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ASSOCIAÇÃO DA CASA FAMILIAR RURAL DE SAUDADES
Linha Taipas - Saudades – SC
	
 ANDRIELE OTOWICZ PAGNUSSAT
PROJETO PROFISSIONAL DE VIDA DO JOVEM
 MELIPONICULTURA
Saudades
 2024
 ANDRIELE OTOWICZ PAGNUSSAT
PROJETO PROFISSIONAL DE VIDA DO JOVEM
MELIPONICULTURA
Projeto apresentado para conclusão do Curso Técnico em Zootecnia da Casa Familiar Rural de Saudades.
Orientador: Prof. Djhonathan Fernandes
Saudades
2
Um poema sobre as abelhas indígenas
 "Quando chove as abelhas 
Começam a trabalhar:
 Moça-branca e a pimenta, 
Mandaçaia e mangangá;
 Canudo, Mané-de-Abreu,
 Tubiba e irapuá."
 "Ronca a tataira, Faz boca o limão, 
Zoa o sanharão,
 Trabalha a jandaíra,
 Busca flor a cupira 
Faz mel o enxú, 
Zoa o capuchú, 
Vai à fonte a jataí,
 Campeia o enxuí, 
Faz mel a uruçu"
 Francisco Romano (1840-1891), cancioneiro nordestino
 (Transcrito de Lamartine de Faria & Lamartine, 1964:187).
LISTA DE TABELAS E FIGURAS
Figura 1: Croqui da propriedade. Fonte: Google Earth
 
 Figura 2: Abelhas jataí. Fonte: Manual de boas práticas 
 Figura 3 Operária da espécie jataí, tribo trigonini. Foto: Aires C. Mariga
 
Figura 4 Operária da espécie mandaçaia, tribo meliponini. Foto: Aires C. Mariga
Figura 5: Meliponário a céu aberto. Fonte: pinterest
Figura 6-Enxameação das abelhas sem ferrão. Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão
Figura 7 e 8: Armadilhas para atrair enxames de meliponíneos. Fonte: google imagens
 Figura 9:Vista lateral dos favos com seta. Foto:Letícia Lopes 
 Figura 10: Divisão de colônia. Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão
Figura 13: Distância entre colméias após a divisão de enxames. Fonte:Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão
Figura 14 : Estrutura do ninho de meliponíneo: A) Em colmeia vertical modular; B) Em oco de árvore.
Desenhos de Ronaldo Gemerasca da Silva adaptado de Posey & Camargo, 1985
Figura 15: Estrutura do ninho de meliponíneo: A) Em colmeia vertical modular; B) Em oco de árvore.
Desenhos de Ronaldo Gemerasca da Silva adaptado de Posey & Camargo, 1985. 
Figura 16: Disposição dos módulos ninho, sobreninho, melgueira em colmeia vertical para criação de
meliponíneos. Ilustrações de Ronaldo Gemerasca da Silva.
Figura 17 : Módulo da colméia vertical utilizado para alocar os favos de cria: A) Vista frontal; B) Vista
superior. Ilustrações de Ronaldo Gemerasca da Silva.
Figura 18: Módulo da colmeia vertical utilizado para divisão do ninho: A) Sobreninho vista inferior; B) Varetas; C)
Sobreninho vista superior. Ilustração de Ronaldo Gemerasca da Silva
Figura 19: Vista superior da melgueira, módulo da colmeia vertical utilizado para depósito dos potes de alimento (mel e pólen). Ilustração de Ronaldo Gemerasca da Silva.
Figura 20: Colônia atacada por forídeos. Foto: Bruno de Almeida Souza.
Figura 21: Fêmea da mosca Hermetia illucens. Fotos: Bruno de Almeida Souza.
 Figura 22: Colônia infestada por formiga do gênero Camponotus.
 Figuras 24 e 25: Alimentadores introduzidos na melgueira de uma caixa modelo “Fernando Oliveira”.
 Figura 26 :Coleta de mel utilizando-se seringa. Fonte: google imagens.
 Figura 27 : Exemplo de glossador. Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão.
 Figura 28: Método de coleta de mel de meliponíneos criado pela Embrapa Amazônia Oriental. Fonte: google imagens.
Figura 29 : Etapas do processo de pasteurização. Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão.
Figura 30: Técnica de maturação. Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão.
Figura 31 : Embalagem de mel de abelhas nativa.
 Figura 32: Local inicial de implantação do meliponário
Imagens 33 e 34: foto de satélite, maior raio de ação das abelhas criadas no meliponário. Fonte: Google Earth
 Imagem 35 : Flores de butiazeiro Fonte: google imagens
 Imagem 36: flor de Ipê-amarelo Fonte: google imagens
 Imagem 37: Melipona quadrifasciata em flor de cosmos. Fonte: google imagens
 Figura 38 : Local de implantação das colméias individuais.
 Figura 39 : Área com pomar de jabuticabeira para expansão a médio-prazo.
 Figura 40: área para instalação de 43 colméias a longo-prazo.
TABELA 1.0: Diferença entre as tribos Meliponini e Trigonini
TABELA 2.0: Particularidades de algumas espécies
TABELA 3.0 Espécies de abelhas sem ferrão – meliponíneos de ocorrência natural encontrados no estado de SC.
 GRÁFICO 1.0: Espécies de abelhas sem ferrão criadas em Santa Catarina, Brasil
 
 FLUXOGRAMA 1: principais etapas e técnicas discutidas.
Apêndice 01: Calendário da Floração próxima ao meliponário
Apêndice 02: Orçamento custo para expansão a médio-prazo
Apêndice 03: Nos custos para expansão a longo prazo foram considerados apenas os valores fixos para implantação, incluindo a aquisição de dois enxames de espécies diferentes para ter outras variedades na venda de mel e enxames.
Apêndice 04: Cronograma de execução ano 2024
Apêndice 05: Cronograma de execução ano 2025
Apêndice 06: Cronograma de execução ano 2026
Apêndice 07: Cronograma de execução ano 2030
Apêndice 07: Cronograma de execução ano 2030
Apêndice 08: Custo de investimentos fixos para implantação do meliponário contendo 20 colmeias considerando a compra de todos os materiais.
 Apêndice 09: Orçamento dos custos variáveis, dispõe dos gastos com insumos utilizados frequentemente nos manejos.
Apêndice 10: Orçamento de mão-de-obra.
Apêndice 11: Orçamento de investimentos necessários.
Apêndice 12: Custos com a comercialização.
Apêndice 13: Orçamento 1° ano de produção com 40% da produtividade esperada.
Apêndice 14: Orçamento 1° ano de produção com 40% da produtividade considerando os custos utilizados sem o uso de mão-de-obra.
Apêndice 15: Orçamento no 2° ano de produção considerando uma produtividade de 70% da capacidade total dos enxames. Foram utilizados apenas os preços de manutenção como os custos variáveis, custos de comercialização e mão de obra, visto que os investimentos já foram pagos no 1°ano de venda.
Apêndice 15: Orçamento no 2° ano de produção considerando uma produtividade de 70% da capacidade total dos enxames. Foram utilizados apenas os preços de manutenção como os custos variáveis, custos de comercialização e mão de obra, visto que os investimentos já foram pagos no 1°ano de venda.
Apêndice 16: Orçamento do 3° ano de produção considerando a capacidade máxima de produtividade dos enxames. É notório o decréscimo ocorrido no custo/ litro/mel produzido.
 RESUMO
Os meliponíneos são abelhas nativas do território brasileiro. O resgate e preservação passou a constituir uma atividade econômica importante para os produtores, seja por meio da comercialização do mel, dos benefícios da polinização de culturas comerciais ou da venda de colônias formadas pela multiplicação racional. O Projeto tem como objetivo, expandir o conhecimento sobre o ramo da criação racional de melíponas e a implantação de um meliponário. As informações e conhecimentos adquiridos servirão de apoio para a realização das práticas à campo nesta área. A metodologia inclui a realização de pesquisas através de artigos científicos, entrevistas com produtores, análises da propriedade para a identificação e mapeamento das plantas das áreas de interesse, estudo do local para a instalação do Meliponário, considerando condições climáticas e sombreamento necessários para o conforto térmico das abelhas, cronograma de execução e avaliação dos custos de investimentos para implantação do meliponário. Assim, a presente pesquisa buscou estimar os custos de produção e analisar a viabilidade econômica do investimento. Após a tabulação, foram realizadas estatísticas descritivas e estimados os custos de implantação e operacionalização de um meliponário com 20 colmeias. Os resultados mostraram que os custos de implantação e de operacionalização são baixos e, uma vezDependendo da espécie de abelha e do teor de umidade do mel in natura, a pasteurização tem proporcionado um tempo de validade que varia de seis meses a um ano (Villas-Bôas, 2012). Entretanto, após o pote ser aberto, o mel deve ser armazenado em geladeira e consumido antes de um ano (Menezes et al., 2013).
 Figura 29 : Etapas do processo de pasteurização.
 Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão.
5.4.3.3 Desumidificação (ou desidratação)
É o processo de retirada ou redução da quantidade de água do mel para menos que 20%, máximo de teor de umidade permitido pela legislação brasileira (Instrução Normativa n° 11, de 20 de outubro de 2000). Para esse procedimento são utilizadas máquinas de desumidificação e sala de desumidificação (Fonseca et al., 2006; Venturieri et al., 2007; Villas-Bôas, 2012). A desvantagem do método é que o
mel torna-se mais viscoso e muito semelhante ao de A. mellifera (Menezes, et al., 2013).
5.4.3.4 Maturação
Método em que a fermentação após a colheita ocorre naturalmente à temperatura ambiente (Drummond, 2010).
 
 
 Figura 30: técnica de maturação
 Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão
 5.4.4 Envase e rotulagem
São etapas finais de produção. Os recipientes de vidro são os mais indicados para o armazenamento do mel, uma vez que não interferem em suas características naturais. A principal característica de um recipiente para armazenamento do mel é que permita o fechamento hermético do mesmo (Villas-Bôas, 2012). No Brasil existe regulamentação específica para a rotulagem de produtos de origem animal.
 
Segundo Menezes et al., (2013), devido à grande diversidade de meliponíneos e ao conhecimento limitado existente sobre os principais microorganismos (leveduras, fungos e bactérias) que vivem em suas colônias, o processo de maturação do mel ainda é mal compreendido. Para os autores, a análise físico-química do mel é de grande valia para entender os processos biológicos e bioquímicos envolvidos no armazenamento do mel das abelhas sem ferrão. 
 No Brasil, existe um regulamento específico para a rotulagem de produtos de origem animal, a Instrução Normativa nº 22, de 24 de novembro de 2005. No caso do mel, as principais informações que devem constar no rótulo são:
5.4.5 Sistemas de produção
 Com base nas diversas técnicas de manejo, coleta e beneficiamento de mel apresentadas neste manual, são várias as alternativas para construção de um sistema produtivo. Basta escolher e combinar algumas das técnicas apresentadas para definir o sistema ideal a ser utilizado por cada meliponicultor. Esta escolha deve considerar os objetivos da produção e as especificidades do contexto em que o sistema será implementado, como: disponibilidade de espécies de abelhas, de equipamentos, materiais e matérias-primas; possibilidades de investimento e escala de produção, oportunidade de troca de informações com outros produtores e etc. A seguir, é apresentado um fluxograma geral, que reúne as principais etapas e técnicas discutidas.
 FLUXOGRAMA 1: principais etapas e técnicas discutidas.
6 DESCRIÇÃO METODOLÓGICA
6.1 MELIPONÁRIO ÁGUA-CRISTALINA
A meliponicultura em si é uma atividade muito incerta e variável o que dificulta a execução de um projeto concreto, sua expansão é gradativa e acima de tudo necessita de uma observação de seu funcionamento. O sucesso na meliponicultura vai depender de um conjunto de fatores externos e internos. Um projeto baseado na criação de abelhas sem ferrão não depende intrinsecamente de grandes estruturas ou construções sofisticadas, mas sobretudo no conhecimento e estudo aprofundado sobre a atividade, o modo de vida das abelhas, os melhores manejos e cuidados utilizados.	
Portanto, o primeiro passo para elaboração do projeto é definir o objetivo de criação, ou seja, nesta situação, o motivo comercial da atividade. Para que posteriormente seja possível avaliar: os locais disponíveis, a/s espécie/s mais adequada/s conforme o objetivo ( se a mesma adapta-se ao local de criação), a quantidade de caixas necessárias, os investimentos que cabem no orçamento do meliponicultor, a disponibilidade de recursos florais, os custos fixos e variáveis, e por fim, não menos importante, se a implantação de tal se torna rentável ao fim de sua elaboração.
Objetivo de criação: O projeto tem como objetivo a comercialização de mel e posteriormente a multiplicação de enxames.
6.2 Local de escolha
Em princípio, para iniciação do projeto na propriedade, a construção será executada em um local inicial de implantação, mas que futuramente será expandido para os demais.
 
 Figura 32: Local inicial de implantação do meliponário
Posteriormente, com a inserção aprofundada no mercado da meliponicultura, avanço nos conhecimentos de manejos, pagamento dos investimentos, obtenção de renda entre outros tópicos, será possível realizar a expansão do meliponário para outros espaços da propriedade, plano previsto para médio e longo prazo. Em outros termos, é garantido que se houver sucesso na atividade existem condições e espaços adequados para realizar ampliações futuras.
Na determinação do local de construção do meliponário, foi necessário considerar algumas características, como, acessibilidade, fácil manejo, flora (plantas altas e baixas), presença e/ou espaço para plantio, presença ou ausência de ambientes inóspitos (onde haja aplicação de defensivos agrícolas), sombreamento, entre outros fatores.
Como as abelhas-sem-ferrão possuem uma natureza dócil, um dos itens observados na instalação do meliponário foi segurança, para evitar furto. Desse modo, a área de escolha se encontra próxima a residência e é de fácil acesso, o que favorece os manejos e observações. Além disso, como benefício, o meliponário é inserido próximo de rios e da mata nativa, permitindo também que seja realizado o plantio de outras espécies botânicas em seu torno. O local é sombreado e fresco nas horas mais quentes do dia, tendo uma pequena incidência de luz solar pela parte da manhã.
6.3 Calendário floral
Pelos arredores da área de instalação do meliponário foram identificadas as principais e mais conhecidas plantas presentes para possível atratividade das abelhas sem ferrão. Além das plantas registradas na área estudada, buscou-se a identificação e a descrição de outras espécies que pudessem ser cultivadas para o forrageamento dos meliponíneos.
O objetivo da construção do calendário floral é conhecer os meses de maior e menor disponibilidade de alimento no local de instalação do meliponário. Esse conhecimento é condição básica para identificar quando e quais práticas de manejo realizar nas colônias, como a divisão e a alimentação suplementar. Além disso, o calendário permite compreender qual a melhor época para a colheita do mel. É natural que, ao longo do ano, exista uma variação na disponibilidade de fontes de pólen e néctar. Diante disso, as colônias intensificam a coleta e o armazenamento desses recursos no período em que a floração é mais abundante, de forma a garantir sua continuidade no período de escassez alimentar.
Apêndice 01: Calendário da Floração próxima ao meliponário
	
