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TEORIA E CRÍTICA DAS CIDADES Aula 1: Cidade A cidade é o conjunto de espaços que abrigam as funções do cotidiano humano – como morar, trabalhar e divertir-se – e propiciam a troca de produtos, serviços e de ideias. Esses espaços são construídos na forma de: • Casas e lojas; • Diferentes instituições – sedes de governo, teatros, templos, universidades etc.; • Logradouros – ruas, avenidas, praças, parques etc. Classificações A cidade pode ser classificada como: Fenômeno geográfico: Por definição, não é possível considerá-las um acidente geográfico, mas é verdade que, invariavelmente, a origem das cidades e seu desenvolvimento estão ligados diretamente a sua localização: próximo a um curso de água, em um vale ou em uma encosta protegidos, mas também no topo de um monte que se destaca na paisagem. Posto de troca comercial: Para alguns autores, a origem do que hoje chamamos de cidade está relacionada à criação de um espaço que permite a troca dos bens produzidos por um indivíduo pelos bens ou serviços que podem ser fornecidos por outro indivíduo ou por outra instituição. Desse ponto de vista histórico, os primeiros assentamentos humanos eram postos de troca do excedente de produção de um proprietário de terra para outro, de uma região para a outra, de um produto por um serviço. Símbolo cultural: Dos primeiros assentamentos humanos às megacidades atuais, as cidades se tornaram um símbolo cultural, pois, ali, concentram-se, invariavelmente, os equipamentos de produção e transmissão da cultura de determinado grupo. Centro de poder: Há diferentes visões históricas sobre a função original da cidade. De acordo com alguns historiadores, para além do local destinado ao comércio ou à cultura, a cidade é um lugar de concentração de poder. Obra de arte: Alguns autores – especialmente arquitetos – enfatizam os aspectos artísticos da cidade enquanto construção humana coletiva. A cidade é uma grande obra de arte. Estado de espírito: Existe, ainda, a ideia de que a cidade reflete um certo estado de espírito, pela reunião de pessoas de uma cultura específica e de espaços que propiciam determinado tipo de comportamento. *A cidade é uma narrativa de diferentes representações, assim como a representação de diferentes narrativas. Aspecto civilizatório: Na própria origem da palavra – do latim civitas –, encontramos a relação entre cidade e civilidade. Já a polis grega é uma cidade formada pelos cidadãos. Por isso, consideramos o cidadão aquele indivíduo que convive em sociedade e exerce seus direitos e deveres por meio da política. Civil é a relação entre cidadãos e aquilo que não tem caráter militar ou religioso. O espaço urbano é, portanto, o cenário principal da civilidade, e a cidade é o berço da civilização. Urbanismo O urbanismo é o campo do conhecimento que trata da cidade. Esse conceito pode ser entendido em função dos seguintes aspectos: • Teórico e científico → urbanismo = estudo da formação e transformação das cidades; • Prático → urbanismo = planejamento e execução de obras de intervenção nos espaços de uso público. Embora haja assentamentos humanos com características de cidade – como Arbela, no Iraque, habitada há mais de 5.000 anos –, o termo urbanismo é relativamente recente. Teoria e prática do urbanismo O crescimento econômico de base industrial gerou um desenvolvimento urbano desordenado e insalubre. As taxas de mortalidade aumentaram e comprometeram a própria economia. Surgiram, então, as primeiras operações urbanísticas, a fim de criar a infraestrutura necessária que permitisse o abastecimento de água limpa, o saneamento e a melhor circulação de pessoas, de bens e serviços. Ex: Reforma do centro de Paris, Plano de expansão de Barcelona. No Brasil a formação de arquiteto e urbanista foi unificada. Entre a edificação de uma casa e o planejamento de uma região, há menos uma diferença de metodologia do que uma questão apenas de escala de estudo ou trabalho. Nesse sentido, o arquiteto e urbanista poderá trabalhar em diferentes escalas. Curiosamente, essas distinções serão identificadas tanto no tipo de atividade quanto no próprio produto do trabalho, cuja escala gráfica também variará. Ex: Arquitetura de interiores e projeto de edificação, Projeto paisagístico, Desenho urbano, Master Plan, Curiosidade, Planejamento urbano, Plano Diretor. “A cidade não foi feita para pessimistas!” - Jaime Lerner Aula 2: Os primeiros assentamentos A origem da cidade tem algumas versões, dentre as quais destacamos três principais: 1- A cidade nasce como um posto de troca do excedente da produção de alimentos; 2- A cidade tem origem na prestação de serviços de defesa a uma população; 3- A cidade surge quando as tribos já existentes decidem