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FUNDAMENTOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL AULA 5 Profª Gisele Sotta Ziliotto A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 2 CONVERSA INICIAL Diante das discussões internacionais acerca da proposta inclusiva, muitos avanços foram conquistados e repercutiram na proposição de legislações educacionais com vistas ao processo inclusivo nos sistemas de ensino. Veremos, nesta unidade, avanços na área da surdez, como, por exemplo, o reconhecimento legal da língua de sinais; ainda, para os estudantes que apresentam transtorno do espectro autista, a importância de apoios específicos que podem ocorrer no Atendimento Educacional Especializado (AEE); por fim, a necessidade do enriquecimento escolar para os estudantes com altas habilidades/superdotação. A demanda pela proposta inclusiva culminou com as diretrizes da Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), lançada pelo Ministério da Educação, orientando as instituições educacionais a estabelecer programas e formas de atendimento para suprir as necessidades educacionais especiais do público-alvo da educação especial. TEMA 1 – POLÍTICA NACIONAL DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA INCLUSIVA Nosso país foi signatário das convenções internacionais acerca dos direitos humanos e de uma sociedade inclusiva, propostas pelos órgãos internacionais como UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), ONU (Organização das Nações Unidas), de maneira que as autoridades nacionais foram construindo políticas públicas de inclusão. Dessa forma, no ano de 2008, o Ministério da Educação (MEC) publicou a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), que estabeleceu aos estudantes público-alvo da Educação Especial, definidos como aqueles estudantes que apresentam deficiência – física, auditiva, visual ou intelectual, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação – o direito de frequentar a escola comum (Brasil, 2008). Como consta no texto da política, consideram-se “[...] alunos com deficiência àqueles que têm impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que em interação com diversas barreiras podem A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 3 ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade” (Brasil, 2008, p. 15). Ainda, a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) pontua dentre seu público-alvo, como estudantes que apresentam transtornos globais do desenvolvimento, aqueles que apresentam “[...] alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil” (Brasil, 2008, p. 15). Em continuidade ao esclarecimento do público-alvo da educação especial, incluem-se os estudantes com altas habilidades/superdotação ao apresentarem “[...] potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes” (Brasil, 2008, p. 15). Tais características podem ainda ser acompanhadas de alta criatividade e acentuado envolvimento na aprendizagem. No texto da Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), são previstos vários aspectos que possibilitam a inclusão escolar desses estudantes; dessa forma, a educação especial deixa de ser considerada substitutiva ao ensino comum, passando a ser compreendida como: [...] modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, que disponibiliza recursos e serviços, realiza o atendimento educacional especializado e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular. (Brasil, 2008, p. 15) Podemos destacar o caráter da transversalidade da Educação Especial, isto é, a oferta dos serviços educacionais inclusivos com alcance nos diversos níveis e etapas de ensino – desde a educação infantil, ensino fundamental I e II, ensino médio, educação superior, incluindo os estudantes indígenas, do campo e quilombola, a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), bem como a educação profissional, possibilitando a formação voltada ao ingresso no mercado de trabalho (Brasil, 2008). Nesse sentido, a transversalidade da educação especial na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e educação profissional se concentra em ações que “[...] possibilitam a ampliação de oportunidades de escolarização, A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 4 formação para a inserção no mundo do trabalho e efetiva participação social” (Brasil, 2008, p. 16). De mesma maneira, enquanto transversalidade da oferta de serviços da educação especial para a área da educação indígena, do campo e quilombola, “[...] deve assegurar que os recursos, serviços e atendimento educacional especializado estejam presentes nos projetos pedagógicos construídos com base nas diferenças socioculturais desses grupos” (Brasil, 2008, p. 17). Já na modalidade de educação infantil, a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) valoriza que as ações ocorram desde o nascimento, assumindo um caráter lúdico e com [...] acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de intervenção precoce que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social. (Brasil, 2008, p. 