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Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 1 Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento com questões de residência médica 2 Índice Introdução Definição Quadro clínico Diagnóstico Os diferenciais que não podemos deixar passar O manejo Questões de residência Referências bibliográficas Nossos cursos Ficou alguma dúvida? 3 4 6 9 15 19 29 35 36 38 http://35 http://36 http://38 3 Introdução É uma satisfação inenarrável te ver por aqui :) Quem já passou um tempo no pronto-socorro ou sala de emergência sabe da importância de entender bem o diagnóstico e o tratamento do infarto agudo do miocárdio! Além de ser uma das razões reversíveis para a parada cardiorrespiratória, é uma das principais etiologias de morbimortalidade em todo o mundo. Mesmo sendo algo comum nos nossos pronto-socorros, o tratamento das síndromes coronarianas agudas (ou, como preferimos chamar, o infarto agudo do miocárdio) não é padronizado para todos os pacientes! Cada caso tem suas particularidades que devemos levar em consideração. É por isso que neste material reunimos as informações essenciais para ajudar você a diagnosticar e manejar pacientes com síndrome coronariana aguda. Esperamos que seja útil! Tenha uma ótima leitura! Mesmo depois de finalizá-la, pode continuar contando com a gente em sua carreira médica. Estamos juntos até o final! Equipe Medway Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 4 Definição O IAM é a principal causa de morte no Brasil e no mundo! Então, é de suma importância que conheçamos a fundo essa entidade, tanto para as provas de residência quanto para nossa vida prática! O termo genérico “Infarto agudo do miocárdio” (IAM) deve ser utilizado na seguinte situação, de acordo com a 4° Definição Universal de IAM: Elevação de troponina acima do percentil 99 (de acordo com valor de referência) associada a pelo menos uma condição abaixo: • Sintomas de isquemia miocárdica; • Alterações isquêmicas no eletrocardiograma; • Desenvolvimento de ondas Q patológicas; • Trombose coronariana no cateterismo ou autópsia; • Exame de imagem evidenciando nova perda de viabilidade miocárdica compatível com etiologia isquêmica. Beleza… Mas então, precisamos esperar a troponina para dar o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio? Não necessariamente! Vamos ver mais adiante que, em certas condições, não precisamos esperar a troponina para dar o diagnóstico. Você pode se perguntar: “e a definição de IAM conforme a apresentação eletrocardiográfica?” No contexto de dor torácica e/ou quadro clínico sugestivo de IAM, como veremos logo a seguir, o ECG eve ser realizado e interpretado nos primeiros 10 minutos do contato médico e seus achados podem diferenciar o paciente em dois grandes grupos: SCACSST: paciente com dor torácica aguda e COM supradesnivelamento persistente do segmento ST ou bloqueio de ramo esquerdo (BRE) novo, geralmente relacionada com oclusão coronariana aguda e necessidade de reperfusão imediata; também chamado de infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST). SCASSST: paciente com dor torácica aguda SEM supradesnivelamento persistente do segmento ST, associado (ou não) a outras alterações de ECG que sugerem isquemia miocárdica (com amplo espectro de gravidade). Exemplo: 1 2 Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 5 • elevação transitória do segmento ST; • infradesnivelamento transitório ou persistente do segmento ST; • inversão de onda T; • alterações inespecíficas da onda T (onda T plana ou pseudonormalização da onda T); • e até mesmo ECG normal. Neste grupo de SCASSST estão contidos aqueles com IAMSSST, quando há elevação de marcadores de necrose miocárdica, e também aqueles com angina instável (AI), ou seja, sem