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NUTRIÇÃO ESPORTIVA AULA 3 Profª Gisele Farias 2 CONVERSA INICIAL A avaliação do estado nutricional é uma ferramenta imprescindível para o nutricionista, pois além de identificar riscos nutricionais, reflete o estado geral de saúde do indivíduo, uma vez que o estado nutricional resulta do equilíbrio entre a ingestão e utilização de nutrientes. Esta avaliação inclui obtenção de dados antropométricos, bioquímicos, clínicos, dietéticos e de estilo de vida. Por isso, para facilitar a nossa memorização, podemos apelidar cada etapa de A, B, C, D e E, respectivamente. Considerando que não é necessariamente nessa ordem que as informações são obtidas durante a avaliação nutricional e considerando tornar o conteúdo da disciplina mais prático, os itens estão sendo apresentados na ordem em que a avaliação acontece durante um atendimento nutricional. Desse modo, estudamos na aula anterior a avaliação clínica. Nesta aula, serão abordados os seguintes tópicos: • avaliação do consumo alimentar; • avaliação bioquímica. Além disso, a partir de agora, reservaremos os últimos tópicos para aplicar os conhecimentos teóricos em um estudo de caso. TEMA 1 – AVALIAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR A avaliação do consumo alimentar é uma ferramenta imprescindível para o nutricionista, uma vez que além de ser complementar aos outros pontos da avaliação nutricional, é determinante para uma prescrição dietoterápica mais assertiva e individualizada. É importante que ao escolher o método mais aplicável ao seu público, o nutricionista considere as vantagens e desvantagens de cada um, bem como o tipo de análise que deseja obter naquele momento, podendo ser quantitativa, qualitativa ou ambas. Vale destacar que é nesta etapa da consulta do nutricionista, por vezes negligenciada, que se extraem valiosas informações, não só sobre a ingestão de macronutrientes e de micronutrientes, mas também sobre os hábitos culturais do indivíduo. Além disso, quando aplicada por vários dias, podem estimar com 3 maior precisão a ingestão calórica, de macronutrientes e de micronutrientes usual do avaliado. No quadro a seguir, estão listados os instrumentos para avaliação do consumo alimentar utilizados na prática clínica, destacando as vantagens e limitações de cada tipo de inquérito dietético. Quadro 1 – Vantagens e desvantagens dos inquéritos dietéticos Inquérito Dietético Vantagens Desvantagens Recordatório 24 horas - Baixo custo, fácil e rápida aplicação; - Quando realizado em vários dias, fornece estimativa da ingestão usual do indivíduo; - Pode ser aplicado em diferentes faixas etárias e em analfabetos; - Pode ser utilizado para estimar a ingestão energética e de macronutrientes; - Não altera o padrão de ingestão do indivíduo; - Descreve hábitos culturais; - Útil ao avaliar tempo de ingestão de alimentos ou suplementos em relação ao exercício, desconforto gastrointestinal ou alergia alimentar. - Depende da memória do entrevistado; - Requer treinamento do investigador para evitar indução; - A ingestão prévia nas últimas 24 horas pode ter sido atípica; - Não diferencia a ingestão nos dias da semana da ingestão do fim de semana; - Dificuldade em estimar o tamanho das porções; - Bebidas e lanches tendem a ser omitidos; - Em alguns momentos, é necessário questionar sobre a forma de preparo. Registro alimentar - Não depende da memória; - Proporciona maior acurácia e precisão quantitativa dos alimentos - Identifica tipos de alimentos, preparações e intervalos entre as refeições. - Pode interferir no padrão alimentar; - Requer tempo; - Exige que o indivíduo saiba ler e escrever; - Dificuldade para estimar as quantidades ingeridas. História alimentar - Leva em consideração as variações sazonais; - Fornece uma completa e detalhada descrição quantitativa e qualitativa na ingestão alimentar; - Elimina variações do dia a dia; - Fornece uma boa descrição da ingestão usual; - Informa o hábito alimentar. - Requer um nutricionista altamente treinado; - Depende da memória do entrevistado; - Tempo de administração longo; - Dificuldade de padronização a informação na abordagem coletiva. Questionário de Frequência Alimentar - Baixo custo; - Simples administração, não requerendo tanta especialização do entrevistador; - Não altera o padrão de consumo; - Estima a ingestão habitual; - Pode descrever padrões de ingestão alimentar; - Gera resultados