fixar-se em um único território. A população rural é aquela dedicada diretamente à produção de alimentos e à extração de matéria prima e que, por isso, habitará o que chamamos de campo. A população urbana, por sua vez, será formada por especialistas com as mais diversas atividades e que moram na cidade. A cidade reúne (de certo modo, desde cedo, em maior ou menor grau e quantidade): serviços, comércio, indústria, estabelecimentos de ensino, templos religiosos, espaços de cultura, forças de segurança, o poder executivo, legislativo e judiciário. Diferentes tipos de ocupação Na cidade de Catalhöyük - Turquia, podemos perceber que o acesso às casas era feito pela cobertura. Já em Arbela - Iraque, vemos o contraste da área originalmente murada, que pode ser percorrida por um longo eixo central, e os bairros contemporâneos que circundam a cidade antiga. Enquanto Catalhöyük se transformou em um sítio arqueológico, Arbela é habitada até hoje. O urbanismo como um processo evolutivo Ao longo dos séculos, o traçado das cidades foi sofrendo alterações. Invariavelmente há uma tentativa de organizar os espaços urbanos, tanto para orientar melhor os habitantes e melhorar o fluxo de pessoas quanto para dar destaques aos edifícios que tenham mais importância para a coletividade. Formas regulares são comumente utilizadas em cidades planejadas. Os primeiros assentamentos humanos seguiam o relevo da topografia e tendiam a ter traços espontâneos e irregulares, baseados nos trajetos das antigas estradas e cursos de rios. Vimos, por meio de exemplos dos séculos XVI, XVIII e XIX, que houve diversas tentativas de impor um traçado mais regular às estruturas urbanas, que dessem mais visibilidade e hierarquia às edificações de maior significado. Aula 3 - A cidade antiga Os modelos de cidade da Grécia Antiga O Mar Mediterrâneo recebeu este nome, que significa “entre as terras”, exatamente porque está localizado entre Europa, Ásia e África. Por isso, alguns autores, irão relacionar o Mar Mediterrâneo como o berço da civilização ocidental. A Grécia Antiga era formada por um conjunto de cidades que tinham autonomia política, mas que desfrutavam de uma cultura comum: Atenas, Esparta, Tebas, Corinto, Rodes, entre outras. Seria impreciso delimitar o início de sua formação, mas poderíamos afirmar que esse sistema vigora nos mil anos anteriores ao domínio do Império Romano. Por sua autonomia política e militar, cada cidade da Grécia Antiga era considerada uma cidade-Estado. Para este modelo de organização deu-se o nome de polis. Repare que esta é a mesma palavra de origem grega que dará origem ao termo política. Nesse sentido, a cidade é o espaço da cidadania e também da política. Três áreas distintas na cidade grega: Os espaços e edifícios públicos tinham muito mais relevância, porque a vida de Atenas acontecia a céu aberto. As casas variam menos na estrutura do que no tamanho. Havia pouca ou nenhuma distinção entre bairros mais ricos ou pobres. Enquanto a vida privada tinha pouco interesse, a cidade promovia a reunião dos seus cidadãos. O helenismo é o período da história e da cultura grega que vai aproximadamente de 323 a.C. até a conquista da Grécia pelos romanos. É uma época marcada pela difusão da cultura grega por vastas regiões da Europa, Ásia e norte da África. À medida que o mundohelênico foi se expandindo, a cidade grega evoluiu para um modelo mais regular, sem perder, no entanto, as suas quatro características principais. 1. Ágora (a praça pública): Era o centro da vida política, econômica e social. Era o “coração” da cidade. 2. Acrópole: Parte alta e fortificada da cidade, geralmente onde ficavam os templos e santuários religiosos. Tinha função defensiva e simbólica. 3. Astu: Era a área residencial da cidade. Onde as pessoas viviam e havia atividades cotidianas. 4. Khôra (ou Chôra) A zona rural ao redor da cidade. Ex: Mileto - Em Mileto, os quarteirões eram regulares e uniformes, com dimensões de cerca de 30m x 50m. A cidade era composta por mais de uma área religiosa, mais de uma área civil e comercial, além de ter três áreas residenciais. Não havia área sagrada tão destacada como a Acrópole. O modelo de cidade do Império Romano A partir da consolidação do Império Romano, o Mar Mediterrâneo passa a ser chamado, em latim, de Mare Nostrum, ou seja, Nosso Mar. Os romanos herdaram a cultura helênica e a transformam em um sistema cultural de dominação, além de lhe terem acrescido diferentes elementos. A expansão do Império Romano contou com o desenvolvimento de técnicas construtivas muito sofisticadas aplicadas a estradas, pontes, aquedutos e fortificações. É precisamente do termo urbe (cidade em latim) que teremos a expressão urbanismo, o estudo das cidades. A cidade romana poderia