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HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA - Resumo

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HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
5 pág.

Cardiologia Centro de Estudos Superiores de MaceióCentro de Estudos Superiores de Maceió

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## Resumo sobre Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença crônica e não transmissível caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial (PA), definida como pressão sistólica (PAS) igual ou superior a 140 mmHg e/ou pressão diastólica (PAD) igual ou superior a 90 mmHg, medida corretamente em pelo menos duas ocasiões distintas, sem o uso de medicação anti-hipertensiva. O diagnóstico pode ser mais preciso com o uso de métodos fora do consultório, como o Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) ou a Medição Residencial da Pressão Arterial (MRPA). A HAS é uma condição multifatorial, influenciada por fatores genéticos, epigenéticos, ambientais e sociais, e frequentemente assintomática, o que pode levar a danos silenciosos em órgãos-alvo como coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos, resultando em complicações graves como cardiopatia isquêmica, acidente vascular encefálico (AVE), doença renal crônica (DRC) e aumento da mortalidade precoce.### Medida e Classificação da Pressão ArterialPara garantir a precisão na aferição da PA, é fundamental utilizar equipamentos calibrados, manguitos adequados ao tamanho do braço e seguir procedimentos padronizados, incluindo a realização de 2 a 3 medidas com intervalos de 1 a 2 minutos, preferencialmente com o paciente sentado e medindo ambos os braços. Diferenças significativas entre os braços (mais de 15 mmHg na PAS) indicam maior risco cardiovascular e podem sugerir doença vascular ateromatosa. A hipotensão ortostática, definida pela queda da PAS ≥ 20 mmHg ou da PAD ≥ 10 mmHg ao se levantar, também está associada a riscos aumentados. A classificação da PA segue diretrizes atualizadas, como as do DBHA 2020, que orientam o diagnóstico e o manejo clínico.### Fisiopatologia: Inflamação, Disfunção Endotelial e Rigidez ArterialA HAS promove um estado inflamatório crônico caracterizado pelo aumento de citocinas pró-inflamatórias, que reduzem a produção e aumentam a degradação do óxido nítrico, um importante vasodilatador. Isso eleva o tônus do músculo liso vascular, estimula a proliferação celular na camada média arterial e aumenta a permeabilidade endotelial, facilitando a penetração de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) no espaço subendotelial, evento inicial da aterosclerose. Além disso, a pressão arterial elevada crônica induz hipertrofia da camada média arterial e alterações na composição da parede vascular (elastina, colágeno e células musculares lisas), resultando em rigidez arterial e acelerando o envelhecimento vascular, o que agrava o risco cardiovascular.### Fatores de Risco e EstratificaçãoOs principais fatores de risco para HAS incluem sexo masculino, idade avançada (homens a partir de 55 anos e mulheres a partir de 65 anos), histórico familiar precoce de doença cardiovascular, tabagismo, dislipidemia (colesterol total > 190 mg/dl, LDL > 115 mg/dl, HDL baixo, triglicerídeos elevados), resistência à insulina e obesidade (IMC ≥ 30 kg/m², circunferência abdominal ≥ 102 cm em homens e ≥ 88 cm em mulheres). A estratificação do risco cardiovascular é essencial para orientar o tratamento e inclui a avaliação de lesões em órgãos-alvo, como a hipertrofia ventricular esquerda (HVE), que pode ser detectada por índices eletrocardiográficos (Sokolow-Lyon e Cornell) e confirmada por ecocardiograma. Outros marcadores importantes são o índice tornozelo-braquial (ITB), que avalia rigidez arterial e risco cardiovascular, e a velocidade de onda de pulso (VOP), padrão-ouro para medir rigidez arterial.### Diagnóstico e Exames ComplementaresO diagnóstico da HAS deve ser confirmado com medidas repetidas e, preferencialmente, com monitoramento fora do consultório (MAPA ou MRPA). Exames laboratoriais de rotina recomendados incluem hemograma, glicose, creatinina e taxa de filtração glomerular estimada, eletrólitos (sódio, potássio, cálcio), TSH, perfil lipídico, exame de urina (EAS) e eletrocardiograma (ECG). Ácido úrico sérico, relação albumina-creatinina urinária e ECG podem ser solicitados conforme a necessidade clínica. A avaliação inicial também deve investigar causas secundárias de hipertensão, presença de lesões em órgãos-alvo e doenças associadas.