padronizados; - Quantificação pouco exata; - Dificuldade da análise sem uso de computadores e programas especiais; - Necessidade em elaborar questionários direcionados; 4 - Utilidade nas pesquisas epidemiológicas; - Pode ser utilizado para associar nutrientes específicos às patologias e necessidades fisiológicas; - Pode ser autoaplicável; - Útil ao avaliar o estado dos nutrientes com um número limitado fontes dietéticas ricas, como antioxidantes, vitamina D, cálcio e iodo. - As listas pequenas ( 150 itens) podem ser cansativas; - Depende da memória do entrevistado e, caso seja autoaplicado, dependerá do grau de escolaridade; - Não contempla informações importantes como o momento/circunstância da ingestão de alimentos e/ou bem como suas combinações nas refeições. TEMA 2 – AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA – PARTE 1 De forma complementar ao exame físico e à avaliação do consumo alimentar, a avaliação bioquímica serve como parâmetro para a prescrição dietética. Essa avaliação consiste na interpretação de exames laboratoriais úteis na detecção de carências e/ou excessos nutricionais, informações sobre o estado nutricional do atleta, capacidade de transporte de oxigênio, ganho ou perda de massa muscular, diagnóstico de alterações metabólicas e fisiológicas de forma precoce, antes que ocorram lesões celulares e/ou orgânicas e de patologias relacionadas à modalidade esportiva (anemia e infecções respiratórias), além de ser uma ferramenta importante para monitorar a adequação da estratégia nutricional. De acordo com o inciso VIII do art. 4º da Lei n. 8.234/1991 e do art. 1º da Resolução do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) n. 306/2003, o nutricionista pode solicitar exames laboratoriais cujos métodos ou técnicas tenham respaldo científico e que possuam relação com alimentação e nutrição, necessários à avaliação, à prescrição, ao diagnóstico nutricional e à evolução nutricional do paciente. Sendo assim, é importante que o nutricionista estude todo o mecanismo fisiológico envolvido no marcador que esteja avaliando, desde a participação dos nutrientes nas funções celulares, uma vez que a interpretação dos exames laboratoriais não necessariamente leva em consideração os valores de referência, já que estes não são baseados no estado nutricional, mas sim em doenças ou nos pontos de corte de risco para desenvolvimento de determinadas patologias. 5 No contexto do esporte e atividade física, é importante considerar a avaliação de todos os sistemas envolvidos para a prática de exercício físico. Dessa forma, uma análise completa de um atleta inclui o hemograma; os biomarcadores da função hepática, do processo inflamatório, do estado funcional do músculo e do estresse oxidativo; o perfil glicêmico; o perfil lipídico; os hormônios e os micronutrientes, os quais serão abordados a seguir. 2.1 Hemograma O hemograma é um exame bioquímico que traz informações sobre quantidade e qualidade das células sanguíneas. É dividido em série vermelha, série branca e plaquetograma. Na série vermelha, as informações quantitativas são obtidas pelos seguintes parâmetros: número de eritrócitos, hemoglobina e hematócrito,e as qualitativas pelos marcadores: Volume Corpuscular Médio (VCM), Hemoglobina Corpuscular Média (HCM), Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) e Distribuição do tamanho dos eritrócitos (RDW). A hemoglobina é o principal componente proteico dos eritrócitos e é responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos. A expansão do volume plasmático induzida pelo exercício principalmente em atletas que praticam modalidades de alto volume com predominância do metabolismo aeróbio (endurance) faz com que os valores de eritrócitos, hemoglobina e hematócrito sejam menores quando comparados a atletas de outras modalidades ou indivíduos sedentários. A série branca analisa as células de defesa do organismo contra infecções e agressões externas dos sistemas imunes inato (basófilos, eosinófilos, neutrófilos e monócitos) e adquirido (linfócitos), mas também adaptações musculares aos estímulos do treinamento. A determinação do número total de leucócitos circulantes é útil para identificar infecção ou inflamação, alergias e também avaliar resposta adrenérgica e fornecer informações sobre o envelhecimento celular. É importante que o exame de sangue seja coletado no mínimo 48 horas após realização do exercício físico, uma