	 CALENDÁRIO FLORAL
	Planta
	Recurso Floral
	J
	F
	M
	AB
	M
	JH
	JL
	A
	S
	O
	N
	D
	Jabuticabeira (Plinia cauliflora)
	 Néctar
	
	
	
	
	
	X
	X
	X
	
	
	X
	X
	Bananeira (Musa x paradisiaca var. pumila G.)
	Néctar, Pólen
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Pitangueira (Eugenia uniflora)
	Néctar, Pólen
	X
	
	X
	X
	
	
	
	
	
	X
	X
	X
	Figueira (Ficus carica.)
	Néctar, Pólen
	
	
	
	
	
	
	X
	X
	X
	
	
	
	Laranjeira (Citrus sinensis)
	Néctar, Pólen
	
	
	
	
	
	X
	X
	X
	X
	
	
	
	Bergamoteira
Citrus bergamia)
	Néctar, Pólen
	
	
	
	
	X
	X
	X
	X
	
	
	
	
	Limoeiro (Citrus limon)
	 Néctar
	
	
	
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	
	Uva-Japão (Hovenia dulcis1 Thunberg)
	Néctar, Pólen
	X
	X
	
	
	
	
	
	X
	X
	X
	X
	 X
	Mamoeiro(Carica papaya)
	Néctar, Pólen
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
6.3.1 Espécies nativas de inverno ( pequeno porte)
 Durante uma rápida busca pelas principais espécies de flores nativas próximas ao meliponário, foi possível catalogar as seguintes espécies de pequeno porte:
-mentrasto (ageratum conyzoides) -acariçoba miúda (hydrocotyle leucocephala)
-sombra negra oriental (solanum nigrum) -Trevo (Oxalis triangularis)
-Begonia ( B.grandis) -Flor Pincel (Emilia fosbergii)
- Erva do sião (Ageratum conyzoides) -Serralha (Sonchus oleraceus)
6.3.2 Raio de Ação 
 Um dos fatores que influencia na distância percorrida por uma abelha é o tamanho de seu corpo. Por exemplo, na literatura há informações de que espécies do gênero Melipona como a Mandaçaia (melipona quadrifaciculata) e Manduri (Melipona marginata) podem voar em média 2 km, ao passo que espécies menores, como a jataí (Tetragonisca angustula) e mirim (Plebeia spp.), podem voar até 500 metros de suas colônias.
 Além do tamanho corporal, outros fatores influenciam na distância percorrida pelas abelhas, como a localização e abundância das fontes de alimento e a qualidade do recurso floral. Quanto mais próximas estiverem as flores dos ninhos, melhor, pois as abelhas não precisarão voar grandes distâncias e gastarão menos energia durante a atividade de coleta.
 Raio de Ação de 500 metros Raio de Ação de 2 km
Imagens 33 e 34: foto de satélite, maior raio de ação Fonte: Google Earth
das abelhas criadas no meliponário. 
6.3.3 Plantio de espécies florísticas
Se a criação de abelhas será destinada a espécies nativas da região, o mesmo se dá às espécies florísticas que devem ser utilizadas no plantio e sucessivamente na polinização das abelhas. Caso seja realizada a implantação de flores exóticas no meliponário, é provável que as abelhas nativas não consigam polinizá-las de forma eficiente. Como consequência, a utilização de suplementação proteica nas colmeias nos períodos de escassez será maior.
6.3.3.1 Butiá (Butia eriospatha)
 
 Imagem 35 : Flores de butiazeiro 
 Fonte: google imagens
Como o Butiazeiro se trata de uma árvore nativa, para o aumento da disponibilidade alimentar de néctar e pólen, serão plantados 4 pés de butiazeiro ao entorno do rio (próximo ao meliponário). Na florada de butiazeiros, Rosa (2000) aponta que os meliponíneos são encontrados recolhendo pólen durante todo o período de floração. Dorneles (2010), Mihalkó et al. (2001) e Venturieri (2008) confirmam a forte interação das abelhas sem ferrão com as palmeiras, reforçando a importância da sua criação pelos agricultores. Entretanto, destaque é dado aos meliponíneos, em especial às espécies de ‘abelhas-mirins’, cuja preferência alimentar, de acordo com Dorneles et al. (2010) e Mihalkó et al. (2001), recai sobre o pólen das palmeiras. As visitas de abelhas indígenas sem ferrão (Meliponini) às flores de Butia odorata iniciam a partir das 11h e estendem-se até às 14h, período que corresponde às temperaturas mais altas e à maior insolação do dia. 
 
 FLORAÇÃO
6.3.3.2 Ipê amarelo (Tabebuia serratifolia)
 Imagem 36: flor de Ipê-amarelo
 Fonte: google imagens
Além dos pés de butiazeiros, também se tratando de uma espécie nativa, serão plantados quatro pés de ipê amarelo próximos ao meliponário. Enquanto a floração do butiazeiro ocorre no verão, a floração do ipê-amarelo acontece entre os meses de julho e setembro. Como benefício, quanto mais seco e frio estiver, mais intensa é a sua florada.
O ipê-amarelo fornece uma grande quantidade de néctar e pólen. A florada é mais intensa nos meses mais quentes, no entanto pode permanecer também no outono e começo do inverno, sendo de grande auxílio para as abelhas, pois outono e inverno são as épocas com mais escassez de pólen e néctar. 
Se você prestar atenção na flor, verá que ela tem umas listas avermelhadas, na entrada do tubo da corola. Essas listas se chamam Guias de Néctar. Muitas espécies possuem esses guias nas flores que servem para “apontar”, “sinalizar” a presença de néctar na flor e o caminho para encontrá-lo.
FLORAÇÃO
6.3.3.3 Cosmos 
 
 Imagem 37: Melipona quadrifasciata em flor de cosmos.
 Fonte: google imagens
 Dentre as flores mais visitadas pelas abelhas no Brasil, se destacam as pertencentes a família Asteraceae, uma delas é uma planta denominada de Cosmos sulphureus. O cosmos é rico em pólen e proteína fator de suma importância para a suplementação das colônias. Seu período de floração é na entressafra das abelhas, ou seja, nos meses de maior escassez. Desse modo, considerando que o cosmos é uma das plantas mais indicadas para se plantar em meliponários por suas características de perenidade e fartura de pólen, serão semeados 300 sementes de cosmos em volta do meliponário.
- FLORAÇÃO: 60 dias após o plantio
6.4 Escolha da espécie
O sucesso do meliponário vai depender intrinsecamente das espécies escolhidas, ou seja, da produtividade de mel e pólen, da sua capacidade de adaptação ao local de instalação, de sua aptidão para multiplicação de enxames, das características genéticas entre outros fatores de suma importância que influenciam nesta decisão. Dessa maneira, para tal escolha, é necessário realizar o mapeamento das principais espécies de nidificação natural da região em que será realizada a instalação das colmeias.
A razão disso é que elas estão adaptadas às condições de clima e de vegetação de onde são nativas, reduzindo a necessidade de cuidados especiais. Além disso, dificilmente essas abelhas sofrem os efeitos negativos do endocruzamento (acasalamento entre indivíduos aparentados). O transporte de abelhas para fora de sua área de ocorrência natural também pode levar à competição com espécies locais por alimento e lugares para a construção dos ninhos e ao intercâmbio de parasitas e doenças. Outro aspecto negativo é a hibridização entre a espécie exótica e a nativa, podendo resultar na perda de genes das populações nativas.
 	Para tais critérios, foi necessário realizar uma pesquisa das espécies que nidificam naturalmente na microrregião oeste catarinense, ou que são criadas e indicadas pelos meliponicultores experientes da região. 
6.4.1 ESPÉCIES DE ABELHAS SEM FERRÃO DE OCORRÊNCIA NATURAL ENCONTRADAS EM SANTA CATARINA
TABELA 3 : Espécies de abelhas sem ferrão – meliponíneos de ocorrência natural encontrados no estado de SC.
	NOME POPULAR
	NOME CIENTÍFICO
	1A
	1B
	2A
	2B
	2C
	3A
	3B
	3C
	4A
	4B
	5
	Boca de sapo
	Partomona helery
	X
	X
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	
	Borá, Vorá
	Tetragona clavipes
	
	
	
	
	X
	
	
	X
	
	
	
	Bugia
	Melípona Mondury
	X
	X
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	
	Caga fogo
	Oxitrigona tataíra
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Canudo
	Scaptotrigona depilis
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Guaraipo preto
	Melipona bicolor schenki
	X
	X
	X
	X
	
	X
	X
	
	X
	X
	X
	Iraí
	Nannotrigona testaceicornis
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	
	X
	
	Irapuã
	Trigona spinips
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Iratim preta
	Lestrimelitta sulina
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Iratim vermelha
	Lestrimelitta ehrhardti
	X
	X
	X
	X
	
	
	X
	
	
	
	
	Jataí
	Tetragonisca angustula
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Jataí
	Tetragonisca fiebrigi
	
	
	
	
	X
	X
	X
	X
	
	X
	
	Jataí da terra, Mirim sem brilho
	Paratrigona subnuda
	
	
	X
	X
	
	X
	
	
	X
	
	X
	Lambe olhos, Lambe suor
	Leurotrigona muelleri
	X
	X
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	
	Mandaçaia
	Melipona quadri anthidiodes
	
	
	X
	
	
	
	X
	
	
	X
	
	Mandaçaia
	Melípona quadri quadri
	X
	X
	X
	X
	
	X
	X
	
	X
	X
	X
	Manduri preta
	Melipona marginata
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Mandurivermelho
	Melipona obscurior (Rufis)
	X
	X
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	
	Mel do chão, guiriçú
	Schwarziana quadripuntacta
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Mirim droriana
	Plebeia droriana
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Mirim Emerina Timirim
	Plebeia emerina
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Mirim Saiqui
	Plebeia saiqui
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Mirim, Mosquito
	Plebeia nigriceps
	
	
	
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Mirim-guaçú
	Plebeia remota
	X
	X
	X
	X
	
	X
	X
	
	X
	X
	X
	Plebéia
	Plebéia sp
	
	
	
	
	
	
	
	
	X
	
	
	Tubiba
	Scaptotrigona tubiba
	
	
	X
	X
	
	X
	
	
	
	
	
	Tubuna
	Scaptotrigona bipunctata
	X
	X
	X
	X
	
	X
	X
	
	X
	X
	X
· Região Agroecológica 2C – Vale do Rio Uruguai
6.4.2 Quais espécies serão implantadas?
Como descrito acima as principais espécies de abelhas sem ferrão de nidificação natural na microrregião do “vale do rio uruguai,” são: Borá, Caga fogo, Canudo, Iraí, Irapuã, Iratim preta, Jataí, Manduri preta, Mel do chão, Mirim droriana, Mirim Emerina Timirim, Mirim Saiqui e Mirim Mosquito.
 Além disso, segundo relatos de meliponicultores experientes foram indicadas como melhores espécies para iniciar na atividade da meliponicultura: a jataí e iraí por serem as mais comuns e fáceis de manejar e capturar com iscas, e a manduri e a mandaçaia pela facilidade na multiplicação de enxames. Ambas são espécies de nidificação natural muito utilizadas pelos meliponicultores da região, principalmente para iniciar na área da meliponicultura.
Através desta metodologia e de algumas avaliações,foram escolhidas três espécies mais habituais para iniciar na criação de meliponíneos: Jataí, Manduri e Mandaçaia.
 Tetragonisca angustula
 Melipona marginata
 Melipona quadrifasciata
6.5 Elaboração do meliponário individual
Na construção do meliponário as caixas serão dispostas em linha reta sendo divididas pela parte superior e parte inferior do muro. A parte superior irá abrigar oito caixas com enxames de jataí, que serão dispostas uma ao lado da outra. Em contraponto, a parte inferior será disposta com a totalidade de 12 caixas, local em que permanecerão as colmeias manduri e mandaçaia destinadas à multiplicação de enxames. 
O meliponário será instalado em suportes individuais privativos, nos quais as caixas estarão protegidas com coberturas independentes. O meliponário com suportes individuais não exige a construção de estruturas complexas e facilita muito a rotina de revisão, manejo e colheita de mel, uma vez que as caixas não precisam ser movidas de lugar. Abrigos individuais também facilitam o manejo de espécies que apresentam agressividade entre colônias, evitando a competição feromonal e as brigas fatais entre os enxames.
 Figura 38 : Local de implantação das colméias individuais.
6.5.1 Curto prazo (6 meses a 1 ano)
Em curto prazo a intenção é realizar a construção do meliponário, fabricar as armadilhas de jataí e realizar as capturas. Além disso, durante esse período é necessário fabricar as caixas do modelo INPA para alojar os meliponíneos. Em 45 dias após a captura das iscas é possível fazer a transferência para as caixas racionais. A curto prazo, a ideia é capturar 8 enxames de abelhas jataí para adquirir experiência na área da meliponicultura e iniciar com a venda de mel.
6.5.1.2 Fabricação de caixas
Antes mesmo da construção do meliponário, para reduzir os custos de investimentos e garantir o local de alojamento dos meliponíneos serão fabricadas as caixas. No entanto, na confecção de caixas não é necessário considerar o preço de aquisição dos materiais, como madeira, pregos e ferramentas, visto que já os possuímos. Serão fabricadas primeiramente as caixas do modelo INPA para o alojamento dos primeiros enxames de jataí capturados nas iscas-armadilhas. As caixas fabricadas necessitam de um dimensionamento adequado à espécie. Conforme são dispostos os enxames nas suas devidas caixas fixas, pode ser iniciada a fabricação das demais caixas para multiplicação dos enxames de Manduri e Mandaçaia.
6.5.1.1 Elaboração das iscas
Definido o local do meliponário, o próximo passo é garantir os primeiros enxames que serão implantados. Para isso iniciaremos com a fabricação das iscas armadilhas, que serão montadas nos locais mais adequados para captura de abelhas jataí. Enquanto as iscas já montadas permanecem um período de 45 a 90 dias para captura e desenvolvimento do enxame presente, é possível realizar a construção dos cavaletes em que serão estabelecidas as caixas racionais.
A primeira espécie escolhida para iniciar a criação de abelhas sem ferrão foi a jataí pela identificação de enxames próximos e sua facilidade de captura na natureza, o que exige baixos investimentos iniciais. Como o objetivo é adquirir oito enxames de jataí serão elaboradas pelo menos 16 iscas para garantir a captura rápida dos enxames.
6.5.1.3 Construção do meliponário
Para construção do meliponário serão necessários os seguintes materiais: enxada, cavadeira, trena, caibros de madeira com 1,50 metros, placas de madeira de 40 cm x 40 cm, com 2 cm a 3 cm de espessura, 40 telhas de cerâmica, esponjas, óleo queimado, martelo e pregos.
 Em primeiro ponto os caibros são enterrados verticalmente no solo a 50 cm abaixo da superfície. A distância entre os caibros pode variar das espécies a serem criadas, o seu grau de territorialidade, a disponibilidade de espaço e o interesse da criação. Recomenda-se que seja observada uma distância de 1,00 m para abelhas pequenas; 2,00 a 3,00 m para abelhas de tamanho médio ou grande, quando se têm as colônias instaladas em cavaletes.
 Para as colônias penduradas em beirais usa-se de 0,50 a 1,00 m entre as caixas. Ninhos de abelhas com população elevada ou que apresentam alto grau de defesa das colônias, como a tiúba, a tubiba e a jataí, não se recomenda deixar muito próximos, evitando o congestionamento de indivíduos e a própria pilhagem entre as colônias.
 Como serão criadas abelhas pequenas mas territorialistas, e ao mesmo tempo abelhas maiores mas de características pacíficas, os cavaletes serão dispostos a uma distância respeitável de 1 metro.
Após a colocação dos cavaletes é pregado o acento das caixas, fixo na parte superior dos esteios que deve ser de tábua de cerne. A fixação sobre os esteios deve ser feita com pregos de dimensões 19 x 39 cm. Sobre cada estaleiro deve ser instalada uma colônia de abelha (matriz) com no mínimo 10 (dez) discos de cria, uma rainha em postura, reservas de pólen e mel juntas, com mínimo 500 gramas (quinhentas gramas). As caixas devem estar livres de pragas (forídeos, formigas e aranhas.) Para tal, preventivamente os cavaletes de madeira são pintados com óleo queimado além de ser amarrada no entorno uma esponja embebida para que se evite ao máximo a invasão de formigas nas caixas. Após serem colocadas as telhas de barro, para evitar que aranhas e lagartixas se alojem abaixo, são colocados dois pedaços pequenos de madeira acima da caixa, deixando um espaço vazio de circulação de ar.
6.5.2 Médio prazo (1 a 5 anos)
A médio prazo a pretensão é realizar a aquisição de dois enxame-mãe de abelha Manduri e Mandaçaia. Os mesmos serão multiplicados até atingir 6 enxames de cada espécie para que depois seja possível realizar a venda dos enxames-filho. Por mais que seja um processo mais lento de expansão, foi optado por realizar a multiplicação ao invés da compra de todos os enxames. Caso fossem comprados 10 enxames de cada espécie o custo teria um acréscimo de R$7.500,00 no valor dos investimentos, isso significa aproximadamente o triplo dos custos iniciais.
6.5.2.1 Expansão 1
Atualmente é possível efetuar a implantação apenas na área superior, visto que a parte inferior onde ficam localizadas as jabuticabeiras está sendo utilizada para criação de bezerros. Porém, ainda em médio prazo, a partir de 2 anos o planejamento é expandir o meliponário para área posterior:Figura 39 : Área com pomar de jabuticabeira para expansão a médio-prazo.
As jabuticabeiras foram plantadas a uma distância de 3 metros, considerando este dado poderão ser dispostas duas caixas a cada par de jabuticabeira em uma distância de 1,50 metros cada cavalete. Em resultado, a médio prazo serão implantadas 30 caixas de abelhas sem ferrão.
Por vantagem, as flores de jabuticabeira atraem as abelhas que aumentam a sua polinização e se beneficiam exclusivamente da coleta de pólen, uma vez que o néctar possui baixa concentração de açúcares.
Apêndice 02: Orçamento custo para expansão a médio-prazo.
	 
