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A entrevista lúdica
diagnóstica
Professora: Isabela Rocha
OBJETIVO
Discutir fundamentos da Entrevista
Lúdica Diagnóstica para o processo de
avaliação psicológica
ENTREVISTA CLÍNICA
DIAGNÓSTICA
A entrevista clínica busca obter informações do indivíduo que esta
sendo avaliado
Comportamentos relacionados a queixa
Vivências e eventos associados a queixa
Padrões afetivos e pensamentos
Presença ou ausência de outros sintomas
As informações são obtidas por meio da observação e entrevistas
Analisa-se o comportamento verbal e não-verbal dos indivíduos
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
A técnica pode ser utilizada para avaliar as representações de
conflitos da criança
do ponto de vista evolutivo (adequação da brincadeira ao nível
de desenvolvimento)
do ponto de vista patológico (defesas, ansiedades, medos, etc.)
A criança representa seu mundo através da brincadeira.
Com base na brincadeira, a criança tem a oportunidade de
expressar angústias, medos, traumas...
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
A entrevista lúdica diagnóstica busca obter informações do
indivíduo que esta sendo avaliado por meio de jogos e
brincadeiras
Como a criança/pré-adolescente/adolescente interage com os
brinquedos
Há receio em brincar?
Há espontaneidade?
Busca algum tipo de aprovação ou “confronto”?
Presença ou ausência de sintomas comportamentais
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Como a criança/pré-adolescente/adolescente interage com os
brinquedos
Brincadeira “coesa”
Desinteresse nas atividades
Envolve ou não o(a) entrevistador(a) na brincadeira
CUIDADOS TÉCNICOS NO
INÍCIO DO PROCESSO
AVALIATIVO
Contato inicial (telefone, whatsapp)
No contato por telefone, já podem
ser observadas informações
importantes como:
Quem entrou em contato?
Qual a demanda?
Qual o nível de urgência?
Expectativas em relação ao
atendimento
CUIDADOS TÉCNICOS NO
INÍCIO DO PROCESSO
AVALIATIVO
Número de sessões
Entrevistar os pais juntos ou
separados?
Entrevistar os pais juntos com a
criança?
Casais separados
Entrevistar avós, babás...?
Perguntar para a criança quem
ela gostaria que participasse das
sessões
CUIDADOS TÉCNICOS NO
INÍCIO DO PROCESSO
AVALIATIVO
Número de sessões 
Frequência dos atendimentos
Avaliações concomitantes
(médico, fisioterapeuta,
fonoaudiólogo, etc)
Sigilo das informações
Ponderar sobre o que pode ou
não ser passado
CUIDADOS TÉCNICOS NO
INÍCIO DO PROCESSO
AVALIATIVO
Sigilo das informações
-Informações dos pais não devem 
ser compartilhados com a criança
-Informações pessoais da criança 
-Informar a criança quando for 
realizar um contato com um 
terceiro e o que será dito
CUIDADOS TÉCNICOS NO
INÍCIO DO PROCESSO
AVALIATIVO
Sigilo das informações
Deve-se informar a criança quando serão realizadas entrevistas com
os Cuidadores
Deve-se “resumir” para a criança o que será discutido com os
Cuidadores
Vamos conversar sobre as dificuldades que você está enfrentando na
escola...
Vamos falar sobre como você tem se sentido…
 
CUIDADOS TÉCNICOS NO
INÍCIO DO PROCESSO
AVALIATIVO
Situações graves que requerem algum tipo de denúncia ao Ministério
Público e/ou Conselho Tutelar devem ser realizadas após explicar para a
criança a necessidade dessas serem realizadas
 
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Entrevista Lúdica Diagnóstica é diferente da Entrevista Lúdica
Terapêutica
Entrevista Lúdica Diagnóstica 
Tem início, meio e fim
Focada na queixa principal
do avaliando
Entrevista Lúdica Terapêutica
Ocorre ao longo do processo
psicoterápico
Objetiva contribuir no
desenvolvimento do indivíduo
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Pode ser realizada em apenas uma sessão ou em todas as sessões
A demanda do avaliando(a) define a frequência da realização da
entrevista lúdica diagnóstica
Deve-se observar se…
Criança não brinca – Questiona-se o quê “motiva” essa criança
a não brincar
Como a criança reage ao precisar realizar uma tarefa planejada,
como responder a um teste
Como interage com os brinquedos e materiais da sala
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Contribui para investigar questões associadas ao desenvolvimento
Marcos do desenvolvimento da criança estão em conformidade
com a idade
Apresenta um pensamento mais centrado em si e fala de si na
terceira pessoa
Comum em crianças até os seis/sete anos
Consegue contar histórias “coerentes”, realizar atividades
matemáticas básicas e separar objetos por similaridades
Comum em crianças com mais de sete anos
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Exemplo: Criança de 8 anos 
com dificuldade de falar
separar objetos por cor, tamanho, forma
Não interage durante a brincadeira
Há altas chances que esta criança esteja apresentando algum tipo de
prejuízo ao longo do seu desenvolvimento
Importante investigar se o prejuízo está associado
Ao processo de desenvolvimento da criança
Ao contexto, como falta de oportunidades para brincar
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
O Psicólogo também deve ficar atento se...
