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FUNDAMENTOS LEGAIS DA 
EDUCAÇÃO ESPECIAL 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Gisele Sotta Ziliotto 
 
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CONVERSA INICIAL 
Diante das discussões internacionais acerca da proposta inclusiva, muitos 
avanços foram conquistados e repercutiram na proposição de legislações 
educacionais com vistas ao processo inclusivo nos sistemas de ensino. 
Veremos, nesta unidade, avanços na área da surdez, como, por exemplo, 
o reconhecimento legal da língua de sinais; ainda, para os estudantes que 
apresentam transtorno do espectro autista, a importância de apoios específicos 
que podem ocorrer no Atendimento Educacional Especializado (AEE); por fim, a 
necessidade do enriquecimento escolar para os estudantes com altas 
habilidades/superdotação. 
A demanda pela proposta inclusiva culminou com as diretrizes da Política 
Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), 
lançada pelo Ministério da Educação, orientando as instituições educacionais a 
estabelecer programas e formas de atendimento para suprir as necessidades 
educacionais especiais do público-alvo da educação especial. 
TEMA 1 – POLÍTICA NACIONAL DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA 
INCLUSIVA 
Nosso país foi signatário das convenções internacionais acerca dos 
direitos humanos e de uma sociedade inclusiva, propostas pelos órgãos 
internacionais como UNESCO (Organização das Nações Unidas para a 
Educação, a Ciência e a Cultura), ONU (Organização das Nações Unidas), de 
maneira que as autoridades nacionais foram construindo políticas públicas de 
inclusão. 
Dessa forma, no ano de 2008, o Ministério da Educação (MEC) publicou 
a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 
(2008), que estabeleceu aos estudantes público-alvo da Educação Especial, 
definidos como aqueles estudantes que apresentam deficiência – física, auditiva, 
visual ou intelectual, transtornos globais de desenvolvimento e altas 
habilidades/superdotação – o direito de frequentar a escola comum (Brasil, 
2008). 
 Como consta no texto da política, consideram-se “[...] alunos com 
deficiência àqueles que têm impedimentos de longo prazo, de natureza física, 
mental, intelectual ou sensorial, que em interação com diversas barreiras podem 
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ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade” (Brasil, 
2008, p. 15). 
Ainda, a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da 
Educação Inclusiva (2008) pontua dentre seu público-alvo, como estudantes que 
apresentam transtornos globais do desenvolvimento, aqueles que apresentam 
“[...] alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, 
um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. 
Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo 
e psicose infantil” (Brasil, 2008, p. 15). 
Em continuidade ao esclarecimento do público-alvo da educação 
especial, incluem-se os estudantes com altas habilidades/superdotação ao 
apresentarem “[...] potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, 
isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e 
artes” (Brasil, 2008, p. 15). Tais características podem ainda ser acompanhadas 
de alta criatividade e acentuado envolvimento na aprendizagem. 
No texto da Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da 
Educação Inclusiva (2008), são previstos vários aspectos que possibilitam a 
inclusão escolar desses estudantes; dessa forma, a educação especial deixa de 
ser considerada substitutiva ao ensino comum, passando a ser compreendida 
como: 
[...] modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e 
modalidades, que disponibiliza recursos e serviços, realiza o 
atendimento educacional especializado e orienta quanto a sua 
utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns 
do ensino regular. (Brasil, 2008, p. 15) 
Podemos destacar o caráter da transversalidade da Educação Especial, 
isto é, a oferta dos serviços educacionais inclusivos com alcance nos diversos 
níveis e etapas de ensino – desde a educação infantil, ensino fundamental I e II, 
ensino médio, educação superior, incluindo os estudantes indígenas, do campo 
e quilombola, a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), bem como 
a educação profissional, possibilitando a formação voltada ao ingresso no 
mercado de trabalho (Brasil, 2008). 
Nesse sentido, a transversalidade da educação especial na modalidade 
de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e educação profissional se concentra 
em ações que “[...] possibilitam a ampliação de oportunidades de escolarização, 
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formação para a inserção no mundo do trabalho e efetiva participação social” 
(Brasil, 2008, p. 16). 