alterações de marcadores de necrose miocárdica. Certo. Então, resumindo, precisamos abrir “duas gavetas” de conhecimento na nossa cabeça para organizar o quadro clínico, o diagnóstico e o tratamento. De cada uma dessas duas entidades de IAM: Isso já nos ajuda a organizar o raciocínio do fluxo do paciente. A síndromes COM supra de ST (SCACSST): • Quadro clínico + Supra no ECG ou BRE NOVO = reperfusão imediata da coronária (com agente trombolítico ou com cateterismo/angioplastia). Não preciso nem esperar/dosar troponina para dar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado. A síndromes SEM supra de ST (SCASSST): • Quadro clínico + SEM supra no ECG / ECG pode ter várias alterações sugestivas de isquemia + dosagem de Troponina (ou marcadores): → IAMSSST = marcador POSITIVO → AI = marcador NEGATIVO = No IAMSSST: O tratamento clínico juntamente à estratificação do risco vão determinar o momento em que este paciente deve ser encaminhado para o cateterismo cardíaco. Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 6 Quadro Clínico Angina instável versus angina estável: • No IAM, os pacientes apresentam uma angina INSTÁVEL (ou dor to- rácica de início agudo) ou, ainda, um equivalente anginoso (náuseas, vômitos, sudorese, lipotímia, dispneia, fadiga...) que ocorre sem um pre- cipitante claro e é causada por ruptura ou erosão aguda da placa de ate- roma, geralmente em seções da artéria coronária com estenose leve ou moderada. A apresentação clínica da Angina ou do equivalente anginoso depende muito do grau de comprometimento e obstrução do fluxo coro- nariano, e essa diferença terá impacto no nosso quadro clínico na emer- gência (entre um paciente hemodinamicamente estável X um paciente mais grave e hemodinamicamente instável). • Contrário da angina ESTÁVEL (dor cronica ao fazer exercício físico), que envolve um estreitamento gradual do lúmen da artéria coronária e redução progressiva do seu fluxo de sangue coronariano, até causar sintomas precipitados por uma situação de esforço. Sintomas Cardinais do IAM: • Sabemos que os sintomas cardinais (angina e equivalente anginoso) têm o mesmo significado clínico e gravidade, denotando a presença de uma isquemia. O quadro clínico de angina pode ser definido por quatro características principais da dor: localização, característica, duração e fatores de intensificação ou alívio. As características clássicas da dor torácica anginosa são: • Dor em opressão, aperto, peso, estrangulamento, compressão ou queimação; • Localiza-se normalmente no tórax, próximo ao esterno, porém com possibilidade de irradiação da dor (para membro superior esquerdo, para mandíbula e para as regiões epigástrica, cervical, dorsal e interescapular); • Pode se iniciar em repouso, não há necessariamente um gatilho claro como o esforço físico; Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 7 • Duração é prolongada (geralmente > 15-20 minutos); • Instalação rápida e em crescimento (ou seja, à medida que a oclusão do fluxo coronariano piora e o órgão sofre com a isquemia, é esperado que a dor fique mais forte); • O desconforto por SCA não costuma se modificar em relação à respiração ou posição; • Pode haver sintomas concomitantes (que sugerem complicações mecânicas e/ou elétricas, como arritmias, sopros novos, sinais de insuficiência cardíaca aguda, dentre outros); • Sinal de Levine (frequentemente encontrado na propedêutica de precordialgia): presente quando o paciente coloca o punho fechado sobre o centro do tórax ao se queixar de angina. Sintomas ATÍPICOS: Uma dica prática muito importante (que as provas de residência também adoram explorar nas questões): pacientes com SCA podem se apresentar com sintomas ATÍPICOS, tais como dor epigástrica isolada, sensação de plenitude gástrica, dor perfurante, dor