 CUSTOS PARA EXPANSÃO A MÉDIO-PRAZO
	ITEM
	 UNI.
	QUANTIDADE
	CUSTO 
UNITÁRIO
	CUSTO TOTAL
	Caixas
	 Un..
	 30
	R$ 50,00
	R$ 1.00,00
	Enxame Bugia
	 Un.
	 1
	R$ 595,00
	R$ 595,00
	Palanques
	 Un.
	 30
	R$ 18,50
	R$ 555,00
	Tábuas 
	Metros
	 12
	R$ 30,00
	R$ 360,00
	Pregos
	 Pacote
	 2
	R$ 26,99
	R$ 53,98
	Telhas de barro
	Un..
	 60
	R$ 2,50
	R$ 150,00
	 TOTAL:	
	R$ 2.913,98
6.5.3 Longo prazo (5 a 10 anos)
6.5.3.1 Expansão 2
 Para longo prazo, em 5 anos já é possível expandir o meliponário para área posterior dispondo as caixas em torno de toda a mata, desde a área do meliponário até o fim da propriedade. A área possui 86 metros e pode abrigar 43 caixas com uma distância de 2 metros entre os cavaletes. 
 Figura 40: área para instalação de 43 colméias a longo-prazo.
Apêndice 03: Nos custos para expansão a longo prazo foram considerados apenas os valores fixos para implantação, incluindo a aquisição de dois enxames de espécies diferentes para ter outras variedades na venda de mel e enxames.
	 
 CUSTOS PARA EXPANSÃO A LONGO PRAZO
	ITEM
	 UNI.
	QUANTIDADE
	CUSTO 
UNITÁRIO
	CUSTO TOTAL
	Caixas
	 Un.
	 43
	R$ 50,00
	R$ 2.150,00
	Enxame de canudo 
	 Un.
	 1
	R$ 350,00
	R$ 350,00
	Enxame de Iraí 
	 Un.
	 1
	R$ 375,00
	R$ 375,00
	Cavaletes
	 Un.
	 43
	R$ 18,50
	R$ 795,50
	Telhas
	 Un.
	 86
	R$ 2,50
	R$ 215,00
	Tábuas
	Metros
	 18
	R$ 30,00
	R$ 540,00
	Pregos
	 Pacote
	 3
	R$ 26,99
	R$ 80,97
	 TOTAL:	
	R$ 4.506,47
7.0 CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO
7.1 Curto Prazo
Apêndice 04: Cronograma de execução ano 2024. O projeto a curto prazo será iniciado no ano de 2024 nos meses de novembro e dezembro e encerrado em 2025 com construção do meliponário e implantação da atividade.
	 CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO ANO DE 2024
	 
	Jan.
	Fev.
	Março
	Abril
	Maio
	Jun.
	Jul
	Ago.
	Set.
	Out. 
	Nov. 
	Dez
	
	
	Plantio do Butiá e do Ipê-amarelo
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	 
	
	 x
	Construção das caixas 
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	 
	 x
	Fabricação de iscas 
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	 x
	 x
Apêndice 05: Cronograma de execução ano 2025.
	CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO ANO DE 2025
	 
	Jan.
	Fev.
	Mar.
	Abr.
	Mai.
	Jun.
	Jul
	Ago.
	Set
	Out. 
	Nov. 
	Dez
	
	
	Fabricação de iscas 
	 x
	 x
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Colocação das iscas
	 x
	 x
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Construção do meliponário
	
	
	 x
	x
	
	
	
	
	
	
	
	
	Plantio de cosmos 
	
	
	 x
	 
	
	
	
	
	
	
	
	
	Transferência de enxames para as caixas
	
	
	
	 x
	 x 
	
	
	
	
	
	
	
	Montagem das caixas
	
	
	
	 x
	
	
	
	
	
	
	
	
	Manejos de inverno
	
	
	
	
	
	X
	X
	
	
	
	
	
7.2 Médio Prazo
Apêndice 06: Cronograma de execução ano 2026. A médio prazo o planejamento inclui duas etapas. A primeira etapa consiste na implantação dos enxames de Manduri e Mandaçaia no ano de 2026. 
	CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO ANO DE 2026
	 
	Jan
	Fev.
	Mar.
	Abr.
	Mai.
	Jun.
	Jul
	Ago.
	Set
	Out. 
	Nov. 
	Dez
	
	
	Aquisição de enxames de Mandaçaia
	 X
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Construção de caixas de Mandaçaia
	
	 X
	 X
	 
	
	
	
	
	
	
	
	
	Multiplicações
	
	
	
	 X
	
	
	
	
	
	
	
	
	Construção de caixas de Manduri 
	
	
	
	
	 X
	 X
	
	
	
	
	
	
	Aquisição de enxame de Manduri
	
	
	
	
	
	
	
	
	 X
	
	
	
	Multiplicações
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	 X
	 X
	X
O cronograma abaixo mostra a segunda etapa do projeto a médio prazo, que consiste na expansão de 30 caixas com as espécies já criadas, além da compra de um enxame de abelha Bugia.
	CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO ANO DE 2028
	 
	Jan
	Fev.
	Mar.
	Abr.
	Mai.
	Jun.
	Jul
	Ago.
	Set
	Out. 
	Nov. 
	Dez
	
	
	Construção de caixas
	 x
	 x
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Compra de enxame
	 x
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Colocação dos cavaletes 
	
	
	 x
	 
	
	
	
	
	
	
	
	
	Multiplicações
	
	
	
	 x
	
	
	
	
	
	
	
	
	Suplementação de inverno
	
	
	
	
	
	 x
	
	
	
	
	
	
7.3 Longo Prazo
Apêndice 07: Cronograma de execução ano 2030. 
	CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO ANO DE 2030
	 
	Jan
	Fev.
	Mar.
	Abr.
	Mai.
	Jun.
	Jul
	Ago.
	Set
	Out. 
	Nov. 
	Dez
	
	
	Compra de caixas
	 x
	 
	 
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Construção dos cavalete
	 x
	 x
	 
	 
	 
	 
	
	
	
	
	
	
	Compra de enxame 
	
	 x
	 
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Multiplicações 
	
	
	 x
	 x
	 
	
	
	
	
	 
	 x 
	 
	Suplementação de inverno
	
	
	
	
	
	 x
	
	
	
	
	
	
	Coleta de mel
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	x
Apêndice 08: Cronograma de manejos.
	CRONOGRAMA DE MANEJOS 
	 
	Jan.
	Fev.
	Mar.
	Abr.
	Mai.
	Jun.
	Jul
	Ago.
	Set.
	Out. 
	Nov. 
	Dez
	
	
	Verificar estoque de alimento
	
	
	
	 x
	 x
	
	
	
	
	
	
	
	Suplementação
	
	
	
	
	
	 x
	 x
	
	
	
	
	
	Limpeza da colmeias
	
	
	
	
	
	
	
	 x
	 x
	 x
	
	
	Colheita
	 x
	 x
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Revisões
	
	
	 x
	
	
	
	
	
	
	
	
	
8.1 ORÇAMENTO 
Para fazer um negócio sobreviver é preciso fazer com que ele dê resultado econômico suficiente para cobrir todos os gastos ocorridos, remunere seu operador e gere lucro suficiente para os investimentos necessários à adaptação constante do negócio às mudanças na realidade econômica. Para que isso seja possível é necessário que o meliponicultor saiba quais os custos relacionados com a sua atividade produtiva. O cálculo do custo de produção permite ao meliponicultor verificar a margem de lucro do produto e orientar o crescimento da empresa (SEBRAE). 
Apêndice 09: Custo de investimentos fixos para implantação do meliponário contendo 20 colmeias considerando a compra de todos os materiais. 
	 
 CUSTOS FIXOS
	
	ITEM
	 UNI.
	QUANTIDADE
	CUSTO 
UNITÁRIO
	CUSTO TOTAL
	DEPRECIAÇÃO (1% /10 anos)
	Alimentadores
	 Un.
	 20
	R$ 1,40
	R$ 28,00
	R$ 2,8
	Álcool
	 Un.
	2 
	R$ 7,00
	R$ 14,00
	 —
	Caixas de Mandaçaia
	 Un.
	 6
	R$ 52,00
	R$ 312,00
	R$ 31,02
	Caixas de Manduri
	 Un.
	 6
	R$ 55, 90
	R$ 335,40
	R$ 35,00
	Caixas de Jataí
	 Un.
	 8
	R$ 30,00
	R$ 240,00
	R$ 24,00
	Enxame de Mandaçaia
	Un.
	 1
	R$ 350,00
	R$ 350,00
	 —
	Enxame de manduri
	 Un.
	 1
	R$ 400,00
	R$ 400,00
	 —
	Espátula
	 Un. 
	 1
	 R$ 5,00
	R$ 5,00
	R$ 0,5
	Formão
	Un.
	 1
	R$ 5,00
	R$ 5,00
	R$ 0,5
	Mudas Ipê-Amarelo 
	 Un.
	 4
	R$ 19, 90
	R$ 159,20
	 —
	Mudas de Butiazeiro
	 Un.
	 4
	 R$ 15,00
	R$ 60,00
	 —
	Pregos
	Pacote
	 2
	R$ 26,99
	R$ 53, 98
	 —
	Palanques
	 Un.
	 20
	R$ 18,50
	R$ 370,00
	R$ 40,00
	Termômetro
	 Un.
	 1
	R$ 18,00
	R$ 18,00
	R$ 1,80
	Telhas de barro
	 Un.
	 40
	R$ 2,50
	R$ 100
	R$ 10,00
	Tábuas de Pinus
	 Metros
	 8
	R$ 30,00
	R$ 240,00
	R$ 24,00
	Óleo
	Un.
	1
	R$ 3,50
	R$ 3,50
	 —
	Sementes de Cosmos
	Un.
	300
	 —
	R$ 3,50
	 —
	 TOTAL:	
	R$ 2.692, 18
	R$ 169,8
Apêndice 10: Orçamento dos custos variáveis, dispõe dos gastos com insumos utilizados frequentemente nos manejos.CUSTOS VARIÁVEIS - INSUMOS
	ITEM
	 UNI.
	QUANTIDADE
	CUSTO 
UNITÁRIO
	CUSTO TOTAL
	Fita adesiva
	 Un.
	 2 
	R$ 3,50
	R$ 7,00
	Açúcar
	 kg
	 5,00 kg 
	R$ 4,00
	R$ 20,00
	Cera Mista
	kg
	 50g
	R$ 0,38
	R$ 19,00
	Atrativo
	Ml
	 200 ml
	R$ 18,00
	R$ 18,00
	Folhas de Acetato
	Pacote
	 1
	R$ 1,00
	R$ 20,00
	 TOTAL:	
	R$ 84,00
Apêndice 11: Orçamento de mão-de-obra.
	 
 CUSTOS VARIÁVEIS MÃO-DE-OBRA 
	ITEM
	 UNI.
	QUANTIDADE
	CUSTO 
UNITÁRIO
	CUSTO TOTAL
	Colheita
	 H/D
	 3
	R$ 15,00**
	R$ 45,00
	Revisões
	 H/D
	 24
	R$ 15,00**
	R$ 360,00
	Construção
	 H/D
	 8
	R$ 15,00 **
	R$ 120,00
	 TOTAL:	
	 R$ 525,00
**Os valores das diárias do trabalho de um homem foram baseados no Plano de Negócio Apicultura (SEBRAE-PA, 2006).
Apêndice 11: Orçamento de investimentos necessários.
	 
 CUSTOS NECESSÁRIOS
	
	ITEM
	 UNI.
	QUANTIDADE
	CUSTO 
UNITÁRIO
	CUSTO TOTAL
	 DEPRECIAÇÃO
 (1% /10 anos)
	
Enxames de Mandaçaia
	 
Un.
	 
 1
	
R$ 350,00
	
R$ 350,00
	 
 —
	Enxames de Manduri
	 Un.
	 1
	R$ 400,00
	R$ 400,00
	
 —
	Palanques
	 Un.
	 20
	R$ 18,50
	R$ 370,00
	 R$ 37,00
	 TOTAL:	
	R$ 1.120,00
	 R$ 37,00
	
	O foco deste estudo é propor geração adicional de renda para a propriedade que dispõe de uma baixa renda. Torna-se pertinente a escolha da meliponicultura por se tratar de um projeto de baixo investimento. Desse modo, no apêndice 11 são apresentados os custos que realmente serão utilizados para implantação, visto que já possuímos o restante dos materiais, tornando a compra desnecessária. Para isso, os gastos reais incluem apenas os investimentos fixos necessários, os custos variáveis e os gastos com a comercialização do mel. Também não é necessária a utilização de mão-de-obra. 
Apêndice 12: Custos com a comercialização.
	 
