DIREITO À IMAGEM
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DIREITO À IMAGEM


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DIREITO À IMAGEM
	
	Antes de tudo, é essencial caracterizar aquilo que se considera imagem para a tutela desse direito. Em primeiro lugar, temos a acepção clássica de representação iconográfica \u2013 o retrato. Entretanto, esse conceito também abarca outras duas dimensões \u2013 a voz e a imagem-atributo ou, em outras palavras, a reputação. Ou seja, a imagem diz respeito a praticamente todas as características identificadoras (fisionomia, comportamentos) que exteriorizam a personalidade do sujeito, individualizando-o em meio à coletividade.
Vale ressaltar que Rosenvald e Farias (2015) fazem questão de explicar que o direito à imagem também se estende às pessoas jurídicas, em que pese ter apenas uma das dimensões da imagem, qual seja a imagem-atributo.
	Do ponto de vista histórico, a imagem sempre teve uma profunda importância para a sociedade, seja na manutenção de fatos pretéritos, seja na construção de perfis de liderança ou até mesmo envolvida de sacralidade, como no caso dos ídolos religiosos. Nesse sentido, se a imagem sempre representou grande preocupação, essa última é maior ainda na atualidade. 
Isso se deve a basicamente dois fatores: a difusão de inúmeros aparelhos eletrônicos e digitais \u2013 praticamente, todos hoje têm um celular com uma câmera à mão \u2013 e a evolução da internet que permite que essas imagens se espalhem em uma velocidade absurda. Só para se ter uma ideia, o número de imagens compartilhadas por dia no aplicativo whatsapp chega a 700 milhões.
	Dessa forma, a tutela legal da imagem mais do que nunca se faz necessária no sentido de regulamentar a sua veiculação e proteger esse direito de potenciais danos morais, algumas vezes irreparáveis. No decorrer deste trabalho, apresentar-se-ão, pois, a legislação específica em torno do direito à imagem e os principais casos de sua violação.
Legislação específica, doutrina e jurisprudência em torno do direito à imagem
O direito à imagem é de tamanha importância, como já citado, que está contemplado inclusive no rol de garantias e direitos fundamentais do Art. 5º da Constituição Federal:
 V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;
Já conforme o Art. 20º do Código Civil: 
Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. 
 Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.
Rosenvald e Farias (2015), porém, chamam atenção para a necessidade de interpretar o art. 20º do CC à luz da Constituição, uma vez que o direito à imagem não está vinculado à honra, à privacidade ou à exploração econômica, embora com elas se relacione. O direito à imagem é um direito autônomo. Assim sendo, não precisa haver um ataque direito a um desses outros direitos para que se faça valer a legislação. 
Em outras palavras, o caso de uma imagem não autorizada em uma campanha sem fins lucrativos em favor de crianças com câncer, isto é, um motivo moralmente nobre, ainda fere o direito à imagem. A isso complementam Stolze e Pamplona:
\u201c[...] não só a utilização indevida da imagem (não autorizada) mas também o desvio de finalidade do uso autorizado (ex. permite-se a veiculação da imagem em outdoor, e o anunciante a utiliza em informes publicitários) caracterizam violação ao direito à imagem, devendo o infrator ser civilmente responsabilizado\u201d (STOLZE; PAMPLONA, 2014, p.224).
	Também assevera a súmula 403 do Superior Tribunal de Justiça:
	Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.
Sanções legais
Como afirmam Rosenvald e Farias (2015), há duas formas de sanção basicamente em casos de violação de direito à imagem. A primeira é a tutela preventiva (inibitória), que impede a circulação da imagem, e a segunda é a indenização por danos morais e materiais decorrentes da divulgação, conforme o art. 12 do CC:
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.
A respeito dessa reserva legal feita pelo parágrafo único do Art. 12, ela é de suma importância e pode ser observada no recente caso envolvendo a morte do cantor Cristiano Araújo em um acidente de carro. Logo, após o ocorrido, fotos do corpo do cantor foram espalhadas por diversos sites e redes sociais. Pelo pedido da família, foi possível a decretação de uma medida judicial que determinava a retirada imediata das imagens da circulação, sob pena de multa.
Outro caso controverso, porém, diz respeito às ocasiões em que, na foto de particulares, acabam aparecendo terceiros. Como já mencionado, não é preciso que eles estejam em situação constrangedora para se valerem de seu direito à imagem. O ideal, porém, é que esse tipo de discussão seja resolvida por meio da própria autonomia dos sujeitos envolvidos em detrimento de levar a causa a juízo. 
Caso as imagens não sejam apagadas ou tiradas de circulação, cabe, sim, nesses casos, entrar na Justiça e requerer as sanções legais previstas. Ainda assim, nesses casos, é importante constatar se, de fato, houve má fé de quem publicou a imagem para a aplicação de uma sanção proporcional, optando, em caso de não comprovada a má fé, por um valor simbólico em detrimento de uma indenização muito elevada, por exemplo.
 Por fim, vale considerar também o ambiente onde as fotos foram tiradas. Fazendo uma analogia com o direito penal, tirar fotos em locais, como banheiros e vestiários, significa assumir os riscos de gerar potenciais danos a terceiros em situações indesejadas.
Extensão patrimonial do direito à imagem
 Direitos autorais: proteção ao inventor, mas também ao intérprete e ao representado.
- Regulamentação de exibição e reprodução de conferências, obras musicais, audiovisuais...
 Direito de arena: direito do esportista de impedir que terceiros, sem sua autorização, divulguem sua imagem através de transmissões televisivas ou outros meios de comunicação, ao participar de competições ou jogos nos quais é cobrada a entrada de público. Visto de outro ângulo, é a cessão legal para o uso da imagem no contexto específico de um evento aos organizadores/divulgadores. Fora, porém, desse âmbito, não há autorização para uso da imagem. Ex.: a imagem do jogador em uma partida não pode ser aproveitada em um álbum de figurinhas sem o devido consentimento.
Relativização do direito à imagem
 Fotos íntimas e vingança virtual.
Função social da imagem de uma pessoa
 Problema de circulação de informações falsas
Relativização do direito à imagem de pessoas públicas.
 Caso Daniella Cicarelli
Em setembro de 2006, um vídeo foi divulgado no youtube, expondo cenas íntimas de Daniella Cicarelli com o namorado em uma praia espanhola. A autoria das imagens é de um paparazzo, que compartilhou as imagens no site.
À época, os dois entraram na Justiça, buscando impedir a divulgação das imagens. A princípio, conseguiram que fossem retirados os vídeos da internet. Entretanto, alguns usuários continuaram compartilhando-o,
Neto
Neto fez um comentário
Show!!!
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