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INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO ESPECIAL INCLUSIVA AULA 6 Profª Gisele Sotta Ziliotto A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 2 CONVERSA INICIAL O objetivo desta aula é refletirmos sobre a educação especial na atualidade, face à perspectiva da educação inclusiva, abordando desde as terminologias já utilizadas em relação ao público-alvo da educação especial e a garantia do acesso de todos os estudantes ao ensino regular e os apoios necessários para sua participação e aprendizagem. TEMA 1 – EDUCAÇÃO ESPECIAL NA ATUALIDADE A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008) orienta as instituições educacionais nos seus diferentes níveis e etapas de escolarização quanto ao processo de inclusão escolar dos estudantes público-alvo da educação especial – estudantes com deficiência sensorial, física, intelectual, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades/superdotação. Dessa forma, ao possibilitar o acesso e a participação de todos os estudantes no ensino comum, rompe-se com o paradigma de exclusão, uma vez que historicamente: A educação especial se organizou tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum, evidenciando diferentes compreensões, terminologias e modalidades que levaram a criação de instituições especializadas, escolas especiais e classes especiais (Brasil, 2008, p. 6). Partindo de referenciais inclusivos, do princípio democrático de igualdade de direitos e universalização da educação “a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada, implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas” (Brasil, 2008, p. 5). Como pilares da política nacional de educação especial na perspectiva inclusiva estão a garantia do acesso de todos os estudantes ao ensino regular e os apoios necessários para sua participação e aprendizagem. Nesse sentido, as diretrizes para a organização de sistemas educacionais inclusivos precisam se readequar às demandas apresentadas pelo seu público- alvo, atendendo, assim, as necessidades educacionais especiais de seus estudantes. A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 3 Condições de acessibilidade são fundamentais para que os sistemas de ensino possibilitem o acesso físico aos ambientes educacionais, no que se refere à adaptação arquitetônica do prédio escolar que vão desde a construção de rampas de acesso, guias rebaixadas nas pavimentações, semáforos sonoros, sinalização tátil no piso e ambientes educacionais – biblioteca, banheiros, salas de aula, laboratório, quadras –, os sanitários adaptados para o estudante com deficiência física ou mobilidade reduzida, carteiras adaptadas para o estudante que faz uso de cadeiras de roda, entre tantas outras adaptações que se fazem prementes. De mesma maneira, ampliar a acessibilidade no quesito pedagógico, flexibilizando o currículo escolar com diversificação de estratégias de ensino, na forma de avaliar o conteúdo, na flexibilização do tempo e materiais, por exemplo, intensificando o uso de materiais visuais, computacionais, tecnologia assistiva nos contextos educacionais. O uso de tecnologia assistiva torna-se outro recurso necessário no processo de inclusão, permitindo que, por meio de recursos específicos, como softwares educacionais, comunicação alternativa, uso do sistema braile, do sorobã, entre tantos outros recursos de acessibilidade, sejam oportunizadas estratégias que impeçam o acesso ao currículo educacional. Nesta esteira, a política nacional de educação especial orienta, Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia intérprete, bem como de monitor ou cuidador aos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras que exijam auxílio constante no cotidiano escolar (Brasil, 2008, p. 15). Assim, os sistemas educacionais tanto nas etapas da educação infantil quanto na educação fundamental: a meta principal é satisfazer as necessidades educacionais específicas de aprendizagem de cada criança, incentivando a acriança a aprender e desenvolver eu potencial, a partir de sua realidade particular. Isso requer, por parte dos professores, maior sensibilidade e pensamento crítico a respeito de sua prática pedagógica. Esta prática pedagógica deve ter como objetivo a autonomia intelectual, moral e social de seus alunos (Goffredo, 1999, p. 68). A nova política educacional voltada ao processo inclusivo diferencia-se das políticas que a precederam, superando a crença de que o sistema substitutivo e paralelo em relação ao contexto regular de ensino fosse a forma mais apropriada para o atendimento de alunos com deficiência. A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 4 Atualmente, a Educação Especial "passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação" (Brasil, 