De mesma maneira, enquanto transversalidade da oferta de serviços da 
educação especial para a área da educação indígena, do campo e quilombola, 
“[...] deve assegurar que os recursos, serviços e atendimento educacional 
especializado estejam presentes nos projetos pedagógicos construídos com 
base nas diferenças socioculturais desses grupos” (Brasil, 2008, p. 17). 
Já na modalidade de educação infantil, a Política Nacional da Educação 
Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) valoriza que as ações 
ocorram desde o nascimento, assumindo um caráter lúdico e com 
[...] acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de 
estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores 
e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações 
interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Do nascimento aos 
três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por 
meio de serviços de intervenção precoce que objetivam otimizar o 
processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os 
serviços de saúde e assistência social. (Brasil, 2008, p. 16) 
No tocante à educação superior, a interface com a educação especial 
[...] se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a 
permanência e a participação dos alunos. Estas ações envolvem o 
planejamento e a organização de recursos e serviços para a promoção 
da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de 
informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser 
disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de 
todas as atividades que envolvem o ensino, a pesquisa e a extensão. 
(Brasil, 2008, p. 16) 
Na ilustração a seguir, podemos verificar a abrangência dos serviços 
educacionais especializados aos diferentes níveis e modalidades de ensino, 
numa organização dos sistemas administrativos – municipal, estadual, federal – 
para operacionalizar os atendimentos educacionais na perspectiva inclusiva. 
 
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Figura 1 – Abrangência dos serviços educacionais especializados aos diferentes 
níveis e modalidades de ensino 
 
Outro aspecto citado no texto Política Nacional da Educação Especial na 
Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) se refere à articulação intersetorial, 
prevendo as parcerias com outros setores administrativos das organizações 
administrativas; entre elas, estão os setores da saúde, do lazer, da assistência 
social, do trabalho, da justiça etc. 
À medida que a intersetorialidade se articula nas políticas públicas, 
ganhos se consolidam no sentido de operacionalizar serviços, atendimentos 
projetos e programas visando ao desenvolvimento e melhorias voltados ao 
público-alvo da Educação Especial. 
Outro aspecto destacadona proposta da Política Nacional de Educação 
Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) se refere à necessidade 
de os sistemas de ensino disponibilizarem profissionais que atuem como 
instrutor, tradutor/intérprete de Libras para os estudantes surdos e guia intérprete 
para os estudantes surdos-cegos. Estabelece ainda a organização para dispor 
de profissionais para exercerem atividades de monitoria/cuidador daqueles 
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alunos que precisem de apoio nas atividades de higiene, alimentação, 
locomoção (Brasil, 2008). 
Podemos dizer que o Ministério da Educação, ao propor a referida Política 
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, exige 
que as instituições educacionais de todo país, revejam a organização e 
funcionamento voltados às diretrizes inclusivas, em consonância com os 
princípios da democratização da educação, a valorização dos processos 
inclusivos “[...] a partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidadania 
fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos” 
(Brasil, 2008, p. 1). 
Outro ponto a ser destacado na Política Nacional de Educação Especial 
na Perspectiva da Educação Inclusiva diz respeito à formação de professores, 
incentivando a formação voltada para a diversidade educacional e que 
promovam a flexibilização curricular, a fim de atender às necessidades 
educacionais especiais de seu alunado. Assim, 
Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da 
sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o 
exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa 
formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional 
especializado e deve aprofundar o caráter interativo e interdisciplinar 
da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, 
nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de 
acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes 
hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e 
recursos de educação especial (Brasil, 2008, p. 17). 
Nesse sentido, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva 
da Educação Inclusiva desafia as instituições educacionais a repensarem o 
processo pedagógico para atender às necessidades educacionais especiais dos 
alunos incluídos, que abarcam mudanças nas concepções curriculares, métodos 
de ensino e avaliação flexibilizados, bem como o uso de recursos de 
acessibilidade (Ziliotto, 2015). 
