma, mas se o aneurisma se romper, ocorre sangra- mento interno, podendo causar dor, pressão arterial baixa, batimento cardíaco acelerado e tontura. Quando um aneurisma rompe dentro do crânio (aneuris- ma intracraniano), os pacientes relatam “a pior dor de cabeça de suas vidas” seguida por declínio rápido e progressivo no estado de alerta, função mental e outras funções neurológicas. Se o aneurisma ocorrer próximo à superfície da pele, frequentemente serão sentidos dor e edema com uma massa latejante. Mais especificamente, os aneurismas podem se desenvolver lentamente ao longo de muitos anos. Muitas pessoas não apresentam sintomas, enquanto outras podem apresentar uma série de sintomas que variam em intensidade, dependendo da localização/região, da taxa de crescimento e do tamanho do aneurisma. No entanto, em geral, os sintomas mais comuns de um aneurisma intracraniano acontecem quando ele se rompe. Caso o paciente apresente al- guns dos sintomas destacados a seguir, será considerado um aneurisma grave: • Confusão ou perda de consciência mesmo por um breve momento; • Convulsões e tremores; • Dor de cabeça severa; • Maior sensibilidade à luz; • Náuseas com ou sem vômito; • Pálpebra caída; • Pupila dilatada; • Sensação pulsante; • Torcicolo; • Visão turva ou dupla. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 71 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 71 13/05/2021 11:47:37 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 71 Figura 1. Rompimento de um aneurisma. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 05/05/2021. Felizmente, os aneurismas podem ser tratados com sucesso em uma va- riedade de opções, como mudanças no estilo de vida, controle da pressão alta ou procedimento cirúrgico. Se não for tratado, um aneurisma pode romper. A ruptura de uma artéria pode resultar em sangramento com risco de vida, como pode ser observado na Figura 1. O tratamento para aneurismas começa com a busca urgente de cuidados médicos. Para determinar se o paciente tem um aneurisma, o profissional deve solicitar vários testes diagnósticos. O tratamento de um aneurisma depende do tipo, tamanho e localização. Um aneurisma em expansão ou aumento da aorta requer tratamento de emergência e a cirurgia é geralmente recomendada. O tipo de cirurgia e quando é necessária depende dos sintomas, do tamanho e do tipo do aneurisma. Alguns pacientes podem fazer o reparo endovascular do stent. Um stent é um pequeno tubo colocado dentro de um vaso sanguíneo para mantê-lo aberto ou para reforçar sua parede, como se pode observar na Figura 2. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 72 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 72 13/05/2021 11:47:37 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 72 Figura 2. Tratamento com stent no aneurisma. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 05/05/2021. Alguns tipos de aneurismas, que são pequenos ou não representam risco de vida, podem ser cuidadosamente observados por um profi ssional. Essa ob- servação requer cuidados médicos e testes regulares. A imagem de ultrassom é usada para monitorar o crescimento potencial do aneurisma. A decisão de realizar a cirurgia requer um equilíbrio entre o risco de complicações cirúrgicas e o risco de complicações do próprio aneurisma. Os tratamentos comuns de aneurisma incluem o controle de pressão arterial, controle de fatores de ris- co, observação e monitoramento do paciente, bem como reparo cirúrgico do aneurisma, se necessário (GAMA, 2020). Doença arterial periférica A doença arterial periférica é defi nida como estreitamento e obstrução do fl uxo anterógrado das principais artérias sistêmicas. Existem muitas causas de doença arterial periférica, incluindo vasculite, síndromes displásicas, doen- ças degenerativas, trombose e tromboembolismo; no entanto, a mais comum é a aterosclerose. Isso acontece mais comumente nos membros inferiores e causa diversas síndromes clínicas (CONTE; VALE, 2018). A Figura 3 ilustra um exemplo da doença arterial periférica. Endoprótese FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 73 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 73 13/05/2021 11:47:38 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 73 Figura 3. Doença arterial periférica. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 05/05/2021. A maioria dos casos é assintomática, mas mesmo a doença clinicamente silenciosa implica aumento da morbidade e mor- talidade vascular. As estratégias de diagnóstico e tratamento são diretas e amplamente aplicá- veis, todavia a doença arterial periférica per- manece subtratada. Por isso, é importante reconhecer o impacto da doença arterial pe- riférica e as medidas que se pode tomar para tratar esses pacientes (CONTE; VALE, 2018). Como a aterosclerose é um processo sistêmico, Conte e Vale (2018) des- tacam que existe uma forte correlação com a doença arterial coronariana e a doença cerebrovascular. A gravidade clínica de uma dessas síndromes prediz nas outras. De acordo com essas informações, os pacientes com doen- ça arterial periférica sintomática grave de grandes vasos podem apresentar 25% de chance de morte por causas vasculares em 12 meses. A doença arte-rial periférica grave é, portanto, equivalente, em termos de risco de morta- lidade vascular, à história pessoal de doença arterial coronariana ou doença cerebrovascular. A mortalidade em um ano de pacientes com doença arterial periférica crônica grave é de até 45%. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 74 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 74 13/05/2021 11:47:38 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 74 Os principais fatores de risco para doença arte- rial periférica são tabagismo, hipertensão, hiper- lipidemia (dislipidemia), diabetes melito, obe- sidade e histórico familiar de doença vascular, sendo o tabagismo o mais forte. Segundo Conte e Vale (2018), estudos científicos têm demonstrado que o tabagismo e o diabetes melito são os mais fortes preditores de morbidade e mortalidade, cada um confe- rindo risco 2,5 vezes maior de mortalidade ou morbidade importante por doença arterial periférica. O diabetes também está associado à aterosclerose acelerada e maiores taxas de eventos cardíacos, especialmente em pacientes com glicemia mal-controlada. De acordo com as diretrizes de prática da American College of Cardiology e American Heart Association (órgãos de referências no mundo), os pacientes com doença arterial periférica se enquadram clinicamente em uma das quatro categorias, dependendo de seus sintomas: assintomático, claudicação intermi- tente, isquemia crônica de membro, isquemia aguda de membro. Mais infor- mações detalhadas foram apresentadas por Conte e Vale (2018): • Assintomático: representa mais de 50% dos pacientes e se beneficia mais com a modificação dos fatores de risco e acompanhamento regular. Esse grupo de pacientes também é o mais sub-reconhecido e subtratado, com até 70% dos casos desconhecidos pelos médicos da atenção primária à saúde. Embora não afetados em termos de função e estilo de vida, esses pacientes têm um risco aumentado de 40% para acidente vascular encefálico (AVE) e um risco aumen- tado de 20 a 60% para infarto agudo do miocárdio (IAM); • Claudicação intermitente: o paciente com doença arterial periférica clássico é aquele que apresenta claudicação intermitente (dor típica nas pan- turrilhas e/ou nádegas provocada pela atividade e aliviada pelo repouso). Isso afeta metade dos pacientes com a doença assintomática. Embora significativa- mente limitante em termos de qualidade de vida, a claudicação intermitente geralmente é estável, entretanto apenas 1 a 3% desses pacientes necessita de amputação. A presença de qualquer um dos fatores de risco mencionados au- menta o risco de progressão. O tabagismo, sendo o pior fator de risco, confere um aumento de risco de 11 vezes; FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 75 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 75 13/05/2021 11:47:38 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 75 • Isquemia crônica de membro: é definida como dor em repouso ou ul- ceração com ou sem necrose do tecido. Esses pacientes frequentemente re- querem amputação. No geral, quase 25% dos pacientes com isquemia crônica de membro requerem amputação dentro de 12 meses do diagnóstico. Esses pacientes apresentam mortalidade em um, cinco e dez anos de 20 a 45%, 40 a 70% e 80 a 95%, respectivamente. O tratamento intervencionista agressivo pode ser necessário para prevenir a perda do membro e a modificação do fator de risco é crucial para reduzir a mortalidade vascular. Pacientes com is- quemia crônica de membro precisam de encaminhamento cirúrgico precoce, angiografia e consideração para intervenção aguda; • Isquemia aguda de membro: caracterizada pelo rápido início da isque- mia que ameaça a viabilidade do membro. Ela se manifesta como claudicação crescente e normalmente progride, de modo rápido, para dor em repouso. Junto com falta de pulso, palidez e, eventualmente, parestesia e paralisia. A isquemia aguda de membro é causada pela ruptura da placa e subsequente formação de trombo oclusivo. Em contraste com a isquemia crônica de mem- bro, a oclusão ocorre muito rapidamente para permitir a formação de vasos colaterais e, portanto, a viabilidade do membro está ameaçada. O prognós- tico para pacientes com isquemia aguda de membro está mais fortemente relacionado ao tempo de revascularização e à extensão do dano ao tecido e ao nervo sustentado, bem como à presença de outros fatores de risco de doença cardiovascular. De acordo com Conte e Vale (2018), o tratamento da doença arterial perifé- rica se concentra em dois objetivos principais: melhorar a qualidade de vida, reduzindo os sintomas, e diminuir a morbidade e mortalidade vascular. Todos os planos de manejo devem incluir modificação agressiva dos fatores de ris- co. Isso inclui a cessação do tabagismo, controle da pressão arterial, controle de lipídios, perda de peso, exercícios e intervenções dietéticas. A cessação do tabagismo é especialmente importante, pois fumar continuamente pode prejudicar os benefícios dos programas de exercícios e terapias medicamen- tosas. Todas as estratégias para pacientes com doença arterial periférica ou claudicação intermitente assintomáticos devem incluir, se possível, progra- mas de exercícios supervisionados, uma vez que foram considerados eficazes em aumentar a distância percorrida sem dor. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 76 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 76 13/05/2021 11:47:38 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 76 As terapias farmacológicas destinadas à modificação dos fatores de risco e à redução do risco de eventos cardiovasculares são garantidas em quase todos os pacientes com doença arterial periférica, tais como: con- trole de lipídios com uma estatina, redução da pressão arterial com tera- pia com inibidor da enzima de conversão da angiotensina ou bloqueador do receptor da angiotensina e o controle da glicemia (CONTE; VALE, 2018). Existem diversas terapias intervencionistas destinadas a aumentar a perfusão ou remover bloqueios discretos. Essas estratégias incluem trombólise farmacológica, angioplastia transluminal percutânea com ou sem inserção de stent, trombectomia mecânica e procedimentos cirúr- gicos de bypass. Em geral, essas intervenções são reservadas para pa- cientes com cargas sintomáticas significativas, de modo que interrom- pam sua atividade normal. Os procedimentos também são considerados apropriados em pacientes de baixo risco nos quais exercícios e terapia medicamentosa ideais não são eficazes ou possíveis. A intervenção fisioterapêutica envolve a realização de exercícios aeróbicos (bicicleta alternada com cicloergômetro de braços e esteira), exercícios resistidos (musculação) e eletroestimulação neuromuscular. Sendo assim, fica evidente que essas doenças promovem mui- ta incapacidade funcional e intenso quadro doloroso e a fi- sioterapia, por meio de exercícios, pode trazer be- nefícios tais como: diminuição da dor durante a caminhada, aumento do desempenho nas ati- vidades básicas e instrumentais da vida diá- ria, além de atividades laborais (WICHNIESKI et al., 2015). Doenças venosas agudas e crônicas Todos correm o risco de desenvolver doenças vasculares. Com o aumento da obesidade e do diabetes melito tipo II e à medida que a população envelhe- ce, as doenças vasculares estão se tornando epidêmicas. A doença vascular geralmente acontece em locais de fl uxo sanguíneo turbulento, como quando o fl uxo sanguíneo muda de direção abruptamente. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 77 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 77 13/05/2021 11:47:38 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 77 As doenças venosas (agudas ou crônicas) são muito comuns, atingindo uma alta parcela da população brasileira. Devem-se à falha na drenagem do sangue venoso que deveria retornar dos membros inferiores ao coração, promovendo estase (acúmulo) distal(próximo ao pé), causando, assim, os sintomas. As doenças agudas e crônicas vasculares mais comuns na prática clínica são as varizes de membros inferiores e a trombose venosa profunda. Ambas são incapacitantes e geram muita dor e incapacidade funcional para o paciente, interferindo negativamente em sua qualidade de vida. Varizes de membros inferiores A doença venosa crônica dos membros inferiores é representada por sinais e sintomas produzidos por hipertensão venosa devido às alterações estruturais ou funcionais das veias dos membros inferiores. Essas alterações podem variar desde telangiectasias, passando por veias reticulares, varizes e até alterações trófi cas de pele e tecido celular subcutâneo nos membros infe- riores (LINS et al., 2012). Segundo Lins e colaboradores (2012), a doença venosa crônica apresenta uma prevalência mundial considerada alta, tendo, no entanto, uma variedade grande de incidência dependendo dos fatores considerados. Quando é levada em conta a presença de varizes dos membros inferiores, a prevalência mun- dial pode variar de 1 a 73% em mulheres e de 2 a 56% em homens. No Brasil, sua prevalência varia de 41 a 62% nas mulheres e de 13 a 37%, nos homens. A classifi cação da doença venosa crônica considera fatores anatômicos, fi siopatológicos, etiológicos e clínicos. Quanto à epidemiologia dos pacientes portadores de doença venosa crônica, diversos fatores têm sido atribuídos ao aparecimento de varizes nos membros inferiores, entre os quais merecem des- taque, segundo Pereira, Mesquita e Gomes (2014): • Atividades laborativas em ortostatismo; • Gravidez; • Histórico familiar de varizes dos membros inferiores; • Idade avançada; • Obesidade; • Uso de estrógenos. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 78 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 78 13/05/2021 11:47:38 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 78 A doença venosa dos membros inferiores é uma condição médica muito co- mum. O refluxo das veias safenas é o modo mais frequente de insuficiência e a mais comum, responsável pelo surgimento de veias varicosas nos membros inferiores (PEREIRA; MESQUITA; GOMES, 2014). A presença de varizes é respon- sável em grande parte dos doentes por um prejuízo de sua qualidade de vida. É importante destacar o fardo que essa patologia tem, em termos sociais, ao con- dicionar situações de absentismo laboral e ao corresponder a uma porção signi- ficativa de gastos em saúde, no Brasil (PEREIRA; MESQUITA; GOMES, 2014). Uma quantidade dos pacientes acometidos acaba por desenvolver complicações im- portantes, como atrofia branca (cicatrizes específicas), dermite pigmentar, ede- ma, lipodermatoesclerose, trombose venosa superficial ou profunda e úlceras. A Figura 4 mostra o aspecto do membro inferior de um paciente com varizes: EXPLICANDO A lipodermatoesclerose representa uma paniculite que se caracteriza por endurecimento e, também, uma hiperpigmentação da pele envolvendo as panturrilhas, com a aparência chamada de “garrafa de champanhe invertida”. Várias teorias têm surgido na literatura científica em relação à etiologia que permeia o enfraquecimento progressivo da parede venosa, desde a incompe- tência valvular até distúrbios celulares musculares e da organização da matriz extracelular. No entanto, a sua etiologia ainda não é compreendida totalmente (PEREIRA; MESQUITA; GOMES, 2014). Figura 4. Membro inferior com varizes. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 05/05/2021. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 79 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 79 13/05/2021 11:47:39 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 79 No acontecimento de varizes primárias com disfunção da parede venosa, generalizada ou focal, a insuficiência das válvulas afasta suas cúspides secun- dariamente a essa dilatação. As varizes primárias originam veias superficiais, já as secundárias acontecem em veias profundas, levando a uma má-forma- ção venosa com fístulas arteriovenosas, tromboses venosas profundas, trau- matismos do sistema venoso e, até mesmo, uma oclusão. As veias também podem ser classificadas em reticulares e varicosas. Conforme destacado por Lima (2019, p. 591): As veias reticulares são azuladas, subdérmicas e tortuosas, com calibre que varia entre 1 e 3 mm. Excluem-se, dessa classifica- ção, veias visíveis de pessoas com pele fina e transparente. As veias varicosas são subcutâneas, dilatadas e também tortuosas, com diâmetro igual ou maior a 3 mm, em posição ortostática, en- volvendo também veias safenas, tributárias de safenas ou veias superficiais da perna não relacionadas às safenas. Como consequência da referida dilatação das varizes, a coluna de sangue formada consegue aplicar uma progressiva pressão hidrostática maior, trans- mitindo-a aos capilares sanguíneos e potencializando a saída de líquido e de proteínas consideradas pequenas para o espaço extravasal. Até então, essa atividade é compensada pela reabsorção proteica e absorção do sistema linfá- tico (LIMA, 2019). Com a continuação do quadro de hipertensão venosa, a reabsorção da proteína e a absorção do sistema linfático começam a ser menores que o extra- vasamento, causando o edema. Nessa etapa, o edema envolvido com resposta inflamatória de neutrófilos, fagócitos e macrófagos tem a capacidade de poten- cializar a permeabilidade capilar, ocasionando um extravasamento acompa- nhado de componentes do sangue considerados maiores, como as hemácias. Com o aumento progressivo da pressão na região intersticial, há redução da oxigenação e as trocas metabólicas, promovendo a quebra das hemácias e, com a liberação da hemoglobina, há produção de hemossiderina, que irrita os tecidos. Devido ao ressecamento, existe a descamação e redução da espessura da pele, aumentando a atividade oncótica e fibrose, o que se apresenta como estágio de úlcera varicosa (LIMA, 2019). A Figura 5 ilustra como ocorrem as va- rizes por meio das deformidades das válvulas. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 80 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 80 13/05/2021 11:47:39 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 80 Figura 5. Comparação entre vasos normais e com varizes. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 05/05/2021. O tratamento cirúrgico das varizes inclui a técnica de laqueação da junção safeno-femoral e stripping do refluxo das veias safenas, associada ou não a flebectomia complementar. Esse tratamento era o mais utilizado mundialmen- te, mas, nos últimos anos, novos métodos considerados menos invasivos têm aparecido, por exemplo, a ablação endovenosa por laser, a ablação por radio- frequência, a escleroterapia com espuma guiada por ecografia e o método me- cânico‐químico (PREREIRA; MESQUISA; GOMES, 2014). Os métodos minimamente invasivos diferem da técnica da cirurgia aber- ta por alguns motivos: ausência de laqueação da junção safeno‐femoral, o que exclui a necessidade de incisão na região da virilha, e na forma de remoção do refluxo das veias safenas e suas tributárias incompetentes que, em vez de excisadas, são destruídas in situ. Já no método mecânico‐químico, existe a com- binação da lesão da íntima e vasospasmo ocasionadas pelo método mecânico e a ação esclerosante do componente químico, líquido (PREREIRA; MESQUISA; GOMES, 2014). A fisioterapia é importante para esses pacientes, principalmen- te por meio dos exercícios terapêuticos. Nesse sentido, Leal e colaboradores (2015, p. 224) destacam que: Veias normais Varizes Válvula Fluxo sanguíneo normal Fluxo sanguíneo anormal Deformidade na válvula Pele normal Edemas e feridas FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 81 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 81 13/05/2021 11:47:40 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 81 Os exercícios terapêuticos são efetivos no tratamento da doen- ça venosa crônica. No âmbito dos exercíciosneuromusculares, o treinamento da musculatura da panturrilha é colocado em evi- dência como uma atividade capaz de diminuir o refl uxo sanguíneo e aprimorar a competência das veias, causando redução dos des- confortos e malefícios promovidos por tal disfunção. Sendo assim, um programa terapêutico da fi sioterapia vascular, principal- mente para as varizes de membros inferiores, chamado de cinesioterapia vascu- lar, deve ser composto por três fases: • Fase de aquecimento: objetiva aumentar o fl uxo sanguíneo muscular, o consumo de oxigênio basal e proporcionar efeitos positivos psicológicos que se manifestam principalmente como sensação de preparação ao exercício; • Fase de treinamento: pode ser executado por meio de exercícios resisti- dos, proporcionando melhora na ejeção do volume venoso e na potencialização da resistência muscular da panturrilha, como também aumento no desempenho das atividades da vida diária. Nessa etapa, ainda pode executar exercícios aeró- bicos para produzir um aproveitamento maior da musculatura da panturrilha, fa- cilitando retorno venoso e causando uma melhor mobilização articular dos pés; • Fase de relaxamento: objetivando uma gradual desaceleração na intensi- dade do exercício, levando a uma redução dos estímulos nervosos simpáticos e aumento dos parassimpáticos, promovendo drenagem linfática manual. Desse modo, ressalta-se: a fi sioterapia vascular ajuda no controle do quadro clínico das varizes de membros inferiores, melhorando o edema e a amplitude de movimento articular, favorecendo a melhora da qualidade de vida dos acome- tidos pela doença. Trombose venosa profunda O acontecimento de trombose venosa profunda pode levar a graves com- plicações, como embolia pulmonar e síndrome pós-trombótica. Cerca de 10% dos embolismos pulmonares sintomáticos podem levar ao óbito em uma hora após o início e, se forem deixados sem nenhum tratamento, aproximadamente 30% dos pacientes inicialmente com embolia pulmonar não fatal podem ter uma recorrência fatal (GARCIA et al., 2005). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 82 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 82 13/05/2021 11:47:40 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 82 A estimativa da incidência da trombose venosa é calculada em 0,6 ca- sos/1.000 habitantes/ano. Em casos especiais, como correção cirúr- gica de fratura de fêmur, a incidência de trombose venosa profunda diagnosticada por flebografia, pode chegar a 62,5%, onde metade está presente antes do ato cirúrgico (GARCIA et al., 2005, p. 36). A trombose venosa é considerada um processo patológico em que a luz do vaso sanguíneo é obstruída por uma excessiva quantidade de estruturas compostas por fibrinas e plaquetas, como pode ser observado na Figura 6. Os eventos tromboembolísticos podem acontecer praticamente em todo o orga- nismo, sendo mais acometidos os membros inferiores, onde 90% dos casos caracterizam uma trombose venosa profunda. Figura 6. Comparação entre vasos normais e com varizes. Fonte: Shhutterstock. Acesso em: 05/05/2021. A tríade de Virchow implica três fatores contribuintes na formação da trombose: estase venosa (diminuição no fluxo sanguíneo), lesão vascular e hi- percoagulabilidade (alterações na constituição do sangue). A estase venosa é o mais consequente dos três fatores, mas por si só parece ser insuficiente para causar a formação de trombo. No entanto, a presença simultânea de estase venosa e lesão vascular ou hipercoagulabilidade aumenta muito o risco de for- mação de coágulos (STONE et al., 2017). Embolia Conágulos de sangue Fluxo sanguíneo normal Trombose venosa profunda FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 83 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 83 13/05/2021 11:47:41 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 83 CONTEXTUALIZANDO As condições clínicas mais intimamente associadas à trombose venosa profun- da estão fundamentalmente relacionadas aos elementos da tríade de Virchow, descrita pela primeira vez em 1856, incluindo cirurgia ou trauma, malignidade, imobilidade prolongada, gravidez, insuficiência cardíaca congestiva, veias vari- cosas, obesidade, idade avançada e história de trombose venosa profunda. A trombose venosa tende a acontecer em áreas com fluxo sanguíneo reduzi- do ou alterado mecanicamente, como as bolsas adjacentes às válvulas nas veias profundas da perna. Embora as válvulas ajudem a promover o fluxo sanguíneo por meio da circulação venosa, também são locais potenciais para a estase venosa e hipóxia. Vários estudos demonstraram a propensão para a formação de trom- bos venosos nos seios da face adjacentes às válvulas venosas. À medida que o fluxo sanguíneo diminui, a tensão de oxigênio reduz com um aumento coincidente do hematócrito (STONE et al., 2017). Stone e colaboradores (2017) destacam que o microambiente hipercoagulável que se segue pode reduzir a regulação de determinadas proteínas antitrombó- ticas que são preferencialmente expressas em válvulas venosas, incluindo trom- bomodulina e receptor de proteína C endotelial. Além de diminuir importantes proteínas anticoagulantes, a hipóxia impulsiona a expressão de determinados pró-coagulantes. Entre elas está a P-selectina, uma molécula de adesão que atrai células imunológicas contendo fator tecidual para o endotélio. Um trombo venoso tem essencialmente dois componentes, um trombo branco interno rico em plaquetas formando as chamadas linhas de Zahn (LZ), circundadas por um coágulo de fibrina densa de hemácias externas. A fibrina e o DNA extrace- lular complexados com proteínas histonas formam o arcabouço externo, que pode ser importante na determinação da suscetibilidade do trombo ao ativador do plas- minogênio tecidual e à trombólise. À medida que a proporção de pró-coagulantes para anticoagulantes aumenta, potencializa o risco de formação de trombo. A proporção de proteínas é determinada em parte pela relação entre a super- fície da célula endotelial e o volume sanguíneo. Uma diminuição da razão entre a superfície celular e o volume sanguíneo (ou seja, vasos grandes) favorece os pró-coagulantes. Fator VIII, fator de von Willebrand, fator VII e protrombina pa- recem ser particularmente influentes na inclinação da escala para a coagulação. Além de promover a geração de trombina, a protrombina inibe as propriedades FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 84 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 84 13/05/2021 11:47:41 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 84 anticoagulantes da proteína C ativada, amortecendo, assim, uma via natural de anticoagulante (STONE et al., 2017). Existem três dessas vias: via do anticoagulante da proteína C (proteína C, proteína S, trombomodulina e, talvez, EPCR), via da he- parina-antitrombina e via do inibidor do fator tecidual. Defeitos nessas vias estão associados a um risco aumentado de formação de trombo. Existem também diversas variantes familiares que predispõem à formação de trombos, aumentando os níveis de fator VII, VIII, IX, fator de von Willebrand e protrombina. O fator V de Leiden afeta até 5% dos caucasianos e aumenta o risco de trombose em sete vezes. Outros fatores de risco para a for- mação de coágulos incluem câncer, anticoncepcionais orais, obesidade e idade avançada (STONE et al., 2017). A malignidade pode exercer um efeito compressivo nas veias, contribuindo para a estase. Também leva à liberação de pró-coagulantes, como o fator tecidual, nas partículas de membrana que promovem a trombose. A obesidade e o uso de anticoncepcionais orais são fatores de risco independentes para trombose. Juntos, aumentam o risco de trombose de modo sinérgico. Nesse sentido, em conjunto, a formação da trombose é um processo dinâmico e multicausal que depende de um equilíbrio preciso de fatores físicos e bioquímicos (STONE et al., 2017). O Quadro 1 resume os fatores de risco para trombosevenosa profunda. Fatores hereditários Fatores adquiridos Fatores de associação provável • Resistência à ativação da proteína C com ou sem fator V de Leiden; • Mutação do gene de protrombina; • Disfi brinogenemia; • Defi ciência de proteína C ou S; • Defi ciência de antitrombina. • Uso de anticoncepcionais orais ou reposição hormonal; • Trauma medular; • Trauma; • Síndrome anticorpo antifosfolípides; • Policitemia vera; • Obesidade; • Neoplasia maligna; • Imobilizações; • Imobilidade; • Idade avançada; • Grandes cirurgias; • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda (principalmente infecção); • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). • Níveis aumentados de homocisteína; • Níveis aumentados de fi brinogênio; • Baixos níveis de inibidor de fator tecidual; • Aumento de lipoproteína (a). QUADRO 1. FATORES DE RISCO PARA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA • Resistência à ativação • Resistência à ativação da proteína C com ou sem fator V de Leiden; • Resistência à ativação da proteína C com ou sem fator V de Leiden; • Mutação do gene de • Resistência à ativação da proteína C com ou sem fator V de Leiden; • Mutação do gene de • Resistência à ativação da proteína C com ou sem fator V de Leiden; • Mutação do gene de protrombina; • Disfi brinogenemia; • Defi ciência de proteína • Resistência à ativação da proteína C com ou sem fator V de Leiden; • Mutação do gene de protrombina; • Disfi brinogenemia; • Defi ciência de proteína • Uso de anticoncepcionais orais • Resistência à ativação da proteína C com ou sem fator V de Leiden; • Mutação do gene de protrombina; • Disfi brinogenemia; • Defi ciência de proteína • Uso de anticoncepcionais orais da proteína C com ou sem fator V de Leiden; • Mutação do gene de protrombina; • Disfi brinogenemia; • Defi ciência de proteína C ou S; • Defi ciência de • Uso de anticoncepcionais orais ou reposição hormonal; sem fator V de Leiden; • Mutação do gene de protrombina; • Disfi brinogenemia; • Defi ciência de proteína C ou S; • Defi ciência de antitrombina. • Uso de anticoncepcionais orais ou reposição hormonal; • Disfi brinogenemia; • Defi ciência de proteína C ou S; • Defi ciência de antitrombina. • Uso de anticoncepcionais orais ou reposição hormonal; • Trauma medular; • Disfi brinogenemia; • Defi ciência de proteína • Defi ciência de antitrombina. • Uso de anticoncepcionais orais ou reposição hormonal; • Trauma medular; • Síndrome anticorpo • Defi ciência de proteína • Defi ciência de antitrombina. • Uso de anticoncepcionais orais ou reposição hormonal; • Trauma medular; • Trauma; • Síndrome anticorpo antifosfolípides; • Uso de anticoncepcionais orais ou reposição hormonal; • Trauma medular; • Trauma; • Síndrome anticorpo antifosfolípides; • Policitemia vera; • Uso de anticoncepcionais orais ou reposição hormonal; • Trauma medular; • Trauma; • Síndrome anticorpo antifosfolípides; • Policitemia vera; • Obesidade; • Neoplasia maligna; • Uso de anticoncepcionais orais ou reposição hormonal; • Trauma medular; • Síndrome anticorpo antifosfolípides; • Policitemia vera; • Obesidade; • Neoplasia maligna; • Imobilizações; • Uso de anticoncepcionais orais • Síndrome anticorpo antifosfolípides; • Policitemia vera; • Obesidade; • Neoplasia maligna; • Imobilizações; • Imobilidade; • Idade avançada; • Gestação e puerpério imediato; • Síndrome anticorpo antifosfolípides; • Policitemia vera; • Obesidade; • Neoplasia maligna; • Imobilizações; • Imobilidade; • Idade avançada; • Grandes cirurgias; • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda • Policitemia vera; • Obesidade; • Neoplasia maligna; • Imobilizações; • Imobilidade; • Idade avançada; • Grandes cirurgias; • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda (principalmente infecção); • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). • Neoplasia maligna; • Imobilizações; • Imobilidade; • Idade avançada; • Grandes cirurgias; • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda (principalmente infecção); • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). • Imobilidade; • Idade avançada; • Grandes cirurgias; • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda (principalmente infecção); • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). • Idade avançada; • Grandes cirurgias; • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda (principalmente infecção); • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). • Grandes cirurgias; • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda (principalmente infecção); • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). • Níveis aumentados de • Níveis aumentados de • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda (principalmente infecção); • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). • Níveis aumentados de • Níveis aumentados de • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda (principalmente infecção); • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). homocisteína; • Níveis aumentados de • Baixos níveis de inibidor de • Níveis aumentados de homocisteína; • Níveis aumentados de fi brinogênio; • Baixos níveis de inibidor de • Gestação e puerpério imediato; • Condição médica aguda (principalmente infecção); • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). • Aumento de lipoproteína (a). • Níveis aumentados de homocisteína; • Níveis aumentados de fi brinogênio; • Baixos níveis de inibidor de • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). • Aumento de lipoproteína (a). • Níveis aumentados de homocisteína; • Níveis aumentados de fi brinogênio; • Baixos níveis de inibidor de • Cateter venoso central (trombose venosa profunda de membro superior). fator tecidual; • Aumento de lipoproteína (a). • Níveis aumentados de homocisteína; • Níveis aumentados de fi brinogênio; • Baixos níveis de inibidor de venosa profunda de membro superior). fator tecidual; • Aumento de lipoproteína (a). • Níveis aumentados de fi brinogênio; • Baixos níveis de inibidor de fator tecidual; • Aumento de lipoproteína (a). • Níveis aumentados de • Baixos níveis de inibidor de fator tecidual; • Aumento de lipoproteína (a). • Baixos níveis de inibidor de • Aumento de lipoproteína (a). • Baixos níveis de inibidor de • Aumento de lipoproteína (a).• Aumento de lipoproteína (a). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 85 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 85 13/05/2021 11:47:41 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 85 O diagnóstico de trombose venosa profunda necessita de um alto ín- dice de suspeita porque os sinais e sintomas na maioria das vezes são inespecíficos. Anticoagulação continua a ser o ponto-chave da terapia. O ideal anticoagulante e a duração da terapia são determinados pela avalia- ção clínica especializada. Com relação ao tratamento, destaca-se: Os objetivos do tratamento da trombose venosa profunda são prevenir ocorrência de embolia pulmonar, síndrome pós-trombótica e recorrência da trombose venosa profunda. Para tal, vários tipos de tratamentos estão disponíveis no ar- senal terapêutico. O tratamento conservador tradicional ini- cial seria feito com heparina não fracionada ou heparina de baixo peso molecular, seguido de varfarina (antagonista da vitamina K, AVK) em longo prazo. Outro tratamento empre- gado, em especial para casos mais graves e extensos, seria o tratamento fibrinolítico (alteplase/Actilyse®), seguido de anticoagulantes (YOSHIDA, 2016, p. 01). Com relação ao tratamento fisioterapêutico, Mendonça e colaborado- res (2020, p. 128) destacam que: O papel do f isioterapeuta vai desde a avaliação do poten- cial risco de trombosevenosa profunda e prevenção até a redução dos agravos causados pela mesma. Os principais benefícios encontrados são a melhora da circulação perifé- rica, diminuição do edema e melhora da qualidade de vida. A combinação de mobilização precoce, anticoagulação e compressão dos membros inferiores demonstram-se ef ica- zes na prof ilaxia. Desse modo, conclui-se que doenças agudas e crônicas vas- culares mais comuns, na prática clínica, são incapacitantes e le- vam o paciente a um declínio de sua qualidade de vida. Portanto, o fisioterapeuta deve estar atento aos sinais e sintomas do paciente, bem como sua capacidade funcional, sempre avaliando e pro- pondo objetivos e condutas específicas para po- tencializar a promoção da saúde desses pacientes. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 86 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 86 13/05/2021 11:47:41 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 86 Outras doenças vasculares O sistema vascular é a rede de vasos sanguíneos do corpo humano. Isso inclui as artérias, que transpor- tam sangue rico em oxigênio do cora- ção para os tecidos e órgãos, as veias, que carregam o sangue e resíduos de volta para o coração, e os capilares, que são pequenos vasos sanguíneos que conectam as pequenas artérias às pequenas veias. As paredes dos capilares são fi nas e vazam para per- mitir a troca de materiais entre os te- cidos e o sangue. As doenças vasculares são condições que afetam o sistema vascular, são comuns e podem ser graves. Algumas doenças vasculares extremamente im- portantes e bastante prevalentes no sistema de saúde, no Brasil, são as úlce- ras por pressão, que representam uma lesão na pele e no tecido subjacente resultante da prolongada pressão sobre a pele, o linfedema, que é um edema em um membro superior ou inferior causado por uma obstrução do sistema linfático, e a erisipela, que representa uma infecção cutânea ocasionada na maioria das vezes pela bactéria Streptococcus pyogenes do grupo A, mas tam- bém pode ser ocasionada por Haemophilus infl uenzae tipo B, que penetram por meio de um pequeno ferimento. Por fi m, na doença vascular diabética acontece um desenvolvimento de bloqueios ou oclusões das artérias devido ao diabetes melito. Úlceras por pressão A úlcera por pressão é considerada uma lesão na pele e/ou tecido sub- jacente, devido à pressão e forças de tensão, e, no Brasil, é dimensionada entre 19,1 e 39,8% de pessoas com tal lesão. As úlceras por pressão ocorrem independentes dos ambientes de cuidado. A Figura 7 mostra seus estágios. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 87 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 87 13/05/2021 11:47:42 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 87 ESTÁGIOS DAS ÚLCERAS POR PRESSÃO Epiderme Tecido subcutâneo Osso Tecido muscular Derme Figura 7. Etapas da úlcera por pressão. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 05/05/2021. Com relação à fisiopatologia da úlcera por pressão, em indivíduos com sensação, mobilidade e estado mental normais, a pressão prolongada pro- voca uma resposta de feedback que induz uma mudança na posição do cor- po. Entretanto, quando a resposta de feedback está ausente ou prejudicada, a pressão sustentada acaba levando à isquemia, lesão e necrose do tecido (MERVIS; PHILLIPS, 2019). As úlceras de pressão geralmente começam quan- do o peso corporal do indivíduo exerce uma força descendente sobre a pele e o tecido subcutâneo que fica entre uma proeminência óssea e uma super- fície externa, como um colchão ou almofada de cadeira de rodas. A pressão sustentada de dispositivos médicos também pode causar lesões por pressão. 3 1 2 4 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 88 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 88 13/05/2021 11:47:43 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 88 Mervis e Phillips (2019) enfatizam que as pressões externas sustentadas acima de um limiar causam isquemia prolongada e levam o tecido a um ca- minho de necrose. A lesão de reperfusão, que ocorre devido ao retorno do suprimento sanguíneo após um período de isquemia, tem sido considerada uma fonte adicional de lesão tecidual que leva a úlceras de pressão. A reper- fusão de tecido isquêmico pode causar aumento da formação de espécies reativas de oxigênio e desencadear uma resposta inflamatória. As pressões mais altas geralmente ocorrem na interface do osso e do músculo, promovendo necrose nessa profundidade, deixando a pele relati- vamente poupada. Do mesmo modo, os efeitos da hipóxia e do risco de lesão tecidual são inicialmente maiores no músculo, seguidos do tecido subcutâ- neo e depois da pele, provavelmente refletindo suas respectivas necessida- des metabólicas. Portanto, no ponto em que a ulceração da pele é observada, provavelmente já deve ter ocorrido uma lesão extensa do tecido profundo (MERVIS; PHILLIPS, 2019). Além disso, cisalhamento e fricção, quando deitado em uma inclinação, podem afetar os leitos capilares locais e tendem a contribuir para a hipóxia do tecido. Quando deitado em determinado ângulo, a força da gravidade para baixo é contrariada pelo atrito, que impede a pessoa de escorregar na cama. Embora a pele possa não se mover para baixo na cama, estruturas internas, como músculos e ossos, que não estão em contato com uma superfície ex- terna, são deslocadas para baixo devido à gravidade. Essas forças de cisa- lhamento podem interromper o fluxo sanguíneo, pois os vasos presos entre a pele e o osso são distorcidos ou comprimidos. Para finalizar os aspectos fisiopatológicos, o excesso de umidade da transpiração ou da incontinência pode macerar a pele, tornando-a mais suscetível à ruptura com fricção e re- posicionamento (MERVIS; PHILLIPS, 2019). A National Pressure Ulcer Advisory Panel no ano de 2014 apre- sentou novas classificações para úlcera por pressão, de acordo com seu comprometimento na pele ela se classifica nas seguin- tes categorias: categoria I (eritema de cor não esbranquiçada em pele intacta); categoria II (perda parcial da estrutura da pele ou flictena); categoria III (perda total da estrutura da pele com tecido subcutâneo visível); categoria IV (perda total da es- FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 89 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 89 13/05/2021 11:47:43 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 89 trutura dos tecidos, músculos e ossos visíveis); inclassifi cáveis (perda total da estrutura da pele ou tecidos com profundidade desconhecida); e suspeita de lesão profunda (área de cor ver- melha escura ou púrpura localizada na pele intacta ou fl ictena preenchida com sangue) (MEDEIROS et al., 2017, p. 2698). A prevenção inclui a identifi cação de pessoas em risco e a implemen- tação de medidas de prevenção específi cas, como seguir um cronograma de reposicionamento do paciente, manter a cabeceira da cama na elevação mais baixa segura para evitar cisalhamento, usando superfícies redutoras de pressão e avaliação da nutrição e fornecimento de suplementação, se necessário. A documentação de cada úlcera (ou seja, tamanho, localização, tecido de granulação, exsudato, odor, tratos sinusais, enfraquecimento e infecção) e estadiamento apropriado (classifi cação de I a IV) são essenciais para a avaliação da ferida. O tratamento envolve o controle de infecções locais e distantes, remo- ção de tecido necrótico, manutenção de um ambiente úmido para a cicatri- zação de feridas e, possivelmente, cirurgia. O desbridamento é indicado na presença de tecido necrótico. O desbridamento urgente deve ser reali- zado se ocorrer celulite avançada ou sepse. Os métodos de desbridamento mecânico, enzimático e autolítico são tratamentos não urgentes. A limpeza de feridas, de preferência com soro fi siológico e curativos apropriados, é a base do tratamento de úlceras limpas e após o desbridamento. A carga bacterianapode ser controlada com limpeza. Os antibióticos tópicos devem ser considerados se não houver melhora na cicatrização após 14 dias. Anti- bióticos sistêmicos são usados em pacientes com celulite em avanço, osteo- mielite ou infecção sistêmica. Linfedema O sistema linfático é composto de órgãos linfáticos, como linfonodos, amígdalas, timo e baço, todos conectados por uma rede de vasos que cor- rem paralelos à circulação venosa. O sistema linfático tem três funções prin- cipais: drenagem do excesso de fl uido intersticial, absorção de gordura e vigilância imunológica. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 90 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 90 13/05/2021 11:47:43 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 90 Segundo Grada e Phillips (2017), o líquido intersticial se refere à porção de líquido que vaza dos capilares sanguíneos para os espaços de tecido. A maior parte do líquido intersticial (90%) é reabsorvida pela microcirculação venosa e retorna à corrente sanguínea, o restante (10%) tem uma concentração de proteína relativa- mente alta e é drenado por capilares linfáticos com extremidades cegas. Uma vez que esse fl uido intersticial rico em proteínas entra nos capilares linfáticos, é co- nhecido como linfa. A linfa é, então, transportada pelos vasos linfáticos coletores, fi ltrada pelos nódulos linfáticos e, por fi m, reentra no sistema circulatório próximo ao ponto em que o sangue venoso periférico entra no coração. O fl uxo linfático normal é de dois a três litros por dia. Ao contrário dos capilares linfáticos, os vasos linfáticos coletores têm paredes musculares lisas e, portanto, a capacidade de contrair e impulsionar o fl uido linfático para frente. A diminuição da capacidade de drenagem causada por obstrução ou hipoplasia linfática leva a um acúmulo de líquido intersticial e edema do tecido conhecido como linfedemas (GRADA; PHILLIPS, 2017). A diminuição subsequente da tensão de oxigênio leva à infl amação crônica e à fi brose reativa do tecido. O sistema linfático tem uma importante função de vigilância imunológica. A linfa circulante transporta vários antígenos e células ativadas apresentadoras de antígenos para os nódulos linfáticos, orquestrando a resposta imune. A pele apresenta extensa presença de capilares linfáticos. Pacientes com linfedema são propensos a infecções cutâneas recorrentes devido ao acúmulo de antígenos nos tecidos periféricos. O linfedema tem um grande impacto para o sistema de saú- de porque é crônico, progressivo e requer tratamento para toda a vida. Pacientes com linfedema primário têm uma morbidade menor em comparação a pacientes com linfedema secundário, possivelmente porque têm uma melhor capacidade de compensar o mau funcionamento linfático (GRADA; PHILLIPS, 2017). Erisipela A erisipela é uma infecção cutânea que envolve a derme da pele, mas tam- bém pode se estender aos linfáticos cutâneos superfi ciais. É caracterizada por uma área de eritema bem demarcada, elevada e frequentemente afeta as ex- tremidades inferiores, sendo a face o segundo local mais comumente afeta- do (MICHAEL; SHAUKAT, 2020). A erisipela é uma doença infecciosa causada FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 91 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 91 13/05/2021 11:47:43 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 91 Figura 8. Erisipela em membro inferior. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 05/05/2021. pelas bactérias Estreptococo beta-hemolítico do grupo A e, ocasionalmente, Haemophilus influenzae tipo B, que penetram na pele por meio de ferimentos (como picada de inseto, frieira e micose). Com relação à fisiopatologia da erisipela, a infecção cutânea se espalha por uma fenda na pele, invadindo diretamente o sistema linfático e causando a erisipela. Pica- das de insetos, ulceração de estase, incisões cirúrgicas e insuficiência venosa foram relatadas como portais de entrada na pele. Alguns fatores de risco que predispõem as pessoas a desenvolver erisipela são: obesidade, linfedema, pé de atleta, úlceras de perna, eczema, abuso de drogas intravenosas, diabetes mal-controlado e doen- ça hepática. Erisipela recorrente também foi relatada, com a infecção geralmente ocorrendo no mesmo local. A histopatologia dessa doença apresenta uma dilatação vascular significativa, edema dérmico e invasão de bactérias nos vasos linfáticos e tecido conjuntivo. A invasão de vasos sanguíneos é rara (MICHAEL; SHAUKAT, 2020). A erisipela continua sendo um diagnóstico clínico e é importante avaliar o pa- ciente quanto aos traumas de pele ou faringite recente. Os pacientes costumam apresentar sintomas sistêmicos, como mal-estar, febre e calafrios, 48 horas antes do início da lesão cutânea. Foi bem-descrito, na literatura científica, que a erisipela se apresenta como uma área de eritema cutâneo que é nitidamente demarcada com bordas elevadas, como se pode ver na Figura 8. Frequentemente, os pacientes se queixam de ardor, sensibilidade e coceira no local. A doença mais grave pode se manifestar com vesículas, bolhas e até necrose (MICHAEL; SHAUKAT, 2020). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 92 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 92 13/05/2021 11:47:44 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 92 A localização da infl amação é muito importante. Na erisipela dos membros inferiores, é recomendado examinar os espaços interdigitais dos dedos dos pés em busca de fi ssuras, escamação ou maceração. Rubor e inchaço envolven- do uma articulação devem levantar suspeitas de outros processos de doenças mais graves, como artrite séptica. Os pacientes devem usar meias de com- pressão se a extremidade for afetada. Em alguns pacientes, a terapia com an- tibióticos de longo prazo é necessária para a cura (MICHAEL; SHAUKAT, 2020). Doença vascular diabética A vasculopatia diabética, tam- bém conhecida como doença vas- cular diabética, representa o de- senvolvimento de bloqueios ou oclusões das artérias, algumas ve- zes chamadas de enrijecimento das artérias, por causa do diabetes me- lito. Existem diversas doenças vas- culares que podem se desenvolver relacionadas a essa doença, sendo uma delas a retinopatia diabética. Outra condição ligada ao diabetes é a doença renal conhecida como ne- fropatia diabética, uma condição importante na Saúde Pública. Com relação à fisiopatologia da doença vascular diabética, grande par- te das complicações clínicas podem ser oriundas das mudanças na estru- tura e função vascular, com consequente lesão ao órgão final irrigado e morte (LUCCIA, 2003). Principalmente, dois tipos de doença vascular são vistos em pacientes com diabetes: a primeira é a disfunção microcirculatória não oclusiva, envolvendo os capilares e arteríolas dos rins, retina e os nervos periféri- cos; e a segunda é a macroangiopatia, representada por lesões arterioes- cleróticas das coronárias e circulação arterial periférica. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 93 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 93 13/05/2021 11:47:45 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 93 Apesar dessa similaridade do processo arterioesclerótico em diabéticos e não-diabéticos, vários aspectos diferenciam e ca- racterizam a doenças vascular das extremidades inferiores dos diabéticos. Nos pacientes diabéticos, há uma predileção da doença macrovascular oclusiva envolver primariamente as arté- rias tibiais e a peroneira, entre o joelho e o pé, como evidenciado pelo fato de 40% dos pacientes diabéticos com gangrena terem pulso poplíteo palpável. Artérias do pé, caracteristicamente a dorsal, entre outras, entretanto, são usualmente preservadas (LUCCIA, 2003, p. 49). Por causa desse aspecto de envolvimento de vasos distais e ao aconteci- mento da microangioapatia não oclusiva renal, retiniana e dos nervos perifé- ricos, popularizou-se o conceito de postular aarterioesclerose do diabético como sendo considerado por natureza microangiopática. Esse aspecto tem uma específica relevância, porque, por causa desse errô- neo conceito disseminado de ser a arterioesclerose diabética microangiopáti- ca, esses pacientes foram considerados por um grande tempo, e por muitos ainda o são, como não sendo passíveis de reconstruções arteriais, em caso de crítica isquemia, por não terem leito distal para vazão das revascularizações (LUCCIA, 2003). Comparados a outros tipos de arterioescleróticos, particularmente jovens fumantes, os pacientes diabéticos têm potencialmente muito mais condições para reconstruções arteriais devido à preservação especialmente de artérias distais, facilitando a tentativa de revascularizações e livramento de extremi- dades que, sem essa visão, seriam encaminhados para maiores amputações. Desse modo, destaca-se que o risco de doença vascular, bem como demais disfunções cardiológicas e angiológicas, aumenta em pacientes diabéticos. A hipertensão arterial pode também potencializar o risco de se desenvolver doença vascular diabética, bem como o sedentarismo, o excesso de peso ou dieta rica em gordura, o hábito de fumar etc. O controle dos níveis de açúcar no sangue é o melhor modo para reduzir ou prevenir as com- plicações vasculares. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 94 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 94 13/05/2021 11:47:45 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 94 Sintetizando Nesta unidade, vimos que a doença vascular é toda condição que afeta a rede de vasos sanguíneos, conhecida como sistema vascular ou circulatório. Alguns desses vasos transportam o sangue conforme o coração bate, bombeia o sangue com oxigênio e nutrientes para alimentar os tecidos e eliminar os resíduos, sendo que as artérias movem o sangue para longe do coração e as veias o devolvem. Além disso, aprendemos que os vasos linfáticos e os gânglios linfáticos fazem parte de um sistema de limpeza separado que livra o corpo de células danificadas e ajudam a protegê-lo de infecções e câncer. Os vasos captam o fluido dos tecidos de todo o corpo, drenando de volta para as veias sob suas clavículas. Destacamos também que as doenças vasculares variam desde problemas nas artérias, veias e vasos que transportam a linfa até distúrbios que afetam o fluxo sanguíneo. Uma doença pode significar que os tecidos não estão rece- bendo sangue suficiente, uma condição chamada isquemia, bem como outros problemas graves ou, até mesmo, fatais. Sendo assim, abordamos que, entre as principais doenças arteriais, desta- cam-se o aneurisma e a doença arterial periférica. Já nas doenças venosas, as varizes de membros inferiores e a trombose venosa profunda também estão muitos prevalentes no mundo todo. Por fim, aprendemos com mais detalhes que as doenças vasculares estão presentes na população, principalmente a le- são por pressão, o linfedema, a erisipela e a doença vascular diabética. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 95 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 95 13/05/2021 11:47:45 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 95 Referências bibliográficas ASSIS, J. A. 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Apresentando coloração vermelha, ele é composto de elementos celulares suspensos em uma extensa matriz fl uida, chamada plasma (DOUGLAS, 2009). Sua composição se deve à mistura de substâncias líquidas, que contém nutrien- tes, como água, proteínas, carboidratos, lipídios, além de sais e minerais, para cé- lula; veículos transportadores de gases oxigênio e carbônico, advindos da respi- ração celular, e substâncias com potencial tóxico ao organismo devido a reações metabólicas, como amônia (GUYTON; HALL, 2011; BARBANERA, 2019). As células – presentes no organismo – necessitam de nutrientes, os quais são carregados pelo plasma sanguíneo, para as atividades energéticas vitais e de ma- nutenção (SILVERTHORN, 2017). Devemos lembrar que o plasma sanguíneo é o componente do sangue que representa aproximadamente 55% do volume desse tecido. Além disso, ele corresponde à parte líquida e reúne os elementos celulares, como as hemácias ou eritrócitos, leucócitos e plaquetas (GUYTON; HALL, 2011). O volume sanguíneo apresenta diferenças entre o gênero masculino e femini- no. Adota-se que o seu total corresponda a 7% da massa humana. Sendo assim, encontra-se aproximadamente 5 kg de volume sanguíneo em um homem de 70 kg. Ainda ao considerar que um quilo de sangue seja equivalente a um litro, é pos- sível deduzir que um homem com 70 kg possui aproximadamente cinco litros de sangue, destacando-se que dois litros desse volume são constituídos por células sanguíneas, e os demais três litros são compostos por plasma (porção líquida do sangue). Ao adotar uma mulher de 58 kg para comparação, percebemos que ela apresenta cerca de quatro litros de sangue nesse caso (SILVERTHORN, 2017). Analisando ainda o plasma sanguíneo, vale ressaltar que ele apresenta 92% de seu peso composto por água, 7% por proteínas e 1% por aminoácidos, gli- FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 15 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 15 13/05/2021 10:43:20 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 15 cose, lipídeos, resíduos nitrogenados; íons como Na+,K-, Cl-, H+, Ca2+,HCO3-; elementos-traço e vitaminas, além de oxigênio dissolvido (O2) e dióxido de car- bono (CO2) (SILVERTHORN, 2017). Assim comparando o plasma sanguíneo ao líquido intersticial, sabemos que há uma diferença em sua composição, pois esse último possui proteínas plas- máticas e, dentre elas, destaca-se as albuminas (GUYTON; HALL, 2011; MOORE, 2014). Elas são proteínas encontradas em maior quantidade em relação às de- mais, ou seja, aproximadamente 60% de proteínas totais sanguíneas são com- postas pelas albuminas. Sabe-se que 90% do total de proteínas plasmática se devem às albuminas e outras nove proteínas, como por exemplo as globulinas, a proteína de coagulação fibrinogênio e a proteína transportadora de ferro transferrina (MOORE, 2014; SILVERTHORN, 2017). No sangue é encontrado, basicamente, três elementos celulares: glóbulos ver- melhos ou eritrócitos (RBCs), também chamados de hemácias; glóbulos brancos (WBCs), também chamados de leucóci- tos; e plaquetas ou trombócitos (DOU- GLAS, 2009; GUYTON; HALL, 2011). Entretanto, os leucócitos se destacam como as únicas células plenamente funcionais na circulação quando com- parados com as demais que compõe o sangue. Já os eritrócitos são peculiares, porque lançam mão de seus núcleos com o objetivo de ofertar maior espaço no citosol no momento em que entram na corrente circulatória. Outras células circulantes na corrente sanguínea, como as plaquetas, também apresentam ausência de núcleo (são fragmentos celulares ori- ginados de uma grande célula-mãe, denominada megacariócito) (MOORE, 2014). Outro fato importante de ser lembrado está relacionado à principal fun- ção no transporte de gases oxigênio e carbônico dos tecidos para os pul- mões, que é atribuída aos eritrócitos. Além disso, sabe-se que as células plaquetárias são elementares para a coagulação, pois previne a perda de sangue em situações em que o vaso sanguíneo está injuriado (DOUGLAS, 2009; GUYTON; HALL, 2011). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 16 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 16 13/05/2021 10:43:21 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 16 Retomando ainda os leucócitos, vale ressaltar que o sistema imune defende o organismo contra invasores externos, como parasitas, bactérias e vírus, e as célu- las que permitem tal proeza são os leucócitos. Majoritariamente eles percorrem a corrente sanguínea, mas seu trabalho é geralmente levado a cabo nos tecidos, em vez de no sistema circulatório (GUYTON; HALL, 2011, SILVERTHORN, 2017). Contu- do, sabe-se que há cinco tipos de leucócitos maduros na corrente sanguínea: lin- fócitos, monócitos, neutrófi los, eosinófi los e basófi los. Assim, entendemos que os monócitos se diferenciam de macrófagos ao passo que os monócitos – presentes na circulação sanguínea – deixam a circulação e se instalam nos tecidos. Por fi m, os basófi los teciduais são chamados de mastócitos (GUYTON; HALL, 2011). Dessa forma, é possível agrupar os tipos de leucócitos de acordo com suas características funcionais e/ou morfológicas. Assim, os fagócitos são um agru- pamento composto por neutrófi los, monócitos e macrófagos, considerando que tais células podem englobar e ingerir partículas estranhas, como as bac- térias (fagocitose) (GUYTON; HALL, 2011). Já os linfócitos são células chamadas de imunócitos em função da responsabilidade que elas têm em obter respostas imunes específi cas contra os invasores (SILVERTHORN, 2017). Por fi m, os granulócitos são um agrupamento de células, como os basófi los, os eosinófi los e os neutró- fi los, em função de suas características morfológi- cas – todas elas contêm inclusões citoplasmáticas que lhes dão uma aparência granular (DOUGLAS, 2009; GUYTON; HALL, 2011). Circulação pulmonar e sistêmica Sabemos que o coração assume o ponto central da circulação pois é justa- mente a partir dele que dois circuitos fechados distintos são construídos (RAFF; LEVITZKY, 2012). Contudo, temos a literatura especializada para explicar deta- lhadamente esses dois circuitos e diferenciá-los. Sendo assim, a circulação pulmonar (pequena circulação) permite que o sangue do ventrículo direito seja direcionado aos pulmões pela artéria pul- monar e retorne ao átrio esquerdo através da veia pulmonar (Figura 1A). Des- taca-se, também, que o sangue venoso (pobre em oxigênio) é transportado FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 17 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 17 13/05/2021 10:43:21 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 17 para os pulmões com o objetivo de liberação do dióxido de carbono (CO2) e, ao contrário disso, retorna ao coração carregando o sangue rico em gás oxigênio (O2). Com isso, o sangue arterial (rico em O2), já no coração, é bombeado para a circulação sistêmica (Figura 1) (MOORE, 2014). Por outro lado, a circulação sistêmica (grande circulação) carrega o sangue ar- terial para suprir a necessidade de todo o organismo, por ser a maior circulação do corpo humano. Assim, a grande circulação retorna ao coração carregando o san- gue venoso (rico em gás CO2) e alguns resíduos celulares (Figura 1) (MOORE, 2014). Figura 1. Sistemas circulatórios pequeno e grande. A: esquema ilustrativo da distribuição anatômica das câmaras direitas e esquerdas do coração, que servem às circulações pulmonar e sistêmica. B: esquema ilustrativo das circula- ções sistêmica e pulmonar, fragmentando as câmaras direitas e esquerdasNAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 97 SER_FISIO_FISDCA_UNID3.indd 97 13/05/2021 11:47:45 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 97 DOENÇAS CARDÍACAS 4 UNIDADE SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 98 13/05/2021 11:57:28 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Compreender doenças cardíacas no que diz respeito à fisiologia cardiovascular; Identificar possíveis causas que promovem as diversas patologias que afetam o coração; Relacionar causas comuns de patologias menos e mais complexas que envolvem o coração; Associar possíveis alterações patológicas no sistema cardiovascular com o comprometimento da qualidade de vida do paciente. Doenças cardíacas Infarto agudo do miocárdio Miocardites Insuficiência cardíaca congestiva Cardiopatias congênitas acianogênicas Cardiopatias congênitas cianogênicas Cardiopatias reumáticas Cirurgia cardíaca Cirurgia torácica não cardíaca Transplante cardíaco FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 99 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 99 13/05/2021 11:57:28 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 99 Doenças cardíacas As doenças cardíacas ganharam ainda mais destaque com o advento das tecnologias imputadas à medicina moderna, promovendo maior com- preensão do coração em relação às patologias cardíacas. Quanto maior a capacidade de produzir conhecimen- tos associados à fi siologia humana e suas patologias, maior a qualidade de vida. Assim, à medida que a ciência médica se desenvolve, oferta possibilida- des de tratamentos e soluções para as doenças cardíacas que afetam a popu- lação (SILVERTHORN, 2017). Conforme afi rmam Consolim-Colombo, Saraiva e Izar, (2019) doença car- díaca, em seu sentido mais amplo, é entendida como uma terminologia utiliza- da para nomear condições médicas crônicas ou agudas que acometem um ou mais componentes anatômicos do coração. Devido à variedade de possíveis alterações anatômicas e/ou fi siológicas que o coração pode sofrer em virtude de diversas patologias, veremos a seguir as principais doenças que afetam sua funcionalidade. Infarto agudo do miocárdio Este tema possui grande impacto em nossa sociedade, uma vez que apro- ximadamente um terço de todas as mortes apresenta forte relação com coro- nariopatias. Além disso, boa parte dos indivíduos idosos possui ao menos algum distúrbio na circulação arterial coronária (SILVER- THORN, 2017). Diante disso, é importante salientar que o conhecimento anatômico é muito relevante para compreender a circulação coronariana e, consequentemente, possíveis anomalias que levem ao quadro de infarto no tecido cardíaco (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 100 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 100 13/05/2021 11:57:29 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 100 Sabe-se que o coração apresenta suprimento sanguíneo coronário em razão da vascularização no próprio órgão. Com efeito, as principais artérias coronárias encon- tram-se na superfície do coração e apenas as pequenas artérias penetram na massa muscular cardíaca. É majoritariamente por meio destas últimas que o coração rece- be seu suprimento sanguíneo e nutrientes (MOORE; DALLEY; AGUR, 2014). Conforme evidenciam Consolim-Colombo, Saraiva e Izar (2019), a regulação do fluxo sanguíneo nas coronárias é fortemente relacionada à demanda pro- porcional de oxigênio da musculatura cardíaca. Isso posto, pode-se afirmar que tal fato ocorre devido à demanda energética do tecido cardíaco. CURIOSIDADE Nos seres humanos, o fluxo sanguíneo coronário em repouso é, em média, de cerca de 225 mL/min, o que representa cerca de 0,7 a 0,8 mL/g de mús- culo cardíaco ou 4 a 5% do débito cardíaco total (SILVERTHORN, 2014). CURIOSIDADE Conforme afirmam Douglas (2009), Serrano Jr., Timerman e Stefanini (2010), a ocorrência do espasmo pode estar atrelada à irritação do músculo liso da parede arterial pelas margens da placa arteriosclerótica ou por reflexos nervosos que causam a contração da coronária. Ademais, a progressão de espasmos pode ainda promover a trombose secundária do vaso. Bastante explorada na literatura médica, a cardiopatia isquêmica é notória por configurar-se como a causa de morte mais comum na cultura ocidental. Dessa forma, pode-se afirmar que a falta de fluxo sanguíneo coronário promo- ve altos números de óbito (CARVALHO et al., 2020). Ainda, segundo Carvalho e colaboradores (2020), o indivíduo que já possui uma cardiopatia coronária aterosclerótica subjacente grave tende a apresentar oclusão aguda de uma artéria coronária com maior frequência, se comparado com indivíduos com circulação coronariana normal. A oclusão no miocárdio pode ocorrer em consequência de efeitos diversos como, por exemplo, em uma situação hipotética na qual a placa aterosclerótica provoca a formação de um trombo (coágulo sanguíneo). Outro exemplo impor- tante baseia-se em relatos clínicos sobre o espasmo de uma artéria corona- riana (espasmos locais), os quais partem da premissa de que a oclusão súbita pode ser consequência do espasmo. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 101 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 101 13/05/2021 11:57:29 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 101 O infarto agudo do miocárdio ocorre imediatamente após a oclusão co- ronariana de forma aguda, o que implica em diminuição do fluxo sanguíneo nos vasos coronários, exceto por um pequeno fluxo colateral proveniente dos vasos circunvizinhos (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Este pro- cesso é conhecido como infarto do miocárdio e, naturalmente, prejudica a funcionalidade cardíaca, visto que a área de músculo com fluxo zero ou tão re- duzido que não é capaz de manter a função do músculo cardíaco é considerada infartada (DOUGLAS, 2009). No início do infarto, observa-se que um pequeno fluxo colateral escoa para a área infartada e, ao associar-se com a combinação da dilatação pro- gressiva dos vasos sanguíneos locais, provoca o enchimento de sangue na região afetada. Assim, a área se apre- senta com quantidade excessiva de sangue estagnado. Paralelamente, são consumidos os últimos vestígios de oxigênio do sangue pelas fibras musculares em consonância com a redução total da hemoglobina, o que ocasiona um tom azul muito escuro (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Diante do cenário exposto, a zona infartada apresenta a tonalidade mar- rom-azulada escura e os vasos sanguíneos na área parecem estar ingurgitados (entupidos) (DOUGLAS, 2009; SILVERTHORN, 2017). Ressalta-se que a área lesada pode regenerar-se ou não, ou seja: o tecido (re- gião) pode sofrer regeneração ou necrose. Posteriormente à oclusão, as fibras musculares morrem bem no centro da área isquêmica e, devido ao aumento dos canais arteriais colaterais crescendo na orla externa da área infartada, a área não funcional do músculo torna-se cada vez menor. Após uma margem de alguns dias a 3 semanas, grande parte da área não funcional do músculo torna-se novamente funcional ou morre, conforme apontado por Kasper e colaboradores (2017). Observa-se também que entre as fibras mortas começa a se desenvolver o tecido fibroso, uma vez que a isquemia é estimulada pelo crescimento de fi- broblastos e, assim, promove o desenvolvimento exacerbado de tecido fibroso (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 102 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 102 13/05/2021 11:57:29 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 102 Portanto, o tecido muscular é substituído por tecido fi broso gradativamente. Da mesma forma que uma cicatriz na pele pode fi car menor com o passar do tempo, ocorre o mesmo fenômeno no coração, o que se dá graças à propriedade geral do tecido fi broso de sofrer contração elastomérica progressiva e de dissolu- ção. No cenáriodo coração infartado, alterações anatômicas são notadas devido à hipertrofi a de áreas normais para compensação ou tentativa de compensação em razão da musculatura perdida (SERRANO JR.; TIMERMAN; STEFANINI, 2010). Assim, por esses meios, o coração se recupera. Miocardites Defi ne-se miocardite como uma doença infl amatória que acomete o coração, sendo caracterizada por um processo infl amatório e lesão mio- cárdica na ausência de isquemia. Sua etiologia é, geralmente, de caráter infeccioso por agente viral; todavia, em segundo plano há a possibilidade de reação de hipersensibilidade à irradiação e produtos químicos e/ou far- macológicos. A miocardite tem início com a introdução do agente agressor (geralmente o vírus), que invade o hospedeiro susceptível e atinge o mio- cárdio por via hematogênica ou linfática. Simultaneamente, observa-se a interação entre o agente agressor e o hospedeiro na habilidade de o agente agressor proliferar ou persistir na célula do hospedeiro, e a efi cácia do sis- tema imune em combater o agente agressor para eliminá-lo (Diagrama 1) (KOEPPEN; STANTON, 2010). TRATAMENTO Imunomodulação Cardiomiopatia dilatada • Crônica - imunosupressão Infecção viral • Aguda - antivíral DIAGRAMA 1. ESQUEMA ILUSTRATIVO DA MIOCARDITE VIRAL FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 103 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 103 13/05/2021 11:57:29 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 