2008, p. 11). Dessa forma, o atendimento educacional especializado não se faz isolado do contexto escolar, e, para tanto, pensar estratégias, recursos e metodologias é uma constante na prática de cada profissional da educação de uma maneira colaborativa e constante entre sala de aula regular, gestão escolar e profissionais especializados das Salas de Recursos Multifuncionais (Böck; Rios; Campos, 2016, p. 91). O atendimento educacional especializado ganha destaque, valorizando a interlocução entre os professores especializados em educação especial e os profissionais do ensino comum, intermediando as condições de acesso ao currículo por meio de ajustes no planejamento e nos processos de ensino e avalição, promovendo o aprendizado dos estudantes inclusos no ensino comum. Assim, o professor do atendimento educacional especializado: identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam- se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização (Brasil, 2008, p. 14). Ressaltamos que em relação a organização do atendimento educacional especializado, o profissional: disponibiliza programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização, ajudas técnicas e tecnologia assistiva, dentre outros. Ao longo de todo processo de escolarização, esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum (Brasil, 2008, p. 15). A Resolução n. 4/2009, que institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial, apregoa que, em seu artigo 2º, o caráter complementar ou suplementar enquanto atividades aos estudantes público-alvo da educação especial, “por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem” (Brasil, 2009, p. 1). Nessa resolução esclarece-se também que o atendimento educacional especializado (AEE) deve ocorrer: A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 5 Art. 5º O AEE é realizado, prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da própriaescola ou em outra escola de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, também, em centro de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a Secretaria de Educação ou órgão equivalente dos Estados, Distrito Federal ou dos Municípios. Ainda no Decreto n. 7611/2011 (Brasil, 2011, p. 1), é estabelecido que, em seu artigo 3º, os objetivos do atendimento educacional especializado são: I - prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular e garantir serviços de apoio especializados de acordo com as necessidades individuais dos estudantes; II - garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular; III - fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e IV - assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis, etapas e modalidades de ensino. Na perspectiva da educação inclusiva, todas as etapas e modalidades de ensino se adequam à proposta e no ensino superior: a transversalidade da educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação dos alunos. Estas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvem o ensino, a pesquisa e a extensão (Brasil, 2008, p. 16). Percebemos por meio das informações ressaltadas que a proposta da educação inclusiva tem se consolidado por meio de políticas públicas educacionais que têm orientado os sistemas de ensino em seus diferentes níveis e etapas a se adaptarem para possibilitar o acesso, permanência e participação dos estudantes público-alvo da educação especial. TEMA 2 – ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA O texto da Política Nacional de Educação Especial na perspectiva Inclusiva (MEC, 2008) esclarece que se deve contextualizar as definições do público-alvo da educação especial, evitando a categorização, uma vez que as pessoas se modificam continuamente transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, enfatizando a importância de ambientes heterogêneos que promovam a aprendizagem de todos os alunos (Brasil, 2008, p. 15). A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 6 Partindo do exposto como público-alvo da educação especial definido na Resolução CEB/CNE N. 4/2009, temos: Art. 4º Para fins destas Diretrizes, considera-se público-alvo do AEE: I - Alunos com deficiência: aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual, mental ou sensorial. II - Alunos com transtornos globais do desenvolvimento: aqueles que apresentam um quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa definição alunos com autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação. III - Alunos com altas habilidades/superdotação: aqueles que apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade. Enquanto política nacional de inclusão, estão previstos que todos os estudantes com deficiência frequentem o sistema educacional geral com a garantia de