16) No tocante à educação superior, a interface com a educação especial [...] se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação dos alunos. Estas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvem o ensino, a pesquisa e a extensão. (Brasil, 2008, p. 16) Na ilustração a seguir, podemos verificar a abrangência dos serviços educacionais especializados aos diferentes níveis e modalidades de ensino, numa organização dos sistemas administrativos – municipal, estadual, federal – para operacionalizar os atendimentos educacionais na perspectiva inclusiva. A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 5 Figura 1 – Abrangência dos serviços educacionais especializados aos diferentes níveis e modalidades de ensino Outro aspecto citado no texto Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) se refere à articulação intersetorial, prevendo as parcerias com outros setores administrativos das organizações administrativas; entre elas, estão os setores da saúde, do lazer, da assistência social, do trabalho, da justiça etc. À medida que a intersetorialidade se articula nas políticas públicas, ganhos se consolidam no sentido de operacionalizar serviços, atendimentos projetos e programas visando ao desenvolvimento e melhorias voltados ao público-alvo da Educação Especial. Outro aspecto destacadona proposta da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) se refere à necessidade de os sistemas de ensino disponibilizarem profissionais que atuem como instrutor, tradutor/intérprete de Libras para os estudantes surdos e guia intérprete para os estudantes surdos-cegos. Estabelece ainda a organização para dispor de profissionais para exercerem atividades de monitoria/cuidador daqueles A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 6 alunos que precisem de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção (Brasil, 2008). Podemos dizer que o Ministério da Educação, ao propor a referida Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, exige que as instituições educacionais de todo país, revejam a organização e funcionamento voltados às diretrizes inclusivas, em consonância com os princípios da democratização da educação, a valorização dos processos inclusivos “[...] a partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos” (Brasil, 2008, p. 1). Outro ponto a ser destacado na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva diz respeito à formação de professores, incentivando a formação voltada para a diversidade educacional e que promovam a flexibilização curricular, a fim de atender às necessidades educacionais especiais de seu alunado. Assim, Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado e deve aprofundar o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial (Brasil, 2008, p. 17). Nesse sentido, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva desafia as instituições educacionais a repensarem o processo pedagógico para atender às necessidades educacionais especiais dos alunos incluídos, que abarcam mudanças nas concepções curriculares, métodos de ensino e avaliação flexibilizados, bem como o uso de recursos de acessibilidade (Ziliotto, 2015). TEMA 2 – ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE Um dos pilares da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva diz respeito à nova concepção de que a educação especial não é mais substitutiva à escolarização, e assim amplia sua atuação enquanto constitutiva do ensino comum, por meio da oferta do atendimento educacional especializado. A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 7 Enquanto modalidade de ensino, o serviço de educação especial na vertente de atendimento educacional especializado ocorre em âmbito complementar aos estudantes com deficiência física, sensorial, intelectual, estudantes com transtornos globais do desenvolvimento, e ainda em âmbito suplementar à formação dos alunos com altas habilidades e superdotação. O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é ofertado no horário contraturno dos estudantes, ou seja, os alunos público-alvo frequentam o AEE no período inverso às aulas do ensino comum, podendo ser ofertado na frequência de uma ou duas vezes semanais. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. (Brasil, 2008, p. 16) Importante esclarecer que o Atendimento Educacional Especializado (AEE) é realizado por professores especializados em educação especial, preparados para disponibilizar os serviços e recursos necessários para orientar os alunos e seus professores do ensino comum. Dessa forma, o atendimento educacional especializado “[...] identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas” (Brasil, 2008, p. 16). Ainda em relação ao atendimento educacional especializado, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva estabelece que os profissionais atuantes nessa modalidade ofertem atividades variadas e [...] programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização, ajudas técnicas e tecnologia assistiva, dentre outros. Ao longo de todo processo de