103 Observe que o Diagrama 1 traz, no quadro de miocardite, a resposta si- multânea da atuação do vírus em si, agredindo o miocárdio e desencadeando o processo inflamatório. Em oposição, a resposta imunológica passa a ter um pa- pel mais importante em virtude da potencial orientação terapêutica (KOEPPEN; STANTON, 2010). Clinicamente, a miocardite é retratada como causa da cardiopatia quando um quadro de insuficiência cardíaca ou arritmia surge de forma repentina em um paciente jovem – esta é uma situação grave, pois torna inválido um indiví- duo que até então era fisicamente ativo. A manifestação da patologia depende da intensidade e da extensão da doença, ou seja, varia de forma assintomática até um quadro de choque cardiogênico (CARVALHO et al., 2020). Segundo Consolim-Colombo, Saraiva e Izar (2019), há uma grande varieda- de de causas etiológicas para a miocardite; contudo, ainda não há um consenso de como realizar seu diagnóstico de modo diretivo e claro. Compreende-se que o quadro clínico inicial, associado a exames não invasivos complementares, seja sugestivo da doença, embora seja a biópsia endomiocárdica que confir- mará o diagnóstico. O uso do eletrocardiograma indica majoritariamente a alteração na miocar- dite e em alguns casos pode simular a presença de isquemia miocárdica, evi- denciando elevação do segmento ST em 54% dos pacientes, onda T invertida em 27%, onda Q em 18% a 27% e depressão do segmento ST em 18% dos casos. A literatura médica relata ainda que a inflamação do miocárdio pode ser evidenciada de forma indireta pela cintilografia miocárdica com gálio-67 ou índio-111 e, mais recentemente, com o uso da ressonância nuclear mag- nética (KASPER et al., 2017). CURIOSIDADE A miocardite pode ter várias causas. No âmbito da epidemiologia, algu- mas regiões destacam-se por apresentarem maior incidência de deter- minada etiologia, como a doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, na América do Sul, e as enteroviroses, na América do Norte. No Brasil, a doença de Chagas continua sendo a principal causa de miocar- dite (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 104 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 104 13/05/2021 11:57:29 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 104 Insuficiência cardíaca congestiva Es te título é bastante sugestivo para que se deduza o conceito da patologia: em outras palavras, a impossibilidade de suprir a de- manda corporal devido à incapacidade do coração em bombear sangue é denomina- da de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). A ICC é um quadro clínico que merece atenção, visto que a funcionalidade do órgão está debilitada, com- prometendo, assim, o fluxo sanguíneo e o oferecimento de oxigênio e nutrientes para os órgãos em que houve acúmulo de sangue e prejudicando e reduzindo sua capacidade de trabalhar adequadamente (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). O diagnóstico da ICC é impreciso, posto que necessita de complemen- tos para uma maior segurança do médico. Neste sentido, investiga-se por meio de anamnese clínica do paciente (na história clínica do paciente, na sintomatologia e no exame físico). Posteriormente, cruza-se estas informa- ções com exames clínicos e de imagens, como ECG, ecocardiograma, RX, tomografia de coronárias e cateterismo cardíaco (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR,2019). Segundo relatos médicos, em pacientes com insuficiência cardíaca con- gestiva há evidências do aumento da ativação do sistema nervoso simpá- tico, manifestado em razão do elevado nível de norepinefrina circulante, assim como de alteração da função cardíaca simpática. A função nervo- sa simpática pode ser avaliada pela capacidade dos nervos terminais em captar catecolaminas pelo transportador uptake-1. Isto pode ser avaliado de forma não invasiva com MIBG (meta-iodo-benzil-guanidina), medindo a relação da captação cardíaca com a captação do mediastino (C/M) (KASPER et al., 2017). A cintilografia cardíaca com MIBG na ICC evidencia-se com alterações difusas, diferentemente da doença isquêmica. O grau de anormalidade da relação C/M mostrou-se como um preditor independente de mortalidade, volumes ventriculares e classe funcional (Figura 1) (KASPER et al., 2017). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 105 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 105 13/05/2021 11:57:30 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 105 Note que, no mesmo indivíduo exemplifi- cado como portador da doença de Chagas, a perfusão miocárdica com 99mTc-MIBI (radio- fármaco da família química dos isonitrilos) mostra um pequeno defeito látero-apical, enquanto a inervação autonômica, demons- trada pelo 123I-MIBG (indicado para exames de in- suficiência cardíaca), apresenta grande ausência funcional em toda a parede inferior e inferolateral do ventrículo esquerdo. Esse exame mostra que a denervação precede a fibrose na doença de Chagas. Ainda no exemplo da Figura 1, pode-se afirmar que a doença de Chagas promove inflamação no tecido cardíaco (miocardite), além de afetar a iner- vação simpática (alteração nos nervos), observada pela cintilografia com MIBG. A ICC tem associações com alguns quadros patológicos em virtude de comorbidades atreladas à dispneia a esforços e aumento da pressão em território capilar pulmonar (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Anatomicamente, é possível auscultar na terceira ou quarta bulhas e, eventualmente, sopros de regurgitação valvar nos casos mais avançados de insuficiência cardíaca congestiva. Complementarmente a isso, exames de imagens com ECG e sinais eletrocardiográficos de hipertrofia ventricular podem ser detectados (CARVALHO et al., 2020). 99mTc-MIBI 123I-MIBG Figura 1. Perfusão miocárdica com 99mTc-MIBI e 123I-MIBG. Fonte: SERRANO JR.; TIMERMAN; STEFANINI, 2010, p. 436. (Adaptado). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 106 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 106 13/05/2021 11:57:30 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 106 Cardiopatias congênitas acianogênicas Classifi cam-se em cianóticas e acianóticas as cardiopatias congênitas que pro- movem ou não cianose (coloração azul-arroxeada da pele, leitos ungueais ou mu- cosas). Assim, as características notórias das cardiopatias acianóticas que acome- tem a exacerbação do fl uxo pulmonar são o cansaço e os episódios de pneumonia de repetição (KASPER et al., 2017). Ademais,as cardiopatias congênitas acianóticas mais relatadas são a comunicação interventricular (CIV), a comunicação interatrial (CIA), a persistência do canal arterial (PCA) e a coarctação de aorta (CoAo). Na CIV, as câmaras cardíacas do lado esquerdo apresentam maior incidência devido ao fato de serem mais intolerantes ao volume sanguíneo (Figura 2). Desta maneira, o ECG evidencia a sobrecarga tanto no átrio esquerdo quanto no ventrí- culo esquerdo (SERRANO JR.; TIMERMAN; STEFANINI, 2010). Figura 2. Detalhes do septo na região apical anterior mostrando a comunicação interventricular pós IAM (seta – infarto agudo do miocárdio), cujo orifício em fenda mede cerca de 1,5 cm. Fonte: SERRANO JR.; TIMERMAN; STEFANINI, 2010, p. 991. (Adaptado). Na CIA, o manifesto clínico é assintomático em virtude de o átrio direito ser mais tolerante ao volume quando comparado ao átrio esquerdo; já no ECG, en- contra-se desvio de eixo para a direita em razão de haver sobrecarga tanto no átrio direito quanto no ventrículo direito. No caso da PCA, relata-se o aumento de fl uxo sanguíneo pulmonar que retorna às câmaras esquerdas, as quais são menos tolerantes aos volumes sanguíneos. Observa-se que o ECG é idêntico ao relatado na CIV (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2017). A B VD VD S VE S VE * * FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 107 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 107 13/05/2021 11:57:31 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 107 A CoAo está fortemente relacionada com a estenose aórtica, o que resulta em diminuição da pressão e fl uxo sanguíneo em membros inferiores. No exa- me de ECG, o eixo é desviado para a esquerda devido à sobrecarga do átrio esquerdo e ventrículo esquerdo (e, com o passar do tempo, há hipertrofi a car- díaca concêntrica) (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2017). Cardiopatias congênitas cianogênicas A tonalidade azulada dos lábios e da pele é a característica mais evidente das cardiopatias cianóticas, visto que este é um sinal claro de que não há oxigê- nio sufi ciente no sangue (hipóxia). Isso posto, a tetralogia de Fallot é a forma mais frequente relatada da doença. Técnicas invasivas (cirurgias) e medicamen- tosas são recomendadas em casos leves; em situações mais severas da doença, é necessário realizar o transplante de coração (KASPER et al., 2017). Conforme afi rmam Consolim-Colombo, Saraiva e Izar (2019), nas cardiopatias não corrigidas, o aumento do volume sanguíneo e o consequente aumento do retorno venoso, associados à diminuição da resistência vascular periférica, provo- cam um aumento do shunt D-E, com aumento também da cianose. Dentre as prin- cipais patologias, temos a tetralogia de Fallot, a transposição das grandes artérias, a atresia tricúspide, a anomalia de Ebstein e os defeitos do septo atrioventricular. No grupo das cardiopatias congênitas cianogênicas com hipofl uxo pulmonar por estenose pulmonar, predominam o quadro de cianose, variável em intensida- de, e a área cardíaca próxima do normal na radiografi a de tórax. Assim, o sopro sistólico de ejeção, acompanhado de sobrecarga ventricular direita, orienta para a tetralogia de Fallot e para a atresia pulmonar com comunicação interventricular, além do arco médio escavado e a área cardíaca arredondada (KASPER et al., 2017). Na estenose pulmonar valvar, o arco médio se mostra abaulado. Na atresia tricúspide, o sopro sistólico é acompanhado de sobrecarga ventricular esquer- da e de bloqueio divisional anterossuperior na atresia pulmonar com septo ventricular íntegro de sobrecarga ventricular esquerda, mas sem bloqueio divi- sional anterossuperior. Na anomalia de Ebstein, além do sopro da insufi ciência tricúspide e do ritmo em quatro tempos, o bloqueio do ramo direito no eletro- cardiograma e o aumento da área cardíaca à custa das cavidades direitas dis- tinguem-na facilmente das demais anomalias desse grupo (KASPER et al., 2017). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 108 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 108 13/05/2021 11:57:31 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 108 Nas cardiopatias congênitas cianogênicas com hiperfl uxo pulmonar, o quadro preponderante é de insufi ciência cardíaca e hipertensão pulmonar precoces com cianose discreta e cardiomegalia. O sopro tipo comunicação interventricular acompanha o tronco arterial comum, a transposição das grandes artérias e o ventrículo único. Já o sopro tipo comunicação interatrial se encontra na drenagem anômala total das veias pulmonares e na hipopla- sia do coração esquerdo. A sobrecarga ventricular direita acompanha essas últimas anomalias, e a sobrecarga biventricular, as primeiras (CONSOLIM- -COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). C ardiopatias reumáticas A prevalência de Febre Reumática (FR) e da cardiopatia reumática crônica em uma determinada comunidade é refl exo do nível de cuidados preventivos primários. Em muitos países desenvolvidos essa doença tornou-se rara, ao passo que em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, como o Bra- sil, a cardiopatia reumática crônica permanece como maior causa de doença cardíaca entre crianças e adultos jovens. Assim, a febre reumática é sequela de uma infecção da orofaringe pelo estreptococo β-hemolítico do grupo A de Lancefi eld (CARVALHO et al., 2020). A doença reumática cardíaca aparece no período de quatro a oito semanas ou mais tardiamente em aproximadamente 30% das crianças acometidas pela febre reumática. Ela é uma das enfermidades que acarretam maiores custos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a comunidade em geral, posto que acomete indivíduos muito jovens e frequentemente ocasiona múltiplas inter- nações hospitalares e cirurgias (KASPER et al., 2017). O quadro clínico clássico da FR inclui manifestações neurológicas, cardiovas- culares, osteoarticulares e cutâneas. Essas manifestações foram agrupadas em critérios maiores e menores para o diagnóstico da FR (Tabela 1), e o diag- nóstico é realizado se presentes dois critérios maiores ou um critério maior e dois critérios menores de FR. Entretanto, mesmo essa classifi cação pressupõe exceções, como é o caso da coreia de Sydenham, que isoladamente faz o diag- nóstico de FR (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 109 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 109 13/05/2021 11:57:31 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 109 Critérios de Jones – Evidências de estreptococcia anterior Critérios Maiores Critérios menores Artrite Febre Cardite Artralgia Coreia de Sydenham Alterações no ECG – aumento no intervalo entre PR Nódulos subcutâneos Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios Eritema marginatum TABELA 1. CRITÉRIOS MAIORES E MENORES PARA O DIAGNÓSTICO DA FR ArtriteArtrite Cardite Coreia de Sydenham Artrite Cardite Coreia de Sydenham Nódulos subcutâneos Cardite Coreia de Sydenham Nódulos subcutâneos Coreia de Sydenham Nódulos subcutâneos Eritema Coreia de Sydenham Nódulos subcutâneos Eritema Coreia de Sydenham Nódulos subcutâneos Eritema Nódulos subcutâneos marginatum Nódulos subcutâneos marginatummarginatummarginatum Alterações no ECG – aumento no intervalo Alterações no ECG – aumento no intervalo Alterações no ECG – aumento no intervalo Alterações no ECG – aumento no intervalo Exames laboratoriais - indicativos de Febre Artralgia Alterações no ECG – aumento no intervalo Exames laboratoriais - indicativos de Febre Artralgia Alterações no ECG – aumento no intervalo Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios Artralgia Alterações no ECG – aumento no intervalo entre PR Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios Alterações no ECG – aumento no intervalo entre PR Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios Alterações no ECG – aumentono intervalo entre PR Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios Alterações no ECG – aumento no intervalo Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios Alterações no ECG – aumento no intervalo Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios Alterações no ECG – aumento no intervalo Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios Alterações no ECG – aumento no intervalo Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios Exames laboratoriais - indicativos de marcadores pró-infl amatórios A forma aguda clássica é a mais rara no que diz respeito ao acometimento cardíaco da febre reumática, atingindo cerca de 1% a 3% dos pacientes com o diagnóstico dessa doença. O paciente apresenta, tipicamente, um quadro de insufi ciência cardíaca de rápida evolução duas a quatro semanas após uma amigdalite estreptocócica. Geralmente, são pacientes jovens e sem sintomas prévios de dispneia a es- forços que apresentam um quadro agudo de insufi ciência cardíaca, o que os motiva a procurar assistência médica. Os sinais e sintomas clássicos presentes nesse paciente são taquicardia; aparecimento de sopros novos de regurgita- ção, como insufi ciência mitral, insufi ciência aórtica ou sopro de Carey-Coombs; e aumento da área cardíaca à radiografi a de tórax (KASPER et al., 2017). O eletrocardiograma pode revelar um bloqueio atrioventricular do primeiro grau, e o exame ecocardiográfi co frequentemente mostra a dilatação de câ- maras cardíacas com função miocárdica no limite inferior, derrame pericárdi- co e espessamento pericárdico. Se o exame for realizado em boas condições técnicas, é possível visualizar as verrucosidades reumáticas em borda livre das valvas, conforme apontado por Consolim-Colombo, Saraiva e Izar (2019). A forma assintomática crônica do adulto é a mais frequente apre- sentação clínica do acometimento cardíaco da febre reumática. Os pacientes, em geral, têm mais de vinte anos e procuram assistência médica por sintomas de insufi ciência car- díaca decorrente de sequelas valvares reumáticas. Dessa forma, o paciente inicia um quadro insidioso de dispneia ao esforço relacionado não a processos FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 110 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 110 13/05/2021 11:57:31 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 110 infl amatórios, mas sim a consequências hemodinâmicas das sequelas reumá- ticas. Sobre a apresentação clínica, esses pacientes não apresentam sinais clí- nicos ou laboratoriais de atividade infl amatória (as provas de atividade infl ama- tória, em geral, são normais) (KASPER et al., 2017). Não há benefícios com o uso de corticosteroides ou imunossupressores para esses pacientes, também por não haver atividade infl amatória detectável. Assim, a descompensação cardíaca dá-se pelas consequências hemodinâmicas das sequelas cardíacas, não pela atividade infl amatória (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). A apresentação pode ser bastante tardia, sendo frequente observar pacien- tes com mais de sessenta anos que apresentam essa forma da doença com sequelas reumáticas sem, no entanto, terem recebido o diagnóstico de febre reumática (KASPER et al., 2017). O diagnóstico é realizado retrospectivamente pela detecção de lesões ca- racterísticas de febre reumática (como estenose mitral, dupla lesão mitral ou valvopatia mitroaórtica) ou pelas características anatomopatológicas da valva, uma vez que esses pacientes geralmente são submetidos a cirurgias para cor- reção da valvopatia (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). É interessante notar que os pacientes geralmente não apresentam sintomas de febre reumática aguda em sua história clínica. O surto agudo foi provavel- mente assintomático ou oligossintomático, não motivando o paciente a procurar assistência médica quando da ocorrência dos sintomas (KASPER et al., 2017). Cirurgia cardíaca As cirurgias cardíacas evoluem constantemente no que tange a técnicas, diminuição de custos e melhoria na qualidade de vida do paciente. A introdu- ção da circulação extracorpórea, utilizada com sucesso pela primeira vez em 1953, abriu caminho para o desenvolvimento da cirurgia cardíaca, permitindo ao cirurgião a abordagem das estruturas intracavitárias e a correção com vi- são direta dos defeitos cardíacos. Assim, com o coração parado a circulação extracorpórea permite a continuidade da circulação sistêmica e a manutenção adequada das trocas gasosas, com preservação do metabolismo celular e da função dos órgãos (DOUGLAS, 2009). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 111 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 111 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 111 A circulação extracorpórea consiste em um conjunto de equipamentos e téc- nicas destinados sobretudo a substituir temporariamente as funções do coração e pulmões durante a realização da cirurgia cardíaca. Esses equipamentos com- preendem a bomba (que substitui a função do coração), o oxigenador (que realiza a função de troca gasosa, portanto, do pulmão) e os acessórios (bombas aspirado- ras, tubos, reservatório de cardiotomia, cardioplegia, termopermutadores, filtros, sistemas de ultrafiltração). A evolução das técnicas e equipamentos propiciou a realização de perfusões prolongadas com segurança, tanto em crianças como em adultos, assim como abriu caminho para o desenvolvimento dos dispositivos de assistência circulatória e corações artificiais implantáveis (KASPER et al., 2017). Dessa maneira, o contato direto existente entre o sangue e as superfícies não endotelizadas do circuito desencadeia um poderoso estímulo de produção, libe- ração e circulação de um grande número de substâncias vasoativas e citotóxicas, que afetam todos os órgãos e tecidos do corpo (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Isso posto, observe o Diagrama 2: Legenda: IL: interleucina; TNF: fator de necrose tumoral. Fonte: SERRANO JR.; TIMERMAN; STEFANINI, 2010, n.p. (Adaptado). Circulação extracorpórea Interação sangue/superfície • Isquemia/reperfusão • Fluxo sanguíneo alterado • Hipotermia Coagulação Calicreína Cininas Ativação celular Ativação endotelial Fibrinólise Plasmina Complemento C3a e C5a Produção de citocinas pró: IL-6, IL-8, IL-1;TNF-α, anti: IL-10, IL-ra Aumento da permeabilidade capilar Disfunção de múltiplos órgãos Trombina DIAGRAMA 2. INDICATIVO DE RESPOSTA INFLAMATÓRIA À CIRCULAÇÃO EXTRACORPÓREA FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 112 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 112 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 112 Diante do Diagrama 2, nota-se que a resposta infl amatória induzida pela CEC ini- cia-se com a ativação humoral e celular, incluindo a ativação do complemento e das cascatas de coagulação e fi brinólise, liberação de endotoxinas, ativação de leucóci- tos e plaquetas, produção de citocinas, ativação endotelial com expressão das molé- culas de adesão leucocitária, produção e liberação de espécies reativas de oxigênio (ERO) tóxicas, óxido nítrico, derivados do ácido araquidônico e enzimas proteolíticas. Essa ativação da resposta infl amatória resulta no aumento da permeabilidade capi- lar e extravasamento de líquidos, podendo conduzir à disfunção de órgãos (KASPER et al., 2017). Outros fatores inerentes à CEC, como tempo de isquemia tecidual e reperfu- são, estresse mecânico gerado pelo fl uxo não fi siológico, hipotermia, períodos de hipotensão, hemodiluição com anemia relativa, neutralização de heparina com protamina e uso de derivados sanguíneos, atuam no sentido de potencia- lizar esses efeitos. A resposta infl amatória, cujo principal efetor é o neutrófi lo, é caracterizada pela ativação do complemento e da cascata de coagulação, libe- ração de endotoxinas, ativação deleucócitos e plaquetas, ativação endotelial com expressão das moléculas de adesão leucocitária e produção de citocinas, espécies reativas de oxigênio, óxido nítrico, derivados do ácido araquidônico e enzimas proteolíticas (KASPER et al., 2017). Essa ativação resulta no aumento da permeabilidade capilar e extravasamento de líquidos, sendo capaz de conduzir à disfunção de órgãos, uma vez que pode apre- sentar variadas formas de intensidade e manifestações: na maioria das vezes leves e bem toleradas pelo organismo, mas ocasionalmente graves, acarretando a chama- da síndrome vasoplégica. Algumas estratégias anti-infl amatórias, como corticoste- roides, fi ltro de leucócitos, aprotinina e circuitos especiais, vêm sendo utilizadas para reduzir essa resposta e as disfunções de órgãos e, conseqüentemente, a morbidade e mortalidade cirúrgicas (CONSOLIM-COLOMBO ; SARAIVA; IZAR, 2019). Cirurgia torácica não cardíaca Segundo Kasper e colaboradores (2017), todos os procedimentos cirúrgicos desencadeiam respostas hemodinâmicas, metabólicas e hormonais que apre- sentam uma extensão variável que depende do paciente, do tipo de cirurgia e do uso de anestésicos e analgésicos. O mecanismo que inicia e mantém estas FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 113 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 113 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 113 respostas parece mediado inicialmente pelo sistema nervoso central e envolve expressiva liberação adrenérgica. O eixo neuroendócrino-hipotálamo-hipofi sário, classicamente, também pos- sui participação importante, a qual é evidenciada pelo aumento da concentração sérica do hormônio adrenocorticotrófi co (ACTH) e do hormônio de crescimento (GH). Catecolaminas suprarrenais, cortisol, glucagon, insulina, T3 e T4 também devem ser incluídas entre as substâncias hormonais liberadas no pós-operató- rio. Desta forma, são frequentes as alterações glicêmicas, a lipólise e o catabolis- mo proteico (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Ressalta-se que a retenção de sódio e água, assim como a perda de potás- sio, são decorrentes da ação de mineralocorticoides, vasopressina e aldosterona liberados no organismo como resposta ao estímulo cirúrgico. A resposta infl a- matória secundária ao trauma operatório também inclui a alta produção de ci- toquinas que atuam sobre as células endoteliais, tais como o fator de necrose tumoral alfa, a interleucina 1 e a interleucina 6. Este conjunto de modifi cações, que constituem uma resposta adaptativa ao estresse, leva a um aumento da fre- quência cardíaca e da pressão arterial, assim como das pré ou pós-cargas impos- tas ao coração. A resultante fi nal destas alterações pode ter magnitude variável (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Pelo exposto, pode-se compreender que a incidência de eventos cardiológi- cos no pós-operatório de cirurgias não cardíacas (PO) não é desprezível. Assim, a isquemia miocárdica pode ocorrer em proporção variável de 27% a 38% dos pacientes, arritmias graves podem surgir em 14% a 40% dos recém-operados e a morte súbita por infarto do miocárdio pode estar presente em uma proporção de 36% a 70% dos casos (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Assim, as complicações cardiovasculares mais importantes nesta circunstância médica são o infarto agudo do miocárdio, a insufi ciência cardíaca e as arritmias. Transplante cardíaco O transplante de órgãos é considerado um dos avanços mais audaciosos e revolucionários da medicina. O transplante cardíaco, considerado quase uma fi cção no início do século XX, é hoje um procedimento comum e com indicação legítima nas cardiomiopatias terminais (KOEPPEN; STANTON, 2010). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 114 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 114 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 114 ASSISTA Conheça um pouco sobre a história do transplante car- díaco ao assistir o vídeo disponibilizado a seguir sobre o primeiro transplante de coração realizado no Brasil. Em resumo, inicialmente o transplante cardíaco foi um procedimento quase ex- perimental, com cerca de 25% de sobrevida em um ano, mas evoluiu para uma tera- pia aceitável e concreta, com 85% de sobrevida em um ano e de 75% em cinco anos pós-transplante. Hoje, o transplante cardíaco é um método de rotina terapêutica, capaz de melhorar a qualidade de vida e prolongar o período de sobrevivência dos pacientes ditos terminais, nos quais todos os recursos disponíveis já foram aplica- dos (CARVALHO et al., 2020). Conceitualmente, o candidato a transplante cardíaco é portador da chamada cardiopatia terminal, ou seja, uma insuficiência cardíaca refratária, que é aquela em que, apesar do tratamento clínico-medicamentoso otimizado e esgotados os proce- dimentos intervencionais e cirúrgicos clássicos, o paciente encontra-se com péssima qualidade de vida e sobrevivência curta (geralmente menor que um ano). Em geral, são pacientes com cardiomiopatias primárias ou decorrentes da evolução de cardio- miopatias isquêmicas, valvulares, congênitas e outras (doenças congênitas, doença arterial coronariana, doença valvar). Esses pacientes têm internações hospitalares frequentes para compensação clínica, necessitando, então, de diuréticos e drogas inotrópicas endovenosas (KASPER et al., 2017). É muito importante certificar-se de que o paciente avaliado esteja com um acom- panhamento clínico ambulatorial adequado e tratamento medicamentoso otimi- zado, visto que há pouca disponibilidade de doadores. Deve-se também levar em consideração doenças ou condições físicas que possam, por si ou pelos agentes, diminuir a sobrevida, ressaltando-se que inúmeros protocolos de avaliações têm sido adotados para selecionar os receptores. Além da anamnese e do exame físico detalhados, é necessário avaliar os diversos sistemas, explorando também particu- laridades que possam vir a ser complicações no pós-operatório (KASPER et al., 2017). A avaliação permite estabelecer critérios de indicação e contraindicação para o transplante com base em vários protocolos, utilizando-se sempre o bom senso. Os casos mais descompensados, que podem necessitar de providências mais imedia- tas e que requerem prioridade, também devem ter critérios muito bem definidos (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 115 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 115 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 115 Em receptores com resistência vascular pulmonar (RVP) alta, ou seja, de 5 a 8 unidades Wood (mesmo após o uso de vasodilatadores), não se deve realizar o transplante cardíaco clássico (ortotópico), posto que isso acarretaria na sobre- carga do coração recém-transplantado com falência ventricular direita, o que constitui complicação grave. Nesses casos, a opção torna-se então o transplante heterotópico (coração “auxiliar”). Em pacientes com RVP > 8 unidades Wood, a única possibilidade é o transplante cardiopulmonar em bloco (Diagrama 3). RVP 5 u WoodRVP 8 u Wood Fonte: SERRANO JR.; TIMERMAN; STEFANINI, 2010, p. 1107. (Adaptado). Para os casos de cirurgia cardíaca prévia, gravidez ou transfusões sanguíneas repetidas é imprescindível a sorologia, a fim de testar a reatividade em um painel de antígenos aleatórios de doadores (cross match contra painel). Se a reatividade contra painel for maior que 10%, haverá necessidade, no pré-transplante, da pro- va cruzada (soro do receptor com linfócito do doador) (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). O fator limitante mais importante no aumento do número de transplantesé a disponibilidade de órgãos. O doador deve ter o diagnóstico de morte encefáli- ca diagnosticada por neurologistas ou neurocirurgiões, e, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina publicou os critérios a serem adotados no diagnóstico da morte encefálica por meio da Resolução nº 1.346 , de 8 de agosto de 1991, que é semelhante aos protocolos internacionais. DIAGRAMA 3. TOMADA DE DECISÃO QUANTO À RESISTÊNCIA VASCULAR PULMONAR (RVP) MEDIDA COM CATETER DE SWAN-GANZ FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 116 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 116 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 116 Para a caracterização clínica da morte encefálica é mandatório o diag- nóstico da causa do coma, a fim de afastar intoxicações metabólicas ou exógenas. São utilizados como critérios de morte no exame neurológico o coma profundo aperceptivo e arreativo, apneia, midríase paralítica e au- sência de reflexo oculomotor e córneo-palpebral (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). O diagnóstico clínico deve ser confirmado após um período de 6 horas. Além da caracterização clínica, é necessária uma documentação gráfica da morte, que inclui carotidoangiografia, eletroencefalografia e potencial evo- cado ou cintilografia cerebral (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). O traumatismo craniano e a hemorragia subaracnóidea correspondem a mais de 80% das causas de morte encefálica, seguidos de acidente vascular cerebral isquêmico, anoxia cerebral e tumor cerebral, entre outros. A Legisla- ção Brasileira dos Transplantes determina que, após a morte, os órgãos po- dem ser retirados para transplante mediante consentimento expresso dos familiares com testemunhas (Leis Federais nº 9434, de 4 de fevereiro de 1997, e nº 10.211, de 23 de março de 2001). O doador deve ser bem avaliado para garantir condições adequadas para a cirurgia, havendo também critérios para a aceitação desse doador (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Um dos fatores mais importantes e indispensáveis para os bons resul- tados imediatos no transplante é a proteção miocárdica. Para isso, a maio- ria das equipes utiliza, antes da cardiectomia do doador, a combinação de hipotermia tópica com soro gelado no saco pericárdico e solução cardio- plégica hipercalêmica gelada (4 ºC). Essa solução é injetada na raiz aórtica após seu pinçamento distal. O tempo máximo seguro de isquemia (pinça- mento aórtico) é de 4 horas, contadas até a reperfusão com o implante do coração no receptor. Acima deste período, inúmeros trabalhos mostram um aumento de mortalidade hospitalar por falência de enxerto (KASPER et al., 2017). Após a retirada, o coração é então rapidamente transportado para o lo- cal do receptor, acondicionado em sacos plásticos estéreis e imerso em so- lução salina gelada a 4 ºC. Para o receptor, independentemente das diversas técnicas operatórias, a abordagem cardíaca é por toracotomia medioester- nal, sempre com o uso do aparelho de perfusão (CEC) (KASPER et al., 2017). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 117 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 117 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 117 Os transplantes podem ser ortotópicos, quando há praticamente a troca de corações, ou heterotópi- cos, em que se utiliza o coração do doador apenas como auxiliar do receptor. Os transplantes hetero- tópicos, em razão de inúmeras complicações, como tromboembolismo e infecção, raramente são utilizados e possuem caráter excepcional. Independentemente da técnica operatória empregada, alguns detalhes de- vem ser observados de maneira cuidadosa. Após o implante do novo coração, uma das preocupações é a retirada de ar das cavidades esquerdas, que deve ser realizada com punções da aorta e do ventrículo esquerdo, além de inúme- ras manobras, como retenção de sangue no coração, massagem cardíaca, ele- vação e punção da ponta do coração, entre outras. Assim, um dos fatores que muito contribuem para a depressão miocárdica na saída de CEC é a entrada de ar nas artérias coronárias (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Ao final dos procedimentos e após o despinçamento da aorta e reaqueci- mento do paciente pela CEC, com o início das contrações cardíacas o proces- so de gotejamento de solução isoprenalina (4 mg em 200 mL de soro glicosa- do a 5%), o g.s.p., para manter uma frequência cardíaca entre 100 e 120 bpm, é iniciado (KASPER et al., 2017). Além do tempo de isquemia prolongado já citado, o qual pode contribuir para o comprometimento da função ventricular, a resistência vascular pulmo- nar elevada (> 4 unidades Wood) do receptor pode causar o comprometimen- to específico do ventrículo direito. A falência desta câmara reduz o débito car- díaco e predispõe a disfunção do ventrículo esquerdo, aumentando a chance de falência cardíaca. Há ainda o fato de trabalharmos com um coração desnervado, e é preciso sempre deixar preventivamente fios de marca-passos temporários atriais e ventriculares. Alguns grupos chegam a relatar necessidade de esti- mulação cardíaca temporária em 12,3% dos pacientes trans- plantados e marca-passo definitivo em 3,5% dos pacien- tes operados (disfunção do nó sinusal ou da condução atrioventricular, por anóxia ou traumatismo cirúrgico) (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 118 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 118 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 118 No intraoperatório, além da isoprenalina (valiosa também nas bradicar- dias), nas disfunções ventriculares devem ser utilizados fármacos inotró- picos positivos (dopamina, dobutamina, entre outros) e drogas vasodilata- doras (nitroprussiato, nitroglicerina ou prostaglandina). Nas hipertensões pulmonares, podem ser úteis o óxido nítrico inalatório e o milrinone (de- ve-se fi car atento à disfunção plaquetária). Em relação à parte técnica da operação, potencialmente, as maiores complicações do transplante são o sangramento, devido ao grande número de anastomoses, e a embolia aé- rea, coronária ou sistêmica já referida. A hemostasia tem de ser cuidadosa, uma vez que podem haver distúrbios de coagulação consequentes à con- gestão hepática pré-operatória e à CEC prolongada (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Por fi m, como geralmente há grande desproporção entre a cavidade pericár- dica do receptor e o tamanho do coração do doador, deve-se, ao fi nal da cirurgia, realizar o pregueamento do saco pericárdico, com diminuição de seu tamanho, para evitar grandes derrames pericárdicos no pós-operatório. Após a drenagem mediastinal sob selo d’agua, o tórax é fechado por planos, tomando-se um cui- dado especial no fechamento do esterno (dez fi os de aço) (KASPER et al., 2017). O paciente candidato a transplante pode apresentar, em sua avaliação pré- -operatória, condições que inviabilizem operações convencionais (transplante cardíaco ortotópico). Uma condição especial que deve ser levada em conta é a resistência vascular pulmonar (RVP) ou o gradiente transpulmonar (GTP), calcu- lados pelo cateterismo direito ou pelo cateter de Swan Ganz (Tabela 2). A RVP é razão da diferença da pressão média da artéria pulmonar e da pressão capilar pelo débito cardíaco, ao passo que o GTP é a diferença entre a pressão média da artéria pulmonar e a pressão capilar pulmonar. Indicação do tipo de transplante cardíaco (resistência vascular pulmonar – RVP – e gradiente transpulmonar – GTP) Transplante RVP GTP Ortotópico 8 U Wood > 15 mmHg TABELA 2. INDICATIVOS DE TRANSPLANTES CARDÍACOS 8 U Wood 8 U Wood 5-8 U Wood > 8 U Wood > 8 U Wood mmHg > 15 mmHg 15 mmHg 10-15 mmHg > 15 mmHg> 15 mmHg Fonte: SERRANO JR.; TIMERMAN; STEFANINI, 2010, p. 1111. (Adaptado). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 119 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 119 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 119 O transplante heterotópico consiste no implante do coração do doador em para- lelo ao coração do receptor, que per- manece em sua posição anatômica. Esta é uma proposição antiga, descri- ta inicialmente em experimentação por Carrel e Guthrie, além de Demikhov. Sua primeira aplicação em humanos deu-se por Barnard (1974) e, na atualidade, sua indicação é realizada apenas em caráter excepcional (KASPER et al., 2017). O transplante heterotópico tem indicações restritas, e poucos centros têm experiência relevante com este procedimento, sendo sua indicação reservada para situações especiais (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). Tais situações incluem: • Receptor com resistência vascular pulmonar alta (RPV: 5-8 U Wood) ou gradiente transpulmonar elevado (GTP: 10-15 mmHg); • Desproporção de tamanho: doador/receptor (receptor em estado crítico); • Tempo prolongado de isquemia (coração do doador deteriorado); • Disfunção reversível do coração do receptor (pós-cirurgia cardíaca, miocardites, entre outros). Em alguns casos, pode haver necessidade de reintervenção para a reti- rada do coração nativo e a conversão do procedimento em um transplante ortotópico. Em outros casos, pode haver recuperação do coração nativo com melhora de sua função e reintervenção para retirada do coração he- terotópico (KASPER et al., 2017). A experiência tem demonstrado que, no transplante cardiopulmonar, as rejeições raramente são sincrônicas, sendo muito mais frequentes no pulmão do que no coração; ademais, a morbidade e a mortalidade no transplante coração-pulmão são muito maiores do que as observadas no transplante pulmonar isolado. Por outro lado, a rejeição pulmonar crôni- ca expressa pelo quadro clínico de insuficiência respiratória e histologica- mente definida como bronquiolite obliterante foi definida em percentual muito alto no transplante em bloco, embora ainda não haja uma explica- ção clara para isso (KASPER et al., 2017). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 120 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 120 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 120 A International Society of Heart Lung Transplan- tation registrou, desde 1982, um total de 3.184 transplantes cardiopulmonares; porém, desde 2001 foram realizados menos de cem procedi- mentos deste tipo em todo o mundo. No período a partir do ano 2000, a sobrevida tem sido de cerca de 70% no primeiro ano e 50% no quinto ano, sendo que mais de 80% dos pacientes sobreviventes têm limitações em suas atividades até pelo menos o sétimo ano pós-transplante. Concluindo, esta modalidade terapêutica pode ser considerada como uma forma de tratamento para pacientes terminais, mas limitada principalmente ao controle de rejeição pulmonar a longo prazo (KASPER et al., 2017). A prevenção, o diagnóstico e o tratamento da rejeição aguda ou crônica do órgão são fundamentais para a sobrevida do paciente transplantado. Isso posto, existem basicamente três tipos imunológicos de rejeição: hiperaguda, aguda e crônica (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). A rejeição hiperaguda, menos frequente, é rápida e mediada por anticorpos pré-formados (rejeição humoral), sendo normalmente o resultado de exposi- ção prévia aos antígenos por gravidez ou transfusão sanguínea. Pode ocorrer mesmo na ausência de incompatibilidade ABO ou de anticorpos anti-HLA, ha- vendo uma agressão ao sistema endotelial por anticorpos citotóxicos. Para sua prevenção, é importante o estudo prévio do grau de sensibilização alogênica do receptor pelo painel de linfócitos e pela prova cruzada específica nos pa- cientes sensibilizados (painel > 10%) (KASPER et al., 2017). A rejeição aguda é mediada pela ativação ou formação de linfócitos, sen- do fundamentalmente celular e com infiltração linfóide do coração. Aparece a partir da primeira semana após a cirurgia e ocorre mais frequentemente nos três primeiros meses do pós-operatório; a partir do sexto mês, a frequência e a intensidade desses episódios diminuem. Os diagnósticos clínico e eletrocardiográfico da rejeição aguda são inespecíficos, e inúmeros métodos não invasivos têm sido buscados para substituir a biópsia endomiocárdica do ventrículo direito. No entanto, esta se impõe por sua especificidade e segu- rança diagnóstica. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 121 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 121 13/05/2021 11:57:32 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 121 A periodicidade das biópsias varia de acordo com o protocolo de diferentes equipes; no entanto, a maioria dos grupos realiza biópsias endomiocárdicas se- manais no primeiro mês de pós-operatório, repetindo-as mensalmente até o 3º ou 6º mês ou quando necessário, na medida da suspeita clínica ou de alterações em exames não invasivos (ecocardiografia, cintilografia com gálio-67, ressonân- cia magnética, entre outros) (KASPER et al., 2017). Já a rejeição crônica é expressa basicamente pela doença vascular do en- xerto e é o resultado da agressão imunológica crônica a artérias e veias car- díacas, o que leva à isquemia miocárdica (“silenciosa” pela desnervação) e à fibrose com deterioração miocárdica. Parece haver, como fatores coadjuvantes na patogênese desta entidade, a participação de infecções por citomegalovírus e alterações no perfil lipídico do paciente (KASPER et al., 2017). O esquema de imunossupressão pode ser alterado em decorrência de epi- sódios de rejeição ou de efeitos colaterais dos agentes. É importante a medição frequente (2 a 3 vezes/semana após a introdução do agente) dos níveis séricos de ciclosporina, a fim de garantir uma ação terapêutica eficaz e com mínimos efeitos colaterais. Por fim, nos episódios de rejeição leve, basta o ajuste da dosa- gem oral dos imunossupressores, ao passo que os casos de rejeição mais grave requerem cuidados adequados (CONSOLIM-COLOMBO; SARAIVA; IZAR, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 122 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 122 13/05/2021 11:57:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 122 Sintetizando A temática das doenças cardíacas é extremamente relevante para o pro- fissional da área da saúde em razão de seu amplo espectro. Sabe-se que as doenças cardíacas estão relacionadas, de alguma forma, a outras condições do indivíduo, o que torna ainda mais desafiador diagnosticá-las e propor meios de tratamento. De acordo com o que foi discutido, estudos apontam que a perda de pro- dutividade no trabalho e a diminuição da renda familiar resultantes de apenas três DCNT (diabete, doenças cardíacas e acidente vascular encefálico) ocasio- nam diversos problemas que afetam o país inteiro. Ademais, vimos como a dispneia é um sintoma bastante considerado no âm- bito médico da cardiologia, posto que é uma característica extremamente re- levante para a descrição do paciente que sofre (ou que vá sofrer) com doenças cardíacas. Desta maneira, quando há descrição de sintomas como falta de ar, fôlego curto ou dificuldade para respirar, isto deve ser levado em consideração. Condições mais severas que levam a técnicas invasivas, como cirurgias car- díacas e transplantes, são muito exploradas, uma vez que estas últimas são capazes de aumentar a qualidade de vida de pacientes que tenham patologias atreladas à inadequação anatômica e/ou funcional cardíaca. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 123 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 123 13/05/2021 11:57:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 123 Referênciasbibliográficas CARVALHO, T. et al. Diretriz brasileira de reabilitação cardiovascular – 2020. Ar- quivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 114, n. 5, 2020. CONSOLIM-COLOMBO, F. M.; SARAIVA, J. F. K.; IZAR, M. C. O. Tratado de Cardio- logia: SOCESP. 4. ed. São Paulo: Manole, 2019. DOUGLAS, C. R. Tratado de fisiologia aplicada às ciências médicas. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. KASPER, D. L. et al. Medicina interna de Harrison. 19. ed. Porto Alegre: AMGH, 2017. KOEPPEN, M.; STANTON, B. A. (ed.). Fisiologia - Berne & Levy. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. MOORE, K. L.; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. SERRANO JR., C. V.; TIMERMAN, A.; STEFANINI, E. (ed.). Tratado de cardiologia Socesp. 2. ed. [s.l.]: Manole, 2010. SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. São Paulo: Manole, 2017. TV REFERÊNCIA InCor - 50 anos do primeiro transplante de coração do Bra- sil. Postado por InCor - HCFMUSP. (06min. 26s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 09 abr. 2021. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 124 SER_FISIO_FISDCA_UNID4.indd 124 13/05/2021 11:57:33 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 124como duas bombas distintas e seriadas. C: esquema ilustrado com mais propriedades sobre a circulação sistêmica. Fonte: MOORE, 2014, p. 84. Pulmões Pulmões Veias Capilares Cabeça e encéfalo Membros superiores Artérias Artérias ascendentes Veia cava superior Veia cava inferior Ventrículo direito (VD) Átrio esquerdo (AE) Átrio Direito (AD) Parte abdominal da aorta Ventrículo esquerdo (VE) Artérias coronárias Artérias descendentes Sistema digestório Artéria hepática Pelve e membros inferiores Veia hepática Artérias renaisVeias renais Válvula Sistema porta do fígado Rins Veia portaFígado Tronco Aorta Coração Pulmões A B C Artérias pulmonares Artérias pulmonares Veias sistêmicas Veias pulmonares Veias pulmonares Artérias sistêmicas Circulação pulmonar Circulação pulmonar Circulação sistêmica Circulação sistêmica Leitos capilares sistêmicos Leitos capilares sistêmicos AD AD AE AE VE VE VD VD Câmaras do coração: AD = átrio direito AE = átrio esquerdo VD = ventrículo direito VE = ventrículo esquerdo FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 18 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 18 13/05/2021 10:43:22 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 18 Coração O tamanho do coração de um ho- mem adulto apresenta cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm de largura em sua parte mais ampla e 6 cm de es- pessura (MOORE, 2014). Ao comparar entre gêneros, constata-se diferença entre as massas dos corações, ou seja, o coração masculino apresenta, em média, 50g a mais que o coração femi- nino. Dessa forma, a literatura relata que o coração feminino apresenta massa de 250g e o coração masculino 300g (MOORE, 2014). Sabemos que ele se apoia no diafragma, mais especifi camente no medias- tino (massa de tecido que se estende do esterno à coluna vertebral; e entre os revestimentos –pleuras – dos pulmões) e está distribuído com uma tendência de 2/3 de massa para a esquerda da linha média do corpo (SOBOTTA, 2013). Para melhor compreensão anatômica, didaticamente divide-se o coração. As- sim, podemos identifi car a ápice, que corresponde à extremidade pontuda do órgão, visto que é dirigida para a esquerda, para baixo e, por fi m, para frente (SOBOTTA, 2013). Observa-se que a borda direita está voltada para o pulmão direito e se es- tende da superfície inferior em direção à base, conforme descrição por Sobotta (2013) que ainda aponta que a borda esquerda (borda pulmonar) fi ca voltada para o pulmão esquerdo, estendendo-se da base ao ápice. Acima do coração, encontram-se as estruturas dos grandes vasos cardíacos e posteriormente a traqueia, o esôfago e a artéria aorta descendente (SOBOTTA, 2013). Sendo revestido por dupla camada de tecido (membrana envolvente) que merece destaque pela funcionalidade de proteção do órgão, o coração fi ca res- trito à sua localização no mediastino. Embora ocorra restrição, essa membrana permite funcionalidade plena do coração, ou seja, liberdade para contrações leves até vigorosas. Tal membrana é denominada pericárdio (MOORE, 2014; BARBANERA, 2019), que consiste em duas camadas. Contudo, para melhor compreensão, o Diagrama 2 apresenta suas principais características. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 19 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 19 13/05/2021 10:43:23 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 19 DIAGRAMA 2. PERICÁRDIO E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS Observa-se que o coração apresenta pontos anatômicos externamente – três faces e quatro margens, conforme Figura 2. Figura 2. Identificação de pontos externos do coração. Fonte: BARBANERA, 2019, p. 34. Pericárdio Pericárdio Seroso Pericárdio Fibroso Superficial Assemelha-se a um saco formado por tecido conjuntivo irregular, denso, resistente e inelástico, que repousa sobre o diagragma. É uma membrana mais fina e mais delicada que o pericárdio fibroso, que circunda o coração. A camada parietal, mais externa do pericárdio seroso, está fundida ao pericárdio fibroso. Face Esternocostal Face Diafragmática; Margem Inferior Face Pulmonar; Margem Esquerda Margem Direita Margem Superior FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 20 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 20 13/05/2021 10:43:23 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 20 Com relação às faces do coração, podemos identificar a face anterior (es- ternocostal), que é formada majoritariamente pelo ventrículo direito; a face diafragmática (inferior), que apresenta em sua formação o ventrículo es- querdo e parcialmente o ventrículo direito (está relacionada principalmente com o tendão central do diafragma); a face pulmonar (esquerda), formada principalmente pelo ventrículo esquerdo (ocupa a impressão cárdica do pul- mão esquerdo) (BARBANERA, 2019). Além das faces do coração, pode ser observado, na Figura 2, as suas mar- gens. Observa-se, ainda, que cada uma delas apresenta formação diferente. De acordo com a literatura especializada, a margem direita do coração é for- mada pelo átrio (direito), que se estende entre as veias cavas superior e infe- rior (SOBOTTA, 2013; MOORE, 2014). Já o ventrículo direito – principalmente ele – e o ventrículo esquerdo são responsáveis pela formação da margem inferior do coração (NETTER, 2000; SOBOTTA, 2013). Compondo a forma- ção da margem esquerda cardíaca, temos a aurícula esquerda e também o ventrículo esquerdo (MOORE, 2014). Por fim, os átrios (direito e esquerdo) e as aurículas direita são os componentes que formam a margem superior. Destaca-se a porção ascendente da aorta – observada na margem superior cardíaca – e o tronco pulmonar, conforme Sobotta (2013). Assim, a margem superior forma o limite inferior do seio transverso do pericárdio posterior à aorta e ao tronco pulmonar e anterior à veia cava superior (SOBOTTA, 2013; MOORE, 2014). Nota-se que o coração possui quatro câmaras internas, sendo elas dois átrios e dois ventrículos (BARBANERA, 2019). Intuitivamente, a fun- cionalidade dessas câmaras é diferente. Tanto os átrios direito quanto o esquerdo são câmaras de recepção do sangue, enquanto os ventrículos direito e esquerdo são câmaras de ejeção do sangue para a circulação sistêmica e a circulação pulmonar (MOORE, 2014; SILVERTHOR, 2017). A Figura 3 identifica essas câmaras, apresentando as estruturas inter- nas do coração. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 21 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 21 13/05/2021 10:43:24 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 21 Figura 3. Distribuição dos componentes internos do coração. Fonte: NETTER, 2000, p. 218. É possível notar, ao observar a Figura 3, uma estrutura muito importante que separa o sangue venoso do sangue arterial. Essa estrutura que promove essa divisão é chamada de septo interventricular. Além disso, vemos que os músculos pectinados (cristas musculares) estão alocados no átrio direito e am- bos os átrios apresentam uma expansão piramidal chamada aurícula. Sabe-se que o átrio esquerdo tem a aurícula esquerda e o átrio direito tem a aurícula direita. Ainda analisando, temos as trabéculas carnosas que correspondem a uma série de feixes elevados de fibras musculares cardíacas localizada no in- terior do ventrículo direito (MOORE, 2014). Também presentes, há os músculos papilares. Eles são formados pelas cordas tendíneas (o ápice das cúspides é preso por filamentos) que se inserem em colunas cárneas (NETTER, 2000). Cúspide posterior da valva mitral Veias pulmonares esquerdas Cúspide anterior (aórtico) da valva mitral Cúspide semilunar esquerda da valva aórtica Cúspide semilunar posterior (não-coronário) da valva aórtica Cúspide anterior da valva tricúspide (retraída) Cúspide septal (medial) da valva tricúspide Ventrículo esquerdo Ventrículo esquerdo Cúspide posterior da valva tricúspide Músculo papilar anterior direito (seccionado)Músculo papilar posterior esquerdo Músculo papilar anterior esquerdo Banda septal da trabécula septomarginal Músculo papilar anterior direito (seccionado) Cúspide semilunar direita da valva aórtica Cúspide semilunar esquerda da valva aórtica Óstios das artérias coronárias Aurícula esquerda Tronco pulmonar Átrio esquerdo Aorta ascendente Aurícula direita Fluxo de saída para o tronco pulmonar Banda moderadora da trabécula septomarginal Músculo papilar septal (medial) Ventrículo direito Cone arterioso Crista supraventricular Músculo papilar posterior direito Septo interventricular muscular Ventrículo direito Parte atrioventricular do septo membranoso Parte intraventricular do septo membranoso Átrio direito Veia pulmonar superior direita Seio aórtico (de Valsalva) Aorta ascendente Veia cava superior FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 22 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 22 13/05/2021 10:43:25 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 22 Pode-se notar, ainda, as veias cava superior, cava inferior e seio coronário que desembocam no átrio direito o sangue venoso através de orifícios cha- mados de óstios. A veia cava superior recolhe sangue da cabeça e da parte superior do corpo, enquanto a veia cava inferior recebe sangue do abdômen e membros inferiores. Somente o seio coronário recebe o sangue venoso do miocárdio e retorna ao átrio direito (MOORE, 2014). Entretanto, formada por três folhetos, as valvas tricúspides permitem o sangue passar do átrio direito para ventrículo direito, o qual possui em sua parede medial (septo interatrial) uma depressão chamada de fossa oval. Ainda sobre o átrio direito no tocante anatômico, nota-se expansão pirami- dal que tem a função de absorver o impulso sanguíneo quando esse adentra no átrio. Tal estrutura é chamada de aurícula (neste caso, chama-se aurícula direita, porque está localizada no átrio direito) (MOORE, 2014). Já em relação ao átrio esquerdo, sabe-se que ele também apresenta aurícula. Em seu interior, constata-se que as paredes são finas, porém capazes de recepcionar o sangue rico em gás oxigênio advindo dos pulmões (NETTER, 2000; SOBOTTA, 2013). Esse sangue será, posteriormente, bombeado para a circulação sistêmica. Tal fato ocorrerá desde que o sangue passe de uma câmara para outra, o que im- plica na abertura da valva bicúspide (mitral) esvaziando o átrio esquerdo e en- chendo o ventrículo esquerdo de sangue (MOORE, 2014; BARBANERA, 2019). Sobre os ventrículos, lembre-se que ambos estão localizados na porção in- ferior do coração, ou seja, abaixo dos átrios. Além disso, é importante citar que a Figura 3 ilustra majoritariamente a formação da superfície anterior cardíaca, baseada no ventrículo direito. Outra estrutura importante (presente no órgão cardíaco) é a valva do óstio atrioventricular direito (valva tricúspide). Funcionalmente, essa valva impede o re- torno do sangue venoso presente no ventrículo direito ao átrio direito (NETTER, 2000). Estruturas anatômicas bastante relevantes são as valvas semilunares cons- tituídas por pequenas lâminas da valva do tronco pulmonar dispostas em conchas. A Figura 3, já vista anteriormente, e a Figura 4 permitem identificar pontos ana- tômicos do órgão coração. O ventrículo esquerdo é responsável pela formação do ápice cardíaco. Em relação ao óstio atrioventricular esquerdo, observa-se que sua constituição se deve por duas lâminas (bicúspide) e está localizado a valva atrio- ventricular esquerda (NETTER, 2000; SOBOTTA, 2013; BARBANERA, 2019). FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 23 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 23 13/05/2021 10:43:25 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 23 Figura 4. A. Elementos das faces internas do átrio esquerdo e da via de entrada do ventrículo esquerdo. AV, atrioventri- cular. B. O padrão de fluxo sanguíneo através do lado esquerdo do coração. C. Nas partes A e B, o coração foi incisado verticalmente ao longo de sua margem esquerda e depois transversalmente através da parte superior de sua base, passando entre as veias pulmonares superior e inferior esquerdas. Fonte: MOORE, 2014, p. 200. É bem descrito, conforme Moore (2014), o percurso do sangue arterial, partin- do do átrio esquerdo até as células mais distantes do corpo humano. No tocante anatômico do coração, o sangue chega ao ventrículo esquerdo esvaziando o átrio esquerdo, isto é, o sangue passa através do óstio atrioventricular esquerdo onde está alocado a valva bicúspide (mitral). A ejeção do sangue para a circulação sistê- mica flui pelas valvas semilunares – direita, esquerda e posterior (constituintes da valva aórtica) – seguindo pela artéria aorta ascendente (SOBOTTA, 2013; MOORE, 2014). Ressalta-se que ela possui ramificações, o que permite o fluxo sanguíneo para artérias coronárias (irriga o coração com nutrientes) e para o arco da aorta e suas ramificações. A partir desse ponto, o sangue flui para as demais artérias do corpo (NETTER, 2000; MOORE, 2014). Assim, a funcionalida- de do átrio e ventrículo se difere, visto que o a prin- cipal característica funcional do ventrículo esquerdo é bombear sangue para a circulação sistêmica. Septo interatrial V. pulmonar superior esquerda V. pulmonar inferior esquerda Vv. pulmonares direitas Valva do forame oval Anel fibroso do óstio AV esquerdo Ventrículo esquerdo Tronco pulmonar Vv . p ulm on ar es es qu er da s Vv. pulmonares direitas Aorta Direito Esquerdo Inferior Superior VentrículosLinha de incisão em A e B Linha de incisão em A e B Átrio esquerdo Átrio esquerdo Assoalho da fossa oval Abertura para a aurícula Aurícula esquerda Cordas tendíneas Músculos papilares Para o vestíbulo da aorta A C B FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 24 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 24 13/05/2021 10:43:26 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 24 Vascularização A irrigação do coração é assegurada tanto pelas artérias coronárias quanto pelo seio coronário. Por percorrerem o sulco coronário e apresentarem origem da artéria aorta, elas recebem o nome de artérias coronárias (direita e esquer- da) (MOORE, 2014). A ramifi cação da artéria coronária direita faz surgir a artéria marginal direi- ta e artéria interventricular posterior. Elas são responsáveis pela irrigação da margem direita e da parte posterior do coração (SERRANO, 2010). Por outro lado, a artéria coronária esquerda se ramifi ca ao passar por trás do tronco pul- monar em direção ao sulco coronário (ápice da aurícula esquerda), proporcio- nando um ramo interventricular anterior e um ramo circunfl exo que dá origem a artéria marginal esquerda (SERRANO, 2010). Vale considerar importante saber também que a coleta do sangue venoso é rea- lizada pelas veias que são responsáveis por conduzi-lo até a veia magna do coração, visto que anatomicamente ela se apresenta ao nível do ápice cardíaco, sobre o sulco interventricular anterior, e segue o sulco coronário da esquerda para a direita, pas- sando pela face diafragmática, em direção ao átrio direito (MOORE, 2014). Por fi m, temos o seio coronário, que é formado por seus últimos três centí- metros da porção terminal desse vaso (SOBOTTA, 2013). Além disso, constata- -se que o seio coronário recebe ainda a veia média do coração, a qual percorre debaixo para cima o sulco interventricular posterior e a veia pequena do cora- ção que margeia a borda direita dele (NETTER, 2000; SOBOTTA, 2013). Vasos sanguíneos Os vasos sanguíneos são tubos que carregam o sangue arterial, levando oxigênio e nutrientes para as células, além de coletar gás carbônico e resíduos metabólicos através do sangue venoso. Para ilustrar o percurso do sangue, podemos observar o Diagrama 3, que mostra as estruturas dos vasos sanguíneos diferenciando-os em sua composi- ção – morfologia. O primeiro sistema conduz o sanguebombeado do coração em direção aos demais órgãos, nutrindo as células por pequenos tubos de pa- redes delgadas e espessura aproximada de 0,5µm e diâmetros, podendo osci- FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 25 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 25 13/05/2021 10:43:26 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 25 lar entre 7µm a 9µm, denominados capilares (NETTER, 2000; GUYTON; HALL, 2011). Já o segundo sistema é formado por um conjunto de vasos que, partindo dos tecidos em direção ao coração, dá origem a ramos de maior calibre até de- sembocar no átrio direito (NETTER, 2000; GUYTON; HALL, 2011). Mais adiante, nos subtópicos seguintes, abordaremos as diferenças entre o sistema arterial e sistema venoso com mais informações técnicas. DIAGRAMA 3. ESTRUTURAS DOS VASOS SANGUÍNEOS Sistema arterial Defi ne-se sistema arterial como conjunto de vasos que saem do coração, ramifi cando-se para todo o organismo (MOORE, 2014). Destaca-se ainda o uni- direcionamento do fl uxo sanguíneo arterial – via que o sangue percorre para As veias apresentam uma estrutura peculiar anatômica que as diferenciam das artérias. Essa estrutura é chamada de válvulas semilunares, responsáveis por auxiliar o retorno do sangue venoso ao coração, além de impedir o fl uxo revés do sangue (MOORE, 2014; BARBANERA, 2019). Estruturas dos vasos sanguíneos O tecido conjuntivo é a base de sua composição. Esta túnica contém pequenos fi letes nervosos e vascularizados, uma vez que são destinados à inervação e a irrigação das artérias. Está presente apenas nas grandes artérias do corpo humano. Túnica externa Esta camada intermediária apresenta em sua composição fi bras musculares lisas além de tecido conjuntivo elástico (pequena quantidade). Está presente na maioria das artérias do organismo. Túnica média É a camada que reveste as artérias. É composta por células endoteliais.Túnica íntima FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 26 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 26 13/05/2021 10:43:26 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 26 Sistema venoso As veias são os tubos que compõem o sistema venoso, tendo como função conduzir o sangue dos capilares para o coração (MOORE, 2014). Tanto as veias como as artérias compõem a grande e a pequena circulação. Observe o Qua- dro 2, identifi cando as principais diferenças entre as veias do sistema circula- tório do corpo humano. transportar o gás oxigênio e nutrientes para a célula (SILVERTHORN, 2017, BAR- BANERA, 2019). Assim, o Quadro 1 identifi ca os principais vasos e sistemas de irrigação do sangue arterial para o corpo humano. QUADRO 1. ARTÉRIAS PRINCIPAIS QUADRO 2. VEIAS PRINCIPAIS. Artérias Principais Principais características Sistema do Tronco Pulmonar Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias segmentares pulmonares. Sistema da Artéria Aorta A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. Artéria Coronária Esquerda A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Artéria Coronária Direita Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. Sistema do Tronco PulmonarSistema do Tronco PulmonarSistema do Tronco PulmonarSistema do Tronco PulmonarSistema do Tronco Pulmonar Sistema da Artéria Aorta Sistema do Tronco Pulmonar Sistema da Artéria Aorta Sistema do Tronco Pulmonar Sistema da Artéria Aorta Sistema do Tronco Pulmonar Sistema da Artéria Aorta Sistema do Tronco Pulmonar Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). Sistema da Artéria Aorta Artéria Coronária Esquerda Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de Sistema da Artéria Aorta Artéria Coronária Esquerda Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada Sistema da Artéria Aorta Artéria Coronária Esquerda Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias segmentares pulmonares. Sistema da Artéria Aorta Artéria Coronária Esquerda Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias segmentares pulmonares. A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- Artéria Coronária Esquerda Artéria Coronária Direita Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias segmentares pulmonares. A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, Artéria Coronária Esquerda Artéria Coronária Direita Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias segmentares pulmonares. A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro Artéria Coronária Esquerda Artéria Coronária Direita Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias segmentares pulmonares. A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. Artéria Coronária Esquerda Artéria Coronária Direita Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias segmentares pulmonares.A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. Artéria Coronária Esquerda Artéria Coronária Direita Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias segmentares pulmonares. A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm Artéria Coronária Direita Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias segmentares pulmonares. A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior Artéria Coronária Direita Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. Inicia-se a partir do coração (ventrículo direito) se ramifi cando em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonarpermite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. em duas grandes estruturas (artéria aorta e tronco pulmonar). O tronco pulmonar permite a irrigação sanguínea através de duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta abdominal. A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. uma delas se ramifi ca, a partir do hilo pulmonar, em artérias A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. A artéria aorta é a maior artéria presente no corpo, com diâ- metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. metro de dois a três centímetros (maior calibre). Além disso, a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. a aorta é o principal tronco das artérias sistêmicas. As quatro principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do sulco coronário ou atrioventricular. principais divisões da artéria são a aorta ascendente, o arco da A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do A artéria coronária esquerda se inicia a partir da aorta (válvula aórtica semilunar esquerda). Apresenta entre 1 mm a 25 mm de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior (ramo descendente anterior esquerdo) e ramo circunfl exo. Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do de lúmen e, então, se divide em ramo interventricular anterior Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do Apresenta sua origem na artéria aorta, acima da cúspide direi- ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do ta da válvula aórtica, e dirige-se inferolateralmente ao longo do Veias Principais Principais características Veias da circulação pulmonar Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por veias segmentares. Veias da circulação pulmonarVeias da circulação pulmonarVeias da circulação pulmonarVeias da circulação pulmonarVeias da circulação pulmonarVeias da circulação pulmonarVeias da circulação pulmonarVeias da circulação pulmonarVeias da circulação pulmonar Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por veias segmentares. Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentospulmonares através das veias formadas por veias segmentares. Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por veias segmentares. Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por veias segmentares. Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por veias segmentares. Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por veias segmentares. Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Terminam no átrio esquerdo, isto é, recolhem sangue arterial dos segmentos pulmonares através das veias formadas por Fonte: BARBANERA, 2019, p. 36. FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 27 SER_FISIO_FISDCA_UNID1.indd 27 13/05/2021 10:43:26 FISIOPATOLOGIA NAS DISFUNÇÕES CARDIOLÓGICAS E ANGIOLÓGICAS 27 Veias da circulação sistêmica Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo seio coronário. Veias da circulação sistêmicaVeias da circulação sistêmicaVeias da circulação sistêmicaVeias da circulação sistêmicaVeias da circulação sistêmicaVeias da circulação sistêmicaVeias da circulação sistêmicaVeias da circulação sistêmicaVeias da circulação sistêmica Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo seio coronário. Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo seio coronário. Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo seio coronário. Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo seio coronário. Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo Há duas grandes veias que desembocam no átrio direito con- duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias são chamadas de veia cava superior e veia cava inferior. O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo duzindo sangue venoso para o interior do coração. Essas veias O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo O sangue venoso circulante do coração é transportado pelo A veia cava superior apresenta o comprimento aproximado de 7,5 cm e diâmetro de 2 cm e, a partir dela, surgem dois troncos braquiocefálicos (SOBOTTA, 2013; MOORE, 2014). Constata-se, também, que cada veia bra- quiocefálica é constituída pela junção de outras veias, como a veia subclávia com a veia jugular interna (MOORE, 2014). Já a veia cava inferior é a maior veia do corpo humano, com diâmetro de cerca de 3,5 cm e é originada pela junção das veias ilíacas comuns (SOBOTTA, 2013; MOORE, 2014). Retomando a veia subclávia, devemos citar ainda que ela recebe dos membros superiores o sangue que, advindo da cabeça e pescoço, percorre o lúmen da veia jugular interna (BARBANERA, 2019). Sabemos, entretanto, que a principal veia do coração é o seio coronário, uma vez que recebe a maioria do sangue venoso do miocárdio. Situa-se no sulco coronário, abrindo-se no átrio direito. Outra característica importante é que recebe a veia cardíaca magma (sulco interventricular