ensino gratuito e com adaptações conforme as necessidades individuais (Brasil, 2011). Sob esta perspectiva, o Decreto n. 7.611/2011 reforça a importância de os sistemas de ensino providenciarem adequações em diferentes âmbitos para promover o processo de aprendizagem de seus estudantes: V - oferta de apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação; VI - adoção de medidas de apoio individualizadas e efetivas, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena; Ainda, o Decreto n. 7.611/2011, em seu artigo 2º, estabelece a garantia do atendimento educacional especializado para os estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, § 1º Para fins deste Decreto, os serviços de que trata o caput serão denominados atendimento educacional especializado, compreendido como o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucional e continuamente, prestado das seguintes formas: I - complementar à formação dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, como apoio permanente e limitado no tempo e na frequência dos estudantes às salas de recursos multifuncionais; II - suplementar à formação de estudantes com altas habilidades ou superdotação. Enquanto medidas de apoio, o referido decreto prevê, por exemplo, o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos, visando a eliminação de A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 7 barreiras no processo de ensino e aprendizagem, que englobam recursos educacionais para a acessibilidade e aprendizagem, § 4º A produção e a distribuição de recursos educacionais para a acessibilidade e aprendizagem incluem materiais didáticos e paradidáticos em Braille, áudio e Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, laptops com sintetizador de voz, softwares para comunicação alternativa e outras ajudas técnicas que possibilitam o acesso ao currículo (Brasil, 2011, p. 2). No que se refere aos estudantes público-alvo da educação especial que frequentam o ensino superior, o Decreto n. 7.611/2011 ressalta a necessidade dessas instituições organizarem os núcleos de acessibilidade, visando “eliminar barreiras físicas, de comunicação e de informação que restringem a participação e o desenvolvimento acadêmico e social de estudantes com deficiência” (Brasil, 2011, p. 2). A Lei n. 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), considera em seu artigo 12, inciso III, pessoa com deficiência aquela que apresente “impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas” (Brasil, 2012). Nesse mesmo estatuto, é recomendado como direito aos estudantes com deficiência sensorial a garantia de acessibilidade nas comunicações, a saber: IX - comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras opções, as línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações; XII - oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes, promovendo sua autonomia e participação; Ainda em relação aos estudantes surdos, o estatuto prevê como direito o acesso à educação bilíngue, ou seja, os conteúdos curriculares ministrados na primeira língua do estudante surdo,a língua de sinais brasileira (Libras), e na modalidade escrita da língua portuguesa, conforme versa o artigo 112 em seu inciso IV “oferta de educação bilíngue, em Libras como primeira língua e na A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 8 modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas” (Brasil, 2012, p. 20). Ressaltamos que à medida que os profissionais da educação possibilitam a acolhida ao estudante público-alvo da educação especial com planejamento adaptado, condições de acessibilidade adequadas e principalmente uma postura de respeito à diversidade e atenção às necessidades educacionais especiais de seus estudantes, associado à “importância do olhar, em cada contexto singular de prática e vivência, do professor do AEE para com o estudante, pois é na relação que estabelecem, no lugar que é dado a este sujeito, que muito pode ser construído e possibilitado” (Böck; Rios; Campos, 2016, p. 91). TEMA 3 – ESTUDANTES COM TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva Inclusiva (MEC, 2008), são considerados estudantes com Transtornos Globais do Desenvolvimento aqueles que apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil (Brasil, 2008, p. 15). A Resolução n. 4/2009 define que os estudantes com transtornos globais do desenvolvimento envolvem aqueles que apresentam um quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa definição alunos com autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação. Estudos sobre o transtorno global do desenvolvimento (TGD) apontam que esses estudantes podem apresentar comportamentos de estereotipados e repetitivos, ansiedade frente a alterações da rotina, costumam