TEMA 2 – ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE 
Um dos pilares da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva 
da Educação Inclusiva diz respeito à nova concepção de que a educação 
especial não é mais substitutiva à escolarização, e assim amplia sua atuação 
enquanto constitutiva do ensino comum, por meio da oferta do atendimento 
educacional especializado. 
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Enquanto modalidade de ensino, o serviço de educação especial na 
vertente de atendimento educacional especializado ocorre em âmbito 
complementar aos estudantes com deficiência física, sensorial, intelectual, 
estudantes com transtornos globais do desenvolvimento, e ainda em âmbito 
suplementar à formação dos alunos com altas habilidades e superdotação. 
O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é ofertado no horário 
contraturno dos estudantes, ou seja, os alunos público-alvo frequentam o AEE 
no período inverso às aulas do ensino comum, podendo ser ofertado na 
frequência de uma ou duas vezes semanais. 
As atividades desenvolvidas no atendimento educacional 
especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula 
comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento 
complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à 
autonomia e independência na escola e fora dela. (Brasil, 2008, p. 16) 
Importante esclarecer que o Atendimento Educacional Especializado 
(AEE) é realizado por professores especializados em educação especial, 
preparados para disponibilizar os serviços e recursos necessários para orientar 
os alunos e seus professores do ensino comum. 
Dessa forma, o atendimento educacional especializado “[...] identifica, 
elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as 
barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas 
necessidades específicas” (Brasil, 2008, p. 16). 
Ainda em relação ao atendimento educacional especializado, a Política 
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 
estabelece que os profissionais atuantes nessa modalidade ofertem atividades 
variadas e 
[...] programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e 
códigos específicos de comunicação e sinalização, ajudas técnicas e 
tecnologia assistiva, dentre outros. Ao longo de todo processo de 
escolarização, esse atendimento deve estar articulado com a proposta 
pedagógica do ensino comum. (Brasil, 2008, p. 16) 
Nesse sentido, o professor do atendimento educacional especializado 
precisa receber a formação como previsto no texto da política que o habilite ao 
ensino da língua de sinais para atuar junto aos estudantes surdos, ou ainda o 
domínio do sistema Braille, do soroban, da orientação e mobilidade, das 
atividades de vida autônoma, para atuar com alunos com deficiência visual, bem 
como o domínio de métodos e programas de comunicação alternativa para o 
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trabalho com crianças com deficiência motora, por exemplo. Como citado no 
texto da política nacional, no caso de estudantes surdos, 
O atendimento educacional especializado é ofertado, tanto na 
modalidade oral e escrita, quanto na língua de sinais. Devido à 
diferença linguística, na medida do possível, o aluno surdo deve estar 
com outros pares surdos em turmas comuns na escola regular. O 
atendimento educacional especializado é realizado mediante a 
atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da 
Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade 
escrita como segunda língua. (Brasil, 2008, p. 18) 
Outrossim, esclarece a necessidade de os profissionais atuantes no 
atendimento educacional especializado dominarem aspectos relacionados ao 
“[...] desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos programas de 
enriquecimento curricular, da adequação e produção de materiais didáticos e 
pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não ópticos, da tecnologia 
assistiva e outros” (Brasil, 2008, p. 6). 
Verificamos que os sistemas de ensino e seus profissionais são 
desafiados a buscarem o aperfeiçoamento profissional com vistas a atingir a 
todos os seus estudantes, alcançando um ensino de qualidade e inclusivo. 
Assim, 
Para que isso aconteça, é fundamental uma transformação no 
processo de ensino e aprendizagem, ou seja, o professor precisa 
conhecer como o aluno aprende para saber como ensinar; na estrutura 
física, com a quebra de barreiras arquitetônicas e atitudinais; nas 
situações pedagógicas, com a utilização de material específico para 
atender às necessidades dos alunos; na formação de professores e 
das equipes gestoras no tocante aos princípios da educação inclusiva. 
Dessa forma, a Educação Especial passa a ressignificar o seu papel 
de atuação, estabelecendo um trabalho em parceria com o ensino 
regular no apoio especializado às escolas, aos docentes e às famílias. 