 CUSTOS COM COMERCIALIZAÇÃO
	ITEM
	 UNI.
	QUANTIDADE
	CUSTO 
UNITÁRIO
	CUSTO TOTAL
	Potes de vidro 240ml
	 Un.
	 100
	R$ 2,50
	R$ 250,00
	Rótulos
	 Un.
	 140
	R$ 0,15
	R$ 21,00
	Colher de Madeira Pega Mel
	Un.
	 100
	R$ 0,50
	R$ 50,00
	Rolo de fio de Macramê
	Un.
	 1
	R$ 15,00
	R$ 15,00
	Potes 600ml
	 Un.
	 40
	R$ 3,50
	R$ 140,00
	 TOTAL:	
	R$476,00
No apêndice acima “custos com comercialização” foram considerados os gastos conforme a produtividade máxima de 48 L de mel. Os litros de mel foram divididos para serem comercializados metade em potes de vidro de 600ml e metade em potes menores de 240 mls, resultando na compra de 40 potes maiores e 100 potes menores. Além disso, na compra de potes menores de mel o cliente ganha de brinde uma colher de madeira e mel, para isso é necessário considerar o preço do rolo de fio de macramê para amarrar a colher junto ao pote.
8.1.1 CÁLCULO DO CUSTO DE PRODUÇÃO
De posse do levantamento de custos relativos à nossa produção, o próximo passo é calcular quanto é gasto por quilo de mel produzido para podermos então saber por quanto poderemos vender cada quilo sem ter prejuízo.
Para isso, considerando que produtividade de mel da abelha Manduri fica entre 1,0 a 2,0 Litros, o da Mandaia é de 1,0 a 2,0 Litros e da abelha Jataí é de 05 a 1,0 Litros de mel, iremos considerar que nossas 20 colônias tem uma produtividade de 48 litros de mel/ano.
Jataí: 1 litro/caixa ano
Mandaçaia: 2,0 litros/caixa/ano
Manduri: 2,0 litros/caixa /ano
Apêndice 13: Orçamento 1° ano de produção com 40% da produtividade esperada.
	 Rentabilidade 1° ano (40% da produtividade)
	
Custos fixos (R$) R$ 2.692, 18
Custos variáveis (R$) R$ 84,00
Mão-de-obra (R$) R$ 525,00
Comercialização R$ 476,00
Produtividade 19,2 L /mel
Custos por litro (R$) R$ 196,71
Preço de venda (R$) (+30%) R$ 255,71
Benefício/custo R$59,00 L/mel
TOTAL R$ 3.776,83
No apêndice 13, estão relacionados os custos anuais de comercialização e de produção, fixos, variáveis e de mão-de-obra, resultando em um valor de R$196,71 por litro de mel produzido nas condições especificadas. Para obter o preço mínimo de venda do mel foi considerada uma porcentagem de 30% de lucro em relação ao preço de custo por litro de mel produzido. Com tal determinação obtemos uma relação benefício custo de R$59,00/Litro/mel.
Todavia, este valor não deve ser considerado intrinsecamente, no mesmo que estamos nos tratando de 3 espécies de abelhas diferentes, determinação que influencia diretamente no preço do mel. Além disso, no 1° ano de produção a quantidade de mel produzida é apenas de 40% da capacidade dos enxames, período em que consideramos o valor total dos investimentos. De tal maneira que torna o custo por cada litro de mel produzido maior do que nos anos seguintes. Para isto, é necessário realizar um comparativo com o preço dos méis de cada espécie comercializados na região de maneira que se possa equalizar o preço conforme o mercado. Como se trata do primeiro ano na atividade da meliponicultura, por optar a um preço mais barato a venda será feita pelo preço de custo do investimento, sendo possível ter um retorno financeiro apenas nos anos seguintes
 Neste âmbito, está sendo considerado apenas o mel como produto gerado pela meliponicultura, mas a atividade pode fornecer outros produtos, como saburá (pólen) e geoprópolis (própolis), além de enxames.
Apêndice 14: Orçamento 1° ano de produção com 40% da produtividade considerando os custos utilizados sem o uso de mão-de-obra.
	 Rentabilidade 1° ano com custos necessários
	
Custos fixos (R$) R$ 1.120,00
Custos variáveis (R$) R$ 84,00
Comercialização R$ 476,00
 
Produtividade 19,2 litros de mel
Custos por litro (R$) R$ 87,50
Preço de venda (R$) (+30%) R$ 113,75
Benefício/custo R$ 26,25/Litro/mel 
TOTAL R$2.184,00
Acima são apresentados os valores com os investimentos que serão utilizados, visto que como citada anteriormente não é necessário realizara compra de todos os materiais. Com isto, resultou ainda no 1° ano de produção em um custo de R$87,50litro/mel produzido, valor notoriamente menor em relação a compra de todos os materiais. Por conseguinte, com a adição de 30% do valor gasto por litro/mel produzido, resulta-se a um valor de venda de R$113, 75 e custo benefício de R$26,25 por litro de mel produzido. Todavia, não será utilizada essa operação no balanceamento de custos.
Apêndice 15: Orçamento no 2° ano de produção considerando uma produtividade de 70% da capacidade total dos enxames. Foram utilizados apenas os preços de manutenção como os custos variáveis, custos de comercialização e mão de obra, visto que os investimentos já foram pagos no 1°ano de venda.
	 Rentabilidade 2° ano (70%)
	
Custos variáveis (R$) R$ 84,00
Comercialização R$ 476,00
Mão-de-obra (R$) R$ 525,00
 
Produtividade 33,6 litros de mel
Custos por litro (R$) R$ 32,29
Preço de venda (R$) R$ 196,71
Benefício/custo R$164,42/Litro/mel
TOTAL R$ 6.609,46
Apêndice 16: Orçamento do 3° ano de produção considerando a capacidade máxima de produtividade dos enxames. É notório o decréscimo ocorrido no custo/ litro/mel produzido.
	 Rentabilidade 3° ano (100%)
	Custos variáveis (R$) R$ 84,00
Mão-de-obra (R$) R$ 525,00
Comercialização R$ 476,00
Produtividade 48L /mel
Custos por litro (R$) R$22 ,60
Preço de venda (R$) R$ 196,71
Benefício/custo R$174,11/Litro/mel
TOTAL R$9.442,08
9 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para o preço médio encontrado na pesquisa, no valor de R$196,71 isto equivale a uma receita total de R$9.442,08. Após descontar o valor das despesas com mão-de-obra e insumos, a receita líquida anual passa a ser R$8.357
 Tabela 4: Receita Total anual para um meliponário contendo 20 colmeias em 100% de produtividade.
	 Quantidade
 _________________________________________________________________________________
 Quant. Total (L) Quant. Total (Kg)
 48 67,2
	 Preço (R$) 196,71
Receita Total (R$) 9.442,08 
Despesa Total (R$) 1.085
Receita Líquida (R$) 8.357
	
 Fonte: Dados da Pesquisa.
Considerando o valor de R$196,71 por litro de mel, poderíamos vender cada pote de 240g a pelo menos R$49,17 /litro, sem considerar o preço de processamento do mel. No entanto, os potes maiores de R$600g estariam em torno de R$98,35. Os valores de venda citados são relativamente baixos se comparados a outros méis orgânicos legalizados encontrados em sites de venda. Por exemplo, alguns méis de Mandaçaia chegam a custar R$350,00 o kg e outros potes com apenas 50g custam em torno de R$87,00.
9.1 Indicadores de Viabilidade Econômica
Tabela 5: Fluxo de caixa.
	 Fluxo de caixa
 Ano _______________________________________________________
 Receita (R$) Custo (R$) Retorno (R$)
	 1 3.777 (3.777) -3.777 
 2 6.609,46 1.085 5.524,46
 3 9.442,08 1.085 13.881,54
 4 9.442,08 1.085 22.238,62
 5 9.442,08 1.085 30.695,7
 6 9.442,08 1.085 39.052
 7 9.442,08 1.085 47.409
 8 9.442,08 1.085 55.766
 9 9.442,08 1.085 64.123
 10 9.442,08 1.085 72.480
	
9.1.1 Valor Presente Líquido (VLP) e Taxa Interna de Retorno (TRI)
 Considerando um fluxo de caixa de 10 anos, a Receita Líquida Total obtida é de 
R$ 72.480. Já o Valor Presente Líquido para uma taxa de 11%, o VPL passa a ser igual a R$ 39,943. A taxa interna de retorno estimada foi positiva igual a 174,64%. Assim, qualquer que seja o indicador de viabilidade econômica, o resultado é que o investimento na meliponicultura dá resultados positivos. A única ressalva que se faz é com relação às questões climáticas, pois as abelhas precisam de pólen e néctar das plantas para sobreviver e os períodos de seca prolongada podem levar a extinção das colônias.
10 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O projeto de vida não consiste unicamente no ganho econômico, mas também na relação harmônica entre o produtor e as abelhas nativas. A criação de abelhas sem ferrão tem benefícios sintrópicos, assim como os demais sistemas da natureza. Enquanto para as abelhas há o fornecimento de um local de abrigo, cuidados coma colmeia e suporte com alimento suplementar, ao meliponicultor a uma troca de recursos como o mel e o pólen. Além disso, o meliponicultor que contribui com o meio ambiente também conta com a troca de benefícios, uma vez que o uso das abelhas na propriedade eleva excepcionalmente a polinização e a qualidade dos frutos.
No decorrer desse trabalho concluímos que, a meliponicultura possui uma influência de maneira direta no meio ambiente e ecossistema, pois sabemos que, as abelhas e seus produtos são indicadores biológicos de como encontrar o meio ambiente que habitamos, além do mais, são responsáveis pela polinização de inúmeras plantas e espécies nativas. As mesmas também impactam diretamente na porcentagem, quantidade e qualidade da produção de determinadas culturas, culturas essas, que geram a economia em nossa região/estado. 
Qualquer pessoa pode implantar um meliponário, independente da extensão da área que o mesmo possui, podendo ser produzida por pequenos e grande produtores. O tema da meliponicultura tem ganhado cada vez mais importância, uma vez que diversas instituições mundiais estão alertando para risco de extinção de polinizadores e suas consequências. 
Diante deste pressuposto,é fundamental que se definam estratégias e ações para conservação destas espécies, seja na forma de incentivo à sua criação e manejo, seja por meio de proposição de políticas públicas, incluindo as de transição agroecológica. Dentre os motivos da criação das abelhas sem ferrão, podemos elencar a preservação das espécies, lazer ou entretenimento, embelezamento do ambiente, comercialização de famílias, produção de mel e mais produtos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SOUZA, BRUNO DE A. II. CARVALHO, CARLOS ALFREDO L. DE. III. JUSTINA, GISELE DELA. Custo de produção de mel: uma proposta para abelhas africanizadas e meliponíneos. Centro de Ciências Agrárias e Ambientais / UFBA, 2005.
SCAPINI. V. A., SOARES DOS SANTOS L. Y., Meliponicultura a Arte de Criar Abelhas Sem Ferrão, Escola Estadual de Ensino Médio Getúlio Vargas, Três Pinheiros, Fontoura Xavier/RS-2022.
NOGUEIRA-NETO, Vida e Criação de Abelhas Indígenas Sem Ferrão, 1997.
MAGALHÃES T. L., VENTURIERI G. C. Aspectos Econômicos da Criação de Abelhas Indígenas Sem Ferrão (Apidae: Meliponini) no Nordeste Paraense, Embrapa Amazônia Oriental Belém, PA, 2010.
SENAR, meliponicultura: instalação de meliponário, – brasília: senar, 2023.
EPAGRI. Meliponicultura. Florianópolis, 2017. 56p. 
EPAGRI, Calendário anual de manejos na meliponicultura para o estado de Santa Catarina, Florianópolis.
WITTER S., NUNES SILVA P., manual de boas práticas para o manejo e conservação de abelhas nativas (meliponíneos). Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (RS)
2014.
EMBRAPA, Meliponicultura, Brasília, DF-2024.
 
VILLAS-BOAS, Mel de Abelhas sem Ferrão, Brasília, DF – 2012.
EMBRAPA, Criação de Abelhas sem ferrão.
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image25.jpgque a oferta ainda é pequena e menor do que a demanda, os preços são elevados e compensam os investimentos.
Palavras-chave: meliponicultura, meliponário, abelhas sem ferrão, meliponíneos.
ABSTRACT
 Meliponines are bees native to Brazilian territory. Rescue and preservation has become an important economic activity for producers, whether through the sale of honey, the benefits of pollination of commercial crops or the sale of colonies formed by rational multiplication. The Project aims to expand knowledge about the field of rational breeding of melipons and the implementation of a meliponary. The information and knowledge acquired will serve as support for carrying out field practices in this area. The methodology includes carrying out research through scientific articles, interviews with producers, analysis of the property to identify and map plants in areas of interest, study of the location for the installation of the Meliponário, considering climatic conditions and shading necessary for comfort. temperature of bees, execution schedule and evaluation of investment costs for implementing the meliponary. Therefore, this research sought to estimate production costs and analyze the economic viability of the investment. After tabulation, descriptive statistics were carried out and the costs of implementing and operating a meliponary with 20 hives were estimated. The results showed that implementation and operational costs are low and, since supply is still small and lower than demand, prices are high and compensate for investments. 
Keywords: meliponiculture, meliponary, stingless bees, meliponines.
 