ser dividida em três áreas: cívica, pública e privada. O fórum era a grande área pública, o fórum reunia, em seu entorno, o principal centro comercial e as construções públicas mais relevantes. Nas áreas privadas, as construções encontradas eram de dois tipos: Domus: Uma única família. Insulae: Diversas famílias. Espaços na cidade e o legado das civilizações antigas para as nações atuais Alguns equipamentos das cidades antigas ganharam novas tipologias no mundo atual, como os teatros, os circos, os estádios e arenas, além dos banhos públicos conhecidos como termas. Outras construções mudaram de uso ou foram mantidas como polos de interesse por seu valor histórico, como os aquedutos. Aula 4 - A formação de uma ideia de cidade tradicional CIDADES MEDIEVAIS A Idade Média é conhecida como o período intermediário entre a Antiguidade e a Idade Moderna. A decadência do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras propiciaram um processo de retração do fenômeno urbano. No campo, a população se dispersa em propriedades rurais denominadas feudos. O sistema socioeconômico derivado desta estrutura chamava-se feudalismo. No feudalismo, o proprietário da terra ou senhor feudal oferecia abrigo e proteção militar aos produtores da terra, nesta relação chamados vassalos, em troca da produção. Formaram-se, então, aldeias rurais em colinas (muradas) e confluência de rios. Em contrapartida, houve o desenvolvimento de burgos, cidades-estado e cidades novas. Estas cidades reuniam artesãos, mercadores e corporações (burgueses); o clero e parte da nobreza. Elas gozavam de autonomia administrativa e cobravam taxas para obras públicas. A cidade medieval tinha três características principais: 1. Continuidade dos percursos principais ao longo de toda a cidade. 2. Complexidade da trama viária secundária e das formas edificadas. 3. Concentração da população e edificações, em geral, intramuros. A ocupação acompanhava a topografia. A cidade era formada por uma rede irregular de vias principais e vias secundárias. As vias principais configuravam um circuito de praças e largos onde estavam localizadas as áreas cívicas, onde estavam as sedes do governo civil e das corporações, e as áreas sagradas com grandes catedrais ou templos das ordens religiosas. O conjunto das habitações formava um todo denso e complexo, que emoldurava as vias, as praças e os largos, além de servir de contraponto aos palácios e demais edificações de destaque. Três características básicas da cidade medieval – continuidade, complexidade e concentração. O centro da cidade é o local mais procurado: as classes mais abastadas moram no centro, os mais pobres na periferia; no centro se constroem algumas estruturas muito altas que assinalam o ponto culminante do perfil da cidade e unificam o seu cenário. A transformação da cidade medieval no Renascimento e no Barroco Durante o Renascimento, houve um renascimento da vida urbana na Europa, impulsionado pelas grandes navegações e pelo comércio. A arquitetura passou a ser vista como uma combinação de arte, ciência e técnica, valorizando a razão, a proporção e a perspectiva. Diferente da arquitetura medieval, agora as obras tinham autores reconhecidos. No urbanismo, buscou-se transformar o espaço medieval denso com a criação de ruas retilíneas, eixos visuais e edificações regulares, reforçando a relação entre edifício, cidade e observador. No período Barroco, a arquitetura e o urbanismo intensificaram a monumentalidade e a teatralidade dos espaços urbanos. Houve uma busca por controle visual e espacial, com perspectivas simétricas e percursos planejados para o observador. Tanto o Renascimento quanto o Barroco tentaram organizar o caótico tecido medieval. Em cidades como Florença, nota-se a transição: o Renascimento começou a abrir espaços na cidade medieval, enquanto o Barroco levou essas intervenções ao extremo, com projetos grandiosos que muitas vezes ignoravam o contexto original. Diferentes modelos e ideais de cidade O urbanismo reflete o pensamento de uma sociedade em seu tempo, tanto em cidades reais quanto nas idealizadas. Um modelo é algo a ser seguido; o ideal, algo perfeito, mas difícil de alcançar. Assim, cada época e lugar gera modelos e ideais urbanos distintos, influenciados por suas ideias e valores. A Cidade Ideal renascentista, com sua ordem, simetria e perspectiva, representava perfeição para a época, mas poderia parecer excessivamente rígida para moradores de cidades como a Siena medieval ou a Roma barroca. O urbanismo é, ao mesmo tempo, um vasto campo de conhecimento e uma prática em constante evolução. Aula 5 - Origem do urbanismo no século XIX Os precursores da cidade moderna A Cidade Linear, idealizada por Arturo Soria y Mata no final do século XIX (1882), propunha um modelo urbano em linha reta, com desenvolvimento contínuo ao longo de uma via principal de transporte (como uma ferrovia ou bonde). Essa cidade se estenderia de forma indefinida, integrando áreas urbanas e rurais, com habitação, serviços e indústrias distribuídos de maneira equilibrada ao longo dessa linha. A proposta buscava evitar a concentração excessiva de pessoas nos centros urbanos tradicionais, promovendo uma cidade mais racional, funcional e conectada. Na teoria, a proposta visava: à diminuição da mortalidade; à eficácia da locomoção; à regularização da propriedade territorial; ao barateamento das mercadorias e serviços; ao embelezamento da vida urbana. Estes itens refletiam os grandes temas abordados pelos urbanistas deste período: saúde, mobilidade e distribuição social da propriedade, além do embelezamento das cidades. A Cidade Moderna e o Urbanismo no Século XIX Contexto Geral A cidade moderna surgiu a partir das transformações urbanas provocadas pela Revolução Industrial no século XVIII. O crescimento das cidades industriais gerou problemas de salubridade, mobilidade e desorganização urbana, exigindo novos modelos de planejamento. O urbanismo passou a ser visto como um campo teórico e prático, produzindo propostas para organizar racionalmente os espaços urbanos. Principais Propostas Urbanísticas do Século XIX 1. Cidade Linear – Arturo Soria y Mata (Espanha, 1882) Modelo de cidade em linha reta, com uma via central larga e ferroviária no meio. Distribuição social planejada: ricos perto da via principal, camadas mais pobres nas áreas periféricas. Objetivos: melhorar a saúde pública, a mobilidade, organizar a propriedade e embelezar a cidade. Propunha a horizontalidade (casas baixas) e rejeitava a verticalização. A primeira tentativa prática foi em Madri, formando o bairro Ciudad Lineal.2. Cidade Jardim – Ebenezer Howard (Inglaterra, 1898) Ideal de cidade que unisse o melhor da vida no campo e na cidade. Baseada em gestão comunitária da terra e autossuficiência (moradia, emprego, lazer e serviços). Cidade compacta, cercada por um cinturão verde para conter sua expansão. Exemplos práticos: Letchworth e Welwyn, influenciando cidades em Paris, Nova York e São Paulo (Jardim América, Cidade Jardim). 3. Cidade Industrial – Tony Garnier (França, 1917) Cidade nova, planejada desde o início, com setores separados: indústria, habitação e hospitais. População de 35 mil habitantes, vias hierarquizadas e lotes com baixa densidade. Priorizava iluminação, ventilação, integração com a natureza e gestão pública dos serviços. Inspirou futuras cidades funcionais, mesmo sendo uma "fantasia sem realidade", como o próprio autor admitia. Casos Reais de Transformação Urbana Paris – Reforma de Haussmann (1853–1870) Transformação radical da cidade medieval em um sistema urbano integrado. Abertura de largas avenidas, controle do fluxo urbano e combate às revoltas populares. Introduziu a cidade como obra de arte e símbolo de modernidade. Barcelona – Plano Cerdá (1859) Expansão urbana baseada em uma malha ortogonal (quadrícula) com vias largas, arborizadas e ventiladas. Quarteirões padronizados com esquinas em chanfro, permitindo mais luz, ar e espaços públicos. Mistura de visão científica, social e futurista. Buscava a proximidade entre classes sociais e o equilíbrio entre cidade e natureza. É considerado um marco fundador do urbanismo moderno. Essas propostas e intervenções marcaram o início do urbanismo moderno, com ideias que buscavam responder aos problemas da cidade industrial por meio do planejamento racional, da higiene urbana, da organização social e da estética. Elas influenciaram diretamente os projetos urbanos do século XX e ainda repercutem nas cidades contemporâneas. Aula 6 - A cidade moderna O pensamento urbanístico moderno de Le Corbusier e suas consequências para o urbanismo do século XX. 1. O que é "moderno"? O termo "moderno" é ambíguo: pode significar "atual" ou representar uma ruptura com o passado. Ao longo da história, diferentes períodos e estilos foram chamados de modernos, como a cidade barroca em oposição à medieval. No século XX, “cidade moderna” passou a significar um modelo urbano racional, funcional e planejado. 2. Le Corbusier e o Urbanismo Moderno Le Corbusier (1887–1965), arquiteto e urbanista franco-suíço, foi uma figura central do urbanismo moderno. Propôs, em 1922, a Ville Contemporaine (Cidade Contemporânea para 3 milhões de habitantes), criticando Paris como “uma cidade doente”. Seu ideal era uma cidade anticapitalista, igualitária e sem classes sociais, inspirada na ideia de um “homem novo”. Princípios fundamentais do urbanismo moderno segundo Le Corbusier: -Descongestionar o centro das cidades -Alargar vias de circulação -Aumentar a densidade -Ampliar áreas verdes A cidade moderna era funcional, organizada por zonas (moradia, trabalho, lazer, circulação), e priorizava o automóvel. Seu único projeto urbano realmente construído foi Chandigarh, na Índia (1952), baseado em setores autossuficientes e planejados. 