escolarização, esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum. (Brasil, 2008, p. 16) Nesse sentido, o professor do atendimento educacional especializado precisa receber a formação como previsto no texto da política que o habilite ao ensino da língua de sinais para atuar junto aos estudantes surdos, ou ainda o domínio do sistema Braille, do soroban, da orientação e mobilidade, das atividades de vida autônoma, para atuar com alunos com deficiência visual, bem como o domínio de métodos e programas de comunicação alternativa para o A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 8 trabalho com crianças com deficiência motora, por exemplo. Como citado no texto da política nacional, no caso de estudantes surdos, O atendimento educacional especializado é ofertado, tanto na modalidade oral e escrita, quanto na língua de sinais. Devido à diferença linguística, na medida do possível, o aluno surdo deve estar com outros pares surdos em turmas comuns na escola regular. O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua. (Brasil, 2008, p. 18) Outrossim, esclarece a necessidade de os profissionais atuantes no atendimento educacional especializado dominarem aspectos relacionados ao “[...] desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não ópticos, da tecnologia assistiva e outros” (Brasil, 2008, p. 6). Verificamos que os sistemas de ensino e seus profissionais são desafiados a buscarem o aperfeiçoamento profissional com vistas a atingir a todos os seus estudantes, alcançando um ensino de qualidade e inclusivo. Assim, Para que isso aconteça, é fundamental uma transformação no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, o professor precisa conhecer como o aluno aprende para saber como ensinar; na estrutura física, com a quebra de barreiras arquitetônicas e atitudinais; nas situações pedagógicas, com a utilização de material específico para atender às necessidades dos alunos; na formação de professores e das equipes gestoras no tocante aos princípios da educação inclusiva. Dessa forma, a Educação Especial passa a ressignificar o seu papel de atuação, estabelecendo um trabalho em parceria com o ensino regular no apoio especializado às escolas, aos docentes e às famílias. A Educação Especial passa a ser um braço da educação regular, apoiando as escolas e os professores no processo de inclusão escolar de seus alunos. (Camargo; Gomes; Silveira, 2016, p. 19) TEMA 3 – DIREITOS DAS PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA O Transtornodo Espectro Autista (TEA) compreende a categoria diagnóstica dos Transtornos de Neurodesenvolvimento, que abarcam desde o transtorno autista (autismo), o transtorno de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e os transtornos invasivos do desenvolvimento sem outra especificação (American Psychiatric Association, 2013 citado por Bez, 2016, p. 63). A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 9 Considerado um distúrbio do desenvolvimento neurológico, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem ampla caracterização e está presente desde a infância ou do início da infância. No ano de 2012, foi aprovada a Lei n. 12.764, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, reconhecendo “[...] a pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais” (Brasil, 2012). A Lei define as características da pessoa com transtorno do espectro autista como: I - deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento; II - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos (Brasil, 2012). Ainda, a Lei n. 12.764 definiu em seu art. 2 a necessidade de “[...] atenção integral às necessidades de saúde da pessoa com transtorno do espectro autista, objetivando o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos e nutrientes” (Brasil, 2012, p. 1). O transtorno do espectro autista apresenta uma gama de complexidade, razão pela qual é estabelecida na Lei n. 12.764 a assistência a esses estudantes, nos casos “[...] de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2º, terá direito a acompanhante especializado” (Brasil, 2012, p. 1). Nesse aspecto, vários comportamentos peculiares dos estudantes com transtorno do espectro autista podem variar, desde a linguagem, que pode ser restritiva, necessitando de comunicação alternativa. Assim, a comunicação alternativa é um recurso fundamental para “[...] pessoas com déficits na oralidade e pode ser utilizada como forma de aprender a ampliar sua fala ou aumentar sua compreensão, tornando-a mais compreensível” (Bez, 2016, p. 66). Os sistemas de ensino, ao se adaptarem às necessidades educacionais especiais de seus estudantes com deficiência, possibilitam que o acesso ao A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 10 conhecimento seja para todos, como é o caso do uso de tecnologias assistivas e comunicação alternativa. Assim, [...] deve-se repensar em um novo aporte teórico e prático, que modifique as metodologias tradicionais no processo de ensino e aprendizagem, para que se atinja uma finalidade maior: uma educação democrática, em que as relações sejam igualitárias, respeitando