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO	9
2 OBJETIVOS	10
2.1 OBJETIVOS GERAL	10
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS	10
3 JUSTIFICATIVA	11
5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA	12
5.1 Descrição da propriedade	12
5.2 Abelhas sem ferrão	12
5.2.1 Diferenças entre as espécies das tribos Meliponini e Trigonini	13
5.3.1 Localização do Meliponário	15
5.3.2 Escolha das espécies	15
5.3.3 Espécies de Santa Catarina	16
Jataí (Tetragonisca angustula Latreille)	19
Mandaçaia	21
Manduri	22
5.3.4 Reprodução, enxameagem	24
5.3.4.1 Obtenção de enxames	25
5.3.4.2 Obtenção de enxames a partir de ninhos-isca	26
5.3.4.3 Transferência de enxames	27
5.3.4.4 Obtenção de enxames a partir de multiplicação artificial	28
5.3.4.5 Multiplicação de colônias instaladas em caixas verticais, seccionadas por anéis	29
5.3.4.6 Método de perturbação mínima	30
5.3.4.7 Etapas para divisão de enxames:	30
5.3.5 Modelo de colmeia	31
5.3.5.1 Medidas dos anéis	32
5.3.6 Instalação do meliponário	36
5.3.7 Inimigos naturais das abelhas	37
Forídeos	37
Mosca Soldado	38
Formigas	39
5.3.8 Monitoramento das colônias	39
3.3.8.1 RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES NO MONITORAMENTO DAS COLÔNIAS:	40
3.3.8.2 CALENDÁRIO ANUAL DE MANEJOS	41
5.3.8.3 Fortalecimento das colônias	43
5.4 TÉCNICAS DE COLHEITA E BENEFICIAMENTO	44
5.4.1 Boas práticas de coleta do mel	45
5.4.2 Métodos de coleta do mel	45
5.4.2.1 Método de Sucção	46
5.4.2.2 Método da perfuração proposto pela Embrapa Amazônia Oriental	47
5.4.3 Técnicas de beneficiamento	48
5.4.3.1 Refrigeração	48
5.4.3.2 Pasteurização	48
5.4.3.3 Desumidificação (ou desidratação)	49
5.4.3.4 Maturação	50
5.4.4 Envase e rotulagem	50
5.4.5 Sistemas de produção	52
6 DESCRIÇÃO METODOLÓGICA	53
6.1 MELIPONÁRIO ÁGUA-CRISTALINA	53
6.2 Local de escolha	53
6.3 Calendário floral	55
6.3.1 Espécies nativas de inverno ( pequeno porte)	56
6.3.2 Raio de Ação	5
6.3.3 Plantio de espécies florísticas	58
6.3.3.1 Butiá (Butia eriospatha)	58
6.3.3.2 Ipê amarelo (Tabebuia serratifolia)	59
6.3.3.3 Cosmos	60
6.4 Escolha da espécie	61
6.4.1 ESPÉCIES DE ABELHAS SEM FERRÃO DE OCORRÊNCIA NATURAL ENCONTRADAS EM SANTA CATARINA	62
6.4.2 Quais espécies serão implantadas?	63
6.5 Elaboração do meliponário individual	64
6.5.1 Curto prazo (6 meses a 1 ano)	65
6.5.1.2 Fabricação de caixas	65
6.5.1.1 Elaboração das iscas	66
6.5.1.3 Construção do meliponário	66
6.5.2 Médio prazo (1 a 5 anos)	67
6.5.2.1 Expansão 1	67
6.5.3 Longo prazo (5 a 10 anos)	69
6.5.3.1 Expansão 2	69
7.0 CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO	70
7.1 Curto Prazo	70
7.2 Médio Prazo	71
7.3 Longo Prazo	73
8.1 ORÇAMENTO	74
8.1.1 CÁLCULO DO CUSTO DE PRODUÇÃO	78
9.1 Indicadores de Viabilidade Econômica	83
7.1.1 Valor Presente Líquido (VLP) e Taxa Interna de Retorno (TRI)	84
8 CONCLUSÃO	84
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	85
1 INTRODUÇÃO 
 O presente refere-se ao Projeto Profissional de Vida do Jovem (PPVJ) realizado exclusivamente no 3° ano do ensino médio pela aluna Andriele Otowicz Pagnussat na área de Meliponicultura. A meliponicultura consiste em uma atividade ecologicamente correta, de baixo investimento inicial e com boas perspectivas de retorno financeiro a médio prazo, demonstrando ser uma excelente alternativa de geração de renda e diversificação das atividades da propriedade. A criação de abelhas sem ferrão constitui uma atividade tradicional, sendo parte importante da cultura regional, indicada como uma ótima proposta de renda para a agricultura familiar (Magalhães & Venturieri, 2010). 
Essa atividade, quando praticada com conhecimento e utilização das espécies corretas, evita a perda de colônias, a depredação de ninhos naturais, gera renda de forma sustentável e contribui para a manutenção da biodiversidade através da polinização de grande parte das espécies de plantas nativas (Venturieri, 2008). A coleta e o consumo de mel de meliponíneos já era um privilégio dos povos indígenas. Com a domesticação dessas abelhas, hoje a meliponicultura está em plena expansão. 
Quando criadas racionalmente, muitas espécies são relevantes na produção de mel e na melhoria da produção agrícola através dos serviços de polinização (Cortopassi-Laurino et al., 2006; Slaa et al., 2006). Estima-se que as espécies nativas de meliponíneos são responsáveis por 40 a 90% da polinização das árvores nativas.
 Os meliponíneos do gênero Trigona e tribo Trigonini ocorrem em grande parte das regiões tropicais da Terra, ocupando praticamente toda a América Latina. Existem no Brasil por volta de 300 espécies, sendo destas, aproximadamente 40 do gênero Melíponas, as demais são Trigonas. Santa Catarina abriga cerca de 30 espécies diferentes de abelhas eussociais sem ferrão de ocorrência natural,com diferentes características. O estado de Santa Catarina, embora relativamente pequeno, apresenta diferença significativa de temperatura entre as regiões, portanto os manejos deverão ser ajustados para cada espécie e região. 
O conhecimento sistematizado sobre as espécies de meliponíneos mais adaptadas à região é de suma importância, devido ao seu potencial de polinização tanto de plantações agrícolas, quanto na vegetação silvestre, a produção de mel. Para que o meliponicultor tenha sucesso em sua atividade, é necessário conhecer as necessidades de manejo e as características dessas abelhas. Embora algumas práticas sejam comuns para todas as espécies, conhecer as particularidades de cada uma garantirá o desenvolvimento da atividade da forma mais eficiente. 
2 OBJETIVOS
2.1 OBJETIVOS GERAIS
Implantar um meliponário para produção de mel orgânico, estimulando a diversificação das atividades, fomentando a ocupação proveitosa dos espaços e dos recursos naturais disponíveis na propriedade. Além disso, tem-se como objetivo geral buscar técnicas sustentáveis de produção para estimular a polinização da mata nativa, de frutíferas e outras plantas da propriedade e região.
 
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
· Utilizar de maneira eficiente as áreas da propriedade;
· Gerir renda a médio prazo;
· Descrever os manejos das espécies implantadas;
· Realizar pesquisas para a implantação de um meliponário na propriedade;
· Inventariar os custos para construção do meliponário;
· Gerenciar a venda de variedades de mel orgânico;
· Incentivar o comércio regional para o crescimento e desenvolvimento da agricultura familiar e meliponicultura orgânica da região.
· Programar os custos de inventos com a construção de um meliponário.
3 JUSTIFICATIVA
O Projeto Profissional de Vida do Jovem (PPVJ)tem como propósito detalhar os principais manejos da atividade escolhida, ampliar o conhecimento técnico e inovar nos ramos de produção da propriedade. Além disso, o Projeto de Vida ressignifica os planos de vida do jovem relacionados a um futuro promissor na agricultura familiar.
 Por meio de meu conhecimento de pesquisa juntamente com aquele disponibilizado durante o curso técnico, proponho o desenvolvimento em relação às práticas de produção e manejo das espécies de abelhas nativas. 
Por vez, não é possível realizar a implantação das atividades convencionais da região na propriedade por quesitos: topográficos, pela limitação financeira e escassez de mão de obra. Dessa forma, a criação de abelhas melíponas se encaixa como uma atividade adequada às condições disponíveis. A mata nativa em consórcio com recursos naturais, baixo valor de investimento e versatilidade da meliponicultura, foram alguns dos princípios para escolha da atividade. Além disso, a realização do projeto de vida, propõe o investimento auxiliar e a garantia de uma fonte de renda extra. 
5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
5.1 Descrição da propriedade
A propriedade de escolha para realização do Projeto é intitulada como “água cristalina” e está localizada na comunidade de Linha Tarumã, situada em Nova Itaberaba-SC. Atualmente possui uma área total de 6,0 hectares, 1,7 destes são destinados a pastagens, 2,0 hectares são de piquetes e 1,5 hectares são atribuídos para área de preservação permanente e reserva legal.
 
 
 Figura 1: croqui da propriedade.
 Fonte: Google Earth
 
5.2 Abelhas sem ferrão
Os meliponíneos (Meliponinae) são nativos do território brasileiro, pertencem a um grupo que não possui glândulas de veneno, sendo seu ferrão atrofiado, por isso são incapazes de ferroar (VÉRAS, 2012; OLIVEIRA 2017). 
 Figura 2: abelhas jataí 
 Fonte: Manual de boas práticas 
Os produtores que trabalham com o manejo dos meliponíneos possuem como objetivo principal de produzir mel, ao qual pode se incluir a venda de colônias, polinização e hobby. Os meliponíneos são abelhas dóceis que caracterizam um manejo facilitado, principal vantagem em relação a Apis mellifera (OLIVEIRA et al., 2012) 
As abelhas são zoologicamente classificadas no Filo Artrópode, classe Inseto, subclasse Pterigoto, subordem Apócrito, superfamília Apóidea, a qual possui quatro subfamílias: Apinae, Bombinae, Euglossinae e Meliponinae. Esta última pode ser dividida em duas tribos: Meliponini, formada pelo gênero Melipona; e Trigonini que agrupa vários gêneros (BUENO, 2010). A principal diferença entre ambas as tribos está na formação de rainhas. 
5.2.1 Diferenças entre as espécies das tribos Meliponini e Trigonini
Meliponini: todas as células de cria são iguais, inclusive a da rainha. 
Trigonini: constroem células reais de tamanho maior do que as células comuns. Em função desse tamanho, as larvas que se desenvolvem nesta célula recebem quantidade maior de alimento, determinando a formação de uma nova rainha virgem (SOARES, 2012; VILLASBÔAS, 2012; OLIVEIRA, 2017).
TABELA 1.0: Diferença entre as tribos Meliponini e Trigonini
 Figura 3: Operária da espécie jataí, tribo trigonini Figura 4: Operária da espécie mandaçaia, tribo meliponini. Foto: Aires C. Mariga 
5.3 MANEJO E CRIAÇÃO
5.3.1 Localização do Meliponário
 Segundo Cella, (2017) deve-se evitar locais de ventos predominantes, optando por locais de fácil acesso para manejos, com boas floradas, com umidade e sombreamento adequados para cada espécie, distante de plantas com pólen e/ou néctar tóxico (atenção especial com algumas espécies exóticas), distante de fontes poluidoras como áreas de intenso uso de agrotóxicos. As colmeias devem estar em locais à sombra, que não sejam excessivamente frios e úmidos, e protegidos de correntes de ventos frios. A exposição das colmeias ao sol, especialmente no verão, é um fator limitante para a criação. Deve-se também tomar cuidado com algumas lâmpadas que podem atrair as abelhas. Figura 5: Meliponário a céu aberto.
 Fonte: pinterest
 
5.3.2 Escolha das espécies
As abelhas sem ferrão são extremamente dependentes do ambiente onde vivem. Isso se deve, principalmente, aos recursos florais disponíveis em diferentes regiões, além da adaptação da espécie ao clima específico da região. Sendo assim, as melhores espécies para se criar são aquelas naturalmente existentes na região onde se deseja instalar o meliponário (VILLAS-BÔAS, 2012).
É importante que a meliponicultura regional leve em consideração a região original de ocorrência da espécie, respeitando seus atributos ecológicos de melhor adaptação ambiental. Em cada região do país há espécies de ocorrência natural, bem adaptadas às condições locais e, portanto, as espécies mais adequadas à criação racional. Além disso, também é importante o meliponicultor estar atento à legislação quanto ao transporte de meliponíneos.
O art. 8°, XIX, da Lei Complementar N° 140/2011, estabelece como ações dos Estados a aprovação do funcionamento dos criadouros da fauna silvestre.
Santa Catarina já possui a Instrução Normativa que regula a criação e conservação de meliponíneos nativos (abelhas sem ferrão) no estado (LEI Nº 16.171, DE 14 DE NOVEMBRO DE 2013).
De acordo com essa norma:
Art. 4º Fica autorizado o transporte de disco de cria e de colônia de abelha-sem-ferrão, dentro dos limites do Território catarinense, mediante a emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA), da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC).
§ 1º É livre a criação, o manejo, a multiplicação de colônias, a aquisição, a guarda, o comércio, o escambo e a utilização de produtos tangíveis e intangíveis obtidos do meliponário.
5.3.3 Espécies de Santa Catarina
Dentre as espécies de ASF nativas da região, algumas possuem maior destaque em relação a número de colmeias e potencialidade econômica, sendo elas: Jataí (Tetragonisca angustula Latreille), Mandaçaia (Melipona quadrifasciata), Manduri (Melipona asilvai Schwarz), bugia (melipona mundory) e Mandaguari (Scaptotrigona bipunctata).
GRÁFICO 1.0: Espécies de abelhas sem ferrão criadas em Santa Catarina, Brasil
 TABELA 2.0: Particularidades de algumas espécies
	
ESPÉCIES
	
CARACTERÍSTICAS
	
Bugia – Melipona mondury
	Colônias populosas, que podem produzir até 5 kg de mel por ano, porém é pouco resistente ao frio, grande consumo de alimento no período de inverno.
	
Jataí – Tetragonista angustula
	De fácil manejo, a espécie Tetragonista angustula angustula é encontrada em toda a extensão do estado, e produz cerca de 0,5 kg/ano de mel. Já a subespécie T.fiebrigi, produz aproximadamente 0,7 kg de mel por ano, sendo encontrada no oeste e meio oeste de SC onde tem grande ocorrência
e predomina em relação a Tetragonista angustula angustula.
	Mandaçaia – Melipona
quadrifasciata
	Espécie de fácil manejo, com uma produção anual
de aproximadamente 1,5kg.
	
Guaraipo – Melipona bicolor
	Possui geralmente 2 ou 3 rainhas, que fazem a postura ao mesmo tempo. Para um bom desenvolvimento, a colônia precisa ser instalada em local sombreado e com umidade constante, quando expostos ao sol e/ou instalados em locais secos dificilmente se tem sucesso em sua criação. Os discos de crias novos estão sempreem cima, sendo indicado caixa com fundo removível, para facilitar retirada de discos maduras no momento da divisão.
	Borá – Tetragona clavipes
	Também chamado de “jataizão” no estado de Santa Catarina, a espécie é encontrada somente no Extremo Oeste. Os produtores têm dificuldades em sua criação, pois é extremamente susceptível ao ataque de forídeos, que causam grandes perdas nas colônias durante as transferências e divisões.
	 