vez que, em proporção direta da intensidade e duração do exercício há aumento do cortisol e da adrenalina, e 6 consequentemente, do número de leucócitos, conhecido como leucocitose, de forma transitória. Nas semanas seguintes após provas de maratona e/ou ultramaratonas, o número total de leucócitos pode estar reduzido, caracterizando um quadro de imunossupressão, ou seja, tornando o atleta mais suscetível a infecções oportunistas. No entanto, a adaptação tecidual em resposta à prática de exercício físico de forma crônica, estimula substâncias anti-inflamatórias, protegendo o indivíduo do desenvolvimento de doenças crônicas inflamatórias, o que contribui também com a melhora da função imune. As plaquetas participam do controle da coagulação sanguínea e seus valores estão aumentados na presença de infecções, inflamação e hemorragia e reduzidos em doenças autoimunes ou em indivíduos em tratamento quimioterápico. 2.2 Biomarcadores da função hepática Em atletas, as provas de função hepática são úteis para avaliar a função fisiológica do fígado e identificar possível lesão hepática, alteração do fluxo biliar e/ou lesão de vias biliares e também podem identificar riscos por outras causas não hepáticas, como toxicidade por uso de medicamentos e suplementos. As provas de função hepática são divididas em testes que avaliam a integridade dos hepatócitos (aminotransferases: aspartato amino transferase (AST/TGO) e alanina amino transferase (ALT/TGO), a capacidade de síntese hepática (albumina sérica) e a presença de colestase (fosfatase alcalina, gama glutamil transferase (GGT) e bilirrubinas). As aminotransferases contribuem com o processo de gliconeogênese e também com a formação de energia no ciclo de Krebs uma vez que são responsáveis pela transferência de grupos alfa-amino de alanina e aspartato para alfa-cetoglutarato, formando piruvato e oxaloacetato. Para o transporte do grupo amino, é necessário a participação da coenzima piridoxal-fosfato, dependente de vitamina B6. 7 2.3 Biomarcadores do processo inflamatório, do estado funcional do músculo e do estresse oxidativo Em resposta ao processo inflamatório agudo e a fim de reparar e regenerar o tecido muscular e reestabelecer o equilíbrio sistêmico após o exercício, há produção, recrutamento e liberação de citocinas, espécies reativas de oxigênio, imunoglobulinas, proteínas de fase aguda, hormônios e leucócitos ativados na circulação. A produção de radicais livres aumenta também devido à maior utilização de oxigênio e também pelo recrutamento de células fagocitárias pelo músculo proporcionadas pelo exercício físico. O estresse mecânico e os radicais livres estimulam a produção de peróxidos lipídicos, que alteram a permeabilidade da membrana da célula do tecido muscular esquelético, e com isso enzimas e proteínas intracelulares se direcionam para a circulação sistêmica. Entretanto, em períodos de treinamento frequente e extenuante, sem o período de recuperação ideal, esse processo fisiológico pode evoluir para uma lesão subclínica do atleta. Desse modo, o monitoramento de biomarcadores envolvidos com o processo inflamatório e estresse oxidativo, bem como o conhecimento da atividade de enzimas musculares é importante para prevenção de lesões musculares, e também para adequar o volume de treino e repouso de acordo com a individualidade, garantindo assim, melhores adaptações ao treino. Ainda, são úteis para adequação do plano alimentar do indivíduo. Dentre os biomarcadores utilizados na prática clínica para identificação de resposta inflamatória, destaca-se a Proteína C Reativa (PCR). É possível analisar o estado funcional do músculo, verificando se há dano muscular ou como está o processo de adaptação muscular ao treino pela quantificação das seguintes proteínas intracelulares: creatinoquinase (CK), lactato desidrogenase (LDH), aspartato aminotransferase (AST) e mioglobina. Desse modo, os níveis desses marcadores podem estar aumentados em lesões musculares devido à sobrecarga ou podem sugerir efeitos adaptativos ao treinamento. Como essas proteínas encontram-se amplamente distribuídas nos tecidos, como, por exemplo, no músculo cardíaco, nos rins, nos eritrócitos, no 8 fígado e no músculo esquelético, os níveis elevados podem ser em consequência a lesões hepáticas, cardíacas e processos hemolíticos. Quando o processo inflamatório se instala de forma crônica, o dano gerado pelas espécies reativas de oxigênio pode atingir células próximas, favorecendo um estado inflamatório sistêmico. Assim, para avaliação do estresse oxidativo, são mensurados os antioxidantes produzidos pelas células teciduais e pelos fluidos biológicos como reação de defesa às espécies reativas de oxigênio, como ácido úrico, creatinina e ureia. TEMA 3 – AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA – PARTE 2 Continuando os estudos sobre os exames bioquímicos mais importantes para os atletas, neste tema vamos abordar sobre o perfil glicêmico, o perfil lipídico, os hormônios e os micronutrientes. 