3. CIAM – Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna Realizados entre 1928 e 1956, os CIAM reuniram arquitetos e urbanistas do mundo todo. Estabeleceram os fundamentos do urbanismo moderno, com base em 4 funções urbanas essenciais: Habitar, trabalhar, recrear-se e circular O CIAM IV (1933) gerou a Carta de Atenas, documento chave do urbanismo moderno, com propostas como: -Proibição de estilos históricos -Ruas devem garantir sol, ventilação e silêncio -Priorizar o coletivo sobre o interesse privado 4. Legado do Urbanismo Moderno Influenciou o planejamento de cidades no mundo inteiro, como: Brasília (superquadras) Conjuntos habitacionais no Brasil e no exterior O último CIAM (1956) marcou o início das críticas ao urbanismo excessivamente funcionalista, abrindo caminho para novas abordagens, como a do Team X. Aula 7 - A ocupação do território brasileiro 1. A memória histórica brasileira é seletiva e muitas vezes apaga as contribuições dos povos indígenas e afro-brasileiros na formação urbana do país. Em contrapartida, há maior atenção à herança europeia, especialmente nas chamadas "cidades históricas". 2. Contribuição dos Povos Indígenas e Afro-brasileiros Indígenas: Viviam em tabas, organizadas em ocas compartilhadas por várias famílias. Não tinham estruturas político-administrativas. Sua lógica de ocupação era nômade, respeitando o ciclo da natureza. Nomes de cidades e regiões derivam da língua tupi-guarani. A herança indígena influenciou a organização de vilas no litoral (ex: estudo de Gianesella). Negros: Excluídos espacialmente pelo sistema escravocrata. Ocupavam espaços como cantos (pontos de trabalho e prestação de serviços urbanos) e lojas (habitações em porões e subsolos). Exemplo: Salvador, com forte presença e influência negra em sua configuração urbana. Quilombos e pelourinhos são marcos de resistência e repressão, respectivamente. 3. Formação das Cidades Brasileiras Colonial: Início com São Vicente (1532), sob comando de Martim Afonso de Souza. Cidades litorâneas escolhidas por motivos estratégicos: defesa, acesso à água e escoamento da produção. Organização: igrejas e centros administrativos nos pontos mais altos, casas e comércio nas áreas baixas. Exemplos: Vitória-ES: fundada na ilha, próxima à antiga povoação de Vila Velha. Rio de Janeiro: transferida do litoral para o Morro do Castelo. São Paulo: fundação jesuítica no Pátio do Colégio. Salvador: planejada em malha ortogonal adaptada ao relevo. Interiores e Ciclos Econômicos: Cidades surgiram com a pecuária, mineração e agricultura. Ex: urbanismo amazônico era mais geométrico; cidades mineradoras seguiam o curso dos rios. 4. Cidades Planejadas no Brasil Com o tempo, o Brasil passou a criar cidades planejadas para acompanhar o crescimento e modernização. Exemplos: Belo Horizonte (1897): planejada por Aarão Reis inspirada em Paris e Washington. Goiânia (1933): influências de Agache e Ebenezer Howard (cidade-jardim). Brasília (1956-60): símbolo da modernidade; construída no centro do país para promover integração nacional. Objetivo das cidades planejadas: Refletir uma nova era de progresso e civilização. Modernizar o espaço urbano e fortalecer a presença do Estado no território. Três construções características das antigas cidades brasileiras: Igreja, praça-adro e pelourinho. A ocupação do território brasileiro revela a interação entre tradição, influência estrangeira e iniciativas de modernização. Apesar da exclusão histórica, indígenas e negros deixaram marcas profundas na configuração urbana do país. A evolução das cidades brasileiras acompanha os ciclos econômicos e políticos, culminando nas grandes capitais planejadas como parte de uma estratégia de ocupação e desenvolvimento nacional. Aula 8 - Cidade ideal e cidade real: de Brasília ao estatuto da metrópole 1. Construção de Brasília: símbolo de modernização e integração nacional Planejada como nova capital no centro geográfico do país, Brasília foi pensada para representar um novo começo para o Brasil moderno e industrial. Ideal de cidade moderna inspirado nos princípios do urbanismo de Le Corbusier e da Carta de Atenas. Plano Piloto de Lúcio Costa: venceu o concurso em 1957; a cidade foi inaugurada em 1960. Quatro funções urbanas: habitar, trabalhar, circular e recrear-se. Setorização funcional: habitação no eixo norte-sul (superquadras), governo no Eixo Monumental (leste-oeste). Superquadras: inovação urbanística; blocos multifamiliares com comércio, escolas e áreas verdes. Rodoviarismo: projeto priorizou circulação motorizada. 