Canudo, Tubiba e Tubuna
Scapotrigona sp.
	As Scapotrigona sp. são abelhas bastante populosas e defensivas, boas produtores de mel e pólen, produção anual média de 3,5 kg de mel.
Jataí (Tetragonisca angustula Latreille)
As abelhas Jataí são descritas como animais rústicos, de fácil manejo (MALAGODI-BRAGA, 2018), o que as torna uma das espécies mais adaptáveis. Como grande vantagem, destacam que a criação dessa espécie exige pouca mão de obra, sendo indicada para aqueles que desejam iniciar na atividade e ainda possuem pouco conhecimento. 
 	Na região Extremo Oeste de Santa Catarina esta espécie possui um dos méis mais conhecidos dentre as espécies de ASF, descrito por um dos entrevistados como consistência de “creme”, com grande apelo medicinal no conhecimento popular. A produtividade apontada fica em torno de 0,8 a 1,0 kg de mel/colmeia/ano, sofrendo grande influência das condições ambientais, climáticas, floradas disponíveis e tamanhos do enxame presente na colmeia.Estes valores ficam dentro do descrito por Nogueira-Neto (1997), que indica produção de mel de 0,5 até 1,5 L/colmeia/ano em enxames fortes de abelhas Jataís. Quanto ao custo de produção, segundo a escala e técnicas de um dos produtores, esse gira em torno de R$ 30,00 por kg.
 Arte: Ben Ami Scopinho
Os meliponicultores destacam que as ASF Jataís buscam, em especial, a florada de árvores de menor porte e plantas arbustivas, pois são abelhas pequenas e leves, o que as torna muito suscetíveis às correntes de vento para buscar o néctar em plantas arbóreas de maior porte. O local para instalação do meliponário de Jataí deve possuir baixa incidência de vento, para não dificultar o voo das abelhas. Soma-se as características desejáveis destacadas um local ensolarado, porém sem incidência direta dos raios solares nas caixas, devendo-se evitar locais úmido e com potencial poluição (aplicações de defensivos agrícolas nos arredores).
 Quanto mais isolado de lavouras, menores os riscos de contaminação com inseticidas. Segundo Jacob et al. (2019), determinados inseticidas utilizados em lavouras comerciais podem causar mudanças de comportamento em abelhas Jataí adultas, como a redução da velocidade de voo e da distância percorrida, prejudicando assim a sua atividade polinizadora e a sua produção de mel na colônia. Na instalação das caixas, os meliponicultores indicam o uso de telhado para proteção, a cerca de 1,5 metros do nível do solo e respeitando a distância de pelo menos um metro de uma caixa para outra.
O preço médio de comercialização dos enxames de Jataí na região é de R$ 150,00 por colmeia. A coleta de mel é realizada, costumeiramente, uma vez ao ano, preferencialmente no mês de outubro. Na coleta deve-se tomar o cuidado para não contaminar o mel com o pólen ou com partes de abelhas esmagadas. O método mais utilizado pelos meliponicultores é a retirada da sobrecaixa, removendo as abelhas e a deslocando para um ponto de beneficiamento.
Devido a elevada umidade presente nos méis de ASF, entre 25 e 28%, após a coleta o mel deve ser submetido a algum processo para sua conservação, para evitar que ocorra a fermentação. O processo empregado pelos meliponicultores é a pasteurização em banho Maria. O uso do mel de Jataí é bastante amplo. Dado o elevado preço, seu consumo regional é mais direcionado aos apelos da medicina popular.
Mandaçaia
As abelhas Mandaçaia possuem aspecto robusto, com tamanho variando de 7 a 15 mm de comprimento, possuem cabeça e tórax preto e abdome com quatro faixas amarelas, sendo a entrada do ninho feita de batume (OSTROVSKI, 2019). É uma abelha bastante rústica, devido ao fato de ser nativa e adaptada ao clima e vegetação local. De acordo com os meliponicultores esta abelha é de fácil manejo, exige pouca mão de obra e o principal motivo da criação é a venda de enxames, e posteriormente a produção de mel. Apesar de rara na natureza, a Mandaçaia é uma das ASF mais conhecidas e mais utilizadas para a produção de mel, sendo a mais comum na criação racional em caixas (TOMPOROSKI et al., 2016). 
 Arte: Ben Ami Scopinho
O mel de Mandaçaia, apesar de ser bem aceito no mercado (SAMPAIO et al., 2013), ainda não é tão conhecido pelos consumidores quanto o mel de Jataí. Quanto à consistência e sabor deste mel, um dos produtores descreveu como saboroso, mais líquido que o da Jataí e menos enjoativo. Em complemento, ressaltou que o sabor do mel é diferenciado de um pote para o outro, dentro da mesma colmeia. Também foram feitos relatos do seu uso para fins terapêuticos com base no conhecimento tradicional.
Segundo Sampaio et al. (2013), a produção de mel de uma colônia de abelhas Mandaçaia pode chegar de 2 a 3 kg/colmeia/ano, representando a média relatada pelos meliponicultores da região. O tamanho do enxame, o tamanho da caixa utilizada, as condições ambientais, climáticas e das floradas no qual a espécie busca o néctar tem grande reflexo na quantidade de mel produzida. As Mandaçaias têm preferência por plantas nativas como a cabreúva (Myroxylon peruiferum) e a guajuvira (Patagonula americana), além de espécies de citrus e o louro (Laurus nobilis), sendo rara a sua presença em árvores de eucaliptos em geral. Esta preferência pela polinização em plantas nativas denota o caráter ambiental da sua criação.
Para a instalação do meliponário, os meliponicultores recomendam locais abertos e sombreados, com pouca corrente de vento, devendo-se evitar locais úmidos. A Mandaçaia não gosta de altas temperaturas, recomendando-se tomar cuidado para que os raios solares não incidam diretamente na caixa. Uma alternativa é o uso de algum tipo de telhado para a proteção. 
Após a coleta, o mel é pasteurizado e mantido refrigerado a 60°C. Embora mais produtiva, segundo um dos meliponicultores, para se produzir 1 kg de mel tem-se custo aproximado de R$ 50,00, ficando um pouco acima do relatado para o mel de Jataí. Para a comercialização de enxames, na maioria dos casos, esses são resultado da divisão de enxames, porém em locais que possuam maior número de colmeias, os enxames podem ser capturados em garrafas pet. Contudo, esse é um método mais difícil e menos usual para Mandaçaia do que para o Jataí. Os enxames de Mandaçaia são comercializados na região, em média, ao preço de R$ 250,00.
Manduri
Essas abelhas possuem como principal característica o mel diferenciado, sendo muito saboroso e considerado um dos melhores entre as ASF. Segundo Witter e Nunes-Silva (2014), o mel produzido por essas abelhas é muito saboroso, o que faz com que seja bastante procurado, tendo produtividade entre 1 e 2 kg ano/enxame. De acordo com a observação dos meliponicultores a espécie prefere floradas de plantas nativas que produzem resina como a cabreúva (Myroxylon peruiferum) e exóticas como a canela (Cinnamomum verum). Os meliponicultores relataram que tomam muito cuidado para não enfraquecer o enxame, pois há um baixo número de indivíduos por colmeia. Segundo Avila (2019), existem aproximadamente 300 indivíduos/colmeia, o que faz com que a produção de mel/indivíduo seja bastante considerável.
 
 
 Arte: Ben Ami Scopinho
Na instalação do meliponário os entrevistados recomendam que as caixas fiquem dois a três metros do nível do solo. Na natureza esta espécie tende a habitar o interior da mata para se aninhar e se esconder de estranhos, sendo resistente ao frio (AVILA, 2019) e não gostando de temperaturas elevadas. 
As caixas que os produtores utilizam são as do tipo horizontal retangular feitas de madeira ou isocon. Assim como no caso da Mandaçaia, a multiplicação de enxamesse dá na maioria das vezes através da técnica de divisão. As ASF Manduri têm como peculiaridade o caráter agressivo. Mesmo não possuindo ferrão, possuem uma mandíbula bastante forte, o que pode causar incômodo na picada. Desta forma, os meliponicultores costumam fazer a divisão à noite, para diminuir a incidência de ataques. Nas espécies pertencentes à tribo Meliponini, as quais podemos citar a Mandaçaia e a Manduri, todas as células de cria são iguais, não formando realeiras. Assim, a divisão pode ser realizada quando possuírem seis ou mais favos de cria com pelo menos 200 células cada um (BLOCHTEIN et al., 2008). Os meliponicultores ainda relataram a técnica por captura em garrafa pet, porém destacam que é pouca eficiente, pois o número de enxames na região ainda é reduzido. O preço médio de comercialização dos enxames é de R$250,00 cada.
Em relação à coleta do mel, é feita uma vez ao ano, no mês de outubro, preferencialmente nas horas mais frescas do dia, utilizado equipamento de proteção individual (EPI), devido a agressividade das abelhas, já ressaltada anteriormente. Os produtores ressaltam ainda que tomam os cuidados para
não enfraquecer o enxame. Para se produzir 1 kg de mel de Manduri o custo gira em torno de R$50,00.
5.3.4 Reprodução, enxameagem 
A enxameagem é o processo pelo qual as colônias de abelhas sem ferrão se reproduzem. Geralmente ocorre por conta da superpopulação da colônia, e está associado a um contexto de generosa oferta de alimento (pólen e néctar) no ambiente. A enxameagem tem início quando algumas abelhas operárias deixam a “colônia-mãe” para buscar um lugar adequado para a construção de um novo ninho. A matéria-prima para a construção da nova moradia é retirada da colônia original e, assim, “colônia-mãe” e “colônia-filha” permanecem vinculadas por algumas semanas. Concluída a organização da nova moradia, parte das abelhas operárias e uma rainha virgem migram para o local. A rainha virgem é fecundada por um macho – geralmente de outra colônia – em um ritual conhecido como “vôo nupcial”. Uma vez fecundada, a rainha – agora poedeira – retorna ao ninho, estabelecendo a rotina biológica de uma colônia estabelecida
Figura 6-Enxameação das abelhas sem ferrão
Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão
5.3.4.1 Obtenção de enxames
Para a obtenção das primeiras colônias recomenda-se adquirir de produtores que já estejam na atividade e façam multiplicação. Após estabelecido o meliponário em local adequado e com as espécies mais bem adaptadas na região, é possível fazer multiplicações e ampliar o número de colmeias. Nunca se deve desalojar famílias que estão no seu habitat natural, pois isso provoca a diminuição populacional e a perda da diversidade genética das espécies.
 