o potencial de todos os alunos segundo suas habilidades e interesses individuais. (Mendonça; Mencia; Capellini, 2015, p. 731) É importante ressaltar que a pessoa com transtorno do espectro autista pode apresentar uma identificação social, permitindo que exerça seus direitos e facilitando seu atendimento, à medida que apresente sua carteira de identificação Art. 3º-A. É criada a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), com vistas a garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social (Brasil, 2012, p. 2). TEMA 4 – LEI DA LIBRAS – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS Com o avanço das propostas para uma sociedade inclusiva, os sistemas educacionais precisaram se reorganizar para ajustar seus métodos de ensino voltados ao público-alvo dos estudantes da educação especial matriculados nas diversas modalidades educacionais. No que se refere à área da educação de surdos, muitos avanços foram conquistados, uma vez que a própria Convenção de Salamanca, em 1994, já reconhecia a importância da língua de sinais para o processo educativo das crianças surdas. Dessa forma, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) pontua a necessidade da educação bilíngue para os estudantes surdos. Para a inclusão dos alunos surdos, nas escolas comuns, a educação bilíngue – Língua Portuguesa/LIBRAS, desenvolve o ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino da Libras para os demais alunos da escola. (Brasil, 2008, p. 15) O ensino bilíngue se caracteriza pelo ensino em duas línguas para as crianças com surdez, sendo a primeira língua a de sinais e a segunda língua a modalidade escrita da língua portuguesa. Dessa maneira, os conteúdos A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 11 acadêmicos devem ser transmitidos na língua natural dos surdos; a língua de sinais, em respeito às suas peculiaridades linguísticas. As legislações em referência à educação de surdos se compõem de vários dispositivos legais, como a Lei Federal n. 10.436, de 24 de abril de 2002. Essa legislação tem relevância para o povo surdo, uma vez que, em seu art. 1º, a Lei reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como a língua oficial das comunidades surdas do Brasil, e como língua natural da comunidade surda (Brasil, 2002), considerada uma conquista na luta das comunidades surdas, fruto das “[...] articulações dos movimentos surdos impulsionaram mudanças políticas e na legislação, como a oficialização da língua de sinais através da Lei n. 10.436/2002” (Thoma; Klein, 2010, p. 120). Por muitos anos, os surdos têm lutado pelo reconhecimento de sua língua natural, que valoriza o canal visual dos surdos para apreender o conhecimento e enaltece os aspectos cultura surda. Nesse sentido, a política linguística apresenta a possibilidade de reconhecer, de fato, as duas línguas que fazem parte da formação do ser surdo, mas não somente isso, do estatuto de cada língua no espaço educacional. A língua de sinais passa, a ser a língua de instrução e a língua portuguesa passa a ser ensinada no espaço educacional como segunda língua. (Quadros, 2006, p. 144) Outro aspecto colocado no texto da Lei Federal n. 10.436 envolve a garantia de apoiar a fomentação e difusão da língua de sinais por parte dos órgãos públicos (Brasil, 2002). Em seu art. 4º, a Lei estabelece a necessidade de inclusão do ensino de Libras nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior (Brasil, 2002). TEMA 5 – ENRIQUECIMENTO CURRICULAR PARA ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), estudantes que apresentam altas habilidades ou superdotação podem receber o atendimento educacional especializado no contraturno de caráter suplementar, isto é, realizar atividades pedagógicas suplementares no intuito de aprimorar e ampliar seu potencial acadêmico, artístico, entre outros, na temática que têm interesse. De maneira que, A luno: A LA N F E R NA N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 12 Os sistemas educacionais, de acordo com a Educação Inclusiva, têm como finalidade prover os espaços educativos, de modo que todos os alunos pudessem se beneficiar de serviços apropriados, considerando- se, ainda, o aluno com altas habilidades ou superdotação como mais uma manifestação dentro do contínuo das diferenças humanas. Assim, o sistema educativo deverá organizar-se para promover um conjunto de respostas apropriadas às suas capacidades, interesses e ritmos de aprendizagem. (Mendonça; Mencia; Capellini, 2015, p. 722) Dessa forma, são previstas ainda as atividades de enriquecimento escolar compreendidas como “[..] áreas de interesse e campos de estudo para aplicação de conhecimentos e conteúdos avançados, treinamento de habilidades e uso de metodologias para o desenvolvimento e crescimento” (Mendonça; Mencia; Capellini, 2015, p. 721), visando atingir níveis de desempenho ainda maiores. As atividades desenvolvidas no enriquecimento escolar objetivam a oferta de aprofundamento do tema ao estudante com altas habilidades ou superdotação e assim oportunizar o “[...] desenvolvimento de projetos