### Tratamento da Hipertensão Arterial SistêmicaO tratamento da HAS é dividido em não medicamentoso e medicamentoso. As intervenções não farmacológicas são fundamentais e incluem mudanças no estilo de vida, como dieta rica em frutas, vegetais, laticínios desnatados e grãos integrais, redução do consumo de gorduras saturadas e sódio, aumento da ingestão de potássio, perda de peso, prática regular de atividade física, moderação no consumo de álcool (menos de 2 doses diárias para homens e 1 para mulheres) e cessação do tabagismo. O tratamento medicamentoso inicia-se geralmente com inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA). A associação com bloqueadores dos canais de cálcio (BCC) é recomendada, exceto em casos de edema significativo, quando diuréticos são preferidos. Se a pressão arterial permanecer elevada, adiciona-se diurético tiazídico e, se necessário, espironolactona. Betabloqueadores podem ser usados como primeira ou segunda opção em situações específicas. A combinação de fármacos em doses fixas favorece maior adesão, melhor controle pressórico e redução do risco cardiovascular.### Hipertensão e Condições Clínicas AssociadasPacientes com diabetes mellitus devem ter meta pressórica mais rigorosa (130x80 mmHg), com preferência pelo uso de IECA ou BRA, especialmente na presença de lesões em órgãos-alvo. A síndrome metabólica, caracterizada por obesidade central, glicemia elevada e dislipidemia, também requer controle rigoroso da PA, priorizando IECA, BRA e BCC, com meta abaixo de 130/80 mmHg. Na doença arterial coronariana (DAC), o tratamento da HAS inclui betabloqueadores, IECA ou BRA, além de estatinas e aspirina, com betabloqueadores sendo particularmente benéficos no período pós-infarto agudo do miocárdio (IAM).### Crises Hipertensivas: Urgência e EmergênciaCrises hipertensivas são classificadas em urgência hipertensiva (elevação aguda da PAS ≥ 180 mmHg e/ou PAD ≥ 120 mmHg sem lesão de órgão-alvo) e emergência hipertensiva (mesmos valores pressóricos, porém com lesão de órgão-alvo e risco iminente de morte). Pseudocrises hipertensivas, associadas a sintomas como cefaleia, dor torácica e estresse, não configuram urgência ou emergência e devem ser manejadas com otimização do tratamento habitual e reforço da adesão. O tratamento das crises hipertensivas visa reduzir a PA de forma controlada, com metas específicas para as primeiras horas e dias subsequentes, evitando lesões adicionais.### Anamnese e Avaliação ClínicaA avaliação inicial do paciente hipertenso deve incluir dados pessoais (estado civil, profissão, procedência, peso, altura, circunferência abdominal), queixas principais, história da doença atual, antecedentes pessoais (HAS, diabetes, dislipidemia, tabagismo, alergias, atividade física, cirurgias, eventos cardiovasculares) e familiares (HAS, diabetes, eventos cardiovasculares precoces). Também é essencial revisar a lista de medicamentos em uso, realizar exame físico detalhado (cardiovascular e pulmonar), formular hipótese diagnóstica, definir conduta e solicitar exames complementares.---## Destaques- A HAS é uma doença crônica multifatorial, caracterizada por pressão arterial persistentemente elevada, frequentemente assintomática, mas com alto risco de lesão em órgãos-alvo.- O diagnóstico deve ser confirmado com medidas repetidas e preferencialmente com monitoramento ambulatorial ou residencial da pressão arterial.- A fisiopatologia envolve inflamação crônica, disfunção endotelial e rigidez arterial, que contribuem para o desenvolvimento da aterosclerose e envelhecimento vascular.- O tratamento combina mudanças no estilo de vida e terapia medicamentosa, com IECA/BRA e bloqueadores de canais de cálcio como pilares, podendo associar diuréticos e espironolactona conforme a necessidade.-
Crises hipertensivas exigem avaliação rápida para diferenciar urgência de emergência, com tratamento adequado para prevenir danos graves.

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