 Instrução Normativa SEMA N° 3/2014
Art. 2° - É permitida a utilização e o comércio de abelhas e de seus produtos,
procedentes dos criadouros autorizados pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente
(SEMA), na forma de meliponários, bem como a captura de enxames e espécimes a
eles destinados por meio da utilização de ninhos-isca.
Art. 3° - Será permitida a comercialização de colônias ou parte delas desde que
seja resultado de métodos de multiplicação artificial ou de captura por meio da utilização de ninhos-isca.
5.3.4.2 Obtenção de enxames a partir de ninhos-isca
O ninho-isca é preparado de forma a simular os locais de nidificação e para atrair os enxames durante o período de divisão natural das colônias. Muitos produtores usam a própria colmeia, mas a produção de ninho-isca a partir de garrafa pet ou caixa tipo tetra pak é mais comum, e de baixo custo. 
Quando se usa um recipiente transparente, é necessário cobri-lo com um plástico preto, evitando a entrada de luz em seu interior. A tampa da garrafa é furada para simular a entrada da colônia. Se houver cerume disponível, pode-se colocar um pouco ao redor do orifício. Para melhorar a atratividade, o ninho-isca deve receber internamente um banho de uma mistura atrativa feita com álcool, própolis e/ou cerume. 
Os ninhos-isca devem ser colocados próximos a ninhos naturais, a uma altura de 0,5 a 1,5 metros, em locais sombreados e próximos de água, sempre no período de abundância de recursos naturais para alimentação das colônias. Após se verificar a captura de uma colônia é necessário aguardar cerca de 30 dias (esse tempo pode ser ampliado a depender da espécie) para a transferência ao local definitivo. 
Figura 7 e 8: Armadilhas para atrair enxames de meliponíneos Fonte: google imagens
5.3.4.3 Transferência de enxames
A transferência de enxames é o processo de substituição do local onde o enxame está alojado para caixas racionais (colmeias).
- Transferir para a nova colmeia o conjunto FIGURA 9 – Vista lateral dos favos. 
de favos indicando o espaço-abelha onde provavelmente estará a rainha. A transferência da rainha pode ser auxiliada por pedaços de invólucro, dispostos no caminho da rainha, evitando-se, desta maneira, que a mesma seja esmagada ou mesmo tocada, o que poderá provocar sua rejeição na colônia devido ao cheiro das mãos do meliponicultor; 
- Colocar os favos, na mesma posição que se encontravam na colmeia antiga e, entre os favos, sempre deixar um espaço suficiente para a circulação das abelhas, bem como entre o fundo da colônia e o primeiro favo.
 Para estabelecer esse espaço (espaço abelha), basta colocar pequenos pedaços de cerume (bolinhas) entre o último favo e o fundo da nova colmeia. 
 - É extremamente importante que os favos, especialmente os mais novos (coloração escura), não sejam batidos ou virados de cabeça para baixo no momento da transferência, por que os ovos e larvas irão morrer afogadas no alimento larval; 
- Acúmulos de própolis e cerume devem ser colocados para a nova morada;
- As abelhas novas, que ainda não voam, devem ser cuidadosamente coletadas com auxílio de um sugador de insetos e colocadas na nova colônia;
- Potes de alimentos abertos, com alimento exposto, atraem formigas,abelhas domésticas, forídeos e outros inimigos e não devem ser colocados na nova colônia. Os potes danificados podem ser virados sobre uma peneira de malha fina acoplada em uma pequena bacia, deixando escorrer o mel. Logo após esse procedimento, lavar os potes em água corrente e deixá-los sobre papel absorvente e devolver para a colônia.
- Caso a colônia apresente um tubo na entrada do ninho, este deve ser retirado e transferido para a nova caixa ou pode-se ainda moldar um anel de cerume e colocá-lo no orifício de entrada da mesma. -Manter a entrada da colmeia na posição da antiga para facilitar a orientação das abelhas campeiras no reconhecimento da nova casa e para que as mesmas assumam rapidamente os trabalhos na colônia;
- Antes do transporte da nova colmeia até o local definitivo, ao anoitecer, fechar a entrada da mesma utilizando-se um pequeno pedaço de tela e vedar todas as frestas e junções dos módulos com fita crepe;
- Fornecer alimento artificial de reforço neste período, bem como instalar armadilhas para forídeos.
As abelhas podem retornar para sua antiga morada! O meliponicultor deve transportar a caixa a uma distância que dificulte o retorno das abelhas para o local original da colônia.
5.3.4.4 Obtenção de enxames a partir de multiplicação artificial
 O processo consiste em dividir os elementos de uma colônia forte entre duas colmeias, onde a colônia-mãe permitirá o povoamento de uma caixa vazia, formando a colônia-filha. A divisão de colônias é uma das formas recomendadas de ampliar o meliponário, isto é, de aumentar o número de colônias, abreviando o processo natural de enxameação. A divisão de colônias deve ser realizada, preferencialmente, na primavera e início do verão, quando normalmente há maior disponibilidade de flores. 
 Figura 10: divisão de colônia. Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão5.3.4.5 Multiplicação de colônias instaladas em caixas verticais, seccionadas por anéis
O procedimento nesse caso requer cuidados especiais. Primeiro, divide-se a colmeia em duas, de modo que a câmara de cria fique dividida em duas partes. Se necessário acrescentar anéis em uma ou ambas as partes, coloca-se um fundo com tampa. 
Uma das partes ficará com a rainha e os discos de cria novos, enquanto a outra ficará com os discos de cria maduros. No caso de espécies da tribo trigonini é necessário verificar a presença de uma ou mais realeiras na nova colmeia que ficou sem a rainha.
 A metade da colmeia que ficou com os discos de cria jovens e com a rainha (caixa matriz) será levada para outro local e deverá ficar com reserva de alimento, pois a maioria das abelhas que nela ficaram são jovens. A parte da colmeia que ficou com os discos de cria maduros, sem rainha (caixa filha), deve ficar no local de origem da colmeia para receber as campeiras que estão forrageando.
Deve-se tomar cuidado para que ambas as caixas fiquem com alimento. Caso a quantidade disponível não seja suficiente para dividir entre as duas colônias, dar preferência para a caixa mãe onde estarão as abelhas jovens que ainda não vão para o campo forragear e fornecer alimento para a caixa filha onde ficaram as abelhas campeiras. Pode-se colocar um pouco de cerume na entrada da nova colmeia para facilitar que as abelhas a localizem. 
Figura 13: distância entre colméias após a divisão de enxames. 
Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão
5.3.4.6 Método de perturbação mínima
O modelo de colmeia utilizado nesse método permite o crescimento da colônia na posição vertical, passando por diferentes módulos (ninho e sobreninho) até atingir a melgueira (terceiro e quarto módulo). O método é bastante simples e possui a vantagem de ser realizado em curto período de tempo, propiciando recuperação rápida do enxame e menor incidência de pragas, além de evitar o uso das mãos para dividir o conjunto de favos.
5.3.4.7 Etapas para divisão de enxames:
- Selecione para divisão, colônias fortes;
- Identifique a espécie cujo enxame pretende dividir;
- Realize a divisão com a participação de duas pessoas, o que facilita o processo;
- Quando a colônia apresentar favos no sobreninho (Figura 32B), retire esse módulo com os favos para compor uma colônia e junte a este uma melgueira com potes de alimento (Figura 32C), um ninho vazio (Figura 32E) e uma tampa para completar o conjunto (colônia 1);
- O ninho contendo a metade inferior do conjunto de favos (Figura 32A), um sobreninho vazio (Figura 32F), a melgueira restante (Figura 32D) e a tampa formarão a outra colônia (colônia 2).
Figura 14 : Estrutura do ninho de meliponíneo: A) Em colmeia vertical modular; B) Em oco de árvore.
Desenhos de Ronaldo Gemerasca da Silva adaptado de Posey & Camargo, 1985.
O método descrito acima pode ser utilizado para todas as espécies do gênero Melipona que ocorrem naturalmente no Estado. Para as outras espécies que não pertencem a esse gênero, é preciso verificar a presença de células reais nos favos (Figura 21B). Na divisão de colônia das espécies que constroem células reais é importante observar: umas das caixas (colônia 1) fica com a rainha (os favos também poderão ter células reais) e a outra caixa (colônia 2) deverá ter obrigatoriamente células reais, para que assim a divisão seja bem sucedida e, posteriormente, ambas colônias tenham rainhas. Se uma das caixas ficar sem a possibilidade de ter rainha, a divisão de colônia não terá sucesso.
O método da perturbação mínima é muito eficiente para todas as espécies de meliponíneos de ocorrência natural no Estado. Durante as primeiras semanas, o meliponicultor precisa inspecionar periodicamente as colônias para identificar o ataque de forídeos e fornecer alimentação artificial que auxiliará para recuperação mais acelerada das colônias.
5.3.5 Modelo de colmeia
A utilização de colmeias modulares é crescente entre os meliponicultores (Villas-Boas, 2012). Esse modelo de colmeia proporciona maior sucesso no manejo, tanto na coleta de mel onde é possível retirar apenas o módulo específico da melgueira, como também pela facilidade que oferece na divisão dos enxames.
Nesse tipo de colmeia, o ninho (favos de cria) fica em módulos a ele destinado ninho e sobreninho separando-os dos potes de alimentos que ficam em módulos denominados melgueiras, oferecendo dessa forma, maior proteção à rainha e mínima perturbação aos favos de cria (Venturieri, 2007, 2008; Aidar, 2011). De acordo com Venturieri et al., (2003), cada melgueira totalmente preenchida pode armazenar de 1.250 a 1.350 ml de mel (60 a 70 potes/20.45 ml de mel em média). Além disso, oferece maior acesso aos potes de alimento e possibilita a retirada e o transporte só da melgueira, preservando o ninho dos riscos e impactos do transporte (Villas-Boas, 2012).
Entre os meliponíneos há uma grande variabilidade no tamanho dos ninhos e das abelhas, no comportamento e na adaptabilidade ao ambiente. A escolha de um modelo único de colmeia para todos as espécies é inviável, sendo necessário ajustes que dependerão da biologia de cada espécie de meliponíneo. A colmeia ideal é aquela que é compatível com a espécie de abelha, com o clima da região e objetivo da criação. O objetivo das colmeias é facilitar o manejo com as abelhas, proporcionando às mesmas um ambiente semelhante ou melhor do que aquele em que viviam antes da captura, e ao mesmo tempo, manter a qualidade do mel colhido, com uma extração adequada e higiênica do produto.
Segundo Villas-Bôas (2012), a dimensão ideal da largura da caixa deve levar em conta o diâmetro máximo dos favos de cria que uma determinada espécie é capaz de construir. O autor sugere construir a colmeia com 2 ou 3 centímetros a mais que o diâmetro máximo dos favos de cria. Se o diâmetro máximo da espécie selecionada para criação for 18 cm, a colmeia deve ter dimensões horizontais internas de 20x20cm.
Figura 15: Estrutura do ninho de meliponídeo: A) Em colméia vertical modular; B) Em oco de árvore.
Desenhos de Ronaldo Gemerasca da Silva adaptado de Posey & Camargo, 1985. 
5.3.5.1 Medidas dos anéis
As espécies que têm a família grande, como tubuna (Scaptotrigona bipuntacta), tubiba (Scaptotrigona tubiba), canudo (Scaptotrigona depillis), borá (Tetragona clavipes) e outras, o ninho é composto por quatro anéis de 18cm de diâmetro interno e 7,5cm de altura, totalizando 30 cm de altura interna do ninho.
Nas espécies mandaçaia (Melipona quadrifasciata) e guaraipo (Melipona bicolor), o ninho é composto por quatro anéis de 12cm de diâmetro interno e 5cm de altura, totalizando 20 cm de altura interna do ninho em colônias já bem desenvolvidas. Nas espécies manduri (Melipona marginata), jataís (Tetragonista angustula), iraí (Nannotrigona testaceicornis), mirim saiqui (Plebeia saiqui), o ninho é composto por 4 anéis de 10cm de diâmetro e 3,5cm de altura, totalizando 14 cm de altura em colônias já bem desenvolvidas
Colmeias maiores podem ser construídas para espécies com favos maiores e, menores, para espécies de ninhos menores. A colmeia é composta de quatro unidades (módulos) sobrepostas de 7,5 cm de altura, ninho, sobreninho, duas melgueiras iguais e uma tampa que fecha o conjunto (Figuras 34 e 35) (Villas-Boas, 2012).
Figura 16: Disposição dos módulos ninho, sobre ninho, melgueira em colméia vertical para criação de
meliponíneos. Ilustrações de Ronaldo Gemerasca da Silva.
Ninho – Consiste em uma área para o alojamento das crias, situada na base da colmeia, e deve possuir dois suportes (pés) que auxiliam na estruturação da caixa. Esse módulo deve ter um orifício circular (lateral ou central) para entrada e saída das abelhas com diâmetro de aproximadamente 2 cm (Figura 36). O autor recomenda colmeias com a espessura da madeira de 2,5 cm. Entretanto, para a às baixas temperaturas, recomenda-se que a espessura da madeira das colmeias tenha pelo menos o dobro dessa medida.
Figura 17 : Módulo da colméia vertical utilizadopara alocar os favos de cria: A) Vista frontal; B) Vista
superior. Ilustrações de Ronaldo Gemerasca da Silva.
Sobreninho – É o módulo utilizado para divisão do ninho. Esse módulo possui quatro cantoneiras internas triangulares em sua porção inferior, originando um espaço em forma de losango para a passagem dos favos (Figura 37) que é fundamental no processo de multiplicação dos ninhos, pois auxilia na divisão da caixa ao meio e, consequentemente, dos favos de cria. Também no sobreninho, na
sua parte superior, são colocadas varetas medindo 0,5 cm de largura e afastadas cerca de 2 cm umas das outras. Essas varetas possuem a função de evitar que os pilares do invólucro e, principalmente, os favos de cria, grudem no fundo da melgueira, ou tampa. Esta prática permite que, ao inspecionar a colônia, o meliponicultor não destrua os favos contendo, principalmente, ovos e larvas.
Figura 18: Módulo da colméia vertical utilizado para divisão do ninho: A) Sobreninho vista inferior; B) Varetas; C)
Sobreninho vista superior. Ilustração de Ronaldo Gemerasca da Silva
Melgueiras – As duas melgueiras apresentam as mesmas dimensões do ninho e do sobreninho. Na porção inferior, existe uma base (assoalho) feita de madeira fina com 1 cm de espessura que limita o crescimento vertical dos favos de cria. Essa base deve conter duas aberturas longitudinais (1,5 cm de largura), as quais permitem o acesso das abelhas ao espaço reservado para construção dos potes de alimentos. As melgueiras devem ser adicionadas somente quando a colônia estiver bem forte e no período de grandes floradas.
Figura 19: Vista superior da melgueira, módulo da colméia vertical utilizado para depósito dos potes de alimento (mel e pólen). Ilustração de Ronaldo Gemerasca da Silva.
 5.3.6 Instalação do meliponário
É importante que o meliponário esteja próximo a áreas de vegetação que forneçam recursos alimentares para as abelhas e materiais para construção dos ninhos. As condições fundamentais a serem consideradas são descritas a seguir:
Flora - antes de iniciar a atividade é fundamental conhecer as plantas do entorno da área onde será implantado o meliponário.. O meliponicultor deve iniciar o meliponário com um pequeno número de colônias e ir aumentando aos poucos, conforme a capacidade dos recursos florísticos. A distância de voo ou ”raio de ação” (distância percorrida pelas operárias até a fonte de alimento) deve ser considerada na instalação do meliponário. Estudos indicam o raio de ação de jataí (500 m), mandaçaia (2.500m), irapuá (840m) e mirim (540m) (Nogueira-Neto, 1997).
O meliponicultor, a partir da observação e conhecimento das flores visitadas pelas abelhas, deve preservar estas plantas ou se possível enriquecer sua região com plantas cujas flores são visitadas por abelhas. Muitas plantas medicinais, aromáticas e frutíferas são visitadas por meliponíneos. Essas plantas, além de fornecer recursos alimentares para as abelhas em diferentes estações do ano, ainda podem servir de fonte de renda ou alimentar para agricultura familiar.
Sombreamento – Os locais para instalação dos meliponários devem ser protegidos de ventos fortes e do frio, evitando-se as alterações de temperatura nas colônias. Além disso, fatores como insolação intensa e umidade excessiva também devem ser observados (Fonseca et al., 2006). O ideal é colocar as caixas em locais sombreados para evitar o aquecimento excessivo no seu interior. As caixas colocadas ao ar livre (cavaletes) devem ser protegidas com cobertura de telha (barro). É necessário evitar contato direto da telha com a tampa da caixa utilizando-se para isto ripas de madeira ou outro material, fornecendo desta forma um espaço entre as mesmas. Evitar locais muito sombreados (no inverno o sol é importante para auxiliar na manutenção da colônia aquecida). Entretanto, o sol direto e o calor excessivo podem comprometer o desenvolvimento da colônia e a qualidade do mel produzido (Fonseca et al., 2006).
Os meliponários podem ser individuais ou coletivos. Nos meliponários com suportes individuais as colmeias são instaladas em suportes privativos, nos quais as caixas são protegidas com coberturas independentes. As caixas podem ser colocadas em terreno limpo, utilizando-se cavaletes construídos de madeira, cimento, ferro ou outros materiais, considerando-se uma altura entre 80 cm a 1m do solo e proteção contra invasão de formigas. Abrigos individuais facilitam o manejo de espécies que apresentam agressividade entre colônias. Outra vantagem é que nesse tipo de abrigo as caixas não precisam ser removidas durante o manejo, facilitando muito o trabalho do meliponicultor. Os cavaletes individuais facilitam o manejo e evitam movimentos desnecessários. A distância entre os cavaletes pode variar de 80 cm a 2 m dependendo da espécie de abelha. Espécies agressivas e com ninhos populosos exigem distâncias maiores, enquanto as espécies com ninhos menores e mais dóceis podem ficar mais próximas.
5.3.7 Inimigos naturais das abelhas 
Os principais inimigos naturais das abelhas-sem-ferrão são os forídeos, diversas espécies de formigas e a mosca Hermetia illucens (Diptera, Stratiomyidae). O ataque de outras espécies de abelhas também é muito prejudicial. 
Forídeos
 
 
 Os forídeos são moscas pertencentes à família Phoridae (Diptera), pequenas, de coloração preta e marrom, que entram nos ninhos atraídas, principalmente, pelo odor do pólen fermentado e fazem postura nos potes de pólen, favos de cria e lixeira (Figura 20). 
 Figura 20: Colônia atacada por forídeos 
 Foto: Bruno de Almeida Souza 
 Para prevenir o ataque de forídeos o produtor deve manter as colônias fortes, durante o manejo tomar cuidado para não danificar potes de pólen e células de cria, remover da colônia potes de pólen abertos ou danificados. Em caso de ataque é necessário realizar uma limpeza, removendo e queimando todo pote de pólen e disco de cria infestado. 
Armadilhas para captura de forídeos devem ser colocadas dentro das colmeias. As armadilhas são feitas com pequenos potes de plástico contendo vinagre. A tampa dos potes deve ser furada e o tamanho do furo deve permitir a passagem do forídeo, mas não das abelhas. O forídeo será atraído pelo odor do vinagre, que é semelhante ao do pólen, e entrará no pote para fazer postura, morrendo afogado. A armadilha também pode ser usada fora da colônia, mas há o risco de atrair a praga para o meliponário. 
 Mosca Soldado
A mosca soldado-negro Hermetia illucens (Diptera, Stratiomyidae) tem cor predominantemente preta. Nas colônias de abelhas-sem-ferrão essa mosca pode fazer postura nas frestas das caixas e orifícios de ventilação. As larvas achatadas possuem cor marrom e alimentam-se de matéria orgânica. 
 
Figura 21: Fêmea da mosca Hermetia illucens 
Fotos: Bruno de Almeida Souza 
Após a eclosão, as larvas dirigem-se para a lixeira, podendo contaminar também os potes de pólen. Durante a alimentação, as larvas modificam a umidade da matéria orgânica, produzindo uma lama no interior das colmeias. 
 