pedagógicos do interesse do aluno com altas habilidades ou superdotação e que atendam às suas necessidades específicas” (Corrêa; Delou, 2016, p. 157). O aprofundamento curricular diz respeito às atividades pedagógicas de maior densidade de conteúdo. Elas podem ser desenvolvidas na sala de recursos por professores licenciados para o segundo segmento do ensino fundamental, de ensino médio ou até de ensino superior. (Corrêa; Delou, 2016, p. 157) No que se refere à dinâmica em sala de aula, é interessante que os docentes dos estudantes de altas habilidades ou superdotação promovam projetos pedagógicos interdisciplinares sobre temáticas de interesse específico dos alunos. O enriquecimento escolar [...] se refere a questões sobre o assunto, a matéria ou a disciplina que não serão tratados no currículo nos anos ou nos níveis de ensino seguintes [...] Os projetos de enriquecimento escolar devem ser do conhecimento de todos os demais professores da turma, caso esta tenha mais de um professor regente a fim de que o trabalho pedagógico seja valorizado pela comunidade escolar. (Corrêa; Delou, 2016, p. 157) Outra possibilidade de enriquecimento escolar pode ser realizada em contextos diferentes ao ambiente escolar, com parcerias com universidades, instituições técnicas, institutos de pesquisas, museus, enfim, projetos que aprofundem o assunto de interesse desse alunado com pessoas mais experientes e que dominam com maior profundidade a temática. Neste caso, a inclusão se dá fora da escola, entre os pares de interesses comuns, que podem ser de idades as mais variadas e de níveis de ensino mais elevados. O que move a aproximação dos A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 13 educandos com altas habilidades ou superdotação é a coincidência de interesses temáticos, o que independe de idade. São crianças de baixa idade que encontram em adolescentes ou adultos as respostas às suas perguntas e o diálogo sustentado por uma longa reciprocidade, respeito e admiração. (Corrêa; Delou, 2016, 157) NA PRÁTICA Você conhece algum jogo colaborativo? Crie uma proposta de atividade inclusiva. FINALIZANDO Verificamos na unidade a proposição de inúmeras legislações que foram se consolidando para efetivar a proposta inclusiva aos estudantes público-alvo da Educação Especial definidos como aqueles estudantes que apresentam deficiência – física, auditiva, visual ou intelectual –, transtornos globais de desenvolvimento e ainda altas habilidades/superdotação. Dentre as conquistas, destacamos a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), que, em suas diretrizes, estabelece a transversalidade da educação especial para todas as modalidades de ensino – Educação de Jovens e Adultos (EJA), educação profissional, educação infantil, ensino fundamental I e II, ensino médio, educação superior, garantindo a oferta do atendimento educacional especializado, a intersetorial entre as áreas da saúde, assistência social e trabalho, por exemplo. Outras conquistas englobam o reconhecimento da língua de sinais aos estudantes surdos pela Lei Federal n. 10.436/2002 e respectivo ensino bilíngue em respeito à sua diferença linguística. Verificamos também a proposição da Lei n. 12.764, de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista para garantia de seus direitos. A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 14 REFERÊNCIAS BEZ, M. R. Transtorno do espectro autista: possibilidades de apoio à inclusão através da comunicação alternativa. In: GOMES, R. V. B.; FIGUEIREDO, R. V. de; SILVEIRA, S. M. P.; FACCIOLI, A. M. Políticas de inclusão escolar e estratégias pedagógicas no atendimento educacional especializado. Fortaleza: UFCE; Brasília: MEC, 2016. BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria n. 555/2007, prorrogada pela Portaria n. 948/2007. Ministério da Educação, 07 jan. 2008. Disponível em: . Acesso em: 4 jan. 2022. BRASIL. Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, Lei n. 12.764/2012.27. Planalto, dez. 2012. Disponível em: . Acesso em: 4 jan. 2022. BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002. 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A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 15 MENDONÇA, L. D.; MENCIA, G. F. M.; CAPELLINI, V. L. M. F. Programas de enriquecimento escolar para alunos com altas habilidades ou superdotação: análise de publicações brasileiras. Revista Educação Especial, v. 28, n. 53, p. 721-734, set./dez. 2015. QUADROS, R. M. Políticas linguísticas e educação de surdos em Santa Catarina: espaço de negociações. Cad. CEDES, Campinas, v. 26, n. 69, p. 141- 161, ago. 2006. Disponível em: . Acesso em: 4 jan. 2022. THOMA, A.; KLEIN, M. Experiências educacionais, movimentos e lutas surdas como condições de possibilidade para uma educação de surdos no Brasil. Cadernos de educação. Pelotas, n. 36, p. 107-131, maio/ago. 2010. ZILIOTTO, G. S. Educação Especial na perspectiva inclusiva, fundamentos psicológicos e biológicos. Curitiba: InterSaberes, 2015. A luno: A LA N F ER N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com