A criança relata uma história com um nível de coerência e complexidade 
incomum para sua idade, assemelhando-se à fala de um adulto. 
Investigar se há algum adulto por trás dessa história ou se solicitou 
que ela contasse
Quando parecer que a criança contou uma história "decorada" pode-se 
perguntar:
Tinha mais alguém lá?
O que seu pai/mãe/irmã... achou disso?Como 
você se sentiu?
Comum em situações de violência
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Quando parecer que a criança contou uma história "decorada" pode-
se perguntar:
Como você acha que seu pai/mãe... se sentiram?
Deve-se evitar perguntar se alguém pediu para que a criança
contasse isso
Ou colocações que coloquem em dúvida o que foi dito
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Ao brincarem com a criança, repetidamente a criança “retira” o
personagem de vocês da brincadeira
Criança: Agora o Leão foi dormir… Agora o pássaro voou…
Podemos questionar:
Terapeuta: Por quê o Leão foi dormir?
Para onde o pássaro voou?
Podemos realizar intervenções espontâneas:
Terapeuta: Agora o Leão acordou e está perguntando se pode
voltar a brincar…
Observar como a criança reage e o que ela fala
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Não há uma padronização para a entrevista lúdica diagnóstica.
Contudo, sabe-se que alguns comportamentos do Psicólogo facilitam
a interação
Estar verdadeiramente atento, disponível e interessado no que a
criança/adolescente tem a dizer;
Deve-se criar um ambiente em que a criança se sinta confortável
para propor o que deseja ou não fazer;
Entretanto é necessário que sejam estabelecidas "regras"
conforme a demanda da criança;
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Exemplo: 
Não pode brincar de pular corda se o consultório não for no térreo
Não pode quebrar os brinquedos
As regras devem ter sentido, serem apresentadas de uma forma que a
criança possa entender e estarem associadas a proposição de uma
outra atividade
Exemplo:
Com certeza seria legal pular corda, mas não podemos pular
porque estamos em um prédio. Qual outra atividade podemos
fazer?
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Exemplo: 
Fulano, este brinquedo é da sala e eu não gostaria que você fizesse
isso (destruir o brinquedo). 
Tem alguma outra maneira que podemos brincar?
Podemos jogar outro jogo?
Por quê você está fazendo isso? 
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Estrutura física Paciente
Criança ou pré-adolescente
A sala deve ter espaço para a
criança brincar
Ambiente bem iluminado
Cores pastéis
Há um “espaço” destinado a
criança
Almofadas (se possível)
Alguns brinquedos estejam
visíveis a criança
Outros podem estar em armários
ou caixas
Acesso “fácil” ao banheiro
Materiais lúdicos
Lápis de cor, giz de cera, papéis
Quadro para desenhar (se possível)
Massa de modelar e/ou argila (se
possível)
Tintas (se possível)
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
O espaço físico é importante, mas não é o "mais importante"
Acima de tudo deve ser um espaço em que o avaliando se sinta
acolhido.
Que garanta o sigilo.
No caso de atendimento a criança
As tomadas devem ser protegidas;
Materiais perigosos fora do alcance
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Jogos estruturados, sim ou não?
Limitaa criatividade x cria possibilidade de interação.
Uso de computadores, tablets ou celulares.
Os pais permitem que o filho use o dispositivo?
O paciente apresenta algum tipo de dependência tecnológica?
O jogo é apropriado para avaliação psicológica como um todo?
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
VINHETA CLÍNICA
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Caixa lúdica ou caixa individual
A caixa lúdica simboliza que o material discutido no espaço terapêutico
será sigiloso e compartilhado entre o paciente e o terapeuta
Utilizada como um recurso concreto para auxiliar a criança a
compreender o processo psicoterápico e/ou de avaliação
psicológica
Demonstra o cuidado do profissional de psicologia com as
produções do paciente
Contribui para fortalecer o vínculo entre a criança e o paciente
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Caixa lúdica ou caixa individual
Caixa “construída” com a criança com materiais exclusivos da
criança
A “caixa” pode ser desde uma caixa arquivo, caixa de sapato,
gaveta com chave, caixa de madeira
Algum material que permita guardar os materiais da criança em
“segurança” e privacidade
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Caixa lúdica ou caixa individual
Conteúdo
Pode conter materiais produzidos pela criança durante o processo
avaliativo/ terapeutico
Lápis de cor
Brinquedos favoritos...