A Educação Especial passa a ser um braço da educação regular, 
apoiando as escolas e os professores no processo de inclusão escolar 
de seus alunos. (Camargo; Gomes; Silveira, 2016, p. 19) 
TEMA 3 – DIREITOS DAS PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO 
AUTISTA 
O Transtornodo Espectro Autista (TEA) compreende a categoria 
diagnóstica dos Transtornos de Neurodesenvolvimento, que abarcam desde o 
transtorno autista (autismo), o transtorno de Asperger, o transtorno 
desintegrativo da infância e os transtornos invasivos do desenvolvimento sem 
outra especificação (American Psychiatric Association, 2013 citado por Bez, 
2016, p. 63). 
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Considerado um distúrbio do desenvolvimento neurológico, o Transtorno 
do Espectro Autista (TEA) tem ampla caracterização e está presente desde a 
infância ou do início da infância. 
No ano de 2012, foi aprovada a Lei n. 12.764, que institui a Política 
Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro 
Autista, reconhecendo “[...] a pessoa com transtorno do espectro autista é 
considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais” (Brasil, 2012). 
A Lei define as características da pessoa com transtorno do espectro 
autista como: 
I - deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação 
e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de 
comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência 
de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações 
apropriadas ao seu nível de desenvolvimento; 
II - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e 
atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais 
estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; 
excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento 
ritualizados; interesses restritos e fixos (Brasil, 2012). 
Ainda, a Lei n. 12.764 definiu em seu art. 2 a necessidade de “[...] atenção 
integral às necessidades de saúde da pessoa com transtorno do espectro 
autista, objetivando o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional e o 
acesso a medicamentos e nutrientes” (Brasil, 2012, p. 1). 
O transtorno do espectro autista apresenta uma gama de complexidade, 
razão pela qual é estabelecida na Lei n. 12.764 a assistência a esses estudantes, 
nos casos “[...] de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do 
espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do 
inciso IV do art. 2º, terá direito a acompanhante especializado” (Brasil, 2012, p. 
1). 
Nesse aspecto, vários comportamentos peculiares dos estudantes com 
transtorno do espectro autista podem variar, desde a linguagem, que pode ser 
restritiva, necessitando de comunicação alternativa. Assim, a comunicação 
alternativa é um recurso fundamental para “[...] pessoas com déficits na oralidade 
e pode ser utilizada como forma de aprender a ampliar sua fala ou aumentar sua 
compreensão, tornando-a mais compreensível” (Bez, 2016, p. 66). 
Os sistemas de ensino, ao se adaptarem às necessidades educacionais 
especiais de seus estudantes com deficiência, possibilitam que o acesso ao 
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conhecimento seja para todos, como é o caso do uso de tecnologias assistivas 
e comunicação alternativa. Assim, 
[...] deve-se repensar em um novo aporte teórico e prático, que 
modifique as metodologias tradicionais no processo de ensino e 
aprendizagem, para que se atinja uma finalidade maior: uma educação 
democrática, em que as relações sejam igualitárias, respeitando o 
potencial de todos os alunos segundo suas habilidades e interesses 
individuais. (Mendonça; Mencia; Capellini, 2015, p. 731) 
É importante ressaltar que a pessoa com transtorno do espectro autista 
pode apresentar uma identificação social, permitindo que exerça seus direitos e 
facilitando seu atendimento, à medida que apresente sua carteira de 
identificação 
Art. 3º-A. É criada a Carteira de Identificação da Pessoa com 
Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), com vistas a garantir atenção 
integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso 
aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, 
educação e assistência social (Brasil, 2012, p. 2). 
TEMA 4 – LEI DA LIBRAS – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS 
Com o avanço das propostas para uma sociedade inclusiva, os sistemas 
educacionais precisaram se reorganizar para ajustar seus métodos de ensino 
voltados ao público-alvo dos estudantes da educação especial matriculados nas 
diversas modalidades educacionais. 
