O Deficiente Físico na Educação Física Escolar
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O Deficiente Físico na Educação Física Escolar


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Introdução
A educação física vem refletindo sobre a temática da deficiência, com o intuito de minimizar os problemas e assegurar a inclusão desse grupo minoritário. 
Em termos históricos, podemos afirmar que as pessoas portadoras de deficiência eram excluídas da sociedade. A preconização do corpo máquina nos faz entender que quem não produz é representado como inválido, sem utilidade. Estas características são atribuídas indistintamente a todos que têm alguma deficiência, marginalizando-os.
A releitura a deficiência através da lente da inclusão se faz urgente e necessária. Encontramos respaldo em Sassaki (1997) quando afirma que a inclusão social é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade através de transformações pequenas e grandes, nos ambientes físicos e na mentalidade de todas as pessoas, como também do portador de deficiência física.
Nesse sentido, a Educação Física escolar pode se constituir como agente de inclusão. A atividade física adequada às possibilidades dos sujeitos, valoriza, integra à realidade, obtendo autonomia, autoconfiança e liberdade.
A construção social da deficiência física
A convivência com pessoas com necessidades especiais é marcada, em cada época da história, por ações discriminatórias que geram representações preconceituosas. Na antiguidade as crianças eram mortas quando nasciam com má-formação ou doentes. As que sobreviviam eram abandonadas e ficavam a deriva da sorte ou eram utilizadas por pessoas pobres para pedir esmola. Em outros locais eram vistas como "possuídas pelo demônio" e que precisavam ser purificadas. Esse fato mascarava flagelos e humilhações.
Essa visão foi alterada com o Cristianismo que considerava que todos os homens são filhos de Deus e, portanto, possuidores de alma. Os cristãos acreditavam que somente Deus podia dar ou tirar a vida, tornando-se pecado qualquer ação contra a vida do homem. Sendo assim, os deficientes não podiam mais ser mortos, maltratados ou abandonados. Apesar disso, o confinamento e a segregação eram permitidos, visto que era suficiente como ato caridoso ao deficiente, o alimento e o teto.
Esses rótulos produziram sentimentos como repugnância, piedade, segregação e isolamento a essas pessoas, fortalecendo e ratificando os preconceitos até os dias atuais. Dessa forma, as pessoas com deficiência mental, sensorial ou física encontram-se, desde antiguidade, a margem da sociedade.
Essa marginalização se torna marcante quando uma multiplicidade de barreiras são impostas para essas pessoas. Esses desafios podem provocar reações como ânimo e determinação, ou podem, levar a acomodação e ao desânimo. Sendo assim, para avançarmos nas discussões sobre a intervenção da educação física escolar com deficientes físicos deveremos privilegiar os aspectos positivos, as vantagens: as possibilidades.
O esporte no cotidiano do portador de deficiência física
Ser portador de alguma deficiência física inata ou adquirida por algum acidente é, sem dúvida, ser merecedor de um tipo específico de atenção, seja no campo pessoal, familiar, ou ainda no campo social.
Nesse contexto, quando a escola trabalha com a prática de esporte, ela pode significar, no imaginário do deficiente, uma forma de evidenciar suas deficiências, retirando-o da convivência com os outros, significando sacrifício e exclusão. Por outro lado, pode também significar melhorias para a sua qualidade de vida, por proporcionar prazer e ser sentida como uma prática que não desconsidera sua deficiência e seus limites, mas sim, evidencia a sua eficiência e possibilidades.
A condição de igualdade social nem sempre está presente no cotidiano do deficiente físico. No âmbito escolar nem todos conseguem uma vaga em uma instituição com serviço educacional adequado. Seria necessário que o acesso à escola com serviços especializados fosse para todos, em classes adequadas à idade, a fim de prepará-los para uma vida autônoma como membros plenos da sociedade.
Esses mesmos deficientes têm seus direitos garantidos pela legislação. Mas a garantia se esvai, quando perante tantos desafios, que os tolhem e os retalham no exercício de sua cidadania, desanimam e se acomodam a condição de heteronomia. O preconceito e a discriminação se fazem concretos, pois suspeitamos que, por estarem presentes em toda parte, a sociedade desconhece como tratar essa diferença.
Com a educação física apropriada aos deficientes, poderíamos mostrar à sociedade que todo cidadão, deficiente ou não, é capaz de viver com suas deficiências, praticando alguma atividade física, sem que as pessoas os olhem com compaixão. Mas sim, como capazes de ampliar suas possibilidades nos campos axiológicos, social, político e cultural.
Valores como determinação, cooperação, auto-superação, autoconfiança, socialização, bem como habilidades motoras e cognitivas, podem ser referenciados pela prática da atividade física. 
Ao trabalhar com o deficiente, precisamos intervir visando uma educação física que os conscientize de suas deficiências, mas que os faça desvelar suas possibilidades e motivá-los na busca de melhorias para a sua qualidade de vida, facilitando suas atividades cotidianas.
Tornar a educação física uma prática emancipatória para os deficientes físicos é um desafio posto aos atuais e futuros profissionais de educação física.
Rompendo com exclusão e instituindo a inclusão
Acreditamos que, conceber o deficiente físico como um ser inútil, é formular pré-conceitos e rotular arbitrariamente uma pessoa. Segundo relato da autora Edler (1998), as pessoas que se tornaram deficientes físicos na fase adulta, entendem que uma das maiores barreiras é a ignorância do que seja um deficiente. Eles próprios, antes do acidente que os vitimou, nunca tinham pensado nas necessidades especiais dos "chumbados" (p.28). Portanto, diante dessa afirmativa concluímos que falta conhecimento na sociedade e isso gera preconceito e discriminação.
Ao ponderarmos sobre esses preconceitos no campo educacional percebemos que ele pode surgir na própria formação do professor através de representações que lhe são passadas através de posturas que submetem o deficiente a alguma prática desportiva que não considere suas diferenças e potencialidades, estará expondo-o à situações de constrangimentos.
O preconceito social existente pode levar os deficientes a criarem um mundo só deles, fazendo com que construam barreiras subjetivas que se tornam intransponíveis.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, na década de 80, mais de 500 milhões de pessoas, ou 10% da população mundial total, tem algum tipo de deficiência. Na maioria dos países, pelo menos uma em cada 10 pessoas tem um impedimento físico, mental ou sensorial, e pelo menos 25% da população geral são adversamente atingidos pela presença das deficiências. Estes números mostram o enorme tamanho do problema e, enfatiza o impacto deste fenômeno sobre qualquer sociedade como um todo.
Entretanto, esta quantificação, sozinha, não constitui uma base suficiente para se avaliar a real gravidade do problema. Se o sujeito, além de deficiente, é de uma classe social baixa, as barreiras que eram caracterizadas pela dimensão física, passam a se constituir também na dimensão social.
Na perspectiva inclusiva da educação física é imprescindível que os professores da área de educação física estejam preparados para lidar, no seu interior com as muitas diferenças.
Devemos reiterar que o espaço da Educação Física é lugar propício para possibilitar a compreensão de suas limitações e capacidades, auxiliando-o na busca de uma melhor adaptação à realidade corpórea que ele possui e à sociedade na qual está inserido.
A pré-concepção de significados, produzido pela imagem do deficiente no imaginário social, os sugere como alguém dependente e incapaz de gerir sua própria vida, reduzindo à retalhos humanos. Ao vislumbrar esse sujeito, não podemos fazê-lo pela lente da incapacidade. Pois assim fica comprometida uma importante reflexão em torno do seu significado político, econômico e social imposto pela deficiência,