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Apresentação da Caixa lúdica 
Não há consenso 
Alguns autores sugerem que a criança "descubra a caixa"
Outros que seja apresentada e construída com a criança
Pode ser utilizado como uma forma de fortalecer o vínculo de
confiança com a criança 
Na primeira sessão, ou quando considerar oportuno, mostrar que
a criança tem uma caixa e que pode guardar suas produções
naquela caixa
Explicar a “função” da caixa como essa será utlizada
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Materiais coletivos
Alguns autores sugerem utilizar apenas materiais exclusivos para
a criança, para diminuir o número de estímulos aos quais a
criança é exposta
Outros teóricos entendem que a interação da criança com
diferentes materiais coletivos e/ou individuais contribuem para
compreender o funcionamento interno da criança
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Materiais coletivos
Os materiais coletivos contribuem para compreender se a criança
apresenta…
Ciúmes dos materiais coletivos
Não se interessa pelos materiais coletivos
Tem maior interesse por determinados brinquedos ou não tem
um padrão
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Materiais coletivos – Não Estruturados “Necessários”
Lápis de cor, giz de cera Papéis
Apontador, borracha
Cola, tesoura, fita adesiva
Caso possível”
Tintas, glitter, purpurina
Argila e massa de modelar
Barbantes, lã, cordas, pedaços
de tecido, algodão
Quadro para desenho
E outros
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Materiais coletivos – Estruturados “Necessários”
Brinquedos de diferentes tamanhos e “tipos” 
Bonecos, animais, carros, bola
Livros infantis
Jogos com algum tipo de regras
Pode ser do jogo de dama 
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Materiais coletivos – Estruturados 
Como escolher os brinquedos e jogos?
Orçamento disponível
Durabilidade e “atemporalidade” do jogo
Compreensão que vocês têm sobre esse brinquedo
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Brinquedos que devem ser mantidos fora do alcance
Jogos de bola de gude e jogos com pequenas peças
Crianças podem engolir as peças
Jogos que podem ser “estragados” se a criança molhar ou rasgar
A criança deve se sentir em um espaço seguro
Não há necessidade de “controlar” tudo o que ela faz
Não necessariamente ela pode fazer “tudo” que desejar
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Iniciando a Entrevista Lúdica Diagnóstica
1° passo
Convidar a criança para acompanhar o terapeuta até a sala
2° passo 
Realizar o rapport com a criança (apresentação + motivo)
Profissional de psicologia deve apresentar-se
Explicar de forma ampla o processo da avaliação psicológica
Serão realizados alguns encontros
Duração da sessão
Sigilo
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Evitar reproduzir discursos ditos sobre a criança para a criança
Sobre solicitar a guardar os brinquedos, não há consenso 
Solicitar a criança para guardar os brinquedos pode contribuir para
criança
Entender que a sessão está terminando
“Criar” estratégias de como “organizar” seus conteúdos 
 “Criar” estratégias para entender limites
Diferenciar o espaço da sessão e outros espaços
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Postura do terapeuta na sessão da Entrevista Lúdica Diagnóstica
O brincar é o processo de associação livre da criança
Nas primeiras sessões o terapeuta pode assumir uma postura mais 
“passiva” e aos poucos realizar intervenções que contribuam para 
compreender a interação com a criança
Caso a criança não brinque ou não se envolva em qualquer atividade 
Psicoterapeuta pode “assumir” uma postura mais direta e convidar a 
criança a desenhar, escolher um brinquedo, escolher uma atividade para 
eles realizarem e sempre conversar com a criança
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Postura do terapeuta na sessão da Entrevista Lúdica Diagnóstica 
Interpretações e comentários sobre as brincadeiras podem ser 
realizadas ao longo da sessão
O terapeuta deve assumir o papel do personagem da brincadeira que a 
criança criou
Se há um ataque contra o personagem, espera-se que o personagem 
fique com medo
A expressão do medo ou de outros sentimentos sempre deve ser 
realizada acompanhada de perguntar que contribuam a solucionar a 
situação
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Por exemplo:
Criança: Agora os monstro vai atacar a casa.
Terapeuta: Que medo! O que podemos fazer?
Os comentários do terapeuta buscam contribuir no processo de
elaboração da criança e “diminuir” a hostilidade ou angústia da
brincadeira
A ideia não é negar a angústia, mas demonstrar como podemos
gerenciar essa angústia
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Postura do terapeuta na sessão da Entrevista Lúdica Diagnóstica
As entrevistas lúdicas diagnósticas são uma das principais ferramentas 
para trabalhar com as crianças
Priorizar os benefícios da avaliação psicológica à criança é relevante, pois 
a avaliação psicológica também se caracteriza como uma intervenção 
realizada ao longo do processo
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
As habilidades de observação do terapeuta são essenciais para realizar
uma entrevista lúdica que permita a compreensão do funcionamento da
criança
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Ao término da avaliação psicológica são realizadas entrevistas de
devolução
Devolução aos cuidadores e a criança
Ao término da avaliação, a entrevista lúdica pode ser utilizada como
uma estratégia para explicar para a criança que o processo de avaliação
psicológica será concluído
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA
Enquanto Psicólogos é importante se perguntar…
Tenho interesse em trabalhar com crianças?
Tenho disponibilidade emocional para trabalhar com crianças?
Consigo gerenciar os limites de intervenções com crianças?
REFERÊNCIA DA AULA
Entrevista Lúdica Diagnóstica. In:
HUTZ, C. S.; et al. Psicodiagnóstico.
1. Porto Alegre: Artmed, 2016.
Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.
com.br/#/books/9788582713129/re
cent