Quando as colônias de abelhas-sem-ferrão estão fracas, a infestação pode causar sérios prejuízos. Quando notar a infestação o produtor deve fazer uma limpeza, removendo larvas, ovos e detritos. Se necessário, usar papel toalha ou pano para retirar o excesso de umidade de dentro da colmeia ou mudar a colônia de caixa. As colônias fracas devem ter todas as frestas fechadas, de preferência com fita crepe, de forma a auxiliar na prevenção dessa praga. 
 Formigas 
Diversas espécies de formigas podem atacar e colonizar as colmeias de abelhas-sem-ferrão, como a sarassará (Camponotus sp.) e a lava- pés (Solenopsis sp.). Esses ataques ocorrem principalmente quando as colônias estão fracas (Figura 17). Para proteção, é necessário manter as colmeias bem vedadas e instaladasem cavaletes que tenham protetor. O uso de óleo queimado no protetor é eficiente e evita, também, o ataque de cupins na madeira da 
colmeia. Figura 22: Colônia infestada por formiga 
 do gênero Camponotus 
5.3.8 Monitoramento das colônias
Uma vez efetuada a transferência das colônias para caixas racionais, apropriadas de acordo com a espécie e com o tamanho da colônia, devem-se efetuar revisões periódicas ao longo do ano. É também com base na avaliação dos ninhos que o meliponicultor verifica a necessidade de alimentação de uma colônia fraca, por exemplo, ou a possibilidade de divisão de uma colônia forte.
A observação da colmeia, pela aparência da entrada do ninho característica da espécie e a intensa atividade de voo (entrada de operárias com pólen, resina ou barro) podem indicar condições satisfatórias da colônia. No caso da divisão ou captura de enxames, a construção da entrada, característica da espécie, pode ser um indicativo que a colônia nova está se desenvolvendo.
Inspeções no interior da colônia devem ser realizadas quinzenalmente ou mensalmente, de preferência durante a primavera e o verão. A revisão deve ser feita em dias ensolarados, sem vento, nos horários mais quentes do dia. Durante as revisões deve-se evitar deixar as colônias abertas muito tempo, principalmente em dias muito quentes ou frios. 
Deve-se evitar danificar potes de pólen e favos de crias durante as revisões das colônias. Sugere-se que as revisões para observar presença de realeira e/ou rainhas sejam breves. Muitos meliponicultores possuem uma grande preocupação com relação à abertura das colmeias para observar as estruturas internas do ninho, devido aos danos que a exposição do ninho pode ocasionar. Entretanto, é importante ressaltar que o uso de um modelo apropriado de colmeia e os cuidados do meliponicultor durante o manejo garantem a sobrevivência da colônia. Colmeias modulares, por exemplo, permitem avaliações onde a exposição do ninho e a consequente troca de temperatura com o ambiente exterior é minimizada (Villas-Bôas, 2012).
Para avaliar o desenvolvimento da colônia, alguns critérios devem ser observados durante as revisões, entre eles cita-se:
- Tamanho e número de favos de cria;
- Presença da rainha fecundada (fisogástrica) e células em construção. Se
não se observa favos de cria em construção na colônia pode ser que a mesma esteja sem rainha, ou se for durante o inverno, que esteja em diapausa reprodutiva (Quadro 8);
- Presença de rainhas virgens (princesas);
- Presença de células reais (em jataí, mirins, vorá, tubuna, tubiba e outras espécies que constroem realeiras);
- Quantidade de potes com mel e pólen;
- Presença de parasitas (colocar armadilhas para forídeos se for o caso);
- Acúmulo de resíduos (lixo deve ser retirado).
3.3.8.1 RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES NO MONITORAMENTO DAS COLÔNIAS:
- Abrir a colmeia com auxílio de uma espátula ou formão pois a tampa estará provavelmente aderida a caixa com própolis depositada pelas abelhas para vedar as frestas;
- Ao fechar a colmeia ter cuidado para evitar a formação de frestas que possibilitem a entrada de parasitas. Uma sugestão é fazer uma marcação indicando a face da tampa relacionada com a entrada do ninho, facilitando a orientação correta da tampa no final da revisão;
- Vedar as frestas com fita crepe. O uso de barro para vedar frestas é um costume entre os meliponicultores;
- Uma ficha com anotações das observações e operações realizadas durante a revisão de cada colônia é interessante, pois possibilita um histórico do desenvolvimento da mesma.
Revisão de produção - É a colocação de melgueiras ou potes artificiais de alimento para que as abelhas depositem mel e pólen. Acontece antes do principal período de floração e varia com a região e as condições climáticas. O meliponicultor deve estar atento às florações de sua região, construindo um calendário de floração e atividades a serem desenvolvidas.
Revisão de inverno - Refere-se à limpeza da colônia no período de escassez de alimento, sendo necessária a redução do espaço interno com recolhimento de melgueiras e o fornecimento de alimento artificial.
Revisão de manutenção - Consiste na observação do desenvolvimento do ninho e na presença ou não de excesso de umidade. A umidade em excesso pode promover o aparecimento de potes mofados, que deverão ser retirados da colônia. Esta revisão deve ser realizada durante todo o ano, dependendo do calendário de floração.
3.3.8.2 CALENDÁRIO ANUAL DE MANEJOS
Abril / Maio (final das floradas)
- Verificar estoque de alimento, observando a escassez de mel, fornecer alimento energético.Observando pouco estoque de pólen, iniciar a alimentação proteica.
Junho / Julho (período de escassez de flores)
- Permanecer com alimentação visando a manutenção das colônias e também seu crescimento.
Agosto / Setembro (Primeiras Floradas)
- Limpeza da colmeia, retirando do excesso de geoprópolis e cera mofada;
- Dependendo da região, do clima e condição da colônia (população de abelhas adultas e quantidade de crias, presença de zangões, realeiras ou princesas), pode-se iniciar a divisão de colônias de algumas espécies;
- Para elevar a população de abelhas manter a alimentação estimulante até o início das grandes floradas, condição necessária para estocagem de mel durante as floradas. O mesmo procedimento deve ser adotado antes do período ideal de multiplicação de colônias.
OBS. Quando o objetivo é produzir mel, parar com a alimentação artificial no início da grande florada, evitando o estoque de alimento artificial junto com o mel.
Setembro/Outubro (Início das grandes floradas)
- Na maioria das regiões do estado é a época ideal para se começar a produção de colônias.Nas divisões utilizar preferencialmente discos de crias das colônias selecionadas com características genéticas desejáveis, e para evitar o desgaste das matrizes utilizar operárias de outras colônias não selecionadas;
- Após iniciada a florada principal, ocorrendo o excesso de chuva, manter a alimentação, energética e proteica;
- Continuar com a alimentação quando o objetivo é produzir novas colônias, bem como de colônias recém formadas.
Outubro/Novembro / Dezembro
- Fornecer alimentação energética e proteica em colônias recém formadas;
- Início da colheita de mel;
- Principal período de produção de colônias
Obs.: Em regiões mais frias fazer as últimas divisões das abelhas da tribo trigonini até meados de novembro, melíponas pode dividir até dezembro.
Janeiro/Fevereiro
- Últimas colheitas, cuidando para deixar reserva de mel;
- Vistoriar, acompanhar e fortalecer as colônias fracas;
- Em regiões mais quentes, com boas floradas ainda é possível realizar algumas
divisões de espécies da tribo meliponini.
Março
 - Revisão de meliponário (verificar reserva de alimento, presença de forídeos, população de indivíduos na colônia, número de disco de cria, estado da rainha). (EPAGRI, Calendário anual de manejos na meliponicultura para o estado de Santa Catarina)
5.3.8.3 Fortalecimento das colônias
A alimentação induzida às colônias de abelhas é tratada como “alimentação complementar”. Seu principal objetivo é dar suporte ao desenvolvimento das colônias. Ao receberem uma fonte alternativa de alimento, as operárias economizam a energia que gastariam para coletar néctar no campo. A alimentação complementar deve ser aplicada principalmente nas épocas de entressafra, ou seja, nos períodos do ano em que a disponibilidade de flores na natureza (florada) é pequena. O produto mais utilizado para alimentar meliponíneos é um tipo de xarope de açúcar, ou seja, um “substituto” do mel, fonte de carboidratos – energia – para as abelhas.
 O xarope deve ser introduzido nas colônias com alimentadores específicos. Existem vários modelos para esta finalidade. O modelo aqui indicado é recomendado por ser barato e acessível: trata-se de um simples recipiente plástico, com tamanhocompatível ao espaço da colônia, variando de 100 a 300 mililitros. No interior de cada recipiente devem ser colocados pedaços de palito de picolé, cera, ou cerume, o que evita que as abelhas se afoguem no alimento.
 
 Figuras 24 e 25: Alimentadores introduzidos na melgueira de uma caixa modelo 
 “Fernando Oliveira”
5.4 TÉCNICAS DE COLHEITA E BENEFICIAMENTO
No Brasil esse mel é produzido, consumido e/ou comercializado de maneira informal em diferentes regiões do país não existindo legislação específica que regulamente a cadeia produtiva dos produtos originados da meliponicultura (Villas--Bôas, 2012). A falta de regulamentação do mel de meliponíneos torna o comércio eficiente impossível, dificultando o acesso do consumidor ao produto e tornando a atividade desanimadora (Alves, 2013).
Atualmente, como a legislação brasileira que regulamenta os requisitos de qualidade para o produto mel é baseada no de A. mellifera (BRASIL, 2000), a maioria das amostras dos méis dos meliponíneos analisadas não se enquadra nesta legislação, especialmente quanto ao parâmetro umidade (Carvalho et al., 2013).De acordo com Alves et al., (2011), os méis de meliponíneos possuem inúmeras características diferenciadas do mel de A. mellifera, o que justifica um modelo especial de Controle de Qualidade para o mel dessas abelhas.
	Para os méis das abelhas sem ferrão ainda é necessário a caracterização do produto e a criação de padrões de acordo com a espécie de abelha, a vegetação, os fatores edáficos e climáticos das respectivas regiões em que são produzidos e, principalmente, a utilização de técnicas adequadas de higienização e sanitização (Fonseca et al., 2006). A caracterização e padronização de acordo com estas condições e a utilização de boas práticas de fabricação possibilitarão a melhoria da qualidade do mel produzido e a garantia do produto de qualidade ao consumidor (Fonseca et al., 2006).
Um dos maiores desafios para a produção do mel dos meliponíneos é garantir a estabilidade e longevidade, ou seja, o tempo de validade, de um produto muito suscetível à fermentação devido ao alto percentual de umidade (quantidade de água) que pode variar entre 25 a 35% da composição, além do seu conteúdo de leveduras, agentes de fermentação (Villas-Bôas, 2012).
Carvalho et al., (2013) destacam a importância do manejo adequado das colônias e a implantação das boas práticas de produção do mel, desde a implantação do meliponário até os processos de colheita, beneficiamento e armazenamento do mel. Os autores propõem um regulamento técnico de qualidade do mel processado (refrigerado ou desumidificado) para as abelhas do gênero Melipona.
5.4.1 Boas práticas de coleta do mel
Equipamentos – Utilizar equipamentos de fácil higienização, como aço inox;
Higienização – Todos os equipamentos e materiais diretamente envolvidos no processo devem ser higienizados antes e após a sua utilização. Não utilizar esponjas de aço e sempre que possível ferver ou enxaguar os materiais em água fervente;
Acessórios – Para manipulação do mel (coleta e beneficiamento) é recomendado o uso de touca, máscara e roupas limpas, preferencialmente avental. (Fonseca et al., 2006).
5.4.2 Métodos de coleta do mel
O mel deve ser coletado de colônias populosas, o que ocorre durante e logo após o período de florada de potes fechados, que é considerado como mel maduro, evitando a coleta nos potes abertos, que normalmente apresentam maior teor de água (Carvalho et al., 2005). A colheita deve ser efetuada com rapidez, eficiência e cuidado para evitar contaminações (Fonseca et al., 2006).
5.4.2.1 Método de Sucção
A principal vantagem desse método é permitir que o mel seja retirado diretamente do interior dos potes, reduzindo o contato com o ambiente externo e a possibilidade de contaminação (Villas-Bôas, 2012). Somente será aceito para fins do regulamento técnico de qualidade do mel processado para abelhas do gênero Melipona proposto por Carvalho et al., (2013) o produto (mel) obtido por meio de sucção, por ser considerado o método que melhor garante qualidade ao produto em sua origem, minimizando a possibilidade de contaminação por manipulação inadequada.
Seringas – O uso de seringa descartável e
esterilizada é um método simples, de baixo
custo e pode ser utilizado por meliponiculto-
res artesanais que produzem pequena quan- 
tidade de mel. Na sua extremidade pode ser
 adaptada uma mangueira plástica de pequeno diâmetro encaixada no lugar da agulha. Os potes podem ser abertos com um material limpo e o mel sugado e depositado em um recipiente.
 Figura 26 :Coleta de mel utilizando-se seringa
 Fonte: google imagens
 
Glossador®
Trata-se de uma bomba manual, é uma alternativa mais eficiente que a seringa, mas também demanda tempo relativamente grande de trabalho.
 Figura 27: exemplo de glossador
 Fonte: Manual-Técnico-Mel-de-Abelhas-sem-Ferrão.
5.4.2.2 Método da perfuração proposto pela Embrapa Amazônia Oriental
O sistema utiliza modelos de colmeias racionais modulares. É um método que aproveita a praticidade e a eficiência da perfuração dos potes e é viável para quem tem a possibilidade de construir um local específico para coleta do mel.
 Figura 28: Método de coleta de mel de meliponíneos criado pela Embrapa Amazônia Oriental.
 Fonte: google imagens
A coleta do mel deve ser realizada sempre que a melgueira estiver quase ou completamente cheia e com seus potes totalmente fechados, seguindo-se os seguintes procedimentos:
- A melgueira fechada é retirada da colmeia e levadas para um local de coleta;
- Os resíduos de batume são retirados;
- Os potes são perfurados com uma faca de aço inox;
- A melgueira é virada de cabeça para baixo sobre uma peneira bem fina;
- Embaixo dessa peneira, coloca-se uma bandeja deixando-se escorrer o mel.
Para as espécies de Scaptotrigona a operação pode ser facilitada quando realizada durante a noite, horário em que as abelhas voam menos, e estão menos defensivas.
5.4.3 Técnicas de beneficiamento
Os métodos de beneficiamento são utilizados para transformar o mel in natura, com grande potencial de fermentação, em um produto estável, que mantenha suas características físicas, químicas e sensoriais o maior tempo possível na prateleira de vendas ou na casa do consumidor (Villas-Bôas, 2012).
5.4.3.1 Refrigeração
É um método simples e eficiente, já que reduz o desenvolvimento de leveduras e bactérias e retarda a fermentação, preservando as características naturais dos méis. Os méis de meliponíneos podem ser armazenados sob refrigeração por um ano a uma temperatura de 4°C imediatamente após a colheita até o consumo (Venturieri, et al., 2007; Villas-Bôas, 2012).
5.4.3.2 Pasteurização
Consiste em aquecer o mel com o objetivo de eliminar os microorganismos presentes, mas essa temperatura não pode exceder a 65°C, condição em que o mel pode ser alterado, comprometendo suas características naturais (Villas-Bôas, 2012). O procedimento mais acessível é o uso do banho-maria, que permite que o mel seja aquecido indiretamente dentro de uma panela contendo água e colocada sobre uma fonte de calor, de forma lenta e uniforme, prevenindo o aquecimento excessivo. Ainda quente o mel é transferido para potes de vidro limpos e esterilizados (em água fervente por 15 minutos). Os potes são imediatamente fechados, invertidos e resfriados em temperatura ambiente. Com o resfriamento do pote, é formado um vácuo dentro do vidro, garantindo ao consumidor final a segurança alimentar do produto (Venturieri et al., 2007; Villas-Bôas, 2012). A desvantagem desse método é que algumas enzimas naturais do mel são perdidas, mas o mel poderá ser armazenado à temperatura ambiente e o sabor e textura serão mantidos (Nogueira-Neto, 1997; Menezes et al., 2013).