2. Influência de Brasília em outros projetos Inspirou outras cidades planejadas como Palmas (1989). Barra da Tijuca (RJ): novo plano de Lúcio Costa, com mais flexibilidade e foco em inovação, sem rigidez formal. 3. Dicotomia cidade formal vs. cidade informal Crescimentourbano acelerado e desigual aumentou a separação entre: Cidade formal: planejada, com infraestrutura adequada. Cidade informal: favelas, loteamentos irregulares e cortiços, que crescem mais rápido que a cidade planejada. Exemplo: São Paulo passou de 1% de favelas em 1970 para 20% em 2000. 4. Legislação urbanística e tentativa de equidade Constituição de 1988: marco para nova legislação urbana. Estatuto da Cidade (2001): Instrumentos importantes: Plano Diretor Orçamento participativo ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) Outorga onerosa do direito de construir IPTU progressivo Direito de superfície Operações urbanas consorciadas Assistência técnica Conferências nacionais das cidades: participação social na gestão urbana. Criação do Ministério das Cidades (2003): fortalece a política urbana nacional. Estatuto da Metrópole (2015): Reconhecimento de cidades além dos limites municipais. Exige governança interfederativa e planejamento metropolitano integrado. 5. Profissionais para a nova cidade Cresce o interesse em formar urbanistas voltados à moradia popular e inclusão das periferias. Novos desafios urbanos exigem ir além da habitação social, envolvendo aspectos ambientais, políticos e socioeconômicos. A gestão orçamentária participativa define que os recursos do poder público municipal “devem ser objeto de controle social, garantida a participação de comunidades, movimentos e entidades da sociedade civil” (Parágrafo 3º do art. 4º). As zonas especiais de interesse social (ZEIS) criam um regime jurídico especial para a urbanização e a regularização dos assentamentos informais, além de reservar parte do território urbano para a construção de habitação de interesse social (HIS). A outorga onerosa do direito de construir permite que o proprietário adquira o direito de construir (outorga) acima das normas previstas “mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário” (ônus) com vistas ao bem comum, tais como a implantação de equipamentos urbanos ou a criação de espaços de lazer. Aula 9 - O pensamento do urbanismo contemporâneo Introdução Os modelos urbanísticos dos séculos XIX e XX buscavam criar cidades inteiramente novas, mas acabaram gerando segregação e fragmentação social. Críticas ao zoneamento rígido e à cidade funcional levaram ao surgimento do urbanismo pós-moderno, que valoriza diversidade e uso misto. A globalização e as tecnologias da informação criaram novos modelos urbanos, como a cidade global, cidade genérica e urbanização dispersa. Autores e Pensamento Pós-Moderno O urbanismo pós-moderno critica o modernismo (ex: Brasília, Chandigarh, Pruitt-Igoe) e suas falhas sociais. Influente autor: Christopher Alexander defende um ciclo contínuo de teoria, projeto, obra e reflexão crítica. Diversidade social, funcional e tipológica é central; uso misto substitui o zoneamento tradicional. Agenda do Urbanismo Pós-Moderno (pontos-chave para prova): -Valorização do local e do multiculturalismo em vez de um modelo universal. -Substituição do foco na tecnologia pelo estudo dos fenômenos sociais. -O pedestre e a escala humana ganham destaque sobre o automóvel. -Requalificação de bairros existentes > construção de cidades novas. Contextualização histórica > inovação pura. Valorização da construção coletiva do espaço. Ênfase na cidade real, não na ideal. Genius loci (espírito do lugar) > Zeitgeist (espírito do tempo). Jane Jacobs – Legado e Ideias-Chave Livro: Morte e vida das grandes cidades (1961). Crítica ao simplismo do urbanismo moderno. Propõe uma abordagem da cidade como problema de complexidade organizada. Defende a observação da vida cotidiana como base para o planejamento. 4 princípios fundamentais: -Uso misto de funções urbanas. -Pequenos quarteirões para estimular a interação. -Presença de edifícios antigos para diversidade de usos e classes sociais. Alta densidade populacional para vitalidade urbana. Enfrentou Robert Moses em NY, impedindo a construção de vias expressas que fragmentaram bairros como o Soho. New Urbanism (Novo Urbanismo Norte-Americano) Inspirado por Jane Jacobs. Urbanismo voltado à escala humana, com ênfase em centros históricos, uso misto e caminhabilidade. Autores: Peter Calthorpe, Andrés Duany, Elizabeth Plater-Zyberk, entre outros. Influência visível em projetos como Celebration (Flórida). Modelos de Cidade Contemporânea 1. Urbanização Dispersa (Urban Sprawl) Expansão horizontal, comum nos EUA pós-Segunda Guerra. Formada por: auto estradas + loteamentos + shopping centers. Promoveu uso intensivo do automóvel e baixa densidade. Críticas: falta de conectividade, segregação, dependência do carro. 