insistir em detalhes, podem apresentar um hiperfoco de atenção em detalhes e assuntos, dificuldade em perceber o todo da situação (Belisario Filho; Cunha, 2010). As estereotipias, que podem ou não estar presentes no comportamento desses estudantes, pode tratar-se de: A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 9 estereotipias sensório-motoras: balançar o corpo, bater palmas, fazer e desfazer, ordenar e desordenar. São rituais simples. Também podemos encontrar rituais mais elaborados, como apego a objetos que são carregados a todos os lugares, controle rigoroso de situações do ambiente ou da rotina e rígido perfeccionismo (Belisário Filho; Cunha, 2010, p. 19). De acordo com os estudos de Belisário Filho e Cunha (2010, p. 20), as manifestações destes estudantes variam, podendo ou não ter funcionalidade, contudo, “encontramos aquelas que conseguem fazer atividades funcionais simples e breves, e outras que desenvolvem atividades funcionais e com autonomia, mas motivadas externamente”. O autor esclarece ainda a importância da manutenção da rotina escolar para os estudantes com transtornos globais do desenvolvimento, uma vez que o cotidiano escolar possui rituais que se repetem diariamente. A organização da entrada dos alunos, do deslocamento nos diversos espaços, das rotinas em sala de aula, do recreio, da organização da turma para a oferta da merenda, das aulas em espaços diferenciados na escola, da saída ao final das aulas e outros são exemplos de rituais que se repetem e que favorecem a apropriação da experiência escolar para a criança com TGD (Belisário Filho; Cunha, 2010, p. 22). É fundamental ressaltarmos que, conforme a Lei n. 12.762/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, os estudantes que apresentam o transtorno do espectro autista devem ser considerados na proposição legal pessoa com deficiência, § 1º Para os efeitos desta Lei, é considerada pessoa com transtorno do espectro autista aquela portadora de síndrome clínica caracterizada na forma dos seguintes incisos I ou II: I - deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento; II - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos. Em relação ao contexto educacional, é importante auxiliar os estudantes com transtornos globais do desenvolvimento no que se refere à implementação de estratégias visuais quanto à assimilação de regras e combinados. Dessa forma, antecipando o planejamento do que será realizado no dia, facilitará sua compreensão e baixando seu nível de ansiedade, na medida que quanto “mais cedo a criança com TGD puder antecipar o que acontece diariamente na escola, mais familiar e possível de ser reconhecida se tornará para ela a vivência A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 10 escolar, tornando as primeiras manifestações da criança progressivamente menos frequentes” (Belisário Filho; Cunha, 2010, p. 23). TEMA 4 – ESTUDANTES COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO Conforme o texto da Política Nacional de Educação Especial na perspectiva Inclusiva (MEC, 2008), os estudantes considerados com altas habilidades/superdotação podem apresentar potencial elevado de forma isolada ou combinada nas áreas “intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes. Também apresentam elevada criatividade, grande envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse” (Brasil, 2008, p. 15). Ressaltamos que para esse público de estudantes é garantido o atendimento educacional especializado, em consonância com o Decreto n. 7.611/2011, artigo 2º, enquanto atividade suplementar por meio de estratégias e práticas pedagógicas que envolvam o enriquecimento curricular. De forma que se aprofunda a temática de estudo, ofertando materiais, propondo pesquisas, dispondo de recursos de interesse do estudante, de modo que o “enriquecimento escolar se refere a questões sobre o assunto, a matéria ou a disciplina que não serão tratados no currículo nos anos ou nos níveis de ensino seguintes” (Correa; Delou, 2016, p. 157). A Resolução n. 4, de 2 de outubro de 2009, que institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial, considera como estudantes com altas habilidades/superdotação "aqueles que apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade" (Brasil, 2009). Ainda no artigo 7º, a resolução propõe que para os estudantes com altas habilidades/superdotação sejam ofertadas atividades de enriquecimento curricular “desenvolvidas no âmbito de escolas públicas de ensino regular em interface com os núcleos de atividades para altas habilidades/superdotação e com as instituições de ensino superior e institutos voltados ao desenvolvimento e promoção da pesquisa, das artes e dos esportes”. A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IRA