pleurítica ou dispneia. Embora a principal forma de apresentação de SCA em mulheres e idosos (>75 anos) seja angina típica, a ocorrência de apresentações atípicas é maior nesses indivíduos, assim como em pacientes com diabetes, insuficiência renal e demência. Estima-se ainda quequase metade da casuística dos pacientes com IAM podem não apresentar precordialgia inicialmente. Algumas das manifestações clínicas possíveis variam desde náuseas, vômitos, sudorese até choque cardiogênico, arritmias ventriculares e Parada cardiorrespiratória (PCR). Classificacao de Killip-Kimball: Nesse sentido, surge desde a década de 60 a classificação mais conhecida como Killip, advinda de um estudo cujo objetivo foi estratificar (à beira leito com o exame físico e ausculta) a taxa de mortalidade dos pacientes com IAM como hipótese diagnóstica principal. E quais são os critérios da classificação de Killip? Para fornecer uma estimativa clínica da gravidade do distúrbio miocárdico, eles classificaram os pacientes em uma das quatro categorias: Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 8 • Killip 1: sem sinais clínicos de insuficiência cardíaca, com ausculta pulmonar normal – cerca de um terço dos pacientes; • Killip 2: achados consistentes com insuficiência cardíaca leve à moderada (presença de B3, estertores pulmonares bibasais ou distensão venosa jugular) – cerca de um terço dos pacientes; • Killip 3: IC grave ou edema pulmonar franco; • Killip 4: choque cardiogênico, em que há evidência pulmonar e sistêmica de baixo débito cardíaco. Em resumo: Subgrupo Killip I II III IV Características clínicas Sem sinais de congestão B3, estertores basais Edema agudo de pulmão Choque cardiogênico Mortalidade hospitalar da SCA é: • Supra ≥ 1mm em mais de 2 derivações contíguas. • Nas derivações V2 e V3, o supra deve ser: • > 2 mm em homens > 40 anos. • > 2,5 mm em homens 1,5 mm em mulheres. • Nas derivações posteriores (V7-V9) e direitas (V3r e V4r), basta 0,5 mm. Reconhecer a parede miocárdica afetada pode afetar as condutas, principalmente se a parede acometida for o ventrículo direito! A tabela abaixo mostra como reconhecer a parede afetada a partir das derivações eletrocardiográficas. Figura 1: Elevação do segmento ST, presente no IAM com supra. Fonte: Acervo Medway Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 14 Circunflexa I Lateral Circunflexa aVL Lateral CD (direita) aVF Inferior CD (direita) II Inferior CD (direita) III Inferior DA V1 Septal DA V2 Septal DA V3 Anterior DA V4 Anterior Circunflexa V5 Lateral Circunflexa V6 Lateral aVR Tabela 2. Identificação da parede acometida no ECG no contexto de IAM com supra. Fonte: Acervo Medway. DA = Descendente Anterior; CD = Coronária Direita. Derivações complementares: • SV7-V9 (linha axilar posterior, linha escapular e linha paravertebral): parede posterior. Pensar sempre que houver infra em V1-V3. • V3r-V4r: ventrículo direito (V4r em linha hemiclavicular direita no quinto espaço intercostal e V3r entre V1 e V4r). Pensar sempre que houver infra de V3-V4, ou supra de paredes inferiores (DII, DIII e aVF) cursando com instabilidade hemodinâmica após administração de nitrato. Lembrar que o infra pode corresponder a uma imagem em espelho. Por exemplo, infra de parede anterosseptal(V1-V2) pode representar um supra de parede posterior; infra de parede lateral alta pode representar um supra de parede inferior (e o contrário também é verdadeiro). Figura 2. Eletrocardiograma de um paciente com síndrome coronariana aguda COM supradesnivelamento do segmento ST (V2 a V6, DI e aVL), com imagem em espelho em parede inferior. Fonte: Nathanson LA, McClennen S, Safran C, Goldberger AL. ECG Wave- Maven: Self-Assessment Program for Students and Clinicians. http://ecg.bidmc.harvard.edu. Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 15 E nas síndromes coronarianas sem supra-ST? Diversos padrões são compatíveis. Os mais clássicos são inversão de onda T e infra-ST, que significam a isquemia subendocárdica. Figura 3. Aqui visualizamos as principais características eletrocardiográficas da SCA sem supra de ST. Fonte: Acervo Medway. Dentre os principais diagnósticos de dor torácica no departamento de emergência, devemos também pensar em outros potenciais diagnósticos ameaçadores à vida que também se apresentam como dor torácica: • Dissecção de aorta • Tromboembolismo pulmonar • Tamponamento cardíaco • Rotura esofágica • Pneumotórax hipertensivo Agora em relação às síndromes coronarianas agudas, existem alguns padrões que não podemos deixar passar: • Bloqueio de Ramo Esquerdo (BRE) - Critérios de Sgarbossa • Padrão de Wellens • Padrão de De Winter Um novo bloqueio de ramo esquerdo em termos práticos, é considerado equivalente a IAMCSST e potencialmente reflete uma oclusão aguda proximal da artéria descendente anterior. Frequentemente vamos atender o paciente com o BRE, sem saber se é novo. Os diferenciais que não podemos deixar passar Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 16 Nestes casos, está indicado o uso de critérios que se propõe a identificar a presença de um IAMCSST “no meio” daquele BRE. Entre esses critérios, temos os Critérios de Sgarbossa (menos utilizados atualmente pela baixa sensibilidade) e os Critérios de Sgarbossa modificados por Smith (Figura 4). Nessa regra modificada, basta 1 critério em uma única derivação para considerarmos como positivo. O padrão de Wellens é um padrão de reperfusão (o ECG pode estar normal durante a dor, mas ao ser repetido depois da dor, ou seja, com paciente já assintomático, ele será encontrado). O significado é de lesão grave de artéria descendente anterior, mas não necessariamente aguda. No Padrão de Wellens tipo 1 são encontradas ondas T bifásicas, iniciando- se pela fase positiva (25% dos casos). Elevação do segmento ST em pelo menos 1 mm em derivações com QRS predominantemente positivo (= supra concordante com o QRS) Depressão do segmento ST em pelo menos 1 mm em derivações com QRS predominantemente negativos nas derivações VI a V5 (= supra concordante com o QRS) Discordância entre o segmento ST e complexo QRS acima de 30%. O segmento ST deve ter desvio mínimode 1 mm. O cálculo é a razão entre o desvio do segmento ST (seja positivo ou negativo) e o tamanho da onda S, no caso de QRS predominantemente negativo ou tamanho da onda R, no caso de QRS predominantemente positivo Figura 4. Critérios de Sgarbossa modificados por Smith. Fonte: Acervo Medway. Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 17 No Tipo 2, as ondas T são negativas, profundas e simétricas (75% dos casos). E o padrão de De Winter, que significa sempre uma lesão aguda. Corresponde a uma depressão do ponto J maior que 1mm de V1 a V6, segmento ST com padrão ascendente e ondas T positivas, largas, altas e simétricas. Existem relatos desse padrão evoluindo rapidamente para o Supra como conhecemos. Figura 5. Síndrome de Wellens. Na figura A temos a representação da Sd. de Wellens tipo 1: Ondas T bifásicas (do tipo plus-minus). A figura B mostra a Sd. de Wellens tipo 2: Ondas T invertidas e simétricas. Fonte: Acervo Medway Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 18 PROTOCOLO DE DOR TORÁCIA Nesse sentido, é fundamental um fluxograma de rotina diagnóstica do paciente com dor torácica, definindo os critérios para alta precoce e internação hospitalar. Com o objetivo de evitar uma alta inadvertida, esses pacientes devem permanecer monitorados onde um protocolo de diagnóstico acelerado possa ser utilizado. Este protocolo envolve ECG seriado e mensuração de troponina