No que se refere à área da educação de surdos, muitos avanços foram 
conquistados, uma vez que a própria Convenção de Salamanca, em 1994, já 
reconhecia a importância da língua de sinais para o processo educativo das 
crianças surdas. 
Dessa forma, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da 
Educação Inclusiva (2008) pontua a necessidade da educação bilíngue para os 
estudantes surdos. 
Para a inclusão dos alunos surdos, nas escolas comuns, a educação 
bilíngue – Língua Portuguesa/LIBRAS, desenvolve o ensino escolar na 
Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua 
Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos 
surdos, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua 
Portuguesa e o ensino da Libras para os demais alunos da escola. 
(Brasil, 2008, p. 15) 
O ensino bilíngue se caracteriza pelo ensino em duas línguas para as 
crianças com surdez, sendo a primeira língua a de sinais e a segunda língua a 
modalidade escrita da língua portuguesa. Dessa maneira, os conteúdos 
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acadêmicos devem ser transmitidos na língua natural dos surdos; a língua de 
sinais, em respeito às suas peculiaridades linguísticas. 
As legislações em referência à educação de surdos se compõem de vários 
dispositivos legais, como a Lei Federal n. 10.436, de 24 de abril de 2002. 
Essa legislação tem relevância para o povo surdo, uma vez que, em seu 
art. 1º, a Lei reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como a língua oficial 
das comunidades surdas do Brasil, e como língua natural da comunidade surda 
(Brasil, 2002), considerada uma conquista na luta das comunidades surdas, fruto 
das “[...] articulações dos movimentos surdos impulsionaram mudanças políticas 
e na legislação, como a oficialização da língua de sinais através da Lei n. 
10.436/2002” (Thoma; Klein, 2010, p. 120). 
Por muitos anos, os surdos têm lutado pelo reconhecimento de sua língua 
natural, que valoriza o canal visual dos surdos para apreender o conhecimento 
e enaltece os aspectos cultura surda. 
Nesse sentido, a política linguística apresenta a possibilidade de 
reconhecer, de fato, as duas línguas que fazem parte da formação do 
ser surdo, mas não somente isso, do estatuto de cada língua no espaço 
educacional. A língua de sinais passa, a ser a língua de instrução e a 
língua portuguesa passa a ser ensinada no espaço educacional como 
segunda língua. (Quadros, 2006, p. 144) 
Outro aspecto colocado no texto da Lei Federal n. 10.436 envolve a 
garantia de apoiar a fomentação e difusão da língua de sinais por parte dos 
órgãos públicos (Brasil, 2002). 
Em seu art. 4º, a Lei estabelece a necessidade de inclusão do ensino de 
Libras nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de 
Magistério, em seus níveis médio e superior (Brasil, 2002). 
TEMA 5 – ENRIQUECIMENTO CURRICULAR PARA ALTAS 
HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO 
De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva 
da Educação Inclusiva (2008), estudantes que apresentam altas habilidades ou 
superdotação podem receber o atendimento educacional especializado no 
contraturno de caráter suplementar, isto é, realizar atividades pedagógicas 
suplementares no intuito de aprimorar e ampliar seu potencial acadêmico, 
artístico, entre outros, na temática que têm interesse. De maneira que, 
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Os sistemas educacionais, de acordo com a Educação Inclusiva, têm 
como finalidade prover os espaços educativos, de modo que todos os 
alunos pudessem se beneficiar de serviços apropriados, considerando-
se, ainda, o aluno com altas habilidades ou superdotação como mais 
uma manifestação dentro do contínuo das diferenças humanas. Assim, 
o sistema educativo deverá organizar-se para promover um conjunto 
de respostas apropriadas às suas capacidades, interesses e ritmos de 
aprendizagem. (Mendonça; Mencia; Capellini, 2015, p. 722) 
Dessa forma, são previstas ainda as atividades de enriquecimento escolar 
compreendidas como “[..] áreas de interesse e campos de estudo para aplicação 
de conhecimentos e conteúdos avançados, treinamento de habilidades e uso de 
metodologias para o desenvolvimento e crescimento” (Mendonça; Mencia; 
Capellini, 2015, p. 721), visando atingir níveis de desempenho ainda maiores. 