M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 11 TEMA 5 – TERMINOLOGIAS Ao revisitar a história da Educação Especial no Brasil, Lopes (2014, p. 741) faz uma análise das expressões utilizadas a partir da Lei n. 4024/1961, tais como "excepcionais, deficientes físicos ou mentais, superdotados, portadores de deficiência, portadores de necessidades especiais". Tais terminologias espelham as visões estereotipadas da sociedade sobre a pessoa com deficiência. Em relação à terminologia mais adequada para designar as pessoas com deficiência, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU consagra o termo “pessoas com deficiência” (Parecer n. 21/2009/CONADE/SEDH/PR). Como afirmam as autoras Nunes; Saia e Tavares (2015, p. 1110), a convivência com as pessoas com deficiência, vale lembrar a ênfase dada a essa condição, ofuscando outras características, praticamente desconsiderando o sujeito. Para além da deficiência há um sujeito com desejos, vitórias, medos, limitações, com concepções ideológicas, fazeres, gostos, vontades que não devem ser negligenciados em generalizações. Exaltar apenas essa característica desmerece as conquistas, as capacidades, a própria singularidade do sujeito. Assim, acima de qualquer diferença, a pessoa humana precisa ser exaltada, evitando o uso de terminologias que possam rotular o diverso, uma vez que todos somos “seres singulares e, ao mesmo tempo, mutantes. Portanto, escapamos de toda e qualquer possibilidade de nos encaixarmos em categorizações, classificações, que possam nos representar e nos definir por meio de uma identidade fixada e estável” (Mantoan, 2016, p. 13). Ressaltamos que a premissa da educação inclusiva requer atitudes que consolidem o direito à diversidade, a garantia de diretos educacionais e unidade de ações que possibilitem o desenvolvimento de autonomia da pessoa com deficiência. Para Mantoan (2016, p. 1), o processo de inclusão: é exigente em seus propósitos. Trata-se de uma ideia poderosa e desafiadora defendida pelos que assumem o compromisso de disseminar e garantir a todos o direito à diferença, na igualdade de direitos, em um mundo povoado e habituado às diferenciações excludentes. Em âmbito educacional, os sistemas de ensino devem considerar que a proposta inclusiva requer a readequação e reinvenção do processo de ensino- A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 12 aprendizagem, com estratégias de ensino que atendam às especificidades de seus estudantes, uma vez que, Especiais devem ser as alternativas educativas que a escola precisa organizar, para que qualquer aluno tenha sucesso; especiais são os procedimentos de ensino; especiais são as estratégias que a prática pedagógica deve assumir para remover barreiras para a aprendizagem. Com este enfoque temos procurado pensar no especial da educação, parecendo-nos mais recomendável do que atribuir esta característica ao alunado. NA PRÁTICA 1) Como está sendo implementado, em seu estado ou município, o Atendimento Educacional Especializado aos alunos? O funcionamento ocorre em salas de recursos ou centros de atendimento especializado? Faça uma busca em sites e pesquise sobre as instruções normativas que tratam do funcionamento dos Serviços de Atendimento Educacional Especializado (lembrando que estes serviços de apoio não são substitutivos à frequência da sala de aula comum): a) trabalho pedagógico do professor; b) cronograma de atendimento; e c) atribuições do professor. Compartilhe os resultados com seus colegas. 2) Assista a live sobre a acessibilidade, desenho universal e tecnologias assistivas com a Prof. Dra. Amanda Meincke Melo, abordando a legislação e a necessidade de implementação para uma sociedade inclusiva. Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2021. FINALIZANDO Nesta aula, discutimos os avanços da educação especial na perspectiva inclusiva, no tocante à proposição de políticas públicas voltadas ao processo de inclusão escolar, apresentando os pilares da política nacional de educação especial na perspectiva inclusiva, a garantia do acesso de todos os estudantes ao ensino regular e os apoios necessários para sua participação e aprendizagem. Nesse sentido, a educação especial deixa de ter um caráter substitutivo do ensino comum e, por meio do atendimento educacional especializado, se faz presente de forma transversal, valorizando a interlocução entre os professores especializados em educação especial e os profissionais do ensino comum. A luno: A LA N F E R N A N D E S V IE IR A M O N T E IR O E m ail: alan.m onteiro1812@ gm ail.com 13 REFERÊNCIAS BELISÁRIO FILHO, J. F.; CUNHA, P. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: transtornos globais do desenvolvimento. 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