ultrassensível na chegada à emergência e 3h após. Além desse protocolo, a incorporação de escores de risco aplicáveis na sala de emergência, que integram epidemiologia, sintomas, achados eletrocardiográficos e biomarcadores, representa uma importante ferramenta de auxílio para o emergencista na avaliação dos pacientes com dor torácica. Os escores mais utilizados na prática tem sido o score HEART, sumarizados abaixo: LEMBRAR: Pacientes com escore HEART ≤ 3 associado à troponina em tempo hábil negativa, ECG sem alteração isquêmica e ausência de antecedentes de DAC podem ser liberados do serviço de emergência com segurança para reavaliação ambulatorial. Fonte: Adaptado de Nicolau et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021. Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 19 Manejo do IAM Nesta seção, vamos dividir o manejo em 2 partes: Tratamento do IAM com supra e Tratamento do IAM sem supra. Tratamento do IAM com supra ou Síndrome coronariana com supradesnivelamento do segmento ST É a mais grave das síndromes coronarianas e necessita de reconhecimento rápido! Já ouviram a máxima do IAMCSST: “Tempo é Miocárdio”? Cada segundo perdido no reconhecimento ou tratamento desta condição aumenta perda de miócitos e função cardíaca futura, bem como eleva a mortalidade e o potencial de complicações graves relacionadas à isquemia do músculo cardíaco. O diagnóstico é clínico e necessita somente do quadro clínico compatível e o eletrocardiograma demonstrando corrente de lesão. E a troponina? NÃO precisamos esperar! Para IAMCSST: O que antigamente conhecemos como o mnemônico “ MONABEICHE” (para lembrar dos principais tratamentos e diretrizes) deve ser deixado de lado e SUBSTITUÍDO pelo mnemônico “AMECA”! Isso se dá pela atualização das diretrizes mundiais para tratamento desta condição. Em linhas gerais, explicamos cada item abaixo. A = ABRIR ARTÉRIA → Encaminharao centro de hemodinâmica o mais rápido possível. Aqui, alguns fatores vão determinar a conduta para indicação de melhor estratégia inicial de abrir a artéria, ou seja, reperfundir a coronária: • Idade do paciente; • Disponibilidade de recursos locais; • Tempo para transferência. Abrir a artéria! Monitorização Estabilização Controle de Dor Antiplaquetários + anticoagulante A M E C A Fonte: acervo da Medway Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 20 Cenário 1: Centro com hemodinâmica ou transferência 120 minutos → Optar pela fibrinólise (desde que não haja contraindicações) M = MONITORIZAÇÃO: Eletrocardiograma em menos de 10 minutos. Monitorizar e obter acesso venoso. Manter em leito de emergência. E = ESTABILIZAÇÃO: Ofertar O2 SE SaO2 3 meses Gestação ou primeira semana pós- parto Uso de anticoagulante oral Sangramento recente 180mmHg Úlcera péptica ativa Endocardite Tabela 3. Contraindicações à trombólise. Fonte: acervo da Medway → > 90 Kg: 50 mg → Em pacientes > 75 anos, administrar metade da dose. Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 22 E como analisar se a terapia com fibrinolítico deu certo? Avaliar os critérios de reperfusão abaixo: E depois? Todo paciente pós IAM, com ou sem critérios de reperfusão, deve realizar cateterismo após (estratégia de estratificação invasiva). • Com critérios de reperfusão = estratégia fármaco-invasiva. Cateterismo em 6-24 horas. • Sem critérios de reperfusão = angioplastia de resgate. Cateterismo assim que possível para abrir coronária que o trombolítico não conseguiu abrir. Abaixo, um resumo dessas estratégias: Critérios de reperfusão Avaliar tempo de início dos sintomas Instabilidade hemodinâmica Dor refratária Arritmias Sintomas de IC Angioplastia (Preferível) ou Trombólise Melhora de pelo menos 50% na elevação máxima do segmento ST Arritmias de Reperfusão: Ritmo Idioventricular Acelerado (RIVA) Melhora da Dor ≥ 12 horas 140 CATEo basal); iECA: existe a indicação, principalmente para aqueles com disfunção ventricular esquerda, hipertensão ou DM. BRA apenas se intolerância ou alergia ao IECA. • O ideal é iniciar nas primeiras 24 horas; • Não há necessidade de urgência para realização; • Exemplos de doses iniciais de IECA: Captopril 12,5 mg 8/8 horas; Enalapril 2,5 mg 12/12 horas. Exemplo de BRA: Losartana 25 ou 50mg de 12/12h. Espironolactona: introduzir espironolactona em pacientes com disfunção ventricular sistólica (FE 2,0 mg/dL) ou hipercalemia (K > 5,5). Em caso de introdução desta medicação, monitorizar sempre os níveis de potássio durante a internação até a alta. Oxigênio: objetivo SaO2 ≥ 90%. Controle da dor: a. Primeira opção: Nitratos • Reduzem o consumo de O2 miocárdico pela diminuição da frequência cardíaca, da pressão arterial e da contratilidade, além de inibirem os efeitos das catecolaminas circulantes; • Exemplos: Isordil (dinitrato de isossorbida) e nitroglicerina (Tridil) EV; • A administração EV do Tridil/ Nitroglicerina é mais efetiva que a administração VO para a redução de sintomas e a regressão do infradesnivelamento do ST. Pode ser iniciado tratamento EV pela rapidez e posteriormente transitado para via oral assim que possível; • Podem ser administrados se não houver hipotensão, choque, uso de sildenafil ou tadalafila; • Inicia-se com doses menores que devem ser tituladas até a melhora dos sintomas/pressão arterial (ou até que surjam efeitos colaterais: hipotensão e cefaleia intensa); Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 26 • Contraindicações aos nitratos: → Não administrar se uso recente de Sildenafil, Tadalafil ou Vardenafil ( 24h Tratamento conservador Não pré-tratar (2º Antiagregante na SH) 2º Antiagregante na SH, preferencialmente Pré tratamento Pré tratamento Fonte: acervo da Medway Legendas: SH = Sala de hemodinâmica. CAT = Cateterismo cardíaco ou Cineangiocoronariografia. Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 29 Questões Questão 47 SCMSP - SP - 2023 | R+CM Um paciente de 52 anos de idade foi admitido no pronto-socorro com relato de dor torácica havia uma hora, em aperto, irradiando para membro superior esquerdo com piora aos esforços e melhora no repouso. Foi realizado eletrocardiograma, que não revelou supradesnivelamento de ST. O paciente foi submetido à estratégia de tratamento invasivo precoce, de modo que o cateterismo foi realizado após vinte horas da admissão. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta uma possível característica do paciente que tenha motivado a estratégia de tratamento. A) choque cardiogênico B) alterações dinâmicas da onda T C) fração de ejeção de 55% D) escore GRACE de 68 E) taquicardia ventricular Resolução Resposta: alternativa B Pessoal, vamos lá! Temos um paciente apresentando um quadro de dor precordial típica, sem alterações eletrocardiográficas. No entanto, foi submetido à estratégia de tratamento invasivo após 20 horas, e a banca deseja saber o que pode ter motivado essa conduta. Certamente estamos diante de uma síndrome coronariana aguda (SCA). Esta pode ser dividida em dois grupos de acordo com a presença de supradesnivelamento do segmento ST. Partindo disso, sabemos que estamos diante da síndrome coronariana aguda sem supra do segmento ST engloba: Angina instável (AI). infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSST). Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 30 Nesta situação é de fundamental importância sabermos indicar e quando realizar a estratificação invasiva nestes pacientes. A estratificação de risco é realizada pela angiografia e pode ser de forma: IMEDIATA (com estratificação invasiva em 140. “RETARDADA” ( 2 . CONSERVADORA Escores de risco baixo (TIMI 0-1 ou GRACE 75 anos quando comparada com pacientes mais jovens. ( ) Entre os pacientes com IAM com supradesnível do segmento ST a maioria não apresenta onda Q no ECG evolutivo. ( ) Estudos histológicos demonstram que as placas coronárias suscetíveis à ruptura são as que apresentam um centro rico em lipídeos e uma capa fibrosa calcificada. ( ) Em casos raros, o IAM com supradesnivel de ST pode advir de oclusão coronariana causada por êmbolos coronarianos, anormalidades congênitas, espasmo coronariano e doenças inflamatórias sistêmicas. A sequência correta é A) V, V, V, F, F. B) F, V, V, V, F. C) V, V, F, F, V D) F, F, V, V, V. E) V, F, V, V, F. Resolução Resposta: alternativa C Após um período e melhora da agitação, nosso paciente evoluiu com dor Sem surpresas por aqui! A banca optando por uma cobrança diferente de um tema comum. Dessa vez, estivemos diante de algumas assertivas sobre o infarto agudo do miocárdio. Bora entender cada uma delas: (V) Cerca de 50% das mortes relacionadas ao IAM ocorrem antes que o paciente acometido chegue ao hospital. Infelizmente correta... Sabemos que grande parte dos pacientes não conseguem sequer receber atendimento médico, até mesmo extra-hospitalar. (V) A mortalidade é aproximadamente quatro vezes maior nos pacientes > 75 anos quando comparada com pacientes mais jovens. O coração jovem, se infartado, consegue se readaptar com maior facilidade, reduzindo assim a mortalidade, sem contar a funcionalidade prévia do jovem que é muito maior se comparada a um idoso multicomórbido e frágil. Correta! Daria para acertar no bom senso. Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 34 (F) Entre os pacientes com IAM com supradesnível do segmento ST a maioria não apresenta onda Q no ECG evolutivo. Muito cuidado com essa assertiva... Muita gente aqui poderia pensar: “ah, nem todo eletrocardiograma com onda Q significa que o paciente já infartou”. Concordo, mas a interpretação aqui deve ser com relação à evolução natural DURANTE o infarto com supra de ST. Nesse caso, sim, a maioria apresenta onda Q no ECG evolutivo, e que pode sumirao longo do processo de infarto (nem todo paciente infartado fica com aquela onda Q patológica, que representa fibrose do miocárdio e uma área eletricamente inativa). A evolução natural durante um IAM com supra é a seguinte: (F) Estudos histológicos demonstram que as placas coronárias suscetíveis à ruptura são as que apresentam um centro rico em lipídeos e uma capa fibrosa calcificada. É só raciocinar que, se há uma capa fibrosa calcificada, o risco de ruptura é menor, compreende? É como se tivesse um “reforço” externo. (V) Em casos raros, o IAM com supradesnivel de ST pode advir de oclusão coronariana causada por êmbolos coronarianos, anormalidades congênitas, espasmo coronariano e doenças inflamatórias sistêmicas. Correta! Aqui vale a pena destacar, por exemplo, o infarto com supra de ST secundário ao espasmo coronariano após o uso de cocaína. Esses casos raros de infarto são importantes, pois costumam ser diagnósticos diferenciais etiológicos difíceis de serem feitos. No final, ficamos com: VVFFV A - Incorreta O correto seria: VVFFV. B - Incorreta O correto seria: VVFFV. C - Correta Perfeito! D - Incorreta O correto seria: VVFFV. E - Incorreta O correto seria: VVFFV. Visão do Aprovado: Uma forma diferente de cobrar infarto agudo do miocárdio. Um pouco de epidemiologia e um pouco de etiologias raras. Vamos aprender com a questão! Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 35 Referências bibliográficas 1. Collet JP, Thiele H, Barbato E, Barthélémy O, Bauersachs J, et al. 2020 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes in patients presenting without persistent ST-segment elevation: The Task Force for the management of acute coronary syndromes in patients presenting without persistent ST-segment elevation of the European Society of Cardiology (ESC). August 2020. 