As atividades desenvolvidas no enriquecimento escolar objetivam a oferta 
de aprofundamento do tema ao estudante com altas habilidades ou 
superdotação e assim oportunizar o “[...] desenvolvimento de projetos 
pedagógicos do interesse do aluno com altas habilidades ou superdotação e que 
atendam às suas necessidades específicas” (Corrêa; Delou, 2016, p. 157). 
O aprofundamento curricular diz respeito às atividades pedagógicas de 
maior densidade de conteúdo. Elas podem ser desenvolvidas na sala 
de recursos por professores licenciados para o segundo segmento do 
ensino fundamental, de ensino médio ou até de ensino superior. 
(Corrêa; Delou, 2016, p. 157) 
No que se refere à dinâmica em sala de aula, é interessante que os 
docentes dos estudantes de altas habilidades ou superdotação promovam 
projetos pedagógicos interdisciplinares sobre temáticas de interesse específico 
dos alunos. O enriquecimento escolar 
[...] se refere a questões sobre o assunto, a matéria ou a disciplina que 
não serão tratados no currículo nos anos ou nos níveis de ensino 
seguintes [...] Os projetos de enriquecimento escolar devem ser do 
conhecimento de todos os demais professores da turma, caso esta 
tenha mais de um professor regente a fim de que o trabalho 
pedagógico seja valorizado pela comunidade escolar. (Corrêa; Delou, 
2016, p. 157) 
Outra possibilidade de enriquecimento escolar pode ser realizada em 
contextos diferentes ao ambiente escolar, com parcerias com universidades, 
instituições técnicas, institutos de pesquisas, museus, enfim, projetos que 
aprofundem o assunto de interesse desse alunado com pessoas mais 
experientes e que dominam com maior profundidade a temática. 
Neste caso, a inclusão se dá fora da escola, entre os pares de 
interesses comuns, que podem ser de idades as mais variadas e de 
níveis de ensino mais elevados. O que move a aproximação dos 
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educandos com altas habilidades ou superdotação é a coincidência de 
interesses temáticos, o que independe de idade. São crianças de baixa 
idade que encontram em adolescentes ou adultos as respostas às suas 
perguntas e o diálogo sustentado por uma longa reciprocidade, 
respeito e admiração. (Corrêa; Delou, 2016, 157) 
NA PRÁTICA 
Você conhece algum jogo colaborativo? Crie uma proposta de atividade 
inclusiva. 
FINALIZANDO 
Verificamos na unidade a proposição de inúmeras legislações que foram 
se consolidando para efetivar a proposta inclusiva aos estudantes público-alvo 
da Educação Especial definidos como aqueles estudantes que apresentam 
deficiência – física, auditiva, visual ou intelectual –, transtornos globais de 
desenvolvimento e ainda altas habilidades/superdotação. 
Dentre as conquistas, destacamos a Política Nacional da Educação 
Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), que, em suas diretrizes, 
estabelece a transversalidade da educação especial para todas as modalidades 
de ensino – Educação de Jovens e Adultos (EJA), educação profissional, 
educação infantil, ensino fundamental I e II, ensino médio, educação superior, 
garantindo a oferta do atendimento educacional especializado, a intersetorial 
entre as áreas da saúde, assistência social e trabalho, por exemplo. 
Outras conquistas englobam o reconhecimento da língua de sinais aos 
estudantes surdos pela Lei Federal n. 10.436/2002 e respectivo ensino bilíngue 
em respeito à sua diferença linguística. 
Verificamos também a proposição da Lei n. 12.764, de 2012, que institui 
a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do 
Espectro Autista para garantia de seus direitos. 
 
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GOMES, R. V. B.; FIGUEIREDO, R. V. de; SILVEIRA, S. M. P.; FACCIOLI, A. M. 
Políticas de inclusão escolar e estratégias pedagógicas no atendimento 
educacional especializado. Fortaleza: UFCE; Brasília: MEC, 2016. 
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