2. Cidade Global Conceito de Saskia Sassen. Cidades com papel central no mercado financeiro global (ex: Nova York, Londres, Tóquio). Alta conectividade internacional e forte polarização social. 3. Cidade Genérica Conceito de Rem Koolhaas. Cidades sem identidade própria, marcadas pela homogeneização da paisagem urbana (aeroportos, shopping centers, arranha-céus). Perda de referências históricas e culturais. 4. Cidade Transnacional Resultado da migração e do multiculturalismo. Espaços urbanos com múltiplas identidades culturais. Tendência observada em metrópoles como Paris, Toronto, São Paulo. Principais Conceitos Associados Cidade colagem (fragmentada e múltipla). Historicismo e regionalismo crítico: valorização do contexto local e da história. Cidade como texto: espaço urbano passível de múltiplas interpretações. Aula 10 - A nova ética da cidade sustentável 1. Urbanização e megacidades em países em desenvolvimento Urbanização deixou de ser fenômeno exclusivo de países desenvolvidos. Em 1950, 60% da população urbana estava em países desenvolvidos; hoje, 75% está nos países em desenvolvimento. Tendências: EUA ainda crescem entre países ricos. América do Sul: continente mais urbano (80% da pop. em cidades). África: urbanização rápida, mas ainda baixa (40%). Ásia: cidades que mais crescem. 2. Informalidade urbana e crise ambiental Problemas nas cidades dos países em desenvolvimento: Baixa renda populacional + pouca capacidade de investimento dos governos. Alejandro Aravena (Pritzker 2016): Divide o problema em três ameaças: pobreza urbana, velocidade do crescimento e carência de infraestrutura. Necessidade de construir uma cidade de 1 milhão de habitantes por semana por 15 anos. Mike Davis, “Planeta Favela” (2006): Desde 1970, crescimento das favelas supera a urbanização formal. Em Lima (Peru), 70% de ocupação é informal; situação similar em África e Ásia. 3. Sustentabilidade como novo paradigma Conferência de Estocolmo (1972): início do debate ambiental. Relatório Brundtland (1987): definição de desenvolvimento sustentável. Arquitetura é impactada por: Ocupação de áreas verdes; Alto consumo de energia e recursos; Produção de lixo e entulho; Necessidade de incorporar energias renováveis e avaliar ciclo de vida dos materiais. Cidades geram: Ilhas de calor urbanas; 70% dos gases do efeito estufa (segundo Banco Mundial). Banco Mundial (2013): propõe o Programa de Cidades Habitáveis de Baixo Carbono para grandes centros urbanos. 4. A cidade compacta como modelo sustentável Urbanismo pós-moderno encontra convergência com a sustentabilidade: Revitalização de áreas centrais; Uso misto; Transporte coletivo; Caminhabilidade e ciclovias; Redução de combustíveis fósseis. Nova York é exemplo de cidade compacta sustentável, antes criticada por Le Corbusier. 5. Exemplos de urbanismo sustentável Masdar City (Emirados Árabes): Projeto de Norman Foster, iniciado em 2006. Meta: cidade de 50 mil hab., sem carros, com tecnologia limpa. Resultado parcial: Apenas 5% concluído. Chamada de "primeira cidade verde fantasma" (The Guardian). Bairro Vauban (Freiburg, Alemanha): Criado nos anos 1990 em antigo quartel. Princípios: poucas ruas para carros; VLT; Telhados verdes, painéis solares, aproveitamento de água; Casas com consumo energético 10% de uma convencional. Metas de redução de 80% das emissões de CO₂ até 2050. Bairro Pedra Branca (Florianópolis,Verbos haver e fazer no sentido de tempo são impessoais (ficam no singular). Ex.: Há muitos problemas. / Faz dois dias. Verbo ser concorda com o numeral: Hoje são 20 de fevereiro. Palavras como anexo, mesmo, obrigado, meio variam conforme o gênero e número. “É proibido”, “É necessário” só concordam se vierem com artigo definido. Ex.: É proibida a entrada. Erros comuns na concordância: “Os arquivos seguem anexo” → errado. O certo: Seguem anexos “As passageiras ficaram meia perdidas” → errado. O certo: meio perdidas “10% reprova o governo” → depende do referente. Com plural → reprovam “Aluga-se casas” → erro de concordância com partícula “se”. O certo: Alugam-se casas “Os Lusíadas representa…” → erro. Sujeito no plural → representam 6. Regência Verbal Aula 6 - A Língua no Ambiente Profissional 1. Linguagem e Comunicação Profissional Importância da linguagem adequada no ambiente organizacional: reforça a credibilidade e facilita a compreensão. Objetivo da comunicação profissional: fazer com que a mensagem seja entendida e provoque a resposta esperada. 