2. Reproduced with permission from Boden WE, Eagle K, Granger CB. Reperfusion strategies in acute ST-segment elevation myocardial infarction: a comprehensive review of contemporary management options. J Am Coll Cardiol. 2007;50:917-29. PMID: 17765117 Copyright 2007, Elsevier. 3. Furtado RHM, Nicolau JC, Guo J, et al. Morphine and cardiovascular outcomes among patients with non-ST-segment elevation acute coronary syndromes undergoing coronary angiography. J Am Coll Cardiol 2020; 75:289–300. 4. Clinical scores for risk stratification of chest pain patients in the emergency department: an updated systematic review. Received: 10 January 2018; Accepted: 19 January 2018; Published: 07 February 2018. doi: 10.21037/jeccm.2018.01.10 5. Nicolau JC, Timerman A, Marin-Neto JA, Piegas LS, Barbosa CJ, Franci A, et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST (II Edição, 2007) - 2013-2014 update. Arq Bras Cardio. 2014; 102(3supl1): 1-616. 6. O’Connor RE, Part 9: 2015 American Heart Association Guidelines Update for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, 2015; 132 (16 suppl 1): S146-76. 7. Nicolau JC, Feitosa Filho GS, Petriz JL, Furtado RHM, Précoma DB, Lemke W, Lopes RD, et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021. Arq. Bras. Cardiol. 2021;117(1):181-264. 8. Silva FMF, Pesaro AEP, Franken M, Wajngarten M. Tratamento atual da síndrome coronária aguda sem supradesnivelamento do segmento ST. Einstein (São Paulo). 2015;13(3):454-61. 9. Soares GP. Comparação dos Escores HEART, TIMI e GRACE para Predição de Eventos Cardiovasculares Adversos Maiores na Era de Troponina I de Alta Sensibilidade. Arq Bras Cardiol. 2020;;114(5):803–4. Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 36 Nossos cursos Destinado aos alunos do 6º ano de Medicina e médicos já formados e focado nas principais instituições paulistas. Tem duração de um ano, com aulas, questões e simulados totalmente direcionados às provas de São Paulo. Todas as vantagens do Extensivo São Paulo com uma aula presencial por semana. Essa modalidade oferece um contato próximo com os professores, permitindo que você tire dúvidas no momento em que elas surgirem e crie conexões com os colegas. Ideal para alunos do 5º ano, este curso de um ano consolida os conhecimentos da graduação e inicia a preparação para as provas, oferecendo as mesmas funcionalidades do Extensivo SP, adaptadas ao internato. Uma combinação do Extensivo São Paulo com o Extensivo Base! 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Nossos diferenciais Blog da Medway Informe-se com artigos sobre dicas de estudo, instituições de residência médica, atualizações nos processos seletivos, especialidades, carreira, assuntos médicos e muito mais! Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 38 Ficou com alguma dúvida Fala com a gente! Garantimos muita atenção e resposta rápida para o que você precisar, seja uma dica de estudos, um desabafo ou uma dúvida em relação aos cursos ou ao conteúdo. Estamos com você até o final, combinado? Nós adoramos falar com você. Se quiser ou precisar, é só nos chamar no WhatsApp! Lembre-se de seguir a Medway nas redes sociais também! ;) Grande abraço e sucesso no seu caminho! Queremos fazer parte de cada etapa dele, junto com você até o final. Infarto agudo do miocárdio: do diagnóstico ao tratamento 39 Botão de rádio 1: Off Botão de rádio 2: Off Botão de rádio 3: Off Botão de rádio 4: Off Botão de rádio 5: Off Botão de rádio 6: Off Botão de rádio 7: Off Botão de rádio 8: Off Botão de rádio 9: Off Botão de rádio 10: Off Botão de rádio 11: Off Botão de rádio 12: Off Botão de rádio 14: Off Botão de rádio 15: Off Botão de rádio 13: Off