3.1 Perfil glicêmico Após a ingestão e digestão de carboidratos, a glicose absorvida no intestino delgado chega as células beta pancreáticas pelo transportador GLUT- 2, estimulando a liberação de insulina. Na sequência, a insulina se liga ao seu receptor com atividade tirosina-quinase nos tecidos-alvo, que é ativado e sofre uma reação de fosforilação. Essa reação promove uma cascata de sinalização ao GLUT-4, que permite o influxo de glicose na célula por difusão facilitada. A insulina é estimulada quando houver oferta energética, como hiperglicemia, hiperaminoacidemia (leucina, isoleucina, valina, arginina, triptofano), por hormônios gastrointestinais (secretina, gastrina, CCK, GIP) e por drogas: sulfas, estimuladores beta adrenérgicos e teofilinas. Em contrapartida, hipoglicemia, depleção de potássio, cortisol estimuladores alfa adrenérgicos, beta bloqueadores e diuréticos são inibidores de sua ação. Pensando no contexto da prática de atividade física, a contração muscular usa a glicose fornecida pelo glicogênio muscular e hepático como primeira fonte de energia. Uma observação importante é que o músculo esquelético, quando exercitado, insere transportadores GLUT-4 na membrana celular no momento da contração, mesmo na ausência da insulina. 9 Além disso, a prática de atividade física melhora a sensibilidade à insulina, favorecendo maior estoque de glicogênio muscular e remoção de lactato do músculo para o sangue e, consequentemente, os valores plasmáticos de glicose são inferiores em praticantes de atividade física e atletas quando comparadosaos sedentários. Os exames laboratoriais utilizados para avaliação do metabolismo dos carboidratos são: glicose em jejum, insulina em jejum, teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e hemoglobina glicada. 3.2 Perfil lipídico O colesterol é uma molécula lipossolúvel que compõe a membrana celular, conferindo a característica de fluidez. Além disso, é precursor de hormônios esteroides, sais biliares e vitaminas lipossolúveis. Para ser transportado pela corrente sanguínea, precisa se ligar a proteínas, formando as lipopoproteínas. As lipoproteínas são categorizadas de acordo com a densidade da proteína em lipoproteína de alta densidade (HDL), lipoproteína de baixa densidade (LDL) e lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL). A LDL é responsável pelo transporte de colesterol aos tecidos extra- hepáticos: músculo, suprarrenal e tecido adiposo. Em contrapartida, a HDL é responsável pelo transporte reverso do colesterol, ou seja, dos tecidos extra- hepáticos para o fígado. O perfil lipídico analisa o colesterol total (CT) e suas frações: LDL, HDL, VLDL e triglicerídeos. 3.3 Hormônios Os hormônios possuem como principal função atuar como mensageiros. O estímulo à resposta hormonal pode ocorrer por sinalização do hipotálamo para a hipófise e consequente atuação do hormônio na célula-alvo, e/ou por oscilações dos níveis de íons e/ou nutrientes na circulação sanguínea, e/ou por estímulo neural. 10 Os principais hormônios que compõem a avaliação bioquímica do atleta são: hormônio do crescimento (GH), hormônio tireoestimulante (TSH), insulina e hormônio paratireoidiano (PTH). 