2. Características essenciais de um bom texto profissional Concisão: Transmitir o máximo de informação com o mínimo de palavras. Evitar linguagem rebuscada, clichês e redundâncias. Técnicas para tornar o texto conciso: Redução de “quês” Substituições por adjetivos/substantivos/verbo no infinitivo Uso da voz ativa Evitar locuções desnecessárias Objetividade: Centralizar a informação importante Eliminar excessos e distrações Conduzir diretamente ao assunto tratado Clareza e Precisão: Uso de frases na ordem direta (sujeito + verbo + complemento) Evitar ambiguidade e vocabulário técnico em excesso Empregar termos com significado claro e específico Linguagem Formal: Seguir a norma culta, mas com simplicidade Evitar informalidade, gírias, expressões antiquadas e termos rebuscados Distinguir entre uso de “Atenciosamente” (igual ou inferior hierarquicamente) e “Respeitosamente” (autoridade superior) 3. Vícios de Linguagem (comprometem a clareza e profissionalismo) Barbarismo: erros de pronúncia ou grafia (ex: “peneu” ao invés de “pneu”) Pleonasmo: redundância desnecessária (ex: “subir para cima”, “há anos atrás”) Cacofonia: som desagradável ou constrangedor por união de palavras (ex: “boca dela” = “bocadela”) Gerundismo: Uso inadequado do gerúndio, sem valor de ação contínua (ex: “vou estar encaminhando o e-mail”) Deve ser evitado, pois empobrece e enrola a mensagem Ambiguidade: Quando o texto permite mais de uma interpretação Deve-se evitar frases mal estruturadas, palavras com duplo sentido e ordem indireta Clichês: Expressões desgastadas que empobrecem a comunicação (ex: “sem mais para o momento, despeço-me”) Dica final para a prova: Preste atenção a exemplos de textos mal escritos, identificação de vícios de linguagem, e reescrita de trechos de forma mais objetiva, concisa e formal. image5.png image3.png image2.png image1.png image6.png image4.pngVerbos haver e fazer no sentido de tempo são impessoais (ficam no singular). Ex.: Há muitos problemas. / Faz dois dias. Verbo ser concorda com o numeral: Hoje são 20 de fevereiro. Palavras como anexo, mesmo, obrigado, meio variam conforme o gênero e número. “É proibido”, “É necessário” só concordam se vierem com artigo definido. Ex.: É proibida a entrada. Erros comuns na concordância: “Os arquivos seguem anexo” → errado. O certo: Seguem anexos “As passageiras ficaram meia perdidas” → errado. O certo: meio perdidas “10% reprova o governo” → depende do referente. Com plural → reprovam “Aluga-se casas” → erro de concordância com partícula “se”. O certo: Alugam-se casas “Os Lusíadas representa…” → erro. Sujeito no plural → representam 6. Regência Verbal Aula 6 - A Língua no Ambiente Profissional 1. Linguagem e Comunicação Profissional Importância da linguagem adequada no ambiente organizacional: reforça a credibilidade e facilita a compreensão. Objetivo da comunicação profissional: fazer com que a mensagem seja entendida e provoque a resposta esperada. 2. Características essenciais de um bom texto profissional Concisão: Transmitir o máximo de informação com o mínimo de palavras. Evitar linguagem rebuscada, clichês e redundâncias. Técnicas para tornar o texto conciso: Redução de “quês” Substituições por adjetivos/substantivos/verbo no infinitivo Uso da voz ativa Evitar locuções desnecessárias Objetividade: Centralizar a informação importante Eliminar excessos e distrações Conduzir diretamente ao assunto tratado Clareza e Precisão: Uso de frases na ordem direta (sujeito + verbo + complemento) Evitar ambiguidade e vocabulário técnico em excesso Empregar termos com significado claro e específico Linguagem Formal: Seguir a norma culta, mas com simplicidade Evitar informalidade, gírias, expressões antiquadas e termos rebuscados Distinguir entre uso de “Atenciosamente” (igual ou inferior hierarquicamente) e “Respeitosamente” (autoridade superior) 3. Vícios de Linguagem (comprometem a clareza e profissionalismo) Barbarismo: erros de pronúncia ou grafia (ex: “peneu” ao invés de “pneu”) Pleonasmo: redundância desnecessária (ex: “subir para cima”, “há anos atrás”) Cacofonia: som desagradável ou constrangedor por união de palavras (ex: “boca dela” = “bocadela”) Gerundismo: Uso inadequado do gerúndio, sem valor de ação contínua (ex: “vou estar encaminhando o e-mail”) Deve ser evitado, pois empobrece e enrola a mensagem Ambiguidade: Quando o texto permite mais de uma interpretação Deve-se evitar frases mal estruturadas, palavras com duplo sentido e ordem indireta Clichês: Expressões desgastadas que empobrecem a comunicação (ex: “sem mais para o momento, despeço-me”) Dica final para a prova: Preste atenção a exemplos de textos mal escritos, identificação de vícios de linguagem, e reescrita de trechos de forma mais objetiva, concisa e formal. image5.png image3.png image2.png image1.png image6.png image4.png