3.4 Micronutrientes A avaliação dos níveis séricos das vitaminas e minerais em praticantes de atividade física e atletas é essencial para a garantia de bom rendimento, uma vez que participam de inúmeras reações orgânicas, como, por exemplo: do processo de divisão e regeneração celular, da contração muscular e também dos processos envolvidos com a produção de energia. Sendo assim, os principais micronutrientes que fazem parte da avaliação bioquímica do atleta são as vitaminas A, B9, B12, C, D e K e os minerais cálcio, ferro, fósforo, magnésio, potássio, sódio e zinco. No quadro abaixo estão os exames bioquímicos mais utilizados na avaliação nutricional do atleta com seus respectivos valores de referência para adultos de acordo com gênero: Quadro 2 – Exames bioquímicos Valor de Referência Homens Mulheres Hemograma Número de eritrócitos (milhões/mm3) 4,30 a 5,70 3,90 a 5,00 Hemoglobina (g/dL) 13,50 a 17,50 12,00 a 15,50 Hematócrito (%) 39,00 a 50,00 35,00 a 45,00 VCM (fl) 81,00 a 95,00 82,00 a 98,00 HCM (pg) 26,00 a 34,00 CHCM (g/dL) 31,00 a 36,00 RDW (%) 11,80 a 15,60 11,90 a 15,50 Leucócitos totais (mil/mm3) 4,50 a 11,00 Neutrófilos (mil/mm3) 1,80 a 7,70 Monócitos (mil/mm3) 0,00 a 0,80 Linfócitos (mil/mm3) 1,00 a 4,00 Eosinófilos (mil/mm3) 0,00 a 0,45 Basófilos (mil/mm3) 0,00 a 0,20 Plaquetas (mil/mm3) 150,00 a 400,00 Função Hepática Albumina sérica (g/dL) > 3,50 AST (U/L) 14,00 a 20,00 10,00 a 36,00 ALT (U/L) 10,00 a 40,00 7,00 a 35,00 GGT (U/L) 12,00 a 73,00 8,00 a 41,00 Fosfatase alcalina (U/L) 40,00 a 150,00 40,00 a 150,00 11 Bilirrubina direta (mg/dL) 0,00 a 0,20 Bilirrubina total (mg/dL) 0,30 a 1,00 Processo inflamatório Proteína C Reativa Indicador de risco cardiovascular Abaixo de 0,1 mg/dL: risco baixo De 0,1 e 0,3 mg/dL: risco intermediário Acima de 0,3 mg/dL: risco aumentado Indicador de processos infecciosos e/ou inflamatórios De 1,0 e 5,0 mg/dL: encontrado em infecções virais e processos inflamatórios leves De 5,1 e 20,0 mg/dL - encontrado em infecções bacterianas e processos inflamatórios sistêmicos Acima de 20,0 mg/dL - encontrado em infecções graves, grandes queimados e em politraumatismo Estado funcional do músculo CK (U/L) 38,00 a 174,00 26,00 a 140,00 LDH (U/L) 135,00 a 225,00 135,00 a 214,00 Mioglobina (ng/mL) 40,00 VLDL (mg/dL) 3,90 Vitamina B12 (ng/L) Normal: > 300,00 Limítrofe: 190,00 a 300,00 Deficiente:branco, 1 concha média de feijão preto, 2 porções de carne (aproximadamente 200 g) + salada mista (1 prato de sobremesa). o Lanche da tarde (17h00): 2 pacotes de bolacha recheada. o Jantar (22h00): 1 prato de espinafre + 2 tomates + 1 lata de atum. Após a aplicação da anamnese, o profissional nutricionista deve analisar as informações obtidas e, associando com a queixa principal e/ou objetivos do paciente, traçar estratégias para o tratamento nutricional. No quadro abaixo, estão descritas as informações quantitativas do consumo alimentar de R. S. A. de acordo com o recordatório 24 horas aplicado durante a avaliação nutricional. No decorrer da disciplina, estudaremos a recomendação de nutrientes para R. S. A. e então conseguiremos avaliar a adequação. Quadro 2 – Análise quantitativa do recordatório 24 horas de R. S. A. Avaliado Valor Calórico 3408,00 Kcal Carboidratos 449,10 g (52,71%) Proteínas 144,82 g (17,00%) Gorduras 115,11 g (30,40%) Fibra Alimentar 24,84 g Cálcio 1149,26 mg Cobre 2,33 mg Cromo 137,66 mcg Ferro 25,03 mg Fósforo 1805,29 mg Iodo 225,02 mcg Magnésio 456,32 mg Manganês 7,91 mg Ômega-3 180,00 mg Ômega-6 2080,00 mg Potássio 4686,30 mg Vitamina A 225,29 ug Vitamina B1 1,12 mg Vitamina B2 1,95 mg Vitamina B3 26,98 mg Vitamina B5 7,19 mg Vitamina B6 1,69 mg 15 Vitamina B9 563,72 mcg Vitamina B12 7,62 mcg Vitamina C 100,62 mg Selênio 7,14 mcg Sódio 3145,65 mg Zinco 21,64 mg NA PRÁTICA Os sinais e sintomas de R. S. A. nos sugerem investigar como está a adequação do consumo dos seguintes nutrientes: proteína, ácidos graxos essenciais, coenzima Q10, complexo B, vitamina A, vitamina C, cálcio, cobre, cromo, ferro, fósforo, iodo, magnésio, manganês, potássio, selênio, sódio e zinco. Para isso, o nutricionista pode inicialmente fazer uma investigação mais detalhada do consumo alimentar, complementando com outros tipos de inquéritos dietéticos, como o QFA e o registro alimentar de 3 dias. Após isso, pode fazer a solicitação de alguns parâmetros bioquímicos laboratoriais que julgar pertinente como complementar à sua avaliação nutricional. FINALIZANDO Até o momento, estudamos as etapas B, C, D e E da avaliação nutricional com ênfase ao levantamento de informações necessárias para a prescrição dietética do atleta. Após a aplicação da anamnese nutricional, deve-se estudar quais aspectos devem ser melhor investigados para que a conduta nutricional esteja alinhada à queixa principal e/ou objetivos do praticante de atividade física e/ou atleta. 16 REFERÊNCIAS BIESEK, S.; ALVES, L. Z.; GUERRA, I. Estratégias de Suplementação no Esporte. 3. ed. São Paulo: Manole, 2016. BRASIL. Lei n. 8.234, de 17 de setembro de 1991. 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